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Escola Profissional Dr.

Francisco Fernandes
Curso de Educação e Formação de Adultos
Portaria nº 80/2008, alterada pela Portaria 74/2011 de 30 de Junho
Projeto cofinanciado pelo Fundo Social Europeu
Agente em Geriatria – Nível 2

UFCD 3544 – Saúde da Pessoa Idosa –


Prevenção de Problemas (25 horas)

Formador: Carlos Aguiar

Funchal, Julho de 2014

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ÍNDICE

NOTA INTRODUTÓRIA

1. PROMOÇÃO DA SAÚDE ........................................................................................................ 3


1.1. Conceito de saúde ..................................................................................................................... 3
1.2. Exercício físico ......................................................................................................................... 5
1.3. Hábitos tóxicos ......................................................................................................................... 9
1.4. Higiene corporal ..................................................................................................................... 11
1.5. Alimentação e nutrição ........................................................................................................... 17
1.6. Adaptação domiciliária e prevenção de acidentes .................................................................. 21
1.7. Vacinas.................................................................................................................................... 24
1.8. Doenças crónico degenerativas: aspetos preventivos ............................................................. 25
1.9. Controlo da medicação ........................................................................................................... 27
2. MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADOS AO DOENTE EM ESTADO
TERMINAL ............................................................................................................................... 31
2.1. Abordagem compreensiva e multidimensional/Cuidados paliativos e cuidados
terminais ...................................................................................................................................... 32
2.2. Critérios de inclusão ............................................................................................................. 33
2.3. Degradação funcional – métodos de avaliação e prevenção ................................................ 34
3. CUIDADOS EM FASE TERMINAL ..................................................................................... 42
3.1. A Higiene................................................................................................................................ 42
3.2. O conforto e apoio .................................................................................................................. 45
3.3. Actuação após a morte ............................................................................................................ 46
BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................................... 50

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NOTA INTRODUTÓRIA

Este manual surge como um dos auxiliares pedagógicos, de parte, da unidade de


formação de curta duração nº 3544 – Saúde da Pessoa Idosa: Prevenção de problemas –
desenvolvida na Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes, especificamente no Curso
de Agente em Geriatria.

Objetivos
• Reconhecer a importância dos fatores que contribuem para a promoção da saúde.
• Identificar o estado do doente terminal em domicílio, aplicando os métodos e as
técnicas de avaliação e prevenção.
• Prestar cuidados, sob orientação, ao idoso em fase terminal.

1. PROMOÇÃO DA SAÚDE

A Promoção da Saúde tem por objetivos evitar a emergência e o estabelecimento


de estilos de vida que aumentem o risco de doença. Ao prevenir padrões de vida social,
económica ou cultural que se sabe estarem ligados a um elevado risco de doença,
promove-se a saúde e o bem-estar e diminui-se a probabilidade de ocorrência de doença
no futuro.

1.1. CONCEITO DE SAÚDE

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1946, o conceito


saúde era definido como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e
não apenas a ausência de doença”. O "bem-estar social" da definição veio de uma
preocupação com a devastação causada pela guerra, assim como de um otimismo em
relação à paz mundial. A OMS, criada após o final da Segunda Guerra Mundial, foi

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ainda a primeira organização internacional de saúde a considerar-se responsável pela


saúde mental, e não apenas pela saúde do corpo.

Saúde atualmente
Muitos autores criticam a definição anterior por considerarem ser difícil atingir o
completo bem-estar físico, mental e social. A definição atual, segundo a OMS,
considera que a saúde é “a medida em que um indivíduo ou grupo é capaz, por um
lado, de realizar aspirações e satisfazer necessidades e, por outro, de lidar com o
meio ambiente. A saúde é, portanto, vista como um recurso para a vida diária, não o
objetivo dela; abrange os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas,
é um conceito positivo.”

Saúde não é o contrário de doença, saúde é um conceito subjetivo e que vai de


encontro às necessidades e expectativas de cada um. Relaciona-se sempre com outro
conceito: Qualidade de Vida.

Determinantes da Saúde Constituição da República Portuguesa (CRP)


Artigo 64.º
Saúde
1. Todos têm direito à proteção da saúde e o dever
de a defender e promover.
2. O direito à proteção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal,
geral e tendencialmente gratuito;
3. Para assegurar o direito à proteção da Saúde,
incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os Cidadãos,
independentemente da sua condição económica, aos
cuidados da medicina preventiva, curativa e de
reabilitação.

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1.2. EXERCÍCIO FÍSICO

O rápido crescimento das doenças crónicas associadas à inatividade física vem


sendo registado tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento.
Estima-se que a inatividade física seja responsável por aproximadamente 2 milhões de
mortes no mundo.
A idade avançada não é razão suficiente para deixar de fazer exercício físico e nem
deve ser um impedimento para começar a praticá-lo. A prática regular de exercício
físico torna-se mais importante com o avançar da idade.
O exercício pode ajudar a pessoa idosa a manter-se ativa e a viver mais tempo
de forma independente. Também pode fazer com que os idosos mais frágeis se
fortaleçam e estejam mais em forma.
A pessoa idosa poderá se considerar demasiado velha para começar, ter demasiadas
dores e incómodos ou ter medo de contrair lesões, mas o exercício físico pode ajudar a
superar, e até reduzir, estes obstáculos.
A atividade física não é, obrigatoriamente, um programa estruturado de exercícios
que o idoso tenha que seguir. Pode consistir em atividades simples como caminhar,
subir e descer escadas em vez de utilizar o elevador e sempre que possível, andar a pé
em vez de automóvel. O idoso, também não necessita de fazer um exercício demasiado
vigoroso, a chave principal é realizar os exercícios físicos de forma moderada e regular.
Quanto mais exercício a pessoa idosa praticar, maiores serão os benefícios.

Exercício, porquê?
O exercício físico melhora a saúde e os aspeto geral da pessoa. Pode ajudar a
manter algumas das funções do corpo que se reduzem com a idade.
Fortalece o coração – em cada batimento bombeia ao organismo mais sangue rico
em oxigénio;
Melhora a circulação – os músculos da perna, por exemplo, comprimem as veias
e, assim, favorece o regresso do sangue ao coração;
Reduz a tensão arterial;

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Reduz os níveis de colesterol total e do colesterol “mau” (LDL) e aumenta o nível


do colesterol “bom” (HDL);
Fortalece os músculos e aumenta a flexibilidade;
Torna os ossos mais densos e mais fortes;
Melhorar o equilíbrio e a coordenação;
Ajuda a prevenir quedas e fraturas;
Queima calorias e ajuda a manter o peso ideal;
Ajuda a controlar a glicémia e a prevenir ou controlar a diabetes;
Melhora o funcionamento do sistema imunitário – o corpo consegue combater
as infeções de forma mais eficaz;
Incrementa o nível de endorfinas – substâncias químicas do cérebro que reduzem
a dor e produzem sensação de bem-estar;
Melhora as faculdades mentais – maior capacidade de concentração;
Favorece o sono;
Reduz a possibilidade de obstipação;
Reduz o risco de coronariopatia, ataque cardíaco, AVC, cancro do cólon,
cancro da mama, osteoporose e diabetes tipo 2.

Iniciar os exercícios físicos


O exercício físico moderado pode ser realizado sem antes consultar um médico,
mas as razões pelas quais a pessoa idosa deve primeiro falar com o seu médico incluem
– ter uma doença ou tomar medicamentos com receita ou ter fator de risco de
aterosclerose (devem submeter-se a uma prova de esforço).
As lesões constituem um dos principais motivos pelos quais os idosos deixam de
treinar, e, por essa razão, é aconselhado realizar sempre aquecimento muscular antes de
iniciar a atividade física. Caso, o idoso sinta dor, o exercício deve ser interrompido de
imediato.
A pessoa idosa deve escolher os exercícios que mais gosta e que certamente irá
praticar com maior regularidade. Os diferentes tipos de atividade exercitam os músculos

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de modos distintos. Treinar com outra pessoa ou a ouvir música pode ajudar a continuar
o exercício.
Os exercícios físicos devem incluir os três tipos principais – de fundo ou resistência
(aeróbicos), de fortalecimento (contra-resistência) e exercícios de alongamentos ou
flexibilidade (amplitude do movimento).

MODERADO OU INTENSO?
Exercício aeróbico moderado Exercício aeróbico vigoroso
Andar de bicicleta; Subir uma encosta de bicicleta;
Pedalar em bicicleta estática; Subir escadas ou encostas;
Dançar; Cavar;
Jardinagem – cortar a relva e passar o
Esquiar em descida;
ancinho;
Golfe, sem carrinho; Excursionismo;
Passar uma esfregona ou esfregar o chão; Jogging;
Remar; Retirar a neve com uma pá;
Nadar; Nadar várias distâncias;
Ténis (pares); Ténis (individual).
Andar rapidamente em plano.

