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Ebook

Guia do
IRS
Prático e descomplicado
Índice
Nota Editorial 4

1ª Parte: Compreender o imposto 6

O que é o IRS? 7

Categorias de rendimentos 8

Escalões de IRS 10

Retenção na fonte 16

Deduções à coleta de IRS 20

2ª Parte: Entrega da Declaração 26


Quem está dispensado de entregar a declaração? 28

IRS automático 30

Preencher o IRS - Declaração Modelo 3 34


O Ekonomista
preparou um
guia prático,
que ajuda não
só a entender a
forma como o
IRS é tributado,
mas também o
que é necessário
fazer na hora
de entregar a
declaração.
NOTA EDITORIAL

Está aberta a campanha de IRS referente aos rendimentos de 2020. À


semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, o Ekonomista
preparou um guia prático, que ajuda não só a entender a forma como
este imposto é tributado, mas também o que é necessário fazer na hora de
entregar a declaração.

Independentemente do tipo de rendimentos que tenha recebido no ano


passado, recordamos-lhe que tem entre os dias 1 de abril e 30 de junho para
submeter a declaração modelo 3 ou confirmar o IRS automático através do
Portal das Finanças.

A este propósito destacamos uma novidade. Este ano, o IRS automático


vai abranger pela primeira vez alguns trabalhadores independentes,
alargando assim o universo de contribuintes que podem beneficiar da
declaração automática. Para estes, a declaração e respetivos anexos já vêm
automaticamente preenchidos pela Autoridade Tributária, o que torna o
processo de entrega mais simples e rápido.

Se não está entre os contribuintes abrangidos por esta modalidade, não há


razões para preocupação. Na segunda parte do guia encontra um passo a
passo com todas as indicações necessárias para o preenchimento e entrega
da declaração modelo 3.

Além disso, se quiser perceber melhor como funciona a cobrança deste


imposto, que escalões de IRS existem, o que é a retenção na fonte ou quais
as despesas que dão direito a dedução, encontra nas próximas páginas uma
explicação em linguagem acessível.

Não sendo um Código do IRS em miniatura — está muito longe disso! — este
guia procura descomplicar algumas das regras relacionadas com o imposto.
Depois de o ler, vai ver que afinal o IRS pode ser um pouco mais simples do
que parece.

Aviso Legal:

O conteúdo apresentado neste guia tem por base a informação disponível


até à data de publicação e é prestado de forma geral, tratando-se de textos
meramente informativos, pelo que não constitui nem dispensa a assistência
profissional qualificada.

4
1ª Parte:
Compreender
o imposto

6
O QUE É Comecemos pelo início. IRS é a sigla
para Imposto sobre os Rendimentos
rendimentos não sejam suficientes
para garantir o mínimo de existência.
O IRS? de Pessoas Singulares. Este imposto As regras referentes ao imposto
incide diretamente sobre os estão definidas no Código do IRS
rendimentos dos cidadãos e abrange (CIRS), nomeadamente a forma
quer os que vivem em Portugal, como este é tributado.
quer os não residentes que auferem
rendimentos em território nacional.

Provavelmente já ouviu dizer que o


IRS é progressivo, o que significa que
é aplicado tendo em conta o nível de
rendimentos do agregado familiar.
Quem ganha mais, paga mais de
imposto. E quem ganha menos pode
nem sequer pagar, basta que os seus

7
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

CATEGORIAS DE 2. Categoria B
RENDIMENTOS Fazem parte desta categoria os
rendimentos empresariais e
Normalmente associamos o IRS
profissionais, isto é, aqueles que
aos rendimentos do trabalho, até
decorrem de qualquer atividade
porque esta é a maior fatia do
comercial, agrícola, industrial,
rendimento declarado às Finanças.
silvícola ou pecuária. É também
Mas não é a única. No total, existem
na categoria B que se inserem
seis tipos de rendimentos que
os rendimentos auferidos por
devem ser comunicados através
trabalhadores independentes (os
da declaração anual de IRS (e dos
chamados “recibos verdes”).
respetivos anexos).
Este tipo de rendimentos deve ser
declarado no anexo B (para quem
está no regime simplificado ou
1. Categoria A passou um ato isolado) ou no anexo
C (para quem tem contabilidade
Os rendimentos da categoria A
organizada).
dizem respeito aos rendimentos
do trabalho dependente.
Nesta categoria incluem-se as
remunerações provenientes do
3. Categoria E
trabalho por conta de outrem —
como, por exemplo, os vencimentos, Esta categoria integra os
gratificações, comissões, subsídios, rendimentos de capitais, ou seja,
prémios ou indemnizações — bem os frutos ou vantagens económicas
como as que resultem de situações obtidos através do património de
de pré-reforma ou pré-aposentação, natureza mobiliária. É aqui que
entre outras. Estes rendimentos se incluem, por exemplo, os juros
devem ser declarados no anexo A dos depósitos à ordem ou a prazo
da declaração Modelo 3 do IRS. e outras aplicações financeiras,
os rendimentos da propriedade
intelectual, ou os lucros dos sócios
de empresas. Estes rendimentos são
declarados no anexo E.

