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ALMANAQUE

J» GRANDES
MISTÉRIOS
EXPLORE AS MARAVILHAS DA BÍBLIA
Você j á se perguntou...
0 que aconteceu com a Arca da Aliança?
Quemf o i a misteriosa rainha de Sabá?
Qual era o segredo da força impressionante de Sansão?
Por que milhares de porcos despencaram num precipício?

O Almanaque dos Grandes Mistérios Bíblicos responde a essas e outras


perguntas com base nas estranhas mas verdadeiras histórias do maior
best-seller de todos os tempos - a Bíblia. Ele investiga a vida de pessoas
excêntricas e profetas, bem como a de reis e rainhas célebres. Contempla,
dos bastidores, acontecimentos dramáticos - da queda súbita de jerico
à morte misteriosa de Baltasar e aos milagres fascinantes de Jesus. Exa­
mina conexões curiosas entre relatos bíblicos de episódios como “nas­
cimentos miraculosos e historias de pescador”. Também responde às
perguntas mais frequentes sobre a Bíblia, como: “A ideia de milagre não
entra em conflito com as leis naturais que governam o mundo?” e “As
pessoas têm mesmo um anjo da guarda?”

Histórias intrigantes, quadros pitorescos, fatos surpreendentes e respos­


tas interessantes a perguntas comuns a todos — tudo com base em re­
ferências bíblicas - fazem de 0 Almanaque dos Grandes Mistérios Bíblicos
um livro divertido e informativo para toda a família!
The Livingstone Corporation

A lm an aq ue dos G ran d es
M is t é r io s B íb l ic o s
Respostas Surpreendentes sobre
o Livro mais Misterioso de Todos os Tempos

Tradução:
GILSON CÉSAR CARDOSO DE SOUSA

Editora
Pensam ento
Título do original: Mysteries & Intrigues of the Bible.

Copyright (c) 2007 The Livingstone Corporation.

Publicado pela Howard Books, uma divisão da Simon & Schuster, Inc.
1230 Avenue of the Américas, New York, NY 10020

Publicado mediante acordo com a editora original Howard Books, uma divisão da Simon &
Schuster, Inc.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou usada de
qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, grava­
ções ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto
nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas.

A Editora Pensamento-Cultrix Ltda. não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorri­


das nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro.

Citações bíblicas extraídas de A Bíblia Sagrada - Contendo o Antigo e o Novo Testamento,


tradução de João Ferreira de Almeida (edição revista e corrigida, Sociedade Bíblica do Bra­
sil, Brasília, 1969).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Almanaque dos grandes mistérios bíblicos : respostas


surpreendentes sobre o livro mais misterioso de todos os
tempos /Livingstone Corporation ; tradução Gilson César
Cardoso de Sousa. - São Paulo : Pensamento, 2010.

Título original: Mysteries & intrigues of the Bible.


ISBN 978-85-315-1630-6

1. Bíblia - Miscelânea I. Livingstone Corporation.

10-01386 cdd-220

índices para catálogo sistemático:


1. Bíblia Miscelâneas 220

O primeiro número à esquerda indica a edição, ou reedição, desta obra. A primeira dezena
à direita indica o ano em que esta edição, ou reedição, foi publicada.
Edição Ano
2-3-4-5-6-7-8-9-10-11 10-11-12-13-14-15

Direitos de tradução para o Brasil


adquiridos com exclusividade pela
EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA.
Rua Dr. Mário Vicente, 36 8 - 0 4270-000 - São Paulo, SP
Fone: 2 066-9000 - Fax: 2066-9008
E-mail: pensam ento@cultrix.com.br
http:/Avww.pensamento-cultrix.com.br
que se reserva a propriedade literária desta tradução.
Foi feito o depósito legal.
S u m ário

Introdução................................................................................................. 9

Seç ã o I: E stran h o , mas V erdadeiro


Redução da Expectativa de V id a............................................... 15
Questões G igantescas.................................................................. 17
Sem Começo nem F i m ................................................................ 19
Visitantes do Deserto .................................................................. 20
A Frãulein de S a l........................................................................... 22
O Logro ......................................................................................... 25
O Intérprete de Sonhos................................................................ 28
A Maré Vermelha ...................................................................... 30
Primeiro a Nascer, Primeiro a M orrer...................................... 31
Pão do C é u ............................. 34
A Arca Perdida .......................................................................... 36
Engolidos Vivos ........................................................................ 39
O Veneno da V íb o ra ................................................................ 41
Balaão e a Ju m e n ta ................................................................... 42
Montes de Bênçãos, Montes de M aldições.......................... 48
O Vale de F o g o ............................................................................. 51
O Exército de G id e ã o .................................................................. 53
Maldição para o T irano................................................................ 54

5
O V o to d e Je fté ............................................................................. 56
Cidade Fantasma ......................................................................... 57
A Força Impressionante de San são........................................... 58
Inimigos íntimos ......................................................................... 60
A Parábola do P rofeta.................................................................. 61
A Visita da Rainha ...................................................................... 63
O Engano do Profeta .................................................................. 64
Fogo do C é u .................................................................................. 67
Elias, Corredor de Nível Internacional.................................... 68
O Profeta Voador ...................................................................... 70
A Rainha do Céu ...................................................................... 72
Babilônia, Então e Agora ........................................................... 73
O Quarto H om em ....................................... 75
A Ruína do Poderoso ............................................................... 79
A Escrita na Parede................................................................... 81
Hora do Jantar na Cova dos L e õ e s ........................................... 82
Encontro no Alto da Montanha ............................................... 86
As Sombras da C rucificação...................................................... 87
A Morte Misteriosa de Judas Iscariotes .............................. 92
Porcos F re n ético s......................................................................... 95
Caminho para o Reconhecimento ....................................... 97
O Melhor Vem por Ú ltim o ..................................................... 99
O Príncipe das Trevas................................................................. 101
Vento Impetuoso ........................................................................ 104
Morte Vezes Dois ........................................................................ 105
Luzes Estranhas e Vozes Misteriosas ..................................... 106
Calabouços e Discípulos............................................................ 109
A Última Ostentação do Rei ...................................................... 111
Libertação à M eia-N oite............................................................ 113
Naufrágio ...................................................................................... 114

6
Seção II: Ligações Curiosas
Maldições Irrevogáveis............................................................ 119
Anjos A rm ados.......................................................................... 121
Sinais e Som bras........................................................................ 124
Decadência U rbana................................................................... 126
A Corrida por Filhos ............................................................... 128
Nascimentos M iraculosos........................................................ 129
Esbarrando com a Morte ........................................................ 131
De Pé Junto ao A lta r................................................................. 133
Refeições Memoráveis ............................................................ 136
Qual a Melhor Maneira de Morrer? ..................................... 139
Irmãs Pervertidas ...................................................................... 140
A Montanha de Deus ............................................................... 142
Objetos C om uns........................................................................ 147
Lepra Instantânea...................................................................... 150
Circuncisão Acidental............................................................... 151
Aprendizes de Feiticeiro.......................................................... 152
Água, Água por Toda P a rte ..................................................... 154
Vitórias Inesperadas................................................................. 155
Histórias de Animais ............................................................... 158
Morte S ú b ita ............................................................................... 161
Apedrejamento................................................................... 162
Histórias de Gigantes .............................................................. 164
Um Lance de D a d o s ................................................................. 165
Um Contra M u ito s................................................................... 168
Os ídolos São a Oficina do D iab o ................ 172
Setenta Azarados........................................................................ 174
Templos de Desgraça ............................................................... 179
Maus Sacerdotes........................................................................ 180
Possessão D em oníaca............................................................... 182
Fins Trágicos de Tiranos Perversos ..................................... 184

7
Pelados na E scritu ra................................................................. 185
Clube dos M entirosos............................................................... 187
Ascensão e Queda do Tem plo................................................. 189
Reis e C oringas.......................................................................... 191
Alimentos Fabulosos ............................................................... 195
Curas F an tásticas...................................................................... 198
Ressurgidos dos Mortos .......................................................... 200
Fogo do C é u ............................................................................... 202
Cartas Indesejáveis................................................................... 204
Ouça Quem Tem Ouvidos para O u vir!................................. 206
Histórias de P escad or............................................................... 209
Parábolas Intrigantes ............................................................... 213
Patifes da Igreja ........................................................................ 215

Seção III: Perguntas Mais F requentes


Anjos ........................................................................................... 221
Julgamentos Coletivos ............................................................ 223
Demônios e Possessão D em oníaca....................................... 226
Costumes de Família ............................................................... 230
Fogo e E n x o fre .......................................................................... 233
Milagres ...................................................................................... 236
P rofecias...................................................................................... 240

índice de Q u ad ros............................................................................... 247

índice dos “Você Sabia?” ................................................................... 248

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In tro d u ção

Para muitas pessoas, a Bíblia é como as pirâmides. Quem vive às mar­


gens do Nilo mal repara naqueles gigantescos triângulos de pedra. Seu
desenho, complexidade e origem acham-se envoltos em mistério, mas,
como obviamente estão ali, passam quase despercebidos.
Do mesmo modo, a Bíblia se encontra em todos os lugares. Com
tantas versões, traduções e opções - às vezes em nossa própria estan­
te - , nós também a assumimos como coisa corriqueira. Mas possuir bí­
blias e ler a Bíblia são duas experiências muito diferentes. Abra a Bíblia
com mente curiosa e mistérios saltarão de cada página. A Bíblia é um
livro tedioso do mesmo modo que uma vasta escavação arqueológica
é entediante para quem tem pouca curiosidade. O tédio está no ob­
servador. Mesmo leituras repetidas nunca parecem evitar que a pessoa
atenta exclame de vez em quando: “Eu não sabia que isso estava na Bí­
blia!”
A Bíblia nos acompanha há quase dois mil anos e os livros mais
antigos do Velho Testamento, há quase quatro mil. Essa longevidade
se deve não apenas a seus grandes tesouros espirituais, mas também
às suas histórias cativantes, milagres espantosos e fatos surpreenden­
tes que ainda continuam a prender o leitor. O Almanaque dos Grandes
Mistérios Bíblicos simplesmente relata essas histórias num ritmo mais
rápido.

9
A despeito de seu tom às vezes cético e um tanto leve, este livro re­
conhece o valor da Escritura. Mesmo nos dia de hoje, o erudito ou cien­
tista costuma oferecer apressadamente uma explicação lógica, natural,
para os acontecimentos descritos na Bíblia. Mas precisamos confiar nas
interpretações dos autores bíblicos para entender fatos de outro modo
inconcebíveis. A compreensão confiante que eles têm desses fatos nos
leva para além de nós mesmos até Aquele que criou todas as coisas.
O material deste livro apresenta centenas de episódios divertidos
e histórias surpreendentes em três seções principais.

• “Estranho, mas Verdadeiro” examina relatos curiosos num tom


instigante. Escritos à maneira dos “jornalistas investigativos”, os
artigos relatam as muitas histórias inusitadas da Bíblia. Cada
artigo tem um título engraçado e um subtítulo no estilo das
manchetes de jornal, seguindo-se a “matéria”, que é a descrição
do acontecimento. Os acontecimentos são dispostos por temas.
• “Ligações Curiosas” associa acontecimentos que mostram uma
similaridade intrigante ou chocante. As listas são apresentadas
sob um título genérico, seguindo-se os verbetes correlacionados.
• “Perguntas Mais Frequentes” dá respostas a perguntas comuns
a respeito do sobrenatural e do miraculoso. Cada pergunta ou
série de perguntas tem seu tópico e todos os tópicos estão dis­
postos alfabeticamente.

Além disso, outros tipos de notas fornecem ao leitor mais informa­


ções:

• “Você Sabia?”. “Janelas” revelam fatos curiosos sobre a Bíblia.


• “Quadros e Listas”. Espalhados pelo livro, ressaltam as mara­
vilhas da Bíblia num contexto maior, ampliando o alcance da
Escritura.

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Referências escriturais aparecem a cada passo para o leitor que
deseja examinar os fatos mais a fundo. Queremos incentivá-lo a reler
essas passagens, pois assim captará todo o impacto da obra de Deus
entre seu povo. Esperamos que aprecie as maravilhas aqui descritas e
reflita demoradamente sobre as grandes verdades que revelam.
No final, inserimos alguns índices que o ajudarão a encontrar (ou
reencontrar) as histórias por tópicos ou referências escriturais.

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SEÇÃO I

ESTRANHO, MAS VERDADEIRO


REDUÇÃO D A EXPECTATIVA DE VIDA

Por que a expectativa de vida diminuiu tanto desde os antigos tempos bí­
blicos?

Enoque não passava de uma criança quando, aos 365 anos de idade,
sua vida na terra chegou ao fim. Hoje, na maturidade dos 30, a maio­
ria das pessoas descobre que já não consegue correr tão rápido quan­
to os rapazes mais jovens com quem costumava competir. Aos 40, os
pais perdem a queda de braços para seus filhos e, aos 50, para suas
filhas. Aos 60, você talvez se sinta jovem, mas uma olhadela no es­
pelho evitará que continue se enganando. Aos 70, goza de todos os
benefícios para idosos e as pessoas dizem: “O senhor parece tão mo­
ço!” só para convencê-lo a dar uma volta pelo quarteirão. Por que as
personagens da Bíblia viviam tanto se, em comparação, muitos de
nós ficamos cansados e envelhecidos tão cedo?
Uma das pessoas mais velhas da Bíblia foi Matusalém, que viveu
969 anos, quase um milênio inteiro. Muitas delas começaram a criar
filhos quando chegaram à idade em que nós nos aposentamos. Por

15
que viviam tanto? Gozavam de águas e ares mais puros? Algum tipo
de enzima ou proteína em sua comida lhes dava imunidade contra
doenças que assolam nossa população, como o câncer? Que segredo
possuíam os antigos para viver vidas sobre-humanas? Existia acaso,
por lá, uma Fonte da Juventude como a que Ponce de León procurou
em terras da Flórida no século XVI?
Embora a Bíblia registre os nomes e os prazos de vida desses an­
tigos heróis, não dá nenhuma explicação para a longevidade deles.
Podemos supor que, naqueles dias, o stress não era tão comum, o ali­
mento era mais puro, o ambiente era menos tóxico, a doença era me­
nos virulenta e o ar era menos corrompido do que hoje. O ritmo
agrícola da vida devia sem dúvida ser mais vagaroso, dando aos anti­
gos tempo para cultivar a paz de espírito. A correria atual ainda não
tinha sido inventada por descendentes distantes, que olhariam o pas­
sado sem acreditar na incrível longevidade da época. Talvez fatores
ambientais e comportamentais expliquem em parte a discrepância en­
tre a expectativa de vida do homem moderno e a dos antigos. O fato
de esses anciãos terem existido antes do relato bíblico do dilúvio po­
de explicar algumas diferenças na expectativa de vida. Uma enchen­
te gigantesca talvez tenha alterado as condições climáticas e
atmosféricas pré-históricas, que favoreciam a existência humana
muito mais prodigamente do que as condições ambientais hoje su­
portadas por nós. Nos dias atuais, um corpo humano teria de ser in­
crivelmente forte para durar sete, oito ou nove séculos.
Uma explicação mais teológica é que as expectativas de vida de­
clinaram segundo um plano divino; como a terra ficou mais populo­
sa, a necessidade de existências tão longas desapareceu. O desgosto de
Deus com o comportamento humano também conta. Gênesis 6:3 te­
ce este sucinto comentário: “Então disse o Senhor: Não contenderá
meu espírito para sempre com o homem, pois ele é apenas carne mor­
tal. Porém, seus dias serão 120 anos.” E, com efeito, depois de Noé, a
expectativa de vida caiu vertiginosamente: ele mesmo viveu 950 anos,

16
mas seu filho Sem, apenas 600; seis gerações mais tarde, Terá, pai de
Abraão, não passou de uns míseros 148.
O motivo pelo qual essa gente antiga vivia tanto continua sendo
um quebra-cabeça complexo e talvez nunca disponhamos das peças
necessárias para dar uma resposta cabal.

Para alguns dados genealógicos antigos, ver Gênesis 5.

Q UESTÕ ES GIGANTESCAS

Quem eram os misteriosos “filhos de Deus” mencionados em Gênesis 6:1 ?

Numa passagem enigmática, pouco antes da história da arca de Noé,


o autor do Gênesis nos conta que os “filhos de Deus” olharam para as
“formosas mulheres” da terra e as tomaram por esposas. Seus des­
cendentes foram uma raça de gigantes chamados nefilins, que se tor­
naram os heróis do folclore antigo.
Só até aí chega o nosso conhecimento desse instante na história an­
tiga, um enigma que suscita mais perguntas do que fornece respostas.
Quem eram os tais “filhos de Deus?” Que sabemos sobre os nefilins?
Segundo uma teoria, esses gigantes provinham de Sete, uma li­
nhagem divina de criaturas que se misturaram com os descendentes
pervertidos de Caim. Lembremo-nos de que Caim assassinou seu ir­
mão Abel e de que Adão e Eva conceberam Sete depois disso. O pro­
blema com semelhante teoria é que o Gênesis parece estabelecer uma
diferença óbvia entre os simples mortais e os supermortais na histó­
ria, um fato que não se pode ignorar.
Outra teoria propõe que esses filhos de Deus eram grandes ho­
mens - governantes e reis. O atrativo dessa explicação é que ela afas-

17
ta a dificuldade de imaginar os anjos (ou outros seres espirituais) en­
volvendo-se intimamente com mulheres. Dessa passagem, o que infe­
rimos é o seguinte: seres extraordinários, sobrenaturais, de algum
modo penetraram na esfera terrena para escolher esposas humanas.
A crermos numa terceira hipótese, os filhos de Deus não se pare­
ciam com nada jamais visto na terra, então ou agora. Vinham de ou­
tra esfera espiritual - demoníaca, para alguns - , mas possuíam notável
capacidade física. Seu impulso sexual era forte e seus filhos, gigantes
ou homens poderosos - bom material para lenda. Talvez isso seja um
pouco difícil de imaginar: seres meio-angélicos, meio-humanos. Mas,
não importa o que a Bíblia queira dizer nesse misterioso capítulo, fi­
ca claro pelas epístolas de Judas e 2 Pedro que qualquer ser angélico
culpado de transpor o abismo entre o humano e o angélico enfrenta­
rá a ira absoluta de Deus. Esses anjos só podem esperar as tenebrosas
masmorras do julgamento divino (ver 2 Pedro 2:4 e Judas 6).
E quanto aos nefilins? Vamos encontrá-los de novo em Números
13:33, quando os espiões mandados à Terra Prometida voltam falan­
do, assustados, de uma raça de gigantes que ali habitava. Teriam eles
algo a ver com os gigantes antigos? Não se sabe. Sabe-se, porém, que
os israelitas toparam com gigantes em seu passado remoto, sendo Go-
lias de Gate o mais famoso exemplo. 2 Samuel 21:15-22 inclui um
breve relato da batalha entre os israelitas e esses homens formidáveis.

Para um relato em primeira mão sobre os “filhos de Deus”, ver Gênesis 6:1-8.

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SEM C O M EÇO N EM FIM

Quem fo i o misterioso sacerdote que instruiu Abraão?

Ele só apareceu uma vez durante a vida de Abraão, mas tornou-se um


arquétipo do sumo sacerdote ao qual o próprio Jesus costuma às ve­
zes ser comparado. Todavia, a despeito de sua notável associação com
Cristo, dispomos de pouquíssimos dados biográficos sobre ele. Essa
personagem bíblica interessante e pouco conhecida é o velho rei e sa­
cerdote chamado Melquisedeque.
Segundo Hebreus 7:2, “Melquisedeque significa ‘rei da justiça’, e
rei de Salém quer dizer ‘rei da paz’”. Para muitos estudiosos da Bíblia,
Salém é o nome antigo da atual Jerusalém. Ele é o primeiro sacerdote
citado na Bíblia e, embora seu sacerdócio não estivesse necessaria­
mente ligado ao dos israelitas, que provinha de Aarão, Melquisede­
que é distinguido como temente a Deus e até um precursor de Jesus.
O nome de Melquisedeque sobrevive porque, à diferença de mui­
tos outros reis-sacerdotes antigos, ele não explorava seus súditos - em
particular, Abraão. Quando este lhe ofereceu 10% do que amealhara,
o misterioso e venerável sacerdote deu a Abraão sua bênção e um ban­
quete. Ao contrário, o rei de Sodoma, sempre pronto a aceitar pre­
sentes de viajantes e súditos, embolsou nove vezes o valor do dízimo
e não deu nada em troca.
O autor da epístola aos Hebreus, no Novo Testamento, considera
Melquisedeque muito importante, chamando-o de “sacerdote para sem­
pre, feito semelhante ao Filho de Deus” (Hebreus 7:3). São palavras sur­
preendentemente elogiosas, na Bíblia, para um simples religioso antigo.
É chamado “sacerdote para sempre” porque não tem pai, mãe ou ances­
trais. De fato, num livro como o Gênesis, no qual toda a genealogia da
raça humana é traçada, não se mencionam os antepassados de Melqui-

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sedeque. Quem foi esse misterioso rei-sacerdote? Como se chamavam
seus pais? Qual é a sua história completa? Essas perguntas têm confun­
dido os estudiosos da Bíblia. Seria Melquisedeque uma aparição angéli­
ca como tantas outras descritas nas Escrituras? Ou apenas um bom
sacerdote transformado em símbolo da probidade que os israelitas de­
viam esperar do futuro Libertador? Teria Melquisedeque sido meramente
um líder honesto, fadado a representar para todo o sempre uma verda­
de maior do que ele próprio concebia? Sejam quais forem os fatos, para
nós Melquisedeque simboliza a aliança que se concretizou em Cristo.

Para a história de Melquisedeque, ver Gênesis 14, Salmo 110 e Hebreus 5-7.

VISITANTES DO DESERTO

Quem eram os misteriosos viajantes que falaram a Abraão sobre aconte­


cimentos futuros?

O sol brilhava alto, numa tarde tórrida, sobre a antiga Canaã. Três vian-
dantes empoeirados aproximaram-se devagar das várias tendas erguidas
em meio a um aprazível bosque de carvalhos. Eram as tendas de Abraão;
sua família vivia ali, naquele arvoredo de Manre. Quando Abraão viu os
três homens se aproximando, pediu à mulher, Sara, que preparasse a
comida. A hospitalidade, nas antigas culturas, era um dever; até as vi­
sitas inesperadas e indesejáveis podiam esperar acolhida e alimento.
Abraão saiu ao encontro dos recém-chegados e deu-lhes as boas-
vindas. Trocaram saudações e Abraão pediu que ficassem como seus
convidados de honra. Os três homens concordaram, para grande de­
leite do anfitrião. Depois de comerem à farta, eles partiram para So-
doma. Como Abraão conhecia bem o caminho - seu sobrinho Ló vivia
na cidade - , acompanhou-os até certa altura.

20
Mas a conversa desses três foi ficando esquisita. Um deles falou
de Sodoma com repugnância. Ouvira falar sobre as inauditas perver­
sões que medravam naquela cidade. Insinuou mesmo que iria destruir
Sodoma por seus pecados. Abraão procurou dissuadi-lo, chegando ao
ponto de propor que a cidade fosse poupada caso apenas dez pessoas
decentes morassem lá. O homem assentiu e Abraão voltou para casa.
Mas, no dia seguinte, Sodoma era um monte de cinzas. Exércitos
a teriam arrasado? Acaso os três homens haviam se valido da escuri­
dão da noite para deitar-lhe fogo?
Todas essas eram explicações plausíveis para a destruição súbita
da próspera cidade. Mas os aldeões das redondezas contavam uma
história muito diferente. Segundo eles, fogo e enxofre inflamado cho­
veram sobre as casas, queimando todos os habitantes - exceto um ho­
mem e suas filhas.
O felizardo que escapara por pouco à terrível catástrofe não era
outro senão Ló, o sobrinho de Abraão. Muito amedrontado, viveu o
resto da vida nas cavernas das imediações.
A história que Ló contou daquela noite angustiante encheu a to­
dos de pavor. Falou de dois visitantes que o instaram terminantemente
a deixar sua cidade natal sem demora. Depois de alguma hesitação -
aquele era seu lar, afinal de contas - , a família de Ló abandonou o lar,
escapando por um triz ao enxofre quente que jorrava do céu. A mu­
lher de Ló arriscou uma olhadela para trás e por isso morreu (ver a
próxima história, “A Frãulein de Sal”).
Talvez nunca saibamos ao certo quem Abraão acolheu naquele
dia de canícula - embora as Escrituras deixem claro que um deles era
o próprio Senhor. Dada a súbita e abrasadora destruição de Sodoma e
da vizinha Gomorra - por meios de que os antigos não dispunham - ,
é óbvio que os hóspedes de Abraão vinham de outra esfera.

Para mais informações sobre os visitantes de Abraão e a subsequente ruína de


Sodoma, ver Gênesis 18-19.

21
A FRÃULEIN DE SA L

O que aconteceu de fa to à mulher que se voltou para olhar Sodoma?

Ló é um dos maridos mais famosos da Bíblia, não pelo que fez para
conquistar as boas graças da mulher, mas em virtude da honra insigne
e inaudita de ser casado com uma estátua de sal. Eis como aconteceu.
A velha Sodoma era um antro de mau comportamento. Seu no­
me ficou como sinônimo de deboche. Talvez fosse até pior do que as
novelas vespertinas da televisão. Uma noite, por volta do ano 2050
a.C., Ló foi aconselhado a sair da cidade, sobre a qual estava prestes
a cair a ira de Deus. Ele não teve tempo para providenciar a venda da
casa, mas ao menos salvou a pele. Condição única: “Não olhem para
trás.”
Assim, Ló e sua família partiram antes que o fogo despencasse do
céu sobre a malfadada cidade de Sodoma. A mulher de Ló, porém,
quis dar uma olhadela por cima do ombro: afinal, sua casa, suas pos­
ses e seus amigos tinham ficado lá. Em meio ao barulho ensurdecedor
que vinha do céu e aos gritos que se erguiam da cidade, ela se voltou
para espiar. No instante seguinte, seu corpo se transformou numa es­
tátua de sal. Como pôde uma reação química tão drástica ocorrer em
tão pouco tempo?
Talvez a mulher tenha sido atingida por fragmentos da tempes­
tade de fogo - lava incandescente que solidificou seu cadáver numa
substância cristalina. Segundo uma interpretação mais literal, Deus
lhe transformou o corpo num bloco inerte de cloreto de sódio.
Não admira que Ló e o resto da família tenham corrido sem olhar
para trás em momento algum.

Para mais dados sobre a mulher de Ló, ver Gênesis 19.

22
V ingança Sagrada
As Escrituras relatam o destino de famílias, nações e povos que mor­
reram por desafiar ou negligenciar o poder de Deus.

G rupo F ato R e f e r ê n c ia

Sodomitas Exterminados por sua corrupção Gênesis 19:24


e maldade

Os primogênitos Mortos porque o faraó não permitiu Êxodo 11:1-10


dos egípcios a saída dos israelitas do Egito

Soldados egípcios Afogados no mar Vermelho na vã Êxodo 14:21-28


tentativa de recapturar os israelitas

Três mil israelitas Executados pelos levitas por Êxodo 32:15-28


adorarem o Bezerro de Ouro

Muitos israelitas Mortos pela peste Números 11:31-35


em castigo por reclamarem muito
de sua comida

Dez espiões israelitas Adoeceram e morreram de Números 14:36-37


peste depois de fazer um relatório
assustador sobre a Terra Prometida

Muitos israelitas Mortos por mordidas de serpentes Números 21:4-6


venenosas; é que se queixaram da
liderança de Moisés

Vinte e quatro mil Mortos durante uma peste que Números 25:1-9
israelitas assolou o acampamento porque os
israelitas estavam se casando com
mulheres moabitas

Coré e seus Tragados pela terra porque Números 26:10


seguidores desafiaram a autoridade de
Moisés

Amorreus Dizimados por uma furiosa Josué 10:11


tempestade de granizo por se
oporem aos israelitas

23
G rupo F ato R e f e r ê n c ia

Mil filisteus Abatidos por Sansão numa Juizes 15:14-15


espantosa exibição de força

Filisteus Mortos por tumores e pestes após 1 Samuel 5:1-2


se apossarem da Arca da Aliança

Setenta homens de Mortos depois de espiar o interior 1 Samuel 6:19


Bete-Semes da Arca da Aliança

Amalequitas Esmagados pelo exército de 1 Samuel 15:1-7


Saul por sua constante
hostilidade a Israel

Setenta mil israelitas Varridos por uma peste depois 2 Samuel 24:10-16
que Davi ordenou um censo
contrário às ordens de Deus

Duas vezes: capitão e Consumidos pelo fogo do céu 2 Reis 1:9-12


cinquenta homens por enfrentar o profeta Elias

Família de Acabe Seus últimos parentes 2 Reis 10:1-17


liquidados por Jeú, de acordo
com a profecia de Isaías

Etíopes Destruídos por atacarem Asa, 2 Crônicas 14:12-13


rei dejudá

Moabitas e amonitas Velhos inimigos dejudá, 2 Crônicas 20:22-24


exterminaram-se mutuamente
numa grande confusão

24
O LOGRO

Bênção e m aldição paternas que não podem ser desfeitas.

Um grito rouco cortou o silêncio: “Por quê? Por que não me podes
abençoar também?”. O velho cheio de rugas e grisalho estava senta­
do, hirto, com uma expressão grave no rosto. Seu filho, um jovem de
nome Esaú, passeava lívido pela tenda. “Por favor, pai, abençoa-me”,
gritava. “Abençoa-me!” Isaque contemplava o vazio, aparentemente
imperturbável. Cego há muitos anos, não podia perceber a angústia do
filho; mas, decerto, escutava seus apelos ruidosos.
Por fim, o velho falou: “Teu irmão esteve aqui e me iludiu. Levou
consigo tua bênção.... Fiz de Jacó teu senhor e declarei que todos os
seus irmãos o serviríam. Garanti-lhe abundância de trigo e vinho.
Agora, que me resta para dar-te, filho?”.
Esaú cambaleou, chorando amargamente: “Tens então uma úni­
ca bênção?”.
Enquanto Esaú soluçava com o rosto nas mãos, Isaque estendeu
devagar seus dedos ossudos e pousou-os na cabeça do infeliz. Em tom
monótono, murmurou: “Viverás por tua espada e ao teu irmão servi­
rás. Mas, quando decidires ficar livre, sacudirás o jugo dele de teu pes­
coço” (Gênesis 27:34-40).
Não eram essas as palavras que Esaú queria ouvir. Elas lhe caíram
nos ouvidos como chuva de pedras. Seu coração murchou. Seu estô­
mago contraiu-se. Por fim, saiu correndo da tenda, jurando matar seu
irmão Jacó. Aquele irmão havia roubado sua bênção e só lhe deixara
a maldição do pai.
Como sucedeu que as palavras de um velhinho frágil tivessem ta­
manho poder? Por que não pôde Isaque retomar a bênção que dera a
seu astuto filho mais novo, Jacó? Então meras palavras mudariam o
destino dos dois rapazes?

25
A maldição de Isaque se realizou. O rei Davi, descendente de Ja-
có, venceu os edomitas, descendentes de Esaú, cerca do ano 1000 a.C.
Por séculos depois disso, os edomitas habitaram uma região deserta ao
sul de Israel, dominados pelos israelitas (ver 2 Samuel 8:14).
Mas por que as palavras de Isaque tiveram tanta força? Os anti­
gos acreditavam que uma maldição proferida continha em si mesma
o poder de concretizar-se. Isso explica os rompantes de Esaú, mas não
o motivo pelo qual as palavras de Isaque se realizaram ou a razão de
não lhe ter sido possível desdizer-se. Será que Isaque, embora fisica­
mente cego, conseguia ver séculos à sua frente? Será que Isaque guar­
dava o futuro dos filhos em suas mãos enrugadas?
A chave desse mistério está no coração da mulher de Isaque, Re-
beca. Décadas antes, ela sepultara um segredo dentro de si mesma.
Ainda jovem, grávida de gêmeos, seus dias e noites eram repassados
de sofrimentos atrozes. Os bebês que trazia no ventre estavam sempre
se desentendendo, altercando e trocando pancadas. A dor a mantinha
acordada até tarde nas noites gélidas do deserto e enchia-lhe os dias
de angústia. Finalmente, em desespero, buscou um local onde esti­
vesse só. E, ali, contou todo o seu padecimento ao Deus de Abraão.
Por que aquilo? Por que com ela?
Deus lhe disse: “Os filhos em teu ventre se tornarão duas nações.
Desde o começo, elas serão rivais. Uma será mais forte que a outra e
o filho mais velho servirá o mais novo” (Gênesis 25:23).
Ficou claro, para Rebeca, que o Senhor determinara o destino de
Esaú e Jacó muito antes de o pai deles pronunciar suas palavras de
bênção e maldição. Os sussurros moribundos de Isaque não teriam
nenhum poder sobre a vida dos rapazes; Deus já dispusera tudo há
muito tempo.

Para mais esclarecimentos sobre essa maldição, ver Gênesis 21'.

26
B ênçãos
O povo de Deus vem abençoando e sendo abençoado desde que as
primeiras gerações caminharam sobre a terra. Eis algumas das bên­
çãos bíblicas... e seus resultados às vezes imprevistos.

A ben ço ad o r P e sso a s A ben ç o a d a s, R e f e r ê n c ia

C ir c u n s t â n c ia s e R esu lta d o s

Deus Noé e filhos, após o dilúvio; Gênesis 9:1-11


Deus fez um pacto com eles.

Melquisedeque, Abraão, cuja fé em Deus aumentou Gênesis 14:18-20


rei e sacerdote e que deu um décimo de suas
de Jerusalém posses a Melquisedeque.

Isaque Jacó roubou do pai a bênção Gênesis 27:1-40


de seu irmão Esaú; seguiram-se
anos de feroz rivalidade.

Moisés Os israelitas montaram o Êxodo 39:42-43


Tabemáculo exatamente como
Deus prescrevera.

Deus Jó; seus últimos anos, após tantas Jó 42:12-17


provações, foram melhores e
mais prósperos que os primeiros.

Deus A pessoa que segue os caminhos Salmo 1


do Senhor cresce e prospera.

Deus Vários tipos de pessoas um tanto Mateus 5:1-12


surpreendentes: humildes, de
coração puro, enlutados, ofendidos;
segundo Jesus, são muito
abençoados.

Cristãos Os semelhantes; os que abençoam 1 Pedro 3:8-14


em vez de ofender ou pagar o
mal com o mal herdam uma
bênção de Deus.

27
O INTÉRPRETE DE SO N H O S

O dom sobrenatural de um homem eleva-o ao poder.

Odiado pela família, jogado num poço, vendido como escravo, atira­
do à prisão. Esses detalhes não caracterizam uma vida comum. Talvez
nenhum outro relato das Escrituras ilustre as estranhas vicissitudes
da existência tão bem quanto a biografia de José, o intérprete de so­
nhos.
Ele nasceu privilegiado. Era o décimo primeiro filho - e o predi­
leto - de Jacó, um dos patriarcas da história israelita. Embora queri­
do pelo pai, era detestado pelos irmãos por causa de sua condição de
favorito. José espicaçava o ódio deles narrando-lhes sonhos que tive­
ra - nos quais todos se punham a seus pés.
Mas um dia os irmãos não puderam controlar a raiva. Agarraram
José e o atiraram num poço. De início, a intenção deles era matá-lo,
mas mudaram de ideia quando viram uma caravana a caminho do Egi­
to. Em vez de assassinar José, venderam-no como escravo aos viajan­
tes. Depois voltaram para casa e disseram ao pai que o irmão fora
morto por um animal selvagem.
No Egito, José se tornou servo de Putifar, um oficial da corte do
faraó. Infelizmente, a confiança de Putifar foi abalada por uma falsa
acusação de sua esposa contra José. Sem nada que se parecesse a um
julgamento, o rapaz acabou na prisão. Ele estava em maus lençóis -
ou, pelo menos, foi o que supôs. No entanto, uma súbita reviravolta
elevou-o a alturas insuspeitadas.
Na masmorra, José conheceu o copeiro e o padeiro-mor do rei. Os
dois homens andavam inquietos por causa de uns sonhos estranhos
que tinham tido recentemente. Depois que os contaram a José, este in­
terpretou para eles suas misteriosas visões. Dias depois suas palavras

28
se realizaram, exatamente como ele previra. Que poderes especiais ti­
nha José? Como pudera esclarecer aqueles sonhos? José simplesmen­
te atribuía sua habilidade ao Deus de Israel, que não era adorado no
Egito.
Dois anos mais tarde, o faraó teve um sonho. Os conselheiros da
corte nem de longe puderam explicá-lo. José foi então chamado de
sua cova para decifrar aquelas imagens confusas, perturbadoras. De­
pois de um momento de silêncio, José esclareceu tudo: as visões sig­
nificavam que o Egito seria abençoado com sete anos de abundância,
aos quais se seguiriam outros tantos de fome. Agradecido, o faraó fez
dele o segundo no comando. De novo, José bancou o modesto e pre­
feriu falar nos poderes de Deus. E, tal qual previra, vieram os sete anos
de prosperidade e depois os sete de miséria.
Nos tempos bíblicos, Deus muitas vezes se servia dos sonhos pa­
ra transmitir seus desígnios a determinadas pessoas. Devemos ter em
mente que, sem livros nem os recursos da moderna telecomunicação,
as visões sobrenaturais sem dúvida eram os meios preferidos para re­
velar verdades aos seguidores de Deus. Mas, e hoje? Deus continua a
se comunicar assim? Muita gente acha que sim.
A nomeação de José para o segundo cargo mais cobiçado do país
ainda é um episódio intrigante da história antiga. Como explicar sua
trajetória de estrangeiro pobretão, e ainda por cima condenado, a lí­
der político? O próprio José diria mais tarde a seus irmãos que aqui­
lo fora parte de um plano divino. “Quisestes ferir-me, mas Deus dispôs
de outra maneira. Colocou-me neste cargo para que eu pudesse salvar
a vida de muitos” (Gênesis 50:20). Bem, talvez essa seja mesmo a me­
lhor explicação.

Para mais detalhes sobre a história de José, ver Gênesis 37; 39-50.

29
3S
A M ARÉ VERM ELHA

O que provocou uma súbita catástrofe no rio Nilo?

Imagine um dia quente nos trópicos. O que você fará para refrescar-
se? Nadar em águas claras, puras? Decerto. Mas, e em águas salobras?
Nem pensar. Ora, num desses dias tórridos no Egito, os banhistas dis­
pararam para longe do Nilo como se tivessem visto um tubarão. É que
as águas de súbito se tornaram vermelhas. Vermelhas como sangue.
O Nilo é um rio enorme. Estende-se por 6.700 km desde a região
central de Uganda até o mar Mediterrâneo. Nove países partilham sua
bacia de cerca de 1.800.000 km2. É muita água e continha algo mais
que H20 no dia em que Moisés compareceu diante do faraó para exi­
gir-lhe a libertação dos escravos hebreus.
Durante quatrocentos anos, os descendentes de Jacó viveram no
Egito, primeiro como hóspedes, depois como trabalhadores sem salá­
rio e duramente tratados pela poderosa dinastia local. Por volta de
1300 a.C., Deus fez contato com um tal Moisés, judeu criado como
egípcio no próprio palácio do faraó. Moisés se tornou o grande líder
dos hebreus em sua jornada da escravidão para a Terra Prometida.
Mas, primeiro, era necessário convencer o rei de que soltar meio mi­
lhão de oleiros israelitas era uma medida politicamente correta.
Moisés empregou várias táticas de persuasão. Uma delas, contra o
mais precioso recurso natural do Egito. A fim de demonstrar que Deus
queria mesmo a libertação dos escravos israelitas, ele transformou as
águas do Nilo em sangue, fechando de vez o maior caminho fluvial do
mundo a todos os barcos, navios e banhistas - para não falar do povo
do país inteiro, que precisava beber água. Como Moisés fez isso?
O sangue é uma combinação complexa de plasma, plaquetas, cé­
lulas brancas e vermelhas, hormônios, proteína, carboidratos e gor-

30
duras - portanto, deixemos de lado a teoria segundo a qual Moisés
despejou um frasco de sangue no rio e alterou-lhe a química toda. Es­
queçamos também os corantes. Poderiamos ficar muito tempo matu­
tando sobre os truques que Moisés trazia na manga - se é que eram
truques. Talvez seja melhor levar a sério suas palavras: Deus em pes­
soa queria resgatar seu povo e todos os elementos da natureza foram
convocados para servir a essa finalidade. Não espanta, pois, que o mis­
tério do Nilo seja um prodígio que os livros de química não conse­
guem explicar!

Para saber mais sobre o dia em que os banhistas deram folga ao Nilo, ver Êxo­
do 7:14-25.

PRIMEIRO A NASCER, PRIMEIRO A M ORRER

A última praga do Egito fo i a pior.

O faraó vira o Nilo transformar-se num rio de sangue. Caminhara por


uma terra infestada de rãs, depois piolhos, moscas e finalmente gafa­
nhotos. Vira o gado tombar morto e seu povo cobrir-se de pústulas.
Granizo e em seguida densas trevas desabaram sobre seu reino. Tudo
isso fora feito pelas mãos de Moisés.
Como, pois, não acreditou na ameaça que pesava sobre os pri­
mogênitos da nação quando, de novo, recusou-se a libertar Moisés e
os israelitas? A Bíblia explica que o coração do faraó foi endurecendo
aos poucos.
À meia-noite, os varões primogênitos - humanos e animais - su­
cumbiram por causa da teimosia do rei. Morreram misteriosamente,
sem prévio aviso. O relato bíblico da tragédia é mais direto. Diz que

31
os primogênitos foram “feridos” pelo Senhor, liquidados por um an­
jo da morte que sobrevoou o país. No entanto, igualmente misterioso
é o fato de alguns primogênitos que viviam no Egito terem sido pou­
pados.
Quem sobreviveu? E por quê? Os filhos dos israelitas não pere­
ceram; seus pais haviam seguido as esquisitas instruções dadas por
Moisés e Aarão. Pegaram cordeiros sem mácula, degolaram-nos ao
crepúsculo e borrifaram com seu sangue as ombreiras e a soleira das
portas de suas casas. Assaram e comeram às pressas a carne com er­
vas amargas e pão ázimo.
Quando a mão fatídica de Deus passou por sobre a terra, não to­
cou as casas marcadas com o sangue dos cordeiros. Naquela noite o fa­
raó finalmente pôs fim aos 430 anos de escravidão que os israelitas
haviam amargado e eles deixaram o país o mais rápido possível. Os ju ­
deus, ainda hoje, recordam a noite em que a última peste divina pas­
sou ao largo de suas casas: é a Páscoa judaica.

O relato completo da Páscoa está em Êxodo 11-12.

32
V O C Ê S A B IA ?

O que era a coluna de fogo?

Os israelitas que fugiram do Egito para a Terra Prometida teste­


munharam numerosos prodígios. Os mais memoráveis foram
sem dúvida o maná que caiu do céu (Êxodo 16:31) e a água que
brotou da rocha (Êxodo 17:1-7). Todavia, o fenômeno mais es­
tranho deve ter sido a coluna de fogo que guiava os israelitas
durante a noite (Êxodo 13:21-22). Alguns propõem que a colu­
na descrita na Bíblia eram de fato erupções vulcânicas na região
do Sinai. Mas sua descrição não permite semelhante hipótese.
Como poderia uma erupção vulcânica iluminar os israelitas e
ao mesmo tempo cobrir de trevas os egípcios (Êxodo 14:19-20)?
Não, ninguém consegue fornecer uma explicação natural para a
coluna de fogo que foi adiante dos israelitas durante seus qua­
renta anos no deserto. Entretanto, a Bíblia deixa claro que o tal
pilar incandescente representava Deus e sua santidade. Era ao
mesmo tempo uma luz intensa, que proporcionava segurança
física, e um símbolo luminoso da fonte de toda iluminação es­
piritual.

33
PÃ O DO CÉU

Que alimento sustentou os israelitas no deserto?

A superfície do deserto, a leste do mar Vermelho, estava coberta por


uma misteriosa substância esbranquiçada. Como a neve, espalhava-se
pelo chão. Como o granizo, cristalizava-se para evaporar-se ao sol do
meio-dia.
“Que é isto?”, perguntavam-se os esfomeados hebreus uns aos ou­
tros. Ninguém sabia. Mas, como todos faziam a mesma pergunta, a es­
tranha cobertura leitosa do solo foi chamada de “maná” (em hebraico
antigo, manna significa “que é isto?”, conforme se vê em Êxodo 16:15,
31). O Senhor prometera a Moisés “fazer chover comida do céu” (Êxo­
do 16:4) e a comida chegara. Os israelitas errantes colheram o maná to­
dos os dias durante seus quarenta anos de perambulação pelo deserto.
No primeiro dia em que o maná apareceu, Moisés recomendou ao
povo colher a quantidade suficiente para o consumo diário da família
- não mais - e confiar em que o Senhor faria chover outro tanto na
manhã seguinte.
O maná tinha gosto de mel. Lembrava a semente de c e n tro , com
a consistência da bolacha. E mais: saciava a fome daqueles andarilhos
perdidos no deserto. Coisa estranha, quem tentava guardar uma quan­
tidade maior para os dias seguintes ficava desapontado. Todo exce­
dente não consumido no dia da colheita apodrecia já na manhã
seguinte. Estoque de maná é paradoxo.
Como o sétimo dia da semana era de repouso para os israelitas,
não se permitia nenhum trabalho manual. Portanto, nada de colher
maná no sábado. O maná não consumido até o fim do dia ficava fer­
vilhante de vermes na manhã seguinte, mas, em se tratando do sexto
dia, isso não acontecia. Moisés permitiu aos israelitas que colhessem,

34
no sexto dia da semana, “orvalho judaico” suficiente para dois dias. E,
é claro, na manhã do sábado ele estava tão fresco e gostoso como se
tivesse sido colhido na hora. Esses curiosos prazos de validade tor­
nam o maná ainda mais intrigante. As condições atmosféricas dos dias
de semana é que o faziam apodrecer tão depressa? Ou o maná colhi­
do no sábado continha alguma substância química que retardava sua
deterioração e repelia os vermes?
O maná era muito nutritivo. Homens, mulheres e crianças so­
breviveram bem ingerindo esse substituto do pão. Mas seria mesmo
um alimento milagroso? Considerando-se que aqueles dois milhões de
escravos nunca tinham se aventurado pela região, como sabiam que
não se tratava de um fenômeno natural das plagas desérticas? Talvez
fosse uma mistura de umidade e partículas de plantas nativas que ro­
tineiramente cobria o chão. Bestas selvagens do deserto talvez hajam
vivido desses flocos matinais por milhares de anos. Mas, e quanto a
chamá-los de “alimento do céu”? Não será isso um pouco presunço­
so? Criaria Deus uma comida especial, de que nunca se ouvira falar,
para uma multidão de nômades sem-teto?
Pois aí é que está: criou. Garantira que faria chover pão do céu -
e fez. Esse pão celeste, caído lá do alto, manteve toda uma nação nô­
made de pé quando sua sobrevivência parecia ameaçada. E Deus con­
tinuou a alimentar assim os hebreus até o dia em que eles entraram na
Terra Prometida (ver Josué 5:12).

Você poderá saber mais sobre o maná lendo os livros de Moisés. Comece com
Êxodo 16.

35
A ARCA PERDIDA

O que aconteceu ao objeto mais sagrado de Israel?

Em 1981, o filme Os Caçadores da Arca Perdida fez furor entre os ci­


néfilos. Narra as aventuras de um intrépido arqueólogo que tira a Ar­
ca da Aliança dos nazistas mal-intencionados, mas acaba perdendo-a
de novo. Embora totalmente fictício, o filme reanimou o interesse por
um dos mais intrigantes mistérios dos últimos dois mil anos - a saber,
o que aconteceu ao objeto mais sagrado de Israel.
É impressionante como um caixote de madeira de acácia, me­
dindo aproximadamente 1,20 m x 60 cm, possa ter inspirado tanto
temor e reverência. Acontece que esse caixote era a Arca da Aliança:
ficava no Santo dos Santos, o santuário interior do templo de Deus.
Construída quando os hebreus ainda eram nômades no deserto, a Ar­
ca constituía a peça central do culto de Israel. Nela estavam guarda­
das as duas tábuas do Decálogo (os Dez Mandamentos), um vaso de
maná (o alimento consumido pelos israelitas durante sua longa mar­
cha até a Terra Prometida) e a vara de Aarão (que facilitara os milagres
no Egito e provocara o êxodo). Por muitos anos ela permaneceu no
Tabernáculo, uma vasta tenda que viajara com os hebreus. Mais tar­
de, Salomão instalou a Arca em seu magnífico templo, numa câmara
chamada o Santo dos Santos.
A época exata em que a Arca da Aliança se perdeu continua um
mistério dos mais intrigantes. Muitos acreditam que os babilônios a
destruíram quando saquearam Jerusalém em 586 a.C. Outros dizem
que Sisaque do Egito lhe deu um fim depois de saquear o templo. Mas,
segundo alguns, ela foi escondida em um lugar secreto e ainda existe.
Uma das teorias, sugerida enfaticamente no filme Os Caçadores da
Arca Perdida, é que Sisaque roubou-a e levou-a para o Egito. Infeliz-
mente, nenhuma evidência ou mesmo lenda apoia essa teoria.

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Para certos estudiosos, a Arca está em algum lugar perto de Jeru­
salém, talvez na Jordânia ou na região de Qumran, onde foram en­
contrados os Manuscritos do Mar Morto. Mas, de novo, nada prova
que a Arca tenha sido levada para qualquer desses lugares.
Pretende-se ainda que esteja realmente em Jerusalém, sepultada
numa caverna ou sob as pedras da cidade antiga. Um grupo de judeus
ultraortodoxos acredita que ela se encontra sob o Monte do Templo.
E, no entender de outros, num túnel bem debaixo das ruas.
Talvez a hipótese mais intrigante seja aquela segundo a qual a Ar­
ca foi levada para a Etiópia no tempo de Salomão. Essa hipótese foi po­
pularizada pelo livro The Sign and the Seal: The Questfor the Lost Ark
o f the Covenant, de Graham Hancock, e remonta ao folclore etíope,
que afirma que Salomão teve um filho com a rainha de Sabá. A Etió­
pia é uma das possíveis localizações da terra de Sabá. Rezam as lendas
que esse filho, de nome Menelique, levou a Arca para a Etiópia a fim
de preservá-la. Mas, tal qual sucede com as outras teorias, ninguém
viu a Arca ou forneceu qualquer evidência, além do folclore, de que o
objeto esteja mesmo escondido no norte da África.
Seja como for, a Arca se perdeu. O segundo templo, erigido na
época de Esdras e Neemias, não continha nenhuma imitação ou con­
trafação da Arca. De fato, só houve uma do seu tipo, absolutamente in­
substituível.
Teria a Arca sobrevivido? Poderá ser descoberta em algum ponto
sob as areias do deserto do Oriente Médio?
Se você passar por Axum, no norte da Etiópia, ouvirá que a Arca
está bem-guardada e fora de vistas na igreja de Maryam Tsion. É o que
contam os habitantes da região. Nenhum outro povo ou lugar diz co­
nhecer seu paradeiro.

Para acesso direto a informações sobre a Arca, ver Êxodo 25, Josué 3, 1 Samuel
4 e 1 Crônicas 13.

