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ESTÉTICAS DECOLONIAIS

(Desde uma perspectiva feminista)

21 de fevereiro de 2019
José Miguel Granada Silva
Vanessa Duarte Mesa

Nesta comunicação vamos expor de maneira sucinta, o conceito de estética decolonial


que se desenvolta nas obras da artista feminista (Ana Mendieta (Cuba)); apoiados na
produção intelectual de autores latino-americanos, e reconstrutores da episteme do sul.
O objetivo é refletir sobre as produções artísticas de mulheres, rebeldes ao contexto colonial,
onde as estéticas hegemônicas ocidentais predominam nos espaços de criação, produção e
exibição da arte.
Partiremos desde um analises feito por o professor Pedro Pablo Gómez e o doutor
Walter D. Mignolo, sobre os termos Arte, Estética, Colonialidade, e Descolonialidade no
marco de um encontro acadêmico em Quito, Equador e uma exposição realizada em
Bogotá, Colômbia em 2010, nominada ESTETICAS DECOLONIALES, misturando alguns
aportes do filósofo Frantz Fanon, e o poeta Aimée Cesaire; Posteriormente se fará as
leituras das obras das artistas em menção a partir dos comentários desenvoltos nos artigos
de Karina Bidaseca e Maria Lugones.

Palavras chaves: colonial, racismo, género, decolonial, estética, corpo, pegada,


fotografia, performance, videoarte.

Que sabemos sobre Colonização?


Consideramos que para refletir sobre as estéticas decoloniais é importante ter em
conta a pegada que deixou o projeto colonizador, de acordo com Gomez e Mignolo foi
como um padrão o uma matriz para o controle dos recursos econômicos, sociais e políticos a
través de relaciones de poder em processos violentos e marginadores aos países que depois
da guerra fria fossem denominados no alienados ou do terceiro mundo, com o fim de
impor os modelos ideológicos, filosóficos, religiosos, científicos desenvoltos desde ocidente.
O modelo epistemológico implementado, ou como sabemos o que sabemos sobre a ou
b, para o caso pontual sobre a Arte e a Estética, é o resultado do padrão da colonialidade, -a
dominação de um sobre outro-, por isso que se pode encontrar uma série de definições
legitimadas nas instituições, criadas pela mesma matriz dominadora, que são representadas
por pessoas que reproduzem os métodos de dominação das subjetividades e se excluem
propostas feitas por outras comunidades diferentes à cultura ocidental, conseguindo assim
o controle e a universalização dos conceitos e adquirindo poder de manipulação e
dominação sobre as massas e elites artísticas. Faz pouco sentido pensar que as pluralidades
humanas sejam redutíveis a simples termos universais que condensem a diversidade das
explorações sensoriais e artísticas, porém a Arte e Estética concebidas desde ocidente, tem
esta classe de pressupostos.

Para Fanon, a descolonização é uma forma de (des)aprendizagem: desaprender tudo o


imposto e assumido pela colonização e desumanização para reaprender a ser mulheres e
homens. Solo ocorre a descolonização quando todos -individual e coletivamente- participam
em seu derrubo. Por isso o intelectual revolucionário, al igual que o ativista e o maestro,
tem a responsabilidade de ativamente, ajudar e participar; no "acordar" da educação política,
"abrir as mentes, despertar as massas e permiti o nascimento da sua inteligência “inventando
almas” como tem dito Césaire1. E na categoria de ativistas se inscreve aos artistas
interessados em revelar essa realidade estabelecida e enraizada procurando a
autodeterminação e auto definição, consequente com uma postura emancipatória cultural. A
decolonialidade também está interessada em construir organizações sociais, locais planetárias,
não manejáveis e controláveis pela matriz colonial2.

A arte da re-exitência
Baseados nas referências usadas, temos feito uma caracterização das estéticas
decoloniais, em suas qualidades constitutivas:
Crítica à universalização dos conceitos de “Estética e Arte”, com o enunciado
anterior não se pretende fazer uma apologia a relativização dos conceitos da arte e da
estética, mas si se propõe a revisão e mudança da epistemologia que define os conceitos,
sendo bastante cautelosos com as subjetividades que ficaram por fora com todo o que
implica (sistema de valores, tradições, costumes, crenças, sabedorias).

