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DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL PARA

ORGANIZAÇÕES GOVERNAMENTAIS E
ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS
COM AJUDA DO TRABALHO DE CONSTELAÇÃO
SISTÊMICA

Fundamentos e idéias para um workshop de


introdução

Michael Blumenstein,
Graz, Áustria, 28 de dezembro de 2006

©2006/2007 BLUMENSTEIN ORGANISATIONSBERATUNG

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O pensamento sistêmico no contexto de “Organização”

O pensamento sistêmico se caracteriza por círculos de efeitos e não


apresenta correntes de causalidade. O pensamento e a ação causal
ainda são predominantes na ciência e em nossas formações
profissionais em muitas áreas. Assim, depois de identificar um
“problema” em uma Organização, tentamos encontrar as causas para
esse. Esperamos com isso poder também eliminar o problema. Mas isso
freqüentemente não funciona.
O raciocínio “caso – então“ em Organizações pressupõe que estamos
lidando com uma estrutura semelhante a uma máquina, a qual podemos
controlar a qualquer momento – ainda que primeiramente em
pensamentos – pois partimos do princípio que depois da ação A sempre
segue a ação B.
Aqui muitas vezes desconsideramos que essas estruturas que se
assemelham a máquinas consistem de elementos que não funcionam
como peças semelhantes a máquinas. Esses elementos são pessoas
autônomas e responsáveis, mesmo que às vezes não pareçam.
Portanto, estamos lidando com uma estrutura semelhante ao ser
humano, assim há somente uma determinada probabilidade que a ação
A é seguida pela ação B.

No pensamento e na ação sistêmica procedemos de forma diferente.


Primeiramente descrevemos a organização como um sistema social.
Depois, não falamos em “problema” mas em uma dinâmica de sistema, a
qual não fornece os resultados desejados, mas que gera uma
determinada utilidade para a organização, de outro modo a dinâmica não
existiria dessa forma.
Portanto, não procuramos causadores, fatores desencadeadores,
“culpados” e “vítimas” mas observamos toda a estrutura da “Organização
e seu ambiente” e tentamos desenvolver novas visões e dinâmicas de
sistema, as quais mantêm a utilidade existente e geram resultados
satisfatórios.

Definimos Organizações como sendo sistemas sociais, mas de acordo


com o sociólogo alemão Niklas Luhmann, elas consistem, diferentemente
dos esquemas de pensamento que costumamos seguir, não de pessoas,
mas somente de comunicação. O ser humano com o seu corpo e sua
psique faz parte do ambiente do sistema social. Também só falamos em

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sistemas, se a construção for autopoiética, ou seja, se ela possuir a
possibilidade de se reproduzir autonomamente e também o fizer.
Nessa concepção, comunicações são sistemas, especialmente sistemas
sociais. Organizações são sistemas sociais, pois são formadas de
comunicação.
Seus esforços estão voltados para a sua continuidade e seu
desenvolvimento.
O ser humano como ser “social“ constrói esses sistemas dessa forma
exatamente por esse motivo. A continuidade do sistema garante a sua
pertinência e o desenvolvimento deste aumenta a chance de poder
satisfazer algumas de suas necessidades nesse sistema (por exemplo a
pertinência segura, dinheiro, reconhecimento, ...).
Para as pessoas a pertinência a esses sistemas sociais, assim como a
consciência de que esses sistemas "funcionam" é normalmente mais
importante do que o fato de se sentirem bem neles.
Por isso, as pessoas gostam de escolher sistemas que se assemelham
aos sistemas que conhecem (família, escola, primeiras comunidades às
quais pertenceu, amizades, ...) e tentam, na medida do possível, criar e
adaptar os sistemas dessa forma.
É incrível que na maior parte dos casos isso é possível, sem que os
gerentes e organizadores possam evitá-lo.

Ordens em organizações

Organizações muitas vezes apresentam somente uma estrutura


hierárquica e unidimensional, ou seja, existe claramente um líder, que
delega uma parte de suas competências de decisão ao próximo plano
hierárquico etc., sem todavia dividir a responsabilidade total. Isso
corresponde à tradição da tribo e da família patriarcal.
Organizações mais modernas possuem hoje às vezes no segundo ou
terceiro plano hierárquico uma ordem bidimensional (por exemplo, em
organizações matriciais).
Como Organizações entendemos todos os sistemas sociais que foram
constituídos para uma determinada finalidade (governos, ministérios,
administrações públicas, organizações simpatizantes do governo,
partidos, associações, organizações sociais e de saúde, empresas de
economia, clubes, ...)

