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ESQUEMAS RESPONSABILIDADE

CIVIL DELITUAL

&

CORRESPONDENTE OBRIGAÇÃO DE
INDEMNIZAR


Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Pressupostos da Responsabilidade Delitual (artigo 483º)

Conduta humana imputável


ao agente (488º), no Pode ser ação ou omissão (486º -
Facto 483º + 488º -—-—-—-
domínio da sua capacidade prevista em lei ou em negócio jurídico)
de entender e de querer.

Ilicitude da conduta ou do resultado? A doutrina


Violação de direito subjectivo Violação tradicional preconiza a ilicitude da conduta. No
de norma de proteção - (i) norma entanto, a regência entende que deve ser adotado
Colisão de direitos, consentimento
Inobservância do Direito, destinada a proteger interesses privados; um regime híbrido: (i) o agente quis violar a
Ilicitude 483º do lesado, estado de necessidade,
sem causa de justificação. (ii) adoção de conduta contrária à norma; norma?; (ii) se sim, a conduta é ilícita; se não, o
ação direta ou legítima defesa.
(iii) conduta violar os interesses protegidos agente agiu observando os deveres de cuidado?;
por essa norma. (iii) se sim, a conduta não é ilícita; se não, a
conduta ilícita.

Dolo (direto, indireto e eventual):


quando o agente teve intenção de violar o
487º - a prova da culpa cabe ao
Juízo de censura, pelo Direito.
lesado (n1) e é apreciado de acordo Erro desculpável, medo invencível
Culpa Direito, em relação à Negligência (consciência e -—-—-—-
com bitola do bom pai de família ou desculpabilidade.
conduta do agente. inconsciente): quando o agente não teve
(n2).
intenção de violar o Direito - de acordo
com o padrão do bom pai de família (487º).

O debate doutrinário em torno do dano morte: o


Dano patrimonial ou não patrimonial (566º dano morte é ressarcível, porque (i) a vida é um
Diminuição ou supressão 496º/1 - o ressarcimento dos danos e 496º) bem jurídico que merece tutela direito, pelo que
Dano de uma vantagem que é não patrimoniais é analisado Dano emergente ou lucro cessante (564º/ -—-—-—- gera um direito próprio do falecido; (ii) seria
tutelada pelo Direito. objetivamente 1)! contraditório admitir o ressarcimento de danos não
Dano presente ou dano futuro. patrimoniais de variada ordem e não admitir a
indemnização ao dano morte.

(i) Violação de direito subjectivo: (a) filtro negativo,


conditio sine quo non, averiguar se o facto foi
essencial para a verificação do dano; (b) se, em
termos de normalidade social, ou de acordo
Depende de se tratar de (i) violação de com os conhecimentos especiais do agente, o
Relação entre o facto e o
Nexo de causalidade -—-—-—- direito subjectivo ou de (ii) violação de -—-—-—- facto era apto a produzir aquele dano.
dano.
norma de proteção. (ii) Violação da norma de proteção (teoria do
escopo da norma): conditio sine quo non;
verificação de se os danos que resultaram do
facto correspondem à frustração dos interesses
que a norma tutelava.

O problema coloca-se Verifica-se uma situação de responsabilidade


Dois ou mais agentes
apenas quando se verifica passiva: o direito de regresso, a existir entre os
responsáveis -
que dois ou mais agentes 497º -—-—-—- -—-—-—- vários responsáveis, existe na medida das
obrigação de
são responsáveis por via respetivas culpas (497º/2). Na falta de informação,
indemnizar
delitual. presumem-se iguais as culpas.

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Pressupostos da Responsabilidade do Comitente (artigo 500º)

Atividade duradoura ou atos de caráter isolado, de natureza Existência ou não do nexo de subordinação: (i) doutrina tradicional: o comissário
jurídica ou material. está subordinado ao comitente; (ii) regência: não é necessário que haja
Existência de uma relação de comissão Análise dos pressupostos da comissão: (i) liberdade de escolha; subordinação.
(ii) incumbência de comissão; (iii) aceitação livre da comissão; (iv)
relação entre a comissão e a atuação do comissário. Regência: não é necessária a subordinação.