37
A Arca da A liança A ssociada a M ortes Misteriosas
C a so C ir c u n s t â n c i a R esu lta d o

Eli e sua família Eli, juiz e sacerdote, não Seguiu-se uma série de
(1 Samuel 4:4-22) conseguiu refrear o desastres, cada qual
comportamento detestável relacionado de algum modo
de seus filhos, Hofni e à Arca e todos acabando em
Fineias. Os dois rapazes morte. Hofni e Fineias
também eram sacerdotes, levaram a Arca para o
mas se valiam do posto para campo de batalha supondo
extorquir dinheiro e que os protegeria. Bem ao
favores. contrário, morreram ambos
às mãos dos filisteus e a
Arca foi capturada. Ao
ouvir isso, Eli caiu da
cadeira e quebrou o
pescoço. Sua nora entrou
imediatamente em trabalho
de parto ao saber que a
Arca se fora. Também
morreu pouco depois.

C a so C ir c u n s t â n c i a R esu lta d o

Os filisteus Depois de capturar a Arca, O triunfo transformou-se


(1 Samuel 5:1-6:18) os filisteus comemoraram a em horror quando uma
vitória e instalaram a Arca peste sobreveio. Esta se
no santuário de seu deus espalhou a tal ponto que a
Dagom. Arca teve de ser transferida
para dois outros locais, com
os mesmos resultados.
“Os que não sucumbiram
ficaram cobertos de
pústulas; e o clamor da
cidade subiu até o céu” (1
Samuel 5:12). Tão ansiosos
estavam os filisteus para
pôr fim à pestilência que
colocaram a Arca num
carro e fizeram os animais
levá-la de volta a Israel.

38
C a so C ir c u n s t â n c ia R esu lta d o

Setenta homens de Bete- O povo de Bete-Semes Os homens de


Semes (1 Samuel 6:19-20) rejubilou-se ao saber que a Bete-Semes decerto sabiam
Arca estava de novo em do castigo por contemplar a
Israel. Mas setenta curiosos santidade de Deus
cometeram o erro de espiar (Números 4:2 0 ). Ninguém
para dentro da Arca. pode ver Deus e continuar
vivo. Por isso, os setenta
morreram.
C a so C ir c u n s t â n c i a R esu lta d o

Uza (2 Samuel 6:6-7) 0 rei Davi transportava a Uza ignorou todas as


Arca para Jerusalém num advertências para não tocar
carro de bois. Durante a na Arca. Era a morada santa
jornada, os animais de Deus e não podia ser
tropeçaram e um homem poluida por mãos humanas.
chamado Uza correu a Uza morreu imediatamente.
amparar a Arca.

ENGOLIDOS VIVOS

Conspiradores, fogo, terremotos e peste.

A terra começou a tremer. Devagar, os hebreus foram se afastando das


tendas pertencentes a Coré, Data e Abirão, erguidas no deserto. Os
homens tinham saído para fora e ali estavam com suas esposas e filhos
quando, de súbito, o chão se abriu debaixo deles. A terra escancarou
sua bocarra e os engoliu com famílias e bens. Gritando, desceram vi­
vos para o túmulo voraz.
Tomados de medo, os outros hebreus fugiram para suas próprias
tendas. Mas então, vindo não se sabe de onde, um fogo furioso devo­
rou mais 250 deles. A fumaça e o cheiro de carne queimada enchiam
o ar. Por que isso aconteceu? Segundo as Escrituras, aqueles israelitas

39
nômades fizeram a mesma pergunta que fazemos hoje: “Por que Deus
feriu essas pessoas?”
Um dia antes da tragédia, Coré, Data e Abirão haviam desafiado
Moisés e Aarão. Acusavam os dois de se colocarem acima do resto do
povo, comandando-o como sumos sacerdotes cheios de empáfia. Se­
gundo os rebeldes, qualquer homem tinha o direito de se aproximar de
Deus e dos objetos sagrados do Tabemáculo, em pé de igualdade. Es­
se era até um direito de todos. Agora, porém, esses inimigos do status
quo e seus seguidores estavam mortos. O povo se encolhia de medo,
lembrando as palavras de Moisés, que ainda lhes soavam aos ouvidos:
“Amanhã cedo o Senhor mostrará quem pertence a ele e quem é san­
to” (Números 16:5). E com efeito, de manhã, a terra escancarara sua
bocarra e engolira vivos Coré, seus comparsas e suas famílias.
As pessoas, irritadas, comentavam a catástrofe. Por que aquelas
pessoas tiveram de morrer? Que haviam feito de errado? Mas censu­
rar Moisés e Aarão, desafiando a autoridade divina, só trouxe mais
horrores: logo depois, uma peste devastava o acampamento e matava
mais gente ainda. Quando cessou, as doze tribos de Israel tinham si­
do dizimadas. Os corpos em decomposição foram empilhados bem
longe das tendas. Todos tinham um pai, uma mãe, um irmão ou uma
irmã entre as vítimas da peste.
Quem se apressa a concluir que aquelas pessoas sucumbiram à
cólera de um Deus intempestivo ignora a paciência com que o povo
hebreu fora tratado. Os israelitas viram as pragas que arruinaram o
Egito sem os tocar; contemplaram o mar Vermelho fechar-se sobre os
exércitos egípcios que os perseguiam; e tinham comida e água todos
os dias, servidas por um Deus extremoso. Buscando apenas o prazer
e o conforto, sempre se afastavam da orientação divina. O juízo de
Deus pode, pois, ser considerado como a punição severa, mas justa,
da revolta insensata.

Para mais informações sobre a rebelião de Coré, ver Números 16.

40
O VENENO DA VÍBORA

Serpente de bronze fa z curas milagrosas.

As cobras, em geral, são mais esguias que as pessoas - mais lentas,


mais curtas e não tão inteligentes. Ainda assim, nós temos mais me­
do delas do que elas de nós. Essa é boa! Diante de uma cobra, todos
logo cedem o passo!
Na Bíblia, uma serpente meteu os primeiros humanos na maior
enrascada. Mas, numa reviravolta de causar espanto, os israelitas, em
seus anos de deserto, foram salvos de uma invasão de cobras veneno­
sas... por uma cobra de bronze! O símbolo daquilo que as pessoas mais
temiam tomou-se sua escapatória do veneno da víbora. Como pôde
uma serpente feita de metal diluir o veneno ainda no sangue da vítima?
Alguns dos mistérios da Bíblia podem ser explicados pelas leis da
natureza, mas esse parece desafiar todas elas. Substâncias químicas le­
tais, circulando pelo corpo da pessoa, não podem ser alteradas por
uma simples visão, seja lá do que for. Entretanto, nós talvez não este­
jamos vendo bem a coisa aqui. O mais empedernido cientista duvida­
rá acaso da estreita e pela maior parte inexplicável conexão entre a
mente e o corpo? Pacientes de câncer ouvem que o riso, a alegria e o
lazer estão relacionados a índices maiores de sobrevivência. Os efei­
tos de doenças neurológicas são curiosamente postergados por uma
atitude mental positiva. Não sabemos como nem por quê, mas algu­
ma coisa nos bastidores vincula nossas crenças ao modo como nosso
corpo reage ao micróbio dentro de nós. Nesse caso, parece claro que
um antidotozinho “extra” ajudava o corpo daqueles que obedeciam a
Moisés e miravam a serpente de bronze: quem olhava, vivia.
Os fatos falam por si mesmos. Sabemos que Moisés orou e de-
pendurou a serpente num poste (Números 21:7-9). O milagre da pre-

41
ce e da fé é a única explicação para a cura das vítimas. Assim, talvez
possamos levar a sério o intento do autor de Números: Deus realizou
um grande milagre entre seu povo.
Mas, esperem: há mais. Por estranha que pareça a prescrição, con­
vém lembrar que Deus sempre tem um propósito em mente. Olhar
uma cobra dependurada num pau talvez não faça muito sentido - mas
funcionou. Séculos depois Jesus diria, aludindo a esse acontecimen­
to: “E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que
o Filho do homem seja levantado” (João 3:14). A remissão dos peca­
dos ocorre quando olhamos para Jesus, acreditando que ele nos sal­
vará.

Para mais detalhes sobre a terapia de desintoxicação dos israelitas, ver Núme­
ros 21:4-9.

B A L A Ã O E A JUMENTA

Ordens do céu pela boca de um animal.

Olhando para além do Jordão, o rei Balaque via os israelitas cobrindo


toda a paisagem até onde sua vista alcançava. Ele tremeu de medo.
Balaque, rei de Moabe, estava aterrorizado com os israelitas por cau­
sa das notícias que recebera há pouco. O rei Seom, dos amorreus, e o
rei Ogue, de Basã, haviam sido varridos da face da terra. Os israelitas
tinham acabado com eles; ninguém sobrevivera.
E agora, aquele mesmo povo estava acampado às margens do Jor­
dão, bem perto de sua própria gente. Brigar com os israelitas não pa­
recia uma boa ideia; eles eram muito fortes. Balaque se perguntava o
que mais podia funcionar. Os israelitas, sem dúvida, iriam querer suas

42
terras também. Resolveu, pois, amaldiçoá-los, mas precisava de ajuda.
Talvez a maldição de um velho profeta enfraquecesse os inimigos e
lhe desse a vitória!
Balaque conhecia um homem chamado Balaão. Algumas pessoas
o consideravam profeta; outras, feiticeiro. Mas, pelo que Balaque sa­
bia, Balaão tinha poderes mágicos. Tudo quanto ele abençoava pare­
cia melhorar a olhos vistos. E quem ele amaldiçoava, ia de mal a pior.
Balaque tinha de trazê-lo para amaldiçoar os israelitas e por isso en­
viou alguns nobres, com as bolsas repletas de dinheiro, com ordens de
convencer o homem a vir até ali e rogar uma praga nos invasores.
Semanas depois os mensageiros de Moabe voltaram - sem Balaão.
Balaque não pôde acreditar! Mandou então outros fidalgos, mais dis­
tintos que os primeiros, a fim de persuadir o velho profeta a compa­
recer. Iam com um lembrete do rei: “Que nada te impeça de vir em
meu auxílio. Pagarei bem e darei o que pedires. Mas comparece e
amaldiçoa esse povo para mim!” (Números 22:16-17). Dessa vez, o
homem veio. Balaque, porém, estava furioso com a demora e não no­
tou o estranho comportamento de Balaão.
Balaque levou o distinto ancião para o alto de um morro, de on­
de podiam ver, lá embaixo, o extenso acampamento dos israelitas. E
ficou esperando ansioso a maldição, a maldição que iria arruinar aque­
le povo. Mas, quando o profeta abriu a boca, dela saíram apenas pa­
lavras de bênção. Balaque não acreditou no que ouvira. “Que fizeste
comigo?”, bradou. Mas mesmo assim não desistiu.
Balaque levou Balaão para outro cume de onde também podiam
ver os israelitas. E, de novo, mal Balaão abriu a boca, palavras de bên­
ção ecoaram. Pela terceira vez, de outra colina, Balaão abençoou os
invasores - exceto que, dessa vez, aproveitou para amaldiçoar Moabe!
Balaque, furioso, não entendia nada. O que é que Balaão estava fa­
zendo? Toda vez que Balaque repreendia o velho profeta, ele replica­
va: “Transmitirei apenas a mensagem que o Senhor puser em minha
boca.”

43
Que acontecera ao velho profeta de Canaã? Balaão não queria
confusões com Deus, pois, a caminho para amaldiçoar os israelitas,
sua leal jumenta começara a se portar de maneira muito estranha. Saiu
da trilha para um campo próximo, espremeu o pé de Balaão contra o
muro de uma vinha e até se estirou no meio da estrada. Animais des­
ses costumam ser teimosos, mas a jumenta de Balaão nunca fizera coi­
sa igual! Todas as vezes, Balaão agiu como age qualquer dono de uma
montaria que empaca: bateu-lhe repetidamente para obrigá-la a an­
dar. Mas, quando a espancava pela terceira vez, aconteceu algo incrí­
vel: o bicho começou a falar-lhe! “Que te fiz para merecer essas três
surras?”, perguntou a jumenta.
Balaão ficou perplexo. Um animal falante? Mas então viu uma
coisa ainda mais estranha: um anjo ameaçador, de espada em punho.
A voz do anjo soou como o estrondo do trovão: “Três vezes a jumen­
ta me viu e desviou-se; do contrário, eu certamente teria te matado,
poupando-a” (Números 22:33). A jumenta salvara a vida de Balaão.
Reconhecendo que pecara, Balaão seguiu de bom grado as ins­
truções do anjo: “Vai com estes homens, mas diz apenas o que eu te
mandar dizer.”
E quanto à jumenta falante? Obra de Deus, o Criador. Ele quer
que sua mensagem seja ouvida - não importam os meios.

Para mais informações sobre Balaão e sua jumenta, ver Números 22-24.

M en sa g eir o s M is t e r io s o s

Segundo Hebreus 13:2, muitas pessoas conversam com anjos sem sa­
ber. Isso certamente é verdadeiro no caso de diversas personagens da
Bíblia. Ao longo da história, Deus se valeu desses “mensageiros miste­
riosos” para transmitir palavras de esperança, vida e morte a seu povo.

44
P esso a V is it a d a M o t iv o R e f e r ê n c ia

Hagar Essa antiga serva de Sara foi visitada Gênesis 16:7-13;


duas vezes por anjos: uma, quando 21:14-19
fugiu da crueldade de Sara e outra,
quando ela e seu filho Ismael foram
expulsos por Abraão e Sara.

Abraão Três homens, dois dos quais Gênesis 18; 22:11-18


eram anjos e o terceiro talvez o
próprio Deus, apareceram para
garantir a Abraão que ele teria um
filho com sua esposa, apesar de
serem ambos velhos. Outro anjo lhe
apareceu mais tarde no monte Moriá a
a fim de impedi-lo de sacrificar o filho.

Ló Dois anjos foram mandados para des­ Gênesis 19:1-29


truir as cidades de Sodoma e Gomorra.
Ele e as filhas foram salvos. A esposa se
transformou numa estátua de sal.

Jacó Viu um anjo do Senhor num sonho Gênesis 31:10-13;


com bodes malhados. Mais tarde, 32:22-32
lutou com um homem misterioso, que
lhe deslocou o quadril e mudou seu
nome para Israel. O homem era o
próprio Deus em forma de anjo.

Moisés 0 anjo do Senhor apareceu a Moisés Êxodo 3:2-4:17


numa sarça ardente.

Balaão Foi convocado por Balaque, rei de Números 22:21-35


Moabe, para amaldiçoar os israelitas.
No caminho, um anjo bloqueou-lhe o
passo, mas ele não o percebeu até sua
jumenta começar a falar.

Israelitas Um anjo foi enviado para advertir os Juizes 2:1-5


israelitas sobre as consequências de
sua rebeldia.

Gideão O anjo do Senhor foi mandado a Gideão Juizes 6:11-24


para instá-lo a combater os midianitas.

45
P esso a V is it a d a M o t iv o R e f e r ê n c ia

Manuã Um anjo apareceu primeiro à sua Juizes 13:2-25


mulher até então estéril, para comunicar-
lhe que concebería Sansão. 0 anjo
apareceu de novo a Manuá, a quem
confirmou a promessa.

Davi Sua desobediência induziu Deus a 2 Samuel 24:15-17;


enviar um anjo para espalhar a peste 1 Crônicas 21:12-30
entre o povo. Setenta mil pessoas
morreram.

Elias Um enfraquecido Elias é visitado por 1 Reis 19:5-7


um anjo que lhe traz comida e bebida.

Ezequias O anjo do Senhor extermina 185 mil 2 Reis 19:34-35


homens no acampamento assírio e
assegura a vitória contra Senaqueribe,
rei da Assíria.

Daniel Declarou que um anjo fechara a boca Daniel 6:22;


dos leões quando ele fora jogado às feras. 8:15-27; 9:19-27;
Mais tarde, recebeu várias vezes a visita 10:1-12:13
de um mensageiro chamado Gabriel, que
Deus enviou para interpretar as visões de
Daniel sobre o fim dos tempos.

José Viu anjos em três sonhos decisivos: o Mateus 1:18-24;


primeiro recomendou-lhe que desposas- 2:13-23
se Maria, o segundo insistiu com ele
para levar o Menino para o Egito e o
terceiro lhe deu garantias de segurança.

Mulheres Um anjo foi mandado para remover a Mateus 28:2-7


pedra do sepulcro de Jesus. Ali mesmo,
disse às mulheres que Jesus ressuscitara.

Zacarias O anjo Gabriel apareceu a Zacarias para Lucas 1:11-20


anunciar-lhe que ele e a esposa teriam
um filho na velhice.

Maria O anjo Gabriel apareceu a Maria para Lucas 1:26-38


anunciar-lhe que ela teria um filho,
Jesus.

46
P esso a V is it a d a M o t iv o R e f e r ê n c ia

Pastores Primeiro um anjo, depois uma hoste Lucas 2:8-15


deles, apareceram aos pastores
proclamando o nascimento do Salvador
e informando onde ele podia ser
encontrado.
Apóstolos Dois anjos conversaram com eles depois Atos 1:6-11
que Jesus subiu aos céus, dizendo-lhes
que ele voltaria no futuro do mesmo
modo como o tinham visto partir.

Apóstolos Foram presos por pregar, mas um anjo Atos 5:17-20


os libertou do cárcere.

Comélio Comélio, o bom gentio, viu e ouviu um Atos 10:3-8


anjo.

Pedro Foi libertado da prisão por um anjo. Atos 12:1-11.

Paulo Estando Paulo num navio prestes Atos 27:21-26


a naufragar, um anjo lhe apareceu
garantindo que todos a bordo se
salvariam.

47
X
V O C Ê S A B IA ?

Quem eram os nicolaítas?


Em Apocalipse 2:6, Jesus louva os cristãos de Éfeso por odia­
rem as más ações dos nicolaítas. Ameaça mesmo recorrer à “es­
pada de [sua] boca” (Apocalipse 2:16) - uma metáfora para
“castigo” - contra esse grupo em Pérgamo. Mas quem eram os
nicolaítas? Ninguém o sabe ao certo, mas o Apocalipse nos for­
nece algumas pistas. Cristo associava esse grupo ao profeta pa­
gão Balaão, que no tempo de Moisés um rei inimigo contratara
para amaldiçoar os israelitas. Mais tarde Balaão incentivou as
mulheres moabitas a seduzir os varões de Israel (Números 25:1-
4; Apocalipse 2:14). Hoje, muitos estudiosos concordam em que
os nicolaítas, fossem quem fossem, provavelmente incentivavam
a imoralidade sexual e a idolatria entre os primitivos cristãos.
Segundo o Apocalipse, o grupo conheceria todo o peso da ira
de Deus.

M ONTES DE BÊN ÇÃ O S, M ONTES DE M ALDIÇÕES

A ordem de um grande profeta moribundo.

Mirrado e enfraquecido, o idoso Moisés falou à assembléia das tribos


de Israel. Sua voz, embora nitidamente fraca, ainda ressoava com a
autoridade que ele detivera por décadas. Pouco antes, convocara o po­
vo de Israel para uma grande reunião. Todos sabiam que algo de mui-

48
to importante iria acontecer - mas o quê? Para dramatizar o episódio,
lá estava o exército de seguidores ao lado de Moisés. Pela primeira
vez, os anciãos de Israel se juntavam publicamente ao profeta en­
quanto ele pregava à nação.
Moisés tinha pouco tempo para concluir sua obra na terra. Com
cerca de 120 anos de idade, sabia que não poria os pés na Terra Pro­
metida. Mas receava que o povo recaísse na desobediência, como já
havia acontecido tantas vezes durante a jornada de quarenta anos pe­
lo deserto. Assim, instruiu-o a se lembrar de Deus em sua nova terra
por meio de uma cerimônia complicada e um tanto misteriosa.
Quando cruzassem o Jordão e entrassem na Terra Prometida, os is­
raelitas deveriam parar e recordar as palavras de Deus. Para tanto,
amontoariam grandes pedras no monte Ebal, cobrindo-as com arga­
massa. Os chefes gravariam a lei (provavelmente um resumo) nas pe­
dras como lembrete visível das exigências de Deus para uma vida santa.
Assentadas as pedras, o povo comemoraria e oferecería sacrifícios.
Terminada a festa, uma pomposa cerimônia assinalaria a tomada
de posse da nova terra. Moisés ordenou que as tribos se reunissem
perto de duas montanhas depois de cruzar o Jordão. As tribos de Si-
meão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim iriam para o sopé do mon­
te Gerizim e anunciariam bênçãos para o povo; as tribos de Rúben,
Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali se juntariam diante do monte Ebal
e rogariam pragas sobre os que violassem a lei divina. O próprio ce­
nário condizia com as mensagens: Ebal era árido e escarpado, mas Ge­
rizim, logo ao sul de Ebal, apresentava-se coberto de árvores e rica
vegetação rasteira.
Entre as tribos, no fértil vale de Siquém, Moisés instruiu os levi-
tas (sacerdotes e líderes espirituais da nação) a encabeçar o povo nes­
te grande ato de advertência: eles deveriam recitar uma série de doze
maldições dirigidas àqueles que desobedecessem, talvez numa alusão
simbólica às doze tribos de Israel. No entanto, para quem obedecesse
à lei, Deus prometia bênçãos. O povo colheria safras abundantes, man-

49
teria os inimigos a distância e seria sempre próspero. O acordo com­
provava o amor de Deus e os povos vizinhos teriam medo dos israeli­
tas (ver Deuteronômio 28:10).
Dadas as últimas instruções, Moisés apresentou Josué como o no­
vo lider de Israel. E pouco depois morreu, tendo tido um vislumbre,
do alto de uma montanha, da terra onde nunca entraria. Mas o povo
de Israel estava realmente disposto a acatar suas derradeiras reco­
mendações?
Na verdade, sim. Depois que os israelitas assolaram as fortalezas
de Jerico e Ai, pertencentes aos cananeus, Josué reuniu uma grande as­
sembléia no local designado por Moisés. As enormes pedras do altar
foram empilhadas e Josué fez gravar nelas a lei. Depois, no que deve
ter sido um espetáculo assombroso, seis tribos se apinharam diante
do monte Gerizim e as outras seis diante do monte Ebal. Entre elas
marchavam os levitas, carregando a Arca da Aliança. Josué leu as bên­
çãos e as maldições para todos os presentes, que acolhiam cada uma
delas com um “amém”. Assim, as ordens do moribundo Moisés fo­
ram cumpridas.
Por espetacular que possa ter sido, a cerimônia das bênçãos e
maldições tinha um objetivo muito simples: imprimir na mente dos is­
raelitas a importância de seu pacto com Deus. Como o povo desco­
briría no período anárquico dos juizes, que se seguiu à morte de Josué,
as maldições vinham logo depois dos pecados: as pessoas só lhes es­
capavam quando, lembrando-se de Deus, voltavam-se para ele.

Para mais detalhes sobre a cerimônia das bênçãos e maldições, ver Deuteronômio
27-28. Para saber como Josué cumpriu as ordens de Moisés, ver Josué 8:30-35.

50
O VALE DE FOGO

Que crimes inomináveis eram cometidos numa ravina perto de Jerusalém?

Sacrilégio e morte eram os ritos praticados em honra dos deuses pa­


gãos no vale de Ben-Hinom. Os atos repulsivos perpetrados nesse fa­
moso local incluíam andar sobre brasas e a prática mais horrenda dos
sacrifícios de crianças. Nesta última, os primogênitos eram queimados
para pacificar as cruéis divindades pagãs Quemos e Moloque.
Gehenna (Geena) é a forma helenizada do nome do vale de Ben-
Hinom, uma ravina ao sul de Jerusalém onde eram conduzidos rituais
de morte pagãos. Um santuário dedicado aos deuses moabitas e amo-
nitas existia outrora no vale, que era a fronteira entre Judá e Benja­
mim.
Arqueólogos bíblicos juntaram pacientemente as peças para saber
o que acontecia no Geena. Como um vale aprazível, tão perto do cen­
tro religioso de Israel, veio a se tornar cenário para alguns dos piores
excessos do paganismo? Por que tão poucos se recusaram a práticas
flagrantemente perversas? Quão disseminado era o culto? Quantas
pessoas perderam a vida naqueles tempos abomináveis? As respostas
continuam vagas.
A lembrança dos horrores do Geena permaneceu ao longo das
gerações. A palavra se tornou sinônimo de lugar de tormentos, prefi-
gurando a doutrina do inferno. Por fim o rei Josias deitou abaixo os
altares e as relíquias do culto idólatra. Entretanto, o profeta Jeremias
advertiu que nos últimos dias o vale de Ben-Hinom se tornará o Vale
da Matança, onde os bichos carniceiros se alimentarão das carcaças
de incontáveis mortos. Esse local de indizível maldade será o vale do
Julgamento.

51
O que as pessoas fazem em nome do fervor religioso tem atordoa­
do as mentes modernas. Na época, sem dúvida, quem oferecia sacrifí­
cios humanos achava, de algum modo, que seu ato apaziguaria um deus
enraivecido. Mas, se deixarmos de ser hipócritas e de menosprezar o
comportamento tosco dos povos antigos, reconheceremos que nossa
própria época teve sua quota de sofrimento sem sentido, provocado por
gente civilizada. Os gritos de dor da Geena se repetiram na agonia dos
holocaustos do século XX, cometidos em nome de causas justas.

O Geena é mencionado em diversas partes da Bíblia. Comece o passeio com Jo ­


sué 15:8; 18:16; 2 Reis 23:10; 2 Crônicas 28:3; 33:6; Jeremias 7:31; 32:35.

V O C Ê S A B IA ?

Por que os antigos israelitas sacrificavam seus filhos a Moloque no


vale de Ben-Hinom?

Embora o vale de Ben-Hinom se tornasse depois o lixão de Je ­


rusalém e um símbolo das degradações do inferno, a princípio
era o centro do culto de Moloque, o deus dos amonitas. Um dos
ritos associados ao culto dessa “divindade detestável” (1 Reis
11:5) sempre foi o sacrifício de crianças vivas numa cerimônia
do fogo. De que modo esses inocentes eram sacrificados, não se
sabe. Mas os autores rabínicos judeus oferecem uma pista. Des­
crevem uma série de ritos cujo centro era uma estátua de bron­
ze oca, representando um homem com cabeça de touro. Dentro
dela ardia um fogo furioso, que consumia em segundos as po­
bres vítimas lançadas em sua goela mortífera. Numa linguagem
clara e vigorosa, a lei de Moisés condenava essas práticas hor­
rendas (ver Levítico 18:21).

52
O EXÉRCITO DE GIDEÃO

Trezentos homens dominam um poderoso exército midianita.

O sol se pôs e a escuridão desceu sobre a terra. De repente, na área


montanhosa que ladeava o vale, mil luzes flamejaram, como se fogos
flutuantes houvessem descido do céu num halo homogêneo. E en­
quanto os midianitas pasmavam, cada vez mais assombrados, as trom-
betas soaram com uma ferocidade que fez tremer a terra! À frente de
um exército numeroso como as areias do mar, os midianitas jamais
esperariam a terrível matança que se seguiu.
Ouviram então um grito em uníssono: “Uma espada para o Se­
nhor e para Gideão!” Sim, devia ser o rumor de um milhão de guer­
reiros. Temendo ter sido cercados, os midianitas se puseram a fugir
em pânico. Na confusão crescente, sacaram das espadas e voltaram-se
uns contra os outros, destruindo-se pelas próprias mãos.
Gideão saíra a campo com 32 mil homens. No entanto, Deus que­
ria que os israelitas dependessem dele para a vitória, não de sua pró­
pria força. A maioria foi dispensada porque tremia de medo. Os dez
mil restantes foram testados pelo modo como bebiam água! Quem se
ajoelhava para beber diretamente da corrente era mandado embora.
Mas aqueles que recolhiam a água na concha das mãos e a sugavam
com a língua foram mantidos no exército: apenas trezentos.
E foram eles que contemplaram, fascinados, o inimigo destroçar-se
pelas próprias mãos no vale abaixo. Seu Deus, o Deus de Israel, lhes de­
ra a vitória naquele dia por meio de Gideão. Ao contrário do que pensa­
vam as pessoas lá no vale, apenas trezentos hebreus estavam postados nas
colinas. Gideão deu a cada um deles uma trombeta e um jarro vazio com
uma tocha dentro. Em seguida, dividiu o exército em três seções de cem
soldados cada. Ao seu comando, eles soaram as trombetas, quebraram os

53
jarros, ergueram as tochas acima da cabeça e emitiram juntos um brado
ensurdecedor. A estratégia magistral de Gideão paralisou e aterrou os
midianitas, garantindo uma grande vitória para seu povo.

Ver Juizes 6-7 para uma narrativa completa da vitória.

M A LD IÇÃ O PARA O TIRANO

Sobrevivente de massacre prediz queda de governante assassino.

Através da névoa a mulher, na torre, não tirava os olhos de Abimele-


que, lá embaixo. Ele e seus homens haviam assediado e tomado a ci­
dade, motivo pelo qual a população se refugiara na torre, trancara a
porta e subira para o teto. Mas, ao se aproximar da alta torre com seus
homens a fim de tomá-la de assalto, Abimeleque foi subitamente deti­
do. Seu escudeiro, bem ao lado, não acreditou no que sucedera. A mu­
lher da torre havia arremessado um bloco de pedra redondo, desses
que se usavam para moer trigo. A pedra caíra no lugar certo no mo­
mento exato. Acertou Abimeleque em cheio, rachando-lhe a cabeça.
Nos últimos minutos de agonia, Abimeleque pediu ao escudeiro
que lhe desse com a espada o golpe de misericórdia, pois assim mor­
rería honrosamente - não pelas mãos de uma mulher, mas de um sol­
dado. Abimeleque, rei de Israel, líder dos habitantes de Siquém, estava
morto! “Foi a praga de Jotão”, bradou um israelita ao ouvir os cida­
dãos comentar a súbita e triste morte de Abimeleque. O povo todo da
região vivia se perguntando se a praga de Jotão, lançada três anos an­
tes, se realizaria mesmo. Abimeleque era seu rei! Porém, no prazo de
três dias, dividira a nação com batalha após batalha. Agora estava mor­
to, vítima de um acidente grotesco.

54
Três anos antes, Jotão amaldiçoara seu meio-irmão mais velho,
Abimeleque, porque ele matara seus 69 meios-irmãos - só Jotão es­
capara. O sangue ainda secava nas rochas do cenário do crime quan­
do, a alguns quilômetros dali, os cidadãos de Siquém e Bete-Milo se
juntaram para coroar Abimeleque!
As notícias da vitória de Abimeleque sobre os filhos de Gideão
haviam se espalhado por Siquém. O povo se reuniu para reconhecer-
lhe a força e a esperteza. Todos achavam que ele seria um grande rei
para Israel. Ninguém se igualava a ele em poder. Mas, naquele dia fa­
tídico, uma voz se fez ouvir do monte Gerizim. Era Jotão, o último dos
filhos de Gideão. Com cólera e amargura, Jotão amaldiçoou Abimele­
que e os cidadãos de Siquém: “Se, hoje, agistes de boa fé e honrosa­
mente para com Gideão e seus descendentes, rejubilai-vos com
Abimeleque e que Abimeleque se rejubile convosco. Mas se não agis­
tes de boa fé, saia fogo de Abimeleque e consuma os cidadãos de Si­
quém e Bete-Milo; e dos cidadãos de Siquém e Bete-Milo, saia fogo
que consuma Abimeleque!” (Juizes 9:19-20).
Três anos depois, a cidade foi destruída pelo fogo e Abimeleque
pereceu. Coincidência ou justiça divina? Sequência trágica de acon­
tecimentos sem nenhuma relação entre si ou cumprimento da praga
rogada contra Abimeleque? A última observação sobre Abimeleque
no livro dos Juizes parece não deixar espaço para o debate: “Assim,
pois, se realizou a maldição de Jotão, filho de Gideão” (Juizes 9:57).

Para mais informações sobre a maldição de Jotão e a vida violenta de Abimele­


que, ver Juizes 9.

55
O VOTO DE JEFTÉ

Um israelita mataria sua filh a única?

Quando as portas de sua casa se abriram, o rosto de Jefté ficou para­


lisado de horror. Sua filha única correu para saudá-lo, dançando e to­
cando um pandeiro. Nesse instante ele percebeu que coisa horrenda
fizera: teria agora de matar sua filha! Gritou, angustiado: “Vós me des­
truístes completamente! Atraístes sobre mim a catástrofe! Pois fiz um
voto ao Senhor que não posso revogar.” Que voto seria esse?
Naquela manhã Jefté, grande guerreiro e juiz em Israel, fizera um
voto a Deus: estava prestes a conduzir seu exército contra os amonitas e
pediu ao Senhor que lhe desse a vitória, prometendo ofertar-lhe a pri­
meira criatura que aparecesse na porta de sua casa para saudá-lo quando
regressasse em triunfo. Fosse quem fosse a criatura, seria oferecida em
holocausto. O Deus de Israel ensinara ao povo que, quando um homem
faz uma promessa, não deve quebrá-la. Consequentemente, parece certo
que Jefté sacrificou sua única filha a Deus. Mas a ambiguidade persiste.
Imolar crianças a divindades pagãs é parte do abominável regis­
tro de algumas religiões antigas. Os amonitas sacrificavam seus filhos
ao vingativo deus Moloque para apaziguá-lo. O Deus dos israelitas,
porém, não gostava dessas práticas. Proibiu-as explicitamente em sua
lista de instruções à nação hebraica (ver Levítico 18:21). Em Gênesis,
o Senhor apelou para o conceito de sacrifício humano a fim de testar
Abraão. Pediu-lhe que imolasse seu único e longamente esperado fi­
lho, Isaque. Mas estava apenas pondo à prova a fé e a obediência de
Abraão. Deteve-o e o sacrifício não se consumou (ver Gênesis 22).
Então por que o Deus de Israel, um Deus de amor e compaixão,
exigiria o cumprimento do voto de Jefté? Este sacrificou mesmo sua
única filha em holocausto? Fato surpreendente, ela não reagiu com

56
raiva ou medo ao saber da promessa. Disse apenas: “Pai, se fizeste um
voto ao Senhor, faze também o que garantiste que farias, pois ele te
deu uma grande vitória sobre nossos inimigos, os amonitas. Mas, pri­
meiro, concede que eu passeie pelos montes e chore com minhas ami­
gas por dois meses, pois morrerei virgem” (Juizes 11:36-37).
Diz a Bíblia que Jefté fez com a filha o que prometera fazer. Ela
morreu virgem. Entretanto, os estudiosos discutem se a jovem foi mes­
mo sacrificada. O Deus de Israel não subscrevería um voto baseado
numa prática infame. Talvez ela permanecesse virgem pelo resto da
vida, o que era uma espécie de morte para a família, uma vez que ne­
nhum filho herdaria o nome de Jefté. E por que a moça teria um pra­
zo de dois meses se o motivo do sacrifício era, imediatamente, festejar
e dar graças a Deus pela vitória de Jefté?

Para mais informações sobre Jefté e sua filha, ver Juizes 11.

CIDADE FANTASMA

Por que uma antiga e próspera cidade fo i amaldiçoada?

Em tempos recentes, temos visto cidades e aldeias sendo evacuadas e


demolidas por causa da poluição do solo. Mas uma cidade antiga foi
abandonada e arrasada por causa de sua contaminação espiritual.
Jerico caiu (literalmente) nas mãos dos israelitas quando Josué,
obedecendo às ordens do Senhor, empreendeu sua famosa marcha de
sete dias em tomo de suas muralhas. Estas ruíram ao som das trom-
betas e a própria cidade foi destruída. Josué prometeu então que quem
tentasse reconstruí-la seria amaldiçoado: “Lançará os alicerces ao cus­
to de seu primogênito; instalará as portas ao custo de seu filho mais
novo” (Josué 6:26).

57
Essas palavras não demoveram Hiel de Betei, que durante o rei­
nado depravado do rei Acabe tentou reerguer a grande cidade cana-
neia. A praga de Josué, porém, feriu-lhe a família com precisão mortal:
seu primogênito, Abirão, e seu filho mais novo, Segube, faleceram en­
quanto a cidade era reconstruída.
Por que amaldiçoar tão estranhamente uma cidade conquistada,
com grande potencial econômico e já então em mãos israelitas? O po­
vo poderia muito bem aproveitar-lhe os valiosos imóveis. A que vi­
nha então a ordem rigorosa de deter qualquer progresso?
Alguns estudiosos sugerem que a maldição patenteava a diferen­
ça entre a bênção de Deus para as pessoas que obedeciam a ele e sua
sentença condenatória para aquelas que se rebelavam. Jerico perma­
necería uma pilha de ruínas (embora os israelitas povoassem os arre­
dores) como sinal de que o Senhor que abençoa também amaldiçoa -
grave advertência para aqueles que o ignoravam.
Se hoje você percorrer a bacia do rio Jordão e descer do nível do
mar até o sítio da antiga Jerico, verá um monte, embora não de pedras
e sim de terra.

Saiba mais sobre Jerico e sua maldição em Josué 6. Sobre o destino dos filhos de
Hiel, em 1 Reis 16:34.

A FORÇA IMPRESSIONANTE DE SA N SÃ O

Qual era o segredo do seu form idável poder?

Se você precisasse de um acompanhante, guarda-costas ou amigo pa­


ra percorrer uma rua escura, Sansão seria a pessoa indicada. Dono de
uma força lendária, enfrentava leões com as mãos nuas, destroçava
inimigos arrogantes e punha para dormir regimentos de mil homens
brandindo apenas uma queixada de burro. Seu último ato de força

58
bruta foi deitar abaixo um templo de pedra valendo-se dos músculos
do tórax. Sansão não era imortal; as pedras que esmagaram os filisteus
ali presentes esmagaram-no também. Mas pessoa alguma, antes ou
depois dele, igualou-o na fúria incontida. Segundo as Escrituras, a
fonte desse poder sem igual era o próprio Deus.
Os halterofilistas podem desenvolver um sistema muscular vigo­
roso e bem-definido, mas não são nada perto de Sansão. Certamente,
ele dispunha de algo diferente - talvez uma constituição genética ra­
ra, combinada com uma enorme força de vontade e uma insuperável
autoconfiança. Mas isso explica seus feitos extraordinários? Conside-
re-se ainda que seus pais, depois de um encontro inesperado com um
anjo, dedicaram a vida de Sansão ao serviço de Deus. Educaram-no se­
gundo os ditames da seita nazirita, o que significava, entre outras coi­
sas, não cortar o cabelo.
As proezas físicas de Sansão, porém, nem sempre eram louváveis.
Ele às vezes se mostrava impulsivo e vingativo, não raro escolhendo
más companhias. A confiança que depositou na pérfida Dalila o per­
deu. Alguma coisa em seus longos cabelos estava relacionada à sua
força: um barbeiro seria, para Sansão, o que a criptonita era para o
Super-Homem. Sansão não podia explicar isso (quem poderia?), mas
não ignorava que um corte de cabelos faria dele um fracote. E foi exa­
tamente isso que Dalila providenciou. Atraiu-o para junto de seus ini­
migos e manobrou para que ele fosse preso e cegado. Sansão
permaneceu prisioneiro até a morte - dele e de centenas de filisteus
- , quando destruiu o templo de Dagom com as próprias mãos.
O mistério permanece. Como pode um homem ter tanta força? E
qual é a ligação entre as proteínas do cabelo de uma pessoa e o vigor de
seus deltoides? No final das contas, podemos concluir com o autor de
Juizes que Deus deu a Sansão tal força incrível para poder usá-lo para
seus propósitos.

Para mais informações sobre a vida aventurosa de Sansão, ver Juizes 13-16.

59
INIMIGOS ÍNTIMOS

Como pode um homem cortar um pedaço do manto do rei sem que este o
perceba?

Numa caverna escura e deserta, em algum ponto da paisagem desér-


tica de Israel, estavam Davi e Saul. No mesmo lugar e na mesma ho­
ra - mas só um deles sabia disso.
Montemos o cenário para esse estranho encontro. Como a popu­
laridade de Davi aumentara depois que dera cabo de Golias, a inveja
do rei Saul crescera a ponto de Sua Majestade não poder sequer ouvir
o nome do rival sem ter um acesso de raiva. Saul partiu com três mil
soldados para encontrar Davi e matá-lo. Entrementes Davi, agora um
fugitivo caçado, reunira à sua volta cerca de outros quatrocentos pros-
critos como ele.
Com a tensão aumentando, Davi fugiu para o deserto e Saul lhe
foi no encalço. Um dia, o caçador ficou perto da caça, sem o perceber.
Para escapar aos batedores do rei, Davi e seus homens se esconderam
numa caverna. Logo depois, por sorte ou necessidade premente, Saul
enveredou pela mesma caverna em busca do banheiro. Davi se apro­
ximou de mansinho o bastante para cortar um pedaço da barra do
manto real de Saul - prova de que poderia ter matado o rei, mas não
o fizera.
Por que Davi não acabou logo com o tirano que estava transfor­
mando sua vida num inferno? O profeta Samuel já não ungira Davi co­
mo o próximo rei de Israel? Seus homens insistiam para que tomasse
uma decisão drástica. Vamos lá, mate Saul e suba ao trono! Davi se re­
cusou. Ele sabia que um assassinato daria início a um ciclo de crimes
e vinganças como nas nações ímpias. E também tinha grande respei­
to pelo cargo de Saul, quando não pelo próprio homem.

60
Depois que Saul foi embora, Davi se sentiu pesaroso. Sim, pode­
ría ter matado o homem que o queria matar, mas estava satisfeito por
ter se contido. No entanto, envergonhara o rei. Por isso, estando Saul
ainda ao alcance da voz, gritou-lhe através do vale e pediu-lhe des­
culpas. O rei fez o mesmo. Desse modo, um encontro casual parece ter
sido a base de uma proposta de trégua.
Mas vamos e venhamos: como puderam esses dois inimigos ficar
quase encostados um ao outro na mesma caverna escura, em pleno
deserto de Engedi? E, ainda mais intrigante: por que Saul não se deu
conta disso?

Para saber mais sobre esse estranho encontro, ver 1 Samuel 24.

A PA RÁ BO LA DO PROFETA

Uma história comovente fa z rei arrogante se arrepender.

“Você é o homem!” O profeta sublinhou cada palavra com igual ênfa­


se enquanto apontava o indicador para o peito do rei. Davi, pálido de
medo, engoliu em seco. Seu coração disparava. Esmagado pela culpa,
caiu de rosto em terra num gesto de arrependimento abjeto. Essa era,
na verdade, uma estranha reação da parte de um homem que, minutos
antes, pronunciara um julgamento farisaico contra um vilão fictício.
O dia de Davi começara como tantos outros. O rei beijou a mu­
lher e o filho recém-nascido para depois se dirigir à sala do trono, on­
de recebería os convidados. O secretário informou-o de que, entre
eles, estava um profeta sem papas na língua. Davi não se encontrava
com Natã há muito tempo e isso era ótimo para ele. A consciência o
espicaçava desde seu caso com Bate-Seba, uma jovem casada cujo ma-

61
rido, Urias, morrera depois disso. Davi não sabia ao certo quantas pes­
soas estavam a par dos sórdidos detalhes de sua relação adúltera e das
manobras de despistamento que empreendera. Esperava que Natã não
fosse um daqueles que tinham ouvido as fofocas do palácio.
Quando Natã foi anunciado, Davi ignorava que ele iria desfiar
uma longa história. O profeta começou falando de dois homens ao
rei, que era todo ouvidos. Um, rico; o outro, muito pobre. Este e a fa­
mília possuíam um cordeiro de estimação que amavam e tratavam co­
mo se fosse um parente. O bichinho até se sentava no colo do dono
da casa, à mesa, para petiscar as migalhas. O rico tinha grandes reba­
nhos, mas, ao receber a visita de um amigo de outra cidade, tomou o
cordeiro do pobre e matou-o para o jantar.
O rei, ele próprio pastor, ficou chocado ao ouvir tamanha injus­
tiça. Interrompeu Natã e exigiu que o ricaço fosse severamente puni­
do. E nessa altura é que o profeta de olhos de aço olhou direto para
Davi e anunciou: “Você é o homem!”.
Num instante, a tentativa de Davi de racionalizar o pecado co­
metido no ano anterior ruiu como um castelo de cartas. A história de
Natã deixou de ter graça. Era uma parábola com o poder de reflexão
de um espelho. Com efeito, a mulher que ele vira de seu terraço era
esposa de um homem menos rico e influente que ele. Davi tinha mui­
tas mulheres e concubinas; Urias tinha uma só, sua esposa, Bate-Se-
ba. Davi, porém, cedera à luxúria e seduzira Bate-Seba. E ao saber que
ela estava grávida de um filho seu, dispôs para que Urias fosse man­
dado para a linha de frente da batalha, onde seguramente morrería.
A morte de Urias não foi a única fatalidade nesse estranho episó­
dio. Depois que Natã colocou Davi contra a parede, o filho adulteri-
no de Davi com Bate-Seba também faleceu.
Como pôde Davi não perceber o paralelo entre a história do pro­
feta e a sua própria até o desfecho? Como conseguiu viver consigo
mesmo, por um ano, sabendo que pecara contra o seu Deus? O adul­
tério em si não fora tudo. A tentativa de encobri-lo e o assassinato em

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primeiro grau enxovalharam sua reputação moral. No entanto, Davi
orou humildemente, pedindo perdão, e seu arrependimento sincero
mostrou por que Deus o chamara “um homem conforme o meu co­
ração” (Atos 13:22).

Leia a história diretamente em 2 Samuel 11-12. A prece de confissão e arrepen­


dimento de Davi, no confronto com Natã, está no Salmo 51.

A VISITA D A RAINHA

Quem era a visitante real tão impressionada com o poder e a sabedoria de


Salomão?

No início de seu reinado, Salomão, filho e sucessor do rei Davi, já go­


zava de uma reputação como poucos na história: era sábio e encanta­
dor! Tão óbvia era a sua sabedoria que delegações estrangeiras
viajavam léguas para confirmar as histórias que tinham ouvido nas
rotas de caravanas ou lido nos comentários dos colunistas interna­
cionais especializados em fofocas. Um desses visitantes foi a miste­
riosa rainha de Sabá.
De sua verdadeira identidade, a ciência e a arqueologia ignoram
quase tudo. Talvez viesse do Iêmen, onde rainhas eram fato corri­
queiro. E talvez fosse sábia ela própria, ávida por confirmar sua sabe­
doria em confronto com a do rei de Israel. Dizer que a rainha de Sabá
ficou impressionada é muito pouco: ela ficou absolutamente encan­
tada e Salomão não escondeu que a aura da visitante o fascinava.
A lenda etíope entra em cena onde a arqueologia termina. Segundo
um relato tradicional, o primeiro grande rei dessa parte do mundo foi um
filho de Salomão, Menelique I, fruto da visita oficial da rainha. Conheci-

63
da como rainha Maqueda, essa mulher notável voltou do seu passeio por
Jerusalém cheia de presentes e grávida, o que condiz bem com os privi­
légios reais de Salomão, conforme se vê em 1 Reis 11:1. Reza também a
tradição que Menelique visitou Jerusalém aos 22 anos de idade, para
aprender as Escrituras e levar a fé judaica para o seu reino emergente.
Tradições reais às vezes são difíceis de provar e igualmente difí­
ceis de crer. Mas sabemos que uma mulher rica, poderosa e curiosa
empreendeu certa feita uma longa jornada para confirmar pessoal­
mente a reputação de outro jovem governante e voltou convencida de
que seus méritos estavam à altura dos boatos que ouvira. Só não sa­
bemos quem - exatamente - ela era!

Para mais detalhes sobre a rainha de Sabá, ver 1 Reis 10.

O EN G AN O DO PROFETA

Mentiras e um leão arruinam um homem de Deus.

A tarde era calma. O sol poente lançava sombras estranhas sobre o ca­
minho de Betei. A aldeã se perguntava qual era o motivo de todo aque­
le silêncio; e, quando dobrou a curva, parou tomada de susto. Um frio
lhe percorreu a espinha: bem à sua frente estava um dos maiores leões
que jamais vira. Mais aterrorizante ainda, a fera se postava ao lado de
um homem morto e de um jumento. Não devorara o jumento nem
estraçalhara o homem! Incitada pelo medo, a mulher voltou corren­
do o mais rápido que podia à cidade. Seus gritos foram ouvidos por to­
da a Betei enquanto ela contava os detalhes do bizarro acontecimento.
Ali perto, um velho profeta olhou apreensivo para seus filhos e
pediu-lhes que selassem a montaria. Ele tinha certeza de conhecer o

64
morto - um homem de Deus que comera pão em sua casa naquele
mesmo dia. Foi, pois, até o local descrito pela aldeã e viu o leão, o ju ­
mento e o cadáver. Que acontecera?
Naquela manhã, a vítima entrara no templo, em Betei. Todos os
olhares se voltavam para o grande rei Jeroboão, prestes a fazer um sa­
crifício a dois bezerros de ouro - sacrifício profano a ídolos no altar
do Deus de Israel. Assustando a todos em volta, o homem de Deus
gritara, condenando Jeroboão pela vileza do seu ato: “O Senhor deu
um sinal: este altar se fenderá e a cinza que nele houver se derramará
pelo chão” (1 Reis 13:3). Com os olhos faiscando de indignação hi­
pócrita, o rei ordenou: “Peguem o homem!”. Mas, ao estender a mão
para o homem, ela secou; os dedos se encurvaram grotescamente pa­
ra dentro e ele não conseguia recolhê-la. Nesse instante o altar se fen­
deu e a cinza se derramou. Abrandando a cólera, Jeroboão implorou
ao profeta que intendesse para que Deus o curasse. O homem orou pe­
lo rei e este voltou ao normal. Visivelmente aliviado, Jeroboão convi­
dou o profeta para almoçar com ele. Mas o profeta recusou, dizendo:
“Ainda que me desses metade do que tens eu não iria contigo. Não co­
merei nem beberei nada neste lugar, pois Deus me ordenou: Enquan­
to ali estiveres nada comerás nem beberás; e não voltes a Judá por
onde foste” (1 Reis 13:8-10). Assim, tomou outro caminho para casa.
Os filhos de um profeta idoso que morava em Betei estavam no
templo nesse dia. Correram a contar ao pai os feitos espantosos do es­
tranho e tudo quanto dissera ao rei. O velho profeta, talvez descon­
fiando da integridade do mais novo, selou a montaria e foi ao seu
encontro. Faminto e sedento, o homem de Deus descansava sob uma
árvore. O velho profeta se aproximou e disse: “Vem até a minha casa
e come alguma coisa.” O homem de Deus recusou, repetindo o que de­
clarara ao rei. Mas o velho insistiu: “Eu também sou profeta.” E men­
tiu: “Um anjo transmitiu-me esta ordem do Senhor: Leva-o para tua
casa a fim de que coma e beba.” Convencido, o homem de Deus acom­
panhou-o.

65
À mesa, o velho profeta bradou: “Desafiaste a palavra do Senhor
e desobedeceste à sua ordem. Voltaste aqui para comer e beber quan­
do ele te proibiu de fazê-lo. Por causa disso, não repousarás no jazigo
de teus ancestrais.”
Logo depois que o homem de Deus partiu, um leão saltou sobre
ele e matou-o. Mas por quê? Uma explicação: ele não levou a sério a
advertência que lhe fora dada e se deixou convencer muito facilmente
pela lábia do velho profeta. A falta de discernimento foi a sua ruína.
O velho profeta recolheu então o cadáver do infeliz e depositou-
o em sua própria tumba. E, numa demonstração de afeto, determinou
a seus filhos que, quando morresse, deveria ser sepultado ao lado do
homem de Deus.

Para mais detalhes sobre essa morte intrigante, ver 1 Reis 13.

P ro feta s V itim a d o s

Profetas agredidos, espancados e decapitados: não se pode afirmar


que ser mensageiro de Deus fosse tarefa fácil, especialmente quan­
do a mensagem não era bem-vinda. Eis o que alguns porta-vozes
de Deus padeceram.

P o rta - v o z e M a u s- T r a to s R e f e r ê n c ia

A rainha Jezabel queria matar todos os profetas de 1 Reis 18:3-4


Deus. Cem deles foram se esconder em duas cavernas.