8
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
4. Categoria F 6. Categoria H
Os rendimentos da categoria F Os rendimentos da categoria
dizem respeito aos rendimentos H dizem respeito às pensões
prediais. Trata-se, basicamente, (de alimentos, velhice, reforma,
das rendas recebidas pelo uso de invalidez ou sobrevivência), às
um prédio ou parte dele. Podem rendas temporárias ou vitalícias e
ser, por exemplo, os rendimentos ainda às indemnizações que visem
provenientes do aluguer de uma compensar perdas de rendimentos
casa, mas também da cedência desta categoria. Todos eles devem
de espaço para a colocação de ser declarados no anexo A.
publicidade. Esta categoria abrange
ainda os rendimentos provenientes
da exploração de alojamento local,
Rendimentos obtidos
desde que esta não esteja afeta a
uma atividade empresarial. Todos
no estrangeiro
estes rendimentos devem ser Os rendimentos obtidos no
declarados no anexo F do IRS. estrangeiro por cidadãos com
residência fiscal em Portugal têm
de ser declarados no Anexo J e
discriminados consoante a sua
5. Categoria G
natureza. É também necessária a
Na categoria G enquadram-se os identificação do país onde foi obtido
incrementos patrimoniais que o rendimento e, caso tenha sido
não são considerados nas restantes pago imposto no estrangeiro, deve
categorias de rendimentos. É o ser indicado o respetivo montante.
caso, por exemplo, das mais valias
Estes rendimentos podem incluir
resultantes da venda de ações ou
pensões, juros de aplicações
imóveis, das indemnizações, ou das
financeiras ou contas bancárias
importâncias auferidas em virtude
noutros países, assim como
da assunção de obrigações de não
quaisquer outros rendimentos que
concorrência. Os rendimentos da
normalmente se incluiriam nas
categoria G são declarados nos
seis categorias de IRS, caso fossem
anexos G e G1.
obtidos em território nacional.

9
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

ESCALÕES Como lhe dissemos logo no início


deste guia, o IRS é um imposto
Atualmente existem sete escalões
de IRS e a cada um correspondem
DE IRS progressivo e, como tal, é tributado duas taxas diferentes: a taxa normal
tendo em conta o nível de e a taxa média. Já de seguida vamos
rendimentos do agregado familiar. explicar-lhe como funcionam.

Assim, a cada nível de rendimento Mas antes disso vejamos quais os


são aplicadas taxas de IRS distintas, escalões que vigoraram em 2020
que aumentam progressivamente (Art. 68.º do CIRS) e que determinam
à medida que subimos de escalão. o imposto devido em 2021.
Isso significa que, quanto maior é o
rendimento do agregado, maior é o
imposto a pagar.

10
Taxas de IRS 2020

Rendimento

PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO


Escalão Taxa Normal Taxa Média
Coletável

1.º Até 7.112€ 14,50% 14,50%

2.º 7.112€ – 10.732€ 23% 17,367%

3.º 10.732€ – 20.322€ 28,50% 22,621%

4.º 20.322€ – 25.075€ 35% 24,967%

5.º 25.075€ – 36.967€ 37% 28,838%

6.º 36.967€ – 80.882€ 45% 37,613%

7.º Mais de 80.882€ 48% –

Como saber em que Exemplo:

escalão se insere? Um trabalhador por conta de outrem


que tenha um salário bruto de mil
Para saber em qual dos escalões de euros mensais, ao rendimento anual
IRS se enquadra, precisa de calcular de 14 mil euros (14×1.000€), verá
o seu rendimento anual coletável. subtraídos 4.104 euros de deduções
Este rendimento é a soma de tudo o específicas.
que ganhou ao longo do ano, ou seja,
O rendimento coletável desse
do rendimento anual bruto, menos o
trabalhador é, então, de 9.896 euros
valor das deduções específicas.
(14.000€ – 4.104€), o que o coloca no
No caso dos trabalhadores 2.º escalão de IRS.
dependentes (categoria A) e
Para os casais ou unidos de facto,
pensionistas (categoria H), as
que optam pela tributação conjunta,
deduções específicas têm um valor
o rendimento coletável é calculado
fixo de 4.104 euros (ou o total das
com base na média do par (soma-se
contribuições obrigatórias feitas para
o rendimento de cada um e divide-se
a Segurança Social ou outro regime
pelo quociente familiar, ou seja, por
de proteção social, se for maior do
dois).
que 4.104 euros).

11
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

Como saber que Para encontrar o valor da primeira


parte deve considerar o limite
taxas são aplicadas? máximo do maior escalão que
couber no seu rendimento coletável.
A cada nível de rendimento coletável Esse montante é igual à primeira
correspondem duas taxas de parte do rendimento e é-lhe
imposto: uma taxa normal e uma aplicada a taxa média do escalão
taxa média. Em princípio, cada correspondente.
contribuinte será abrangido por
ambas, basta que o seu rendimento A segunda parte diz respeito ao que
coletável tenha sido superior a sobra, ou seja, à diferença entre o
7.112 euros em 2020, ou seja, ao rendimento coletável e a primeira
rendimento coletável do primeiro parte. A esse valor é aplicada a taxa
escalão de IRS. normal do escalão imediatamente
superior.
Nesse caso, para saber quais as
taxas a aplicar é necessário dividir Voltemos ao exemplo anterior:
o rendimento coletável em duas
Um trabalhador cujo rendimento
partes. Mas não se trata de uma
coletável seja de 9.896 euros anuais
divisão simples, isto é, não basta
deve considerar o limite máximo
dividir por dois.
do primeiro escalão (7.112 euros)
uma vez que este cabe no seu
rendimento. Já o limite máximo
do segundo escalão (10.732 euros)
ultrapassa esse valor.