Exercício físico para pessoas idosas com uma perturbação


Um idoso que sofra de uma perturbação deve consultar o seu médico, antes de
iniciar o exercício.
Quando se inicia um programa de exercícios, o idoso que tiver uma perturbação
necessita de supervisão e instrução.

Artrite – começar com alongamentos e exercícios de fortalecimento. Podem


acrescentar, gradualmente, exercícios aeróbicos. Devem consultar sempre um médico

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ou fisioterapeuta. Os alongamentos devem ser efetuados cinco a sete dias por semana,
com cinco repetições (uma ou duas vezes por dia);

Coronariopatia – é necessário realizar uma prova de esforço para determinar o


programa de exercícios. Para idosos que tiveram um ataque cardíaco ou angioplastia, as
atividades iniciam-se no hospital durante a reabilitação. O exercício aeróbico é o
principal objetivo para as pessoas com coronariopatia. Também podem ser
recomendados os alongamentos e exercícios de fortalecimento;

Demência – consultar sempre médico (a pessoa ou um familiar). O idoso com


demência deve realizar os exercícios acompanhados e controlados por um auxiliar de
geriatria. A atividade física regular pode proporcionar um sentido de realização e
também um efeito calmante que pode melhorar o sono da pessoa idosa com demência;

Diabetes – os idosos diabéticos devem submeter-se a uma exploração física


completa, realizada pelo seu médico. Se os pés, por exemplo, perderam a sensibilidade
aconselha-se a natação ou bicicleta estática. O exercício melhora a resposta do corpo à
insulina e torna os medicamentos, para tratar a diabetes, mais eficazes. A atividade
física deve ser realizada com o idoso diabético sempre acompanhado e nunca sozinho.
Depois do exercício verificar a pele dos pés para se assegurar que não existem lesões
que possam causar infeção;

Insuficiência cardíaca – a pessoa necessita de ser supervisionada, inicialmente.


Deverá começar lentamente e com a realização de exercícios suaves durante um longo
período de tempo. Poderá necessitar de um período de aquecimento de 10 a 15 minutos.
É útil alternar períodos de exercício com períodos de descanso. O exercício aeróbico é
importante, mas fortalecer os músculos utilizados na respiração, o abdómen e as pernas
pode ajudar a diminuir a dificuldade em respirar e, por consequência, tornar a atividade
física menos fatigante;

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Doenças pulmonares – o exercício deverá se iniciar lentamente e aumentar,


gradualmente. O exercício melhora a maneira como o corpo utiliza o oxigénio. O idoso
que sofre de doença pulmonar pode começar por exercitar os braços e as pernas
enquanto está sentado. Seguidamente, caminhar de um quarto para outro, depois fora de
casa e, posteriormente, distâncias maiores. Recomendam-se exercícios aeróbicos com
pouco impacto e exercício dirigido à parte superior do corpo;

Doença de Parkinson – a pessoa idosa com doença de Parkinson deverá ser


examinada por um médico, antes de iniciar qualquer atividade física. Os exercícios
podem ajudar a prevenir a diminuição da força, da resistência e da rigidez muscular. Os
alongamentos são proveitosos. Caminhar e praticar ioga são boas escolhas. Aconselha-
se a praticar o exercício cedo, pela manhã;

Acidente Vascular Cerebral – o exercício inicia-se no hospital com a fisioterapia.


Os exercícios de fortalecimento são importantes, pois podem reforçar um membro
afetado, permitindo que seja mais utilizado. A bicicleta estática, o tapete rolante e os
exercícios aeróbicos na água são uma boa escolha. É importante referir que a prática de
atividade física numa pessoa idosa que sofreu um AVC pode contribuir para reduzir o
risco de acidentes vasculares cerebrais subsequentes.

1.3. HÁBITOS TÓXICOS

O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem o seu consumo permitido e
incentivado pela sociedade.
A mortalidade e a limitação da condição funcional associada ao consumo de
bebidas alcoólicas superam aquelas associadas ao tabagismo. Calcula-se que,
mundialmente, o álcool esteja relacionado com 6,2 % de mortes prematuras e perdas
de anos de vida com independência dos países em desenvolvimento.
Nas últimas décadas, o consumo de álcool tem aumentando em todo o mundo,
sendo que a maior parte deste aumento acontece em países em desenvolvimento.

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Embora o consumo moderado de determinadas bebidas alcoólicas possa trazer


benefícios para a saúde, o consumo excessivo pode provocar cirrose, pancreatite,
AVC, demência, miocardite, desnutrição, HTA, EAM, e certos tipos de cancros,
estando também intimamente associado a causas externas morbimortalidade, como
acidentes de trânsito e violência (OMS, 2007);
A estas patologias, deve somar-se o impacto social e familiar do alcoolismo, sendo
também já bastante conhecida a associação do início precoce do alcoolismo com a sua
manutenção e severidade na vida adulta.

O tabagismo é, hoje, amplamente reconhecido como uma doença crónica gerada


pela dependência da nicotina, estando inserido na Classificação Internacional de
Doenças da OMS.
Trata-se do mais importante fator de risco isolado de doenças graves e fatais,
atribuindo-se ao consumo de tabaco:
45% das mortes por doença coronária;
85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica;
25% das mortes por doença cerebrovascular;
30% das mortes por cancro.
Cerca de 90% dos casos de cancro do pulmão ocorrem em fumadores e a
mortalidade por este tipo de cancro entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que
entre os não fumadores.
90% dos fumadores começam este hábito tóxico antes dos 19 anos, sendo que 15
anos é a idade média de iniciação. Cem mil jovens começam a fumar no mundo a cada
dia e 80% deles vivem em países em desenvolvimento.

Segundo um estudo liderado pelo Professor de Neuropsicologia Luís Maia da


Universidade da Beira Interior, o consumo crónico de estupefacientes, mesmo das
chamadas drogas leves, pode provocar alterações permanentes de personalidade e
deterioração das funções cognitivas.

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Os consumidores crónicos de drogas manifestam alterações de personalidade que os


tornam mais irresponsáveis, mais irritáveis, impulsivos, egocêntricos e com tendência
para cometer atos ilícitos, violência familiar e comportamentos de risco.
No que concerne às funções básicas da mente, como a memória, atenção,
concentração, os dados são ainda preliminares, mas remetem para um forte indicador
de prejuízo funcional nas capacidades intelectuais de toxicodependentes crónicos.
As alterações ao nível da personalidade podem ser verificadas ao fim de três a
quatro anos de consumo, no caso dos adolescentes em franco desenvolvimento, ou mais
tempo, no caso dos adultos com caraterísticas personalísticas já bem marcadas e que
iniciem o consumo de substâncias na idade adulta.

1.4. HIGIENE CORPORAL

A higiene pessoal, cuidado básico para a saúde e bem-estar do ser humano, é uma
atividade incorporada na rotina diária desde a infância e difere entre culturas e épocas.
Entende-se por higiene pessoal - higiene corporal e íntima, oral, do couro cabeludo e
unhas.
Quando os cuidadores se deparam com alguma oposição do idoso ao banho, o
primeiro passo deve ser tentar descobrir o porquê. Ele poderá ter receio de sofrer uma
queda, estar apresentando algum tipo de dor ou estar muito cansado ou, ainda, não achar
necessário o banho diário, pois não fez isso a vida toda.

 As pessoas idosas realmente necessitam de banho diário?

A frequência do banho depende das necessidades apresentadas pelas pessoas idosas.


Em algumas ocasiões, pode ser dado apenas, por exemplo, duas vezes por semana. É o
caso dos idosos com sério risco para pele muito seca, muito enfraquecidos ou que, por
problemas de saúde, cansam-se facilmente.