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Organizações governamentais e administrações públicas muitas vezes
são mais fortemente orientadas na hierarquia. Pretendem assim garantir
o funcionamento de sua própria ordem e evidenciá-la, uma vez que
essas Organizações oferecem e também vendem o produto "ordem" ao
cidadão = cliente.
Esses “produtos de ordem” são regras e alvarás (por exemplo, no
trânsito, no comércio, ..., desenvolvimento social, saúde, limpeza,
educação, ...).
Oferecem assim aos cidadãos e cidadãs uma função de ordem com o
objetivo de proporcionar orientações.
Por isso, não somente o produto "Ordem", mas a própria "Ordem" está
em foco como prova da capacidade específica em proporcionar "Ordem".

Por motivos históricos, a família patriarca é considerada um modelo


“bom” e adequado, sendo que a estrutura administrativa e o sistema
familiar patriarcal se apóiam mutuamente: na família a educação visa a
"Ordem" e no sistema administrativo é gerado um clima semelhante a
uma família patriarcal. Prepostos atuam como figuras semelhantes a um
“pai ou mãe”. Isso por sua vez incentiva o impulso para a manutenção de
ordens existentes para garantir a segurança da própria participação e do
funcionamento (mesmo que esse funcionamento seja ineficiente). Muitas
vezes a manutenção é mais dispendiosa do que o desenvolvimento.
Isso por sua vez aumenta a expectativa que os/ as clientes também
dêem preferência a essa "Ordem" para não colocarem em risco a
"Ordem". Desta maneira, aumenta-se o impulso de considerar clientes
como uma interferência, visto que esses trazem uma "desordem" à
Organização, esperando por sua vez a "Ordem" da organização.. Isso
ocasiona um dos dilemas básicos dessas organizações.
O surgimento de um/ uma cliente “desorganizada” gera um manuseio
“desorganizado” da “desordem” de acordo com um esquema já
conhecido. A Organização trata os clientes como crianças o que e ainda
é reforçado pelo comportamento “infantil” destes. O sistema tem
estabilidade em um nível pouco eficiente.

O caminho mais eficiente seria um manuseio “organizado” da


“desordem”. Mas como se faz isso?
Uma condição importante é a visão sistêmica, para poder visualizar as
dinâmicas sistêmicas descritas. É como enxergar usando-se óculos que
só permitem a passagem de luz ultravioleta, evidenciando os padrões
ocultos.

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As conseqüências são muitas vezes surpreendentes. O pensamento e a
ação sistêmica nessas organizações muitas vezes ocasiona:
• A criação de relacionamentos de adulto para adulto entre diretores e
seus colaboradores = relação de parceria
• A inclusão do conhecimento implícito de todos os colaboradores
• A dissolução de uma ordem muito rígida a favor de uma mais flexível,
para poder manusear as “desordens” de forma adequada
• A criação de relacionamentos de adulto para adulto entre a
organização e seus/suas clientes = relação de parceria
• A aceitação de ordens diferentes = flexibilidade
• A realização da idéia de capacitar (empoderar) os/ as clientes ao
invés de "fazer melhor"
• Um manuseio mais seguro do dilema “função de ordem e controle”
versus “função de consultoria e orientação” em relação aos cidadãos
e clientes
• ...

O método da constelação sistêmica

Como profissionais em atividade estamos sempre lidando com questões.


Questões podem ser perguntas, problemas, interferências, desafios ou a
combinação disso tudo no dia-a-dia.
Em torno dessa questão construímos em nossa consciência uma rede
individual de elementos como, por exemplo, as pessoas participantes,
projetos, organizações, visões, metas, dados, fatos e muito mais,
combinando estes com experiências que podem consistir de imagens,
emoções, cheiros, ruídos, e outros sentimentos ou de qualquer
combinações destes. Denominamos essas redes de “construções da
realidade”.
A construção da realidade é uma estrutura de pensamento e vivência na
qual tentamos encontrar respostas para as nossas perguntas e idéias de
soluções para a nossa questão.
Quando não conseguimos encontrar uma resposta supomos que
aparentemente há elementos faltando ou que os elementos não estão
definidos de forma inequívoca.
Isso tudo obviamente também se aplica a todas as questões que temos
em relação a organizações.