12
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
Assim, o rendimento desse Depois de aplicadas as respetivas
trabalhador vai ser dividido em duas taxas às duas partes do rendimento
partes: coletável, obtém-se então o valor da
coleta de IRS. Este é o montante de
• Primeira parte: 7.112 euros
imposto anual a pagar ao Estado.
Este montante é tributado à taxa
média do primeiro escalão do Da aplicação destas taxas não pode,
IRS (14,5%). As contas são então no entanto, resultar um rendimento
7.112€ x 14,5% = 1.031,24€; inferior ao chamado mínimo de
existência.
• Segunda parte: 2.784 euros
(9.896€ - 7.112€) Esta parte do
rendimento será tributada à taxa
normal do segundo escalão de
IRS (23%). O cálculo é então o
seguinte: 2.784€ x 23% = 640,32€

Neste caso, o valor da coleta do


IRS, ou seja, o imposto a pagar ao
Estado sem quaisquer descontos, é
de 1.671,56 euros, que é o resultado
da soma das duas partes (1.031,24€ +
640,32€).

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PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

O que é o mínimo de
Mínimo de existência em 2020
existência?
O “mínimo de existência” é o limite
1,5 x 14 x 438,81€ (IAS 2020) +100
de rendimento líquido até ao qual
=
pensionistas e trabalhadores não
9.315,01 euros
têm de pagar IRS.

O objetivo é impedir que, depois


de aplicadas as taxas de imposto,
Assim, os contribuintes que, em 2020
os contribuintes com baixos
tiveram um rendimento até 9.315,01
rendimentos fiquem com um
euros, ficam automaticamente
montante líquido anual inferior ao
isentos de IRS.
que é considerado indispensável
para viver.
Mas atenção, estar isento de IRS não
Este teto mínimo está previsto significa, necessariamente, que não
no Artigo 70.º do Código do IRS e tenha de declarar esses rendimentos.
é calculado através da seguinte Veja aqui quem está dispensado da
fórmula: 1,5 x 14 x valor do Indexante entrega da declaração.
dos Apoios Sociais (IAS). Em 2020,
a título excecional, o limiar de
existência sofreu um aumento de
100 euros, conforme o previsto na Lei
do Orçamento de Estado para 2021.

14
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
À coleta de IRS, ou seja, ao valor
anual de imposto a entregar ao
Estado, são depois “descontadas” as
deduções à coleta.

Porém, o Estado não fica à espera do


final do ano para receber a totalidade
do imposto devido. Na verdade, os
contribuintes vão adiantando uma
parte todos os meses, que lhes é
retirada, logo à cabeça, quando a
entidade empregadora processa o
salário. A esse adiantamento dá-se o
nome de “retenção na fonte”.

15
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

A retenção de IRS é um retenções na fonte e o montante de


instrumento que permite ao Estado imposto apurado são diferentes.
ir arrecadando receita ao longo
E essa diferença pode ser positiva
do ano através de um desconto
ou negativa. Se for positiva, então
mensal aos trabalhadores e
foi adiantado mais imposto do que
pensionistas, tentando antecipar
o devido e, no acerto de contas o
o que deve ser o imposto anual a
Estado irá devolver o que foi pago a
pagar por estes contribuintes.
mais. É o chamado reembolso de IRS.
No início de cada ano o Governo
Se, pelo contrário, for negativa,
define, e publica em portaria, as
significa que o valor adiantado
taxas de retenção na fonte que
através da retenção na fonte não
correspondem a esse desconto
foi suficiente para cobrir o imposto
mensal.
RETENÇÃO na totalidade. E nesse caso, o
Essas taxas, como não poderia deixar contribuinte vai ter de pagar o IRS
NA FONTE de ser, também variam em função que está em falta.
do rendimento e da situação familiar
do contribuinte. É, uma vez mais,
a progressividade do imposto a
funcionar. Trabalhadores por
conta de outrem e
No entanto, esses adiantamentos
pensionistas
mensais não correspondem
exatamente ao valor que cada Tanto os rendimentos dos
contribuinte terá de pagar em IRS. Só trabalhadores dependentes
na apresentação da declaração com (categoria A do IRS) quanto os dos
todos os rendimentos e despesas pensionistas (categoria H) estão
dedutíveis é que é apurado, de facto, sujeitos a retenção na fonte, de
o montante anual de imposto a acordo com as tabelas definidas
pagar. anualmente pelo Governo e
publicadas em Diário da República.
Ora o que acontece, na maioria dos
casos, é que a soma de todas as No caso dos trabalhadores
dependentes, é retida uma parte do
salário pela entidade empregadora

16
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
que a entrega diretamente ao 1. Identificar a tabela aplicável
Estado. No caso dos pensionistas à combinação “trabalho
é o próprio Estado quem faz essa dependente” e “não casado”;
retenção. Uma vez que a declaração
2. Na coluna do lado esquerdo, deve
de IRS é sempre relativa aos
escolher o intervalo salarial em
rendimentos obtidos no ano anterior,
que se insere o seu rendimento
as tabelas a considerar na hora de
mensal bruto. Neste caso, como
fazer contas ao imposto a pagar
a remuneração é de 1.000 euros,
em 2021, são as referentes ao ano
deve escolher a linha “até 1.005
passado.
euros”;
Pode consultar as tabelas de
3. Deve então seguir essa linha
retenção na fonte para 2020,
até cruzar com a coluna relativa
aquelas que lhe interessam para a
ao número de dependentes
declaração deste ano, no Despacho
que tenha a cargo. Como
n.º 785/2020, de 21 de janeiro de
o contribuinte não tem
2020.
dependentes, deve escolher “0” e
Já as taxas de retenção na fonte a taxa de retenção na fonte que
a vigorar em 2021, e que terão surge é de 11,6% em 2020 (e 11,4%
impacto no IRS de 2022, podem ser em 2021).
consultadas no Despacho n.º 11886-
A/2020, de 3 de dezembro de 2020.

