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Parte 1

SEM LENHA, O
FOGO SE APAGA
E xistem alguns assuntos que nós temos muita di-
ficuldade de falar, entre eles o sexo e a morte. O
primeiro, o sexo, está ligado ao início da vida; o segundo,
a morte, está ligado ao fim de nossa existência. Neste capí-
tulo, vamos falar sobre o primeiro.

Quando falamos em sexo, temos uma multidão de dúvi-


das e de informações. Hoje, tanto em livros quanto nas re-
vistas e na internet, existem milhares de conteúdos forne-
cendo toda sorte de informações. Algumas delas são sérias
e procuram ajudar os interessados com posicionamentos
científicos corretos, inclusive, temos muitas dessas infor-
mações em fontes seguras que trazem conceitos bíblicos.

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ANGELA SIRINO

Quando abordamos a questão da sexualidade humana,


nós, como cristãos, temos, em primeiro lugar, que recorrer à
Bíblia. Ela é a nossa regra de fé, nosso manual de vida abun-
dante e tem conselhos para tudo, inclusive para esse assun-
to. A Bíblia não é um “guia sexual” mas tem muito a nos
ensinar nesta área. O que me encanta é a riqueza dos textos,
carregados de muita sabedoria para lidarmos com uma área
tão complexa de nossas vidas.

Deus é o criador da sexualidade humana. Ao criar o ho-


mem e a mulher, os criou com todos os seus órgãos sexuais.
Em Gênesis 1:31 se afirma que Deus criou o ser humano
com um corpo inseparável de sua mente e de seu espírito,
e ao terminá-lo, declarou que era bom. A sexualidade não
veio com a Queda (pecado original), ao contrário, a sexu-
alidade estava nos planos originais de Deus. Quando diz:
“Deus criou todas as partes do corpo humano”, Ele não
criou “algumas boas e outras más”; Ele criou todas boas.

Essa é uma pedra fundamental para se compreender a


sexualidade humana. Todo o nosso corpo, com os nossos
órgãos sexuais, foi projetado por Deus. Essa visão é impor-
tante porque a partir dessa compreensão é que as pessoas
começarão a aceitar o sexo como um presente de Deus.
Muitos casais estão enfrentando problemas sérios na vida
sexual porque não aceitam estas verdades. Têm vergonha de
falar sobre o assunto, de renovar a vida sexual, de orar por
intimidade e até mesmo de olhar para as partes íntimas do
cônjuge e apreciá-las. Muitos acham que essas partes não

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SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

têm nada a ver com a criação divina. Deus criou homem e


mulher para se unirem como um casal heterossexual. Após
essa união chamada casamento, podem ter relacionamento
sexual, prazer “a dois”, gerar filhos, constituir uma família...
esse é o ciclo desde a criação, geração após geração.
Entretanto, com a queda humana no Éden, homem e
mulher começaram, como todos nós sabemos, a se distanciar
dos planos de Deus em todas as áreas da vida, “incluindo em
relação à sexualidade”. Conforme os relatos bíblicos, os peca-
dos sexuais começaram a aparecer nas relações humanas.

O sexo, segundo a visão cristã, não é somente para a


procriação, mas também para o prazer. Quando lemos
o livro de Cantares de Salomão observamos claramente
que, no contexto do casamento, homem e mulher devem
experimentar, no seu máximo, o prazer que o sexo e a
sensualidade podem proporcionar. Aqui vale frisar que
quando usamos o termo “sensualidade” não queremos
nos referir ao “sensualismo” apregoado pela mídia e que
tanto prejuízo tem trazido à sexualidade humana. Os ca-
sais cristãos precisam repensar e explorar a sensualidade
que um pode oferecer ao outro. Quando um casal cristão
explora a sensualidade para enriquecer a relação conju-
gal, colhem grandes benefícios.

Os casais cristãos precisam valorizar mais os toques físi-


cos, abusando dos abraços, beijos, atitudes afetuosas e ou-
sadas, palavras de admiração, massagens. Precisam renovar

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ANGELA SIRINO

o ambiente sexual, como, por exemplo: perfumar o quarto,


decorar o ambiente, colocar lençóis de seda com pétalas de
flores sobre eles, musica cristã romântica e ter criatividade
para renovar o relacionamento a dois.

Recordo-me de uma irmã, já senhorinha, que um dia


me confidenciou que, após uma das minhas ministrações
sobre sexualidade, resolveu renovar sua intimidade sexual.
Ela morava na zona rural e resolveu andar pelo campo, a
fim de pegar uma boa quantidade de flores. Tirou as pétalas
e as colocou sobre um lençol limpinho na cama. Depois,
chamou o marido e disse:
– Zé, venha aqui. Não se escandalize, preparei algo dife-
rente para você.

Quando ele entrou no quarto, a viu sobre a cama, deita-


da, totalmente despida e com as pétalas de flores espalhadas
também nas regiões mais desejadas pelo marido. Segundo
ela, o Zé ficou assustado e, ao mesmo tempo, maravilhado.
Ela concluiu dizendo:
– Que noite, pastora!

Continuou contando que, após ter ouvido aquela minis-


tração sobre sexualidade, sua mente se abriu e ela resolveu
aproveitar o tempo perdido. Pediu às filhas uma camisola
como presente de aniversário e na outra semana fez mais
uma surpresa, usando-a para o marido. Depois concluiu:
– Foi tão bom que naquela semana ele me deu sapatos
e me levou para um passeio no final de semana para uma
pousada, coisa que ele nunca tinha feito.