Depois de vencer a disputa com os maus profetas e matá-los, 1 Reis 19:1-3


Elias fugiu para salvar a vida, pois a rainha Jezabel ameaçava
dar cabo dele.

O profeta Mica foi esbofeteado, preso, encarcerado e alimentado 1 Reis 22:10-28;


com pão e água apenas suficientes para mantê-lo vivo 2 Crônicas 18:12-27
após dar ao mau rei Acabe notícias desagradáveis.

O profeta Eliseu foi ridicularizado por ser careca. 2 Reis 2:23-24

66
Hanani foi encarcerado por recriminar os pecados do rei Asa. 2 Crônicas 16:7-10

O profeta Zacarias foi executado no pátio do templo 2 Crônicas 24:20-22


Depois de censurar o povo de Judá por ignorar Deus.

O profeta Urias foi retalhado até a morte com uma espada e Jeremias 26:20-23
enterrado em local secreto por censurar os pecados de Judá.

O profeta Jeremias foi preso e atirado num poço de Jeremias 37:1-38,13


lama por predizer a ruína de Jerusalém.

João Batista foi decapitado a pedido da filha de Mateus 14:6-12


Herodias, que queria ver sua cabeça numa bandeja.

FO GO DO CÉU

Profeta corajoso vence culto pagão.

Os corpos sem vida dos sacerdotes pagãos estavam empilhados ao aca­


so no sopé do famoso monte Carmelo, em Israel. A disputa termina­
ra com a derrota dos profetas de Baal. Um solitário homem de Deus
chamado Elias fora vingado. Mas o que acontecera? Horas antes, no
alto da montanha, milhares de pessoas se juntaram a convite do rei pa­
ra presenciar a luta do século: Elias contra 450 profetas de Baal!
O desafio de Elias era simples. Uma oferenda seria apresentada a
cada divindade - a Baal e depois ao Deus de Israel. Uma única proi­
bição: nada de pedras-de-fogo ou tochas. O fogo que consumiría o sa­
crifício teria de vir das respectivas divindades. A coisa parecia
impossível, mas ainda assim os dois lados aceitaram o desafio.
O povo se juntou, sob uma atmosfera de excitação. Mas assistir
aos profetas de Baal pedir e implorar durante horas a seu deus foi fi­
cando aborrecido. Por mais meticulosamente que recitassem seu ri­
tual, por mais apaixonadamente que gritassem, por mais cruelmente

67
que a si próprios se dilacerassem, nada acontecia. Nada. O sol cruzou
por cima de suas cabeças... e nada. O único momento excitante da
tarde inteira foi quando Elias mofou: “Tereis de esgoelar com mais
força.” O sol ia desaparecendo no horizonte - e nada. Os exaustos e
embaraçados sacerdotes de Baal foram desistindo um por um.
Era a vez de Elias. Seu altar de pedra estava pronto. À ordem do
profeta, o animal morto foi borrifado com água fresca. Depois que o
altar todo ficou molhado, Elias clamou ao Deus de Israel. Súbito, um
ruído ensurdecedor encheu os ares. O fogo caiu do céu. A vítima, o al­
tar de pedra e tudo à sua volta foram consumidos num instante. Só
restou uma pilha enegrecida. Os espectadores, de olhos arregalados,
contemplavam-na com espanto.
Que aconteceu naquele dia? Seria o caso de uma combustão es­
pontânea? Muito improvável. Objetos molhados não pegam fogo sem
mais nem menos. Teria um raio caído no local? Um raio sem dúvida
provocaria o incêndio, mas não consumiría as pedras do altar. Além
de tudo, não havia uma única nuvem no céu. A terra amargava uma
seca há meses.
Os espectadores do incidente decerto ficaram convencidos de que
somente Deus poderia ter executado aquela façanha.

Para mais detalhes sobre esse acontecimento espetacular, ver 1 Reis 18.

X
ELIA S, CORREDOR DE NÍVEL INTERNACIONAL

Como pôde um profeta vencer na corrida uma parelha de cavalos?

Quem consegue correr mais que cavalos uma distância de cerca de 30


quilômetros após um dia árduo de trabalho sob o sol? O nome desse

68
homem nos traz a imagem de um gigante grisalho, teimoso e de voz
áspera, que não brinca com a verdade. Realmente, entre todos os an­
tigos profetas, Elias enfrentou os maiores desafios e tratou com os
mais recalcitrantes líderes políticos. Um desses líderes foi Acabe,
apoiado e instigado (alguns diriam trazido em rédea curta) por sua
astuciosa esposa Jezabel.
Num grande espetáculo no monte Carmelo, Elias desafiara 450
sacerdotes pagãos, o exército religioso de Acabe, a chamar o fogo do
céu sobre uma vítima sacrificial. Os sacerdotes cantaram e oraram, li­
teralmente dilaceraram os próprios corpos e dançaram em frenesi, mas
nenhum fogo cósmico apareceu. Então Elias orou, mas, para drama­
tizar ainda mais a cena, primeiro borrifou a carcaça com água. Deus
ouviu a prece do fervoroso profeta e o fogo desceu do céu, consu­
mindo a carcaça e o altar sobre o qual ela estava. Nenhum dos sacer­
dotes sobreviveu ao incidente.
Abalado para além das medidas, Acabe subiu ao carro e correu pa­
ra Jezreel, a cerca de 30 quilômetros dali. Não bastasse o extermínio
de seus sacerdotes, uma forte tempestade estava prestes a acabar com
a seca do século e, o que de imediato mais o preocupava, atolar as ro­
das do seu carro do mesmo modo que a lama iria mais tarde deter o
exército de Hitler na Rússia. Todos corriam para casa, exceto Elias,
que ficou sem condução.
Mas esperem. De cima do carro, Acabe podia ver o profeta à sua
frente. A pé. Andando. Correndo. Galopando. Que diabos seria aqui­
lo? Elias chegaria a Jezreel antes dos cavalos velozes de Acabe e dele
é que Jezabel ouviria as más notícias!
Feitos prodigiosos de força e resistência sempre nos impressio­
nam, principalmente quando pessoas comuns superam nossas maio­
res expectativas humanas. As limitações que impomos ao desempenho
dos homens são deitadas abaixo, para nosso espanto. Pensava-se que
ninguém poderia correr um quilômetro e meio em quatro minutos -
mas alguém correu!

69
O que impulsionou Elias naquela tarde proveio da mesma fonte
de energia que incendiara o altar. Em ambos os casos, não deveria ter
acontecido - mas, em ambos os casos, aconteceu.

Para mais detalhes sobre a corrida de Elias, ver 1 Reis 18.

O PROFETA V O A D O R

Como Elias entrou no céu?

Muito antes que as pessoas imaginassem ser possível aeroplanos de­


colarem do chão, um homem, segundo se diz, entrou voando no céu.
Foi uma abdução por extraterrestres? Conhecería Elias a física do des­
locamento aéreo milhares de anos atrás?
Eis os fatos: quando Elias, um dos mais famosos profetas de Is­
rael, estava prestes a morrer, transferiu seu manto esburacado ao dis­
cípulo e amigo Eliseu, e despediu-se dele.
Num dia quente, por volta de 848 a.C., Elias testou seu substitu­
to sugerindo que o jovem profeta ficasse para trás enquanto ele ia a Be­
tei em obediência às instruções do Senhor. Mas Eliseu queria ficar
com Elias. Pressentia que algo de extraordinário estava para aconte­
cer. Só não sabia o quê.
Elias pôs-se então a caminho. Mergulhou seu manto no Jordão e
separou as águas. Os dois atravessaram juntos. Trocaram poucas pa­
lavras. Eliseu, talvez um tanto nervoso, aguardava o sinal do que es­
tava por vir.
E o que veio foi um carro de fogo, descido do céu. Numa lufada
quente e rodopiante de vento, em meio aos trovões, o carro vazip^ar­
rebatou Elias e sumiu com ele. Tapando a boca com o manto e colo­
cando as mãos em pala sobre os olhos, Eliseu ainda tentou acompanhar

70
seu mestre com a vista. Mas, em segundos, tudo voltou ao normal - nu­
vens lá no alto, céu azul e sol de verão, como em qualquer outro dia.
Que acontecera a Elias? Como pudera subir ao céu sem o recur­
so da moderna aeronáutica?
Sabemos que o ar tem peso e que a chamada força de gravidade
obriga os objetos mais pesados que ele a permanecer perto da terra. Sa­
bemos também que, com o combustível e a propulsão na medida certa,
objetos mais pesados que o ar, como os “jumbos”, podem desafiar a gra­
vidade enquanto o combustível permanecer queimando e as hélices do
avião continuarem girando. Teria Elias algum conhecimento de aerodi­
nâmica, com a qual seus contemporâneos ainda mal sonhavam?
Que espécie de física explicará o voo inusitado de Elias? O veí­
culo, em forma de carruagem, obviamente não estava preso à lei da
gravidade. Impulsionado por alguma força desconhecida na época, le­
vou o profeta para o céu. Essa engenharia é notável. O carro aberto
não só viajou à velocidade da luz como tinha direção certa, guiado
por uma força inteligente invisível.
Eliseu afirmou que essa força invisível era o Deus de Israel. Deus
em pessoa arrebatara à sua morada celeste o virtuoso profeta. A rea­
ção de Eliseu foi dar graças ao Senhor. Voltou para casa como um ho­
mem diferente - um homem capacitado por Deus a seguir as pegadas
de Elias na condição de profeta, com poder para realizar feitos ex­
traordinários.

Para mais informações sobre a espantosa viagem de Elias, ver 2 Reis 2.

71
A RAINHA DO CÉU

Por que o projeta Jerem ias denunciou essa deusa?

Quem era a Rainha do Céu? Chamavam-na às vezes Istar, deusa do


amor e da fertilidade, identificada na mitologia com Vênus, a mais lu­
minosa das estrelas. Fiéis adoradores achavam que suas preces à rai­
nha lhes garantiriam bem-estar material. E algumas dessas preces, sem
dúvida, pediam que ela os ajudasse em seus devaneios românticos e
casos amorosos.
Embora a Bíblia deplore o culto dessa deusa, nós realmente sa­
bemos muito pouco sobre o assunto. Uma coisa, porém, sabemos: a
Rainha do Céu era reverenciada em várias sociedades do Oriente Pró­
ximo. (Alguns estudiosos sustentam que o culto de Istar prefigurou o
de Diana de Éfeso, bastante conhecido por Paulo.) Aparentemente,
floresceu em judá na época do profeta Jeremias, homem que nunca se
interessou por dinheiro ou mulheres.
As pessoas, em todas as épocas, inventam deuses para atender às
suas necessidades básicas. As da antiguidade se preocupavam muito
com comida, por isso suas divindades se encarregavam de condições
fora do controle humano como a chuva, o sol, as pragas e as doenças.
A procriação era essencial para a sobrevivência da tribo; assim, deu­
ses e deusas da fertilidade surgiam para garantir que ela fosse bem-su­
cedida. Em muitas culturas, o sincretismo - a mistura de tradições
religiosas - tornou-se prática comum, com conquistadores e con­
quistados partilhando os mesmos sistemas de crenças. Tais práticas,
porém, eram proibidas em Israel, que desde os tempos de Moisés fo­
ra instruído nestes termos: “Não farás para ti imagem de escultura,
nem semelhança alguma do que há nos céus, na terra ou no mar ...
pois eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus ciumento” (Êxodo 20:4-5).

72
O culto à Rainha do Céu simbolizava a escuridão que logo co-
briria Judá. Enquanto o culto prosperou, a nação caiu em mãos de vi­
zinhos mais fortes - primeiro o Egito, depois a Babilônia. Quando
Jeremias escreveu sua mensagem, o fim estava próximo. O rei Joa­
quim se rebelou contra os babilônios e, por algum tempo, conseguiu
manter o inimigo a distância. Seu sucessor, Zedequias, não teria tan­
ta sorte. Em seu reinado, Nabucodonosor conquistou e pilhou Jeru­
salém, mandando para o exílio a maior parte de seu povo. Segundo
Jeremias, o culto à deusa misteriosa provocou diretamente a invasão
de Israel pelos ferozes e sanguinários babilônios.

Para mais informações sobre o culto à Rainha do Céu, ver Jeremias 7:18; 44:17-
19,25.

BA BILÔ N IA , ENTÃO E A G O RA

O que aconteceu ao grande centro internacional de comércio e poder?

Poucas cidades antigas gozaram de tão má reputação ou foram asso­


ciadas a tanta corrupção e perversidade quanto Babilônia. Uma das
maiores aglomerações urbanas do mundo antigo, a capital da Meso-
potâmia, situada ao sul da moderna Bagdá, se tornou o símbolo do
ludibrio satânico e do poder mundial.
Também a origem da Babilônia continua um mistério. A Bíblia
relata que Ninrode construiu um reino na planície babilônica (Gêne­
sis 10:8-10), e essa planície é o local tradicional da Torre de Babel (Gê­
nesis 11:1-9). Sua ascensão ao poder começa a ser mencionada na
história escrita por volta da época do grande rei Hamurabi, o mais co­
nhecido monarca da terceira dinastia da antiga Ur. Os hititas ocupa-

73
ram em seguida o local, depois os assírios. O brutal rei assírio Sena-
queribe destruiu a cidade em 689 a.C., mas seu obstinado filho a re­
construiu. O lugar passa a figurar com destaque na história bíblica ao
tempo de Nabucodonosor (605-562 a.C.) e, mais tarde, durante o rei­
nado do governante persa Ciro.
A grandeza babilônica começou a desvanecer-se depois da mor­
te de Nabucodonosor. Depois de uma série de reis medíocres, a Babi­
lônia foi ocupada pelos medas e persas. Décadas mais tarde,
Alexandre, o Grande, construiu Selêucia nas imediações e a velha
aglomeração foi caindo no esquecimento. Em 200 d.C., Babilônia não
passava de uma cidade fantasma.
E hoje, o que é a Babilônia?
Outrora sede da riqueza e do esplendor, atualmente nada mais é
que um monte de terra, um lugar onde os arqueólogos se reúnem pa­
ra recuperar o que podem, pois o nível do lençol de água é muito su­
perficial. Ruína, montículo ou pilha de lixo, dependendo do ponto de
vista profissional de cada um. Mas seu significado, na Bíblia, ainda
conta a história da perene corrupção dessa cidade: quando os autores
do Novo Testamento tentam descrever a tremenda confusão que será
o mundo antes da volta de Jesus Cristo, usam o nome “Babilônia” -
uma cidade de perversão, crime e perfídia - como um exemplo.

Para mais informações sobre Babilônia, ver Jeremias 25, o livro de Daniel e Apo­
calipse 18.

74
V O C Ê S A B IA ?

$•>
Que terra é essa cuja identidade continua intrigando estudiosos e
leigos?

No livro do Gênesis (ver 10:2), a terra de Magogue é vinculada


a Meseque e Tubal, regiões perto da atual Turquia. Magogue apa­
rece muito nas visões de Ezequiel e João, mas sua localização
exata ainda é um mistério. Ezequiel parece usar as palavras Go-
gue e Magogue como metáfora para grandes exércitos que, des­
cendo do norte, invadirão Israel no final dos tempos (ver
Ezequiel 38:8). São inimigos sanguinários de Deus (ver Ezequiel
38:14-23). Essas referências geográficas induziram alguns auto­
res e oradores populares, durante a Guerra Fria, a equiparar Go-
gue e Magogue à União Soviética. O Apocalipse, menos
específico que Ezequiel, aplica os nomes Gogue e Magogue às
pessoas enganadas por Satã, sempre prontas a cumprir-lhe as or­
dens (ver Apocalipse 20:8).

O Q U A RTO H O M EM

Que figura misteriosa se juntou a três prisioneiros condenados numa fo r­


nalha acesa?

Chamas escapavam da boca da fornalha, à espera dos três prisionei­


ros condenados a uma morte horrível. O rei, ainda furioso pela inso­
lência daqueles homens, ordenara o suplício. Embora a fornalha já
estivesse quente o bastante para matar qualquer coisa viva atirada lá
dentro, Nabucodonosor ordenara que ela fosse aquecida sete vezes

75
mais que o usual. Depois, mandou que seus soldados mais robustos
amarrassem Sadraque, Mesaque e Abednego, os três homens de pé à
sua frente. Presos por fortes cordas, foram arremessados ao inferno.
A fornalha estava tão quente que incinerou os soldados encarre­
gados de jogar os três homens lá dentro. Então, o rei Nabucodonosor
levantou-se de um salto! Aos gritos, perguntou a seus conselheiros:
“Não atamos os três e os jogamos no fogo? ... Vejo agora quatro ho­
mens soltos, andando entre as chamas sem se queimar! E o quarto pa­
rece um deus!” (Daniel 3:24-25). Os conselheiros, perplexos,
apertavam os olhos. Sim, sem dúvida, três homens passeavam pela
fornalha... e havia um quarto com eles!
Mais cedo, naquele mesmo dia, Nabucodonosor ordenara que mi­
lhares de pessoas se reunissem em Babilônia para a dedicação do ído­
lo de ouro. Com quase 30 metros de altura por 3 de largura, a enorme
estátua se alteava sobre o povo. Nabucodonosor mandou que todas as
tribos e nações das mais variadas línguas se prostemassem e adorassem
a imagem dourada. Quem não o fizesse seria imediatamente jogado na
fornalha. Todos, é claro, reverenciaram o ídolo - exceto três homens
que permaneceram de pé em meio à multidão apinhada na planície.
Os três - Sadraque, Mesaque e Abednego - eram judeus que o rei há
pouco nomeara administradores de toda a província da Babilônia.
Surpreso e irritado, Nabucodonosor pensou a princípio que a re­
cusa deles se devera a um mal-entendido. Deu aos homens uma se­
gunda oportunidade de obedecer, mas eles continuaram firmes.
Aceitaram a pena de morte tranquilamente, dizendo: “Se formos atira­
dos às chamas, o Deus a quem servimos nos salvará. Seremos resgata­
dos de teu poder, Majestade. Mas, ainda que ele não o faça, queremos
deixar claro a ti, ó rei, que jamais serviremos teus deuses nem adora­
remos a estátua de ouro que erigiste” (Daniel 3:17-18). Assim, Nabu­
codonosor ordenou que os renegados fossem imediatamente para a
fornalha. Mas eles não apenas sobreviveram como não ficaram sequer
chamuscados. Quando o rei viu isso e notou o quarto homem andan-

76
do em meio às chamas na companhia dos outros, determinou que to­
dos reverenciassem o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego.
Mas a pergunta persiste: quem era o quarto homem? Alguns es­
tudiosos da Bíblia sugerem que talvez fosse um anjo enviado para pro­
teger Sadraque, Mesaque e Abednego. Outros sustentam que era uma
manifestação humana do próprio Deus. Seja como for, Sadraque, Me­
saque e Abednego se tornaram testemunhas duradouras do poder do
Deus de Israel.

Para mais informações, ver Daniel 3.

Grandes L ivramentos
A Bíblia é repleta de histórias de pessoas que foram resgatadas ou livradas
no último instante de circunstâncias perigosas. Como fizeram isso?
Q u em f o i l iv r a d o R e f e r ê n c ia

Noé e sua família escaparam do dilúvio que destruiu a Gênesis 6:1-8,22


terra inteira numa enorme arca.

Graças à advertência de dois anjos, a família de Ló Gênesis 19:1-29


fugiu de Sodoma antes de a cidade inteira ser destruída.

Isaque escapou por pouco da morte quando um anjo Gênesis 22:1-19


deteve a mão de seu pai, impedindo-o de oferecê-lo
como sacrifício humano.

José escapou da morte quando seus irmãos decidiram Gênesis 37:12-36


vendê-lo como escravo em vez de matá-lo.

A família de José escapou de uma grande fome quando Gênesis 42-47


ele lhes proporcionou abrigo e comida no Egito.

Moisés escapou da sentença de morte egípcia contra todos Êxodo 1:1-2:10


os recém-nascidos judeus quando sua mãe o colocou num
cesto e o enviou Nilo abaixo.

Os israelitas escaparam da perseguição dos egípcios quando Êxodo 13:17 -


o Senhor abriu miraculosamente o mar Vermelho para que 14:31
eles passassem.

77
Balaão escapou de ser executado por um anjo graças à Números 22:21
rapidez de raciocínio de sua mula. -38

Davi fugiu dos homens de Saul mandando sua mulher 1 Samuel 19:11
dizer-lhes que estava doente, quando na verdade já -18
ia longe.

O rei Saul escapou de morrer às mãos de Davi quando 1 Samuel 24:


este preferiu cortar-lhe um pedaço da orla do manto. 1-22

Quatrocentos jovens amalequitas escaparam em lombo 1 Samuel 30:


de camelo quando Davi e seus homens apareceram para 1-31
arrasar sua terra.

0 plano de Hamã para matar Mardoqueu não foi adiante Ester 2-7
quando o rei descobriu que Mardoqueu evitara antes
seu assassinato.

Sadraque, Mesaque e Abednego escaparam da morte Daniel 3:1-30


numa fornalha ardente porque Deus os protegeu das
chamas.

Daniel escapou ileso de uma cova de leões porque Deus Daniel 6:1-28
fechou a boca das feras.

Jonas escapou do ventre de um peixe porque Deus fez o Jonas 1:1-2:10


animal vomitá-lo na praia.

Jesus escapou miraculosamente da sanha de uma multidão Lucas 4:14-30


que o queria matar passando na maior tranquilidade pelo
meio dela.

Os apóstolos fugiram da cadeia quando um anjo abriu Atos 5:17-32


as portas da cela no meio da noite.

Paulo fugiu da cidade de Damasco dentro de um Atos 9:21-25


grande cesto descido por uma abertura na muralha.

Um anjo ajudou o apóstolo Pedro a fugir de uma Atos 12:1-19


cela onde estava acorrentado a dois guardas.

O apóstolo Paulo escapou de um atentado quando Atos 23:12-35


seu sobrinho soube da conspiração para matá-lo.

78
A RUÍNA D O PO D ERO SO

Como explicar a loucura do rei Nabucodonosor ?

Ele vagava a esmo pelos campos, dormindo ao relento. Comia grama


como um boi e seu cabelo cresceu como as penas da águia, enquanto
suas unhas ficaram parecidas com as garras do abutre. O que teria le­
vado esse homem a agir assim?
Um belo dia, o poderoso rei Nabucodonosor postou-se na saca­
da do imenso palácio e contemplou a vastidão do seu império - belos
jardins, magníficos templos, luxuosas mansões. Seu coração se en­
cheu de orgulho. Era o reino que ele próprio construíra; era a cidade
que ele próprio edificara. Ah estava o coroamento de sua vida, reple­
ta de grandes realizações.
Enquanto caminhava pela sacada, a predição de um conselheiro
judeu, feita um ano antes, se realizou. Sua sanidade mental abando­
nou-o; sua mente ficou confusa. Nabucodonosor enlouqueceu e pôs-
se a correr desvairado de um lado para outro. Seus hábitos se
deterioraram. Em vez de comer a melhor comida e beber o melhor vi­
nho do império, o rei devorava o que lhe caía nas mãos. Começou a
viver como um animal, chegando mesmo a pastar. Os servos não sa­
biam o que fazer com ele - o homem ficara incontrolável. Por fim Na­
bucodonosor, o grande rei da Babilônia, escorraçado por sua própria
gente, foi viver no mato como um bicho qualquer. Ninguém cuidava
do infeliz. Ninguém lhe aparava os cabelos ou as unhas. Enlouqueceu
completamente.
Qual a causa dessa súbita calamidade? Por que tamanha inver­
são de fortuna? O reino inteiro da Babilônia olhava perplexo para seu
rei, que agora se espojava pelos campos. Mas um judeu calado, de no­
me Daniel, sabia a causa do súbito acesso de insanidade do monarca.

79
Um ano antes, Nabucodonosor ficara perturbado com um sonho
muitíssimo estranho, no qual via uma árvore enorme. Essa árvore era
tão grande que todas as criaturas podiam abrigar-se debaixo dela e da­
va frutos em tal abundância que todas as criaturas se nutriam deles.
Súbito, um anjo aparecia e ordenava que a árvore fosse derrubada,
seus galhos cortados e seus frutos espalhados. Em seguida, anuncia­
va que uma pessoa não identificada passaria a viver como um animal
por sete anos.
O sonho abalou Nabucodonosor. Ele convocou seus conselheiros,
inclusive o quieto e pensativo Daniel. Este logo captou o significado
do sonho. Tanto a árvore quanto a pessoa mencionada pelo anjo eram
o próprio rei. Como a árvore, ele se tornara grande e poderoso, go­
vernando um reino que abarcava quase todo o mundo conhecido.
Mas, como se recusava a reconhecer a fonte do seu poder, Nabuco­
donosor seria “derrubado”. O reino lhe fugiria das mãos por sete anos.
Durante esse tempo, o grande monarca se transformaria num animal,
comendo grama e vivendo nos campos. Um ano depois, a profecia de
Daniel se realizou com espantosa exatidão.
Entretanto, a loucura de Nabucodonosor teve um final feliz. Ele
acabou compreendendo a causa do problema e humilhou-se diante
de Deus. Quando a sanidade lhe voltou, reassumiu suas funções. Deu
graças ao Senhor, a quem reconheceu como “o Soberano dos céus”,
que “vive para sempre e cujo domínio é eterno”.

Para mais informações sobre a loucura e a recuperação de Nabucodonosor, ver


Daniel 4.

80
A ESCRITA N A PAREDE

Dedos misteriosos ameaçam rei babilônico.

Uma mão humana que aparece não se sabe de onde! Os dedos fan­
tasmagóricos começam a escrever na parede do palácio, deixando o rei
paralisado de medo. Ele empalidece, seus joelhos tremem, suas per­
nas se dobram como borracha.
O rei Belsazar e seus nobres convivas olhavam espantados. Ele
não entendia as estranhas palavras, mas o poderoso rei da antiga Ba­
bilônia pressentia que alguma desgraça estava à vista.
No começo da noite, aquelas mesmas paredes ecoavam risos e
música enquanto o rei Belsazar dava uma grande festa para mil con­
vidados, a corte e a família. Quando todos já estavam um pouco altos,
ele ordenou que seus servos trouxessem os vasos de ouro e prata que
seu predecessor, o rei Nabucodonosor, tirara do templo de Jerusalém.
Embriagado e cheio de empáfia, Belsazar deu o exemplo e todos en­
cheram os vasos de vinho, brindando e louvando seus ídolos de bron­
ze, ferro, madeira e pedra.
Mas a festança terminou abruptamente quando uma mão apare­
ceu e rabiscou estas misteriosas palavras na parede: m e n e , m e n e , t e -
k e l , p a r s in . O rei chamou seus quiromantes e astrólogos, mas nenhum

soube traduzir as palavras ou explicar a mão sobrenatural que as es­


crevera. Eles estavam tão assombrados quanto os demais.
Então alguém se lembrou do jovem chamado Daniel, conhecido
por sua habilidade de interpretar sonhos e visões. O rei convocou-o e
pediu que traduzisse a escrita na parede. Daniel acedeu e explicou a
Belsazar o significado das palavras.
De onde viera a mão? Que queriam dizer as palavras e quem as fi­
zera gravar? Estaria a escrita associada à morte do rei, naquela mesma
noite, ou ao fato de os convivas terem bebido nos vasos do templo?

81
Todos, é claro, tinham sua opinião sobre o que acontecera. Mui­
tos achavam que a mão não era real, apenas um produto distorcido da
imaginação toldada pelo excesso de vinho. E quanto à morte do rei
Belsazar naquela mesma noite? Bem, mera coincidência, garantiam
eles. Má sorte! Mas, seria mesmo?
A explicação de Daniel era igualmente assombrosa: como o rei
conspurcara os vasos sagrados e louvara os ídolos, a mão trouxera
uma sentença de Deus.
Disse Daniel a Belsazar: “Mene significa ‘contado’ - Deus contou
os dias de teu governo e pôs-lhe fim. Tekel quer dizer ‘pesado’ - Deus
te pesou na balança e te achou em falta. Parsin é ‘dividido’ - teu rei­
no foi partilhado entre os medas e persas”. Com essas palavras, Daniel
profetizava a queda de Belsazar. Horas depois, o rei era assassinado e
Dario, o Meda, ocupava a outrora poderosa cidade de Babilônia.

Para mais detalhes sobre a escrita na parede e a morte repentina do rei Belsa­
zar, ver Daniel 5.

HO RA DO JANTAR N A COVA DOS LEÕ ES

Como o profeta conseguiu escapar à fo m e das bestas selvagens?

Um dos restaurantes mais famosos do mundo é o Carnivore, em Nai-


róbi, Quênia. Ali, os fregueses degustam um bufê original de zebra, co­
bra, antílope, javali, bode e gazela. O prato mais cobiçado, porém, é a
carne de leão. Talvez porque um leão faminto seja mesmo o “rei da sel­
va”, sua oferta num cardápio evoca uma estranha reviravolta da for­
tuna: o comedor de homens servido assado.

82
Daniel, sob o governo de Dario, o Meda, conquistador da Babi­
lônia, foi ele próprio servido aos leões, numa inversão cruel da cozi­
nha do Camivore. As leis da época proibiam preces a quem quer que
fosse, exceto a Dario. Por orar a Deus, Daniel iria alimentar bestas sel­
vagens nas covas especiais de execução do rei.
Se Daniel estava com medo, inquieto, nervoso ou abalado, isso
não sabemos. Sabemos, porém, que era um homem decidido. Não se
curvava à vontade de ninguém - nem mesmo à do imperador em pes­
soa. Ele continuou a orar ao Deus de Israel, no qual acreditava. Sus­
tentou suas crenças e nunca iria redirecionar suas preces a um homem
que sabia ser tão mortal quanto ele.
Assim, Daniel foi condenado à cova dos leões e a sentença se
cumpriu. Os leões, porém, não molestaram o jovem: ele se sentou ao
lado deles e eles sequer o tocaram. O jantar das feras, Daniel, saiu da
cova no dia seguinte vivo e com boa saúde. Por que os leões resolve­
ram de repente fazer greve de fome?
Esses animais só comem quando estão famintos, nunca por di­
vertimento. Talvez Daniel tenha tido a sorte de chegar durante uma de
suas sestas, quando já estavam fartos. Mas o objetivo de mantê-los na­
quela cova era justamente deixá-los com fome: os antigos gostavam de
ver feras esfomeadas despedaçar os condenados.
A prova de que aqueles leões não comiam há muito tempo é que
trucidaram selvagemente os acusadores de Daniel. Eram, sim, leões
famintos.
Então o que os impediu de devorar Daniel? Ele próprio explicou
tudo ao rei perplexo: “Meu Deus enviou um anjo que fechou a boca
das feras para que me não molestassem, pois fui achado inocente a
seus olhos” (Daniel 6:22).
Daniel viveu ainda alguns anos e nunca deixou de orar a seu Deus.

Para mais detalhes sobre o episódio de Daniel entre os leões, ver Daniel 6.

83
S o b a I n flu ên c ia d o Á lc o o l
Bebidas fermentadas vêm provocando comportamentos bizarros há
séculos. Desde os primeiros dias da história bíblica, os homens pa­
gam o preço de beber demais. Eis alguns dos episódios mais notáveis
de embriaguez pública - com seus trágicos resultados.
B eberrã o S it u a ç ã o C o n s e q u ê n c ia s R e f e r ê n c ia

Noé Embriagou-se com Amaldiçoou Gênesis 9:20-23


o vinho de sua insensatamente o
própria vinha. filho por descobrir-
lhe a nudez.

Ló Desesperadas para Os filhos que essas Gênesis 19:30-38


preservar a família, mulheres tiveram,
suas filhas em­ Moabe e Amom,
briagaram-no e se foram os ancestrais
deitaram com ele dos grandes
para engravidar. inimigos de Israel.

Nabal Teve um ataque Sua oposição ao rei 1 Samuel 25:1-38


após uma noite de Davi e caráter
farra e morreu dez egoísta selaram seu
dias depois. destino.

Unas Embora bêbado, Urias agiu mais 2 Samuel 11:1-27


recusou-se a voltar honrosamente que
para casa e dormir o rei a quem servia.
com a mulher Consternado por
enquanto seus vê-lo se comportar
homens estivessem tão bem (e não
combatendo. permitir, portanto,
que Davi encobrisse
seu adultério com
Bate-Seba), o rei
mandou Joabe
postá-lo na linha de
frente da batalha,
onde Urias tombou.

84
Amnom Bêbado, foi morto A vida descuidada 2 Samuel 13:1-39
pelos homens de de Amnom e o
Absalão em castigo tratamento
por ter violado impiedoso que
Tamar. infligiu à meia-irmã
lançaram as
sementes de sua
ruína.

Ela Esse rei de Israel Sua morte cumpriu 1 Reis 16:8-10


morreu assassinado a profecia feita por
enquanto estava Jeú.
bêbado.

Benadade Esse rei quis beber Malpreparado para 1 Reis 20:1-22


mesmo sabendo que o ataque de Acabe,
a guerra com Israel o exército dos
estava na iminência arameus sofreu
de estourar. pesadas perdas e
recuou.

Xerxes Durante uma Vasti se recusou e Ester 1:1-22


pândega, esse rei foi banida do
ordenou que sua palácio, preparando
esposa Vasti a cena para o
aparecesse aos advento de Ester.
convidados.

Belsazar Embriagado, esse O desrespeito de Daniel 5:1-31


rei usou os vasos do Belsazar para com
templo de os vasos sagrados
Jerusalém para do templo provocou
beber vinho. sua ruína.

85
ENCONTRO N O ALTO D A M O N TAN H A

Quem esteve com Jesus durante a Transfiguração?

Você já viu uma aparição surgir espontaneamente num halo de luz


branca? Pedro, Tiago e João tiveram diante dos olhos o que, no en­
tender deles, só podiam ser fantasmas.
Com o sol ardendo sobre suas cabeças, Pedro, Tiago e João segui­
ram Jesus pelo áspero caminho que conduzia ao topo da montanha.
Daquelas alturas, podiam avistar, lá embaixo, os poucos pastores que
cuidavam de suas ovelhas no vale pedregoso. Jesus se dirigira àquele
local deserto para ficar a sós com seus três amigos mais íntimos. Afas­
tou-se até uma rocha solitária, a fim de orar contritamente. Os discí­
pulos, cansados da escalada, sentaram-se para um curto descanso.
Em questão de segundos, a figura de Jesus foi ficando cada vez
mais brilhante. Pouco depois, estava branca como a luz. Sua face cin-
tilava; mudara por completo. E eis que dois seres luminosos, tão lu­
minosos quanto Jesus, se postaram a seu lado. Eram humanos -
porém, de forma diferente, mais brilhante. Eles conversaram com Je ­
sus por algum tempo, até que uma nuvem cintilante se estendeu por
sobre o alto da montanha. E, dela, veio uma voz: “Este é meu filho
bem-amado. Escutai-o.” E, como num passe de mágica, as figuras de­
sapareceram tão depressa quanto tinham surgido. Lá estava Jesus, co­
mo sempre - com seu manto branco, mas empoeirado.
Os fantasmas são reais? Havia, no passado, pessoas que habita­
vam uma dimensão diferente e faziam visitas especiais à terra de vez
em quando, como nos contos de terror?
Pelo menos no caso desses seres - identificados como Elias e Moi­
sés - , parece que havia. Não foi um replay de vídeo em tempos remo­
tos; os discípulos testemunharam o incidente num dia comum, cerca de

86
dois mil anos atrás. O fenômeno não chegou a impressioná-los muito,
pois eles acreditavam numa vida espiritual além da morte física. Essa
existência celeste que Moisés e Elias ostentaram é sem dúvida diferen­
te da tridimensional a que estamos acostumados. As semelhanças, po­
rém, são gritantes. Eles surgiram como criaturas humanas aos olhos dos
espantados discípulos. Mas as diferenças são talvez ainda mais notó­
rias. Os discípulos não poderíam entender ou mesmo descrever a me­
cânica da vida em outras dimensões. Isso estava além da compreensão
deles, como está além da nossa. Pedro, Tiago e João só conseguiram
descrever aqueles seres celestiais como “maravilhosos”, palavra que, en­
tretanto, é fraca demais para descrever o acontecimento.
Pessoas que viveram no passado visitam a terra frequentemente,
como fizeram Moisés e Elias naquela ocasião? A Escritura parece su­
gerir que essa foi uma manifestação especial das glórias do céu para
benefício dos discípulos. Contudo, o autor de Hebreus nos lembra
que às vezes convivemos com anjos sem nos dar conta disso (Hebreus
13:2). As misteriosas aparições no topo da montanha demonstram um
fato interessante: uma vida de qualidade diversa, pura e luminosa, na
eternidade do paraíso.

Para saber mais a respeito do encontro dos discípulos com os seres celestiais, ver
Mateus 17, Marcos 9 e Lucas 9.

A S SO M BRA S DA CRUCIFICAÇÃO

Como explicar os fenômenos que cercaram a morte de Jesus?

O céu estava agourentamente escuro. O ousado rabi de Nazaré pen­


dia de uma cruz romana entre dois criminosos comuns. Uma multi-

87
dão de curiosos e um punhado de amigos mais íntimos de Jesus ob­
servavam, a distância. Enquanto o controvertido mestre morria len­
tamente, pessoas em diversos pontos de Jerusalém iniciavam seus
preparativos para o sabá tentando entender o que lhes parecia uma
série de circunstâncias à primeira vista desconexas.
Com efeito, do meio-dia às três da tarde daquela terrível sexta-fei­
ra, o céu esteve macabramente escuro. A princípio, pensou-se que era
um eclipse total do sol. Mas, como o fenômeno durou mais de uma
hora, outras explicações foram sugeridas. Cerca de três horas, um le­
ve terremoto rugiu no subsolo. Alguns dos edifícios mais instáveis de
Jerusalém e aldeias vizinhas tombaram. Crianças assustadas abando­
naram seus brinquedos e correram para junto dos pais. Os sacerdotes
reunidos no templo para as preces da tarde gritavam. O espesso véu
que descia do teto e separava o Recinto Sagrado do Santo dos Santos
rasgou-se em dois. E, mais curioso ainda, rasgou-se de alto a baixo.
Boatos começaram a circular pela cidade de que várias lápides
haviam sido deslocadas dos sepulcros. Pessoas mortas há muito tem­
po foram vistas passeando pelas ruas de Jerusalém. Sim, algo estra­
nho estava acontecendo. Mas ninguém sabia explicar o motivo de
tamanha comoção.
Não seria sensato concluir que o terremoto era o responsável pe­
la série de atividades incomuns então observadas? A escuridão do céu
podia ser a consequência meteorológica da colisão de placas inter­
continentais sob a terra. O abalo explicaria também a ruptura do véu
do templo e o deslocamento das lápides nos cemitérios. O medo ge­
rado por um acontecimento tão incomum teria feito o povo agir his­
tericamente e pensar que estava vendo coisas aberrantes - como
mortos caminhando.
Mas, e se os acontecimentos não tiveram nada a ver com o terre­
moto? E se o terremoto foi apenas consequência de um cataclismo
ainda maior? Dar-se-ia o caso de que os estranhos fenômenos dessa
inesquecível sexta-feira estivessem ligados à execução pública em an-

88
damento fora dos limites da cidade? Um centurião, postado ao pé da
cruz onde estava pendurado o rabi, não ficaria surpreso se essa fosse
a verdade. Ele olhava com espanto o supliciado. Este não era um cri­
minoso comum; conhecia-o. E aquela tarde também não era nada co­
mum.
Talvez o rabi não fosse tão insignificante quanto parecia. Talvez
fosse mesmo o que dizia ser. Se, de fato, era o Filho de Deus, sua mor­
te não provocaria necessariamente consequências sobrenaturais?

Tire suas próprias conclusões sobre o que aconteceu naquele dia. Veja Mateus 21-
28, Marcos 15-16, Lucas 22-24 eJoão 19-20.

M ist e r io sa s C o n d iç õ es A t m o sfér ic a s

Trovões, raios, furacões - Deus usou todos esses sinais para mostrar
seu poder ao mundo. Eis um resumo de alguns acontecimentos cli­
máticos extraordinários e sua explicação teológica.

T em po ou 0 Q ue A co n teceu R e f e r ê n c ia

C o n d iç ã o At m o s f é r ic a

Chuva torrencial Deus mandou chuva Gênesis 7:10-24


torrencial por quarenta
dias e quarenta noites,
eliminando todas as
formas de vida e deixando
a terra submersa por 150
dias. Só Noé e sua família
sobreviveram.

Arco-Íris Deus colocou um arco-íris nas Gênesis 9:12-17


nuvens pela primeira vez,
prometendo que nunca mais
destruiría a terra com água.

Granizo, escuridão Deus manda pragas ao Egito. Êxodo 9:13-35;


10:21-29

89
T em po ou 0 Q u e A co n teceu R e f e r ê n c ia

C o n d iç ã o A t m o s f é r i c a

Vento Depois que o Senhor abriu Êxodo 14:21-22


miraculosamente o mar
Vermelho, um vento soprou
a noite inteira para secar-lhe
o leito e permitir que Moisés
e seu povo atravessassem
a pés enxutos.

Orvalho estranho No acampamento israelita, o Êxodo 16:13-35


orvalho cobriu o chão de
manhã. Ao secar, transformou-
se em flocos brancos que
tinham gosto de pão de mel.
O povo de Israel comeu esse
alimento, o maná, por
quarenta anos!

Chuva de codomizes 0 Senhor fez com que um forte Números


vento trouxesse milhares de 11:31-33
codomizes do mar e as
despejasse sobre o acampamento
de Moisés e seu povo.

Terremoto A terra se abriu e tragou 250 Números


pessoas que se haviam rebelado 16:31-34
contra Deus. Caíram vivas no
buraco e a terra se fechou
sobre elas.

Granizo Fugindo o inimigo após uma batalha Josué 10:11


contra Josué, Deus fez chover granizo.
No combate, as pedras mataram mais
homens do que os israelitas.

Sol parado Em atenção à prece de Josué, o sol Josué 10:12-14


se deteve no céu, dando-lhe
tempo para destruir completamente
um exército pagão.

90
T em po ou O Q u e A co n teceu R e f e r ê n c ia

C o n d iç ã o A t m o s f é r ic a

Nuvem de forma estranha O servo do profeta Elias avistou 1 Reis 18:41-


uma nuvem do tamanho de uma 45
mão humana saindo do mar.
Seguiu-se uma chuva torrencial.

Furacão, terremoto, fogo Deus falou a Elias - não por meio 1 Reis 19:11-
desses aterradores acontecimentos, 12
mas num doce sussurro.

Vento destruidor Um forte vento vindo do deserto Jó 1:18-19


arrancou o teto da casa, matando
todos os filhos de Jó.

Redemoinho Deus falou a Jó de dentro de um Jó 38:1


grande redemoinho.

Estrela brilhante Uma estrela guiou os magos por Mateus 2:2


milhares de quilômetros até
Belém, onde nascera Jesus.

Terrível tempestade Ondas altas e fortes ventos Mateus


sacudiram a barca dos discípulos, 8:23-27
fazendo-os temer pela vida. Mas
Jesus repreendeu a tempestade e
ela cessou, voltando a calma.

Terremoto No momento em que Jesus morreu Mateus 27:45-53


na cruz, a terra inteira ficou coberta
de trevas por três horas. Um forte
terremoto sacudiu Jerusalém e o véu
do templo se rasgou de alto a baixo.
Alguns túmulos se abriram.

Terremoto Um violento terremoto escancarou Atos 16:25-27


as portas de uma prisão e rompeu
as correntes dos prisioneiros,
inclusive as de Paulo e Silas.

91
A M ORTE M ISTERIOSA DE JUDAS ISCARIOTES

De que modo o traidor de Jesus terminou seus dias?

O nome Judas Iscariotes será sempre associado a traição e perfídia.


Como o de Benedict Arnold*, o ato egoísta de Judas valeu-lhe um lu­
gar entre os mais célebres vira-casacas de todos os tempos. As cir­
cunstâncias de sua morte, porém, continuam intrigando os estudiosos.
O Evangelho de Mateus afirma que ele se enforcou (Mateus 27:5),
mas o livro dos Atos declara que “saltou e arrebentou-se pelo meio”
(Atos 1:18). Qual deles está correto?
O próprio Jesus escolheu Judas para um de seus doze discípulos,
o círculo fechado de homens que viajavam com ele e com ele apren­
diam. No entanto, os três anos em que presenciou os milagres e ou­
viu as lições do mestre em nada o mudaram. Jesus, parece, percebeu
isso a dada altura, dizendo que um de seus seguidores era um “de­
mônio” (J°ão 6:70). A Bíblia não esclarece o motivo pelo qual Judas
traiu Cristo, dizendo apenas que “Satanás entrou nele” (Lucas 22:3).
Qualquer que tenha sido a razão, Judas conspirou com os líderes re­
ligiosos ávidos por encontrar aliados em sua trama contra Jesus. Em
troca de trinta moedas de prata, Judas concordou em atrair o mestre
para um determinado local onde as autoridades pudessem facilmen­
te prendê-lo.
Depois que Jesus foi preso e condenado à morte, Judas teve uma
crise de consciência. Devolveu o dinheiro aos príncipes dos sacerdo­
tes e anciãos, bradando: “Pequei ... pois traí um inocente” (Mateus
27:4). Os líderes religiosos não se comoveram. Haviam alcançado seu

* General estadunidense que se passou para o lado britânico durante a Guerra de Inde­
pendência Americana.

92
objetivo e pouco se importavam com os remorsos de Judas. Num ato
extremo de frustração, o traidor arremessou as moedas no chão do
templo e afastou-se.
O que ele fez depois permanece um mistério. O evangelho de Ma­
teus diz que “saiu e enforcou-se” (Mateus 27:5). O livro dos Atos, por
sua vez, fornece uma versão mais horripilante e, no entender de al­
guns, contraditória da morte de Judas: “Saltou e arrebentou-se pelo
meio, e todas as suas entranhas se derramaram” (Atos 1:18).
Mas, e então? Judas se enforcou ou pulou para a morte?
Na verdade, essas duas descrições aparentemente disparatadas
podem encaixar-se de maneira lógica. Uma das possibilidades é que o
corpo de Judas só tenha sido descoberto algum tempo depois do en­
forcamento; assim, quando caiu ao chão, por já estar apodrecido ou
porque alguém cortou a corda, as vísceras escaparam. Outra possibi­
lidade é que a palavra “enforcou-se” em Mateus signifique realmente
“empalou-se”. Se Judas preferiu empalar-se, por assim dizer, nas ro­
chas afiadas de um precipício, então isso certamente explica a nau­
seabunda condição de seu corpo descrita em Atos. Segundo outra
hipótese, ele se estrangulou nos galhos de uma árvore e, ao cair in­
consciente, seu corpo se rompeu nas pedras embaixo.

Para mais informações sobre o horrendo fim de Judas, ver Mateus 21 e Atos 1.

T raidores, V ira-C asacas e P essoas Falsas


Judas não é o único traidor na Bíblia. Muitos homens e mulheres en­
ganaram amigos e até parentes em troca de dinheiro e poder.

T r a id o r Ato R e f e r ê n c ia

Jacó Traiu a confiança do irmão gêmeo, Gênesis 27


Esaú, e enganou o pai, fingindo ser
Esaú. Roubou a bênção e o direito de
primogenitura do irmão, mas teve de
fugir para salvar a vida.

93
Irmãos de Fartos dos privilégios especiais de que Gênesis 37:18-36
José (filhos José gozava junto ao pai, seus nove
d ejacó) irmãos planejaram matá-lo. Mas resolveram
vendê-lo a negociantes de escravos
midianitas por vinte moedas de prata.

Miriã e Por inveja, desafiaram a autoridade de Números 12


Aarão Moisés. Esse ato de rebeldia valeu a
Miriã uma crise passageira de lepra.

Acã Pôs em risco a campanha militar Josué 7


de Israel em Canaã ao surrupiar e
esconder despojos. Após um desastroso
ataque a Ai, Josué descobriu o crime
e mandou apedrejar Acã.

Dalila Cooperou com os filisteus para trair Juizes 16:4-22


Sansão. Arrancou o segredo de sua
força dos lábios do próprio amante.
Assim, ele foi capturado.

Abner Fez aliança com Davi depois que seu 2 Samuel 3:6-13
rei, Isbosete, o acusou de dormir com
uma concubina de seu pai.

Davi Traiu Urias dormindo com sua esposa e 2 Samuel 11


agravou o crime fazendo com que
Urias morresse em batalha.

Absalão Liderou uma rebelião contra o pai, Davi, 2 Samuel 15


mas morreu no conflito.

Semei Amaldiçoou Davi quando este teve 2 Samuel 16:5-13


de fugir do exército invasor de Absalão.

Aquitófel Conselheiro do rei Davi, aliou-se a 2 Samuel 17:23


Absalão em sua sede de poder. Quando,
depois, Absalão lhe rejeitou
os conselhos, Aquitófel se suicidou.

Zinri Matou Baasa, rei de Israel, e assumiu o 1 Reis 16:8-20


poder. Quando o exército soube da morte
de Baasa, escolheu um novo rei e voltou-se
contra Zinri. Depois de um reinado de
sete dias, Zinri se suicidou ao ver que o
exército tomara a cidade de Tirzá.

94
Jezabel Mandou alguns embusteiros proclamar 1 Reis 21
que Nabote era traidor de Deus e do rei.
Nabote foi apedrejado. O marido dela,
rei Acabe, tomou então a vinha de Nabote,
que há muito cobiçava.

Judas Entregou Jesus aos líderes judeus em Mateus 26:14-16,


troca de trinta moedas de prata. Um 47-50; Marcos
beijo foi o sinal para prenderem 1 4 :1 0 -1 1 ,4 3 -5 0 ;
Jesus. Lucas 22:3-6,
4 7 ; João 18:1-6

Pedro Fingiu não conhecer Jesus quando Marcos 14:66-


este era julgado. Jesus previra a 72; João 18:15-
traição de Pedro. 18, 25-27

PO RCO S FRENÉTICOS

O que fe z com que milhares de porcos ficassem enraivecidos?

Dois mil porcos caindo num despenhadeiro? Num dia quente e seco,
na Palestina, os rebanhos pastavam tranquilamente perto de um ce­
mitério ao pé de uma colina. Perto estavam Jesus e outro homem, um
vagabundo demente que vinha assustando a população local há anos.
Quando Jesus fez menção de se aproximar de uma manada de porcos,
as duas mil cabeças, que valiam muito, desceram em tropel pela la­
deira e caíram num lago lá embaixo, afogando-se todos - para espan­
to dos pastores. Horrorizados e coléricos, estes constataram que
haviam sofrido uma perda financeira catastrófica.
Mas que diabos estava acontecendo? Seria um caso de hipnose
coletiva? Podia o rabi de Nazaré bancar o ventríloquo? Então, talvez
os porcos estivessem respondendo ao que supunham ser a voz dos
pastores do outro lado do despenhadeiro. Ou talvez aquilo não tives-

95
se nada a ver com Jesus. Podia ter acontecido que um animal selva­
gem, oculto nas moitas, houvesse assustado um dos porcos, provo­
cando a histeria.
O vagabundo, que vira tudo, já começava a tirar suas próprias
conclusões. Sem-teto e meio louco, vivia entre os sepulcros. Pastores
e moradores da cidade mantinham distância daquele ermitão obvia­
mente maluco. O homem andava pelado! Com seus cabelos sujos e re­
voltos, perguntava-se se fora mera coincidência o fato de, no momento
em que os porcos desceram desabaladamente a colina, seu corpo nu
ter caído inânime ao chão. Ele sentira então uma onda de paz banhar-
lhe a mente e o espírito. Pela primeira vez em décadas, sorriu ao olhar
para Jesus, que lhe devolveu o cumprimento.
Jesus diagnosticara o problema do vagabundo como uma ex­
traordinária manifestação de demônios. Tantos deles habitavam o ho­
mem que a si mesmos se chamavam Legião. A palavra latina legio
designava a maior unidade do exército romano, com um contingente
de três mil a seis mil soldados. Sem dúvida, um exército interior se en­
trincheirara na alma daquele homem, mantendo-o refém.
Jesus livrara o coitado dos demônios, que pediram para ir infer-
nizar em outra freguesia. Sempre prontos para destruir, entraram nos
porcos e os mataram.