A atuação danosa deve ter sido praticado por aquela que


Ato danoso praticado pelo comissário -—-—-—-
preencha os pressupostos da comissão.

Duas interpretações possíveis: (i) interpretação restritiva: existência de um nexo


funcional entre os danos e a própria função da comissão (Prof. Antunes Varela); (ii)
interpretação extensiva: não tem de existir esse relação funcional, bastando que os
No exercício das funções cometidas ao comissário, mesmo que
No exercício de funções danos hajam sido causados no exercício da função e não por causa da função (Prof.
agindo contra ordens ou instruções do comitente.
Menezes Cordeiro).

Regência: interpretação extensiva.

Duas posições possíveis: o comissário ser responsável a título de responsabilidade


delitual, com ou sem presunção de culpa (Prof. Menezes Leitão) - Justificação:
parece o artigo 500º/3 implicitamente tem a ideia de que deve haver culpa do
comissário (por também e pelo direito de regresso). O comissário pode ser
Sobre o comissário recair a obrigação de
O comissário tem de ser responsável pelos atos praticados. responsável a qualquer título, o que significa que poderá ser responsável por via
indemnizar
delitual (483º), por via objetiva ou pelo sacrifício - é suficiente qualquer imputação
(Prof. Menezes Cordeiro).MC: seria desresponsabilizar inúmeros comissários.

Regência: qualquer responsabilidade.

Responsabilidade Civil Delitual + Responsabilidade Civil do Comitente


Nos termos do artigo 500º/3, a responsabilidade é solidária e verifica-se uma situação
de direito de regresso: regra geral, esse direito de regresso é imperfeito (apenas
funciona num sentido); no entanto, em última instância, poderá não ser imperfeito,
tendo em conta a sentença do tribunal e a distribuição das culpas.
Quando se verifique que dois ou mais agentes são responsáveis,
Dois ou mais agentes responsáveis e o podem ocorrer situações de responsabilidade solidária: perante
funcionamento da obrigação de indemnizar a responsabilidade solidária, surge o direito de regresso, a
propósito da responsabilidade de indemnizar.
Responsabilidade Civil do Comitente + Responsabilidade Civil do Comitente
Nos termos do artigo 507º/1 e 2, a responsabilidade é solidária e verifica-se uma
situação de direito de regresso: neste caso, funciona nos dois sentidos,
dependendo, sempre, em última instância, da sentença de repartição de culpa do
tribunal.

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Pressupostos da Responsabilidade por Acidentes de Viação (artigo 503º)

(1) Análise da
Análise dos pressupostos: (i)
responsabilidade civil
facto; (ii) ilicitude; (iii) culpa; (iv) A ser responsável: responsabilidade do comitente (500º).
delitual de quem está a
dano; (v) nexo de causalidade.
conduzir.

Se o não ilidir a presunção de culpa: o


comissário é responsável pela via delitual e o
Se sim: está no exercício Se sim: aplicação do artigo 503º/3 - é um caso de
comitente pela responsabilidade do
das suas funções? Com responsabilidade civil delitual, com culpa presumida. No
comitente (500º).
base na interpretação caso de em (1) se ter considerado que o agente não tinha
extensiva: não tem de haver culpa, deve admitir-se a possibilidade deste ilidir a presunção Se a presunção de culpa for ilidida:
um nexo funcional - basta de culpa. análise da responsabilidade do comitente por
que seja no exercício das via do artigo 503º/1.
suas funções e não por
causa das suas funções. Se não: deve aplicar-se a parte final do artigo 503º/3, que remete para o 503º/1 - ou seja, analisa-se o artigo
503º/1 para o comissário.

Direção efetiva do veículo: ter o poder de facto ou o controlo do veículo - a propriedade faz presumir a
direção efetiva, mas pode acontecer que o proprietário não tenha a direção efetiva. Analisar a
imputabilidade daquele que tem a direção efetiva (503º/2).

Utilização no seu próprio interesse: aquele que tem a direção efetiva conduz no seu próprio interesse - o
objetivo é excluir aqueles que sejam comissários.