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SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

Porém, o mais engraçado veio depois, quando ela me re-


latou que, na semana seguinte, o marido disse:
– Maria, hoje eu vou te fazer uma surpresa, afinal de con-
tas, não posso ficar para trás.
Naquela noite, ele pediu que ela aguardasse um pouco
e entrou no quarto.
– Vem, Maria, veja o que preparei para você! – chamou-a.
Quando ela entrou no quarto, ele estava despido, com
uma bandeja estendida logo abaixo da cintura.
– O que foi, Zé? O que você preparou? – ela pergun-
tou, sem entender.
– Ocê num tá vendo, Maria? – disse ele. – O que eu te-
nho de mió pra oferecê pro cê tá logo abaixo da bandeja,
esticadinho.

Quase me deu crise de tanto rir, porém o mais lin-


do foi a cena seguinte. Depois de ter compartilhado tudo
isso, olhei para ela e seus olhos estavam lacrimejando.
Em meio a um sorriso, ela me disse:
– Obrigada, pastora, por me despertar a viver algo
tão bom, sem culpa, enquanto ainda há tempo para
desfrutar nosso relacionamento sexual com prazer, e
não por dever.

Semelhantemente a essa amada irmã, milhares de


casais se relacionam sexualmente com culpa, com pri-
vação, com monotonia, por não conhecerem os propó-
sitos de Deus nessa área. Ele deseja que ambos, marido
e esposa, experimentem todo o prazer que o sexo pode

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ANGELA SIRINO

oferecer e não precisem beber de outras cisternas (Pv.


5:15, 18-19), pois a “água” que Deus projetou para que
bebessem no contexto conjugal é suficiente para saciar
o apetite sexual de ambos.
“Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a esposa da sua ju-
ventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua
esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embria- guem os
carinhos dela”. Nota-se que Deus deseja que desfrutemos do
sexo para nos saciarmos, e que este seja um momento diver-
tido e prazeroso. O sexo é a música do matrimônio.

O sexo é tão importante para a manutenção do casa-


mento quanto a água para a preservação da vida. Eis a
razão porque o texto diz “bebe das águas da sua cisterna”.
Nenhuma outra causa tem levado tantos homens e mu-
lheres ao adultério como a insatisfação sexual crônica.
Em Provérbios 27:7 lemos: “A alma farta pisa o favo de
mel, mas para a alma faminta todo amargo é doce”. Veja
que a Bíblia é muito clara quando diz que uma “alma sa-
tisfeita ou farta” despreza o favo de mel, ou seja, quando
o marido e a esposa saem de casa com as necessidades da
alma, inclusive sexuais, satisfeitas, fica bem mais fácil re-
sistir a todas as possíveis tentações do maligno. Quando
o homem e a mulher são infelizes sexualmente no casa-
mento, os dois se tornam presas fáceis do Diabo.

Paulo, o apóstolo, quando escreveu sua carta resposta


para a igreja que estava em Corinto, tratou desse assun-
to com muita preocupação, dizendo: “Mas, por causa da

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prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada


uma tenha o seu próprio marido” (1 Co. 7:2). Ele também
deixou claro que não basta ter uma mulher ou ela um ho-
mem, é necessário que os dois sejam felizes sexualmente.
Por isso, ele insiste: “O marido pague à mulher a devida
benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido” (1
Co. 7:3). Benevolência quer dizer, em latim, “atitude de
expressar afeto e estima em relação a alguém, demonstrar
bondade ou boa vontade a outro revelando altruísmo e
empatia”. Essas características devem ser vivenciadas na
vida sexual de um casal.

A dúvida de muitos casais é: “Como praticar o ato sexual


de forma que alcancemos a plenitude do prazer, segundo
Deus planejou? Como satisfazer a alma?”. A realização se-
xual no contexto do casamento depende do conhecimento
de alguns pontos básicos sobre as diferenças afetivo-sexuais
entre homem e mulher. Vejamos algumas delas:

1. O homem é tendente ao amor estético, e a mulher é


tendente ao amor ético;
2. O homem é tendente ao amor quantitativo (instintivo,
passageiro), e a mulher é tendente ao amor qualitativo (afe-
tivo, que dura);
3. O homem é tendente a querer primeiro o corpo dela, e
depois a sua pessoa; a mulher é tendente a querer primeiro
a pessoa dele, depois o seu corpo;
4. O homem é estimulado sexualmente pela visão (ero-
tismo visual, Ct. 7:1-9), e a mulher é estimulada pelo que
ouve e pelo toque (erotismo sentimental e abrangente);

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5. Para o homem, o ato sexual é um prazer corporal, somáti-


co, físico e localizado, e para a mulher, o ato sexual é um prazer
emotivo, em todo o seu corpo, partindo dos órgãos da cópula;
6. O homem precisa de sexo para se manter vivo no ca-
samento, e a mulher precisa de carinho, companheirismo,
segurança, estabilidade e sexo;
7 - No homem, o sexo é descontínuo e centralizado, na
mulher, o sexo é contínuo e descentralizado. Essa com-
preensão, somada à maturidade, pode levar um casal a
ter sabedoria para desenvolver entre si uma vida sexual
plena e satisfatória.

Depois de uma pesquisa envolvendo mais de 8 mil pesso-


as e muitos pesquisadores, psicólogos, cientistas e médicos,
a revista Veja fez uma matéria cuja manchete era: “O Mi-
nistério da Saúde recomenda: FAÇA SEXO”. Por que será?
Descobriram que o sexo é bom para a saúde. Nessa matéria
citada, oferecia-se uma série de benefícios que o sexo traz
para o físico e para as emoções de uma pessoa. “Segundo
a ciência, o sexo entre o casal também melhora o relacio-
namento, pois todas as vezes que partilha a experiência do
sexo com seu cônjuge, o cérebro começa a associar a outra
pessoa ao sentimento de prazer. Pode fortalecer um rela-
cionamento simplesmente por aumentar o número de vezes
que se tem prazer com alguém”.