Para mais detalhes sobre essa curiosa ocorrência, ver Mateus 8, Marcos 5 e Lu­
cas 8.

96
CAM IN H O PARA O RECONHECIM ENTO

Dois viajantes não conseguem atinar com a verdade.

Dizem que o sofrimento não gosta de ficar sozinho. Numa estrada do


interior, há muito tempo, uma dupla muito infeliz ganhou uma com­
panhia inesperada.
Uma semana depois da morte do Mestre, dois de seus seguidores
palmilhavam a estrada para Emaús, nas imediações de Jerusalém. Tris­
tes e confessando um ao outro quanta saudade tinham de Jesus, sur-
preenderam-se quando um estranho se juntou a eles. O homem
perguntou sobre o que estavam falando.
“Deves ser a única pessoa em Jerusalém que não ouviu falar das
coisas que ali sucederam nos últimos dias”, replicou um dos vian-
dantes, chamado Cléofas. Como o estranho alegasse não saber de na­
da, os dois lhe falaram de seu mestre, Jesus. Eles haviam confiado em
que ele fosse o Salvador cuja vinda era profetizada há séculos; mas,
preso, morrera cruentamente na cruz - a pena capital do século I em
sua versão mais dolorosa.
Cléofas e seu acompanhante estavam tão confusos quanto tris­
tes. Murmurava-se que Jesus ressuscitara, evidentemente conversa de
mulheres. Alguns discípulos haviam vistoriado a tumba e ali nada en­
contraram. Nem o corpo!
O estranho não aguentava mais. Pois se era o próprio homem de
quem falavam e a quem, por algum motivo, não conseguiam identifi­
car! Enquanto avançavam para Emaús, Jesus pôs-se a explicar as pro­
fecias das Escrituras judaicas (nosso Antigo Testamento) relativas à
sua identidade e atuação na terra. Nem assim os dois o reconheceram.
Chegaram à casa de Cléofas e convidaram o estranho a pelo menos fi­
car para o jantar.

97
Finalmente, quando Jesus partiu o pão, eles o reconheceram. Sim,
aquelas mesmas mãos haviam partido o pão com os discípulos du­
rante a Páscoa, na noite anterior à sua morte. Mas, justamente quan­
do seus olhos se abriam, Jesus desapareceu.
Por que aqueles dois viajantes distraídos não identificaram Jesus
desde o início? O sofrimento deles era tão grande a ponto de não con­
seguirem sequer fitá-lo face a face? Ou a aparência de Jesus mudara mis­
teriosamente, velando-se aos olhos deles? Que forma assumira o Mestre?
O aparecimento de Jesus aos dois discípulos foi o primeiro de
muitos outros nos dias que se seguiram à crucificação. Evidentemen­
te livre do corpo humano, ele podia aparecer e desaparecer. Mas, ao
contrário de um puro espírito, comia e bebia com seus seguidores. Es­
tava vivo. Ninguém conhece a natureza exata do corpo de Jesus res­
suscitado, mas centenas de discípulos (inclusive a dupla no caminho
de Emaús) atestaram que ele estava vivo. Viram-no, ouviram-no, che­
garam a tocá-lo. A mensagem de que Jesus voltara à vida é que moti­
vou os antigos discípulos a percorrer o mundo divulgando a boa-nova.

Para o relato completo da jornada no caminho de Emaús, ver Marcos 16:12-13


e Lucas 24:13-35.

A parecimentos de J esus após a Ressurreição


O Novo Testamento começa e termina com a salvação épica trazida
por Jesus de Nazaré. Mas o relato bíblico inclui mais que seu nasci­
mento, ministério e morte. Porque se ergueu do túmulo, sua mensagem
continua a afetar nossa vida hoje. Eis as testemunhas que viram Jesus
após sua morte e proclamaram a boa-nova que ainda nos inspira.

T estem u n h a s R e f e r ê n c ia

Duas mulheres o viram quando saíam apressadas do seu Mateus 28:1-10


sepulcro.

Onze discípulos o viram numa montanha da Galileia. Mateus 28:16-20;


Marcos 16:15-18

98
Maria Madalena o viu na manhã de domingo. Marcos 16:9-11;
João 20:11-18

Duas pessoas o encontraram no caminho de Emaús. Marcos 16:12-13;


Lucas 24:13-32

Apresentou-se em pessoa a Pedro, em Jerusalém. Lucas 24:34;


1 Coríntios 15:5
Dez de seus discípulos o viram em Jerusalém. Lucas 24:36-51;
João 20:19-23

O discípulo Tomé, que não estivera com os outros Marcos 16:14;


quando Jesus lhes apareceu em Jerusalém, finalmente o viu. João 20:24-29;
1 Coríntios 15:5

Os discípulos o viram à beira do mar e comeram com ele. João 21:1-14

Foi visto por uma multidão de quinhentas pessoas. 1 Coríntios 15:6

Apareceu em pessoa a seu irmão Tiago. 1 Coríntios 15:7

Os discípulos o viram antes de ele subir ao céu. Atos 1:3-9

Saulo (mais tarde chamado Paulo) encontrou Jesus Atos 9:1-6


no caminho de Damasco.

0 velho discípulo João teve uma dramática visão de Jesus na Apocalipse 1


ilha de Patmos.

O M ELH O R VEM PO R ÚLTIMO

Como explicar o súbito aparecimento de vinho na festa de casamento?

Vinho tinto borbulhante - à primeira vista, não há nada de especial,


intrigante ou misterioso num simples copo de vinho. O processo na­
tural de fermentação é bastante conhecido - mesmo uma criança sa­
be se o leite ficou na geladeira por muito tempo. Todavia, num dia

99
quente na cidadezinha de Caná, simples jarras de vinho não foram
apenas fonte de divertimento: foram fonte de espanto e admiração.
Era uma festa de casamento como tantas outras. Os alegres con­
vidados se reuniram para celebrar a nova vida dos noivos. No entan­
to, o anfitrião não havia planejado bem a festa e o vinho acabara - um
sério contratempo social. Ao longo do dia, ninguém suspeitou de na­
da. Jesus acompanhara sua mãe à festa e ela logo percebeu que algo es­
tava errado. Com maternal preocupação pelo dono da casa, pediu a
Jesus que fizesse alguma coisa, qualquer coisa. Mas que podia Jesus fa­
zer? Por que a mãe pedira sua ajuda?
Depois de protestar que “minha hora ainda não é chegada” (João
2:4), frase em si mesma misteriosa, ele calmamente solicitou aos cria­
dos que enchessem seis jarras de barro com água fresca. E quando os
servos apresentaram uma taça dessa água ao anfitrião, ela mudara mi-
raculosamente sua estrutura molecular e agora era vinho borbulhan-
te - o melhor que o mestre-sala jamais provara.
O que acontecera? Descarte-se desde já, é claro, a ideia de que al­
guém misturou o resto do vinho com água para engambelar os con­
vidados. Em geral, a última jarra que se servia era do vinho mais novo
e, portanto, menos saboroso. Diluí-lo seria uma bobagem. De algum
modo, o processo de destilação se acelerou e produziu, quase instan­
taneamente, aquilo que levaria anos. Como Jesus fez isso?
Talvez não o tenha feito. Talvez o vinho que produziu fosse na
verdade suco de uva, que pareceu tão bom quanto o melhor da ade­
ga, mas sem álcool.
Mas pode ser que o tivesse feito. Os convidados garantiram que
Jesus lhes dera o melhor dos vinhos. De pronto, isso elimina a hipó­
tese do suco de uva. Os antigos connoisseurs não se deixariam enga­
nar por um vinho sem efervescência. Não, era vinho de primeira, um
deleite para o anfitrião e seus convidados.
Como pôde a água - nem suco de uva era! - se transformar em
vinho em questão de minutos? Alguns diriam: impossível. E foi pro-

100
vavelmente o que os discípulos pensaram. Mas, não podendo depois
negar o que viram com seus próprios olhos e saborearam com suas
próprias papilas, seu respeito por Jesus aumentou. Como Jesus fez
aquilo? Em suma, foi um milagre, o primeiro de muitos. O ministério
do Mestre começou naquela festa de casamento em Caná e o mundo
nunca mais seria o mesmo.

Para o relato completo das bodas de Caná, ver João 2.

O PRÍNCIPE DAS TREVAS

Que nos diz a Bíblia sobre Satã?

Como pôde um anjo luminoso, dotado de imenso poder, renunciar a


uma existência perfeita em companhia de Deus? Universalmente tido
como epítome do mal, Satã aparece na Bíblia sob vários disfarces -
serpente astuta, anjo caído, demônio ameaçador. Ele é poderoso (em­
bora até certo ponto) e temível. Quer por todos os modos destruir o
que é bom, ou seja, tudo quanto Deus criou. A vida próspera de Jó, por
exemplo, virou de cabeça para baixo por causa de doenças, saquea­
dores ferozes, tempestades assustadoras, terremotos e incêndios. Sa­
tã jogou Jó no buraco - literalmente. E, ao longo da Bíblia, aparece
como maquinador incansável que recorre às mentiras, à intimidação
e às tentações para fazer os outros partilhar do seu destino - o tor­
mento eterno. Na verdade, seu nome significa “inimigo”.
A própria existência de Satã levanta várias questões. Por que Deus,
sendo todo-poderoso, permitiria uma rebelião de tamanhas propor­
ções? Por que concedeu a Satã tanto poder? E, num nível puramente
prático, que importância tem o diabo para a moderna humanidade?
Essas questões vêm sendo debatidas há séculos e ainda não há para

101
elas respostas que convençam. Entretanto, seria um equívoco, como
observou o apologista C. S. Lewis, descartar Satã como relíquia curio­
sa de uma era de superstição. Na Escritura, Satã permanece no centro
das tribulações do mundo - corrompendo pessoas, semeando discór­
dias, rondando, farejando vítimas descuidadas e fingindo-se de anjo
da luz. Jesus declarou com todas as letras que estava empenhado nu­
ma luta mortal com o príncipe das trevas e que sairia vitorioso.
A biografia de Satã, extraída da Bíblia, começaria por sua posição
de destaque entre as criaturas de Deus, antes da criação do mundo. Al­
guns estudiosos sugeriram que a descrição de Isaías de uma estrela
brilhante arremessada à terra nos dá um vislumbre da ascensão e que­
da de Satã (ver Isaías 14:12). Ele aparece disfarçado de serpente no Jar­
dim do Éden (ver Gênesis 3) e como o verdugo de Jó (ver Jó 1). O
autor de Crônicas declara que Satã convenceu Davi a ordenar seu ino­
portuno censo (ver 1 Crônicas 21:1).
No Novo Testamento, a oposição de Satã aumenta. Seus demô­
nios oprimem o povo e resistem às obras de Jesus. Ele ousa mesmo
tentar Jesus (ver Mateus 4) e entra em Judas Iscariotes, que acaba
traindo o Mestre (ver João 13:27). Ataca vigorosamente a nova igreja
e espalha a discórdia onde pode. Não admira que os autores das epís­
tolas do Novo Testamento o descrevam como um adversário formi­
dável (ver Efésios 6:11; 1 Pedro 5:8).
Satã espalhou a confusão no mundo e deixou para trás um rasto
de vidas arruinadas. No entanto, Deus já o derrotou promovendo a
vitória do bem - a morte e a ressurreição do seu Filho, base da cele­
bração da Páscoa. O vislumbre do futuro apresentado no Apocalipse
de João mostra o destino final de Satã - tormentos eternos num lago
de fogo (ver Apocalipse 20:7-10).

Muitas passagens bíblicas tratam de Satã. Comece a pesquisa por Números


22:22; João 14:30; 1 Coríntios 7:5; Efésios 2:2; 1 Pedro 5:8 e 1 João 3:8.

102
V O C Ê S A B IA ?

Por que os antigos israelitas usavam o obscuro nome “Belzebu” p a­


ra se referir a Satã?
Um dos nomes mais peculiares de Satã, o príncipe dos demô­
nios, é Belzebu. A origem dessa palavra obscura continua a in­
trigar os estudiosos da Bíblia. A estreita associação entre Belzebu
e o nome do deus de Ecrom, Baal-Zebu, parece óbvia (2 Reis
1:2). Mas restam dúvidas persistentes sobre se Baal-Zebu era
mesmo um nome para algum deus antigo. Baal-Zebu significa li­
teralmente “Senhor das Moscas”, expressão usada por William
Golding no título do seu assustador romance de 1954. Muitos
eruditos acham que o nome verdadeiro desse deus era Baal-Ze-
bul, com o significado de “Senhor da Morada Celeste”. Como os
profetas israelitas jamais honrariam com esse título prestigioso
qualquer outro deus senão o Deus de Israel, pode ser que ha­
jam dado um nome pejorativo à divindade pagã, como “Senhor
das Moscas” ou “Senhor dos Excrementos”. Na época de Jesus,
Belzebu era um epíteto comum para Satã. A certa altura, os fa­
riseus disseram a respeito de Jesus: “Somente por Belzebu, o
príncipe dos demônios, ele expulsa demônios” (Mateus 12:24).

103
VENTO IM PETUOSO

Visitantes de Jerusalém têm um encontro inesperado com um novo fen ô­


meno religioso.

O cenário era Jerusalém, várias semanas depois da morte e suposta


ressurreição do homem chamado Jesus, o Cristo. Estava-se no dia de
Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa judaica. Judeus de todas
as partes do mundo do século I se achavam na cidade. Um pequeno
grupo que seguira Jesus mais de perto também se achava lá. Havia
cerca de 120 adeptos na ocasião, liderados pelos doze apóstolos.
Reunidos numa casa, os 120 adeptos ouviram e sentiram um ven­
to impetuoso. Fato intrigante, línguas de fogo pareciam pousar na ca­
beça deles. Vizinhos e passantes acorreram. Uma multidão se juntou,
inclusive muita gente que tinha ido para o festival. Os seguidores de
Cristo começaram a falar nas línguas dos visitantes estrangeiros. Co­
mo podiam aqueles galileus conhecer os idiomas da Mesopotâmia, da
Judeia, da Capadócia, do Egito, da Líbia, da Ásia e de outras regiões?
Não estavam tagarelando; estavam falando mesmo línguas reco­
nhecíveis, que nunca haviam aprendido. Pregavam a boa-nova da sal­
vação por intermédio de Jesus. “Encheram a cara!”, resmungaram
alguns presentes. Mas Pedro - o mesmo homem que voltara as costas
ao Mestre durante seu julgamento e crucificação - ergueu a voz e ex­
plicou tudo. Ele ligou o que estava acontecendo a uma profecia do
Antigo Testamento, em que fogo e vento anunciavam a chegada do
Espírito de Deus. Era tempo, declarou ele, de o mundo inteiro co­
nhecer a redenção divina.
Vento, fogo e línguas estrangeiras eram talvez puro ilusionismo.
Mas ainda assim atraíram a atenção de cerca de três mil pessoas que,
naquele dia, se juntaram ao movimento ainda incipiente. O Pente-

104
costes é às vezes chamado de o dia do nascimento da Igreja Cristã,
que hoje afirma ter mais de um bilhão de membros.

Para a história completa, ver Atos 2.

M ORTE VEZES DOIS

Transação Imobiliária Traz Consequências Fatais.

Outro corpo? Os rapazes acabavam de voltar do sepultamento da pri­


meira vítima quando viram a esposa do morto estendida no chão.
Coincidência... ou duplo homicídio?
Ananias e sua mulher, Safira, eram membros da igreja em Jeru­
salém. O número dos fiéis, na cidade, aumentara astronomicamente
nos meses que se seguiram à morte e ressurreição de Jesus. Também
aumentara de maneira notável sua dedicação mútua, a ponto de com­
partilharem posses e dinheiro. Para atender às necessidades dos mem­
bros pobres da igreja, aqueles que possuíam terras - entre eles Ananias
e Safira - começaram a vendê-las e a entregar os valores correspon­
dentes aos apóstolos.
A transação do dia começara bem. O casal vendeu algumas pro­
priedades e, conforme o combinado, Ananias levou o dinheiro aos
apóstolos. Orgulhosamente, entregou-o ao homem chamado Pedro.
Todavia, no instante seguinte, caiu - e morreu antes de chegar ao
chão. Um ataque cardíaco?
Sem saber da morte do marido, Safira compareceu perante o comitê
horas depois. Inacreditavelmente, encontrou seu fim da mesma manei­
ra: caiu, não desmaiada, mas morta. Os jovens que haviam sepultado
Ananias assumiram a triste tarefa de enterrá-la também, logo a seguir.

105
O medo se apossou da igreja recém-inaugurada. Que dissera ou
fizera Pedro ao casal? As testemunhas da dupla morte asseguraram
que ele não tivera culpa nenhuma. Safira e Ananias, porém, haviam
decidido seguir um programa próprio: resolveram guardar para si, se­
cretamente, parte do produto da transação e doar o resto. Não havia
absolutamente nada de errado nisso: o problema era que os dois, pa­
ra parecer bonzinhos, alegaram que o dinheiro entregue era todo o
produto da venda. Quem seria mais esperto? Questionada por Pedro,
Safira declarou calmamente que tudo fora doado à igreja.
Mas o casal não contara com a experiência e a sagacidade de Pe­
dro, um dos seguidores escolhidos a dedo por Jesus e a quem se atri­
buíam feitos espantosos nas primeiras semanas após a Páscoa (ver
Atos 1-3). Segundo os outros líderes da igreja, Pedro parece ter per­
cebido imediatamente que Ananias estava mentindo a respeito do di­
nheiro. “Estás querendo enganar, não a nós, mas a Deus”, pontificou
ele antes de Ananias cair ao chão. Quase o mesmo episódio foi ence­
nado quando Safira entrou na sala, poucas horas depois. Levaram seu
corpo para ser sepultado junto ao do marido.
Uma morte poderia ser considerada coincidência. Mas duas? O
fim do casal nos obriga a levar a sério a conclusão de Lucas, autor de
Atos: os dois foram castigados por mentira e logro.

Para a história completa, ver Atos 4:32-5,11.

LUZES ESTRANHAS E VOZES MISTERIOSAS

O que aconteceu a Saulo no caminho de Damasco?

Saulo partira em missão. Estava decidido a prender todos os cristãos fa­


náticos de Damasco e levá-los de volta a Jerusalém, acorrentados.

106
Os cristãos iam ficando cada vez mais fortes e numerosos a cada
dia. Para Saulo, judeu ortodoxo treinado na escola do grande erudito
religioso Gamaliel, a alegação dos cristãos de que um mestre chama­
do Jesus era o Messias prometido soava como pura heresia. A fim de
dar logo, e de uma vez por todas, um fim a esse movimento nascen­
te, Saulo se investira no papel de força policial de um só homem, en­
carregada de reunir cristãos heréticos onde quer que os encontrasse -
no mercado ou até em suas casas. Saulo detestava todos os cristãos e
tudo em que acreditavam. Jurou detê-los se pudesse. No entender de
Saulo, não havia lugar em Israel para esse bando de hereges.
Mas Saulo não completaria sua missão. Ao se aproximar de Da­
masco, uma luz brilhante cegou-o de súbito, arrancando-o do cavalo
e pondo-o de joelhos no chão. Uma voz estrondejante ecoou nos ares.
Quando conseguiu enfim se erguer, percebeu que não podia enxer­
gar! Completamente cego, teve de ser conduzido pela mão a Damas­
co, onde passou três dias sem comer nem beber. Só depois de se
encontrar com Ananias é que recuperou a visão.
Depois desse dia fatídico, Saulo não foi mais o mesmo. Adotou o
nome latino de Paulo. Para espanto de todos, tornou-se um grande
pregador e mestre, empreendendo muitas e perigosas jornadas para
disseminar o cristianismo pelo Império Romano. Paulo escreveu vá­
rios livros do Novo Testamento, alguns em celas de prisão onde o me­
teram por pregar sobre Jesus.
O que aconteceu realmente no caminho de Damasco? As teste­
munhas ficaram tão perplexas quanto as pessoas que depois ouviram
contar a história. Elas perceberam a luz ofuscante e ouviram a voz, mas
não viram ninguém. Incapazes de explicar o acontecimento, ficaram de
boca aberta, no mais completo silêncio.
Que luz brilhante deteve Saulo na carreira e atirou-o de joelhos
ao chão? De onde vinha? Que voz misteriosa lhe falou e o que disse?
Para alguns, o sol, refletindo-se num objeto lustroso, condensou-
se num raio de luz que feriu os olhos de Saulo e cegou-o temporaria-

107
mente. Para outros, a voz era apenas o murmúrio do vento perpas­
sando pelas colinas e vales que ladeavam a estrada. Para outros, ain­
da, Saulo sofreu uma crise de insolação, que o fez ter alucinações.
A explicação do próprio Saulo foi igualmente estranha e fasci­
nante. Ele afirmou que, de joelhos no chão, ouviu uma voz dizendo-
lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Perguntou quem estava
falando e a voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem oprimes! Levanta-
te daí e entra na cidade, onde saberás o que deves fazer.”
A voz modificou radicalmente e para sempre a vida de Saulo. An­
tes decidido a varrer o cristianismo da face da terra, era agora um ho­
mem empenhado numa nova missão: falar de Jesus a todas as pessoas
do mundo.

Para mais detalhes sobre a transformação de Saulo, ver Atos 9 e 22.

O uvin d o V ozes

Todas as pessoas no quadro seguinte alegaram ter ouvido vozes ou


mensagens divinas. Os céticos continuarão dizendo que foram apenas
alucinações - mas, e quanto às vozes ouvidas por multidões? Leia e
saiba quais foram as circunstâncias por trás dessas vozes misteriosas.
O u v in t e C ir c u n s t â n c ia s R e f e r ê n c ia

Balaão A mula de Balaão falou-lhe, Números 22:21-31;


recriminando-o por sua ganância 2 Pedro 2:13-16
e más ações.

Jovem Samuel Samuel dormia no templo quando 1 Samuel 3:1-14


ouviu uma voz chamando-o três vezes.
Pensou que era Eli, o sacerdote, mas
Eli garantiu-lhe que era o próprio
Deus quem falava.

Elias Depois de fugir da rainha Jezabel 1 Reis 19:13-16


para salvar a pele, Elias ouviu a voz
de Deus ordenando-lhe que voltasse
a Damasco e ungisse três pessoas.

108
Rei Nabucodonosor Em sonhos, ouviu a voz de um anjo. Daniel 4:14

Jesus, João Batista No batismo de Jesus, a multidão Mateus 3:16-17


e multidão ouviu um voz que vinha do céu
e dizia: “Este é o meu Filho bem-
amado, em quem ponho toda a
minha complacência.”

Jesus, Pedro, Tiago Os três discípulos estavam com Mateus 17:1-5


e João Jesus quando a aparência dele mudou,
ficando brilhantes seu rosto e suas
roupas. Uma nuvem luminosa surgiu
no céu e dali uma voz lhes falou.

Paulo Paulo estava a caminho de Damasco Atos 9:1-9


para perseguir os cristãos quando
uma luz ofuscante incidiu sobre ele e
a voz de Jesus se fez ouvir.

Pedro O apóstolo viu o céu se abrir e Atos 10:9-20


revelar um lençol suspenso pelas
quatro pontas cheio de animais,
cobras e aves (alimentos proibidos
aos judeus). Ele então ouviu uma voz
garantindo-lhe não haver nada de
errado em comer aquelas coisas.

João Ouviu uma voz forte, que soava Apocalipse 1:10


como trombeta. Disse-lhe que
escrevesse tudo aquilo que via.

C A LA BO U Ç O S E DISCÍPULOS

Prisioneiro desaparece sem deixar pistas.

Fuga! Os guardas reais de Herodes entraram em pânico na manhã de


um dia de abril ao descobrir que Pedro, um dos prisioneiros mais im­
portantes deixados aos cuidados deles, desaparecera sem deixar pista.

109
Os fatos eram simples. O oficial em serviço passou-os em revista
várias vezes. Postara no local dezesseis soldados (quatro esquadrões
de quatro) para vigiar Pedro nos fundos do calabouço. Quatro ho­
mens deviam vigiá-lo o tempo todo, com dois deles acorrentados a
ele, um no seu pulso esquerdo e outro no seu pulso direito. Os dois
restantes ficariam do lado de fora, vigiando. Para garantir que nin­
guém dormisse, os guardas seriam rendidos quatro vezes durante a
noite por número igual de homens descansados. Nada podia dar er­
rado - ou, pelo menos, foi o que pensou o oficial.
Mas, no dia seguinte, Pedro desaparecera! Os quatro últimos
guardas ainda estavam ali, estavam ali as correntes e o chão mostrava
os sinais do local onde ele se sentara. Mas para onde fora Pedro e co­
mo conseguira se libertar das pesadas cadeias, isso era um enigma.
Não havia indícios de saída forçada - um ferrolho partido ou um tú­
nel cavado às pressas. Nada! Os guardas, em seu depoimento oficial,
negaram ter visto ou ouvido qualquer coisa. Mas, extraoficialmente,
alguns deles falaram de uma misteriosa luz brilhante que os pusera
em transe profundo. Com pudera Pedro escapar? Nem um artista es­
pecializado em fugas teria feito melhor!
Uma cuidadosa investigação, chefiada pelo próprio Herodes, não
levou a parte alguma. Herodes só podia concluir que alguém de den­
tro facilitara a fuga. Um dos guardas sem dúvida ajudara Pedro a fu­
gir. Semelhante traição merecia castigo severo e todos os dezesseis
guardas foram levados para uma execução sumária.
Anos depois, Pedro reapareceu em Jerusalém. Sua versão do que
sucedera naquela noite era extraordinária, e explicava, em parte, por
que a investigação de Herodes fora uma medida inútil.
Segundo Pedro, ia alta a noite e ele já dormia quando, de súbito,
uma luz intensa iluminou a úmida cela. Uma figura muito clara, pa­
recida com um homem, ordenou-lhe que se levantasse e se vestisse. O
homem parecia tão estranho - faces luminosas, manto ofuscante -
que Pedro pensou estar ainda adormecido e sonhando (algo que já

110
lhe acontecera antes; ver Atos 10). Mas, ao levantar-se, sentiu as cor­
rentes frias se partindo por si mesmas, libertando-lhe os pulsos dolo­
ridos. A angélica criatura conduziu Pedro pelos corredores escuros e
por diante das duas sentinelas, as quais, estranhamente, não repara­
ram que Pedro e seu guia estavam ali. Antes de Pedro se dar conta do
que ocorria, já atravessava os pesados portões de ferro da fortaleza,
que pareceram abrir-se ao simples toque do anjo. E ei-lo fora, na rua
principal que levava ao centro de Jerusalém. Ele respirou fundo o ar
gelado da noite e voltou-se para o companheiro. Mas este desaparecera
e as ruas adjacentes estavam desertas. Pedro decidiu então ir juntar-
se a seus camaradas de fé, que oravam por ele numa casa das vizi­
nhanças. Uma jovem foi atender à porta e ficou tão abismada que se
esqueceu de pedir para Pedro entrar! A igreja toda se rejubilou pela li­
bertação do supostamente condenado apóstolo.

Para mais detalhes sobre a miraculosa fuga de Pedro, ver Atos 12.

A ÚLTIMA OSTENTAÇÃO DO REI

A morte de Herodes Agripa suscita mais perguntas que respostas.

A morte vem de súbito para algumas pessoas. Também nos tempos


bíblicos ela podia ser surpreendente e instantânea.
Rompia a aurora na cidade de Cesareia. Os primeiros raios do sol
apontavam no horizonte. Faixas alaranjadas, amarelas e vermelhas
riscavam o céu azul-escuro. Todos estavam reunidos: de reles funcio­
nários a importantes governadores provinciais de Tiro e Sidom. Su­
postamente, tinham vindo para celebrar o aniversário de César, mas
muitos apareceram por outro motivo: adular Herodes Agripa I. As pro-

111
víncias de Tiro e Sidom se abasteciam de produtos alimentícios na Ga-
lileia e na Judeia, mas Herodes ameaçava cortar o fornecimento. Ele
era um homem cruel e conivente que gostava de viver com extrava­
gância e descuido, não tendo sequer se coibido de arquitetar a ruína
de seu cunhado. Os oficiais de Tiro e Sidom sabiam que era preciso
massagear o ego de Herodes para garantir a sobrevivência de suas pe­
quenas províncias.
Herodes fez uma entrada teatral. Subiu ao estrado bem à sua ma­
neira estapafúrdia. Fez um discurso e os aduladores bradaram, em êx­
tase: “É a voz de um deus, não de um homem!”
Sorrindo e muito satisfeito, Herodes bebia-lhes os elogios. De re­
pente, com os gritos do povo ainda soando a seus ouvidos, Herodes
dobrou-se sobre si mesmo num acesso de dor. Os servos o levaram
imediatamente dali. Morreu cinco dias depois.
O que aconteceu naquele dia funesto? Teriam os oficiais de Tiro
e Sidom envenenado Herodes? Ou a morte súbita do potentado evi­
denciaria o julgamento sumário de Deus?
As perguntas se multiplicam. E, a cada resposta, surgem novos
detalhes intrigantes. O antigo historiador judeu Flávio Josefo narra
que, no momento em que Herodes começou a se contorcer de dor, viu
uma estranha coruja pousada numa corda acima de sua cabeça. Cer­
ca de dez anos antes, quando ele enlanguescia na prisão por causa de
alguns comentários insensatos em presença do imperador romano,
um outro prisioneiro advertiu-o de que, caso visse de novo uma co­
ruja, isso seria o presságio de sua morte iminente.
Lucas, autor dos Atos, associa a morte de Herodes, não a pressá­
gios e corujas, mas ao anjo do Senhor. Naquela manhã trágica, Hero­
des aceitara cumprimentos que só a Deus são devidos. Deus
respondeu enviando um misterioso mensageiro de desgraça para
apressar o julgamento, deixando Herodes amargar seus últimos dias
com o corpo infestado de “vermes”, que os médicos hoje diagnosti­
cariam como solitária.

112
Em última análise, a morte de Herodes nos lembra as palavras de
Salomão: “A soberba precede a ruína e a arrogância de espírito prece­
de a queda” (Provérbios 16:18). Nesse caso, a queda foi orquestrada
pelo próprio Deus.

Para mais detalhes sobre a desgraça de Herodes, ver Atos 12.

LIBERTAÇÃO A M EIA-NOITE
Houve alguma ligação entre um tumultuoso terremoto e a f é de dois pri­
sioneiros?

Meia-noite. Sentados em suas celas lúgubres e escuras, os prisioneiros da


horrível cadeia de Filipos ouviam, de olhos fechados, as estranhamente
confortadoras canções que flutuavam no ar. Os novos prisioneiros, Pau­
lo e Silas, cantavam de novo. Os “hóspedes” antigos, que ali estavam há
anos, não os conheciam: depois de cruelmente flagelados, os dois tinham
sido metidos num calabouço interior, sob guarda severa, com os pés pre­
sos a um tronco. Ainda assim, cantavam e oravam! A música suave, po­
rém, não acordara o carcereiro, que tivera um dia cansativo.
A quietude da noite foi subitamente interrompida quando o chão
da prisão começou a sacudir-se com violência. A princípio, parecera
um simples tremor, mas depois foi ficando cada vez mais forte e im­
petuoso. As pedras das paredes ruíram. Até mesmo os alicerces foram
abalados. Era um terremoto como há muito os filipenses não viam.
Em meio à poeira e aos fragmentos de pedra, as portas da prisão se
abriram de par em par.
O carcereiro pensou em matar-se, pois de qualquer maneira seus
superiores o executariam por ter deixado fugir os prisioneiros. Mas,

113
estranhamente, nenhum fugiu. Apavorado e perplexo, aproximou-se
dos dois homens que, aparentemente, haviam provocado o cataclismo
e perguntou: “Senhores, que posso fazer para me salvar?” Paulo e Si­
las “pregaram-lhe a palavra do Senhor e a todos quantos estavam na
casa ... e logo foi batizado, ele e os seus” (Atos 16:30; 32-33).
A mão formidável do Senhor abalara a prisão. Deus libertou Pau­
lo e Silas para demonstrar seu poder e salvar a família de um carce­
reiro.

Para mais informações sobre o estranho terremoto, ver Atos 16.

NAUFRÁGIO

Um prisioneiro prevê um terrível naufrágio e a sobrevivência de todos a


bordo.

O furioso tufão sacudia o barco de um lado para o outro. À medida


que a ferocidade dos ventos aumentava, Júlio observava ansiosamen­
te os prisioneiros no convés. Se a tempestade piorasse, havia a possi­
bilidade real de um naufrágio! Como poderia ele, o oficial romano
mais graduado a bordo, evitar que algum prisioneiro nadasse para a
costa e fugisse? Os marinheiros corriam de cá para lá, jogando frene­
ticamente a carga ao mar, preparando o escaler e mesmo tentando
amarrar o casco para que ele não se desconjuntasse.
Como último recurso, os marinheiros lançaram pela amurada a
armação do barco. Sem ver o sol ou as estrelas por dias a fio, todos a
bordo renunciaram a qualquer esperança de salvar-se.
Mas então um prisioneiro chamado Paulo levantou-se e contou a
todos um estranho sonho que tivera. O centurião Júlio mal podia crer

114
no que ouvia: “Nenhum de vós perderá a vida, só o navio se perderá.
Porque esta mesma noite o anjo do Senhor, a quem pertenço e a quem
sirvo, esteve comigo. E disse: ‘Paulo, não temas; importa que sejas
apresentado a César, e Deus te deu todos quantos navegam contigo’.
Tende, pois, bom ânimo, pois creio em Deus. Tudo acontecerá como
me foi dito” (Atos 27:22-25). Júlio deve ter sorrido lá consigo. Como
poderia o navio ser destruído e ainda assim todos se salvarem? Mas,
se aquele homem estava dizendo a verdade, referia-se igualmente aos
prisioneiros? Sem dúvida, estes procurariam fugir.
Depois de catorze dias com a tempestade tangendo o frágil navio
pelo tormentoso Adriático, os experimentados marinheiros pressen­
tiram que a terra estava perto. Temendo ser impelidos contra as rochas
de uma ilha ou banco de coral, alguns baixaram um escaler na tenta­
tiva desesperada de salvar-se. Paulo os deteve, dizendo a Júlio que os
homens certamente morreríam caso abandonassem o barco. Por
algum motivo Júlio deu crédito àquele estranho e visionário prisio­
neiro tão diferente dos outros. Ordenou, pois, que os soldados per­
manecessem a bordo e cortou o cabo do escaler, deixando-o ir.
Tal qual previra Paulo, o navio bateu contra um banco de areia.
A proa ficou em pedaços devido à força da arrebentação. Antes de bus­
car a segurança das praias da ilha, os soldados resolveram matar todos
os prisioneiros, inclusive Paulo, pois sabiam que, se algum fugisse,
teriam de pagar o descuido com as próprias vidas. Júlio, porém, in­
tercedeu. Paulo, embora prisioneiro, mostrara ser útil.
Por incrível que pareça, todos alcançaram a terra, salvos da fero­
cidade das ondas tal como lhes garantira Paulo. Quem era aquele ho­
mem? Como podia prever o futuro? Essas e muitas outras perguntas
intrigavam os soldados e marinheiros que acompanhavam Paulo.
Mas as surpresas não terminaram com a predição de Paulo. Uma
vez em terra, ele foi picado por uma serpente venenosa. Nos tempos
antigos, isso significava morte instantânea. Mas para Paulo não signi­
ficou nada. Imune ao veneno das cobras, continuou a falar aos habi-

115
tantes sobre a boa-nova. Os ilhéus ficaram espantados. Quem era
aquele homem? Que tipo de profeta seria?
Paulo chegou a curar o pai da principal autoridade da ilha, oran­
do por ele e impondo-lhe as mãos. Outros doentes se aproximaram e
Paulo os curou também.
Que teria pensado Júlio? Sem dúvida, o prisioneiro impressionou
muito esse rígido soldado romano.

Leia mais sobre as aventuras de Paulo em Atos 27-28.

116
SEÇÃO II

LIGAÇÕES CURIOSAS
M ALDIÇÕ ES IRREVOGÁVEIS

Muitas pessoas, hoje em dia, amaldiçoam levianamente qualquer um:


do motorista que passa em alta velocidade ao amigo íntimo. Não pen­
sam duas vezes antes de fazê-lo. Os antigos, porém, sabiam que pala­
vras não devem ser ditas tão irresponsavelmente. Elas comprometem.
E, uma vez proferidas, são irrevogáveis. Uma maldição pode ter tan­
ta força quanto os atos terríveis que invoca. As histórias seguintes ex­
plicitam o poder das maldições na vida do povo bíblico.

A Maldição do Jardim
Tudo era perfeito quando Adão e Eva iniciaram sua vida em comum
no Paraíso. Moravam no belíssimo Jardim do Éden, mas a existência
idílica deles foi interrompida por um ato aparentemente inócuo: a
mordida num fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Adão e Eva comeram do fruto proibido e atraíram sobre si uma mal­
dição que iria atormentar a eles e a seus descendentes. Deus lhes dis­
se que a terra se encheria de espinhos; o homem teria de suar horas e
horas para obter alimento. A mulher foi amaldiçoada também com as

119
dores do parto. E tanto Adão quanto Eva morreríam. O ato pecami­
noso que praticaram era irreversível, como irreversível foi a maldição.
Ainda hoje as mulheres padecem para dar à luz e toda pessoa nascida
na terra deve contar com a morte. (Ver Gênesis 3.)

E o Veredito É...
Os antigos israelitas tinham um código complexo para o caso dos ma­
ridos ciumentos que suspeitavam de suas mulheres. Um marido des­
confiado podia levar a esposa à presença do sacerdote, para ele
condená-la ou absolvê-la. O sacerdote preparava então uma mistura de
água suja e a mulher tinha de bebê-la, dizendo: “Assim seja.” Se essa
água a fizesse adoecer, presumia-se que fosse culpada. Nesse caso, se
tomaria estéril até o fim da vida e seu nome seria anátema entre o po­
vo. (Ver Números 5:11-31.)

Ele Falava a Sério


Jerico estava reduzida a ruínas - suas muralhas haviam tombado e a
cidade fora incendiada. O Senhor prometera a Josué, o comandante de
Israel: “Darei em tua mão Jerico e todos os seus valentes guerreiros”
(Josué 6:2). E, tal qual dissera, a cidade literalmente caiu, pois suas
poderosas muralhas desabaram. Feito isso, Josué amaldiçoou o lugar,
ameaçando que quem tentasse reconstruí-lo arcaria com as conse­
quências. Se alguém lançasse os alicerces, seu primogênito morrería;
e se instalasse os portões da cidade, morrería seu filho mais novo. Is­
so deixou o local deserto durante anos - até que um homem chama­
do Hiel reconstruísse Jerico. Nos termos da maldição de Josué, Hiel
perdeu seu primogênito e seu filho mais novo. (Ver Josué 6:24-26 e 1
Reis 16:34.)

Mentiras, Tudo Mentiras!


Os israelitas tinham sido vitoriosos por toda parte. As cidades de Je ­
rico e Ai haviam caído nas mãos do seu exército triunfante e as notí-

120
cias se espalharam rápido. Os habitantes de Gibeom ficaram aterrori­
zados. Sabiam não ter chance alguma contra os invasores, por isso en­
viaram aos israelitas parlamentares disfarçados de viajantes de uma
terra longínqua. Essa delegação de malandros se aproximou de Josué
pedindo humildemente um tratado de paz. Josué, pensando que vi­
nham de uma região fora dos planos de conquista de Israel, caiu na ar­
madilha. Assinou o tratado. Mas, quando soube depois a verdade,
amaldiçoou veementemente os enviados. Não podia voltar atrás em
sua palavra, mas podia condená-los a cortar madeira e transportar
água para os israelitas - e foi o que aconteceu. (Ver Josué 9:3-27.)

A N JO S A RM A D O S

Dos livros de arte aos cartões postais, os anjos são pintados como cria­
turas radiantes, graciosas. As pessoas em geral os identificam com a
compaixão. Quase nunca aparecem em postura rígida, de espada em
punho. Contudo, em diversas passagens, a Bíblia nos mostra anjos ar­
mados e ameaçadores. De fato, a maioria dos encontros angélicos na
Bíblia deixa as pessoas com muito medo.

Os Guardiões Angélicos do Éden


A primeira menção a seres angélicos na Bíblia ocorre depois que Adão
e Eva pecaram contra Deus. Por causa desse pecado, Deus os exilou
do Paraíso. Para garantir que ninguém mais entrasse de novo no jar­
dim, o Senhor ordenou que seres angélicos chamados querubins vi­
giassem o lugar. Os querubins são anjos que se parecem com criaturas
humanas, mas possuem quatro asas (ver Ezequiel 1:5-10; 10:1-22).
Segundo a Bíblia, esses anjos temíveis são os guardiões do Éden. Pa-

121
ra facilitar sua tarefa, Deus lhes deu uma espada flamejante que re-
brilha na porta do Paraíso. Entrar no jardim significa morte certa. (Ver
Gênesis 3:24.)

O Comandante Angélico do Exército de Deus


Anjos empunhando espadas podem inspirar terror, mas esse terror
se ameniza quando eles lutam ao nosso lado! Josué, o grande co­
mandante militar dos israelitas, teve essa experiência. Ele precisava
conquistar a grande cidade murada de Jerico, cujas defesas, porém,
eram formidáveis. Um dia, quando observava a cidade, olhou para
cima e avistou um anjo com a espada desembainhada. Reagiu à ma­
neira dos militares: “És amigo ou inimigo?”, gritou. “Nem uma coi­
sa nem outra”, respondeu a aparição. E explicou que era o chefe do
exército de Deus. Josué imediatamente caiu de joelhos em profun­
da reverência. Como Moisés, tirou as sandálias, pois estava em solo
sagrado. Depois desse encontro, liderou seus exércitos à vitória con­
tra Jerico. (Ver Josué 5:13-15.)

O Anjo da Morte
O anjo da morte (que, porém, não ostenta especificamente esse nome)
é mencionado várias vezes na Bíblia. Todos os primogênitos do Egito
sofreram seu golpe fatal durante a primeira Páscoa (ver Êxodo 12:11-
13, 28-30). Balaão escapou por pouco à sua espada mortal (ver Nú­
meros 22:31-34). E setenta mil israelitas foram por ele abatidos no
reinado de Davi. Este pecara por mandar recensear seus guerreiros e
orgulhar-se de suas proezas militares. Com uma única campanha ar-
rasadora do anjo da morte, Deus mostrou quão fraco era, na verdade,
o rei Davi (ver 2 Samuel 24:10-25). A única defesa que Davi pôde opor
a esse anjo armado de espada foi uma oração a Deus. Pediu miseri­
córdia e Deus o ouviu. O anjo da morte se deteve junto à eira de Araú-
na. Nesse local foi edificado o templo de Salomão, símbolo da
misericórdia divina.

122
O Anjo do Senhor
Mensageiro misterioso de Deus, o anjo do Senhor aparece diversas ve­
zes no Antigo Testamento. Acirrado é o debate em torno da verdadei­
ra identidade dessa criatura. Seria o próprio Deus ou uma encarnação
anterior de Jesus? Fosse quem fosse, é certo que impunha grande res-
peito aos homens.
E n con tro R e f e r ê n c ia

O anjo do Senhor aconselhou Hagar a regressar à sua Gênesis 16:1-16


casa e ter o filho de Abraão.

O anjo do Senhor deteve Abraão quando estava prestes Gênesis 22:1-19


a sacrificar seu filho Isaque.

O anjo do Senhor apareceu a Moisés numa sarça ardente Êxodo 3:1-22


e instruiu-o a conduzir os israelitas para fora do Egito.

0 anjo do Senhor estava pronto para matar Balaão, Números 22:21-38


cuja vida foi poupada graças à esperteza de sua mula.

O anjo do Senhor apareceu em Boquim e disse aos Juizes 2:1-5


israelitas que não expulsaria o povo pagão de Canaã
porque eles haviam feito tratados com esse povo.

O anjo do Senhor incentivou Gideão a lançar um Juizes 6:11-40


vigoroso ataque contra os poderosos midianitas.

O anjo do Senhor apareceu a Manuá e sua esposa Juizes 13:1-25


para avisá-los de que teriam um filho.

O anjo do Senhor foi impedido de destruir Jerusalém. 2 Samuel 24:10-17;


Nesse momento, estava junto à eira de Araúna, local 1 Crônicas 21:14-30
onde se ergueu o templo de Salomão.

O anjo do Senhor deu forças e incentivo a Elias. 1 Reis 19:1-9

O anjo do Senhor falou a Elias sugerindo-lhe que fosse 2 Reis 1:1-15


visitar o rei Acazias.

0 anjo do Senhor matou 185.000 soldados assírios em 2 Reis 19:35-36;


uma noite. Isaías 37:36

0 anjo do Senhor interpretou uma série de visões para Zacarias 1:7-6,15


o profeta Zacarias.

123
SINAIS E SO M BRAS

Deus enviou sinais e milagres a seu povo a fim de atraí-lo para si. A
Bíblia fala de inúmeros acontecimentos e fenômenos misteriosos que
estão além da capacidade de compreensão dos homens. Interpretar os
sinais não exigia apenas discernimento intelectual; exigia também
amor e respeito por Deus.

O Arco-Íris
Quando Noé saiu da arca, pisou num mundo novo. Todas as formas
de vida haviam sido eliminadas pelo calamitoso dilúvio que cobrira a
face da terra por vários meses. Seu primeiro gesto foi oferecer um sa­
crifício a Deus. E Deus respondeu fazendo seu primeiro pacto com a
humanidade. Prometeu não mais destruir a terra com água. E, para
dar um sinal duradouro dessa promessa, colocou o arco-íris no céu -
lembrete maravilhoso, celestial e intangível do seu amor pelos homens
e pelas demais criaturas terrestres. (Ver Gênesis 8:20-9:17.)

Então Prove-o... De Novo!


Gideão não aceitava um simples “sim” como resposta. O anjo do Se­
nhor já fizera um milagre tostando a oferenda de Gideão - bem, tor­
rando-a seria um termo melhor. Ainda assim Gideão quis um sinal e
recebeu-o: não podia haver dúvida, em sua mente, de que Deus esta­
va ali com ele (ver Juizes 6:17-22). Mas, quando se aprestava para a
batalha, implorou de novo ao Senhor um sinal. Estendería uma pele
de ovelha no chão e se, no dia seguinte, ela estivesse úmida de orva­
lho, mas o chão seco, ele sabería que Deus o amparava. Adivinhem o
que aconteceu? Aconteceu o que-ele queria. Gideão, porém, ficou
preocupado. Talvez a pele de orelha ficasse úmida de orvalho de qual-

/
quer maneira. Talvez devesse tentar de novo, só para ter certeza. “Por
favor, não te aborreças comigo”, disse ao Senhor. Dessa vez pediu que
a pele ficasse seca e o chão, molhado. E o que aconteceu? Aconteceu
isso mesmo. Gideão, por fim, se convenceu de que Deus iria ajudá-lo.
Vem daí a expressão inglesa “estender a pele de ovelha” para as situa­
ções em que pedimos a Deus um indício com base no qual possamos
tomar uma decisão ou dar uma resposta. Nem sempre esse é o me­
lhor método, mas pelo menos Deus foi paciente com Gideão e fez co­
mo ele pediu. (Ver Juizes 6:33-40.)

O Dia em Que uma Sombra Recuou


Quando o profeta Isaías disse ao rei Ezequias que Deus o curaria de
sua doença, o rei duvidou e pediu um sinal divino. Isaías concordou
e perguntou-lhe se queria ver a sombra no relógio de sol avançar dez
graus ou recuar outros tantos. “A sombra sempre vai para a frente”,
ponderou Ezequias. “Faze-a, portanto, ir para trás.” Isaías implorou
então a Deus que mandasse a sombra recuar dez graus... e foi atendi­
do! O rei se recuperou de sua doença quase fatal e ainda viveu mais
quinze anos. (Ver 2 Reis 20:1-11.)

A Voz
Jesus sempre disse aos discípulos e às multidões que fazia milagres
unicamente em benefício deles. Todos os sinais confirmavam que Je ­
sus provinha de Deus. E robusteciam a fé daqueles que acreditavam ou
se esforçavam por acreditar. (Consequentemente, Jesus não fazia mi­
lagres para os duros de coração ou descrentes - ver Mateus 12:38-42;
Marcos 6:5-6.) Aproximando-se a hora de sua morte, Jesus falou à
multidão sobre as provações que iria enfrentar e concluiu: “Pai, glo­
rifica o teu nome.” Nesse momento, uma voz se fez ouvir do céu: “Já
o glorifiquei e de novo o glorificarei.” A multidão, assombrada pelo
que ouvia, ignorava a procedência da voz. Uns diziam que era o tro­
vão, outros julgavam ter escutado as palavras de um anjo. Jesus ex-

125
plicou então que a voz se fizera ouvir em benefício deles, não seu. E,
aconselhando-os a caminhar na luz antes que a treva descesse, dei-
xou-os. (Ver João 12:27-36.)

DECADÊNCIA URBAN A

As cidades, como seus habitantes, florescem e decaem. Algumas pros­


peram enquanto outras desaparecem aos poucos. Umas, porém, mor­
rem de repente - destruídas pela guerra, pela fome ou pela peste. A
Bíblia registra o destino de cidades imorais que ignoraram as adver­
tências de Deus e caíram em ruínas.

Babilônia
A barulhenta festa começara! Erguendo-se para o céu, aquele produ­
to fenomenal da vontade e da imaginação, a grande Torre de Babel,
enchia o coração dos homens de orgulho e vaidade. Como se tratasse
de um gesto de desafio à soberania de Deus, ele confundiu as línguas
daquela civilização para que tamanho orgulho não mais tivesse razão
de ser. Entretanto, Babilônia continuou a desafiar Deus. Mais tarde, o
profeta Isaías declarou que a ascensão da Babilônia seria rápida, mas
sua prosperidade duraria pouco: arrasada, nunca mais os homens a
habitariam até o final dos tempos. Hoje, a velha cidade não passa de
ruína, sepultada sob montões de terra e areia, no atual Iraque. (Ver
Gênesis 11 e Isaías 13-14.)

Sodoma e Gomorra
Luxúria, estupros, perversões, obscenidades, vícios infames... Sodoma
e Gomorra acolhiam tudo o que não prestava. O Deus de Israel não

126
conseguiu encontrar ali nem ao menos dez pessoas decentes! Antes de
destruir por completo as duas cidades, os anjos do Senhor tiveram de
tirar Ló, suas duas filhas e sua esposa do local. Recomendaram-lhes
não olhar para trás enquanto as cidades estivessem sendo consumidas
pelo fogo. Mas a mulher de Ló ignorou o conselho e deu uma olhadi-
nha para Sodoma. Ela se transformou imediatamente numa estátua
de sal. O piche incandescente e o enxofre que caíam do céu acabaram
não apenas com as cidades, mas também com a planície em derredor
e toda a vegetação da terra. Abraão, que vivia nas proximidades, pô­
de ver a fumaça que se erguia das ruínas. (Ver Gênesis 18-19.)