1
Walshó, C.(2009, junio), Fanon y la pedagogía de- colonial. Nueva america, Edición (No.122), pp 60-64.
2
GÓMEZ MORENO, P, MIGNOLO, W. Estéticas decoloniales [recurso electrónico] Bogotá : Universidad
Distrital Francisco José de Caldas, 2012.
Propender por aquelas propostas artísticas que estão na margem da
institucionalidade, aqueles que foram desclassificados porque não se ajustavam as normas,
explorar o sentido de aqueles processos e produtos artísticos fora do “senso comum” imposto
pela ilustração e a modernidade ocidental.
Porém, como manifestação de rejeito pelo conceito cartesiano de universalidade
donde o sujeito epistêmico não tem sexualidade, gênero, raça, etnia, religião, língua nem
localização epistêmica, o mito da epistemologia da modernidade euro centrada de um sujeito
auto gerado desde uma geopolítica do pensamento (penso depois existo ou é donde você
pensa); se chega a uma aposta pôr a desobediência epistémica que muda de uma geopolítica a
uma corpo política do conhecimento.
Este questionamento permite pensar em términos de uma pluriversalização donde
Cesaire propor uma concepção de universos particulares, um universal donde possam
coexistir todas as particularidades do ser humano; já que existe uma forma de chegar aos
esses caminhos, mas tem que se deixar de andar pelos velhos caminhos que levarem ao crime,
à tirania, a crueldade.
Toda dominación cultural y estética, cualquiera que sea el contexto en que
opere, de hecho implica una negación de la diversidad o, al menos, de que
esa diversidad pueda generar propuestas tantos o más válidas que las del
sector dominante. O sea, la dominación consiste en negar al arte otros la
condición tal , o en el mejor de los casos, reconocerle algún valor, pero
declararlo inferior. Si quien domina es una potencia colonial, impondrá sus
cánones a la sociedad colonizada. Por el contrario, si tal actitud vine de los
sectores dominantes de las sociedades nacionales dependientes, lo común
es que estos generen una estética ilustrada diferente de la metropolitana,
sino que adopten esta última sin retoques, en la convicción, rara vez
sometida a crítica, de que la asume por que es la universal, la única posible.
(Colmenares, 2011, p. 393)

Neste sentido os artistas em procura da pluriversalização querem produz uma transformação,


ressignificação da experiencia artística, sem canonizar ao gosto com suas criações.
A desobediência artística, se produz conjuntamente com a mudança da epistemologia,
desobedecendo a estética, no um sentido mais amplio de simplesmente mexer com as regras
e jogos dessa estética, porque isso, seria reproduz o que se faz dentro das instituições
artísticas, procurar pela inovação e subversão das ideias desde nossos próprios valores. O que
se procura é justamente falar da “ferida colonial”, aquilo que se oculta, que se fantasiou, que
se mitificou, em nome de uma única verdade, desconhecendo as outras. A decoloniedade das
mentes, não precisa emendas, senão de denúncias, mudanças do discurso, ações concretas
efetivas.
Liberar a subjetividade. (Do sentir, do pensar e do ser). As estéticas de-coloniais,
lutam em um exercício comum pela autodeterminação, auto definição do ser, sem medidas,
sem comparação.
A construção do próprio- próprio, afirmar os valores próprios, sem desvaliar, ou
impedir que outros próprios surjam, o que se denomina de interculturalidade.
Re- existência, o uso do conceito estética foi construída em séculos passados a través
de filósofos e artistas que criaram regras, modos, normas sobre o gosto desta maneira, se
perdeu o significado primário do mesmo conceito por tanto, nas palavras de Adolfo Albán
Achinte: as estéticas decoloniais não serão uma nova forma de colonização da estética.
Partindo que a estética colonizo à aesthesis, entendido no vocábulo grego e o romano como
“Aesthesis- uma consciência elemental, não elaborada, de estimulação: “uma sensação táctil”,
por tanto o que se pretende é descolonizar para libertar a aesthesis. Voltar a etimologia da
palavra Estética, eisthesis, aeisthesis, como uma consciência elemental, não elaborada, de
estimulação.
O corpo como território político. Uns suportes mais usados nas estéticas de-coloniais,
vai ser o corpo, como território, não colonizado, faz parte de um processo de recuperação da
memória, no mesmo ao tempo sendo arquivo vivo. O corpo como transmissor de saberes,
crenças e costumes que tem como missão deixar a pegada no seu andar. A recuperação da
oralidade, como evidência que corresponderia as bases explicitas das hipóteses da concepção
da vida. Sujeitos como depósitos da tradição cultural. Procurar uma justiça simbólica desde
uma poética efêmera. O corpo como inspiração, matéria prima, suporte e obra.
Durante os anos 60 e 70, as destacadas ações "poéticas" usavam o corpo como um
meio de criação e criação em si, tornando o corpo o objeto constitutivo e quase único na obra
de arte; Um corpo que fala, um corpo que ensina, um corpo sem vergonha, um corpo real, um
corpo existente, um corpo com traços; O corpo expande seu significado, transforma-se
metáfora e matéria, texto e lona, matéria-prima e produto, significado e significante "(Alcázar
e Fuentes, 2005, p. 11)