Outra coisa interessante é que o hormônio estrogênio,


liberado enquanto se faz sexo, contribue para proteger o co-

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ração, bem como ajuda a prevenir a doença de Alzheimer


e a osteoporose, enquanto a testosterona fortalece os ossos
e os músculos. Os cientistas também ligaram a atividade
sexual frequente ao aumento da capacidade intelectual. No
entanto, os benefícios foram perdidos ao impedir o coito. É
coisa de pesquisador, mas na hora do orgasmo, “a quantida-
de de oxigênio que impulsionamos para o cérebro é a mes-
ma que dispensamos ao caminhar 1,5 km ou ao subir dois
lances de escada, melhorando o bem-estar e aumentando a
capacidade intelectual”, confirma ele, lembrando que o sexo
pode até servir de terapia em casos específicos.

De fato, se nos aprofundarmos nessa área da ciência e


estudarmos sobre o assunto “sexo e sexualidade” percebere-
mos vários benefícios que o sexo pode trazer, ainda mais se
praticado sob os princípios dados pelo Criador.

Por isso, precisamos manter o sexo vivo e aceso em nossa


conjugalidade, precisamos colocar alguns gravetos necessários
para renovar a chama do amor e da intimidade sexual, afinal
de contas, “sem lenha, o fogo se apaga” (Pv. 26:20a). Veremos a
seguir algumas dicas que serão como “preciosos gravetos” para
reacender a chama da sexualidade entre você e seu cônjuge.

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Parte 2

DICAS
GRAVETOS PARA REACENDER DIARIAMENTE A
CHAMA DA SEXUALIDADE NA VIDA A DOIS

1 - Saia da rotina

A rotina revela vilões que muitas vezes colocam o en-


canto e o amor em perigo, acaba com o casamento, a vida
profissional e a espiritualidade. A rotina na vida sexual faz
o ato se tornar mecânico e gera a perda de desejo. O desgas-
te promovido pela rotina costuma ser apontado como uma
das principais razões para o desinteresse pela vida sexual.
Os casais vivem estressados e atormentados pela falta de

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ANGELA SIRINO

tempo, fazem malabarismo para criar os filhos, pagar con-


tas, aumentar o patrimônio da família e estar no topo do
ranking dos melhores no trabalho. O sexo, que era priorida-
de no início da vida afetiva, perde espaço para o cotidiano e
acaba trazendo o desinteresse a ambos.

Conta-se que um casal que era vítima da rotina propor-


cionada por 20 anos de vida em comum já estava fazendo
aniversário de abstinência sexual. Todas as noites, o marido
se sentava na cama com um livro apoiado nos joelhos e fica-
va horas e horas lendo. Até que um dia a esposa não aguen-
tou mais. Então, ela comprou uma lingerie extremamente
sensual, produziu-se toda, perfumou-se, deitou-se ao lado
dele e com voz sensual sussurrou:
– Meu bem, hoje estou tão molhadinha... vem, ben-
zinho, vem.
Imediatamente, o marido esticou o braço em direção à
portinha da esposa e acariciou-a durante alguns segundos
para logo em seguida voltar à leitura.
– Ué, por que você parou? – reclamou a mulher, indignada.
– Parou o quê? – perguntou o marido.
– Ué? Parou de me acariciar – disse assustada.
– Eu estava te acariciando? Nossa, achei que era para mo-
lhar a página – e continuou lendo o livro.

A moral dessa metáfora é que muito tempo de rotina não


se consegue mudar em apenas uma atitude. Persista, ainda
que você tente uma vez e não dê certo.

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Algumas dicas para sair da rotina:

1a. O casal deve descobrir novas maneiras de provocar


e de serem provocados.

Podemos provocar um ao outro com o cheiro usando


uma fragrância nova, uma atitude, saindo da zona de con-
forto. Usar uma lingerie nova ou quem sabe colocar a ca-
misa do marido apenas com uma leve abotoadura; mande
bilhetes, tomem banho juntos...

Recordo-me de algo interessante. Um dia, após ministrar


às mulheres sobre sexualidade, disse assim:
– Pegue seu celular e envie uma mensagem para seu esposo.
Elas euforicamente o fizeram.

Ao saírem, várias delas passaram por mim e me mos-


traram as mensagens. Foi muito cômico ler as frases, veja o
que saiu:
• Tô chegando, coisa saborosa (seguida de desenhos de
bananinhas do aplicativo do celular);
• Levanta a bandeira que estou chegando;
• Tô chegando, meu rivotril (remédio que faz dormir);
• Tô indo galopar no lençol com você;
• Mor, tome banho quentinho e gostosinho e me espe-
re sem nada debaixo do lençol;
• Não vejo a hora de te sentir dentro de mim;
• Você é privilegiado, tem uma máquina 5.0, original e
é o único dono. Já já ela está encostando aí.

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ANGELA SIRINO

Gente! Saiu cada coisa! No outro dia, pela manhã, foi o


momento de fazer o feedback com elas sobre a reação dos
maridos e, segundo elas, ao chegarem em casa, o marido
estava todo empolgado e ansioso. Alguns maridos ainda ti-
nham feito algo a mais para tornar o momento da chegada
da esposa emocionante para ambos. Depois de muito ouvir
o depoimento delas, percebi que a maioria estava inspirada
em continuar fazendo algumas coisas para tirar o relaciona-
mento sexual da rotina.

