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Polícia Militar do Estado de Minas Gerais

PM-MG
Curso de Formação de Sargentos

AB026-19
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OBRA

Polícia Militar do Estado de Minas Gerais

Curso de Formação de Sargentos

Edital DRH/CRS Nº 03/2019, 27 de Março de 2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Legislação Jurídica - Profº Rodrigo Gonçalves
Legislação Institucional - Profº Rodrigo Gonçalves
Doutrina Operacional - Profº Rodrigo Gonçalves

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA

Domínio da expressão escrita (redação)................................................................................................................................................... 01


Adequação conceitual....................................................................................................................................................................................... 01
Pertinência, relevância e articulação dos argumentos........................................................................................................................ 01
Seleção vocabular............................................................................................................................................................................................... 01
Estudo de texto (questões objetivas sobre textos de conteúdo literário ou informativo ou crônica).............................. 01
Tipologia textual e Gêneros textuais.......................................................................................................................................................... 01
Ortografia............................................................................................................................................................................................................... 30
Acentuação gráfica............................................................................................................................................................................................. 33
Pontuação.............................................................................................................................................................................................................. 36
Estrutura e formação de palavras................................................................................................................................................................ 39
Classes de palavras............................................................................................................................................................................................ 41
Frase, oração e período.................................................................................................................................................................................... 82
Termos da oração................................................................................................................................................................................................ 82
Período composto por coordenação e subordinação......................................................................................................................... 82
Funções sintáticas dos pronomes relativos............................................................................................................................................. 91
Emprego de nomes e pronomes.................................................................................................................................................................. 91
Emprego de tempos e modos verbais....................................................................................................................................................... 91
Regência verbal e nominal (crase)............................................................................................................................................................... 91
Concordância verbal e nominal....................................................................................................................................................................... 98
Orações reduzidas.............................................................................................................................................................................................. 105
Colocação pronominal...................................................................................................................................................................................... 105
Estilística................................................................................................................................................................................................................. 105
Figuras de linguagem........................................................................................................................................................................................ 105

LEGISLAÇÃO JURÍDICA
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: arts. 1º ao 5º, 37 ao 40, 42, 124, 125 e 144.................................. 01
Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989: arts. 39, 109 a 111............................................................................................... 08
Decreto-Lei nº 1.001, de 21/10/69 - Código Penal Militar: arts. 9º, 149 a 166, 187 a 203, 205 a 231, 240 a 266 e 298
a 334.......................................................................................................................................................................................................................... 09
Decreto-Lei no 2.848, de 07/12/40- Código Penal Comum - arts 1º a 25, 121 a 129, 138 a 150, 155 a 160, 180 a 183, 213
a 218-B, 225 e 226, 312 a 322 e 329 a 334-A............................................................................................................................................... 21
Decreto-Lei nº 3.689, de 03/10/1941 - Código de Processo Penal – Livro I, Títulos VII (somente Capítulo XI) e IX
(somente Capítulos I, II, III, V).......................................................................................................................................................................... 48
Resolução nº 213 de 15/12/2015 - Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a apresentação de toda
pessoa presa à autoridade judicial no prazo de 24 horas.................................................................................................................... 54
SUMÁRIO
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL
Lei nº 5.301, de 16/10/69 - Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais e suas alterações........................................ 01
Lei nº 14.310, de 19/06/02 - Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado de Minas Gerais e Decisões
Administrativas em vigor................................................................................................................................................................................... 18
Resolução Conjunta nº 4.220, de 28/06/2012 - Manual de Processos e Procedimentos Administrativos das Institui-
ções Militares do Estado de Minas Gerais (MAPPA). Publicada na Separata do BGPM nº 49, de 03/07/2012.............. 28
Instrução Conjunta de Corregedorias n.º 01 (ICCPM/BM n.º 01/14) de 03/02/14. Estabelece padronização sobre as
atividades administrativas e disciplinares no âmbito da PMMG e CBMMG. (Publicada na Separata do BGPM nº 12,
de 11/02/14).......................................................................................................................................................................................................... 28
Instrução Conjunta de Corregedorias n.º 02 (ICCPM/BM n.º 02/14) de 03/02/14. Estabelece padronização sobre as
atividades de Polícia Judiciária Militar no âmbito da PMMG e CBMMG. Art. 1º ao 95, exceto os Modelos Referen-
ciais. (Publicada na Separata do BGPM nº 12, de 11/02/14)................................................................................................................ 45
Instrução Conjunta de Corregedorias n.º 04 (ICCPM/BM n.º 04/14) de 14/05/14. Estabelece nova redação ao art.
54 da ICCPM/BM 01/14, no que tange às obrigações do detentor de armários cedidos pela Administração Militar.
(Publicada no BGPM nº 36, de 15/05/14).................................................................................................................................................. 57
Resolução nº 4.085/2010-CG, de 11/05/2010 - Dispõe sobre a aquisição, o registro, o cadastro e o porte de arma de
fogo de propriedade do militar; e o porte de arma de fogo pertencente à PMMG. Publicada na Separata do BGPM
nº 39, de 25/05/2010 e suas alterações...................................................................................................................................................... 58
Diretriz para a Produção de Serviços de Segurança Pública nº 3.01.06/2011-CG, de 18/03/2011 – Regula a aplica-
ção da filosofia de Polícia Comunitária pela PMMG. Exceto os anexos. Publicada na Separata do BGPM nº 32, de 28
/04/2011................................................................................................................................................................................................................. 68

DOUTRINA OPERACIONAL

Diretriz Geral para Emprego Operacional da PMMG nº 3.01.01/2016-CG, regula o emprego operacional da Polícia
Militar de Minas Gerais. (Publicada na Separata do BGPM nº 70 de, 20/09/2016)....................................................................... 01
Instrução n.º 3.03.05/10-CG, de 26/04/10 - Regula a atuação operacional dos policiais militares lotados nos desta-
camentos e subdestacamentos da PMMG. (Publicada na Separata do BGPM nº 40, de 27/05/10)...................................... 36
Instrução 3.03.11/2016 – CG, de 23/06/16 - Regula a implantação da Rede de Proteção Preventiva nas comuni-
dades do Estado de Minas Gerais, publicada na Separata do BGPM 47 de 28 de junho de 2016. Exceto os ane-
xos.............................................................................................................................................................................................................................. 55
Instrução nº 3.03.22/2017- CG, de 28/09/17 - Procedimentos básicos de estacionamento e posicionamento de
viaturas e da guarnição policial militar. (Publicada na Separata do BGPM nº 71 de 21/09/2017)...................................... 67
Instrução nº 3.03.21/2017- CG, de 20/09/17 - Base de Segurança Comunitária. 2º Edição Revisada (Publicada na
Separata do BGPM nº 62 de 21/08/2018)................................................................................................................................................. 67
Resolução nº 4.605/2017, de 28/09/17 - Dispõe sobre o Portfólio de Serviços da Polícia Militar de Minas Gerais. (Pu-
blicada na Separata do BGPM nº 77 de 17/10/2017)............................................................................................................................. 73
Resolução nº 4745/2018, de 19/11/18, Procedimentos operacionais para lavratura do Termo Circunstanciado de
Ocorrências (TCO) pela Polícia Militar de Minas Gerais. (Publicada na Separata do BGPM nº 86, de 19/11/2018)....... 81
Caderno Doutrinário 1 - Intervenção Policial, Processo de Comunicação e Uso da Força. Aprovado pela Resolução
nº 4.115, de 08/11/10, publicada no BGPM nº 86, de 23/11/10 - Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/13-CG. (Pu-
blicado na Separata do BGPM nº 61, de 13/08/13)................................................................................................................................... 94
SUMÁRIO
Caderno Doutrinário 2 - Tática Policial, Abordagem a Pessoas e Tratamento às Vítimas. Aprovado pela Resolução
nº 4.151, de 09/06/11, publicada no BGPM nº 86, de 10/11/11 - Manual Técnico-Profissional nº 3.04.02/13-CG.
(Publicado na Separata do BGPM nº 62, de 20/08/13)............................................................................................................................ 120
Caderno Doutrinário 3 - Blitz Policial. Aprovado pela Resolução nº 4116, de 08/11/10, publicada no BGPM nº 87, de
25/11/10 - Manual Técnico-Profissional nº 3.04.03/13-CG. (Publicado na Separata do BGPM nº 63, de 22/08/13).............. 169
Caderno Doutrinário 4 - Abordagem a Veículos. Aprovado pela Resolução nº 4.145, de 09/06/11, publicada no
BGPM nº 86, de 10/11/11 - Manual Técnico-Profissional nº 3.04.04/13- CG. (Publicado na Separata do BGPM 91, de
01/12/11)................................................................................................................................................................................................................. 194
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Domínio da expressão escrita (redação).................................................................................................................................................................. 01


Adequação conceitual.................................................................................................................................................................................................. 01
Pertinência, relevância e articulação dos argumentos..................................................................................................................................... 01
Seleção vocabular........................................................................................................................................................................................................... 01
Estudo de texto (questões objetivas sobre textos de conteúdo literário ou informativo ou crônica)........................................... 01
Tipologia textual e Gêneros textuais....................................................................................................................................................................... 01
Ortografia.......................................................................................................................................................................................................................... 30
Acentuação gráfica........................................................................................................................................................................................................ 33
Pontuação......................................................................................................................................................................................................................... 36
Estrutura e formação de palavras............................................................................................................................................................................ 39
Classes de palavras........................................................................................................................................................................................................ 41
Frase, oração e período................................................................................................................................................................................................ 82
Termos da oração........................................................................................................................................................................................................... 82
Período composto por coordenação e subordinação...................................................................................................................................... 82
Funções sintáticas dos pronomes relativos.......................................................................................................................................................... 91
Emprego de nomes e pronomes.............................................................................................................................................................................. 91
Emprego de tempos e modos verbais..................................................................................................................................................................... 91
Regência verbal e nominal (crase)........................................................................................................................................................................... 91
Concordância verbal e nominal................................................................................................................................................................................. 98
Orações reduzidas.......................................................................................................................................................................................................... 105
Colocação pronominal................................................................................................................................................................................................. 105
Estilística............................................................................................................................................................................................................................. 105
Figuras de linguagem.................................................................................................................................................................................................. 105
DOMÍNIO DA EXPRESSÃO ESCRITA (REDAÇÃO).ADEQUAÇÃO CONCEITUAL. PERTINÊNCIA,
RELEVÂNCIA E ARTICULAÇÃO DOS ARGUMENTOS. SELEÇÃO VOCABULAR. ESTUDO DE TEXTO
(QUESTÕES OBJETIVAS SOBRE TEXTOS DE CONTEÚDO LITERÁRIO OU INFORMATIVO OU
CRÔNICA). TIPOLOGIA TEXTUAL E GÊNEROS TEXTUAIS.

O que é Redação Oficial

Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e
comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo.
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão,
formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37:
“A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Fe-
deral e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”.
Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem
igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou im-
possibilite sua compreensão. A transparência do sentido dos atos normativos, bem com
o sua inteligibilidade, são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto legal não seja enten-
dido pelos cidadãos. A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a forma dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas
para sua elaboração que remontam ao período de nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade –
estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o número de
anos transcorridos desde a Independência. Essa prática foi mantida no período republicano. Esses mesmos princípios
(impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às comunicações oficiais: elas
devem sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo
nível de linguagem.
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um
único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de
expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogê-
nea (o público).
Outros procedimentos rotineiros na redação de comunicações oficiais foram incorporados ao longo do tempo,
como as formas de tratamento e de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes, etc. Mencione-se,
por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do Ministro de Estado da
Justiça, de 8 de julho de 1937.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se buscou fazer das características específicas da forma oficial de
redigir não deve ensejar o entendimento de que se proponha a criação – ou se aceite a existência – de uma forma es-
pecífica de linguagem administrativa, o que coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma
distorção do que deve ser a redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês do jargão burocrático e
de formas arcaicas de construção de frases.
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade básica
– comunicar com impessoalidade e máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira
diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada uma
delas.

1. A Impessoalidade

A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários: a)
alguém que comunique, b) algo a ser comunicado, e c) alguém que receba essa comunicação. No caso da redação ofi-
cial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço,
Seção); o que se comunica é sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão que comunica; o destinatário dessa
LÍNGUA PORTUGUESA

comunicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da
União.
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser dado aos assuntos que constam das comunicações
oficiais decorre:
a) da ausência de impressões individuais de quem comunica: embora se trate, por exemplo, de um expediente as-
sinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Obtém-se,
assim, uma desejável padronização, que permite que comunicações elaboradas em diferentes setores da Administração
guardem entre si certa uniformidade;

1
b) da impessoalidade de quem recebe a comunica- padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão
ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um culto é aquele em que a) se observam as regras da gra-
cidadão, sempre concebido como público, ou a outro ór- mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum
gão público. Nos dois casos, temos um destinatário con- ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res-
cebido de forma homogênea e impessoal; saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se redação oficial decorre do fato de que ele está acima das
o universo temático das comunicações oficiais se restrin- diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais,
ge a questões que dizem respeito ao interesse público, é dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti-
natural que não cabe qualquer tom particular ou pessoal. cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi-
Desta forma, não há lugar na redação oficial para im- da compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se de
pressões pessoais, como as que, por exemplo, constam que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de
de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de expressão, desde que não seja confundida com pobreza
jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto
deve ser isenta da interferência da individualidade que a implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos con-
elabora. torcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade da língua literária.
de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais Pode-se concluir, então, que não existe propriamente
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do
impessoalidade. padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se
A necessidade de empregar determinado nível de lin- consagre a utilização de uma forma de linguagem buro-
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um crática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser
lado, do próprio caráter público desses atos e comuni- evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe- situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis-
lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo
o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan- o vocabulário próprio à determinada área, são de difícil
entendimento por quem não esteja com eles familiariza-
çado se em sua elaboração for empregada a linguagem
do. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em
adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais,
comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi-
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e
nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
objetividade. As comunicações que partem dos órgãos
públicos federais devem ser compreendidas por todo e
3. Formalidade e Padronização
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há
que evitar o uso de uma linguagem restrita a determina- As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
dos grupos. Não há dúvida que um texto marcado por isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já
expressões de circulação restrita, como a gíria, os regio- mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa-
nalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com- drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa for-
preensão dificultada. malidade de tratamento. Não se trata somente da eterna
Ressalte-se que há necessariamente uma distância dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente pronome de tratamento para uma autoridade de certo;
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à
de costumes, e pode eventualmente contar com outros civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
elementos que auxiliem a sua compreensão, como os cuida a comunicação.
gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad-
escrita incorpora mais lentamente as transformações, ministração federal é una, é natural que as comunicações
tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimen-
de si mesma para comunicar. to desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que
A língua escrita, como a falada, compreende diferen- se atente para todas as características da redação oficial e
tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes
de determinado padrão de linguagem que incorpore ex- para o texto definitivo e a correta diagramação do texto
LÍNGUA PORTUGUESA

pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um são indispensáveis para a padronização.


parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do
vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há 4. Concisão e Clareza
um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz
da língua, a finalidade com que a empregamos. A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca- terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o transmitir um máximo de informações com um mínimo
máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fun-

2
damental que se tenha, além de conhecimento do assun- 5. As Comunicações Oficiais
to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revi-
sar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas 5.1. Introdução
vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
desnecessárias de ideias. A redação das comunicações oficiais deve, antes de
O esforço de sermos concisos atende, basicamente, tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, As-
ao princípio de economia linguística, à mencionada fór- pectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há caracte-
mula de empregar o mínimo de palavras para informar o rísticas específicas de cada tipo de expediente, que serão
máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos
economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase
passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em todas as modalidades de comunicação oficial: o empre-
tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inú- go dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a
teis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao identificação do signatário.
que já foi dito.
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe 6. Pronomes de Tratamento
em todo texto de alguma complexidade: ideias fundamen-
tais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o 6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento
sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem
também ideias secundárias que não acrescentam informa- O uso de pronomes e locuções pronominais de tra-
ção alguma ao texto, nem têm maior relação com as fun- tamento tem larga tradição na língua portuguesa. De
damentais, podendo, por isso, ser dispensadas. acordo com Said Ali, após serem incorporados ao por-
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto tuguês os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento
oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos- direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”,
sibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a passou-se a empregar, como expediente linguístico de
clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende es- distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no
tritamente das demais características da redação oficial. tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue
Para ela concorrem: o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter- em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qua-
pretações que poderia decorrer de um tratamento lidade eminente da pessoa de categoria superior, e não
personalista dado ao texto; a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí- rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...);
pio, de entendimento geral e por definição avesso assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
o jargão; vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a A partir do final do século XVI, esse modo de trata-
imprescindível uniformidade dos textos;
mento indireto já estava em voga também para os ocu-
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces-
pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu
sos linguísticos que nada lhe acrescentam.
para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o prono-
me vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição
É pela correta observação dessas características que
que provém o atual emprego de pronomes de tratamen-
se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável
to indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades
releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em tex-
civis, militares e eclesiásticas.
tos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramaticais
provém, principalmente, da falta da releitura que torna
possível sua correção. 6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda,
se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O Os pronomes de tratamento (ou de segunda pes-
que nos parece óbvio pode ser desconhecido por ter- soa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto
ceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos à concordância verbal, nominal e pronominal. Embora
em decorrência de nossa experiência profissional muitas se refiram a segunda pessoa gramatical (à pessoa com
vezes faz com que os tomemos como de conhecimento quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam
geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, a concordância para a terceira pessoa. É que o verbo con-
esclareça, precise os termos técnicos, o significado das corda com o substantivo que integra a locução como seu
siglas e abreviações e os conceitos específicos que não núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”;
“Vossa Excelência conhece o assunto”.
LÍNGUA PORTUGUESA

possam ser dispensados.


A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos
pressa com que são elaboradas certas comunicações a pronomes de tratamento são sempre os da terceira
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não
proceder à redação de um texto que não seja seguida “Vossa ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a es-
por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos ses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o
atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua sexo da pessoa a que se refere, e não com o substanti-
indesejável repercussão no redigir. vo que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor

3
for homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”, A Sua Excelência o Senhor
“Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vos- Fulano de Tal
sa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível
satisfeita”. Rua ABC, n.º 123
01010-000 – São Paulo. SP
6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do trata-
Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento mento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na lista
obedece a secular tradição. São de uso consagrado: anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades: qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida
a) do Poder Executivo; evocação.
Presidente da República;
Vice-Presidente da República; Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
Ministros de Estado; dades e para particulares. O vocativo adequado é:
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Dis- Senhor Fulano de Tal,
trito Federal; (...)
Oficiais-Generais das Forças Armadas; No envelope, deve constar do endereçamento:
Embaixadores; Ao Senhor
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupan- Fulano de Tal
tes de cargos de natureza especial; Rua ABC, n.º 123
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; 12345-000 – Curitiba. PR
Prefeitos Municipais.
Como se depreende do exemplo acima, fica dispen-
b) do Poder Legislativo: sado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au-
Deputados Federais e Senadores; toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e
Ministros do Tribunal de Contas da União; para particulares. É suficiente o uso do pronome de tra-
Deputados Estaduais e Distritais; tamento Senhor.
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento,
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamen-
te. Como regra geral, empregue-o apenas em comunica-
c) do Poder Judiciário:
ções dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem
Ministros dos Tribunais Superiores;
concluído curso universitário de doutorado. É costume
Membros de Tribunais;
designar por doutor os bacharéis, especialmente os ba-
Juízes;
charéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o
Auditores da Justiça Militar.
tratamento Senhor confere a desejada formalidade às co-
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas municações.
aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência,
cargo respectivo: empregada, por força da tradição, em comunicações diri-
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, gidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o voca-
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional, tivo: Magnífico Reitor, (...)
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Os pronomes de tratamento para religiosos, de acor-
Federal. do com a hierarquia eclesiástica, são:
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre, (...)
Senhor, seguido do cargo respectivo: Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssi-
Senhor Senador, ma, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe o
Senhor Juiz, vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminentís-
Senhor Ministro, simo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...)
Senhor Governador, Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comu-
nicações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
No envelope, o endereçamento das comunicações di- Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reveren-
rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a díssima para Monsenhores, Cônegos e superiores reli-
seguinte forma: giosos.
A Sua Excelência o Senhor Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clé-
LÍNGUA PORTUGUESA

Fulano de Tal rigos e demais religiosos.


Ministro de Estado da Justiça
70064-900 – Brasília. DF 7. Fechos para Comunicações

A Sua Excelência o Senhor O fecho das comunicações oficiais possui, além da fi-


Senador Fulano de Tal nalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o desti-
Senado Federal natário. Os modelos para fecho que vinham sendo utili-
70165-900 – Brasília. DF zados foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério

4
da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com – introdução, que se confunde com o parágrafo de
o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual es- abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva
tabelece o emprego de somente dois fechos diferentes a comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra
para todas as modalidades de comunicação oficial: de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, em-
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente pregue a forma direta;
da República: Respeitosamente, – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas
rarquia inferior: Atenciosamente, devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confe-
re maior clareza à exposição;
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações di- – conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente
rigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
de Redação do Ministério das Relações Exteriores. nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encami-
8. Identificação do Signatário nhamento de documentos a estrutura é a seguinte:
– introdução: deve iniciar com referência ao expedien-
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presiden- te que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do do-
te da República, todas as demais comunicações oficiais cumento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a in-
devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as formação do motivo da comunicação, que é encaminhar,
expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da indicando a seguir os dados completos do documento
identificação deve ser a seguinte: encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto
(espaço para assinatura) de que trata), e a razão pela qual está sendo encaminha-
NOME do, segundo a seguinte fórmula: “Em resposta ao Aviso n.º
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República 12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho, anexa, cópia
(espaço para assinatura) do Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do Departamento
NOME Geral de Administração, que trata da requisição do servi-
Ministro de Estado da Justiça dor Fulano de Tal.” Ou “Encaminho, para exame e pro-
nunciamento, a anexa cópia do telegrama no 12, de 1.º de
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as- fevereiro de 1991, do Presidente da Confederação Nacional
sinatura em página isolada do expediente. Transfira para de Agricultura, a respeito de projeto de modernização de
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho. técnicas agrícolas na região Nordeste.”
– desenvolvimento: se o autor da comunicação dese-
9. O Padrão Ofício jar fazer algum comentário a respeito do documento que
encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvol-
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes vimento; em caso contrário, não há parágrafos de desen-
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o volvimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento.
memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado- f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
tar uma diagramação única, que siga o que chamamos g) assinatura do autor da comunicação; e
de padrão ofício. h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do
Signatário).
10. Partes do documento no Padrão Ofício
11. Forma de diagramação
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as se-
guintes partes: Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do seguinte forma de apresentação:
órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman
123/2002-SG Of. 123/2002-MME de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com nas notas de rodapé;
alinhamento à direita: Exemplo: b) para símbolos não existentes na fonte Times New
Brasília, 15 de março de 1991. Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wing-
dings;
c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos: c) é obrigatório constar a partir da segunda página o
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. número da página;
Assunto: Necessidade de aquisição de novos compu- d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão
LÍNGUA PORTUGUESA

tadores. ser impressos em ambas as faces do papel. Neste


d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem caso, as margens esquerda e direita terão as dis-
é dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser in- tâncias invertidas nas páginas pares (“margem es-
cluído também o endereço. pelho”);
e) texto: nos casos em que não for de mero encami- e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm
nhamento de documentos, o expediente deve conter a de distância da margem esquerda;
seguinte estrutura: f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
no mínimo, 3,0 cm de largura;

5
g) o campo destinado à margem lateral direita terá 13.1. Definição e Finalidade
1,5 cm;
O constante neste item aplica-se também à exposição O memorando é a modalidade de comunicação en-
de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Moti- tre unidades administrativas de um mesmo órgão, que
vos e 5. Mensagem). podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de co-
linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o municação eminentemente interna. Pode ter caráter me-
editor de texto utilizado não comportar tal recurso, ramente administrativo, ou ser empregado para a expo-
de uma linha em branco; sição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, por determinado setor do serviço público. Sua caracterís-
sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, tica principal é a agilidade. A tramitação do memorando
relevo, bordas ou qualquer outra forma de forma- em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela
tação que afete a elegância e a sobriedade do do- simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar
cumento; desnecessário aumento do número de comunicações, os
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta despachos ao memorando devem ser dados no próprio
em papel branco. A impressão colorida deve ser documento e, no caso de falta de espaço, em folha de
usada apenas para gráficos e ilustrações; continuação. Esse procedimento permite formar uma
k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício espécie de processo simplificado, assegurando maior
devem ser impressos em papel de tamanho A-4, transparência à tomada de decisões, e permitindo que se
ou seja, 29,7 x 21,0 cm; historie o andamento da matéria tratada no memorando.
l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
arquivo Rich Text nos documentos de texto; 13.2. Forma e Estrutura
m) dentro do possível, todos os documentos elabora-
dos devem ter o arquivo de texto preservado para Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo
consulta posterior ou aproveitamento de trechos do padrão ofício, com a diferença de que o seu destina-
para casos análogos; tário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exem-
n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos plos:
devem ser formados da seguinte maneira: tipo do Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
documento + número do documento + palavras- Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
-chaves do conteúdo. Ex.: “Of. 123 - relatório pro-
dutividade ano 2002” 14. Exposição de Motivos

12. Aviso e Ofício 14.1. Definição e Finalidade

12.1. Definição e Finalidade Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-


sidente da República ou ao Vice-Presidente para:
Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi- a) informá-lo de determinado assunto;
cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é b) propor alguma medida; ou
que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de c) submeter a sua consideração projeto de ato nor-
Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo mativo.
que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi-
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos dente da República por um Ministro de Estado. Nos casos
oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério,
no caso do ofício, também com particulares. a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os
Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de
12.2. Forma e Estrutura interministerial.

Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo 14.2. Forma e Estrutura
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca
o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido Formalmente, a exposição de motivos tem a apresen-
de vírgula. Exemplos: tação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício).
Excelentíssimo Senhor Presidente da República A exposição de motivos, de acordo com sua finalida-
Senhora Ministra de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Senhor Chefe de Gabinete aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e
LÍNGUA PORTUGUESA

outra para a que proponha alguma medida ou submeta


Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício projeto de ato normativo.
as seguintes informações do remetente: No primeiro caso, o da exposição de motivos que
– nome do órgão ou setor; simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do
– endereço postal; Presidente da República, sua estrutura segue o mode-
– telefone e endereço de correio eletrônico. lo antes referido para o padrão ofício. Já a exposição de
motivos que submeta à consideração do Presidente da
13. Memorando República a sugestão de alguma medida a ser adotada

6
ou a que lhe apresente projeto de ato normativo – embo- Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen-
ra sigam também a estrutura do padrão ofício –, além de dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamen-
outros comentários julgados pertinentes por seu autor, tos anuais e créditos adicionais), as mensagens de en-
devem, obrigatoriamente, apontar: caminhamento dirigem-se aos Membros do Congresso
a) na introdução: o problema que está a reclamar a Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao
adoção da medida ou do ato normativo proposto; Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medi- art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual
da ou aquele ato normativo o ideal para se solucio- sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais preci-
nar o problema, e eventuais alternativas existentes samente, “na forma do regimento comum”. E à frente da
para equacioná-lo; Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do Sena-
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to- do Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que comanda as
mada, ou qual ato normativo deve ser editado para sessões conjuntas.
solucionar o problema. As mensagens aqui tratadas coroam o processo de-
senvolvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financei-
exposição de motivos, devidamente preenchido, de acor- ro das matérias objeto das proposições por elas encami-
do Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º nhadas.
4.176, de 28 de março de 2002. Tais exames materializam-se em pareceres dos di-
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha pre- versos órgãos interessados no assunto das proposições,
sente que a atenção aos requisitos básicos da redação entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na ori-
oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, gem das propostas, as análises necessárias constam da
padronização e uso do padrão culto de linguagem) deve exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1.
ser redobrada. Exposição de Motivos) – exposição que acompanhará, por
A exposição de motivos é a principal modalidade de cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
comunicação dirigida ao Presidente da República pelos b) encaminhamento de medida provisória.
Ministros. Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Cons-
Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada tituição, o Presidente da República encaminha mensa-
cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou,
gem ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso
ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo
para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando
ou em parte.
cópia da medida provisória, autenticada pela Coordena-
ção de Documentação da Presidência da República.
15. Mensagem
c) indicação de autoridades.
As mensagens que submetem ao Senado Federal a
15.1. Definição e Finalidade
indicação de pessoas para ocuparem determinados car-
É o instrumento de comunicação oficial entre os Che- gos (magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do
fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens TCU, Presidentes e Diretores do Banco Central, Procura-
enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legis- dor-Geral da República, Chefes de Missão Diplomática,
lativo para informar sobre fato da Administração Públi- etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52, in-
ca; expor o plano de governo por ocasião da abertura cisos III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional
de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional competência privativa para aprovar a indicação.
matérias que dependem de deliberação de suas Casas; O curriculum vitae do indicado, devidamente assina-
apresentar veto; enfim, fazer e agradecer comunicações do, acompanha a mensagem.
de tudo quanto seja de interesse dos poderes públicos e d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vi-
da Nação. ce-Presidente da República se ausentar do País por mais
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos de 15 dias.
Ministérios à Presidência da República, a cujas assesso- Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art.
rias caberá a redação final. 49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao do Congresso Nacional.
Congresso Nacional têm as seguintes finalidades: O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, com- tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
plementar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
complementar são enviados em regime normal (Consti- -lhes mensagens idênticas.
tuição, art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º e) encaminhamento de atos de concessão e renova-
a 4.º). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminhado ção de concessão de emissoras de rádio e TV.
LÍNGUA PORTUGUESA

sob o regime normal e mais tarde ser objeto de nova A obrigação de submeter tais atos à apreciação do
mensagem, com solicitação de urgência. Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem- Constituição. Somente produzirão efeitos legais a ou-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com torga ou renovação da concessão após deliberação do
aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Des-
ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para cabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64
que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, da Constituição, porquanto o § 1.º do art. 223 já define o
caput). prazo da tramitação.

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Além do ato de outorga ou renovação, acompanha – relato das medidas praticadas na vigência do esta-
a mensagem o correspondente processo administrativo. do de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo
f) encaminhamento das contas referentes ao exercício único);
anterior. – proposta de modificação de projetos de leis finan-
O Presidente da República tem o prazo de sessenta ceiras (Constituição, art. 166, § 5.º);
dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao – pedido de autorização para utilizar recursos que fi-
Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an- carem sem despesas correspondentes, em decorrência de
terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária
da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166, anual (Constituição, art. 166, § 8.º);
§ 1.º), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a – pedido de autorização para alienar ou conceder ter-
tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedi- ras públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição,
mento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno. art. 188, § 1.º); etc.
g) mensagem de abertura da sessão legislativa.
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre 5.2. Forma e Estrutura
a situação do País e solicitação de providências que jul-
gar necessárias (Constituição, art. 84, XI). As mensagens contêm:
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
Presidência da República. Esta mensagem difere das de- horizontalmente, no início da margem esquerda:
mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os Mensagem n.º
Congressistas em forma de livro.
h) comunicação de sanção (com restituição de autó- b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento
grafos). e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da
Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congres- margem esquerda;
so Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secre- Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
tário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se
informa o número que tomou a lei e se restituem dois c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do
Presidente da República terá aposto o despacho de san- texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com
ção. a margem direita.
i) comunicação de veto. A mensagem, como os demais atos assinados pelo
Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constitui- Presidente da República, não traz identificação de seu
ção, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão signatário.
de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas,
e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra 16. Telegrama
no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao
contrário das demais mensagens, cuja publicação se res- 16.1. Definição e Finalidade
tringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo.
j) outras mensagens. Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
Também são remetidas ao Legislativo com regular os procedimentos burocráticos, passa a receber o título
frequência mensagens com: de telegrama toda comunicação oficial expedida por
– encaminhamento de atos internacionais que acarre- meio de telegrafia, telex, etc.
tam encargos ou compromissos gravosos (Constituição, Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa
art. 49, I); aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações
às operações e prestações interestaduais e de exporta- que não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax
ção (Constituição, art. 155, § 2.º, IV); e que a urgência justifique sua utilização e, também em
– proposta de fixação de limites globais para o mon- razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação
tante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI); deve pautar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e Clareza).
– pedido de autorização para operações financeiras
externas (Constituição, art. 52, V); e outros. 16.2. Forma e Estrutura
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
– convocação extraordinária do Congresso Nacional Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
(Constituição, art. 57, § 6.º); a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
– pedido de autorização para exonerar o Procurador- Correios e em seu sítio na Internet.
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º);
LÍNGUA PORTUGUESA

– pedido de autorização para declarar guerra e decre- 17. Fax


tar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a 17.1. Definição e Finalidade
paz (Constituição, art. 84, XX);
– justificativa para decretação do estado de defesa ou O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º); uma forma de comunicação que está sendo menos usada
– pedido de autorização para decretar o estado de devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para
sítio (Constituição, art. 137); a transmissão de mensagens urgentes e para o envio an-

8
tecipado de documentos, de cujo conhecimento há pre- Elementos de Ortografia e Gramática
mência, quando não há condições de envio do documen-
to por meio eletrônico. Quando necessário o original, ele 1. Problemas de Construção de Frases
segue posteriormente pela via e na forma de praxe.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com A clareza e a concisão na forma escrita são alcança-
cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, das, principalmente, pela construção adequada da frase,
em certos modelos, deteriora-se rapidamente. “a menor unidade autônoma da comunicação”, na defini-
ção de Celso Pedro Luft.
17.2. Forma e Estrutura A função essencial da frase é desempenhada pelo
predicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser en-
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a tendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”.
estrutura que lhes são inerentes. Sempre que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe
É conveniente o envio, juntamente com o documento o nome de período, que terá tantas orações quantos fo-
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com rem os verbos não auxiliares que o constituem.
os dados de identificação da mensagem a ser enviada, Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis-
conforme exemplo a seguir: pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –,
de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substan-
[Órgão Expedidor] tivo. Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações
[setor do órgão expedidor] substantivos (nomes ou pronomes) que desempenham a
[endereço do órgão expedidor] função de complementos (objetos direto e indireto, pre-
Destinatário:____________________________________ dicativo e complemento adverbial). Função acessória de-
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ sempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente
Remetente: ____________________________________ ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ aos elementos que desempenham as outras funções, ou
No de páginas: ________No do documento:____________ deslocados para o início da oração.
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos
Observações:___________________________________ elementos que compõem uma oração (Observação: os
parênteses indicam os elementos que podem não ocor-
18. Correio Eletrônico rer):
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adver-
18.1 Definição e finalidade bial).

O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e Podem ser identificados seis padrões básicos para as
celeridade, transformou-se na principal forma de comu- orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portu-
nicação para transmissão de documentos. guesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e
pode ocorrer em ordem diversa):
18.2. Forma e Estrutura
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- O Presidente - regressou - (ontem).
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir for-
ma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto -
uso de linguagem incompatível com uma comunicação (adjunto adverbial)
oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Ofi- O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
ciais). manhã de terça-feira).
O campo assunto do formulário de correio eletrônico
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto
documental tanto do destinatário quanto do remetente. - (adjunto adverbial).
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser uti- O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os
lizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensa- setores).
gem que encaminha algum arquivo deve trazer informa-
ções mínimas sobre seu conteúdo. 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. di-
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de reto - obj. indireto - (adj. Adv.)
confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve Os desempregados - entregaram - suas reivindicações
constar da mensagem pedido de confirmação de rece- - ao Deputado - (no Congresso).
bimento.
LÍNGUA PORTUGUESA

5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento


18.3 Valor documental adverbial - (adjunto adverbial)
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Bue-
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensa- nos Aires - (na próxima semana).
gem de correio eletrônico tenha valor documental, e para O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
que possa ser aceito como documento original, é neces- 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad-
sário existir certificação digital que ateste a identidade verbial)
do remetente, na forma estabelecida em lei. O problema - será - resolvido - prontamente.

9
Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou 4. Erros de Paralelismo
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjugado. Na
construção de períodos, as várias funções podem ocorrer em Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
ordem inversa à mencionada, misturando-se e confundin- crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
do-se. Não interessa aqui análise exaustiva de todos os pa- gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. As-
drões existentes na língua portuguesa. O que importa é fixar sim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a
a ordem normal dos elementos nesses seis padrões básicos. elementos paralelos. Vejamos alguns exemplos:
Acrescente-se que períodos mais complexos, compostos por Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministé-
duas ou mais orações, em geral podem ser reduzidos aos rios economizar energia e que elaborassem planos de redu-
padrões básicos (de que derivam). ção de despesas.
Os problemas mais frequentemente encontrados na
construção de frases dizem respeito à má pontuação, à am- Na frase temos, nas duas orações subordinadas que com-
biguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos paralelis- pletam o sentido da principal, duas estruturas diferentes para
mos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral, do des- ideias equivalentes: a primeira oração (economizar energia) é
conhecimento da ordem das palavras na frase. Indicam-se, reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que elaborassem
a seguir, alguns desses defeitos mais comuns e recorrentes planos de redução de despesas) é uma oração desenvolvida
na construção de frases, registrados em documentos oficiais. introduzida pela conjunção integrante que. Há mais de uma
possibilidade de escrevê-la com clareza e correção; uma seria
2. Sujeito a de apresentar as duas orações subordinadas como desen-
volvidas, introduzidas pela conjunção integrante que:
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que exe- Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
cuta a ação enunciada na oração. Ele pode ter complemento, rios que economizassem energia e (que) elaborassem pla-
mas não ser complemento. Devem ser evitadas, portanto, nos para redução de despesas.
construções como:
Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. como reduzidas de infinitivo:
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
rios economizar energia e elaborar planos para redução de
Errado: Apesar das relações entre os países estarem cor- despesas.
tadas, (...). Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cor- coordenação de orações subordinadas.
tadas, (...).
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. culta:
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. Errado: No discurso de posse, mostrou determinação,
não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). O problema aqui decorre de coordenar palavras (subs-
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...). tantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).

Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...). Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...). por transformá-la em frase simples, substituindo as ora-
ções reduzidas por substantivos:
3. Frases Fragmentadas Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, se-
gurança, inteligência e ambição.
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma ora-
ção subordinada ou uma simples locução como se fosse uma Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso pa-
frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma frase ralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equivalen-
simples. Embora seja usada como recurso estilístico na lite- te) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se apre-
ratura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos textos sentar, de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:
oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão. Exemplo: Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa.
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso
Nacional. Depois de ser longamente debatido. Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso (Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibili-
Nacional, depois de ser longamente debatido. dade de correção é transformá-la em duas frases simples,
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar):
LÍNGUA PORTUGUESA

recebeu a aprovação do Congresso Nacional. Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- última capital, encontrou-se com o Papa.
metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consul-
tadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente pelo uso inadequado da expressão “e que” num período
submetido ao Presidente da República, que o aprovou, que não contém nenhum “que” anterior.
consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
legal. tem sólida formação acadêmica.

10
Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo: A) pronomes pessoais:
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado
sólida formação acadêmica. que ele seria exonerado.
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu se-
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: cretariado.
Errado: Neste momento, não se devem adotar medi- Ou então, caso o entendimento seja outro:
das precipitadas, e que comprometam o andamento de Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
todo o programa. neração deste.

Da mesma forma com que corrigimos o exemplo an- B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
terior, aqui podemos suprimir a conjunção: Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repú-
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas blica, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o Estado, mas isso não o surpreendeu.
Observe a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
programa.
acima, a qual torna incompreensível o sentido da frase.
5. Erros de Comparação
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente
da República. No pronunciamento, solicitou a intervenção
A omissão de certos termos ao fazermos uma compa- federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada da República.
na língua escrita, pois compromete a clareza do texto:
nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o C) pronome relativo:
termo omitido. A ausência indevida de um termo pode Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu
impossibilitar o entendimento do sentido que se quer costumava trabalhar.
dar a uma frase: Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora-
ção faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambigui-
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que dade se deve ao pronome relativo “que”, sem marca de
um médico. gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual, os
A omissão de termos provocou uma comparação in- quais, as quais, que marcam gênero e número.
devida: “o salário de um professor” com “um médico”. Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu cos-
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que tumava trabalhar.
o salário de um médico. Se o entendimento é outro, então:
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu cos-
o de um médico. tumava trabalhar.
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria.
Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
Novamente, a não repetição dos termos comparados dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
confunde. Alternativas para correção: Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da funcionário.
Portaria. Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
indisciplinado.
bas do que os Ministérios do Governo.
Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senho-
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou ra chamou o médico.
“demais”) acarretou imprecisão: Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- chamado por uma senhora.
bas do que os outros Ministérios do Governo.
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- SITE
bas do que os demais Ministérios do Governo. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual-
redpr2aed.pdf
6. Ambiguidade

Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada


EXERCÍCIOS COMENTADOS
LÍNGUA PORTUGUESA

em mais de um sentido. Como a clareza é requisito bási-


co de todo texto oficial, deve-se atentar para as constru-
ções que possam gerar equívocos de compreensão. 1. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade Transportes Aquaviários – superior – cespe – 2014)
de identificar a qual palavra se refere um pronome que Considerando aspectos estruturais e linguísticos das cor-
possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode respondências oficiais, julgue os itens que se seguem, de
ocorrer com: acordo com o Manual de Redação da Presidência da Re-
pública.

11
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente dois
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de fechos diferentes para todas as modalidades de comu-
cargos públicos. nicação oficial:
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
( ) CERTO ( ) ERRADO da República: Respeitosamente,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda quia inferior: Atenciosamente,
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
para que tais cargos públicos sejam ocupados. tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi- nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
cial_publicacoes_ver.php?id=2
5. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de
2. (tribunal de justiça-se – técnico judiciário – Médio – Transportes Aquaviários – cespe – 2014) Considerando
cespe – 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas aspectos estruturais e linguísticos das correspondências
direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo com o
uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de Manual de Redação da Presidência da República.
acordo com as hierarquias do destinatário e do reme- O tratamento Digníssimo deve ser empregado para todas
tente. as autoridades do poder público, uma vez que a dignidade
é tida como qualidade inerente aos ocupantes de cargos
( ) CERTO ( ) ERRADO públicos.

Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi- ( ) CERTO ( ) ERRADO


cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
dois fechos diferentes para todas as modalidades de Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
comunicação oficial: preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
da República: Respeitosamente, para que tais cargos públicos sejam ocupados.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- cial_publicacoes_ver.php?id=2
rarquia inferior: Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi- Interpretação Textual
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma- Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio-
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores. nadas entre si, formando um todo significativo capaz de
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
3. (anp – Conhecimento Básico para todos os Cargos – e decodificar).
cespe – 2013) Na redação de uma ata, devem-se relatar Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
exaustivamente, com o máximo de detalhamento possí- Em cada uma delas, há uma informação que se liga com
vel, incluindo-se os aspectos subjetivos, as discussões, as a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a
propostas, as resoluções e as deliberações ocorridas em estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interli-
reuniões e eventos que exigem registro. gação dá-se o nome de contexto. O relacionamento entre
as frases é tão grande que, se uma frase for retirada de seu
( ) CERTO ( ) ERRADO contexto original e analisada separadamente, poderá ter
um significado diferente daquele inicial.
Resposta: Errado. Ata é um documento administrativo Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a rências diretas ou indiretas a outros autores através de ci-
sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de tações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
pessoas com um fim específico. É característica da Ata Interpretação de texto - o objetivo da interpretação
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par-
modo infalível, de todo o desenrolar da reunião. tir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamen-
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_ tações), as argumentações (ou explicações), que levam ao
redacao_oficial_ata/) esclarecimento das questões apresentadas na prova.
LÍNGUA PORTUGUESA

4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe Normalmente, em uma prova, o candidato deve:
– 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas direcio-  Identificar os elementos fundamentais de uma ar-
nadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso dos gumentação, de um processo, de uma época (nes-
fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de acordo te caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os
com as hierarquias do destinatário e do remetente. quais definem o tempo).
 Comparar as relações de semelhança ou de dife-
( ) CERTO ( ) ERRADO renças entre as situações do texto.

12
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
uma realidade. semântico, por isso a necessidade de adequação ao an-
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. tecedente.
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- Os pronomes relativos são muito importantes na in-
lavras. terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
Condições básicas para interpretar existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
cia, a saber:
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- te, mas depende das condições da frase.
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- qual (neutro) idem ao anterior.
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação quem (pessoa)
e de síntese; capacidade de raciocínio. cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído.
Interpretar/Compreender como (modo)
onde (lugar)
Interpretar significa: quando (tempo)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. quanto (montante)
Através do texto, infere-se que... Exemplo:
É possível deduzir que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
O autor permite concluir que... Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... aparecer o demonstrativo O).
Compreender significa Dicas para melhorar a interpretação de textos
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
O texto diz que...  Leia todo o texto, procurando ter uma visão ge-
É sugerido pelo autor que... ral do assunto. Se ele for longo, não desista! Há
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação... muitos candidatos na disputa, portanto, quanto
O narrador afirma... mais informação você absorver com a leitura, mais
chances terá de resolver as questões.
Erros de interpretação  Se encontrar palavras desconhecidas, não inter-
rompa a leitura.
 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se  Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas
sai do contexto, acrescentando ideias que não forem necessárias.
estão no texto, quer por conhecimento prévio  Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma
do tema quer pela imaginação. conclusão).
 Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se  Volte ao texto quantas vezes precisar.
atenção apenas a um aspecto (esquecendo que  Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as
um texto é um conjunto de ideias), o que pode do autor.
ser insuficiente para o entendimento do tema  Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me-
desenvolvido. lhor compreensão.
 Contradição = às vezes o texto apresenta ideias  Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con- cada questão.
clusões equivocadas e, consequentemente, er-  O autor defende ideias e você deve percebê-las.
rar a questão.  Observe as relações interparágrafos. Um parágra-
fo geralmente mantém com outro uma relação de
Observação: Muitos pensam que existem a ótica do continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi-
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em que muito bem essas relações.
uma prova de concurso, o que deve ser levado em consi-  Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou
deração é o que o autor diz e nada mais. seja, a ideia mais importante.
 Nos enunciados, grife palavras como “correto”
Coesão e Coerência ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na
hora da resposta – o que vale não somente para
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que Interpretação de Texto, mas para todas as demais
relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre questões!
LÍNGUA PORTUGUESA

si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de  Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin-
um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um cipal, leia com atenção a introdução e/ou a con-
pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o clusão.
que se vai dizer e o que já foi dito.  Olhe com especial atenção os pronomes relativos,
São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre pronomes pessoais, pronomes demonstrativos,
eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono- etc., chamados vocábulos relatores, porque reme-
me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; tem a outros vocábulos do texto.
aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-

13
SITES Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de apren-
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. der ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente,
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre incor-
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/ porando novidades que nos transformam. Somos gene-
09-dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- ticamente elaborados para lidar com o novo, mas não
-provas> só. Também somos profundamente modificados por ele.
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. A cada momento da vida, quando achamos que tudo já
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de nós
html> uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa capaz
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/cursi- de boiar é diferente daquelas que afundam como pedras.
nho/questoes/questao-117-portugues.htm> Suspeito que isso tenha importância também para os re-
lacionamentos.
Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a
EXERCÍCIOS COMENTADOS se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística – em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-se
AOCP-2015) tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria frustra-
ção e a nossa fúria, em permitir que o parceiro floresça,
O verão em que aprendi a boiar em dar atenção aos detalhes dele. Penso, sobretudo, em
Quando achamos que tudo já aconteceu, novas ca- conquistar, aos poucos, a ansiedade e insegurança que
pacidades fazem de nós pessoas diferentes do que nos bloqueiam o caminho do prazer, não apenas no sen-
éramos tido sexual. Penso em estar mais tranquilo na companhia
IVAN MARTINS do outro e de si mesmo, no mundo.
Assim como boiar, essas coisas são simples, mas preci-
Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acre- sam ser aprendidas.
dito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar
gosto especial. na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você
Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transfor- boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode
mou. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tem-
po, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas
cidade, minha cidade, mudou de tamanho e de fisio-
se combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral,
nomia. Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madru-
a relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada
gada, era diferente – e pior – do que descer a mesma
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a
avenida com as mãos ao volante, ouvindo rock and roll
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos
no rádio. Pegar a estrada com os filhos pequenos reve-
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada
lou-se uma delícia insuspeitada.
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção e
Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me pare-
relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de for-
ce, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato que,
ma relaxada e consciente um grande amor.
mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez ra-
inteiramente. pidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra des- eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coi-
coberta temporã. sas do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações
Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes, emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
da flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
Brava, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
consegui boiar. A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo se
Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os oito aprende, mesmo as coisas simples que pareciam impos-
anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso e es- síveis.
forço, vocês que não mais se surpreendem com a sen- Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de me-
sação de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas lhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
vocês se esqueceram de como tudo isso é bom. no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
LÍNGUA PORTUGUESA

mais prazer, com mais intensidade e menos medo.


ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao pode tentar boiar.
ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-mar-
água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e tins/noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html
isso, curiosamente, não é fácil.
Essa experiência me sugeriu algumas considerações so-
bre a vida em geral.

14
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “To- em ativos móveis ou imóveis e, em casos extremos, em
dos os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de estoques crescentes de moeda estrangeira. Para se evitar
esse tipo de distorção, é fundamental a manutenção da
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar credibilidade no sistema financeiro. A experiência brasilei-
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais cal- ra com o Plano Real é singular entre os países que adota-
ma, com mais prazer, com mais intensidade e menos ram políticas de estabilização monetária, uma vez que a
medo. reversão das taxas inflacionárias não resultou na fuga de
b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona- capitais líquidos do sistema financeiro para os ativos reais.
mentos amorosos para que eles não se desfaçam. Pode-se afirmar que a estabilidade do Sistema Financei-
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio- ro Nacional é a garantia de sucesso do Plano Real. Não
so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam existe moeda forte sem um sistema bancário igualmente
vividos intensamente. forte. Não é por outra razão que a Lei n.º 4.595/1964, que
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in- criou o Banco Central do Brasil (BACEN), atribuiu-lhe si-
clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. multaneamente as funções de zelar pela estabilidade da
e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém moeda e pela liquidez e solvência do sistema financeiro.
sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode Atuação do Banco Central na sua função de zelar pela
acontecer. estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. Internet: <
www.bcb.gov.br > (com adaptações).
Resposta: Letra A. Ao texto: (...) tudo se aprende,
mesmo as coisas simples que pareciam impossíveis. / Conclui-se da leitura do texto que a comparação entre
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de “crise bancária” e “vendaval” embasa-se na impossibilida-
melhorar = sempre há tempo para boiar (aprender). de de se preverem as consequências de ambos os fenô-
Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para ten- menos.
tar relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com
( ) CERTO ( ) ERRADO
mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e
menos medo = correta.
Resposta: Certo. Conclui-se da leitura do texto que
Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos rela-
a comparação entre “crise bancária” e “vendaval” em-
cionamentos amorosos para que eles não se desfaçam
basa-se na impossibilidade de se preverem as conse-
= incorreta – o autor propõe viver intensamente.
quências de ambos os fenômenos.
Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais
Voltemos ao texto: Uma crise bancária pode ser compa-
criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles
rada a um vendaval. Suas consequências sobre a econo-
sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos mia das famílias e das empresas são imprevisíveis.
objetivo nos relacionamentos.
Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas no- 3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
vas, inclusive agir com o raciocínio nas relações amo-
rosas = incorreta – ser mais emoção. Lastro e o Sistema Bancário
Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que [...]
pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando, Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro deposita-
não pensando em algo ruim. do nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade
de ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse
2. (BACEN – TÉCNICO – CONHECIMENTOS BÁSICOS – metal é limitado, isso garantia que a produção de dinhei-
ÁREA 1 e 2 – CESPE-2013) ro fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros
se deram conta de que ninguém estava interessado em
Uma crise bancária pode ser comparada a um vendaval. trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a re-
Suas consequências sobre a economia das famílias e das serva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do
empresas são imprevisíveis. Os agentes econômicos rela- que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises,
cionam-se em suas operações de compra, venda e troca como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar
de mercadorias e serviços de modo que cada fato econô- suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos,
mico, seja ele de simples circulação, de transformação ou deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas
de consumo, corresponde à realização de ao menos uma economias seguramente guardadas.
operação de natureza monetária junto a um intermediá- Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão-ou-
rio financeiro, em regra, um banco comercial que recebe ro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e prin-
um depósito, paga um cheque, desconta um título ou cipalmente de valores em contas bancárias, já não tendo
LÍNGUA PORTUGUESA

antecipa a realização de um crédito futuro. A estabilida- nenhuma riqueza material para representar, é criado a
de do sistema que intermedeia as operações monetárias, partir de empréstimos. Quando alguém vai até o banco
portanto, é fundamental para a própria segurança e esta- e recebe um empréstimo, o valor colocado em sua conta
bilidade das relações entre os agentes econômicos. é gerado naquele instante, criado a partir de uma deci-
A iminência de uma crise bancária é capaz de afetar e são administrativa, e assim entra na economia. Essa ex-
contaminar todo o sistema econômico, fazendo que os plicação permaneceu controversa e escondida por muito
titulares de ativos financeiros fujam do sistema financeiro tempo, mas hoje está clara em um relatório do Bank of
e se refugiem, para preservar o valor do seu patrimônio, England de 2014.

15
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é Resposta: Letra A.
criado assim, inventado em canetaços a partir da conces- Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
são de empréstimos. O que torna tudo mais estranho e bancos = correta
perverso é que, sobre esse empréstimo, é cobrada uma Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é ima-
dívida. Então, se eu peço dinheiro ao banco, ele inventa ginário = nem todo
números em uma tabela com meu nome e pede que eu Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros clien-
devolva uma quantidade maior do que essa. Para pagar tes = deve ao banco, este paga/empresta a outros clien-
a dívida, preciso ir até o dito “livre-mercado” e trabalhar, tes
lutar, talvez trapacear, para conseguir o dinheiro que o Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-mer-
banco inventou na conta de outras pessoas. Esse é o di- cado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-mercado” e
nheiro que vai ser usado para pagar a dívida, já que a trabalhar, lutar, talvez trapacear.
única fonte de moeda é o empréstimo bancário. No fim, Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes endivi-
os bancos acabam com todo o dinheiro que foi inventa- dados = desde que não paguem a dívida
do e ainda confiscam os bens da pessoa endividada cujo
dinheiro tomei. 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge abaixo,
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. Es- publicada no momento da intervenção nas atividades de
cassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante segurança do Rio de Janeiro, em março de 2018.
porque é gerada pela simples manipulação de bancos de
dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e poder
sem precedentes: um mundo onde o patrimônio de 80
pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde o 1%
mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.
[...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventando-
-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema bancá-


rio, a reserva fracional foi criada com o objetivo de

a) tornar ilimitada a produção de dinheiro. Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO
b) proteger os bens dos clientes de bancos. pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a se-
c) impedir que os bancos fossem à falência. guinte informação:
d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas. a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes come-
tidos no Rio;
Resposta: Letra D. Ao texto: (...) Com o tempo, os b) a tarefa da investigação criminal não está sendo bem-
banqueiros se deram conta de que ninguém estava in- -feita;
teressado em trocar dinheiro por ouro e criaram mano- c) a linguagem do personagem mostra intimidade com o
bras, como a reserva fracional, para emprestar muito interlocutor;
mais dinheiro do que realmente tinham em ouro nos d) a presença do orelhão indica o atraso do local da charge;
cofres. e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a presença
Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro = in- do Exército.
correta
Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos = in- Resposta: Letra D.
correta
Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência =
incorreta
Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
correta
Em “e”, preservar as economias das pessoas = incorreta

4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) A


LÍNGUA PORTUGUESA

leitura do texto permite a compreensão de que

a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos. NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a seguin-
b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imaginá- te informação:
rio. Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos crimes
c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes. cometidos no Rio = inferência correta
d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”. Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está sendo
e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados. bem-feita = inferência correta

16
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimida- 7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo
de com o interlocutor = inferência correta Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse termo
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local denota, além da agressão física, diversos tipos de impo-
da charge = incorreta sição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de
a presença do Exército = inferência correta determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado
pelas condições de trabalho e condições econômicas”. A
6. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR – manchete jornalística abaixo que NÃO se enquadra em
CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) nenhum tipo de violência citado nesse segmento é:

As primeiras moedas, peças representando valores, ge- a) Presa por mensagem racista na internet;
ralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
século VII a.C. As características que se desejava ressaltar c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
eram transportadas para as peças por meio da panca- d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
da de um objeto pesado, em primitivos cunhos. Com o e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
surgimento da cunhagem a martelo e o uso de metais
nobres, como o ouro e a prata, os signos monetários Resposta: Letra C. Em “a”: Presa por mensagem ra-
passaram a ser valorizados também pela nobreza dos cista na internet = como a repressão política, familiar
metais neles empregados. ou de gênero
Embora a evolução dos tempos tenha levado à substi- Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura vene-
tuição do ouro e da prata por metais menos raros ou zuelana = como a repressão política, familiar ou de gê-
suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a nero
associação dos atributos de beleza e expressão cultural Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa eletrô-
ao valor monetário das moedas, que quase sempre, na nico = não consta na Manchete acima
atualidade, apresentam figuras representativas da histó- Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na
ria, da cultura, das riquezas e do poder das sociedades. Rússia = como a repressão política, familiar ou de gê-
A necessidade de guardar as moedas em segurança le- nero
Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho
vou ao surgimento dos bancos. Os negociantes de ouro
escravo = o desgaste causado pelas condições de tra-
e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, pas-
balho
saram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinhei-
ro de seus clientes e a dar recibos escritos das quantias
guardadas. Esses recibos passaram, com o tempo, a ser-
8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
vir como meio de pagamento por seus possuidores, por
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018)
ser mais seguro portá-los do que portar dinheiro vivo.
Assim surgiram as primeiras cédulas de “papel moeda”, Oportunismo à Direita e à Esquerda
ou cédulas de banco; concomitantemente ao surgimen-
to das cédulas, a guarda dos valores em espécie dava Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos
origem a instituições bancárias. o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas
Casa da Moeda do Brasil: 290 anos de História, leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime
1694/1984. de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem de-
vidamente contidos e seus responsáveis, punidos, con-
Depreende-se do texto que duas características das forme estabelecido na legislação.
moedas se mantiveram ao longo do tempo: a veiculação É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos cami-
de formas em sua superfície e a associação de seu valor nhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, da
monetário a atributos como beleza. ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em
se beneficiar do barateamento do combustível.
( ) CERTO ( ) ERRADO Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico
para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de elei-
Resposta: Errado. Depreende-se do texto que duas ção, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não
características das moedas se mantiveram ao longo faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para
do tempo: a veiculação de formas em sua superfície e desgastar governantes e reforçar seus projetos de po-
a associação de seu valor monetário a atributos como der, por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o
beleza = errado (é o inverso). que está delimitado pelo estado democrático de direito,
Texto: (...) a associação dos atributos de beleza e ex- defendido pelos diversos instrumentos institucionais de
LÍNGUA PORTUGUESA

pressão cultural ao valor monetário das moedas, que que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público,
quase sempre, na atualidade, apresentam figuras re- Forças Armadas etc.
presentativas da história, da cultura, das riquezas e do A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de
poder das sociedades. suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionan-
do, do qual depende a sobrevivência física da população.
Isso não pode ser esquecido e serve de alerta para que as
autoridades desenvolvam planos de contingência.
O Globo, 31/05/2018.

17
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos ca- Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pen-
minhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, samento e a ação das pessoas para que se promova a
da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa
em se beneficiar do barateamento do combustível.” Se- de ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser
gundo esse parágrafo do texto, o que “precisa aconte- esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e
cer” é temos consciência disso. Porém, o sentido do discurso, a
ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de pala-
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento. vras e conceitos que anunciem os valores humanos que
b) garantir-se o direito de reunião e de greve. decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A vio-
c) lastrear leis e regras na Constituição. lência já é bastante denunciada, e quanto mais falamos
d) punirem-se os responsáveis por excessos. dela, mais lembramos de sua existência em nosso meio
e) concluírem-se as investigações sobre a greve. social. É hora de começarmos a convocar a presença da
paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Resposta: Letra D. Em “a”: manter-se o direito de livre Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à ges-
expressão do pensamento. = incorreto tão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencial-
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. = mente violentos e reconstruir a paz e a confiança en-
incorreto tre pessoas originárias de situação de guerra é um dos
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incor- exemplos mais comuns a serem considerados. Tal mis-
reto são estende-se às escolas, instituições públicas e outros
Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos. locais de trabalho por todo o mundo, bem como aos
Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve. parlamentos e centros de comunicação e associações.
= incorreto Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as de-
Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a se- sigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento
rem devidamente contidos e seus responsáveis, pu- sustentado e o respeito pelos direitos humanos, refor-
nidos, conforme estabelecido na legislação. / É o que çando as instituições democráticas, promovendo a liber-
precisa acontecer... = precisa acontecer a punição dos dade de expressão, preservando a diversidade cultural e
excessos.
o ambiente.
É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento —
direitos humanos — democracia” que podemos vislum-
brar a educação para a paz.
9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – CES-
Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas:
PE-2018)
desafios para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc.
Educ. (Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com adap-
Texto CG1A1AAA
tações).
A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos
políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, in- De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos “ges-
dependentemente de idade, sexo, estrato social, crença tão de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser con-
religiosa etc. é chamado à criação de um mundo paci- cebidos como
ficado, um mundo sob a égide de uma cultura da paz.
Mas, o que significa “cultura da paz”? a) obstáculos para a construção da cultura da paz.
Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
e os adultos da compreensão de princípios como liber- c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
dade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância, d) etapas para a construção da cultura da paz.
igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, indivi- e) consequências da construção da cultura da paz.
dual e coletiva, da violência que tem sido percebida na
sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da Resposta: Letra D. Em “a”: obstáculos para a constru-
paz tem de procurar soluções que advenham de dentro ção da cultura da paz. = incorreto
da(s) sociedade(s), que não sejam impostas do exterior. Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da
Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado paz. = incorreto
em sentido negativo, quando se traduz em um estado Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
de não guerra, em ausência de conflito, em passividade = incorreto
e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
Em “e”: consequências da construção da cultura da
LÍNGUA PORTUGUESA

condenada a um vazio, a uma não existência palpável,


difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concep- paz. = incorreto
ção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido refe-
prática da não violência para resolver conflitos, a prática re-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar er-
do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrá- radicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
tica frente à vida, que pressupõe a dinâmica da coope- para construção da paz.
ração planejada e o movimento constante da instalação
de justiça.

18
10. (PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VUNESP-2013) Leia o cartum de Jean Galvão

(https://www.facebook.com/jeangalvao.cartunista)

Considerando a relação entre a fala do personagem e a imagem visual, pode-se concluir que o que o leva a pular a
onda é a necessidade de

a) demonstrar respeito às religiões.


b) realizar um ritual místico.
c) divertir-se com os amigos.
d) preservar uma tradição familiar.
e) esquivar-se da sujeira da água.

Resposta: Letra E. Em “a”: demonstrar respeito às religiões. = incorreto


Em “b”: realizar um ritual místico. = incorreto
Em “c”: divertir-se com os amigos. = incorreto
Em “d”: preservar uma tradição familiar. = incorreto
Em “e”: esquivar-se da sujeira da água.
O personagem pula a onda para que não seja atingido pelo lixo que se encontra no mar.

11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR – VUNESP-2015) Leia a tira.

(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)

Com sua fala, a personagem revela que

a) a violência era comum no passado.


b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
LÍNGUA PORTUGUESA

d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C. Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto


Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. = incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.

19
12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTE- termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até
RIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge. boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha espalha-
dos por mensagens de celular.
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa
adequada é:

a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do


celular e da carteira nos roubos urbanos;
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à car-
teira como alvo de desejo dos assaltantes;
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que
vendem as figurinhas da Copa;
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa
(Pancho. www.gazetadopovo.com.br) nas bancas de jornais;
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin-
É correto associar o humor da charge ao fato de que cipal dos ladrões.
a) os personagens têm uma autoestima elevada e são Resposta: Letra B. Em “a”: as figurinhas da Copa
otimistas, mesmo vivendo em uma situação de com- passaram a ocupar o lugar do celular e da carteira nos
pleto confinamento. roubos urbanos; = incorreto
b) os dois personagens estão muito bem informados so- Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e
bre a economia, o que não condiz com a imagem de à carteira como alvo de desejo dos assaltantes;
criminosos. Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros
c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
personagens, pois eles demonstram preocupação
Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da
com a aparência.
Copa nas bancas de jornais; = incorreto
d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no
os personagens, que estão acostumados a pagar caro
alvo principal dos ladrões. = incorreto
por eles nos presídios.
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também
para os personagens, dada a condição em que se en-
passaram a ser alvo dos assaltantes.
contram.

Resposta: Letra E. Em “a”: os personagens têm uma 14. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS-
autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo TIÇA AVALIADOR – FGV-2018)
em uma situação de completo confinamento. = incor-
reto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem infor-
mados sobre a economia, o que não condiz com a
imagem de criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a
vida dos personagens, pois eles demonstram preocu-
pação com a aparência. = incorreto
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não sur-
preende os personagens, que estão acostumados a
pagar caro por eles nos presídios. = incorreto
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser
relevantes para os personagens, dada a condição em
que se encontram.
Pela condição em que as personagens se encontram, o
aumento no preço dos cosméticos não os afeta.

13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS-


TIÇA AVALIADOR – FGV-2018)
O humor da tira é conseguido através de uma quebra de
LÍNGUA PORTUGUESA

Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com expectativa, que é:


as figurinhas da Copa
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;
b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos;
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo c) a falta de muitas figurinhas no álbum;
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho;
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jor- e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário.
naleiros estão levando seus estoques para casa quando

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Resposta: Letra B. Em “a”: o fato de um adulto cole- Resposta: Letra A. Em “a”: a criação de uma depen-
cionar figurinhas; = incorreto dência tecnológica excessiva;
Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; = in-
esportivos; correto
Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = incorreto Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto
Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto
pelo filho; = incorreto Em “e”: a falta de contato entre membros da família. =
Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o con- incorreto
trário. = incorreto Através da fala do garoto chegamos à resposta: de-
O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema pendência tecnológica - expressa em sua fala.
incomum: assuntos sociais.
Resposta: Letra D. Em “a”: ter alcançado o céu após
15. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Obser- sua morte; = incorreto
ve a charge abaixo. Em “b”: mostrar determinação no combate à doença;
= incorreto
Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incor-
reto
Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante;
Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física.
= incorreto
Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que es-
távamos esperando”.

17. (TJ-PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FUNÇÃO ADMI-


NISTRATIVA – IBFC-2017)

Texto II

No caso da charge, a crítica feita à internet é:

a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva;


b) a falta de exercícios físicos nas crianças;
c) o risco de contatos perigosos;
d) o abandono dos estudos regulares;
e) a falta de contato entre membros da família.

16. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV- A observação dos elementos não verbais do texto é res-
2018) Observe a charge a seguir: ponsável pelo entendimento do humor sugerido. Nesse
sentido, a evolução do homem e do computador, através
de tais elementos, deve ser entendida como:

a) complementar.
b) semelhante.
c) conflitante.
d) antitética.
e) idealizada.

Resposta: Letra D. As imagens mostram um con-


traste entre o desenvolvimento do computador e do
homem; enquanto aquele vai se tornando mais “fino,
elegante”, este fica sedentário, engorda. A palavra “an-
titética” significa “oposta, oposição”.

A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,


LÍNGUA PORTUGUESA

destacando o fato de o cientista:

a) ter alcançado o céu após sua morte;


b) mostrar determinação no combate à doença;
c) ser comparado a cientistas famosos;
d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
e) localizar seus interesses nos estudos de Física.

21
18. (TRF-2.ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da ver-
ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017) bal, não utiliza vocábulo, palavras para se comunicar. O
objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o que
se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar
de outros meios comunicativos, como: placas, figuras,
gestos, objetos, cores, ou seja, dos signos visuais.
Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo,
uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou tele-
visionado, um bilhete? = Linguagem verbal!
Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de
futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança,
o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identi-
ficação de “feminino” e “masculino” através de figuras na
porta do banheiro, as placas de trânsito? = Linguagem
não verbal!
A produção da obra acima, Os Retirantes (1944), foi rea-
A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao
lizada seis anos depois da publicação do romance Vidas mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
Secas. Nessa obra, ao abordar a miséria e a seca clara- anúncios publicitários.
mente vistas através da representação de uma família de Alguns exemplos:
retirantes, Cândido Portinari Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.
Placas de trânsito.
a) apresenta uma temática, assim como a descrição dos Imagem indicativa de “silêncio”.
personagens e do ambiente, de forma sutil e dinâmica. Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”.
b) permite visualizar a degradação da figura humana e
o retrato da figura da morte afugentada pelos perso- SITE
nagens. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda-
c) apresenta elementos físicos presentes no cotidiano cao/linguagem.htm>
dos retirantes vítimas da seca e aspectos relacionados
à desigualdade social. A Linguagem Literária e a não Literária
d) utiliza a linguagem não verbal com o objetivo de cons-
truir uma imagem cuja ênfase mística se opõe aos fa- A linguagem literária é bem diferente da linguagem
tos da realidade observável. não literária. A linguagem literária é bela, emotiva, senti-
mental, trazendo as figuras de linguagem como a metá-
Resposta: Letra C. Em “a”: apresenta uma temática, fora, a metonímia, a inversão, etc. Apresenta o fantástico
assim como a descrição dos personagens e do am- que precisa ser descoberto através de uma leitura atenta.
biente, de forma sutil e dinâmica. A linguagem não literária é própria para a transmissão
Em “b”: permite visualizar a degradação da figura hu- do conhecimento, da informação, no âmbito das neces-
mana e o retrato da figura da morte afugentada pelos sidades da comunicação social. É a língua na sua função
personagens. pragmática, empregada pela ciência, pela técnica, pelo
Em “c”: apresenta elementos físicos presentes no co- jornalismo, pela conversação entre os falantes.
Podemos estabelecer o seguinte confronto entre as
tidiano dos retirantes vítimas da seca e aspectos rela-
duas formas:
cionados à desigualdade social.
Em “d”: utiliza a linguagem não verbal com o objetivo
Linguagem Literária Linguagem não Literária
de construir uma imagem cuja ênfase mística se opõe Intralinguística Extralinguística
aos fatos da realidade observável. ambígua clara/exata
A obra retrata, de forma nada sutil, os elementos físi- conotação denotação
cos de uma família vítima da seca. sugestão precisão
transfiguração da realidade realidade
Linguagem Verbal e Não Verbal subjetiva objetiva
ordem inversa ordem direta
O que é linguagem? É o uso da língua como forma de
expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem Intertextualidade
não é somente um conjunto de palavras faladas ou es-
LÍNGUA PORTUGUESA

critas, mas também de gestos e imagens. Afinal, não nos Intertextualidade acontece quando há uma referên-
comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade? cia explícita ou implícita de um texto em outro. Também
Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem pode ocorrer com outras formas além do texto, música,
a analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem pintura, filme, novela etc. Toda vez que uma obra fizer
utilizar o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se alusão à outra ocorre a intertextualidade.
ter algo fundamentado e coerente! Assim, a linguagem Apresenta-se explicitamente quando o autor informa
verbal é a que utiliza palavras quando se fala ou quando o objeto de sua citação. Num texto científico, por exem-
se escreve. plo, o autor do texto citado é indicado; já na forma im-

22
plícita, a indicação é oculta. Por isso é importante para o Texto Original
leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio, para
reconhecer e identificar quando há um diálogo entre os Minha terra tem palmeiras
textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando as Onde canta o sabiá,
mesmas ideias da obra citada ou contestando-as. Há As aves que aqui gorjeiam
duas formas: a Paráfrase e a Paródia. Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paráfrase
Paródia
Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia
do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre Minha terra tem palmares
para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos onde gorjeia o mar
do texto citado. É dizer com outras palavras o que já os passarinhos daqui
foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano não cantam como os de lá.
Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23): (Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”).

O nome Palmares, escrito com letra minúscula, subs-


Texto Original
titui a palavra palmeiras, há um contexto histórico, social
e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por
Minha terra tem palmeiras
Zumbi, foi dizimado em 1695, há uma inversão do sen-
Onde canta o sabiá, tido do texto primitivo que foi substituído pela crítica à
As aves que aqui gorjeiam escravidão existente no Brasil.
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”). Estrutura Textual

Paráfrase Primeiramente, o que nos faz produzir um texto é a


capacidade que temos de pensar. Por meio do pensa-
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos mento, elaboramos todas as informações que recebemos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. e orientamos as ações que interferem na realidade e or-
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? ganização de nossos escritos. O que lemos é produto de
Eu tão esquecido de minha terra... um pensamento transformado em texto.
Ai terra que tem palmeiras Logo, como cada um de nós tem seu modo de pen-
Onde canta o sabiá! sar, quando escrevemos sempre procuramos uma manei-
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e ra organizada do leitor compreender as nossas ideias. A
Bahia”). finalidade da escrita é direcionar totalmente o que você
Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é quer dizer, por meio da comunicação.
muito utilizado como exemplo de paráfrase e de paró- Para isso, os elementos que compõem o texto se sub-
dia. Aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma dividem em: introdução, desenvolvimento e conclusão. To-
o texto primitivo conservando suas ideias, não há mu- dos eles devem ser organizados de maneira equilibrada.
dança do sentido principal do texto, que é a saudade da
terra natal. Introdução

Paródia Caracterizada pela entrada no assunto e a argumen-


tação inicial. A ideia central do texto é apresentada nessa
etapa. Essa apresentação deve ser direta, sem rodeios.
A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar
O seu tamanho raramente excede a 1/5 de todo o tex-
outros textos, há uma ruptura com as ideologias impos-
to. Porém, em textos mais curtos, essa proporção não é
tas e por isso é objeto de interesse para os estudiosos
equivalente. Neles, a introdução pode ser o próprio tí-
da língua e das artes. Ocorre, aqui, um choque de inter-
tulo. Já nos textos mais longos, em que o assunto é ex-
pretação, a voz do texto original é retomada para trans- posto em várias páginas, ela pode ter o tamanho de um
formar seu sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica de capítulo ou de uma parte precedida por subtítulo. Nessa
suas verdades incontestadas anteriormente. Com esse situação, pode ter vários parágrafos. Em redações mais
processo há uma indagação sobre os dogmas estabele- comuns, que em média têm de 25 a 80 linhas, a introdu-
cidos e uma busca pela verdade real, concebida através ção será o primeiro parágrafo.
do raciocínio e da crítica. Os programas humorísticos
LÍNGUA PORTUGUESA

fazem uso contínuo dessa arte. Frequentemente os dis- Desenvolvimento


cursos de políticos são abordados de maneira cômica
e contestadora, provocando risos e também reflexão a A maior parte do texto está inserida no desenvolvi-
respeito da demagogia praticada pela classe dominante. mento, que é responsável por estabelecer uma ligação
Com o mesmo texto utilizado anteriormente, teremos, entre a introdução e a conclusão. É nessa etapa que são
agora, uma paródia. elaboradas as ideias, os dados e os argumentos que sus-
tentam e dão base às explicações e posições do autor. É

23
caracterizado por uma “ponte” formada pela organização Em relação à abertura para novas discussões, a con-
das ideias em uma sequência que permite formar uma clusão não pode ter esse formato, exceto pelos seguin-
relação equilibrada entre os dois lados. tes fatores:
O autor do texto revela sua capacidade de discutir um  Para não influenciar a conclusão do leitor sobre
determinado tema no desenvolvimento, e é através des- temas polêmicos, o autor deixa a conclusão em
se que o autor mostra sua capacidade de defender seus aberto.
pontos de vista, além de dirigir a atenção do leitor para  Para estimular o leitor a ler uma possível continui-
a conclusão. As conclusões são fundamentadas a partir dade do texto, o autor não fecha a discussão de
daqui. propósito.
Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, o  Por apenas apresentar dados e informações sobre
escritor já deve ter uma ideia clara de como será a con- o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja con-
clusão. Daí a importância em planejar o texto. cluir o assunto.
Em média, o desenvolvimento ocupa 3/5 do texto, no  Para que o leitor tire suas próprias conclusões, o
mínimo. Já nos textos mais longos, pode estar inserido autor enumera algumas perguntas no final do texto.
em capítulos ou trechos destacados por subtítulos. Apre-
A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o
sentar-se-á no formato de parágrafos medianos e curtos.
autor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técni-
Os principais erros cometidos no desenvolvimento
ca é um roteiro, em que estão presentes os planejamen-
são o desvio e a desconexão da argumentação. O primei-
tos. Naquele devem estar indicadas as melhores sequên-
ro está relacionado ao autor tomar um argumento se-
cias a serem utilizadas na redação; ele deve ser o mais
cundário que se distancia da discussão inicial, ou quando enxuto possível.
se concentra em apenas um aspecto do tema e esquece
o seu todo. O segundo caso acontece quando quem re- SITE
dige tem muitas ideias ou informações sobre o que está Disponível em:
sendo discutido, não conseguindo estruturá-las. Surge <http://producao-de-textos.info/mos/view/Carac-
também a dificuldade de organizar seus pensamentos e ter%C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/>
definir uma linha lógica de raciocínio.
Coesão e Coerência
Conclusão
Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
Considerada como a parte mais importante do texto, mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com-
é o ponto de chegada de todas as argumentações ela- preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin-
boradas. As ideias e os dados utilizados convergem para guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que
essa parte, em que a exposição ou discussão se fecha. foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que
Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma buscam garantir a coesão textual para que haja coerên-
brecha para uma possível continuidade do assunto; ou cia, não só entre os elementos que compõem a oração,
seja, possui atributos de síntese. A discussão não deve como também entre a sequência de orações dentro do
ser encerrada com argumentos repetitivos, como por texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de
exemplo: “Portanto, como já dissemos antes...”, “Con- modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores
cluindo...”, “Em conclusão...”. que os participantes do processo têm com o tema.
Sua proporção em relação à totalidade do texto deve Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das ginária - composta de termos e expressões - que une
características de textos bem redigidos. os diversos elementos do texto e busca estabelecer rela-
ções de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego
Os seguintes erros aparecem quando as conclusões
de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição,
ficam muito longas:
substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de
 O problema aparece quando não ocorre uma ex-
pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se
ploração devida do desenvolvimento, o que gera
frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto
uma invasão das ideias de desenvolvimento na – decorre daí a coerência textual.
conclusão. Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o
 Outro fator consequente da insuficiência de fun- apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa in-
damentação do desenvolvimento está na conclu- coerência é resultado do mau uso dos elementos de coe-
são precisar de maiores explicações, ficando bas- são textual. Na organização de períodos e de parágra-
tante vazia. fos, um erro no emprego dos mecanismos gramaticais e
 Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no lexicais prejudica o entendimento do texto. Construído
LÍNGUA PORTUGUESA

texto em que o autor fica girando em torno de com os elementos corretos, confere-se a ele uma unida-
ideias redundantes ou paralelas. de formal.
 Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeita- Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enun-
mente dispensáveis. ciado não se constrói com um amontoado de palavras e
 Quando não tem clareza de qual é a melhor con- orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de
clusão, o autor acaba se perdendo na argumenta- dependência e independência sintática e semântica, reco-
ção final. bertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam
estes princípios”.