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O auxílio à higiene corporal é, geralmente, uma das principais atividades


desenvolvidas pelos cuidadores, pois a pessoa idosa apresenta dificuldades para tomar
banho sozinha.
Existem várias razões que podem gerar essa necessidade, tais como efeitos de
doenças existentes; diminuição de força e energia; presença de dor ou desconforto;
incapacidade de aceder a determinadas partes do corpo (pés, pernas, costas); medo de se
magoar durante o procedimento (insegurança pessoal); confusão mental, dificuldade de
compreensão, esquecimento do que deve ser realizado e como.
A dificuldade em desempenhar a higiene pessoal pode ser classificada como
temporária, permanente ou progressiva. O cuidador necessita ser alertado sobre a
urgência de estimular a pessoa idosa a realizar, durante o banho, aquilo que conseguir,
pois os princípios da autonomia e independência devem ser sempre preservados.
O banho tem muitos objetivos, incluindo limpar a pele; remover as bactérias;
eliminar e prevenir os odores corporais; estimular a circulação e a movimentação
articular; prevenir as úlceras de pressão; promover o conforto e a sensação de bem-estar.
A pele é o maior órgão do nosso organismo, constituindo uma barreira física contra
os micro-organismos e substâncias estranhas.
O primeiro objetivo do cuidado com a pele da pessoa idosa é a sua hidratação. A
humidade ajuda na prevenção da formação de feridas, pois permite que a pele seja mais
resistente e tenha uma recuperação mais rápida quando lesada.
A aplicação de cremes, emolientes e loções auxilia na prevenção da evaporação da
água, aumentando a humidade da camada mais superficial da pele e, consequentemente,
a sua proteção.
O momento do banho também é indicado para uma observação mais detalhada da
pele da pessoa idosa, permitindo identificar lesões, descamação, mudanças de coloração
(descorada, avermelhada, azulada), presença de regiões quentes ao toque, edemas,
hematomas e equimoses.

 Cuidados durante o banho

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 Dirigir-se ao idoso utilizando o seu nome preferido, demonstrando respeito e


reforçando sua identidade pessoal;
 Nunca utilizar apelidos sem autorização ou termos demasiadamente
afetuosos (“minha querida”, “meu coração”, “minha linda”, “meu fofo”) ou
ainda diminutivos que podem parecer infantis (“lindinha”, “queridinho”,
“mãozinha”, “boquinha”);
 Conversar com a pessoa idosa antes do banho, explicando o que será feito e
como;
 Preparar o ambiente do banho, separando os materiais necessários, fechando
as portas e janelas e aquecendo o ambiente;
 Permitir que o idoso escolha os artigos a serem utilizados no banho, assim
como as roupas que vestirá depois;
 Ajudá-lo na medida das suas necessidades;
 Tranquilizá-lo e confortá-lo com contato físico gentil e delicado,
principalmente se ele apresentar défices sensoriais;
 Respeitar a sua intimidade e privacidade (fechar a porta, correr a cortina,
etc.);
 Evitar interrupções durante a execução do banho (atender telefones ou outras
pessoas, sair do local do banho deixando a pessoa idosa sozinha);
 Cuidado com as unhas das mãos e dos pés. O cuidado com as unhas deve ser
realizado, preferencialmente, após o banho, pois elas estarão mais hidratadas
e amolecidas. Caso sejam muito espessas, endurecidas e quebradiças, colocá-
las, durante cerca de 10 minutos, imersas em uma solução de água morna
com sabão neutro. Este processo facilitará o corte, que deve ser em linha reta
(para que não encravem) e não muito rente à pele (evitando lesões, que
podem originar processos inflamatórios ou infeciosos). Após o corte, limá-
las e passar por água. Por fim, secar cuidadosamente as regiões interdigitais.
As cutículas não devem ser retiradas, para evitar ferimentos e infeções;

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 Os pés merecem atenção especial, pois são os responsáveis pela sustentação


do corpo, postura e marcha, fundamentais para a maior independência da
pessoa idosa. Inicialmente, devem ser cuidadosamente inspecionados
(temperatura, estado da pele, sensibilidade, circulação, presença de
deformidades – joanetes, calosidades etc. – micoses interdigitais e
onicomicoses). Algumas precauções simples são recomendadas. Secá-los
cuidadosamente, sem esfregar, especialmente as regiões interdigitais, para
evitar a contaminação por fungos; exercitá-los, para prevenir contratura e
atrofias musculares e estimular a circulação realizando movimentos de
rotação e extensão; auxiliar na colocação de meias limpas e folgadas (sem
furos ou remendadas com costuras duras), para mantê-los aquecidos,
proporcionando sensação de conforto; ajudar na colocação de sapatos,
verificando a sua adaptação aos pés (para evitar lesões).
Pessoas idosas com diabetes requerem cuidado especial com os pés. Nesses
casos, o encaminhamento para um especialista pode ser necessário.

 Produtos para o cuidado com a pele utilizados no banho


Muitos são os produtos disponíveis. A escolha depende da necessidade, da
adequação e da preferência da pessoa idosa.
 Sabão – Serve para a limpeza da pele. Pode ser comum ou antialérgico;
 Óleo de banho – Geralmente é colocado na água do banho para deixar a
pele mais macia e prevenir que seque. Seu uso, no entanto, pode deixar o
local do banho escorregadio, aumentando o risco de quedas;
 Cremes e loções – Deixam a pele mais macia e previnem que esta fique
seca. Os cuidadores devem estimular as pessoas idosas a autoaplicarem essas
substâncias, auxiliando-as apenas nas regiões do corpo que elas têm
dificuldade para alcançar;
 Talco – Os idosos, geralmente, têm o hábito de utilizá-lo para refrescar a
pele e prevenir a fricção entre duas superfícies que ficam em contato (entre

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as coxas e abaixo das mamas, por exemplo); no entanto, não é


recomendado;
 Desodorizante – É aplicado na região axilar após o banho, para prevenir o
odor corporal. O seu uso deve ser evitado em peles irritadas ou lesadas e
recomendam-se os desodorizantes sem perfume.

 Tipos de banho
 Banho de chuveiro – As pessoas idosas podem tomar banho de chuveiro
em pé ou sentadas, dependendo da sua condição física. No entanto, algumas
medidas de segurança devem ser consideradas pelo cuidador.
Colocar sempre um tapete antiderrapante antes de a pessoa idosa entrar no
recinto; ter a certeza de que o piso do banheiro está seco, para impedir
quedas; não aplicar óleo de banho na pele da pessoa durante o banho, para
evitar que o piso fique escorregadio; certificar-se de que a temperatura da
água do banho está apropriada, usando e proceder aos ajustes necessários
antes de iniciar o banho; se a pessoa idosa for capaz de se tomar banho
sozinha, ficar próximo enquanto ela o faz; evitar correntes de ar, fechando a
porta; a instalação de barras de apoio no interior aumenta a segurança da
pessoa idosa durante o banho;
 Banho de leito – É adequado para os idosos que não são capazes de se
tomar banho sozinhos e não podem ou têm muita dificuldade em se dirigir à
casa de banho. Idosos inconscientes, incapacitados (física ou mentalmente)
ou muito enfraquecidos são potenciais candidatos a esse tipo de banho. O
banho de leito pode ser constrangedor para a pessoa, pois aumenta o seu
sentimento de dependência, diminui a sua autonomia e existe pouca
privacidade. Garantir a privacidade do idoso, executar o procedimento
rápida e eficientemente e conversar com ele enquanto procede ao banho
pode minimizar esses sentimentos;

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 Banho parcial – É dado na cama ou na casa de banho. A face, mãos, axilas,


pescoço, nádegas e genitália são, normalmente, as áreas higienizadas. A
higiene oral pode ser feita nesse momento.

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1.5. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

Uma alimentação adequada mantém sempre os mesmos fundamentos básicos, mas


em cada fase da vida, existem alguns cuidados específicos. Assim, quando falamos de
alimentação para pessoas idosas, devemos considerar as alterações que ocorrem nos
seus organismos, bem como as mudanças do estilo de vida.
Com o avançar da idade, o corpo muda. Há diminuição da massa magra (músculos e
ossos) e aumento da massa gordurosa localizada (os braços e as pernas tornam-se mais
finos e a cintura engrossa ou a barriga fica mais proeminente). Já as alterações na visão,
no paladar, no olfato, na audição e no tato podem levar à perda de apetite, fazendo com
que a pessoa idosa coma menos. Também a ausência total ou parcial de dentes
dificultam a deglutição e mastigação, fazendo com que o idoso tenha de mudar os seus
hábitos alimentares. Alterações da estrutura e função, do estômago e do intestino,
também podem diminuir a digestão e a consequente absorção dos nutrientes.

 Hábitos alimentares
Adquirimos os nossos hábitos alimentares na infância e temos a tendência de os
manter ao longo da vida e por essa razão é complicado modifica-los. Ao lado dos
hábitos, existem as crenças e os tabus, muitas vezes baseados em informações incorretas
que podem levar a prejuízos nutricionais.
Com a reforma, o dinheiro disponível diminui e uma grande parte é utilizada para
comprar medicamentos, considerados mais importantes na manutenção da saúde.
Consequentemente, os idosos começam a adquirir alimentos mais baratos e de preparo
mais fácil em vez de outros mais caros.

 Funções dos alimentos


Os alimentos fornecem ao corpo todas as substâncias necessárias para o seu bom
funcionamento. Essas substâncias, chamadas nutrientes (água, hidratos de carbono,
proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fibras), são indispensáveis à vida humana.