Além de enviar mensagens seme- lhantes a essas, po-


demos variar de outras formas, também usando outras
frases para expressar o seu amor. Inspire-se com manei-
ras diferentes de dizer “eu te amo” e sair da rotina. Lem-
bre-se que a rotina rouba a glória do ato sexual. Tudo o
que é feito do mesmo jeito todos os dias perde a graça.
Portanto, renove.

1b. Varie as posições.

Não dá para ter uma vida sexual sensacional apenas pra-


ticando o modelo “papai e mamãe”, em que o homem fica
por cima e a mulher sempre por baixo. Sim, o casal pode e
deve quebrar a rotina e monotonia da vida a dois com criati-
vidade e improviso “desde que o facão sempre seja guardado
dentro da bainha”. Lembrando que o nome “bainha” (em
latim, significa vagina) tem essa função mesmo, guardar
o facão!

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1c. Cuide do ambiente.

O local do ato tem alguma influência sobre o desejo se-


xual. Em Cantares, encontramos um ambiente favorecedor
da relação sexual; ela adornava o leito (Ct. 1:16b). De vez
em quando, mande os filhos para passear na casa da avó e
mude o ambiente. O casal de Cantares era capaz de se rela-
cionar fora de seu leito conjugal (Ct. 2:4 – levou-me à sala
do banquete).

Essa mulher sulamita inovava até em mudar o ambiente.


Veja, ela chamava o marido para passear nos campos e lá
ela lhe daria seu amor (Ct. 7:11-12). Umas férias caem bem,
um final de semana a sós em uma “pousada”. Cuide e mude
o ambiente vez por outra.

Lembrando que liberdade não é sinônimo de libertina-


gem, “não podemos fazer nada daquilo que fere os princí-
pios da Palavra de Deus”, podemos fazer aquilo que for bom
para os dois, e não para um só, que não agride a consciência
de um dos cônjuges e que não obriga o outro a fazer algo
que produza culpa.

2. Invista nas preliminares:

Pesquisas indicam que os brasileiros fazem poucas pre-


liminares, e isso pode ocasionar insatisfação sexual, afasta-
mento íntimo do casal, alterações do desejo e no próprio
orgasmo. Essas situações podem ocorrer principalmente

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ANGELA SIRINO

nas mulheres, que necessitam de maior envolvimento emo-


cional para sentirem o tão desejado prazer.

Quando se capricha nas preliminares, também se inten-


sifica a proporção do prazer. Nas preliminares, aproveite
para reconhecer o corpo do seu parceiro e aumentar a exci-
tação. Para isso, usa-se a boca, as mãos, os seios, o toque su-
ave na pele. Não tenha pressa, deixe que esse momento seja
bem gostoso e prazeroso. Aproveitem para darem muitos
beijos na boca. O casal de Cantares caprichava nos beijos,
veja: “Beija-me com os beijos da tua boca” (Cantares 1:2a).
Beijem no pescoço, na orelha e nos mamilos. Use suas mãos
para acariciar todo o corpo. Mostre que você deseja con-
sumar a sexualidade com alegria e prazer. Homens, não se
esqueçam que as mulheres são sensíveis, inclusive ao toque.
Nada de tocá-las com brutalidade!

Isso me faz lembrar de algo que li. Dizia que duas amigas
que não eram cristãs, mas eram feministas e ultramodernas,
dessas bem fáceis, que saem logo no primeiro encontro com
o rapaz, estavam ao telefone e uma perguntou:
– Oi, me conta como foi o encontro de ontem à noite?
– Horrível, não sei o que aconteceu...
– Mas, por quê? Não te deu nem um beijo?
– Sim... beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que
meu dente postiço da frente caiu e as lentes de contato ver-
des saltaram dos meus olhos…

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– Não me diga que terminou por aí?


– Não, claro. Depois, pegou meu rosto entre suas mãos,
até que tive que pedir que não o fizesse mais, porque estava
achatando o meu botox. Ele me mordia os lábios como se
fossem de plástico. Ia explodir o meu implante de colágeno
e quase saiu o mega hair!
– E não tentou mais nada?
– Sim, começou a acariciar minhas pernas e eu o detive,
porque lembrei que não tive tempo para me depilar. Além
do mais, ele me arrebatou com tanta força que quase ficou
com minhas próteses do bumbum nas suas mãos e estourou
meu silicone do peito. Aí eu gritei e logo avisei do perigo.
– E depois, o que aconteceu? Nossa, o que ele fez?
– Menina, foi ele olhar para mim e você acredita que ele
broxou e foi embora? Acho que ele é bicha, só pode!

Claro que o relato acima é uma forma cômica de querer


chamar a atenção do leitor para dizer que há homens que têm
a mão pesada e usam a força nas preliminares. Há esposas que
dizem que o marido não tem uma mão, tem uma motosserra.

As preliminares beneficiam tanto o homem quanto a mu-


lher. No caso do homem, ela baixa a ansiedade, permite que
ele “dê um tempo” e se controle melhor, percebendo mais
facilmente suas sensações e evitando a ejaculação precoce.
Já para a mulher, a preliminar permite que ela tenha tempo
de se entregar, de se excitar e ficar pronta para o ato. A du-
ração das preliminares varia de acordo com o casal, mas é a
mulher quem será o termômetro para definir quando é hora

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ANGELA SIRINO

de parar de brincar e partir para os “finalmentes”. Na grande


maioria das vezes, a mulher demora mais para se excitar. Ele
precisa perceber se ela está envolvida.