24
Não se deve escrever frases ou textos desconexos – bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento
é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anteriori-
frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re- dade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste mo-
lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela- mento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, há
ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, no
textual. próximo ano, depois de (futuro).”

Formas de se garantir a coesão entre os elementos de A coerência de um texto está ligada:


uma frase ou de um texto 1. à sua organização como um todo, em que devem
estar assegurados o início, o meio e o fim;
 Substituição de palavras com o emprego de sinô- 2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um
nimos - palavras ou expressões do mesmo campo texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência
associativo. fundamentada em comprovações, apresentação de
 Nominalização – emprego alternativo entre um estatísticas, relato de experiências; um texto infor-
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente mativo apresenta coerência se trabalhar com lin-
(desgastar / desgaste / desgastante). guagem objetiva, denotativa; textos poéticos, por
 Emprego adequado de tempos e modos verbais: outro lado, trabalham com a linguagem figurada,
Embora não gostassem de estudar, participaram da livre associação de ideias, palavras conotativas.
aula.
 Emprego adequado de pronomes, conjunções, REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
preposições, artigos: CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá-
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira, tica – volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
Sua Santidade participou de uma reunião com a Presiden-
te Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumprimentava as
SITE
pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele guarda respeito
Disponível em: <http://www.mundovestibular.com.br/
por elas.
articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paacu-
 Uso de hipônimos – relação que se estabelece
tegina1.html>
com base na maior especificidade do significado
de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e
móvel (mais genérico).
 Emprego de hiperônimos - relações de um termo EXERCÍCIOS COMENTADOS
de sentido mais amplo com outros de sentido mais
específico. Por exemplo, felino está numa relação
de hiperonímia com gato. 1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
 Substitutos universais, como os verbos vicários. GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018)

Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado Texto 2


no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo
fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque “A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a
preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, evi- circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O
tando repetição desnecessária. objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão
A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co- dos monumentos”.
nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad- (Veja, 7/3/2018)
verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus-
tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior, A ordem cronológica dos fatos citados no texto 2 é:
a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas a) redução da poluição / banimento da circulação de car-
as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, ros / erosão dos monumentos;
assim, estabelece a relação entre as duas orações). b) banimento da circulação de carros / erosão dos monu-
mentos / redução da poluição;
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro- c) erosão dos monumentos / redução da poluição / bani-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou mento da circulação de carros;
ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun- d) redução da poluição / erosão dos monumentos / bani-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção de progressão textual, dada sua característica: são mento da circulação de carros;
elementos que não significam, apenas indicam, remetem e) erosão dos monumentos / banimento da circulação de
aos componentes da situação comunicativa. carros / redução da poluição.
Já os componentes concentram em si a significação.
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito: Resposta: Letra E. “A prefeitura da capital italiana
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in- anunciou que vai banir a circulação de carros a diesel
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes no centro a partir de 2024. O objetivo é reduzir a po-
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, luição, que contribui para a erosão dos monumentos”.

25
Primeiro ocorreu a erosão dos monumentos (=1) devi- a comprar um novo modelo de smartphone? Por que nos
do à poluição; optou-se pelo banimento da circulação dispomos a pagar cifras astronômicas para comprar apa-
dos carros (=2) para que a poluição diminua (=3), o relhos que não temos sequer certeza de que serão real-
que preservará os monumentos. mente úteis em nossas rotinas?
A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford
2. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada” por
CESGRANRIO-2018) A ideia a que o pronome destacado novos gadgets. De modo geral, em nosso processo evoluti-
se refere está adequadamente explicitada entre colchetes vo como seres humanos, nosso cérebro aprendeu a suprir
em: necessidades básicas para a sobrevivência e a perpetuação
da espécie, tais como sexo, segurança e status social.
a) “Ela é produzida de forma descentralizada por milhares Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica
de computadores, mantidos por pessoas que ‘empres- atende a essa última necessidade citada: nós nos senti-
tam’ a capacidade de suas máquinas para criar bitcoins” mos melhores e superiores, ainda que momentaneamen-
[computadores] te, quando surgimos em nossos círculos sociais com um
b) “No processo de nascimento de uma bitcoin, que é cha- produto que quase ninguém ainda possui.
mado de ´mineração´, os computadores conectados à Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que
rede competem entre si” [bitcoin] mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativavam
c) “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela partes do nosso cérebro idênticas às que são ativadas
rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa li- quando uma pessoa muito religiosa se depara com um
mitada, que é de até 21 milhões de unidades” [rede] objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que o ví-
d) “Elas são guardadas em uma espécie de carteira, que é cio em novidades tecnológicas é quase uma religião para
criada quando o usuário se cadastra no software.” [es- os mais entusiastas.
pécie ] O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais
e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em novo lançamento tecnológico dispara em nosso cérebro
algum momento deve estourar.” [bolha] a liberação de um hormônio chamado dopamina, respon-
sável por nos causar sensações de prazer. Ele é liberado
Resposta: Letra E. Em “a”: “Ela é produzida de forma quando nosso cérebro identifica algo que represente uma
descentralizada por milhares de computadores, man- recompensa.
tidos por pessoas que (= as quais – retoma o termo
“pessoas”) O grande problema é que a busca excessiva por recom-
Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin, pensas pode resultar em comportamentos impulsivos,
que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes
termo “processo de nascimento”) sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do consumo,
Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado podemos observar a situação problematizada aqui: gasto
pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos que nem
limitada, que é de até 21 milhões de unidades” = reto- sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos
ma o termo “faixa limitada” de smartphones, por exemplo, na maior parte das vezes
Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de cartei- apresentam poucas mudanças em relação ao modelo
ra, que é criada (= a qual – retoma “carteira”) anterior, considerando-se seu preço elevado. Em outros
Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bo- casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho
lha que (= a qual) em algum momento deve estourar.” novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou
[bolha] = correta inovadora no cotidiano.
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a con-
3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES- ter os impulsos na hora de comprar um novo smartphone ou
GRANRIO-2018-ADAPTADA) alguma novidade de mercado: compare o efeito momentâ-
neo da dopamina com o impacto de imaginar como ficarão
O vício da tecnologia as faturas do seu cartão de crédito com a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode
Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
olhos voltados para uma exposição de novidades eletrô- respeito da aquisição.
nicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre as DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan.
inovações, estavam produtos relacionados a experiências 2018. Adaptado.
de realidade virtual e à utilização de inteligência artificial
— que hoje é um dos temas que mais desperta interesse A ideia a que a expressão destacada se refere está explici-
LÍNGUA PORTUGUESA

em profissionais da área, tendo em vista a ampliação do tada adequadamente entre colchetes em:
uso desse tipo de tecnologia nos mais diversos segmen- a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à uti-
tos. lização de inteligência artificial — que hoje é um dos
Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no temas que mais desperta interesse em profissionais da
evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a uma an- área” [experiências de realidade virtual]
siedade tão grande para consumir produtos que prome- b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tec-
tem inovação tecnológica. Por que tanta gente se dispõe a nologia nos mais diversos segmentos” [inteligência ar-
dormir em filas gigantescas só para ser um dos primeiros tificial]

26
c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais
última necessidade citada” [segurança] variadas profissões, como atividades domésticas ou as de
d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais
mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para
cérebro a liberação de um hormônio chamado dopa- construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de
mina” [mapeamento cerebral] bebidas.
e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação
que represente uma recompensa.” [impulso cerebral] de guetos, denota uma tendência para a sua concentra-
ção em determinados bairros, escolhidos, muitas das ve-
Resposta: Letra B. Ao texto: zes, pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da
Em “a”: “relacionados a experiências de realidade vir- cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo
tual e à utilização de inteligência artificial — que hoje significativo de patrícios e algumas associações de por-
é um dos temas que mais desperta interesse em pro- te, como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
fissionais da área” [experiências de realidade virtual] Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa: in- de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
teligência artificial da colônia, se localizam outras associações portuguesas,
Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo como a Casa de Portugal e um grande número de casas
de tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteli- regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros
gência artificial] periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente
Texto: Entre as inovações, estavam produtos relaciona- formado por quintas de pequenos lavradores; nos subúr-
dos a experiências de realidade virtual e à utilização de bios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas mais pri-
inteligência artificial — que hoje é um dos temas que vilegiadas, como Botafogo e restante da zona sul carioca,
mais desperta interesse em profissionais da área, tendo área nobre da cidade a partir da década de cinquenta,
em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia preferida pelos mais abastados.
nos mais diversos segmentos.= correta PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: sa-
Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica aten- lazaristas e opositores em manifestação na cidade. In:
de a essa última necessidade citada” [segurança] ALVES, Ida et alii. 450 Anos de Portugueses no Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina Raquel, 2017, pp. 260-1.
Texto: (...) suprir necessidades básicas para a sobrevi- Adaptado.
vência e a perpetuação da espécie, tais como sexo, se-
gurança e status social. / Nesse sentido, a compra de “No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, temos
uma novidade tecnológica atende a essa última neces- um grupo significativo de patrícios e algumas associações
sidade citada... = status social de porte”. No trecho acima, a autora usou em itálico a
Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e com- palavra destacada para fazer referência aos
prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado a) luso-brasileiros
dopamina” [mapeamento cerebral] b) patriotas da cidade
(...) vício em novidades tecnológicas é quase uma re- c) habitantes da cidade
ligião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse d) imigrantes portugueses
impulso cerebral e comprar e) compatriotas brasileiros
Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identi-
fica algo que represente uma recompensa.” [impulso Resposta; Letra D. Ainda hoje é o utilizado o termo
cerebral] “patrício” para se referir aos portugueses. “Patrício”
(...) a liberação de um hormônio chamado dopamina, significa “da mesma pátria”.
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
liberado = dopamina 5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) To-
das as frases abaixo apresentam elementos sublinhados
4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AMBIEN- que estabelecem coesão com elementos anteriores (aná-
TE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018) fora); a frase em que o elemento sublinhado se refere a
um elemento futuro do texto (catáfora) é:
Texto I
a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais
Portugueses no Rio de Janeiro preciosos que a alma humana pode desejar”;
b) “Todo o problema da vida é este: como romper a pró-
LÍNGUA PORTUGUESA

O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração por- pria solidão”;


tuguesa até meados dos anos cinquenta do século pas- c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de
sado, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa viver com alguém que saiba pensar”;
do mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um déci- d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas
mo de sua população urbana. Ali, os portugueses dedi- a de uma vela que queima”;
cam-se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis, e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que
como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos, produzem menos”.
além de outros ramos, como os das papelarias e lojas

27
Resposta: Letra B. Em “a”: “A civilização converteu a 7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017)
solidão num dos bens mais preciosos que a alma hu-
mana pode desejar” = retoma “bens preciosos” Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo tem
Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como romper um sobrenome e temos de agradecer aos romanos por
a própria solidão” = o pronome se refere ao período isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos ergueu
que virá (= catáfora) um império com a conquista de boa parte das terras ba-
Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a vanta- nhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda. Eles tive-
gem de viver com alguém que saiba pensar” = retoma ram a ideia de juntar ao nome comum, ou prenome, um
“solidão” nome.
Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que seja Por quê? Porque o império romano crescia e eles precisa-
apenas a de uma vela que queima” = retoma “com- vam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar onde
panhia” tinha nascido”. (Ciência Hoje, março de 2014)
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aque-
las que produzem menos” = retoma “pessoas” “Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer aos
romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse seg-
mento do texto, se refere a(à):
6. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
FGV-2018)
a) todo mundo ter um sobrenome;
b) sobrenomes citados no início do texto;
Não Faltou Só Espinafre
c) todos os sobrenomes hoje conhecidos;
d) forma latina dos sobrenomes atuais;
A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos. e) existência de sobrenomes nos documentos.
Mostrou também danos morais.
Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo. Resposta: Letra A. Todo mundo tem um sobrenome
A dona, diligente, havia conseguido algumas verduras e temos de agradecer aos romanos por isso = ter um
e avisou à clientela. Formaram-se uma pequena fila e sobrenome.
uma grande discussão. Uma senhora havia arrematado
todos os dez maços de espinafre. No caixa, outras fre- 8. (MPU – ANALISTA – ANTROPOLOGIA – CESPE-2010)
guesas perguntaram se ela tinha restaurante. Não tinha. Inovar é recriar de modo a agregar valor e incrementar a
Observaram que a verdura acabaria estragada. Ela expli- eficiência, a produtividade e a competitividade nos proces-
cou que ia cozinhar e congelar. Então, foram ao ponto: sos gerenciais e nos produtos e serviços das organizações.
caramba, havia outras pessoas na fila, ela não poderia Ou seja, é o fermento do crescimento econômico e social
levar só o que consumiria de imediato? de um país. Para isso, é preciso criatividade, capacidade de
“Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta. inventar e coragem para sair dos esquemas tradicionais.
Compras exageradas nos supermercados, estoques do- Inovador é o indivíduo que procura respostas originais e
mésticos, filas nervosas nos postos de combustível – pertinentes em situações com as quais ele se defronta. É
teve muito comportamento na base de cada um por si. preciso uma atitude de abertura para as coisas novas, pois
Cabem nessa categoria as greves e manifestações opor- a novidade é catastrófica para os mais céticos. Pode-se di-
tunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o meu zer que o caminho da inovação é um percurso de difícil
– tal foi o comportamento de muita gente. travessia para a maioria das instituições. Inovar significa
Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018. transformar os pontos frágeis de um empreendimento em
uma realidade duradoura e lucrativa. A inovação estimula
“A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos. a comercialização de produtos ou serviços e também per-
mite avanços importantes para toda a sociedade. Porém, a
Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão
inovação é verdadeira somente quando está fundamenta-
do primeiro período que leva à produção do segundo
da no conhecimento. A capacidade de inovação depende
período é
da pesquisa, da geração de conhecimento. É necessário
investir em pesquisa para devolver resultados satisfatórios
a) a crise. à sociedade. No entanto, os resultados desse tipo de in-
b) não trouxe. vestimento não são necessariamente recursos financeiros
c) apenas. ou valores econômicos, podem ser também a qualidade
d) danos sociais. de vida com justiça social.
e) (danos) econômicos. Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In:
Darcy. Revista de jornalismo científico e cultural da Uni-
Resposta; Letra C. 1.º período: A crise não trouxe versidade de Brasília, novembro e dezembro de 2009, p. 37
LÍNGUA PORTUGUESA

apenas danos sociais e econômicos. (com adaptações).


2.º período: Mostrou também danos morais.
A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais Subentende-se da argumentação do texto que o pronome
informações que complementarão a primeira “tese” demonstrativo, no trecho “desse tipo de investimento”, re-
apresentada é “apenas”. fere-se à ideia de “fermento do crescimento econômico e
social de um país”.

( ) CERTO ( ) ERRADO

28
Resposta: Errado. Ao trecho: (...) É necessário inves- vemos, mais motivos surgem para vivermos bem. A pros-
tir em pesquisa para devolver resultados satisfatórios peridade é um ciclo que se retroalimenta. O importante é
à sociedade. No entanto, os resultados desse tipo de decidir fazer parte dele.
investimento = investir em pesquisa / desse tipo de Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra
investimento. Dele retoma, textualmente,

9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015) a) ciclo.


b) Alguém.
Texto I c) padrinho.
d) grupo.
Na organização do poder político no Estado moderno, e) apaixonado.
à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir Resposta: Letra A. Voltemos ao período:
a desordem do estado de natureza, que, em virtude do A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O im-
risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, portante é decidir fazer parte dele.
exige a existência de um poder institucional. Mas a con-
quista da liberdade humana também reclama a distri- TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL
buição do poder em ramos diversos, com a disposição
de meios que assegurem o controle recíproco entre eles A todo o momento nos deparamos com vários textos,
para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença
nas sociedades estatais. A concentração do poder em um do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo
só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer- que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes
cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu, interlocutores são as peças principais em um diálogo ou
“todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai em um texto escrito.
até onde encontra limites. Para que não se possa abusar É de fundamental importância sabermos classificar os
do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o textos com os quais travamos convivência no nosso dia a
poder limite o poder”. dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza e gêneros textuais.
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for-
lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al-
ma de sistema coerente, as consequências de conceitos
guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição
de origem baconiana, não abandonando o rigor das
e Dissertação.
certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
refugindo às especulações metafísicas que, no plano da 1. As tipologias textuais se caracterizam pelos as-
idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a pectos de ordem linguística
explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos. Os tipos textuais designam uma sequência definida
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional pela natureza linguística de sua composição. São observa-
do Ministério Público em função da proteção dos direitos dos aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações
humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18- logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, argu-
9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações). mentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.
A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz ação demarcados no tempo do universo narrado,
referência a “ramos diversos”. como também de advérbios, como é o caso de an-
tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
( ) CERTO ( ) ERRADO carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
sa, resolveram...
Resposta: Errado. Ao período: (...) reclama a distri- B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
buição do poder em ramos diversos, com a dispo- descrevem características tanto físicas quanto psi-
sição de meios que assegurem o controle recíproco cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
entre eles para o advento de um cenário de equilíbrio objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
LÍNGUA PORTUGUESA

e harmonia. no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os


cabelos mais negros como a asa da graúna...”
10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLAS- C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
SE – NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado um assunto ou uma determinada situação que se
sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo, é almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das razões
promovido primeiro, é celebrado quando volta de férias, de ela acontecer, como em: O cadastramento irá se
é convidado para ser padrinho ou madrinha e para ser prorrogar até o dia 02 de dezembro, portanto, não se
companhia em momentos prazerosos. Quanto melhor vi- esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o benefício.

29
D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
uma modalidade na qual as ações são prescritas de ORTOGRAFIA.
forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador Ortografia
até criar uma massa homogênea.
E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar- A ortografia é a parte da Fonologia que trata da corre-
cam-se pelo predomínio de operadores argumen- ta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem
tativos, revelados por uma carga ideológica cons- ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são
tituída de argumentos e contra-argumentos que grafados segundo acordos ortográficos.
justificam a posição assumida acerca de um deter- A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ- der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
no mercado de trabalho, o que significa que os gê- é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
neros estão em complementação, não em disputa. e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
etimologia (origem da palavra).
2. Gêneros Textuais
1. Regras ortográficas
São os textos materializados que encontramos em
nosso cotidiano; tais textos apresentam características A) O fonema S
sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função, São escritas com S e não C/Ç
composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:  Palavras substantivadas derivadas de verbos com
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema, radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum, - pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
blog, etc. censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
A escolha de um determinado gênero discursivo de- submergir - submersão / divertir - diversão / impelir
pende, em grande parte, da situação de produção, ou - impulsivo / compelir - compulsório / repelir - repul-
seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os sa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir
locutores e os interlocutores, o meio disponível para vei- - sensível / consentir – consensual.
cular o texto, etc.
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a São escritos com SS e não C e Ç
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por  Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta- nem em gred, ced, prim ou com verbos termina-
dos por tir ou - meter: agredir - agressivo / impri-
gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul-
mir - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão
gação científica são comuns gêneros como verbete de
/ exceder - excesso / percutir - percussão / regredir -
dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico,
regressão / oprimir - opressão / comprometer - com-
seminário, conferência.
promisso / submeter – submissão.
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto
trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –  No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
São Paulo: Saraiva, 2010. Exemplos: ficasse, falasse.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gra- São escritos com C ou Ç e não S e SS
mática – volume único / Samira Yousseff Campedelli,  Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
Jésus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.  Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
Juçara, caçula, cachaça, cacique.
SITE  Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,
http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-tex- uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car-
tual.htm niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
 Após ditongos: foice, coice, traição.
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,
to(r): marte - marciano / infrator - infração / absor-
LÍNGUA PORTUGUESA

to – absorção.

B) O fonema z
São escritos com S e não Z
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui-
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
princesa.

30
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me- São escritas com CH e não X
tamorfose.  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal-
quis, quiseste. sicha.
 Nomes derivados de verbos com radicais termi-
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / E) As letras “e” e “i”
empreender - empresa / difundir – difusão.  Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
 Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
- Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.  Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar
 Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa. são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es-
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em -air,
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
– pesquisar.

São escritos com Z e não S FIQUE ATENTO!


 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de Há palavras que mudam de sentido quan-
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”:
beleza. área (superfície), ária (melodia) / delatar
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori- (denunciar), dilatar (expandir) / emergir
gem não termine com s): final - finalizar / concreto (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
– concretizar. estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
 Consoante de ligação se o radical não terminar
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
Exceção: lápis + inho – lapisinho.
#FicaDica
C) O fonema j
São escritas com G e não J Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto
 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, à ortografia de uma palavra, há a possibili-
gesso. dade de consultar o Vocabulário Ortográfi-
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado
gim. pela Academia Brasileira de Letras. É uma
 Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com obra de referência até mesmo para a criação
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, de dicionários, pois traz a grafia atualizada
bege, foge. das palavras (sem o significado). Na Internet,
Exceção: pajem. o endereço é www.academia.org.br.

 Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,


litígio, relógio, refúgio. 2. Informações importantes
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
gir, mugir. Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-
 Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, núncias diferentes para palavras com a mesma significa-
surgir. ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze,
 Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter- dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
minado com j: ágil, agente. farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re-
lampejar/relampear/relampar/relampadar.
São escritas com J e não G Os símbolos das unidades de medida são escritos
 Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
 Palavras de origem árabe, africana ou exótica: plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
jiboia, manjerona. 20km, 120km/h.
 Palavras terminadas com aje: ultraje. Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.

D) O fonema ch Na indicação de horas, minutos e segundos, não


São escritas com X e não CH deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
 Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba- 22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi-
LÍNGUA PORTUGUESA

caxi, xucro. nutos e trinta e quatro segundos).


 Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, O símbolo do real antecede o número sem espaço:
lagartixa. R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar-
 Depois de ditongo: frouxo, feixe. ra vertical ($).
 Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
Exceção: quando a palavra de origem não derive de
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)

31
ALGUNS USOS ORTOGRÁFICOS ESPECIAIS 3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
1. Por que / por quê / porquê / porque não compensa.

POR QUE (separado e sem acento) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
É usado em: Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro- Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
gação) = Por que você não veio ontem? reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale Paulo: Saraiva, 2010.
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
que faltara à aula ontem. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Ignoro o motivo por que ele se demitiu. Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
POR QUÊ (separado e com acento) Saraiva, 2002.

Usos: SITE
1. como pronome interrogativo, quando colocado no http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or-
fim da frase (perto do ponto de interrogação) = tografia
Você faltou. Por quê?
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por 4. Hífen
quê?
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico) ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi-
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a
Usos:
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se-
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro).
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri-
ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
final) = Compre agora, porque há poucas peças.
Ortográfica:
2. como conjunção subordinativa causal, substituível
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por- 1. Em palavras compostas por justaposição que for-
que se antecipou. mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
que se unem para formam um novo significado:
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico) tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-co-
ronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, ar-
Usos: co-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra- 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge- zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abó-
ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da bora-menina, erva-doce, feijão-verde.
discussão. É uma pessoa cheia de porquês. 3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número,
2. ONDE / AONDE recém-casado.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas
Onde = empregado com verbos que não expressam exceções continuam por já estarem consagradas pelo
a ideia de movimento = Onde você está? uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-
-de-meia, água-de-colônia, queima-roupa, deus-dará.
Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
que expressam movimento = Aonde você vai? -Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas com-
binações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria,
3. MAU / MAL Angola-Brasil, etc.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su-
Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se per- quando associados com outro termo que é ini-
LÍNGUA PORTUGUESA

como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um ciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-ra-
mau elemento. cional, etc.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
Mal = pode ser usado como ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu. -natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
mal na prova? ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.

32
10. Nas formações em que o prefixo tem como segun- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hos- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
pitalar, super-homem.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo SITE
termina com a mesma vogal do segundo elemento: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-obser- ortografia
vação, etc.

O hífen é suprimido quando para formar outros termos:


reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-


#FicaDica pe – 2013 – adaptada)
Lembrete da Zê!
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena-
Ao separar palavras na translineação (mu-
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos
dança de linha), caso a última palavra a ser
de comunicação, os quais são indispensáveis para que
escrita seja formada por hífen, repita-o na
os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos
próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
acontecidos no correr do procedimento e se habilitem a
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
exercer os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
que a lei lhes impõe.
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra-
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações).
mação, pode ser que a repetição do hífen na
translineação não ocorra em meus conteú-
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguin-
dos, mas saiba que a regra é esta!
tes.
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto
B) Não se emprega o hífen: nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter- o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de-
mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon-
“s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez,
antirreligioso, contrarregra, infrassom, microssistema, substituído por conheçam os atos havidos no transcurso
minissaia, microrradiografia, etc. do acontecimento.
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se ( ) CERTO ( ) ERRADO
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu-
cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a
plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in-
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” ini- correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há
cial: desumano, inábil, desabilitar, etc. a necessidade de avaliar a segunda substituição.
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi- ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
ção, coexistir, etc.
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
de composição: pontapé, girassol, paraquedas, para- Acentuação.
quedista, etc.
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei- Quanto à acentuação, observamos que algumas pa-
to, benquerer, benquerido, etc. lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra.
Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon- Por isso, vamos às regras!
dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
não havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado, 1. Regras básicas
LÍNGUA PORTUGUESA

pressuposto, propor.
Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso, A acentuação tônica está relacionada à intensida-
auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-huma- de com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
no, super-realista, alto-mar. Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, an- como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas
tisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ul- com menos intensidade, são denominadas de átonas.
trassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, au-
toajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.

33
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando
cadas como: a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acen-
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju – tuadas, independentemente de sua terminação: árvore,
papel paralelepípedo, cárcere.
Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla-
ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível 2.2 Regras especiais
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti-
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando palavras paroxítonas.
tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré.

2 Os acentos FIQUE ATENTO!


Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos aber-
A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” tos estiverem em uma palavra oxítona (he-
e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras rói) ou monossílaba (céu) ainda são acen-
representam as vogais tônicas de palavras como pá, caí, tuados: dói, escarcéu.
público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicida-
de, timbre aberto: herói – céu (ditongos abertos).
B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras Antes Agora
“a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado:
tâmara – Atlântico – pêsames – supôs. assembléia assembleia
C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a” idéia ideia
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total- geléia geleia
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado jibóia jiboia
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: apóia (verbo apoiar) apoia
mülleriano (de Müller)
E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam paranóico paranoico
vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
2.3 Acento Diferencial
2.1 Regras fundamentais
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de
A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plu- diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala-
ral(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém. vras e/ou tempos verbais. Por exemplo:
Esta regra também é aplicada aos seguintes casos: Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per-
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se- feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há Indicativo do mesmo verbo).
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição.
terminadas em: Os demais casos de acento diferencial não são mais
i, is: táxi – lápis – júri utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti-
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama-
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – ticais são definidos pelo contexto.
fórceps Polícia para o trânsito para que se realize a operação
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con-
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou junção (com relação de finalidade).
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
#FicaDica
LÍNGUA PORTUGUESA

#FicaDica Quando, na frase, der para substituir o


Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que “por” por “colocar”, estaremos trabalhando
esta palavra apresenta as terminações das com um verbo, portanto: “pôr”; nos de-
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U mais casos, “por” é preposição: Faço isso
(aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim por você. / Posso pôr (colocar) meus livros
ficará mais fácil a memorização! aqui?

34
2.4 Regra do Hiato Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes-
soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun- (verbo vir). A regra prevalece também para os verbos con-
da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá ter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele
acento: saída – faísca – baú – país – Luís obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato – eles convêm.
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
verem seguidas do dígrafo nh: Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
ra-i-nha, ven-to-i-nha. Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba Paulo: Saraiva, 2010.
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman-
do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí- SITE
tonas): http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.htm

Antes Agora
bocaiúva bocaiuva EXERCÍCIOS COMENTADOS
feiúra feiura
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe
Sauípe Sauipe – 2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em
conformidade com a mesma regra ortográfica.
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido: ( ) CERTO ( ) ERRADO

Antes Agora Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona


terminada em ditongo / “história” - acentua-se a pa-
crêem creem roxítona terminada em ditongo
lêem leem Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona
terminada em ditongo.
vôo voo Observação: nestes casos, admitem-se as separações
enjôo enjoo “sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxí-
tonas.

#FicaDica 2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012)


Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
que não recebem mais acento como antes: ( ) CERTO ( ) ERRADO
CRER, DAR, LER e VER.
Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos
Repare: = proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma
O menino crê em você. / Os meninos creem em você. regra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”).
Elza lê bem! / Todas leem bem!
Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os 3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
garotos deem o recado! Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem
Rubens vê tudo! / Eles veem tudo! acento gráfico com base na mesma regra de acentuação
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm gráfica.
à tarde!
( ) CERTO ( ) ERRADO
As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada
“e” ou “i” não serão mais acentuadas:
em ditongo; diária = paroxítona terminada em diton-
LÍNGUA PORTUGUESA

go; paciência = paroxítona terminada em ditongo. Os


Antes Depois três vocábulos são acentuados devido à mesma regra.
apazigúe (apaziguar) apazigue
4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) As
averigúe (averiguar) averigue palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com
argúi (arguir) argui a mesma regra de acentuação gráfica.

( ) CERTO ( ) ERRADO

35
Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em D) Ponto de Exclamação (!)
“o”; só = monossílaba terminada em “o”; céu = monos-  Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
sílaba terminada em ditongo aberto “éu”. susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar
com você!
PONTUAÇÃO.  Depois de interjeições ou vocativos
Ai! Que susto!
João! Há quanto tempo!
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
servem para compor a coesão e a coerência textual, além E) Ponto de Interrogação (?)
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.  Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
Um texto escrito adquire diferentes significados quando “- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
depende, em certos momentos, da intenção do autor do F) Reticências (...)
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-  Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá-
te relacionados ao contexto e ao interlocutor. pis, canetas, cadernos...
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero
1. Principais funções dos sinais de pontuação dizer... é verdad... Ah!”
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este
A) Ponto (.) mal... pega doutor?
 Indica o término do discurso ou de parte dele, en-  Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa,
cerrando o período. depois, o coração falar...
 Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
G) Vírgula (,)
de período, este não receberá outro ponto; neste
caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
Não se usa vírgula
de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
Separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
gam-se diretamente entre si:
 Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do pon-
to, assim como após o nome do autor de uma citação:
Haverá eleições em outubro 1. Entre sujeito e predicado:
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo- Todos os alunos da sala foram advertidos.
leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.) Sujeito predicado
 Os números que identificam o ano não utilizam
ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem como os 2. Entre o verbo e seus objetos:
números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250. O trabalho custou sacrifício aos
realizadores.
B) Ponto e Vírgula (;) V.T.D.I. O.D. O.I.
 Separa várias partes do discurso, que têm a mes-
ma importância: “Os pobres dão pelo pão o traba- Usa-se a vírgula:
lho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espí- 1. Para marcar intercalação:
rito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
 Separa partes de frases que já estão separadas por dância, vem caindo de preço.
vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou- B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
tros, montanhas, frio e cobertor. produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
 Separa itens de uma enumeração, exposição de C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
motivos, decreto de lei, etc. trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é,
Ir ao supermercado; não querem abrir mão dos lucros altos.
Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia; 2. Para marcar inversão:
Reunião com amigos. A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas
C) Dois pontos (:) fechadas.
 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
Coutinho trata este assunto: pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
LÍNGUA PORTUGUESA

 Antes de um aposto = Três coisas não me agra- C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
dam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite. maio de 1982.
 Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es-
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo 3. Para separar entre si elementos coordenados
a rotina de sempre. (dispostos em enumeração):
 Em frases de estilo direto Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
Maria perguntou: A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e ani-
- Por que você não toma uma decisão? mais.

36
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que-
remos comer pizza; e vocês, churrasco.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
5. Para isolar:
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasi- 1. (STJ – Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 – Ces-
leira, possui um trânsito caótico. pe – 2018 – adaptada)
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Texto CB1A1CCC
Observações:
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes re-
latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria dispen- velaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram
sável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo or- relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam
tográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc. da cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha
predecido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc. cadeira de juíza. A toga não me blindou daqueles relatos
As perguntas que denotam surpresa podem ter com- sofridos, aflitos. As angústias dos que se sentavam à mi-
binados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você nha frente, por diversas vezes, me escoltaram até minha
falou isso para ela?! casa e passaram a ser companheiras de noites de insônia.
Não havia outra solução a não ser escrever. Era preciso
Temos, ainda, sinais distintivos: colocar no papel e compartilhar a dor daquelas pessoas
 a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa- que, mesmo ao fim do processo e com a sentença prola-
ração de siglas (IOF/UPC); tada, não me deixavam esquecê-las.
 os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas,
pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co-
opção aos parênteses, principalmente na matemá- mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de
tica; casa. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas
 o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma mulheres, havia se transformado no pior dos mundos.
nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sen-
um nome que não se quer mencionar. tavam à minha frente, os relatos se transformavam em
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justi-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ficar e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas.
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
A culpa por ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
culpa por não ter sido boa o suficiente, a culpa por não
Paulo: Saraiva, 2010.
ter conseguido manter a família. Sempre a culpa.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
ça externa como se somente nós, juízes, promotores e
advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo
SITE
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ de violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgu- violência invisível.
la.htm Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias
além das quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com
adaptações).
O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen-
tido de “nós”.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che-


gavam à Justiça buscando uma força externa como se
somente nós, juízes, promotores e advogados, pudésse-
mos não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os
termos entre vírgulas servem para exemplificar quem
são os “nós” citados pela autora ( juízes, promotores,
advogados).
LÍNGUA PORTUGUESA

37
2. (SERES-PE – Agente de Segurança Penitenciária – 3. (Aneel – Técnico Administrativo – cespe – 2010) Vão
Cespe – 2017 – adaptada) surgindo novos sinais do crescente otimismo da indús-
tria com relação ao futuro próximo. Um deles refere-se
Texto 1A1AAA às exportações. “O comércio mundial já está voltando a
se abrir para as empresas”, diz o gerente executivo de
Após o processo de redemocratização, com o fim da di- pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
tadura militar, em meados da década de 80 do século Renato da Fonseca, para explicar a melhora das expec-
passado, era de se esperar que a democratização das tativas dos industriais com relação ao mercado externo.
instituições tivesse como resultado direto a consolidação Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
da cidadania — compreendida de modo amplo, abran- não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a
sociais. Sobressaem, porém, problemas que configuram pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010,
mais desafios para a cidadania brasileira, como a violên- registra grande otimismo da indústria com relação à de-
cia urbana — que ameaça os direitos individuais — e o manda interna. Trata-se de um sentimento generalizado.
desemprego — que ameaça os direitos sociais. Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos
No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir entrevistados acredita no aumento das vendas internas.
de 1980, impacto do processo de modernização pelo O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta-
qual o país passou. Isso sugere que o boom do consumo ções).
colocou em circulação bens de alto valor e, consequente-
mente, aumentou as oportunidades para o crime, inclusi- O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas
por tratar-se de um vocativo.
ve porque a maior mobilidade de pessoas torna o espaço
social mais anônimo, menos supervisionado.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais
dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade.
Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
O objetivo em relação à criminalidade torna-se bem me- fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o
nos ambicioso: o controle. A prisão ganha mais impor- gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio-
tância na modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar
necessidade dessa nova cultura: castigo e controle do a melhora das expectativas. O termo em destaque não
risco. Essa postura às vezes proporciona controle, porém está exercendo a função de vocativo, já que não é uti-
não segurança, pois o Estado tem o poder limitado de lizado para evocar, chamar o interlocutor do diálogo.
manter a ordem por meio da polícia, sendo necessário Sua função é de aposto – explicar quem é o gerente
dividir as tarefas de controle com organizações locais e executivo da CNI.
com a comunidade.
Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem pú- 4. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho – ces-
blica e garantia dos direitos individuais: os desafios da pe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do trecho
polícia em sociedades democráticas. In: Revista Brasilei- “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as mais co-
ra de Segurança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. – muns em todo o mundo” seria prejudicada, caso se inserisse
mar./2011, p. 84-5 (com adaptações). uma vírgula logo após a palavra “vinhos”.

