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PERIGOSAS NACIONAIS

PERIGOSAS ACHERON
PERIGOSAS NACIONAIS

Copyright © 2019 MAYJO

Capa: MAYJO
Revisão: Patrícia da Silva
Diagramação digital: MAYJO

Esta é uma obra de ficção. Seu intuito é entreter as


pessoas. Nomes, personagens, lugares e
acontecimentos descritos são produtos da
imaginação da autora. Qualquer semelhança com
nomes, datas e acontecimentos reais é mera
coincidência.

UM CRETINO TODO MEU


1ª Edição — 2019

Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da

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Língua Portuguesa.
Todos os direitos reservados. São proibidos o
armazenamento e/ou a reprodução de qualquer
parte dessa obra, através de quaisquer meios —
tangível ou intangível — sem o consentimento
escrito da autora.
Criado no Brasil.

A violação dos direitos autorais é crime


estabelecido na lei n°. 9.610/98 e punido pelo
artigo 184 do Código Penal.

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DEDICATÓRIA

A todas as minhas
queridas leitoras que amaram
meu primeiro romance Quando
o Amor Acontece e as queridas
que também se apaixonaram
por O Bebê Andretti.
Um cretino todo meu é
uma comédia romântica sexy
entre a filha de Jason Lewis e
Júlia Mason, e o filho de
Nicolas Andretti e Gabrielle
Velasco, então espero que vocês
gostem tanto quanto gostaram
dos livros dos seus pais.
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Carinho,
MAYJO

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CAPÍTULO 1

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GIOVANNI ANDRETTI
— IMPOSSÍVEL, PAI — FALEI, virando
a cadeira na direção do meu pai na sala de reuniões
da Andretti & Lewis. A empresa foi criada em
parceria entre os dois há vinte anos quando eles
começaram a fazer negócios juntos. Jason Lewis
investia no ramo de tecnologia e, querendo
diversificar, entrou em sociedade com meu pai no
ramo de energia eólica. A empresa cresceu bastante
nos últimos anos e estive no comando nos últimos
meses. Meu pai queria que eu provasse meu valor
antes de assumir a presidência da Andretti’s Inc,
que é o meu futuro. Contudo aqui é onde ele quer
que eu mostre o quanto estou preparado para algo
maior. E vou provar isto.
Ele acabou de me informar que Nicole, a
filha de Jason, está vindo dividir comigo a

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administração da Andretti e Lewis. Eu estava há


seis meses no comando e, até onde eu sei, indo
muito bem. Não sei por que eles acham que essa
garota pode fazer melhor que eu, caramba. Trinquei
minha mandíbula e cruzei os braços. Tenho a
sensação que esses dois estão de gozação com a
minha cara. Meu pai, melhor do que ninguém, sabe
como é se sentir pressionado. Ele estava agindo
igual meu avô Lorenzo. Eu nunca tive de me
rebelar contra ele, mas estou começando a perceber
que terei de me impor.
— Claro que é possível. Nicole é
qualificada e competente — diz Jason Lewis do
outro lado da mesa, respondendo antes do meu pai
a minha indignação.
— Giovanni, tem de aprender a dividir
tarefas — diz papai, sorrindo para seu sócio. Ele
deve saber disso já que ele e Jason gostam de ter a

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última palavra, pois estão acostumados a comandar.


Vira-se para mim apaziguador. — Sei como é
difícil, de uma hora para outra, ter de dividir com
outra pessoa as decisões, filho. Mas, tanto você
quanto Nicole são herdeiros e têm as mesmas
quantidades de ações e direitos sobre a empresa.
Vocês dois são os representantes de seus irmãos.
Não é apenas sobre você, Giovanni.
— Ou vocês dois tem sucesso ou essa
empresa fecha as portas e a vendemos para quem
pagar mais —diz Jason taciturno. — É uma
realidade, tanto eu como Andretti não temos mais
interesse neste tipo de negócio.
Eles não tinham interesse? Conversa!
Energia limpa era o negócio do futuro e eles não
tinham interesse? Essa porra estava muito errada.
Algo não batia nessa decisão de me colocar aqui e,
ainda mais, junto com a herdeira de Jason Lewis.

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— Aqui não é lugar de Barbie, papai. —


Lembro-me de Nicole Lewis, ela era a típica
filhinha de papai. A última vez que a vi, ela não
passava de uma garota vestida toda de rosa. Bem,
isso tinha sido há alguns anos atrás. Mas eu
também era um garoto ainda, e odiava todas as
garotas. O que não acontece mais, tenho adquirido
um gosto requintado por elas. Eu adoro cada parte
feminina, o cheiro delicado delas, a pele macia,
cabelos longos acariciando meu peito enquanto elas
me cavalgam, seus lábios doces e...
Interrompo a linha de pensamento, pois
devaneei quando tenho assuntos mais sério para
tratar. Nicole Lewis não era bem-vinda aqui, não
quando eu quero me firmar e provar meu valor.
— Pai, não vou tolerar uma garota vestida
de rosa dando ordens aqui, achando que está em um
desfile de moda. — Apelo para seu bom senso. —

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Afinal, por que tem de ser os dois? Eu dou conta,


você sabe disso.
Jason cai na gargalhada quando termino de
falar. Olho mal-humorado para ele.
— Andretti seu filho é um pouco machista,
e não pode estar mais enganado sobre a minha
filha. — Ele fita-me com o cenho franzido. —
Talvez ela diga o mesmo de você, Giovanni. Ela
puxou a mim, então aconselho ir mais devagar com
seus comentários.
— Pago para ver o quanto ela é durona —
retruco. Droga, estou falando da filha do homem
quando vejo-o franzir o cenho. Eu posso ter um pai
poderoso, mas estou querendo ver minha jugular
espremida com essa atitude boçal com a filha de
Jason Lewis. Eu sonhei com o dia que meu pai
deixaria eu ter meu caminho trilhado no mundo dos
negócios e ele está frustrando meus planos e sonhos

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com essa história de “divisão de tarefas”. Eu tenho


vinte e dois anos e meu legado começa agora. Uma
dondoca não pode atrapalhar meu começo.
— Sinto muito, mas tenho de pensar sobre
isso — minto, pois não há o que pensar. Levanto
esticando minhas longas pernas.
— Não há o que pensar. Nicole estará aqui
na segunda-feira — informa Jason taxativo.
— Como é? E vocês falam isso agora? —
berro alterado. Meu mau gênio vindo à tona.
Pensando bem, que ela venha. Vamos ver se ela
aguenta uma semana trabalhando ao meu lado. —
Então que ela venha — digo em voz alta,
caminhando em direção a porta. — Eu duvido que
ela fique mais de uma semana.
Saio da sala de reunião e sigo para minha
sala. Sento na minha cadeira, meus dedos batendo
nervosos sobre o tampo de vidro da mesa. A

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impaciência e frustração me consumindo por


dentro. Levanto e pego o paletó, que está
pendurado no encosto da minha poltrona, visto e
saio. Paro em frente a mesa da minha secretária
Leila e aviso:
— Diga ao meu pai, caso ele pergunte, que
não volto hoje. — Não espero sua resposta e sigo
em direção ao elevador. Nunca imaginei que a
visita daqueles dois resultaria nessa notícia. Estou
fervendo quando entro em meu carro, um Mercedes
SLR McLaren. Desde que comecei na A&L,
mudei-me da casa dos meus pais para meu próprio
lugar. A empresa da mamãe projetou toda a casa,
ou melhor, minha mãe projetou. Embora por ela eu
nunca teria saído de sua casa. Meu celular começa
a tocar cinco minutos depois que estou dirigindo e a
conexão com o bluetooth faz a chamada ser
automaticamente atendida.

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— Giovanni? — A voz de minha mãe soa


dentro do carro.
— Oi, mãe, o que houve?
— Queria saber de você. Seu pai disse que
estava chateado — diz e, sem esperar minha
resposta, continua. — Estamos oferecendo um
jantar hoje à noite aos Lewis, para dar as boas-
vindas para Nicole, ela acabou de chegar de volta
ao Brasil.
— Obrigado, mãe, mas vou declinar do
maravilhoso jantar, tenho coisas mais importantes
para fazer — retruco de mau humor. Não tinha,
mas ela não precisava saber. Contudo, conhecendo
minha mãe, ela provavelmente sabia que eu não
tinha nada inadiável que me impedisse de
comparecer ao jantar. Mas eu iria a uma boate com
Alice, meu atual caso de uma semana. — Não
tenho vocação para babá de dondoca.

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— Foi essa educação que lhe dei, Giovanni


Andretti? — Eu aborreci dona Gabrielle. Ela era
implacável quando ficava brava, até meu pai saía
de perto quando ele chateava minha mãe. —Espero
você no jantar. Melhor que esteja aqui à noite.
Ela desliga e eu bato as mãos no volante
furioso. Eu não vou nesse jantar. Nicole vai receber
meu recado.
Como hoje é sexta-feira, eu aproveito que
saí cedo e vou para casa. Preciso relaxar e nada
como umas quinhentas voltas na piscina não
resolva.

Quando chego em casa é o que exatamente


faço, visto uma roupa de banho e passo o resto da
tarde gastando toda energia em braçadas na piscina.
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A casa é maior do que eu preciso, morando aqui


sozinho. No entanto ter a mãe projetando sua casa
faz com que ela pense que você terá uma família
antes que saia das fraldas. Dona Gabrielle achava
que eu iria me amarrar tão novo. Ela não poderia
estar mais enganada.
Depois de sentir os músculos um pouco
doloridos, saio da piscina e sento na
espreguiçadeira cruzando as mãos na nuca. O sol
está se pondo e aproveito a calma para pensar em
uma forma de driblar Nicole e fazê-la desistir da
A&L. Pego meu celular e faço uma rápida pesquisa
na internet.
“Nicole Lewis”
A mulher que aparece nas fotos não veste
rosa, ao contrário, ela é muito elegante e linda. Tem
os olhos verdes e cabelos negros. Ela parece com a
mãe, mas os traços de Jason Lewis são nítidos na

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feição delicada, os lábios carnudos feitos para a


porra do pecado. Ela sempre aparece ao lado dos
pais nas fotos. Tento descobrir mais, sobretudo
onde ela viveu esses últimos anos, já que não há
fotos recentes dela e nada falando sobre. Sei que
ela esteve fora do país. Lembro de algum tempo
atrás seu pai ter dito algo nesse sentido, mas eu
nunca estive interessado na filha de Jason para
querer saber. Se fosse esse o caso, ela estava nos
EUA? Eu também fiz isso quando terminei minha
graduação aos vinte anos, mas não passei nem um
ano completo lá fazendo MBA, eu desisti,
preferindo assumir a empresa da minha família. Eu
tinha um professor em casa, poderia aprender tudo
com ele. Jogo o telefone de lado, frustrado, para
logo em seguida pegá-lo de volta.
Disco o número de Alice e esqueço Nicole
por hoje. Ou melhor, eu tento, mas estou muito
chateado para deixar de lado. No fim, não vou ao
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jantar. Isso deixará minha mãe chateada. E meu


telefone toca sem parar enquanto estou dando toda
minha atenção para Alice de um jeito muito
prazeroso.
Sábado amanhece e há toneladas de
mensagens da minha mãe e Chloe, minha irmã mais
nova. Ignoro todas e passo o dia longe da casa dos
meus pais. Mesmo com uma mulher ao meu lado,
meus pensamentos não me deixam esquecer certos
olhos cinzentos e lábios de deusa. Estive
fantasiando com aqueles lábios dela em volta do
meu pau umas duas vezes quando Alice estava
fazendo exatamente isso. Sei que isso não me faz
um cara legal, fantasiar com uma mulher enquanto
faço sexo com outra.
Passo o dia no haras onde meu pai tem seus
cavalos. Eu adquiri o gosto dele para o polo e é
onde sempre estou quase todos finais de semanas,

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quando não tenho nada agendado, e hoje é um


desses dias. Alice acena quando me vê chegando no
cavalo. Eu desço entregando o garanhão branco
para o cavalariço cuidar dele.
Caminho e me sento debaixo da tenda onde
ela está me esperando.
— Conseguiu relaxar? — pergunta quando
me sento na cadeira vazia ao lado dela, depois
acrescenta maliciosa. — Você não parece um
homem que passou a noite gastando energia.
— Não. Espero que hoje você consiga me
ajudar com isso mais tarde — digo, inclinando-me
e beijando seus lábios.

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CAPÍTULO 2

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NICOLE LEWIS
— NICOLE LEWIS!
Estou prestes a entrar no elevador quando a
voz masculina, com som de desagrado, faz-me girar
rápido desequilibrando-me nos saltos agulhas que
estou usando. E teria caído se ele, o dono da voz,
não tivesse me segurado firmemente pela cintura,
mas mantendo uma boa distância entre nós. Ele é
alto e musculoso, não tipo boxeador, mas forte o
suficiente para os músculos sob sua camisa branca
de algodão serem notados. Ele não se vestia como
eu imaginava. Ele era o presidente da A& L e eu o
imaginava de terno e gravata, não camisa de
algodão e jeans. Seu visual despojado só me faz
pensar que ele não era o homem adequado para
administrar uma empresa. Será que estou sendo
igual a ele, fazendo um prejulgamento sem ao

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menos conhecê-lo apenas por causa de suas roupas


casuais? Meu pai juntamente com Nicolas Andretti
tinha feito dessa empresa uma gigante, e eu
morreria seguindo os passos do meu pai, mesmo
que hoje ela estivesse enfrentando problemas por
causa do afastamento dos dois CEO`s que
estiveram no comando desde o início. Eu não
permitiria que Giovanni comandasse sozinho,
apesar do meu pai dizer que ele era um garoto
prodígio que tinha herdado os genes dos Andrettis
para os negócios. Eu ainda não vi resultados dos
seus genes desde que a empresa começou a
apresentar problemas. — Seja bem-vinda.
Por que não acredito nessa recepção falsa
dele?
Eu fui alertada por meu pai que Giovanni
não me queria aqui, que eu era uma menininha que
estava brincando de mulher de negócio. Espero

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decepcioná-lo muito. Fui treinada pelo melhor.


Meu pai, é claro.
— Obrigada — digo meio ofegante quando
ele enfim me solta. Era cedo, devia ser 6 horas da
manhã e eu queria ter um momento a sós antes que
qualquer funcionário chegasse, mas eu não contava
que Giovanni já estivesse aqui. Eu o conhecia há
anos. Nossos pais começaram uma pequena
sociedade quando sua mãe Gabrielle ainda estava
grávida dele. E hoje nós dois somos os herdeiros,
juntamente com nossos irmãos. Mas somos os
primogênitos e, portanto, fomos incumbidos de dar
continuidade aos negócios.
Ele olha-me de cima a baixo e para no meu
sapato vermelho salto 15 e ergue zombeteiramente
uma sobrancelha masculina.
— Aqui não é a Fashion Week, senhorita
Lewis, melhor deixar o salto em casa amanhã.

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Eu não estou vestida para ir a uma festa,


meu terninho cinza chumbo é o mais discreto
possível, a única cor no meu traje é meu sapato.
Ele quer me fazer sentir desconfortável, pelo visto.
— Meu sapato é o que menos deveria lhe
preocupar, Giovanni. — Olho-o com o mesmo
desdém que ele me observa. — Não sabia que era
inteirado do mundo da moda. É isso que faz o dia
todo aqui na empresa? Lê a Vogue?
Ele ri, não, ele gargalha de verdade,
escorando-se na parede do corredor deserto.
— Sim e também vejo o site de fofocas das
celebridades e socialites metidas a mulheres
superpoderosas — diz quando fica sério.
Dou-lhe um meio sorriso e entro no
elevador, ignorando a alfinetada. Eu sabia que não
seria fácil, o garoto tinha se transformado em um
pequeno machista. O jantar que a mãe dele

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ofereceu-me na sexta-feira era, segundo Gabrielle,


para ele estar presente e, surpresa, surpresa: ele não
apareceu, deixando seus pais desconfortáveis com a
afronta direcionada a mim.
— Vejo que terei bastante trabalho por aqui.
— Bato no botão do último andar, para ter a última
palavra. Estamos jogando jogos bem infantis.
Ele entra no elevador atrás de mim e olho
desconfiada, eu preciso conhecer Giovanni Andretti
de perto: Nos negócios e na guerra temos de
conhecer profundamente nossos inimigos, e eu não
conheço nada dele. Preciso remediar esse fato
imediatamente.
— Vou mostrar sua sala, senhorita Lewis —
diz ele quando descemos no andar. O expediente
começa às sete horas. Olho para o perfil masculino
e vejo um músculo pulando em seu maxilar. O
garoto prodígio estava mesmo chateado por eu estar

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aqui.
— Espero que seja a melhor sala, afinal os
mais velhos tem prioridade. — Minha voz sai
debochada e, como imaginei, ele para de andar.
Olho-o com a sobrancelha levantada. — Algum
problema?
— Nenhum.
— Então...?
— Você vai ficar na sala que seu pai usava
— diz ele e continua parado olhando-me, seus
olhos azuis soltam faíscas de raiva em minha
direção. Ele era bonito demais para minha sanidade
mental. Pensamentos nada profissionais borbulham
dentro de mim agora, além de querer apertar o
pescoço dele com minhas próprias mãos. — Você
tem uma reunião às nove horas com o sindicato dos
trabalhadores. Melhor ir se preparar.
— E quem agendou essa reunião? Você?

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Desmarque, senhor Andretti, não irei a uma reunião


onde não sei nada da pauta e que não fui informada
que haveria. — Levanto meu queixo. — Mostre-me
minha sala e, quando eu estiver pronta, irei a
qualquer reunião agendada pelo senhor.
— Sinto que não vai ser possível desmarcar
em cima da hora. — Ele aponta a direção que devo
ir, como se tivesse prazer em me dizer tais palavras.
— Um verdadeiro líder está pronto para qualquer
eventualidade e já percebemos, em menos de cinco
segundos, que a presidenta não é capaz.
— Garoto, você é mesmo presidente nessa
empresa? Onde nossos pais andam com a cabeça?
Saiu do colegial quando, Giovanni?
— Para você é senhor Giovanni e não me
chame de garoto — retruca. Percebo que ainda não
saímos do lugar, apesar dele ter indicado para irmos
para a sala.

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— Acho que vai ser Giovanni mesmo,


afinal sou mais velha que você — replico com um
sorriso meigo, depois falo com autoridade. —
Mostre minha sala, estamos perdendo tempo aqui.
Caminho para o lado indicado por ele
anteriormente, com ele agora liderando o caminho.
Quase vejo fumaça saindo de suas orelhas, ele está
furioso com meu tom de voz.
Quando ele abre a porta da sala, vejo que é
enorme. Eu sinceramente não esperava por isso,
porém vejo que a sala do meu pai será minha
enquanto eu estiver aqui. Eu sei que dividirei uma
secretária com Giovanni e que ela vai me inteirar
de todo assunto da empresa. Preferiria que fosse
ele, mas, segundo o papai, ele estava arisco com
minha chegada. É o cúmulo ele querer que eu vá a
uma reunião sem nem saber do que se trata, esse
garoto precisa saber com quem está lidando.

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Vou até a mesa de tampo de vidro onde tem


um computador e alguns materiais de escritório
dispostos sobre ela. Coloco minha pasta em cima e
viro-me para ele.
— Você já pode ir — dispenso-o, pois sei
que isso o fará mais furioso e, para cravar ainda
mais a estaca em seu coração machista, acrescento:
— Quando a secretária chegar, peça para que ela
venha até minha sala.
— Vou dizer apenas uma vez, Nicole: Não
sou seu garoto de recado, não pense que aqui será
um parque de diversão para você.
Ele marcha para fora, deixando-me com um
sorriso triunfante no rosto. Ele não gosta de mim,
tão exaltado!
Ah, Giovanni Andretti, isso será tão
divertido. Ele não teve a decência de me mostrar a
empresa e, como quero deixá-lo fora de sua mente,

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pego apenas meu celular e saio da sala para


procurá-lo.
Ele vai fazer um tour comigo pela sede da
A&L. Sorrindo caminho para o lado contrário da
minha sala, pois meu instinto diz que ele me quer
do lado oposto ao dele. Meu salto faz barulho no
chão e eu sorrio mais largamente. Papai não deveria
ter me pedido para assumir a empresa, mas, já que
estou aqui, azar de Giovanni Andretti.
Paro em frente a uma porta e,
instintivamente, sei que é a sala dele, eu
simplesmente entro sem bater. Isso causará um
ataque em nosso querido menino de ouro. Olhos
azuis fixam nos meus. Ele tinha de ser tão sexy? Eu
nunca imaginei que me sentiria atraída por ele, mas
minha barriga tem essas borboletas revoando e
culpo a discussão que sei que virá.
Não me deixando abalar pela vontade de

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jogá-lo na cama mais próxima, digo autoritária,


sabendo que estou jogando um fósforo na pólvora.
— Giovanni, eu preciso conhecer todos na
empresa, você pode fazer isso? Apresentar-me para
todos os setores?

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CAPÍTULO 3

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GIOVANNI
CINCO MINUTOS E MEU INSTINTO
ASSASSINO está na superfície. Eu vou estrangular
Nicole antes do fim do dia. Não faz nem a droga de
cinco minutos e ela me tratou feito um moleque de
recado. Quem essa menina pensa que é? Garoto
uma ova. Caminho de um lado para outro na minha
sala. Quase cavando um buraco no piso.
Santo Deus! Eu tinha um lado explosivo
que rivalizava com o lado ponderado que eu
utilizava nos negócios. Era frio e controlado como
meu pai me ensinou, nunca perdi o controle quando
o assunto era negócio, mas Nicole Intrometida
Lewis conseguiu a proeza de me deixar fumegando
de raiva em poucos minutos.
Estou quase sentando em minha cadeira
quando a porta se abre de supetão e ela aparece no
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limiar da porta como se fosse a porra da dona do


lugar. A saia justa exibindo uma bunda sexy pra
caralho e esses saltos foda-me. Para piorar meu
maldito tesão indesejado, ela tem uma tatuagem de
dois minúsculos dente-de-leão em tinta preta no pé
com uma inscrição que não consigo ler, mas isso só
aguça minha curiosidade para saber o que a
senhorita certinha tinha escrito no pé. A tinta preta
contrasta com a pele clara, e essa merda é sexy pra
caralho. Como diabos irei aguentar isso todos os
dias? Eu odeio e quero foder a filha de Jason Lewis
com tanta força que é como uma dor latejando para
saciar o maldito animal dentro de mim.
— Giovanni, eu preciso conhecer todos na
empresa, você pode fazer isso? Apresentar-me para
todos os setores? — diz em tom autoritário.
— Sinto muito, mas não poderei fazer as
honras da casa. — Caminho para atrás da mesa e

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sento-me. — Sua secretária chegará em breve,


então pode pedir para ela.
— Claro que não. Nós dois estamos aqui no
mesmo nível de hierarquia, portanto, é você que me
apresentará os chefes de departamento, caro Gio.
— Giovanni, Nicole. Giovanni —digo entre
dentes. Além da raiva por ela estar me chamando
como se eu fosse minha avó, o cheiro dela me
atinge em cheio, é sexy, fresco e delicioso.
Enterrando isto bem fundo, rosno para ela. — Esse
é meu nome, Gio é minha avó.
— Ah sim, como ela está? — pergunta, mas
não parece ter interesse na resposta. — Bem, eu
espero que ela não se importe de eu chamá-lo
assim. Afinal vocês têm nomes muito parecidos.
Cristo!
Volto a levantar e caminho para perto dela,
tão perto que nossa respiração poderia se misturar.

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— Esse tour pode esperar, tenho uma


ligação para fazer com homens que realmente
entendem de energia eólica — digo para provocar,
chegando mais perto até que ela dá um passo para
trás, dando-me a chance de bater a porta bem na
sua cara.
Não é uma atitude adulta, mas eu tenho a
porra de um limite e ela está me provocando além
dele. Tranco a porta e volto para a mesa, ligando
meu notebook. Não tinha nenhuma ligação para
fazer, mas eu precisava me concentrar em alguma
coisa que não fosse os saltos sexys da minha
parceira de negócios. Parceira não, isso nunca!
Pego as pastas com as novas informações
sobre uma aquisição da A&L Wind Energy. Havia
muita gente louca para pôr as mãos na nossa
empresa e, se eu não tivesse cuidado, era o que iria
acontecer. Mas uma empresa em particular me

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chama a atenção, eles têm uma proposta boa


demais para ser verdade, e desconfio que só querem
comprar e depois desmembrar a empresa que
nossos pais construíram. Eu entendo que eles
querem diminuir o ritmo de trabalho deles, mas,
caramba, são novos ainda para pendurarem a
chuteira assim. Não tive uma conversa com meu
pai da real razão dele e Lewis deixarem a empresa.
Quando questionei sua decisão, seis meses atrás,
ele disse:
— Talvez eu queira testar você, filho. —
Mas eu tomei como um teste para ele me entregar o
comando de toda Corporação Andretti.
Meu celular começa a tocar interrompendo
meus pensamentos. Fecho os olhos quando vejo o
nome da minha mãe na tela. Droga. Sabia o motivo
dela estar ligando.
— Ei, mãe.

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— Ah, você está vivo, querido — diz como


se fosse algo extraordinário e sei que ela está com
muita raiva.
— Desculpe por não ir ao jantar, estive
ocupado... — digo, pois sei que é a razão da
ligação dela.
— Giovanni, não minta para sua mãe — ela
interrompe meu discurso, fazendo-me sentir
mal por não ter ido ao bendito jantar. — Seu
pai e eu queremos que você organize um jantar
na sua casa e convide Nicole e seus pais como
uma retratação da afronta que você fez a eles.
— Isso não vai acontecer, mamãe.
— Claro que vai, Giovanni Andretti.
— Não mesmo. Papai sabe que essa garota não
é bem-vinda aqui e ainda quer que eu faça sala
como um bom cavalheiro medieval? Não
mesmo.

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— Se você acha que isso foi uma sugestão, não


foi. É uma ordem.
— Sinto que eu não possa seguir suas ordens.
Eu gosto de dar as ordens, mãe.
Ela ri da minha resposta.
— Tão parecido com seu pai, mas não importa,
você faz o que estou mandando ou você sai da
presidência da A&L. Vou pedir para seu pai
como um favor que tire você e deixe a Nicole
no comando sozinha — diz mamãe implacável.
Agora é minha vez de rir, mas dura
pouco, pois se eu conheço meu pai, ele fará
exatamente o que minha mãe malévola pede.
Minha mãe é terrorista por culpa dele
que não tem um osso autoritário quando ela está
em cena. Na realidade, ela manda nele. Castigo
por ele pensar assim do meu avô em relação a
vovó, ele é tudo que esnobava no casamento

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dos meus avós. Não estou inventado, são


palavras dele não minhas.
— Você é minha mãe! — digo chocado.
— Sim, meu amor, eu eduquei você
para ser um cavalheiro e você foi esnobe e mal-
educado. Passei vergonha, filho.
— Não vou fazer isso — resisto, mas
minha voz já tem um timbre de derrota.
Gabrielle Andretti é terrível.
— Claro que vai, eu ajudo você nos
preparativos. — Ela agora é toda doce e favo de
mel. — Quando você pode, querido?
— Nunca!
— Giovanni!
Resignado digo.
— Ela não aceitará o convite, ela me
odeia.
— Você é filho do seu pai, tenho
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certeza que ele passou seus genes para você no


que diz respeito a persuasão. Confio que você a
convencerá.
— Não conte muito com isso. E por que
diabos isso é tão importante?
— Quarta-feira está bom para você,
querido? — Quando penso que ela ignorou
minha observação diz. — Não somos esse tipo
de gente mal-educada, Giovanni.
— Tanto faz, mãe. Mas deixe-me olhar
minha agenda. — Fecho meus olhos tentando
dissipar minha frustração. O que eu me tornei?
Eu não tenho de fazer isso, não sou obrigado a
oferecer jantar algum para Nicole. Pensar nela
me causa um frisson maldito no estômago.
Abro os olhos e verifico minha agenda.
Sorrio quando vejo que na quarta-feira tenho
um jantar para ir. Porém os outros dias estão

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todos livres, mas minha mãe não precisa saber.


— Infelizmente tenho um jantar
agendado, temo que não terei tempo essa
semana — digo em tom pesaroso, como se me
importasse. — Fica para outro dia, mamãe.
— Oh, está bem.
— Tudo bem? Sem argumentos? —
Dona Gabrielle estava desistindo facilmente?
— Se não tem dia livre, o que podemos
fazer? Vou ligar para sua secretária e verificar
com ela — diz e minha felicidade evapora. —
Tchau, meu querido.
Gemo quando desligo o celular, sei que
vou receber outro telefonema dela muito em
breve.

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CAPÍTULO 4

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NICOLE
BUFANDO IMPROPÉRIOS NADA
BONITOS PARA UMA DAMA, caminho de volta
para minha sala. Vejo que a mesa da assistente está
ocupada por uma mulher jovem e morena. Ela está
mexendo em sua bolsa quando me aproximo,
sentindo minha presença ela ergue a cabeça. Olhos
castanhos claros se arregalam quando me veem.
— Bom dia, você deve ser Nicole. — Ela
pula em pé e estende a mão para mim. — Prazer,
sou Leila, sou assistente de Giovanni, quero dizer,
senhor Andretti.
Pego sua mão estendida.
— Muito bom que você chegou, Leila.
Talvez você possa me mostrar o lugar? — Puxando
minha mão aponto para minhas costas. — Acho
que o senhor Andretti está muito ocupado.
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— Claro que sim.


Pela próxima hora Leila me mostra todo o
andar administrativo que ainda está vazio, então
não sou apresentada a ninguém, mas diz que no
meio da tarde teremos uma reunião para me
apresentar para todos os diretores. Depois
passeamos pelo chão da fábrica, onde enormes
hélices são construídas, funcionários começam a
chegar aos setores e Leila me apresenta alguns.
Passamos para outra parte onde turbinas enormes
estão sendo montadas, elas não são produzidas
aqui, elas vêm da Alemanha semi montadas e aqui
são finalizadas, os parques de energias eólicas
ainda são uma crescente no país. Geração de
energia limpa é fascinante. Quando meu pai me
pediu que assumisse a A&L, não pensei que teria
de brigar por supremacia. Nossos pais resolveram
de uma hora para outra que a empresa teria muito a
ganhar com duas cabeças jovens no comando.
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Talvez eles dois estivessem rindo agora, apostando


quanto tempo levaríamos para levar a empresa a
falência, já que desde que surgiu o rumor que
Lewis e Andretti estavam se retirando a empresa
foi direto para o vermelho. E nem todo esforço que
Giovanni fez, durante seis meses, surtiu efeito.
Estamos voltando para o escritório quando
lembro de algo:
— Por que tenho uma reunião com o
sindicato dos trabalhadores? E, melhor ainda, diga-
me por que Giovanni não está indo para esta
reunião quando ele está mais familiarizado com a
empresa?
— Verificarei se o senhor Giovanni mudou
a agenda, mas tenho quase certeza que até ontem
era ele que se reuniria com o sindicato. — Ela
franze a testa enquanto fala. — De qualquer forma,
vou passar os detalhes antes para você. Mas, para

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adiantar, os trabalhadores querem garantias de seus


empregos caso a venda seja mesmo verdade. E
saber se haverá muitos cortes caso queiram manter
a empresa, mas com menos pessoal.
— Tenho certeza que ninguém será
demitido, Leila, mesmo que seja vendida, os
funcionários terão seus empregos garantidos.
Faremos o possível para isso.
Eu não tenho tanta certeza do que estou
prometendo, mas sei que farei de tudo para que
essa empresa continue produzindo.
— Eles querem garantias ...
— Eles terão de confiar em nós por
enquanto. — Olho ao redor quando descemos no
nosso andar, está silencioso e me pergunto se
Giovanni saiu, mas a porta dele está fechada
quando passamos por ela.
Eu queria ir até lá e alfinetá-lo de alguma

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forma, mas tenho uma reunião para ir e tenho de


me inteirar do assunto.
O telefone da mesa de Leila começa a tocar
e ela corre para atender.
Estou prestes a continuar meu caminho
quando escuto o nome da mãe de Giovanni.
— Senhora Andretti, eu posso verificar. —
Ela se senta e abre um caderno de capa dura. —
Seria para próxima semana? — Ela pausa e folheia
o caderno. — O senhor Giovanni só tem
compromisso agendado na noite de quarta, essa
semana, os outros dias estão livres, mas se ele tiver
compromissos pessoais não são do meu
conhecimento. — Outra pausa e ela me olha dando
um sorriso aguado. — Sim, de nada.
— Problemas?
— Não, era apenas a mãe do senhor
Giovanni. Acho que ela quer jantar com o filho.

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— Claro que ela quer. — Dou de ombros e


volto para minha sala.

A reunião com o sindicato é tensa, Giovanni


lidera a conversa e eu termino apenas
acompanhando em grande parte.
— Senhor Andretti, com todo respeito, mas
a empresa sem os seus pais, — o líder sindical faz
um gesto onde abrange eu e Giovanni — não é a
mesma coisa. Não podemos deixar que os operários
percam seus empregos quando a empresa for
vendida e...
— Senhor Pascal, — eu me inclino em sua
direção — a empresa não será vendida, mas, se
chegarmos a esse extremo, iremos garantir que
todos funcionários tenham seus empregos

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mantidos, isso será fixado em contrato.