Se engana quem pensa que as preliminares começam na


cama. A própria atitude do casal durante o dia pode contri-
buir para esquentar o clima entre os dois aos poucos. Por
exemplo, escreva com batom no espelho do banheiro uma
frase como ‘eu te amo, e estou com vontade que chegue a
noite rápido’, ou quem sabe colocar um bilhetinho insinuan-
te no bolso dele ou dentro da bolsa dela. Experimente tam-
bém mandar um torpedo com dupla interpretação, que es-
timule a imaginação do cônjuge. São atitudes simples, mas
que despertam um ao outro.

3 - Nunca seja egoísta, pense na realização do cônjuge.

Sexo vai além do prazer. Sexo é entrega, descobrimento


e doação. Sexo que só busca o prazer próprio é egoísta, ani-
mal, não nasce do amor. O prazer é apenas um dos benefí-
cios. Sexo revitaliza o corpo, alivia o estresse, ativa a mente
e é um dos meios mais eficazes na prevenção de enfermida-
des. O ato sexual provoca uma reação em cadeia que ativa
todo o organismo. A excitação provoca reações vasculares,
neurológicas, musculares e hormonais. Chegou a hora de
justificar e incentivar a prática como “medicina preven-
tiva”. Se preocupe em apenas “ter prazer e em dar prazer”.
Precisamos ter um relacionamento sexual não apenas ba-
seado em consumo, mas sim em parceria. Não queira ape-

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nas se realizar, mas realize seu cônjuge. Quanto mais prazer


proporcionarmos ao nosso cônjuge, mais receberemos.

Sentir prazer é basicamente uma necessidade psicoló-


gica profunda. Através do estado de alegria que o prazer
proporciona, é gerada em nós uma experiência de valor à
vida, no sentido de que ela vale a pena, de que é impor-
tante lutar para mantê-la. Prazer remete a uma recom-
pensa emocional por um ato bem-sucedido e um incen-
tivo para continuar agindo.

1Co. 7:3-4 diz que o corpo dos cônjuges pertence um ao ou-


tro e que não podem se privar. Essa colocação remete a uma
parceria conjugal sexual visando a proteção e o prazer de ambos.

4 - Coloque humor no seu relacionamento sexual.

Há muitos casamentos em que não está faltando o amor,


está faltando “humor”. Já percebeu o quanto as pessoas mais
bem-humoradas tem facilidade em se relacionar? Segundo
especialistas, o senso de humor entre o casal é uma das coi-
sas que mais os ajuda a se manterem juntos por muitos anos.
E por que não colocar humor na sexualidade? Se esse in-
grediente estiver presente na intimidade a dois, o momento
certamente será ainda mais agradável.
Já ouvi cada coisa! Lembro-me de uma determinada
irmã que, após uma palestra falando para colocar uma pita-
da de humor na sexualidade, me disse que faria aquela noite
ser cheia de prazer e alegria entre ela e o esposo. Ela disse

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que pegaria um lençol, faria um buraco ao meio e se vestiria


somente com ele. Quando o marido entrasse no quarto, ela
levantaria o lençol sem nada por baixo dele e diria: Ohhhh!
Fantasma! (Rsrsrsr).

Outra vez, eu estava em um encontro de casais; minis-


trei na sexta-feira à noite e falaria no sábado pela manhã.
Recordo-me que eu e meu esposo chegamos no quarto e
ficamos encantados com tantos detalhes. Havia fronhas
nos travesseiros com dizeres para o casal, suco de uva
com taças colocadas à mesa, morangos, leite condensa-
do, bombons, amendoins, chinelinho personalizado…
enfim, cada coisa linda.

Comemos normalmente as guloseimas e fomos dormir.


No outro dia, no café da manhã, uma “senhorinha” chegou
perto de mim e disse:
– Amadinha, que palavra maravilhosa aquela de ontem à
noite sobre sexualidade. Amei! Quando chegamos ao quar-
to, eu e o João, meu marido, aproveitamos para colocar tudo
em prática.

Depois, ela me olhou com um sorrisinho sarcástico e disse:


– E você, pastora? Também aproveitou a noite, não é? O
que a senhora fez com o morango?
Aí eu olhei para ela e disse:
– Com o morango? Uh... Comi!
– Comeu? Sei, viu!? Conta, pastora?
– Ora, comi! – disse a ela novamente, que insistentemen-

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te queria que eu contasse detalhes sobre como havia comido


o morango.
– Mas comeu de que jeito? Ou deu para o seu bem? Con-
ta, vai!
– Ué, normal.
Então ela fez um escândalo, chamou as mulheres que es-
tavam próximas e disse:
– A pastora não quer contar de jeito nenhum como ela
deu o morango para o marido dela comer!
Eu fui ficando tão sem graça, porque eu “realmente havia
passado leite condensado no morango e comi com meu ma-
rido normalmente. Para sair daquela situação, eu disse a ela:
– Tá bom! Então me conta primeiro como você deu o
morango para o seu bem!
– Peguei morango, me deitei “daquele jeito” na cama
(sem nadinha, cocichou), aí coloquei “naquele lugar” e disse
para meu João: “Minha vida, vem pegar! Tudo aqui é seu!”–
respondeu ela sem hesitar.
Pensa, gente, como eu fiquei? Assustada com tamanha
ousadia e tanto senso de humor daquela senhorinha. De-
pois, ela disse:
– Agora conta você!
– Comi o morango normalzinho mesmo! – eu disse.
Ela olhou para mim com uma cara de decepção e disse:
– Nossa! Que falta de criatividade! (rsrsrsrsr).
Pense nisso, procure maneiras de fazer da sexualidade
algo agradável, cheio de prazer e também de humor.