No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos ( ) CERTO ( ) ERRADO


introduzem
Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre su-
a) uma enumeração das “categorias de direitos”. jeito e predicado, a não ser que se trate de um aposto (1),
b) resultados da “consolidação da cidadania”. predicativo do sujeito (2), ou algum termo que requeira
c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como estar separado entre pontuações. Exemplo: O Rio de Ja-
algo “amplo”. neiro, cidade maravilhosa (1), está em festa! Os meninos,
d) uma generalização do termo “direitos”. ansiosos (2), chegaram!
e) objetivos do “processo de redemocratização”.

Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso


SEMPRE durante seu concurso. O texto é a base para
encontrar as respostas para as questões!): (...) abran-
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
LÍNGUA PORTUGUESA

sociais. Os dois-pontos introduzem a enumeração dos


direitos; apresenta-os.

38
vólveres; cruz/cruzes.
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS. C.2 Desinências verbais: em nossa língua, as desi-
nências verbais pertencem a dois tipos distintos.
Há desinências que indicam o modo e o tempo
ESTRUTURA DAS PALAVRAS (desinências modo-temporais) e outras que indi-
cam o número e a pessoa dos verbos (desinência
As palavras podem ser analisadas sob o ponto de vis- número-pessoais):
ta de sua estrutura significativa. Para isso, nós as dividi-
mos em seus menores elementos (partes) possuidores de cant-á-va-mos:
sentido. A palavra inexplicável, por exemplo, é constituí- cant: radical / -á-: vogal temática / -va-: desinência
da por três elementos significativos: modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do in-
In = elemento indicador de negação dicativo) / -mos: desinência número-pessoal (caracteriza a
Explic – elemento que contém o significado básico da primeira pessoa do plural)
palavra
Ável = elemento indicador de possibilidade cant-á-sse-is:
cant: radical / -á-: vogal temática / -sse-:desinência
Estes elementos formadores da palavra recebem o modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do
nome de morfemas. Através da união das informações subjuntivo) / -is: desinência número-pessoal (caracteriza
contidas nos três morfemas de inexplicável, pode-se en- a segunda pessoa do plural)
tender o significado pleno dessa palavra: “aquilo que não
tem possibilidade de ser explicado, que não é possível tor- D) Vogal temática
nar claro”. Entre o radical cant- e as desinências verbais, surge
Morfemas = são as menores unidades significativas sempre o morfema –a. Este morfema, que liga o
que, reunidas, formam as palavras, dando-lhes sentido. radical às desinências, é chamado de vogal temá-
tica. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo
o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temá-
1. Classificação dos morfemas
tica) que se acrescentam as desinências. Tanto os
verbos como os nomes apresentam vogais temá-
A) Radical, lexema ou semantema – é o elemento
ticas. No caso dos verbos, a vogal temática indica
portador de significado. É através do radical que
as conjugações: -a (da 1.ª conjugação = cantar), -e
podemos formar outras palavras comuns a um
(da 2.ª conjugação = escrever) e –i (3.ª conjugação
grupo de palavras da mesma família. Exemplo:
= partir).
pequeno, pequenininho, pequenez. O conjunto de
palavras que se agrupam em torno de um mesmo
D.1 Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o,
radical denomina-se família de palavras.
quando átonas finais, como em mesa, artista, per-
B) Afixos – elementos que se juntam ao radical antes
da, escola, base, combate. Nestes casos, não pode-
(os prefixos) ou depois (sufixos) dele. Exemplo:
ríamos pensar que essas terminações são desinên-
beleza (sufixo), prever (prefixo), infiel (prefixo).
cias indicadoras de gênero, pois mesa e escola, por
C) Desinências - Quando se conjuga o verbo amar,
exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. É a estas
obtêm-se formas como amava, amavas, amava,
vogais temáticas que se liga a desinência indica-
amávamos, amáveis, amavam. Estas modificações
dora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes
ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexio-
terminados em vogais tônicas (sofá, café, cipó, ca-
nado em número (singular e plural) e pessoa (pri-
qui, por exemplo) não apresentam vogal temática.
meira, segunda ou terceira). Também ocorrem se
modificarmos o tempo e o modo do verbo (ama-
D.2 Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
va, amara, amasse, por exemplo). Assim, podemos
caracterizam três grupos de verbos a que se dá o
concluir que existem morfemas que indicam as fle-
nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal
xões das palavras. Estes morfemas sempre surgem
temática é -a pertencem à primeira conjugação;
no fim das palavras variáveis e recebem o nome de
aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à se-
desinências. Há desinências nominais e desinên-
gunda conjugação e os que têm vogal temática -i
cias verbais.
pertencem à terceira conjugação.
C.1 Desinências nominais: indicam o gênero e o
número dos nomes. Para a indicação de gênero, o
E) Interfixos
português costuma opor as desinências -o/-a: ga-
LÍNGUA PORTUGUESA

São os elementos (vogais ou consoantes) que se in-


roto/garota; menino/menina. Para a indicação de
tercalam entre o radical e o sufixo, para facilitar ou mes-
número, costuma-se utilizar o morfema –s, que in-
mo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Por
dica o plural em oposição à ausência de morfema,
exemplo:
que indica o singular: garoto/garotos; garota/ga-
Vogais: frutífero, gasômetro, carnívoro.
rotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso
Consoantes: cafezal, sonolento, friorento.
dos nomes terminados em –r e –z, a desinência de
plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/re-

39
2. Formação das Palavras • Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
obtida pela mudança de categoria gramatical da
Há em Português palavras primitivas, palavras deriva- palavra primitiva. Não ocorre, pois, alteração na
das, palavras simples, palavras compostas. forma, mas somente na classe gramatical.
A) Palavras primitivas: aquelas que, na língua por- Não entendi o porquê da briga. (o substantivo “por-
tuguesa, não provêm de outra palavra: pedra, flor. quê” deriva da conjunção porque)
B) Palavras derivadas: aquelas que, na língua por- Seu olhar me fascina! (olhar aqui é substantivo, deriva
tuguesa, provêm de outra palavra: pedreiro, flori- do verbo olhar).
cultura.
C) Palavras simples: aquelas que possuem um só ra- #FicaDica
dical: azeite, cavalo.
D) Palavras compostas: aquelas que possuem mais A derivação regressiva “mexe” na estrutura
de um radical: couve-flor, planalto. da palavra, geralmente transforma verbos em
substantivos: caça = deriva de caçar, saque =
As palavras compostas podem ou não ter seus ele- deriva de sacar
mentos ligados por hífen. A derivação imprópria não “mexe” com a pa-
lavra, apenas faz com que ela pertença a uma
2.1. Processos de Formação de Palavras classe gramatical “imprópria” da qual ela real-
mente, ou melhor, costumeiramente faz parte.
A alteração acontece devido à presença de ou-
Na Língua Portuguesa há muitos processos de for-
tros termos, como artigos, por exemplo:
mação de palavras. Entre eles, os mais comuns são a de-
O verde das matas! (o adjetivo “verde” passou a
rivação, a composição, a onomatopeia, a abreviação e o
funcionar como substantivo devido à presença
hibridismo.
do artigo “o”)
2.2. Derivação por Acréscimo de Afixos
2.4. Composição
É o processo pelo qual se obtêm palavras novas (deri-
vadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A de- Haverá composição quando se juntarem dois ou mais
rivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética. radicais para formar uma nova palavra. Há dois tipos de
composição: justaposição e aglutinação.
A) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida A) Justaposição: ocorre quando os elementos que
por acréscimo de prefixo. formam o composto são postos lado a lado, ou
In feliz / des leal seja, justapostos: para-raios, corre-corre, guarda-
Prefixo radical prefixo radical -roupa, segunda-feira, girassol.
B) Composição por aglutinação: ocorre quando os
B) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida elementos que formam o composto aglutinam-se
por acréscimo de sufixo. e pelo menos um deles perde sua integridade so-
Feliz mente / leal dade nora: aguardente (água + ardente), planalto (plano
Radical sufixo radical sufixo + alto), pernalta (perna + alta), vinagre (vinho +
acre).
C) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acrés-
Onomatopeia – é a palavra que procura reproduzir
cimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por parassín-
certos sons ou ruídos: reco-reco, tique-taque, fom-fom.
tese formam-se principalmente verbos.
En trist ecer Abreviação – é a redução de palavras até o limite
Prefixo radical sufixo permitido pela compreensão: moto (motocicleta), pneu
(pneumático), metrô (metropolitano), foto (fotografia).
En tard ecer
prefixo radical sufixo Abreviatura: é a redução na grafia de certas palavras,
limitando-as quase sempre à letra inicial ou às letras ini-
Há dois casos em que a palavra derivada é formada ciais: p. ou pág. (para página), Sr. (para senhor).
sem que haja a presença de afixos. São eles: a derivação
regressiva e a derivação imprópria. Sigla: é um caso especial de abreviatura, na qual se re-
duzem locuções substantivas próprias às suas letras iniciais
LÍNGUA PORTUGUESA

2.3. Derivação (são as siglas puras) ou sílabas iniciais (siglas impuras), que
se grafam de duas formas: IBGE, MEC (siglas puras); DE-
• Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por TRAN ou Detran, PETROBRAS ou Petrobras (siglas impuras).
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo,
na formação de substantivos derivados de verbos. Hibridismo: é a palavra formada com elementos
janta (substantivo) - deriva de jantar (verbo) / pesca oriundos de línguas diferentes: automóvel (auto: grego;
(substantivo) – deriva de pescar (verbo) móvel: latim); sociologia (socio: latim; logia: grego); sam-
bódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego).

40
CLASSES DE PALAVRAS.
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVIDÊN-


CIA SOCIAL – SUPERIOR - CEPERJ/2014) A palavra “in- Adjetivo
fraestrutura” é formada pelo seguinte processo:
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
a) sufixação tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordan-
b) prefixação do com este em gênero e número.
c) parassíntese As praias brasileiras estão poluídas.
d) justaposição Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
e) aglutinação (plural e feminino, pois concordam com “praias”).

Resposta: Letra B. Infra = prefixo + estrutura – temos 1. Locução adjetiva


a junção de um prefixo com um radical, portanto: de- Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne-
rivação prefixal (ou prefixação). cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mes-
ma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição +
2. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Lo-
AGENTE DE SEGURANÇA SOCIOEDUCATIVO – MÉDIO cução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
- IBFC/2014) O vocábulo “entristecido” é um exemplo Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
de: freio (paixão desenfreada).
a) palavra composta
b) palavra primitiva Observe outros exemplos:
c) palavra derivada
d) neologismo de águia aquilino
de aluno discente
Resposta: Letra C. en + triste + ido (com consoante
de ligação “c”) = ao radical “triste” foram acrescidos o de anjo angelical
prefixo “en” e o sufixo “ido”, ou seja, “entristecido” é de ano anual
palavra derivada do processo de formação de palavras
chamado de: prefixação e sufixação. Para o exercício, de aranha aracnídeo
basta “derivada”! de boi bovino

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de cabelo capilar


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa de cabra caprino
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
de campo campestre ou rural
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. – de chuva pluvial
São Paulo: Saraiva, 2010. de criança pueril
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras: li-
teratura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000. de dedo digital
de estômago estomacal ou gástrico
SITE
Disponível em: http://www.brasilescola.com/gramati- de falcão falconídeo
ca/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm de farinha farináceo
de fera ferino
de ferro férreo
de fogo ígneo
de garganta gutural
de gelo glacial
de guerra bélico
LÍNGUA PORTUGUESA

de homem viril ou humano


de ilha insular
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre
de leão leonino

41
de lebre l eporino
de lua lunar ou selênico
de madeira lígneo
de mestre magistral
de ouro áureo
de paixão passional
de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
de rio fluvial
de sonho onírico
de velho senil
de vento eólico
de vidro vítreo ou hialino
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª série.
/ O muro de tijolos caiu.

2 Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):


O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3 Adjetivo Pátrio (ou gentílico)


Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense
LÍNGUA PORTUGUESA

42
4 Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5 Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:

A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano,
a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7 Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
tantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a
palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Adjetivo Composto
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o últi-
mo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos
elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável.
Por exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará
como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjeti-
vado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:

43
Camisas rosa-claro. B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
Ternos rosa-claro. dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Olhos verde-claros. seres. Apresenta-se nas formas:
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.  Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Observação:  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre in-
variáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vesti- Observe alguns superlativos sintéticos:
dos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele-
mentos flexionados: crianças surdas-mudas. benéfico - beneficentíssimo
bom - boníssimo ou ótimo
8 Grau do Adjetivo
comum - comuníssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in- cruel - crudelíssimo
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad- difícil - dificílimo
jetivo: o comparativo e o superlativo.
doce - dulcíssimo
A) Comparativo fácil - facílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte- fiel - fidelíssimo
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su- todas.
perioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
ferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe- tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
rior, grande/maior, baixo/inferior. -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português
Observe que: + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
 As formas menor e pior são comparativos de su- Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-
mau, respectivamente. nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
exemplo: Paulo: Saraiva, 2010.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
elementos. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
duas qualidades de um mesmo elemento. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
LÍNGUA PORTUGUESA

Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-


ferioridade SITE
Sou menos passivo (do) que tolerante. http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
morf32.php
B) Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
tivo e apresenta as seguintes modalidades:

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Advérbio 2. Classificação dos Advérbios

Compare estes exemplos: De acordo com a circunstância que exprime, o advér-


O ônibus chegou. bio pode ser de:
O ônibus chegou ontem. A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis-
do próprio advérbio. tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei esquerda, ao lado, em volta.
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
(bem) amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
jetivo (claros) sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres- mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
centar ideia de: à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Tempo: Ela chegou tarde. quando, de quando em quando, a qualquer mo-
Lugar: Ele mora aqui. mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
Modo: Eles agiram mal. dia.
Negação: Ela não saiu de casa. C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
Dúvida: Talvez ele volte. pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
1. Flexão do Advérbio poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
porém, admitem a variação em grau. Observe: pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
dalosamente, bondosamente, generosamente.
A) Grau Comparativo D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
modo que o comparativo do adjetivo: bitavelmente.
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
Renato fala tão alto quanto João. de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
que): Renato fala menos alto do que João. vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
 de superioridade: quem sabe.
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
fala mais alto do que João. cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
fala melhor que João. nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
extremamente, intensamente, grandemente, bem
B) Grau Superlativo (quando aplicado a propriedades graduáveis).
O superlativo pode ser analítico ou sintético: H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re- mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
nato fala muito alto. Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
de modo bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al- durante a adolescência.
tíssimo. J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
Observação: aos meus amigos por comparecerem à festa.
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
LÍNGUA PORTUGUESA

comuns na língua popular. Saiba que:


Maria mora pertinho daqui. (muito perto) Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
A criança levantou cedinho. (muito cedo) ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
tarde possível.
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
calma e respeitosamente.

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3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Há palavras como muito, bastante, que podem apare- Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
cer como advérbio e como pronome indefinido. Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro bio: Cheguei primeiro.
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
#FicaDica bio. Exemplo:
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
Como saber se a palavra bastante é advérbio verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
(não varia, não se flexiona) ou pronome Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
indefinido (varia, sofre flexão)? Se der, na dade e de tempo, respectivamente.
frase, para substituir o “bastante” por “muito”,
estamos diante de um advérbio; se der para REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
substituir por “muitos” (ou muitas), é um Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
pronome. Veja: reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei Paulo: Saraiva, 2010.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
(estudei muitos capítulos) = pronome indefinido SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

4. Advérbios Interrogativos SITE


http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? morf75.php
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen-
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: Artigo

Interrogação Direta Interrogação Indireta O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
-se como o termo variável que serve para individualizar
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
Onde mora? Indaguei onde morava. nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Por que choras? Não sei por que choras. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Aonde vai? Perguntei aonde ia. “uma”[s] e “uns]).
Donde vens? Pergunto donde vens.
A) Artigos definidos – São usados para indicar se-
Quando voltas? Pergunto quando voltas. res determinados, expressos de forma individual: O
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
5. Locução Adverbial muito.
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode da! Umas candidatas foram aprovadas!
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi-
nariamente por uma preposição. Veja: 1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
para dentro, por aqui, etc. Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc. numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con-
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, teúdo.
em geral, frente a frente, etc. Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
LÍNGUA PORTUGUESA

D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde, admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
hoje em dia, nunca mais, etc. Janeiro, Veneza, A Bahia...
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo, Quando indicado no singular, o artigo definido pode
o adjetivo e outro advérbio: indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Chegou muito cedo. (advérbio) No caso de nomes próprios personativos, denotando
Joana é muito bela. (adjetivo) a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
De repente correram para a rua. (verbo) do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
Pedro é o xodó da família.

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No caso de os nomes próprios personativos estarem 1. Morfossintaxe da Conjunção
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas... As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. 2. Classificação da Conjunção
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
dos. (qualquer classe) as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
ter é uns vinte anos. no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
O artigo também é usado para substantivar palavras conjunção depende da existência do outro. Veja:
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. Podemos separá-las por ponto:
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser
usado: Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
conhecidas: O professor visitará Roma. “mas”. Já em:
Espero que eu seja aprovada no concurso!
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
bela Roma. principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria
principal).
sairá agora?
Exceção: O senhor vai à festa?
3. Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
São aquelas que ligam orações de sentido completo
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can-
e independente ou termos da oração que têm a mesma
didato cuja nota foi a mais alta. função gramatical. Subdividem-se em:
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- não), não só... mas também, não só... como também,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São bem como, não só... mas ainda.
Paulo: Saraiva, 2010. A sua pesquisa é clara e objetiva.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Não só dança, mas também canta.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC-
CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. expressando ideia de contraste ou compensação.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São no entanto, não obstante.
Paulo: Saraiva, 2010. Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.

SITE C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres-


http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm sando ideia de alternância ou escolha, indicando
fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
Conjunção vez... talvez.
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
Além da preposição, há outra palavra também inva-
LÍNGUA PORTUGUESA

riável que, na frase, é usada como elemento de ligação: D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas que expressa ideia de conclusão ou consequência.
palavras de mesma função em uma oração: São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e conseguinte, por isso, assim.
São Paulo. Marta estava bem preparada para o teste, portanto
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.

47
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São #FicaDica
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. Você deve ter percebido que a conjunção con-
Não demore, que o filme já vai começar. dicional “se” também é conjunção integrante.
Falei muito, pois não gosto do silêncio! A diferença é clara ao ler as orações que são
introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia
4. Conjunções Subordinativas da condição para que recebamos um telefo-
nema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de- sei se farei o concurso. Não há ideia de
las dependente da outra. A oração dependente, intro- condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome oração principal (sei) pede complemento (ob-
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha jeto direto, já que “quem não sabe, não sabe
começado quando ela chegou. algo”). Portanto, a oração em destaque exerce
O baile já tinha começado: oração principal a função de objeto direto da oração principal,
quando: conjunção subordinativa (adverbial tempo- sendo classificada como oração subordinada
ral) substantiva objetiva direta.
ela chegou: oração subordinada

As conjunções subordinativas subdividem-se em in- D) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
tegrantes e adverbiais: prime a conformidade de um fato com outro. São
elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por soante, etc.
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin- O passeio ocorreu como havíamos planejado.
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos,
ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
que, se. nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
Quero que você volte. (Quero sua volta) principal. São elas: para que, a fim de que, que, por-
que (= para que), que, etc.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer- Toque o sinal para que todos entrem no salão.
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo
com a circunstância que expressam, classificam-se em: F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
pressa um fato relacionado proporcionalmente à
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência do expresso na principal. São elas: à
ocorrência da oração principal. São elas: porque, medida que, à proporção que, ao passo que e as
que, como (= porque, no início da frase), pois que, combinações quanto mais... (mais), quanto me-
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
que, etc. nos... (menos), etc.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. O preço fica mais caro à medida que os produtos es-
casseiam.
B) Concessivas: introduzem uma oração que expres-
Observação:
sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
São incorretas as locuções proporcionais à medida
impedir sua realização. São elas: embora, ainda
em que, na medida que e na medida em que.
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por
mais que, posto que, conquanto, etc.
G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde
a hipótese ou a condição para ocorrência da princi- que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
pal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não sim que), etc.
ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. A briga começou assim que saímos da festa.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
H) Comparativas: introduzem uma oração que ex-
pressa ideia de comparação com referência à ora-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção principal. São elas: como, assim como, tal como,


como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com-
binado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

48
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
a consequência da principal. São elas: de sorte que, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
de modo que, sem que (= que não), de forma que, gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
de jeito que, que (tendo como antecedente na oração sante!
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, ta- B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
manho), etc. nha frente.
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do
exame. As interjeições podem ser formadas por:
 simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
FIQUE ATENTO!  palavras: Oba! Olá! Claro!
Muitas conjunções não têm classificação única,  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
imutável, devendo, portanto, ser classificadas Deus! Ora bolas!
de acordo com o sentido que apresentam no
contexto (destaque da Zê!). 1. Classificação das Interjeições

Comumente, as interjeições expressam sentido de:


A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Atenção! Olha! Alerta!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Paulo: Saraiva, 2010. Ânimo! Adiante!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
SITE
te! Essa não! Chega! Basta!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
php
ra Deus!
J) Desculpa: Perdão!
Interjeição
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo- L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma de- Puxa! Pô! Ora!
corrente de uma situação particular, um momento ou um O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
contexto específico. Exemplos: P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição Deus!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjei- R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
ção
O significado das interjeições está vinculado à maneira Saiba que:
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o senti- As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
do que a expressão vai adquirir em cada contexto em que frem variação em gênero, número e grau como os no-
for utilizada. Exemplos: mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
Psiu! gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata
contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua; de um processo natural desta classe de palavra, mas tão
significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
Ei, espere!” plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.

Psiu! 2. Locução Interjetiva


LÍNGUA PORTUGUESA

contexto: alguém pronunciando em um hospital; signi-


ficado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!” Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
puxa: interjeição; tom da fala: decepção dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!

49
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por #FicaDica
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
As palavras anterior, posterior, último, antepe-
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
núltimo, final e penúltimo também indicam
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras
posição dos seres, mas são classificadas como
classes gramaticais podem aparecer como inter-
adjetivos, não ordinais.
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora!
Francamente! (Advérbios)
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
Fique quieto! quintos, etc.
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
que! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” 2. Flexão dos numerais
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
dosa e pura!” (Olavo Bilac) quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS cardinais são invariáveis.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Os numerais ordinais variam em gênero e número:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- primeiro segundo milésimo
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
SITE
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ primeiras segundas milésimas
morf89.php
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
NUMERAL atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes- flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter- triplas do medicamento.
minada sequência. Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- duas terças partes.
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex-
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
trata de numerais, mas sim de algarismos. dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
palavras consideradas numerais porque denotam quan- de sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
É artigo de primeiríssima qualidade!
década, dúzia, par, ambos(as), novena.
O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
segunda divisão de futebol)
1. Classificação dos Numerais
3. Emprego e Leitura dos Numerais
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-
LÍNGUA PORTUGUESA

nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-


Os numerais são escritos em conjunto de três algaris-
dinais têm sentido coletivo, como por exemplo: mos, contados da direita para a esquerda, em forma de
século, par, dúzia, década, bimestre. centenas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém separação através de ponto ou espaço correspondente a
ou alguma coisa ocupa numa determinada se- um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.
quência: primeiro, segundo, centésimo, etc. Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar
exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.

50
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até dé-
cimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
LÍNGUA PORTUGUESA

onze décimo primeiro - onze avos


doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos

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dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
são do texto.

1. Tipos de Preposição
LÍNGUA PORTUGUESA

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

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A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a = pela. Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
Essa concordância não é característica da preposição, reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
mas das palavras às quais ela se une. Paulo: Saraiva, 2010.
Esse processo de junção de uma preposição com ou- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 Combinação: união da preposição “a” com o ar-
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, SITE
aos. Os vocábulos não sofrem alteração. http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
 Contração: união de uma preposição com outra
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo- Substantivo
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos,
de + aquele = daquele, em + isso = nisso. Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- veis, as quais denominam todos os seres que existem,
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
do pronome “aquilo”). fenômenos, os substantivos também nomeiam:
 lugares: Alemanha, Portugal
#FicaDica  sentimentos: amor, saudade
 estados: alegria, tristeza
O “a” pode funcionar como preposição, prono-  qualidades: honestidade, sinceridade
me pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-  ações: corrida, pescaria
-los? Caso o “a” seja um artigo, virá preceden-
do um substantivo, servindo para determiná-lo 1. Morfossintaxe do substantivo
como um substantivo singular e feminino: A
matéria que estudei é fácil! Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
Irei à festa sozinha.
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é ar- to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
tigo; o segundo, preposição. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a penhadas por grupos de palavras.
apostila. = Nós a trouxemos.
2. Classificação dos Substantivos
2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci-
das por meio das preposições: A) Substantivos Comuns e Próprios
Observe a definição:
Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
Lugar = Sempre a seu lado. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
Assunto = Falemos sobre futebol. toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
Tempo = Chegarei em instantes. cidade (em oposição aos bairros).
Causa = Chorei de saudade. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Fim ou finalidade = Vim para ficar. e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
Instrumento = Escreveu a lápis. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
Posse = Vi as roupas da mamãe. tivo comum.
Autoria = livro de Machado de Assis Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
Companhia = Estarei com ele amanhã. uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
Matéria = copo de cristal. homem, mulher, país, cachorro.
Meio = passeio de barco. Estamos voando para Barcelona.
LÍNGUA PORTUGUESA

Origem = Nós somos do Nordeste.


Conteúdo = frascos de perfume. O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais. aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas lo-
cuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução pre-
positiva por trás de.

53
B) Substantivos Concretos e Abstratos cancioneiro canções, poesias líricas
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o
ser que existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
concílio bispos
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo congresso parlamentares, cientistas
real e do mundo imaginário. elenco atores de uma peça ou filme
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, esquadra navios de guerra
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- enxoval roupas
ma. falange soldados, anjos

B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se- fauna animais de uma região
res que dependem de outros para se manifestarem ou feixe lenha, capim
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, flora vegetais de uma região
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende frota navios mercantes, ônibus
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele- girândola fogos de artifício
za é um substantivo abstrato.
Os substantivos abstratos designam estados, quali- horda bandidos, invasores
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem junta médicos, bois, credores, exa-
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida minadores
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade
júri jurados
(sentimento).
legião soldados, anjos, demônios
 Substantivos Coletivos leva presos, recrutas

Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, malta malfeitores ou desordeiros
outra abelha, mais outra abelha. manada búfalos, bois, elefantes,
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
matilha cães de raça
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
molho chaves, verduras
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- multidão pessoas em geral
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs- tos, etc.)
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto penca bananas, chaves
de seres da mesma espécie (abelhas).
pinacoteca pinturas, quadros
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, quadrilha ladrões, bandidos
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- ramalhete flores
res da mesma espécie.
rebanho ovelhas

Substantivo coletivo Conjunto de: repertório peças teatrais, obras musicais

assembleia pessoas reunidas réstia alhos ou cebolas

alcateia lobos romanceiro poesias narrativas

acervo livros revoada pássaros

antologia trechos literários selecionados sínodo párocos

arquipélago ilhas talha lenha

banda músicos tropa muares, soldados

bando desordeiros ou malfeitores turma estudantes, trabalhadores


LÍNGUA PORTUGUESA

banca examinadores vara porcos

batalhão soldados
cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
cacho frutas

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3. Formação dos Substantivos A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
se faz mediante a utilização das palavras “macho”
A) Substantivos Simples e Compostos e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. macho e o jacaré fêmea.
O substantivo chuva é formado por um único ele- B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
mento ou radical. É um substantivo simples. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
único elemento. divíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por a artista.
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas-
satempo. Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
B) Substantivos Primitivos e Derivados sintoma, o teorema.
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva  Existem certos substantivos que, variando de
de nenhuma outra palavra da própria língua por- gênero, variam em seu significado:
tuguesa. o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origi- (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
na de outra palavra. O substantivo limoeiro, por a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
exemplo, é derivado, pois se originou a partir da beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
palavra limão. mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
4. Flexão dos substantivos o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).

O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- 6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por mes
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
meninão / Diminutivo: menininho - aluna.
 Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
A) Flexão de Gênero ao masculino: freguês - freguesa
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de-  Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito no de três formas:
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti- sultana
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
Veja estes títulos de filmes:  Substantivos terminados em -or:
O velho e o mar acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
Um Natal inesquecível troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
Os reis da praia  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: - profetisa
A história sem fim  Substantivos que formam o feminino trocando o
Uma cidade sem passado -e final por -a: elefante - elefanta
As tartarugas ninjas  Substantivos que têm radicais diferentes no mas-
culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
5. Substantivos Biformes e Substantivos Unifor-  Substantivos que formam o feminino de maneira
mes especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
LÍNGUA PORTUGUESA

anteriores: czar – czarina, réu - ré


1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-
tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto
para o feminino. Classificam-se em:

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7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni- Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
formes a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Epicenos:
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. São geralmente masculinos os substantivos de ori-
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
forma para indicar o masculino e o feminino. o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
Alguns nomes de animais apresentam uma só for- coma, o hematoma.
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
palavras macho e fêmea. ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
A cobra macho picou o marinheiro. Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. gre. / Uma Londres imensa e triste.
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
8. Sobrecomuns:
Entregue as crianças à natureza. 10. Gênero e Significação

A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas- Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
A criança chorona chamava-se João. que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
A criança chorona chamava-se Maria. bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
Outros substantivos sobrecomuns: te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
boa criatura. ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
Marcela faleceu (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
9. Comuns de Dois Gêneros: na administração da crisma e de outros sacramentos), a
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
repórter francês - repórter francesa. o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
A palavra personagem é usada indistintamente nos pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se acen- (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
tuada preferência pelo masculino: O menino descobriu a voga (moda).
nas nuvens os personagens dos contos de carochinha.
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: B) Flexão de Número do Substantivo
O problema está nas mulheres de mais idade, que não
aceitam a personagem. Em português, há dois números gramaticais: o singu-
lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
LÍNGUA PORTUGUESA

fotográfico Ana Belmonte. rística do plural é o “s” final.

Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó 11. Plural dos Substantivos Simples


)pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
proclama, o pernoite, o púbis. “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
Exceção: cânon - cânones.

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Os substantivos terminados em “m” fazem o plural A) Flexionam-se os dois elementos, quando for-
em “ns”: homem - homens. mados de:
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
plural pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
- raízes. feitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
Atenção: mens
O plural de caráter é caracteres. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexio- B) Flexiona-se somente o segundo elemento,
nam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quin- quando formados de:
tais; caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
males, cônsul e cônsules. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural alto-falantes
de duas maneiras: palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis -recos
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
Observação: quando formados de:
A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- substantivo + preposição clara + substantivo = água-
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). -de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural valo-vapor e cavalos-vapor
de duas maneiras: substantivo + substantivo que funciona como deter-
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in- bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. -rã, peixe-espada - peixes-espada.

Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
de três maneiras. verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães saca-rolhas
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
13. Casos Especiais
Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresen- o louva-a-deus e os louva-a-deus
tam dois – e até três – plurais:
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos an- o bem-te-vi e os bem-te-vis
cião – anciões/anciães/anciãos o bem-me-quer e os bem-me-queres
charlatão – charlatões/charlatães cor-
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
rimão – corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão
14. Plural das Palavras Substantivadas
– vilãos/vilões/vilães
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
classes gramaticais usadas como substantivo apresen-
o látex - os látex.
tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
12. Plural dos Substantivos Compostos
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
A formação do plural dos substantivos compostos
depende da forma como são grafados, do tipo de pa-
Observação:
lavras que formam o composto e da relação que esta-
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
LÍNGUA PORTUGUESA

belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen


não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
comportam-se como os substantivos simples: aguar-
tos seis e alguns dez.
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/ponta-
pés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elemen-
tos são ligados por hífen costuma provocar muitas dú-
vidas e discussões. Algumas orientações são dadas a
seguir:

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15. Plural dos Diminutivos fosso fossos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi- imposto impostos
nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo. olho olhos
osso (ô) ossos (ó)
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
ovo ovos
animai(s) + zinhos = animaizinhos
poço poços
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
porto portos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
posto postos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
tijolo tijolos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços,
bolsos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, so-
flore(s) + zinhas = florezinhas
ros, etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas
papéi(s) + zinhos = papeizinhos Observação:
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas molho (ó) = feixe (molho de lenha).
funi(s) + zinhos = funizinhos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pai(s) + zinhos = paizinhos
pé(s) + zinhos = pezinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsa-
mes, as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
pé(s) + zitos = pezitos
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos
de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
sempre que a terminação preste-se à flexão. com sentido de plural:
Os Napoleões também são derrotados. Aqui morreu muito negro.
As Raquéis e Esteres. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em cape-
las improvisadas.
17. Plural dos Substantivos Estrangeiros
C) Flexão de Grau do Substantivo
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
shorts, os jazz. 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho consi-
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de derado normal. Por exemplo: casa
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, nho do ser. Classifica-se em:
os réquiens. Analítico = o substantivo é acompanhado de um
Observe o exemplo: adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Este jogador faz gols toda vez que joga. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.

18. Plural com Mudança de Timbre 3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
nho do ser. Pode ser:
Certos substantivos formam o plural com mudança Analítico = substantivo acompanhado de um adje-
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um tivo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
LÍNGUA PORTUGUESA

dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.


Singular Plural REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
corpo (ô) corpos (ó) SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
esforço esforços Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
fogo fogos reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
forno fornos

58
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, 1. Pronomes Pessoais
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São aqueles que substituem os substantivos, indi-
São Paulo: Saraiva, 2002. cando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala
ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se
SITE os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ a quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
morf12.php referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
ou do caso oblíquo.
Pronome
A) Pronome Reto
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos
forma. flores.
O homem julga que é superior à natureza, por isso o Os pronomes retos apresentam flexão de número,
homem destrói a natureza... gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
superior à natureza, por isso ele a destrói... discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter- assim configurado:
mos (homem e natureza). 1.ª pessoa do singular: eu
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 2.ª pessoa do singular: tu
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 3.ª pessoa do singular: ele, ela
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 1.ª pessoa do plural: nós
referência exata daquilo que está sendo colocado por 2.ª pessoa do plural: vós
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex- 3.ª pessoa do plural: eles, elas
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de-
mais pronomes têm por função principal apontar para as Esses pronomes não costumam ser usados como
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-
complementos verbais na língua-padrão. Frases como
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
dessa característica, os pronomes apresentam uma for-
até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
ma específica para cada pessoa do discurso.
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
-me até aqui”.
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se fala]
Frequentemente observamos a omissão do pronome
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
se fala] formas verbais marcam, através de suas desinências, as
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras boa viagem. (Nós)
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência B) Pronome Oblíquo
através do pronome seja coerente em termos de gênero Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, sentença, exerce a função de complemento verbal
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da jeto indireto)
nossa escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- Observação:
cia adequada] O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
[neste: pronome que determina “ano” = concordância me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
adequada] diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con- marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
LÍNGUA PORTUGUESA

cordância inadequada]
variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, suem, podendo ser átonos ou tônicos.
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
2. Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
nica fraca: Ele me deu um presente.