Trabalhadores
Como consultar as tabelas de
independentes
retenção na fonte? O Código do IRS também prevê
a retenção na fonte para os
Supúnhamos um trabalhador no
trabalhadores independentes,
setor privado, solteiro, sem filhos
embora com regras ligeiramente
e que receba 1000 euros brutos
diferentes. Para estes trabalhadores,
por mês. Para identificar a taxa de
a retenção na fonte é efetuada
retenção na fonte que lhe é aplicada,
na emissão do recibo e não são
deve proceder da seguinte forma:
abrangidos pelas mesmas tabelas

17
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

18
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
que os trabalhadores por conta de • 16,5% para os rendimentos
outrem e pensionistas. provenientes de propriedade
intelectual, industrial ou de
Assim, e caso se insiram no regime
prestação de informação
de contabilidade organizada —
sobre experiência nos setores
obrigatório para quem tenha um
comercial, industrial ou científico;
volume de negócios superior a
200 mil euros — os trabalhadores • 11,5% para os outros trabalhadores
independentes estão obrigados a independentes e atos isolados.
fazer retenção na fonte. As taxas vão
dos 11,5% aos 25% e estão definidas
no Artigo 101.º do Código do IRS. Quem está dispensado de fazer
retenção na fonte?

Os trabalhadores independentes
Quais as taxas de retenção na
que não tenham ganho mais de
fonte?
12.500 euros ou que estejam a iniciar
As taxas de retenção na fonte atividade e não prevejam ultrapassar
aplicadas aos trabalhadores esse valor, podem optar por não
independentes são as seguintes: fazer retenção na fonte (alínea a) do
n.º1 do Art. 101.º-B do CIRS).
• 25% para rendimentos
provenientes de atividades Dispensados estão também os
exercidas por médicos, trabalhadores independentes que
advogados, arquitetos, entre aufiram rendimentos exclusivamente
outras (atividades previstas na provenientes do alojamento local.
tabela a que se refere o artigo
No entanto, e apesar de poderem
151.º do CIRS)
estar dispensados da retenção, isso
• 20% para rendimentos auferidos não significa que fiquem isentos
por residentes não habituais do pagamento da taxa de IRS. Os
em território português em rendimentos têm na mesma de
atividades de elevado valor ser declarados, sendo tributados
científico, artístico ou técnico, posteriormente.
previamente definidas;

19
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

As deduções à coleta não são mais que, independentemente do valor


do que o valor que é descontado apurado do total de despesas com
ao IRS que os contribuintes têm de deduções à coleta, existem limites
entregar ao Estado. globais de dedução consoante o
escalão de IRS em que se insira.
São também uma forma de ajustar
o imposto à sua situação pessoal e Ou seja, existe um teto global (que
familiar, tendo em conta, sobretudo, depende do rendimento coletável
as despesas do agregado ao longo e do número de filhos do agregado
do ano. familiar) que pode variar entre um
mínimo de mil euros e um máximo
Entre as deduções que podem
de 2.500 euros.
ajudar a baixar o imposto a pagar ou
a aumentar o reembolso a receber, Apenas os contribuintes que se

DEDUÇÕES estão as relativas às despesas de encontram no primeiro escalão


educação, saúde, habitação, lares, (com um rendimento coletável até
À COLETA despesas gerais e familiares e à 7.112 euros) podem deduzir sem

DE IRS dedução do IVA por exigência de qualquer limite.


fatura.
Do segundo ao sexto escalão,
Explicamos-lhe de seguida quais os isto é, para os contribuintes com
limites globais de dedução referentes rendimento coletável entre 7.112
ao seu escalão de rendimentos euros e 80.882 euros, aplica-se a
e quanto pode deduzir em cada seguinte fórmula matemática:
categoria de despesas.
1.000€ + [(2500€ – 1000€) x
[(Valor do último escalão –
Rendimento coletável) / (Valor
Limites de dedução à do último escalão – Valor do
coleta de IRS por escalão primeiro escalão)]

de rendimentos No sétimo, e último, escalão


(rendimentos acima de 80.882 euros)
Cada tipo de despesa tem
o limite global de deduções à coleta
uma percentagem ou valor de
de IRS é de 1.000 euros.
dedução diferente. Já lá vamos.
Convém antes ter em atenção

20
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
Nas famílias com três ou mais filhos
a cargo, os limites são majorados em
exemplo óculos) têm de ter
5%, por cada por cada dependente
receita médica associada à fatura.
que não seja sujeito passivo.
São admitidas despesas com
consultas, intervenções cirúrgicas,
internamentos hospitalares,
Quais as despesas que tratamentos, medicamentos,
permitem deduções no próteses, aparelhos ortodônticos,
óculos (incluindo a armação),
IRS?
seguros de saúde e taxas
moderadoras, por exemplo. Desde
2020, podem também ser deduzidas
Despesas gerais e familiares despesas com máscaras respiratórias
e gel desinfetante.
É permitido descontar à coleta de
IRS, 35% das suas despesas gerais
e familiares até ao limite de 250
euros por sujeito passivo (500 euros Educação e formação
por casal). Nesta categoria incluem-
As famílias podem ainda abater ao
se, por exemplo, as despesas com
seu IRS 30% do total das despesas
a fatura da água, eletricidade,
com educação e formação até ao
gás e telecomunicações, ou com
máximo de 800 euros.
as compras do supermercado,
combustíveis, vestuário e calçado, São consideradas despesas de
entre outras. educação e formação todas as que
respeitem à sua própria formação
como, por exemplo, pós-graduações
Saúde ou outros cursos de formação, desde
que ministrados por entidades
As despesas com saúde, reconhecidas pela Direção-Geral
independentemente da taxa de do Emprego e das Relações de
IVA, podem ser deduzidas em 15%, Trabalho (DGERT), bem como as
até ao limite de 1000 euros por despesas respeitantes à educação
agregado. No entanto, os bens e dos seus dependentes. Nesta
serviços com IVA a 23% (como por categoria de despesas incluem-se as
mensalidades de creches, jardins-de-
infância, lactários