Nínive
Idolatria, prostituição, bruxaria, exploração dos fracos e oprimidos,
crueldade na guerra - essas eram apenas algumas das maldades pra­
ticadas na antiga cidade de Nínive. Jonas foi enviado pelo Deus de Is­
rael para condenar a grande metrópole assíria. Proclamou que ela seria
destruída dentro de quarenta dias. E, por incrível que pareça, os ha­
bitantes acreditaram nele! Todos - ricos e pobres, jovens e velhos - je-
juaram e imploraram ao Deus de Israel. Até o rei proclamou que o
povo deveria refrear suas perversidades e apelar para o Senhor. O Deus
de Jonas ouviu suas preces e se apiedou da população. Mas o arre­
pendimento de Nínive não durou muito. Cem anos depois, Deus en­
viou seu profeta Naum para, de novo, pronunciar a condenação da
cidade. Dessa vez, o povo ignorou a mensagem divina. E poucas dé­
cadas depois o poderoso império assírio era assolado pelos babilônios.
(Ver Jonas 3 e o livro de Naum.)

127
A CORRIDA PO R FILHOS

A prática de tomar mais de uma esposa era comum em muitas cultu­


ras do Oriente Médio, mas às vezes trazia enormes problemas para as
famílias em semelhante situação. Para assegurar o favor do marido,
as esposas tentavam de todos os modos gerar filhos - sinal de fertili­
dade e de bênção divina. A luta por herdeiros atiçava as esposas a com­
petir umas com as outras e com as concubinas para garantir o afeto
marital. Eis algumas das mais famosas “disputas por filhos” encon­
tradas nas Escrituras.

Sara e Hagar
Sara, esposa do patriarca Abraão, não podia ter filhos. Segundo o cos­
tume da época, entregou sua serva egípcia, Hagar, ao marido para que
ela lhe desse um herdeiro. Hagar engravidou, mas a tensão entre as
duas mulheres chegou a tal ponto que a serva fugiu. Depois voltou
para junto da patroa e deu à luz um menino, Ismael. Sara, no entan­
to, também engravidou inesperadamente, teve Isaque e não quis mais
saber de concorrência, por assim dizer, ordenando que Abraão ex­
pulsasse Hagar e Ismael. Abraão obedeceu, lamentando muito, mas
Deus lhe garantiu que cuidaria da mãe e do filho. Ismael se tornou
um arqueiro habilidoso e foi pai dos ismaelitas, povo nômade do
Oriente Médio. (Ver Gênesis 17:21.)

Raquel e Lia
Nenhuma disputa entre esposas foi mais acirrada e persistente do
que a rivalidade entre Raquel e Lia. Filhas de Labão, ambas despo-
saram Jacó, mas as circunstâncias de seu matrimônio criaram uma
ferida que jamais se cicatrizaria. Jacó não planejara desposar Lia: La-

128
bão, astuciosamente, induziu-o a isso porque Lia era a filha mais ve­
lha. Jacó foi autorizado a se casar com Raquel em troca de mais se­
te anos de trabalho para o sogro. As irmãs tentavam provar que
gozavam dos favores de Deus e de Jacó gerando filhos. Lia deu a Ja ­
có seis meninos e uma menina, mas Raquel permaneceu estéril por
muito tempo. Finalmente, teve José e Benjamim. As servas das es­
posas, Bilha e Zilpa, também geraram filhos de Jacó. Ao todo, ele te­
ve doze filhos, que se tornaram os fundadores das doze tribos de
Israel. (Ver Gênesis 29:16-35.)

Ana e Penina
Ana estava desesperada para ter filhos. Seu marido, Elcana, amava-a
ternamente, mas a outra esposa, Penina, ria-se dela, pois Ana era es­
téril. Ana orou fervorosamente para engravidar, prometendo a Deus
que o filho seria dedicado ao serviço divino caso sua prece fosse aten­
dida. Deus ouviu-a e Ana teve um menino chamado Samuel. Depois
de desmamá-lo, Ana cumpriu o voto e levou o jovem Samuel ao ta-
bernáculo. Ele cresceu assessorando Eli, sumo sacerdote israelita, e
tornou-se o grande profeta que ungiu os dois primeiros reis de Israel,
Saul e Davi. (Ver 1 Samuel 1.)

NASCIM ENTOS M IRACULO SO S

O nascimento de um menino ou menina é sempre um pequeno mila­


gre. Os pais contemplam, inebriados, a maravilha de uma nova vida
enquanto o resto do mundo segue o seu caminho como se nada de
extraordinário houvesse acontecido. Nascem bebês todos os dias -
mas não do ventre de uma anciã de 90 anos, de uma mulher estéril ou

129
de uma virgem. Nascimentos como esses são miraculosos - algo que
suscita admiração e temor.

Isaque
Abraão e sua esposa, Sara, já eram velhos e ela passara da idade de ter
filhos. No entanto, com 100 anos, Abraão foi pai! Um dia, três estra­
nhos de vestes brilhantes entraram na tenda de Abraão e Sara en­
quanto eles dormiam a sesta. Depois que o casal lhes preparou
alimento, um deles disse uma coisa incrível a Abraão: dentro de um
ano, Sara teria um filho. “Ah”, pensou Sara, “em minha idade?” Riu
da ideia, mas o estranho ponderou: “Haverá alguma coisa difícil de­
mais para o Sen h o r ? ” Passado um ano, aos 90 anos de idade, Sara deu
à luz Isaque. (Ver Gênesis 18 :l-1 5 ;2 1 :l-7 .)

João Batista
Zacarias e sua esposa, Isabel, não tinham filhos. Não bastasse o fato de
serem velhos, Isabel ainda era estéril. Um dia, estando Zacarias fa­
zendo seu serviço no templo, um estranho apareceu junto ao altar.
Disse chamar-se Gabriel, um anjo do Deus de Israel. Ele informou a
Zacarias que sua esposa iria ter um filho. Deveria receber o nome de
João e ser dedicado a Deus. A criança seguiria os passos do grande
profeta Elias. O ancião não pôde acreditar no que ouvia e questionou
o anjo. Por duvidar da notícia, Zacarias ficaria mudo até o menino
nascer, afirmou Gabriel. Imediatamente ele deixou de falar. Mas, de­
pois que a idosa e outrora estéril Isabel deu à luz, a voz lhe voltou. A
criança se tornou conhecida como João Batista, o grande profeta que
anunciou a vinda de Jesus. (Ver Lucas 1:5-25, 57-80; 3:1-18.)

Jesus
Maria, a virgem, ficou ofuscada por aquela luz brilhante. Ao voltar-se,
viu diante de si Gabriel, o anjo do Deus de Israel. Ele a informou de
que seria mãe. O menino se chamaria Jesus e ficaria conhecido como

130
o Filho de Deus. “Mas como poderá isso acontecer”, disse Maria, “se
sou virgem?” —Gabriel replicou: “O Espírito Santo baixará sobre t i ...
Nada é impossível a Deus.” Maria não teve contato com nenhum ho­
mem mas, ainda assim, nove meses depois, deu à luz um filho. Pôs-
lhe o nome de Jesus. (Ver Lucas 1:26-38; Mateus 1:18-25. Ver também
Isaías 7:14.)

ESBARRANDO C O M A M ORTE

A Bíblia está cheia de histórias de pessoas que escaparam da morte


por um triz - algumas porque estavam no lugar errado na hora erra­
da, outras por causa de suas crenças.

Chamem-me Ismael
A velhinha Sara finalmente ficou grávida e deu um filho ao marido,
Abraão. Este, porém, segundo o costume da época, já tivera um me­
nino de sua serva, Hagar. Agora mãe do herdeiro legítimo, Sara exigiu
que Hagar e seu filho, Ismael, fossem embora. Os dois vagaram pelo
deserto até sua provisão de água acabar. Hagar chorou, sabendo que
a criança logo morreria. Mas Deus ouviu os gritos do pequenino e
mostrou a Hagar um poço, que lhes salvou as vidas. Ismael cresceu e
se tornou o pai de uma grande nação. (Ver Gênesis 21:9-21.)

Serviço de Quarto
Um profeta nunca vence concursos de popularidade. Em geral, trans­
mite a palavra de Deus ao preço da rejeição e do confronto. Elias, por
exemplo, sempre se via às voltas com o perverso rei Acabe, de Israel.
Certa feita, depois de advertir Acabe de uma calamidade próxima,

131
Deus mandou Elias se esconder numa caverna; porém, não o deixou
morrer ali. Enviou corvos com alimento para o profeta até chegar a ho­
ra de ele voltar. (Ver 1 Reis 17:1-7.)

Genocídio
Povo vencido é muitas vezes povo odiado. Hamã, ministro da inteira
confiança de Xerxes, rei da Pérsia, detestava os escravos judeus a tal
ponto que convenceu o monarca a sentenciá-los à morte. Curiosa­
mente, nem Hamã nem o rei sabiam que Ester, a esposa favorita de
Xerxes, era judia. Antes que se desse o morticínio, ela intercedeu ju n ­
to ao rei por seu povo, arriscando assim a própria vida. Xerxes não
apenas suspendeu a carnificina programada como mandou executar o
pérfido Hamã. (Ver o livro de Ester.)

O Caso do Cesto
Os judeus de Damasco estavam em polvorosa. Seu maior aliado - o
impetuoso fariseu Saulo - acabara de se converter! Fora a Damasco
para prender cristãos, a fim de sufocar o cristianismo no nascedouro
e interromper a divulgação da mensagem de seu líder herético, Jesus.
Mas, a caminho da cidade, alguma coisa acontecera e Saulo se tomou
um deles - um cristão! E já começava a pregar, ali mesmo em Damas­
co! Os judeus ficaram tão perturbados que planejaram matá-lo. Sau­
lo (Paulo) soube da trama e seus novos amigos cristãos ajudaram-no
a fugir colocando-o num grande cesto e baixando-o por uma abertu­
ra da muralha até o chão. (Ver Atos 9:1-25.)

Tudo é Relativo
Paulo não conseguia viver longe de confusão. De novo as pessoas tra­
mavam a sua morte. Dessa vez um grupo de judeus de Jerusalém ju ­
rou não comer nem beber enquanto não matasse Paulo. Foram então
até os líderes da comunidade judaica, que resolveram achar um pre­
texto para convocar Paulo no dia seguinte, com o objetivo de inter-

132
rogá-lo. “Vamos matá-lo no caminho”, combinaram os conspiradores.
Um jovem, porém, soube do plano: era, por acaso, o sobrinho mais
novo de Paulo. O bravo rapazinho correu a contar tudo aos soldados
romanos, que atrapalharam o projeto mandando Paulo para outro lo­
cal, naquela noite. Imaginem o que aconteceu com o juramento dos
assassinos! Até quando puderam passar sem comer nem beber? (Ver
Atos 23:12-24.)

Naufrágio e Picada de Cobra


Poucas pessoas na Bíblia enfrentaram a morte tantas vezes quanto o
apóstolo Paulo. Foi açoitado com varas e cordas, apedrejado e assal­
tado. Numa série de acontecimentos relatados no livro de Atos, seu so­
brinho teve notícia de um plano para liquidá-lo, de modo que Paulo
precisou fugir. Então, enquanto ele estava a bordo de um navio para
Roma, sobreveio uma terrível tempestade, que sacudiu perigosamen­
te o barco e quase afogou a tripulação inteira. Na ilha de Malta, uma
serpente venenosa picou a mão de Paulo. E, para espanto dos demais,
ele apenas sacudiu-a fora e se foi, ileso. Deus prometera enviá-lo a Ro­
ma e nem mesmo uma cobra peçonhenta interromperia esses planos!
Segundo a tradição da igreja, Paulo de fato morreu depois em Roma,
decapitado por ordem do imperador. (Ver Atos 23:12-35; 27:1-28:6.)

DE PÉ JUNTO A O ALTAR

O altar tem sido a pedra angular do culto de muitas civilizações. No


antigo Israel, ele recebia oferendas de graças e pedidos de perdão pa­
ra os pecados. Mas, mesmo nesses locais santos, o inesperado podia
acontecer.

133
Um Sacrifício Horrível
Isaque era o filho que Deus prometera a Abraão. Segundo o Senhor,
Isaque faria dos descendentes de Abraão uma grande nação. Por isso,
deve ter parecido estranho ao ancião a ordem divina para edificar um
altar e oferecer Isaque em holocausto. Sem a mínima objeção, o velho
pai obedeceu. Depois de preparar a madeira necessária, amarrou a
criança e colocou-a sobre o altar. Surpreendentemente, Isaque não re­
sistiu. Quando Abraão erguia a faca para matar o filho, um anjo do Se­
nhor o deteve. Deus estava tão feliz com a obediência do seu servo
que forneceu um cordeiro para terminar o sacrifício interrompido. Os
descendentes de Abraão - por meio do seu filho Isaque - se tornaram
o povo judeu. (Ver Gênesis 22:1-19.)

Não Façam Isso!


A edificação de um altar, certa vez, quase provocou uma guerra civil
entre as tribos de Israel. As que se tinham instalado na margem orien­
tal do Jordão - Rúben, Gade e metade da de Manassés - ergueram um
altar como memorial. Mas as outras tribos, temerosas de que aquelas
houvessem caído na idolatria, prepararam-se para a guerra a fim de eli­
minar semelhante ameaça. Depois de uma reunião formal, as tribos
orientais alegaram convincentemente que não pretendiam rebelar-se;
tencionavam apenas lembrar aos seus descendentes que também eles
eram o povo de Deus. Suas palavras foram bem-acolhidas e evitou-se
a matança. Os homens das tribos de Gade e Rúben deram então ao al­
tar o nome de “Testemunha”, para confirmar a união deles com o res­
to de Israel. (Ver Josué 22:10-34.)

Destruição de Baal
Gideão, um dos mais famosos juizes de Israel, resolveu jogar duro
com a idolatria. O Senhor o instruiu a destruir o altar erguido por seu
pai a Baal e derrubar os postes de Aserá que o rodeavam. Em seguida,
construiría um altar ao Senhor usando a madeira dos postes como sa-

134
crifício. Gideão fez exatamente o que lhe fora mandado, mas a cida­
de ficou furiosa com seu ato. Os habitantes ordenaram ao pai de Gi­
deão que o matasse, mas o pai se recusou, desafiando Baal a defender
a si próprio. Daí por diante Gideão ficou conhecido como Jurubaal,
que significa “Que o Baal se defenda”. (Ver Juizes 6:24-32.)

V O C Ê S A B IA ?

5 *»

Quem era a deusa Aserá? E que eram seus postes? Por que os pro­
fetas de Israel clamavam contra o culto a Aserá?

Embora o culto a Aserá fosse denunciado repetidamente pelos


profetas do Antigo Testamento, os rituais específicos a ele asso­
ciados são desconhecidos pelo moderno estudioso da Bíblia. Os
cananeus, povo que vivia entre os israelitas, reverenciavam Ase­
rá como deusa da fertilidade ou mesmo da sexualidade. Era con­
siderada esposa de El, o deus supremo da mitologia cananeia. Os
misteriosos postes de Aserá, ligados ao culto da deusa, eram apa­
rentemente troncos de árvore despidos de seus galhos. A fun­
ção exata desses postes - às vezes associados à prostituição
masculina e feminina - não é clara. Sabe-se apenas que os pro­
fetas israelitas os consideravam repulsivos e ordenavam aos reis
de Israel que os deitassem abaixo onde fossem encontrados.

135
REFEIÇÕES M EM ORÁVEIS

Nos tempos antigos, as refeições eram acontecimentos de grande im­


portância. Negócios se faziam à mesa e grandes festas comemoravam
tratados antigos. Muitas dessas festas enchiam de alegria os comensais.
Mas houve convidados cujo destino foi pior do que a indigestão.

A Refeição mais Cara da Bíblia


Esaú e Jacó, filhos gêmeos de Isaque e Rebeca, tinham pouca coisa
em comum. Esaú, o mais velho, gostava da vida ao ar livre e ganhou
reputação de ótimo caçador. Jacó era mais caseiro, preferindo o con­
forto do lar. Um dia Esaú chegou em casa faminto. Jacó preparava um
guisado e Esaú pediu-lhe uma porção, mas Jacó respondeu que só lhe
daria caso o irmão mais velho renunciasse aos seus direitos de pri-
mogenitura. Esaú concordou sem pensar, desistindo assim de toda a
riqueza e poder que lhe eram devidos de acordo com o costume da
época. Essa refeição caríssima mudaria o curso da história do Orien­
te Médio. Os descendentes de Jacó se tornaram o povo de Israel e os
de Esaú formaram a nação de Edom, que depois desapareceu. (Ver
Gênesis 25:27-34.)

Forte Indigestão
Hamã estava fora de si de tanta alegria! Mais um banquete! Sem dú­
vida impressionara o rei Xeixes e a rainha Ester com sua conversação
inteligente. Tudo correra bem a ponto de a rainha convidar o marido
e Hamã para outro banquete no dia seguinte. Hamã inchava de orgu­
lho com sua posição obviamente bastante prestigiada na corte persa.
Entretanto, o banquete do dia seguinte não foi o que ele esperava. À
mesa, a rainha fez um estranho pedido: que sua vida e a de seu povo

136
fossem poupadas. “Como assim?”, perguntou o rei. Quem estava pon­
do a vida da rainha em perigo? Ester apontou para Hamã, autor de
uma lei que o monarca sancionara - lei pela qual todos os judeus de-
veriam ser mortos (tudo para que Hamã se vingasse do seu inimigo ju ­
rado, um judeu de nome Mardoqueu). Nem é preciso dizer que o
banquete não terminou bem para Hamã. (Ver Ester 3-7.)

Fora com Essa Cabeça!


Os profetas às vezes são irritantes - sobretudo quando nos conde­
nam diretamente. Herodes Antipas, governante da Galileia e da Pe-
reia, sentiu-se assim com relação a João Batista: este dizia a quantos
quisessem ouvir que Herodes havia tomado a esposa do seu irmão,
Herodias. Por isso, o governante mandou prender João Batista. Na
noite do aniversário de Herodes, a filha de Herodias dançou para ele
e seus convidados. E a dança lhe agradou tanto que prometeu aten­
der a qualquer pedido dela. Instigada pela mãe, a jovem pediu a ca­
beça de João Batista numa bandeja - e foi atendida. (Ver Mateus
14:1-12; Marcos 6:14-29.)

Um Fornecedor Cósmico?
O anfitrião daquela festa de casamento cometera uma gafe: ficara sem
vinho. Mesmo uma bebida de qualidade inferior teria aplacado a se­
de dos convidados àquela altura - mas não havia nenhuma. Jesus, um
dos presentes, encarregou-se do problema (a pedido da mãe) e orde­
nou que seis grandes jarras de barro fossem enchidas de água. A se­
guir, os criados colheram uma amostra e apresentaram-na ao anfitrião,
para que a provasse. Não apenas a água se transformara em vinho co­
mo esse vinho era de longe melhor que qualquer outro já servido du­
rante a cerimônia. Com esse milagre, Jesus iniciou seu ministério. (Ver
João 2:3-11.)

137
Cinco Mil Famílias para o Jantar
As pessoas estavam famintas. Os cinco mil homens resmungavam sem
parar enquanto as mulheres se perguntavam por que eles não haviam
planejado melhor e trazido ao menos um pouco de pão. Quanto às
crianças... bem, já começavam a fazer birra, para dizer o mínimo. No
entanto, as palavras daquele homem eram tão interessantes, tão capa­
zes de mudar uma vida! Por isso o haviam seguido até um lugar dis­
tante. Agora o sol declinava. Onde toda aquela multidão iria obter
alimento suficiente para sustentá-los durante a noite? Súbito, ouviu-se
o farfalhar de milhares de mantos enquanto as pessoas começavam a
sentar-se. “Que se passa?”, perguntou alguém. Com um dar de om­
bros, outro respondeu: “Não sei. Apenas nos foi pedido que nos sen­
tássemos.” Que era aquilo? Pessoas ofereciam comida - pão e peixe -
a todos. Aos que estavam um pouco longe, parecia que os cestos dos
discípulos ficariam vazios antes de chegar até eles. Mas não: os discí­
pulos continuavam seu caminho, distribuindo pães e peixes, pães e
peixes, mais pães e peixes... Como podia isso estar acontecendo? (Ver
Mateus 14, Marcos 6, Lucas 9, João 6.) E, como se tal não bastasse, Je ­
sus fez aquilo de novo um pouco mais tarde - dessa vez para cerca de
quatro mil famílias que estavam presentes. (Ver Mateus 15, Marcos 8.)

Última Ceia
Com os amigos mais íntimos à sua volta, Jesus ceou. Eles não sabiam
que aquela seria a “última” ceia; mas ele sabia. Jesus lavou-lhes os pés
para mostrar àqueles discípulos empoeirados o que era ser líder no
novo movimento há pouco inaugurado por ele próprio. Falou-lhes
sobre quem era, sobre a vinda do Espírito Santo, sobre a necessidade
de permanecerem perto dele como se fossem os galhos de uma vinha,
sobre a oração. Comendo o pão e bebendo o vinho, Jesus deu instru­
ções detalhadas aos discípulos - homens que, à exceção de Judas,
iriam disseminar sua mensagem depois que ele voltasse para o céu.
Essa ceia especial continua a ser celebrada ainda hoje nas igrejas cris-

138
tãs. Chamam-na Comunhão, Eucaristia ou Santa Ceia. Paulo escre­
veu à igreja de Corinto: “Toda vez que comerdes deste pão e beberdes
desta taça, estareis anunciando a morte do Senhor até que ele volte”
(1 Coríntios 11:26). Sem dúvida, essa foi a mais memorável de todas
as refeições. (Ver Mateus 26; Marcos 14; Lucas 22; João 13-17.)

Q U A L A M ELH O R M ANEIRA DE MORRER?

Embora algumas pessoas possam sustentar que não há uma boa ma­
neira de morrer, todas sem dúvida concordarão que as mortes se­
guintes, registradas na Bíblia, são particularmente desagradáveis.

Dote Mortal
O príncipe Siquém habituara-se a tomar o que queria. Quando viu Di-
ná, a única filha de Jacó, ficou encantado com sua beleza. Agarrou-a
e violentou-a. Depois quis desposá-la e foi pedir a permissão do pai e
dos irmãos dela. Prometeu pagar o dote que exigissem, como preço da
mão de Diná. Os irmãos, furiosos com o que acontecera, enganaram
Siquém fingindo aprovar o pedido, mas exigindo que os homens da al­
deia de Siquém fossem circuncidados. Enquanto eles se recuperavam
da cirurgia, dois dos irmãos de Diná penetraram na cidadezinha e ma­
taram todos os homens que por lá encontraram, inclusive Siquém. Es­
sa vingança enfureceu Jacó, que temeu a retaliação dos vizinhos. (Ver
Gênesis 34:1-31.)

Dor Aguda de Cabeça


Sísera pensou que encontrara um refúgio. Comandante das hostes de
Canaã, fugira a pé depois de perder todo o seu exército para os israe-

139
litas. Encontrou então a tenda de Héber, o queneu. Como o clã de Hé-
ber mantinha boas relações com o rei de Canaã, Sísera aceitou a hos­
pitalidade da esposa dele, Jael, que o acolheu na tenda. Ele logo
adormeceu de cansaço. Jael, aproximando-se, pegou um martelo e cra­
vou uma estaca na cabeça de Sísera. Débora, profetisa e juíza, come­
moraria numa canção a morte surpreendente de Sísera. (Ver Juizes
4:1-24; 5:24-31.)

Morte de Arrepiar os Cabelos


Absalão, filho do rei Davi, teria vivido mais se não fosse sua cabelei­
ra, verdadeiramente notável. Pesando quase três quilos, seus cabelos
eram grossos e densos. Absalão só os cortava uma vez por ano. Mas
mesmo assim era vaidoso e presunçoso. Liderou uma revolta contra o
pai, que terminou em fracasso. Montado numa mula e fugindo aos
homens de Davi, Absalão se meteu por um bosque e seus cabelos se
prenderam a um ramo de carvalho. Enquanto ele esperneava no ar, o
general de Davi, Joabe, matou-o e sepultou-lhe o corpo no mato. A
morte de Absalão entristeceu grandemente Davi, apesar de toda a per­
fídia do filho. (Ver 2 Samuel 18.)

IRMAS PERVERTIDAS

Estas mulheres são lembradas sobretudo por suas intrigas e dureza de


coração. Seus planos fracassaram.

A Mulher Desprezada
José, homem finíssimo, chegou ao Egito acorrentado e logo foi vendi­
do a um funcionário do faraó, Putifar. Ele cumpriu bem seus deveres,

140
mas, como era formoso de porte e aparência, atraiu os olhares da do­
na da casa. Ela não teve meias-palavras: “Vem já dormir comigo!” Jo ­
sé recusou várias vezes. Finalmente, estando sozinha com ele em casa,
a mulher fez um último, desesperado esforço; e, de novo, José a repe­
liu. Saiu correndo, mas ela lhe agarrou o manto. Quando Putifar vol­
tou, a mulher se fingiu de vítima inocente. Mostrou-lhe o manto como
prova de que lutara para escapar de José. O enraivecido Putifar lançou
o virtuoso jovem na prisão, onde ele permaneceu durante anos até ser
chamado para interpretar um sonho do faraó. (Ver Gênesis 39:1-23.)

Traído por Beijos


Sansão era um homem consagrado a Deus, embora nem sempre con­
seguisse refrear o orgulho e a cólera. Também não resistia a uma mu­
lher bonita, pouco lhe importando a classe ou o caráter dela. Dalila, a
filisteia, vivia no vale de Soreque e chamou a atenção do herói. Os lí­
deres filisteus, já muito humilhados por Sansão, souberam do ro­
mance e convenceram-na a descobrir o segredo da força do israelita.
Três vezes ela tentou, em vão, arrancar-lhe esse segredo, mas por fim
suas queixas manhosas o demoveram. Sansão contou-lhe que seus ca­
belos nunca deviam ser cortados, pois fizera um voto a Deus. Estan­
do ele a dormir, os filisteus rasparam-lhe a cabeça e o amarraram. A
traição de Dalila foi completa. (Ver Juizes 16:1-21.)

Rainha Assassina I
Jezabel era uma dama terrível. Fizera um poderoso profeta de Deus fu­
gir para salvar a vida e desejar a morte. Eliminara um vizinho apenas
porque ele queria conservar sua vinha. Quando o marido de Jezabel,
Acabe, mostrou desejos de possuir a vinha, ela tudo dispôs para que
a obtivesse. Trouxe o culto dos ídolos e a feitiçaria para Israel. E, ao
que parece, não tinha consciência, nem moral - nada que a recomen­
dasse. De fato, quando a Bíblia alude a uma mulher perversa, usa o no­
me “Jezabel” (Apocalipse 2:20). Ela teve o fim que merecia - caiu de

141
uma janela e agonizou no chão, onde os cães se aproximaram para
lamber-lhe o sangue. (Ver 1 Reis 16-21; 2 Reis 9:7-37.)

Rainha Assassina II
Atalia ficou arrasada quando seu filho Acazias, rei de Judá, morreu.
Ainda assim deu um golpe de Estado. Fez-se a governante legítima
depois de assassinar quem quer que aspirasse ao trono - o que incluía
todos os filhos do rei morto. Mas a cunhada de Atalia, Josebate, sou­
be da conspiração e ocultou o filho mais novo de Acazias, Joás. O ra­
pazinho ficou escondido por seis anos. Joiada, o sumo sacerdote,
cuidou dele até o momento em que achou oportuno pôr fim aos des­
mandos de Atalia. Durante uma cerimônia pública armada às pressas,
Joás foi coroado rei. Joiada ordenou então que soldados leais ao novo
soberano executassem Atalia, e eles o fizeram. Ela foi a única mulher
a reinar em Judá. (Ver 2 Reis 11:1-15.)

A M O N TAN H A DE DEUS

Embora hoje ninguém saiba ao certo onde fica, há um lugar mencio­


nado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento da Bíblia como
monte Sinai (às vezes, monte Horebe). É um lugar tão importante que
aparece designado em algumas traduções como “Montanha de Deus”
- e por uma boa razão. Esse sitio sagrado figura repetidamente na his­
tória espiritual de Israel.

A Sarça em Chamas Que Não Se Consumia


Moisés, que se tornaria depois o grande profeta do povo de Israel,
apascentava ovelhas no deserto do Sinai. Viu então uma sarça que ar-

142
dia em chamas, mas continuava intacta. Intrigado, aproximou-se pa­
ra investigar. Imagine-se sua surpresa e medo quando ouviu uma voz
que vinha do arbusto. Não uma voz qualquer: a voz do Deus vivo!
Moisés obedeceu à ordem de tirar as sandálias, pois a encosta onde se
encontrava era solo sagrado. Soube então que fora escolhido para ti­
rar o povo de Deus do Egito. (Ver Êxodo 3:1-22.)

Na Presença de Deus
Depois que resgatou o povo israelita da servidão no Egito, o profeta
Moisés conduziu-o ao monte Sinai, conforme Deus ordenara. Dei­
xando a multidão acampada no sopé da montanha, subiu até o cume
para falar com o Senhor e adorá-lo. Jeová apareceu numa nuvem fla­
mejante e transmitiu suas leis a Moisés. Quando este desceu da mon­
tanha, o povo reparou que sua face brilhava, pois estivera na presença
de Deus. As tábuas que trazia consigo continham o resumo das leis pa­
ra Israel, muitas vezes chamadas de Os Dez Mandamentos. (Ver Êxo­
do 34:1-35.)

Santuário
Depois de obter uma tremenda vitória sobre os sacerdotes de Baal, o
profeta israelita Elias viu-se na contingência de fugir para salvar a vi­
da. Jezabel, rainha de Israel, havia exigido a sua morte para se vingar
da humilhação infligida a seus sacerdotes. Um anjo instruiu Elias a
percorrer centenas de quilômetros até o monte Sinai. E no monte Si­
nai, Deus lhe apareceu e perguntou o que fazia ali. Elias contou ao
Senhor suas desgraças. Deus ordenou-lhe que permanecesse no local
para vê-lo passar. Um forte vento sacudiu a montanha e deslocou as
rochas, seguido de um terremoto e um incêndio. Mas Deus só se re­
velou falando pelo sussurro de uma brisa suave. Tranquilizado, Elias
seguiu as instruções do Senhor e voltou por onde viera. (Ver 1 Reis
19:1-18.)

143
V O C Ê S A B IA ?

5 *»

Como sobreviver quarenta dias sem comida nem água?

Uma pessoa corajosa, fazendo dieta, pode tentar abster-se de ali­


mento por uma semana. Mas que dizer de quarenta dias sem co­
mida nem água? O jejum voltou a ser popular por causa de seus
benefícios físicos e espirituais. Mas jejuns prolongados são raros.
Os médicos consideram semelhante comportamento suicida. Sa­
bemos que Moisés fez exatamente isso - absteve-se de toda nu­
trição por quarenta dias (Êxodo 34:28). Uma pessoa pode
sobreviver sem comer nada por 28 dias. A água, porém, é mais
necessária à vida: sem ela, só se sobrevive por sete dias. Como
pôde Moisés ficar sem beber água durante quarenta dias? Talvez
os anjos atendessem às suas necessidades, como fizeram com
Jesus quando este empreendeu um jejum similar no deserto (ver
Mateus 4:2). Ou talvez fosse sustentado por Deus em pessoa,
enquanto aguardava nas encostas sagradas do monte Sinai.

A V ida L onga e C uriosa da Bíblia


A Bíblia é um dos livros mais antigos que a humanidade conhece. Se­
gue-se uma lista das vicissitudes desse manuscrito no decorrer da his­
tória.
I n c id e n t e R esto da H is t ó r ia R e f e r ê n c ia

Feito em pedaços. Quando Moisés voltou pela primeira Êxodo 32:19-20;


vez do monte Sinai com as tábuas de 34:1-35
pedra onde Deus gravara a lei,
surpreendeu o povo em plena orgia
pagã. Furioso, atirou as tábuas ao chão

144
e fê-las em pedaços. Deus lançou
depois a “segunda edição” do código.

Posto em caixinhas Os esforços para aplicar as leis de Deuteronômio


e gravado. Deuteronômio 6:8-9 resultaram em 6:8-9; Mateus
diversas tradições ainda seguidas pelo 23:5
povo judeu. A frase “amarra-as nas
mãos e usa-as na testa para que te
lembres” deu origem aos tefilins,
fitas pretas atadas a caixinhas.
Os varões judeus devotos usam
dois tefilins no culto: um em
volta da cabeça, com a caixa
contendo trechos manuscritos
da Escritura pendendo entre seus
olhos; e o outro amarrado a um
dos braços. A frase “escreve-as
nos umbrais de tua casa” deu
origem aos mezuzás, caixinhas
que trazem dentro um
minúsculo manuscrito de
Deuteronômio 6:4 e são
pregadas aos portais das casas.

Perdido e achado. No reinado de Josias, o templo de 2 Reis 22:8-13


Jerusalém foi purificado e restaurado.
Em meio ao entulho, achou-se um
rolo de pergaminho contendo a lei.
Aparentemente, a negligência fora
responsável pela perda ou extravio
da Escritura. Advertências e
ameaças apressaram o renascimento
espiritual do país.

Louvado. Um fiel talentoso escreveu um Salmo 119


salmo enciclopédico no qual cada
um dos 176 versículos louva e
reverencia a palavra de Deus.
O salmo tem 22 seções; cada uma
corresponde a uma letra do
alfabeto hebraico e cada versículo
começa com a letra de sua seção.

145
Cortado e O rei Joaquim picou partes do Jeremias 36:21-25
Queimado. pergaminho de Jeremias e lançou-as
ao fogo depois de ouvir o que
Deus mandara o profeta escrever.

Comido. Depois de encarregar Ezequiel de um Ezequiel 2:9-3:3


serviço especial, Deus incluiu em
sua aparição um pergaminho que o
profeta teve de engolir. Embora o
rolo só contivesse coisas tristes,
Ezequiel relatou que seu gosto
era doce.

Distorcido. Jesus observou, colérico, Marcos 7:6-13


que alguns “dispositivos” da Escritura
acabavam resultando em distorções
das ordens de Deus. Em seu tempo,
por exemplo, os mestres diziam às
pessoas que a necessidade de cuidar
dos pais podia ser evitada bastando
que elas “dedicassem” todos os seus
bens a Deus.

V O C Ê S A B IA ?

Por que iriam os hebreus adorar um bezerro? De que modo uma es­
tátua de ouro inspirou uma orgia?

A história do bezerro de ouro ainda surpreende o leitor moder­


no. Por que iria o povo adorar um objeto feito por suas próprias
mãos? E como esquecería a lei que Moisés lhe apresentara pou­
cos dias antes? Sobretudo o primeiro mandamento advertia os
israelitas a não adorar falsos deuses. Mas Aarão, irmão de Moi­
sés e futuro sumo sacerdote, cedeu à pressão popular e fabricou

146
um bezerro de ouro. O povo respondeu com uma orgia desen­
freada de bebedeira e intemperança (ver Êxodo 32).
Os estudiosos vêm debatendo o significado desse ídolo há sé­
culos. Alguns alegam que não era na verdade um bezerro e sim
um touro. Os autores bíblicos teriam usado a palavra “bezerro”
para exprimir seu desdém pelo objeto que os israelitas adora­
ram. O touro era cultuado por muitos povos do Oriente Médio.
Os egípcios, por exemplo, cultuavam Hapi, divindade represen­
tada por um touro. É possível que, acabando de sair do Egito, os
israelitas moldassem um deus segundo uma forma conhecida. E
também é possível que o bezerro fosse uma imitação dos touros
representados pelo deus cananeu Baal. Nos tempos antigos, o
touro era um símbolo corriqueiro de fertilidade. Isso explica por
que um “bezerro” seria motivo de zombarias de todos os tipos.

OBJETOS CO M U N S

A Bíblia conta muitas histórias estranhas sobre objetos comuns, cor­


riqueiros como bengalas, varas e cajados de pastores, que fazem coi­
sas incríveis e extraordinárias.

A Serpente-Cajado
Deus escolheu Moisés para, de volta ao Egito, tirar seu povo da es­
cravidão. Mas Moisés, inseguro e hesitante, procurou toda sorte de
desculpas para não assumir essa responsabilidade. Deus mandou-o
jogar seu cajado no chão. Ele o fez e o cajado se transformou numa
serpente; quando a pegou pela cauda, ela se transformou de novo em

147
cajado. Moisés usou-o para realizar inúmeros prodígios que conven­
ceram (embora por pouco tempo) o faraó a libertar o povo de Deus.
(Ver Êxodo 4:1-5.)

Varas e Pedras
Moisés e o povo de Israel escaparam à escravidão no Egito, mas tive­
ram de encarar outro desafio: a hostilidade do deserto. Quando che­
garam a um local onde não havia água, a multidão sedenta começou a
resmungar e a se queixar de Moisés. Deus disse a Moisés que ferisse a
rocha com seu cajado. Ele obedeceu e a água jorrou, suficiente para
todas as pessoas e os animais. Anos mais tarde, foram ter a outro local
também sem água. Dessa vez, o Senhor mandou que Moisés falasse à
rocha, pois assim encontraria água; mas Moisés preferiu golpear a pe­
dra duas vezes com seu cajado. A água apareceu, mas, como não se­
guira as instruções divinas, Moisés foi proibido de entrar na Terra
Prometida com seu povo. (Ver Êxodo 17:1-6; Números 20:1-12.)

A Vara Que Floresceu


Moisés instruiu cada um dos doze chefes tribais de Israel a trazer uma
vara com seu nome gravado. As varas seriam em seguida depositadas
no recinto interior do tabernáculo. O homem cuja vara fosse escolhi­
da por Deus governaria Israel sob as ordens de Moisés. Todos saberiam
qual fora o chefe designado pelo Senhor porque sua vara florescería.
Assim os homens, inclusive Aarão, trouxeram uma vara com seu no­
me inscrito e Moisés as depositou no tabernáculo. Na manhã seguin­
te, a vara de Aarão estava florescente - tinha até amêndoas maduras
pendendo dela! (Ver Números 17:1-11.)

Uma Pedra Pequena e uma Grande Dor de Cabeça


Dois exércitos observavam, perplexos, o gigante com sua pesada ar­
madura estendido no chão. O duelo parecera a todos uma pilhéria: o
pastorzinho israelense apresentando-se para um combate singular con-

148
tra o experiente soldado filisteu de quase três metros de altura. Quem
vencesse o duelo vencería também a batalha - e os filisteus devem ter
se sentado no chão aos risos, enquanto Golias envergava sua couraça
de mais de cinquenta quilos. Davi também tentou vestir uma armadu­
ra, mas ela lhe pareceu muito pesada. Em vez disso, correu ao regato
próximo e escolheu cinco pedras lisas. Entrementes, sem dúvida, os
israelenses estavam se despojando do seu equipamento para poder fu­
gir mais depressa. Como pudera o rei Saul permitir tamanha insensa­
tez? Davi, porém, não parecia preocupado. “Venho contra ti em nome
do Senhor dos Exércitos do Céu!”, gritou ele a Golias. Quando o gi­
gante se aproximou, Davi pôs uma pedra em sua funda e ela partiu,
zunindo. O projétil atingiu Golias na testa, derrubando-o. Davi usou a
própria espada do inimigo para decapitá-lo. (Ver 1 Samuel 17.)

A Vara Que Fez um Machado Flutuar


O profeta Eliseu estava na margem do rio Jordão ajudando alguns alu­
nos a cortar madeira para a edificação de um novo dormitório. En­
quanto trabalhavam, o machado de um dos alunos se desprendeu do
cabo e caiu na água. Era de ferro, metal raro naqueles dias, e muito va­
lioso. Angustiado, pois a ferramenta era emprestada, o rapaz pediu
que Eliseu o ajudasse. O profeta perguntou onde a peça caíra e o alu­
no ansioso mostrou o lugar. Eliseu cortou uma vara e jogou-a no rio.
Miraculosamente o machado, desafiando a gravidade e o ímpeto da
corrente, boiou à superfície e foi recolhido pelo jovem. (Ver 2 Reis
6:1-7.)

149
LEPRA INSTANTÂNEA

A grande paciência de Deus era posta duramente à prova por aqueles


que o irritavam ou desobedeciam às suas ordens. Às vezes, ele recor­
ria à doença ou à aflição para transformar corações ou sufocar revol­
tas. No caso de Moisés, usou a doença para demonstrar que tinha
poder sobre a natureza. A Escritura relata alguns episódios de molés­
tia repentina, que atacou sem prévio aviso.

Sinais de Deus
Deus acabara de revelar seu plano de redenção a Moisés. Amedronta­
do e confuso, Moisés ponderou que ninguém acreditaria ter sido ele
o escolhido para a tarefa. Assim, Deus lhe enviou dois sinais: o caja­
do, que se transformava em cobra e depois voltava a ser cajado, e a
própria mão de Moisés. Quando ele a metia sob o manto e a retirava,
ela aparecia coberta de lepra - branca como a neve! Mas, se a oculta­
va de novo sob o manto, a mão voltava ao normal. Deus sugeriu a
Moisés que empregasse esses sinais perante os israelitas, os quais sa­
beríam assim que o próprio Deus o enviara para liderá-los. (Ver Êxo­
do 4:1-8.)

Uma Irmã Invejosa


Moisés era o líder do povo de Israel e sua irmã Miriã gozava de mui­
to prestígio como chefe do culto. Mas mesmo assim tinha inveja do
poder incontestável de Moisés e combinou com seu outro irmão, Aa-
rão, criticar o casamento de Moisés com uma mulher estrangeira.
Deus ouviu-a e castigou-a. Cobriu-a de lepra por sete dias - doença
que a obrigou a permanecer longe do acampamento israelita até ser
declarada limpa de novo. (Ver Números 12:1-15.)

150
O Orgulho Precede a Queda
Uzias tinha sido um bom rei, mas acabou ficando orgulhoso demais
do seu poder. Certa feita, desobedeceu a Deus entrando no templo e
oferecendo-lhe incenso, o que era privilégio dos sacerdotes. Por cau­
sa disso, foi assolado pela lepra pelo resto da vida. Isso significava que
não podia mais pôr os pés no templo nem no palácio. Seu filho o subs­
tituiría no trono. E quando Uzias morreu da doença, não o sepultaram
no cemitério real. (Ver 2 Crônicas 26.)

CIRCUNCISÃO ACIDENTAL

Os antigos praticavam a circuncisão nos meninos, como muitos povos


fazem ainda hoje. Para os israelitas, essa prática os tornava filhos de
Deus. Era um rito de iniciação. Mas às vezes o ato era praticado em si­
tuações bizarras ou de perigo.

Esquecimento
Moisés tinha a obrigação de lembrar-se. Fora encarregado de livrar Is­
rael da servidão e trazer-lhe vida nova. No entanto, esquecera-se de
circuncidar o próprio filho - falha imperdoável no novo líder do povo
de Deus! Desse modo Deus o confrontou e estava a ponto de matá-lo
quando Zípora, esposa de Moisés, agarrou uma faca de pedra e cir-
cuncidou o garoto, castigando assim o marido. (Ver Êxodo 4:24-26.)

O Preço da Noiva
Davi ficou famoso depois de derrotar Golias. De fato, mais famoso
que o próprio rei, o que não deixava Saul nada satisfeito. Saul pro­
metera sua filha Mical em casamento a Davi, mas exigia por ela um do-

151
te invulgar: cem prepúcios de filisteus. Esperava com isso que Davi
fosse morto pelos inimigos enquanto estivesse amealhando o dote.
Mas ficou desagradavelmente surpreso quando Davi regressou logo
depois - não com cem, mas com duzentos prepúcios de filisteus, duas
vezes o que Saul pedira. (Ver 1 Samuel 18.)

Fonte de Controvérsias
Timóteo, filho de mãe judia e pai grego, foi um dos primeiros con­
vertidos ao cristianismo. Esse jovem tinha tamanho prestígio em Lis­
tra e Icônio que Paulo resolveu levá-lo consigo numa viagem
missionária. Paulo sabia que encontrariam judeus conversos durante
a jornada. E sabia também que esses judeus ficariam ofendidos em
presença de um filho incircunciso de mãe judia. Para evitar esse pro­
blema potencial, Paulo circuncidou Timóteo antes da partida. (Ver
Atos 16:1-4.)

APRENDIZES DE FEITICEIRO

A Escritura sempre recomendou enfaticamente ao povo de Deus que


ficasse longe de magos e feiticeiros. Os praticantes dessas artes negras
desafiavam Deus, pondo-se a si próprios e aos outros em perigo. Ob­
viamente, os feiticeiros e magos que encontramos na Bíblia quase nun­
ca fazem o bem. Apresentamos aqui três histórias de bruxos que se
puseram do lado errado da batalha espiritual.

Janes e Jambres
Magos - mesmo os que se põem do lado errado - às vezes realizam fa­
çanhas extraordinárias. Os feiticeiros que serviam na corte do faraó co-

152
nheciam e praticavam as artes ocultas. Quando Moisés e Aarão com­
pareceram à presença do rei, Aarão atirou seu cajado, que se transfor­
mou em cobra diante dos olhos do monarca. Os magos da corte
conseguiram reproduzir o feito, de modo que o faraó não quis ouvir as
advertências dos dois israelitas. Os magos conseguiram até imitar al­
gumas das pragas que se seguiram - o sangue no rio Nilo e os enxames
de rãs que infestaram o país. Falharam, porém, nas outras pragas. (Coi­
sa estranha! Seria de supor que feiticeiros verdadeiramente habilidosos
tentariam sustar as pragas e não agravá-las. Isso, porém, não estava ao
alcance deles: podiam apenas contrafazer os atos de Moisés e Aarão,
com isso piorando tudo.) Por fim, os feiticeiros reconheceram uma for­
ça maior que a que podiam invocar. “É o dedo de Deus!”, exclamaram
(Êxodo 8:19). Paulo identificou os magos que se opuseram a Moisés
como Janes e Jambres, referindo-se a eles como protótipos de todos
quantos contestam a verdade. (Ver 2 Timóteo 3:8-9.)

A Médium de Endor
O estranho apareceu na calada da noite, pois viera buscar o conselho
de uma feiticeira. Fazia muito tempo que os médiuns haviam sido ba­
nidos de Israel e a pena para a prática da magia negra era a morte. O
homem pediu à médium, uma mulher desconfiada e receosa, para in­
vocar o espírito do profeta Samuel, morto recentemente. Ela gritou
ao avistar o fantasma de Samuel porque só então percebeu que o visi­
tante noturno outro não era senão o rei de Israel, Saul em pessoa! Saul
prometeu que ela não seria punida. Soube então, da boca do fantasma,
que morreria na batalha do dia seguinte. A profecia revelou-se verda­
deira até demais, pois, no outro dia, os filisteus mataram Saul e seus
filhos. (Ver 1 Samuel 28.)

Elimas
Na cidade de Pafos, Paulo e Barnabé encontraram um feiticeiro, Bar-
Jesus, também chamado (em grego) Elimas. Esse homem se tornara

153
uma espécie de conselheiro espiritual do governador de Chipre. Re­
ceoso de perder a influência, Elimas convenceu o governador a não
conceder audiência aos missionários. Paulo, entretanto, acusou Eli­
mas de resistir obstinadamente à vontade de Deus e declarou que o fei­
ticeiro seria acometido pela cegueira. No mesmo momento os olhos de
Elimas se apagaram e ele se pôs a tropeçar no escuro. O governador,
que assistira ao confronto, ficou assombrado e ouviu de boa vontade
as palavras de Paulo. (Ver Atos 13:4-12.)

2 3

Á G U A , Á G U A PO R TO D A PARTE

Os seres humanos não conseguem viver sem água. Nas regiões áridas
do Oriente Médio, viajar sem ela significa grandes riscos e mesmo a
morte. Que podia fazer o povo de Deus quando não havia água à vis­
ta? Eis algumas histórias miraculosas de água que apareceu nos luga­
res mais improváveis.

Morrendo de Sede: Parte I


No início de sua jornada pelo deserto, os israelitas começaram a re­
clamar da falta de água a seu líder Moisés. Acabavam de sair do Egi­
to, mas, ao que parece, haviam perdido sua memória recente: gemiam
como se Deus não mais estivesse interessado no bem-estar deles. O li­
vro do Êxodo narra que Moisés perguntou a Deus o que deveria fazer
e Deus mandou-o levar os anciãos até uma rocha do monte Sinai, a
qual ele deveria golpear com seu cajado. Da rocha brotou água para o
povo beber. Mas o lugar ficou conhecido como Massá e Meribá, pala­
vras que significam “testar” e “contestar”, por causa da desconfiança
dos israelitas. (Ver Êxodo 17:1-7.)

154
Morrendo de Sede: Parte II
Anos depois do incidente em Massá, os israelitas desafiaram de novo
a paciência de Deus. Chegando a Cades, no deserto de Zim, queixa­
ram-se da falta de água. Ameaçaram Moisés e clamaram que, mortos,
estariam melhor. Deus instruiu Moisés a, simplesmente, falar à rocha
na presença do povo, que a água jorraria para homens e animais. Mas
Moisés golpeou a rocha com seu cajado, acrescentando: “Tiraremos
então água desta pedra para vós?” A água fluiu e o povo bebeu até far­
tar-se. No entanto, como contrariara a instrução divina, Moisés não
pôde entrar na Terra Prometida. (Ver Números 20:1-13.)

Uma Fonte para Sansão


Ele se sentou no chão, exausto. Sansão, o grande herói dos israelitas,
exterminara mil filisteus vibrando apenas uma queixada de jumento.
A façanha o esgotara. Clamou então a Deus que morria de sede. Sú­
bito, a água brotou de um buraco no solo e Sansão bebeu à vontade.
Para agradecer, deu ao lugar o nome de “A Fonte Daquele Que Cla­
ma”. (Ver Juizes 15:18-19.)

K
VITÓRIAS INESPERADAS

A Bíblia conta muitas histórias de pessoas que venceram embora es­


tivessem em grande desvantagem. Como essa gente escapou da mor­
te certa ou da derrota, eis um enigma que nem o pesquisador mais
meticuloso é capaz de explicar pelos meios costumeiros.

Mãos ao Alto!
Pouco tempo depois do milagre no mar Vermelho, os israelitas de no­
vo encontraram resistência - dessa vez por parte dos amalequitas, um

155
povo feroz que habitava o deserto do Sinai. Moisés ordenou a Josué
reunir os homens para a guerra. A batalha que se seguiu esteve por
muito tempo indefinida: quando Moisés erguia seu cajado, os israeli­
tas levavam a melhor; quando o baixava, os amalequitas retomavam
a ofensiva. Por fim, Aarão e Hur mandaram-no sentar-se numa pedra
e ampararam-lhe os braços. Ao crepúsculo, Israel esmagara as tribos
invasoras. Moisés, agradecido, erigiu ali mesmo um altar ao Senhor.
(Ver Êxodo 17:10-16.)

Mais Luz
A estrondosa vitória que Josué obteve sobre os amorreus teve uma sé­
rie de intervenções sobrenaturais verdadeiramente notáveis. Josué se
deslocara para a cidade sitiada de Gibeom para resgatar seus habitan­
tes. A Escritura declara que o Senhor lançou o pânico nos exércitos
amorreus, surpreendidos pela rápida chegada de Josué. Suas fileiras se
romperam e os soldados fugiram a pé, mas foram surpreendidos por
uma chuva de granizo - a qual lhes tirou mais vidas que a batalha da­
quele dia. Mais impressionante foi a resposta à prece de Josué. Antes
do combate, ele pedira fervorosamente a Deus que fizesse o sol parar
sobre Gibeom. E, de acordo com a Escritura, o sol de fato deteve seu
curso até que os amorreus fossem derrotados. A observação que re­
mata essa passagem resume o assombroso acontecimento: “Nunca,
antes ou depois, houve um dia como esse, em que Deus ouviu assim
a voz de um homem.” (Ver Josué 10:9-14.)