O condutor é comissário? Danos provenientes de riscos próprios do veículo: engloba os riscos do veículo em movimento ou
Verificação dos pressupostos da imobilizado.
(2) Análise dos comissão: (i) liberdade de escolha
pressupostos do do comissário; (ii) incumbência de Artigo 570º (ex vi 505º): culpa do lesado.
artigo 503º uma comissão; (iii) liberdade de
aceitação do comissário; (iv) Responsabilidade do lesado:
relação entre a atuação do (i) culpa do condutor + não culpa do lesado
comissário e a comissão. Se não: deve analisar-se = não há exclusão;
quem tem a direção efetiva (ii) concorrência de culpas = 570º + 572º
do veículo (todos os veículos (prova).
Exclusão da responsabilidade (505º):
de circulação terrestre - (iii) culpa do lesado + risco próprio do veículo
(i) artigo 570º, culpa do lesado;
508º/3), nos termos do artigo = excluída a culpa (505º + 507º/2).
(ii) responsabilidade do lesado;
503º/1. (iii) responsabilidade do terceiro; Responsabilidade do terceiro: basta que
(iv) causa de força maior estranha ao funcionamento do seja causa do dano (não se exige culpa); em
veículo caso de concorrência (lesado e condutor) há
responsabilidade solidária (497º).

Acontecimento inevitável, com


consequências inevitáveis, e estranhas ao
funcionamento do veículo. Exemplo:
inundação; projecção do veículo por ciclone.

(i) transporte por virtude do contrato -


Beneficiários da responsabilidade (504º): nos termos do
abrange danos que atinjam a pessoa e
nº4, são nulas as cláusulas que excluem ou limitam a
coisas transportadas (504º/2);
responsabilidade em relação às pessoas transportadas -
(ii) transporte gratuito - apenas danos
podem atingir as coisas transportadas.
pessoais da pessoa (504º/3).

Direito das Obrigações II Mafalda Maló



 Obrigação de Indemnizar (562º e ss.)


 Deve o dano ser reparado de modo a reconstituir a situação que existiria se este não se tivesse verificado - a obrigação de
Princípio Geral (562º + 563º)

 indemnizar só existe em relação aos danos que o lesado provavelmente não teria sofrido se não fosse a lesado.

Preferência pela restituição natural ou em espécie.


Medida: diferença entre situação patrimonial do lesado, na data
566º/1: (i) quando seja excessivamente oneroso, (ii)
Restituição em Espécie ou em mais recente que puder ser atendida pelo tribunal (património atual)
impossível ou (iii) não repare integralmente os
Dinheiro (566º) e património que teria nessa data senão existissem danos
danos, a restituição faz em dinheiro.
(património atual hipotético).

Danos emergentes ou lucros cessantes: 564º/1/1ª parte e 564º/1/2ª parte

Danos presentes e danos futuros: 564º/2.

Danos e
Respetivas Indemnizações Danos causados a animais: 493º-A.

Danos não patrimoniais ou patrimoniais: 496º (+ 495º - dano morte) e 566º.

Indemnização por pessoa não imputável: artigo 489º.

Responsabilidade solidária de responsabilidade delitual: artigo 497º (direito de regresso).


Dois ou mais agentes
Responsáveis (apenas na Responsabilidade solidária de responsabilidade do comitente + responsabilidade delitual: 500º/3 (direito de regresso
responsabilidade civil aquiliana ou imperfeito).
objetiva) - na responsabilidade
obrigacional, só há solidariedade Responsabilidade em caso de colisão de veículos: 506º
passiva se a obrigação for solidária

Responsabilidade solidária de responsabilidade objetiva: artigo 507º (direito de regresso).

Limitação por mera negligência: artigo 494º.

Limitação da Indemnização Limites máximos em caso de circulação de veículos (503º): artigo 508º.

Possibilidade de culpa do lesado: artigo 570º

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Cumprimento das Obrigações (762º a 789º)

Tipos de contrato Qualificar o contrato: (i) compra e venda; (ii) prestação de serviços; (iii) empreitada; (iv) permuta; (v) doação; (…)

Cumprimento: realização da prestação (762º/1) - devendo as partes proceder de boa fé no cumprimento do contrato (762º/2). A
prestação deve ser realizada na íntegra (763º/1)

Artigo 767º/1: prestações fungíveis, tanto podem ser realizados pelo devedor como por terceiro. Pode não poder ser realizado
Legitimidade para cumprir
por terceiro se, tendo em conta as exceções do nº2, o devedor não o quiser (+ 768º/1 e 2).