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Quando, portanto, tratamos de uma questão com o método da
constelação sistêmica, elaboramos todos os passos em conjunto com o/
a cliente ou com os/ as clientes.
Primeiramente desenvolvemos uma dúvida, com a maior exatidão
possível, a partir da questão.
Depois selecionamos – em relação a essa questão – alguns elementos
da respectiva estrutura de pensamento e vivência. Assim, geramos um
sistema de trabalho que é uma imagem reduzida da construção da
realidade e do qual acreditamos que possa nos ajudar a responder a
dúvida.
Depois a pessoa que trouxe a questão seleciona do grupo de
participantes os representantes para os elementos selecionados e lhes
dá um lugar no sistema. Ela faz uma constelação sistêmica.
Com o posicionamento no local e na interrelação mútua, os/ as
representantes são convidados a participar desse sistema de trabalho e
“vivenciam” o sistema dessa forma. Agora eles podem nos dar
informações sobre as diferenças em suas sensações e nos mostrar
elementos faltantes ou que foram definidos pouco claramente. Com o
acréscimo de elementos faltantes, o esclarecimento de elementos e com
a alteração das relações entre os elementos, podemos elaborar novas
opções de soluções. Os/ as clientes observam esse processo e podem
alterar suas construções da realidade no momento em que virem,
sentirem e pensarem em alternativas que fazem sentido. A partir disso
também podem ser concluídas possíveis opções de ação para a
questão.

A constelação sistêmica já é um instrumento eficaz e muitas vezes


aplicado para obter informações sobre a eficiência de sistemas sociais,
aqui especialmente de Organizações e suas relações de trabalho,
encontrando soluções boas e sustentáveis para as questões e os
problemas inerentes.

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Constelações sistêmicas podem oferecer soluções, entre outros para as
seguintes dúvidas
• Sobre a estrutura de comunicação, decisão e gestão da organização
• Sobre a qualidade da liderança na Organização
• Sobre a orientação da Organização (visão, metas, estratégias)
• Sobre a cooperação entre a organização e seus clientes,
fornecedores ou demais prestadores de serviços
• Sobre a cooperação entre as funções e relações de trabalho
• Sobre conflitos e sobre o balanceamento de diferentes interesses na
organização, entre as organizações e outros grupos
• Para esclarecer a posição das pessoas no sistema organizacional
• Para o desenvolvimento de competências e recursos dos
colaboradores/ das colaboradoras
• Sobre decisões importantes na Organização
• e muitos outros assuntos

Resumo
Organizações governamentais e administrações públicas são estruturas
organizacionais complexas, nas quais pessoas de diferentes
organizações parciais colaboram com diferentes objetivos para o bem
dos clientes e sistemas de clientes (cidadãos e grupos de população) e
cooperam com estes.
A constelação sistêmica pode apresentar novas opções de soluções para
questões com grande eficiência, rapidez, profundidade e
sustentabilidade.
A partir dos resultados da constelação sistêmica podem ser muitas vezes
desenvolvidas idéias para intervenções sistêmicas posteriores e novas e
surpreendentes possibilidades de criação das estruturas organizacionais.

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O workshop

Para esse workshop estão convidados os diretores e os colaboradores/


as colaboradoras que participam do desenvolvimento destas
organizações.
O objetivo do workshop é
 Conhecer o método da observação de organizações a partir da teoria
sistêmica
 Conhecer o método da constelação sistêmica
 Elaborar novas opções de ação para questões exemplares concretas
dos/ das participantes com o método
 Verificar e discutir, se e como esse método pode ser usado para as
organizações participantes
 Caso necessário elaborar o procedimento para outras medidas
introdutórias
 ...

O workshop é conduzido por Michael Blumenstein e deve durar


aproximadamente 2,5 dias.

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O consultor

MICHAEL BLUMENSTEIN,

Bacharel em economia - 53 anos - dois filhos - Graz, Áustria


• Gerente de departamento na área de organização e TI em uma
empresa de auto-peças
• Desde 1985 consultor organizacional autônomo
• Treinamento em análise transacional, consultoria sistêmica,
supervisão, coaching e trabalho de constelações para questões de
organizações e contextos de trabalho.
• Acompanhamento e realização de processos de desenvolvimento
organizacional na indústria automobilística, em outras empresas
industriais, empresas de prestação de serviços, organizações sociais
e outras organizações públicas
• Desenvolvimento e realização de coreografias específicas para
processos de orientação, estratégia e estruturais em empresas
familiares
• Desenvolvimento de um modelo para organização de projetos,
consultoria na elaboração e realização de amplos projetos (por
exemplo, projetos de desenvolvimento de automóveis, projetos de
reorganização, ...)
• Qualificação de diretores e consultores, entre outros, no método das
constelações sistêmicas para organizações de contextos de trabalho

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• Colaboração na profissionalização do trabalho de constelações no
grupo de trabalho internacional para constelações sistêmicas e
contextos de trabalho - infosyon e.V.

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