Excedidos em Número
Gideão não podia acreditar. Trezentos homens? Só trezentos? O exér­
cito midianita que iriam combater tinha milhares de soldados expe­
rientes. Como ganhar uma batalha dispensando quase 32 mil homens
e deixando apenas trezentos, escolhidos pela maneira com que be-
biam a água do rio? Deus, porém, queria que Gideão soubesse de uma
coisa: o combate seria vencido, não por ele ou seu exército, mas pelo

156
próprio Deus. E com efeito, naquela noite, quando os homens de Gi-
deão soaram suas trombetas, ergueram suas tochas e gritaram o mais
alto que podiam, o exército midianita conturbou-se e seus soldados
começaram a lutar uns contra os outros. Israel, é claro, venceu a ba­
talha. (Ver Juizes 7.)

O Exército Que Não Enxergava Direito


Os arameus estavam em guerra com Israel. Tentaram várias vezes ar­
mar emboscadas, mas o profeta Eliseu corria a denunciá-las ao rei de
Israel e os soldados tinham tempo de fugir. O rei dos arameus ficou fu­
rioso com Eliseu e mandou que o prendessem. Ao saber onde ele se
encontrava, enviou tropas para cercarem a cidade à noite. Na manhã
seguinte atacaram, mas Eliseu implorou ao Senhor que cegasse os ini­
migos. Imediatamente os arameus perderam a visão. Eliseu saiu a
campo e disse-lhes que estavam no caminho errado e haviam atacado
a cidade errada. Levou-os então para Samaria, capital de Israel. Tão lo­
go eles atravessaram os portões, ele orou para que voltassem a enxer­
gar. Eles foram capturados. O rei de Israel deu-lhes em seguida uma
grande festa e mandou-os para casa. Os arameus não voltaram a ata­
car Israel. (Ver 2 Reis 6:8-23.)

157
HISTÓRIAS DE ANIM AIS

Quem já passeou por um zoológico sabe que existem animais bem es­
tranhos. Eis algumas histórias bizarras envolvendo animais que apa­
recem na Bíblia.

Tolerância Zero para os Reincidentes


Bois de temperamento ruim não duravam muito em Israel. Segundo
a lei de Moisés, o boi que matasse um homem ou uma mulher deve­
ria ser apedrejado até a morte e seu dono, multado. Se o animal ti­
vesse um longo prontuário de agressões sem que o dono tomasse
providências para detê-lo, então dono e animal seriam apedrejados.
(Ver Êxodo 21:28-30.)

A Mula Falante
Não era culpa da mula: ela apenas avistara o enorme anjo, de espada
em punho, postado no meio da estrada e não quisera brincadeiras com
ele. Infelizmente, seu dono não vira nada. Assim, quando a mula se
afastou do caminho, tentou escapar e por fim simplesmente se recu­
sou a dar mais um passo, o dono a espancou. Então, ela falou: “Que
te fiz eu, que me espancaste já três vezes?”. Por mais estranho que pa­
reça, o dono respondeu-lhe. Eles ficaram conversando sobre o caso
até o Senhor abrir os olhos do homem e ele ver o anjo armado. O do­
no soube então que a mula salvara sua vida. (Ver Números 22:21-36.)

Não Irrite um Careca


Na cultura israelita, esperava-se que os jovens mostrassem profundo
respeito pelos mais velhos. A lei de Moisés, por exemplo, previa se-

158
veras penalidades para os filhos que desacatassem os pais. Talvez is­
so explique a violenta reação de Eliseu a um bando de rapazes que o
ofenderam na estrada de Betei. Eles começaram a insultá-lo e irritá-lo,
cantarolando: “Dá o fora, careca!” Eliseu voltou-se e amaldiçoou-os.
Nesse instante, duas ursas saíram correndo do mato e despedaçaram
42 daqueles atrevidos. Assim vingado, Eliseu prosseguiu seu cami­
nho. (Ver 2 Reis 2:23-24.)

Apenas uma Refeição Leve?


Os leões deviam tê-lo atacado. Na qualidade de verdugos especiais do rei,
eram mantidos famintos o suficiente para arranhar, matar e devorar
quem desagradasse ao monarca e fosse azarado o bastante para ir parar
naquele antro. Assim, quando Daniel se viu no meio deles, foi sem dú­
vida recebido apenas como uma refeição leve. No entanto, ele entrou,
sentou-se e ficou olhando à volta. Um leão enorme observou-o, bocejou
e deitou-se para dormir. Mais uns dois devem ter rosnado para ele. Po­
rém, não deram grande atenção a Daniel, que estava sob a proteção de
Deus. No dia seguinte, quando o jovem foi tirado de lá são e salvo, o rei
decidiu executar seus acusadores. Os leões esfomeados mataram-nos an­
tes mesmo que chegassem ao fundo da cova. (Ver Daniel 6.)

159
V O C Ê S A B IA ?

Que besta feroz, mencionada na Bíblia, desafiou a classificação


científica?

No livro de Jó, encontramos a estranha criatura chamada Le-


viatã (Jó 3:8). Com fileiras de placas nas costas, escamas afiadas
como vidro no ventre e dentes pontiagudos, terríveis, ele insti-
lava o medo nos corações humanos. Essa besta do mar (a pala­
vra hebraica para Leviatã significa ao pé da letra “serpente
marinha”) também expelia fogo e fumaça pelas ventas e pela bo­
ca (ver Jó 41:1-34).
Vários comentadores bíblicos aventaram que o Leviatã é uma
descrição do crocodilo, exagerada para enfatizar a força desse
réptil. Outros sugeriram que talvez seja algum tipo de dinos­
sauro feroz do passado remoto. Não faltou quem notasse gran­
des semelhanças entre as descrições do Leviatã, na Bíblia, e do
Lotã, um monstro marinho perverso, de sete cabeças, integran­
te do antigo folclore cananeu (ver Salmo 74:14). Segundo esses
comentadores, o Leviatã de várias cabeças e hálito de fogo é um
símbolo primitivo do caos e da depravação.
Se essas extraordinárias descrições de um monstro de várias
cabeças realmente se aplicavam a algum ofídio que percorreu os
mares antigos, ninguém o sabe. É certo, porém, que essa besta
se tornou uma imagem vigorosa do mal. O Apocalipse alude a
um monstro marinho de sete cabeças que lançará o pânico na
terra nos últimos dias (ver Apocalipse 13:1-9).

160
M ORTE SÚBITA

Num segundo a pessoa está viva, no outro cai morta inexplicavel­


mente. A Bíblia está cheia de relatos sobre homens e mulheres que
perderam a vida num instante. Que fizeram? Que lhes valeu seme­
lhante castigo?

Fogo de Palha
Ter pai famoso não adiantava nada para quem desobedecia a Deus.
Nadabe e Abiú eram filhos de Aarão, irmão do grande profeta Moisés
e primeiro sumo sacerdote dos israelitas. Fazendo oferendas no ta-
bernáculo, queimaram incenso a Deus de uma maneira imprópria. Se­
gundos depois, chamas furiosas desceram do céu e incineraram
Nadabe e Abiú. Não haviam cometido apenas um equívoco: seus atos
revelaram profundo desrespeito a Deus e às regras cultuais que ele ha­
via prescrito. Essa lição dura e aterradora não foi esquecida por Aarão
e seus outros dois filhos. (Ver Levítico 10:1-3.)

Falta de Notícias, Boa Notícia


Mais conhecido como mentor do profeta Samuel, Eli foi o sumo sa­
cerdote de Israel no período dos juizes. No entanto, sua fraqueza co­
mo pai o fez ignorar o comportamento irreverente dos filhos, Hofni e
Fineias. Um profeta comunicou a Eli que tamanha tolerância com­
prometería para sempre sua família e que seus filhos morreriam na­
quele mesmo dia. Pouco depois, Hofni e Fineias carregaram a Arca da
Aliança para o campo de batalha. Ambos foram mortos pelos filisteus,
que capturaram a Arca. Quando Eli soube das notícias do combate,
caiu da cadeira e quebrou o pescoço, morrendo instantaneamente.
(Ver 1 Samuel 4:12-21.)

161
O Toque da Morte
Uza devia estar mais bem informado. A lei de Moisés deixara claro que
havia maneiras próprias e impróprias de conduzir a Arca da Aliança. Em
vez de carregá-la por meio de varas, conforme a lei exigia, alguém a colo­
cou num carro de bois. Mas os bois tropeçaram e Uza, na tentativa de não
deixar a Arca cair, correu a segurá-la. Seu gesto, embora bem-intenciona­
do, ignorou que o santo objeto era intocável. Uza morreu instantanea­
mente, o que pôs um fim imediato à festiva procissão. (Ver 2 Samuel 6.)

Uma Dupla Mortal


Ananias e Safira tinham um plano. A fim de parecer bonzinhos aos
olhos dos cristãos, venderíam uma propriedade e dariam o dinheiro
aos apóstolos (um tal Barnabé fizera isso e estava sendo muito papa­
ricado). Na verdade, porém, tencionavam entregar apenas parte do
dinheiro e guardar o resto para si. Por que não? Ninguém pedira que
doassem todo o produto da venda. O problema foi que mentiram so­
bre a quantia. Essa desonestidade tinha de ser punida e os dois rece­
beram a pena capital. Ao perceber-se desmascarado, Ananias morreu
imediatamente. Levaram-lhe o corpo e sepultaram-no. Cerca de três
horas depois, Safira chegou, pregou a mesma mentira e morreu da
mesma maneira. Enterraram-na junto do marido. Com isso, os cren­
tes aprenderam uma dura lição sobre a veracidade. (Ver Atos 5:1-11.)

APEDREJAMENTO

A prática de apedrejar pessoas até a morte quase desapareceu hoje em


dia. Contudo, em culturas antigas, essa era a pena exigida para cri­
mes contra Deus e a sociedade. A Bíblia menciona-a pela primeira vez
em Êxodo 8:26, onde Moisés se diz receoso de que o culto hebraico

162
incite os egípcios a apedrejar seu povo. A lei ordenava a morte por
apedrejamento nos casos de sacrifícios humanos, blasfêmia, feitiçaria
e outras infrações. Mas pessoas inocentes também se tornaram víti­
mas, conforme se pode ver nas Escrituras.

A Primeira Execução
O primeiro registro de um apedrejamento ocorre em Levítico 24:23.
Aqui, lemos que o filho não nomeado de uma mulher israelita e um
marido egípcio recebeu a pena de morte por amaldiçoar o nome do Se­
nhor. O jovem devia conhecer a lei. Um dos Dez Mandamentos dados
por Moisés dizia: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão;
o Senhor não terá por inocente aquele que o fizer” (Êxodo 20:7). Por­
tanto, o rapaz sabia muito bem que seu crime era passível da pena ca­
pital. Mais tarde, outro israelita foi apedrejado por apanhar lenha no
sábado. (Ver Números 15:32-35.)

Culpa Coletiva
Uma bela capa importada da Babilônia, centenas de moedas de prata,
uma barra de ouro - o jovem israelita Acã admirava os ricos despojos
tomados aos cananeus. Em vez de destruir o tesouro, conforme Deus
ordenara, ele decidiu ficar com uma parte para si mesmo e enterrou-
a no chão de sua tenda. No entanto, depois de uma desastrosa bata­
lha e muita perplexidade, Deus revelou a Josué que a desgraça de
Israel fora causada pela desobediência de Acã. Imediatamente Acã,
sua família, suas posses e o tesouro escondido foram levados para o
vale de Acor. A comunidade apedrejou os culpados e sepultou os ob­
jetos sob um enorme monte de pedras. (Ver Josué 7:1-26.)

A Ganância Mata
O rei Acabe achou que fizera uma boa oferta a Nabote. Em troca da vi­
nha deste, situada perto do seu palácio, Acabe acenara com um bom
pagamento ou a promessa de uma terra melhor. Mas Nabote recusou

163
a oferta. Segundo a lei de Deus, era seu dever conservar na família o
patrimônio ancestral. A esposa de Acabe, Jezabel, urdiu então um es­
quema maldoso para tomar-lhe a vinha. Ela obrigou os anciãos da ci­
dade de Nabote a reunir-se em assembléia, durante a qual duas
testemunhas falsas, contratadas, acusariam Nabote de amaldiçoar
Deus. Tudo ocorreu conforme o plano e Nabote foi apedrejado. Aca­
be obteve então a vinha, mas a um preço terrível: o profeta Isaías pre­
viu que seu reino seria destruído. (Ver 1 Reis 21:1-22.)

Dado por Morto


O apóstolo Paulo suportou inúmeros sofrimentos físicos em seus anos
de ministério, mas nenhum tão cruel, talvez, do que sua experiência
de quase-morte em Listra. Nas mãos de uma multidão enfurecida que
adversários judeus insuflaram, Paulo foi arrastado para longe das por­
tas da cidade, onde o apedrejaram. Dado por morto, Paulo se recupe­
rou depois que alguns adeptos correram a ajudá-lo. Ele voltou à cidade
e retomou seu trabalho já no dia seguinte. (Ver Atos 14:19-20.)

HISTÓRIAS DE GIGANTES

Ao longo do Antigo Testamento, encontramos evidências de uma mis­


teriosa raça de gigantes. De onde vieram, não se sabe. O que foi feito
deles também está envolto nas brumas do tempo. Seja como for, eles
sem dúvida desapareceram muito antes da época de Jesus.

Os Nefilins
Gênesis 6 fala de uma antiga estirpe de gigantes que, no entender de
muitos tradutores, foram os seres extraordinários conhecidos como
nefilins. Essas criaturas formidáveis vagaram pela terra antes do dilú­
vio e talvez fossem os descendentes de seres sobrenaturais que se uni-

164
ram aos homens (ver Gênesis 6:4). Tão grandes eram que, num rela­
to posterior, os israelitas afirmaram parecer gafanhotos perto deles.
(Ver Números 13:33.)

Os Rafains
Outra raça de gigantes aparece nos livros do Velho Testamento. Co­
nhecidos como rafaim, chamavam a atenção pelo vigor físico, mas não
sobreviveram à invasão israelita de Canaã. Segundo se diz, o último rei
dessa raça, Ogue de Basã, dormia numa cama de ferro de quatro me­
tros de comprimento por dois de largura (Deuteronômio 3:11).

Os Gigantes Filisteus
O imenso Golias, com quase três metros de altura, foi o mais conhe­
cido de um grupo de gigantes chamados descendentes de Rafa. (Sua
relação com os rafains é incerta.) Algumas escaramuças com esses
guerreiros são narradas em 2 Samuel e de novo em 1 Crônicas. Isbi-
Benobe, descendente de Rafa, tentou matar o rei Davi, mas foi ele pró­
prio morto. Os fortes guerreiros de Davi eliminaram também outros
gigantes, inclusive o irmão de Golias e um soldado com seis dedos
em cada mão e seis em cada pé! (Ver 2 Samuel 21:15-22; 1 Crônicas
20:4-8.)

U M LANCE DE DADOS

A sorte está lançada - às vezes, recorria-se a jogos de azar para tomar


decisões. Os antigos acreditavam que a orientação divina, não a sor­
te, determinaria o desfecho. Além de Urim e Tumim, as misteriosas pe­
dras que o sacerdote israelita consultava, sortes e dados moldaram
muitas vezes o destino de Israel e mesmo da igreja primitiva.

165
E o Vencedor é...
Depois que Israel conquistou grandes faixas de terra em Canaã, foi
preciso dividi-las entre as doze tribos. Cinco destas obtiveram áreas
que se tornaram sua herança, mas o restante do território teve de ser
partilhado entre as outras sete. Seu líder Josué deixou a decisão nas
mãos de Deus. Em Silo, onde se instalara o tabernáculo, Josué orde­
nou que a terra restante fosse mapeada e dividida segundo o lance de
dados. Assim, cada tribo obteve sua herança. (Ver Josué 18:1-10.)

E a Parte Culpada É...


Saul, o primeiro rei dos israelitas, planejou destruir o exército filisteu
num ataque noturno. Por sugestão do sacerdote, lançou os dados pa­
ra saber se essa decisão era acertada. Os dados, porém, não lhe deram
resposta e Saul percebeu que alguma coisa não ia bem. Ele repetiu o
lance para saber de quem era a culpa. O resultado incriminou seu pró­
prio filho Jônatas, que consumira mel a despeito da ordem de Saul ao
exército para que todos jejuassem até a derrota final do inimigo. Saul
se dispunha a executá-lo, mas o povo de Israel pediu-lhe que não o fi­
zesse em razão do heroísmo de Jônatas em combate. (Ver 1 Samuel
14:36-45.)

Você Pode Fugir, mas Não Se Esconder


Jonas recebeu, de Deus, ordens que não quis cumprir. Tentou fugir
entrando num barco e navegando para longe. Uma forte tempestade
se ergueu e ameaçou o barco. Os marinheiros entraram em pânico e
quiseram saber quem estava atraindo sobre suas cabeças toda aquela
desgraça. Lançaram os dados e descobriram que Jonas irritara os deu­
ses. Assim, a pedido do próprio Jonas, fizeram o que acharam melhor
para acalmar os mares: atiraram-no ao mar. A tempestade cessou, e
os marinheiros oraram e fizeram votos ao Senhor que Jonas servia.
(Ver Jonas 1:3-16.)

166
A Substituição de Judas
O quadro dos doze apóstolos ficou desfalcado quando seu ex-compa­
nheiro Judas se matou. Eles decidiram então encontrar um substitu­
to em obediência à Escritura: “Que outro lhe tome o lugar” (Salmo
109:8). Dois nomes foram apresentados: José, chamado Barsabás
(também conhecido como o Justo) e Matias. Os apóstolos oraram pa-

V O C Ê S A B IA ?

O que eram o Urim e o Tumim?

Você sabia que os antigos sumos sacerdotes de Israel usavam o


Urim e o Tumim para receber instruções diretas de Deus? Que
instruções eram essas e o que vinham a ser o Urim e o Tumim, eis
o que ainda permanece oculto nas sombras do passado. Só se sa­
be ao certo que o Urim e o Tumim tinham alguma coisa a ver com
o peitoral usado pelo sumo sacerdote (ver Êxodo 28:30) e que se
recorria a eles para lançar os dados sagrados (ver Números 27:21).
Alguns estudiosos sugeriram que as doze pedras no peitoral
do sumo sacerdote (uma para cada tribo) eram de fato o Urim e
o Tumim. Muitos comentadores bíblicos, porém, acreditam que
o Urim e o Tumim eram pedras preciosas conservadas numa bol­
sa mantida sobre o coração do sumo sacerdote. Segundo outros,
essas pedras traziam gravado algum símbolo que representava
“sim”, “não” ou “silêncio divino” (ver 1 Samuel 28:6). Pode ser
que o sumo sacerdote recebesse instruções observando uns raios
misteriosos refletidos pelas pedras, como sugeriram outros co­
mentadores. Os detalhes concernentes ao Urim e ao Tumim per­
manecem um mistério porque seu uso foi sendo esquecido após
o reinado de Davi. Depois disso, quem revelava a vontade de
Deus ao povo de Israel eram os profetas.

167
ra que Deus lhes apontasse o escolhido e lançaram sortes. Estas de­
signaram Matias, que tomou o lugar de Judas. Ironicamente, o nome
de Matias não reaparece mais na Escritura. (Ver Atos 1:20-26.)

U M CONTRA MUITOS

As pessoas gostam de torcer pelo mais fraco. Num jogo de colégio ou


num filme de ação, as chances estão sempre contra o pobre-diabo. A
Bíblia traz inúmeras histórias de heróis que venceram contra toda ex­
pectativa. Seguem-se algumas dessas lutas desiguais.

Sangar contra os Filisteus


0 capítulo 3 do livro dos Juizes resume as façanhas de Sangar num
único versículo. Mas o que aí se diz é quase inacreditável. Numa ba­
talha contra os filisteus, Sangar deitou por terra centenas de inimigos
com um aguilhão de bois, uma longa vara com ponta de metal usada
para conduzir animais domésticos. Juizes 3:31 relata que Sangar, so­
zinho, liquidou seiscentos filisteus!

Jônatas contra os Filisteus


De novo os filisteus levaram a pior nas mãos de um homem só. Des­
sa vez, quem vibrou o golpe foi Jônatas, filho do rei Davi. Confiando
no poder de Deus e acompanhado apenas de seu escudeiro, subiu uma
encosta e atacou um posto avançado do inimigo. Depois que Jônatas
matou pelo menos vinte filisteus, o resto entrou em pânico. Os vigias
israelitas perceberam o tumulto e foram contar ao rei Saul. Aprovei­
tando a oportunidade proporcionada pela ação do filho, Saul ordenou
que seu exército atacasse e infligiu tremenda derrota aos filisteus. (Ver
1 Samuel 14:1-23.)

168
Um Pastorzinho contra um Grandalhão Malvado
Ele nem mesmo deveria estar ali. Davi era novo demais para combater e
só se encontrava no acampamento porque fora levar provisões para seus
irmãos. Quando chegou, o gigante Golias fazia o maior estardalhaço no
vale entre os dois exércitos. Gritava este desafio: “Escolhei um homem
que desça aqui para lutar comigo. Se ele me matar, seremos os vossos es­
cravos; mas se eu o matar, vós sereis os nossos!” Problema: o homem ti­
nha quase três metros de altura e usava uma armadura de bronze,
agitando na mão uma lança enorme. Ninguém em Israel queria se arris­
car contra ele - seria derrota certa. Ninguém, melhor dizendo, até a che­
gada de Davi, que logo se pôs a perguntar: “Quem é, afinal de contas, esse
filisteu pagão para desafiar os exércitos do Deus vivo?” Para Davi, já se
vê, o Deus de Israel era bem maior que qualquer gigante armado até os
dentes. E o pastorzinho estava certo. Com uma simples funda ele der­
rotou o valentão e venceu a batalha. (Ver 1 Samuel 17.)

Os Fortes dos Fortes


Muitos guerreiros experientes se juntaram a Davi antes de ele se tor­
nar rei. Os mais bravos passaram a ser conhecidos como os Fortes ou
os Trinta e entre eles havia os Três, os fortes dos fortes. O número um
era sem dúvida Eleazar. Certa vez, ele e Davi desafiaram o exército fi­
listeu reunido para a batalha. As forças de Davi atacaram, mas tiveram
de recuar. Eleazar, porém, não deu um passo atrás. Lutou sozinho con­
tra o inimigo até a milícia inteira dos filisteus tombar sob sua espada,
segura com tanta força que depois ele não conseguia soltá-la. Mais
tarde, os israelitas voltaram para pilhar os corpos dos filisteus mortos.
(Ver 2 Samuel 23:9-10.)

Elias contra os Profetas de Baal


Em comparação com Sangar, Eleazar ou Jônatas, Elias era decididamente
um herói não violento. O Senhor o escolheu para, sozinho, arruinar a
credibilidade do culto de Baal. Elias desafiou 450 profetas de Baal para

169
uma disputa. Prepararia um sacrifício ao Senhor num altar; os adversá­
rios, um sacrifício a Baal em outro. A divindade que, aceitando o sacri­
fício, enviasse fogo seria reconhecida como o Deus de Israel. Apesar de
seus esforços frenéticos (eles chegaram a se retalhar com facas), os pro­
fetas de Baal não conseguiram arrancar uma resposta de seu deus. O
Deus de Israel, porém, mandou um fogo que consumiu não apenas o sa­
crifício de Elias, mas também o próprio altar! Após a vitória de Elias, os
450 profetas foram mortos no vale de Quisom. (Ver 1 Reis 18:16-40.)

Guerreiros Poderosos
Antigos guerreiros da Bíblia derrotavam milhares - às vezes, dezenas
de milhares. Eis uma lista de alguns desses valentões.
Pessoa Experiência Referência

Ninrode Poderoso guerreiro/caçador, Gênesis 10:8-12


considerado o modelo dos caçadores.
Construiu cidades como Nínive,
Reobote-Ir e Calá, na Assíria.
Descendia de Cam, filho de Noé.

Abraão Liderou 318 homens treinados Gênesis 14:11-17


contra quatro reis que saquearam
Sodoma e Gomorra, onde morava
seu sobrinho Ló. Venceu a batalha
e resgatou Ló, sua família e todas
as suas posses.

Josué Escolhido para conduzir os israelitas Josué 1-11


à Terra Prometida em substituição a
Moisés. Chefiou seu povo em várias
batalhas contra diversas tribos de
Canaã, a fim de assumir o controle
do território. Derrotou os exércitos
de 31 reis.

Baraque Derrotou os cananeus chefiados Juizes 4


por Sísera. Sua relutância em combater
sem a profetisa Débora roubou-lhe

170
o coroamento da vitória: a morte de
Sísera, levada a cabo por uma mulher.

Sísera General dos cananeus que possuía Juizes 4:2-24


nove mil carros guarnecidos de ferro e
era muito temido até sua derrota às
mãos de Baraque e do exército israelita.
Foi morto por Jael.

Gideão Foi mandado a combater os midianitas, Juizes 6-8


embora a princípio relutasse em fazê-lo.
Entrou em combate com um bando de
trezentos homens contra milhares
de midianitas. Venceu.

Jefté Esse gileadita combateu os amonitas, Juizes 11:1-33


inimigos de Israel, e derrotou-os.
Mais tarde, tomou-se líder de seu povo.

Sansão Juiz de Israel famoso pela inacreditável Juizes 14:6; 15:15-


força física, matou mil filisteus com 17; 16:23-30
uma queixada de burro. Matou um
leão com as mãos nuas e derrubou as
colunas de um templo filisteu,
liquidando três mil homens e
mulheres, mas morrendo também.

Saul Primeiro rei de Israel, foi escolhido 1 Samuel 9:16;


para livrar seu povo dos filisteus. 11:8-11; 31:2-3
Venceu inúmeras batalhas.

Jônatas Filho de Saul. Com seu escudeiro, 1 Samuel 14:1-14;


atacou um posto avançado filisteu. 31:2-3; 2 Samuel
1:22-25

Abner Comandante do exército do rei 1 Samuel 14:50;


Saul que mais tarde se tomou vítima 17:55
da vingança de Joabe.

Davi Pastor habilidoso e guerreiro 1 Samuel 16:18;


destemido que se tornou rei. 17; 2 Samuel 8;10;
Derrotou o gigante Golias, paladino 1 Crônicas 28:3
dos filisteus, com uma funda e cinco
pedras. Deus não quis que ele edificasse

171
o templo porque, como “guerreiro”,
vertera “muito sangue”.

Golias Paladino dos filisteus, de quase três 1 Samuel 17


metros de altura. Só sua armadura
pesava mais de cinquenta quilos.
Desafiou os israelitas e seu Deus,
o que lhe provocou a morte.

Abisai Um dos trinta guerreiros de elite 1 Samuel 26:6-9


de Davi.

Urias Guerreiro hitita do exército de Davi, 2 Samuel 11


que o expôs à morte certa para lhe
tomar a esposa.

Zadoque Descrito como “mancebo e 1 Crônicas 12:28


varão valente”.

Peca Esse filho de Remalias matou certa 2 Crônicas 28:6


vez 120 mil soldados em Judã, quando
Judá se afastou do Senhor.

Zicri Guerreiro efraimita que matou 2 Crônicas 28:7


Maaseias, filho do rei; Azricão,
mordomo do palácio; e Elcana,
o segundo depois do rei.

O S ÍDOLOS S Ã O A OFICINA DO DIABO

As vezes, os cultos mais estranhos nascem da indiferença ou da cobi­


ça, não da idolatria pura e simples. As três histórias que se seguem
têm esse ponto em comum. Nas três, o resultado foi a tragédia. Eis
como os ídolos trouxeram o desastre para o povo de Deus.

O Éfode de Gideão
Gideão triunfara decisivamente sobre dois reis midianitas. Seus se­
guidores quiseram, por isso, recompensá-lo e lhe ofereceram o go-

172
verno. Gideão recusou e em lugar do poder pediu a cada homem uma
pequena quantidade de ouro, que todos deram de bom grado. Com es­
se ouro Gideão fabricou um éfode e instalou-o em sua cidade natal,
Ofra. O éfode - muito provavelmente, um peitoral - foi sem dúvida
exposto à visitação pública. Talvez influenciados pelos costumes dos
vizinhos pagãos, que às vezes veneravam tais objetos como venera­
vam ídolos, os israelitas logo estavam adorando o éfode em si. O au­
tor de Juizes comenta que o éfode “se tornou um tropeço para Gideão
e seus familiares” (Juizes 8:27). Depois da morte de Gideão, Israel
reincidiu na idolatria. (Ver Juizes 8:22-28.)

Os ídolos de Mica
No período dos juizes, os israelitas estavam muito confusos em ma­
téria de religião, para dizer o mínimo. A história de Mica, um homem
cheio de boas intenções, mas desorientado, exemplifica a penúria es­
piritual da época. Mica possuía um santuário onde guardava um éfo­
de e alguns ídolos domésticos. Contratou um levita - membro da casta
sacerdotal de Israel - para servir-lhe de sacerdote particular, achando
que seria abençoado em troca de tamanha devoção. Mas o sacerdote
foi aliciado por um bando de guerreiros danitas, que o usaram como
uma espécie de talismã para saquear uma aldeia vizinha. Levaram não
só o sacerdote, mas os ídolos também. Quando Mica protestou, os da­
nitas ameaçaram matá-lo. Assim, o coitado ficou de mãos abanando.
Os guerreiros arrasaram a cidade de Laís e ergueram seu próprio san­
tuário para adorar os ídolos. Eles nomearam sacerdote a um descen­
dente de Moisés e mantiveram o santuário por muitos anos. (Ver
Juizes .17:1-18:31.)

O Artífice Invejoso
Demétrio não gostava nada da nova religião que estava conquistando
adeptos na cidade de Éfeso. Artífice que levava uma boa vida fabri­
cando e vendendo relicários da deusa Ártemis, previa que dali por

173
diante seus negócios ficariam no vermelho. Reunindo um grupo de
colegas de ofício, convenceu-os de que os cristãos eram responsáveis
por todos os seus problemas. A indignação se espalhou por outras par­
tes da cidade e logo começou um violento motim. Arrastando os com­
panheiros do apóstolo Paulo para um teatro ao ar livre, os artesãos se
puseram a gritar e a protestar. Não tardou que se instalasse o caos.
Por fim o escrivão da cidade de Éfeso conseguiu acalmar os ânimos,
podendo então Paulo e seus companheiros missionários deixar a ci­
dade ilesos. (Ver Atos 19:21-40.)

SETENTA A ZA R A D O S

A Bíblia registra uns poucos incidentes nos quais grupos de pessoas


sucumbem à guerra, à peste ou ao assassinato. Fato curioso, três des­
sas histórias apresentam o mesmo número de vítimas: setenta. As li­
gações seguintes esclarecem o destino trágico dessa gente, que estava
no lugar errado na hora errada.

O Herdeiro Facinoroso
Abimeleque (filho do juiz Gideão com uma concubina) queria por
força governar Siquém. Depois da morte do pai, entrou em contato
com os líderes de Siquém e conseguiu o apoio deles para o plano que
tinha em mente. Não satisfeito com isso, resolveu assassinar seus se­
tenta meios-irmãos para evitar qualquer ameaça futura. Mas um deles,
Jotão, escapou e amaldiçoou Abimeleque no momento em que ele es­
tava sendo coroado. A maldição se realizou: Abimeleque foi morto du­
rante o cerco de Tebes. (Ver Juizes 9.)

174
Uma Visão de Matar
A Arca da Aliança - o relicário que continha o pacto de Deus com Is­
rael - fora arrebatada pelos filisteus vitoriosos. Naturalmente, os is­
raelitas se encheram de alegria quando ela voltou algum tempo depois
para o vilarejo de Bete-Semes. Por curiosidade ou descuido, os habi­
tantes espiaram para dentro da Arca - atrevimento que Deus compa­
rava a entrar no Santo dos Santos sem as devidas qualificações. Setenta
morreram, suscitando terrores e lamentações por todo o Israel. (Ver 1
Samuel 6:19-20.)

Setenta Cabeças
Jeú, governante de Israel ao tempo do profeta Eliseu, recebeu deste a
ordem de destruir a casa do falecido rei Acabe. Acabe tinha setenta fi­
lhos e numerosos parentes próximos. Jeú remeteu aos guardiões dos fi­
lhos de Acabe uma carta mandando que escolhessem o melhor deles,
pusessem-no no trono do pai e se preparassem para se defender. Guar­
diões, administradores e oficiais do palácio ficaram aterrados. Res­
ponderam que obedeceríam em tudo a Jeú. O rei escreveu-lhes de novo
exigindo que cortassem as cabeças dos setenta filhos, colocassem-nas
em cestos e os depusessem em duas pilhas de cada lado do portão da
cidade. Eles assim fizeram, mas morreram também. Jeú prosseguiu em
seu banho de sangue até varrer da face da terra todos os parentes e
amigos de Acabe que ainda restavam. (Ver 2 Reis 10:1-17.)

L ista de A ssassinos da B íblia


A Bíblia não tem receio de registrar detalhes sórdidos a respeito de
pessoas más e degeneradas: de crimes brutais a ódios de família im­
placáveis. O leitor da Escritura se vê diante de pessoas reais, com pro­
blemas reais. Assim como ocorre na sociedade moderna, o antigo
Israel também tinha seus assassinos. Eis uma lista.

175
A s s a s s in o C ir c u n s t â n c i a R esu lta d o R e f e r ê n c ia

Caim Por inveja, matou Tornou-se um Gênesis 4:1-16


seu irmão Abel. fugitivo a vagar pela
terra.
Lameque Matou um jovem Desafiou quantos Gênesis 4:23
que supostamente pretendiam vingar o
queria feri-lo. crime.
Simeão e Levi Mataram toda a Jacó receou que os Gênesis 34:1-31
população de fereseus e cananeus
Siquém para vingar o desprezassem.
o estupro de sua
irmã.
Moisés Matou um capataz Fugiu para o Êxodo 2:11-12
egípcio. deserto de Midiã,
onde permaneceu
por muitos anos.
Eúde Assassinou Eglom, Israel derrotou Juizes 3:12-30
rei de Moabe. Moabe e viveu em
paz por oitenta
anos.
Jael Matou Sísera, Cumpriu a profecia Juizes 4:1-21
comandante do de Débora, de que a
exército dos honra de liquidar
cananeus. Sísera cabería a uma
mulher.
Abimeleque Matou seus setenta Foi gravemente Juizes 9:50-56
meios-irmãos. ferido por uma
mulher e pediu ao
escudeiro que o
matasse, para não se
dizer que mãos
femininas haviam
dado cabo dele.
Gibeonitas Mataram a Provocaram uma Juizes 20:1-13
concubina de um guerra civil com o
levita. resto de Israel.

176
Doegue Matou 85 Confirmou a 1 Samuel 22:18
sacerdotes de Nobe. decadência de Saul
e o favor de Davi
aos olhos de Deus.

Amalequita Ansioso por Davi ordenou sua 2 Samuel 1:15-16


anônimo conquistar o favor execução por matar
de Davi, informou o ungido de Deus.
ter matado Saul.
Joabe Matou Abner para Joabe tomou-se o 2 Samuel 3:22-39
vingar a morte do comandante
irmão, Asael. incontestado do
exército de Davi.
Recabe e Baena Degolaram Isbosete Davi lamentou a 2 Samuel 4:1-12
para agradar a Davi. morte de um
inocente e mandou
executá-los.
Absalão Matou Amnom, que Ficou indisposto 2 Samuel 13:28-29
violentara sua irmã com Davi por
Tamar. muitos anos, mas os
dois por fim se
reconciliaram
durante algum
tempo.
Joabe Matou Absalão, que Incorreu no 2 Samuel 18:1-18
estava dependurado desagrado de Davi e
de uma árvore. foi demitido.
Joabe Matou à traição Os crimes de Joabe 2 Samuel 20:10
Amasa, general de provocaram-lhe a
Davi. morte (1 Reis 2).
Baasa Matou Nadabe, rei Tomou-se rei, mas 1 Reis 15:27-29
de Israel. seus crimes o
condenaram.
Zinri Matou Ela, filho de Reinou por uma 1 Reis 16:8-12
Baasa. semana e suicidou-
se.
Jezabel Conspirou para Jeú mandou 1 Reis 21:7-16
apedrejar Nabote. executá-la por seus
crimes.

177
Hazael Sufocou Benadade, Tomou-se rei e 2 Reis 8:7-15
rei de Aram. opressor de Israel.
Atalia Matou os filhos de O sacerdote Joiada 2 Reis 11:1
seu irmão falecido, ocultou o filho de
Acazias, para reinar Acazias, Joás, e
em seu lugar. rebelou-se contra
ela seis anos depois.
Jozacar eJozabade Esses dois Amasias se tomou 2 Reis 12:20-21
funcionários e rei de Judá.
conselheiros de
confiança
assassinaram o rei
Joás.
Menaém Matou Salum, rei de Tomou-se rei, mas 2 Reis 15:13-14
Israel. durante seu reinado
ocorreu a invasão
assíria.
Peca Assassinou Pecaia, Tomou-se rei, mas 2 Reis 15:25
rei de Israel. também foi
assassinado.
Oseias Matou Peca, rei de Tomou-se rei, mas 2 Reis 15:30
Israel. logo foi capturado
pelos assírios.
Adrã-Meleque e Mataram seu pai Seu irmão 2 Reis 19:37
Sarezer Senaqueribe, rei da Esaradom se tornou
Assíria. rei.
Ismael Matou Gedalias, rei- Babilônia exigiu 2 Reis 25:22-26
títere de Judá vingança e o povo
nomeado por fugiu.
Nabucodonosor.
Herodes Matou os recém- Não conseguiu Mateus 2:13-18
nascidos da Judeia. matar Jesus.
Barrabás Foi preso por Foi libertado Lucas 23:19
assassinato durante durante a Páscoa
uma insurreição. em lugar de Jesus.
Herodes Agripa I Ordenou a morte de Morreu de uma Atos 12:1-2
Tiago. doença súbita.

178
TEM PLOS DE DESGRAÇA

Casa de culto, santuário de quietude, monumento de beleza - essas


são as imagens que associamos a um templo. Mas diversos episódios
da Bíblia nos lembram que o conflito, a discórdia e a violência podem
penetrar até nesses lugares santos.

Pilar da Comunidade
Todos temiam a força imensa de Sansão. Seus inimigos mortais, os filis-
teus, acabaram por descobrir que os cabelos do herói eram a fonte de ta­
manho vigor. Com a ajuda de uma jovem astuciosa, rasparam-lhe a
cabeça, amarraram-no, cegaram-no e escravizaram-no. Mas o tempo pas­
sou: os cabelos foram crescendo e, com eles, a força. Durante uma gran­
de cerimônia no templo do deus filisteu Dagom, exibiram Sansão para
um público de zombadores. Ele, no entanto, se vingou empurrando as co­
lunas que suportavam o imenso edifício e deitando abaixo a estrutura.
Matou milhares de inimigos e também sucumbiu. (Ver Juizes 16:4-30.)

Uma Sugestão Sutil


Os filisteus se rejubilaram ao capturar a Arca da Aliança. Essa espécie
de caixa revestida de ouro continha os objetos sagrados dos israelitas.
Mas a festa se transformou em horror quando instalaram a Arca no
templo do seu deus Dagom. O livro de 1 Samuel lembra que, no ou­
tro dia, os filisteus encontraram a estátua do deus caída de bruços no
chão, diante da arca sagrada. Reergueram-na; mas na manhã seguin­
te lá estava ela de novo caída, com as mãos e a cabeça espalhadas pe­
lo vestíbulo. Os próprios filisteus contraíram feridas e tumores; em
pânico, devolveram a Arca a Israel num carro de bois. (Ver 1 Samuel
5:1-6:18.)

179
Sem Escolha
Os lugares sagrados podem servir de refúgio a perseguidos. Mas não
garantem segurança a criminosos. Joabe fugiu do rei Salomão, por tê-
lo traído; entrou no tabernáculo e agarrou-se às pontas do altar para
não ser morto. Não lhe deram trégua: foi golpeado ali mesmo, depois
de se recusar a sair do tabernáculo. (Ver 1 Reis 2.)

Confiem em Mim
Jeú, rei de Israel, pretendia eliminar os sacerdotes que cultuavam o
deus pagão Baal. Eles, porém, não sabiam disso. O rei lhes garantiu
que era seu maior defensor e desejava oferecer pessoalmente um sa­
crifício no templo. Depois de atraí-los e a seus seguidores para lá,
mandou matá-los a todos e transformar o edifício em latrina pública.
Assim terminou, por algum tempo, o culto de Baal em Israel. (Ver 2
Reis 10:18-29.)

M A U S SACERDOTES

Perversos, corruptos e coniventes. Não, essa não é uma descrição de


criminosos e sim de alguns sacerdotes de Deus! Os sacerdotes eram
encarregados de zelar pelo tabernáculo e conduzir os fiéis no culto.
Muitos se comportavam com dignidade, mas alguns corações empe­
dernidos trocavam a honra pelo poder e pelo dinheiro. Eis a seguir a
triste história de alguns desses líderes religiosos renegados.

Irmãos Abomináveis
Hofni e Fineias tinham tudo para se tornar líderes bem-sucedidos.
Provinham de uma linhagem de sacerdotes distintos e seu pai, Eli,

180
também ele sacerdote, era um guardião confiável e devoto do taber-
náculo em Silo. Semelhante herança, porém, importava pouco àque­
les jovens. Eles violavam as regras das oferendas e reservavam parte
delas para si. Não bastasse isso, seduziam as mulheres que os assistiam
diante do tabemáculo. Seus pecados sem fim atraíram a condenação
de um profeta, que lhes previu a morte iminente. Logo depois os fi~
listeus matavam Hofni e Fineias quando eles conduziam a Arca ao
campo de batalha. Terminou aí a linhagem sacerdotal da família. (Ver
1 Samuel 2:12-26; 4:1-22.)

Não Quero Ouvir Isso


O profeta Jeremias atraía inimigos como se fosse um ímã. Seu hábito
de falar sem rodeios e pregar sem medo aos ricos e poderosos deixa­
va muitos ouvintes pouco à vontade. Um dia, parou diante do templo
e transmitiu uma mensagem de desgraça aos presentes. Pasur, o sa­
cerdote de plantão, ouviu-o e mandou prendê-lo - e, ainda por cima,
flagelá-lo e amarrá-lo ao tronco. Libertado no dia seguinte, Jeremias
declarou a Pasur e seu séquito que o exílio os aguardava por não ou­
virem suas advertências. (Ver Jeremias 20.)

O Sumo Sacerdote diante do Sumo Sacerdote


Em Hebreus 7, Jesus é descrito como um poderoso sumo sacerdote
que intercede pelos pecadores junto a Deus. Ironicamente, ele foi con­
denado à morte por um sumo sacerdote reles chamado Caifás. Mateus
nos conta que Caifás presidiu o julgamento ao qual compareceram
várias falsas testemunhas para acusar Jesus de traição. Sua melodra­
mática reação à pretensa blasfêmia do acusado induziu os chefes reli­
giosos a votar pela morte. Mais tarde, Caifás urdiu a trama que
convenceu Pôncio Pilatos a libertar Barrabás e confirmar a sentença de
Jesus, conforme pediam os sacerdotes. (Ver Mateus 26:1-27:26.)

181
Esbofeteado
“Irmãos, sempre vivi diante de Deus com consciência limpa!” Assim
iniciou Paulo seu discurso ao conselho supremo. Mas não previa o
golpe. O sumo sacerdote Ananias, ao ouvir essas palavras, ordenou
aos homens sentados junto de Paulo que o esbofeteassem na boca.
Enfurecido por semelhante tratamento - afinal, não fora sequer acu­
sado de nada - , Paulo retorquiu: “Deus te ferirá, hipócrita corrupto!”
Entretanto, ao saber que Ananias era o sumo sacerdote, desculpou-
se. Por ironia, a réplica candente de Paulo se revelou profética. Ana­
nias, amplamente desprezado pelos judeus por ser corrupto e
favorecer Roma, foi depois perseguido e assassinado por seu próprio
povo. (Ver Atos 23:1-5.)

PO SSESSÃ O D EM O N ÍACA

Que vem a ser, exatamente, possessão demoníaca? Será possível que


espíritos maus habitem uma pessoa? O Novo Testamento, em parti­
cular, registra vários episódios em que uma força espiritual de algum
tipo invade o corpo humano. A possessão pode aparecer sob diversas
formas, incluindo convulsões, comportamento agressivo, automuti-
lação e doença. Nesses relatos, o tormento é aliviado quando os de­
mônios são expulsos por uma força espiritual maior.

O Déspota Demoníaco
O psiquiatra que examinar a vida do rei Saul talvez conclua que ele so­
fria de psicose maníaco-depressiva ou outra doença mental. Seu com­
portamento imprevisível e mudanças súbitas de humor indicam sem
dúvida uma personalidade conturbada. Com o tempo, o rei foi fican-

182
do obcecado com o prestígio crescente de Davi, o talentoso pastor cu­
ja energia e pureza de alma ofuscavam sua mediocridade. Vemos, em
1 Samuel 19:9-10, que Davi estava na casa de Saul, tocando harpa pa­
ra ele, quando um mau espírito se apossou do rei - que atirou uma
lança no jovem, não o acertando por pouco. Saul tentou depois ma­
tar o próprio filho, Jônatas. (Ver 1 Samuel 16:14-23; 19:1-20:42. O
resto do livro de 1 Samuel narra a incansável perseguição que ele mo­
veu a Davi até sucumbir no campo de batalha.)

A Partida da Legião
Todos tinham medo dele. O sujeito corria de cá para lá, nu, cortava-
se com pedras afiadas e era tão violento que as pessoas evitavam o lu­
gar onde ele vivia. Quando Jesus e seus discípulos chegaram lá (um
cemitério fora da cidade, perto do lago), o homem foi encontrá-los no
barco, gritando para que o deixassem em paz. A conversa que se
seguiu revelou que o infeliz era atormentado por uma legião de de­
mônios (a legião era a maior unidade do exército romano, compreen­
dendo milhares de soldados). Jesus, porém, os expulsou e o homem
imediatamente ficou livre, são e tranquilo. (Mateus 8:28-34; Marcos
5:1-20; Lucas 8:26-29.)

Não para os Medrosos


Um dos mais intrigantes encontros com demônios ocorreu depois que
Jesus desceu do monte da Transfiguração. Jesus conheceu um homem
cujo filho exibia um comportamento perturbador: era mudo, deitava
espuma pela boca e tinha convulsões. O homem explicou que os dis­
cípulos haviam tentado expelir o demônio responsável pelo mal, mas
sem sucesso. Depois de censurar a multidão por sua incredulidade,
Jesus ordenou ao espírito imundo que deixasse o menino. Este tre­
meu e caiu ao chão, mas logo se recuperou. Mais tarde, Jesus disse
aos discípulos que aquele demônio só podia ser exorcizado com ora­
ção. (Ver Mateus 17:14-21; Marcos 9:14-29; Lucas 9:37-43.)

183
Já Chega!
Alguns demônios, aparentemente, não são perigosos, apenas irritan­
tes. Um relato humorístico em Atos nos mostra Paulo e Silas na ci­
dade de Filipos, seguidos por uma menina que tinha dentro de si um
espírito de divinação, ou seja, ela podia prever o futuro. A menina os
acompanhou durante vários dias, gritando-lhes que eram servos do
Altíssimo e estavam pregando os caminhos da salvação. Paulo, por
fim, não aguentou mais, voltou-se e expeliu o demônio do corpo da
garota. Os donos dela não gostaram nada daquilo, pois a usavam pa­
ra ganhar dinheiro. Assim, processaram Paulo e Silas. (Ver Atos
16:16-19.)

FINS TRÁGICOS DE TIRANOS PERVERSOS

A vida nem sempre é justa, mas algumas pessoas, na Bíblia, sem dú­
vida colheram o que semearam. Às vezes, parece que quanto mais des­
pótico foi um líder, mais horrível destino teve de enfrentar.

Aquele Que Vive Pela Espada


Saul, o primeiro rei dos israelitas, começou seu reinado com a bênção
de Deus, mas acabou se tornando um déspota paranoico. Seu fim bru­
tal ocorreu quando combatia os filisteus, os mais odiados inimigos de
Israel. A batalha não correra bem. Seus filhos foram mortos e ele pró­
prio recebera um ferimento grave. Como Abimeleque, Saul ordenou
ao escudeiro que lhe desse o golpe de misericórdia para que os filis­
teus não o capturassem e torturassem. O escudeiro, porém, não quis
fazê-lo e o próprio rei se lançou sobre sua espada. (Ver 1 Samuel 31;
1 Crônicas 10.)

184
Uma Fenda na Armadura
Acabe, o fraco e às vezes pérfido rei de Israel, não pôde escapar à mor­
te que o profeta Elias lhe previra. Combatendo os arameus, disfarçou-
se para não atrair os projéteis do inimigo. Um guerreiro, porém,
disparou e, sem querer, atingiu um ponto vulnerável na armadura do
rei. Este teve morte lenta e dolorosa. Mais tarde seu carro foi lavado
num tanque onde as prostitutas se banhavam. Conforme dissera Elias
(1 Reis 21:17-19), os cães se aproximaram e lamberam-lhe o sangue.
(Ver 1 Reis 22:29-40.)

Comida de Cachorro
Se Acabe pode ser considerado o mais desprezível rei numa longa li­
nhagem de monarcas ímpios, Jezabel, sua esposa, foi para ele uma
companheira ideal. Entre os crimes que cometeu estão o assassinato
de Nabote e o roubo de sua vinha, além da perseguição de profetas
de Deus, como Elias. Seu fim também foi horrível. Jeú marchou pa­
ra Jezreel e ordenou aos eunucos da rainha que a jogassem pela ja ­
nela, de onde ela se precipitou para a morte. Horas depois, os homens
de Jeú vieram para sepultá-la - mas só o que encontraram foi seu crâ­
nio, seus pés e suas mãos. Os cães haviam devorado o resto. (Ver 2
Reis 9:30-37.)

PELAD OS N A ESCRITURA

Nu, despido, em pelo - usam-se muitas palavras para a situação em


que estamos sem roupa. A nudez é motivo de vergonha, embaraço e
rubor. Muitos leitores da Bíblia ficam surpresos com a quantidade de
gente pelada que ali aparece. Sem dúvida, nesse sentido, o exemplo bí-

185
blico clássico é a nudez de Adão e Eva (ver Gênesis 2:25), mas outros
incidentes são ainda mais bizarros, como o de Sansão arrancando as
roupas de trinta homens (ver Juizes 14:19).

Emissários Expostos
Em geral, os embaixadores são tratados com respeito e deferência.
Quando o rei Davi enviou uma delegação aos amonitas para dar-lhes
os pêsames pela morte do seu rei, esperava que o grupo fosse acolhi­
do com dignidade. Bem ao contrário, Hanum, o novo monarca, orde­
nou que lhes raspassem as barbas e cortassem as roupas à altura das
nádegas. Antigamente, prisioneiros de guerra costumavam às vezes
ser tratados dessa maneira - mas tal protocolo não era nada aceitável
para entreter diplomatas. Tanta humilhação irritou o rei Davi, que a
considerou um ato de hostilidade. Mais de quarenta mil amonitas pe­
receram na guerra que resultou do incidente. (Ver 2 Samuel 10:1-5.)

O Biógrafo Nu
Só o evangelho de Marcos contém este fato curioso a respeito dos de­
talhes da prisão e julgamento de Jesus. Depois que ele foi detido e le­
vado, alguns guardas notaram um rapaz, “trajando apenas um longo
lençol de linho”, que acompanhava o prisioneiro a distância. Segura­
ram-no, mas ele, desvencilhando-se, deixou para trás o lençol e fugiu
nu. Por que Marcos mencionou esse peladão? Talvez porque esse pe-
ladão fosse o próprio Marcos! Muitos estudiosos acreditam que o es­
tranho incidente foi um modo de Marcos se encaixar no drama. (Ver
Marcos 14:51-52.)