Legitimidade para receber a


Artigo 769º: a prestação é feita ao credor. A ser feita a terceiro, aplicar o artigo 770º.
prestação

Entrega de coisa móvel: artigo 773º/1 - lugar onde a coisa se encontrava ao tempo da conclusão do
negócio. Exceto quando seja coisa genérica (nº2).

Obrigação pecuniária (774º): domicílio do credor, tendo em conta o artigo 775º, em caso de
Regra geral (772º/1): no mudança do domicílio deste.
domicílio do devedor -
Lugar da prestação
princípio do benefício da Impossibilidade no lugar acordado (775º): senão implicar extinção nem nulidade da obrigação,
parte mais fraca. então aplica-se o regime supletivo (772º a 774º).

Contrato de compra e venda - prestações sinalagmáticas e mesmo prazo: artigo 885º/1 -


pagamento do preço no lugar da entrega da coisa (senão estipulado - artigo 773º/1). Exceções: 885º/2
- domicílio do credor (774º - reforço).

Obrigação com prazo certo:


Benefício do prazo
o prazo determina o vencimento da obrigação (o momento do vencimento corresponde ao
(779º): presume-se que o
momento da constituição da exigibilidade forte da obrigação).
prazo é estabelecido a
Prazo para o cumprimento favor do devedor (pode Obrigações puras (777º/1):
antecipar - o credor não o credor pode exigir, a todo o tempo, a obrigação e o devedor pode cumprir, a todo o tempo, a
pode; de comum acordo, prestação. São exigíveis em sentido fraco. No momento em o credor exige o cumprimento, a
podem antecipar). obrigação torna-se exigível em sentido forte.

Direito à quitação (787º):


normalmente, corresponde ao recibo (documento) e pode ser exigido pelo devedor, nos termos
Regra geral: o devedor prescritos pelo preceito.
Prova do cumprimento tem de provar o
cumprimento. Direito à restituição do título de crédito (788º e 789º):
o devedor pode pedir a restituição do título de crédito, enquanto prova de cumprimento, nos termos
previstos na lei.

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Incumprimento da Obrigação em Sentido Amplo

Resolução do contrato (801º/2 + 432º e ss.):


(i) Restituição da sua contraprestação (em caso de ter sido já prestada).
Impossibil (ii) Direito a indemnização (interpretação extensiva da regência - indemnização por todos os danos causados):
idade (i) se se restringisse ao interesse contratual negativo seria um prémio pelo incumprimento; (ii) funciona como
É equiparada ao incumprimento proteção da propriedade privada; (iii) é um erro dogmático e interpretativo dizer que a resolução tem eficácia
imputável
definitivo - tem os mesmos efeitos retroativa (434º) - apenas elimina a prestação principal, mantendo os devedores acessórios (a obrigação
ao
para o credor (801º/1). como um complexo).
devedor
(801º) Responsabilidade obrigacional (798º e 799º): (i) facto; (ii) ilicitude presumida (faute - 799º); (iii) culpa
(presumida - 799º); (iv) danos (decorrentes da violação do contrato); (v) nexo de causalidade (presumido -
regência).

Causas: Mora do devedor (804º a 808º): analisar (i) requisitos e (ii) efeitos - quando o credor
violação de O credor pode recusa justificadamente a prestação.
deveres recusar a prestação:
acessórios ou interpretação Mora do credor (813º a 816º): analisar (i) requisitos e (ii) efeitos - quando o credor
realização extensiva do artigo recusa injustificadamente a prestação.
inexata da 763º/1, aplicando-o,
prestação assim, ao
(quantitativo cumprimento Incumprimento definitivo (808º): se existir perda de interesse, apreciada
ou defeituoso. objectivamente (808º/2). Efeito: responsabilidade civil obrigacional.
Contra o artigo qualitativo).
762º/1: não há um
Se desconhecia o vício: Mora do devedor (804º a 808º): analisar (i)
cumprimento
anulação do cumprimento do requisitos e (ii) efeitos - quando credor mantenha o
Cumprime integral - verifica-se
devedor por erro ou dolo do interesse na prestação.
nto um cumprimento
devedor (240º) - anulação com
defeituoso incapaz de
eficácia retroativa, desde o Incumprimento definitivo (808º): se existir perda
satisfazer, na Limitação vencimento da obrigação - e de interesse, apreciada objectivamente (808º/2).
íntegra, o interesse negativa: um
indemnização pelos danos.
do credor. mínimo de O credor pode aceitar
correspondên a prestação: ainda Pedido de indemnização pelos prejuízos (pode ser
cia com a que possa recusar. uma situação de venire factum propium -
prestação dependerá do caso concreto).
devida.
Se conhecia o vício:
Aceitação de dação em cumprimento (837º).