21
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

e escolas, manuais escolares e suportado com despesas de


refeições escolares (desde que o NIF educação e formação. O limite global
da entidade prestadora do serviço para essas despesas é, neste caso, de
seja de um fornecedor de refeições 1.000 euros.
escolares).
De fora ficam as despesas com
Os encargos com as rendas de materiais escolares como lápis,
imóveis quando o estudante está canetas e cadernos ou instrumentos
deslocado a mais de 50 quilómetros musicais para os alunos do
de casa, também são considerados conservatório, que apenas podem ser
despesas de educação e podem ser deduzidas como despesas gerais e
deduzidos até a um máximo de 300 familiares.
euros por ano. Nesse caso, o limite
global de despesas de educação
pode chegar aos 1.000 euros, desde
Despesas com a habitação
que a diferença seja relativa a rendas.
Entre o que pode deduzir ao IRS
Além disso, as famílias com
estão também os encargos com
estudantes a frequentar
imóveis, que incluem as rendas
estabelecimentos de ensino do
da casa e os juros de créditos à
Interior ou das Regiões Autónomas
habitação celebrados até ao final de
beneficiam de uma majoração de 10
2011.
pontos percentuais ao valor

22
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
• a) Rendas de habitação • b) Juros do crédito habitação
permanente
Caso tenha celebrado um
Se morar numa casa arrendada, empréstimo para a aquisição de
pode deduzir 15% dos encargos habitação própria e permanente
com a renda até ao limite de 502 até 31 de dezembro de 2011, é
euros. Para os contribuintes com possível deduzir 15% dos juros
rendimentos mais baixos, o limite suportados, com o limite de 296
da dedução pode atingir os 800 euros.
euros.
Para os créditos posteriores a essa
Há ainda um benefício acrescido data, não há direito à dedução.
para quem transferiu a residência
permanente para um território
do Interior do país. Nesse caso,
ao invés dos 502 euros habituais,
o limite da dedução sobe para
1.000 euros durante um período
de três anos consecutivos.

23
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO

Dedução do IVA por Para que uma família possa deduzir


exigência de fatura as despesas com lares de familiares
(pais, avós, tios ou irmãos) é
À coleta de IRS, pode ainda necessário, no entanto, que estes não
deduzir 100% do IVA suportado possuam rendimentos superiores ao
na aquisição de passes sociais salário mínimo, ou seja, 635 euros por
e 15% do total do IVA suportado mês em 2020.
na aquisição de bens e serviços
relacionados com restauração e
alojamento, estética e cabeleireiros,
veterinários, e reparação de Pensão de Alimentos
automóveis e motociclos, até ao
É permitido descontar à coleta 20%
limite de 250 euros.
dos montantes pagos em pensões
de alimentos, decretadas por
sentença ou acordo judicial, por cada
Lares dependente/beneficiário.

São também dedutíveis 25% dos


encargos com apoio domiciliário,
lares e instituições de apoio à PPR
terceira idade até ao limite de
O valor das entregas que faz
403,75 euros. As despesas podem
anualmente para o seu PPR pode ser
ser tanto do próprio contribuinte
deduzido em 20%, com um limite
e do seu agregado, quanto de
que varia em função da idade:
ascendentes ou colaterais até
terceiro grau (pais, avós, tios, irmãos). • 400 euros (idade inferior a 35
No caso dos ascendentes ou anos);
colaterais, não podem ser deduzidas
as despesas com apoio domiciliário. • 350 euros (idades entre os 35 e os
50 anos);

• 300 euros (idade superior a 50


anos).

24
PARTE 1: COMPREENDER O IMPOSTO
Regime Público de
Capitalização

O regime público de capitalização


permite, igualmente, uma dedução
de 20% dos montantes aplicados
em certificados de reforma, com os
seguintes limites:

• 400 euros (idade inferior a 35


anos);

• 350 euros (idade superior a 35


anos).

Donativos

Ser solidário também traz vantagens


fiscais, uma vez que pode deduzir
25% do valor dos donativos que
fizer, com um teto de 15% da coleta
(imposto a pagar).

Caso os donativos sejam destinados


ao Estado, a dedução corresponde
a 25% das importâncias doadas sem
limite.

25
2ª Parte:
Entrega da
Declaração

26
27
Normalmente, os contribuintes têm
de entregar, todos os anos, uma
declaração com os rendimentos
obtidos no ano anterior. É com base
nessa informação que a Autoridade
Tributária calcula o imposto. Mas há
exceções.

À luz do Artigo 58.º do Código


QUEM ESTÁ do IRS, estão dispensados da
DISPENSADO entrega da declaração anual de
rendimentos, os cidadãos que
DE ENTREGAR A apenas tenham auferido, isolada ou
DECLARAÇÃO? cumulativamente:

Pensões ou rendimentos do
trabalho dependente até 8.500
euros, que não tenham sido
sujeitos a retenção na fonte, e
até 4.104 euros de pensões de
alimentos;

Rendimentos sujeitos a taxas


liberatórias (previstas no
artigo 71.º do Código do IRS),
como por exemplo juros de
depósitos bancários ou de outros
investimentos, e não queiram
englobá-los aos restantes
rendimentos.