— Me desculpe, senhorita, mas não pode
assumir que os novos donos sejam tão benevolentes
— replica olhando Giovanni, como se ele fosse o
único a ter voz na reunião.
— Posso garantir por contrato, senhor
Pascal, que a quebra de cláusula acarreta problemas
financeiros que os supostos futuros CEOS não irão
querer.
— Entendo, senhorita, mas quem garante
que depois de uma semana não estarão todos na
rua?
— Um tempo poderá ser estipulado, mas
são hipóteses, não planejamos vender a A&L. —
Fito Giovanni que me olha como se eu fosse a
medusa em pessoa. Outros assuntos são abordados,
mas são tratados facilmente. Quando terminamos,
Giovanni praticamente me arrasta para seu

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escritório.
— O que diabos deu em você? “Posso
garantir”? Você não garante nada aqui, nós estamos
dividindo as decisões...
— Tem certeza que estamos? Até agora não
vi você sendo tão generoso — retruco, puxando
meu braço de sua mão. — Eu apenas tentei ser o
mais honesta possível, não vi você dando uma
solução para as reinvindicações deles. Não era isso
que você queria de mim? Que resolvesse como uma
verdadeira líder? Estou fazendo isto.
— Espero que você saiba o que prometeu
lá. — Olhos azuis fixam em mim. Giovanni parece
muito com seu pai, mas com os olhos de Gabrielle.
O azul é hipnotizante e agora estão colados em
mim. Minha barriga dá cambalhota e tento reprimir
as imagens dele me olhando assim enquanto ele
entra ... Maldição o que estou pensando? Senhor!

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— Aqui não é nenhuma boutique de madame.


— Eu tenho certeza — replico não me
intimidando com suas palavras. — Você me
colocou lá sem nem me falar do que se tratava a
reunião. — Coloco minhas mãos nos quadris. — E
você é tão machista assim mesmo ou apenas não
me quer aqui?
Ele caminha para sua mesa, sentando-se na
cadeira atrás de onde olha-me de cima a baixo.
— Talvez eu não queira uma Barbie por
aqui achando que pode resolver os problemas reais
com... — Fixa seus olhos em meus pés e seus olhos
brilham com óbvio escárnio — Seus saltos.
Ele tinha fixação por meus saltos?
Eu tinha uma faculdade de administração,
fiz MBA nos Estados Unidos em uma das melhores
Universidades, eu vivi e respirei negócios desde
que vim ao mundo, trabalhei para meu pai, e ele

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acha que pode me intimidar debochando de mim?


Ah, como ele irá se decepcionar comigo.
— Era tudo que tinha para dizer?
— Não. Minha mãe acha que eu fui
extremamente grosseiro com você não
comparecendo no jantar que ela...
— Sua mãe acha, mas e você? Acha que foi
grosseiro?
— Eu tinha um compromisso inadiável —
mente cinicamente, pois sei que ele não
compareceu para deixar claro que não sou bem –
vinda. Meu pai havia me dito que ele reagiu mal a
notícia de minha vinda para cá. — Mas, para me
retratar, estou oferecendo um jantar como sinal de
paz.
— Sua mãe que pediu?
— Não, ela não pediu. — Ele coloca as
mãos atrás da cabeça. — Você aceita jantar

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comigo, senhorita Lewis?


— Agradável seu convite — digo com
ironia. — Contundo, não vi muito entusiasmo de
sua parte. Vou declinar.
— Eu insisto, pense como um jantar de
negócio em que a deixarei a par de toda situação da
A&L.
— Eu posso descobrir de outra maneira e
aqui na empresa mesmo. Como na reunião com
todos os diretores que começará logo mais à tarde.
— Irei convidar seus pais também — ele
continua como se eu não tivesse dito nada. — Leve
quem você quiser, seu namorado por exemplo.
— Vejo que mamãe Andretti tem imenso
poder sobre você, terei isto em mente para alguma
casualidade.
— Aceite o jantar, Nicole, nós dois temos a
ganhar.

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— Não vejo o que ganho concordando em


jantar com um homem que quer me ver pelas
costas, como dizem por aí. — Eu estou me
divertindo com isso. Pelo visto Gabrielle exigiu que
ele se retratasse e agora ele não sabe o que fazer
comigo. — Para quando seria?
— Próxima semana?
— Vou estar em um compromisso.
Qualquer dia. — Sorrio, pois não vou facilitar para
ele e estou prestes a dizer que tenho mais o que
fazer do que estar em uma conversa infrutífera com
ele quando seu telefone toca. Ele olha a tela e
suspira.
— Duas vezes no mesmo dia, mãe? — Ele
escuta por um instante e logo seus olhos fixam em
mim, eu aceno dizendo que estou saindo. E ele
aponta para a cadeira na sua frente e tampando o
fone diz: — Pode esperar?

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— Tenho algumas coisas que preciso


verificar antes da reunião com os diretores...
— Espere apenas um instante. — Ele
aponta a cadeira mais uma vez. — Deixe-me livrar
da minha mãe.
Sento e espero.

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CAPÍTULO 5

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GIOVANNI
— SEU JANTAR SERÁ AMANHÃ À
NOITE, querido. Estou enviando a cozinheira para
sua casa, ela deve chegar amanhã logo cedo antes
que você saia. Ela irá preparar os pratos favoritos
de Nicole, seus pais não poderão ir, mas Nicole...
— Ela pausa. Olho para Nicole que está se
sentando. — Você já a convidou? Espero que ela
tenha aceitado, querido.
Que droga. Odeio quando minha mãe faz
isso, se intromete em tudo, caramba! Suspiro e dou
um desconto por sua implicância com essa história
de jantar, entendo que ela quer me dar uma lição
por não ter comparecido em seu precioso jantar e
deixá-la mal com seus amigos. Mas, caralho, isto é
uma chateação!
— Mãe, eu disse para você que tinha

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compromisso...
— O que é mentira, falei com sua
assistente. — Droga. O que diabos havia com esse
maldito jantar? Qual a porra da importância se eu
levava ou não a Barbie para um jantar? Querendo
me livrar desse incômodo resolvo jogar conforme
ela quer.
— Mãe — digo entre dentes e vejo Nicole
tentando segurar um sorriso divertido. Levanto
minha sobrancelha. — Está bem, farei isto por
você.
— Ótimo, meu amor. Te amo! — Ela
parece bem satisfeita consigo mesma quanto
desliga depois que eu resmungo o que talvez seja
um “eu também”.
Coloco o celular de volta na mesa, tentado
ganhar tempo.
— Você fica fofo obedecendo a sua mãe —
alfineta Nicole, agora com um sorriso estampado
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em seu rosto. Ignoro seu comentário e vou direto ao


ponto.
— Quero me desculpar com você por não
ter ido ao jantar que minha mãe preparou, então se
você não tiver nada programado para amanhã à
noite...
— E não era na próxima semana? —
interrompe ela.
— ...na minha casa — termino exasperado.
— E por que iria jantar com você, se tudo o
que você faz, desde que cheguei, é ser rude
comigo? Além disso, por que na sua casa e não em
um restaurante?
— Quero me retratar — digo quase
rosnando e percebo que assim não vou conseguir
convencê-la. — O jantar era para sua família
também, mas eles declinaram do convite. —
Suspiro resignado. — Aceite, Nicole, assim você se
livra de mim, minha mãe tem tudo organizado.
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— Morrendo de pena de você. — Sorri. —


Posso ir com uma condição.
— É claro que você tem. — Aperto minha
mandíbula esperando.
— Irei no jantar para sua mãe te deixar em
paz, mas eu quero que você diga na reunião de
diretores que estou no comando da A&L. — Sorri
maliciosa.
— Isto não está acontecendo, você não está
no comando de nada aqui — digo com fúria mal
contida.
— Estou sim, querido Gio, e quero que diga
na reunião. — Ela espalma as mãos em cima da
minha mesa e se inclina em minha direção. —
Admita e vou nesse jantar, caso contrário nunca
nem seremos colegas de trabalho. — Faz uma
pausa e diz com falsa voz de compaixão. — Sua
mamãe ficará tão chateada com você.
Inclino-me até ficar a centímetros do rosto
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dela. O desejo de capturar seus lábios nos meus


atinge-me tão fortemente que temo ter deixado um
gemido escapar, mas ela não parece notar. Seus
olhos verdes soltam chispas em minha direção.
— Você pode sonhar com isto, mas não vou
ficar por baixo de você, Nikki — sussurro
lentamente e vejo os olhos verdes escurecerem e a
atmosfera mudar um pouco ao nosso redor, fica
densa e carregada de eletricidade estática. — Veja,
eu poderia ficar embaixo de você, mas certamente
não é nesse contexto.
— Isso foi uma cantada barata, Andretti?
Porque se foi, deveria praticar em frente ao espelho
durante um ano, no mínimo, talvez assim ela pareça
sexy e não de mau gosto. — Ela não se afasta e eu
muito menos. — Então o que vai ser?
— Será você jantando comigo sem
condições e irei tratá-la como uma igual, sem
hierarquia entre nós — minto descaradamente e me
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aproximo ainda mais dela, apenas um centímetro


separando nossas bocas, mas nossos olhos nunca
desviam um do outro. — Então o que vai ser?
— É um passo no caminho certo. — Ela fita
minha boca, voltando a olhar meus olhos e não
parece falar da empresa quando diz: — Eu sempre
consigo o que quero, Andretti, sempre! Um dia será
todo meu.
Que porra é essa? Ela quis dizer tudo dela,
referindo-se a empresa ou EU seria todo dela?
Gosto dessa ideia, mas o contrário é que é
verdadeiro. Ela poderia ser toda minha. E talvez
seja esse o caminho para domar essa pequena
megera. Fazê-la ficar de quatro e totalmente
submissa a mim.
Que merda estou pensando? Mal nos vimos
e já estamos fazendo comentários dúbios. E além
de tudo não nos suportamos. Sorrio e me afasto.
— Todo seu é?
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— A empresa, é claro — diz para disfarçar,


mas talvez ela quis dizer mesmo que eu serei dela.
Nunca imaginei que Nicole Lewis tivesse um
mínimo de interesse em mim. — Todo o negócio.
O que imaginou?
— Exatamente isso. — Minha vez de fitar
seus lábios carnudos e sexy pra caralho, volto meu
olhar lentamente para seus olhos. — O que
imaginou que pensei?
— Vamos ficar aqui repetindo nossas falas?
— Se você quiser... — Tenho vontade de rir
de nossa implicância mútua, mas estava gostando,
mesmo que mais cedo tenha ficado puto com ela.
— Que horas é esse jantar? — Ela se
endireita.
— Dezenove e trinta está bom para você?
— Estarei lá, caso cumpra sua parte. — Ela
me dá um sorriso inocente. — E comece sendo
gentil e deixando-me a par do real problema da
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A&L.
Quero dizer para ela pegar sua bolsa e ir
fazer compras no shopping como uma boa
mocinha, contudo me controlo e passamos as
próximas duas horas falando de negócios. Mesmo
que não queira admitir, ela é perspicaz e
inteligente, em pouco tempo estávamos discutindo
de igual para igual. A contragosto relato que
estamos perdendo contratos que foram firmados
quando nossos pais ainda estavam no comando e
que, depois do anúncio da saída deles do controle
da empresa, muitos não se sentiram seguros com o
futuro que a A&L poderia ter.
— Temos de trazê-los de volta — diz ela
em dado momento. — Além de irem embora,
podem levar outros com eles e não podemos nos
dar esse luxo, aí sim iremos a falência em pouco
tempo.
— Para isso estamos aqui, princesa. — Ela
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me lança um olhar hostil quando o princesa deixa


minha boca. Fazendo-me de desentendido indago.
— Algum problema?
— O único problema é você, garoto —
retruca e é minha vez de fazer cara feia.
É hora do almoço e rapidamente tenho
vontade de perguntar se ela quer almoçar comigo,
mas mudo de ideia. Minha vontade de foder com
ela está aumentando a cada minuto e prolongar
nosso tempo junto só vai piorar a situação. Então
digo que irei sair e quando voltar teremos apenas a
reunião durante à tarde.

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CAPÍTULO 6

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NICOLE
DESDE QUE CHEGUEI DO EUA ESTOU
MORANDO COM MEUS pais até encontrar um
apartamento, claro que poderia viver aqui na casa
deles, tem espaço de sobra na mansão onde cresci,
mas eu amo minha liberdade, então não ficarei
muito tempo. Entro na casa deles no fim do dia e
encontro tia Carla na sala conversando com minha
mãe.
— Ah, minha querida. — Tia Carla me
abraça como se não tivesse me visto há séculos,
mas ela me viu ontem. A vivacidade dela é tão
vibrante que se você odiar abraços irá sofrer um
monte nas mãos dela. Tia Carla é a melhor amiga
da mamãe antes mesmo de eu surgir no mundo,
então elas são como unha e carne.— Estava com
tanta saudade de você por aqui, minha florzinha.

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— Oi, tia Carla. — Solto minha bolsa e


devolvo o abraço e beijo seu rosto. — Bom te ver
também. E Guilherme? Por onde anda agora?
O filho dela com meu tio Saulo, meu primo
por afinidade. Somos amigos desde criança. Ele é
da idade das minhas irmãs trigêmeas e crescemos
todos juntos. Gui e eu, podemos dizer, somos
melhores amigos, mas quando saí do país ficamos
longe um do outro, eu preciso resgatar isso em
breve.
— Aquele garoto vive me dando trabalho,
ele deve estar fazendo alguma aventura maluca por
aí, ele nunca me diz nada — murmura ela.
Guilherme é um aventureiro, ele adora esporte
radical. Ele escalou o Everest quando tinha dezoito
anos e as loucuras que ele posta nas redes sociais
fazem meu coração bater louco no peito apenas de
imaginar como seria.
Soltando tia Carla vou até mamãe e beijo
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seu rosto. — Ei, amor!


— Oi, mãe.
— Como foi o primeiro dia? — pergunta
mamãe com um sorriso. Ela sabe que Giovanni
estava sendo difícil. Ficou claro quando ele não
compareceu ao jantar que o herdeiro dos Andretti
não me quer por perto. Guardo para mim o
pensamento de que ele talvez não me queira na
empresa dividindo o comando, mas ele me quer de
uma maneira que, se eu fosse sincera comigo
mesma, me deixa quente por todos os lugares. E o
que foi aquilo na sala dele? Quase disse que o
queria explicitamente. Ele me faz fazer coisas que
normalmente nunca faria, não que eu seja puritana
ou algo assim. Não sou.
Mas ele me tira do sério terrivelmente.
Suspiro quando sento ao lado da mamãe e
olho o teto em busca de inspiração divina para não
dizer o quanto quero matar Giovanni. Lentamente.
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— Quando foi que Giovanni ficou tão...


tão... — Procuro uma palavra que não seja feia para
falar do meu parceiro de trabalho, mas as únicas
que vêm são palavrões e minha mãe lavaria minha
boca com água sanitária.
— Bonito? — sugere tia Carla com um
sorriso largo. Ela era ainda muito bonita com seus
mais de cinquenta anos, ela e a mamãe eram lindas
e bem cuidadas.
— Grosseiro, irritante e um filho da mãe
que se acha o dono do mundo! — digo enumerando
em meus dedos. — O dia foi... improdutivo, culpa
dele! – Não foi de todo verdade, o dia tinha sido
intenso, tanto de sentimentos à flor da pele entre
nós dois quanto de assuntos da empresa.
Conversamos por horas sobre os principais
problemas que requeriam nossa atenção.
Elas estão rindo.
— O que é tão engraçado naquele... naquele
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— Deus! Eu nunca fico sem palavras.


— Sabia que sua mãe tinha esses ataques
quando se apaixonou por seu pai? — Tia Carla ri e
olha para minha mãe fazendo uma careta. — Ela
queria matá-lo metade do tempo e a outra metade
não posso falar, faria você ter pesadelos, querida.
Reviro meus olhos para as besteiras dela.
Não quero imaginar nada entre meus pais e muito
menos entre Giovanni e eu.
— Do que está falando? Não suporto sua
arrogância. — Olho ao redor e mudo de assunto,
não quero ir por esse caminho, pois ela é uma
romântica junto com minha mãe e deve estar
pensando um monte de besteiras entre eu e o
machista Andretti, não quero alimentar as ideias
delas. — Se vocês me derem licença, irei tomar um
banho...
Há um barulho na porta de entrada e pouco
depois minhas irmãs e papai aparecem. Ellie,
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Jasmine e Sofia são copias idênticas uma das


outras, e elas se parecem com meu pai, mas nunca
as confundíamos. Olhos cinzentos e cabelos negros,
cabelos que também herdei dele, mas eu me pareço
mais com a mamãe fisicamente, já a personalidade?
Eu poderia dizer que sou mais parecida com ele.
— Ei, garotas! — Elas só são dois anos
mais novas que eu, mas eu sinto-me bem mais
velha e o carinho que sinto por elas vai além de
qualquer coisa nesse mundo.
— Ei, Nikki! — Elas sempre falam em um
pequeno coral que me faz rir.
Levanto e beijo cada uma no rosto antes de
ir até meu pai que está de pé com as mãos nos
bolsos da calça. — Onde estava com essas
pestinhas, papai?
— Fui obrigado a passar à tarde em um
salão de beleza. — Ele suspira frustrado. — Eu não
poderia ter tido pelo menos um homem para dividir
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as tarefas com tantas mulheres?


Sorrio pois ele sempre reclama, porém
sempre faz todas as vontades. As meninas fazem
dele gato e sapato. Ele nunca diz não, a mamãe que
sempre fica com a tarefa de negar, então, desde
cedo, que sabíamos com quem conseguir tudo que
queríamos. Com ele, é claro! Não que a mamãe
fosse sempre a carrasca, mas é a única que nos
colocava limite.
Lembro que as trigêmeas estão de viagem
marcada para daqui uns dias, férias na Grécia, e
devem ter arrastado papai para todos os lugares
com elas. Ele ama fazer isso, mesmo que diga
sempre o contrário, ele ama suas filhas mais que
tudo, claro, depois de sua mulher. Eu queria
encontrar um amor igual ao deles, mas tenho o pé
no chão, sei que hoje em dia quase não existe, pelo
menos no meu mundo em que dinheiro é mais
importante que amor. Eu sei que quando me casar
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será por pura conveniência.


— E como se saiu na A&L? — Ele tira-me
dos pensamentos com a pergunta. Seus olhos estão
cheios de diversão enquanto espera minha resposta,
deve estar imaginando eu e Giovanni arrancando o
olho um do outro. — Não se mataram, não é?
— Foi tudo bem. — Não iria me queixar
para meu pai, nunca. — Nenhuma arma foi puxada.
Temos até um jantar. Giovanni quer se desculpar
por não ter ido ao jantar que seus pais nos
ofereceram.
— Bem, eu fico feliz.
— Sei lidar com ele.
— Não foi isso que estava nos dizendo,
querida. — Mamãe se intromete quando vem para
perto e enlaça a cintura do papai. Ela recebe um
beijo dele e reviro os olhos.
— Estava apenas comentando o quanto ele
é chauvinista, mas posso lidar com ele — digo
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antes de pegar minha bolsa e caminhar para as


escadas. — Vou tomar uma ducha antes do jantar.
— Não demore, Nikki, estou morrendo de
fome — diz Jasmine. Ela está sempre com fome.
Não sei para aonde a comida que ela ingere vai,
pois é a mais magra das trigêmeas. Sofia está
sempre em briga com a balança, vive fazendo todo
tipo de dieta. Elle é relax com sua aparência,
também ela não tem com o que se preocupar. Ela é
linda.
Quando desço, meia hora depois, tio Saulo
se juntou ao grupo e todos vamos para mesa jantar.
— Guilherme está voltando de uma
excursão que ele esteve fazendo na Chapada
Diamantina. Deve chegar amanhã, logo cedo, ele
está voltando para a inauguração da boate que está
abrindo com um colega, é a nova aventura dele —
diz tio Saulo quando pergunto onde meu primo
anda.
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— Ele faz essas coisas porque você aprova


tudo que ele faz —tia Carla reclama.
— Ele é hiperativo, querida, tem de se ocupar.
— Ele sorri para ela.
— Ele só tem vinte e um anos e vive fazendo
essas loucuras longe de casa...
— Com vinte e um anos eu já era dono de uma
empresa, Carla, não mime o garoto — retruca
papai. — Ele deve se arriscar nos negócios e se
uma casa noturna, aventuras dentro de matos, o
faz feliz...
— Jason, você se ouve? — retruca ela de volta.
— Suas filhas de vinte e um anos não saem por
aí escalando o monte Everest.
— Bem que nós queríamos, não é, meninas? —
diz Jasmine, rindo para suas cópias idênticas do
outro lado da mesa.
— Eu não! — diz Sofia fazendo uma careta
para Jas. — O mais perto de uma aventura dessas
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que eu poderia chegar é ficar uma semana no


Canyon Ranch.
Ela se refere a um SPA nos Estados Unidos.
Elas estiveram, dias atrás, pesquisando onde passar
as férias e esse lugar foi uma das opções que
conjeturaram ficar, mas no fim a Grécia ganhou,
lógico que não ficarão apenas na Grécia.
— Que casa noturna?— pergunto ao tio
Saulo.
— Chama-se Rave’s ou algo assim, ele e
um amigo estão em sociedade. Não sei quando será
a inauguração, mas será nos próximos dias.
— E ele foi em uma aventura e deixou tudo
aqui?
— Ele nunca fica muitos dias parado, o
sócio está cuidando das coisas, na verdade é ele
quem administra, para ser sincero, Guilherme
entrou com o capital. — Ele ri. — Ele tem algum
tipo de alergia a escritório. Não sei por que cursou
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direito se não era o que ele queria fazer.


Era verdade, meu primo preferia sair em
uma aventura na mata Amazônica a ter de fazer
trabalho burocrático. Ele era formado em direito,
mas ainda não fez o exame da Ordem para exercer
a profissão.
— Ele deveria se espelhar no filho de
Andretti — diz papai, direcionando a conversa para
Giovanni. — Aquele ali seguiu ao pai
completamente.
— Imagino... — murmuro ironicamente. —
Ele é todo negócio, arrogante.
— O que disse, Nikki?
— Nada, falava comigo mesma. — Dou a
ele um sorriso. — Não precisa dar exemplo de
Giovanni, estou bem aqui e segui seus passos nos
negócios também.
— É claro, filhotinha. — Ele sorri caloroso
para mim. — Mas você é outro patamar. Minha
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princesa.
— Sim a princesa favorita do papai. — As
meninas dizem em uníssono fazendo caretas para
mim.
— Todas são minhas princesas. — Ele pisca
para elas e minhas irmãs ciumentas sorriem como
umas bobas, ele as mima além do imaginável. Não
sei como elas não são umas delinquentes juvenis de
tanto que ele faz suas vontades.
Depois do jantar meu pai e eu vamos ao seu
escritório enquanto mamãe leva tia Carla e tio
Saulo ao carro e as trigêmeas vão para seus quartos.
— Como realmente está sendo com o
Giovanni? — Ele senta em sua cadeira atrás da
mesa.
— Estou mais preocupada com o rumo que
a empresa está tomando. Alguns parceiros estão
desistindo da empresa, pai, isso é muito sério. Eles
podem romper contratos assim?
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— Eles estão inseguros com o futuro da


empresa mesmo sabendo que nós ainda somos
donos, eles não têm certeza se vamos continuar ou
iremos nos desfazer da empresa.
— Isso é ridículo. Uma empresa do porte da
A&L não vai a falência apenas por que mudou de
CEOs.
— Pode sim, mas eu confio em vocês dois
para que isso não aconteça.
— Papai, por que vocês dois resolveram
sair assim? Não entendo, a empresa é um projeto
dos dois e uma das maiores empresas do país no
ramo de energia limpa.
Ele para e seus olhos caem para uns papéis
na sua frente.
— Vocês um dia irão assumir nossos
negócios, é hora de começarem a caminhar com as
próprias pernas.
— Eu já estava caminhando com minhas
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próprias pernas — digo com ousadia. Poucos


sabiam que enquanto eu estava nos EUA estive
trabalhando para meu pai com aquisições de
empresas, e fiz um ótimo trabalho, agora ele quer
que eu administre junto ao pequeno ogro.
— Giovanni tem feito um ótimo trabalho lá,
tem segurado os negócios mesmo que os antigos
parceiros tenham pedido anulação de contrato —
diz com certo orgulho na voz quando fala de
Giovanni.
- Você gosta dele, não é? Lamenta não ter
tido um filho? - Eu nunca tive problemas com meu
pai por isso, mas vê-lo agora falando de Giovanni
de forma tão orgulhosa me deixa com uma
sensação esquisita.
— É claro que não lamento nada, tenho
quatro filhas perfeitas. Não poderia desejar nada
mais.
— Pai...
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— Você é dez vezes melhor que o filho de


Andretti. - Ele sorri para mim conspiratório.
Sorrio também porque acho que sou melhor
nos negócios que ele.
Ficamos conversando mais um tempo até
mamãe aparecer e dizer que ia deitar e, claro, meu
pai a seguiu. Ainda me demoro no escritório antes
de ir para meu quarto e tento trabalhar um pouco,
mas meus pensamentos correm para Giovanni.
Deus! Ele grudou nos meus pensamentos? Quando
me deito para dormir, ele ainda povoa minha mente
juntamente com o jantar que irei amanhã na casa
dele. Ainda não entendo por que não vamos para
um restaurante, mas, por outro lado, acho bom.
Assim posso conhecer Andretti um pouco mais.

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CAPÍTULO 7

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NICOLE
DIFERENTEMENTE DE ONTEM, o dia
de hoje foi apenas trabalho, nada de brigas infantis
com Giovanni, estou na busca de agendar reuniões
com os contratos que foram desfeitos, uma tarefa
que poderia ter sido feita por Leila, mas eu quero
deixar claro como são importantes para nós, então
eu mesma estou ligando para cada um
pessoalmente.
No meio da manhã Leila me passa uma
ligação da senhora Gabrielle Andretti.
— Nicole, espero que meu filho esteja te
tratando bem — diz ela quando atendo. — Ele
ladra mas não morde.
— Olá, senhora...
— Me chame de Gabrielle — interrompe
ela, eu não sei bem do que a chamar. — Vou direto

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ao ponto, minha querida, quero saber se meu filho a


convidou para jantar?
Meu Deus! O que há com esse bendito
jantar para ela estar me ligando? Ela está neurótica
já.
— Sim, irei.
— Oh, fico tão feliz, espero que vocês dois
se deem bem. — Hã, que mulher estranha essa
Gabrielle se tornou.
Eu gaguejo uma resposta e digo que estou
meio ocupada e ela desliga.
O dia passou tão rápido que não sobrou
tempo para discussões. Segundo Leila, Giovanni
passou o dia em sua sala, disse que não queria ser
incomodado, e eu não fui lá. Mas agora estou quase
pronta para sair e preciso saber seu endereço para ir
no bendito jantar. Não tenho vontade de passar
metade da minha noite querendo estrangular
Giovanni. Passo pela mesa de Leila e ela não está à
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visita, então vou direto para a sala de Giovanni e


abro a porta sem bater. Merda! Ele não está
sozinho. Ele está em sua cadeira com uma loura
sentada no colo e os dois estão no processo de
engolir um ao outro.
— Oh! Estou atrapalhando? — Eu não vou
me intimidar, aqui não é o motel de Andretti.
— Quando vai aprender a bater? Nessa
escola de elite que passou anos não te ensinaram
educação? — retruca ele.
— E seu pai não lhe disse que local de
trabalho não é motel? — Dou um sorriso sem graça
para a loura que está ajeitando o decote e descendo
do colo dele. Ela nem parece constrangida, como
ser pega engolindo um homem fosse algo
corriqueiro para ela.
— Sou Alice. — Ela se apresenta, olhando-
me com a testa franzida, eu não devolvo o favor
dizendo quem sou, mas ela deve saber já que
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continua. — Você deve ser a tal Nicole, pelo teor


da conversa.
Olho para ela. Esse é o tipo de mulher que o
pequeno Giovanni gosta? Não sabia que ele tinha
uma namorada.
— O que você quer, Nicole? — pergunta
ele enfim. E querendo deixá-lo em apuros com a
namorada digo com voz suave.
— Oh, eu não lembro que horas é nosso
jantar em sua casa. — Olho inocentemente para ele.
— E também não sei seu endereço. Seria bom saber
onde você mora, afinal você sabe onde é minha
casa, acho injusto.
— Vai jantar com ela? — A voz da loura
agora é estridente. — Esse era o compromisso que
não poderia adiar quando me dispensou mais cedo?
Oh! Tenho vontade de gargalhar.
— Desculpe-me, caro mio, não sabia que
era segredo nosso encontro. — Os olhos azuis estão
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soltando chispas em minha direção. Ele está


furioso.
— Encontro? Tem um encontro com uma
mulher que há dez minutos atrás você estava
xingando de Barbie mimada e não sei mais o quê?
— Ela agora está com as mãos no quadril. Barbie
mimada? Ele realmente me acha uma patricinha.
— Menos, Alice, não é como se você fosse
minha namorada para estar agindo como uma —
diz para a mulher sem tirar os olhos de mim, então
completa. — Nosso encontro é às 19 horas e vou
enviar meu endereço para você. — Cafajeste! Meus
olhos dizem para ele, mas em voz alta digo com
voz meiga:
— Ah, obrigada, caro mio. — Dou meia
volta para sair, mas paro. — Desculpe atrapalhar o
que quer que eu tenha interrompido.
Fecho a porta suavemente e o sorriso que
tinha nos lábios somem. Caminho de volta para
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minha sala e pego minha bolsa. Hoje à noite será


longa.
Chego em casa por volta das 17:30h e a
casa está silenciosa, passo na cozinha para tomar
um copo de água antes de ir me arrumar e Catarina,
nossa governanta, está dando ordens para a
cozinheira. Ela está com nossa família desde antes
do meu nascimento. Segundo minha mãe, meu pai
a contratou quando ela estava grávida de mim.
— Ei, pequenina, precisando de alguma
coisa? — Ela se vira com um sorriso caloroso nos
lábios. Ela me chama assim desde que eu era um
bebê, às vezes na frente de convidados. Mas eu
amo essa mulher como se fosse minha avó. Ou uma
tia mais velha.
— Obrigada, Catarina, só um copo de água
— digo quando caminho para pegar.
— Sente-se que sirvo, pequenina.
— Só vou pegar um copo e subir, vou sair
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logo mais. — Passo por ela e beijo seu rosto antes


de ir para meu quarto.

Paro em frente aos vários vestidos no meu


closet e nenhum parece apropriado para ir jantar
com o inimigo. Depois de dez minutos escolho um
branco com alça fininha, ele é de seda pura e cai até
o meio da minha coxa. Era um tanto ousado, pois
se moldava ao meu corpo com o caimento perfeito,
mas eu tinha que desestabilizar o inimigo. Coloco
sandálias de tiras finíssimas nos pés e estou quase
pronta para sair. Aplico uma gota de perfume e me
avalio no espelho de corpo inteiro do quarto. Bom.
— Irmãzinha, onde está indo tão piriguete?
— A voz de Jasmine me tira dos meus
pensamentos, ela entra e se joga na minha cama
disparando perguntas como uma metralhadora.—
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Está toda gostosa, quem é o gatinho? Só faz quinze


dias que está de volta e já tem um encontro? Eu
com uma vida toda aqui e não tenho um encontro
há séculos. Diga-me o segredo, irmãaaa.
Jesus! Alguém amordace esta garota.
— Encontro de negócio — digo e ela me
olha cética. Fazendo meu papel de irmã mais velha
e ranzinza implico. — Aprendeu a falar assim na
faculdade?
— Negócios sexuais? — Ela ignora meu
comentário. — Porque nunca vi ninguém fazer
negócio com um vestido desses.
— Claro que nunca viu, nunca foi em uma
reunião de negócio, querida — alfineto.
— Para isso temos você, a fodona Nicole
Lewis. — Ela me aponta e depois junta as duas
palmas das mãos em súplicas. — Conte, conte,
conte...
— Vou apenas jantar com Giovanni, não é
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um encontro — esclareço, mas se achei que isso


faria a garota sossegar me enganei, ela pula da
cama e se aproxima.
— Giovanni Andretti? — Aceno
confirmando e ela arregala os olhos. — Não
acredito! Sabia que Ellie tenta chamar a atenção
dele há mais de ano e ele nunca nem a olhou?
— O quê? — O pensamento da minha irmã
com Giovanni me deixa com gosto amargo na boca.
— Ela é apaixonada por ele? — pergunto não
querendo deixar dúvidas sobre o que estávamos
falando.
— Bom, ela diz que não, mas sempre está
falando nele e outro dia deu em cima dele em uma
boate. Nos encontramos lá e ela ficou meio triste
depois dele rejeitá-la. Eu e a Sofia achamos que ela
ainda gosta dele. — Ela tira uma mecha de cabelos
negros da frente dos olhos cinzentos. — Acho que
ela vai pirar quando souber que vocês dois estão
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saindo. Ela sempre fica louca quando vê as fofocas


sobre as namoradas dele.
Ah, não! Fecho os olhos por um instante,
respiro fundo e vou até o closet pegar um casaco,
caso eu precise mais tarde. Volto para o quarto e
Jasmine agora está mexendo nas minhas
maquiagens.
— De qualquer forma, o jantar de hoje não
é um encontro. — Droga! Devo já ter repetido isso
umas dez vezes, não é? Limpo a garganta. —
Tenho de ir, queridinha. — Agarro a bolsa e a
chave do carro que estão em cima da cama.
Ela me acompanha escada abaixo
tagarelando sobre o encontro quente que terei, se
fazendo de desentendida sobre não ser um
encontro. Jasmine era a pior das três e mamãe dizia
que ela era a mais quieta quando pequena.
— Onde estão suas cópias? — pergunto
tentando mudar o foco da conversa. — Vocês não
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vivem mais tão juntas como antigamente?