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Os alimentos são classificados em três grandes grupos, de acordo com a quantidade


de nutrientes que possuem e a função que exercem – energéticos, reguladores e
construtores.

Os alimentos energéticos têm a função de fornecer energia (combustível) para que


possamos andar, falar, respirar, etc. Possuem grandes quantidades de hidratos de
carbono e gorduras e, quando a energia que fornecem não é consumida, acumula-se na
forma de gordura corporal. Assim, estes alimentos não devem ser consumidos em
excesso, pois podem conduzir à obesidade ou a outros problemas de saúde, como a
aterosclerose.
Os alimentos ricos em hidratos de carbono são os cereais e derivados – arroz,
milho, farinhas, pão, entre outros; feculentos e derivados – batata, batata-doce, inhame,
entre outros; açúcares e doces.
Os alimentos ricos em gorduras são de origem vegetal – óleos vegetais, azeite,
margarina, amendoim, nozes, abacate, entre outros.

Os alimentos reguladores têm várias funções no organismo, como aumentar a


resistência às infeções; proteger a pele, a visão e os dentes; contribuir para o bom
funcionamento intestinal e facilitar a digestão e o aproveitamento dos alimentos.
Estes alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras – frutas (laranja,
abacaxi, melancia, morangos, frutas secas, entre outros); hortaliças – verduras (agrião,
alface, couve, espinafres, entre outros) e legumes (pepino, pimentão, beringela, cenoura,
entre outros); cereais integrais e derivados (arroz integral, aveia, gérmen de trigo, entre
outros).
Algumas vitaminas podem ser destruídas com a cozedura das verduras e dos
legumes, portanto estes alimentos devem ser consumidos de preferência crus.

Os alimentos construtores são os que têm a função de “construção” do corpo, isto


é, de fabricar mais matéria viva para o organismo.

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Pertencem a este grupo os alimentos ricos em proteínas, como leite, queijo, ovos,
carne, frango e peixe, além da soja, ervilha, lentilha e feijão. As proteínas constituem o
principal componente dos organismos vivos.

A água é o principal componente do organismo. Está em todos os líquidos e células


do corpo humano, transporta os nutrientes e lubrifica as articulações. É encontrada na
forma pura, em preparações líquidas (sumos e chás) e na maioria dos alimentos. Apesar
de ser um nutriente de grande importância na alimentação dos idosos, eles costumam
ingeri-la em pouca quantidade, alegando que não sentem sede ou que esquecem de
beber. Recomenda-se o consumo de seis a oito copos de água ou líquidos por dia.

A alimentação saudável é equilibrada do ponto de vista nutricional e é importante


para o bem-estar, para a prevenção e controle de determinadas doenças. Deve fornecer
energia (calorias) e nutrientes em quantidade suficiente para o bom funcionamento do
organismo, o que varia de pessoa para pessoa, de acordo com o sexo, a idade, o peso, a
altura, a atividade física ou a presença de doenças.

Com o objetivo de auxiliar a orientação nutricional da pessoa idosa, o Grupo de


Estudos de Nutrição na Terceira Idade, formado por nutricionistas, elaborou um guia
alimentar. A pirâmide foi escolhida como forma de orientação para uma alimentação
saudável, porque a sua estrutura dá a conotação exata de equilíbrio e proporcionalidade.

 Grupo 1 – Alimentos energéticos: feculentos (batata, mandioca, inhame, batata-


doce), cereais (arroz e trigo) e derivados (farinha de trigo, pão e massa). É o
grupo que representa a maior parcela de contribuição da alimentação;
 Grupo 2 – Alimentos reguladores: hortaliças (verduras e legumes), de três a
cinco porções;
 Grupo 3 – Alimentos reguladores com vitaminas específicas: frutas (pelo
menos uma delas rica em vitamina C);

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 Grupo 4 – Alimentos construtores ricos em cálcio: leite, queijo, coalhada e


iogurtes;
 Grupo 5 – Alimentos construtores ricos em ferro: carnes (porco, peixe e aves),
ovos e leguminosas (secas);
 Grupo 6 – Alimentos energéticos: açúcares e doces;
 Grupo 7 – Alimentos energéticos: gorduras.

Pirâmide alimentar

 Cuidados com a refeição da pessoa idosa

 É importante que a pessoa idosa possa ter companhia nas refeições. Sentar
confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas, sejam elas da

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família, amigos ou o próprio cuidador, proporciona mais prazer com a


alimentação e favorece o apetite.
 Oferecer ao idoso alimentos que sejam de fácil digestão e provoquem saciedade;
 Deixar o prato com aparência agradável (bonito, aromático e apetitoso);
 Tentar variar a alimentação diariamente, para não causar monotonia;
 Não substituir alimentos na forma sólida por sopas e purés se o idoso não tiver
problemas para mastigar;
 Se a pessoa idosa apresentar problemas nos dentes ou não os tiver, não deixe de
incluir carnes, legumes, verduras e frutas na alimentação;
 Servir pouca quantidade de alimentos em cada refeição, para facilitar a digestão;
 Evitar o uso exagerado de sal, tentando substituí-lo por ervas aromáticas;
 Dar preferência aos óleos vegetais no preparo e cozedura dos alimentos;
 Procurar comprar os alimentos da estação, principalmente frutas e verduras, pois
têm melhor qualidade e menor custo;
 Tentar manter a regularidade no horário das refeições;
 Preferencialmente, não substituir o jantar por lanche, prática muito comum entre
os idosos.

1.6. ADAPTAÇÃO DOMICILIÁRIA E PREVENÇÃO DE ACIDENTES

 Quedas
As quedas são uns dos principais problemas com os idosos. A dificuldade em
prevenir as quedas em pessoas com características especiais tanto pela sua debilidade
física como mental aumenta a problemática. É necessário, assim, um maior esforço para
diminuir a incidência das quedas tanto no domicílio como a nível institucional. Uma
baixa incidência de quedas é indicativo de cuidados de saúde de qualidade.

 Fatores de risco

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 Fraqueza muscular;
 Problemas de equilíbrio;
 Problemas visuais;
 Necessidade de urinar frequentemente;
 Movimentos e reflexos mais lentos;
 Andar cambaleante;
 Calçado mal ajustado;
 Roupas inadequadas;
 Má utilização de cadeiras de rodas de andarilhos;
 Manobras para chamar a atenção.

 Causas
 Alterações da visão;
 Alterações da audição;
 Alterações nas articulações;
 Alterações na tensão arterial;
 Efeito de medicamentos;
 Ambiente desconhecido;
 Pavimento e calçado;
 Mobiliário e escadas.

 Prevenção
 Prática de exercício;
 Vigilância da medicação para evitar erros e possíveis excessos;
 Sapatos bem ajustados e antiderrapantes;
 Evitar o uso de chinelos;
 Não usar camisas de noite nem robes compridos;
 Cobertores e colchas não devem ser compridos;

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 Limpar o chão caso haja algum derrame e não permitir que o idoso ande sobre
superfícies húmidas;
 Usar tapetes que cubram o chão todo ou com antiderrapante;
 Mobília sem rodas e sem arestas aguçadas;
 Camas e sofás não muito altos;
 Todas as cadeiras com apoio de braços;
 Interruptores acessíveis;
 Usar barras de apoio junto a sanitas e banheiras;
 Usar tapete antiderrapante na banheira.

 Atropelamentos
Cuidados a ter na prevenção de atropelamentos em idosos:
 Circular sempre no passeio e colocar-se sempre no lado direito;
 Caso não haja passeio, circular do lado esquerdo, de frente para os veículos;
 Quando caminhar em grupo andar em fila;
 Atravessar sempre num local seguro: passadeiras, junto a sinais luminosos;
 Evitar atravessar junto a obstáculos como carros e caixotes do lixo;
 Entrar e sair de viaturas sempre pelo lado direito;
 Ao caminhar à noite usar colete refletor.

 Incêndios
Cuidados a ter para prevenção de acidentes:
 Ter atenção aos equipamentos de grande consumo, tais como máquinas de
lavar grande consumo, tais como máquinas de lavar roupa ou aquecedores;
 Não sobrecarregar as tomadas, pois pode provocar sobreaquecimento ou
curto-circuito;
 Não colocar os aquecedores junto aos móveis e não os utilizar para secar
roupa;

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 Nunca deixar os equipamentos de queima em funcionamento quando tiver


de se ausentar.