28
OU os contribuintes que apenas Mas atenção. As situações de
auferiram: dispensa de declaração não se
aplicam se o contribuinte:

• Quiser optar pela tributação


Rendimentos pela realização de
conjunta no caso de ser casado
atos isolados com um montante
ou unido de facto, ou
anual inferior a quatro vezes o
valor do IAS (1.755,24 euros em • Auferir rendas temporárias e
2020), desde que não tenham vitalícias que não se destinam ao
auferido outros rendimentos pagamento de pensões (alíneas
ou apenas tenham auferido a), b) ou c) do n.º 1 do artigo 11.º do
rendimentos tributados por taxas Código do IRS), ou
liberatórias (artigo 71.º do Código
• Auferir rendimentos em espécie
do IRS); ou
• Auferir rendimentos de pensões
Subsídios ou subvenções
de alimentos de valor superior a
da Política Agrícola Comum
4.104 euros.
(PAC) de montante inferior
a quatro vezes o valor do
IAS (1.755,24 euros em 2020),
podendo acumular com
rendimentos tributados por
taxas liberatórias e rendimentos
do trabalho dependente ou de
pensões, desde que, isolada ou
conjuntamente, não ultrapassem
os 4.104 euros.

29
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

O IRS automático consiste na Para beneficiarem da declaração


disponibilização de uma declaração automática, os trabalhadores
automaticamente preenchida pela independentes têm ainda
AT com base na informação de que de estar abrangidos pelo
dispõe. regime simplificado e emitir,
exclusivamente através do Portal das
Nesta modalidade, o contribuinte
Finanças, as suas faturas, faturas-
deve apenas verificar se a informação
recibo e recibos no Sistema de
que consta da declaração automática
Recibos Eletrónicos.
está correta e, se não for o caso de
emendar, confirmar a entrega. Além destes, podem aceder ao IRS
automático os contribuintes que,
Lançado em 2017, este automatismo
no ano do imposto, apenas tenham
começou por abranger apenas
auferido rendimentos de trabalho
as situações fiscais mais simples,
por conta de outrem ou de pensões
mas com o passar dos anos foi
(exceto pensões de alimentos); ou
sendo alargado a cada vez mais
IRS contribuintes.
rendimentos tributados por taxas
liberatórias (artigo 71.º do Código
AUTOMÁTICO do IRS), desde que não optem pelo
seu englobamento. No entanto,
mesmo entre os contribuintes
Quem pode usufruir do
acima referidos, só estão abrangidos
IRS Automático? aqueles que:
Em 2021, passam a poder usufruir
• sejam residentes em Portugal
do IRS automático os trabalhadores
durante todo o ano do imposto;
independentes que exerçam
exclusivamente atividades de • obtenham rendimentos apenas
prestação de serviços previstas na em território nacional;
tabela a que se refere o artigo 151.º
Código do IRS. De fora ficam, no • não aufiram gratificações
entanto, aqueles que estão inscritos previstas na alínea g) do n.º 3 do
na categoria com o código 1519 artigo 2.º do Código do IRS;
“Outros prestadores de serviços”.
• não tenham estatuto de
Residente Não Habitual;

30
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
• não usufruam de benefícios
fiscais, exceto os relativos ao
regime de mecenato ou PPR; ATENÇÃO!

• não tenham pago pensões de Mesmo estando abrangido pelo IRS


alimentos; automático deve ter em atenção o
seguinte. Se a sua situação pessoal
• não tenham deduções relativas a e familiar mudou em 2020 (por
ascendentes; exemplo, se casou, passou a viver
em união de facto ou se teve mais
• não tenham acréscimos ao
um filho) e não comunicou essas
rendimento por incumprimento
alterações no Portal das Finanças
de condições relativas a
até 15 de fevereiro, então o IRS
benefícios fiscais.
automático não vai refletir a sua
concreta situação em 31.12.2020.
Nesse caso, deve prescindir da
Quem fica de fora? declaração automática e entregar o
Modelo 3.
Por enquanto, os trabalhadores
independentes inscritos com o
código 1519 “Outros prestadores de
serviços” da tabela de atividades a
que se refere o artigo 151.º Código
do IRS não podem usufruir desta
funcionalidade. O mesmo se aplica
aos trabalhadores independentes
com contabilidade organizada.

Excluídos do IRS automático,


ficam ainda os contribuintes
que obtenham rendimentos de
capitais (categoria E), rendimentos
prediais (categoria F) e incrementos
patrimoniais (categoria G).

31
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

Como validar a 4. Verificar se os dados pessoais,


rendimentos, retenções na
declaração automática?
fonte, contribuições para a
Se está entre os contribuintes Segurança Social, despesas e
que podem usufruir desta outra informação relevante do
funcionalidade, continua a ser agregado familiar estão corretos;
da sua responsabilidade verificar
5. Selecionar a declaração ou
se a declaração automática de
as declarações, tratando-se
rendimentos proposta pela AT está
de contribuintes casados ou
correta. Nomeadamente, no que
unidos de facto que optem pela
diz respeito à sua situação pessoal
tributação separada;
e familiar e aos rendimentos e
deduções de todos os elementos do 6. Visualizar o resultado da pré-
agregado. liquidação do IRS e, caso
pretenda, consignar o IRS e/ou o
Para verificar e confirmar a
IVA;
declaração automática de
rendimentos, siga estes passos: 7. Consultar a declaração de
rendimentos provisória e a
1. Aceder ao Portal das Finanças
demonstração da pré-liquidação;
e autenticar-se com o NIF e
respetiva senha pessoal de 8. Aceitar a respetiva declaração
acesso; provisória;