Lembrando que não sei o endereço de
Giovanni, pego meu celular e verifico se recebi o
endereço como ele havia prometido que mandaria.
Nada. Droga! Deve ainda estar com a língua e as
mãos ocupadas com a loura. Mau-caráter!
— Ellie está na La Belle e Sofia deve estar
na ioga. — Ela para de falar quando saímos e vê
um carro preto com motorista parado na entrada da
casa. Ela se vira para mim com um sorriso
malicioso. — E não é um encontro? Ele te enviou
um carro com chofer e tudo.
— Jasmine, pare de fantasiar! Como se
você nunca tivesse tido um carro com motorista —
ralho e me inclino para beijar sua bochecha. — Te
vejo depois.
— Divirta-se! — Ela praticamente canta a
palavra.
Tenho vontade de dispensar o carro que
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Giovanni enviou, mas o coitado do motorista não


tem culpa de nada, contudo ainda fico tentada a ir
no meu próprio carro, pois quando o jantar ficasse
insustentável eu poderia sair de lá. Depois de
reconsiderar, entro no carro. Eu poderia chamar um
táxi e voltar para casa, quando desejasse.

A casa, se é que pode chamar assim a


pequena mansão de Giovanni, ainda era grande e
bonita. Quando o carro para em frente a uma porta
larga, eu desço e não deixo de admirar o local. Tem
até um jardim com fonte com dois golfinhos de
pedra jorram água. Giovanni Andretti é bem
extravagante para um pirralho de vinte e três anos.
A porta se abre e Giovanni aparece, ele está
vestido com jeans preto e uma camisa preta com

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mangas arregaçadas até o cotovelo. Ele tem os


cabelos molhados ainda do banho e sinto seu
perfume masculino, e eu não quero gostar do cheiro
desse homem. Não quero gostar dele nem do
perfume nem de sua casa bonita. Ele é meu
inimigo. Digo para mim mesma quando me
aproximo dele. Ele tinha de ser tão bonito? Talvez
fosse para compensar seu mau gênio.
— Seja bem-vinda, Nikki. — Ele me avalia
de cima a baixo. Seus olhos parecem acariciar cada
polegada da minha pele exposta. — Você está
bonita.
— Não posso dizer o mesmo — digo
apenas por implicância e por que não vou
massagear o ego gigantesco dele. — Mas sua casa
parece muito bonita, pelo menos aqui de fora.
— Por que não entra e confere? — Ele se
afasta para que eu entre e o sigo.
— Não me chame de Nikki, não somos
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amigos. — Meu braço esbarra nele e um frisson


quente percorre meu corpo com o contato fazendo
algo em minha barriga dar cambalhotas. Estou em
sérios apuros se isso continuar. Eu não poderia ser
tão estúpida, desejar o inimigo é um dos piores
erros.
— Sua doçura é tocante — comenta ele
quando fecha a porta atrás de nós. — Posso servir
um aperitivo? O que gosta de beber?
Não respondo de imediato, estou apreciando
a decoração da sala. Eu esperava que um homem
jovem solteiro morasse em um apartamento e que o
local fosse completamente masculino, mas apesar
de ser bem masculino, a decoração da casa, não
tinha nada que gritasse “jovem solteiro”.
Tetos altos com um candelabro de cristal
dourado pendurado, uma lareira que não sei se é de
verdade ou apenas decoração, em frente tem um
tapete e ao redor sofás bem masculinos de cor
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creme. O branco e o dourado predominam e


percebo que uma mulher decorou a casa. Um
homem não faria algo do tipo.
— Gosto da decoração — digo e respondo a
pergunta anterior dele. — Água está bom. — Mas
lembro que não vou dirigir e peço que ele sirva o
que tiver.
— Obrigado, quando encontrar minha mãe
terão figurinhas para trocar sobre minha casa. —
Ele me dá um sorriso malicioso e vai para uma
parte da sala onde tem uma mesinha com bebidas.
— Ela realmente é sua fã.
— Eu também gosto dela e ela tem um
ótimo gosto para decoração — digo.
— Ela é arquiteta, sabia? E decoradora nas
horas vagas, geralmente ela faz as duas coisas
quando pega um trabalho de que realmente goste.
— Ele prepara a bebida e vem com dois copos e me
entrega um. Seguro o copo e olho para dentro. — É
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apenas um Martini Rosso com gelo triturado,


nenhum veneno, posso garantir.
— Nunca se sabe o que pode ter nessas
bebidas, não é mesmo? — Dou um gole depois de
sorrir para ele. Ele me olha intensamente e fico um
tanto desconfortável. Desvio os olhos dele e digo
alegremente — Posso fazer um tour por sua casa?
— É claro.
Ele me leva à sala de jantar que não tem
nenhum prato posto e me pergunto se terá algum
alimento nesse jantar ou só bebidas. Depois ele me
mostra a cozinha que seria o sonho de qualquer
dona de casa. Nos minutos seguintes ele me leva de
cômodo em cômodo mostrando a casa.
— Pensei que morasse em um apartamento
de solteiro, nunca imaginei você morando em uma
casa tão grande — digo quando subimos ao
primeiro andar onde ficam os quartos e uma suíte
máster gigantesca.
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— Se você conhecesse suficientemente


minha mãe, não pensaria assim. — Ele ri resignado.
— Ela acha que se devo ter uma casa que seja
digna de seu pequeno rei.
Ele estava se achando um rei agora? Que
presunçoso! Ah, mas ele continua e alfineta quando
diz:
— Acho estranho você muito mais velha
que eu ainda morar com seus pais. — Ele me olha
desafiador. Deve lembrar que enfatizei que sou
mais velha que ele.
— É apenas um ano, Giovanni. — Mas ele
está certo, estou velha demais para morar com
meus pais, devo me mudar em breve para meu
próprio lugar. Mas não digo nada, não tenho de me
explicar para esse pequeno tirano.
— Sério? Quando você comentou no outro
dia, deu a entender uns dez anos a mais. — Ele está
rindo agora. Dentes brancos e uma maldita covinha
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em um lado da face. Droga! Balanço sutilmente a


cabeça para tirar a imagem pecaminosa da mente.
— Estou com fome. — Nem estou com
fome, mas mudo de assunto.
— Venha, vamos jantar. — Ele me conduz
escada abaixo e toma uma saída lateral da casa que
tinha visto mais cedo. Saímos na área da piscina e
olho ao redor, tem uma mesa posta ao lado da
piscina. — Minha mãe enviou alguém hoje aqui
apenas para satisfazer seus caprichos.
— Meus caprichos? Não sabia que sua mãe
gostava tanto de mim — digo sorrindo. — Ela me
ligou, sabia? Realmente gosta muito de mim.
— É, parece que sim — resmunga, puxando
uma cadeira. — Irei servir a madame.
Ele faz uma mesura dobrando-se para frente
e rio alto.
— Amo você, submisso Giovanni. — Meu
sorriso cai. De onde veio isso? Eu tinha que falar
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essas porcarias na frente dele?


— Se tem uma coisa que não sei ser, Nikki,
é submisso. Descobrirá em breve — diz antes de
voltar na direção da casa.

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CAPÍTULO 8

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GIOVANNI
ELA SE VESTIU PARA ME TENTAR?
Ela tem ideia de como me afeta? Mesmo eu
dizendo para mim mesmo que não gosto dela, a
vontade de beijá-la está sendo maior do que eu
posso me controlar. Será que eu quero me
controlar?
Essa é a pergunta que me fiz desde que abri
a porta há quase uma hora. O vestido curto deixa
minhas mãos coçando para tocar a pele dela. E isto
é uma merda, porque não posso fazer o que tenho
vontade, pelo simples fato que ela não é uma
mulher aleatória que eu possa foder, ela é a filha do
sócio do meu pai. Se nossos pais descobrirem que
estou cobiçando Nicole, será o inferno na terra. É
provável que eles comecem a planejar nosso
casamento em questão de minutos. Tenho certeza.

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Não tenho idade e nem vocação para marido. Eu


poderia estar agora tendo sexo selvagem com
alguma mulher, mas, em vez disso, estou frustrado
pra caralho e ainda tenho que aturar todo o jantar
com ela em um vestido feito para me deixar louco.
Tentando deixar de lado esses pensamentos
lascivos, vou até a pequena adega e pego um vinho
tinto e abro. Coloco tudo no carro térmico, onde a
cozinheira da mamãe deixou nosso jantar pronto
para servir, e levo para fora.
Encontro Nicole onde a deixei, sentada à
mesa, mas ela olha ao redor interessada na bela
piscina que minha mãe projetou. Ela parece ter
gostado mesmo da minha casa. Minha mãe
provavelmente achará muito foda já que as duas
agora parecem ser melhores amigas para me
atormentar.
Antes de me juntar a ela na mesa, sirvo
vinho nas taças e coloco na sua frente.
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— Obrigada. — Ela me olha com um suave


sorriso nos lábios e me demoro observando a
perfeição de sua boca. — Sua mãe é realmente
talentosa, talvez eu a contrate para projetar minha
casa nova.
Sirvo nosso primeiro prato e sento em frente
a ela.
— Espero que goste do jantar, minha mãe
fez questão de saber suas preferencias — digo
jocoso, torcendo os lábios em desgosto que minha
mãe está contra mim. — Ela nem quis saber se eu
apreciava.
— Ela é uma mulher sábia. — Ela ri
abertamente, sua risada é cristalina e doce pra
caralho. Estou começando a acreditar que ela tem
duas faces distintas, uma do capeta e outra um ser
doce e cálido. E não sei dizer qual gosto mais. —
Ela ficou realmente constrangida no jantar. Ela
tinha nos convidado praticamente em seu nome e,
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como você não apareceu, pediu mil desculpas.


Você a deixou chateada.
— Eu sei. — Tomo um gole e me encosto na
cadeira olhando-a.
Ela me olha de volta.
— Espero que não tenha criado problemas
com a sua namorada hoje mais cedo. Sinto muito
por aquilo — comenta ela, mas não parece nada
arrependida de ter dado a entender para Alice que
nós tínhamos um encontro romântico.
— Será que sente mesmo?
— Não. Gosto da ideia de deixar você em
maus lençóis. — O sorriso dela some e ela cora e
me pergunto o que se passa em sua mente.
— Ela não é minha namorada. — Por que
estou me explicando? caramba!
— Parecia que era. — Ela me avalia muito
séria — Acho que deveria se abster de levar seus
casos amorosos para a empresa, Giovanni. Não é à
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toa que a empresa anda mal.


— E quem diabos é você para me dizer o
que fazer? — Inclino-me para frente. — Não se
meta comigo, Nikki, minha vida não lhe diz
respeito.
— Deveria focar seus esforços na
recuperação da A&L e não passar o dia com a
língua na garganta de suas mulheres. — Ela está
vermelha de raiva, seus olhos soltam chispas de
ódio. Ela estava exagerando, foi a primeira vez que
Alice foi na empresa, mas eu não contaria para ela.
Barbie esnobe e cheia de merda.
— Você é engraçada, mandona do caralho.
— Sorrio. — Faz dois minutos que você surgiu do
nada e acha que pode ditar as regras da minha vida?
— Estou apenas defendendo o que é meu —
diz e engasga quando percebe o que disse.
— O que é seu? — Por que a merda do meu
pau rebelde gostou dessa ideia?
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— A empresa, Giovanni, não você! — ela


praticamente grita exasperada. — Não seja idiota!
— Você soa confusa, querida — alfineto.
— Sabia que é o pior idiota que já conheci?
— Ela joga o guardanapo de linho sobre a mesa e
levanta. — Esse jantar acabou.
— Sente-se, Nicole. — Levando também,
não vou deixá-la sair sem comer a bendita comida
que minha mãe fez questão de fazer para ela.
Conhecendo dona Gabrielle, amanhã será bem
provável que ela ligue para saber se Nicole
apreciou o jantar. — Desculpe, apenas termine o
jantar.
Ela me olha duramente, engole algumas
vezes e demora tanto para voltar a sentar que faço
isso por ela. Mulher teimosa da porra!
Comemos em silêncio por um tempo.
Minha mente correndo louca. Observo-a e percebo
que desde o início não dei uma chance para ela e
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que a animosidade entre nós é tudo culpa minha.


Ela tem razão por não gostar de mim, tenho sido
um babaca.
— Acha que o caminho para reerguer a
A&L é voltar com os velhos parceiros? —
pergunto. — Minha estratégia é conquistar novos
parceiros, quem nos deixou verá que não iremos
falir nem desistir e voltarão com certeza.
— Acredita mesmo nisso?
— Não temos o porquê correr atrás deles,
prova que estamos com tudo sob controle, caso
contrário apenas mostrará que estávamos tão
inseguros e agora estamos nos humilhando na
tentativa de renovar contratos com eles. — Escoro
meus antebraços na mesa e me inclino para frente,
se eu queria uma reação de Nikki ela me deixou
esperando. — Não acha meu raciocínio lógico?
— Acho que irá falir essa empresa mais
rápido do que nossos pais imaginaram. — Ela me
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imita e inclina-se para frente. — Você acha que


isso funciona?
— Vai funcionar.
— E se fizermos as duas coisas? Conquistar
e reconquistar? — sugere ela. — Estamos do
mesmo lado, Giovanni, não podemos ser inimigos
quando temos os mesmos objetivos que é não
deixar a empresa falir. — Faz uma pausa e depois
diz com deboche na voz. — Mas o que noto é que
você apenas quer uma forma de me tirar da jogada.
Do que tem medo, Giovanni? Que eu posso ser
melhor que você?
— É claro! — digo ironicamente.
— Então por que está dificultando?
— Não tenho de falar com você sobre isso,
Nicole. Não tenho que lhe explicar os problema de
um empreendimento quando duas pessoas com
pensamentos diferentes tentam impor suas ideias.
— E desde quando sentamos e falamos
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sobre nossas ideias para a empresa, Giovanni?


Cheguei há apenas dois dias e você vem me
hostilizando. — Ela pode ter razão, mas não direi a
ela. — Está sendo preconceituoso comigo por que
sou mulher?
— Por que não termina seu jantar? — Olho
rudemente para ela e sugiro, sabendo que irá irritar
a Barbie. — Deve estar chegando a hora de aplicar
seus cremes noturnos?
— Percebe o quanto é infantil, Giovanni?
— Fita-me furiosa.
— Me desculpe, mas já namorei várias
socialites que passam mais tempo em SPA que nas
próprias casas, e elas tem rituais à noite e são bem
macabros, se quer saber.
— Jesus! — Ela bate o guardanapo de
linho na mesa e levanta — Você... você
sinceramente. — Ela respira fundo enquanto
assisto fascinado o levantar e descer dos seios
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pequenos, porém redondos, e que certamente


caberiam em minhas mãos perfeitamente.
— Posso te levar agora? — pergunto
inocente, e meus lábios torcem em um sorriso
cínico. Esse será o último jantar que Nicole irá
querer ter comigo. Sei que a irrito ao falar com ela
como se fosse uma bonequinha de luxo, quase faz a
herdeira de Jason Lewis cuspir fogo pelo nariz.
Ela não responde, apenas caminha em
direção a casa e sigo atrás despreocupadamente,
quando chego na sala ela já está segurando a bolsa
e tem o telefone em uma chamada. Percebo que ela
está chamando um táxi e vou até ela e tiro seu
telefone levando ao ouvido.
— Obrigado, mas não vamos precisar mais
do táxi. — Desligo e estendo o telefone de volta.
— O que diabos está fazendo? — esbraveja
pegando o telefone da minha mão estendida. —
Você acabou de cancelar meu táxi?
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— Bem, pensei que as Barbies fossem mais


inteligentes. — Eu tenho desejo de morte de
provocá-la, eu não me reconheço, talvez se fosse
outra mulher eu estaria seduzindo-a, mas eu quero
ter um gosto de Nikki. Eu simplesmente estou igual
aqueles moleques de escola hostilizando a menina
bonita que está a fim. — Vou levar você, boneca.
— Eu prefiro ir sozinha— diz e começa a
ligar outra vez, caminhando para a porta, mas
atravesso na sua frente e, outra vez, agarro o celular
guardando em meu bolso. — Jesus, Giovanni!
— Já disse que a levo. — Ficamos os dois
lá, cada um se recusando a fazer o primeiro
movimento. Seus olhos verdes febris fuzilam os
meus que caem para seus lábios rechonchudos que
estão levemente entreabertos. Ela percebe que estou
olhando fixo e os umedece. A dinâmica muda e
volto a olhar seus olhos, ela ofega, provavelmente
de raiva, mas, debaixo de sua fúria, eu vejo o
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desejo se assemelhando ao meu próprio. Um lado


meu quer empurrá-la na parede atrás dela e
reivindicar sua boca até ela implorar por alívio, o
outro quer apenas se livrar dela o quanto antes.
— Você já terminou de me encarar —
pergunta ela com raiva. — Porque se já me
admirou bastante, eu quero ir, Giovanni. Não tenho
a noite toda disponível para ficar aqui enquanto
você me admira até cansar a minha beleza.
Rio alto, porra eu gargalho.
— E respondendo, eu não terminei nem de
longe com você, bebê. Aliás nós nem começamos.
— Meu nome é Nicole e não me chame
assim nunca mais!
— O que? Barbie ou bebê? — Ela era tão
fácil de irritar. — Eu gosto de Barbie, talvez eu
chame você assim de hoje em diante.
Ela rosna, passando por mim indo para fora
e dessa vez deixo. Estou espantado que ela tenha
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rosnado literalmente. Eu deveria ter filmado, mas


estou com um sorriso de merda nos lábios seguindo
atrás dela enquanto admiro sua bunda sexy nesse
vestido indecente. Quando chego na porta pego a
chave do carro que está em um aparador perto da
entrada.
Saímos e ela para.
— Devolva meu celular. — Ela estende a mão,
porém seguro na minha em vez de entregar o
celular, puxando-a em direção a garagem, ela tenta
se libertar, mas agarro mais forte seus dedos nos
meus. Por que isso parece tão certo? Nossos dedos
entrelaçados? Tenho a súbita vontade de puxá-la
contra mim e beijá-la até que pare de falar e de
tentar fugir. — Jesus, como você é irritante!
— Isso faz parte do meu charme peculiar,
bebê. — Paro ao lado do Aston Martin, abro a porta
e aceno para que ela entre. — Por favor.
Ela bufa e entra a contragosto.
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Quando entro no lado do motorista ela está


puxando a saia do vestido para cobrir as coxas, não
posso deixar passar sem uma provocação. — Você
tinha em mente uma noite quente quando colocou
esse vestido? Ou apenas estava tentando me
seduzir?
— Por que você não dá partida nesse carro e
me leva para casa? — Seus olhos verdes de raiva
me fuzilam. — Cansei de suas gracinhas.
Sorrio e coloco o carro em movimento, uso
o controle e o portão de entrada abre. — Mas eu
gostei bastante dele, mas gosto mais do que está
por baixo.
— Em seus sonhos, garoto!
— Nunca diga nunca.
Ela não retruca e, depois de um tempo,
olho-a rapidamente. Ela está olhando para a janela,
ignorando-me completamente.
Incomodado com o repentino silêncio,
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procuro assuntos que não seja trabalho. Lembrando


de suas irmãs pergunto.
— E suas irmãs?
— O que quer saber sobre minhas irmãs? —
Isso parece chamar sua atenção.
— Não são todas as irmãs Lewis que me
odeiam, sabia? — alfineto lembrando que uma das
trigêmeas tinha uma queda por mim há um tempo
atrás, mas não lembro qual das três, para mim são
todas iguais.
— Melhor ficar longe de minhas irmãs. —
Seu tom severo me intriga.
— Por quê? Elas são adultas.
— Mantenha suas patas longe delas, estou
avisando, Giovanni. Sua reputação de Casa Nova
precede você! —
— Humm— Seguro um sorriso. — Você
está muito irritadinha, Nikki. Eu deveria estar
irritado por você atrapalhar meu encontro de hoje.
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— Poderia dizer que sinto muito, mas seria


mentira, não sinto — retruca ela. — E não fui eu
que insisti nesse fiasco de jantar.
Sem pedir, ela bate o dedo no botão média
player do carro e música explode dentro do carro,
impedindo de continuarmos nossa discussão. Tenho
vontade de implicar mais com ela, mas deixo para
lá. A música que estava tocando quando cheguei
em casa continua e o hard rock que estive
escutando do Extreme bate entre nós.
Saying: I love you
Is not the words I want to hear from you
It's not that I want you
Not to say, but if you only knew
How easy it would be to show me how you feel
Quando ela vai desligar eu pego sua mão.
— Gosto dessa música, Niks, você não? —
Sorrio do apelido que dou para ela.
— Não tenho conhecimento total do acervo
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de música da época dos meus tataravós.


Sorrio divertido.
— Essa música foi sucesso nos anos 90.
— Século XX, portando não é da minha
época.
— E qual tipo de música gosta, pequena
Niks?
— Não puxe conversa, Giovanni, não sou
sua amiga! E pare com esses nomes ridículos.
Pouco depois paro o carro no portão da casa
dos pais de Nikki e um porteiro abre o portão para
nós. Não é a primeira vez que venho na casa dos
Lewis, estive aqui inúmeras vezes ao longo dos
anos. Paro o carro na frente da casa e desço para
abrir a porta de Nicole, mas ela já está do lado de
fora quando chego.
— Meu celular, Giovanni. — Ela estende a
mão para mim, seus olhos estão tão furiosos.
Coloco o celular na palma dela sem dizer nada e ela
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o pega e me contorna para caminhar em direção a


casa.
— Obrigado pela carona! — grito para ela
que vai embora sem se despedir.
Ela desperta o pior em mim.
Deus, eu preciso de uma mulher quente hoje
à noite para tirar as imagens de Nikki da minha
mente. Pego meu celular e faço uma ligação para
Alice, talvez ela não esteja tão irritada por ter sido
deixada de lado hoje. Bom, seria como uma
despedida dela também, afinal suas exigências mais
cedo serviu para eu ver que ela está se tornando
pegajosa.
— Seu jantar não foi bom, querido? — Ela
atende com voz sedutora.
— Você poderia fazer minha noite melhor
— digo e estou prestes a entrar no carro quando
olho para cima onde uma luz acendeu no quarto no
primeiro andar da casa. Nicole aparece na janela e
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me olha, não posso ver seus olhos, mas posso dizer


que eles estão em mim. — Chego em alguns
minutos.
Desligo e entro no carro, não aceno para
Nicole, apenas dou ré e saio.

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CAPÍTULO 9

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NICOLE
SE A POLÍCIA PUDESSE LER MINHA
MENTE EU hoje estaria sendo presa por maquinar
maldades contra um meliante altamente
repugnante. Eu tive vontade de colocar um prego
de ponta para cima na sua cadeira no escritório.
Vontade de colocar arsênico em seu café e levar
como cortesia . Esses foram apenas alguns crimes
que cometi durante a semana, apenas na minha
mente, é claro.
Olho o relógio e ainda são 16 horas. Preciso
ficar longe dele hoje, apenas por precaução, posso
realmente?
Giovanni Andretti precisava de uma lição,
mas eu nunca fui uma pessoa que tivesse
pensamento malicioso nesse sentido? Mas havia
uma pessoa que poderia fazê-lo suar. Gabrielle

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Andretti. E foi por esse motivo que depois de uma


manhã cheia de reuniões, em que ele fez questão de
levar todos os diretores para seu lado,
argumentando que a estratégia de “correr” atrás de
antigos clientes não era o caminho, deixando-me
furiosa, eu estava querendo vê-lo pelas costas.
Estava com o telefone na mão para ligar e contar do
fiasco de jantar que tivemos dias atrás. Que ele foi
grosseiro e mal-educado, e ela com certeza o faria
se retratar de alguma forma. Percebo que estou
fazendo papel de boba e devolvo o telefone para o
gancho, suspirando de raiva. Ele tinha o poder de
me irritar tanto que coisas desse tipo estavam
levando a melhor sobre mim. Depois daquele jantar
eu tinha perdido completamente o controle quando
se tratava dele e ele tinha tomado vantagem, mas
isso ia mudar.
Pego uns arquivos que tinha solicitado para
Leila mais cedo e estou começando a ler quando
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ouço uma leve batida na porta do meu escritório


seguida de uma voz masculina e bem-vinda.
— Prima, você agora está parecendo uma
verdadeira CEO. — Meu lindo primo, por
afinidade, invade minha sala. O estilo aventureiro
está impregnado em cada poro dele. Ele é esse tipo
rústico de barba fechada, tipo lenhador, da moda.
Calça cargo e camiseta de malha parecem sempre
sua segunda pele, mas ele também ficava ótimo de
terno.
— Oh, meu Deus, Guilherme! — Levanto e
caminho direto para seus braços, passo meus braços
em volta de sua cintura e aperto tão forte quanto
posso. — Pensei que já tivesse viajado novamente e
não iria vir me visitar.
— E não ver minha prima favorita antes?
Sem chance, bonita! Não tenho nenhuma aventura
para ir agora. — Ele beija minha testa e me dá esse
sorriso torto sexy que faz a mulherada correr atrás
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dele como abelhas seduzidas pelo néctar. Ele me


solta e olha ao redor do escritório amplo e com
móveis sofisticados. — Nada mal! Ei, sua
assistente é muito atenciosa.
Ignoro seu comentário sobre Leila.
— O que tem feito, Gui? — Vou até o sofá
preto de couro que fica no canto da sala e me sento,
ele me imita sentando ao meu lado. — Sua mãe
anda louca com suas aventuras.
— Ela é sempre maluca, Nikki. — Ele ri
como sempre dos cuidados da tia Carla. — No dia
que mamãe não pirar com o que faço, ela estará
doente.
— Lembrando que se acontecer foi por sua
causa que ela adoeceu. — Rimos juntos, pois era
bem provável que ela realmente adoecesse de
preocupação com Gui.
Lembrando das boas maneiras pergunto:
— Quer tomar algo? Só tem água ou café,
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nada de bebidas alcoólicas aqui.


— Você é tão certinha. — Ele se recosta no
sofá e estica as pernas longas. — Eu Vim buscar
você para se divertir. Tia Júlia diz que desde que
voltou só trabalha e não se diverte. E hoje é a
inauguração da Rave’s e, claro, que você vai
esquecer o trabalho por uma noite para se divertir.
Eu tinha esquecido completamente do
convite que recebi essa semana para a inauguração
da Rave’s. Droga!
— Eu me divirto sim. — Bom, realmente
não ando me divertindo desde que cheguei. —
Você sabe que eu não sou de balada e essas coisas,
eu prefiro um jantar calmo e boa música que passar
a noite suando em uma boate em que as pessoas só
pensam em sexo.
— Talvez devesse fazer mais isso, assim
seria menos arisca. — Essa resposta vem da porta,
fazendo meu primo rir ao meu lado. Ele está no
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umbral vestido com terno hoje, algo muito raro,


acho que essa é a primeira vez em quase duas
semanas que comecei na A&L, além disso a barba
de mais de uma semana o deixa com ar mais velho
e sexy. Diabos, mesmo odiando o homem eu não
paro de pensar em como seria beijar o infeliz. Os
olhos azuis penetrantes desviam de mim para
Guilherme. — Ora se não é o Guilherme Calvet.
Reviro os olhos quando meu primo pula e
vai cumprimentar Giovanni. Eles fazem essa coisa
de homem se cumprimentando batendo no ombro
um do outro. — Giovanni, eu soube que anda
dando trabalho para minha prima.
— Prima?
— Nicole, oras.
— Ah! — diz ele e volta a me olhar
intensamente, depois pergunta com voz grave
masculina. — Estou? — O clima entre nós ou é frio
igual uma nevasca ou quente como um grande
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incêndio, e tenho receio de não poder sair depois


que estiver queimada.
Sem responder me levanto e vou até minha
mesa. Fecho o notebook e pego minha bolsa
virando-me para Guilherme.
— Você não veio me buscar para a
diversão? — pergunto com um sorriso brilhante.
— Então vamos lá. — Ele se anima, o
festeiro. — Giovanni, você recebeu o convite, não
é? Estará lá?
— Não perderia por nada — responde ele,
olhando-me. — Tenho certeza que vou me divertir
muito.
Ando até a porta na esperança que ele saia
do caminho, mas ele permanece parado me
encarando.
— Ótimo! — diz Guilherme encarando-nos
divertido.
— Você veio falar comigo? — questiono já
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que ele tinha vindo à minha sala.


— Não, fiquei só curioso com sua visita—
responde ele e fico intrigada. Curioso? Não posso
receber visitas? Estou prestes a questionar seu
comentário quando ele se vira para Guilherme. —
Bom ver você, Guilherme. Te encontro mais tarde.
Ele vai embora me deixando com vontade
de jogar meu celular na sua cabeça.
— É impressão minha ou vocês dois estão
querendo foder um ao outro?
— Guilherme!
— Você é tão fresca! — Ele gargalha
quando fico vermelha com seu comentário. — Mas
é verdade? Estão a fim um do outro? Porque senti
uma vibração como duas placas tectônicas prestes a
se chocarem. Bum! — Ele faz um gesto de choque
com as duas mãos.
— Você tem que falar assim? — Balanço
minha cabeça exasperada.
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Rindo ele joga um braço em meus ombros e


caminhamos para fora. Leila está em sua mesa
quando passamos por ela.
— Até segunda-feira, Leila.
— Até, senhorita Lewis! Bom descanso. —
Ela acena de volta, mas seus olhos desviam para
meu primo e ela dá um sorriso tímido para ele.
Ele me solta e com um sorriso predador e
vai até ela, tira um cartão do bolso pega a caneta
dela que está disposta em cima da mesa, assina o
cartão e depois estende para ela. — Caso você
queira se divertir hoje, apenas entregue isto na
entrada — diz com charme e ela fica vermelha.
— Muito obrigada, senhor Calvet, talvez
aceite sim. — Sorri e tenho vontade de revirar os
olhos com mais uma na rede de Gui.
— Até mais, bonita!
Quando entramos no elevador eu o encaro.
— Sério?
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— Ela é gostosa e precisa se divertir.


— É claro. Seu mundo só se resume em
diversão, Guilherme. Falando nisso, por que uma
casa noturna?
— Por que gera lucro? Esse negócio é mais
do Rodrigo. Apenas entrei com capital, ele vai
fazer a parte chata enquanto eu fico com a diversão.
— Eu o conheço?
— Acho que não, ele não era do nosso
grupo. Eu o conheci no último rally de motocross
que participei em Dakar, um ano e meio atrás, e
acabamos nos tornando amigos. Apesar de
aventureiro ele quer acalmar, então tivemos a ideia
de abrir uma casa noturna.
— Meu Deus! Rally de Motocross? Tia
Carla soube disso? — Estamos rindo alto quando
saímos do elevador e nos dirigimos para meu carro.
— Onde deixou seu carro?
Ele aponta um jipe enorme 4x4 verde
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escuro. É claro que o carro tinha de combinar com


ele. Ele me leva ao meu carro e beija o topo da
minha cabeça antes de ir para o dele.
— Sem desculpas de trabalho hoje — grita
e corre para o jipe.
Suspiro pensando na pilha de papelada na
minha mesa, mas eu vou tentar manter a cabeça
longe hoje.