1.7. VACINAS

A vacinação dos idosos é uma medida preventiva importante e que não deve ser
descurada, uma vez que são um grupo particular da população no qual as doenças
infeciosas causam elevadas taxas de morbilidade e mortalidade.
À medida que o indivíduo envelhece, o organismo sofre alterações que o fragilizam
e o tornam menos capaz de se adaptar às agressões do meio ambiente. O sistema
imunitário perde alguma eficácia, e o idoso fica mais suscetível às doenças infeciosas.
Existe ainda o facto de alguns idosos poderem ter uma patologia crónica e que com uma
simples infeção respiratória pode agravar ou descompensar. Ao contrário do que
acontece com a criança, não existe um calendário de vacinação obrigatório para o idoso
e a medicina preventiva é muitas vezes negligenciada.
Existem vacinas recomendadas para o idoso tais como – antigripal, antipneumónica
e antitetânica e antidiftérica.
A gripe é uma infeção comum que surge habitualmente durante os meses frios do
ano, mas é sobretudo nos idosos que se pode tornar uma infeção grave. A vacinação
contra a gripe pode reduzir significativamente a incidência da gripe nos idosos e
diminuir o número de hospitalizações por descompensação de doentes crónicos,
nomeadamente os cardíacos.
Assim, recomenda-se a vacinação de todos os indivíduos com mais de 65 anos de
idade e todos os doentes crónicos (diabéticos, nefropatias graves, insuficiência
cardíaca), independentemente da idade, devendo ser administrada no início do Outono
(Setembro/Outubro), uma vez que as epidemias ocorrem normalmente entre Novembro
e Abril.

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1.8. DOENÇAS CRÓNICO DEGENERATIVAS: ASPETOS PREVENTIVOS

 Doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. É uma doença
neurodegenerativas e cujo curso desenvolve-se ao longo de 5 a 10 anos de forma
progressiva e incurável.
O conceito de demência remete para uma alteração global e persistente do
funcionamento cognitivo, suficientemente grave para ter repercussões na vida
profissional, social e familiar do indivíduo.
De acordo com a OMS, a demência caracteriza-se por “uma diminuição
progressiva da memória e da capacidade de ideação suficientemente marcada para
limitar as atividades da vida quotidiana, que tenha surgido pelo menos há 6 meses e
associada a uma perturbação de uma das seguintes funções: linguagem, cálculo,
avaliação, alteração do pensamento abstrato, praxia, gnosia ou modificação da
personalidade.”

Fatores que influenciam a Doença de Alzheimer

 Único fator de risco bem conhecido e universalmente


aceite;
Idade  Aceita-se que a doença de Alzheimer seja uma doença
idade - dependente, ou seja, à medida que a idade avança, maior é a
probabilidade da sua ocorrência.

 Mulheres mais afetadas do que os homens. A expectativa


de vida das mulheres é pelo menos 5 anos maior que a dos homens,
Sexo apesar de essa correlação ainda necessitar de ser estatisticamente
ajustada e melhor esclarecida.

Escolaridade  O nível de educação parece ser uma proteção para a


doença de Alzheimer – quanto maior o número de anos de estudo
formal menor será o risco.

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Os sinais clínicos da Doença de Alzheimer são os seguintes:


 Perturbações da memória dos factos recentes, afetando sobretudo a memória
episódica;
 Falta da palavra adequada;
 Perturbações da atenção;
 Diminuição da memória em relação ao trabalho;
 Desinteresse, apatia, irritabilidade, etc.

O tratamento ao doente com Alzheimer é plurimodal, recorrendo a estratégias


medicamentosas e não medicamentosas. Deve ser elaborado um plano de cuidados
específicos para cada doente, alterado regularmente no decurso da evolução.

 Doença de Parkinson
É uma doença degenerativa, crónica e progressiva, que acomete em geral pessoas
idosas. Ocorre devido à perda de neurónios do Sistema Nervoso Central, sendo que os
neurónios sintetizam o neurotransmissor – dopamina, cuja diminuição provoca sintomas
principalmente a nível motor.
Os sinais e sintomas são:
 Tremor em repouso;
 Rigidez;
 Bradicinesia – Hipocinesia;
 Postura fletida;
 Perda dos reflexos posturais.

 As atividades a desenvolver com o doente com Parkinson são:


 Ensinar o cliente a colocar os pés no chão com os calcanhares primeiro ao
andar e aumentar o tamanho da passada;
 Ensinar o cliente a balançar os braços ao andar para melhorar o equilíbrio;
 Facilitar a comunicação não-verbal se for o caso;

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 Orientar aspiração de vias aéreas quando necessário (posições de conforto e


drenagem);
 Orientar o uso de utensílios especialmente concebidos para facilitar o seu
manejo (nutrição);
 Estimular o auto cuidado de modo gradual (higienização que for possível), e
hidratação da pele;
 Estimular a independência e quando necessário, oferecer dispositivos
auxiliares;
 Para ajudar o cliente com tremores graves pedir para se sentar numa cadeira
e usar os braços para manter-se estável;
 Implementar diariamente um programa de exercícios para aumentar a força
muscular;
 Banhos mornos e massagens frequentes conduz ao relaxamento dos
músculos e alivia as cãibras.

1.9. CONTROLO DA MEDICAÇÃO

 Erros de medicação

Os idosos que tomam em média 3 a 4 vezes ao dia comprimidos diferentes e em


horários diferentes têm grande possibilidade de errar a medicação.
 Erro na dose;
 Erro no horário;
 Troca de medicação.

 Forma de apresentação dos medicamentos

• Sólida: comprimidos, cápsulas, drágeas e pastilhas.

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• Líquida: medicamentos usados em gotas, suspensões, soluções, xaropes e


aerossóis. A contagem exata do número de gotas e a visualização correta dos
mililitros (mL) nos medidores (conta-gotas, colheres, copinhos) são
fundamentais.

 Medidas importantes

 Colocar os medicamentos numa caixa com tampa;


 Usar caixas diferentes para medicação oral, inalatória e produtos de tratamento;
 Nunca tentar administrar medicamentos por via oral a alguém que esteja a
dormir ou inconsciente;
 Os três certos – Medicamento certo; Hora e dia certo; Dose certa;
 Administrar os medicamentos pelo método correto;
 Se os medicamentos forem receitados por médicos diferentes, questionar o
médico ou o farmacêutico se é seguro tomar os medicamentos em
simultâneo;
 Leia atentamente a bula do medicamento, prestando atenção aos itens relativos
à dose, contraindicações, reações adversas, precauções, interações com
outros medicamentos e conservação.
 Falar com o enfermeiro/médico/farmacêutico se ocorrerem alterações no idoso
após início de nova medicação – prurido, náusea, vómito,
palpitação/taquicardia, edemas (inchaço) etc.;
 Se o idoso está confuso ou tem tendência a automedicar-se – deixar os
medicamentos fora do alcance do idoso!
 Mantenha o medicamento na embalagem original e em local fresco e seco,
mesmo após sua abertura (para verificar prazo de validade, lote e não
misturar com outros comprimidos).
 Nunca administrar medição cujo prazo de validade esteja ultrapassado;
Nem aquela alterada na cor ou forma normal.

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 Cuidado: a dose de um medicamento considerada normal para um adulto pode


causar intoxicação e sérios danos à saúde de uma criança, idoso ou paciente
com doença cardíaca, hepática ou renal.
 Evite a prática de automedicação pelo idoso.
 Nunca recomende um medicamento a outra pessoa nem aceite recomendações
desse tipo.

 Administração de medicamentos por via oral

Como administrar?

 Lavar as mãos antes de mexer no medicamento;


 A maioria dos medicamentos orais deve ser imediatamente engolida;
 As pastilhas são chupadas ou mastigadas e não engolidas;
 As cápsulas ou comprimidos devem ser ingeridos com um copo de água;
 Sugerir que beba um pouco de água antes de tomar o comprimido –
Lubrifica a boca e ajuda a engolir;
 Evitar dar leite com os comprimidos, exceto se há indicação contrária;
 Não dar medicamentos quando o cliente está deitado;
 Se não há indicação para dar medicamento em jejum, este deve ser sempre
dado com o estômago com comida;
 Verificar se o medicamento foi engolido.

Dificuldades na deglutição

 Oferecer um pouco de água antes (para lubrificar a boca e garganta);


 Colocar os comprimidos na parte de trás da língua da pessoa e dar mais
água;
 Misturar os comprimidos com puré de maçã, compota, gelado – Algo
suficientemente substancial para empurrar o comprimido;

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 Alguns comprimidos podem ser triturados de depois misturados com a


comida – Verificar essa possibilidade com o farmacêutico;
 Questionar sobre a existência do medicamento em forma líquida;
 Se o medicamento líquido tem mau sabor juntar com um sumo.