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ANGELA SIRINO

5 - O asseio é uma necessidade de todos.

Toda mulher geralmente gosta de se arrumar. Contu-


do, precisamos cuidar não apenas do que é externo e todo
mundo vê, como roupas e maquiagem. É preciso tratar a
região íntima como uma área que também merece dedicação
para que esteja sempre saudável, cheirosa e, consequentemen-
te, bonita e atraente. Por isso, é necessário se depilar da forma
que o esposo prefere, usar sabonetes íntimos, esfoliantes e óleos
perfumados e saborosos para intimidade, há vários deles. Essa
higiene se estende a todo o corpo.

A higiene pessoal também deve se estender aos homens.


Apesar de eles costumarem ser mais práticos que as mulheres
em diferentes aspectos, também devem procurar se depilar, ou
pelo menos podar o excesso de pelos. Também devem usar sa-
bonetes líquidos, escovar bem os dentes, etc.

6 - Coloque romantismo.

Vivemos em um mundo marcado pela frieza, pela dis-


tância, pela falta de carinho e de afeto nas relações inter-
pessoais, o que talvez explique por que o romantismo é algo
raro hoje, visto, na maioria das vezes, apenas nas telas da
televisão e do cinema e nas páginas dos livros de romance.
O romantismo é o que traz brilho, o que traz beleza ao ca-
samento e ao relacionamento sexual, é o que nutre o amor e
aquece o desejo de um pelo outro.

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No entanto, ao contrário do romantismo, muitos casais


têm convivido com o sarcasmo e com a crítica no dia a dia e
na sexualidade. Isso não é de maneira alguma positivo, pois
esfria o relacionamento conjugal e sexual e traz distancia-
mento e desânimo à relação. Conta-se que um marido deitou
delicadamente na cama e sussurrou ao ouvido da mulher:
– Amor, estou sem cueca.
– Amanhã eu lavo uma – a mulher logo respondeu.

O romantismo no dia a dia, expresso em coisas e horas


corriqueiras, é um excelente estimulante sexual para o casal,
principalmente para as mulheres. Expresse romantismo em
palavras, gestos e presentes. Seja criativo. Um marido disse
à esposa: “Não sei por que estudei na vida se tudo o que eu
preciso saber está na geografia do seu corpo, na história dos
seus olhos e na química dos seus beijos”. Imagine o reflexo
disso! Dá até “inveja santa” nas outras mulheres.

Outra vez, uma esposa foi presenteada pelo marido, por


ocasião do seu aniversário, com uma “orquídea de choco-
late”; não de chocolate comestível, é de fato uma flor, quase
não se encontra em floricultura, se trata de uma flor rara,
pequena, no tom de branco e marrom, e tem fragrância de
chocolate. O marido criativo escreveu no bilhete: “Amor,
esta flor se chama “orquídea de chocolate”, comprei para te
presentear porque tem tudo a ver com você, ela é uma flor
rara, é linda, é cheirosa e lembra chocolate, que ao saborear,
me traz a sensação de prazer e de alegria. Feliz aniversário –
De seu marido apaixonado (Uau! Criativo, não é?).

33
ANGELA SIRINO

Veja que lindo: “Seus lábios são como um fio vermelho; sua
boca é belíssima. Você é toda linda, minha querida; em você
não há defeito algum. Você fez disparar o meu coração; fez dis-
parar o meu coração com um simples olhar. Quão deliciosas
são as suas carícias! Os seus lábios gotejam a doçura dos favos
de mel”. Essas frases aparentam ter sido retiradas de um livro
romântico de algum escritor secular. No entanto, esses versos
apaixonados aparecem na Bíblia, em Cântico dos Cânticos, e
são uma coletânea das orientações que o rei Salomão deixou
sobre como ter e manter no casamento uma vida sexual sau-
dável. Ele era muitoooooo romântico, sabia como conquistar a
alma e, consequentemente, o corpo de uma mulher. Toda mu-
lher que é amada na alma doa o corpo inteiramente! Basta ler
as partes da “amada” no livro de Cantares para ver como ela se
entregava e procurava seu amado.

Percebe-se, mesmo nos versos bíblicos, como Salomão des-


creveu muito bem, que o sexo não é só um momento de relacio-
namento físico entre homem e mulher, é também a afetividade,
o falar, o tocar, o observar, o elogiar. O livro de Cantares está
cheio do romantismo expresso através da erotização e, mesmo
assim, há ainda pessoas nas igrejas com muitos tabus em rela-
ção ao sexo. Invista no romantismo, use-o como estimulante
sexual no decorrer do dia e na hora da intimidade sexual.

7 - Não abra espaço para mágoas.

Os sentimentos de hostilidade, de amargura e as ex-


pectativas irreais quanto ao seu cônjuge tendem a gerar

34
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

sementes de mágoas no nosso coração. Se afeta nossas


emoções, consequentemente afeta o relacionamento se-
xual. Pois nosso desempenho sexual está diretamente
ligado às nossas emoções. Preste atenção aos hábitos ou
comportamentos que possam estar afastando você e seu
cônjuge um do outro. Tente sempre conversar sobre os
problemas e resolvê-los, pois se não resolvermos essas
questões, elas se tornarão cada vez maiores até ocuparem
completamente nosso coração.