O feminismo decolonial
As mulheres feministas do caribe latino-americano, encontraram seu modo de
expressão através da força revitalizante que emergiu da obra poética e literária de mulheres
como Audre Lorde, uma ativista de Nova York dedicada a empoderar pessoas discriminadas
nas categorias de sexo e raça resultado das ideologias coloniais que consideram só um grupo
limitado de indivíduos como humanos. Ela usou como apoio nas suas criações, o legado
emancipatório construído por outras mulheres negras de séculos atrás, que foram
abolicionistas da escravidão e ativistas na disputa contra a discriminação, e a segregação
social, e que a fim de reivindicar a sua identidade, recuperar a sua cultura e encontrar uma
maneira de entender o mundo. (Lorde, 1981), exortando a humanidade, especialmente as
mulheres a encontrarem a sua força vital no erotismo, concebida como "um recurso que reside
dentro de todos nós”. Encontrar essa fonte de energia a partir da qual a energia pode surgir
para a mudança e a resistência da opressão.
Según Audre reconhecer o poder do erótico nas vidas pode fornecer a energia
necessária para empreender mudanças genuínas em nosso mundo, em vez de ficar felizes só
com a mínima mudança dos rolês que desempenham as mulheres no mesmo cenário usual.
No século XX, as práticas artísticas geraram novas ações poéticas e multidisciplinares
que enriqueceram expressões de resistência à opressão, cujos temas principais foram
referências à violência, à política e à sexualidade; assim, reforçar o caráter intrínseco
revolucionário na obra de arte.
La performance, entendida como una acción individual o grupal,
constituye una práctica extendida en el ámbito latinoamericano y con
numerosas vertientes que incluyen aristas sociales y políticas,
problemáticas de género o conflictos raciales. Sus resonancias no se
limitan a una impronta repetitiva de la acción, sino que pretende,
dentro de esa misma repetición, ejercer rotaciones y variantes. De
acuerdo a Diana Taylor, la performance funciona como un acto vital
de transferencia por el cual se comunica un saber social, y una
memoria compartida, rasgos que la convierten en una práctica casi
epistémica en tanto construye una manera de comprender al contexto
circundante, también compone un dispositivo corporal que genera
conocimiento mediante tácticas de sentido o conductas actuadas, las
cuáles pueden ser reales o ficticias. (Lucero, 2014, p 657)

Ana Medieta.
Uma das representantes das estéticas decoloniais desde o feminismo é artista Ana
Medieta, cubana nascida em 1948, que em 1961 chega com sua irmã mais velha aos
Estados Unidos sem seus pais, como parte da operação Peter Pan, um programa da Igreja
Católica para "salvar" crianças do regime anticatólico de Castro, viveu com uma família
adotiva em Iowa e não viu seus pais até muitos anos depois, uma experiência que é mais
dolorosa e marca o início de seus trabalhos em uma condição de asilo e exílio através do
performance, body art, vídeos, fotografia, desenho, instalação e escultura.
Maria Elena Lucero em seu artigo, crônicas performativas como práticas de
resistência, oferece-nos um amplo panorama sobre o discurso revelador do performance no
videoarte da artista Ana Mendieta que, desafiando o olhar androcéntrico, representa a estética
decolonial do século XX, em suas obras concebidas como arte viva, traços corporais de uma
racialização imperial, que abrem o caminho para a conexão entre o espiritual e o físico
entendido como a terra, a natureza, mas também entre o espiritual e político, através do
erótico manifestado como Audre Lorde diz em seu ensaio o "usos do erótico: o erótico como
o poder" em expressões físicas, emocionantes e psicológicas dos mais profundos e poderosos
do nosso corpo interior.
Mendieta refletiu em suas obras uma rejeição da colonização do corpo como foi o
território geográfico da sua cuba nativa. -"As fêmeas não-brancas foram consideradas
animais no sentido profundo de ser" sem gênero ", sexualmente marcadas como fêmeas, mas
sem as características da feminilidade" (Lugons 2008, p 94)3-reivindicando a soberania sobre
um corpo perdido, alienado e Cosificado durante a colônia, como parte de uma
desapropriação progressiva da sexualidade e denunciando a repressão do corpo através deste.
Mendieta estabeleceu um sinal de alarme em relação à crueldade com o corpo
feminino, um flagelo que continuou no tempo. O estupro ou o femicídio são apresentados
hoje como formas contemporâneas de violência de gênero, ligadas a novas formas de guerra.
(Lucero, 2014) e isso se reflete na tentativa de controlar a sexualidade dela em áreas como a
reprodução e a capacidade de gestante que ganhou um grande número de atrasos sociais que
estão registrados hoje antes do judiciário, mas que não têm respostas oportunas, as ações
afirmativas por instituições públicas ainda são distorcidas por uma matriz histórica patriarcal
androcéntrica que é inserida nos esquemas mentais, reproduzindo naturalmente em ações
diárias. E justamente é sobre essas reproduções de ações diárias opressivas é que Ana
Mendieta constrói suas propostas artísticas, aproveitando a vida e a memória do corpo, como
uma obra que não é estática, mas evolui e transforma, deixando um registro do
funcionamento dos fenômenos opressivos, mas criando novas práticas de resistência e
emancipação.
A continuação se apresenta obras da artista:

(Pieza del Gallo)4 , 1972. Ela realizou o sacrifício de um galo, a sangue do galo foi
espirrada no seu
corpo nu. Esse
simulacro-ritual foi
3
Texto inserto en Bidaseca, K. (2014, septiembre- diciembre). Revista Estudos Feministas, Los peregrinajes de
los feminismos de color en el pensamiento de María Lugones, pp 953 – 964.
4
Ilustración recuperada de http://www.scielo.br/pdf/ref/v22n2/a17v22n2.pdf.
como um símbolo de a reversão do eixo masculino/feminino. O galo era a referência
masculina, foi agredida e dessangrado por uma mulher.

(Cuerpo en el vidrio)
1972. Performance em
que a artista pressiona
diferentes áreas do seu
corpo contra um cristal,
para apresenta-o
violentamente
deformado.
(Transplante de cabello fallido), 1972

Serie fotográfica, resultado do seu projeto de dissertação de mestrado do curso de pintura.


(Auto retrato con sangre). 1973. Serie fotográfica em primer plano. Denuncia à
violencia de género.

(Escena de violación), 1973. Amarrada dos pés e as mãos, praticamente nua, deitada em
uma mesa em seu estúdio e exibindo suas coxas, glúteos, com as pernas manchadas com
sangue e roupas no chão , teatralizava o estupro de uma mulher. A sala bagunçada, pratos
triturados no chão, papéis. Todo o conjunto apontou para a evidência de um fato arrepiante.
Em si mesma, era uma metáfora reflexiva para a violência baseada no gênero, enquadrada em
uma dimensão dramática.
(Siluetas en diferentes lugares geográficos)5 O artista deixou marcas que foram apagadas
pela força do clima, por meio de uma estratégia visual que aludiu aos resíduos, ao
transbordamento do contorno e da matéria orgânica. A câmera registrou suas performances

efêmeras, onde o corpo foi projetado na terra, promovendo novas leituras sobre práticas
artísticas, alterando as políticas dominantes sobre as identidades femininas e promovendo um
diálogo permanente entre cultura e natureza. Mendieta usou sangue neste trabalho. Mas ao
contrário de projetos anteriores onde se apresenta a crueldade, ela enfatizou nesta vez sobre
a dinâmica ritual que representa.

5
Recuperadas de https://culturacolectiva.com/arte/las-propuestas-controversiales-de-ana-mendieta/
(Flores en el cuerpo), 1973.O trabalho de Ana Mendieta
em que seu corpo aparece meio escondido entre pedras,
terra e vegetação, coberto de pequenas flores. Ela
constrói suas propostas artísticas, aproveitando a vida e a
memória do corpo, como uma obra que não é estática,
mas evolui e transforma, deixando um registro do
funcionamento dos fenômenos opressivos, mas criando
novas práticas de resistência e emancipação