Ao acompanhar o idoso em uma consulta médica em que for dada uma receita,
certifique-se de que percebe os seguintes aspetos:
• Qual o nome do medicamento e por que será usado?
• Qual o nome da doença que esse medicamento trata?
• Quantas vezes por dia o medicamento deve ser tomado?
• Quando e como tomar (horário, antes ou após as refeições, usar com água ou
leite)?
• Por quanto tempo o medicamento deve ser utilizado (até a próxima consulta, por
15 dias)?
• Quanto tempo o medicamento demora para fazer efeito?
• Se houver esquecimento da tomada do medicamento, o que deve ser feito?
• Quais os efeitos indesejados que podem aparecer? Caso apareçam, o que deve
ser feito?
• Durante o tratamento, pode-se ingerir álcool? E usar outros tipos de
medicamentos?
• O medicamento pode interferir nas atividades do dia a dia, como tomar banho
sozinho, dirigir, assistir à televisão, cozinhar, sair de casa sozinho?

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2. MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADOS AO DOENTE EM ESTADO


TERMINAL
Antigamente, não havia muito a pensar sobre a morte e o processo de morrer.
Muitas pessoas morriam rapidamente depois de contraírem uma infeção ou lesão.
Outras morriam como consequência de um cancro ou coronariopatia, visto que não
existia nenhum tratamento eficaz.
Todavia, atualmente, numerosas pessoas sofrem de uma ou mais perturbações
crónicas, por vezes graves, com as quais vivem muitos anos antes de morrerem.
Mais de três quartos das mortes, nos países desenvolvidos, devem-se a doenças
crónicas, como cardiopatias, cancro, acidente vascular cerebral, doença pulmonar
obstrutiva crónica e demência. Nos dias de hoje, vive-se muito mais tempo desde que se
declarou uma doença crónica.
Apesar de todos os progressos da Medicina na segunda metade do século XX, a
longevidade crescente e o aumento das doenças crónicas conduziram a um aumento
significativo do número de doentes que não se curam. O modelo da medicina curativa,

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agressiva, centrada no ataque à doença não se coaduna com as necessidades deste tipo
de doentes e que têm sido frequentemente esquecidas.” (Associação Portuguesa de
Cuidados Paliativos, 2012)

 É necessário pensar em duas questões éticas:

 Que tipo de cuidados faz sentido prestar a alguém com uma esperança de
vida limitada?

 Quais os valores e os princípios que devem orientar os profissionais de saúde


na sua relação com o doente terminal?

Quando se pergunta a pessoas com doenças crónicas potencialmente letais os


objetivos que têm, conclui-se que, frequentemente, estes são simples e podem
compreender os seguintes:

 Alívio da dor e de outros sintomas incómodos;

 Intervenção, sempre que possível, nas decisões relativas aos cuidados;

 Ter a certeza que os seus desejos previamente expressos serão cumpridos e


respeitados;

 Sentido de conclusão e alívio de qualquer carga sobre a família e amigos.

2.1. ABORDAGEM COMPREENSIVA E MULTIDIMENSIONAL/CUIDADOS


PALIATIVOS E CUIDADOS TERMINAIS

Segundo a OMS em conceito definido em 1990 e atualizado em 2002, "Cuidados


Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipa multidisciplinar,
que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante
de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da

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identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas


físicos, sociais, psicológicos e espirituais".
O ideal seria que os cuidados paliativos se propusessem durante uma doença
crónica, ao iniciar o tratamento para prolongar a vida, pois asseguraria que os problemas
da qualidade de vida foram tidos em conta.
O sofrimento físico não é inevitável, uma vez estabelecido o diagnóstico de uma
doença crónica potencialmente letal. A pessoa tem direito a esperar um controlo
adequado dos sintomas e dos efeitos secundários toleráveis do tratamento. Todavia, a
pessoa que apresenta sintomas que não respondem bem ao tratamento, por vezes, tem de
optar entre o alívio destes sintomas e os efeitos secundários que poderiam apresentar-se
ao intensificar o tratamento ou ao juntar outros.
A ação paliativa é considerada como qualquer medida terapêutica que não tem o
intuito curativo, mas que visa reduzir sintomas associados a uma doença.
Os cuidados terminais que englobam os cuidados e ações paliativas reservam-se às
pessoas com uma expetativa de vida inferior a seis meses.
A equipa multidisciplinar (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais,
assistentes operacionais, padre etc.) oferece uma vasta gama de serviços, desde a
assistência médica até à atenção pessoal (banho, higiene pessoal e vestir). A equipa
ajuda, também, a família a sentir-se mais cómoda com a assistência que dispensam ao
seu ente querido na sua última etapa da vida e proporciona apoio psicológico e
espiritual.
A pessoa é livre de suspender os cuidados terminais.

2.2. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

 Quem são os destinatários?

- Não têm perspetiva de tratamento curativo;

- Doentes em que a doença progride rapidamente e sem perspetiva de cura

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-Não se destinam a doentes com doença aguda, em recuperação ou


convalescença nem com incapacidades de longa duração

 Quais as doenças que requerem cuidados paliativos?

- Não há uma lista de doenças, no entanto, algumas doenças são integradas nos
cuidados paliativos:

 Cancro

 Sida

 Doenças neurológicas degenerativas com evolução rápida

 Quando e quanto tempo duram os cuidados paliativos e o doente pode


beneficiar deles?

São direcionados para a fase final da vida, mas não só à fase agónica, por isso os
doentes podem ser tratados durantes dias, semanas ou mesmo meses. Como já referido
atualmente defende-se que os mesmos deverão iniciar-se no início de uma doença
crónica, pois asseguraria que os problemas da qualidade de vida serão tidos em conta.

2.3. DEGRADAÇÃO FUNCIONAL – MÉTODOS DE AVALIAÇÃO E


PREVENÇÃO

A maioria das pessoas com uma doença fatal querem saber quanto tempo lhes resta
para viver. Os familiares, normalmente, desejam estar presentes nos últimos momentos
e podem necessitar de se organizar para isso. Mas prever o momento exato da morte é
impossível.
Apesar das dificuldades associadas à previsão da ocorrência da morte, alguns
sintomas indicam que está a aproximar-se ou é iminente.~

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SINAIS DE UMA MORTE PRÓXIMA


É habitual que as pessoas passem mais tempo a
dormir. Quanto estão acordadas, podem estar menos
Modificações ao nível da atenção
atentos ou interativas. A confusão ou desorientação
são frequentes.
Os indivíduos próximos da morte rejeitam grande
Reduzido interesse por comidas e
parte da comida, embora possam aceitar ou pedir
bebidas
líquidos.
Quando a pessoa deixa de urinar, a morte, de modo
Ausência de urina
geral, chega em poucos dias ou semanas.
As mãos e os pés ficam frios e azulados. Estas
Alterações da pele modificações são sintomas de que a morte chegará,
provavelmente, dentro de horas ou dias.
A respiração pode tornar-se rápida e superficial.
Pode ouvir-se um estertor quando a pessoa respira.
Este ruído é causado pela acumulação de secreções,
Modificações da respiração como a saliva, que o doente não consegue deglutir e
pela relaxação da musculatura da garganta. O
moribundo não se apercebe deste ruído, mas pode
angustiar os familiares.

 Quando se pergunta a pessoas com doenças crónicas potencialmente letais os


objetivos que têm, conclui-se que, frequentemente, estes são simples e podem
compreender os seguintes:
 Alívio da dor e de outros sintomas incómodos;
 Intervenção, sempre que possível, nas decisões relativas aos cuidados;
 Ter a certeza que os seus desejos previamente expressos serão cumpridos e
respeitados;
 Sentido de conclusão e alívio de qualquer carga sobre a família e amigos.

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 Reduzir o sofrimento

 Dor
A dor é um sintoma frequente em indivíduos com uma doença crónica letal. Tanto a
doença e alguns tratamentos como também algumas circunstâncias próprias da agonia
(imobilidade, obstipação ou úlceras por pressão) podem causar a dor.
A dor é tolerada de forma diferente, mas reduz necessariamente a qualidade de vida
e da morte.
Dado que um doente com patologia crónica potencialmente letal costuma apresentar
diferentes tipos de dor, o tratamento que comporta várias abordagens é, em geral, o mais
eficaz. Os analgésicos são um elemento importante do tratamento. No entanto, a
eficácia do tratamento farmacológico, muitas vezes, melhora com massagens e
aplicação de calor. É importante que os pacientes com dor intensa informem os
profissionais encarregados quando o controlo da dor é deficiente ou quando se
apresentem efeitos secundários. Também devem, quando possível, comunicar as suas
preferências sobre os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos.
A companhia, o estímulo emotivo e o aconselhamento espiritual são alguns dos
fatores que reduzem a ansiedade, a ira, a depressão, o medo, a insónia e a solidão que
agravam a dor.