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CAPÍTULO 10

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NICOLE
CHEGAMOS ÀS 22 HORAS NA RAVE’S
E, pelo visto, a casa noturna do meu primo está
fazendo sucesso. Não está aberta ao público hoje,
somente amanhã, segundo tio Saulo. Estamos todos
aqui, meus pais, Saulo e tia Carla. Minhas irmãs
também estariam, mas viajaram de férias.
Uma anfitriã nos recebe na entrada depois
que passamos pela segurança e nos conduz para
dentro. Guilherme e outro homem estão
cumprimentando os convidados logo mais à frente.
— Nikki, está linda! Venha conhecer
Rodrigo, talvez vocês se deem bem. — Ele pisca
malicioso e me puxa para frente. — Rodrigo, esta é
minha prima Nicole.
Quando Guilherme falou mais cedo sobre
seu amigo, eu imaginei que ele teria em torno dos

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vinte e um ou vinte e dois anos, mas ele aparenta


ser bem mais velho, em torno de vinte e oito ou
trinta anos. Ele é bem bonito, se você gostar do tipo
alto e musculoso, olhos castanhos e cabelos quase
loiros cortados bem curtos.
— Prazer, Nicole, bem-vinda a Rave’s .—
Ele segura minha mão na dele com um sorriso. —
Eu já ouvi tanto de você que tenho a impressão que
já a conhecia antes mesmo de vê-la.
— Obrigada. Espero que tenha sido coisas
boas. — Sorrio calorosa. — E não querendo
ofender, eu só ouvi falar de você na semana
passada.
— Ora, como posso falar dele se você não
estava por perto? — reclama Guilherme. Ele
apresenta Rodrigo para meus pais e enquanto isso
olho ao redor para a decoração preta e roxa. O
nome Rave’s brilha na parede do fundo atrás da
mesa onde um DJ está comandando a música ao
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som ambiente. Mas minha atenção não está na


decoração da casa. Meus olhos digitalizam ao redor
procurando. Temo encontrar olhos azuis me
olhando de volta com cinismo, mas não encontro
nenhum sinal de Giovanni ainda. Espero que ele
não venha estragar minha noite.
Todos começam a conversar e um garçom
nos serve champanhe. Gui e o sócio vão
cumprimentar outras pessoas e nosso grupo se
desloca para um conjunto de sofá preto ao redor de
mesas baixas.
— A família de Nicolas acabou de chegar
— diz mamãe ao meu lado, virando-se para mim.
— Você e o Giovanni já se entenderam? — Não
tinha mais conversado com eles sobre Giovanni,
acho que nossos assuntos devem ficar apenas entre
nós, envolver nossos familiares na nossa briguinha
não seria bom, motivo pelo qual não liguei para sua
mãe, apenas seria infantil tentar atingir Giovanni
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por meio de Gabrielle, mas também sem querer


mentir para ela digo.
— Estamos tentando, mamãe. — Dou meu
melhor sorriso para ela. Meu pai levanta e vai até
os Lewis e depois todos se juntam em nossa mesa.
Depois de uma rodada de cumprimentos todos
estão com copos e conversando.
— Gabrielle, estava conversando sobre
Giovanni com Nikki agora mesmo. Ele não vem?
— Eu não falei com ele — Gabi diz e traz
seus olhos para mim. — Ele não disse nada para
você? Estão se vendo todos os dias.
— Não sei — minto, não quero que ele
venha.
— Meu irmão nem gosta dela, por que diria
para ela? — pergunta Chloe, a irmã de dezoito anos
dele. — Ele me disse que talvez apareça, ele só faz
o que quer mesmo.
— Chloe!
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— O quê?
Sorrio e pisco para ela, gosto dela. Ela não
fica sentada muito tempo, levanta dizendo que
precisa conhecer a boate. Ninguém diz mais nada
sobre Giovanni e fico grata.
Pouco depois Guilherme vem e me puxa
para longe de nossas famílias.
— Estou quase morrendo por você no meio
da velha guarda. — Ele ri divertido. — Prima,
precisa se soltar, está muito séria. Deixe a Nicole
Lewis ir embora e traga a Nikki rebelde vir à tona.
— Nunca fui rebelde e já passei dessa
idade. — A música aumenta e ele me puxa para
dançar.
— Venha dançar comigo, estou cansado de
conversar com tanta gente. — Ele rodopia comigo.
— Estou desejando uma escalada solitária agora.
Vou planejar algo em breve. — Olha-me. —
Deveria vir comigo.
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— Obrigada, mas não. Eu apenas


atrapalharia você, escalar não é para mim.
— Como sabe? Nunca escalou. —
Seguimos o ritmo da música.
— Apenas sei. — Jogo meus braços em
volta do pescoço dele e encosto minha cabeça em
seu peito. — Sua boate está perfeita. Quando
estiver aberta ao público, virei outra vez.
— Rodrigo que fez tudo, apenas vadiei. —
Ele ri abertamente, fazendo-me balançar a cabeça
em diversão.
— Você é louco!
Quando a música acaba ele me leva ao seu
grupo de amigos e me apresenta. Percebo que estou
sem amigos, eu sempre tive meu grupo de
amizades, mas passar esse tempo fora apenas me
afastou das pessoas. Eu estava tão envolvida com o
trabalho e estudar que as conversas com os amigos
foram ficando cada vez mais escassas no fim de
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dois anos. Terei de renovar meu ciclo de amizades.


Rodrigo chega mais perto e puxa conversa e, pouco
depois, estamos mais afastados e discutindo sua
estratégia de marketing para a Rave’s. Ele
realmente entende do assunto e cada vez mais eu
me solto enquanto as horas passam. Estou alegrinha
devido as tulipas de champanhe que tomei e ajudou
a me soltar mais. Estou rindo com Rodrigo quando
eu o vejo e meu sorriso murcha.
Ele está há poucos metros de nós e um
pequeno incêndio queima dentro de mim quando os
olhos azuis encontram o meu. Fico imóvel no lugar
apenas olhando-o, percebo que Rodrigo fala
comigo, mas eu não estou escutando. Sinto o toque
de sua mão em meu antebraço, mas ainda tenho
minha total atenção em Giovanni, que desvia os
olhos e baixa para olhar na altura do meu tórax e
percebo que é onde Rodrigo está me tocando. Saio
do transe e sorrio sem graça para Rodrigo.
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— Sim?
— Perguntei se quer dançar?
— Claro! — Qualquer coisa será melhor
que ficar aqui sob o escrutínio e gracejos de
Giovanni. Ele deve ter hoje uma dúzia de nomes
para mim além do habitual Barbie ou Niks quando
estamos a sós. Vamos para o meio da pista e
Rodrigo sinaliza para o DJ que para o rock suave
que tocava e muda para uma música mais lenta.
Ele é mais ousado que meu Guilherme e
enlaça minha cintura enquanto deslizamos
suavemente na pista não muito lotada. Os
convidados, a grande maioria, estão socializando.
— Gostei muito de conhecê-la, Nicole —
diz Rodrigo. — Deveria aceitar meu convite para
um jantar tranquilo algum dia dessa semana.
Automaticamente começo a dizer que não,
que estou focada no trabalho, mas lembro que
preciso de amigos, mesmo sabendo que seu convite
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não era para sermos meramente amigos, contudo


acabo dizendo:
— Seria ótimo. — Meus olhos teimosos
voltam para onde Giovanni estava e não o vejo
mais. Digitalizo ao redor e nem sombra dele.
— Perfeito. Domingo seria bom para você?
— Que rápido, penso cinicamente, mas sorrio do
tom esperançoso, seria bom sair e me divertir, não
é? Até esqueceria Giovanni.

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CAPÍTULO 11

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NICOLE
A DANÇA COM RODRIGO ACABA E ELE
NOS CONDUZ para onde Guilherme está
conversando com a Leila. É, parece que ela aceitou
o convite dele de vir se divertir. Estamos quase
chegando até eles quando Giovanni intercepta
nosso caminho.
— Nikki, você pode me dar um minuto? —
pergunta ignorando completamente Rodrigo.
— Você já conhece o Rodrigo? Ele é o
sóc...
— Não me interessa quem seja ele, Niks —
ele interrompe grosseiramente, seus olhos grudados
nos meus, a voz sai grave e com algo que não
consigo definir. — Um minuto e você pode voltar
para o que quer que esteja fazendo até agora.
Onde os pais dele erraram com ele.

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Giovanni é completamente arrogante e cheio de si.


Ele não espera minha resposta, coloca a
mão na minha cintura e me guia para longe de
Rodrigo. Aceno para ele, pedindo desculpas pela
grosseria de Giovanni. Giovanni me leva a uma das
salas Vip. Ele fecha a porta e o som da boate
diminui a quase zero. Saio de perto dele, mas não
vou muito longe, ele agora segura minha cintura e
estou sendo encostada na porta que acabamos de
entrar. A sala é decorada com sofás pretos
lustrosos, luzes especiais mantendo um ambiente
íntimo, luxo impera por todo lugar, vejo tudo
apenas de relance sem me atentar aos detalhes
porque um corpo muito masculino tem minha total
atenção.
— O que está fazendo? — questiono, um
calafrio toma conta de todo o meu corpo quando
um lampejo de excitação me percorre inteira. Uma
de suas mãos seguram minha cintura e a outra está
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apoiada na porta ao lado da minha cabeça, seu


corpo inclinado me mantendo prisioneira dele,
posso sentir o calor emanando dele. Ele está me
atordoando com sua atitude. Seus olhos seguram os
meus na pouca luz do lugar, eles estão febris e
turbulentos. Ele não fala nada, ao invés disso me
observa agora com um olhar severo, deixando-me
inquieta com seu toque e esse olhar azul fixo
hipnotizante. Oh, inferno, eu sinto meus lábios
comichando para serem tomados pelo seu. —
Vamos passar a noite em um concurso de encarar?
— Quem era aquele cara? É seu namorado?
— O quê? Rodrigo? Acha que se fosse meu
namorado teria deixado você me separar dele como
uma criança? — sibilo. — Se tivesse sido educado
saberia que é o dono da boate.
— Não me importa quem ele é, pareciam
muito íntimos — diz, seu rosto a pouco centímetros
do meu.
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— E daí? O que tem a ver com isso,


Giovanni? — Ele não parecia bêbado, ao contrário,
estava muito lúcido para esse comportamento
estranho.
— Sabe a resposta para isso, Niks —
murmura ele abaixando a cabeça até que seu hálito
morno, cheirando a uísque, se mistura com o meu.
— Você não é boba, sabe que estamos evitando o
inevitável.
— Não sei do que está falando. — Paro
quando a mão que estava em minha cintura sobe e
embala meu rosto em sua palma, seu polegar
esfrega meus lábios. — O que está acontecendo
com você? Está bêbado?
— Acha que estou? — Fecho meus olhos
tentando pensar. Esse é Giovanni Andretti a quem
você odeia com toda sua alma, Nicole. Repito
como um mantra, mas o formigamento que sinto
tem uma ideia de ódio bem diferente da minha
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cabeça. — Sabe o que eu quero fazer desde que vi


você? Rasgar a porra dos seus terninhos e foder
você em cima da minha mesa no meu escritório, no
sofá, na parede, no chão, em toda porra de
superfície plana que existir, até que essa vontade
deixe meu corpo, que essa vontade louca que me
incomoda saia fora do meu sistema. Quero morder
esses malditos lábios sedutores que me seduz a
cada minuto do dia, e eu não gosto de ficar
desejando nada, não sou do tipo que fica passando
vontade.
— Você...
— Eu não acabei, Niks. — Ele segura
minha mandíbula e me faz olhar dentro dos seus
olhos quando fala roucamente, fazendo cada fibra
do meu corpo vibrar, não sei se de raiva ou
excitação, mas esse corpo traiçoeiro está virando
gelatina com esse modo troglodita dele. Droga, eu
nunca gostei desses modos em homens antes,
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contudo arrepios percorrem meu corpo agora. — O


meu lema, ou o que queira chamar, é que não há
nada que eu não possa ter, quando e onde eu quero.
Se eu quero alguma coisa, tomo para mim, faço-o
meu, possuo. E a única coisa que não posso ter
nesse momento, que está me matando, é você. Eu a
quero e ao mesmo tempo eu odeio essa maldita
vontade, porque me compele a deixar você por
perto, e não faz nem duas semanas que eu queria
você longe de mim. Ainda quero isso, mas ao
mesmo tempo eu penso em foder você de uma
maneira que vai estragá-la para qualquer outro
homem depois de mim.
Como é autocentrado!
Mas ainda assim fico ofegante com suas
palavras, porém encontro forças para protestar
contra tudo, não quero saber de seu desejo, nem do
meu, estamos de lados opostos e assim como ele,
eu o quero longe, mas também estive fantasiando
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sobre ele. Principalmente agora quando imagens de


nós dois enchem minha mente e minhas pernas
ficam fracas quando desejo puro me atinge. Estou
com problemas sérios.
— Acho que você bebeu demais e bateu a
cabeça, pirralho — digo mais para lembrar por que
eu não o suporto. — Este não é o Giovanni que faz
da minha vida um inferno.
— Aquele e esse Giovanni só querem uma
coisa, foder você. — Ele pega um punhado do meu
cabelo com força e puxa minha cabeça para trás. —
Eu posso ter você, Nicole, e eu sei que você
também quer isso.
— Eu nunca vou querer suas mãos em mim
— sibilo, mas é mentira, quero ele tanto agora que
mal consigo pensar. Eu poderia impedi-lo, apenas
empurrá-lo longe e parar o que está prestes a
acontecer, mas não faço, quero as mãos dele, sua
boca. Quero o pau dele dentro de mim.
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Sem que me desse conta, minhas mãos


sobem por seu peito e pescoço e estou puxando-o
para mim. Ele me beija como se estivesse me
punindo por fazê-lo perder o controle. Eu o beijo
como se tivesse fazendo a mesma coisa, punindo-o
também. Minha língua tem seu próprio desejo e
empurro-a contra a dele, o beijo é carnal e bruto,
não existe nenhum carinho aqui, não procuramos
por isso, o que queremos nesse momento é
extravasar nosso desejo misturado com essa
animosidade que nos pegou desde que nos vimos
semana passada, queremos sexo bruto e selvagem.
Gemendo de pura luxúria, agarro seus cabelos em
minhas mãos com força e é como um interruptor.
Eu perco completamente o controle, eu nunca perdi
o controle assim. Sinto minha calcinha molhar
quando o desejo em sua mais intensa forma me
consome inteira. Estou morrendo por seu toqueem
minha parte mais íntima, sentir seu pau dentro de
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mim com força. Eu nunca fiz nada tão louco com


um homem antes, mas aqui estava eu, praticamente
fazendo sexo em público ou quase. Ele tira a boca
da minha e desce por meu pescoço, dou livre
acesso a ele quando jogo minha cabeça para trás,
sua mão sobe em minha coxa desnudando-me, sua
mão vai na frente da minha calcinha de renda e
abarca minha buceta. Gemo alto quando a pressão e
atrito de seus dedos em meu clitóris me faz insana.
Eu poderia gozar apenas com isso. Ah Deus! Como
faz tempo que fiz sexo! Eu preciso disso, preciso
tanto que dói. Quero seu pau longo e grosso todo
pra mim. E com o pensamento de possuí-lo, minhas
mãos começam a desabotoar a camisa dele
freneticamente.
— Como você̂ está molhada pra mim —
diz sua boca na minha orelha, seus dentes afiados
mordem o lóbulo tenro e derreto toda em suas mãos
que me fazem latejar querendo algo, ansiando por
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ele. — Gosta disso, Niks? Quer meu pau? Sabia


que o queria.
— Não — nego, mas gemo descaradamente
desejando ser preenchida por ele. Não posso negar
que o quero, não quando estamos nesse ponto,
porém.
— Sabia que você era uma safada, Barbie.
— Não registro como ele me chama, pois ele
desliza dois dedos dentro de mim e não quero isso,
quero mais.
— Preciso sentir seu pau, Gio — sussurro
contra seus lábios, respirações se misturam e arfo
quando levo as mãos para sua cintura.
Desafivelo seu cinto e desabotoo sua calça
antes de mergulhar as mãos e tomar seu mastro
longo e pesado entre os dedos, ele é macio e puro
aço, fico com água na boca de vontade de prová-lo,
sinto minhas faces quentes, pois esses pensamentos
me são raros. — Dê para mim, quero você todo
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para mim, Giovanni!


— Você é mandona pra caralho! E isso só
me faz querer te foder mais forte. — Ele vira-me
para parede e me prende lá, se ajoelha atrás de mim
levantando meu vestido até a cintura, suas mãos
estão nos meus glúteos e ele amassa forte em suas
palmas, eu apenas empurro minha bunda em sua
direção. — Fique quieta, Niks. — Levo um tapa e o
som se perde na sala vazia, isso me deixa querendo
por mais, ele desce meu fio dental preto por minhas
pernas e saio dele.
— Esta é uma visão bonita pra porra. — Ele
bate na minha perna. — Abra mais para mim, Niks.
— Faço isso e me inclino para frente dando a ele
uma visão que deveria me deixar vermelha de
vergonha, mas é o oposto quando escuto seu
gemido rouco torturado.
Olho por cima do ombro e a visão dele, o
rosto perfeitamente simétrico, a curva perfeita de
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seus lábios sexys, seus olhos azuis penetrantes, me


faz dele nesse momento. Tudo parece correr para a
minha buceta, pois sinto meus lábios inchados, meu
clitóris latejando, mordo meus lábios com tanta
força e assisto inebriada quando ele desce a boca no
broto duro e ansioso, sua barba arranha e isso me
faz mais louca de tesão...
— Ah, merda! — Eu perco o resto de forças
e gozo rápido e escandalosamente gemo seu nome,
isso explode por todas minhas terminações
nervosas e percorre-me inteira em uma eletricidade
que me deixa fora do ar por segundos. Minhas
pernas dobram com a intensidade do prazer, ver
meu inimigo ajoelhado dando-me prazer era doce
demais! — Gosto de vê-lo aí, Giovanni.
— Eu também. — Ele sorri perversamente
quando levanta e vira-me para ele outra vez. Antes
que eu possa responder ele me ataca, acho que
acabei de libertar seu lado animal. Seus lábios
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batem nos meus beijando-me perversamente e


gememos juntos quando o gosto de mim mesma
que estão em seus lábios explodem em nossas
línguas. — Mas vou gostar de vê-la de joelhos
também, mas outro dia, agora eu só penso em estar
dentro de você.
Eu estou completamente fodida a partir
dessa noite. Literalmente.
Ele me eleva e me empala em seu pau antes
que eu pense coerentemente e entra em mim com
força, com raiva, com tudo dele. — Sua buceta é
mais apertada do que eu imaginei, caralho. Perfeita
para mim. — Eu enfio as unhas em sua nuca em
resposta a dor de ter seu pau inteiro dentro de mim,
causando uma dor que acaba se transformando em
prazer a cada estocada firme. Ele mete em minha
buceta molhada como estivesse possuído e ele deve
estar, pois me encontro da mesma forma, não
demoramos muito para gozarmos rápido e
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violentamente. É delicioso. Sons incoerentes saem


dos meus lábios quando sou transportada para a
estratosfera e ele me segue bombeando dentro de
mim, a quentura dele me enche, fazendo nosso
orgasmo prolongar mais e mais. Estamos abraçados
tão apertados que é difícil respirar e nem sabemos
onde um começa e outro termina. A sensação que
tenho é que o ato parece nos fundir um no outro,
como se não quiséssemos nos separar jamais, mas a
realidade é outra.
Respiramos pesadamente ainda conectados
e compreensão de onde estou, e com quem estou,
me faz desenrolar as pernas da cintura dele e tento
ficar de pé, mas é meio difícil, pois não tenho muita
força nas pernas ainda trêmulas.
Não falamos nada, apenas arrumamos as
roupas em um silêncio que fala mais que se
estivéssemos gritando. Quando fico pronta viro-me
para ele que já me observa pensativamente, mas
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ainda com esse ar predatório nele que faz meu


sangue bombear rápido nas veias. Sorrio como se o
que fizemos não tivesse muita importância. Aliso
meu vestido para tirar as dobras e coloco a mão na
maçaneta.
— Para ficar claro e não termos dúvidas,
isso nunca aconteceu. — Dou a ele um olhar
superior. — Nunca deixei você colocar essas suas
patas em cima de mim.
— E se eu não quiser?
— Não quiser o quê? — Eu sabia que ele
dificultaria tudo como sempre.
— Esquecer que fiz você gritar como uma
desesperada louca por meu pau?
— Você é tão grosseiro! —Minha face
queima de calor.
— Não era o que estava falando a pouco.
— Vou sair primeiro e não me siga. —
Olho-o. — E não me explicou por que me arrastou
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até essa sala.


— Não? Pensei que tinha. — Sorri
malicioso.
Fecho meus olhos, respiro fundo e ignoro
seu comentário. Sim, talvez ele tenha explicado.
Saio, deixando-o lá. Jesus! Eu tinha feito sexo com
Giovanni, onde diabos eu estou me metendo?
Somos inimigos.
Agora, inimigos íntimos por sinal.

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CAPÍTULO 12

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NICOLE
O SÁBADO AMANHECE NUBLADO,
não que esteja chovendo lá fora, mas a minha
cabeça parece estar formando uma tempestade aqui
dentro. Levanto e depois de colocar um short de
corrida e uma regata calço um tênis e saio. Preciso
correr e limpar minha mente, eu preciso pensar nas
bobagens que fiz ontem com Giovanni Andretti e
nem é por causa do que fizemos, é por que gostei
mais do que devia e também de como o que
aconteceu pode afetar nosso trabalho juntos. Porém
nada impede que eu ainda possa sentir a sua língua
perversa em lugares que fico vermelha só em
pensar. Depois de ter me tomado na porta como um
animal, percebo merda que fizemos. Nós só
acabamos de complicar o que já era complicado
entre nós.

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Desço as escadas e vou até a cozinha, mas


paro na sala de refeições onde minha mãe está
sentada à mesa de café da manhã. Ela está sozinha
em um sábado?
— Dia, mamãe! Cadê o papai?
— Acordou cedo, querida, pensei que tinha
chegado tarde ontem. Não a vi chegando, achei que
dormiria até mais tarde hoje. — Vou até ela e beijo
sua bochecha. — E seu pai saiu cedo. Jogo de golfe
com os Andretti e outros amigos.
Assinto e meus pensamentos voam para a
noite de ontem.
Quando eu e Giovanni nos esgueiramos da
sala Vip nossos pais já tinham ido embora, o que
foi bom ou teriam adivinhado o que fizemos.
Depois de me despedir de Guilherme e Rodrigo saí
de lá sozinha, antes tive de confirmar o encontro
com Rodrigo no domingo e me senti péssima dando
esperança para ele quando na verdade tinha
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acabado de transar com um cara que não suporto,


mas que sabe como me deixar louca da melhor
maneira possível. Giovanni tinha ido em direção
oposta a minha.
E aqui estou eu, às sete da manhã de
sábado, pensando se foi uma boa ideia mudar a
dinâmica do nosso já conturbado relacionamento.
Suspirando sirvo-me de um copo de suco.
— Tenho alguns trabalhos pra analisar
depois da minha corrida, o que vai fazer hoje
sozinha?
— Nikki, você não pode pensar só em
trabalho.
— Por que todo mundo vive me dizendo
isso ultimamente?
— Talvez por que seja a verdade, querida!
Desde que começou na empresa não fez nada a não
ser pensar em trabalho.
— Eu preciso estar cem por cento nessa
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empresa, mãe.
— Não quero vê-la trabalhando igual o seu
pai e esquecer de viver, querida. Você só tem vinte
e três anos e não tem nem um namorado. — Ela ri
quando reviro os olhos sobre seu comentário de
namorado. — Vi você com o amigo do Guilherme,
pareciam estar se dando bem. — Ela ri ainda
mais. — Mas seu pai não gostou muito dele.
— Ele nunca gosta de homens rondando
suas filhas. — Sorrio e termino de beber meu suco.
— Vou correr um pouco. Depois podemos ficar de
bobeira na piscina — digo e ela assente.
— Ótimo, sinto falta de suas irmãs, será
bom ter minha bebê mais velha por um tempo.
Sinto remorso me atingir em cheio quando
percebo que estive tão centrada em mim mesma e
na empresa que esqueci de ficar mais com minha
família, apenas curtindo o momento com eles.
Estive distante por tanto tempo que talvez o hábito
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de estar longe deles ainda esteja muito forte.


Respiro fundo e reconsidero dando a ela um sorriso
que ela gosta. — Podemos fazer mais que isso,
podemos fazer coisas de mãe e filha, o que você
quiser.
— Perfeito.
— Volto daqui a pouco — digo antes de
correr para fora.
Nunca corro tão tarde, mas eu preciso
colocar as coisas em perspectiva e correr sempre
limpa meus pensamentos. Ligo o fone de ouvido e
a música alta explode nos meus ouvidos enquanto
corro na pequena alameda de árvores ao redor da
nossa casa.

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Depois que volto da corrida, tomo um


banho e desço para tomar meu desjejum na beira da
piscina. O dia está claro e perfeito para relaxar e, já
que minha mãe está sem seus bebês em casa,
prometi que ficaria com ela hoje, então vamos
relaxar o dia nos bronzeando. Faz muito tempo que
ficamos à toa. Éramos muito próximas antes de eu
ir morar longe, eu tinha sido seu projeto, seu sonho
de ser mãe. Eu tinha sido um acidente, ela sempre
me contava a história de como ficou grávida de
mim. Sua decisão de ter um filho sozinha a levou
fazer uma inseminação artificial de doador
anônimo, a clínica errou nos procedimentos e ela
acabou engravidando do meu pai por acidente. Ela
ria de tudo agora, mas contou-me ter ficado
apavorada na época, temendo que meu pai fosse
tomar seu bebê, mas os dois se apaixonaram. Eu
tinha vontade, lá no fundo, de encontrar um amor
como o deles. Eu não era tão romântica, era prática,
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sem esse desejo de ter filhos ou marido, mas ver o


tipo de amor deles me fazia desejar algo assim para
o futuro.
Estico minhas pernas depois de passar
protetor nelas e olho de esguelha para mamãe
sentada na cadeira ao lado.
— Você se importaria se eu saísse daqui
para meu próprio lugar? — pergunto apenas para
saber o que ela acha, mas a decisão é real e vou
começar a procurar um lugar com minha cara.
— Sair? Você acabou de voltar para casa,
querida. — Ela desvia os olhos do catálogo de
moda que esteve estudando para me observar
espantada, como se nunca tivesse cogitado que eu
um dia fosse deixar de ser sua filhinha. — A casa é
enorme, Nikki, se você quiser pode ficar dias sem
nos ver.
A casa, casa não, a mansão, tinha quase dois
mil metros quadrados. Eu poderia morar ali, mas eu
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precisava de privacidade, já estava acostumada com


isso. E eu já tinha quase vinte e quatro anos,
completaria daqui a alguns meses, precisava de
espaço.
— Pode me ajudar a escolher. — Dou um
sorriso doce e encantador para convencê-la. — A
mãe de Giovanni poderia indicar alguns lugares
para podermos visitar.
— Não gosto disso, mas respeito sua
vontade, amor. — Estende o braço e tira uma
mecha de cabelo do meu rosto. — O importante é
vê-la sorrindo como agora. Sinto falta de você.
— Ei! Sou adulta agora.
— Eu sei.
Ela pega o celular e manda uma mensagem,
pouco depois me diz:
— Gabrielle disse que pode ir ao escritório
dela segunda ou terça-feira fazer uma visita. — Ela
já estava agindo? Ela não perdia tempo.
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— Diga que irei terça, no fim da tarde.


Deito de bruços e suspiro. Mamãe começa a
tagarelar sobre minhas irmãs e o sono me leva aos
poucos, fazendo sua voz sumir.
Sonho com olhos azuis irritados que me
olham acusadores e não consigo saber a causa da
irritação.
Giovanni Andretti até em meus sonhos era
um carma.

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CAPÍTULO 13

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GIOVANNI
SENTO NO CARRINHO DE GOLFE E
ESPERO. Meu pai, Jason e Luc Alonso estão em
torno do buraco, alguns metros de onde estou
sentado de braço cruzado e uma carranca, não estou
com vontade de jogar hoje, meu mau humor
persiste desde ontem à noite. Aborrecido por ter
perdido o controle com Nicole. Jesus! Não deveria
ter perdido o controle daquela forma, mas eu sou
conhecido por não me segurar quando quero algo e
ontem eu queria me assegurar que o amigo de
Guilherme não ia ter chance com ela. Eu não tinha
motivo algum para ficar possesso de ciúmes, mas
tomei conhecimento que quero a atenção dela toda
para mim. Eu não ia para a inauguração da boate,
mas quando ontem, na sala dela, percebi que ela
não me queria lá, resolvi ir, apenas porque sabia

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que ela me queria longe.


Mas quando cheguei, fui tomado por ciúmes
de uma mulher que nem gosta de mim, que não é
minha. Mas me vi marcando território como um
animal sem nenhum freio. E isso só intensificou
quando ela me ignorou e foi dançar com o idiota. O
resto foi totalmente louco, quando percebi tinha a
língua em sua buceta suculenta pra caralho e, o
pior, quero mais. Quero seus lábios em torno do
meu pau, quero ela na minha cama. Quero minha
Niks safada e pedindo mais. Solto um gemido
involuntário e me ajusto quando meu pau endurece
com o pensamento do calor úmido dela em torno do
meu pau ontem. Porra, eu preciso tê-la de novo.
Achei que se eu tivesse ela uma vez, desse a mim
mesmo o que eu queria, o desejo se aplacaria e esse
frenesi louco findasse, mas aqui estou eu tendo uma
ereção em um campo de golfe na frente de nossos
pais. Poderia ficar pior?
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Acho que não.


Mas estou chateado por ter me comportando
como louco e ter ultrapassando os limites que eu
mesmo tinha me imposto de não me meter com ela.
Eu tinha certeza que na segunda-feira ela faria
disso mais do foi e levaria para a empresa. Sorrio,
apesar de tudo. Acho que minha raiva foi perceber
que não a tinha afetado tanto assim. Quando ela
saiu da sala Vip, ontem, não parecia que tínhamos
feito sexo louco contra uma parede da boate de seu
primo.
Eles não são primos de verdade, apesar de
agirem como se fossem. Eu estava tão obcecado
por ela que quando soube que ela tinha visita, tive
de ir até sua sala ver quem era o cara, nem inventei
uma desculpa plausível. Depois daquele jantar,
semana passada, eu dispensei Alice, não fiquei com
nenhuma mulher e isso era muito inusitado. Nicole
me contaminou com algum vírus. Eu sempre estava
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com ela na cabeça feito um alucinado de merda.


Pensamento fixo do caralho.
Olho meu pai bater na bola de golfe e
suspiro. Ele me arrastou hoje cedo para o campo e
eu tenho a mente completamente fora do jogo.
Jason Lewis perde a rodada e vem para
perto de onde estou. Ele se senta no banco ao meu
lado e se serve de uma bebida.
— O que há com você? Esteve franzindo a
testa desde que sentou aqui.
— Pensando...
— Você e minha filha já se entenderam? —
Eu poderia responder a ele qual entendimento nós
chegamos, mas eu acredito que o taco que está
escorado ao seu lado iria para o departamento de
polícia como arma do crime. Em vez disso, digo.
— Estamos tentando. Nicole é muito... intensa.
— Humm — resmunga ele e eu o olho.
Seus olhos estão cobertos por óculos de sol, mas eu
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posso ver que ele está me analisando. — Intensa


com o que exatamente?
— Negócios, o que mais seria? — Sorrio.
— Achava que estava falando de quê?
— Eu não acharia custoso vocês dois
estarem colidindo de frente, você deixou claro que
iria ser difícil com ela. — Ele sorri. — Eu fico feliz
que estejam se dando bem, então.
Ele nem poderia imaginar quanto.
Cometemos um erro ontem, um erro que
gostaria de repetir, mas ele não precisa saber, não
é?
— A única coisa que quero agora é uma
bebida — desconverso e começo a me servir.
— Ela deve estar dando bastante trabalho,
hein? — insiste ele. — Teremos de marcar uma
reunião para ver o progresso da A&L, se vale a
pena continuar com a empresa.
— Ainda não entendo por que querem sair
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do negócio— digo pensativo. — Meu pai apenas


inventa desculpas que não condiz com o que ele
sempre quis e você, qual foi a desculpa para desistir
da A&L?
— Talvez queiramos pôr fim a sociedade.
— Isso nunca foi problema, nossa família
sempre se deu bem e nos negócios vocês dois
formam uma dupla e tanto.
— Agora é a vez de vocês dois serem uma
dupla e tanto.
— O que quer dizer?
— Se você ainda não percebeu é muito
ingênuo, Giovanni.
— Então sou completamente ingênuo. Não
sei o que quer dizer.
— Queremos que nossas famílias tenham
mais em comum do que apenas uma sociedade.
Queremos uma fusão.
— O quê? — Mas de que porra ele está
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falando? — Que tipo de fusão?


Ele não poderia estar dizendo o que estou
imaginando. — Querem que eu e Nicole...? — Dou
a deixa para ele, mas ele espera e acabo
completando. — Namore?
Ele sorri — Não. Que os dois casem!
Puta que pariu. Eu pulo do carrinho com as
palavras dele, indo direto para meu pai. Estou tão
furioso! Eu piso na sua frente e agarro sua camisa.
— Vocês armaram essa merda toda, apenas
por que vocês acham que devo me casar com a
filha dele? — grito na sua cara. — Porra, você me
perguntou se eu queria essa merda?
— Tira a mão, filho —pede calmamente,
sem se abalar. — O que diabos deu em você?
— Quer que eu case com a Nicole? — Solto
sua camisa polo e ele a alisa displicentemente.
— Jason, você não pode segurar a língua?
— Ele olha para Jason que está rindo no carrinho.
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Meu pai olha-me severo. — Não torne a ter essa


atitude comigo, Giovanni.
Não me importo com a ameaça dele, que
pense antes de me manipular em seus acordos.
— Então é verdade? Está praticamente
deixando pessoas desempregadas por que achou
muito interessante nos unir?
A risada de Luc me faz fitá-lo com raiva.
Não tem nada engraçado aqui.
— Garoto, a Nicole é linda! Está
reclamando do quê? — diz ele ainda sorrindo.
— Essa droga não vai acontecer! Acham
que podem me manipular? — vocifero, olhando
para Jason que desceu do carrinho e voltou para
onde nós estamos em pé.
— Acalme-se, garoto, não é o fim do
mundo essa ideia — diz meu pai.
— Pai, isso é medieval.
— Ainda assim funciona quando temos dois
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conglomerados que podem se juntar e criar um


grupo gigantesco. Isso é negócio, Giovanni.
— Sim, podem fazer isso sem que haja um
casamento medieval no processo, pai.
— O casamento seria a melhor fusão —
rebate Jason, sério. — Eu odiaria ver minha filha
casar com um homem que esteja atrás da fortuna
dela.
Ou talvez deva achar que pode me controlar
apenas por que me viu de fraldas?
— Nicole sabe disso?
— Claro que não. — Jason franze a testa.
— Mas ela casaria se fosse o que eu pedisse para
ela fazer!
É claro, a filhinha do papai sempre
querendo agradar.
— Pois ela vai morrer solteira se depender
de mim.
— Nicolas, seu filho parece você. Lembra
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que ficou possesso quando descobriu que seu pai


queria que você casasse? — Luc que assiste toda
conversa pergunta para meu pai e depois se vira
para mim. — Sabia que seu avô manipulou seu pai
para ele ter um neto, não é?
— Não, eu não sabia. — Eles nunca me
contaram essa história direito, apenas que meu pai
resistiu em começar uma família.
Não fico lá para saber. Eu volto para o
carrinho de golfe, ligo e deixo os três lá. Que eles
voltem a pé quando terminarem seu jogo de idiotas.