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Lista dos pronomes oblíquos átonos A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
1.ª pessoa do singular (eu): me está correta, já que “para mim” é complemento de “fá-
2.ª pessoa do singular (tu): te cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe para mim!
1.ª pessoa do plural (nós): nos A combinação da preposição “com” e alguns prono-
2.ª pessoa do plural (vós): vos mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
de companhia: Ele carregava o documento consigo.
FIQUE ATENTO! A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- Ela veio até mim, mas nada falou.
peciais depois de certas terminações verbais: Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao prova, até eu! (= inclusive eu)
mesmo tempo que a terminação verbal é su-
primida. Por exemplo: As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
fiz + o = fi-lo por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
fazeis + o = fazei-lo soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
dizer + a = dizê-la próprios, todos, ambos ou algum numeral.
Você terá de viajar com nós todos.
2. Quando o verbo termina em som nasal, o Estávamos com vós outros quando chegaram as más
pronome assume as formas no, nos, na, nas. notícias.
Por exemplo: Ele disse que iria com nós três.
viram + o: viram-no
repõe + os = repõe-nos 3. Pronome Reflexivo
retém + a: retém-na São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-
tem + as = tem-nas cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
a ação expressa pelo verbo.
B.2 Pronome Oblíquo Tônico Lista dos pronomes reflexivos:
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. lembro disso.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica forte. 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: lherme já se preparou.
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Ela deu a si um presente.
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Antônio conversou consigo mesmo.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas com esta conquista.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
#FicaDica
As preposições essenciais introduzem sempre pronomes
O pronome é reflexivo quando se refere à mes-
pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos
ma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu
contextos interlocutivos que exigem o uso da língua formal,
me arrumei e saí.
os pronomes costumam ser usados desta forma:
É pronome recíproco quando indica recipro-
Não há mais nada entre mim e ti.
cidade de ação: Nós nos amamos. / Olhamo-
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
-nos calados.
Não há nenhuma acusação contra mim.
O “se” pode ser usado como palavra expletiva
Não vá sem mim.
ou partícula de realce, sem ser rigorosamente
LÍNGUA PORTUGUESA

necessária e sem função sintática: Os explora-


Há construções em que a preposição, apesar de surgir
dores riam-se de suas tentativas. / Será que eles
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração
se foram?
cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter
sujeito expresso; se esse sujeito for um pronome, deverá
ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

60
C) Pronomes de Tratamento Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri- teus cabelos. (errado)
monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
pessoa. Alguns exemplos: seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais ou
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio-
sos em geral Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais, 4. Pronomes Possessivos
governadores, secretários de Estado, presidente da Repúbli-
ca (sempre por extenso) São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universida- (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
des (coisa possuída).
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais singular)
até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de
igual categoria
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes NÚMERO PESSOA PRONOME
de direito singular primeira meu(s), minha(s)
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce-
rimonioso singular segunda teu(s), tua(s)
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus singular terceira seu(s), sua(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se- plural primeira nosso(s), nossa(s)
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empre-
gados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tra- plural segunda vosso(s), vossa(s)
tamento familiar. Você e vocês são largamente empregados plural terceira seu(s), sua(s)
no português do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é
de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma Note que:
vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
literária. a que se refere; o gênero e o número concordam com o
objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
Observações:
naquele momento difícil.
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados
Observações:
em relação à pessoa com quem falamos: Espero que
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da
obrigado, seu José.
pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram que
Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
com propriedade. posse. Podem ter outros empregos, como:
3. Os pronomes de tratamento representam uma forma A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por anos.
exemplo, estamos nos endereçando à excelência que C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
esse deputado supostamente tem para poder ocupar lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
o cargo que ocupa. 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
pessoa, toda a concordância deve ser feita com a celência trouxe sua mensagem?
3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi- 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
vos e os pronomes oblíquos empregados em relação vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
a eles devem ficar na 3.ª pessoa. livros e anotações.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes- 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
LÍNGUA PORTUGUESA

sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhi- prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
da inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos para que não ocorra redundância: Coloque tudo
a chamar alguém de “você”, não poderemos usar nos respectivos lugares.
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na
terceira pessoa.

61
5. Pronomes Demonstrativos Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
São utilizados para explicitar a posição de certa pa- Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação aquela(s).
pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso. Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Também aparecem como pronomes demonstrativos:
A) Em relação ao espaço:  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
pessoa que fala: aquilo.
Este material é meu. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da indiquei.)
pessoa com quem se fala:
Esse material em sua carteira é seu?  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s):
variam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com Eu mesma refiz os exercícios.
quem se fala: Elas mesmas fizeram isso.
Aquele material não é nosso. Eles próprios cozinharam.
Vejam aquele prédio! Os próprios alunos resolveram o problema.

B) Em relação ao tempo:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.


Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
relação à pessoa que fala: 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Esta manhã farei a prova do concurso! eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
rém relativamente próximo à época em que se situa a à mencionada em primeiro lugar.
pessoa que fala: 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste,
remoto: desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que esta-
Naquele tempo, os professores eram valorizados. va vendo. (no = naquilo)

C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se 6. Pronomes Indefinidos


falará ou escreverá):
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa- so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
lará: quantidade indeterminada.
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
ortografia, concordância. -plantadas.
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- humano que seguramente existe, mas cuja identidade é
mos! desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:

Este e aquele são empregados quando se quer fazer A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
termo referido em primeiro lugar e este para o referido na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, bel-
por último: trano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Quem avisa amigo é.
LÍNGUA PORTUGUESA

lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São
Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
certa(s).
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Cada povo tem seus costumes.
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Certas pessoas exercem várias profissões.
Paulo], aquele [Palmeiras])

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Note que: Observe:
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro- Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
nomes indefinidos adjetivos: quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui- quantas.
tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, ne- Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
nhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, Note que:
tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), O pronome “que” é o relativo de mais largo empre-
vários, várias. go, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
Menos palavras e mais ações. substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando
Alguns se contentam pouco. seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (=
riáveis e invariáveis. Observe: a qual)
 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, quais)
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (=
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, as quais)
vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quan- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente
tas. pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamen-
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, te para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde”
nada, algo, cada. (que podem ter várias classificações) são pronomes rela-
tivos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que- coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas
preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de
rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo
minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”,
plural é feito em seu interior).
neste caso, geraria ambiguidade. Veja: Regressando de
Todo e toda no singular e junto de artigo significa in-
São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou en-
teiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
cantado (quem me deixou encantado: o sítio ou minha
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
tia?).
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utili-
Trabalho todo dia. (= todos os dias)
za-se o qual / a qual)
São locuções pronominais indefinidas: cada qual, O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que,
cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas
(que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma
ou outra, etc. O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com
Cada um escolheu o vinho desejado. o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o conse-
quente (o ser possuído, com o qual concorda em gêne-
7. Pronomes Relativos ro e número); não se usa artigo depois deste pronome;
“cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais, das quais.
São aqueles que representam nomes já mencionados Existem pessoas cujas ações são nobres.
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem (antecedente) (consequente)
as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pro-
um grupo racial sobre outros. nome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (re-
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou- feriu-se a)
tros = oração subordinada adjetiva).
“Quanto” é pronome relativo quando tem por ante-
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “siste- cedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e
ma” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a tudo:
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra “sistema” é antecedente do pronome relativo que.


O antecedente do pronome relativo pode ser o pro- Emprestei tantos quantos foram neces-
nome demonstrativo o, a, os, as. sários.
Não sei o que você está querendo dizer. (antecedente)
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso. Ele fez tudo quanto ha-
Quem casa, quer casa. via falado.
(antecedente)

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O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
precedido de preposição. tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
diferentemente dos segundos, que são sempre precedi-
É um professor a quem mui- dos de preposição.
to devemos. A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o
(preposição) que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui ante- mim o que eu estava fazendo.
cedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A
casa onde morava foi assaltada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
em que: Sinto saudades da época em que (quando) morá- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
vamos no exterior. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
lavras: ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 como (= pelo qual) – desde que precedida das CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
palavras modo, maneira ou forma: Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Não me parece correto o modo como você agiu sema- Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
na passada. São Paulo: Saraiva, 2002.

 quando (= em que) – desde que tenha como SITE


antecedente um nome que dê ideia de tempo: http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
Bons eram os tempos quando podíamos jogar video- morf42.php
game.
9. Colocação Pronominal
Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
numa só frase. Colocação Pronominal trata da correta colocação dos
O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste pronomes oblíquos átonos na frase.
esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
#FicaDica
Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun-
gente que conversava, (que) ria, observava. ção de complemento verbal (objeto). Por isso,
memorize:
8. Pronomes Interrogativos OBlíquo = OBjeto!

São usados na formulação de perguntas, sejam elas


diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefini- Embora na linguagem falada a colocação dos prono-
dos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo im- mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
preciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e devem ser observadas na linguagem escrita.
variações), quanto (e variações).
Com quem andas? Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
Qual seu nome? A próclise é usada:
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.
 Quando o verbo estiver precedido de palavras
O pronome pessoal é do caso reto quando tem fun- que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
ção de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
oblíquo quando desempenha função de complemento. jamais, etc.: Não se desespere!
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. B) Advérbios: Agora se negam a depor.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
lhe ajudar. quem tudo!
LÍNGUA PORTUGUESA

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao esforçou.
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu-
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. nidade.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discur- F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
so. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta
para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não
sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).

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 Orações iniciadas por palavras interrogativas: 11. Emprego de o, a, os, as
Quem lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas:  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
Quanto se ofendem! os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
 Orações que exprimem desejo (orações optativas): Chame-o agora.
Que Deus o ajude. Deixei-a mais tranquila.
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
material amanhã. / Tu sabes cantar? tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
verbo. A mesóclise é usada:
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu- em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam para no, na, nos, nas.
precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: Chamem-no agora.
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em Põe-na sobre a mesa.
prol da paz no mundo.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece- #FicaDica
ria. Veja: Não se realizará...
Dica da Zê!
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig-
nessa viagem.
nifica “antes”! Pronome antes do verbo!
(com presença de palavra que justifique o uso de pró-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end,
clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome
nharia nessa viagem).
depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do ver-
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
bo
A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
 Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
 Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não era minha intenção machucá-la. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
se inicia período com pronome oblíquo). reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Vou-me embora agora mesmo. Paulo: Saraiva, 2010.
Levanto-me às 6h.
 Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo SITE
no concurso, mudo-me hoje mesmo! http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a -pronominal-.html
proposta fazendo-se de desentendida.
Observação: Não foram encontradas questões
10. Colocação pronominal nas locuções verbais abrangendo tal conteúdo.

 Após verbo no particípio = pronome depois do VERBO


verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Tenho me deliciado com a leitura! Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
Eu tenho me deliciado com a leitura! tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Eu me tenho deliciado com a leitura! nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
 Não convém usar hífen nos tempos compostos e é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
nas locuções verbais: outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
Vamos nos unir! no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
LÍNGUA PORTUGUESA

Iremos nos manifestar.


 Quando há um fator para próclise nos tempos 1. Estrutura das Formas Verbais
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo- os seguintes elementos:
cupar”). A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi-
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-
-ava; fal-am. (radical fal-)

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B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que #FicaDica
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
exemplo: fala-r. São três as conjugações: Observe que, retirando os radicais, as desi-
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática nências modo-temporal e número-pessoal
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). mantiveram-se idênticas. Tente fazer com
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que outro verbo e perceberá que se repetirá o
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: fato (desde que o verbo seja da primeira
falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo) conjugação e regular!). Faça com o verbo
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) “andar”, por exemplo. Substitua o radical
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que “cant” e coloque o “and” (radical do verbo
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o andar). Viu? Fácil!
número (singular ou plural):
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam
(indica a 3.ª pessoa do plural.) B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações
no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.
FIQUE ATENTO! Observação:
O verbo pôr, assim como seus derivados (com- Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
por, repor, depor), pertencem à 2.ª conjugação, para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
A vogal “e”, apesar de haver desaparecido do ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
infinitivo, revela-se em algumas formas do permanece inalterado.
verbo: põe, pões, põem, etc.
C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
jugação completa. Os principais são adequar, pre-
2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas caver, computar, reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e,
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura normalmente, são usados na terceira pessoa do
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- singular. Os principais verbos impessoais são:
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico zar-se ou fazer (em orações temporais).
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
radical): opinei, aprenderão, amaríamos. Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
3. Classificação dos Verbos
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
Classificam-se em:
2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
Faz invernos rigorosos na Europa.
cal inalterado durante a conjugação e desinências
Era primavera quando o conheci.
idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
Estava frio naquele dia.
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do 3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-
Modo Indicativo: reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, tro-
vejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
canto falo se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
“amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
cantas falas
impessoal, empregado em sentido figurado, dei-
canta falas xa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
cantamos falamos conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
cantais falais Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
cantam falam Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
LÍNGUA PORTUGUESA

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando


tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição


“de”, indicando suficiência:
Basta de tolices.
Chega de promessas.
6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,

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Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele
está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
LÍNGUA PORTUGUESA

Romper Rompido Roto


Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

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FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
LÍNGUA PORTUGUESA

seja você não seja você


sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

68
4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


LÍNGUA PORTUGUESA

hei houve havia houvera haverei haveria


hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

69
4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
LÍNGUA PORTUGUESA

abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mesma,
pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante do
verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva
expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.

70
 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

71
C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)
LÍNGUA PORTUGUESA

72
Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
LÍNGUA PORTUGUESA

cantAVAS vendIAS partAS


CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

73
1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M
LÍNGUA PORTUGUESA

74
1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
LÍNGUA PORTUGUESA

Vós cantais CantAI vós Que vós canteis


Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

75
2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
LÍNGUA PORTUGUESA

vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

76
B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a pre-
posição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação
das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido
do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva


LÍNGUA PORTUGUESA

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o sentido da frase.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto

A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz Passiva)


Sujeito da Passiva Agente da Passiva

77
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; 2. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali-
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo 2012) Está inadequado o emprego do elemento subli-
tempo. nhado na seguinte frase:
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao
mestres. que dispenso aos homens religiosos.
b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
Eu o acompanharei. que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
Ele será acompanhado por mim. mente virtuosos.
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin-
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: dir os que se dizem homens de fé.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva,
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de
porque o sujeito não pode ser visto como agente, pacien-
fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
te ou agente paciente.
Resposta: Letra C.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Corrigindo o inadequado:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. milar ao que dispenso aos homens religiosos.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens
Paulo: Saraiva, 2010. verdadeiramente virtuosos.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que)
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. não podem prescindir os que se dizem homens de fé.
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
SITE de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei-
morf54.php xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.

3. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali-


zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
EXERCÍCIOS COMENTADOS 2012)
Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
1. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa – FCC despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
– 2012) As vitórias no jogo interior talvez não acrescen- bal obtida será:
tem novos troféus, mas elas trazem recompensas valiosas,
[...] que contribuem de forma significativa para nosso su- a) seria despertada.
cesso posterior, tanto na quadra como fora dela. b) teria sido despertada.
c) despertar-se-á.
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos
d) fora despertada.
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os
e) teriam despertado.
elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,
por:
a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem Resposta: Letra A.
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A
d) acrescentariam − trariam− contribuíram ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus.
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram GABARITO OFICIAL: A

Resposta: Letra E. 4. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa –


Questão que envolve correlação verbal. Realizando as Especialidade Segurança Judiciária – FCC – 2012)
alterações solicitadas, segue como ficariam (em des- ...ela nunca alcançava a musa.
taque): Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui- verbal resultante será:


riam
Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam a) alcança-se.
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contribuí- b) foi alcançada.
ram c) fora alcançada.
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram d) seria alcançada.
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contribuí- e) era alcançada.
ram = correta

78
Resposta: Letra E. 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Analista Judiciário – Área
Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois Administrativa – FCC – 2016 ) ... para quem Manoel de
na passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no Barros era comparável a São Francisco de Assis...
mesmo tempo verbal, forma particípio): A musa nun- O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
ca era alcançada por ela. O verbo “alcançava” está no frase acima está em:
pretérito imperfeito, por isso o auxiliar tem que estar
também (é = presente, foi = pretérito perfeito, era = a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
imperfeito, fora = mais que perfeito, será = futuro do b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
presente, seria = futuro do pretérito). paço...
c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
5. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali- Charles Baudelaire.
zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC – d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação ros na literatura...
de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós e) ... para depois casá-las...
mesmos.
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al- Resposta: Letra A.
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati-
substituído por: vo. Procuremos nos itens:
a) ademais. Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
b) conquanto. Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In-
c) porquanto. dicativo
d) entretanto. Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
e) apesar. to do Indicativo
Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
Resposta: Letra D. cativo
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo- Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
sição). A substituição deve utilizar outra de mesma elas)
classificação, para que se mantenha a ideia do perío-
do. A correta é entretanto. 8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – Analista Judiciário – Área
Administrativa – FCC – 2016 ) Aí conheci o escritor e
6. (TST – Analista Judiciário – Área Administrativa – historiador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Al-
FCC – 2012) O verbo indicado entre parênteses deverá ves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé
flexionar-se no singular para preencher adequadamente de Julião. Considerando-se a norma-padrão da língua,
a lacuna da frase: ao reescrever-se o trecho acima em um único período, o
segmento destacado deverá ser antecedido de vírgula e
a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de substituído por
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre a) perante ao qual
o peso de suas mais graves decisões. b) de cujo
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer) c) o qual
tomar decisões sem medir suas consequências. d) frente à quem
d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos- e) de quem
tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco- Resposta: Letra E.
menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves
humana. Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alter-
nativa que substitui corretamente o trecho destacado é
Resposta: Letra C. “de quem ouvi oralmente”.
Flexões em destaque e sublinhei os termos que esta-
belecem concordância: 9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário –
Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de outras pes-
de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. soas que tenham documentos em casa e se disponham
Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir a trazer para a Academia, que é a guardiã desse tipo de
sobre o peso de suas mais graves decisões. acervo, que é muito difícil de ser guardado em casa, pois o
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor- tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de conserva-
LÍNGUA PORTUGUESA

re tomar decisões sem medir suas consequências. = ção de documentos”, disse Cavalcanti.
Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce O termo sublinhado faz referência a
a função de sujeito (subjetiva)
Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos- a) pessoas.
tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas. b) acervo.
Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, c) Academia.
recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta d) tempo.
a dor humana. e) casa.

79
Resposta: Letra B. Resposta: Letra C.
Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual) Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva
é muito difícil de ser guardado... (auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e
o mundo são privilegiados pelo modelo ainda domi-
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário – nante.
FCC – 2016) O marechal organizou o acervo...
A forma verbal está corretamente transposta para a voz 13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC –
passiva em: 2016 ) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
com a norma culta na seguinte frase:
a) estava organizando
b) tinha organizado a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
c) organizando-se não poderia receber qualquer tipo de retificação.
d) foi organizado b) Os documentos com assinatura digital disporam de
e) está organizado algoritmos de criptografia que os protegeram.
Resposta: Letra D. c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou) contar com a proteção de uma assinatura digital.
e objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
passarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no fado deve saber que comprometerá sua integridade.
mesmo tempo que o verbo da ativa + o particípio do e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
verbo da voz ativa = organizado). O objeto exercerá comprometer a integridade dos documentos.
a função de sujeito paciente, e o sujeito da ativa será
o agente da passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi Resposta: Letra E.
organizado pelo marechal. Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua auten-
ticidade, o documento não poderia receber qualquer
tipo de retificação.
11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo-
FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os
a comer...
protegeram.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos
sublinhado acima está também sublinhado em:
poderam (puderam) contar com a proteção de uma
assinatura digital.
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
as amas...
mento criptografado deve saber que comprometerá
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches. sua integridade.
c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in- Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie-
dústria de consumo... rem sem comprometer a integridade dos documentos
d) E, mesmo que se esforcem muito [...] = correta
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – Técnico Judiciário – FCC
Resposta: Letra D. – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a traje-
que nos ajude = presente do Subjuntivo tória da utopia no país.
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam- verbal resultante será:
bém mais-que-perfeito) do Indicativo
Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indi- a) foram marcados.
cativo b) foi marcado.
Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo c) são marcados.
Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In- d) foi marcada.
dicativo e) é marcada.

12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC Resposta: Letra E.


– 2016) O modelo ainda dominante nas discussões ecoló- Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então
gicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo... teremos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente]
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma + particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da uto-
LÍNGUA PORTUGUESA

verbal resultante será: pia do país é marcada pelos sessenta anos de história.

a) é privilegiado. 15. (Polícia Militar do Estado de São Paulo – Soldado


b) sendo privilegiadas. PM 2.ª Classe – Vunesp – 2017) Considere as seguintes
c) são privilegiados. frases:
d) foi privilegiado. Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
e) são privilegiadas. Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!

80
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
empregados nessas frases está em destaque em: precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
locutor não chegava para os textos de abertura, pu-
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem blicidade, chamadas.
com que o cérebro humano não considere útil gravar e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
esses dados [...] quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem- suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
-número de informações. vras.
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele... Resposta: Letra C.
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em Aos itens:
que morou quando era criança? Em “a”: há = presente / acabam = presente / são =
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- presente
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté-
rito perfeito
Resposta: Letra D. Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati- imperativo afirmativo (ordens)
vo (expressam ordem). Vamos aos itens: Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretéri-
Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos to imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
fazem = presente do Indicativo Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do
Indicativo 18. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Em
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos – O destino me prestava esse pequeno favor: completa-
= presente do Indicativo va minha identificação com o resto da humanidade, que
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo tem sempre para contar uma história de objeto achado;
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre- – o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/
sente do Indicativo expressão:

16. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu- a) o resto da humanidade.


nesp – 2014) Assinale a alternativa em que a palavra em b) esse pequeno favor.
c) minha identificação.
destaque na frase pertence à classe dos adjetivos (pala-
d) O destino.
vra que qualifica um substantivo).
e) completava.
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
Resposta: Letra A.
tanásia...
Completava minha identificação com o resto da huma-
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
nidade, que (a qual) tem sempre para contar uma his-
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
tória de objeto achado = pronome relativo que retoma
a morte. o resto da humanidade.
d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
e) E como seria a verdadeira boa morte? 19. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Con-
sidere o trecho a seguir.
Resposta: Letra E. É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
Em “a”: Existe grande confusão = substantivo públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados
Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor- se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per-
te = pronome tences, conservando-os junto ao corpo.
Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
distanciar a morte = substantivo mente, as lacunas do texto.
Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad- a) sejam ... mantesse
jetivo b) sejam ... mantém
c) sejam ... mantivessem
17. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2014) As for- d) seja ... mantivessem
mas verbais conjugadas no modo imperativo, expressan- e) seja ... mantêm
do ordem, instrução ou comando, estão destacadas em
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra C.
a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní- Completemos as lacunas e depois busquemos o item
tidas na memória: são aqueles donos de qualidades correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do
incomuns. verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver):
b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
quase não acreditei no que ouvi. blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
pro estúdio e ponha a rádio no ar. pertences, conservando-os junto ao corpo.

81
20. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu-
nesp – 2013) Nas frases – Não vou mais à escola!… – e FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO. TERMOS
– Hoje estão na moda os métodos audiovisuais. – as pala- DA ORAÇÃO. PERÍODO COMPOSTO POR
vras em destaque expressam, correta e respectivamente, COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO.
circunstâncias de

a) dúvida e modo.
b) dúvida e tempo. Frase, oração e período
c) modo e afirmação.
d) negação e lugar. 1. Sintaxe da Oração e do Período
e) negação e tempo.
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
Resposta: Letra E. estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
“não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obrigato-
tempo. riamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trovejou
muito ontem à noite.
21. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2013) Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
Assinale a alternativa que completa respectivamente as verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais
lacunas, em conformidade com a norma-padrão de con- (sem a presença de verbos), feita a partir de seus elementos
jugação verbal. constituintes, elas podem ser classificadas a partir de seu
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional sentido global:
quando __________ um diploma de mestrado, mas há A) frases interrogativas = o emissor da mensagem for-
aqueles que _________ de opinião e procuram investir em mula uma pergunta: Que dia é hoje?
cursos profissionalizantes. B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou faz
um pedido: Dê-me uma luz!
a) obtiver … divirgem C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um esta-
b) obter … divergem do afetivo: Que dia abençoado!
c) obtesse … devirgem
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A
d) obter … divirgem
prova será amanhã.
e) obtiver … divergem
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
Resposta: Letra E.
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissio- (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
nal quando obtiver um diploma de mestrado, mas há sujeito e predicado.
aqueles que divergem de opinião e procuram investir O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo
em cursos profissionalizantes. em número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o
tema do que se vai comunicar”; o predicado é a parte da
22. (PC-SP – Auxiliar de Necropsia – Vunesp – 2014) frase que contém “a informação nova para o ouvinte”, é o
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, constituindo
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme- a declaração do que se atribui ao sujeito.
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é Quando o núcleo da declaração está no verbo (que indi-
um adjetivo. que ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo signifi-
cativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver
a) ... um câncer de boca horroroso, ... em um nome (geralmente um adjetivo), teremos um pre-
b) Ele tem dezesseis anos... dicado nominal (os verbos deste tipo de predicado são os
c) Eu queria que ele morresse logo, ... que indicam estado, conhecidos como verbos de ligação):
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
mílias. (predicado verbal)
e) E o inferno não atinge só os terminais. A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o núcleo
é “fácil” (predicado nominal)
Resposta: Letra A. Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo por uma ou mais orações, formando um todo, com sentido
Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral completo. O período pode ser simples ou composto.
Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às Período simples é aquele constituído por apenas uma
famílias = substantivo oração, que recebe o nome de oração absoluta.
Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs-
Chove.
tantivo
A existência é frágil.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.

82
Período composto é aquele constituído por duas ou Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
mais orações: referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
Cantei, dancei e depois dormi. “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo
Quero que você estude mais. do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
pela desinência verbal ou pelo contexto.
1.1. Termos da Oração Abolimos todas as regras. = (nós)
Falaste o recado à sala? = (tu)
1.1.1 Termos essenciais Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se-
O sujeito e o predicado são considerados termos es- gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis pronomes não estejam explícitos.
para a formação das orações. No entanto, existem ora- Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci-
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que de- to na desinência verbal “-mos”
fine a oração é a presença do verbo. O sujeito é o termo Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de-
que estabelece concordância com o verbo. sinência verbal “-ais”
O candidato está preparado.
Os candidatos estão preparados. Mas:
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida- Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, O sujeito indeterminado surge quando não se quer -
estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
no singular: candidato = está). refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
A função do sujeito é basicamente desempenhada contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
por substantivos, o que a torna uma função substantiva Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi-
da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer nado de duas maneiras:
outras palavras substantivadas (derivação imprópria)
também podem exercer a função de sujeito. A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs- o sujeito não tenha sido identificado anteriormen-
tantivo) te:
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem- Bateram à porta;
plo: substantivo) Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
nistro.
Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
do sujeito. ou composto:
Um sujeito é determinado quando é facilmente Os meninos bateram à porta. (simples)
identificado pela concordância verbal. O sujeito determi- Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
nado pode ser simples ou composto.
A indeterminação do sujeito ocorre quando não é B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres-
possível identificar claramente a que se refere a concor- cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi-
dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não ca dos verbos que não apresentam complemento
interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração. direto:
Estão gritando seu nome lá fora. Precisa-se de mentes criativas.
Trabalha-se demais neste lugar. Vivia-se bem naqueles tempos.
O sujeito simples é o sujeito determinado que apre- Trata-se de casos delicados.
senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no Sempre se está sujeito a erros.
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abaixo,
sublinhei os núcleos dos sujeitos: O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
Nós estudaremos juntos. de indeterminação do sujeito.
A humanidade é frágil.
Ninguém se move. As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A
uma derivação imprópria, tranformando-o em substan- mensagem está centrada no processo verbal. Os princi-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo) pais casos de orações sem sujeito com:


As crianças precisam de alimentos saudáveis.  os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu.
O sujeito composto é o sujeito determinado que Está trovejando.
apresenta mais de um núcleo.
Alimentos e roupas custam caro.  os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
Ela e eu sabemos o conteúdo. fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda. tempo em geral:

83
Está tarde. Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
Já são dez horas. isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Faz frio nesta época do ano. dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado
Há muitos concursos com inscrições abertas. do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, an-
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a dar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia relacionadas.
um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado A função de predicativo é exercida, normalmente,
é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex- por um adjetivo ou substantivo.
ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que
difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
Chove muito nesta época do ano.
ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No
Houve problemas na reunião.
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir
Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi- ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto).
cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como
objeto direto. O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
As questões estavam fáceis! nificativo, indicando processos. É também sempre por
Sujeito simples = as questões intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
Predicado = estavam fáceis o termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado;
Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento. As mulheres julgam os homens inconstantes.
Sujeito = uma ideia estranha
Predicado = passou-me pelo pensamento No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de
Para o estudo do predicado, é necessário verificar ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois:
se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado um verbal e outro nominal.
nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con- O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
siderar também se as palavras que formam o predicado
referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona
oração.
o complemento homens com o predicativo “inconstan-
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
de opinião. tes”.
Predicado
1.2 Termos integrantes da oração
O predicado acima apresenta apenas uma palavra
que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o
ligam direta ou indiretamente ao verbo. complemento nominal são chamados termos integrantes
A cidade está deserta. da oração.
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-
-se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como Os complementos verbais integram o sentido dos
elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o verbos transitivos, com eles formando unidades signifi-
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com-
predicativo do sujeito). plementos diretamente, sem a presença de preposição,
ou indiretamente, por intermédio de preposição.
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo O objeto direto é o complemento que se liga dire-
significativo um verbo: tamente ao verbo.
Chove muito nesta época do ano. Houve muita confusão na partida final.
Estudei muito hoje!
Queremos sua ajuda.
Compraste a apostila?

Os verbos acima são significativos, isto é, não servem O objeto direto preposicionado ocorre principal-
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam mente:
processos. A) com nomes próprios de pessoas ou nomes co-
muns referentes a pessoas:
LÍNGUA PORTUGUESA

Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.


O predicado nominal é aquele que tem como nú- (o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade na-se: objeto direto preposicionado)
ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou- B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
ligação). cansar a Vossa Senhoria.

84
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise. O poeta português deixou uma obra inacabada.
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica O poeta deixou-a inacabada.
a crise) (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- do objeto)
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira. Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
Necessito de ajuda. substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se
relaciona apenas ao substantivo.
1.2.1 Objeto Pleonástico O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos. termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos gunda-feira, passei o dia mal-humorado.
pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
objeto, antecipado para o início da oração; em seguida, Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem-
ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe- po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
tição que se dá o nome de objeto pleonástico. termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se-
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal- gunda-feira passei o dia mal-humorado.
ves Dias) O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
valor na oração, em:
objeto pleonástico A) explicativo: A linguística, ciência das línguas hu-
manas, permite-nos interpretar melhor nossa rela-
Ao traidor, nada lhe devemos. ção com o mundo.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
O termo que integra o sentido de um nome chama-se coisas: amor, arte, ação.
complemento nominal, que se liga ao nome que com- C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
pleta por intermédio de preposição: nho, tudo forma o carnaval.
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala-
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-
vra “necessária”
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
O vocativo é um termo que serve para chamar, in-
1.3 Termos acessórios da oração e vocativo
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
Os termos acessórios recebem este nome por serem
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan-
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs-
junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca-
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da tantivadas esse papel na linguagem.
oração. João, venha comigo!
Traga-me doces, minha menina!
O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o 1.4 Períodos Compostos
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função 1.4.1 Período Composto por Coordenação
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei O período composto se caracteriza por possuir mais
a pé àquela velha praça. de uma oração em sua composição. Sendo assim:
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
O adjunto adnominal é o termo acessório que de- oração)
termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun- Estou comprando um protetor solar, depois irei à
ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração. orações)
Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
numerais e os pronomes adjetivos. um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu orações).
amigo de infância.
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
LÍNGUA PORTUGUESA

O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs- entre as orações de um período composto: uma relação
tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o de coordenação ou uma relação de subordinação.
predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um Duas orações são coordenadas quando estão juntas
verbo. em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
O poeta português deixou uma obra originalíssima. de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
O poeta deixou-a. ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
adjunto adnominal) (Período Composto)

85
Podemos dizer: Observe que na oração subordinada temos o verbo
1. Estou comprando um protetor solar. “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
2. Irei à praia. do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por
conjunção. As orações subordinadas que apresentam ver-
Separando as duas, vemos que elas são independen- bo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
tes. Tal período é classificado como Período Composto indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por con-
por Coordenação. junção, chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Podemos modificar o período acima. Veja:
Sindéticas. Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada
A) Coordenadas Assindéticas
São orações coordenadas entre si e que não são li- A análise das orações continua sendo a mesma: “Que-
gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas jus- ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração
tapostas. subordinada “ser aprovado”. Observe que a oração su-
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci. bordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além
disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as duas ora-
B) Coordenadas Sindéticas ções, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas surge numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implí-
coordenativa, que dará à oração uma classificação. As citas (como no exemplo acima).
orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin-
co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e Observação:
explicativas. As orações reduzidas não são introduzidas por con-
junções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! mente, introduzidas por preposição.
 Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas:
suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas tam- A) Orações Subordinadas Substantivas
bém, não só... como, assim... como. A oração subordinada substantiva tem valor de subs-
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in-
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
tegrante (que, se).
Comprei o protetor solar e fui à praia.
Não sei se sairemos hoje.
 Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
Oração Subordinada Substantiva
suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
Temos medo de que não sejamos aprovados.
senão. Oração Subordinada Substantiva
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi! Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) tam-
bém introduzem as orações subordinadas substantivas,
 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: bem como os advérbios interrogativos (por que, quando,
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; onde, como).
quer...quer; seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador. O garoto perguntou qual seu nome.
Oração Subordinada Substantiva
 Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
suas principais conjunções são: logo, portanto, por Não sabemos quando ele virá.
fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos- Oração Subordinada Substantiva
posto ao verbo).
Passei no concurso, portanto comemorarei!
A situação é delicada; devemos, pois, agir. 1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas
Substantivas
 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a sa- Conforme a função que exerce no período, a oração
ber, na verdade, pois (anteposto ao verbo). subordinada substantiva pode ser:
LÍNGUA PORTUGUESA

Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do- 1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do
mingo. verbo da oração principal:
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos. É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito
1.4.2 Período Composto Por Subordinação
É fundamental que você compareça à reunião.
Quero que você seja aprovado! Oração Principal Oração Subordinada Substan-
Oração principal oração subordinada tiva Subjetiva

86
FIQUE ATENTO!
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos
um período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:


 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado,
Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer


Convém que não se atrase na entrevista.

Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
singular.
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:
Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:


 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O
pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu
não sei por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por pre-
posição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal
LÍNGUA PORTUGUESA

Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)


Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é ne-
cessário levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal:
o primeiro complementa um verbo; o segundo, um nome.

87
5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo
ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma fun-
ção sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação”
é sujeito, então o “que” também funciona como sujeito).

FIQUE ATENTO!
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substi-
tuído por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

Forma das Orações Subordinadas Adjetivas

Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as ora-
ções subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas redu-
zidas, que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o verbo
numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo
“que” e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada adje-
tiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individuali-
zando-o. Nestas orações não há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem tam-
bém orações que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente
definido. Estas orações denominam-se subordinadas adjetivas explicativas.

88
Exemplo 1: vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina-
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo
passava naquele momento. indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi-
No período acima, observe que a oração em desta- nha vida.
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho- A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por
os homens, mas sim àquele que estava passando naque- uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
le momento.
Exemplo 2: Observação:
A classificação das orações subordinadas adverbiais
O homem, que se considera racional, muitas vezes é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun-
age animalescamente. tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa oração.

Agora, a oração em destaque não tem sentido restri- 2. Classificação das Orações Subordinadas Adver-
tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas biais
explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
ceito de “homem”. A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
Saiba que: que se declara na oração principal. Principal conjunção
A oração subordinada adjetiva explicativa é separa- subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locu-
da da oração principal por uma pausa que, na escrita, ções causais: como (sempre introduzido na oração ante-
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a posta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez
que, visto que.
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas
forte.
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
Já que você não vai, eu também não vou.
C) Orações Subordinadas Adverbiais
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
Uma oração subordinada adverbial é aquela que
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon-
exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora-
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre-
ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem- senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à
po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando qual ela se subordina. Repare:
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções 1. Faltei à aula porque estava doente.
subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro- 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
a introduz (assim como acontece com as coordenadas fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No
sindéticas). exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de-
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. pois seus olhos ficaram vermelhos.
Oração Subordinada Adverbial
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
A oração em destaque agrega uma circunstância de cia, é efeito do que se declara na oração principal.
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada ad- São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
verbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos aces- de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
sórios que indicam uma circunstância referente, via de estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
depende da exata compreensão da circunstância que ex- (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
prime. Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de concretizando-os.
minha vida. Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de zida de Infinitivo)


minha vida.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
No primeiro período, “naquele momento” é um ad- como necessário para a realização ou não de um
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol- na oração principal.

89
Principal conjunção subordinativa condicional: se. ções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). (maior), quanto menor...(menor), quanto mais...
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, (mais), quanto mais...(menos), quanto menos...
certamente o melhor time será campeão. (mais), quanto menos...(menos).
Caso você saia, convide-me. À proporção que estudávamos mais questões acertá-
vamos.
D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo À medida que lia mais culto ficava.
da oração principal, isto é, admitem uma contradi-
ção ou um fato inesperado. A ideia de concessão I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao
está diretamente ligada ao contraste, à quebra de fato expresso na oração principal, podendo expri-
expectativa. Principal conjunção subordinativa con- mir noções de simultaneidade, anterioridade ou
cessiva: embora. Utiliza-se também a conjunção: posterioridade. Principal conjunção subordinativa
conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, temporal: quando. Outras conjunções subordina-
mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que. tivas temporais: enquanto, mal e locuções conjun-
Só irei se ele for. tivas: assim que, logo que, todas as vezes que, antes
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” que, depois que, sempre que, desde que, etc.
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
Compare agora com: Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
Irei mesmo que ele não vá. minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: 3. Orações Reduzidas
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
As orações subordinadas podem vir expressas como
concessiva.
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
Observe outros exemplos:
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem co-
Embora fizesse calor, levei agasalho.
nectivo subordinativo que as introduza.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre-
E) Comparativa= As orações subordinadas adver-
sença do conectivo)
biais comparativas estabelecem uma comparação
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
com a ação indicada pelo verbo da oração princi-
pal. Principal conjunção subordinativa comparati- “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
va: como. É preciso estudar = oração subordinada substantiva
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) subjetiva reduzida de infinitivo
Você age como criança. (age como uma criança age) É preciso que se estude = oração subordinada subs-
tantiva subjetiva
• geralmente há omissão do verbo.
4. Orações Intercaladas
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado São orações independentes encaixadas na sequên-
para a execução do que se declara na oração prin- cia do período, utilizadas para um esclarecimento, um
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma- aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas: travessões.
como, consoante e segundo (todas com o mesmo Nós – continuava o relator – já abordamos este as-
valor de conforme). sunto.
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
direitos iguais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
se declara na oração principal. Principal conjunção Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
LÍNGUA PORTUGUESA

finais: que, porque (= para que) e a locução con- São Paulo: Saraiva, 2002.
juntiva para que.
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. SITE
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou frase-periodo-e-oracao
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
principal. Principal locução conjuntiva subordina-
tiva proporcional: à proporção que. Outras locu-

90
FUNÇÕES SINTÁTICAS DOS PRONOMES
EXERCÍCIOS COMENTADOS
RELATIVOS. EMPREGO DE NOMES E
PRONOMES. EMPREGO DE TEMPOS E
1. (Cnj – Técnico Judiciário – cespe – 2013 – adaptada)
MODOS VERBAIS.
Jogadores de futebol de diversos times entraram em cam-
po em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Cam-
peonato Nacional em apoio à campanha que visa reduzir
o número de pessoas que não possuem o nome do pai em “Prezado candidato, o tópico acima foi abordado na
sua certidão de nascimento. (...) íntegra em: Classes de Palavras”
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír-
gula porque tem natureza restritiva. REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL (CRASE).