Mágoas arraigadas no coração são como uma erva da-


ninha que brotou de decepções, rixas, contendas e ressen-
timentos do passado que nunca foram arrancadas, mas que
acabaram estrangulando a vida do casamento e matando a
sexualidade entre um casal. Ou, para mudar a metáfora, é
como um câncer que corrói, que cresce e toma conta do
coração, do casamento e mata a intimidade sexual. Qual-
quer pessoa que já trabalhou com aconselhamentos con-
jugais já identificou esse como o problema mais comum,
mais sério, a principal causa de divórcio e separação con-
jugal. Concentre-se nas coisas boas do relacionamento em
vez de ficar pensando nos problemas do parceiro. Pense no
que falta, mas foque em outra coisa. Isso vai render mais
diversão e admiração em relação ao parceiro.

8 - Desligue os aparelhos eletrônicos.

Dedique 100% de atenção ao seu cônjuge. Desconecte-se


do mundo ao seu redor. O mundo tecnológico está cada vez

35
ANGELA SIRINO

mais convidativo e as pessoas cada vez mais conectadas a


seus celulares e eletrônicos no geral, e são vários os aplica-
tivos em cada aparelho. Sexo não combina com toda essa
tecnologia, é um encontro a dois. Permita-se estar inteiro
para curtir a relação.

Passamos o dia sem ver ou ter uma conversa de verdade


com o parceiro. Então, ao chegar em casa, ambos acabam se
distraindo e se divertindo mais com conversas com colegas
e nos diversos grupos do WhatsApp e com o feed das redes
sociais, mesmo estando lado a lado. Se isso acontece com
frequência, a conexão do casal vai ficando cada vez mais fra-
ca. O desejo sexual, naturalmente, segue o mesmo caminho.

Se a pessoa está ao lado querendo conversar ou ter um


momento de intimidade sexual, imagine o balde de água
fria que é ter que competir com os aparelhos eletrônicos?
Como esperar que as relações sejam empolgantes e espon-
tâneas desse jeito?

9 - Encare as dificuldades.

Não se sinta derrotado quando surgir algum problema,


não transfira para o outro a culpa e nem fuja do problema.
Ou tem ou não tem relacionamento sexual. Se vocês tem um
bom relacionamento na sexualidade, façam-no com prazer,
e não por dever. Não deixe essa chama apagar, acrescente cada
vez mais lenha para que ela aumente! Mas se não tem relacio-
namento sexual satisfatório, investigue urgentemente as causas

36
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

possíveis da falta de desejo e busque ajuda para solucionar o pro-


blema. Procure ter o máximo de conhecimento nessa área.

Durante a vida sexual, é possível que a mulher apre-


sente alguns problemas em relação ao exercício de sua
sexualidade. A maioria das disfunções sexuais femininas
pode ser tratada.

37
ALGUNS PROBLEMAS RELACIONADOS À ÁREA
SEXUAL FEMININA

Os problemas mais comuns são:

1) Falta de desejo sexual

A falta de desejo sexual feminino, também chamada de


perda de libido, é o problema mais frequente e acomete en-
tre 15% e 35% das mulheres. As causas são as mais diversas,
como alterações hormonais (pelo uso de anticoncepcional),
parto, amamentação, menopausa, disfunções hormonais,
problemas psicológicos e antidepressivos. É possível, ain-

39
ANGELA SIRINO

da, que esteja relacionado ao cotidiano e ao estresse, além


da dinâmica do relacionamento. Muitos casais acham que
esse sintoma é falta de amor, quando, na verdade, o bem-
-estar dos parceiros no dia a dia da relação é determinante
para a sintonia do casal. Mudanças na rotina podem afetar a
comunicação entre os parceiros, gerando o distanciamento
entre eles e incidindo sobre sua vida sexual.

2) Incapacidade em obter orgasmo (anorgasmia)

Incapacidade em obter orgasmo é um problema muito


comum nas mulheres. Do ponto de vista biológico, o or-
gasmo feminino é bem definido, existindo até imagens de
ressonância magnética de uma mulher durante o orgasmo.
Talvez a causa mais comum da dificuldade de atingir o or-
gasmo entre as mulheres seja o desconhecimento da ana-
tomia feminina, além de se buscar uma dinâmica sexual
confortável para elas, o que não é incomum. A sexualidade
feminina foi tabu durante boa parte da história, e apenas
muito recentemente tem havido maior abertura para que
as mulheres sejam também sujeitos de desejo. Expectativas
irrealistas e a clara falta de comunicação entre os parceiros
certamente contribuem para esse problema.

3) Dor durante a relação sexual (dispareunia)

Mais comum entre mulheres na pós-menopausa ou entre


aquelas que foram submetidas a um parto com episiotomia.
Isso acontece porque a diminuição do estrogênio também

40
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

afeta a proteína do colágeno, que ajuda a manter o tecido


saudável. Existem casos e origens diversas em mulheres
mais jovens também. Deve-se procurar ajuda médica.

4) Incapacidade em ter penetração vaginal (vaginismo)

Geralmente, a mulher que tem vaginismo se sente total-


mente incapacitada para o sexo, pois seus músculos vagi-
nais se contraem involuntariamente e a penetração se tor-
na inviável por causa da dor. Na maioria das vezes, a causa
do problema é psicológica, são mulheres que tiveram uma
educação muito rígida e religiosa (só focada no pecado), e
também que sofreram traumas e abusos. Também pode es-
tar relacionado a distúrbios hormonais. São mulheres que
têm dificuldade de ter relação sexual porque contraem tanto
a musculatura que não conseguem permitir que o “facão”
chegue nem perto da “bainha”. É importante destacar que,
muitas vezes, somente um ginecologista não consegue aju-
dar a mulher. É preciso que o profissional seja especializa-
do em sexologia, psicanalista ou psicoterapia (conselheira
cristã e “mulher”) porque senão a paciente acaba indo de
médico em médico sem conseguir resolver o problema. Isso
só gera uma angústia enorme. O importante é que a mulher
saiba que existe tratamento.