2. Selecionar IRS Automático (se 9. Verificar e confirmar ou corrigir


não estiver abrangido aparece o IBAN (código de identificação
no ecrã informação de que deve bancária).
entregar a declaração modelo 3);

3. Indicar, no caso de contribuintes


casados ou de unidos de facto, se
pretende optar pelo regime de
tributação separada ou conjunta
(na última opção ambos os
elementos devem autenticar-se);

32
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
declaração provisória converte-se
automaticamente em definitiva.
Onde são obtidos os dados Tratando-se de um contribuinte
pré-preenchidos? casado ou unido de facto, é
Os dados que são utilizados para considerada entregue a declaração
efetuar o preenchimento automático correspondente à tributação
da sua declaração de IRS, são separada.
retirados, fundamentalmente, de
Depois disso, caso pretenda, tem
duas fontes: da sua área pessoal
ainda 30 dias para entregar uma
no Portal das Finanças e também
declaração de substituição, sem
do E-Fatura. Já os rendimentos,
qualquer penalização.
retenções e despesas que constam
dessas fontes são comunicados à
AT por terceiros, como por exemplo
a sua entidade empregadora e as Como corrigir?
empresas/comerciantes que lhe
venderam bens ou serviços. No IRS Automático não é possível
efetuar qualquer alteração, além
do IBAN. Assim, se detetar erros
ou omissões, ou se, por exemplo,
não concordar com os valores
Depois de verificar que todos os apresentados (rendimentos,
elementos pré-preenchidos estão retenções ou deduções), não
corretos e completos, pode confirmar confirme a declaração automática.
a declaração. Com a confirmação,
Nesse caso, deve proceder à entrega
a declaração automática de IRS é
da declaração Modelo 3, nos
considerada entregue e a liquidação
termos gerais, e fazer as alterações
torna-se definitiva.
necessárias.
Se, até ao final do prazo de entrega,
que decorre entre 1 de abril e 30 de
junho, não confirmar a declaração
automática, nem apresentar
uma preenchida manualmente, a

33
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

Se não está abrangido pelo IRS


automático e também não se
encontra dispensado da entrega da
declaração anual deve, através do
Portal das Finanças, submeter uma
declaração modelo 3 no prazo fixado
(1 de abril a 30 de junho).

De seguida, damos-lhe conta do


passo a passo.

Como preencher a
declaração
A declaração de IRS Modelo 3 deve
ser preenchida com atenção e

PREENCHER cuidado. Para o preenchimento


deve ter à mão o seu NIF e a senha
O IRS do Portal das Finanças. Essas são as

DECLARAÇÃO credenciais de que vai precisar para


todo o processo.
MODELO 3

34
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
Como preencher a declaração

1º Passo: Aceder à Declaração

A primeira coisa a fazer é abrir o site das Finanças em


www.portaldasfinancas.gov.pt.

Depois, no canto inferior esquerdo da página, clique no botão “Finanças >


Aceda aos Serviços Tributários”.

De seguida, no menu lateral à esquerda do seu ecrã, selecione a opção


“Serviços”.

35
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

Uma vez na página de “Serviços”, navegue na lista até à opção “IRS” e aí


escolha “Entregar Declaração”.

Para prosseguir com o processo terá agora de autenticar-se no Portal,


introduzindo o seu número de contribuinte e senha de acesso ou a sua
chave móvel digital. Depois, clique no botão “Autenticar”.

2.º Passo: Escolher a opção de preenchimento da


declaração

Selecione a opção “Entregar a 1.ª declaração e declarações de substituição”,


clicando no botão “Preencher Declaração”.

36
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
Escolha o ano a que respeita a declaração que pretende preencher (neste
caso, 2020) e depois clique no botão “Selecionar”.

O assistente de preenchimento vai apresentar-lhe as diferentes opções


disponíveis. Selecione a opção pretendida e depois pressione o botão
“Continuar”.

37
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

Se tiver escolhido a opção “Obtenção de uma declaração pré-preenchida”,


é-lhe pedido para indicar o ano dos rendimentos (neste caso, 2020) e o seu
NIF.

Se for casado ou unido de facto e quiser optar pela tributação conjunta,


assinale essa opção com um visto, indicando de seguida o NIF do cônjuge
ou unido de facto. Depois clique em “Continuar”.

3.º Passo: Preencher a declaração

Se escolheu a declaração pré-preenchida, assim que entrar vai encontrar na


barra superior os anexos que estão ativos, incluindo a folha de rosto. Esses
separadores contêm aquela informação que foi previamente preenchida
pelas Finanças.

38
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
Nesse caso, verifique se todos os dados estão corretos. Se for necessário
faça as devidas correções ou acrescente os elementos que possam estar em
falta.

Folha de rosto

O primeiro separador a conferir (ou a preencher) é o “Rosto”. Este anexo é


composto por 13 quadros dos quais constam os dados do sujeito passivo e
do seu agregado familiar.

Os quatro quadros iniciais correspondem à identificação do Serviço


de Finanças da área de residência (quadro 1); ao ano a que reportam os
rendimentos (quadro 2); ao nome e NIF do sujeito passivo (quadro 3); e por
último ao seu estado civil (quadro 4). Em cada um deles, deve confirmar,
corrigir ou preencher a informação necessária.