( ) CERTO ( ) ERRADO
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par-
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan- (regência nominal) e seus complementos.
do a informação, o que dará a entender que TODAS as 1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
pessoas não têm o nome do pai na certidão.
A regência verbal estuda a relação que se estabele-
2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de Di- ce entre os verbos e os termos que os complementam
plomata – cespe – 2014 – adaptada) (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad-
juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma regência, o que corresponde à diversidade de significa-
literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o dos que estes verbos podem adquirir dependendo do
brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos contexto em que forem empregados.
e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar,
um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes- contentar.
mo que a crônica é um gênero menor. A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as- agrado ou prazer”, satisfazer.
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir
“agradar a alguém”.
de caminho não apenas para a vida, que ela serve de
perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da
O conhecimento do uso adequado das preposições
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo
verbal (e também nominal). As preposições são capazes
dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que
de modificar completamente o sentido daquilo que está
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua
sendo dito.
despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi- Cheguei ao metrô.
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra Cheguei no metrô.
mão certa profundidade de significado e certo acaba- No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no
mento de forma, que de repente podem fazer dela uma segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado.
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São A voluntária distribuía leite às crianças.
Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adapta- A voluntária distribuía leite com as crianças.
ções). Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado
como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto (ob-
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “ser- jeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo
vir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indi- direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto
retos. adverbial).
Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver-
( ) CERTO ( ) ERRADO bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é
LÍNGUA PORTUGUESA

um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife-


Resposta: Errado. rentes formas em frases distintas.
imagina uma literatura = transitivo direto
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo A) Verbos Intransitivos
(transitivo direto e indireto) Os verbos intransitivos não possuem complemento.
pode servir de caminho = intransitivo É importante, no entanto, destacar alguns detalhes re-
lativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompa-
nhá-los.

91
Chegar, Ir Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- Consistir - Tem complemento introduzido pela pre-
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em di-
indicar destino ou direção são: a, para. reitos iguais para todos.

Fui ao teatro. Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-


Adjunto Adverbial de Lugar mentos introduzidos pela preposição “a”:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Ricardo foi para a Espanha. Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Adjunto Adverbial de Lugar
Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
Comparecer posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por “a quem” ou “ao que” se responde.
em ou a. Respondi ao meu patrão.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o Respondemos às perguntas.
último jogo. Respondeu-lhe à altura.

B) Verbos Transitivos Diretos Observação:


Os verbos transitivos diretos são complementados O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
por objetos diretos. Isso significa que não exigem prepo- do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
sição para o estabelecimento da relação de regência. Ao analítica:
empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes O questionário foi respondido corretamente.
oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após
formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus comple-
nas (após formas verbais terminadas em sons nasais), en- mentos introduzidos pela preposição “com”.
quanto lhe e lhes são, quando complementos verbais, ob- Antipatizo com aquela apresentadora.
jetos indiretos. Simpatizo com os que condenam os políticos que go-
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban- vernam para uma minoria privilegiada.
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxi- D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
liar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, de- Os verbos transitivos diretos e indiretos são acom-
fender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, panhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente verbos que apresentam objeto direto relacionado a coisas
como o verbo amar: e objeto indireto relacionado a pessoas.
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a. Agradeço aos ouvintes a audiência.
Amam aquele rapaz. / Amam-no. Objeto Indireto Objeto Direto
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Paguei o débito ao cobrador.
Observação: Objeto Direto Objeto Indireto
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
adnominais): com particular cuidado:
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car- Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
reira) Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu- Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
mor) Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
C) Verbos Transitivos Indiretos
Os verbos transitivos indiretos são complementados Informar
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
gem uma preposição para o estabelecimento da relação indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
LÍNGUA PORTUGUESA

de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de Informe os novos preços aos clientes.
terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no-
são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se uti- vos preços)
lizam os pronomes o, os, a, as como complementos de Na utilização de pronomes como complementos, veja
verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que as construções:
não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos prono- Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
mes átonos lhe, lhes. sobre eles)

92
Observação: Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
A mesma regência do verbo informar é usada para os agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. introduzido pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
Comparar O cantor não lhes agradou.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite
as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple- O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire-
mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com to: O cantor desagradou à plateia.
o) de uma criança.
Aspirar
Pedir Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
de pessoa. como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As-
pirávamos a ele)
Pedi-lhe favores. Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes-
Objeto Indireto Objeto Direto soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são
utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- Aspiravam a ela)
tantiva Objetiva Direta
Assistir
A construção “pedir para”, muito comum na lingua- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín- tar assistência a, auxiliar.
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
gua culta. No entanto, é considerada correta quando a
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
palavra licença estiver subentendida.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
casa.
ciar, estar presente, caber, pertencer.
Assistimos ao documentário.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro-
Não assisti às últimas sessões.
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de
Essa lei assiste ao inquilino.
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-
Preferir transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
indireto introduzido pela preposição “a”: conturbada cidade.
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus. Chamar
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
Observação: licitar a atenção ou a presença de.
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha-
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve- má-la.
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
prefixo existente no próprio verbo (pre). Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre-
Mudança de Transitividade - Mudança de Signifi- dicativo preposicionado ou não.
cado A torcida chamou o jogador mercenário.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- A torcida chamou ao jogador mercenário.
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe- A torcida chamou o jogador de mercenário.
cimento das diferentes regências desses verbos é um re- A torcida chamou ao jogador de mercenário.
curso linguístico muito importante, pois além de permitir Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
a correta interpretação de passagens escritas, oferece Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre
LÍNGUA PORTUGUESA

os principais, estão: Custar


Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
Agradar valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver-
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari- bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito.
nhos, acariciar, fazer as vontades de.
Sempre agrada o filho quando. No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
Aquele comerciante agrada os clientes. ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração re-
duzida de infinitivo.

93
Muito custa viver tão longe da família. Visar
Verbo Intransitivo Oração Subordinada Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar,
Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
Custou-me (a mim) crer nisso. O gerente não quis visar o cheque.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
A Gramática Normativa condena as construções que O ensino deve sempre visar ao progresso social.
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
pessoa: Custei para entender o problema. público.
= Forma correta: Custou-me entender o problema.
Esquecer – Lembrar
Implicar Lembrar algo – esquecer algo
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
implicavam um firme propósito. No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
B) ter como consequência, trazer como consequência, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o li-
acarretar, provocar: Uma ação implica reação. vro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc)
Como transitivo direto e indireto, significa compro- e exigem complemento com a preposição “de”. São, por-
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões tanto, transitivos indiretos:
econômicas. Ele se esqueceu do caderno.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti- Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
quem não trabalhasse arduamente.
Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
Namorar
brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois
alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
anos.
gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de
Obedecer - Desobedecer Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Sempre transitivo indireto: Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Todos obedeceram às regras. Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Ninguém desobedece às leis. Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=
momentos é sujeito)
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas. Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Proceder Não simpatizei com os jurados.
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter Simpatizei com os alunos.
cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto A norma culta exige que os verbos e expressões que dão
adverbial de modo. ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
As afirmações da testemunha procediam, não havia Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
como refutá-las. Cláudia desceu ao segundo andar.
Você procede muito mal. Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo- 2 Regência Nominal


sição “de”) e fazer, executar (rege complemento introdu-
zido pela preposição “a”) é transitivo indireto. É o nome da relação existente entre um nome (subs-
O avião procede de Maceió. tantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por
Procedeu-se aos exames. esse nome. Essa relação é sempre intermediada por uma
O delegado procederá ao inquérito. preposição. No estudo da regência nominal, é preciso le-
LÍNGUA PORTUGUESA

var em conta que vários nomes apresentam exatamente


Querer o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer
vontade de, cobiçar. o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Ver-
Querem melhor atendimento. bo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem
Queremos um país melhor. complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, Obedecer a algo/ a alguém.
estimar, amar: Quero muito aos meus amigos. Obediente a algo/ a alguém.

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Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
LÍNGUA PORTUGUESA

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

95
Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
dos entre parênteses), temos:
EXERCÍCIO COMENTADO Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata-
da recentemente.
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe
– 2014 – adaptada) O verbo referir, de acordo com sua transitividade,
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, sé- classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos re-
ria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade ferimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição
das estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o
culturais de todos os Estados e sociedades. Suas con- pronome demonstrativo aquela (àquela).
sequências infligem considerável prejuízo às nações do
mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam Observações importantes:
por todos os cantos da sociedade e por todos os espaços Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
geográficos, afetando homens e mulheres de diferentes confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
grupos étnicos, independentemente de classe social e  Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
econômica ou mesmo de idade. Questão de relevância na equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
discussão dos efeitos adversos do uso indevido de drogas crase está confirmada.
é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes Os dados foram solicitados à diretora.
conexos — geralmente de caráter transnacional — com a Os dados foram solicitados ao diretor.
criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a so-  No caso de nomes próprios geográficos, substi-
berania nacional e afetam a estrutura social e econômica tui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso re-
interna, devendo o governo adotar uma postura firme de sulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da
combate ao tráfico de drogas, articulando-se internamen- crase.
te e com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar Faremos uma visita à Bahia.
seus mecanismos de prevenção e repressão e garantir o Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirma-
envolvimento e a aprovação dos cidadãos. da)
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>.
Não me esqueço da viagem a Roma.
Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja-
“com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do mais vividos.
vocábulo “conexos”.
Nas situações em que o nome geográfico se apresen-
( ) CERTO ( ) ERRADO tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está
confirmada.
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevân- Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas
cia na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de praias.
drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos
crimes conexos — geralmente de caráter transnacional
— com a criminalidade e a violência. #FicaDica
O termo está se referindo à associação – associação do
tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a criminali- Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
dade (2) (associação daquilo [1] com isso [2]) A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra
Crase quê?)
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)
A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a”
com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor-
pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo rerá crase. Veja:
e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se demar- que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
cada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à Irei à Salvador de Jorge Amado.
qual, às quais.
O uso do acento indicativo de crase está condiciona- A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
LÍNGUA PORTUGUESA

do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo regente exigir complemento regido da preposição “a”.
regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - Entregamos a encomenda àquela menina.
que exige complemento regido pela preposição “a”, e o (preposição + pronome demonstrativo)
termo regido é aquele que completa o sentido do termo
regente, admitindo a anteposição do artigo a(s). Iremos àquela reunião.
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela (preposição + pronome demonstrativo)
contratada recentemente.

96
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando Observações:
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)  Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
(preposição + pronome demonstrativo) cionando como uma locução adverbial feminina –
ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove
A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad- horas.
verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento  Diante de numerais ordinais femininos a crase está
grave: confirmada, visto que estes não podem ser empre-
 locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às gados sem o artigo: As saudações foram direciona-
pressas, à vontade... das à primeira aluna da classe.
 locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-  Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
cura de... essa não se apresentar determinada: Chegamos to-
 locuções conjuntivas: à proporção que, à medida dos exaustos a casa.
que. Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem exaustos à casa de Marcela.
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
Eu adoro a noite!  Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa
Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer indicar chão firme: Quando os navegantes regressa-
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não ram a terra, já era noite.
preposição. Contudo, se o termo estiver precedido por um de-
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase.
Casos passíveis de nota: Paulo viajou rumo à sua terra natal.
O astronauta voltou à Terra.
 A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.  Não ocorre crase antes de pronomes que reque-
 Também é facultativa diante de pronomes posses-
rem o uso do artigo.
sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
Os livros foram entregues a mim.
empresa.
Dei a ela a merecida recompensa.
 Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
ficará aberta até as (às) dezoito horas.
 Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
 Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o
sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos: uso da crase está confirmado no “a” que os antece-
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à de, no caso de o termo regente exigir a preposição.
moda de Luís XV) Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução
adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,  Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza-
observamos a queima de fogos a distância. do em sentido genérico ou indeterminado:
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos Estamos sujeitos a críticas.
uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes- Refiro-me a conversas paralelas.
tre foi arremessado à distância de cem metros.
 De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
-, faz-se necessário o emprego da crase. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Ensino à distância. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Ensino a distância. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
 Em locuções adverbiais formadas por palavras re- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
petidas, não há ocorrência da crase. Paulo: Saraiva, 2010.
Ela ficou frente a frente com o agressor.
Eu o seguirei passo a passo. SITE
http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra-
Casos em que não se admite o emprego da crase: se-.html

Antes de vocábulos masculinos.


As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Esta caneta pertence a Pedro. EXERCÍCIOS COMENTADOS
LÍNGUA PORTUGUESA

Antes de verbos no infinitivo. 1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe


Ele estava a cantar. – 2014 – adaptada) O acento indicativo de crase em “à
Começou a chover. humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, razão
por que sua supressão não prejudicaria a correção gra-
Antes de numeral. matical do texto.
O número de aprovados chegou a cem.
Faremos uma visita a dez países. ( ) CERTO ( ) ERRADO

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Resposta: Errado. Retomemos o contexto: (...) O uso 3. (Fnde – Técnico em Financiamento e Execução de
indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e per- Programas e Projetos Educacionais – cespe – 2012) O
sistente ameaça à humanidade e à estabilidade das es- emprego do sinal indicativo de crase em “adequando os
truturas e valores políticos (...). objetivos às necessidades” justifica-se pela regência do
O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já verbo adequar, que exige complemento regido pela pre-
que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple- posição “a”, e pela presença de artigo definido feminino
mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?” antes de “necessidades”.
= a regência nominal pede preposição.
( ) CERTO ( ) ERRADO
2. (TCE-PA – Conhecimentos Básicos – AUDITOR DE Resposta: Certo. Adequar o quê? – os objetivos (obje-
CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL – Cespe – to direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) neces-
2016) sidades – objeto indireto. A explicação do enunciado
está correta.
Texto CB1A1BBB
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com – 2014 – adaptada) No trecho “deu início à sua cami-
o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que nhada cósmica”, o emprego do acento grave indicativo
estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela de crase é obrigatório.
Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res-
ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria ( ) CERTO ( ) ERRADO
legislação destinada a assegurar, como alegam, maior
rigor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei Resposta: Errado. “deu início à sua caminhada cós-
de responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, mica” – o uso do acento indicativo de crase, neste caso,
fortalecer a estrutura legal que protege o dinheiro públi- é facultativo (antes de pronome possessivo).
co do mau uso por gestores irresponsáveis.
Examinando-se a situação financeira dos estados que
preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal,
fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000, CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os
demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão
do dinheiro público, para a criação de despesas e, em Concordância Verbal e Nominal
particular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo
descumprido algumas dessas regras, estariam interessa- Os concurseiros estão apreensivos.
dos em torná-las ainda mais rigorosas? Concurseiros apreensivos.
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis
pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum- No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro- terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-
sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na “apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do número e gênero se correspondem. A correspondência
setor público de adaptar suas despesas às receitas em de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
queda por causa da crise. ser verbal ou nominal.

Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adap- 1. Concordância Verbal


tações).
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da seu sujeito.
regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de-
finido feminino determinando o substantivo “receitas”. 1.1. Sujeito Simples - Regra Geral
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
( ) CERTO ( ) ERRADO em número e pessoa. Veja os exemplos:
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di- A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
receitas em queda por causa da crise = quem adapta,
adapta algo/alguém A algo/alguém. Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural

98
1.1.1. Casos Particulares Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver
no singular, o verbo ficará no singular.
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão par- Qual de nós é capaz?
titiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade Algum de vós fez isso.
de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...)
seguida de um substantivo ou pronome no plural, o E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
verbo pode ficar no singular ou no plural. que indica porcentagem seguida de substantivo, o
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. verbo deve concordar com o substantivo.
Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram 25% do orçamento do país será destinado à Educação.
proposta. 85% dos entrevistados não aprovam a administração
do prefeito.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos 1% do eleitorado aceita a mudança.
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vândalos 1% dos alunos faltaram à prova.
destruiu / destruíram o monumento.
 Quando a expressão que indica porcentagem não
Observação:
é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a uni-
com o número.
dade do conjunto; já a forma plural confere destaque aos
25% querem a mudança.
elementos que formam esse conjunto.
1% conhece o assunto.
B) Quando o sujeito é formado por expressão que indi-
ca quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos  Se o número percentual estiver determinado por
de, perto de...) seguida de numeral e substantivo, o artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
verbo concorda com o substantivo. -á com eles:
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. Os 30% da produção de soja serão exportados.
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade. Esses 2% da prova serão questionados.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últimas
Olimpíadas. F) O pronome “que” não interfere na concordância;
já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
Observação: do singular.
Quando a expressão “mais de um” se associar a verbos que Fui eu que paguei a conta.
exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Mais de um co- Fomos nós que pintamos o muro.
lega se ofenderam na discussão. (ofenderam um ao outro) És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Sou eu quem faz a prova.
C) Quando se trata de nomes que só existem no plu- Não serão eles quem será aprovado.
ral, a concordância deve ser feita levando-se em con-
ta a ausência ou presença de artigo. Sem artigo, o G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as-
verbo deve ficar no singular; com artigo no plural, o sumir a forma plural.
verbo deve ficar o plural. Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. taram os poetas.
Estados Unidos possui grandes universidades. Este candidato é um dos que mais estudaram!
Alagoas impressiona pela beleza das praias.
As Minas Gerais são inesquecíveis.  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.
dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
singular:
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou
Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, mui-
tos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou “de Nem uma das que me escreveram mora aqui.
vós”, o verbo pode concordar com o primeiro prono-
me (na terceira pessoa do plural) ou com o pronome  Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
pessoal. tantivo, o verbo pode:
Quais de nós são / somos capazes? 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves-
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? sa o Estado de São Paulo. ( já que não há outro rio
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino- que faça o mesmo).
vadoras. 2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
LÍNGUA PORTUGUESA

luídos (noção de que existem outros rios na mesma


Observação: condição).
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a in-
clusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz ou H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fizemos”, verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso não ocorre Vossa Excelência está cansado?
ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de tudo e nada Vossas Excelências renunciarão?
fizeram”, frase que soa como uma denúncia.

99
I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor-
de acordo com o numeral. dância é feita no plural. Observe:
Deu uma hora no relógio da sala. Abraçaram-se vencedor e vencido.
Deram cinco horas no relógio da sala. Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco. 1.2.1. Casos Particulares

Observação:  Quando o sujeito composto é formado por nú-


Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no sin-
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito. gular.
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. Descaso e desprezo marca seu comportamento.
Soa quinze horas o relógio da matriz. A coragem e o destemor fez dele um herói.

J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum  Quando o sujeito composto é formado por nú-
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin- cleos dispostos em gradação, verbo no singular:
gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se-
existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi- gundo me satisfaz.
cam fenômenos da natureza. Exemplos:
Havia muitas garotas na festa.  Quando os núcleos do sujeito composto são
Faz dois meses que não vejo meu pai. unidos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural,
Chovia ontem à tarde. de acordo com o valor semântico das conjunções:
Drummond ou Bandeira representam a essência da
1.2. Sujeito Composto poesia brasileira.
Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver- Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de
bo, a concordância se faz no plural: “adição”. Já em:
Pai e filho conversavam longamente. Juca ou Pedro será contratado.
Sujeito Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olim-
píada.
Pais e filhos devem conversar com frequência.
Sujeito Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
no singular.
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da seguin-  Com as expressões “um ou outro” e “nem um
te maneira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece nem outro”, a concordância costuma ser feita no singular.
sobre a segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece Um ou outro compareceu à festa.
sobre a terceira (eles). Veja: Nem um nem outro saiu do colégio.
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós)  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural
ou no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós)  Quando os núcleos do sujeito são unidos por
“com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos re-
Pais e filhos precisam respeitar-se. cebem um mesmo grau de importância e a palavra “com”
Terceira Pessoa do Plural (Eles) tem sentido muito próximo ao de “e”.
O pai com o filho montaram o brinquedo.
Observação: O governador com o secretariado traçaram os planos
Quando o sujeito é composto, formado por um ele- para o próximo semestre.
mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é O professor com o aluno questionaram as regras.
possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
de “tomaríeis”. a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
O pai com o filho montou o brinquedo.
C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo, O governador com o secretariado traçou os planos
LÍNGUA PORTUGUESA

passa a existir uma nova possibilidade de concordância: para o próximo semestre.


em vez de concordar no plural com a totalidade do sujei- O professor com o aluno questionou as regras.
to, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo
do sujeito mais próximo. Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
Faltaram coragem e competência. composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
Faltou coragem e competência. sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos
Compareceram todos os candidatos e o banca. adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou-
Compareceu o banca e todos os candidatos. vesse uma inversão da ordem. Veja:

100
“O pai montou o brinquedo com o filho.”
“O governador traçou os planos para o próximo semes- #FicaDica
tre com o secretariado.”
“O professor questionou as regras com o aluno.” Para saber se o “se” é partícula apassivadora
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
Casos em que se usa o verbo no singular: transformar a frase para a voz passiva. Se a fra-
Café com leite é uma delícia! se construída for “compreensível”, estaremos
O frango com quiabo foi receita da vovó. diante de uma partícula apassivadora; se não, o
“se” será índice de indeterminação. Veja:
Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex- Precisa-se de funcionários qualificados.
pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não Tentemos a voz passiva:
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, Funcionários qualificados são precisados (ou
o verbo ficará no plural. precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des-
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o tacado é índice de indeterminação do sujeito.
Nordeste. Agora:
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a Vendem-se casas.
notícia. Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-
Quando os elementos de um sujeito composto são vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva.
resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância Repare em meu destaque. Percebeu semelhan-
é feita com esse termo resumidor. ça? Agora é só memorizar!)
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apa-
tia.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante O Verbo “Ser”
na vida das pessoas.
1.2.2 Outros Casos A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o
sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân-
O Verbo e a Palavra “SE” cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há do sujeito.
duas de particular interesse para a concordância verbal:
A) quando é índice de indeterminação do sujeito; Quando o sujeito ou o predicativo for:
B) quando é partícula apassivadora.
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos SER concorda com a pessoa gramatical:
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na Ele é forte, mas não é dois.
terceira pessoa do singular: Fernando Pessoa era vários poetas.
Precisa-se de funcionários. A esperança dos pais são eles, os filhos.
Confia-se em teses absurdas.
B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver- plural, o verbo SER concordará, preferencialmente,
bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indi- com o que estiver no plural:
retos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse Os livros são minha paixão!
caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração. Minha paixão são os livros!
Exemplos:
Construiu-se um posto de saúde. Quando o verbo SER indicar
Construíram-se novos postos de saúde.
Aqui não se cometem equívocos  horas e distâncias, concordará com a expressão
Alugam-se casas. numérica:
É uma hora.
São quatro horas.
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô-
metros.

 datas, concordará com a palavra dia(s), que pode


estar expressa ou subentendida:
LÍNGUA PORTUGUESA

Hoje é dia 26 de agosto.


Hoje são 26 de agosto.

 Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida-


de e for seguido de palavras ou expressões como
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular:

101
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. a concordância pode variar. Podemos sistematizar
Duas semanas de férias é muito para mim. essa flexão nos seguintes casos:

 Quando um dos elementos (sujeito ou predica-  Adjetivo anteposto aos substantivos:


tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este O adjetivo concorda em gênero e número com o
concordará o verbo. substantivo mais próximo.
No meu setor, eu sou a única mulher. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Aqui os adultos somos nós. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Observação:
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre- Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
o pronome sujeito. As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Eu não sou ela. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Ela não é eu.
 Adjetivo posposto aos substantivos:
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu- ou com todos eles (assumindo a forma masculina
ral, o verbo SER concordará com o predicativo. plural se houver substantivo feminino e masculi-
A grande maioria no protesto eram jovens. no).
O resto foram atitudes imaturas. A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
O Verbo “Parecer” A indústria oferece localização e atendimento perfei-
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução tos.
verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concordân- A indústria oferece atendimento e localização perfei-
cias: tos.
 Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do Observação:
desenho. Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
 A variação do verbo parecer não ocorre e o infini- dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
tivo sofre flexão: no plural masculino, que é o gênero predominante quan-
As crianças parece gostarem do desenho. do há substantivos de gêneros diferentes.
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
aas crianças) jetivo fica no singular ou plural.
A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).
FIQUE ATENTO!
C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
fica no singular. Por exemplo: As paredes pa- vo não for acompanhado de nenhum modificador:
rece que têm ouvidos. (Parece que as paredes Água é bom para saúde.
têm ouvidos = oração subordinada substantiva O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
subjetiva). modificado por um artigo ou qualquer outro determina-
tivo: Esta água é boa para saúde.

Concordância Nominal D) O adjetivo concorda em gênero e número com os


pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
A concordância nominal se baseia na relação entre trou-as muito felizes.
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de DE + adjetivo, este último geralmente é usado no
LÍNGUA PORTUGUESA

um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno- masculino singular: Os jovens tinham algo de mis-
minal. terioso.
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
seguintes regras gerais: função adjetiva e concorda normalmente com o
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando nome a que se refere:
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas Cristina saiu só.
denunciavam o que sentia. Cristina e Débora saíram sós.

102
Observação: Bastante - Caro - Barato - Longe
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape-
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável: Estas palavras são invariáveis quando funcionam
Eles só desejam ganhar presentes. como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje-
#FicaDica tivos, ou numerais.
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Se Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
a frase ficar coerente com o primeiro, trata-se (pronome adjetivo)
de advérbio, portanto, invariável; se houver Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
coerência com o segundo, função de adjetivo, As casas estão caras. (adjetivo)
então varia: Achei barato este casaco. (advérbio)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
Ele está só descansando. (apenas descansando)
- advérbio Meio - Meia
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula de-
pois de “só”, haverá, novamente, um adjetivo: A palavra “meio”, quando empregada como adjeti-
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e des- vo, concorda normalmente com o nome a que se refere:
cansando) Pedi meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece inva-
G) Quando um único substantivo é modificado por riável: A candidata está meio nervosa.
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa-
das as construções:
 O substantivo permanece no singular e coloca-se #FicaDica
o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
espanhola e a portuguesa. Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
 O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo saberei que se trata de um advérbio, não de
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e adjetivo: “A candidata está um pouco nervosa”.
portuguesa.

1. Casos Particulares Alerta - Menos

É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per- Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
mitido sempre invariáveis.
Os concurseiros estão sempre alerta.
 Estas expressões, formadas por um verbo mais um Não queira menos matéria!
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
referem possuir sentido genérico (não vier prece- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
dido de artigo). Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
É proibido entrada de crianças. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Em certos momentos, é necessário atenção. Paulo: Saraiva, 2010.
No verão, melancia é bom. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
É preciso cidadania. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Não é permitido saída pelas portas laterais. Português: novas palavras: literatura, gramática, re-
dação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto
SITE
o verbo como o adjetivo concordam com ele.
É proibida a entrada de crianças. http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.
Esta salada é ótima. php
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação.

Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - Quite


EXERCÍCIOS COMENTADOS
LÍNGUA PORTUGUESA

Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú- 1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-
mero com o substantivo ou pronome a que se referem. pe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Excelência
Seguem anexas as documentações requeridas. e Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas sempre
A menina agradeceu: - Muito obrigada. na segunda pessoa do plural e no feminino, exigem fle-
Muito obrigadas, disseram as senhoras. xão verbal de terceira pessoa; além disso, o pronome
Seguem inclusos os papéis solicitados. possessivo que faz referência ao pronome de tratamen-
Estamos quites com nossos credores. to também deve ser o de terceira pessoa, e o adjetivo

103
que remete ao pronome de tratamento deve concordar - sem democracia, não existem as condições mínimas
em gênero e número com a pessoa — e não com o pro- para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis-
nome — a que se refere. tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural,
já que devemos concordar com “as condições míni-
( ) CERTO ( ) ERRADO mas”. A única “troca” adequada seria o verbo “haver”
– que pode ser utilizado com o sentido de “existir”.
Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân- Teríamos: sem direitos humanos reconhecidos e prote-
cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata- gidos, inexiste democracia; sem democracia, não há
mento devem ser na terceira pessoa e concordar em as condições mínimas para a solução pacífica dos con-
gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem flitos.
se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con-
cordará com quem está se falando: uma mulher ou um 3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Co-
homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” / mércio Exterior – Analista Técnico Administrativo –
“Vossas Senhorias gostariam de um café?”. cespe – 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita
com os resultados das negociações”, o adjetivo estará cor-
2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bási- retamente empregado se dirigido a ministro de Estado
cos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio – Ces- do sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve con-
pe – 2017) cordar com a locução pronominal de tratamento “Vossa
Excelência”.
Texto CB3A2BBB
( ) CERTO ( ) ERRADO
O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos
estão na base das Constituições democráticas modernas. Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re- do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto;
mas, se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá fle-
conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos
xão de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento
em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo
é apenas a maneira como tratar a autoridade, não re-
tempo, o processo de democratização do sistema in-
gendo as demais concordâncias.
ternacional, que é o caminho obrigatório para a busca
do ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma
4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe –
gradativa ampliação do reconhecimento e da proteção
2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocida-
dos direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos
de, persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge
humanos, democracia e paz são três elementos funda-
a noção contemporânea de agilidade, transformada em
mentais do mesmo movimento histórico: sem direitos principal característica de nosso tempo.
humanos reconhecidos e protegidos, não há democra- A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramati-
cia; sem democracia, não existem as condições mínimas cal para o texto, ser flexionada no plural, para concordar
para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras, com “velocidade, persistência, relevância, precisão e fle-
a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se xibilidade”
tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns
direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que ( ) CERTO ( ) ERRADO
não tenha a guerra como alternativa, somente quando
existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele Resposta: Errado. O verbo está concordando com o
Estado, mas do mundo. termo “combinação”, por isso deve ficar no singular.
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson 5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Conhe-
Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adap- cimentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINISTRAÇÃO
tações). PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014 – adapta-
da) (...) Há décadas, países como China e Índia têm envia-
Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A- do estudantes para países centrais, com resultados muito
2BBB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser positivos.(...)
substituídos, respectivamente, por A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída
a) não existe e não têm. por Fazem.
b) não existe e inexiste.
c) inexiste e não há. ( ) CERTO ( ) ERRADO
d) inexiste e não acontece.
LÍNGUA PORTUGUESA

e) não tem e não têm. Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empre-
gado no sentido de tempo passado, não sofre flexão.
Resposta: Letra C. Portanto, sua forma correta seria: “faz décadas”
Busquemos o contexto:
- sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não
há democracia = poderíamos substituir por “não exis-
te”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sentido
de “existir”)

104
3. Homônimos e Parônimos
ORAÇÕES REDUZIDAS.
Homônimos = palavras que possuem a mesma gra-
fia ou a mesma pronúncia, mas significados diferentes.
Podem ser
“Prezado candidato, o tópico acima foi abordado na
íntegra em: Frase, oração e período” A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife-
rentes na pronúncia:
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
COLOCAÇÃO PRONOMINAL.
nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).

B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e


“Prezado candidato, o tópico acima foi abordado na diferentes na escrita:
íntegra em: Classes de Palavras” acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni-
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio)
e passo (andar).
ESTILÍSTICA. FIGURAS DE LINGUAGEM.
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
Semântica é o estudo da significação das palavras e
das suas mudanças de significação através do tempo ou Parônimos = palavras com sentidos diferentes, po-
em determinada época. A maior importância está em rém de formas relativamente próximas. São palavras pa-
recidas na escrita e na pronúncia: cesta (receptáculo de
distinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antoní-
vime; cesta de basquete/esporte) e sesta (descanso após
mia) e homônimos e parônimos (homonímia / paroní-
o almoço), eminente (ilustre) e iminente (que está para
mia).
ocorrer), osso (substantivo) e ouço (verbo), sede (subs-
tantivo e/ou verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo),
1. Sinônimos
comprimento (medida) e cumprimento (saudação), autuar
(processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e infringir
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfa- (violar), deferir (atender a) e diferir (divergir), suar (trans-
beto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar pirar) e soar (emitir som), aprender (conhecer) e apreen-
- abolir. der (assimilar; apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) e
Duas palavras são totalmente sinônimas quando tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato (procu-
são substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto ração) e mandado (ordem), emergir (subir à superfície) e
(cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas imergir (mergulhar, afundar).
quando, ocasionalmente, podem ser substituídas, uma
pela outra, em deteminado enunciado (aguadar e espe- 4. Hiperonímia e Hiponímia
rar).
Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten-
Observação: cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo
A contribuição greco-latina é responsável pela exis- o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o
tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e hiperônimo, mais abrangente.
antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemi- O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô-
ciclo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e nimo, criando, assim, uma relação de dependência se-
diálogo; transformação e metamorfose; oposição e antí- mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi-
tese. peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
2. Antônimos Veículos é um hiperônimo de carros.
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em
São palavras que se opõem através de seu significa- quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili-
do: ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - cen- zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita
LÍNGUA PORTUGUESA

surar; mal - bem. a repetição desnecessária de termos.

Observação: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


A antonímia pode se originar de um prefixo de sen- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e antico- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
munista; simétrico e assimétrico. Paulo: Saraiva, 2010.

105
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. #FicaDica
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000. Procure associar Denotação com Dicionário:
trata-se de definição literal, quando o termo
SITE é utilizado com o sentido que consta no di-
http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,- cionário.
-antonimos,-homonimos-e-paronimos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Exemplos de variação no significado das palavras: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
literal) Paulo: Saraiva, 2010.
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
figurado) SITE
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado) http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota-
As variações nos significados das palavras ocasionam cao/
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
(conotação) das palavras. POLISSEMIA

A) Denotação Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir mul-


Uma palavra é usada no sentido denotativo quando tiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de um
apresenta seu significado original, independentemente contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra, mas
do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa- que abarca um grande número de significados dentro de
do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco- seu próprio campo semântico.
nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo perce-
que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li- bemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo.
teral da palavra. Possibilidades de várias interpretações levando-se em con-
A denotação tem como finalidade informar o recep- sideração as situações de aplicabilidade. Há uma infinidade
tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo de exemplos em que podemos verificar a ocorrência da po-
um caráter prático. É utilizada em textos informativos, lissemia:
como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu- O rapaz é um tremendo gato.
las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A O gato do vizinho é peralta.
palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos: Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so-
O elefante é um mamífero. brevivência
O passarinho foi atingido no bico.
As estrelas deixam o céu mais bonito!
Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de com-
B) Conotação
putadores e rede elétrica, por exemplo, temos em comum
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de “entre-
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes laçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, que pode
interpretações, dependendo do contexto em que esteja ser utilizada representando “tecido”, “prisão” ou “jogo” – o
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que sentido comum entre todas as expressões é o formato qua-
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua driculado que têm.
significação mediante a circunstância em que a mesma
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico. 1. Polissemia e homonímia
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co-
notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re- A confusão entre polissemia e homonímia é bastante co-
provação (tomei pau no concurso). mum. Quando a mesma palavra apresenta vários significados,
A conotação tem como finalidade provocar sentimen- estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando
tos no receptor da mensagem, através da expressividade duas ou mais palavras com origens e significados distintos têm
e afetividade que transmite. É utilizada principalmente a mesma grafia e fonologia, temos uma homonímia.
LÍNGUA PORTUGUESA

numa linguagem poética e na literatura, mas também A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é
anúncios publicitários, entre outros. Exemplos: polissemia porque os diferentes significados para a palavra
Você é o meu sol! “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma palavra polis-
Minha vida é um mar de tristezas. sêmica: pode significar o elemento básico do alfabeto, o tex-
Você tem um coração de pedra! to de uma canção ou a caligrafia de um determinado indiví-
duo. Neste caso, os diferentes significados estão interligados
porque remetem para o mesmo conceito, o da escrita.

106
2. Polissemia e ambiguidade

Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode ser
ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma interpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à colocação específica
de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequentemente são felizes.
Neste caso podem existir duas interpretações diferentes:
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação equilibrada.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma interpre-
tação. Para fazer a interpretação correta é muito importante saber qual o contexto em que a frase é proferida.
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, co-
micidade. Repare na figura abaixo:

(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).

Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, mas duas seriam:


Corte e coloração capilar
ou
Faço corte e pintura capilar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

SITE
http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.htm

EXERCÍCIO COMENTADO
1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de racio-
namento”. Assinale a opção que apresenta a forma de reescrever esse segmento, que altera o seu sentido original.

a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de racionamento.


b) O país teve como recurso recorrer a um programa de racionamento.
c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racionamento.
d) O país obrigou-se a recorrer a um programa de racionamento.
e) O Brasil optou por um programa de racionamento.

Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um programa de racionamento”. Assinale a opção que apresenta a for-
ma de reescrever esse segmento, QUE ALTERA O SEU SENTIDO ORIGINAL.
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de racionamento = mesmo sentido.


Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um programa de racionamento = mesmo sentido.
Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racionamento = mesmo sentido.
Em “d”: O país obrigou-se a recorrer a um programa de racionamento = mesmo sentido.
Em “e”: O Brasil optou por um programa de racionamento = mudança de sentido (segundo o enunciado, o país
não teve outra opção a não ser recorrer. Na alternativa, provavelmente havia outras opções, e o país escolheu a de
“recorrer”).

107
FIGURA DE LINGUAGEM, PENSAMENTO E CONSTRUÇÃO

Disponível em: <http://www.terapiadapalavra.com.br/figuras-de-linguagem-na-escrita-literaria/> Acesso abr,


2018.

A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico, seja
por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade. São
construções que transformam o significado das palavras para tirar delas maior efeito ou para construir uma mensagem
nova.

1. Tipos de Figuras de Linguagem

1.1. Figuras de Som

Aliteração - Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa)
Quem com ferro fere com ferro será ferido.