Perdão da dívida (remissão).

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Incumprimento da Obrigação em Sentido Amplo

Requisitos da Mora do Devedor


(i) possibilidade: a prestação tem de ser
Cessação da mora:
possível (804º/2).
(i) cumprimento da obrigação, pelo
Mora do devedor (ii) i n t e r e s s e d o c r e d o r : a p r e c i a d o Efeitos da Mora:
devedor ou por terceiro (762º + 767º).
(804º a 808º) objetivamente (808º/1 e 2). (a) manutenção da obrigação
(ii) decorrência do prazo admonitório:
(iii) e x i g i b i l i d a d e e m s e n t i d o f o r t e : (b) inversão do risco (807º/1): o devedor passa a
interpelação admonitória, com fixação de
(i) 805º/1: por interpelação interpelação do credor (805º/1 - i) ou ser responsável pelo risco - aplicação extensiva
prazo para o cumprimento e
do credor (obrigações automático (805º/2 - ii). do preceitos às obrigações de facere.
determinação das consequência da falta
puras) (iv) certeza: não há duvidas sobre a existência (c) responsabilidade de indemnizar (804º/1): o
de cumprimento, (incumprimento
(ii) 805º/2: automaticamente, de obrigação (divergências - posição da devedor é responsável pelos danos moratórios;
definitivo) - 808º/1.
nos casos das alíneas regência). em obrigações pecuniárias (806º), aplica-se a
(iii) perda de interesse do credor:
(obrigações de prazo (v) l i q u i d e z : p r e s t a ç ã o d e c o n t e ú d o taxa de juro legal (4%), exceto de houver
apreciada objetivamente (808º/1 e 2).
certo). determinado. convenção das partes e outras.
(iv) execução específica do contrato: 827º
(vi) retardamento imputável ao devedor
a 830º.
(799º): 804º/1, presumindo-se a culpa no
retardamento.

Efeitos da Mora:
Mora do credor (813º a Requisitos da Mora do Devedor
(a) manutenção da obrigação
816º) (i) possibilidade: a prestação tem de ser
(b) intensificação do risco (815º): o risco que,
possível (804º/2).
naturalmente, já corre por conta do credor (796º/
falta de cooperação, pelo (ii) i n t e r e s s e d o c r e d o r : a p r e c i a d o Cessação da mora
1), ficará intensificado.
credor, para o cumprimento objetivamente (808º/1 e 2). (i) colaboração do credor: o credor
Incumprimento (c) responsabilidade de indemnizar (814º):
pelo devedor: não é um (iii) e x i g i b i l i d a d e e m s e n t i d o f o r t e : colabora, permitindo ao devedor o
em sentido indemnização do devedor pelos custos em que
direito subjetivo, mas um interpelação do credor (805º/1 - i) ou cumprimento da obrigação.
estrito este haja incorrido com vista ao incumprimento;
dever do credor colaborar, automático (805º/2 - ii). (ii) consignação em deposito: ou solução
deixa de vencer juros a dívida (814º/2).
que resulta de: (iv) certeza: não há duvidas sobre a existência bilateralizada, assumindo a decorrência
(d) c o n s i g n a ç ã o e m d e p ó s i t o ( 8 4 1 º / 1 / b ) :
(i) boa fé na execução dos de obrigação (divergências - posição da do prazo, sem colaboração do credor.
possibilita-se, ao devedor, por via judicial,
contratos regência). (iii) decorrência do prazo admonitório:
provocar a extinção da obrigação nas obrigações
(ii) consequências da falta de (v) l i q u i d e z : p r e s t a ç ã o d e c o n t e ú d o aplicação analógica do artigo 808º/1,
de dare - interpretação extensiva: bilateralização
colaboração pelo credor - determinado. posição isolada da regência.
e adaptação às obrigações de facere, através do
impossibilita-se que o (vi) i m p u t á v e l ao credor,
estabelecimento, por via judicial, de um prazo.
devedor se exonere da independentemente de culpa: há um
(e) possibilidade de interpelação admonitória
obrigação. dever do credor colaborar.
pelo devedor: posição isolada da regência.