Sete Filhos Envergonhados de Sceva


Exorcizar demônios não é brincadeira. Os sete filhos de um sacerdo­
te judeu chamado Sceva aprenderam essa dura lição num dia fatídico.
Tentavam expulsar um espírito impuro invocando o nome de Jesus,
embora, na verdade, não cultivassem a fé cristã. Não estavam prepa-

186
rados para enfrentar o desafio que os aguardava. Em vez de deixar
obedientemente o corpo do possesso, o espírito gritou: “Conheço Je ­
sus e sei muito bem quem é Paulo. Mas vós, quem sois?”. E atacou
com a maior selvageria os filhos incrédulos de Sceva, deixando-os nus
e a escorrer sangue. (Ver Atos 19:13-16.)

CLUBE DOS MENTIROSOS

“Não darás falso testemunho contra o teu próximo”, proclama o no­


no mandamento (Êxodo 20:16). Mas algumas pessoas nunca apren­
dem. Esses embusteiros inventam histórias para melhorar sua posição
ou esconder seus deslizes. Entretanto, como acabam sempre por des­
cobrir, a mentira tem pernas curtas!

Ziba
Ziba aproveitou-se muito da bondade do rei Davi e ainda queria mais.
Fora criado de Saul e se tornara o capataz das terras que Davi deu a
Mefibosete, neto de Saul. Quando Absalão se rebelou contra o pai, Zi­
ba ficou do lado de Davi, mas insinuou que Mefibosete via no confli­
to a oportunidade de reclamar o trono para sua família. Ouvindo isso,
Davi deu todas as terras de Mefibosete a Ziba e pôs o neto de Saul
contra a parede depois que voltou a Jerusalém. Mas, dessa vez, escu­
tou uma história diferente. Mefibosete quisera acompanhar o rei e fo­
ra impedido por Ziba. Seu comportamento humilde revelou a Davi
que Ziba mentira; no entanto, nessa situação difícil, Davi preferiu uma
solução de compromisso e dividiu as terras entre os dois homens. (Ver
2 Samuel 16:1-4; 19:24-30.)

187
Hananias
Quer as pessoas gostassem, quer não, alguns profetas às vezes tinham
de transmitir notícias desagradáveis ou altamente comprometedoras
para o status quo. Jeremias era um desses. Suas mensagens provocavam
queixas, perseguições e prisões. Assim, não admira que o povo ou­
visse com agrado as balelas de Hananias, outro profeta que assegura­
va para logo o fim da sujeição dos judeus à Babilônia. Num confronto
público com Jeremias, Hananias fez em pedaços o jugo que este tra­
zia ao pescoço e previu a libertação dos cativos de Israel. Por melho­
res que fossem de ouvir, as palavras de Hananias não passavam de
falsidades. Jeremias garantiu que a destruição de Judá era iminente -
e que Hananias não tardaria a morrer. Dois meses depois, o falso pro­
feta com efeito morreu e, em poucos anos, Jerusalém era um monte de
ruínas. (Ver Jeremias 28.)

Os Guardas Romanos
O orgulho dos soldados se transformou em vergonha e embaraço. Os
fariseus haviam solicitado que vigiassem o túmulo de Jesus, a fim de
impedir os discípulos de roubar-lhe o corpo. De manhã, foram acor­
dados por um terremoto e a presença de um anjo. Desmaiaram; e,
quando voltaram a si, o túmulo estava vazio! Correram a avisar os lí­
deres religiosos, que os ajudaram a tramar a única desculpa viável: os
discípulos de fato haviam roubado o corpo. Os guardas sem dúvida fi­
caram muito gratos aos líderes religiosos pela ajuda, pois sua falha
poderia ter resultado em execução. Mateus observa que os líderes es­
palharam em altas vozes o boato, no qual muita gente ainda acredita­
va anos depois. (Ver Mateus 27:62-28:15.)

188
A SC EN SÃ O E Q U ED A DO TEM PLO

A longa e dramática história do templo de Jerusalém continua a in­


trigar estudiosos e leigos. Segundo os anais israelitas, três templos fo­
ram construídos e destruídos. Só um trecho da muralha ocidental (o
famoso Muro das Lamentações, onde os judeus ortodoxos se juntam
para orar) ainda permanece de pé.

O Templo de Salomão
Salomão, terceiro rei de Israel, ganhou fama como o homem mais sá­
bio e rico de sua época. Coube-lhe a honra de edificar o primeiro tem­
plo do povo israelita. (Davi já comprara o terreno para a obra, mas
não pôde levá-la a termo: derramara muito sangue nas guerras que
consolidaram a nação - ver 1 Crônicas 28:2-3.) A magnífica estrutu­
ra levou treze anos para ficar pronta. Era adornada com pedras pre­
ciosas por todos os lados. O ouro recobria as vigas do teto, as portas,
os portais e as paredes. Salomão dedicou o templo numa cerimônia es­
petacular que culminou com a instalação da Arca da Aliança no San­
to dos Santos. A glória do Senhor encheu o recinto (1 Reis 8:6-11). O
templo sobreviveu a vários ataques, mas foi completamente destruí­
do pelos babilônios em 586 a.C. (Ver 1 Reis 5-8; 2 Crônicas 3-7.)

O Segundo Templo
De pé por quase cinco séculos, o segundo templo sobreviveu mais que
os de Salomão e Herodes. Construído pelos exilados judeus que vol­
taram a Jerusalém após o cativeiro de Babilônia, essa casa de culto não
era tão grande quanto a de Salomão. Muitos acessórios caros não pu­
deram ser substituídos e a caixa sagrada, a Arca da Aliança, desapare­
cera. O remate da obra, porém, foi ainda assim um momento

189
comovente para os exilados, que choraram de alegria - e de dor pela
perda do que fora a glória do primeiro templo. O general romano
Pompeu pôs-lhe cerco em 63 a.C. (Ver Esdras 1-6.)

O Templo de Ezequiel
O profeta judeu Ezequiel, escrevendo no exílio em Babilônia, teve uma
visão em que contemplava um templo glorioso. Segundo alguns, ele
estava apenas evocando a majestade do edifício de Salomão, mas suas
palavras não combinam com o que sabemos desse edifício. Assim,
aventaram-se outras hipóteses. Talvez Ezequiel estivesse na verdade
propondo a planta de um novo templo, a ser construído pelos exila­
dos após seu regresso. Outros acreditam que essa construção é uma fi­
gura alegórica, predizendo as bênçãos reservadas por Deus a seu povo.
Há, ainda, a interpretação segundo a qual Ezequiel está profetizando
o retorno de Jesus e o estabelecimento do seu reino messiânico. As
perguntas, no entanto, subsistem - o significado do templo de Eze­
quiel é ainda um mistério. (Ver Ezequiel 40-43.)

O Templo de Herodes
Herodes, governante da Judeia, era um estrangeiro desprezado pelos
judeus. Na tentativa de captar-lhes a boa vontade, começou a recons­
truir o templo de Jerusalém por volta de 19 a.C. A estrutura principal
demorou perto de dez anos para ser erguida e a obra só ficou inteira­
mente pronta em 64 d.C. Apenas seis anos depois, o exército romano
arrasou o templo de Herodes para completar sua supressão da revol­
ta judaica. (Ver Mateus 24:1-2.)

190
V O C Ê S A B IA ?

§•>

Como o profeta soube o nome da pessoa que permitiría a volta dos


exilados para Jerusalém e a reconstrução do seu templo?

Isaías foi um profeta extraordinário. Ordenou que uma sombra


se movesse para trás, viu a sala do trono do céu e, como sinal
profético, andou durante três anos nu e descalço (ver 2 Reis
20:8-11; Isaías 6:1-13; 20:1-5). Isaías profetizou por volta de
740-681 a.C., mas suas predições abrangem toda a história hu­
mana. Antecipou em cem anos a destruição de Jerusalém e, em
duzentos, a reconstrução do templo. Sua profecia mais intrigante
é a que diz respeito a Ciro. Cento e cinquenta anos antes de Ci­
ro reinar na Pérsia (559-530 a.C.), Isaías previu que um varão
desse nome governaria inúmeros reis e ordenaria aos israelitas
reconstruir Jerusalém e o templo, o que de fato aconteceu em
março de 538 a.C. (Compare Isaías 44:28 e Esdras 1:1-4.) A tra­
dição judaica declara que Ciro leu a profecia de Isaías e ficou
impressionado ao ver ali descritos fatos de sua vida.

REIS E CORINGAS

Bobos da corte eram uma cena comum nos palácios da Idade Média.
Seu humor mantinha reis, príncipes e senhores em bom estado de es­
pírito. Por mais surpreendente que seja, também alguns profetas de
Deus às vezes recorriam a enigmas e disfarces para enfatizar suas men-

191
sagens aos reis de Israel. Esses enigmas, porém, não eram pilhérias. Ao
contrário, expunham a verdade em toda a sua luz.

A História de Natã
Não seria nada fácil procurar o rei para lhe transmitir as más notícias,
mas Natã tinha de fazê-lo. Davi cometera um pecado grave ao roubar
a mulher de outro homem, engravidá-la e se assegurar de que o ma­
rido dela fosse morto em combate. O rei pensou que conseguira en­
cobrir o crime, mas Deus enviou Natã para confrontá-lo. Para deixar
tudo bem claro, o profeta contou a história de um homem que só ti­
nha um cordeiro. Amava ternamente o bichinho, como se fosse de es­
timação. Um dia, um ricaço que possuía incontáveis ovelhas precisou
receber um hóspede e, em vez de apanhar uma delas, roubou o cor­
deiro do pobre e matou-o para a refeição. Davi ficou furioso ao saber
que alguém fizera uma coisa dessas e Natã apontou-lhe o dedo, di­
zendo: “Tu és esse homem!” (Ver 2 Samuel 11-12.)

O Enigma de Aías
Um alto funcionário da corte de Salomão, chamado Jeroboão, cami­
nhava pela estrada que saía de Jerusalém. Encontrou então um ho­
mem de aparência estranha, que envergava um belo traje novo. O
sujeito parou bem à sua frente e, com gesto rápido, tirou o manto com
uma das mãos e empunhou uma adaga com a outra. Sempre olhando
para Jeroboão, começou a retalhar o manto. Nem é preciso dizer, Je ­
roboão ficou assustado. Não sabia se estava diante de um bandido ou
de um maluco. Então o homem falou: “Toma dez dessas tiras, pois eis
o que o Senhor Deus de Israel diz: Vou arrancar o reino das mãos de
Salomão e dar dez tribos a ti.” Jeroboão apressou-se a recolher as dez
tiras de pano. E, como predissera o profeta, logo o reino de Israel se
dividiu em facções inimigas. (Ver 1 Reis 11:26-40; para o cumpri­
mento da profecia, 1 Reis 12:20.)

192
Um Profeta Disfarçado
Ninguém entendia a estranha ordem do profeta errante: “Fere-me.”
Um soldado não atendeu ao pedido e o profeta o recompensou pre-
vendo-lhe a morte: um leão o atacaria. Outro homem, instado da mes­
ma maneira, golpeou o profeta. Este envolveu a ferida com um grande
lenço que lhe cobria a face toda. Assim disfarçado, postou-se à beira
de uma estrada poeirenta e, quando o rei Acabe apareceu, contou-lhe
uma história sem pés nem cabeça. Dizia ter, inadvertidamente, deixa­
do escapar um prisioneiro. Pagaria com a vida essa negligência? Qual
era o veredicto do rei? O julgamento de Acabe foi severo: que o pro­
feta morresse por sua negligência. Então o homem arrancou seu dis­
farce e anunciou a sentença de Deus para Acabe. O veredicto do rei
cairia sobre sua própria cabeça, pois ele permitira que um prisionei­
ro - o rei da Síria, condenado por Deus - ficasse livre. (Ver 1 Reis
20:23-43.)

A Charada de Eliseu
Quando o rei Jeoás soube que o profeta Eliseu estava em seu leito de
morte, foi imediatamente pedir-lhe conselho. Mas, em vez de dar res­
postas diretas, Eliseu saiu-se com uma estranha charada. Primeiro,
mandou que Jeoás disparasse uma flecha pela janela. E quando a fle­
cha voava para o horizonte, gritou: “Essa é a flecha do Senhor, a da vi­
tória sobre Aram.” Era, sem dúvida, a previsão de um sucesso. Mas
então Eliseu pediu que Jeoás fizesse algo ainda mais estranho: golpear
a terra com as flechas restantes. Jeoás obedeceu - uma, duas, três ve­
zes. Depois, parou e olhou para Eliseu. E agora? Eliseu ficou rubro de
cólera: “Deverias ter ferido a terra cinco ou seis vezes. Nesse caso, ba­
terias Aram quase até a destruição. Mas agora serás vitorioso apenas
três vezes.” Eliseu expirou então, deixando o rei intrigado com o es­
tranho ritual que lhe fora prescrito. (Ver 2 Reis 13:14-20.)

193
Mestres do Disfarce
As seguintes pessoas tentaram ocultar dos outros sua identidade. Em
alguns casos, por um bom motivo. Mas em outros, fizeram-no para
esconder-se e pagaram caro pela malandragem.

N om e D is f a r c e M o t iv o R e f e r ê n c ia

Adão e Eva Folhas de parreira Ocultar seu pecado de Deus. Gênesis 3:7
costuradas

Jacó Pele de cabrito Enganar o pai, Isaque, para Gênesis 27:


receber a bênção de Esaú. 15-16

Tamar Véu Protestar contra a quebra de Gênesis 38:14


promessa de Judá, de que lhe
daria seu filho em casamento.

Mical Pele de cabra e Fazer Saul pensar que Davi 1 Samuel 19:11-13
estátua de pedra estava doente, quando na
verdade estava fugindo.

Saul Roupas comuns Como os médiuns estavam 1 Samuel 28:8


proibidos de atuar em Israel,
Saul se disfarçou para ir
consultar uma espiritualista.

Esposa de Roupas Não querendo revelar sua 1 Reis 14:2


Jeroboão identidade de esposa do mau
rei Jeroboão, disfarçou-se para
consultar o profeta Aías.

Profeta Bandagem nos Disfarçou-se para demonstrar 1 Reis 20:38


Anônimo olhos a Acabe a loucura que este fizera
ao assinar um tratado com Aram.

Acabe Trajes de soldado Para evitar ser alvo dos projéteis 1 Reis 22:30
comum dos guerreiros de Aram, usou
esses trajes - não adiantou nada,
foi morto assim mesmo.

Josias Trajes de soldado Ignorando a advertência de Neco, 2 Crônicas 35:22


comum rei do Egito, entrou disfarçado em
combate e foi morto.

194
ALIM ENTOS FABULOSO S

Comer é atividade comum, cotidiana. Mas, em tempos de penúria ou


no deserto, conseguir alimento pode ser às vezes uma tarefa pesada.
A Bíblia fala de ocasiões em que arranjar comida foi uma verdadeira
façanha. Às vezes, o alimento vinha de uma fonte celeste, misteriosa.
Outras, substâncias comuns tinham um extraordinário prazo de vali­
dade. Mas, em todos os casos, o povo ficava maravilhado com o ali­
mento que o mantinha vivo.

Banquetes no Deserto
Quando saíam do Egito guiados pela mão miraculosa do Senhor, os
hebreus deviam saber que ele não os deixaria morrer de fome. Infe-
lizmente, estômagos vazios costumam induzir até as pessoas mais con­
fiantes a ter suas dúvidas. Como o povo começasse a se queixar, Deus
prometeu fazer chover comida do céu. E cumpriu a promessa. Pri­
meiro, atirou sobre o acampamento grande quantidade de codorni-
zes. Depois, preparou um mantimento especial que apareceria todas
as manhãs, como orvalho no chão. Cada qual deveria colher dele a
quantidade necessária para sustentar seus familiares por um dia. (Ver
Êxodo 16.)

O Alimento Que Não Acabava Nunca


Certa vez, num período de grande fome, o profeta Elias procurou uma
viúva para pedir-lhe um pouco de comida e água. A coitada esclare­
ceu que só possuía um punhado de farinha e algumas gotas de azeite.
Aquilo bastava para uma última refeição. Depois, ela e o filho se sen­
tariam à espera da morte. Elias, no entanto, prometeu-lhe que sobre-
viveria àqueles dias difíceis se usasse a farinha e o azeite para lhe

195
preparar um pão. E diariamente, depois disso, a mulher encontrava,
perplexa, azeite e farinha suficientes para alimentar-se, a seu filho e a
Elias. Não importa quanto usasse, sempre restava um pouco para o
dia seguinte. (Ver 1 Reis 17:8-16.)

Comida de Anjo?
Elias estava cansado, faminto, sedento. Fugia, para salvar a pele, da
maldosa rainha Jezabel. Mas, no meio do deserto, caiu ao chão, exaus­
to. Não lhe restava uma gota de energia. Adormeceu debaixo de uma
moita rala. Súbito, um anjo o tocou, acordando-o do sono profundo.
“Levanta e come!”, ordenou o anjo. Quando abriu os olhos, Elias viu
um jarro de água e pães sendo assados em pedras quentes. Ele comeu
e bebeu até fartar-se e voltar a dormir. De novo o anjo o sacudiu: “Va­
mos, come um pouco mais ou não aguentarás a jornada que tens pe­
la frente.” Elias obedeceu. E comeu tudo o que tinha diante dos olhos.
(Ver 1 Reis 19:1-8.)

Morte na Panela
Elias recebia um grupo de profetas e ordenou à serva que começasse
a preparar uma refeição para os hóspedes. A serva obedeceu, reco­
lhendo toda espécie de verduras, legumes e frutas nos campos vizi­
nhos. Picou tudo e jogou numa panela de água fervente. Depois,
serviu a comida aos profetas. Mas estes, ao prová-la, gritaram: “Deus
do céu, isto está envenenado!” Ervas venenosas tinham sido mistura­
das inadvertidamente aos outros ingredientes. Elias permaneceu cal­
mo. Atirou um pouco de farinha na panela e ordenou à serva que de
novo servisse a refeição. Os profetas, esfomeados, comeram tudo, mas
milagrosamente nenhum morreu ou sequer passou mal por causa das
substâncias letais. (Ver 2 Reis 4:38-41.)

196
P enúria e F ome
A fome não é um fenômeno moderno. O sofrimento por ela causado
existe desde os tempos bíblicos. Às vezes, uma fase de penúria era
profetizada; outras, resultava da guerra ou do assédio.

P r o feta Á r e a A feta d a C ir c u n s t â n c ia s R e f e r ê n c ia

Nenhum Canaã Abraão foi para o Egito por causa Gênesis 12:10
da fome.

Isaque Canaã Teve de recorrer a Abimeleque Gênesis 26:1


por causa da fome que assolava o
país.

José Egito e terras O faraó sonhou com sete anos de Gênesis 40-41
vizinhas fome após sete anos de fartura.
Como sobrasse alimento no Egito,
estrangeiros viajavam até lá para
comprar cereais.

Nenhum Judá Noemi, Elimeleque e seus dois filhos Rute 1:1


mudaram-se para Moabe por causa da
fome que assolava Judá.

Davi Israel Israel padeceu fome durante três anos. 2 Samuel 21:1
Foi castigo divino, pois Saul, o rei
anterior, perseguira os gibeonitas.

Elias Israel Enviado ao rei Acabe para predizer 1 Reis 18:2


que não chovería no país durante três
anos. Consequentemente, a fome
assolou Samaria.

Eliseu Israel Esse profeta passou fome mais de uma 2 Reis 4:38;
vez. Durante uma fase de penúria na 6:24-8:2
terra de Samaria, o exército arameu
cercou a cidade para matar os habitantes
de fome. Eles cozinharam e comeram
seus próprios filhos.

Jeremias Jerusalém 0 rei Zedequias viu o povo de Judá 2 Reis 25:1-7


passar fome em Jerusalém, cercada
pelo exército babilônico.

197
Nenhum Judá pós-exílio A fome assolou o pais e as famílias Neemias 5:1-4
pobres se venderam como escravas
para continuar vivas.

Isaías Cidades-Estados O profeta Isalas previu que a fome Isalas 14:28-30


filistinas destruiría os filisteus.

Jeremias Judá Judá foi infiel a Deus, que lhe enviou Jeremias 14-16
fome e inundações.

Ezequiel Israel 0 Senhor revelou seus planos para Ezequiel 5:8-17


impingir aos israelitas a destruição
pela fome e pelos animais selvagens,
em castigo pela sua desobediência.

Ágabo Mundo romano Predisse uma fome severa que Atos 11:28
atormentaria o mundo inteiro.

CURAS FANTÁSTICAS

A Bíblia está cheia de curas surpreendentes e misteriosas. O que pa­


rece fascinante nelas - além do fato de serem milagres - é que quase
sempre eram muito diferentes. Como essas curas aconteciam, conti­
nua a ser um grande mistério.

Um Banho Terapêutico
O comandante do exército arameu invasor, Naamã, sofria de lepra. Os
israelitas tinham, pois, razões para festejar. Afinal, os arameus haviam
devastado o país e feito cativos. Entre estes, uma menina entregue co­
mo serva à mulher de Naamã. A jovem lamentou a sorte do marido de
sua senhora e disse a ela que Naamã devia ir ver um profeta em Sa-
maria, pois assim se curaria de sua lepra. Naamã foi. O profeta lhe
disse apenas para lavar-se sete vezes no rio Jordão. A princípio, Naa-

198
mã ficou enfurecido e recusou, mas seus oficiais convenceram-no a fa­
zer o que o profeta determinava. Ele o fez e sua lepra desapareceu!
(Ver 2 Reis 5.)

Santa Simplicidade
Algumas curas miraculosas da Bíblia nos espantam pela singeleza.
Uma delas é registrada em três Evangelhos. Um aleijado, que jazia nu­
ma esteira, foi conduzido à presença de Jesus. Este, enquanto prega­
va à multidão, mandou o homem levantar-se, apanhar sua esteira
tapete e ir para casa. Sem sequer um estalar de dedos, um passe de
mágica ou o uso de uma varinha de condão, Jesus devolveu a saúde
ao pobre-diabo. O ex-paralítico apenas tomou sua esteira e foi embo­
ra muito feliz. (Ver Mateus 9:1-8; Marcos 2:3-12; Lucas 5:18-26.)

As Roupas Fazem o Milagre


Certa vez, Jesus operou um milagre sem fazer deliberadamente coisa
alguma. Eis a história. Uma mulher vertia sangue há doze anos. Os
médicos não conseguiam estancar a hemorragia. Ela se aproximou de
Jesus por trás e apenas tocou suas vestes, certa de que isso lhe faria
bem - e fez mesmo. Jesus, na verdade, sentiu sua força se projetando
para fora e voltou-se para ver quem o tocara. Tranquilizou então a
mulher, que temera ser apanhada em flagrante, e declarou que a fé
que ela tinha a curara. (Ver Mateus 9:19-22; Marcos 5:24-34; Lucas
8:43-50.)

A Sombra Sabe
Os chefes da igreja primitiva pregavam fazendo curas milagrosas. O li­
vro dos Atos registra que doentes e paralíticos eram levados para a
beira da estrada e postos sobre macas e tapetes: se o apóstolo Pedro
passasse por ali e lançasse sua sombra sobre eles, todos ficariam cu­
rados. (Ver Atos 5:12-16.)

199
RESSURGIDOS DOS M O RTO S

A morte continua sendo um mistério insondável. Nossa tecnologia


nada pode dizer sobre o que nos espera do outro lado. São inúmeros,
porém, os relatos de experiências de quase-morte. A Bíblia possui uma
série de histórias intrigantes a respeito não só de pessoas que sobre­
viveram a tais experiências - mas também de outras que realmente
ressurgiram dos mortos. Essas histórias continuam a nos maravilhar.

Espirrando entre os Mortos


Eliseu era bastante conhecido por seus milagres. Não se surpreendeu,
pois, ao ver uma mãe desconsolada procurá-lo após a morte do filho.
Eliseu entrou no quarto do menino, fechou a porta e orou a Deus. Em
seguida, estirou-se na cama sobre o cadáver, boca contra boca, olhan­
do-o diretamente nos olhos e segurando-lhe as mãos. O corpo do me­
nino foi se aquecendo e ele espirrou sete vezes antes de recuperar a
consciência. Mas não foram os atos de Eliseu que trouxeram o garo­
to de volta: foi sua oração a Deus. (Ver 2 Reis 4:32-37.)

O Homem Que Tocou os Ossos de Eliseu


Nos anos que se seguiram à morte do profeta Eliseu, o povo de Israel
ficou à mercê dos moabitas, que invadiam seu território a cada pri­
mavera. Um desses ataques ocorreu durante um funeral. Temendo os
agressivos moabitas, as pessoas que participavam da cerimônia joga­
ram apressadamente o corpo do morto na tumba de Eliseu. Diz a Bí­
blia que, tão logo tocou os ossos do profeta, o cadáver voltou à vida.
(Ver 2 Reis 13:20-21.)

200
O Filho Único da Viúva
Estando Jesus e seus discípulos a caminho da aldeia de Naim, depa­
raram com um cortejo fúnebre que de lá saía. O filho único de uma
viúva morrera - na cultura judaica, isso a deixava praticamente sem
amparo ou esperança. Ela iria ficar à míngua. Segundo a Bíblia, quan­
do Jesus a viu, “moveu-se de íntima compaixão por ela”. Aproximou-
se do esquife e ordenou ao menino que se levantasse - e ele se
levantou! (Ver Lucas 7:11-17.)

Um Toque de Mão
Entre os muitos milagres registrados nos Evangelhos, quase nenhum
é espalhafatoso ou exibicionista. A cura em si bastava, como no caso
do líder judeu Jairo e sua filha. Jairo convidara Jesus a sua casa quan­
do mensageiros lhe vieram dizer que ela morrera. Jesus aconselhou a
todos, calmamente, que tivessem fé e prosseguiu seu caminho. Quan­
do chegou à casa, explicou que a jovem apenas dormia. Riram-se; mas
Jesus segurou-lhe a mão e pediu que se levantasse. Os risos cessaram
imediatamente porque ela realmente se levantou. A garota voltara dos
mortos. (Ver Mateus 9:18-26; Marcos 5:21-43; Lucas 8:40-56.)

Lázaro
Maria e Marta eram duas das mais fervorosas seguidoras de Jesus.
Quando seu irmão Lázaro adoeceu, elas imediatamente mandaram
chamá-lo. Mas Jesus, ao saber da doença de Lázaro, preferiu ficar on­
de estava por dois dias, antes de ir visitar o enfermo. Quando chegou
a Betânia, Lázaro estava morto. De fato, estava enterrado há quatro
dias. Jesus ordenou que a lápide fosse removida e, diante do túmulo
aberto, orou. Em seguida, chamou em voz alta: “Lázaro, vem para fo­
ra!”. Para espanto da multidão, Lázaro saiu - ainda envolto na mor­
talha. (Ver João 11.)

201
A Mulher Gentil
Pedro viajava e pregava, mas também curava pessoas. Chegando a Li­
da, curou Eneias, paralítico há oito anos. A notícia se espalhou pela re­
gião e, quando uma fiel da cidade vizinha de Jope morreu, os crentes
procuraram Pedro para levá-lo até lá. Tabita (também chamada Dor-
cas) fora muito amada pelos crentes, que lhe deviam muitas gentile­
zas. Pedro entrou no quarto onde ela jazia, orou e mandou que “se
levantasse”. Tabita abriu os olhos, sentou-se e voltou para o seio da fa­
mília e dos amigos. (Ver Atos 9:36-43.)

Êutico
No último dia da visita do apóstolo Paulo a Troas, ele e alguns cristãos
da cidade ficaram conversando até tarde numa sala do terceiro andar.
Um jovem chamado Êutico estava presente à reunião. Ao que parece,
sentara-se no peitoril de uma janela, ouvindo atentamente o apóstolo.
Mas, com o passar das horas, começou a cochilar, perdeu o equilíbrio e
caiu, estatelando-se lá embaixo. Paulo desceu correndo as escadas, ati-
rou-se sobre o corpo e anunciou: “Está vivo!”. Com efeito, estava. De­
pois de uma ceia tardia, o povo da cidade conduziu para casa o jovem
- agora presumivelmente de olhos bem abertos. (Ver Atos 20:7-12.)

FO GO DO CÉU

Ver fogo caindo do céu deve ser um espetáculo aterrador para qual­
quer pessoa. No entanto, tempestades dessas ocorrem a todo mo­
mento nas páginas da Escritura! De onde vêm elas? Por que
acontecem? Eis alguns casos pouco conhecidos desse fenômeno es­
pantoso e algumas vezes mortal.

202
A Candente Dedicação do Templo
O magnífico templo novo, no alto do monte Moriá, dominava a cida­
de de Jerusalém. O rei Salomão devotara muito tempo, energia e cui­
dados para garantir que o edifício, com todo o seu brilho de ouro,
bronze e prata, fosse digno do Todo-Poderoso. Terminada a obra, o
povo de Israel se juntou para dedicar a nova casa de culto. Festejos e
canções alegres abrilhantaram a ocasião. Quando o primeiro sacrifício
foi oferecido, o rei se levantou e conduziu as orações. Ao terminar, o
céu inteiro reverberou e uma coluna de fogo desceu das alturas para
consumir o sacrifício animal colocado sobre o altar de ouro. Imbuídas
de terror místico, as pessoas se curvaram em adoração. (Ver 2 Crôni­
cas 7:1-4.)

Um Túmulo Ardente
O fogo que consumiu o sacrifício de Salomão foi um desses raros
eventos em que as chamas vindas do céu expressaram a simpatia de
Deus por seus servos. O mais das vezes, elas matavam. Jó que o diga.
Num dia fatídico, ele perdeu a maior parte da família, servos e reba­
nhos em meio a uma série incrível de calamidades. Alguns foram mor­
tos por saqueadores. A família pereceu quando o teto da casa desabou.
E Jó ainda recebeu a trágica notícia de que o fogo do céu incinerara
suas manadas e os servos que as apascentavam. Podemos concluir, em
vista da combinação anterior entre Deus e Satã, que este foi respon­
sável pelo fogo. Mas, apesar de tudo, Jó não culpou Deus por suas
desgraças. (V erjó 1.)

O Inflamado Fim de Satã


Segundo o Apocalipse, tempestades de fogo caídas do céu assinalarão
o final dos tempos. O livro descreve a derradeira batalha entre Satã e
Deus. Os maus se aliarão a Satã para formar um exército terrível. Es­
sas hordas cercarão o povo de Deus antes de lançar o último e mortal
ataque. Mas, no momento decisivo, todo o exército de Satã será var-

203
rido por uma rajada incandescente vinda do céu. Isso significará o tor­
mento eterno de Satã num lago de fogo e a vitória do povo de Deus.
(Ver Apocalipse 20:9-10.)

CARTAS INDESEJÁVEIS

As pessoas que recebiam essas mensagens provavelmente não ficavam


ao lado da caixa do correio, esperando ansiosas por elas. Os destina­
tários eram informados de que seriam alvo de castigos, perseguições
e morte. Eis como essas cartas funestas prediziam o fim de reinos e reis
- quando não recaíam sobre a cabeça dos remetentes.

Bem na Barriga
Jorão, rei de Judá ao tempo do profeta Elias, era um homem perver­
so. Recebeu uma carta de Elias que o condenava por desposar uma
adoradora de ídolos, por matar seus seis irmãos e por incentivar a
prostituição e a idolatria entre o povo. A carta avisava que suas pro­
priedades, filhos e esposas lhe seriam arrebatados. Se tanto não bas­
tasse, informava que Jorão morreria de uma longa enfermidade nas
entranhas. Pouco depois da chegada da carta, os filisteus atacaram Ju ­
dá e tomaram tudo o que Jorão possuía, inclusive filhos e esposas.
Dois anos depois ele morreu da doença insidiosa a que Elias se refe­
rira. Foi-se e ninguém lamentou a sua morte. (Ver 2 Crônicas 21.)

O Tiro Que Saiu pela Culatra


Senaqueribe deu poder e glória sem-par à Assíria. Naturalmente, es­
perava pouquíssima resistência por parte do pequenino Judá, pois já
subjugara reinos muito maiores. Enviou uma carta ameaçadora a Eze-

204
quias, rei de Judá, informando-o de que resistir seria inútil. Insinuou
até que o Senhor o mandara destruir Judá! Ezequias rasgou suas ves­
tes e orou fervorosamente pela salvação. Isaías consolou o rei, profe-
tizando-lhe a vitória. Naquela noite, quase duzentos mil assírios
pereceram, atacados por uma peste misteriosa. Senaqueribe voltou pa­
ra casa em desgraça e foi mais tarde assassinado por dois de seus fi­
lhos. (Ver Isaías 36:1-37:28.)

O Rolo Queimado
O rei Joaquim e o povo de Judá caíram na idolatria e na imoralidade
sem freios. O profeta Jeremias compôs um rolo advertindo Judá dos
desastres que o aguardavam. Furioso com o que ouvia, Joaquim fez o
pergaminho em tiras e jogou-o no fogo. Jeremias compôs um segun­
do rolo, dessa vez condenando o rei e predizendo uma morte horrível
para ele e os seus. As palavras do profeta se cumpriram: Jerusalém foi
saqueada por Nabucodonosor e Joaquim morreu no cativeiro em Ba­
bilônia. Seu filho também foi morto. (Ver Jeremias 22; 36.)

L ivros Desaparecidos
Às vezes, a Bíblia menciona ou cita livros que não chegaram até nós.
Eis uma lista dessas obras fantasmas.
L iv r o s F a n t a s m a s M e n c io n a d o s n o A n t ig o T esta m en to R e f e r ê n c ia

O Livro das Guerras do Senhor Números 21:14


O Livro dos Justos Josué 10:13; 2 Samuel 1:18
O Livro dos Reis de Israel e Judá 1 Crônicas 9:1; 2 Crônicas
16:11; 20:34
O Registro de Samuel, o Vidente 1 Crônicas 29:29
O Registro de Natã, o Profeta 1 Crônicas 29:29;
2 Crônicas 9:29
O Registro de Gade, o Vidente 1 Crônicas 29:29
A Profecia de Aías, o Silonita 2 Crônicas 9:29
As Visões de Ido, o Vidente 2 Crônicas 9:29
O Registro de Jeú, Filho de Hanani 2 Crônicas 20:34
0 Comentário ao Livro dos Reis 2 Crônicas 24:27

205
L i v r o s C it a d o s no N ovo T esta m en to R e f e r ê n c ia •

A Assunção de Moisés Judas 1:9


O Livro de Enoque Judas 1:14
A u t o r e s C it a d o s no N ovo T esta m en to R e f e r ê n c ia

Árato Atos 17:28


Cleanto Atos 17:28
Menandro 1 Coríntios 15:33
Epimênides Tito 1:12
U ma E p ís t o l a P e r d id a do N ovo T esta m en to R e f e r ê n c ia

A Epístola Perdida aos Coríntios 1 Coríntios 5:9


L iv r o s S o b r e o F in a l dos T em po s R e f e r ê n c ia

O Livro da Vida Salmos 69:28; Filipenses 4:3;


Apocalipse 3:5; 13-8;
17:8; 20:12, 15; 21:27
O Rolo dos Sete Selos Apocalipse 5:1-5
O Livro do Juízo Apocalipse 20:12

O U Ç A Q U EM TEM OUVIDOS PARA OUVIR!

Deus proclamava a seriedade de seus julgamentos de vários modos. Os


profetas apelavam para gestos enfáticos e memoráveis para ter certe­
za de que estavam transmitindo a mensagem divina ao povo. Algu­
mas pessoas a ouviam; outras a ignoravam e sofriam as consequências.

A Verdade Nua
No livro de Isaías, Deus acusa o Egito e a Etiópia de crimes graves.
Avisa que seu povo será levado nu para o cativeiro na Assíria. Para
dar mais força às suas palavras, fez com que o profeta Isaías ficasse
nu durante três anos. Na cultura do Oriente Médio, a nudez era mo­
tivo de grande humilhação - o tipo de vergonha reservado aos inimi­
gos de Deus. (Ver Isaías 20.)

206
Roupa Velha
Deus mandou o profeta Jeremias comprar uma tanga de linho e ves­
ti-la. Até aí, nada de mais. Em seguida, porém, ordenou que a escon­
desse numa fenda de caverna. Dias depois, Jeremias tirou-a de lá e ela
estava podre. Desse modo, o povo de Judá e Jerusalém viu como Deus
usaria Babilônia para abater seu orgulho, que eles envergavam como
uma roupa velha e inútil. (Ver Jeremias 13:1-11.)

Jugo e Opressão
O jugo é um objeto pesado e incômodo que se coloca no pescoço dos
bois para controlá-los e dirigi-los. O profeta Jeremias não deve ter fi­
cado muito contente quando Deus lhe ordenou que pusesse um jugo
sobre os próprios ombros. O objeto servia de mensagem ao povo de
Deus e às nações vizinhas: eles se tornariam escravos de Nabucodo-
nosor e seguiriam suas ordens como o boi obedece à pressão no jugo.
Essa mensagem não agradou muito. (Ver Jeremias 27-28.)

O Rolo Que Afundou


A última mensagem de Jeremias foi sobre Babilônia. Ele registrou num
pergaminho todos os desastres terríveis que cairiam sobre essa nação
por causa de sua perversidade. Jeremias instruiu Seraías a ler a men­
sagem em voz alta, amarrar uma pedra ao rolo e jogá-lo no Eufrates,
como símbolo de que Babilônia e seu povo afundariam para nunca
mais voltar à tona. Mensagem estranha, pois então Babilônia estava no
auge do seu poder. (Ver Jeremias 51:59-64.)

Captou a Imagem?
Ezequiel foi incumbido da tarefa nada invejável de profetizar a mui­
tos de seus compatriotas que, como ele, estavam no exílio. A certa al­
tura, recebeu instruções para avisá-los de que as pessoas que ainda
permaneciam em Jerusalém sofreriam um assédio horrível. Seus ges­
tos estapafúrdios demonstraram a duração e o pavor desse assédio.

207
Numa outra ocasião, fez as malas e saiu de casa - significando com is­
so que mais pessoas seriam condenadas ao exílio. Pior ainda, talvez,
a esposa de Ezequiel faleceu e ele não teve permissão de pranteá-la
em público. Isso mostrava ao povo que haveria tantas mortes e des­
truição que ninguém conseguiria chorar todos os mortos. (Ver Eze­
quiel 4-5;12:3-7; 24:16-17.)

Massageando o Próprio Ego


Nabucodonosor, rei da Babilônia, estava muito satisfeito consigo mes­
mo. Gabava-se tanto de suas façanhas que começou a acreditar ser o
único responsável pela própria grandeza. Como nos conta Daniel,
um belo dia ele foi forçado a deixar o palácio. Perdeu o reino por se­
te anos e teve de comer grama como um animal selvagem. Só depois
de reconhecer que Deus controlava todos os reinos e reis da Terra é
que o Senhor ouviu suas preces e devolveu-lhe a sanidade mental.
(Ver Daniel 4.)

Compromisso Radical
Os escassos detalhes do casamento de Oseias com a prostituta Gomer,
nos capítulos 1 e 3 do livro de Oseias, têm alarmado os teólogos. Por
que o Deus santo mandaria seu profeta juntar-se com uma prostituta?
Para solucionar esse enigma teológico, alguns comentadores sugeri­
ram que os dois capítulos são alegóricos, simples metáfora para o
adultério espiritual de Israel. Mas esses comentadores ainda precisam
explicar a mensagem direta e clara de Deus a seu profeta: “Vai, toma
uma mulher de prostituições!” (Oseias 1:2). A imagem, porém, é real­
mente vigorosa e inesquecível, mostrando ao povo de Israel como
Deus o amava apesar de seus pecados. (Ver Oseias 1-3.)

208
HISTÓRIAS DE PESCAD O R

Todos já ouviram falar do pescador que, pensando ter fisgado um pei­


xe, puxou da água uma bota velha. A Bíblia também tem lá suas his­
tórias de pescador, mas num contexto que lhes garante a veracidade.

O Profeta Relutante
Jonas não queria ir a Nínive de jeito nenhum. Essa cidade pervertida era
a capital da Assíria, inimiga feroz de Israel. Deus chamou e Jonas cor­
reu - em sentido contrário. Pulou num barco que rumava para o Oci­
dente (e Deus o queria no Oriente). Mas o barco foi surpreendido por
uma terrível tempestade e, quando um lance de dados apontou Jonas
como o causador de tudo, este admitiu estar fugindo de Deus. Pediu
mesmo que os marinheiros o atirassem ao mar, pois assim a tormenta
passaria. A princípio os marujos não queriam fazê-lo, mas, concluindo
que não tinham escolha, jogaram Jonas nas águas. Imediatamente a
tempestade cessou. Isso, contudo, não foi o fim das tribulações de Jo ­
nas. Deus, precisando levá-lo de volta à terra, providenciou para que
um grande peixe o engolisse e o vomitasse na praia. (Ver Jonas 1-2.)

Melhor Que Devolução de Imposto


Quando Jesus e seus discípulos chegaram a Cafarnaum, os coletores
de impostos do templo perguntaram a Pedro se seu mestre pagaria as
taxas devidas por todos os varões adultos. Pedro lhes garantiu que
sim, mas foi discutir o assunto com Jesus. Este insinuou que pagar
não era necessário, mas pagaria para não ofender os funcionários. Pe­
diu a Pedro que descesse ao mar e lançasse o anzol. Devia abrir a bo­
ca do primeiro peixe apanhado e, com o que encontrasse lá dentro, se
desobrigaria perante o fisco. Pedro, ele próprio pescador, obedeceu e

209
foi para a praia de vara em punho. Quando fisgou o primeiro peixe,
abriu-lhe a boca e achou uma moeda, exatamente a quantia a ser pa­
ga aos coletores em nome dele e de Jesus. (Ver Mateus 17:24-27.)

Comida para Todos


Em duas ocasiões, Jesus maravilhou seus discípulos e detratores trans­
formando alguns peixes numa tremenda refeição. Depois de pregar à
multidão por horas, ficou com dó dos homens, mulheres e crianças
que precisariam andar quilômetros até a casa para comer. Vendo al­
guns pequenos cestos de pães e peixes, ordenou aos discípulos que
os fossem passando à volta aos milhares de presentes. Não só come­
ram todos até fartar-se como os discípulos ainda encheram vários ces­
tos com o que sobrou! (Ver Mateus 14:13-21; 15:32-39; Marcos
6:30-44; 8:1-10; Lucas 9:10-17; João 6:1-15.)

A Pesca Que Salvou o Dia


Certa feita, Jesus pregava à beira de um lago e a multidão se compri­
mia à sua volta. Achou melhor então subir a um barco pesqueiro va­
zio e pediu ao proprietário, Simão Pedro, que o levasse para o meio do
lago, de onde poderia falar ao povo. Finda a pregação, sugeriu a Pe­
dro velejar para águas mais profundas, pois assim pegaria muito pei­
xe. Pedro explicou que ele e sua tripulação haviam trabalhado a noite
inteira sem pegar nada. Mas ele disse: “Se dizes isso, lançarei de novo
as redes.” Remaram para o ponto onde não haviam visto sinal de pei­
xe e desceram as redes. Estas, inacreditavelmente, logo se encheram
a tal ponto que começaram a romper-se. Pedro chamou seus colegas,
que acorreram com outro barco para ajudar. Juntos, pegaram tanto
peixe que as duas embarcações quase afundaram. Pedro, agradavel­
mente surpreso, caiu aos pés do mestre. E Jesus lhe disse: “Doravan­
te, sereis pescadores de homens!”. Quando chegaram à praia, Pedro e
seus ajudantes deixaram para trás barcos e redes, e seguiram Jesus.
Depois da ressurreição, Jesus fez um milagre parecido para seus dis­
cípulos (Ver Lucas 5:1-11; João 21:1-10.)

210
L agos, O ceanos, Rios e Á guas
Oceanos, rios e lagos eram lugares misteriosos, agourentos e assusta­
dores nos tempos bíblicos. Todos temiam seu poder e seus perigos.
Muitas vezes foram cenário de milagres e outras ocorrências inusitadas.

E ven to ou M il a g r e R e f e r ê n c ia

Deus certa vez puniu os egípcios matando todos os peixes do Êxodo 7:21
rio Nilo, o qual ficou tão pestilento que ninguém conseguia
beber sua água.

Deus abriu o mar Vermelho para que os egípcios continuassem Êxodo 14:21-31
a perseguição, mas fechou-o sobre o faraó e seus exércitos.
Todos se afogaram.

Os israelitas precisavam de água - viajavam há três dias pelo Êxodo 15:22-27


deserto sem encontrar uma gota. Quando chegaram a um oásis,
a água era salobra. O Senhor disse a Moisés que jogasse um
pedaço de madeira no poço e a água se tomou boa para beber.

Deus ordenou a Moisés que ferisse uma rocha duas vezes com Números 20:11
seu cajado. Ele o fez e a água jorrou - em quantidade suficiente
para todas as pessoas e animais.

Os levitas levaram a Arca da Aliança para o rio Jordão e as águas Josué 3:14-17
se dividiram, permitindo ao povo alcançar a outra margem.

Deus providenciou uma fonte para restaurar Sansão, que estava


exausto. Juizes 15:19

Elias golpeou o rio Jordão com seu manto e as águas se dividiram. 2 Reis 2:8

Elias purificou a água de uma fonte poluída. 2 Reis 2:19-22

Elias garantiu a Josafá que ele conseguiría matar a sede do seu 2 Reis 3:17-20
rebanho no meio de uma seca. No dia seguinte, o vale se encheu
de água.

Naamã se banhou no Jordão sete vezes e ficou curado da lepra. 2 Reis 5:9-14

0 profeta Daniel sonhou certa vez com um rio de fogo. Daniel 7:10

Durante uma violenta tempestade, o profeta Jonas pediu aos Jonas 1:12-15
companheiros de viagem que o atirassem ao mar. Eles o fizeram
e a tempestade serenou.

211
Jesus foi batizado no rio Jordão e o Espírito Santo desceu sobre ele Mateus 3:13-17;
sob a forma de uma pomba. Marcos 1:9-11;
Lucas 3:21-22

Quando os discípulos viram Jesus caminhando sobre a água, Mateus 14:22-33;


assustaram-se e pensaram estar vendo um fantasma. Então Pedro Marcos 6:45-52;
desceu da barca e também andou sobre a água. João 6:16-21

Possuída por demônios, uma vara de dois mil porcos despencou Mateus 8:32;
encosta abaixo e se afogou no lago. Marcos 5:13;
Lucas 8:33

O navio do apóstolo Paulo ficou à mercê de uma forte tempestade Atos 27


e naufragou nas imediações da ilha de Malta.

O apóstolo Paulo coloca enchentes de rios e tempestades no mar 2 Coríntios 11:26


entre os maiores perigos que enfrentou.

O Apocalipse fala de um mar que parece vidro transparente, Apocalipse 4:6


diante do trono do Senhor.

No Apocalipse, a boca do dragão expele um fluxo de água que Apocalipse 12:15-


mais parece um rio. Este arrebata uma mulher, mas a terra absorve 16
a água e salva-a.

No Apocalipse, um anjo despeja um jarro nos oceanos, Apocalipse 16:3


transformando-os em sangue e matando todas as formas de vida
que há neles.

O lago de fogo mencionado na Bíblia é composto de enxofre Apocalipse 19:20


fervente.

Depois que esta terra for destruída, surgirá outra, sem mares. Apocalipse 21:1

212
PA RÁ BO LA S INTRIGANTES

Muitas das parábolas encontradas nos Evangelhos são claras; o signi­


ficado e o exemplo do bom samaritano, na história contada por Jesus,
se tomaram lugar-comum em nossa língua. Entretanto, nem todas as
parábolas de Jesus permitem uma interpretação fácil.

Os Trabalhadores da Vinha
Os ouvintes de Jesus, muitos dos quais provinham das classes traba­
lhadoras, não devem ter entendido bem o fundo dessa parábola. Um
proprietário, ansioso por fazer sua colheita, saiu a contratar trabalha­
dores em vários lugares e em diferentes horas do dia. Para surpresa dos
que foram contratados ao nascer do sol, todos ganharam a mesma coi­
sa - até os que trabalharam apenas uma hora no frescor da tarde. Aqui­
lo pareceu injusto também para os ouvintes de Jesus. Então é assim
que Deus recompensa as pessoas? Os que tiraram uma conclusão
apressada não entenderam o que a parábola realmente quer dizer: a ge­
nerosidade de Deus estende-se até mesmo àqueles que o encontram
tardiamente. Com grande maestria, a história revela que Deus é justo
(paga direitinho seus trabalhadores) e misericordioso. (Ver Mateus
2 0 : 1- 16 .)

O Mordomo Astuto
Essa parábola, que Jesus contou apenas aos discípulos, refere-se a um
homem rico e seu mordomo. O mordomo fora perdulário e corria o
risco de perder o emprego. Depois de receber uma advertência e ser
chamado para prestar contas, fez algumas falcatruas com os devedo­
res do patrão, esperando contar com a ajuda deles quando estivesse no
olho da rua. Estranhamente, Jesus não contou essa parábola para con-

213
denar o comportamento desonesto do mordomo. Bem ao contrário: o
ricaço chegou a elogiar o empregado! Disse então Jesus aos discípu­
los: “Usai vossos recursos mundanos para beneficiar o próximo e fa­
zer amigos. Depois, quando a riqueza vos faltar, eles vos receberão na
morada eterna.” Embora ainda se debata o verdadeiro sentido da pa­
rábola, podemos inferir que devemos aplicar bem nossos recursos fi­
nanceiros e aproveitar quaisquer oportunidades que eles nos
ofereçam. Se empregarmos dinheiro para ajudar nossos semelhantes
a conhecer Cristo, esse investimento terreno nos valerá uma recom­
pensa eterna. (Ver Lucas 16:1-12.)

A Viúva Persistente
Jesus tinha muita coisa intrigante a dizer sobre a oração, mas essa pa­
rábola que ele contou a seus discípulos tem um desfecho inesperado.
Uma viúva atormentava o juiz sem parar, exigindo justiça contra seus
adversários. E, todas as vezes, ia para casa frustrada. Finalmente, o
juiz ficou tão farto que - não por virtude ou honestidade, mas apenas
para se ver livre dela - atendeu ao pedido da viúva. “Esta mulher es­
tá me deixando maluco. Vou providenciar para que tenha lá sua ju s­
tiça, pois não cessa de me aborrecer com sua insistência!”. Jesus traça
aqui um paralelo imediato com a resposta de Deus às orações dos fiéis.
Mas então estaria sugerindo que Deus encara os pedidos insistentes
como aborrecimento e os atende só para ter um pouco de paz de es­
pírito? Na verdade, o sentido da parábola é a necessidade de orar com
fé. Se solicitações repetidas podem demover um juiz frio, um Deus
amoroso não responderá muito mais rapidamente às nossas orações
fervorosas? (Ver Lucas 18:1-8.)

214
PATIFES D A IGREJA

O mundo está cheio de impostores, trapaceiros e charlatães - essa gen­


te contra a qual a mãe do leitor o pôs de sobreaviso há muito tempo.
Eles ficam à espreita em toda parte - até nas igrejas, infelizmente. O
Novo Testamento menciona as façanhas ignominiosas de umas pou­
cas personagens sem caráter que espalhavam a discórdia, contavam
mentiras e, de um modo geral, davam péssimos exemplos. Eis suas
histórias.

Simão, o Mago
Simão percebeu que a nova fé era poderosa - mais poderosa que qual­
quer outra até então do seu conhecimento. Foi um dos primeiros a
concluir que tamanho vigor poderia fazer a fortuna de uma pessoa.
Antes de entrar para a igreja, Simão fora mago. Seus truques não ape­
nas espantavam os basbaques como os levavam a meter logo a mão no
bolso. Simão teve inveja dos dons terapêuticos sobrenaturais de Pedro
e ofereceu-lhe dinheiro para que o ensinasse a infundir nas pessoas o
Espírito Santo pela imposição das mãos. A resposta de Pedro foi rís­
pida. Temeroso, o mago se arrependeu de sua cobiça e pediu perdão.
Mas estaria sendo sincero? Os padres da igreja, escrevendo nos sécu­
los I e II, aludem frequentemente a um grupo de hereges chamados si-
monianos. Os estudiosos, porém, debatem se esse grupo estava
mesmo ligado ao Simão da Bíblia. Podemos dizer com certeza que a
história do mago enriqueceu nossa língua com um novo termo: “si-
monia”, a deplorável prática de comprar ou vender benefícios ecle­
siásticos. (Ver Atos 8:9-24.)