Estava inquieto desde que saí do clube de


golfe ontem. Eu queria falar com Nicole, dizer que
estávamos sendo manipulados por nossos pais e,
talvez, até pelas nossas mães também. Quando

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lembro que minha mãe quase me obrigou a jantar


com Nikki, eu não tenho dúvidas que minha mãe
sabe das armações do meu pai. Assim sendo, no
domingo, eu resolvo ir falar com ela. Nós
poderíamos almoçar e conversar.
A quem eu estava querendo enganar? A
verdadeira razão que eu estou inquieto é que a
forma que fui dispensado na sexta não estava
fazendo bem ao meu ego. Queria provar para
Nicole que ela não tinha controle sobre o que
iríamos fazer daqui para frente sobre a dinâmica do
nosso relacionamento que foi de zero a cem em
minutos. Haveria sexo cru e primitivo quando nós
dois finalmente nos encontrássemos de novo. Vou
garantir isso.
Paro no portão da casa dos pais dela e estou
indo me identificar quando ele abre e um carro vem
na direção oposta. O carro passa lentamente e vejo
que é o amigo de Guilherme, o sócio da boate, e
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Nicole está no banco do carona. Eles não me veem


devido a película preta do meu carro que impede
que vejam dentro. Eu deveria ter dado meia volta e
ido para casa, mas eu sigo os dois como um maldito
perseguidor.
Meia hora depois eles param em um
restaurante e minha mandíbula aperta quando eles
entram, a mão do infeliz na base de sua cintura me
deixa bufando de raiva.
Estou a ponto de descer e ir até eles quando
percebo que não devo. Nicole era livre para fazer o
que quisesse e com quem quisesse. Pego meu
celular e envio uma mensagem para um amigo que
trabalha com tecnologia, ele descobria as coisas
para mim quando eu queria informações de
negócios. Talvez ele pudesse descobrir quem era o
sócio de Guilherme. Eu poderia ser um babaca
mimado e arrogante, mas eu conhecia um
oportunista de longe. Ninguém conhecia o sócio de
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Guilherme no nosso meio social. Ao contrário de


Nicole e eu, que estamos alguns anos sem nos
vermos, eu e Guilherme estamos sempre nos
esbarrando em jantares e festas em comum. Nossos
pais frequentam os mesmos ambientes e eu queria
saber de onde o sócio dele veio. Depois de enviar a
mensagem fico lá decidindo o que fazer e me
sentindo um perseguidor.
Dez minutos depois ainda estou dentro do
carro. Bem, eu poderia almoçar, não é?
Sorrio quando caminho para o restaurante.
Eu poderia ligar para uma mulher e pedir que me
encontrasse aqui e daria a Nikki um belo show, mas
meus ciúmes não me permitem pensar muito.
Eu ia acabar com seu encontrinho
romântico. Ela é minha, porra, pelo menos até eu
ter outro gosto dela.
Talvez casar não seja tão ruim assim.
Meu sorriso some quando a palavra passa
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por minha mente.


Casar não estava nos planos.

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CAPITULO 14

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NICOLE
— OBRIGADA. — SORRIO PARA
RODRIGO quando sento depois dele segurar a
cadeira para mim.
— O prazer é meu. — Ele sorri com charme
deixando-o mais bonito. Eu poderia gostar dele,
mas acho que deveria tê-lo conhecido antes de estar
em pé de guerra com Giovanni, esse sim estava me
consumindo que mesmo agora eu não conseguia
deixá-lo de fora do meu “encontro”. — Fico muito
feliz que tenha aceitado o convite, Nicole.
Meu encontro com ele acabou sendo esse
almoço em vez de um jantar mais tarde. Ele teria de
trabalhar à noite, então me ligou ontem à tarde,
enquanto estava na piscina com minha mãe,
convidando-me para almoçar hoje. Eu queria
declinar do convite, mas com a firme decisão de

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fazer novos amigos acabei aqui sentada em um


restaurante com ele na minha frente. Eu mesma
tinha escolhido o restaurante, que eu já frequentei
diversas vezes. Gostava daqui. Não era um local
para casais apaixonados, era mais um clima
familiar, não queria que ele tivesse ideias erradas
do que era esse almoço.
Um garçom vem e nos entrega o menu,
deixando-nos a sós de novo.
— Como está a boate? — Puxo conversa
enquanto consultamos o cardápio.
— Ontem abrimos para o público — diz ele
alegremente. — Foi um sucesso total,
completamente lotada e com fila na entrada, espero
que continue assim... Depois que passar a novidade.
— Tenho certeza que será um sucesso.
— Tomara!
— Meu primo deixa você muito atarefado?
Aquele não nasceu para ficar trancafiado em um
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escritório.— Sorrio.— Já escolheu? Aconselho a


pedir o linguado ao molho de maracujá e
alcaparra...
Minha voz morre quando percebo quem
está vindo em nossa direção. Vestido com calça
preta e jaqueta de couro na mesma cor, ombros
estupidamente largos, nada menos que Giovanni
Andretti com seus olhos azuis focados em mim.
Isso poderia ficar pior? Não mesmo.
— Que coincidência, Niks, te encontrar
aqui. — Ele para ao lado da mesa com um sorriso
nos lábios, mas não é um sorriso divertido e nem
alcança seus olhos azuis. Ele estende a mão para
Rodrigo. — Não nos conhecemos sexta na Rave’s
adequadamente. Giovanni Andretti, um amigo
íntimo de Niks.
Ele não disse isso!
Rodrigo segura sua mão estendida. Tenho
vontade de levantar e correr bem distante dessa
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mesa, pois tenho a sensação que será terrível com


Giovanni em alguma mesa próxima nos observando
durante o almoço.
— Prazer, Giovanni, espero que tenha
gostado da boate. — Rodrigo cumprimenta afável.
— Achei magnífica. — Ele mantém o
sorriso predatório nos lábios, eu tenho certeza que
ele não olhou muito para a Rave’s na sexta-feira. E
não sei por que ele está se dando ao trabalho de ser
gentil agora quando poderia ter feito isso no dia da
inauguração antes de me arrastar para a sala Vip.
— Mas a parte que mais gostei foi a sala Vip, tive
grandes momentos lá. — Faz uma pausa e meu
coração dispara pensando nas próximas palavras
dele. Ele está brincando comigo, o maldito! — Eu
tenho um grupo de empresários da Alemanha
chegando na próxima semana e a Rave’s seria um
local para relaxar depois das reuniões, podemos
conversar sobre isso? Por que eu posso te garantir
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que consegui tirar todo estresse da semana quando


estive lá. — Ele me lança um olhar antes de
continuar. — Bom, eu ia almoçar sozinho, mas se
importam se eu me juntar a vocês?
— Sim, me importo — digo. O que ele está
fazendo? — Giovanni, acho que não é adequado.
—Por quê? Estou atrapalhando algum
encontro romântico?
Se eu já estava achando incomodo ele ficar
em alguma mesa por perto , agora ele quer ficar na
nossa mesa!
— Por mim pode ficar — diz Rodrigo,
talvez querendo cativar o “grupo de empresários
alemães”. Homens! — E eu gostaria que fosse um
encontro romântico, mas ainda não coloquei as
cartas na mesa para a dama.
Ele sorri quando alcança minha mão e eu
quero puxar longe, ainda mais porque Giovanni
está olhando fixo igual um maníaco para nossos
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dedos entrelaçados em cima da mesa.


— Que fofo — comenta ele, debochando
claramente e senta-se na cadeira vazia ao meu lado.
— Ele pega o cardápio e olha-o rapidamente. O
garçom volta e fazemos o pedido. O clima fica
tenso na mesa, mesmo Rodrigo sendo um
cavalheiro educado o tempo todo, mas posso sentir
a animosidade de Giovanni com ele. Ele se vira na
minha direção.
— Já disse que eu e a Niks trabalhamos
juntos? — pergunta ele. — Ela quer meu cargo de
CEO na empresa. Competitiva essa garota.
Fico calada porque eu tenho gana de acertar
um soco em Giovanni pela palhaçada, ele não tinha
que sentar em nossa mesa e ficar falando bobagens.
— Guilherme só falava na prima quando
nos conhecemos — diz Rodrigo e sinto a mão de
Giovanni na minha perna, tenho um sobressalto,
mas acho que meu companheiro de almoço não
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notou, pois continua dizendo, bem, se repetindo de


sexta à noite, pois já tinha me dito tudo na Rave’s.
— Eu sentia que já a conhecia.
— Não querendo ser grosseiro... — Pouso
minha mão em cima da dele na minha coxa e
belisco forte antes de retirá-la da minha perna.
— Giovanni, por favor! — repreendo,
sabendo pelo olhar sardônico que não viria nada de
bom, mas ele nem se abala com a provável dor.
— ... mas a Niks disse que estava morando
em Nova York? — Ele se vira olhando-me
inocente. — E sobre seu namorado de lá, já
terminaram? Ele era muito ciumento, não é, Niks?
— Namorado? — pergunta Rodrigo com
estranheza. — Não sabia que namorava, Guilherme
comentou que ela nunca tem tempo de namorar.
— Vejo que você a conhece muito bem, fez
uma pesquisa sobre ela? Pesquisou quanto vale a
filha de um milionário?
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— Já chega, Giovanni, você está sendo


grosseiro e inconveniente. — Levanto e estou
quase o expulsando da mesa quando nosso pedido
chega e volto a me sentar, aproveitando o momento
de distração ele se inclina e sussurra em meu
ouvido. — Melhor você dispensar o fodido idiota,
ele me cheira a um cavador de ouro.
— E você cheira a má educação — digo no
mesmo tom. — Apenas vá embora, Giovanni.
Sorrio para Rodrigo que observa nossa
interação. Perdi totalmente o apetite e, para meu
alívio, Rodrigo pergunta sobre os empresários
alemães e distrai o clima tenso, mesmo que eu ache
que não tem nenhum grupo de empresários, pois
saberia, não é? Mesmo sendo hostilizado por
Giovanni, Rodrigo não parece se importar que
acabou de ser ofendido. Como em silêncio,
deixando eles conversarem. Não vejo a hora desse
almoço mais que estranho acabar.
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Não entendo o que Giovanni quer, não


deixamos claro que não falaríamos sobre o que
fizemos? Ou melhor, eu disse que não falaríamos,
ele apenas ficou lá sem dizer nada. A mão dele
volta para minha perna a cada vez que ele baixa a
mão, estou uma pilha de nervos torcendo que a
hora passe logo. Ele é atrevido e completamente
insano. Pela primeira vez na vida estou sem saber
conduzir esse tipo de situação, sem ser considerada
louca, pois a única vontade que tenho é de derramar
o vinho em sua cabeça.
— Rodrigo, você se importa que eu leve
Niks para casa? Tenho um assunto para tratar com
ela, já que não estarei amanhã na empresa. —
Giovanni diz e o olho surpresa. Quando ele vai
parar de inventar essas histórias? Ele estaria, sim,
na empresa amanhã, até onde eu sabia. Vejo
claramente que ele apenas está procurando uma
desculpa para me afastar de Rodrigo. É isso?
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Estreito meus olhos para ele e o insano faz


cara de inocente e bebe tranquilamente sua água.
Ele era louco.
E essa história de um namorado fictício que,
por sinal, não neguei? Deve ser por isso que
continua a inventar coisas para acabar com meu
suposto encontro, pois é o que ele está fazendo. E
como diabos ele sabia onde me encontrar?
— Giovanni, eu não vou a lugar algum com
você — digo calmamente. — Você está
atrapalhando nosso almoço, quando deveria ter sido
agradável.
— Estou ferido, Niks — fala com falso
pesar.
— Tudo bem — interfere Rodrigo. —
Podemos ter nosso jantar amanhã à noite, Niks.
Giovanni se inclina para frente em direção a
Rodrigo.
— O nome dela é Nicole. — Toda
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brincadeira no tom de voz dele evapora e vejo seus


dedos enrolados em punhos.
— Achei que era um diminutivo do nome
dela — diz Rodrigo sem jeito.
— Achou errado, e ela tem um jantar
amanhã...
— Já chega. — Levanto furiosa. —
Rodrigo, eu adorei o convite, mas eu tenho de ir
agora. Giovanni, acredito que não autorizei você a
falar por mim. — Aponto o caixa. — Irei pagar a
conta.
Não espero resposta e nem peço a conta ao
garçom que vem em direção a mesa, vou direto ao
caixa e empurro o cartão de crédito para o
pagamento. Bando de homens babacas.
Antes que a moça pegue meu cartão uma
mão masculina segura e entrega o próprio cartão.
Giovanni está parado bem atrás de mim, posso
sentir o calor de seu corpo nas minhas costas.
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— Minhas mulheres não pagam minhas


contas — diz, inclinando-se até estar na altura da
minha orelha.
— Falou bem, suas mulheres, não eu —
retruco. A moça no caixa não sabe o que fazer.
— Pode usar esse aí. — Ele sorri e pisca
para ela que fica vermelha quando pega o cartão
dele.
Viro para ele e retiro meu cartão de suas
mãos e tento entregar de volta para a moça, mas ela
já está passando o dele.
Eu tinha de ficar devendo algo a esse
cretino idiota?
— Você ultrapassou todos os limites hoje,
Giovanni. Não sei seu jogo idiota, mas espero que
esteja se divertindo as minhas custas.
— Não estou me divertindo, Niks. Eu sei
que estou além do limite. — Ele sorri e faz sinal
para que eu vá na frente dele. Rodrigo nos espera
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na mesa e caminhamos os três para fora, esse com


certeza foi o pior almoço que já tive.
Caminho para pegar um táxi, tem um ponto
em frente ao restaurante, não vou voltar com
nenhum deles. Estendo a mão para Rodrigo.
— Obrigada pelo almoço. — Não acho que
aceitarei mais seus convites, se ele era educado
demais para lidar com homens como Giovanni, não
quero sair com esse tipo fraco que aceita ser
subjugado. — Nos vemos por aí!
Não me dou ao trabalho de me despedir de
Giovanni. Eu o mataria se falasse com ele agora,
mas ele, claro, tem outros planos. Estou entrando
no táxi quando ele segura meu braço.
— Deixe-me levá-la para casa — diz. —
Me desculpar por ser um babaca, mas eu precisava
tirar esse palerma de perto de você.
— Giovanni, agora seria bom você ficar
longe de mim — digo entre dentes. O motorista do
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táxi nos olha de cara feia. — Eu não pedi para você


me salvar de nada, na verdade, eu não estava
precisando de sua ajuda aqui.
— Eu preciso falar algo sobre a empresa. —
Ele parece sério agora. — Te deixo em paz depois,
se você quiser.
— Eu quero isso agora — replico.
Ele não responde, todo traço de brincadeira
foge de seu rosto e ele me encara com seriedade, os
olhos que me mantém prisioneira no lugar tem essa
emoção que não consigo identificar neles.
Limpo a garganta, tentando estabilizar as
batidas frenéticas do meu coração, pois mesmo me
corroendo de raiva eu ainda fico excitada quando
ele está por perto, ainda mais sabendo agora que ele
pode me deixar louca e saciada. Ainda morro de
curiosidade para saber o que ele pode fazer no
quarto.
— Moça, você vai entrar ou não? —
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pergunta o motorista chateado. Giovanni reage e


me guia para o carro com a mão na minha cintura.
— Apenas me deixe em casa — digo
quando chego perto do carro dele. Percebo que esse
carro estava entrando em casa quando saía com
Rodrigo. Ele provavelmente nos seguiu, mas
pergunto mesmo assim. — Você nos seguiu até
aqui?
— Acha que descobri aonde você estava
rastreando seu celular? — pergunta ele abrindo a
porta para mim.
Olho para ele, procurando saber se falava
sério, pelas atitudes dele desde sexta eu não acharia
estranho descobrir que Giovanni era algum
psicopata. Balanço minha cabeça para dissipar os
pensamentos loucos. — Meu nível de perseguidor
ainda não chegou a esse nível — diz depois que
entramos no carro.
Ele coloca o carro em movimento e me viro
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para ele.
— Você está me deixando com medo,
Giovanni.
— Estou? Medo suficiente para voltar para
Nova York? — Ele pisca para mim.
— Nos seus sonhos.
— Ah, que pena! Pensei que amanhã estava
no comando sozinho.
— Isso nunca vai acontecer.
— Veremos, Niks, veremos!
Ficamos calados depois de seu comentário
enigmático e fecho meus olhos por alguns minutos,
tentando achar uma forma de tirar Giovanni do meu
sistema. Estranhando seu silêncio, percebo que
estamos indo em direção oposta da minha casa.
— Além de perseguidor é sequestrador
também? Onde estamos indo?
— Conversar na minha casa.
— Não.
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— Niks...
— Meu nome é Nicole como bem frisou no
restaurante.
Ele gargalha divertido
— Aquele babaca quer algo de você, sabia?
— Ele me olha rapidamente, ignorando meu
comentário. — Um cara que não faz nada para
marcar território com uma mulher bonita pra
caralho ao lado dele e nem se oferece para pagar a
conta? Porra, Niks, acabei de te livrar de uma fria.
— Não se ache, Andretti, eu não tenho nada
com ele, apenas aceitei seu convite pois quero
voltar a fazer amigos aqui. — Deixo escapar e me
arrependo por dar munição para ele.
— Não vai transar com ele?
— Não que isso seja da sua conta, mas não
— sibilo. — E não pedi que me salvasse de nada,
não preciso de cavalheiro em cavalo branco, sei
muito bem me cuidar sem um homem se achando o
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salvador.
— Meu cavalo é preto. — ele ri divertido
— E fico aliviado. — Seu tom de satisfação me diz
que ele escutou apenas a primeira parte do meu
discurso. —
— É mesmo?
— Vai me livrar de cometer um crime. —
Ele manobra o carro e vejo que estamos em sua
casa.
— O que estamos fazendo aqui?
Ele não responde, só para o carro quando
estamos em frente à sua porta. Ele se vira no banco
para me olhar.
— Tome um bebida comigo, eu preciso
depois desse almoço intragável. — Desce e dá a
volta no carro abrindo a porta para mim. — Vai
ficar aí? Seja uma boa menina.
Ele segura minha mão e me ajuda a descer,
mas em vez de irmos para dentro ele me encosta no
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carro com seu corpo todo musculoso colado ao


meu. Antes que eu reaja ele está me beijando. O
beijo ardente me deixa tonta e confusa, sinto a
aspereza de sua barba em meu rosto e retribuo com
um gemido quando sinto a dureza de seu pau em
minha barriga. Senhor, dai-me força. Ele morde
meu lábio inferior antes de levantar a cabeça e me
olhar
— Eu deveria ter feito isso no restaurante.
— Ele enfim fecha a porta do carro e me conduz
em direção a casa.

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CAPÍTULO 15

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NICOLE
EU DEVERIA DIZER NÃO, exigir saber
por que ele me trouxe aqui, mas, em vez disso,
quando entramos em sua casa, nós não falamos, nós
atacamos um ao outro como se tivéssemos
morrendo de sede no deserto e fôssemos o oásis um
do outro. Por duas semanas eu estive competindo
contra Giovanni. Tentando ser melhor, mais
inteligente, mais centrada, qualquer coisa que o
calasse e me deixasse fazer meu trabalho na A&L
e, em questão de segundos, toda raiva que sinto
dele desmorona quando ele me beija dessa forma
lasciva e quente.
Ele me empurra para o sofá de sua sala de
estar que tem vista para sua piscina, mas eu não
olho isso. Estou ocupada devorando sua boca com a
minha.

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Ele me empurra de costas e prende minhas


mãos acima da minha cabeça com umas de suas
mãos e me olha, seus olhos escuros. Sua outra mão
grande abarca um dos meus seios, apertando entre
os dedos um mamilo e gemo com a dor gostosa que
ele provoca, arqueio querendo mais.
— Eu sei que você não gosta disso. — Ele
aponta entre nós dois. Mas eu gosto, só que é bom
ele continuar pensando que odeio, no fundo talvez
eu odeie, mas a forma que eu me entrego querendo,
desejando diz o contrário. — Mas ainda assim
continua permitindo que eu chegue em você. Gosta
de jogar, não é? Eu não me importo com isto,
querida. — Ele abaixa até nossas respirações se
misturem. — Eu preciso ter você.
— Antes de continuar, eu devo perguntar.
— Empurro meus quadris para cima, sentido o
cume duro através de seu jeans. — Qual é seu
jogo comigo? Nós dois queremos vencer, ter o
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controle sozinho da A&L, queremos alcançar o


topo que desejamos nas empresas de nossos pais,
mas esse é apenas um teste para a grande vitória no
final e não iremos parar por nada até alcançarmos
todos os nossos objetivos. Então, por que me
perseguir assim de repente, Giovanni?
— Por que eu posso e por que eu quero e
quando eu desejo algo, eu possuo. Eu te disse, não
foi?
— Talvez não dessa vez, talvez eu possua
você — retruco com meu sorriso mais doce nos
lábios. — Tem certeza que não está fazendo o que
eu desejo que você faça?
Era apenas para provocar, eu nunca poderia
manipular alguém, mas ele era tão arrogante e
cheio de si que seria bom tentar abalar seu ego do
tamanho de um astro rei. Ele praticamente pula
saindo de cima de mim. Sinto falta imediatamente
de seu peso.
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Eu desejo ele de volta, e é vergonhoso ceder


assim ao desejo, mas eu nunca fui ousada na minha
vida sexual, eu estive mais centrada em ser a
melhor no meu trabalho. Mas agora estou ficando
frustrada por culpa dele.
— Ok — sussurro quando deslizo sentada,
ajeito meu cabelo com as mãos. Observo ele
caminhar para o canto e se servir de uma bebida.
Depois que ele serve um copo com o que parece ser
uísque, ele se vira e me encara, os olhos azuis como
o céu me mantendo cativa no lugar. Seu cabelo está
desfeito dos meus dedos e isso o deixa mais sexy,
essa mecha caindo em sua testa. — Você disse que
tinha algo para falar comigo.
Lembro-o já que o clima mudou e não
estamos indo mais devorar um ao outro.
— Eu vou te levar para casa.
— Ah, mais não vai mesmo, está bebendo.
— Aponto e ele olha distraído para o copo como
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não notasse o que estava fazendo, mas vira o copo e


bebe de um gole. A curiosidade leva a melhor sobre
mim e me vejo perguntando. — Por que você
parou?
Ele vira para se servir de outra dose e agora
vem com o copo em minha direção.
— Bem, podemos continuar então — diz
mansamente, um sorriso perverso nos lábios. Para
bem na minha frente, eu não sou muito alta e
sentada do jeito que estou nesse sofá baixo eu fico
com o rosto praticamente em sua virilha e ele para
muito perto e meus olhos grudam no volume ainda
muito evidente. — Eu já imaginei muitas vezes
você de joelhos na minha frente, Niks. — Um
tremor me percorre toda e olho para cima, olhos
nublados de desejo e luxúria me olham de volta. —
E eu quero você de joelhos agora.
Meus olhos se estreiam enquanto o avalio,
procurando saber se ele não está apenas brincando,
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ele disse que me veria de joelhos também sexta na


sala Vip. Eu quero isso, mas eu não tenho certeza
se é uma boa ideia.
— Nunca me verá de joelhos. — Resisto
por que também gosto de competir por posição de
poder, mas ele segura um punhado de cabelos entre
os dedos.
— Tão bonita e tão teimosa. — Ele se
abaixa até morder a ponta da minha orelha antes de
dizer em um tom firme e duro. — De joelhos,
agora!
— Obrigue-me — desafio, mas a minha voz
sai mais submissa do que queria admitir. Olha-me
severamente e não é um olhar que estou
acostumada a ver nele, é diferente, fazendo uma
corrente elétrica correr por mim diferente de tudo
que senti até então. É como se um Giovanni mais
velho assumisse.
Hesito, pois, sei o que ele está tentando
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provar, mas o desejo é mais forte e deslizo em


meus joelhos no tapete felpudo, meus joelhos ficam
amortecidos do chão duro. Espero e não demora
muito para ele segurar as mechas de cabelos
escuros com força e minha cabeça inclina para o
lado expondo a linha delgada do meu pescoço. Seus
lábios batem em cima da pulsação errática,
fazendo-me molhada. Se ele me tocar eu poderia
gozar tão rápido. Ele solta um som gutural meio
animalesco quando corre a língua por meu pescoço
que me deixa tremendo toda quando morde a
junção entre meu pescoço e ombro. — Assim é
melhor. — Ele fica em pé outra vez e não me faço
de rogada, levo minhas mãos ao seu cinto,
desafivelo e puxo o zíper de sua calça e
rapidamente libero seu pau que pula fora duro e
majestoso. Ele é tão bonito.
— Você quer instrução? — pergunta
roucamente o olhar queimando.
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Lambo meus lábios provocativamente, olho


em seus tempestuosos olhos escurecidos antes de
me inclinar e correr lentamente minha língua na
extensão do seu pau até enfiar a ponta rosada com
uma gota de pré-semen saindo da fenda. Enrolo
minha língua em torno da cabeça colhendo tudo em
minha boca, começo a sugar fazendo barulhos de
sucção, gemo causando uma vibração quando
chupo gostosamente deixando-o mais molhado com
minha saliva, arrancando um gemido bruto de sua
garganta, e, sem tirar meus olhos de seu rosto,
engulo seu pau até as bolas. Volto e pego um ritmo
que é rapidamente controlado pelas mãos que
seguram meus cabelos fortemente, ele não tem
piedade quando se empurra na minha boca até
meus olhos lacrimejarem. Ele empurra fundo em
minha garganta e minha visão fica meio turva, mas
não vou recuar, apenas me mantenho olhando-o e
seus olhos queimam nos meus com luxúria áspera e
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uma necessidade carnal que mantém levando-o em


minha boca molhada. Enquanto eu estou nessa
posição, abaixo minhas mãos e começo a me
acariciar por baixo do tecido da minha calcinha,
passando a ponta dos meus dedos e movendo de
forma circular por meu clitóris que lateja duro.
— Porra! Tire seus dedos safados dessa
buceta gananciosa, Niks. Eu que a farei gozar, não
seus dedos.
Obedeço e ele se retira da minha boca, eu
gemo com a perda, puxa-me para que eu fique
sentada na beirada do sofá. Ele me empurra para
trás até que me encosto. Giovanni se ajoelha entre
minhas pernas, puxando minha calcinha ele tem
uma visão da minha buceta quando levanta minhas
pernas e meus calcanhares ficam na borda. Ele olha
meu pé em que tem a tatuagem e observa-a
passando a ponta do dedo sobre os dois dentes de
leão com a inscrição que meus pais têm em suas
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alianças.
— Sexy — diz inclinando-se com olhos
predatórios. — Depois quero saber sobre uma
mulher tão certinha ter uma tattoo em seu pé, mas
agora...
Ele deixa de falar e traça um caminho desde
meus joelhos, coxas, sua barba sexy fazendo-me
contorcer, a aspereza só faz a dor entre minhas
pernas maior, ele aproxima o rosto e desliza a
língua pela minha abertura exposta para ele, solto
um gemido demorado que fala de necessidade pura
e crua, quero sua boca em mim, seus dedos, ele
todo. Aperto um dos meus seios pesados e
doloridos. Querendo atenção, com uma mão
acaricio através do vestido leve que usei no almoço,
mas é um empecilho no caminho dos meus dedos,
minha outra mão está nos cabelos de Giovanni em
um aperto firme para que a boca profana e cruel
não se afaste. Ele faz-me contorcer quando começa
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a passar a língua, deslizando por toda a extensão


até enfiar dentro mim, como se me fodesse. Ele
volta ao meu clitóris e toma-o na boca, olho para
baixo e vejo como chupa completamente absorto e
essa visão dele comendo com vontade, faminto, me
desfaz inteira.
— Ai, por favor, eu preciso... — Prazer
começa a se juntar em um nó em minha barriga,
ventre, virilha e minhas pernas se enrijecem e uma
forte tensão se constrói em mim como uma onda de
calor me tomando e quero gritar quando a euforia
começa a se espalhar e de repente para. E gemo
agora quase de dor — Oh!
Vejo com incredulidade quando ele se
afasta com um sorriso brincando em seus lábios.
— Está pronta para ir? — Ele começa a
levantar e eu olho-o abismada.
— Sério? — Ele fica em pé e fecha a calça
com dificuldade e claramente falando sério. —
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Termine o que começou seu filho da...


Ah!
Ele está fazendo-me praguejar, eu não tinha
a boca suja, mas desde que o conheci já disse tantas
palavras feias que já valeu por uma vida inteira.
— Não trouxe você aqui para isso, Niks. —
Dentes brancos e perfeitos aparecem em sua boca
que há pouco estava fazendo um ótimo trabalho em
me dar prazer. Inferno de homem! Ele só queria me
deixar fraca, mas eu não vou dar esse gosto para
ele.
— E para que exatamente me trouxe,
babaca?
— Pensei melhor e você será mais feliz sem
saber.
Ótimo!
Levanto e arrumo minha roupa. Olho ao
redor atrás da minha calcinha e não a vejo.
— Onde jogou minha calcinha?
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— Não sei. — Um pequeno sorriso nos


cantos de sua boca me diz que ele sabe muito bem.
— Giovanni, me entregue isso. — Estendo
a mão, mas em vez de me entregar a calcinha ele
segura meu pulso e me puxa rápido e forte,
fazendo-me bater em seu peito.
— Você é uma coisinha tão mandona — diz
antes de me beijar, sua língua mergulhando em
minha boca e saboreamos a nós dois, gemidos saem
de nossas gargantas quando o beijo febril acaba
rápido demais. — Vai para casa sem calcinha por
causa disso.
Ele se afasta e acabo de me recompor. Ele
chama um táxi pois me recuso a ir com ele
dirigindo por ter bebido dois drinks, mas ele vai
comigo, teimando que não me deixaria ir sem
calcinha com um taxista pervertido.
— A única coisa pervertida aqui é sua
mente, Giovanni — sussurro para ele já dentro do
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táxi.
A viagem é feita em silêncio, mas os dedos
dele brincam com os meus, ele circula meu dedo
anelar e olho-o curiosa, mas ele mantém o olhar
perdido à frente. Está sério e taciturno. Quando o
táxi para na minha casa, ele desce e me ajuda a
descer, entra de volta e acena um adeus frio.
Caminho para casa frustrada sexualmente e
incomodada, minha vontade era de dar meia volta e
exigir que ele terminasse o que começou. O
pensamento dele sofrendo do mesmo mal traz um
sorriso nos meus lábios, mas é apagado
rapidamente quando penso que ele pode muito bem
ir se aliviar com as mulheres que vivem ao seu
redor. Ele deve ter muitas querendo satisfazer seu
ego maníaco.
Passo o resto do domingo frustrada.

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Segunda-feira, pela manhã, quando chego


no escritório Leila já se encontra e tem boas
notícias. Nosso melhor cliente, que estive atrás
durante as duas últimas semanas, marcou uma
reunião comigo para amanhã logo cedo, eles
querem reaver nosso contrato, mas precisam dessa
reunião antes de qualquer coisa. Fico feliz que está
dando certo. Eu quero ir na sala de Giovanni e
tripudiar dele. Mas eu quero estar com o novo
contrato em mãos antes. Não o vejo durante a
manhã toda, parece que ele não mentiu ontem
quando disse que não estaria aqui hoje. Leila pede
meu almoço, uma salada de atum, e como na sala
sozinha, estou tentando elaborar uma proposta
interessante para levar amanhã. Estou quase
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terminando minha salada quando Leila bate antes


de entrar.
— Deixaram uma encomenda para você —
diz entrando com uma sacola de loja. E coloca em
cima da mesa na minha frente.
— Obrigada, Leila. — Sorrio para ela.
Espero ela sair e levanto para verificar. Dentro há
uma caixa creme com letras douradas, um laço
dourado adornando. Conheço a loja, mas estou
curiosa, procuro um cartão, mas não há nada. Abro
a caixa e disposta em papel de seda dourado tem
uma calcinha de seda preta com um lacinho
vermelho atrás, levanto na ponta do dedo. Um fio
dental sexy. Jogo de volta na caixa e guardo. Não
preciso de cartão para saber quem enviou. Imbecil.
Quem ele pensa que é para comprar calcinha para
mim? Se ele estivesse na empresa eu iria em sua
sala agora jogar a calcinha na sua cara. Bem que eu
poderia deixar na mesa dele. Talvez eu faça isso.
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Ele não deu as caras o dia inteiro na A&L.