Como surge (808º/1)? Direitos do Credor


(i) perda de interesse do credor, apreciada (i) Responsabilidade Civil Obrigacional (798º e 799º): (i) facto; (ii) ilicitude presumida
objetivamente (808º/2): interpretação atualista da (faute - 799º); (iii) culpa (presumida - 799º); (iv) danos (decorrentes da violação do
Incumprimento Definitivo doutrina - padrão do homem médio colocado na contrato); (v) nexo de causalidade (presumido - regência).
(808º) posição daquele credor. (ii) Ação de incumprimento e execução (817º e ss.).
(ii) decorrência do prazo, depois de interpretação (iii) Resolução do contrato (801º/2 + 432º e ss.): (i) restituição da sua contraprestação
deixa de ser possível ao admonitória: depois de interpelado (em caso de ter sido já prestada); (ii) direito a indemnização (interpretação extensiva da
devedor realizar a sua admonitoriamente para o cumprimento (com regência - indemnização por todos os danos causados): (i) se se restringisse ao
prestação. e s p e c i fi c a ç ã o c l a r a d e c o n s e q u ê n c i a d e interesse contratual negativo seria um prémio pelo incumprimento; (ii) funciona como
incumprimento definitivo), a decorrência do prazo proteção da propriedade privada; (iii) é um erro dogmático e interpretativo dizer que a
estipulado coloca o devedor em incumprimento resolução tem eficácia retroativa (434º) - apenas elimina a prestação principal,
definitivo. mantendo os devedores acessórios (a obrigação como um complexo).

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Pressupostos da Responsabilidade Civil Obrigacional (artigo 798º e 799º)

Facto Violação de um contrato: existência uma relação contratual entre o causador do dano e o lesado.

Interpretação extensiva da regência


Pode consubstanciar-se em: (799º): a presunção de culpa é,
(i) violação da prestação principal necessariamente, uma presunção de
Ilicitude
(i) violação de prestações secundárias ilicitude, pelo que, uma vez que o artigo
(iii) violação de deveres acessórios de segurança, lealdade e informação. 799º presume a culpa, também presumirá a
ilicitude da conduta do agente.

Dolo (direto, indireto e eventual): quando o


agente teve intenção de violar o Direito. 799º: a culpa daquele que viola o contrato é
Juízo de censura, pelo Direito, em Negligência (consciência e inconsciente): presumida (presunção de faute), pelo que
Culpa
relação à conduta do agente. quando o agente não teve intenção de violar o cabe ao mesmo a provar que não teve
Direito - de acordo com o padrão do bom pai de culpa.
família (487º).

O ressarcimento de danos e a obrigação de


indemnizar processam-se nos mesmos
Dano Diminuição ou supressão de uma vantagem que é tutelada pelo Direito. moldes que a obrigação de indemnizar no
que respeita à responsabilidade civil
delitual.

(i) Filtro negativo, conditio sine quo non,


averiguar se o facto foi essencial para a
Interpretação extensiva da regência
verificação do dano;
(799º): a presunção de culpa e de ilicitude,
Nexo de causalidade Relação entre o facto e o dano. (ii) Se, em termos de normalidade social, ou de
é também uma presunção do nexo de
acordo com os conhecimentos especiais do
causalidade entre o facto e o dano.
agente, o facto era apto a produzir aquele
dano.

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Pressupostos da Responsabilidade Obrigacional (artigo 800º)

Existência de uma situação de violação do contrato:


o artigo 800º está pensado para os casos em que o lesado seja credor ou devedor da relação contratual - essa
Pressuposto essencial (800º/1)
violação poderá abarcar (i) violação da prestação principal; (ii) violação das prestações secundárias; (iii)
violação dos deveres acessórios.