215
O Coríntio Lascivo
Hostilidade e indiferença são coisas que a maioria das pessoas espera
de seus inimigos - mas não de seus amigos, vizinhos ou irmãos na fé.
Infelizmente, o apóstolo Paulo sofreu toda sorte de maus-tratos da
igreja de Corinto. Um homem, em particular, dividira a congregação
por causa de suas ações controvertidas. Paulo não cita seu nome nem
especifica o que ele fez. No entanto, fica claro que escreveu uma lon­
ga epístola aos coríntios instando-os a corrigir o ofensor. Alguns es­
tudiosos bíblicos identificam o desordeiro com o sujeito que,
vergonhosamente, possuiu a esposa do próprio pai, escândalo que
Paulo condenou com veemência em sua primeira carta aos coríntios
(1 Coríntios 5:1). Outros estudiosos, porém, acreditam que o culpa­
do era outro agitador da igreja de Corinto, sempre abalada por dis­
córdias. A carta de Paulo, aparentemente, teve grande efeito, pois em
sua segunda epístola aos coríntios ele aconselha à igreja reconciliar-
se com o homem, que reconhecera seu erro. (2 Coríntios 2:5-11.)

Diótrefes, o Ditador
As igrejas, em geral, revelam o lado mais caritativo, amigável e gene­
roso das pessoas. Alguns indivíduos, no entanto, têm uma sede incu­
rável de poder - mesmo numa casa de culto. Diótrefes era um desses.
Seu anseio de autoridade inquestionável o colocou em conflito com o
apóstolo João. O instrumento com que controlava os outros era o os­
tracismo. Qualquer membro de sua igreja que acolhesse um missio­
nário itinerante ou um mensageiro de João era expulso. Diótrefes
preferia ver um missionário dormir na sarjeta do que tolerar que ou­
tra pessoa influenciasse seu rebanho. Para isolar ainda mais seus se­
guidores, espalhava rumores, boatos maliciosos e mentiras deslavadas
sobre os estranhos. João instou seus companheiros cristãos a não se
deixar influenciar por aquele mau exemplo e prometeu relatar a ati­
tude de Diótrefes às autoridades eclesiásticas. (Ver 3 João.)

216
O s Sete Selos do Apocalipse

Os sete selos abertos no livro do Apocalipse são um dos mais famosos


símbolos de julgamento e punição de toda a literatura. Esse simbolis­
mo vem aparecendo na arte e na literatura há séculos. Mas o que sig­
nificam os selos?
S e l o /SIm b o l o D e s c r iç ã o R e f e r ê n c ia S ig n if ic a d o P o s s ív e l

Primeiro Selo: o O cavaleiro usa uma Apocalipse 6:1-2 Segundo vários


Cavalo Branco coroa e empunha estudiosos, é uma
um arco. Sai em imagem da violência
busca da vitória em que caracterizará as
combate. tribulações futuras.
Segundo Selo: 0 O cavaleiro, armado Apocalipse 6:3-4 O cavalo vermelho
Cavalo Vermelho com uma grande simboliza o
espada, tem poder e julgamento do
autoridade para assassinato e da
eliminar a paz da guerra, além de
terra. outras catástrofes.
Terceiro Selo: O 0 cavaleiro Apocalipse 6:5-6 O cavalo negro
Cavalo Negro empunha uma simboliza o pânico e
balança e proclama a a miséria causados
escassez de comida e pela fome.
vinho.
Quarto Selo: O O nome do cavaleiro Apocalipse 6:7-8 0 cavalo amarelo é a
Cavalo Amarelo é Morte e seu morte em diversas
companheiro, o formas brutais.
Túmulo. Infligem
sofrimento e morte a
um quarto da
população da terra.
Quinto Selo: As Em cima e embaixo Apocalipse 6:9-11 Os acontecimentos
Almas Sob o Altar do altar estão as do quinto selo, ao
almas dos que foram contrário dos quatro
mortos por pregar a anteriores, ocorrem
palavra de Deus. no plano espiritual.
O rompimento do
selo anuncia que
Deus vingará os
santos martirizados.

217
Sexto Selo: O A terra padece Apocalipse 6:12-17 O terremoto revela a
Grande Terremoto calamidades cólera do Cordeiro,
naturais, cada qual que poucos
tão devastadora que conseguem suportar.
as pessoas fogem Os seres humanos
para escapar à ira de preferem ser
Deus. esmagados por
montanhas a
enfrentar aquele que
rejeitaram.
Sétimo Selo: Silêncio 0 rompimento do Apocalipse 8:1 O sétimo selo inicia
no Céu selo é precedido por o ciclo final dos
um longo silêncio julgamentos que
no céu, mas culmina terminará na
em sete derradeira batalha
julgamentos. entre Cristo e as
forças das trevas.

218
SEÇAO III

PERGUNTAS MAIS FREQUENTES


AN JO S

Os anjos existem mesmo?


Poucos de nós vimos um anjo e, nesta vida, é pouco provável que ve­
jamos. Mas então os anjos não existem? Alguns respondem a essa per­
gunta com um sonoro “Não, eles não existem!” Para pessoas assim,
ver é acreditar: a experiência humana define a realidade. Outras, po­
rém - inclusive as mencionadas na Bíblia - , sabem que a realidade
não pode ser limitada pela estreiteza da experiência humana. Existe
um mundo sobrenatural, além do espaço e do tempo. Deus ocupa es­
se mundo porque é Espírito (ver João 4:24). Todavia, ele criou tam­
bém seres espirituais chamados anjos, que são os seus mensageiros.
Na Bíblia, eles aparecem para todo tipo de pessoa - de Balaão e sua ju ­
menta a Gideão, ao pai e à mãe de Sansão, a Maria (ver Números
22:21-35; Juizes 6:12-24; 13:2-24; Lucas 1:26-38). Os anjos deixavam
as pessoas perplexas e mudavam destinos, como prova de suas idas e
vindas.

As pessoas têm anjos da guarda?


Deus designou alguns anjos para proteger aqueles que confiam no Se­
nhor (ver Salmos 34:7; 91:11). A Bíblia, contudo, não afirma que to­
da pessoa tem seu anjo. Segundo Jesus, existem anjos para proteger as
crianças (Mateus 18:10). A tradição judaica ensinava que os anjos da
guarda se parecem com as pessoas a quem vigiam. Essa crença pode
ter sido expressa pelos cristãos que se reuniram para orar, na casa de
Maria, pela libertação de Pedro. Quando Pedro apareceu à porta, não
acreditaram que era ele! Disseram: “Deve ser o seu anjo!” (Atos
12:15.)

221
P o r q u e D e u s n ã o a p a r e c e e m p e s s o a aos h o m e n s ? P o r q u e en v ia a n jo s?
Diz a Bíblia que ninguém jamais viu Deus (João 1:18; 1 João 4:12)
porque ele vive numa luz inacessível (ver 1 Timóteo 6:16). Quem vê
Deus morre (ver Êxodo 33:20; Juizes 13:21-22). Por causa desse abis­
mo entre Deus e os homens, ele se vale de anjos como mensageiros.
Em geral, envia-os quando quer que a pessoa saiba com toda a certe­
za que a mensagem é uma ordem direta do próprio Deus (ver a expe­
riência de Gideão em Juizes 6:11-27).

P esso a s visita d a s p o r a n jo s tiv era m a lg u m a e x p e r iê n c ia e m co m u m ?


A Bíblia registra uma série de incidentes ocorridos por ocasião do en­
contro de pessoas com anjos (ver Gênesis 16:7; 19:1; 28:12; Êxodo
3:2). A resposta comum de todas elas é o medo incontrolável. Os guar­
das do túmulo de Jesus tremeram quando um anjo luminoso lhes apa­
receu (ver Mateus 28:4). Cornélio, um centurião romano, contemplou
um anjo com o mais absoluto terror (ver Atos 10:2-4). Zacarias entrou
em pânico quando um anjo o visitou no templo (ver Lucas 1:11-12).
Esses homens tinham todas as razões para temer, pois os anjos são
servos de Deus encarregados de cumprir a vontade dele na terra.
Quem se opuser à vontade divina deve contar com a aguda espada an­
gélica do castigo, como fez Balaão e outros inimigos de Deus (ver Nú­
meros 22:23-34; 2 Reis 19:35). Só quando um anjo diz: “Não temas”
a pessoa sabe com toda a certeza que a mensagem trazida é de paz e
não de punição (ver Lucas 1:13, 30).

222
V O C Ê S A B IA ?

O q u e os anjos co m em ?

Vemos nas imagens os anjos voando, soando trombetas e falan­


do a homens e mulheres em pânico. Os artistas raramente os
pintam comendo, embora a Bíblia mencione com todas as letras
festas e sacrifícios oferecidos a visitantes celestes. Abraão serviu
um novilho assado, coalhada e leite a três anjos que o visitaram
(ver Gênesis 18:6-8). Ló fez um grande banquete com pão asmo,
para os dois anjos que o visitaram (ver Gênesis 19:1-3). Manoá,
pai de Sansão, sugeriu um cabrito assado a um anjo, mas este re­
cusou o prato, recomendando que Manoá oferecesse o animal
em holocausto ao Senhor (Juizes 13:15-16). Embora não saiba­
mos muito bem se no céu os anjos comem, a Bíblia fala em ali­
mento celeste. Os salmistas descrevem o maná - os flocos
brancos e nutritivos graças aos quais os israelitas sobreviveram
no deserto - como a comida dos anjos (Salmo 78:24-25).

JULGAM ENTOS COLETIVOS

D e u s q u e r ia r e a lm e n t e q u e os isra elita s e x t e r m in a s s e m os o u tro s p o ­


v os?
Algumas passagens da Bíblia contêm ordens específicas para os israe­
litas liquidarem populações inteiras. Em Números 31, por exemplo,
lemos sobre uma campanha de vingança contra os midianitas, dos

223
quais poucos sobreviveram. No entender de Deus, o povo de Canaã
chafurdara tanto no pecado que sua influência sobre a moralidade dos
israelitas era perigosa. Havia clemência, contudo, para aqueles que
aceitassem o Deus de Israel e vivessem de acordo com a lei de Moisés.
Raabe, a prostituta de Jerico, abrigou espiões hebreus em sua casa e foi
poupada por ocasião do saque da cidade (Josué 2; 6:17-25). Ela é lem­
brada com simpatia no Novo Testamento (Hebreus 11:31; Tiago 2:25).

Por q u e a lg u n s sa lm o s p a r e c e m re ju b ila r-s e co m a d e s tru iç ã o e o so ­


fr im e n t o d o s in im ig o s ?
Às vezes chamados salmos imprecatórios, esses hinos imploram a aju­
da de Deus para liquidar um inimigo. Bom exemplo é o salmo 109, no
qual o autor deseja o seguinte a seu adversário: “Que seus filhos fi­
quem sem pai e que sua esposa se torne viúva” (Salmo 109:9). Pare­
ce cruel, mas nem sempre percebemos o verdadeiro sentido desses
salmos. Em vez de confiar na própria força, o autor espera que Deus
faça boa e correta justiça. Esse tema aparece em todos os salmos im­
precatórios. Deus ajudará quem for virtuoso e justo, não aqueles que
apenas desejam acertar contas com um inimigo.

P o r q u e fa m ília s in t e ir a s e r a m e x e c u t a d a s e m c a stig o p e lo s atos d e


u m a p e s s o a só ?
Em 2 Samuel 21, sete parentes de Saul são executados sem ter come­
tido crime algum. Seu antepassado, morto há muitõ tempo, extermi­
nara alguns gibeonitas que deviam estar protegidos por um acordo
com Israel. Portanto, Saul maculara com sangue a si mesmo e à sua ca­
sa por violar o acordo. Ora, o assassinato permitia à família da vítima
exigir vingança e até mesmo matar o responsável em caso de crime
premeditado. Os costumes da época também exigiam que parentes do
assassino fossem executados sob certas circunstâncias, sobretudo se o
crime não houvesse sido punido adequadamente.

224
S e os isra elita s e r a m o p o v o d e D e u s , p o r q u e s o fre ra m tanta o p ressã o ?
A história de Israel sobe às alturas e desce aos abismos. Tempos de gran­
des realizações são seguidos por períodos de cativeiro abjeto e desolação
profunda. Os autores da Escritura geralmente identificavam a opressão
com a desobediência à lei divina. Segundo Jeremias, o cativeiro de Babi­
lônia em 586 a.C. foi resultado direto do namoro de Israel com os cul­
tos idólatras e de sua teimosia em não ouvir os profetas de Deus. Os
períodos de exílio, por piores que fossem, serviam para reconduzir o po­
vo às suas raízes - uma vida pura e santa, voltada para Deus.

A Taça da Ira

Os profetas às vezes prediziam o destino de nações inteiras. No en­


tanto, poucas profecias são mais dramáticas do que a série de julga­
mentos proferidos por Jeremias contra elas anteriormente a 600 a.C.
Essas predições e seus sinistros desfechos são mostrados no quadro
abaixo.

N ação J u lg a d a D esfec h o R e f e r ê n c ia

Egito 0 faraó egípcio Neco perdeu uma batalha Jeremias 46


decisiva em Carquêmis, no ano 605 a.C.
Com essa derrota, desapareceu o poder
egípcio no Oriente Médio e Babilônia se
tomou a potência dominante na região.

Filístia A independência das cidades-Estados da Jeremias 47


Filístia foi perdida quando a Assíria,
a Babilônia e a Grécia invadiram seu território.
Os macabeus conquistaram o que restou no
século II a.C.

Moabe Nabucodonosor ocupou seu território e Jeremias 48


destruiu por completo a nação após 600 a.C.

Amom Inimigo eterno de Israel, Amom também foi Jeremias 49:1-6


absorvido pelos invasores babilônicos,
embora não se saiba a data com exatidão.

225
Edom Edom, cujo ancestral é Esaú, irmão de Jacó, Jeremias 49:7-22
foi julgado por sua crueldade em relação a
Israel. Caiu sob o domínio da Babilônia,
da Pérsia e mais tarde da Grécia, para afinal
desaparecer.

Damasco Nabucodonosor derrotou e ocupou a cidade Jeremias 49:23-27


por volta de 605 a.C.

Quedar e Hazor Eram tribos nômades que viviam nos desertos Jeremias 49:28-33
do Oriente Médio. Seu relativo isolamento não
as protegeu dos invasores babilônicos.

Elam Essa nação foi conquistada pelos babilônios, Jeremias 49:34-39


mas conseguiu se reerguer. Sua cidade principal,
Susa, tomou-se o centro do império medo-persa
após o declínio da Babilônia.

Babilônia Jeremias disse ao povo de Judá que a Babilônia Jeremias 50:1-


seria o agente de Deus para julgar seu pecado, 51:64
mas que a própria Babilônia também seria
julgada. Jeremias profetizou ainda o retomo dos
exilados.

D EM Ô N IO S E PO SSESSÃ O D EM O N ÍACA

A c r e d it a r e m d e m ô n io s n ã o é s u p e rs tiç ã o ?
Sem dúvida, os autores da Bíblia levavam os demônios a sério. Jesus,
os discípulos e os antigos cristãos enfrentavam-nos frequentemente e
advertiam os fiéis sobre sua teimosia em resistir às obras de Deus. As
descrições da atividade demoníaca, na Bíblia, não podem ser explica­
das como simples doenças físicas ou emocionais (ver, por exemplo,
Marcos 5:1-13). Além disso, existem inúmeros casos bem-documen-
tados de atividade sobrenatural em diferentes culturas, hoje em dia,
que lembram muito os relatos do Novo Testamento sobre demônios.

226
D e o n d e v ie r a m os d e m ô n io s ?
A Bíblia não o diz com clareza. A presença do mal, porém, é óbvia
desde a Criação, quando a serpente tentou Eva (ver Gênesis 3:1-5). O
profeta Isaías falou de um ser chamado “estrela luminosa, filho da ma­
nhã” cujo orgulho e sede de poder o induziram a desafiar o Altíssimo
(Isaías 14:12-21). Por sua revolta, foi atirado ao abismo. Segundo al­
guns estudiosos, esse “filho da manhã” era na verdade Satanás; quan­
to aos anjos que o seguiram na rebelião, tornaram-se demônios,
banidos para sempre da presença de Deus.

O s d em ô n io s a in d a a tu a m n o m u n d o d e h o je ?
T h e S crew ta p e L etters, uma das obras mais populares e criativas de C.
S. Lewis, baseia-se no pressuposto de que os demônios ainda estão
bem ativos no mundo atual. Mas, e as provas? A Bíblia enumera vá­
rios indícios de obra demoníaca, inclusive possessão humana, rituais
de ocultismo e sacrifícios, perturbações sobrenaturais e ensinamen­
tos enganosos. Os demônios podem também resistir às obras dos an­
jos de Deus.

O que a c o n t e c e r á aos d e m ô n io s n o f i n a l d o s tem p o s?


Jesus disse que serão lançados no fogo eterno (ver Mateus 25:41). A
visão de João, descrita no Apocalipse, emprega uma linguagem vivi­
da para relatar o destino de Satã, atirado num lago de chamas e quei­
mado dia e noite por toda a eternidade.

P o r q u e J e s u s n ã o d e ix a v a os d e m ô n io s f a l a r ?
Uma ou outra vez, durante o ministério de Jesus, demônios lhe dis­
seram coisas como: “Sei quem és - o Santo enviado por Deus!” (Mar­
cos 1:24). Imediatamente, Jesus mandava que calassem a boca. Por
quê? Afinal, eles estavam falando a verdade, não? Duas explicações
básicas foram aventadas para a insistência de Jesus em silenciar os de­
mônios. Primeira, Jesus não queria que as multidões o tomassem por

227
um mago ou exibicionista; os encontros com demônios, que sempre
guinchavam e esbravejavam em sua presença, poderiam distrair o pú­
blico de seus ensinamentos. Segunda, Jesus claramente desejava re­
velar sua identidade e missão no momento prescrito por Deus, não
pelo Diabo. Alardear isso antes da hora talvez gerasse expectativas er­
rôneas - por exemplo, que suas curas eram mais importantes que sua
obra de salvação.

C o m o a p e s s o a s e t o m a p o s s e s sa ?
No livro dos Atos, encontramos uma história de possessão demonía­
ca ligada à divinação, atividade estritamente proibida pela lei do An­
tigo Testamento. Paulo fala também em sacrifícios de pagãos
“oferecidos a demônios” (1 Coríntios 10:20). Ambos os casos sugerem
que a possessão pode ocorrer em consequência do envolvimento com
magia negra ou atividades ocultistas, inclusive sacrifícios e espiritis­
mo, tanto quanto pela exposição continuada a hábitos prejudiciais,
autodestrutivos. As pessoas que estudaram fenômenos de possessão
demoníaca contemporâneos confirmam essa tese. (Fato interessante,
muitos dos casos de possessão no Novo Testamento aconteceram em
áreas onde o culto pagão e a prática judaica se mesclavam.)

Q uanto p o d e r os d e m ô n io s têm re a lm e n t e ?
No livro de Jó, Satã tem de pedir licença a Deus para atormentar Jó.
Podemos, pois, dizer que os demônios têm poder para causar todo ti­
po de problema - mas só se Deus o permitir - , são astutos e conhecem
os pontos fracos dos homens. Na epístola aos Efésios, Paulo reco­
menda aos cristãos que coloquem uma armadura espiritual para re­
sistir aos ataques do diabo. “Pois não estamos lutando contra inimigos
de carne e osso, mas contra autoridades e governantes perversos da es­
fera invisível, contra príncipes das trevas deste mundo e contra hos­
tes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Efésios 6:12). Parece
lógico concluir que essa guerra espiritual se trave no coração e na

228
mente dos homens. Os que usam a fé como escudo poderão barrar as
setas inflamadas de Satã (Efésios 6:16).

Ainda se fazem exorcismos como antigamente?


Felizmente, os casos de possessão demoníaca são raros. No entanto,
muitas seitas cristãs consideram real a atividade diabólica e, às vezes,
recorrem a habilidosos especialistas espirituais para enfrentar e ex­
pulsar demônios. Os exorcismos (também chamados práticas de li­
bertação) sem dúvida exigem discernimento e devem ser realizados
com muita cautela. Vemos no Novo Testamento pelo menos dois in­
cidentes em que o exorcismo falhou por causa da descrença ou da fal­
ta de compreensão espiritual (Mateus 17:14-18; Atos 19:13-16).

Imagens de Satã
A primeira imagem que a maioria das pessoas faz de Satã é a de um ho­
mem vestido de vermelho, com chifres e um tridente. Esse retrato tal­
vez não seja muito fiel. A Bíblia insiste em que ele pode mudar de
forma - e até mesmo se transformar num formoso anjo de luz. Eis
alguns outros instantâneos de Satã.

In sta n tâ n eo de S atã R e f e r ê n c ia

Satã, sob a forma de serpente, tentou Adão e Eva. Gênesis 3:1-14

Satã apareceu diante de Deus a fim de obter permissão para Jó 1:7-2:10


destruir Jó arrebatando-lhe o dinheiro, a família e a saúde.

Antes de sua queda, Satã era um anjo (em algumas versões Isaías 14:12
da Bíblia, seu nome é Lúcifer).

Satã queria ser Deus. Isaías 14:14

Satã é chamado de Leviatã, uma veloz serpente-dragão do mar. Isaías 27:1

Antes da queda, Satã era perfeito em sabedoria e beleza. Ezequiel 28:12

Antes da queda, Satã vivia no Éden. Suas roupas eram Ezequiel 28:13
cobertas dejoias.

229
Satã era um poderoso guardião angélico, com acesso à Ezequiel 28:14
montanha sagrada de Deus.

Satã é assassino, odeia a verdade, é o pai da mentira. João 8:44

Jesus o chamou de “governante deste mundo”. João 14:30

Satã se disfarça de anjo de luz para enganar as pessoas. 2 Coríntios 11:14

Satã é chamado de o príncipe das potestades do ar. Efésios 2:2

Satã tenta as pessoas recorrendo a estratagemas e truques. Efésios 6:11

Satã é chamado de tentador. 1 Tessalonicenses 3:5

Satã quer escravizar as pessoas. 2 Timóteo 2:26

Satã tem o poder de matar. Hebreus 2:14

Satã é um anjo do abismo; é chamado de Abaddon e Apollyon, Apocalipse 9:11


palavras que significam “Destruidor”.

Satã é descrito como um dragão vermelho de sete cabeças, Apocalipse 12:3-4


sete coroas e dez chifres.

Satã comanda uma hoste de demônios. Apocalipse 12:7

Satã ludibriou o mundo inteiro. Apocalipse 12:9

Jesus derrotou Satã em combate. Apocalipse 12:11

Satã acabará num lago de fogo e enxofre. Apocalipse 20:10

COSTUM ES DE FAMÍLIA

Por que, na Bíblia, tantas pessoas se casam com parentes próximos?


Diversos casos de pessoas que desposam um parente próximo ocorrem
nos tempos primitivos da história bíblica, quando as populações eram
pequenas. Às vezes, isso era uma alternativa ao casamento com uma
mulher pagã. Rebeca, por exemplo, mandou seu filho Jacó a seu irmão
Labão para que ele lhe conseguisse uma esposa porque temia a in-

230
fluência das moças hititas (ver Gênesis 27:46). Pela mesma razão, seu
filho Esaú desposou uma mulher da família (ver Gênesis 28:8-9).
Lembremo-nos ainda de que a lei do “remidor” (ver a história de Ru­
te) permitia ao homem desposar a viúva do seu irmão ou outro pa­
rente para preservar os bens familiares.

Se Deus prescrevera a monogamia no casamento, por que permitiu a


reis como Davi e Salomão serem polígamos?
O esquema da monogamia parece ter sido aprovado por Deus desde o
início (Gênesis 2:21-24; Marcos 10:6-9), mas a prática de tomar mais
de uma esposa ocorre ao longo de todo o Antigo Testamento. Lameque,
Jacó, Esaú, Elcana, Davi, Salomão, Roboão, Abias e outros tiveram pe­
lo menos duas mulheres - às vezes, mais. Sobretudo no seio da reale­
za, a poligamia era símbolo de fortuna e poder, sendo relutantemente
tolerada por mera concessão ao costume. Deve-se dizer que casamen­
tos múltiplos costumavam causar sérios problemas às famílias. Davi
não conseguia controlar seus filhos, cujos crimes incluíam estupro, as­
sassinato e rebelião. O autor de 1 Reis clama que as esposas de Salomão
o arrastaram para a idolatria e a indiferença espiritual (ver 11:1-8).

Por que os israelitas circuncidavam os homens?


A circuncisão era o sinal do pacto de Deus com Abraão e seus des­
cendentes (ver Gênesis 17:10-14). Realizava-se oito dias depois do
nascimento do menino. Na igreja primitiva, essa cerimônia se trans­
formou num tema de acirrado debate. Alguns judeus cristãos insis­
tiam em que todos os varões convertidos fossem circuncidados, mas
um grupo mais conciliador, liderado por Paulo entre outros, se recu­
sava a fazer disso uma exigência. Sua posição acabou por prevalecer.

Qual era o voto dos nazireus?


Efma das leis transmitidas a Moisés preceituava a dedicação voluntá­
ria ao serviço de Deus. Como no caso dos votos monásticos feitos sé-

231
culos depois por alguns cristãos, os nazireus, homens e mulheres, se
abstinham de certas práticas. Não podiam beber vinho nem comer
uvas, cortar o cabelo ou tocar um cadáver (ver Números 6). Talvez o
nazireu mais famoso (e esquisito) tenha sido Sansão. Seu caso foi atí­
pico porque quem fez os votos por ele foram os próprios pais e, apa­
rentemente, pela vida toda. Com base em algumas indicações da
Bíblia, alguns estudiosos suspeitam que Samuel, João Batista e o após­
tolo Paulo também fizeram esses votos a certa altura da vida.

Por que os israelitas não deviam casar-se fora do clã? Significará isso
que Deus se opõe aos casamentos inter-raciais?
A proibição do matrimônio fora do clã era, primariamente, uma ga­
rantia espiritual, não um isolamento exigido para se preservar a pu­
reza racial ou étnica. Como só eles haviam recebido a revelação de
Deus, os israelitas temiam que casamentos com pessoas de outros po­
vos diminuíssem a resistência ao pecado. E, até certo ponto, tinham
razão. As más companhias corrompem o caráter, é o que se diz, e as
consequências desses casamentos corroíam muito mais o alicerce mo­
ral de Israel do que aprimoravam a cultura das nações vizinhas. Tão
sério era o problema durante a volta dos judeus do exílio que o pro­
feta Esdras ordenou aos homens despedir suas esposas estrangeiras
juntamente com os filhos (ver Esdras 9-10).

O que é uma concubina?


A concubina era, por muitos modos, uma cidadã de segunda classe,
uma mulher com alguns, mas não todos os privilégios do casamento.
Um homem podia obter uma concubina como despojo de guerra ou
por compra - ou seja, concubinas eram quase sempre atributo de ho­
mens ricos e importantes. A concubina gozava de certos direitos le­
gais, mas sempre como propriedade e não como parceira em condição
de igualdade. É triste, mas não surpreendente encontrar histórias em
que o senhor maltrata sua concubina: vejam-se Hagar sendo manda-

232
da embora sem mais delongas por Abraão (ver Gênesis 16:6) e o levi-
ta desalmado oferecendo sua concubina aos homens perversos de Gi~
beá (ver Juizes 19:25-28).

FOGO E ENXOFRE

Como acreditar num lugar onde diabos chifrudos espicaçam pessoas


com um tridente? É isso o que a Bíblia diz do inferno?
Muitas das imagens populares do inferno se baseiam em informações
errôneas. E a linguagem usada para descrevê-lo complica tudo ainda
mais. Devemos tomar essas imagens ao pé da letra ou elas não passam
de recursos que ilustram os horrores infernais? Podemos, contudo,
chegar a algumas conclusões. Sem dúvida, é um local de tormentos e
aflição. Segundo Pedro, o inferno contém “cadeias tenebrosas” nas
quais ficam presos aqueles que aguardam julgamento (ver 2 Pedro
2:4). Jesus se refere ao inferno várias vezes, chamando-o de lugar “on­
de o fogo nunca se apaga” (Marcos 9:43).

A Bíblia menciona alguém que foi para o inferno?


Em sua primeira epístola, Pedro nos conta que Jesus padeceu morte
física e “pregou aos espíritos aprisionados” - talvez uma referência à
libertação do inferno (ver 1 Pedro 3:19). No entanto, a parábola de Lá­
zaro e o homem rico narra a história de uma alma envolta em tor­
mentos (ver Lucas 16:19-31). O pecado do homem rico foi
negligenciar Deus e seu vizinho, o mendigo Lázaro. No inferno, está
mergulhado em chamas, padecendo sede insaciável. Consegue ver Lá­
zaro conversando com Abraão e sendo por ele confortado no céu. Um
grande abismo separa o céu do inferno e as almas não podem transi­
tar entre ambos.

233
O que é o Sheol?
Sheol é uma palavra hebraica usada em algumas traduções da Bíblia,
significando “abismo” ou “túmulo”. Nos livros do Antigo Testamen­
to, esse lugar abriga a alma dos mortos e localiza-se no seio da terra.
Embora descrito às vezes como uma besta faminta que nunca se sa­
tisfaz (ver Provérbios 27:20) ou uma “morada de escuridão” (ver Jó
10:21), não era um lugar de castigo e sim o destino de todas as almas
humanas. Várias passagens do Antigo Testamento falam do poder que
Deus tem de tirar almas do Sheol, prefigurando a crença cristã na vi­
da após a morte.

Por que o enxofre é associado ao inferno?


O enxofre é um mineral de cor amarelada que pega fogo e queima
com facilidade. Essa substância pode ser encontrada ainda hoje nas
imediações do mar Morto. Sua associação com o julgamento divino
deve-se provavelmente ao destino de Sodoma e Gomorra, destruídas
por uma chuva celeste de “fogo e enxofre inflamado” (ver Gênesis
19:24). O Apocalipse também alude à punição por fogo e enxofre re­
servada àqueles que adoram o Anticristo (ver Apocalipse 14:10).

234
C éu e Inferno

O abismo, o lago de fogo, a segunda morte - essas são as imagens vi­


vidas que a Bíblia associa ao inferno. A Escritura também nos dá um
vislumbre da beleza e da paz do céu. Ainda assim, nossa compreensão
do além está envolta em mistério. Que fatos a Bíblia nos apresenta so­
bre o destino eterno da raça humana?

F a tos so br e o In fern o R e f e r ê n c ia

Ali o fogo arde dia e noite. Mateus 18:8; Marcos 9:43


Está envolto em trevas. Mateus 25:30; 2 Pedro 2:17
É um lugar de castigo para os espiritualmente indiferentes’ Mateus 25:46
ou negligentes.
É um lugar de sofrimento e sede. Lucas 16:19-31
Quem está no inferno está longe de Deus. 2 Tessalonicenses 1:7-9
É comparado a um lago de fogo, morada de tormentos Apocalipse 20:14
para Satã e seus anjos.

F a tos so br e o Céu R e f e r ê n c ia

As relações humanas serão transformadas e não haverá Mateus 22:29-32


mais casamento.
E o lugar que Deus preparou para seus filhos. João 14:2-3
O corpo humano será restaurado e aperfeiçoado. João 20:19, 26; 1 Coríntios
15:36-49
Os redimidos se parecerão com Jesus. 1 João 3:2
A cidade celestial exala beleza e esplendor. Apocalipse 21:1
A morte não existirá. Apocalipse 21:4
Dor e lamentações desaparecerão; não haverá mais Apocalipse 21:4
lágrimas.
A presença luminosa de Deus preenche a tal ponto o Apocalipse 21:23
céu que a luz do sol se torna desnecessária.

235
MILAGRES

A ideia de milagre não entra em conflito com as leis naturais que go­
vernam o mundo?
Nos últimos séculos, a ciência deu passos largos rumo à compreensão
do funcionamento do mundo. De Newton, que descobriu a lei da gra­
vidade, a Einstein, a quem devemos a teoria da relatividade, os cien­
tistas foram explicando e definindo as leis que governam o universo.
Paralelamente ao progresso impressionante da ciência, porém, au­
mentou o ceticismo com relação a acontecimentos sobrenaturais co­
mo os milagres.
Boa parte desse ceticismo é equivocada. A existência das leis na­
turais não inviabiliza a realidade dos milagres e vice-versa. Há muitas
maneiras de encarar os milagres, mas nenhuma delas descarta a exis­
tência das leis naturais. Um milagre é, por definição, um acontecimento
não natural, incomum. Esse acontecimento constitui um ato direto de
Deus, que com ele contraria ou anula as forças da natureza. Algumas
pessoas sugeriram que os milagres talvez sejam a manifestação de leis
naturais desconhecidas, que Deus usa para mostrar seu poder.
Em qualquer caso, o milagre é um acontecimento excepcional
que se origina da vontade de Deus e a ele diz respeito (ver Salmo
77:14; Hebreus 2:4). Como não faz parte da nossa experiência coti­
diana, nunca foi submetido ao mesmo tipo de escrutínio que os fenô­
menos naturais. Por isso a ciência não tem explicação para os milagres
- e provavelmente nunca terá.

Por que Jesus fazia milagres?


A Bíblia registra inúmeros milagres realizados por Jesus - da trans­
formação da água em vinho à cura de leprosos e cegos (ver João 2:1-

236
11; 9:1-41). Graças a esses milagres, Jesus mudou a vida de muitas
pessoas para sempre. O cego passava a enxergar. O leproso, curado,
voltava ao seio da sociedade. Esses resultados mostram o tipo de Deus
que Jesus estava revelando - um Deus misericordioso, pronto a liber­
tar seus filhos e reconciliar-se com eles.
O objetivo primordial dos milagres, contudo, era atestar a origem
divina da mensagem de Jesus. Ele os fez em grande número para pro­
var às pessoas que vinha de Deus - na verdade, que era o Filho de
Deus (ver João 2:11; 6:14; Atos 2:22-33).

Algumas passagens do Evangelho afirmam que Jesus não operava mi­


lagres quando as pessoas não tinham fé. Por quê?
Em sua cidade natal de Nazaré, Jesus não fez nenhum milagre porque
ali ninguém tinha fé (ver Mateus 13:53-58). Mais tarde, Jesus capaci­
tou Pedro a andar sobre a água. O texto, porém, afirma que as dúvi­
das de Pedro quase o fizeram afundar. Ajudando-o a sair da água, Jesus
o censurou por sua “pouca fé” (ver Mateus 14:31). Por que a capaci­
dade de Jesus de fazer milagres ficava comprometida pela falta de fé
ou confiança em Deus? A explicação está no objetivo dos milagres.
São sinais divinos para marcar uma pessoa como serva especial de
Deus ou autenticar a mensagem transmitida (ver Hebreus 2:1-4). Se
o beneficiário do milagre não reconhece Deus como a causa desse
grande acontecimento nem busca a assistência divina, então um fe­
nômeno sobrenatural não tem razão de ser. Se a pessoa se recusar a
aceitar que o milagre é um indício da presença de Deus, a atividade ex­
traordinária deste permanecerá ignorada. Por isso Jesus deixou bem
claro que seus milagres dependiam da fé da pessoa em Deus (ver Ma­
teus 9:2, 22-29; 15-28; Lucas 17:5-6, 19; 18:42).

237
O s F a sc in a n tes M ila g r es d e J e su s

Milagres impressionam. Mas os de Jesus não eram espetáculos sobre­


naturais para embasbacar o público. Visavam consolidar a fé em Deus
entre as pessoas que o seguiam. Além disso, para serem curadas ou li­
bertadas da opressão, elas tinham primeiro de provar sua fé. Jesus não
fazia milagres em meio a descrentes. Eis um resumo dos milagres re­
gistrados nos Evangelhos.

M il a g r e R e f e r ê n c ia

Curou um leproso na Galileia. Mateus 8:2-4


Curou uma mulher que tinha hemorragias. Mateus 9:20-22
Curou dois cegos em Cafamaum. Mateus 9:27-31
Expulsou um espírito mudo de um homem em Cafamaum. Mateus 9:32-34
Curou a mão mirrada de um homem na Galileia. Mateus 12:9-13
Expulsou um espírito cego e mudo de um homem na Mateus 12:22-32
Galileia.
Expulsou um demônio de uma menina na região de Tiro Mateus 15:21-28
e Sidom.
Alimentou mais de quatro mil pessoas com sete pães e sete Mateus 15:29-38
peixes pequenos.
Fez com que se encontrasse dinheiro na boca de um peixe. Mateus 17:24-27
Amaldiçoou uma figueira, que secou. Mateus 21:18-19
Curou um paralítico. Marcos 2:1-12
Acalmou uma tempestade no mar da Galileia. Marcos 4:35-41
Andou sobre a água no mar da Galileia. Marcos 6:45-52
Curou um surdo com dificuldade para falar. Marcos 7:31-37
Curou um cego em Betsaida. Marcos 8:22-26
Curou a cegueira de Bartimeu. Marcos 10:46-52
Curou a febre da sogra de Pedro. Lucas 4:38-39
Fez com que Pedro, Tiago e João pegassem muitos peixes. Lucas 5:1-11
Curou o servo de um centurião em Cafamaum. Lucas 7:1-10
Ressuscitou o filho único de uma viúva em Naim. Lucas 7:11-17
Expulsou um demônio de um homem na terra dos gadarenos. Lucas 8:26-39
Ressuscitou a filha de Jairo. Lucas 8:41-56
Expulsou um demônio de um menino que tinha convulsões. Lucas 9:37-42
Curou uma mulher que estava aleijada há dezoito anos. Lucas 13:10-17
Curou um homem que sofria de hidropisia. Lucas 14:1-6

238
Curou dez leprosos em Samaria. Lucas 17:11-19
Recolocou no lugar a orelha de Malco, cortada por Pedro. Lucas 22:49-51
Transformou a água em vinho, iniciando seu ministério. João 2:1-11
Curou o filho de um oficial em Cafaraaum. João 4:46-54
Curou um inválido junto ao poço de Betesda. João 5:1-15
Alimentou mais de cinco mil pessoas com cinco pães e dois João 6:1-14
peixes.
Curou um cego em Jerusalém. João 9:1-7
Ressuscitou Lázaro. João 11:1-44
Fez com que Pedro, Tiago e João pegassem 153 peixes João 21:1-13
grandes.

V O C Ê S A B IA ?

$•>

Por que as curas de leprosos realizadas por Jesus eram tão impres­
sionantes?

Doença incurável e degenerativa, a lepra provocava úlceras epi­


dérmicas inflamatórias que muitas vezes se infeccionavam, po­
dendo levar suas vítimas à morte. O único tratamento para os
leprosos era a quarentena rigorosa. Eles eram desprezados e evi­
tados no antigo Israel. Os judeus mais tementes a Deus não que­
riam nada com esses infelizes. A doença não só era contagiosa
como a pessoa que tocasse um leproso passava a ser considera­
da impura, não lhe sendo permitido participar do culto ou ter
contatos sociais por muito tempo. Jesus, porém, não cultivava
esses tabus e curou muitos leprosos. Nem por isso contraiu a
terrível moléstia. Seu trabalho impressionante devolveu a saúde
física e espiritual a um grupo negligenciado e odiado.

239
PROFECIAS

Profecia é apenas outro nome para divinação?


A profecia envolve muito mais que a mera previsão de acontecimen­
tos. Os profetas eram porta-vozes de Deus, como Aarão era porta-voz
de Moisés (ver Êxodo 7:1-2). A palavra deles era a palavra de Deus
(ver, por exemplo, Jonas 1:1).
Muitas profecias da Bíblia eram condicionais, dependendo da rea­
ção daqueles que as escutavam. Se as pessoas se voltassem para Deus,
os profetas prediziam paz e bênçãos divinas. Se teimassem no pecado,
os profetas antecipavam sofrimento e destruição (ver Deuteronômio
30:15-18). Além dessa mensagem básica de arrependimento, os profe­
tas bíblicos previam o futuro. Em muitos casos, as profecias falavam de
um Salvador vindouro que libertaria o povo de Deus e destruiría todo
o mal (ver Isaías 9:1-7). Às vezes, períodos de tempo (ver Daniel 9:24-
27), certos locais (como Belém para o nascimento de Jesus em Mi-
queias 5:2) e nomes específicos (Ciro em Isaías 45:1, 13) são
mencionados nas profecias bíblicas. Mas, em geral, a mensagem do
profeta era um apelo consistente e direto para que as pessoas se arre­
pendessem.

Como reagir frente a uma pessoa que alega ter recebido uma mensa­
gem direta de Deus?
Nem todos que se declaram profetas falam por Deus. É preciso testá-
los para descobrir se dizem mesmo a verdade. O primeiro teste para
um profeta é a Escritura. Deus nunca se contradiz. Se alguém afirma
algo que contraria a Bíblia, é um falso profeta. A Bíblia adverte com to­
das as letras que, se um profeta tentar induzir as pessoas a adorar ou­
tro deus que não o Deus de Israel, então será apenas um enganador

240
(ver Deuteronômio 13:1-3). O segundo teste para um profeta é a rea­
lização de suas predições. Se ele marcar uma data para algo acontecer
e essa data passar sem que nada tenha acontecido, então será um fal­
so profeta (ver Deuteronômio 18:21-22). Sempre haverá pessoas ale­
gando falar em nome de Deus. É preciso discernimento para saber
quem merece ser ouvido e quem deve ser ignorado.

Devemos acreditar em quem afirma saber quando Deus virá à terra?


Ninguém sabe quando o mundo vai acabar. Até os anjos ignoram o
momento em que Deus porá fim à história tal qual a conhecemos (ver
Mateus 24:36). A Bíblia avisa que falsos profetas, dizendo-se Deus,
tentarão ludibriar as pessoas (ver Mateus 24:24-28). Ora, ninguém
deve acreditar numa pessoa que se diz Deus. Quando Deus descer à
terra, todos saberão que é Deus. Um som alto de trombeta anunciará
sua chegada e ele aparecerá em toda a sua glória (ver Mateus 24:27-
31). Deus virá; e sua vinda não deixará dúvidas. A Bíblia aconselha
que nos preparemos para esse acontecimento (ver Mateus 24:42, 44;
Lucas 12:40; 1 Tessalonicenses 5:2; 2 Pedro 3:10).

P rofecias C umpridas
Todo tabloide alardeia previsões sobre o futuro de gente famosa. Po­
rém, embora as declarações proféticas continuem muito populares em
nossa cultura, poucos “profetas”, hoje em dia, passariam de fato nos
testes de profecia exigidos por Deus. Quem reivindicasse uma fonte de
conhecimento que não fosse Deus ou, falhando, mostrasse não ser um
profeta de verdade, devia ser morto (Deuteronômio 18:20). As profe­
cias inspiradas por Deus tinham de se cumprir inteiramente. O qua­
dro seguinte inclui alguns exemplos de profecias bíblicas que se
realizaram.

241
P r o f e c ia P r o feta R e a l iz a ç ã o R e f e r ê n c ia

Uma grande nação Deus profetizou isso Quando Israel Gênesis 12:1-2
surgiría da família a Abraão quando chegou à Terra
de um homem e mandou o patriarca Prometida, já era
abençoaria o mundo deixar sua casa e uma grande nação
inteiro. confiar na palavra (ver Números
divina. 23:10). A duradoura
e miraculosa
sobrevivência dos
judeus é prova da
integridade de Deus.

Deus deu Canaã a Deus fez essa A invasão e a Gênesis 13:15


Israel como herança promessa a Abraão conquista da Terra
permanente. quando ele voltou a Prometida, por obra
Canaã depois de de Josué,
breve visita ao estabeleceram o
Egito. direito de
propriedade sobre o
território (ver Josué
21:43-45).

Uma mulher Débora, a juíza, Jael, esposa de Juizes 4:1-23


vencería o poderoso confiou essa Héber, acolheu o
general Sísera. profecia a Baraque, fugitivo Sísera em
o qual não queria sua tenda; mas,
acreditar que Deus estando o general
garantiría a vitória adormecido, enfiou-
de Israel sobre lhe uma estaca na
Sísera. fonte.

A prece humilde de Um sacerdote Nasceu o grande 1 Samuel 1:9-28


uma mulher sem chamado Eli fez essa profeta, sacerdote e
filhos seria profecia sem juiz israelita
respondida. realmente saber o Samuel.
conteúdo da prece
de Ana.

242
P r o f e c ia P r o feta R ea liza çã o R e fe r ê n c ia
U m a m u lh e r sem O p ro feta E liseu fez A m u lh e r d eu à luz 2 R eis 4 :8 - 1 7
filh o s d e S u n é m essa p ro fe cia co m o u m filh o .
d aria à lu z e m u m g esto d e g ratid ão
an o . p ela g en ero sa
h o sp ita lid a d e que
re ce b eu n a fam ília
da m u lh er.

E m b o ra cerca d a e E lis e u fez essa Q u atro lep ro so s 2 R eis 6 :2 4 - 7 :2 0


p re sa da fo m e , a p ro fe cia ao re i Jo r ã o d esesp erad o s
cid a d e de Sam aria d u ra n te o asséd io de a rrisca m -se fo ra da
re ce b e u a p ro m essa S am aria p e lo rei cid ad e p ara o b te r
de q u e teria B en ad ad e, d e A ram . alg u m alim e n to dos
a lim e n to ab u n d a n te a ram eu s o u m o rre r
em 2 4 h o ra s. d e v ez. D e sco b re m
en tão q u e o
a ca m p a m en to , b e m -
ab a stecid o , fora
ab an d o n ad o às
p ressas p o r u m
e x é rcito em p â n ic o ,
q u e im a g in o u estar
so b ataq u e.

Q u a n d o o Salv ad o r Isaías p ro fetiz o u os O fato d e Je s u s ter Isaías 5 3 :1 - 9


p ro m e tid o v ier, seu so frim e n to s e a sid o m esm o
p ró p rio p ov o o m o rte d e Je s u s re je ita d o co n firm a a
re je ita rá . s éc u lo s an tes do ex a tid ã o da p ro fecia
n a scim en to d este. de Isa ía s (L u cas
2 3 :1 3 - 2 5 ) .

243
P r o f e c ia P ro feta R e a l iz a ç ã o R e f e r ê n c ia

O Messias nascerá Miqueias forneceu a Jesus nasceu em Miqueias 5:2


em Belém, na localização exata Belém porque o
Judeia. onde o Salvador imperador romano
prometido nasceria. decretara um
recenseamento. Isso
exigiu que Maria e
José viajassem a
Belém para ser
registrados. Estando
eles ali, Jesus nasceu
(Mateus 2:1-12;
Lucas 2:1-7).
A grande e poderosa Naum fez essa Nínive foi derrotada Livro de Naum
cidade de Nínive, na profecia quase e destruída pelos
Assíria (atual cinquenta anos medos em 612 a.C.
Iraque), seria antes do
completamente acontecimento,
destruída. quando a Assíria
parecia invencível.

A bela cidade de Jesus fez essa Os romanos Lucas 19:41-44


Jerusalém seria profecia durante sua decidiram arrasar
destruída por última visita a Jerusalém, posto
sitiantes que não Jerusalém. avançado de uma
deixariam “pedra rebelião, em 70
sobre pedra” (Lucas d.C., cerca de
19:44). quarenta anos após
a morte e
ressurreição de
Jesus.

244
P r o f e c ia P ro feta R e a l iz a ç ã o R e f e r ê n c ia

Um discípulo Durante a Última Depois da prisão de Lucas 22:31-34;


negaria conhecer Ceia com os Jesus, no pátio da João 13:37-38
Jesus. discípulos, na noite casa do sumo
anterior à sua sacerdote, Pedro
crucificação, Jesus negou três vezes
previu que Pedro o que o conhecesse.
negaria; Pedro
protestou
veementemente.

V O C Ê S A B IA ?

O que é o “objeto sacrílego de profanação”?

No livro de Daniel e nos Evangelhos, menciona-se o “objeto sa­


crílego de profanação” (algumas traduções da Bíblia trazem
“abominação da desolação”) que aparecerá no templo de Jeru­
salém nos últimos dias. Os estudiosos bíblicos vêm debatendo
há muito tempo o significado desse terrível acontecimento. Se­
gundo alguns, refere-se a governantes cheios de vangloria como
Antíoco Epífanes, que tentaram passar por deuses, ou ao impe­
rador Tito, que destruiu o templo e boa parte de Jerusalém em
70 d.C. Outros consideram a declaração uma metáfora para as
tentativas malsucedidas do paganismo de anular a vitória espi­
ritual de Jesus sobre Satã. (Ver Daniel 11:31; 12:11; Mateus
24:15; Marcos 13:14.)

245
ín d ice d o s Q u a d ro s

Anjo do Senhor (O )................................................................................................. 123


Aparecimentos de Jesus Após a Ressurreição................................................... 98
Arca da Aliança Associada a Mortes Misteriosas (A ) ..................................... 38
Bênçãos....................................................................................................................... 27
Céu e Inferno........................................................................................................... 235
Fascinantes Milagres de Jesus (O s).................................................................... 238
Grandes Livramentos............................................................................................. 77
Guerreiros Poderosos............................................................................................. 170
Imagens de Satã........................................................................................................ 229
Lagos, Oceanos, Rios e Águas.............................................................................. 211
Lista de Assassinos da Bíblia................................................................................ 175
Livros Desaparecidos.............................................................................................. 205
Mensageiros Misteriosos....................................................................................... 44
Mestres do Disfarce................................................................................................. 194
Misteriosas Condições Atmosféricas.................................................................. 89
Ouvindo Vozes......................................................................................................... 108
Penúria e F o m e........................................................................................................ 197
Profecias Cumpridas............... !............................................................................. 241
Profetas Vitimados................................................................................................... 66
Sete Selos do Apocalipse (O s).............................................................................. 217
Sob a Influência do Á lcool.................................................................................... 84
Taça da Ira ( A ) ......................................................................................................... 225
Traidores, Vira-Casacas e Pessoas Falsas........................................................... 93
Vida Longa e Curiosa da Bíblia (A )..................................................................... 144
Vingança Sagrada.................................................................................................... 23

247
ín d ice d o s “V ocê S a b ia ?”

O que era a coluna de fogo?................................................................................. 33

Quem eram os nicolaítas?..................................................................................... 48

Por que os antigos israelitas sacrificavam seus filhos a Moloque no vale


de Ben-Hinom?......................................................................................................... 52

Que terra é essa cuja identidade continua intrigando estudiosos


e leigos?...................................................................................................................... 75

Por que os antigos israelitas usavam o obscuro nome “Belzebu” para


se referir a Satã?............................................................................................................. 103

Quem era a deusa Aserá? E que eram seus postes? Por que os profetas
de Israel clamavam contra o culto a Aserá?..................................................... 135

Como sobreviver quarenta dias sem comida nem água?............................... 144

Por que iriam os hebreus adorar um bezerro? De que modo uma estátua
de ouro inspirou uma orgia?...................................................................................... 146

Que besta feroz, mencionada na Bíblia, desafiou a classificação


científica?......................................................................................................................... 160

O que eram o Urim e o Tumim?................................................................................. 167

Como o profeta soube o nome da pessoa que permitiría a volta dos


exilados para Jerusalém e a reconstrução do seu templo?........................... 191

O que os anjos com em ?......................................................................................... 223

Por que as curas de leprosos realizadas por Jesus eram tão


impressionantes?............................................................................................................ 239

O que é o “objeto sacrílego de profanação”?.......................................................... 245

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