(Serie árbol de la vida), 1977. Mendieta realiza uma de suas primeiras ações com limites
difusos entre Body Art e Land Art.
As obras de Mendietan fossem espaços de resistência aos domínios da opressão,
como uma mulher emigrante em uma busca constante de realocação, o encontro da conexão
ancestral com as raízes, a origem de sua existência, conseguindo o desdobramento de ser-ser,
e a triangulação Vida-arte-criação, uma ação contínua de transformação no meio da
experiência usando o poder do erótico referenciado por Andre Lorde, representando a
necessidade de subversão dessa identidade ideológica onde a mulher é frágil, sexualmente
contido, sem ração e sem papel público, esó relegadas ao serviço doméstico. (Clacso, 2018),
também apresenta o discurso do feminismo no corpo das mulheres, como trama social,
memória, legado e genealogia que confronta as políticas culturais que reforçaram nossa
alocação passiva, a degradação do voyeurismo, a objetualização/mercantilização/descarte de
nossos corpos. (A. Bidaseca, 2014). Seu trabalho convoca o espírito de revolução e revelação
a um ato poético, efêmero mas transcendental em busca de origem natural.

Outras referencias de feminismo decolonial


Crítica ao feminismo liberal branco.

Women Art Revolutions6. O documental que explora o lento, mas constante ascensão
da comunidade artística feminina, durante os anos 60 e 70 nos Estados Unidos. O documental
fala sobre a política dos gêneros do mundo da arte.
Guerrilheiras Girl. Nosso anonimato mantém o foco nos problemas e longe de
quem poderíamos ser: Acreditamos em um feminismo interseccional que combate a
discriminação e apóia os direitos humanos para todas as pessoas e todos os gêneros.
Zanele MUHOLI. ( Africa do sul 1972)
Shirin NESHAT. (Irão 1957)

6
1 de junho de 2011 (Estados Unidos) Direitor: Lynn Hershman Leeson Lynn Hershman Leeson, Alexandra
Chowaniec, Kyle ephan
Referências

ALCÁZAR, J; .(Ed) FUENTES, F Performance y arte-acción en América latina, México:


Ediciones Sin Nombre, (2005).

BIDASECA, K. Revista Estudos Feministas, Los peregrinajes de los feminismos de color en


el pensamiento de María Lugones, pp 953 – 964. (2014, septiembre- diciembre).

_____________.. Revista Estudos Feministas. Cartografías descoloniales de los feminismos


del sur, Dosier, pp 585 -591. (2014, septiembre- diciembre)

_____________. ClacsoTV Colonialidad, género y 'raza' en América Latina y el Caribe.


(2018, 20 de julio)
_____________. [Vídeo]. Disponible en:https://www.youtube.com/watch?
v=OQzwhNUrK8&feature=youtu.be.

CAMPOALEGRE, R. (Ed) BIDASECA, K(1ª Ed). Colección Antologías del Pensamiento


Social Latinoamericano y Caribeño, Serie Pensamientos Silenciados, Más allá del decenio de
los pueblos afrodescendientes Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO. pp 117- 134.
(2017).
COLMENARES, A, Teoría transcultural de las artes visuales. Venezuela: Producciones
Editoriales C.A.
(2011)

CLACSOTV , Colonialidad, género y 'raza' en América Latina y el Caribe. Karina Bidaseca.


[Vídeo]. Disponible en: https://www.youtube.com/watch?v=OQzwhNU-
rK8&feature=youtu.be. (2018, 20 de julio).

GÓMEZ MORENO, P, MIGNOLO, W. Estéticas decoloniales [recurso electrónico] Bogotá :


Universidad Distrital Francisco José de Caldas, 2012.

LORDE, A “Usos de lo erótico: lo erótico como poder” La hermana, la extranjera. Artículos


y conferencias, traducción de María Corniero, revisión de Alba V. Lasheras y Miren Elordui
Cadiz, Ed. Horas y horas, Madrid, 2003, pp. 37-46. (Texto original: “The Uses of the Erotic:
The erotic as Power”, en Audre Lorde, Sister Outsider: Essays and Speeches, 1984).
(1981/1984/2003). Recuperado de
https://sentipensaresfem.wordpress.com/2016/12/03/ueecpal/

MORAGA, C, CASTILLO, A (Ed.). Este puente, mi espalda. Voces de mujeres tercer


mundistas en los estados unidos. California, USA: Editorial “Ismo”. (1988).

LUCERO, M. E Revista Estudos Feministas, Crónicas performativas como prácticas de


resistencia, pp 657-665. (2014, enero- mayo).

WALSHÓ, C. Fanon y la pedagogía de- colonial. Nuevaamerica, Edición (No.122), pp 60-


64. .(2009, junio)

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