Ficciona-se que os atos praticados pelo representante ou auxiliares são praticados pelos representante
Como aplicar? (referência a 800º como base dessa ficção). Em seguida, analisa-se os demais pressupostos da
responsabilidade obrigacional para o representante - em virtude da “ficção”.

Representantes legais: pais (124º), tutores (124º, 139º e 142º), por interpretação extensiva, também
Representantes Legais ou representantes orgânicos (163º).
Auxiliares Auxiliares: representantes voluntários, mandatários, subcontratantes ou executantes contratados para certas
tarefas (264º/2, 1165º, 1198º, 1213º, 2334º)

Limites à Responsabilidade por (i) Convencionalmente excluida a responsabilidade.


Atos de Representantes Legais (ii) Mediante acordo prévio das partes
e Auxiliares (800º/2) (iii) Exceto quando estejam em causa deveres de ordem pública (normas injuntivas).

Direito das Obrigações II Mafalda Maló


Impossibilidades (280º + 790º e ss.)

Impossibilidade
280º/1: a obrigação originariamente impossível é nula - não produz efeitos.
originária

Requisitos Efeitos

(i) superveniente: posterior à constituição da obrigação (se originária, é nula - 280º)


(ii) objetiva: diz respeito ao objecto da prestação. (a) extinção da obrigação - o devedor fica exonerado do cumprimento da obrigação.
Impossibilidade
(iii) absoluta: não é mera dificuldade de incumprimento. (b) contratos bilaterais (795º/1): o credor fica desonerado da contraprestação e, tem
objetiva (790º)
(iv) definitiva. direito, a exigir a restituição da prestação (se já a tiver cumprido).
(v) não imputável ao devedor

(i) superveniente: posterior à constituição da obrigação (se originária, é nula - 280º) (a) libertários: se for prestação não fungível (não passível de ser realizada por
(ii) relativa: diz respeito à pessoa do devedor. terceiro - 767º a contrario).
Impossibilidade
(iii) absoluta: não é mera dificuldade de incumprimento. (b) não liberatórios: se for prestação fungível (767º - passível de ser realizada por
subjetiva (791º)
(iv) definitiva. terceiro. Segue-se o regime da (i) mora ou do (ii) incumprimento definitivo,
(v) não imputável ao devedor. consoante se mantenha, ou não, o interesse do credor.

(i) superveniente: posterior à constituição da obrigação (se originária, é nula - 280º)


(ii) objetiva ou subjetiva: diz respeito ao objecto da prestação ou à pessoa do devedor. (a) não há mora: não se verifica a mora do devedor, pelo que também não se
Impossibilidade (iii) absoluta: não é mera dificuldade de incumprimento. produzem os efeitos da mora.
temporária (792º) (iv) temporária. (b) extinção da obrigação: se o devedor perder, objetivamente, o interesse na
(v) manutenção do interesse do credor (792º/2). prestação.
(vi) não imputável ao devedor

(i) superveniente: posterior à constituição da obrigação (se originária, é nula - 280º)


Impossibilidade (ii) objetiva ou subjetiva: diz respeito ao objecto da prestação ou à pessoa do devedor. (a) o credor não fica desonerado: da sua contraprestação (795º/2/1ª parte).
imputável ao credor (iii) absoluta: não é mera dificuldade de incumprimento. (b) benefícios que o devedor adquira: descontados na contraprestação (795º/2/2ª
(795º/2) (iv) definitiva. parte).
(v) imputável ao credor

(i) superveniente: posterior à constituição da obrigação (se originária, é nula - 280º) (a) o devedor não fica desonerado: exonera-se, antes, mediante a prestação do que
(ii) objetiva ou subjetiva: diz respeito ao objecto da prestação ou à pessoa do devedor. for possível (793º/1).
Impossibilidade (iii) absoluta: não é mera dificuldade de incumprimento. (b) redução proporcional da contraprestação: no caso de contratos bilaterais (793º/
parcial (793º) (iv) parcial: apenas em relação a uma parte da prestação. 1).
(v) definitiva. (c) resolução do contrato pelo credor (793º/2): o credor pode resolver o contrato
(vi) imputável ao credor (432º e ss.) - em caso de perda objetiva de interesse (808º/2).