Apenas no fim da tarde o vejo de relance
entrando no elevador. , Hoje ele está de terno
grafite sofisticado sob medida.
O confronto que esperava hoje não
aconteceu, ele estava me evitando?
— O senhor Andretti já foi? — pergunto
para Leila, aproximando-me de sua mesa.
— Sim. Ele só veio pegar um documento e
já foi, não virá mais hoje. — É claro que não virá.
— Preciso que leve isto ao departamento
jurídico. — Entrego a proposta para ela. — Diga
que só irão embora hoje depois que a proposta
estiver analisada e que preciso pronto para reunião
logo cedo. Estarei na minha sala se tiverem alguma
dúvida.
Ela vai fazer o que pedi e volto para minha sala.

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CAPÍTULO 16

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GIOVANNI
SÃO SEIS HORAS DA MANHÃ DE
SEGUNDA FEIRA e eu já estou no escritório do
meu pai na Andretti’s Inc.
Estou de pé olhando pela janela lá fora, os
arranhas céus onde os negócios eram feitos, um
mundo de muito dinheiro ao redor e a sede da
Andretti’s Inc está no meio de tudo, imponente. A
empresa onde meu pai administrava tudo. Eu
poderia estar aqui, mas estou em uma briga por
apenas um pedacinho disso, mas é como papai diz,
tenho de começar de baixo, ganhar o trono é fácil,
difícil é conquistar, por isso minha luta com Nicole.
Eu salvando a A&L, poderia assumir essa sem me
sentir como estivesse no cargo apenas por ser o
herdeiro. Estou tentando colocar a cabeça em
ordem, entretanto tem sido difícil parar de pensar, a

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noite foi longa.


O dia de ontem tinha sido, no mínimo, fora
de controle. Minha ida a casa de Nikki, depois
seguindo-a até o restaurante e, claro, logo em
seguida terminamos os dois frustrados porque eu
queria puni-la por me deixar louco. Voltar para
casa com uma ereção e permanecer com ela durante
o resto do domingo não fez em nada para melhorar
meu mau humor. Mas durante a nossa interação na
sala, eu pude perceber que a ideia de casar com ela
poderia ser mais interessante do que eu estive
pesando até então, por isso tive de parar antes que
eu fosse mais longe com ela, deixá-la querendo
mais e pensando em mim. Pois tenho certeza
absoluta que ela passou a noite com o mesmo tesão
que eu, então eu poderia levar meu plano a termo.
Eu tinha de amadurecer meus planos. Pensar,
reavaliar.
Olho e relógio e só passaram dez minutos,
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impaciente pego meu celular e ligo para meu pai.


— Ei, filho!
— Você está chegando no escritório?
— Daqui uns cinco minutos — diz. — Está
me esperando? Aconteceu algo?
— Só preciso conversar com você. — Sento
em sua cadeira e recosto a cabeça no espaldar. —
Te vejo daqui a pouco.
Não demora muito e escuto o timing do
elevador e depois a porta se abre e meu pai entra.
— Está de bom humor hoje? — Ele põe a
pasta de couro em cima da mesa e senta na cadeira
em frente à mesa dele, eu fico onde estou que é
exatamente em sua cadeira, fiz isso muitas vezes
quando era mais novo. Ele me trazia aqui, eu me
sentava em sua cadeira e me sentia como um CEO
poderoso antes que eu completasse dez anos.
Talvez seja a razão de querer tudo a minha maneira
e não pensar muito em falar o que quisesse a quem
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quer que seja. — Bem, vai me dizer por que está


aqui?
— Me fale sobre essa fusão da empresa
Andretti e Lewis — peço calmamente.
— Ficou interessado?
— Pai.
— Bem, eu e Jason há um tempo
conversamos sobre a fusão, mas íamos manter tudo
comercial, negócio preto e branco, nos tornar um
grupo gigantesco, um aglomerado de empresas,
contudo deixamos as coisas esfriarem. — Ele me
dá um arremedo de sorriso. — Mas ano passado
voltamos a falar sobre isso novamente e como
sabemos que tanto você como Nicole têm interesses
em administrarem as empresas, sabendo que nunca
iriam querer unir as duas empresas, pensamos em
testar a teoria. Deixar a empresa que já era uma
sociedade nas mãos dos dois e ver como se sairiam.
— E...?
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— Casamento não era bem o que tínhamos


em mente, mas cada vez isso se tornou uma opção
na mesa. — Ele se inclina. — Seria interessante
que os dois fossem mais que rivais, Giovanni.
— Eu poderia aceitar o casamento — digo
com determinação. — Mas eu não quero que ela
saiba do acordo, quero ela apaixonada por mim.
Ele ri alegremente.
— Por quê ? Está apaixonado por ela? Em
duas semanas estão mais brigando que falando um
com o outro?
— Apaixonado? Papai, pelo amor de Deus,
quem se apaixona hoje em dia?
— Então por que a quer apaixonada por
você?
— É assunto meu — digo apenas. —
Marque uma reunião com Jason e diga que aceito a
fusão, mas quero um tempo, antes que ele fale com
Nicole sobre isso.
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— Você está brincando com fogo,


Giovanni. Jason pode te matar por se quer pensar
em tentar magoar a filha dele e nem poderei te
defender se for essa sua intenção.
— Você tem um conceito muito errado de
mim, pai. — Dou a ele meu sorriso de bom rapaz
— Eu apenas sei que ela nunca aprovará essa fusão
se não estiver apaixonada.
— Você teria muita sorte se ela se
apaixonasse, ela é perfeita para você. — Ele
levanta e enfia as mãos nos bolsos e caminha até as
janelas de vidro onde estive mais cedo. — Você
precisa de uma mulher que o ame, com o tempo me
dará razão, talvez se ache novo demais, na sua
idade também nem sonhava com isso, mas depois
que conheci sua mãe e me apaixonei por ela, me
perguntava todos os dias por que demorei tanto
para aceitar o amor de uma mulher que valesse a
pena. — Vira -se para mim. — Nicole é feita do
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mesmo material que você, vai casar com alguém do


nosso meio, e por que não você?
— Sou mais novo que ela — argumento
sem muita convicção.
— Apenas um ano e o que isso importa?
— Para ela importa e muito, talvez ela não
goste de um homem mais novo sendo o alfa.
— Talvez por que, ultimamente, você tem
agido feito criança, Giovanni. Esse não é você.
— Eu vou ter Nicole onde eu quero, papai.
— Cuidado com o que deseja — diz ele e
me enxota de sua cadeira. — Alguém aqui precisa
trabalhar. Como anda o progresso da A&L?
Falei sobre a decisão da nossa última
reunião e nas ideias de Nicole sobre voltar com os
antigos clientes, eu concordava com ela, mas nunca
perderia a chance de implicar e vê-la corada de
raiva. Era linda. Estava acostumada com mulheres
lindas, mas Niks tinha fogo saindo pelas ventas
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quando estava furiosa comigo e estou ficando


viciado nela, merda. Tento tirar a imagem dela na
minha sala ontem e foco no que meu pai está
dizendo.
Acabo ficando com ele toda manhã falando
sobre a possível fusão. Ele liga para Jason e marca
uma reunião para dali uma semana, já que Jason
está com viagem marcada para fora do país. Ele
está sempre viajando pois a maior parte da empresa
dele é de tecnologia. Quando ele voltar
colocaremos os planos em ação, mas os meus
planos para ter Nikki, podem começar já.
No meio da manhã faço uma encomenda
para ser enviada para a A&L. Fico excitado só em
pensar em Niks, eu preciso tê-la outra vez, mas não
irei procurá-la hoje, faz parte do jogo, mantê-la na
expectativa.
Boa sorte, princesa!

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Acabo voltando no fim da tarde para a


empresa, precisava de alguns documentos para
estudar à noite em casa, e a vejo quando estou indo
embora, ignoro-a e percebo claramente que ela
estava preparada para um confronto, mas eu a
frustrei com minha ausência. Uma pena, Niks.
Quando entro no meu carro meu celular
toca e vejo o número de Guilherme.
— Guilherme.
— Giovanni, como está? — Ele não espera
minha resposta. — Estive falando com Rodrigo e
ele disse que você tem uns amigos alemães te
visitando e que viria para a Rave’s?
Droga, tinha esquecido completamente, mas
sobre os alemães era verdade, só não iria levá-los
para a boate, disse apenas para ter a atenção do
encontro de Nikki longe dela, mas ele tinha sido
inteligente ao mandar Gui me ligar, eu não o
mandaria a merda.
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CAPÍTULO 17

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NICOLE
— ENVIAREI EM BREVE O
CONTRATO FINALIZADO com os ajustes. —
Aperto a mão do senhor Alberto Vilar, presidente
das usinas Eólica Ventar, despeço-me dele na
frente do restaurante onde esticamos a reunião que
tivemos metade da manhã. Ele queria garantias e
dei o que ele precisava para sentir que vamos ter
capacidade de atentar a demanda da empresa dele.
Nós iremos fornecer para ele agora, e com
um contrato melhor que o de antes. Vamos fornecer
para nova usina que ele vai montar no nordeste do
país e estou com um sorriso de orelha a orelha
quando pego meu carro e dirijo de volta a A&L.
— Leila, reveja as alterações que foram
feitas no contrato da Ventar e envie para mim antes
das quinze, pode ser? — digo quando passo pela

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mesa dela antes de entrar na minha sala. — O


senhor Andretti veio hoje?
— Sim, está na sala dele.
— Ótimo, veja o contrato, sim?
Vou para minha sala, solto a minha bolsa na
mesa e vou no banheiro anexo a minha sala e me
olho no espelho, aliso o vestido azul marinho justo
sem mangas e na altura do joelho. Reaplico o
batom e me encaro no espelho. Vá, Nicole, mostre
que você é superior.
Sorrio do pensamento. Ele deve dizer isso
todos os dias na frente do espelho. Pelo tamanho do
ego de Giovanni, ele não só diz isso a si mesmo,
mas deve ter um grupo de pessoas pagas para
dizerem também. Respiro fundo e digo para mim
mesma tratá-lo como se sexta e domingo nunca
tivesse existido, que ele não teve aquela boca em
mim.
Saio da minha sala levando uma cópia do
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contrato da Ventar, esse ainda falta as alterações


que pedi para Leila, caminho direto para a sala
dele, entro sem bater porque sei que o deixará
furioso.
— Sua educação é tão refinada. — A voz
masculina vem da mesa cheia de ironia. Entro e
tranco a porta atrás de mim.
— Só devolvendo o favor para você,
querido Giovanni. — Caminho e paro ao lado da
mesa. Ele hoje está apenas com camisa branca que
se molda perfeitamente ao dorso musculoso dele e
uma gravata vermelha meio frouxa no pescoço. Ele
se recosta na cadeira e me olha, sua sobrancelha
levanta quando coloco a cópia do contrato na frente
dele.
— O que é isso?
— A prova que posso ser mais persuasiva
que você e melhor no que faço. — Cruzo meus
braços com um sorriso em meus lábios. Ele pega a
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pasta e abre. Eu espero enquanto ele folheia, franze


a testa e fecha a pasta. Coloca-a em cima da mesa e
olha-me. Ele parece confiante, relaxado e poderoso
em sua cadeira de couro, não quero imaginar como
seria se eu...
— Parabéns, senhorita Lewis. — Ele
interrompe minha linha de pensamento indecorosa.
— Achei que teria mais entusiasmo de sua
parte por estar tendo êxito onde você anda
falhando.
— Você quer uma festa em sua
homenagem? — Relaxa mais na cadeira.
— Não, apenas que amanhã na reunião você
diga aos seus amigos diretores quem conseguiu a
façanha de trazer de volta nosso melhor cliente.
— Nunca disse que era uma má ideia,
Nikki, apenas que poderíamos conseguir outros
melhores ou iguais a esse. Que era perda deles nos
deixar, tanto foi que ele voltou, não é?
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— Você é inacreditável...
— Eu já sabia que você tinha conseguido,
recebi uma cópia do novo contrato do departamento
jurídico, não acontece nada aqui sem que eu saiba,
querida.
— Você... — Que ódio desse idiota
presunçoso.
Ele levanta e agora estou entre ele e a mesa
atrás de mim. Ele estende a mão pega uma mecha
do meu cabelo e esfrega entre os dedos. — Você
tinha razão, Niks, era boa ideia e fui burro em não
seguir esse caminho. Amanhã será como você
quiser.
O quê? Ele estava do meu lado? Assim sem
mais nem menos?
— Para me desculpar com você, me deixe te
levar para jantar. — Inclina-se e seus lábios ficam a
milímetros dos meus. — Será um jantar sem brigas,
diferente da outra noite, sem interferência de minha
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mãe, agora por que eu quero levar você.


— Desculpe-me — digo colocando as mãos
em seu peito e tento empurrá-lo para longe do meu
espaço pessoal, mas ele parece uma parede de
concreto. — Você não me suporta, esqueceu? E
vice e versa?
— Não é verdade, gosto apenas de competir
com você e deixá-la brava, fica mais linda assim...
— Sua boca paira sobre a minha. — Furiosa.
Minha respiração fica entrecortada, mas não
estou comprando esse bom comportamento dele.
— Por que não diz o que está havendo,
Giovanni?
Ele ri.
— Droga, não consigo enganar você. — Ele
parece pesaroso, coloca as duas mãos em cada lado
do meu quadril, estou praticamente sentada na
mesa dele. — Hoje à noite eu não esperava apenas
jantar, você sabe, eu planejava tirar de você aquele
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presente que ganhou ontem.


Ah sim, a calcinha que iria devolver para
ele.
— Ah sim, sobre isso... — começo, mas sua
boca está na minha impedindo-me de continuar e
apenas devolvo o beijo quente e me perco no
momento. Seus lábios se movem contra os meus e
quando ele chupa minha língua deliciosamente em
sua boca, não resisto. Há paixão e algo como
desespero e ternura em seu toque que fazem meus
joelhos fraquejarem, seus lábios estão macios e
sedutores e o beijo torna-se profundo e quente e eu
deixo-me acreditar, por um momento, que esse
sentimento de ternura é verdadeiro e algo que não
sinto há muito tempo começa a descongelar em
meu peito. Eu tento resguardar isso, mas parece
cada vez mais difícil sustentar essa animosidade
entre nós, as discussões e as discordâncias, por isso
levo minhas mãos ao peito dele e o empurro para
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longe e fico em pé. Ajeito meu cabelo no lugar. Há


uma mudança na maneira como ele me olha, e essa
sensação sinuosa dentro de mim gosta demais
disso.
— Temo que já tenha um compromisso para
a noite — digo ofegante, meus lábios estão
formigando e quero voltar a beijá-lo, mas resisto e
caminho para a porta. — Fica para outro dia.
Ela não diz nada nem me impede de sair,
mas quando estou fechando a porta ele diz:
— Ainda não terminamos, Niks.
Fujo de lá e volto para minha sala, não
posso continuar esse joguinho com ele. Eu não
tinha um compromisso essa noite, mas ele não
precisava saber. Sento lá e tento bloquear as
sensações estranhas que teimam em tomar conta de
mim cada vez que Giovanni me beija. Esse beijo de
hoje parece diferente dos outros que eram mais
carnais, frenéticos.
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O telefone toca na mesa e o pego.


— Senhorita Lewis — Leila chama do outro
lado. — A secretária da senhora Andretti está na
linha para confirmar sua visita hoje no fim da tarde.
Posso confirmar?
Ah, meu Deus! Eu tinha esquecido
completamente da visita que iria fazer ao escritório
da mãe de Giovanni. Pelo andar das coisas entre a
gente, talvez fosse melhor contratar um agente
imobiliário neutro que a mãe de meu
inimigo/amante. Estou divagando igual uma idiota.
Droga, ele não era nada meu.
— Sim, irei. Obrigada, Leila. — Recosto na
cadeira e suspiro.

O escritório de arquitetura de Gabrielle fica

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no alto de um edifício de vidro a aço e ocupa todo o


último andar. Espaçoso e com decoração
minimalista, porém requintado. O elevador se abre
para a recepção onde uma recepcionista elegante
está atrás de uma mesa de vidro, sofás cinzas
perolados estão dispostos ao redor de uma mesa
baixa. Na parede atrás da mesa da recepcionista
tem o nome da empresa Velasco Arquitetura e
Urbanismo. É, parece que a mãe de Giovanni não
adotou o nome de casada nos negócios, mulher
sábia. Vou até a mesa e a recepcionista sorri
cortesmente.
— Senhorita Lewis?
— Sim
— A senhora Velasco irá recebê-la. — Sou
escoltada para uma sala grande e espaçosa com
uma mesa de reunião oval, deve ser aqui onde os
projetos são elaborados, pelo visto. Gabrielle está
sentada à mesa em frente a um laptop e levanta os
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olhos quando a porta é aberta pela recepcionista.


— Nicole, minha querida. — Ela levanta e
vem me cumprimentar
— Obrigada por me receber.
Ela me convida a sentar e pede para a
recepcionista trazer café ou chá, eu declino dos
dois. Passamos a próxima hora falando sobre um
apartamento ou uma casa para mim.
— Ficarei feliz em projetar uma casa com a
sua cara, ou um apartamento. Mas já tenho alguns
apartamentos e posso pedir que um consultor
mostre para você, caso goste de algum e queira
mudar algo, podemos providenciar. Posso fazer
isso?
— Agradeço, o quanto antes melhor.
Ela me mostra um site onde posso escolher
um apartamento e acabo, depois de uma hora,
escolhendo dois para visitar.
— Ótimas escolhas. Esse daqui, — Ela
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aponta um apartamento belíssimo com decoração


clara como eu gosto. — pertence a um amigo,
projetei para ele dar de presente para sua noiva,
mas o noivado acabou e ele agora quer vender,
posso mostrá-lo amanhã, se quiser. Tenho a hora do
almoço livre. — diz ela quando nos despedimos.
— Sim, perfeito.
Ela me dá o endereço do prédio onde fica o
apartamento e diz que iremos nos encontrar lá.
Saio do escritório dela sem que ela me
pergunte nada relacionando ao filho, eu meio que
esperava uma chuva de perguntas sobre como ele
estava se portando, o que acho bom, pois assim me
polpa de falar mal dele.

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CAPÍTULO 18

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NICOLE
ESTOU QUASE SAINDO PARA MEU
ENCONTRO com Gabrielle para olhar o
apartamento quando a porta abre e vejo Giovanni
entrando sem bater, como sempre. Nem me dou ao
trabalho de dizer nada, não adiantaria.
Ele joga dois envelopes em cima da minha
mesa e fico olhando para eles antes de perguntar
sem interesse.
— O que é isso?
— Convite para um jantar beneficente que
um dos nossos parceiros enviou. — Ele senta na
ponta da minha mesa. — Eu os recebi há um
tempo, ia levar uma acompanhante comigo, mas já
que você é a nova vice CEO.
— Não tenho nada de vice, Giovanni, e não
vou para o jantar, leve uma de suas acompanhantes

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— retruco fechando o laptop e levanto. — Estou de


saída.
— O jantar será amanhã e vou buscá-la em
sua casa.
— Boa sorte com isso.
— Aonde você vai? Já indo embora?
— Giovanni, eu não preciso pedir
autorização para sair. — Passo por ele e paro na
porta. — Principalmente a sua.
Vejo o maxilar dele trincar, mas eu saio de
lá rapidamente com um sorriso. Irritar Giovanni é
doce.

Chego no endereço que Gabrielle me


passou e ela já está esperando no foyer do prédio. O
local é bem luxuoso.

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— Olá, Gabrielle! — Dou dois beijos em


seu rosto e ela me conduz para o elevador. Olho ao
redor e gosto bastante do ambiente.
— Gabe Moretti só gosta do melhor, tenho
certeza que se apaixonará pela cobertura — diz ela
quando introduz uma chave no elevador ao lado de
um C.
— Esqueceu de dizer que era uma
cobertura?
— Oh sim, desculpe, não disse? Estou
ficando velha para esse trabalho. — Ela me dá uma
olhar de desculpas. — Normalmente não faço esse
tipo de visita, tenho pessoas especializadas em
vendas, eu apenas lido com projetos. — O
elevador abre direto para um apartamento
incrivelmente requintado e luxuoso. Passamos os
próximos quarenta minutos explorando a cobertura
enorme. Mas a suíte máster era um sonho de
consumo, dominando o ambiente, uma cama queen
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enorme e a vista incrível da cidade. Eu fico


apaixonada como Gabrielle previu. O closet era um
quarto com diversas repartições, qualquer mulher
ali se sentiria realizada.
— O banheiro é de primeira linha. — A voz
de Gabrielle me faz olhá-la. Ela aponta a outra
porta que vai para o banheiro — Gabe pediu tudo
top de linha.
— É muito bonita, Gabrielle!
— Ótimo.
— Acho que nem preciso ver o outro —
digo eufórica, já me vendo morando ali.— Eu amei,
seu trabalho é maravilhoso.
— O decorador tem seu mérito, caso queira
mudar alguma coisa antes de mudar, podemos fazer
isso rápido. — Ela pega minha mão na dela. —
Júlia deve estar louca com você saindo de perto
dela mais uma vez.
— Bom, agora estou na mesma cidade.
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Depois que saímos sentamos em um


restaurante perto do prédio e pedimos nosso
almoço.
— Como estão as coisas entre você e meu
filho? — Ah, demorou. — Eu estou tão
decepcionada com meu Giovanni, não o criei para
ser um grosso, mas um cavalheiro.
— Desculpe, Gabrielle, mas vocês o
mimaram demais, não?
Ah meu Deus, eu não disse isso! Cala a
boca, Nicole!
— Ah, não posso negar, eu era louca por ele
e fazia todos seus gostos. Nicolas então, nem se
fala. — Ela sorri sonhadora. — Saudade de tê-lo
em meus braços, meu bebê.
Jesus! Tenho de mudar de assunto, pois não
quero imaginar Giovanni nas fraldas.
— Estamos nos dando perfeitamente bem,
mas me fale mais sobre a cobertura. — Eu volto
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para o assunto do nosso almoço, afinal. — Quero


me mudar o quanto antes.
O resto do almoço foi tranquilo e acertamos
detalhes da venda, sem mais menção de Giovanni.
No fim eu fechei a compra do apartamento.
Ela disse que iria fazer os trâmites legais e, no
máximo, na próxima semana eu poderia me mudar.
Perfeito!

Os dias seguintes passam rapidamente. A


cada dia me envolvia mais com a recuperação do
prestigio da A&L, assim como minhas desavenças
com Giovanni continuam. Ele quer ter a última
palavra em tudo e eu também, então nossas farpas
sempre terminam em discussões, algumas vezes
terminam em alguns beijos quentes e inapropriados

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demais para o escritório.


Uma semana depois de fechar a compra da
cobertura, eu me mudo da casa dos meus pais sob
protesto, principalmente do papai. Ele não entende
a necessidade de eu ter meu lugar.
Quando completei uma semana que mudei
minhas irmãs voltaram de férias e foi bom tê-las
por perto. Agora as três estão surtando com a
cobertura.
— Nikki, esse lugar é enorme! — Sofia
exclama olhando ao redor.
— Eu poderia ter um lugar desses para mim
— diz Jas se jogando em minha cama. — Papai
pagou para você? Acho que irei pedir um desses
para ele no meu aniversário. Poderemos dar festas
pervertidas, meninas. — Ela gargalha com as outras
duas.
— Não tiveram festas suficientes na
faculdade? — Olho as três com curiosidade. — E
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não, papai não pagou, suas folgadas.


— Mas agora somos adultas, Nikki, as
festas da faculdade eram para adolescentes. Vamos
planejar uma festa de casa nova para você. — Jas
me aponta batendo palmas.
— Sem perversão, por favor! — brinco.
Não posso negar nada a essas lindinhas, amo
demais cada uma delas. Cedo, mas irei apenas
permitir um jantar. — Apenas um jantar íntimo, só
isso!
— Ah não, a perversão é onde a diversão
está, Nikki! — falam juntas.
— Não mesmo!
— Sim, por faaaavor! — Sofia grita
alegremente.
— Alguém terá de organizar tudo e não
serei eu.
— Podemos fazer isso, Nikki, deixe em
nossas mãos.
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— É disso que tenho medo — resmungo


baixo.
— Escutamos isso!

Três dias depois minha cobertura está lotada


de gente, meu Deus! As trigêmeas não sabem o
significado da palavra íntimo. Além de meus pais, a
família de Giovanni, ele não veio. Tia Carla, Tio
Saulo, Guilherme e de outros amigos dos meus
pais.
— Você não tinha que comprar esse
apartamento, querida. — Papai se aproxima de mim
com ar carrancudo. — Passou tanto tempo longe e
agora quer continuar se mantendo longe.
— Já cresci, papai.
— Não importa. — Sorrio e bebo meu drink

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preparado pelas minhas irmãs que parecem mais


anfitriãs, que eu, meu pai continua meneando a
cabeça. — E, pelo visto, está influenciando as
outras. Jas disse que vai querer uma cobertura no
aniversário.
Rindo pego seu braço e vamos para a sala
de jantar, onde as trigêmeas estão chamando todos
para a mesa. — Se eu fosse você não faria isso.
— Claro que não, envelhecerão morando
comigo e sua mãe.
— Ah, papai, tem de deixar suas filhas
ganharem o mundo.
— Tudo bem, elas podem quando tiverem
cem anos.
Ele não tinha jeito.
O jantar foi divertido e a noite passa
rapidamente. E quando levo o último convidado até
a porta, ficam apenas minhas irmãs e Guilherme,
todos esparramados na sala de estar. Volto e sento
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com um copo de vinho tinto, minha bebida favorita.


— Nikki, amanhã vamos na boate do
Guilherme, você vem com a gente?
— Não sei, tenho trabalho a fazer.
— Nikki, é fim de semana! Dá um tempo!
— Elle cruza os braços. — Vamos conseguir um
namorado para você.
— Devia arranjar um para você! —
Implicam as outras duas.
Crianças!
— O Rodrigo está a fim dela. — Guilherme
me lança um sorriso malicioso, depois se volta para
as meninas. Reviro meus olhos quando todas
começam a falar.
Lembro de Giovanni falando sobre Rodrigo
estar interessado em mim além de um
relacionamento amoroso, mas enxoto os
pensamentos de Giovanni para longe ou tento, pois
ele nunca sai totalmente dos meus pensamentos. Ou
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estou pensando em matá-lo ou pensando nele me


fodendo forte.
Não gosto disso. Ele está sob minha pele de
uma maneira que não consigo dominar.
Mas eu nunca me neguei nada, assim como
ele, eu também quando desejo vou e pego para
mim. E se é ele que eu desejo, talvez eu não deva
me privar.
Eu poderia me divertir muito com o cretino
boçal.
Mas eu tinha meu jeito de fazê-lo vir para
mim.

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CAPÍTULO 19

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GIOVANNI
Semanas depois...

EU TENHO SIDO UM IDIOTA. Eu


admito. Eu tenho sido um idiota desde o primeiro
dia que soube que Nicole viria, para ser sincero. Eu
não era assim normalmente, principalmente com as
mulheres, eu as amava, todas elas. Mas desde que
coloquei os olhos nela tem sido uma merda atrás da
outra, mas agora eu tinha um plano. Um plano mais
idiota ainda pelo visto.
Meu plano de ação tinha sido checado,
copilado e posto em prática, mas sem resultado em
quase um mês. Cada vez que eu tentei ser mais
gentil e atencioso ela só fez questão de me dizer
que não precisava ser gentil, pois sabia que eu
estava sendo “falso”. Talvez, mas cada dia que

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passa eu vejo que as coisas estavam indo para um


lado que eu não desejei. O desejo que sentia por ela
nada tinha de falso.
Não tínhamos mais feito sexo, mesmo que
eu a beijasse, às vezes, ela correspondia de início,
mas logo depois se afastava. Alguns dias eu
pensava que era um jogo para ela. Dar um gosto e
se retrair, apenas para que eu ficasse louco atrás
dela. Eu não corria atrás! Ponto final. Só que ela
era mais esquiva do que imaginei. Se eu fosse ela
também não confiaria em mim. Temos nos
encontrado socialmente aleatoriamente durante esse
mês. Mas os encontros não são todos casuais,
alguns têm sido estrategicamente “acidentais.
Tínhamos muitas pessoas em comum que
começaram a nos convidar para as festas e eu
comecei a aceitar os convites apenas para que
pudesse estar por perto.
Hoje estamos em uma festa que meu pai e
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minha mãe estão oferecendo em prol de alguma


coisa que eu não saberia dizer, mas eles estão
sempre engajados em filantropia. E Nicole chegou
há pouco e está linda em um vestido vermelho justo
longo moldado em seu corpo perfeito. Seu cabelo
preto solto em ondas magnificas faz-me querer
enfiar meus dedos neles e deixá-los bagunçados e
seus lábios inchados dos meus beijos. Estou em um
canto com uma taça de champanhe na mão e ela
ainda não me viu. Percebo quando ela olha ao redor
procurando algo ou alguém, gosto de pensar que
me procura. Vejo quando me encontra e os olhos
verdes deslumbrantes fixam em mim. Ela poderia
me deixar de joelhos. Esses olhos me mantêm
cativo, devo admitir, mesmo acostumado com
mulheres belíssimas, tinha algo nela que me fazia
querer alguma coisa que nem eu mesmo sei. Esse
sentimento possessivo em relação a ela é estranho
vindo de um homem que nunca quis nada sério com
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mulher nenhuma, prova é que nunca namorei com


ninguém até essa idade. Atribuo essa necessidade
de possuí-la devido ao fato que ela será minha
esposinha de conveniência em pouco tempo.
Desencosto da parede e estou pronto para ir
até ela quando vejo Gabe Moretti, um milionário da
construção, amigo da minha mãe, aproximar se
dela. Eles parecem se conhecerem porque ela lhe
envia um sorriso de mil megawatts de tão brilhante
e eles engajam uma conversa depois dele beijar seu
rosto. Ele tem em torno de trinta ou trinta e cinco
anos, era um cara que fazia sucesso com a
mulherada e estava soltando seu charme para a
minha Niks. Porra!
Rosno e vou até eles. Mais um idiota para
colocar para correr. Aproximo-me com um olhar de
morte para ele.
— Gabe, quanto tempo. — Dou meu sorriso
de cai fora e depois viro para Nicole sem esperar a
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resposta de Gabe. Coloco minha mão em sua


cintura e beijo descaradamente sua fronte. — Niks,
não sabia que viria.
— Posso dizer o mesmo, Giovanni, assim
teria ficado em casa se soubesse que iria encontrar
você — diz ela sorrindo tão meiga que alguém de
fora pensaria que estava brincando. Ela não estava,
conheço seu olhar assassino, pois ela já notou que
vou atrapalhar mais uma tentativa de “amizade”
dela.
— Bom vê-lo, Giovanni. — Gabe estende a
mão, mas apenas olho por um bom tempo antes de
apertar forte sua mão. Ele se vira para Nicole. —
Foi um prazer revê-la, Nicole.
Ele assente nos deixando a sós.
— Isto vai virar um hábito?
— O quê?
— Sabe bem o quê — ela sibila.
— De onde conhece o Gabe? Não sabia que
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vocês eram próximos — desconverso. — Ele não é


fã de relacionamento.
— E você é?
— Estou começando a mudar, Niks. —
Abaixo minha voz para um tom que sempre
funciona com as mulheres. — Eu estou há um bom
tempo querendo apenas uma mulher.
Eu digo aquilo para ter um efeito sobre ela,
para pensar que é a causa do meu celibato, porém
percebo chocado que não fiz sexo com outra
mulher desde aquele dia na boate, antes eu já nem
convidava nenhuma mulher para sair. Algo está
muito errado.
Jesus! Ela estava me castrando.
— Esse papo funciona com outras
mulheres, Gio? — A voz sarcástica me tira do
transe e olho para ela como se fosse a primeira vez
que a via. Eu estava gostando dela? Me
apaixonando?
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Que merda do caralho!


— Vejo que com você não está
funcionando. — Coloco minha taça agora vazia na
bandeja do garçom que passava perto de nós e pego
duas cheias, entregando uma para ela. — Deixe-me
levá-la para jantar na sexta-feira e tentarei te
convencer que estou falando sério.
— Giovanni, acho que não precisamos
colocar um relacionamento sexual na nossa já
conturbada relação. — Ela suspira, pego sua mão e
levo-a para um canto do enorme salão do hotel
onde o evento está acontecendo.
— Acho que já temos um relacionamento
sexual — lembro-a. — Apenas um jantar, Nikki.
Estou implorando? Giovanni Andretti? Eu
nunca imploro nada.
— Tudo bem, apenas um jantar.
— Perfeito! — digo e me inclino para beijá-
la nos lábios, mas paro pouco centímetro de sua
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boca quando a mão dela bate em meu peito.


