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Nome: Ana Cristina Vogel

R.A: 22101906
Turma: B
Texto: BONAVIDES, Paulo. “8- Legalidade e Legitimidade do poder político” em Ciência
Política.10ª edição. São Paulo: Malheiros, 2000.

Paulo Bonavides inicia seu texto abordando o princípio da legalidade, e afirma que
é basicamente aquilo que está de acordo com a ordem jurídica vigente, Como o
funcionamento do regime e a autoridade investida, que devem reger-se segundo os preceitos
da constituição. [...]que vão dos regulamentos, decretos e leis até a lei máxima e superior que
é a constituição. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.1-2). O poder legal representa por
consequência o poder em harmonia com os princípios jurídicos, que servem de estreito a
ordem estatal. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.2).
A legitimidade é a legalidade acrescida de sua valoração (PAULO, Bonavides, 2000,
pp.2), e está estritamente relacionada com os valores de determinada época, que visa a
obediência e aceitação popular, como por exemplo em um regime democrático que sua [...]
legitimidade será sempre o poder contido em sua constituição, exercendo-se de conformidade
com as crenças, valores e os princípios da ideologia dominante, no caso a democracia.
(PAULO, Bonavides, 2000, pp.2)
O princípio da legalidade nasceu do anseio de estabelecer na sociedade humana
regras permanentes e válidas, que fossem obras da razão, e pudessem abrigar os indivíduos de
uma conduta arbitrária e imprevisível da parte dos governantes. (PAULO, Bonavides, 2000,
pp.2) Eles visavam um estado geral de confiança e certeza na ação dos governantes, evitando
desconfiança que é presente quando as leis não são antecipadamente discutidas. Assim os
governados têm a certeza de que os titulares do poder não poderão lhe causar mal, pois estão
submetidos às mesmas regras de convivência. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.3)
Em 1815, na Europa, acreditava-se que legalidade e legitimidade eram termos
distintos. A França testemunhou esse antagonismo entre a legitimidade histórica de uma
dinastia restaurada e a legalidade vigente do código de Napoleão. (PAULO, Bonavides, 2000,
pp.4). A população se repartiu em posições opostas, [...]com os liberais sustentando a
legalidade da monarquia constitucional e os conservadores o requisito de legitimidade da
mesma, como forma de poder. O auge da crise foi quando Luís Felipe assume o poder e a tese
da legalidade se opõe a da legitimidade, fazendo os termos se divergirem. Na revolução
francesa com o surgimento do racionalismo positivo, empírico e realista o termo legitimidade
por fim repousa na legalidade. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.4). Nessa época, na França,
tinha quem acreditasse que a lei representava o poder máximo da Razão emancipadora, já os
juristas de índole liberal cultuavam o antipaternalismo. com a revolução de 1789 foi
implementado o código burguês o qual era considerado um talismã jurídico da exaltação
revolucionaria, mas ocorreu duas crises históricas que degrada a lei e a deixa degradada ao
instrumento da sociedade de classes. A legitimidade da ordem jurídica da classe burguês
Francesa é criticada a fundo pelos filósofos marxistas que apontam cada vez mais a lacuna
existente entre a legalidade e a legitimidade, e isso vem sendo comprovado historicamente.
(PAULO, Bonavides, 2000, pp.5-6).
Do ponto de vista filosófico, a legitimidade repousa no plano das crenças
pessoais[...]. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.6). ou seja, as vezes pode não corresponder aos
fatos de acordo com a ordem estabelecida, [...], mas inquere acerca dos precitos fundamentais
que justificam ou invalidam a existência do título do exercício do poder, da regra moral,
mediante a qual se há de mover o poder dos governantes para receber e merecer a
assentimento dos governantes. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.6-7).
O tópico 6.1 fala sobre a legitimidade como representante de uma teoria dominante
do poder. segundo Duverger, que numa certa época e num certo país, há sempre uma teoria
dominante do poder, a qual adere a massa dos governados e o governo erguido a base dessa
doutrina, que impera no assentimento da população, será do ponto de vista sociológico um
governo legítimo. (PAULO, Bonavides, 2000, pp8). Em 6.2 o autor discorre sobre os três
tipos de legitimidade criado por Max Weber que são: a carismática, a tradicional e a legal ou
racional. O poder carismático é quando os governados admiram o seu dominador com um
olhar de profeta, herói ou demagogo. Segundo o sociólogo, se baseia na direta lealdade
pessoal dos seguidores. Já o tradicional se apoia na crença de que os ordenamentos existem e
os poderes de mando e direção comportam a virtude da santidade. O tipo mais puro,
prossegue Max weber, é o da autoridade patriarcal, onde o governante é o "senhor”, o
governado, o “súdito” e o funcionário, o “servidor”. No que diz respeito a autoridade legal o
qual informa toda a época do racionalismo ocidental, de acordo com Max Weber o tipo mais
puro é o da autoridade burocrática. Sua concepção fundamental se resume a postulação de
qualquer direito pode ser modificado e criado ad libitum, por elaboração voluntaria. (PAULO,
Bonavides, 2000, pp.10).
O jurista alemão Carl Schmitt, afirma que a posse do poder legal em termos de
legitimidade requer sempre uma presunção de juridicidade, de exequibilidade e obediência
condicional e de preenchimento de clausulas gerais, cuja impotência prática e teórica não
deve ser ignorada pela teoria c constitucional nem pela filosofia do direito, visto que tanto
servem de critério de controle da constitucionalidade da legislação como de ponto de partida a
uma doutrina de resistência. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.10). Foi essa falta de percepção
disseminada entre o povo alemão desde sua formação, que fez a ordem jurídica da Alemanha
ser entregue aos nazistas, que posteriormente desarmaram o sentimento de resistência da
população as suas práticas inescrupulosas. Schmitt foi uma de suas vítimas, por isso defende
postular limites jurídicos a legitimidade apresentada pelos governantes. De acordo com
Hauriou “o princípio de legitimidade não é em si só outra coisa se não o princípio da
transmissão do poder conforme a lei” (PAULO, Bonavides, 2000, pp.11-12).
A legitimidade abrange dois problemas de características destintas. O primeiro se
relaciona com a necessidade e a finalidade mesma do poder politico que se exerce na
sociedade através principalmente de uma obediência consentida e espontânea, e não apenas
em virtude de compulsão efetiva ou potencial que se dispõe o Estado – instrumento máximo
de institucionalização de todo o poder político. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.12). Por isso
podemos perceber que a legitimidade do poder é poucas vezes contestada, isto só ocorreu nas
doutrinas anárquicas e notadamente no marxismo, e as demais escolas lhe dão por
fundamento os impulsos orgânicos e biológicos do homem. Deve-se enxergar o fundamento
da legitimidade do governo ou governante juntamente com suas doutrinas e crenças,
modificáveis de acordo com sua época ou país. O segundo problema da legitimidade é o de
saber se todo o governo é legal e legítimo ao mesmo tempo e quais as hipóteses
configurativas de desencontro desses dois elementos. (PAULO, Bonavides, 2000, pp13). Pode
muito bem um governo legal ser ilegítimo, como por exemplo o governo de Petain, na França,
que negou ao país adesão e consentimento, que são bases da legitimidade. Houve também o
governo de Gaulle que surgiu das lutas de libertação, foi um governo ilegal, mas legitimo para
o povo francês. (PAULO, Bonavides, 2000, pp.13-14).