39
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

O quadro 5 é relativo à opção pela tributação conjunta, pelo que só o


deve preencher se no quadro anterior assinalou o campo 01 (“Casado”) ou o
campo 02 (“Unido de facto”).

No caso de optar pela tributação conjunta, assinale o campo 01 (“Sim”) do


quadro 5 – A e introduza o NIF do cônjuge ou unido de facto no campo 03.
Se deseja entregar a declaração em separado, selecione o campo 02 (“Não”).

O quadro 6 da folha de rosto serve para identificar os elementos que


compõem o agregado familiar.

Se comunicou previamente o seu agregado familiar no Portal das Finanças,


até 15 de fevereiro, basta confirmar se as informações pré-preenchidas
pela AT estão certas. Se o seu agregado familiar sofreu alterações desde
a entrega da última declaração, mas não as comunicou no devido prazo,
então deve proceder agora a essas alterações.

Note ainda que, se não tiver optado pela tributação conjunta, deve
introduzir no quadro 6 – A o NIF do seu cônjuge ou unido de facto. E se
tiver dependentes (filhos ou afilhados civis), confirme se todos estão
identificados no quadro 6 – B. Pode acrescentar ou remover linhas, se for
caso disso.

40
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
Já se tiver algum ascendente a seu cargo, isto é, pais ou avós que vivam
consigo e que não ganhem por mês mais do que a pensão mínima do
regime geral (275,30 euros em 2020), insira o respetivo NIF no quadro 7 – A.

No quadro 8 deve confirmar ou inserir a sua residência fiscal e no quadro


9 o seu IBAN ou o IBAN da conta conjunta (se for casado ou unido de facto).
É depois para essa conta que será transferido o valor do reembolso de IRS,
caso tenha direito a ele.

De seguida, no quadro 10, assinale se esta é a primeira declaração do ano


ou se se trata de uma declaração de substituição.

Caso pretenda consignar 0,5% do seu IRS e/ou o benefício do IVA


suportado, é no quadro 11 que deve fazê-lo. A escolha da entidade fica
inteiramente ao seu critério, desde que seja uma das organizações de cariz
social, ambiental ou cultural autorizadas pela Autoridade Tributária. Para
isso, basta selecionar o tipo de entidade que quer apoiar, inserir o respetivo
NIF e escolher o tipo de consignação pretendida: “IRS”, “IVA” ou ambas.

41
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

Por fim, o quadro 13 só deverá ser preenchido se se tratar de uma


declaração de substituição.

Anexos

Além da folha de rosto, deverá confirmar a informação pré-preenchida em


todos os anexos ativos (aqueles que já aparecem na barra de separadores)
ou adicionar e preencher manualmente os anexos que forem necessários.

Preste particular atenção ao Anexo A. É aí que são declarados todos os


rendimentos provenientes do trabalho por conta de outrém, bem como as
pensões.

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2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
Se auferiu rendimentos empresariais/profissionais e está abrangido pelo
regime de contabilidade simplificada, deverá igualmente confirmar ou
inserir os respetivos valores no Anexo B. Se, pelo contrário, estiver abrangido
pelo regime de contabilidade organizada, o anexo a ter em conta é o C, mas
nesse caso terá de recorrer a um contabilista certificado para entregar a
declaração.

Outro dos anexos a considerar é o Anexo H, onde constam os benefícios


fiscais e as deduções à coleta que ajudam a diminuir o IRS a pagar ou a
aumentar o reembolso a receber. Se optou pela declaração pré-preenchida,
verifique se os valores de despesas que aí constam batem certo com os que
efetivamente suportou.

Caso dê pela falta de alguma despesa de saúde, educação, imóveis ou lares


— ou se simplesmente se esqueceu de validar essas despesas no e-fatura
— é possível corrigir a situação. Mas para isso terá de prescindir do pré-
preenchimento e inserir manualmente as despesas dessas categorias. Isso
significa, contudo, que vai ter de colocar todas as despesas à mão e não
apenas aquelas que estão em falta.

Se vive numa casa arrendada, lembre-se ainda de verificar se os montantes


que pagou ao senhorio constam do anexo. No caso de ter escolhido uma
declaração em branco ou o valor das rendas pré-preenchido estar incorreto,
terá de preencher ou corrigir esta informação no quadro 6-C.

43
2ºPARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO

4.º Passo: Validar a informação

Para verificar se a sua declaração está corretamente preenchida ou se


apresenta erros deve clicar no botão “Validar”, no lado direito da barra
superior.

Se houver erros de preenchimento, estes serão assinalados a vermelho.


Nesse caso corrija-os.

5.º Passo: Simular a liquidação

Para simular o resultado da sua liquidação de IRS, isto é, para saber qual
o valor a pagar ou a receber, clique no botão “Simular” no lado direito da
barra superior do ecrã. Se quiser imprimir a declaração, clique no botão
“Imprimir”.

44
2º PARTE: ENTREGA DA DECLARAÇÃO
6.º Passo: Entregar a declaração

Se depois da validação lhe for mostrada uma mensagem de que a


declaração não contém erros pode proceder à entrega. Para isso basta clicar
no botão “Entregar” na barra superior, do lado direito do ecrã.

7.º Passo: Obter comprovativo de entrega

Logo que a declaração submetida seja considerada certa pela AT, após
validação central, pode obter um comprovativo da entrega. No menu
do IRS da sua página do Portal das Finanças, selecione a opção “Obter
Comprovativos”. Depois clique em “Declaração”.

Na janela seguinte, escolha a declaração referente a 2020. Por último,


pressione o botão “Comprovativo”.

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Ficha técnica

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Porto, março de 2021