Consequências
Commodum de representação (794º): permite ao credor adquirir o direito sobre certa coisa, direito esse que o devedor haja adquirido em função da impossibilidade (exemplo:
possíveis da
pagamento, ao devedor, pela perda da coisa, pela entidade seguradora).
impossibilidade

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Formas de Transmissão das Obrigações

Cessão de créditos Assunção de Dívidas Cessão da Posição Contratual


Sub-rogação (589º e ss.)
(577º e ss.) (artigos 595º e ss.) (artigos 424º e ss.)

Acordo entre o cedente


e o cessionário - não Cumprimento por terceiro (no Contrato de transmissão/cessão da
tem de haver Existência de uma dívida
âmbito da fungibilidade - 767º) posição contratual
consentimento do
cedido (devedor).

Fonte da transmissão
Acordo do credor (ratificação +
(ou contrato base, que (Vontade de sub-rogar) - não Transmissão da posição no seu
declaração de exoneração - 595º +
motivou a transmissão exigível na subornação legal (592º) todo: tanto o crédito como a dívida
do crédito). 596º)

Transmissibilidade: o
crédito tem de ser (Declaração da sub-rogação até ao
passível de poder ser cumprimento - 589º) - não exigível Idoneidade do contrato Fonte da tramissão
cedido na subornação legal (592º)
(577º/1/parte final)

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Impossibilidades (280º + 790º e ss.)

É livre - apenas depende de manifestação de vontades (mútuo consentimento - 406º/1, exceto se convenção em
Revogação
contrário) - , discricionária - não tem de ser alegado nenhum fundamento específico - e não retroativa.

Resolução É condicionada (apenas admitida quando fundada na lei ou em convenção, artigo 432º/1), tendencialmente vinculada
(necessária a invocação de fundamento) e é retroativa (extingue, ab initio, as relações contratuais - 434º, mas
Supressão da mantém os deveres acessórios). Quando se trate de contrato com eficácia real: 435º/2, a contrario.
fonte das
obrigações
Denuncia Específica dos contratos de execução continuada. É livre e unilateral, discricionária e não retroativa.

Esquema de cessação de situações jurídicas, em virtude da superveniência de um facto a que a lei atribua efeitos de
Caducidade
cessação. Assim, expirado o respetivo prazo, sem que se verifique o seu exercício, extingue a posição jurídica.

Dação pro solvendo ou dação em função do cumprimento


(840º): o momento da extinção corresponde ao momento em que o
interesse do credor é satisfeito.
Consiste na aceitação de prestação diferente Atenção: presunção legal - 840º/2 (em cessão de créditos e
Dação em
da devida e acordo entre as partes. assunção de dívida).
cumprimento
Exemplo: cheque bancário.
Dação pro solutum ou dação em cumprimento: a obrigação
extingue-se com o acordo

A consignação em depósito surge em


Requisitos:
obrigações que não podem ser realizadas
Outras formas de (i) prestação de entrega da coisa ou de quantia pecuniária (resulta
sem a cooperação do credor (841º) respeita a
extinção das Compensação da natureza das coisas).
um depósito da coisa à ordem do tribunal.
obrigações (ii) não poder, o devedor, realizar a prestação por causa relacionado
Tem natureza facultativa e consiste num
com o credor.
processo judicial.

Requisitos
(i) Existência de dois créditos recíprocos: o declaraste só pode
A compensação ocorre quando um devedor, utilizar créditos seus (851º/2) e só pode abranger dívidas do
que seja simultaneamente credor do seu declarante, com exceções (851º/1).
Consignação em próprio credor, se libere da dívida à custa do (ii) Exigibilidade forte: do crédito do autor da compensação (847º/
depósito seu crédito (847º). Poderá ser parcial. 1/a).
É retroativa: retroage à data de vencimento (iii) Fungibilidade e homegeneidade das prestações: 847º/1/b) e
das obrigações. 2.
(iv) Não excluído da compensação: por lei, artigo 853º/1.
(v) Declaração de vontade: não é necessário o acordo (848º/1).

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