— Não estamos fazendo esse tipo de
demonstração de afeto em público, Giovanni. —
Ela olha com reprovação nos olhos verdes
esmeraldas. — Amanhã estaria em algum site de
fofoca.
— Eu não me importo.
— Eu sim!
— Tudo bem, princesa. — Não deixo de
alfinetar, isso não pode mudar, eu amo provocá-la.
— Tudo que a princesa preferir.
— Estou vendo esse jantar voando pela
janela — ela ameaça, mas tem um sorriso, daqueles
sorrisos sinceros que quero só para mim. — E,
Giovanni?
— Sim, princesa?
— A próxima vez que estiver com um
homem e você interferir, eu vou matá-lo.
Sorrio assentindo.
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Ah, princesa, não haverá outro homem, não


mesmo.
Você pertence a mim, só ainda não sabe.
Olho ao redor e tenho vontade de sequestrá-
la dessa festa e tomá-la até nós dois perdermos a
consciência.
O resto da noite ficamos lado a lado.
Apenas um momento tive de me afastar para falar
com um amigo e ela some. Quando eu a encontro,
ela está junto com minha mãe e Gabe outra vez.
Quando ela me vê se aproximando estreita
os olhos em advertência, eu apenas ignoro e paro
bem ao lado dela.
— Nos encontramos de novo, Gabe — digo
jocoso.
— Querido, soube que a Nicole comprou a
cobertura do Gabe? —diz mamãe. Eu não sabia,
deve ser assim que eles se conheceram. — Eles
acabaram se conhecendo no dia da assinatura dos
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documentos.
— Agora estou encantado com a beleza
dela, só tenho de convencer essa beleza a jantar
comigo um dia desses. — Ele diz com um sorriso
predador fitando-me, eu apenas olho para ele.
Quando ele não recebe nenhuma reação minha,
vira-se para ela. — Sou um homem paciente.
Fervo com vontade de acertar um soco em
seu nariz.
— Acho que vocês dois combinam. —
Mamãe sorri para os dois. — Tenho certeza que
Gabe é um bom partido, Nicole.
Mas que merda é essa? Cerro meus punhos
para não segurar Nikki e levá-la daqui.
— Certeza que sim.
— Vocês me dão licença? — Minha voz sai
cavernosa. — Nikki, pode vir comigo?
— Aonde? — Ela ergue o queixo em claro
desafio.
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Ah, Deus, Niks seja boa!


Não respondo, apenas seguro sua cintura e a
levo entre os convidados sem nem me despedir.
Seguro seus dedos nos meus e vou para fora da
festa.
— Aonde estamos indo? — Ela não parece
irritada por levá-la dessa forma, desconfio que fez
de propósito apenas para ter uma reação minha
quando disse que poderia jantar com aquele idiota
do Gabe.
— Embora dessa maldita festa. — Meu
motorista me vê e traz o carro. Quando entramos no
banco de trás eu não demoro para beijá-la como
quis a noite toda.
Quando arranco a boca da dela, ela diz em
voz entrecortada.
— Me leve para casa.
— É claro.
— Mas não vai entrar, Giovanni, tire esse
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olhar.
— Não estou fazendo nada.
Sorrio malicioso e volto a correr a língua
entre seus lábios carnudos.
Ela diz seu novo endereço um momento
depois e firme faz com que a deixe na sua porta, ou
melhor no elevador.
Volto para o carro frustrado, mas feliz que
nenhum idiota está dando em cima dela na minha
frente.
Mal posso esperar por sexta-feira e hoje
ainda era quarta-feira. Caramba.

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CAPÍTULO 20

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GIOVANNI
— NÓS VAMOS TER UMA GARRAFA
DE SEU MELHOR VINHO — digo para o garçom
que veio até nossa mesa.
— É claro, Sr. Andretti, irei providenciar —
diz educado. Eu frequentava muito este restaurante
e tanto meu pai e eu tínhamos uma mesa sempre
disponível para nós.
Nicole pega o cardápio e olho-o de testa
franzida.
— Tudo parece tão delicioso. Não tenho
certeza do que pedir, nunca comi aqui. — Ela me
olha rapidamente e volta a olhar o menu.
— Posso fazer uma sugestão? — Estico o
braço e tiro uma mecha de cabelo de seu rosto.
— Claro que sim.
— Eu pediria como estrada o creme de

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abóbora especial da casa e a depois a lagosta ao


themidor. Eu acho que você vai gostar.
— Parece delicioso. — Ela sorri. — Não
sou muito de deixar as coisas nas suas mãos, mas
agora vou aceitar a sugestão.
— Você é tão graciosa, Niks. — Sorrio.
O garçom volta, serve-nos uma taça de
vinho, deixando a
garrafa na mesa.
— Estão prontos para pedir?
— Creme de abóbora à moda da casa e
lagosta ao themidor para os nós dois — digo.
— Excelentes escolhas, senhor.
Assim que ele se afasta, pego minha taça de
vinho
— Pela trégua. — Dou meu melhor sorriso.
— Espero que não estrague nossa noite com
suas idiotices. — Os cantos da minha boca se
curvam para cima.
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Eu suavemente bato minha taça contra a


dela.
— Eu nunca chatearia, você. — Pisco. —
Tenho uma curiosidade sobre essa tatuagem no seu
pé.
Tomo um gole do meu vinho e espero.
— Eu sempre admirei a história e o amor
dos meus pais — diz ela com um sorriso cálido nos
lábios carnudos. — Eles têm em suas alianças a
frase em latim “Quando o amor acontece”. Então
como eu fui a razão deles terem se encontrado, tive
a ideia de ter a inscrição também. Quero levar
comigo sempre esse amor.
— E por que o dente-de-leão? — pergunto
curioso.
— Existe muitas lendas sobre o dente-de-
leão, mas o que me fez decidir por colocá-lo junto
com a inscrição das alianças dos meus pais é a
representação do renascimento e a ideia de
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mudança que ele traz. Foi isso que meu nascimento


trouxe aos meus pais. Eles tinham planos antes que
minha mãe engravidasse de mim. E ela conta que
eu mudei a vidas deles, meu pai nem queria filhos e
isso mudou, o amor deles mudou tudo, mas eles
nunca teriam se conhecido se eu não tivesse sido
concebida.
— Isso é legal, Nikki. — Ela é mais
romântica do que gosta de admitir e um gosto
amargo me faz engolir em seco. Estou tirando a
chance dela de ter um amor? Que droga, Giovanni,
você não se importa com nada.
Nosso jantar chega e a conversa volta.
— Temos mais em comum do que imagina
— falo tomando um gole do meu vinho. — Eu
também trouxe mudanças para a vida dos meus
pais.
— É? Não sabia.
— Meus pais eram namorados, bom isso é o
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que minha mãe diz, já meu pai, ele diz que mamãe
era seu sabor do momento. — Sorrio.
— Sabor do momento?
— A ficante — esclareço e ela revira os
olhos.
— Homens!
— Bem, de qualquer forma, ele fez uma
proposta de barriga de aluguel e ela aceitou.
— Eles disseram isso para você?
— Por que não? É a histórias deles e eles
amam contar. Minha irmã Chloe adora tirar sarro
de mim sobre eu ser filho de uma barriga de
aluguel.
Ela brilha, sorrindo de verdade para mim, e
eu apenas fico olhando-a por um momento,
fascinado.
— O que foi? — Seu sorriso murcha e ela
me lança um olhar desconfiado.
— Nada, apenas seu sorriso — digo a
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verdade e pego sua mão levando aos meus lábios.


Beijo o dorso demoradamente. — Você fica
deslumbrante quando está sorrindo de verdade, em
vez de rosnando para mim.
— Acabou de estragar o momento,
Giovanni, não se diz em um jantar que uma dama
rosna para você — fala, mas ela tem um rubor em
suas bochechas e a voz não tem nada de
reprimenda, mas um toque de brincadeira.
O resto do jantar é descontraído, não
falamos da empresa, isso só traz à tona nossas
diferenças e hoje eu quero ter uma Nicole sem
brigas e sem qualquer interferência na nossa noite.
Hoje à noite eu tenho o motorista da minha
família dirigindo para mim. Ele nos conduz para a
nova casa de Nikki, levo-a até o elevador e
paramos. Eu queimo por dentro querendo tomá-la
sem dó, mas eu não quero me impor, quero ela
desejando, tomando a iniciativa. Espero o convite
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para subir quando o elevador chega e ele vem.


— Quer conhecer minha cobertura? — Se é
assim que ela quer chamar, eu não vou reclamar. A
voz dela está rouca e seus olhos brilham com
desejo obvio.
— Por favor... — Aponto para ela seguir na
minha frente. Estramos no elevador e depois que
ela introduz uma chave para a cobertura se vira
para me observar, sem dizer nada caminho até ela e
agarro-a fazendo o que desejei a noite toda, um
beijo onde línguas se misturam, desses que
amolecem as pernas, agarro sua bunda deliciosa e
gememos quando batemos na parece de aço atrás
dela. Logo o elevador se abre e saímos aos trancos
sem nunca desgrudar a boca um do outro. Ali
mesmo na entrada do elevador começo tirando fora
seu vestido, mamo seu mamilo duro e saliente
sugando e mordiscando neles até ela começar a
suplicar meu nome.
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— Ah, Gio... — ela arfa quando abocanho


com gosto aquele broto delicioso.
— Onde é seu quarto? — Eu a quero em
sua cama, pode me chamar de conservador, mas eu
quero deixar memórias que a farão lembrar de mim
quando deitar a noite e eu não estiver aqui. E nunca
fizemos sexo em uma cama, a dela parece perfeita,
uma cama grande e com uma vista espetacular que
tinha o quarto. Meu pau lateja de tanto tesão, eu
fantasio há semanas comendo ela outra vez.
Arrancamos nossas roupas enquanto caminhamos
para cama.
— Quero você pra caralho. — Ergo-me na
altura dos cotovelos e olho-a abaixo de mim, meu
pau roçando sua boceta e ela fecha os olhos com os
lábios entreabertos e a luxúria me domina. Eu não
quero porra de preliminar e, pelo visto, ela nem
precisa. Sinto a umidade através de sua calcinha,
eu rapidamente arranco fora, deixando-nos pele
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com pele, e levanto suas pernas para meus ombros


metendo com força todo caminho para sua boceta
gananciosa.
— Caralho! — gemo quando calor delicioso
envolve meu pau pulsando feito louco dentro dela,
não me demoro e retiro tudo e volto em uma
estocada firme. Nikki agarra meu bíceps e me
inclino para frente e minha boca paira sobre seus
lábios, isso só faz meu pau se enterrar mais dentro
dela. — Olha para mim — ordeno. Quero que ela
olhe em meus olhos enquanto eu me farto dela.
Sustento seus olhar e me movo com tudo em sua
boceta inchada e molhada. — Tão gostosa,
caralho.
Ela está lisa e escorregadia, o som molhado
de nossas carnes batendo se misturam com nossas
respirações e gemidos no quarto. Sinto cada
centímetro do meu pau deslizando pra dentro e
fora, essa sensação única que nos domina, estou
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quase delirando de tanto tesão. Estou todo atolado


até o topo nela, sem dificuldade meto com força,
sem piedade, alucinado, pois o tesão está me
queimando. Dou estacadas até ela estar gritando
meu nome, choramingando e temo que vou gozar
logo. Eu tento parar e poder aproveitar mais dessa
deliciosa mulher, mas a sensação só cresce e cresce
e sinto minhas bolas enrijecerem quando jatos
quentes preenchem seu canal, ela começa a
convulsionar e apertar meu pau prologando e
intensificando meu prazer.
Caio para frente e tomo seus lábios
freneticamente em um beijo quente e devastador,
línguas dançam juntas e o beijo torna-se profundo,
delicado, sensual e parece nunca acabar. Quando eu
rolo na cama de costa percebo a merda que eu
acabei de fazer. Na ânsia de estar dentro dela,
esqueci completamente a porra do preservativo.
Jesus Cristo!
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Antes que eu fale algo, Nikki se desvencilha


dos meus braços e vai em direção a uma porta,
quando ela abre vejo que se trata de um banheiro,
ela entra e fecha a porta. Merda. Levanto e começo
a me vestir.
A porta abre quando estou calçando meus
sapatos e ela sai vestida com um robe de seda
creme curto. Ela para quando me vê. Termino de
calçar o sapato e vou até ela.
Seguro seu rosto nas duas mãos.
— Desculpe! — Tento me redimir pela
gafe. — Sinto muito, nossa empolgação me fez
esquecer o preser...
— Percebi, Giovanni, estava aqui também.
— Ela me dá um olhar condescendente. Depois diz
com ar debochado. — Não se preocupe, não haverá
nenhum Giovaninho por aí em breve.
Não seria uma ideia ruim, considerando
tudo.
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Assinto, claro que vai além de uma gravidez


e digo para ela não se preocupar com sua saúde.
Essa merda acabou com o clima. Eu queria ficar e
tomá-la uma e outra vez a noite toda, mas ela diz:
— Vemo-nos amanhã.
Apenas para não deixá-la com a última
palavra eu seguro-a e beijo até ficarmos sem
fôlego.
— Tem certeza que quer que eu vá? Fui
convidado para conhecer sua casa e nem vi nada —
argumento bobamente. Seguro sua nuca e beijo seu
pescoço lentamente, correndo a língua pela
pulsação errática que começa a intensificar e isso
faz meu pau duro outra vez, talvez eu possa deixar
a Barbie CEO toda trêmula apenas com beijos.
— Giovanni, já é tarde. — Ela não é
convincente e arrasto beijos molhados pelos
ombros, pescoço e orelhas, desato o nó do robe e
empurro por seus ombros deixando- a nua. Os bicos
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rosados duros de seus seios pedem por atenção e


corro minha língua por eles com pequenas
mordidas que a faz arquear as costas empurrando
mais em minha boca.
— Não tive o suficiente de você — meu
sussurro é estranho até para mim, sai rouco e cheio
de luxúria. — Ainda tenho que fazer você gozar de
muitas maneiras diferentes.
Empurro nós dois de volta para cama.

Acordo com o sol brilhando forte e percebo,


imediatamente, que não estou em minha própria
cama. Esquecemos de fechar as cortinas. Olho de
lado e observo Nikki ainda dormindo. O lençol
cobre apenas sua bunda, o restante está todo para
minha apreciação. Ela está de costas para mim e

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não resisto, inclino-me e deposito beijos desde a


curva de sua cintura até os ombros delicados. Ela se
mexe e vira de costas na cama, dois montes
deliciosos me chamam. Ah, não posso fazer nada se
ela se oferece assim toda languida para mim.
Eu pretendo passar o fim de semana
explorando cada centímetro dessa pele sedosa e que
tem várias marcas vermelhas em que minha barba
raspou, além das marcas dos meus dedos em sua
bunda deliciosa. Eu preciso reivindicar sua bunda
também. O pensamento deixa-me mais duro que
aço.
— Giovanni, você está me encarando. — A
voz sonolenta dela me faz arrastar meus olhos para
os delas.
— Humm, eu poderia passar o dia apenas
olhando você. — Corro um dedo lentamente por
seu abdome chato e rodeio o mamilo turgido e rosa,
arrepios correm por sua pele quando aperto entre
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meus dedos e torço apenas para causar uma leve


dor. Ela geme e levanta as costas da cama em um
pedido mudo para mais. — Eu amo seus peitos. São
perfeitos.
— Onde você enterrou, Giovanni Andretti?
Esse daí não é ele. — Ela levanta os braços acima
da cabeça e não perco tempo, puxo o lençol que
ainda cobre minha parte favorita dela.
— Aquele Giovanni esteve enterrado a
noite toda em lugares deliciosos — sussurro antes
de atacar seus lábios sorridentes que nos leva mais
uma vez ao prazer inominável.

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Capítulo 21

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NICOLE
QUANDO LEVANTAMOS SÃO MAIS
DE ONZE DA MANHÃ, depois uma sessão de
sexo matinal dolorosamente deliciosa. E, por
incrível que possa parecer, não desejo que ele vá
embora. É sábado e poderíamos ficar o dia na
cama, se quiséssemos, mas ele se veste e diz que irá
ao clube de polo onde possui um garanhão, todo
sábado ele visita seu cavalo.
— Deveria ir comigo —convida ele. E vejo-
me tentada a ir. Eu tinha prometido sair com
minhas irmãs e Guilherme mais tarde, mas
poderíamos sair amanhã.
— Tem certeza? — Não quero parecer tão
interessada, mas a minha voz excitada me entrega.
— É claro que sim, nunca faço o que não
quero, Niks. — Ele me puxa para seu peito e enlaço

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seu pescoço com meus braços. — Eu sempre sei


exatamente o que quero e pego para mim, já sabe
disso.
— Alguém já disse o quanto você é
mimado, Giovanni Andretti? — Tento esconder um
sorriso. Eu sempre fui uma criança séria e me
tornei uma mulher que não distribuía muitos
sorrisos, embora ultimamente ando fazendo muito
isso. Depois de enviar uma mensagem para
Jasmine, avisando que poderíamos sair amanhã, eu
visto jeans e camiseta, já que não tenho roupa de
montaria, e vou ao haras onde Giovanni deixa seu
garanhão. Ele passa em sua casa e troca de roupa
também, é tão estranho estar com ele assim, mas eu
me vejo gostando a cada minuto mais. Eu nem me
reconheço.
O dia se prova mais incrível do que eu
imaginava.
O cavalo de Giovanni é um garanhão negro
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com patas brancas peludas, ele é perfeito. Eu que


nunca tive vontade de andar a cavalo estou tentada
ir com ele, e é o que faço quando Giovanni pede
um cavalo para mim, mas eu declino:
— Prefiro ir aí com você. — Aponto para o
cavalo dele e ele sorri malicioso.
— Sabia que você ficaria louca por mim —
diz ele quando sento a sua frente na cela, seus
braços ao meu redor, seu hálito quente na minha
nuca.
— Não seja tão presunçoso, Giovanni,
posso pedir para um cavalariço me levar, caso fique
falando besteiras em meu ouvido. — Escondo um
sorriso quando um braço aperta mais em torno da
minha cintura.
Ele faz o cavalo trotar em meio a algumas
árvores onde há sombra, o sol está quente, pois é
apenas uma hora da tarde.
— Essa não é a melhor hora de cavalgar,
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mas eu sempre venho aqui aos sábados, só não


venho quando estou viajando — diz Giovanni.
— Não sabia que gostava tanto de cavalos
— digo e percebo que não sei nada sobre ele.
Apenas sei o que vi enquanto crescia, mas agora eu
não o conheço realmente, além das especulações
que rolam em site de fofocas sobre os ricos.
— É uma paixão do meu pai e devo ter
herdado os genes. — Ele escora o queixo em meu
ombro. — Eu tenho o Zeus há cinco anos.
— Por que deu esse nome a ele?
— Ele é majestoso e tem porte de um rei. —
Ele ri — Meu pai tinha um que era Soberano, eu
não ia ficar atrás e dar um nome qualquer, tinha de
ser nome de deus.
— Você compete até com seu pai. — Não
era uma pergunta, não é à toa que ele enlouqueceu
quando soube que teria de dividir comigo o
comando da A&L.
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Sua resposta é virar minha cabeça para ele e


beijar-me, viro-me mais e aprofundo o beijo
enquanto Zeus passeia entre as árvores.
Quando voltamos o cavalariço leva Zeus,
mas somente depois do cavalo receber carinho de
Giovanni.
— Ele é tão bonito — digo sonhadora
vendo o cavalo sendo levado para ser escovado. —
Qual a raça dele?
— Clydesdale, uma raça originária da
Escócia — diz ele.— E você vai me deixar com
ciúme do meu próprio cavalo? — Ele me agarra
pela cintura e me atrai para seu peito. — Ou vai
querer um desses de presente?
— Talvez. — Sorrio. — Mas posso comprar
meu próprio cavalo, Giovanni. Obrigada!

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O sábado foi diferente do que eu imaginei,


pensei que nós iriamos discutir a maior parte do
tempo, mas foi divertido, como se fôssemos um
casal de namorados jovens e despreocupados. O
jantar em uma pequena cantina de massa italiana,
no fim da noite, foi perfeito. Não éramos dois
herdeiros e sim dois jovens se divertindo e
aproveitando todos os momentos para se tocar e
beijar, eu não sabia que tinha propensão a ter tanta
demonstração de afeto publicamente, mas eu não
estava nem aí para quem nos visse juntos. Ele fica
mais uma noite na minha cobertura, estávamos indo
rápido demais. Mas eu não me importo.

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Domingo de manhã estou pronta para ir


encontrar minhas irmãs e Giovanni apenas me tenta
a ficarmos juntos o dia todo.
— Tem certeza que não quer que eu fique?
— pergunta ele quando descemos no elevador.
Afasto-me para o canto e tento ficar longe.
— Certeza absoluta.
— Amanhã você não irá me tratar como
tem feito nas últimas semanas, não é? — Ele me
encara. — Não vou permitir que se afaste.
Talvez eu estivesse com esta intenção, não
me permito ainda entrar completamente de cabeça
nisso com ele, tem sido rápido demais, porém não
dizem que é assim com os melhores casais, que é
algo fulminante, avassalador?
Bom, eu não sei, mas algo me prende e me
manda ser cautelosa, ao mesmo tempo que eu quero
me entregar ao sentimento e deixar rolar. Eu gosto
de fazer sexo com ele, talvez seja mais, contudo
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ainda não sinto que seja amor , não mesmo.


Atração, mas amor? Não. Eu nem deveria estar
pensando nisso.
Entretanto, nos dias seguintes, é no que
penso constantemente, ainda mais que ele cumpriu
com o prometido, não me deu chance de recuar, de
me afastar. Durante a semana sempre que tivemos
uma chance estávamos um em cima do outro. E
tudo que é bom dura pouco.

Um mês depois e ainda não contamos sobre


nós para ninguém de nossas famílias, estávamos
tendo um affair, em que sentimentos novos
começaram a surgir, como sentimento de ciúme
quando Giovanni não estava por perto. Eu não o vi
mais com outras mulheres, mas pensava em todo

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tipo de bobagens. E cada dia nos envolvíamos


mais. Passávamos a maioria dos finais de semana
juntos.
Mas nada me preparou para o sentimento e
o tipo de traição que me esperava.
Era mês de junho e nossas famílias estavam
juntas em uma festa comemorando o aniversário de
Chloe, a irmã de Giovanni. Todos os amigos jovens
dela estavam ao redor. E eu meio deslocada sentada
em um canto observo meu pai, Giovanni e Nicolas
entrarem na casa. A música muito alta começa a me
incomodar, eu levanto e entro atrás deles, eles
poderiam falar de negócios junto comigo, se for o
que os três foram fazer.
A casa está cheia de gente para todos os
lados, mas eu vou direto ao escritório da casa.
Estou prestes a entrar quando escuto a voz do pai
de Giovanni.
— Giovanni, já demos o tempo que nos
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pediu antes de termos uma reunião com Nicole


sobre a fusão.
Que fusão?
— Nicole não é uma mulher fácil de
conquistar, pai — diz Giovanni e eu quase engasgo
com sua resposta. — E tenho feito de tudo para
conquistá-la nos últimos meses, mas ela ainda tem
um pé atrás comigo.
Exalo e me escoro na parede ao lado da
porta quando a decepção me corta profundamente e
a dor parece uma faca sendo enfiada em meu
intestino.
— Vamos agendar uma reunião para a
próxima semana e vamos falar da fusão ou do
casamento, como preferir. — Essa é a voz do meu
pai e a dor que já dilacera meu peito só piora.
— A A&L está voltando ao que era, mesmo
com todos problemas que tiveram, mas os dois
provaram, mesmo que aos trancos, que podem
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trabalhar juntos.
— Mas tudo será maior agora, pai, estamos
falando de nossas vidas.
— Um casamento entre os dois será
perfeito.
O que diabos era aquilo? Do que eles
estavam falando?
— Eu preciso de mais tempo...
Eu não vou ficar ali escutando mais, adentro
o escritório furiosa. Os três homens me encaram
surpresos, mas eu estou apenas olhando fixamente
para um homem. Meu pai.
Porque eu preciso de uma explicação e eu
preciso agora.
— Diga-me de que fusão estão falando. —
Eu sinceramente quero acreditar que entendi mal.
Giovanni vem em minha direção, mas
levanto a mão impedindo que ele se aproxime.
— Não!
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Encaro meu pai firme.


— Estou esperando, pai!
— Nicole, seu pai e eu resolvemos fundir
nossos negócios, criar um grande conglomerado de
nossas empresas, podemos... — Viro e olho Nicolas
Andretti.
— Estou falando com meu pai, senhor
Andretti — interrompo-o bruscamente, estou
consumida pela raiva agora e certa que deve estar
saindo fumaça das minhas orelhas.
— Andretti tem razão, Nikki. A ideia da
fusão era estudada há um tempo, mas precisávamos
saber se os dois se dariam bem, por isso
entregamos a A&L como um “treinamento”.
— Porém o que entendi foi que estavam
pensando em irem além de uma fusão normal, mas
em um casamento? — Minha voz sai amarga e
cheio de decepção. — Você me pediu para voltar
apenas para me casar como uma donzela do século
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passado, pai? É isso? Você forjou uma situação


apenas para nada?
— Niks...?
— Não fale, Giovanni. — Eu não posso
olhar para ele agora.
Olho para meu pai o não o reconheço.

CAPÍTULO 22

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NICOLE
EU NUNCA IMAGINEI O DIA QUE
SENTIRIA DESGOSTO do homem que me deu a
vida. Eu cresci idolatrando-o como meu herói e
agora a decepção por ele me tratar como uma
imbecil me deixava mais triste que qualquer outra
coisa que já senti em meus vinte e quatro anos.
Armou esse plano medíocre de casamento
do século IX, juntamente com o pai do diabo
encarnado. Era demais para mim. Fui criada pra ser
uma mulher de negócios com minhas próprias
ideias, minhas próprias decisões para minha vida
profissional tanto como a pessoal, e não ser
capacho de homens. Meu pai me criou assim e
agora ele quer escolher com quem devo casar?
Com quem devo construir uma família? Onde
diabos que as coisas deram errado?

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Olho os três homens a minha frente e só


posso pensar que eles nunca me levaram a sério?
Meu pai principalmente? Ele vivia dizendo que eu
era melhor que muitos homens experientes no
mundo corporativo e agora isto?
Meus olhos se voltam para Giovanni. Eu
acreditei, por alguns instantes, que entre nós
poderia ser especial. Mesmo relutando eu o deixei
ir entrando aos poucos e ele me trai assim. Tudo
falso, mentiras e mais mentiras.
Pensei que estávamos caminhando para
sermos um casal mesmo que nós, na maioria das
vezes, quiséssemos arrancar a cabeça um do outro.
Pensei que ele só implicasse comigo porque
gostava de me ver furiosa e terminávamos
transando como coelhos, mas era tudo ilusão do
meu lado romântico, que nem sabia que existia,
achava que ele me queria sem pretensão. Ele
mesmo disse que Rodrigo poderia estar querendo se
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dar bem comigo. E ele fez a mesma coisa.


— Alguém poderia me explicar o que está
acontecendo? — Minha voz sai fria, não trai o
turbilhão de fúria dentro de mim. — Alguém
poderia explicar por que eu tenho sido feita de
idiota? Perdido tempo nessa empresa que nunca
teve problemas para ser revolvido?
— Niks ... — Giovanni começa outra vez.
— Não fale comigo — interrompo-o outra
vez apontado um dedo em advertência para ele.
— Vocês poderiam nos dar licença? — Meu
pai pede aos outros.
Giovanni hesita, mas Andretti toca em seu
ombro e, depois de me lançar um olhar intenso, ele
acompanha seu pai para fora da sala.
— Sente-se, filha.
— Prefiro ficar de pé. Por que não me diz o
porquê desse ardil todo?
— Tudo bem. Não é um ardil, está
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distorcendo tudo, querida. Sei que você e Giovanni


estão juntos de alguma forma, não acredito que
seria tão ruim assim unir nossas empresas com algo
além de um contrato comercial de negócio. Um dia
nossos netos poderão ser dono de um império
fenomenal. Muitas grandes empresas fazem fusão.
— Eles não casam seus filhos. E deveria se
restringir ao comercial, não me envolver nessa
coisa. Tudo que me ensinou, que estudei, foi para
isso? Para me casar?
— Nicole.
— Não, papai, eu estou fora. — Olho-o com
pesar. — Irei trabalhar onde não precise casar com
ninguém. E guarde sua explicação para você
mesmo. Eu nunca pensei que...
Minha raiva me impede de continuar e viro
para a porta. Eu não tenho de continuar com isso.
Saio sem olhar para trás e nem escuto sua
voz de comando me pedindo para voltar, não vejo
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os Andretti em lugar nenhum quando saio do


escritório. Vergonha e raiva me dilaceram. Vou
direto para meu carro, preciso me distanciar de
tudo.
Destranco o carro e entro, deixando a festa
sem nem me despedir de ninguém.

Meu celular começa a tocar pouco depois de


deixar a casa dos Andrettis, mas não atendo.
Apenas dirijo sem rumo por uma hora ou mais.
Paro em um café e sento-me lá, eu precisava
pensar. Eu não voltaria a A&L não mesmo, não
estive lá para salvar a empresa, ela nunca esteve em
um problema real, tudo armação de Andretti e meu
pai e, pelo visto, Giovanni era o único que sabia.
Eu tinha tantos planos, mas agora tudo

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parece vazio e sem sentido. Meu pai nunca teve


intenção de me dar o controle das empresas um
dia?
Meu celular toca e o nome de Giovanni
aparece, mas eu ignoro. Ele insiste pelo resto do dia
e quando me dirijo para minha casa, no final da
tarde, ele está me esperando. Terei de dar uma nova
ordem sobre quem pode entrar aqui.
— Onde esteve? Estava preocupado...
Ignorando-o vou até o porteiro que está em
sua cabine.
— Senhora, algum problema? — Ele se
adianta quando me aproximo.
— Sim, tenho. Esse senhor não tem mais
autorização para entrar no prédio. — Aponto. —
Esta será a última vez que o deixou entrar aqui.
Ele assente e fica sem saber o que fazer
olhando entre mim e Giovanni, eu volto para o
elevador.
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— Precisamos conversar — insiste ele.


— E o que poderia me dizer? — Entro no
elevador e ele vem junto, eu deixo, pois será a
última conversa que teremos, antes de eu mandá-lo
para o inferno.
Eu caminho para a cozinha quando
adentramos na cobertura e me sirvo de um taça de
vinho que sempre tem na geladeira, não ofereço a
ele, pois minha hospitalidade acabou para Giovanni
Andretti.
— Estou esperando seu discurso, senhor
Andretti — digo irônica. Me escoro no balcão atrás
de mim e ele vem até a minha frente.
Ele parece não saber por onde começar,
seus cabelos estão revoltos de tanto ele passar os
dedos entre os fios sedosos. Eu apenas fico lá
olhando sem emoção, mesmo que a raiva e a
decepção estejam me comendo viva, mas eu
mantenho minha pose, ele não vai me fazer de
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idiota jamais.
— Giovanni, eu não tenho a noite toda, eu
prefiro que você saia — digo quando ele continua
me olhando sem dizer nada. — Você disse que
queria conversar, então termine logo com isso e vá
embora.
— Estou tentando achar uma forma de dizer
sem que eu possa magoar mais você, Niks —
começa ele por fim.
— Não pode me magoar mais do que já
estou, Giovanni. — Mas ele podia. Quando ele
começou a falar eu percebi que a dor poderia
piorar, eu achava que não sentia nada por ele até
escutá-lo falar desse jeito.
— Eu descobri sobre o plano dos nossos
pais e fiquei tão furioso quanto você, eu nunca
poderia aceitar as condições, mas depois de pensar
eu decidi que queria você, mas não é bonito como
esse pensamento surgiu, Nikki. — Ele suspira e
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me encara parecendo envergonhado, mas eu não


me importo. — Eu devo confessar que tinha um
plano para conquistar você e ter o controle de tudo
quando a fusão acontecesse, eu não tinha intenção
de começar a ter sentimento reais por você.
— É com essa conversa que você vai me
reconquistar? — pergunto friamente. — Pois está
apenas piorando.
— Eu não quero mentir mais, então se tiver
que falar tudo, é o que farei.
Bebo um gole do vinho apenas me
segurando por um fio para não jogar em sua cara
cínica.
— O último mês tem sido diferente de tudo
que imaginei.
— Eu imagino, Giovanni, o quanto você riu
de mim, do quanto se divertiu a minhas custas
enquanto eu deixei você entrar na minha vida. —
Olho dentro daqueles olhos azuis. — Espero que
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sua diversão valeu a pena. Mas eu imagino que sim,


pois estou deixando a A&L, não me espere lá
segunda-feira, enfim terá o que sempre quis.
— Não me diverti, Niks. Eu pensei que iria,
mas tudo mudou.
— Continua dizendo isso, mas o que
mudou?
— Meus sentimentos ao longo das semanas
que ficamos juntos. Eu quero você de verdade, eu
sinto ciúmes, não suporto vê-la com outro homem
que quero matar o infeliz, e isso não estava
programado. Estou viciado em seu gosto, em seus
beijos, em seu cheiro, essa porra não estava nos
planos, tem de acreditar.
— Agora é a hora que vai dizer que se
apaixonou por mim? — Escárnio puro exala de
minhas palavras e, por um momento, eu penso ver
dor em seus olhos, mas eu não ligo. — Eu seria
uma idiota, Giovanni, se acreditasse em você.
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Ele não responde, apenas me olha,


mandíbula tensa, um musculo pulando lá. Ele
engole em seco, o pomo de adão sobe e desce.
— E se foi assim? Acha difícil um homem
se apaixonar por você? — Ele estende a mão para
me tocar, mas me afasto longe de seu toque. Ele
fecha os dedos com força.
— Gostaria que fosse embora — digo
quando o silêncio impera. — Não tem nada que
possa dizer que vá me fazer entender, pois você
esteve esse tempo todo fingindo para me
conquistar.
— Eu deixei de fingir há muito tempo,
Nikki, é o que estou tentando explicar. — Ele
segura meu rosto entre suas mãos antes que eu
possa empurrá-lo para longe. — Olha para mim! —
Olho fixo para seus olhos mentirosos, ele diz em
um tom de tristeza que nunca o ouvi. — Eu me
apaixonei por você, e não posso dizer que era o que
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queria, saber que agora me odeia dói muito mais do


que possa imaginar.
Eu não me importo, mesmo que um pedaço
de mim esteja se desfazendo.
— Saia da minha casa, fique com sua
empresa, Giovanni, não era o que queria? Seja o
grande rei absoluto. — Estou sendo uma cadela?
Talvez, mas eu odeio que esse sentimento de que
fui feita de boba seja maior que qualquer outro no
momento.
Ele suspira com frustração e toma minha
boca na dele, mas eu aperto meus lábios juntos
impedindo que o beijo se aprofunde. Ele se afasta e
ficamos lá olhando-nos antes dele se virar e ir
embora.
— Isso não acabou, Niks!
Eu fico parada na cozinha, por um
momento, sentindo-me fria e vazia.