 Dificuldade respiratória e tosse


Considera-se dificuldade respiratória qualquer sensação desagradável de respiração
incómoda.
Muitas complicações podem causar dificuldade respiratória e tosse – infeções,
propagação do cancro, acumulação de líquidos nos pulmões, derrame de líquido em
redor do coração ou no abdómen ou embolia pulmonar. Alguns tratamentos também
podem contribuir para esta dificuldade na fase terminal.
Tratar a dificuldade respiratória e a tosse comporta o tratamento das causas
subjacentes. Assim, qualquer tratamento que estimule o problema, como a

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administração intravenosa de líquidos, pode necessitar de ser suspenso. Quando não é


possível tratar, facilmente, a causa subjacente, a pessoa sentir-se-á melhor se estiver
sentada e respirar ar fresco num ambiente tranquilo, poderá mesmo ser necessário a
administração contínua de oxigénio.

 Problemas digestivos
Os problemas digestivos mais comuns em pessoas com doenças crónicas
potencialmente letais são as náuseas e vómitos, perda de apetite (anorexia), problemas
da boca, obstipação e diarreia.
As náuseas e vómitos têm numerosas causas, incluindo os fármacos opiáceos e
anticancerosos, obstipação, infeção, úlceras na boca, esófago ou estômago, obstrução do
estômago ou intestino, insuficiência hepática e renal, entre outras. As causas subjacentes
são tratadas apenas se for possível. Uma pessoa com náuseas pode apreciar pequenos
bocados de gelo. Os antieméticos são, por norma, úteis. A acupunctura e a acupressão
parecem ser eficazes contra as náuseas.
A perda de apetite pode ter origem na dificuldade de mastigar devido à secura ou
às feridas na boca, infeções ou à dificuldade em deglutir como consequência de um
tumor. A doença pode causar o consumo de proteínas e gorduras do organismo. Estas
modificações provocam uma perda significativa de peso numa pessoa moribunda.
Os familiares e os amigos podem não compreender que a perda de apetite na
proximidade da morte é quase universal e que os moribundos raramente estão famintos.
A nutrição obrigada ou forçada não aumenta o peso de uma pessoa em fase terminal e
pode causar-lhe uma perturbação ainda maior.
Os problemas da boca são devidos a úlceras provocadas por fármacos,
desidratação e escassa higiene. O tratamento consiste em tomar pequenos sorvos de
água ou outros líquidos, na limpeza dos dentes duas vezes por dia e em lavagens da
boca com uma solução anestésica.
A obstipação aparece pois a pessoa que se encontra numa fase terminal se encontra
inativa ou imóvel, desidratada, tem uma dieta pobre em fibras e consome fármacos que
provocam a obstipação. Geralmente, controla-se ao solucionar a causa subjacente –

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andar de forma regular, chupar lâminas de gelo e utilizar uma cadeira com urinol ao
lado da cama. O aumento de consumo de fibras deve ser evitado nos doentes terminais,
visto que o seu reduzido consumo de líquidos pode fazer com as fibras se tornem inúteis
ou até prejudiciais.
A diarreia é menos frequente que a obstipação. É causada por fármacos, cancro ou
por cirurgia do estômago e do intestino, dado que acelera o movimento dos alimentos
no trato digestivo e reduz a absorção.

 Inflamação do ânus
Algumas vezes, o ânus inflama-se devido à obstipação, à diarreia e às modificações
da pele e do revestimento do ânus, que podem apresentar-se com a perda de peso e ao
aumento da pressão sobre a pele durante longos períodos em que se encontra imóvel.
Cremes com corticosteroides podem aliviar esta irritação.

 Úlceras por pressão


As úlceras por pressão surgem devido à posição imóvel que a pessoa moribunda se
mantém durante longos períodos de tempo. Estas são mais fáceis de prevenir do que
tratar. A prevenção passa por mudar frequentemente de posição e proteger as zonas de
risco – calcanhares, tornozelos, ancas e região lombossacral. O tratamento implica a
redução da pressão, a frequente mobilização, a aplicação de medicamentos, a
eliminação dos tecidos mortos e a manutenção de uma nutrição correta.

 Prurido
O prurido afeta como consequência da incontinência, sudação, escassa higiene,
desidratação, secura da pele, dermatite e outras perturbações cutâneas, bem como
insuficiência hepática ou renal. A sua causa é desconhecida. O tratamento consiste na
correção da causa latente e a aplicação de cremes protetores e corticosteroides e a
administração de fármacos (anti-histamínicos).

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 Cansaço
O cansaço é comum e deve-se a fatores como a dor, perturbações do sono, anemia,
baixo nível de oxigénio no sangue, insuficiência de um órgão, fármacos, infeção e
depressão.
Normalmente é preferível deixar o doente descansar o tempo que este necessitar.
Outras vezes são aplicadas outros tratamentos (para tratar a causa subjacente).

 Ansiedade
A ansiedade é frequente nos pacientes com doenças crónicas em fase terminal.
Representa uma resposta normal a sintomas físicos ou à perspetiva de morrer. A dor e a
dificuldade respiratória são elementos desencadeantes, tal como o aparecimento de um
sintoma novo ou desconhecido. Costuma dever-se a conflitos familiares, ao
reconhecimento da própria mortalidade e limitações, medo, abandono, remorso ou
preocupações financeiras. Alguns fármacos também podem causar ansiedade.
Pode ser aliviada com apoio emocional e consolo por parte dos familiares e dos
profissionais de saúde, com atividades relaxantes ou através da oração, no caso dos
doentes crentes.

 Depressão
A depressão deve ser distinguida da tristeza. Embora a depressão seja comum no
fim da vida, esta nunca deve ser considerada normal. Na fase terminal, é tão grave como
em qualquer outro período da vida e pode privar a pessoa da energia e do interesse
necessários para comunicar com os familiares e amigos e inclusive mergulhá-la na
sensação que tudo carece de sentido.
Um sintoma primário da depressão é a insónia que costuma piorar a dor, as náuseas
e a fadiga. Na maioria dos casos, aliviar a dor e as náuseas reduz a depressão e permitir
à pessoa um maior controlo sobre as decisões terapêuticas e sobre o seu meio onde quer
viver. Por vezes é necessário a toma de antidepressivos.

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 Confusão
A confusão repentina (delírio) é frequente na fase terminal. Os fármacos utilizados
contribuem para o delírio. Em muitos doentes, no entanto, a confusão reflete alterações
do cérebro e do corpo que são uma parte natural de morrer.
O tratamento consiste em manter a pessoa segura, com alguém que o acompanhe o
maior tempo possível. Os fármacos que causam confusão devem ser reduzidos ou
suspensos tanto quanto possível. Tratar a febre e a desidratação, bem como criar um
ambiente calmo, com poucas alterações, pode ser uma ajuda.

 Manter o controlo sobre as decisões


As pessoas podem manter o controlo sobre as decisões para enfrentar o final da
vida, mesmo que a sua capacidade de se cuidarem e exprimirem seja reduzida.

 Instruções antecipadas
O testamento vital permite indicar os desejos pessoais sobre os cuidados médicos,
na eventualidade da pessoa não conseguir se exprimir.
Em muitos casos, quando não existem disposições escritas, vários membros da
família são responsáveis pela tomada de decisões. É preciso ter em atenção que os
desejos da família podem não ser os mesmos que os da pessoa em fase terminal. Para
evitar problemas, os familiares devem respeitar as preferências da pessoa relativamente
ao tratamento, em vez de imporem as suas.

 Paz e resolução

O prognóstico de morte faz com que a pessoa se interrogue sobre questões


essenciais como – O que fiz na vida? A minha vida teve sentido? O que acontecerá
depois da morte? – Algumas pessoas encontram a resposta a estas perguntas nas
tradições espirituais e nas crenças religiosas. Outras orientam-nas para a sua família ou

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o seu trabalho. Entretanto, outras não encontram alívio nestas considerações e


confrontam-se com uma crise espiritual, religiosa ou pessoal.
Paz e coragem no final da vida são importantes tanto para a pessoa moribunda como
para a família. Embora a tristeza pela morte de uma pessoa querida seja normal, esta é
sempre dolorosa. Comporta sensações de impotência, negação, raiva, incerteza e
nostalgia. Uma morte pacífica, caraterizada pelo carinho, pelo amor, pela possibilidade
de despedir-se e pela resolução dos conflitos e sentimentos não expressos, ajuda a
reduzir estas reações.
Um luto eficaz carateriza-se pela capacidade de o afetado superar a etapa em que a
perda e a tristeza dominam os pensamentos, até que chega o momento em que as
recordações dolorosas se afastam, dando lugar às memórias de alegria e carinho.