Assonância - Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos: “Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”

Onomatopeia - Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da realidade: Os sinos faziam
blem, blem, blem.
Paranomásia – é o uso de sons semelhantes em palavras próximas: “A fossa, a bossa, a nossa grande dor...” (Carlos
Lyra)

1.2. Figuras de Palavras ou de Pensamento

1.2.1. Metáfora

Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em
virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e percebe entre elas certas semelhanças. É o emprego da
palavra fora de seu sentido normal.

Observação:
Toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.
Seus olhos são como luzes brilhantes.
LÍNGUA PORTUGUESA

O exemplo acima mostra uma comparação evidente, através do emprego da palavra como.
Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes.
Neste exemplo não há mais uma comparação (note a ausência da partícula comparativa), e sim símile, ou seja, qua-
lidade do que é semelhante.
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me. Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Esta é
a verdadeira metáfora.

108
Outros exemplos: algumas palavras fora de seu sentido original. Exemplos:
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando Pes- “asa da xícara”, “batata da perna”, “maçã do rosto”, “pé da
soa) mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do abacaxi”.
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que
o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio 1.2.4. Perífrase ou Antonomásia
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a
fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.). Trata-se de uma expressão que designa um ser através
de alguma de suas características ou atributos, ou de um
Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar al- fato que o celebrizou. É a substituição de um nome por ou-
gum. tro ou por uma expressão que facilmente o identifique:
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na frase A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua
acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que atraindo visitantes do mundo todo.
indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente A Cidade-Luz (=Paris)
inútil), há uma comparação subentendida: Minha alma é O rei das selvas (=o leão)
tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma estrada de
terra que leva a lugar algum. Observação:
Quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o
A Amazônia é o pulmão do mundo. nome de antonomásia. Exemplos:
Em sua mente povoa só inveja. O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida prati-
cando o bem.
1.2.2. Metonímia (ou sinédoque) O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito
jovem.
É a substituição de um nome por outro, em virtude de O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.
existir entre eles algum relacionamento. Tal substituição
pode acontecer dos seguintes modos:
1.2.4. Sinestesia
Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (=
Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis).
Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sen-
Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= As
sações percebidas por diferentes órgãos do sentido. É o
lâmpadas iluminam o mundo).
cruzamento de sensações distintas.
Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da
Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito =
cruz. (= Não te afastes da religião).
auditivo; áspero = tátil)
Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso Ha-
No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os aconte-
vana. (= Fumei um saboroso charuto).
Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates cimentos. (silêncio = auditivo; escuro = visual)
tomou veneno). Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil)
Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu tra-
balho. (= Moro no campo e como o alimento que produzo). 1.2.5. Antítese
Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Be-
beu todo o líquido que estava no cálice). Consiste no emprego de palavras que se opõem
Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones quanto ao sentido. O contraste que se estabelece serve,
foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás dos essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envol-
jogadores). vidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos
Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressada- mesmos. Observe os exemplos:
mente. (= Várias pessoas passavam apressadamente). “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nes- O corpo é grande e a alma é pequena.
se mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse mundo). “Quando um muro separa, uma ponte une.”
Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às Não há gosto sem desgosto.
ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram chama-
das, não apenas uma mulher). 1.2.6. Paradoxo ou oximoro
Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (= Mi-
nha filha adora o iogurte que é da marca Danone). É a associação de ideias, além de contrastantes, con-
Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns traditórias. Seria a antítese ao extremo.
astronautas foram à Lua). Era dor, sim, mas uma dor deliciosa.
Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá Ouvimos as vozes do silêncio.
LÍNGUA PORTUGUESA

para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado).


1.2.7. Eufemismo
1.2.3. Catacrese
É o emprego de uma expressão mais suave, mais no-
Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo, bre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa ás-
cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por pera, desagradável ou chocante.
falta de um termo específico para designar um conceito, Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Se-
toma-se outro “emprestado”. Assim, passamos a empregar nhor. (= morreu)

109
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou) O objetivo do narrador é mostrar a expressividade
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu) dos olhos de Joana. Para chegar a este detalhe, ele se
Faltar à verdade. (= mentir) refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e
seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em
1.2.8. Ironia ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:
“Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu
É sugerir, pela entoação e contexto, o contrário do amor”. (Olavo Bilac)
que as palavras ou frases expressam, geralmente apre- “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, co-
sentando intenção sarcástica. A ironia deve ser muito lheu-se.” (Padre Antônio Vieira)
bem construída para que cumpra a sua finalidade; mal
construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à 1.3.3. Elipse
desejada pelo emissor.
Como você foi bem na prova! Não tirou nem a nota Consiste na omissão de um ou mais termos numa
mínima. oração e que podem ser facilmente identificados, tanto
por elementos gramaticais presentes na própria oração,
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos
quanto pelo contexto.
que estão por perto.
A catedral da Sé. (a igreja catedral)
O governador foi sutil como um elefante.
Domingo irei ao estádio. (no domingo eu irei ao es-
tádio)
1.2.9. Hipérbole
1.3.4. Zeugma
É a expressão intencionalmente exagerada com o in-
tuito de realçar uma ideia. Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é feita
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso. a omissão de um termo já mencionado anteriormente.
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac) Ele gosta de geografia; eu, de português. (eu gosto de
O concurseiro quase morre de tanto estudar! português)
Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só
1.2.10. Prosopopeia ou Personificação modernos. (só havia móveis)
Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
É a atribuição de ações ou qualidades de seres ani-
mados a seres inanimados, ou características humanas a 1.3.5. Silepse
seres não humanos. Observe os exemplos:
As pedras andam vagarosamente. A silepse é a concordância que se faz com o termo
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um que não está expresso no texto, mas, sim, subentendido.
cego que guia. É uma concordância anormal, psicológica, porque se faz
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra. com um termo oculto, facilmente identificado. Há três ti-
Chora, violão. pos de silepse: de gênero, número e pessoa.
1.3. Figuras de Construção ou de Sintaxe
Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino e fe-
1.3.1. Apóstrofe minino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordân-
cia se faz com a ideia que o termo comporta. Exemplos:
Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma
coisa personificada, de acordo com o objetivo do dis- A) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o
calor intenso.
curso, que pode ser poético, sagrado ou profano. Carac-
Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando
teriza-se pelo chamamento do receptor da mensagem,
com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence
seja ele imaginário ou não. A introdução da apóstrofe
ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo
interrompe a linha de pensamento do discurso, desta-
(a cidade de Porto Velho).
cando-se assim a entidade a que se dirige e a ideia que
se pretende pôr em evidência com tal invocação. Reali- B) Vossa Excelência está preocupado.
za-se por meio do vocativo. Exemplos: O adjetivo preocupado concorda com o sexo da pes-
Moça, que fazes aí parada? soa, que nesse caso é masculino, e não com o termo Vos-
“Pai Nosso, que estais no céu” sa Excelência.
Deus, ó Deus! Onde estás?
LÍNGUA PORTUGUESA

Silepse de Número - Os números são singular e


1.3.2. Gradação (ou clímax) plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da
oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da
Apresentação de ideias por meio de palavras, sinôni- oração, mas com a ideia que nele está contida. Exemplos:
mas ou não, em ordem ascendente (clímax) ou descen- A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade
dente (anticlímax). Observe este exemplo: de Salvador.
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto.
com seus olhos claros e brincalhões...

110
Note que nos exemplos acima, os verbos andaram e
gritavam não concordam gramaticalmente com os sujei- Observação:
tos das orações (que se encontram no singular, procissão O pleonasmo só tem razão de ser quando confere
e povo, respectivamente), mas com a ideia que neles está mais vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonas-
contida. Procissão e povo dão a ideia de muita gente, por mo vicioso:
isso que os verbos estão no plural. Vi aquela cena com meus próprios olhos.
Vamos subir para cima.
Silepse de Pessoa - Três são as pessoas gramaticais: Ele desceu pra baixo.
eu, tu e ele (as três pessoas do singular); nós, vós, eles (as
três do plural). A silepse de pessoa ocorre quando há um 1.3.8. Anáfora
desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não con-
corda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa que É a repetição de uma ou mais palavras no início de
está inscrita no sujeito. Exemplos: várias frases, criando, assim, um efeito de reforço e de
O que não compreendo é como os brasileiros persista- coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão em cau-
mos em aceitar essa situação. sa é posta em destaque, permitindo ao escritor valorizar
Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho. determinado elemento textual. Os termos anafóricos po-
“Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jardins dem muitas vezes ser substituídos por pronomes.
públicos.” (Machado de Assis) Encontrei um amigo ontem. Ele me disse que te co-
nhecia.
Observe que os verbos persistamos, temos e somos não “Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo aca-
concordam gramaticalmente com os seus sujeitos (brasi- ba.” (Padre Vieira)
leiros, agricultores e cariocas, que estão na terceira pessoa),
mas com a ideia que neles está contida (nós, os brasileiros, 1.3.9. Anacoluto
os agricultores e os cariocas).
Consiste na mudança da construção sintática no meio
1.3.6. Polissíndeto / Assíndeto da frase, ficando alguns termos desligados do resto do
período. É a quebra da estrutura normal da frase para a
Para estudarmos as duas figuras de construção é ne-
introdução de uma palavra ou expressão sem nenhuma
cessário recordar um conceito estudado em sintaxe sobre
ligação sintática com as demais.
período composto. No período composto por coordena-
Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
ção, podemos ter orações sindéticas ou assindéticas. A
Morrer, todo haveremos de morrer.
oração coordenada ligada por uma conjunção (conectivo)
Aquele garoto, você não disse que ele chegaria logo?
é sindética; a oração que não apresenta conectivo é assin-
dética. Recordado esse conceito, podemos definir as duas
figuras de construção: A expressão “esses alunos da escola”, por exemplo,
A) Polissíndeto - É uma figura caracterizada pela re- deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há uma
petição enfática dos conectivos. Observe o exem- interrupção da frase e esta expressão fica à parte, não
plo: O menino resmunga, e chora, e grita, e ninguém exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto tam-
faz nada. bém é chamado de “frase quebrada”, pois corresponde
B) Assíndeto - É uma figura caracterizada pela au- a uma interrupção na sequência lógica do pensamento.
sência, pela omissão das conjunções coordenativas,
resultando no uso de orações coordenadas assindé- Observação:
ticas. Exemplos: O anacoluto deve ser usado com finalidade expressi-
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família. va em casos muito especiais. Em geral, evite-o.
“Vim, vi, venci.” (Júlio César)
1.3.10. Hipérbato / Inversão
1.3.7. Pleonasmo
É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as ordem direta dos termos da oração, fazendo com que o
mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é sujeito venha depois do predicado:
realçar a ideia, torná-la mais expressiva. Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo. amor venceu ao ódio)
Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria:
Nesta oração, os termos “o problema da violência” e “lo” Eu cuido dos meus problemas)
exercem a mesma função sintática: objeto direto. Assim, te-
LÍNGUA PORTUGUESA

mos um pleonasmo do objeto direto, sendo o pronome “lo”


classificado como objeto direto pleonástico. Outro exemplo: #FicaDica
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas. O nosso Hino Nacional é um exemplo de
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos:
“As margens plácidas do Ipiranga ouviram o
Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o brado retumbante de um povo heroico”.
pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto pleo-
nástico.

111
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIO-


TECONOMIA SUPERIOR – FGV/2014 - adaptada) Ao dizer que os shoppings são “cidades”, faz-se o uso de um tipo
de linguagem figurada denominada

a) metonímia.
b) eufemismo.
c) hipérbole.
d) metáfora.
e) catacrese.

Resposta: Letra D. A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e trans-
portá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma simila-
ridade existente entre as duas.
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)

2. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS – SUPERIOR - CONPASS/2014)


Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:

a) metonímia
b) prosopopeia
c) hipérbole
d) eufemismo
e) onomatopeia

Resposta: Letra D. “Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para
comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão “deram suas
vidas por nós” no lugar de “que morreram por nós”.

3. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE – SUPERIOR - COPEVE/UFAL/2014)


Está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto.
O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta terça-feira, horário
do dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um termômetro de contato, chegou a
65ºC. Para fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse aproximadamente 90ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.

O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa uma figura de lingua-
LÍNGUA PORTUGUESA

gem. O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem?

a) Eufemismo.
b) Hipérbole.
c) Paradoxo.
d) Metonímia.
e) Hipérbato.

112
Resposta: Letra B. A expressão é um exagero! Ela ser-
ve apenas para representar o calor excessivo que está
fazendo. A figura que é utilizada “mil vezes” (!) para HORA DE PRATICAR!
atingir tal objetivo é a hipérbole.
1. (MAPA – Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Mé-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS dico Veterinário – Superior – ESAF – 2017) Assinale a
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa opção que apresenta desvio de grafia da palavra.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chi-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- nesa que favorece a regularização dos processos fisiológi-
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. – cos do corpo, no sentido de promover ou recuperar o estado
São Paulo: Saraiva, 2010. natural de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventiva-
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, mente (1) para evitar o desenvolvimento de doenças, como
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira terapia curativa no caso de a doença estar instalada ou
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – como método paliativo (2) em casos de doenças crônicas
São Paulo: Saraiva, 2002. de difícil tratamento. Tem também uma ação importante
na medicina rejenerativa (3) e na reabilitação. O trata-
SITES mento de acupuntura consiste na introdução de agulhas
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- filiformes no corpo dos animais. Em geral são deixadas
coes/estil/estil8.php> cerca de 15 a 20 minutos. A colocação das agulhas não é
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- dolorosa para os animais e é possível observar durante os
coes/estil/estil5.php> tratamentos diferentes reações fisiológicas (4), indicadoras
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- de que o tratamento está atingindo o efeito terapêutico
coes/estil/estil2.php> (5) desejado.

Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acu-
puntura-fitoterapia-e-homeopatia.html/>. Acesso em
28/11/2017. (Com adaptações)

a) (1)
b) (2)
c) (3)
d) (4)
e) (5)

2. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área


Administrativa – Médio – FCC – 2017) Respeitando-se
as normas de redação do Manual da Presidência da Re-
pública, a frase correta é:

a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilida-


de de implementação de projeto de treinamento de
pessoal para operar os novos equipamentos gráficos a
serem instalados em seu setor.
b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, sobre a data em
que Vossa Excelência pretende nomear vosso repre-
sentante na Comissão Organizadora.
c) Digníssimo Senhor: eu venho por esse comunicado,
informar, que será organizado seminário, sobre o uso
eficiente de recursos hídricos, em data ainda a ser de-
finida.

d) Haja visto que o projeto anexo contribue para o de-


senvolvimento do setor em questão, informamos, por
meio deste Ofício, que será amplamente analisado por
LÍNGUA PORTUGUESA

especialistas.
e) Neste momento, conforme solicitação enviada à Vos-
sa Senhoria anexo, não se deve adotar medidas que
possam com- prometer vossa realização do projeto
mencionado.

113
3. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) Analise as assertivas abaixo:

I. O ladrão era de menor.


II. Não há regra sem exceção.
III. É mais saudável usar menas roupa no calor.
IV. O policial foi à delegacia em compania do meliante.
V. Entre eu e você não existe mais nada.

A opção que apresenta vícios de linguagem é:

a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e IV.
d) I, III, IV e V.
e) III, IV e V.

4. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em que todas
as palavras estão corretas:

a) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.


b) supracitado – semi-novo – telesserviço.
c) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
d) contrarregra – autopista – semi-aberto.
e) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

5. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) O uso correto do porquê está na opção:

a) Por quê o homem destrói a natureza?


b) Ela chorou por que a humilharam.
c) Você continua implicando comigo porque sou pobre?
d) Ninguém sabe o por quê daquele gesto.
e) Ela me fez isso, porquê?

6. (TJ-PA – Médico Psiquiatra – Superior – VUNESP – 2014)

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa, considerando que o termo que preenche a terceira lacuna é empregado para indicar que um evento está
prestes a acontecer

a) anúncio ... A ... Iminente.


LÍNGUA PORTUGUESA

b) anuncio ... À ... Iminente.


c) anúncio ... À ... Iminente.
d) anúncio ... A ... Eminente.
e) anuncio ... À ... Eminente.

114
7. (CEFET-RJ – REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO e) (5).
– 2014) Observe a grafia das palavras do trecho a seguir. 11. (Estrada de Ferro Campos do Jordão-SP – Analista
A macro-história da humanidade mostra que todos en- Ferroviário – Oficinas – Elétrica – IDERH – 2014) Leia
caram os relatos pessoais como uma forma de se man- as orações a seguir:
terem vivos. Desde a idade do domínio do fogo até a era Minha mãe sempre me aconselha a evitar as _____ compa-
das multicomunicações, os homens tem demonstrado que nhias. (mas/más)
querem pôr sua marca no mundo porque se sentem su- A cauda do vestido da noiva tinha um _________ enorme.
periores. (cumprimento/comprimento)
A palavra que NÃO está grafada corretamente é Precisamos fazer as compras do mês, pois a _________ está
vazia. (despensa/dispensa).
a) macro-história.
b) multicomunicações. Completam, correta e respectivamente, as lacunas acima
c) tem. os expostos na alternativa:
d) pôr.
a) mas – cumprimento – despensa.
e) porque.
b) más – comprimento – despensa.
c) más – cumprimento – dispensa.
8. (Liquigás – Profissional Júnior – Ciências Contábeis
d) mas – comprimento – dispensa.
– cegranrio – 2014) O grupo em que todas as palavras e) más – comprimento – dispensa.
estão grafadas de acordo com a norma-padrão da Lín-
gua Portuguesa é 12. (TRT-2ª REGIÃO-SP – Técnico Judiciário - Área Ad-
ministrativa – Médio – FCC – 2014) Está redigida com
a) gorjeta, ogeriza, lojista, ferrujem clareza e em consonância com as regras da gramática
b) pedágio, ultrage, pagem, angina normativa a seguinte frase:
c) refújio, agiota, rigidez, rabujento
d) vigência, jenipapo, fuligem, cafajeste a) Queremos, ou não, ele será designado para dar a pa-
e) sargeta, jengiva, jiló, lambujem lavra final sobre a polêmica questão, que, diga-se de
passagem, tem feito muitos exitarem em se pronun-
9. (SIMAE – Agente Administrativo – ASSCON-PP – ciar.
2014) Assinale a alternativa que apresenta apenas pala- b) Consultaram o juíz acerca da possibilidade de voltar
vras escritas de forma incorreta. atraz na suspensão do jogador, mas ele foi categórico
quanto a impossibilidade de rever sua posição.
a) Cremoso, coragem, cafajeste, realizar; c) Vossa Excelência leu o documento que será apresen-
b) Caixote, encher, análise, poetisa; tado em rede nacional daqui a pouco, pela voz de Sua
c) Traje, tanger, portuguesa, sacerdotisa; Excelência, o Senhor Ministro da Educação?
d) Pagem, mujir, vaidozo, enchergar; d) A reportagem sobre fascínoras famosos não foi nada
positiva para o público jovem que estava presente, de
10. (Receita Federal – Auditor Fiscal – ESAF – 2014) que se desculparam os idealizadores do programa.
Assinale a opção que corresponde a erro gramatical ou e) Estudantes e professores são entusiastas de oferecer
de grafia de palavra inserido na transcrição do texto. aos jovens ingressantes no curso o compartilhamento
de projetos, com que serão também autores.
A Receita Federal nem sempre teve esse (1) nome. Secre-
taria da Receita Federal é apenas a mais recente denomi- 13. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014)
nação da Administração Tributária Brasileira nestes cinco A acentuação correta está na alternativa:
séculos de existência. Sua criação tornou-se (2) necessária
para modernizar a máquina arrecadadora e fiscalizadora, a) eu abençôo – eles crêem – ele argúi.
bem como para promover uma maior integração entre o b) platéia – tuiuiu – instrui-los.
Fisco e os Contribuintes, facilitando o cumprimento ex- c) ponei – geléia – heroico.
pontâneo (3) das obrigações tributárias e a solução dos d) eles têm – ele intervém – ele constrói.
eventuais problemas, bem como o acesso às (4) informa- e) lingüiça – feiúra – idéia.
ções pessoais privativas de interesse de cada cidadão. O
surgimento da Secretaria da Receita Federal representou 14. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – AOCP –
um significativo avanço na facilitação do cumprimento 2014) A palavra que está acentuada corretamente é:
das obrigações tributárias, contribuindo para o aumento
da arrecadação a partir (5) do final dos anos 60. a) Históriar.
LÍNGUA PORTUGUESA

(Adaptado de <http://www.receita.fazenda.gov.br/srf/ b) Memórial.


historico.htm>. Acesso em: 17 mar. 2014.) c) Métodico.
d) Própriedade.
a) (1). e) Artifício.
b) (2).
c) (3).
d) (4).

115
21. (Prefeitura de Brusque-sc – Educador Social – fe-
15. (prodam-am – assistente – funcab – 2014 – adap- pese – 2014) Assinale a alternativa em que só palavras
tada) Assinale a opção em que o par de palavras foi paroxítonas estão apresentadas.
acentuado segundo a mesma regra.
a) facilitada, minha, canta, palmeiras
a) saúde-países b) maná, papá, sinhá, canção
b) Etíope-juízes c) cá, pé, a, exílio
c) olímpicas-automóvel d) terra, pontapé, murmúrio, aves
d) vocês-público e) saúde, primogênito, computador, devêssemos
e) espetáculo-mensurável
22. (Ministério do Desenvolvimento Agrário – Técni-
16. (Advocacia Geral da União – Técnico em Contabi- co em Agrimensura – funcab – 2014) A alternativa que
lidade – idecan – 2014) Os vocábulos “cinquentenário” apresenta palavra acentuada por regra diferente das de-
e “império” são acentuados devido à mesma justificativa. mais é:
O mesmo ocorre com o par de palavras apresentado em
a) dúvidas.
a) prêmio e órbita. b) muitíssimos.
b) rápida e tráfego c) fábrica.
c) satélite e ministério. d) mínimo.
d) pública e experiência. e) impossível.
e) sexagenário e próximo.
23. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab
17. (Rioprevidência – Especialista em Previdência So- – 2014) Assinale a alternativa em que todas as palavras
cial – ceperj – 2014) A palavra “conteúdo” recebe acen- foram acentuadas segundo a mesma regra.
tuação pela mesma razão de:
a) indivíduos - atraí(-las) - período
a) juízo b) saíram – veículo - construído
b) espírito c) análise – saudável - diálogo
c) jornalístico d) hotéis – critérios - através
d) mínimo e) econômica – após – propósitos
e) disponíveis
24. (Corpo de Bombeiros Militar-pi – Curso de Forma-
18. (Ministério do Meio Ambiente – icmbio – cespe – ção de Soldados – uespi – 2014) “O evento promove a
2014) A mesma regra de acentuação gráfica se aplica aos saúde de modo integral.” A regra que justifica o acento
vocábulos “Brasília”, “cenário” e “próprio”. gráfico no termo destacado é a mesma que justifica o
acento em:
( ) CERTO ( ) ERRADO
a) “remédio”.
19. (Prefeitura de Balneário Camboriú-sc – Guarda b) “cajú”.
Municipal – fepese – 2014 – adaptada) Assinale a alter- c) “rúbrica”.
nativa em que todas as palavras são oxítonas. d) “fráude”.
e) “baú”.
a) pé, lá, pasta
b) mesa, tábua, régua 25. (TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrativa
c) livro, prova, caderno – Médio – FGV – 2015)
d) parabéns, até, televisão Texto 3 – “A Lua Cheia entra em sua fase Crescente no
e) óculos, parâmetros, título signo de Gêmeos e vai movimentar tudo o que diz respeito
à sua vida profissional e projetos de carreira. Os próximos
dias serão ótimos para dar andamento a projetos que co-
20. (Advocacia Geral da União – Técnico em Comuni- meçaram há alguns dias ou semanas. Os resultados che-
cação Social – idecan – 2014) Assinale a alternativa em garão rapidamente”.
que a acentuação de todas as palavras está de acordo
com a mesma regra da palavra destacada: “Procuradorias O texto 3 mostra exemplos de emprego correto do “a”
comprovam necessidade de rendimento satisfatório para com acento grave indicativo da crase – “diz respeito à sua
vida profissional”. A frase abaixo em que o emprego do
LÍNGUA PORTUGUESA

renovação do FIES”.
acento grave da crase é corretamente empregado é:
a) após / pó / paletó
b) moído / juízes / caído a) o texto do horóscopo veio escrito à lápis;
c) história / cárie / tênue b) começaram à chorar assim que leram as previsões;
c) o horóscopo dizia à cada leitora o que devia fazer;
d) álibi / ínterim / político
d) o leitor estava à procura de seu destino;
e) êxito / protótipo / ávido
e) o astrólogo previa o futuro passo à passo

116
26. (Prefeitura de Sertãozinho-SP – Farmacêutico – 30. (prefeitura de são Paulo-sp – técnico em saúde –
Superior – VUNESP – 2017) O sinal indicativo de crase laboratório – médio – vunesp – 2014) Reescrevendo-se
está empregado corretamente nas duas ocorrências na o segmento frasal – ... incitá-los a reagir e a enfrentar o
alternativa: desconforto, ... –, de acordo com a regência e o acento
indicativo da crase, tem-se:
a) Muitos indivíduos são propensos à associar, inadverti-
damente, tristeza à depressão. a) ... incitá-los à reação e ao enfrentamento do descon-
b) As pessoas não querem estar à mercê do sofrimento, forto, ...
por isso almejam à pílula da felicidade. b) ... incitá-los a reação e o enfrentamento do descon-
c) À proporção que a tristeza se intensifica e se prolonga, forto, ...
pode-se, à primeira vista, pensar em depressão. c) ... incitá-los à reação e à enfrentamento do descon-
d) À rigor, os especialistas não devem receitar remédios forto, ...
às pessoas antes da realização de exames acurados. d) ... incitá-los à reação e o enfrentamento do descon-
e) Em relação à informação da OMS, conclui-se que exis- forto, ...
tem 121 milhões de pessoas à serem tratadas de de- e) ... incitá-los a reação e à enfrentamento do descon-
pressão. forto, ..

27. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área 31. (CONAB – Contabilidade – Superior – IADES –
Administrativa – Médio – FCC – 2017) É difícil planejar 2014 – adaptada) Considerando o trecho “atualizou os
uma cidade e resistir à tentação de formular um projeto dados relativos à produção de grãos no Brasil.” e conforme
de sociedade. a norma-padrão, assinale a alternativa correta.
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o ver-
bo sublinhado acima seja substituído por: a) a crase foi empregada indevidamente no trecho.
b) o autor poderia não ter empregado o sinal indicativo
a) não acatar. de crase.
b) driblar. c) se “produção” estivesse antecedida por essa, o uso do
c) controlar. sinal indicativo de crase continuaria obrigatório.
d) superar. d) se, no lugar de “relativos”, fosse empregado referen-
e) não sucumbir. tes, o uso do sinal indicativo de crase passaria a ser
28. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área facultativo.
Administrativa – Médio – FCC – 2017) A frase em que e) caso o vocábulo minha fosse empregado imediata-
há uso adequado do sinal indicativo de crase encontra-se mente antes de “produção”, o uso do sinal indicativo
de crase seria facultativo.
em:
32. (Sabesp-SP – atendente a clientes – Médio – fcc
a) A tendência de recorrer à adaptações aparece com
– 2014 – adaptada) No trecho Refiro-me aos livros que
maior força na Hollywood do século 21.
foram escritos e publicados, mas estão – talvez para sem-
b) É curioso constatar a rapidez com que o cinema agre- pre – à espera de serem lidos, o uso do acento de crase
gou à máxima. obedece à mesma regra seguida em:
c) A busca pela segurança leva os estúdios à apostarem
em histórias já testadas e aprovadas. a) Acostumou-se àquela situação, já que não sabia como
d) Tal máxima aplica-se perfeitamente à criação de peças evitá-la.
de teatro. b) Informou à paciente que os remédios haviam surtido
e) Há uma massa de escritores presos à contratos fixos efeito.
em alguns estúdios. c) Vou ficar irritada se você não me deixar assistir à no-
vela.
29. (Prefeitura de Marília-SP – Auxiliar de Escrita – d) Acabou se confundindo, após usar à exaustão a velha
Médio – VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que fórmula.
o sinal indicativo de crase está empregado corretamente. e) Comunique às minhas alunas que as provas estão cor-
rigidas.
a) A voluntária aconselhou a remetente à esquecer o
amor de infância. 33. (TRT-AL – Analista Judiciário – Superior – FCC–
b) O carteiro entregou às voluntárias do Clube de Julieta 2014) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chi-
uma nova remessa de cartas. nesas...
c) O médico ofereceu à um dos remetentes apoio psico- O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
LÍNGUA PORTUGUESA

lógico. plemento que o da frase acima está em:


d) As integrantes do Clube levaram horas respondendo
à diversas cartas. a) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
e) O Clube sugeriu à algumas consulentes que fizessem b) Esses caminhos floresceram durante os primórdios da
novas amizades. Idade Média.
c) ... viajavam por cordilheiras...
d) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
e) O maquinista empurra a manopla do acelerador.

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34. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE – 38. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab –
UFAL – 2014) Na afirmação abaixo, de Padre Vieira, 2014) O termo destacado em: “As pessoas estão sempre
“O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o pica- muito ATAREFADAS.” exerce a seguinte função sintática:
ram a ele... Cuidais que o sermão vos picou a vós” o subs-
tantivo “espinhos” tem, respectivamente, função sintática a) objeto direto.
de, b) objeto indireto.
c) adjunto adverbial.
a) objeto direto/objeto direto. d) predicativo.
b) sujeito/objeto direto. e) adjunto adnominal.
c) objeto direto/sujeito.
d) objeto direto/objeto indireto. 39. (trt-13ª região-pb – Técnico Judiciário – Tecnolo-
e) sujeito/objeto indireto. gia da Informação – Médio – fcc – 2014) Ao mesmo
tempo, as elites renunciaram às ambições passadas...
35. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE – O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
UFAL – 2014) No texto, “Arranca o estatuário uma pedra plemento que o grifado acima está empregado em:
dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e, depois
que desbastou o mais grosso, toma o maço e cinzel na a) Faltam-nos precedentes históricos para...
mão para começar a formar um homem, primeiro mem- b) Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro...
bro a membro e depois feição por feição.” c) Esse novo espectro comprova a novidade de nossa si-
VIEIRA, P. A. In Sermão do Espírito Santo. Acervo da Aca- tuação...
demia Brasileira de Letras d) As redes sociais eram atividades de difícil implemen-
A oração sublinhada exerce uma função de tação...
e) ... como se imitássemos o padrão de conforto...
a) causalidade.
b) conclusão. 40. (Cia de Serviços de Urbanização de Guarapuava-
c) oposição. -pr – Agente de Trânsito – consulplam – 2014) Quanto
d) concessão. à função que desempenha na sintaxe da oração, o trecho
e) finalidade. em destaque “Tenho uma dor que passa daqui pra lá e de
lá pra cá” corresponde a:

36. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – Superior a) Oração subordinada adjetiva restritiva.


– AOCP – 2014) Em “Se a ‘cura’ fosse cara, apenas uma b) Oração subordinada adjetiva explicativa.
pequena fração da sociedade teria acesso a ela.”, a expres- c) Adjunto adnominal.
são em destaque funciona como: d) Oração subordinada adverbial espacial.
41. (Advocacia-Geral da União – Técnico em Comu-
a) objeto direto. nicação Social – idecan – 2014) Acerca das relações
b) adjunto adnominal. sintáticas que ocorrem no interior do período a seguir
c) complemento nominal. “Policiais de Los Angeles tomam facas de criminosos, per-
d) sujeito paciente. seguem bêbados na estrada e terminam o dia na delega-
e) objeto indireto. cia fazendo seu relatório.”, é correto afirmar que
37. (EBSERH – HUSM-UFSM-RS – Analista Adminis-
a) “o dia” é sujeito do verbo “terminar”.
trativo – Jornalismo – Superior – AOCP – 2014)
b) o sujeito do período, Policiais de Los Angeles, é com-
“Sinta-se ungido pela sorte de recomeçar. Quando seu fi-
posto.
lho crescer, ele irá entender - mais cedo ou mais tarde -...”
c) “bêbados” e “criminosos” apresentam-se na função de
No período acima, a oração destacada:
sujeito.
d) “facas” possui a mesma função sintática que “bêba-
a) estabelece uma relação temporal com a oração que
dos” e “relatório”.
lhe é subsequente.
e) “de criminosos”, “na estrada”, “na delegacia” são ter-
b) estabelece uma relação temporal com a oração que a
antecede. mos que indicam circunstâncias que caracterizam a
c) estabelece uma relação condicional com a oração que ação verbal.
lhe é subsequente.
d) estabelece uma relação condicional com a oração que 42. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio –
VUNESP – 2015) Leia o texto, para responder às ques-
LÍNGUA PORTUGUESA

a antecede.
e) estabelece uma relação de finalidade com a oração tões.
que lhe é subsequente. O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para
consegui-lo é a luta. Enquanto o direito estiver sujeito
às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o
mundo for mundo –, ele não poderá prescindir da luta. A
vida do direito é a luta: luta dos povos, dos governos, das
classes sociais, dos indivíduos.

118
Todos os direitos da humanidade foram conquistados “com o lançamento da cápsula Orion, da base da agência
pela luta; seus princípios mais importantes tiveram de en- em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos.”
frentar os ataques daqueles que a ele se opunham; todo e Os termos sublinhados se encarregam da localização do
qualquer direito, seja o direito de um povo, seja o direito lançamento da cápsula referida; o critério para essa locali-
do indivíduo, só se afirma por uma disposição ininterrup- zação também foi seguido no seguinte caso: Os protestos
ta para a luta. O direito não é uma simples ideia, é uma contra as cotas raciais ocorreram:
força viva. Por isso a justiça sustenta numa das mãos a ba-
lança com que pesa o direito, enquanto na outra segura a a) em Brasília, Distrito Federal, na região Centro-Oeste;
espada por meio da qual o defende. b) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, região Sul;
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a c) em Pedrinhas, São Luís, Maranhão;
espada, a impotência do direito. Uma completa a outra, d) em São Paulo, São Paulo, Brasil;
e o verdadeiro estado de direito só pode existir quando e) em Goiânia, região Centro-Oeste, Brasil.
a justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade
44. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área
com que manipula a balança.
Administrativa – Médio – FCC – 2017) Está plenamente
O direito é um trabalho sem tréguas, não só do Poder
adequada a pontuação do seguinte período:
Público, mas de toda a população. A vida do direito nos
oferece, num simples relance de olhos, o espetáculo de a) A produção cinematográfica como é sabido, sempre be-
um esforço e de uma luta incessante, como o despendi- beu na fonte da literatura, mas o cinema declarou-se,
do na produção econômica e espiritual. Qualquer pessoa independente das outras artes há mais de meio século.
que se veja na contingência de ter de sustentar seu direito b) Sabe-se que, a produção cinematográfica sempre con-
participa dessa tarefa de âmbito nacional e contribui para siderou a literatura como fonte de inspiração, mas o
a realização da ideia do direito. É verdade que nem todos cinema declarou-se independente das outras artes, há
enfrentam o mesmo desafio. mais de meio século.
A vida de milhares de indivíduos desenvolve-se tranqui- c) Há mais de meio século, o cinema declarou-se inde-
lamente e sem obstáculos dentro dos limites fixados pelo pendente das outras artes, embora a produção cinema-
direito. Se lhes disséssemos que o direito é a luta, não nos tográfica tenha sempre considerado a literatura como
compreenderiam, pois só veem nele um estado de paz e fonte de inspiração.
de ordem. d) O cinema declarou-se independente, das outras artes,
(Rudolf von Ihering, A luta pelo direito) há mais de meio século; porém, sabe-se, que a produ-
ção cinematográfica sempre bebeu na fonte da litera-
Assinale a alternativa em que uma das vírgulas foi em- tura.
pregada para sinalizar a omissão de um verbo, tal como e) A literatura, sempre serviu de fonte inspiradora do ci-
ocorre na passagem – A espada sem a balança é a força nema, mas este, declarou-se independente das outras
bruta, a balança sem a espada, a impotência do direito. artes há mais de meio século − como é sabido.

a) O direito, no sentido objetivo, compreende os princí- 45. (Correios – Técnico em Segurança do Trabalho Jú-
pios jurídicos manipulados pelo Estado. nior – Médio – IADES – 2017 – adaptada) Quanto às
b) Todavia, não pretendo entrar em minúcias, pois nunca regras de ortografia e de pontuação vigentes, considere
chegaria ao fim. o período “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam em
seu rosto numa mistura de amor e saudade.” e assinale a
c) Do autor exige-se que prove, até o último centavo, o
alternativa correta.
interesse pecuniário.
d) É que, conforme já ressaltei várias vezes, a essência do
a) O uso da vírgula entre as orações é opcional.
direito está na ação. b) A redação “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam em
e) A cabeça de Jano tem face dupla: a uns volta uma das seu rosto por que sentia um misto de amor e saudade.”
faces, aos demais, a outra. poderia substituir a original.
c) O uso do hífen seria obrigatório, caso o prefixo re fosse
43. TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrativa – acrescentado ao vocábulo “lia”.
Médio – FGV – 2015 d) Caso a ordem das orações fosse invertida, o uso da vír-
gula entre elas poderia ser dispensado.
Texto 2 - “A primeira missão tripulada ao espaço profun- e) Assim como o vocábulo “lágrimas”, devem ser acentua-
do desde o programa Apollo, da década 1970, com o ob- dos graficamente rúbrica, filântropo e lúcida.
jetivo de enviar astronautas a Marte até 2030 está sendo
preparada pela Nasa (agência espacial norte-americana). 46. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014)
O primeiro passo para a concretização desse desafio será Verifique a pontuação nas frases abaixo e marque a asser-
LÍNGUA PORTUGUESA

dado nesta sexta-feira (5), com o lançamento da cápsula tiva correta:


Orion, da base da agência em Cabo Canaveral, na Flórida,
nos Estados Unidos. O lançamento estava previsto original- a) Céus: Que injustiça.
mente para esta quinta-feira (4), mas devido a problemas b) O resultado do placar, não o abateu.
técnicos foi reagendado para as 7h05 (10h05 no horário c) O comércio estava fechado; porém, a farmácia estava
de Brasília).” em pleno atendimento.
(Ciência, Internet Explorer). d) Comam bastantes frutas crianças!
e) Comprei abacate, e mamão maduro.