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Estou saindo do banho quando o interfone


toca e atendo. O porteiro diz que minha mãe e
irmãs estão lá embaixo. Mesmo querendo ficar
sozinha acabo deixando elas subirem. Coloco
apenas uma blusa grande e vou recebe-las.
— Ei, querida! — Mamãe vem e me aperta
em um abraço apertado. Vamos todas para sala e
minha mãe me puxa para sentar ao lado dela. —
Seu pai contou o que aconteceu.
— Contou? E isso foi o quê?
— Sobre a fusão e o casamento com
Giovanni.
— Não vai ter casamento. Se ele quiser
fazer a fusão, que faça, mamãe. Não farei mais
parte da empresa — digo. — Eu já tomei a decisão,

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irei voltar para Nova York.


— Não pode fazer isso — argumenta
mamãe.
— Por que só a Nicole que pode casar com
Giovanni? Eu poderia fazê-lo — diz Ellie e viro-
me para ela. Oh, Deus! Eu esqueci completamente
que ela gostava dele. Oh, merda!
Será que ele aceitaria? Provavelmente,
assim ele teria muito mais controle do que se fosse
comigo. Ellie não liga para a empresa do papai,
então seria muito mais vantajoso para Giovanni
casar com ela.
O pensamento deles juntos tem a
capacidade de tirar meu fôlego e percebo o quanto
estou envolvida com ele, meus sentimentos são
maiores do que imaginei. Eu nunca voltaria ao
Brasil se ele se casasse com Ellie.
Eu nunca disse abertamente a elas que eu e
ele estávamos envolvidos. Quando aparecíamos em
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público juntos, eu sempre dava a entender que era


devido aos negócios, mas agora eu quero dizer que
ele e eu tínhamos alguma coisa, mas não éramos
nada no final das contas.
— Ellie! — repreende mamãe. — Sua irmã
está gostando dele.
— Não estou, não! — nego veementemente.
— Pode casar com ele se é o que quer, Ellie.
Levanto e encaro as quatros.
— Vou deitar um pouco.
Caminho para meu quarto e me tranco lá
dentro, eu não queria ver ninguém.

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CAPÍTULO 23

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NICOLE
DIZEM QUE UMA NOITE DE SONO
FAZ NOSSOS PROBLEMAS, que pareciam tão
difíceis no dia anterior, parecerem menos
assustadores na manhã seguinte, mas, quando
acordo na manhã de domingo, as descobertas do dia
anterior ainda me fazem querer estrangular alguém,
porém a raiva cega que senti ontem parece mais
branda.
Giovanni Andretti é o primeiro que vem em
meus pensamentos, talvez seja por que no último
mês estivemos muito próximos. Ele estava ficando
aqui nos finais de semanas, eu ainda posso sentir o
cheiro dele em meu quarto. Desde que começamos
a nos encontrar, ele tinha me surpreendido,
enfeitiçado de alguma forma, tirando-me do meu
prezado equilíbrio. Ele me perturba da melhor

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forma e agora da pior, pois a confiança que eu


comecei a desenvolver por ele tinha simplesmente
evaporado, mesmo ontem ele olhando em meus
olhos e dizendo que talvez estivesse se apaixonado,
mesmo com seu próprio jogo, o conflito que ele
causa em mim é tão grande que me causa dúvidas
se eu estou exagerando em tomar a decisão que
estou prestes a tomar.
Em torno das dez horas da manhã eu paro o
carro na frente da casa dos meus pais, mas não
desço de imediato. Se eu fosse uma funcionária
comum estaria entregando minha carta de
demissão, mas eu não sou e por esse motivo estou
aqui hoje. Eu sei que vou magoá-los com o que vim
comunicar, mas eu preciso fazer de qualquer
maneira. Eu gostava de ser a herdeira do papai nos
negócios, mas talvez ser a herdeira não seja o que
nasci para fazer. Eu trabalhei com aquisições hostis
e talvez seja o que deva fazer. Voltarei para Nova
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York e esquecerei Giovanni e toda essa palhaçada


de fusão por casamento que meus pais e os deles
tramaram.
Minha mãe aparece na porta e tomo ciência
que fiquei aqui muito tempo. Desço e ela vem em
meu encontro.
— Você está bem, florzinha? — Ugh! Ela
me chama assim desde que eu era um bebê,
principalmente quando ela sabia que eu estava
chateada, eu achava tão bobo, porém o carinho dela
me derrete como manteiga ao sol. Acredito que
mesmo que eu tenha cem anos será assim, assim
sendo aceito o abraço terrivelmente apertado dela.
Caminhamos abraçadas para dentro e eu sinto o
coração pesado e dolorido, pois irei sentir tanta
falta deles, mas eu preciso trilhar um novo
caminho. — Que bom que veio hoje, ontem
deixamos você descansar, mas o que gostaria
mesmo era ter ficado e cuidado de você.
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— Olha só o que encontrei lá fora —


anuncia mamãe para meu pai, entrando em seu
escritório. Nem em um dia de domingo ele para.
Minha decisão parece pesar mais um pouco, porque
sei que a minha saída vai atingi-lo com mais
responsabilidade.
Ele levanta e vem me abraçar. Ele apenas
beija o topo da minha cabeça demoradamente antes
de me largar.
— Que bom que veio, estava planejando
invadir sua casa, pequena. — Ele me puxa para
sentar no sofá no canto do escritório e mamãe nos
olha ainda na porta.
— Vocês dois querem conversar? — Parece
estranho estas palavras saírem da boca da mamãe,
meu pai e eu nunca tivemos uma briga séria,
mesmo quando era adolescente.
— Tenho algo para falar e queria que os
dois escutassem em primeiro lugar. — Respiro
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fundo e olho direto para meu pai quando digo: —


Estou voltando a morar em Nova York, tenho ainda
muitos contatos lá onde eu posso trabalhar em
Wall-Street se eu quiser. Eu tomei a decisão e...
— Não pode fazer isso, filha — diz mamãe
chocada.
— Eu sinto muito, mãe, mas eu já tomei
minha decisão. — Engulo o caroço dolorido na
minha garganta por magoá-la e volto meus olhos
para meu pai que se mantém sem reação. — Eu
acredito que não tenho lugar na empresa que eu fui
criada para comandar.
Eu sei que pode ser golpe baixo falar assim,
mas me sinto traída. Por não ser comunicada da
decisão dele em primeiro lugar. Tratar-me como se
eu não tivesse poder de decisão era a pior traição.
Saber que não estava no controle quando achei que
estivesse, é uma sensação que não estou gostando
de sentir.
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— Sabe que não é assim, Nicole — fala ele,


enfim. — Nada seria feito sem você saber, mesmo
porque a decisão final era sua. Está mais chateada
com Giovanni do que qualquer outra coisa, e tomar
uma decisão baseada em uma decepção amorosa é
a pior coisa que fará.
— Giovanni não significa nada para mim.
— Dizer isto é mais dolorido que a decisão de
voltar a Nova York.
— Bobagem...
— Não é para mim, e por esse motivo que
não irei mais ficar por perto. — Levanto e cruzo
meus braços quando o encaro. — Eu sonhei com o
dia que comandaria nossa empresa e você planejou
meu casamento de conveniência sem meu
conhecimento. Juro que estou tentando entender o
que aconteceu, pois não combina com você fazer
algo do tipo, está acontecendo algo que não estou
sabendo? Estamos falindo? É isso?
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— Claro que não estamos falindo. — Ele


vai até sua mesa e senta. — Muitas empresas estão
fazendo assim, Nicole, podemos ser o maior grupo
empresarial...
— Não a minhas custas, façamos isso do
modo tradicional de fusão — digo.
— Tudo bem, querida, era apenas uma
ideia, não quero que volte a NY, fique. — Seu
apelo me toca, pois nunca neguei nada a ele. —
Você não quer ficar na A&L tudo bem, amanhã a
anunciarei como vice- presidente da Lewis
Interprise. Inc.
— Não...
— Posso falar com Nicole um minuto,
querido? — Minha mãe me puxa para fora e
engancha um braço no meu enquanto caminhamos
lado a lado. — Não deixe a personalidade
dominadora do seu pai chatear você, filha. Ele
como sempre tenta controlar tudo ao redor dele e
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está tentando fazer o mesmo com você e a empresa.


Estamos ficando velhos e não estaremos aqui para
sempre e ele vê em Giovanni um par ideal para
você, apenas por terem vidas parecidas.
— Isto não é justificativa para ele agir como
se eu fosse uma donzela em perigo que precisa ter
um marido arranjado. — Mamãe sou uma mulher
de negócio, não uma garotinha perdida precisando
de um cavalheiro. Estou tão irritada com tudo isso!
— Você é tão parecida com ele. Sabia que
quando nos conhecemos...
— Ah, de novo essa história, não! — digo
com voz de protesto, mas já estou rindo. — Por que
quando as pessoas ficam mais velha amam contar
coisas do passado?
— O passado é que nos faz quem nós
somos hoje, querida. É importante lembrar o que a
vida nos fez de bom e de ruim também. Lembrar
faz bem para a alma, meu bebê, fará isso um dia
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também. Um dia falará de como planejaram seu


casamento com Giovanni Andretti.— Ela suspira
com um sorriso carinhoso para mim.
— Mas eu quero distância...
— Desde quando você foge como uma
menininha? Fique e mostre a seu pai cabeça de
vento que você não é uma coisinha maleável. Que
vai ser a melhor CEO que a empresa dele já viu.
— Você é tão perversa! — Sorrio
alegremente, eu gosto dessa ideia.
— E se você quiser ainda terá Andretti
debaixo de seu salto agulha.
— Não sei, eu... — hesito, mas ela continua
atacando no lugar mais fraco, meu amor por minha
família.
— Seu pai só quer vê-la feliz e ir embora
assim por impulso, meu amor, não é bom, vou
morrer de saudade.
— Ah, mãe! — protesto quando sinto meu
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coração começar a amolecer de vez.


— E você está apaixonada.
— Não estou, não! E esse ser chamado
Giovanni não será lembrado no meu futuro, apenas
para constar. — digo cheia de indignação.
Eu era tão mentirosa! Eu não vou deixar ele
se safar assim, eu quero, eu juro que quero,
esquecer que ele existe, mas ainda é tão recente.
— Sei... — Olha-me de lado como se não
acreditasse muito nas minhas palavras.
— Ele será lembrando como o vilão que ele
é!
— Entendo... — Ela tem um sorriso largo
quando chegamos no jardim e na piscina onde
minhas irmãs estão deitadas ao sol. — Meninas,
tem alguém aqui precisando se refrescar.
— Ah não! — Meu protesto não é ouvido
quando as três correm e me alcançam. Elas me
puxam para a borda da piscina. — Não, não...
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Meu protesto é silenciado quando afundo na


piscina. Ah, Deus, por que me deu três pestinhas
como irmãs? E uma mãe cumplice de seus atos
terríveis? Penso divertida quando permaneço no
fundo e enquanto estou lá as palavras da minha mãe
me batem forte.
Sim, não sou uma menininha que sai
correndo quando as coisas não saem do meu jeito,
eu posso fazer meu próprio jogo.
Saio da piscina pingado e caminho para
meu antigo quarto, deve ter roupas secas lá. Mamãe
não está em lugar nenhum à vista, não importa, ela
já plantou o desafio e sabia que eu não voltaria para
NY.
Depois de me secar e trocar de roupa, volto
para o escritório do meu pai.
— Você tem duas alternativas, papai. — Eu
entro já falando, vou até a cadeira em frente a sua
mesa e sento relaxada. — Vocês escolhe qual das
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duas eu posso seguir. Posso ficar e aceitar a vice-


presidência e daqui um ano quero a presidência. —
Claro que não seria assim, mas eu estava jogando
alto. — Ou eu vou ser uma senhorita Wall Street
muito feliz em NY, que acha?
— Um ano?
— Sim.
— Sabe que não é assim, Nicole, ainda
tenho alguns anos antes de morrer.
— Tudo bem, dois anos e você se aposenta
— sugiro. Estou brincando com ele, meu pai tem
mais vigor que muitos homens novos por aí, ele já
tem sessenta anos, mas não aparenta. Ele é forte e
vive se exercitando, mas quero que ele saiba que
não farei nada que eu não queira fazer.
— Vamos negociar, querida.
— Não quero negociar com você, Jason
Lewis!
— Não seja uma menininha!
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Vamos ver, senhor Lewis, quem vai ganhar


essa.
Acomodo-me mais na cadeira e sorrio para
ele.
— Sou toda ouvidos, papai, dê o seu
melhor!

Quando eu volto para minha cobertura, no


fim da noite, eu tenho planos para ficar. Estou indo
para cama quando meu celular apita com uma
mensagem. Pego-o e vejo que é uma mensagem de
Giovanni. Não respondo, ele fora um assunto
recorrente hoje na casa dos meus pais. Eu tive de
conversar com Ellie sobre a paixonite dela por ele.
Ela garantiu que não era nada demais, mas eu ainda

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estou receosa com o assunto, espero sinceramente


que não seja nada.
Olho de volta a tela:
“Você sabe que quanto mais me ignorar,
mais eu vou persistir”
Eu não respondo essa nem as outras que
veem, ele deve saber que vejo as mensagens e as
ignoro.
Ele merece todo castigo.

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CAPÍTULO 24

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GIOVANNI
EU SEMPRE ALMEJEI PODER E
NUNCA O RECUSEI quando ele vinha para mim.
Eu gosto de me manter no topo da cadeia alimentar,
mas desde que Nikki saiu da A&L, há três semanas,
e fiquei no comando sozinho, tenho sentido essa
sensação de perda e vazio que nunca senti antes.
Ela não me permite chegar perto dela. Mas de uma
coisa estou certo, ela não vai se livrar de mim
facilmente e por isso estou aqui. É a festa dela. Seu
pai organizou uma festa para presenteá-la como a
nova vice-presidente da Lewis Interprise.Inc.
Soube que ela ia voltar para NY, mas
desistiu e aceitou a vice-presidência da empresa de
Lewis. Ela teria muitas cabeças para bater até
provar seu valor lá, mas, de uma coisa eu tinha
certeza, ela conseguiria se sair bem.

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Encosto-me em um canto e tento achá-la no


meio dos convidados. A maioria eram funcionários
de alto escalão da empresa do pai dela. Além de
parceiros de negócio. Não a tinha visto ainda, eu
não fui convidado diretamente, mas meu pai foi e
eu tinha de vê-la. Levo a taça de champanhe aos
lábios e desejo algo mais forte, procuro o garçom,
mas não vejo nenhum por perto. Deveria ir ao bar
no canto onde bebidas estão sendo servidas, mas
continuo onde estou, tenho uma visão da porta e
não quero perder quando ela entrar.
Ela se atrasou para sua própria festa?
Perdendo a paciência eu desencosto da
parede e circulo ao redor. Não vim socializar com
ninguém, eu quero apenas ver Nikki e tentar
consertar as coisas. Ela era tão obstinada. Eu passei
as últimas três semanas tentando falar com ela, mas
ela não deixou nem que eu me aproximasse.
Maldição! Desde quando eu me importava tanto
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com uma mulher?


Vejo meu pai se aproximar com Jason
Lewis ao lado.
— Você parece ansioso — diz papai
quando para ao meu lado. Ele não estava contente
comigo desde que deixei claro que a fusão não
aconteceria mais. Sabia que Nicole me odiava e que
se um dia ela deixasse a raiva passar, ainda assim
ela nunca mais iria querer algo comigo. Ela não se
apaixonou, nem gostava de mim. Mas algo me
prendia e não me deixava esquecer. Talvez fosse
apenas um capricho por que levei meu primeiro
fora, mas eu quero ela para mim. Não importa o
que tenha de fazer.
— Impressão sua — respondo carrancudo.
Estou prestes a perguntar a Jason onde Nikki está
quando a vejo. Ela está cumprimentando alguns
executivos e sinto vontade de ir e tirar as mãos
deles de perto dela. Ela está linda em um vestido
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branco de um ombro só, pouco abaixo do joelho.


Está sexy, mas com esse ar inocente que contradiz
com sua personalidade. Eu sei que ela não é nada
inocente. Minha vontade de ir até ela e roubá-la de
sua própria festa era tentadora, mas de uma coisa
eu sei, ela não vai facilitar as coisas.
— Eu aconselho você a ser menos óbvio,
Giovanni — diz Jason, rindo quando segue meu
olhar.
—Você está apaixonado, não é? Gosta dela?
— Papai bate em meu ombro.
—Isso importa?
—Realmente gosta dela? — Agora é Jason
que me olha firme. — Para passar o resto da sua
vida amando-a?
— Eu lhe disse que ia casar com ela, não
disse? — Olho feio para ele. Odeio que os dois
estejam destrinchando minha alma, eu nem admiti
para mim mesmo que a amo. Parece tão surreal,
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mas eu não consigo parar de desejá-la, de acordar


pensando nela, ir dormir com ela nos pensamentos.
Eu anseio a cada minuto do dia pelas pequenas
discussões que tínhamos na A&L. Se isso não for a
porra do amor, eu não sei o que é. Eu só preciso
que ela me perdoe por esconder dela as intenções
que eu tinha no início.
— Então descubra alguma maneira de
convencê-la de que você a merece. — Sua
expressão era quase preocupada. — Minha filha
não é fácil e sei que você também não é, mas eu
aprovo os dois juntos...
— Pare com sua merda, Jason, eu não
preciso de seu apoio para ficar com ela, da última
vez que fui pela cabeça de vocês, as coisas não
saíram bem para ninguém.
— Giovanni — repreende papai como se eu
fosse a porra de uma criança.
Eu não tenho de ficar aqui com esses dois.
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Eu tenho uma mulher para reconquistar.


— Se os dois me dão licença... — Passo
entre eles e vou em direção oposta a Nicole, eu sei
que ela já me viu, mas ignorá-la por um tempo
talvez seja uma boa ideia, dar a ela uma dose do
que ela tem me dado durante as últimas semanas.
Quando a olho de novo, ela me olha de
volta. Darei a ela meia hora, depois a levarei daqui.
Dou um sorriso quando o pensamento dela furiosa
comigo me vem a mente. Eu a quero bastante
furiosa.
Meu corpo zumbi de expectativa de tê-la
outra vez. Sinto a excitação correr por mim. Alguns
minutos mais tarde ainda tenho um sorriso de
antecipação nos lábios quando ela se aproxima.
— Você é tão narcisista que mantém um
diálogo consigo mesmo? — A voz dela faz cada
fibra do meu corpo ansiar por ela. — O que está
pensando enquanto sorri para si mesmo?
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— Tem certeza que quer saber? — Meu


sorriso enlanguesce mais.
— Absolutamente não, deve ser uma forma
de tentar dar o golpe do baú em alguma herdeira
desavisada.
Droga, eu não queria ir por esse caminho. A
única coisa que quero é sair daqui levando-a
comigo.
— Você não respondeu minhas mensagens
— digo em vez de provoca-la com algum
comentário que alimentará nossas farpas.
— Eu deveria? Não vi um motivo.
— Venha comigo — digo pegando-a pela
cintura e caminhando com ela para um lugar
reservado, fora das vistas das pessoas, não quero
ser manchete de jornal amanhã de como levei um
tapa de uma mulher em plena festa.
A única coisa quero é leva-la de volta para
minha cama, agora do jeito certo.
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Ela tinha me ignorado uma e outra vez e


tudo que eu fiz foi tentar falar, chegar perto e me
desculpar com ela. Isso foi suficiente, estava na
hora de tomar as rédeas desse impasse. Correr atrás
de alguém não estava no meu DNA, eu não
perseguia mulheres. Mas ela era diferente, me
desafiava, não dava a mínima de quem eu era filho.
Se um dia ela me quisesse e amasse, eu saberia que
seria verdadeiro. Eu não conseguia tirá-la da minha
cabeça. Eu tinha que tê-la, sem restrições.
Eu a queria e queria agora. Apesar dela me
enlouquecer, mas isso me excita pra porra!

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CAPÍTULO 25

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NICOLE
— VENHA COMIGO.
Ele não perdia a oportunidade de comandar.
Eu não tinha cedido a tentação durante três
semanas, eu queria pegar o telefone e falar com ele,
mas me contive.
Em parte queria falar para ele que eu
consegui estar onde eu almejei desde sempre, mas
ignorá-lo quando ele enviava mensagem toda noite,
dizendo o quanto queria estar comigo, era minha
vingança por ele ter sido um cretino fingindo
durante o tempo que estávamos fazendo sexo. Ele
fingiu querer me conhecer, fingiu seu interesse por
mim. Talvez a parte que não tenha fingido foi a
atração sexual, essa não teria como fingir, mas a
parte que importava em que envolvia meus
sentimentos, importava e muito.

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Nunca agradeci as flores que começaram a


chegar a cada dia antes mesmo de eu chegar ao
escritório. Todos os dias um arranjo de rosas estava
me esperando. Eram brancas, minhas favoritas.
Quase mudei de ideia e liguei no dia que ele enviou
uma muda de dente-de-leão. Agora eu era uma
cultivadora de uma planta. Eu gostava dessa
atenção, que ele esteve tentando se redimir de
alguma forma.
— Giovanni não vou a lugar algum com
você, ainda mais agora.— Aponto para trás onde os
convidados estão. — Você tem algum fetiche de
me tirar das festas?
Ele ri e estende a mão afastando uma mecha
de cabelo do meu rosto.
— Tenho muitos fetiches que envolve você,
Niks. — As costas de seus dedos roçam minha
bochecha e engulo em seco. Mesmo dizendo para
me controlar, um tremor involuntário me percorre
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com saudade de seu toque. Respiro fundo e dou um


passo para trás, mas minhas costas batem no pilar
atrás de mim, não tenho para onde correr, se eu
quisesse, ele sempre faz essas coisas, coloca-me em
desvantagem e ataca. — Não faça isso.
— Não fazer o quê? — Minha respiração
sai entrecortada.
— Não se afaste assim, eu fiquei longe por
três semanas, Nikki, mas não foi por não querer
estar perto de você. Eu quero que me dê uma
chance.
— Giovanni, esse não é o lugar...
— E onde é? Não me deixou outra
alternativa de me aproximar.
— Acho que você não tentou o bastante,
talvez você ache que devo deixar tudo e correr para
você?
— Quero te recompensar pela forma cretina
que agi, reconquistar você. — Ele parece realmente
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sincero e desejo acreditar que sim, mas não seria


fácil.
— Você nunca me conquistou, eu apenas
deixei você pensar que...
Ele não me deixa terminar, avança e me
beija. Estou presa entre ele e a pilastra e, dessa vez,
eu não recuo, beijo-o de volta e é tão bom. Uma
sensação de voltar ao lugar certo.
— Giovanni — digo me afastando um
pouco quebrando o beijo. — Não posso fazer isto
agora.
— Quando vai me perdoar? — Ele encosta
sua testa na minha.
— O que fez para que eu te perdoasse? —
Devolvo sem poder me conter.
— Você não me deixou fazer nada, Nikki,
nem me aproximar de você — lamenta ele. — Eu
não posso ficar longe por mais tempo, sem ter
você. — Ele me beija outra vez apertando seus
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lábios nos meus com força, empurrando sua língua


em minha boca. E me derreto de novo, suspirando
quando o beijo se aprofunda. Eu quero me entregar,
mas eu ainda não confio nele, mesmo assim digo
quando nos afastamos outra vez.
—Nós podemos tentar, Giovanni. —
Minha respiração ofegante se mistura com a dele,
desejo, luxúria e essa vontade louca de rasgar as
roupas um do outro parece ainda intacta entre nós.
— Podemos tentar fazer isso dar certo.
— Não posso evitar, o quanto eu quero você
— diz ele. — Eu juro que tentei não te querer. —
Ele dá um passo para trás se afastando de mim e
coloca as mãos nos bolsos da calça do terno. Olha-
me por um momento, olhos azuis sérios. — Deixe-
me pelo menos te agradar, Nikki. Fazer a coisa
certa dessa vez, sem mentiras e sem segredos.
— Tudo bem.
— A cada dia que passa eu fico mais louco
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por você. Você está linda esta noite — diz antes de


se virar e ir embora.
Fico lá por um tempo, tentando refrear a
excitação e quando volto para a festa não o vejo em
nenhum lugar. Imaginei quando o vi aqui que ele
iria fazer uma cena por cada homem que me
cumprimentasse hoje, mas ele não fez. Foi embora
sem se despedir.

O motorista me deixa em casa quase uma


hora da manhã e o sentimento de vazio me
acompanha quando entro no apartamento solitário.
Fico em pé na sala de estar e, pela primeira vez,
desde que eu comprei o imóvel, eu não gosto como
ele se parece. Sem vida e escuro. Dou meia volta e
caminho para o elevador, pegando a chave do carro
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no aparador. Eu não dou a mínima para qualquer


coisa. Não importa mais nada.
Eu não tinha um plano, mas não iria dormir
sozinha esta noite. Quando mais tarde eu paro o
carro na frente da casa de Giovanni, eu tenho
vontade de me bater pelo impulso. Não liguei para
saber se ele estava em casa. Bom, agora era tarde.
A casa está escura, mas ele pode estar dormindo ou
não chegou ainda, mesmo ele tendo saído cedo da
festa. Afinal ele era solteiro.
Enfio o dedo na campainha e deixo
pressionado uns bons trinta segundos, se ele
estivesse dormido, acordaria assustado. Ou pior, e
se ele tivesse companhia? Espero e espero.
— O que faz aqui a essa hora, Nikki? — A
porta se abre e ele aparece apenas com uma toalha
envolvida ao redor da cintura estreita.
— Não vai me convidar para entrar?
Ele não hesita quando pega minha mão e
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me puxa para dentro. A porta bate atrás de nós e eu


não digo nada quando vou até ele, beijando-o.
Podemos conversar amanhã e resolver toda
pendência entre nós, agora eu quero sentir, sentir-
me cheia dele.
Eu tinha planos para ele.
Para o futuro.

EPÍLOGO

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GIOVANNI
Um ano depois

— NOSSA LUA DE MEL PODERIA TER


DURANDO MAIS — reclamo quando me jogo na
cama da nossa suíte. Cruzo as mãos atrás da cabeça
e olho o teto desesperançado. Viemos morar na
minha casa, mas tive de vender a metade para
minha própria esposa. Maldita dominadora, não
podia receber nada meu? Ela tinha fixação por ser
tudo meio a meio.
— Passamos dois meses em lua de mel,
Giovanni — retruca ela de dentro do closet. —
Sabe que temos responsabilidades nos esperando.
— Podem viver sem nós mais dois meses.
— Sorrio quando ela sai nua e para ao lado da cama
e eu corro meus olhos por seu corpo. A beleza dela
me cativa e me deixa louco, quero foder Niks a
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cada minuto do dia. Talvez um dia eu me sacie


dela, agora eu aproveito o máximo. — Podemos
continuar a lua de mel agora mesmo.
— Vou tomar um banho, deveria fazer o
mesmo. — Revira os olhos para a tenda armada na
minha calça apenas com a visão dela nua. Ela
caminha rebolando aquele traseiro delicioso em
direção ao banheiro, deixando-me ainda mais duro.
— Temos um jantar para ir — grita antes de fechar
a porta.
Tiro a roupa rapidamente e sigo atrás dela.

O jantar de boas-vindas na casa dos Lewis


acaba e todos estão em torno da sala conversando e
nos perguntando sobre as viagens que fizemos pelo

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Oriente. Niks está narrando uma história de como


andou em camelos. Deixo-a lá e levanto, vou para o
banheiro do antigo quarto dela. Quando saio do
banheiro olho o quarto, eu nunca tinha estado aqui,
eu nunca dormi com ela neste quarto, percebo,
deveria consertar isto. Sorrio quando sento na cama
e caio para trás, olhando o teto, eu ando fazendo
isso o tempo todo, sorrindo apaixonado. Como tudo
tinha mudado nesse último ano. O nosso
casamento. E devo deixar claro aqui que a noiva
não foi muito feliz ao altar. Ela dizia que não
precisávamos casar, mas eu fiz questão, não devido
ainda aquela ideia de casamento conveniente, mas
eu queria que ela tivesse meu sobrenome, porra.
Ela era minha. Eu me apaixono mais e mais por ela
a cada dia que passa. Nikki me instiga, me desafia,
não tolera minhas merdas. Coloca-me no lugar, e
eu a amo pra caralho. Eu mataria se alguém a
tirasse de mim. Não passamos um dia sequer
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separados, eu não consigo. Estou viciado nela,


quero compensar nosso começo por pisar na bola
com ela.
Sento outra vez e abro a gaveta do criado
mudo branco ao lado da cama. A gaveta de cima
está cheia de coisas de mulher, fecho e abro a
última, esta tem apenas um caderno azul de capa
dura e chama minha atenção. Pego e folheio, está
cheio de anotações e é a caligrafia de Niks. Tem
frases escritas como se tivesse sido escrita com
raiva.
Leio as anotações e meu coração pula no
peito.
Ela me enganou esse tempo todo?
E eu que achava que tinha terminado da
forma que eu sempre quis, mas estava enganado.
Ela esteve no controle o tempo todo?

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Mas que porra era essa?


— Nicole! — Saio do quarto igual um raio.
Ela vem subindo as escadas, assim como eu,
nunca ficávamos muito tempo longe e deve ter
sentido minha falta. Ou quero pensar assim. Sinto
como se me faltasse ar. Ela nunca me amou?
— É com você mesma que eu estou
querendo falar. — Levanto o caderno, minha voz
não entrega o frenesi de ansiedade interna. — Que
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merda é essa?
— Oh! — Ela vem e pega o caderno da
minha mão. Folheia rapidamente. — O quer que
tem ele?
— O que diabos são essas anotações, Niks?
Você armou para mim? Toda aquela performance
de filha traída por seu pai, que eu fingi gostar de
você, foi tudo uma encenação?
Ela me puxa para seu quarto e fecha a porta
de chave. Estou no meio do quarto com as mãos no
quadril, esperando. Ela está sorrindo.
— Se acalme, amor.
— Estou esperando, Nicole — vocifero
nervoso.
— Por onde você quer que eu comece? Não
tem nenhuma performance. Eu apenas reverti o
jogo. — Aproxima-se de mim, olhos verdes
brilhando com humor. — Você acha que me tem,
hein, mas é o contrário. Você que é meu, Giovanni
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Andretti.
Ela desliza as mãos por meu peito e as cruza na
minha nuca, aproximando seus lábios dos meus. —
E eu amo cada minuto que tenho você.
— Não está me convencendo. — Seguro a
cintura fina dela e a atraio para mim com força,
estou perto de empurrar ela nessa cama e comê-la
sem sentido, até meu sistema nervoso voltar ao
normal depois do susto. — Bom...?
— Você fica fofo quando está inseguro.
— Você me ama, não é?
— Absolutamente...
— Vou ter de me certificar disso... —
começo a empurrá-la de costa para a cama atrás
dela, paro antes de cairmos no colchão. Beijo-a
forte antes de abrir um sorriso sacana para ela. —
Quero você de joelhos.
— Vai sonhando, cretino.
— Não sonho, eu tenho a realidade — digo
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agarrando seu cabelo entre meus dedos, puxando


sua cabeça para trás. — Te amo. — Mordo sua
garganta exposta e ela geme, deixando-me pronto
para ela.
— Também posso te amar — ofega, seu
corpo não fazia jogos, sua língua atrevida que
gostava de me torturar.
— Diga que me ama, bruxa — exijo entre
mordidas.
— Obrigue-me.
Eu faço, porque nós dois adoramos o
desafio.
Quem cedia primeiro?
No final, nós nunca sabemos.

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Fim

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