 Em termos de decisões médicas no fim de vida temos formas ativas de pôr fim e
formas de morte assistida.

Eutanásia

Formas ativas de pôr fim à vida Suicídio assistido

Homicídio

 Intervenção passiva: abstenção ou


suspensão do tratamento de
suporte de vida:

- A pedido do doente
Formas de morte assistida
- Sem pedido do doente/família

 Intervenção ativa: administração


do tratamento que encurta o
tempo de vida:

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- Controlo sintomático da dor com


efeito de encurtar o tempo de vida;

- Sedação paliativa

3. CUIDADOS EM FASE TERMINAL

3.1. A HIGIENE
 Objetivo do Banho

 Proporcionar higiene e conforto;

 Estimular a circulação, a respiração da pele e o exercício;

 Manter a integridade da pele;

 Fazer observação física da pessoa;

 Favorecer / estimular a independência da pessoa.

ATENÇÃO!
Algumas pessoas idosas, doentes ou com incapacidades podem, às vezes recusar tomar
banho.

 Pode ser que a pessoa tenha dificuldade para mover-se e tenha medo da água ou de
cair, pode ainda estar deprimida, sentir dores, tonturas ou mesmo sentir-se
envergonhada de ficar exposta à outra pessoa, especialmente se o cuidador for do sexo
oposto.

 É preciso que o cuidador tenha muita sensibilidade para lidar com essas questões.

Respeite os costumes da pessoa cuidada e lembre que confiança conquista-se com


carinho, tempo e respeito.

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Tipos do Banho

 Banho de chuveiro

 Banho de banheira (emersão)

 Banho na cama

Banho no chuveiro

O banho de chuveiro pode ser feito com a pessoa sentada numa cadeira de plástico
com apoio lateral colocada sobre tapete antiderrapante, ou em cadeiras próprias para
banhos, disponíveis no comércio.

Cuidados Básicos

 Verificar indicações e precauções específicas em relação ao movimento e


posicionamento;

 Verificar entubações e localização dos cateteres e sondas (soros, algálias);

 Avaliar a necessidade do banho.

 Ter sempre à mão:

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 Material para a higiene genital: gel de banho, gazes ou esponja, urinol ou


aparadeira

 Saco plástico para roupa suja;

 Roupa limpa para o idoso, e fralda, caso seja necessário;

 Material

 Roupa de cama

 Roupa da pessoa

 Toalhas de banho

 Esponjas de banho

 Bacia com água

 Material de higiene oral

 Sabão

 Escova de cabelo

 Luvas

 Desodorizante

 Creme hidratante

 Fralda descartável (se


necessário)

 Saco de sujos

 Saco para a roupa suja

 Tesoura

 Avental de plástico

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3.2. O CONFORTO E APOIO

A comunicação é um dos pilares em cuidados paliativos, funcionando como


estratégia terapêutica de intervenção no sofrimento e controlo de sintomas associados á
doença avançada e terminal.
Os objetivos de uma boa comunicação assentam no reduzir a incerteza, melhorar os
relacionamentos e indicar ao doente/família uma direção. De acordo com o autor a
mensagem primordial que um doente pretende ouvir num momento de incerteza é:
“independentemente do que venha a acontecer, nós nunca o abandonaremos.”
Comunicar em cuidados paliativos é pois importante e difícil, implicando a utilização e
desenvolvimento de perícias básicas, nomeadamente: ouvir, observar e tomar
consciência dos nossos próprios sentimentos.
Para uma comunicação eficaz o National Institute for Clinical Excellence (2004)
defende a existência de uma relação de proximidade entre uma boa comunicação e a
prestação de apoio emocional, a comunicação eficaz permite aos doentes uma tomada
de decisão devidamente informada e consciente, permitindo uma melhor qualidade de
vida e uma melhor experiência no que diz respeito à perceção dos cuidados recebidos.
Deste modo a comunicação eficaz é fundamental para uma melhor prestação de
cuidados paliativos.
A necessidade de melhorar a comunicação de cuidados paliativos dos
doentes/famílias e equipas prestadores de cuidados paliativos de acordo com National
Institute for Clinical Excellence (2004) os doentes/famílias valorizam a comunicação
face a face com os profissionais de saúde que são capazes de se envolver
emocionalmente com os doentes, de ouvir, de perceberem/entenderem o tipo de
informação que os doentes querem saber e de fornecer a mesma com clareza e simpatia.
No entanto, existem insatisfações por parte de todos os intervenientes que
reconhecem as suas dificuldades e limitações de competências, sendo que as principais
queixas de insatisfação apresentadas pelos doentes/famílias relativamente aos
profissionais de saúde são: desvalorização das opiniões do doente/família, informação

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pobre, insensibilidade na transmissão da mesma e dificuldade do profissional se


aperceber da perspetiva do doente/família. Alguns autores referem que a falta de
formação pelos profissionais é um dos motivos que levam os profissionais a falharem
neste pilar fundamental em cuidados paliativos.

3.3. ATUAÇÃO APÓS A MORTE

 Sinais de que a morte se aproxima

 A respiração altera-se (superficial, mais rápida ou mais lenta)

 O doente poderá ter momentos em que não respira

 O doente pode ter dificuldade em engolir

 A pulsação torna-se irregular

 O nível de consciência diminui

 A urina produzida é muito escura e em pequena quantidade e, por vezes,


nenhuma

 O corpo vai ficando progressivamente mais frio e arroxeado

Como tratar a pessoa nos últimos momentos de vida…


- Continuar a tocar-lhe e tranquiliza-lo
- Falar calmamente e com tranquilidade
- Proporcionar conforto mante-o seco, com os lábios hidratados
- Elevar a cabeceira da cama se a respiração for difícil ou levantar o tronco com
almofadas

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 O MOMENTO DA MORTE

Importante saber:

No momento da morte as funções corporais irão cessar, isto é, não haverá respiração
nem pulsação; os olhos ficam fixos numa direção (podem estar abertos ou fechados); a
boca pode ficar ligeiramente aberta e ainda pode haver controlo da bexiga ou dos
intestinos.

 CUIDAR DO CORPO POST MORTEM

Material necessário

- Compressas

- Esponja

- Bacia

- Ligaduras

- Água

- Sabão

- Toalhas

- Fralda

- 2 Lençóis brancos

- Adesivo

-Luvas

Procedimento

1. Realizar higiene ao corpo

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2. Colocar fralda descartável

3. Encerrar boca com ligadura

4. Colocar algodão ou compressas nos ouvidos e nariz

5. Fechar olhos com adesivo

6. Amarrar pés e mãos com ligadura

7. Colocar um lençol como em “envelope”

8. Identificar a pessoa

 As fases do luto e o acompanhamento e apoio à família

Quando morre um ente querido, é natural que o cuidador e as pessoas próximas do


doente passem por várias fases de luto, sendo que não é fundamental entender que cada
pessoal vivencia o luto de uma maneira diferente, não devendo ser criticada pela forma
como reage.
A perda de alguém significativo para a pessoa pode levar ao esgotamento, sendo um
momento complicado e duro de se viver, por vezes, a pessoa numa fase inicial fica em
estado de choque e sentimentos de culpa surgem, a maioria das vezes sem qualquer
razão.
Para o cuidador, a morte da pessoa cuidada é um momento de grande perda, pois, ao
contrário do que muitas vezes pensamos, o principal dependente é o cuidador em
relação à pessoa doente.
O tempo vivido naquela situação faz com que o cuidador tenha esquecido o que é
ser por si só, sem ser como pessoa que cuida de outro. Talvez seja um dos principais
fatores que levam a uma saudade tremenda por parte de quem cuidou.

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ASPESTOS AFETADOS PELO PROCESSO DE LUTO

- Aperto no peito e palpitações


- Perda de energia e fraqueza
- Falta de ar
- Nervosismo
Fisicamente -Crises de choro
- Perda de apetite ou tendência para comer
mais
- Maior consumo de álcool e drogas

- Falta de concentração
- Confusão
Mentalmente - Pensamentos constantes sobre a pessoa
falecida
- Pesadelos e sonhos de perda
- Raiva, frustração e choque
Emocionalmente - Negação, culpa, solidão e isolamento
- Saudade
- Culpar a vida e não entender o sentido

Espiritualmente da vida
- Querer morrer
- Culpar ou perder a crença espiritual
- Perda de interesse pelas atividades das
outras pessoas

Socialmente - Medo de estar só


- Precipitar-se em novas relações
- Não se sentir à vontade com amizades
anteriores

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