119
47. (SAAE-SP – Fiscal Leiturista – VUNESP – 2014) 49. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – UPE-
NET – 2014 – adaptada)
“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de
ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de
dinheiro.”
(Millôr Fernandes)
Sobre as vírgulas existentes no texto, é CORRETO afirmar
que:

a) são facultativas.
b) isolam apostos.
c) separam elementos de mesma função sintática.
d) a terceira é facultativa.
e) separam orações coordenadas assindéticas.

50. (Polícia Militar-SP – Oficial Administrativo – Mé-


dio – vunesp – 2014) A reescrita da frase – Como sempre,
a resposta depende de como definimos os termos da per-
gunta. – está correta, quanto à pontuação, em:

a) A resposta como sempre, depende de, como defini-


mos os termos da pergunta.
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pon- b) A resposta, como sempre, depende de como defini-
tuação está correta em: mos os termos da pergunta.
c) A resposta como, sempre, depende de como defini-
a) Hagar disse, que não iria. mos os termos da pergunta.
b) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes d) A resposta, como, sempre depende de como defini-
e lagostas, aos vizinhos. mos os termos da pergunta.
c) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para e) A resposta como sempre, depende de como, defini-
Hagar e Helga mos os termos da pergunta.
d) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar
à Helga. 51. (Emplasa-Sp – Analista Jurídico – Direito – vunesp
e) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos – 2014) Segundo a norma-padrão da língua portuguesa,
Stevensens, para jantar bifes e lagostas. a pontuação está correta em:
48. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – UPE-
NET – 2014) Sobre os SINAIS DE PONTUAÇÃO, observe
a) Como há suspeita, por parte da família de que João
os itens abaixo:
Goulart tenha sido assassinado; a Comissão da Ver-
dade decidiu reabrir a investigação de sua morte, em
I. “Calma, gente”.
maio deste ano, a pedido da viúva e dos filhos.
II. “Que mundo é este que chorar não é “normal”?
b) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou o
III. “Sustentabilidade, paradigma de vida”
pedido da família do ex-presidente João Goulart e rea-
IV. “Será que precisa de mais licitações? Haja licitações!”
briu a investigação da morte deste, visto que, para a
V. “E, de repente, aquela rua se tornou um grande lago...”
viúva e para os filhos, Jango pode ter sido assassinado.
c) A investigação da morte de João Goulart, foi reaberta,
Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA.
em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para
apuração da causa da morte do ex-presidente uma vez
a) No item I, a vírgula isola um aposto.
que, para a família, Jango pode ter sido assassinado.
b) No item II, a interrogação indica uma mensagem in-
d) A Comissão da Verdade, a pedido da família de João
terrompida.
Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de
c) No item III, a vírgula isola termos que explicam o seu
sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é
antecedente.
descartada, pela viúva e filhos.
d) No item IV, os dois sinais de pontuação, a interrogação
e) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João Gou-
e a exclamação, indicam surpresa.
lart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado
e) No item V, as vírgulas poderiam ser substituídas, ape-
pediram a reabertura da investigação de sua morte,
nas, por um ponto e vírgula após o termo “repente”.
LÍNGUA PORTUGUESA

à Comissão da Verdade, esta, atendeu o pedido em


maio deste ano.

120
52. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho – espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade
cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do tre- é que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo
cho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as tempo, e pequenas distrações podem desviar nosso foco
mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso por até 20 minutos.
se inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”. Retemos mais informações quando nos sentamos em um
local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e
( ) CERTO ( ) ERRADO design de interiores.
(Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos po-
53. (Prefeitura de Arcoverde-PE – Administrador de dem ser ruins para funcionários.” Disponível em:<w-
Recursos Humanos – CONPASS – 2014) Leia o texto a ww1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adapta-
seguir: do)
“Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessi-
dade”. O uso da vírgula justifica-se porque: Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando
nos sentamos em um local fixo... (último parágrafo) – com
a) estabelece a relação entre uma coordenada assindéti- o termo Talvez, indicando condição, a sequência que
ca e uma conclusiva. apresenta correlação dos verbos destacados de acordo
b) separar a oração coordenada “não é um luxo” da ad- com a norma-padrão será:
versativa “mas uma necessidade”, em que o verbo está
subentendido. a) reteríamos ... sentarmos
c) liga a oração principal “Pagar” à coordenada “não é um b) retínhamos ... sentássemos
luxo, mas uma necessidade”. c) reteremos ... sentávamos
d) indica que dois termos da mesma função estão ligados d) retivemos ... sentaríamos
por uma conjunção aditiva. e) retivéssemos ... sentássemos
e) isola o aposto na segunda oração.

54. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio –


VUNESP – 2017)
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executivos
no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu sua
equipe para um chamado escritório aberto, sem paredes
e divisórias.
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele
queria que todos estivessem juntos, para se conectarem
e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo fi-
cou claro que Nagele tinha cometido um grande erro.
Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove
empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio
chefe.
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para
o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um
espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio es-
paço, com portas e tudo.
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório
aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Uni-
dos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram
ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas.
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até
15% da produtividade, desenvolver problemas graves
de concentração e até ter o dobro de chances de ficar
doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de
organização.
Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele
já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir
LÍNGUA PORTUGUESA

falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita


gente concorda – simplesmente não aguentam o escri-
tório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é
preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele.
É improvável que o conceito de escritório aberto caia em
desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo
de Nagele e voltando aos espaços privados.
Há uma boa razão que explica por que todos adoram um

121
42 E
GABARITO 43 A
44 C
1 C 45 D
2 A 46 C
3 D 47 E
4 A 48 C
5 C 49 C
6 A 50 B
7 C 51 B
8 D 52 CERTO
9 D 53 C
10 C 54 E
11 B
12 C
13 D
14 E
15 A
16 B
17 A
18 CERTO
19 D
20 C
21 A
22 E
23 E
24 E
25 C
26 C
27 E
28 D
29 B
30 A
31 E
32 D
33 E
34 C
35 E
36 C
LÍNGUA PORTUGUESA

37 A
38 D
39 A
40 A
41 D

122
ÍNDICE

LEGISLAÇÃO JURÍDICA

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: arts. 1º ao 5º, 37 ao 40, 42, 124, 125 e 144........................................... 01
Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989: arts. 39, 109 a 111........................................................................................................ 08
Decreto-Lei nº 1.001, de 21/10/69 - Código Penal Militar: arts. 9º, 149 a 166, 187 a 203, 205 a 231, 240 a 266 e 298 a 334. 09
Decreto-Lei no 2.848, de 07/12/40- Código Penal Comum - arts 1º a 25, 121 a 129, 138 a 150, 155 a 160, 180 a 183, 213
a 218-B, 225 e 226, 312 a 322 e 329 a 334-A..................................................................................................................................................... 21
Decreto-Lei nº 3.689, de 03/10/1941 - Código de Processo Penal – Livro I, Títulos VII (somente Capítulo XI) e IX (somente
Capítulos I, II, III, V)........................................................................................................................................................................................................ 48
Resolução nº 213 de 15/12/2015 - Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a apresentação de toda pessoa
presa à autoridade judicial no prazo de 24 horas............................................................................................................................................. 54
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA ao agravo, além da indenização por dano material,
DO BRASIL DE 1988: ARTS. 1º AO 5º, 37 AO moral ou à imagem;
40, 42, 124, 125 E 144. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de cren-
ça, sendo assegurado o livre exercício dos cultos re-
ligiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
Princípios fundamentais locais de culto e a suas liturgias;
VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de
A República Federativa do Brasil, formada pela união assistência religiosa nas entidades civis e militares de
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Fede- internação coletiva;
ral, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de
como fundamentos: crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
• a soberania; salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a
• a cidadania; todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alter-
• a dignidade da pessoa humana; nativa, fixada em lei;
• os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artís-
• o pluralismo político. tica, científica e de comunicação, independentemente
de censura ou licença;
Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
Constituição. indenização pelo dano material ou moral decorrente
São Poderes da União, independentes e harmônicos de sua violação;
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.  XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém
Constituem objetivos fundamentais da República Fe- nela podendo penetrar sem consentimento do mora-
derativa do Brasil: dor, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou
• construir uma sociedade livre, justa e solidária; para prestar socorro, ou, durante o dia, por determi-
• garantir o desenvolvimento nacional; nação judicial;
• erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das co-
desigualdades sociais e regionais; municações telegráficas, de dados e das comunicações
• promover o bem de todos, sem preconceitos de telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para
formas de discriminação. fins de investigação criminal ou instrução processual
penal;
A República Federativa do Brasil rege-se nas suas re- XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
lações internacionais pelos seguintes princípios: profissão, atendidas as qualificações profissionais que
• independência nacional; a lei estabelecer;
• prevalência dos direitos humanos; XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e
• autodeterminação dos povos; resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
• não-intervenção; exercício profissional;
• igualdade entre os Estados; XV – é livre a locomoção no território nacional em
• defesa da paz; tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
• solução pacífica dos conflitos; da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
• repúdio ao terrorismo e ao racismo; bens;
• cooperação entre os povos para o progresso da XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem ar-
humanidade; mas, em locais abertos ao público, independentemente
• concessão de asilo político. de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos: apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII – é plena a liberdade de associação para fins líci-
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de tos, vedada a de caráter paramilitar;
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos XVIII – a criação de associações e, na forma da lei,
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do di- a de cooperativas independem de autorização, sendo
reito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
propriedade, nos termos seguintes: XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obriga- dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por deci-
ções, nos termos desta Constituição; são judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer em julgado;
alguma coisa senão em virtude de lei; XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a
III – ninguém será submetido a tortura nem a trata- permanecer associado;
mento desumano ou degradante; XXI – as entidades associativas, quando expressamen-
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo ve- te autorizadas, têm legitimidade para representar seus
dado o anonimato; filiados judicial ou extrajudicialmente;

1
XXII – é garantido o direito de propriedade; c) a soberania dos veredictos;
XXIII – a propriedade atenderá a sua função social; d) a competência para o julgamento dos crimes dolo-
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desa- sos contra a vida;
propriação por necessidade ou utilidade pública, ou XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina,
por interesse social, mediante justa e prévia indeniza- nem pena sem prévia cominação legal;
ção em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar
Constituição; o réu;
XXV – no caso de iminente perigo público, a autorida- XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória
de competente poderá usar de propriedade particular, dos direitos e liberdades fundamentais;
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável
houver dano; e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos
XXVI – a pequena propriedade rural, assim definida da lei;
em lei, desde que trabalhada pela família, não será XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insusce-
objeto de penhora para pagamento de débitos decor- tíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico
rentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e
os meios de financiar o seu desenvolvimento; os definidos como crimes hediondos, por eles respon-
XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de dendo os mandantes, os executores e os que, podendo
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, evitá-los, se omitirem;
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a
XXVIII – são assegurados, nos termos da lei: ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
a) a proteção às participações individuais em obras ordem constitucional e o Estado Democrático;
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, XLV – nenhuma pena passará da pessoa do conde-
inclusive nas atividades desportivas; nado, podendo a obrigação de reparar o dano e a
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econô- decretação do perdimento de bens ser, nos termos da
lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas,
mico das obras que criarem ou de que participarem
até o limite do valor do patrimônio transferido;
aos criadores, aos intérpretes e às respectivas repre-
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e ado-
sentações sindicais e associativas;
tará, entre outras, as seguintes:
XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos indus-
a) privação ou restrição da liberdade;
triais privilégio temporário para sua utilização, bem
b) perda de bens;
como proteção às criações industriais, à propriedade
c) multa;
das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
d) prestação social alternativa;
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desen- e) suspensão ou interdição de direitos;
volvimento tecnológico e econômico do País; XLVII – não haverá penas:
XXX – é garantido o direito de herança; a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos
XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no termos do art. 84, XIX;
País será regulada pela lei brasileira em benefício do b) de caráter perpétuo;
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes c) de trabalhos forçados;
seja mais favorável a lei pessoal do de cujus; d) de banimento;
XXXII – o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa e) cruéis;
do consumidor; XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públi- distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade
cos informações de seu interesse particular, ou de in- e o sexo do apenado;
teresse coletivo ou geral, que serão prestadas no pra- XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integrida-
zo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas de física e moral;
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da L – às presidiárias serão asseguradas condições para
sociedade e do Estado; que possam permanecer com seus filhos durante o pe-
XXXIV – são a todos assegurados, independentemente ríodo de amamentação;
do pagamento de taxas: LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o natu-
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa ralizado, em caso de crime comum, praticado antes
de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; da naturalização, ou de comprovado envolvimento
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na
para defesa de direitos e esclarecimento de situações forma da lei;
de interesse pessoal; LII – não será concedida extradição de estrangeiro por
XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Ju- crime político ou de opinião;
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

diciário lesão ou ameaça a direito; LIII – ninguém será processado nem sentenciado se-
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato não pela autoridade competente;
jurídico perfeito e a coisa julgada; LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus
XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção; bens sem o devido processo legal;
XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri, com a LV – aos litigantes, em processo judicial ou adminis-
organização que lhe der a lei, assegurados: trativo, e aos acusados em geral são assegurados o
a) a plenitude de defesa; contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos
b) o sigilo das votações; a ela inerentes;

2
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas b) para a retificação de dados, quando não se prefira
por meios ilícitos; fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administra-
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsi- tivo;
to em julgado de sentença penal condenatória; LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor
LVIII – o civilmente identificado não será submetido ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimô-
a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas nio público ou de entidade de que o Estado participe,
em lei; à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, sal-
pública, se esta não for intentada no prazo legal; vo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do
LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos ônus da sucumbência;
processuais quando a defesa da intimidade ou o inte- LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral
resse social o exigirem; e gratuita aos que comprovarem insuficiência de re-
LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou cursos;
por ordem escrita e fundamentada de autoridade judi- LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro ju-
ciária competente, salvo nos casos de transgressão mi- diciário, assim como o que ficar preso além do tempo
litar ou crime propriamente militar, definidos em lei; fixado na sentença;
LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente po-
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz bres, na forma da lei:
competente e à família do preso ou à pessoa por ele a) o registro civil de nascimento;
indicada; b) a certidão de óbito;
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os LXXVII – são gratuitas as ações de habeas corpus e
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao
a assistência da família e de advogado; exercício da cidadania;
LXIV – o preso tem direito à identificação dos respon- LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo,
sáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; são assegurados a razoável duração do processo e os
LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
pela autoridade judiciária;
LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido, As normas definidoras dos direitos e garantias funda-
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou mentais têm aplicação imediata.
sem fiança; Os direitos e garantias expressos nesta Constituição
LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do não excluem outros decorrentes do regime e dos princí-
responsável pelo inadimplemento voluntário e ines- pios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em
cusável de obrigação alimentícia e a do depositário que a República Federativa do Brasil seja parte.
infiel; Os tratados e convenções internacionais sobre di-
LXVIII – conceder-se-á habeas corpus sempre que al- reitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do
guém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilega- votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
lidade ou abuso de poder; emendas constitucionais.
LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal In-
proteger direito líquido e certo, não amparado por ternacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
habeas corpus ou habeas data, quando o responsá- A Administração Pública na CF/88 segue a seguinte
vel pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade regra.
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público; Art. 37. A administração pública direta e indireta de
LXX – o mandado de segurança coletivo pode ser im- qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Dis-
petrado por: trito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
a) partido político com representação no Congresso de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicida-
Nacional; de e eficiência e, também, ao seguinte:
b) organização sindical, entidade de classe ou associa- I – os cargos, empregos e funções públicas são aces-
ção legalmente constituída e em funcionamento há síveis aos brasileiros que preencham os requisitos es-
pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus tabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na
membros ou associados; forma da lei;
LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre II – a investidura em cargo ou emprego público de-
que a falta de norma regulamentadora torne inviável pende de aprovação prévia em concurso público de
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e provas ou de provas e títulos, de acordo com a nature-
das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à sobera- za e a complexidade do cargo ou emprego, na forma
nia e à cidadania; prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo
LXXII – conceder-se-á habeas data: em comissão declarado em lei de livre nomeação e
a) para assegurar o conhecimento de informações re- exoneração;
lativas à pessoa do impetrante, constantes de registros III – o prazo de validade do concurso público será de
ou bancos de dados de entidades governamentais ou até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
de caráter público; IV – durante o prazo improrrogável previsto no edital

3
de convocação, aquele aprovado em concurso público XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos
de provas ou de provas e títulos será convocado com públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
prioridade sobre novos concursados para assumir car- horários, observado em qualquer caso o disposto no
go ou emprego, na carreira; inciso XI:
V – as funções de confiança, exercidas exclusivamente a) a de dois cargos de professor;
por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou
em comissão, a serem preenchidos por servidores de científico;
carreira nos casos, condições e percentuais mínimos c) a de dois cargos ou empregos privativos de profis-
previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de sionais de saúde, com profissões regulamentadas;
direção, chefia e assessoramento; XVII – a proibição de acumular estende-se a empregos
VI – é garantido ao servidor público civil o direito à e funções e abrange autarquias, fundações, empresas
livre associação sindical; públicas, sociedades de economia mista, suas subsi-
VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos diárias, e sociedades controladas, direta ou indireta-
limites definidos em lei específica; mente, pelo poder público;
VIII – a lei reservará percentual dos cargos e empregos XVIII – a administração fazendária e seus servidores
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e
definirá os critérios de sua admissão; jurisdição, precedência sobre os demais setores admi-
IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por nistrativos, na forma da lei;
tempo determinado para atender a necessidade tem- XIX – somente por lei específica poderá ser criada au-
porária de excepcional interesse público; tarquia e autorizada a instituição de empresa pública,
X – a remuneração dos servidores públicos e o sub- de sociedade de economia mista e de fundação, ca-
sídio de que trata o § 4o do art. 39 somente poderão bendo à lei complementar, neste último caso, definir
ser fixados ou alterados por lei específica, observada a as áreas de sua atuação;
iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão XX – depende de autorização legislativa, em cada
caso, a criação de subsidiárias das entidades mencio-
geral anual, sempre na mesma data e sem distinção
nadas no inciso anterior, assim como a participação
de índices;
de qualquer delas em empresa privada;
XI – a remuneração e o subsídio dos ocupantes de
XXI – ressalvados os casos especificados na legislação,
cargos, funções e empregos públicos da administra-
as obras, serviços, compras e alienações serão con-
ção direta, autárquica e fundacional, dos membros
tratados mediante processo de licitação pública que
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
assegure igualdade de condições a todos os concor-
Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de
rentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os
pagamento, mantidas as condições efetivas da pro-
proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, posta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as
percebidos cumulativamente ou não, incluídas as van- exigências de qualificação técnica e econômica indis-
tagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não pensáveis à garantia do cumprimento das obrigações;
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos XXII – as administrações tributárias da União, dos Es-
Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se tados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades
como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por
nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do servidores de carreiras específicas, terão recursos prio-
Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio ritários para a realização de suas atividades e atuarão
dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Po- de forma integrada, inclusive com o compartilhamen-
der Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do to de cadastros e de informações fiscais, na forma da
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte lei ou convênio.
e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter edu-
aos membros do Ministério Público, aos Procuradores cativo, informativo ou de orientação social, dela não po-
e aos Defensores Públicos; dendo constar nomes, símbolos ou imagens que carac-
XII – os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo terizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos públicos.
pagos pelo Poder Executivo; A não observância do disposto nos incisos II e III im-
XIII – é vedada a vinculação ou equiparação de quais- plicará a nulidade do ato e a punição da autoridade res-
quer espécies remuneratórias para o efeito de remu- ponsável, nos termos da lei.
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

neração de pessoal do serviço público; A lei disciplinará as formas de participação do usuá-


XIV – os acréscimos pecuniários percebidos por servi- rio na administração pública direta e indireta, regulando
dor público não serão computados nem acumulados especialmente:
para fins de concessão de acréscimos ulteriores; • as reclamações relativas à prestação dos serviços
XV – o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de públicos em geral, asseguradas a manutenção de
cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalva- serviços de atendimento ao usuário e a avaliação
do o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos periódica, externa e interna, da qualidade dos ser-
arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; viços;

4
• o acesso dos usuários a registros administrativos e Art. 38. Ao servidor público da administração direta,
a informações sobre atos de governo, observado o autárquica e fundacional, no exercício de mandato
disposto no art. 5º, X e XXXIII; eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:
• a disciplina da representação contra o exercício ne- I – tratando-se de mandato eletivo federal, estadual
gligente ou abusivo de cargo, emprego ou função ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou
na administração pública. função;
II – investido no mandato de Prefeito, será afastado do
Os atos de improbidade administrativa importarão a cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar
suspensão dos direitos políticos, a perda da função pú- pela sua remuneração;
blica, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao III – investido no mandato de Vereador, havendo com-
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo patibilidade de horários, perceberá as vantagens de
da ação penal cabível. seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remu-
A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilíci- neração do cargo eletivo, e, não havendo compatibili-
tos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que dade, será aplicada a norma do inciso anterior;
causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas IV – em qualquer caso que exija o afastamento para
ações de ressarcimento. o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço
As pessoas jurídicas de direito público e as de direi- será contado para todos os efeitos legais, exceto para
to privado prestadoras de serviços públicos responderão promoção por merecimento;
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causa- V – para efeito de benefício previdenciário, no caso de
rem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra afastamento, os valores serão determinados como se
o responsável nos casos de dolo ou culpa. no exercício estivesse.
A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao
ocupante de cargo ou emprego da administração direta Dos Servidores Públicos
e indireta que possibilite o acesso a informações privile-
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
giadas.
instituirão conselho de política de administração e remu-
A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
neração de pessoal, integrado por servidores designados
órgãos e entidades da administração direta e indireta po-
pelos respectivos Poderes.
derá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre
A fixação dos padrões de vencimento e dos demais
seus administradores e o poder público, que tenha por
componentes do sistema remuneratório observará:
objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão
• a natureza, o grau de responsabilidade e a comple-
ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
xidade dos cargos componentes de cada carreira;
• o prazo de duração do contrato; • os requisitos para a investidura;
• os controles e critérios de avaliação de desempe- • as peculiaridades dos cargos.
nho, direitos, obrigações e responsabilidade dos
dirigentes; A União, os Estados e o Distrito Federal manterão es-
• a remuneração do pessoal. colas de governo para a formação e o aperfeiçoamento
dos servidores públicos, constituindo-se a participação
O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públi- nos cursos um dos requisitos para a promoção na car-
cas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiá- reira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou
rias, que receberem recursos da União, dos Estados, do contratos entre os entes federados.
Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público
despesas de pessoal ou de custeio em geral. o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII,
É vedada a percepção simultânea de proventos de XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer re-
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e quisitos diferenciados de admissão quando a natureza
142 com a remuneração de cargo, emprego ou função do cargo o exigir.
pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma des- O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo,
ta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comis- os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Mu-
são declarados em lei de livre nomeação e exoneração. nicipais serão remunerados exclusivamente por subsídio
Não serão computadas, para efeito dos limites remu- fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer
neratórios de que trata o inciso XI do caput do art. 37, da gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de repre-
CF, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. sentação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em
Para os fins do disposto no inciso XI do caput do art. qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.
37, da CF, fica facultado aos Estados e ao Distrito Fede- Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
ral fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsí- a menor remuneração dos servidores públicos, obedeci-
dio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal do, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.
de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco cen- Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publica-
tésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do rão anualmente os valores do subsídio e da remuneração
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto o dos cargos e empregos públicos.
aqui comentado aos subsídios dos Deputados Estaduais Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
e Distritais e dos Vereadores. Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamen-
tários provenientes da economia com despesas corren-

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tes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplica- funções de magistério na educação infantil e no ensino
ção no desenvolvimento de programas de qualidade e fundamental e médio.
produtividade, treinamento e desenvolvimento, moder- Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos car-
nização, reaparelhamento e racionalização do serviço gos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada
público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do
produtividade. regime de previdência supra citado.
Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, § 7o Lei disporá sobre a concessão do benefício de
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluí- pensão por morte, que será igual:
das suas autarquias e fundações, é assegurado regime de • ao valor da totalidade dos proventos do servidor
previdência de caráter contributivo e solidário, mediante falecido, até o limite máximo estabelecido para os
contribuição do respectivo ente público, dos servidores benefícios do regime geral de previdência social
ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios de que trata o art. 201, acrescido de setenta por
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o dis- cento da parcela excedente a este limite, caso apo-
posto neste artigo. sentado à data do óbito; ou
Conforme art. 40, § 1º, da CF, os servidores abrangi- • ao valor da totalidade da remuneração do servidor
dos pelo regime de previdência de que trata neste as- no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até
sunto serão aposentados, calculados os seus proventos a o limite máximo estabelecido para os benefícios
partir dos valores fixados na Constituição Federal: do regime geral de previdência social de que trata
o art. 201, acrescido de setenta por cento da par-
I – por invalidez permanente, sendo os proventos pro- cela excedente a este limite, caso em atividade na
porcionais ao tempo de contribuição, exceto se decor- data do óbito.
rente de acidente em serviço, moléstia profissional ou
doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da É assegurado o reajustamento dos benefícios para
lei; preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, con-
II – compulsoriamente, com proventos proporcionais forme critérios estabelecidos em lei.
ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de O tempo de contribuição federal, estadual ou munici-
idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na pal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo
forma de lei complementar; de serviço correspondente para efeito de disponibilida-
III – voluntariamente, desde que cumprido tempo mí- de.
nimo de dez anos de efetivo exercício no serviço pú- A lei não poderá estabelecer qualquer forma de con-
blico e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a tagem de tempo de contribuição fictício.
aposentadoria, observadas as seguintes condições: Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribui- dos proventos de inatividade, inclusive quando decor-
ção, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e rentes da acumulação de cargos ou empregos públicos,
trinta de contribuição, se mulher; bem como de outras atividades sujeitas a contribuição
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessen- para o regime geral de previdência social, e ao montan-
ta anos de idade, se mulher, com proventos proporcio- te resultante da adição de proventos de inatividade com
nais ao tempo de contribuição. remuneração de cargo acumulável na forma desta Cons-
tituição, cargo em comissão declarado em lei de livre no-
Os proventos de aposentadoria e as pensões, por meação e exoneração, e de cargo eletivo.
ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remu- Além do disposto neste artigo, o regime de previdên-
neração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que cia dos servidores públicos titulares de cargo efetivo ob-
se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para servará, no que couber, os requisitos e critérios fixados
a concessão da pensão. para o regime geral de previdência social.
Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em
ocasião da sua concessão, serão consideradas as remu- comissão declarado em lei de livre nomeação e exone-
nerações utilizadas como base para as contribuições do ração bem como de outro cargo temporário ou de em-
servidor aos regimes de previdência, na forma da lei. prego público, aplica-se o regime geral de previdência
É vedada a adoção de requisitos e critérios diferencia- social.
dos para a concessão de aposentadoria aos abrangidos A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municí-
pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos pios, desde que instituam regime de previdência com-
termos definidos em leis complementares, os casos de plementar para os seus respectivos servidores titulares
servidores: de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposen-
• portadores de deficiência; tadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de
que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

• que exerçam atividades de risco;


• cujas atividades sejam exercidas sob condições es- os benefícios do regime geral de previdência social de
peciais que prejudiquem a saúde ou a integridade que trata o art. 201.
física. O regime de previdência complementar de que tra-
ta o texto acima será instituído por lei de iniciativa do
Os requisitos de idade e de tempo de contribuição respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art.
serão reduzidos em cinco anos para o professor que 202 e seus parágrafos, no que couber, por intermédio
comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das de entidades fechadas de previdência complementar, de

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natureza pública, que oferecerão aos respectivos partici- A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tri-
pantes planos de benefícios somente na modalidade de bunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída,
contribuição definida. em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conse-
Somente mediante sua prévia e expressa opção, o lhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal
disposto nos dois parágrafos acima, poderá ser aplicado de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados
ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a em que o efetivo militar seja superior a vinte mil inte-
data da publicação do ato de instituição do correspon- grantes.
dente regime de previdência complementar. Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar
Todos os valores de remuneração considerados para os militares dos Estados, nos crimes militares definidos
o cálculo do benefício previsto na CF serão devidamente em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares mili-
atualizados, na forma da lei. tares, ressalvada a competência do júri quando a vítima
Incidirá contribuição sobre os proventos de aposen- for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a
tadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação
este artigo que superem o limite máximo estabelecido das praças.
para os benefícios do regime geral de previdência social Compete aos juízes de direito do juízo militar proces-
de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabele- sar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos
cido para os servidores titulares de cargos efetivos. contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares
O servidor que tenha completado as exigências para militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presi-
aposentadoria voluntária estabelecidas no § 1º, III, “a”, dência de juiz de direito, processar e julgar os demais
e que opte por permanecer em atividade fará jus a um crimes militares.
abono de permanência equivalente ao valor da sua con- O Tribunal de Justiça poderá funcionar descentraliza-
tribuição previdenciária até completar as exigências para damente, constituindo Câmaras regionais, a fim de asse-
aposentadoria compulsória contidas no § 1º, II. gurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas
Fica vedada a existência de mais de um regime pró- as fases do processo.
prio de previdência social para os servidores titulares de O Tribunal de Justiça instalará a justiça itinerante, com
cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do a realização de audiências e demais funções da atividade
respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o dis- jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdi-
posto no art. 142, § 3º, X. ção, servindo-se de equipamentos públicos e comunitá-
A contribuição prevista na CF incidirá apenas sobre as rios.
parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que
Para dirimir conflitos fundiários, o Tribunal de Justiça
superem o dobro do limite máximo estabelecido para os
proporá a criação de varas especializadas, com compe-
benefícios do regime geral de previdência social de que
tência exclusiva para questões agrárias.
trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário,
Sempre que necessário à eficiente prestação jurisdi-
na forma da lei, for portador de doença incapacitante.
cional, o juiz far-se-á presente no local do litígio.
Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bom-
A segurança pública, dever do Estado, direito e res-
beiros Militares, instituições organizadas com base na
ponsabilidade de todos, é exercida para a preservação
hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Dis-
trito Federal e dos Territórios. da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Fe- patrimônio, através dos seguintes órgãos:
deral e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em • polícia federal;
lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. • polícia rodoviária federal;
142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor • polícia ferroviária federal;
sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as • polícias civis;
patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos gover- • polícias militares e corpos de bombeiros militares.
nadores.
Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distri- A polícia federal, instituída por lei como órgão per-
to Federal e dos Territórios aplica-se o que for fixado em manente, organizado e mantido pela União e estrutura-
lei específica do respectivo ente estatal. do em carreira, destina-se a:
À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes • apurar infrações penais contra a ordem política e
militares definidos em lei. social ou em detrimento de bens, serviços e inte-
A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e resses da União ou de suas entidades autárquicas
a competência da Justiça Militar. e empresas públicas, assim como outras infrações
Dos Tribunais e Juízes dos Estados. cuja prática tenha repercussão interestadual ou in-
Os Estados organizarão sua Justiça, observados os ternacional e exija repressão uniforme, segundo se
princípios estabelecidos nesta Constituição. dispuser em lei;
• prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecen-
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

A competência dos tribunais será definida na Consti-


tuição do Estado, sendo a lei de organização judiciária de tes e drogas afins, o contrabando e o descaminho,
iniciativa do Tribunal de Justiça. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos
Cabe aos Estados a instituição de representação de públicos nas respectivas áreas de competência;
inconstitucionalidade de leis ou atos normativos esta- • exercer as funções de polícia marítima, aeropor-
duais ou municipais em face da Constituição Estadual, tuária e de fronteiras;
vedada a atribuição da legitimação para agir a um único • exercer, com exclusividade, as funções de polícia
órgão. judiciária da União.

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A polícia rodoviária federal, órgão permanente, orga- tempo de serviço contado apenas para aquela promo-
nizado e mantido pela União e estruturado em carreira, ção e transferência para a reserva e será, depois de dois
destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para
das rodovias federais. a inatividade.
A polícia ferroviária federal, órgão permanente, orga- Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve.
nizado e mantido pela União e estruturado em carreira, O militar, enquanto em efetivo serviço, não pode es-
destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo tar filiado a partidos políticos.
das ferrovias federais. O Oficial somente perderá o posto e a patente se for
Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível,
carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, por decisão do Tribunal de Justiça Militar, ou de tribunal
as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações especial, em tempo de guerra, e a lei especificará os ca-
penais, exceto as militares. sos de submissão a processo e o rito deste.
Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a O militar condenado na Justiça, comum ou militar,
preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe sentença transitada em julgado, será submetido ao jul-
a execução de atividades de defesa civil. gamento previsto no parágrafo anterior.
As polícias militares e corpos de bombeiros militares, Os direitos, deveres, garantias e vantagens do servi-
forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, dor militar e as normas sobre admissão, promoção, es-
juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos tabilidade, limites de idade e condições de transferência
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. para a inatividade serão estabelecidos no estatuto.
A lei disciplinará a organização e o funcionamento Os militares da mesma patente perceberão os mes-
dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de ma- mos vencimentos e vantagens, excetuadas as provenien-
neira a garantir a eficiência de suas atividades. tes de cursos ou tempo de serviço.
Os Municípios poderão constituir guardas municipais Aos pensionistas dos militares aplica-se o que for fi-
xado em lei complementar específica.
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instala-
A Justiça Militar é constituída, em primeiro grau, pe-
ções, conforme dispuser a lei.
los Juízes de Direito e pelos Conselhos de Justiça e, em
A remuneração dos servidores policiais integrantes
segundo grau, pelo Tribunal de Justiça Militar.
dos órgãos aqui relacionados será fixado nos termos da
O Tribunal de Justiça Militar, com sede na Capital e
Constituição Federal.
jurisdição em todo o território do Estado, compõe-se de
A segurança viária, exercida para a preservação da
juízes Oficiais da ativa, do mais alto posto da Polícia Mi-
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do seu
litar ou do Corpo de Bombeiros Militar, e de juízes civis,
patrimônio nas vias públicas: em número ímpar, fixado na Lei de Organização e Divi-
• compreende a educação, engenharia e fiscalização são Judiciárias, excedendo o número de juízes Oficiais ao
de trânsito, além de outras atividades previstas em de juízes civis em uma unidade.
lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilida- Os juízes Oficiais da ativa e os integrantes do quinto
de urbana eficiente; e constitucional serão nomeados por ato do Governador
• compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Fe- do Estado, obedecendo-se a regra da Constituição Es-
deral e dos Municípios, aos respectivos órgãos ou tadual.
entidades executivos e seus agentes de trânsito, O Juiz do Tribunal de Justiça Militar e o Juiz Auditor
estruturados em Carreira, na forma da lei. gozam, respectivamente, dos mesmos direitos e vanta-
gens do Desembargador e do Juiz de Direito de entrân-
cia mais elevada e sujeitam-se às mesmas vedações.
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MINAS GE- O subsídio do Juiz do Tribunal de Justiça Militar e o do
RAIS DE 1989: ARTS. 39, 109 A 111. Juiz Auditor serão fixados em lei, observado o disposto
na Constituição Estadual.
A lei estabelecerá as condições em que a praça per-
São militares do Estado os integrantes da Polícia Mi- derá a graduação, observado o disposto no art. 111, da
litar e do Corpo de Bombeiros Militar, que serão regidos Constituição do Estado de Minas Gerais.
por estatuto próprio estabelecido em lei complementar.
As patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a Art. 111 – Compete à Justiça Militar processar e julgar
elas inerentes, são asseguradas em plenitude aos Oficiais os militares do Estado, nos crimes militares definidos
da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos em lei, e as ações contra atos administrativos disci-
os títulos, postos e uniforme militares. plinares militares, ressalvada a competência do júri
As patentes dos Oficiais são conferidas pelo Gover- quando a vítima for civil, cabendo ao Tribunal de Jus-
nador do Estado.
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

tiça Militar decidir sobre a perda do posto e da patente


O militar em atividade que aceitar cargo ou emprego de oficial e da graduação de praça.
público permanentes será transferido para a reserva. Parágrafo único – Compete aos Juízes de Direito do
O militar da ativa que aceitar cargo, emprego ou fun- Juízo Militar processar e julgar, singularmente, os cri-
ção públicos temporários, não eletivos, ainda que de en- mes militares cometidos contra civis e as ações judi-
tidade da administração indireta, ficará agregado ao res- ciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao
pectivo quadro e, enquanto permanecer nessa situação, Conselho de Justiça, sob a presidência de Juiz de Di-
somente poderá ser promovido por antiguidade, terá seu reito, processar e julgar os demais crimes militares.

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DECRETO-LEI Nº 1.001, DE 21/10/69 - CÓDIGO PENAL MILITAR: ARTS. 9º, 149 A 166, 187 A 203,
205 A 231, 240 A 266 E 298 A 334.

O art. 9º, do CPM, diz que: consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

I – os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos,
qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;

Embriaguez em serviço:
Art. 202. Embriagar-se o militar, quando em serviço, ou apresentar-se embriagado para prestá-lo.

Dormir em serviço:
Art. 203. Dormir o militar, quando em serviço, como oficial de quarto ou de ronda, ou em situação equivalente, ou,
não sendo oficial, em serviço de sentinela, vigia, plantão às máquinas, ao leme, de ronda ou em qualquer serviço de
natureza semelhante.

Insubmissão:
Art. 183. Deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi marcado, ou, apresentando-
-se, ausentar-se antes do ato oficial de incorporação:
Pena – impedimento, de três meses a um ano.”

Até aqui é apenas leitura do texto de lei.


Porém, vamos a algumas perguntas:

Esta pergunta é fácil de responder. Independente do crime, vamos ao art. 9, II, do CPM:
Consideram-se crimes militares, também, em tempo de paz:
LEGISLAÇÃO JURÍDICA

II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando praticados:


a) por militar em situação de atividade ou assemelhado contra militar da mesma situação ou assemelhado;
Sujeito ativo: militar da ativa.
Sujeito passivo: militar da ativa.
Observação necess