41
ALGUNS PROBLEMAS RELACIONADOS À ÁREA
SEXUAL MASCULINA.

1) Ejaculação precoce

Das queixas sexuais masculinas, a dificuldade de “ter ou


manter a ereção” é a mais prevalecente. Entre os homens
mais jovens, especialmente dos 18 aos 25 anos, o grande
tormento, porém, é a ejaculação precoce – aquela que ocor-
re menos de dois minutos depois do início do ato sexual. Se
não tratada, pode levar à impotência.

43
ANGELA SIRINO

Suas principais causas são a ansiedade e a insegurança.


É o termo usado para a situação em que o homem chega
à ejaculação antes de desejar fazê-lo. Isso traz ansiedade e
insegurança e o faz fugir da relação, temendo não conseguir
satisfazer a mulher. Às vezes, é preciso um tratamento psi-
cológico e, antes de tudo, calma. Isso pode acontecer com
qualquer homem.

2) Impotência sexual

Muitas vezes é causada pelo esgotamento físico e men-


tal ou depressão. Recomenda-se o tratamento com algum
profissional especializado. A situação de apreensão vivida
pelo homem devido a algum fracasso pode levá-lo a per-
der a capacidade de manter a ereção. A impotência pode
aparecer no homem com idade entre 30 e 50 anos e, em
muitos casos, tem fundo psicológico e está ligada ao es-
tresse e à depressão.

Também os distúrbios físicos costumam ser a causa


da impotência. Entre eles estão a hipertensão, o diabetes
(40 a 60%), o colesterol alto ou o desequilíbrio na produ-
ção do hormônio masculino testosterona. Tudo isso tem
tratamento. Os problemas psicológicos como inibição,
vergonha, abstenção, insegurança, incapacidade pessoal,
culpa, raiva, hostilidade e medo da intimidade estão de-
finitivamente associados à impotência em mais de 65%
dos homens.

44
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

3) Impotência psicogenética

É a ideia errônea de achar que o sexo é pecado, como


muitas vezes é ensinado na infância. Isso afeta a sexualidade
masculina. Existem muito mais casos do que se pensa.

45
SEXUALIDADE
Na meia-idade

A partir da meia-idade (45-55 anos), começam a surgir


dificuldades na área sexual. Há uma série de crises: mudan-
ças físicas, emocionais, saúde etc. A maneira de enfrentar
os problemas dessa fase da vida depende da atitude mental
de cada um: se confia em Deus, encara com naturalidade e
vence; se não confia, encara como uma tragédia e é derrota-
do; a busca por ajuda médica sempre será bem-vinda nessas
horas. O que para uns é o fim, para outros é o começo de
uma nova fase da vida, cheia de experiências, realizações e
expectativas positivas.

47
ANGELA SIRINO

O aspecto físico muda bastante; o espelho parece cruel: gor-


duras aparecem onde não gostaríamos que houvesse; barba fi-
cando cinzenta; pele flácida; rugas; calvície, etc.; isso afeta a se-
xualidade; as energias físicas diminuem, mas a resistência pode
permanecer e até aumentar, com o uso proveitoso das energias
mentais, levando ao equilíbrio emocional.

Se ficar preso à juventude, querendo parar o tempo, o


homem fica frustrado. O homem passa a ver a mulher mais
velha como menos atraente a seus olhos; há homens que
se desesperam, se deprimem, e outros que dão lugar à ten-
tação, caindo em pecado de adultério, prostituição, etc. Há
quem busque refúgio na pornografia, filmes e revistas eró-
ticos, mas isso só aumenta o problema. Grandes homens de
Deus já caíram na armadilha do sexo por este motivo.

SEXUALIDADE
Na terceira idade (velhice):

A partir da terceira idade (65–75 anos), para alguns, a sexu-


alidade deixa de existir, mas para outros, só diminui a frequên-
cia e sua intensidade. O ritmo sexual pode diminuir por muitas
coisas, por exemplo, as mudanças físicas e as doenças. Segundo
pesquisas, 75% das mulheres aos setenta anos ainda querem
sexo. Na terceira idade, você tem a grande vantagem de usar
sua maturidade e sabedoria para revitalizar seu relacionamen-
to sexual. Para impulsioná-lo a desfrutar do prazer nessa fase
da vida, lembre-se do que a Bíblia diz: “Na velhice ainda darão
frutos; serão viçosos e vigorosos” (Salmo 92:14).

48
DROGAS FARMACÊUTICAS QUE PODEM
PREJUDICAR A VIDA SEXUAL.

Diversas drogas farmacêuticas presentes em vários


medicamentos podem prejudicar a vida sexual, tanto de
homens quanto de mulheres. Entretanto, não deixe de
usá-las sem antes conversar com o seu médico, avaliando
a necessidade e a importância de seu uso em sua doença
e a possibilidade de atenuar os seus efeitos na sua vida
sexual. Muitos dos efeitos citados são transitórios e ten-
dem a desaparecer com a redução da dose ou quando o
tratamento for encerrado. Outros não, pois podem afetar
o nosso psicológico.

49
ANGELA SIRINO

LISTA DAS DROGAS QUE PODEM PREJUDICAR


A VIDA SEXUAL MASCULINA E FEMININA

Acetazolamida: perda da libido, diminuição


da potência sexual
Alprazolam: inibição ou retardo do orgasmo,
não-ejaculação
Amilorida: impotência, diminuição da libido
Amiodarona: diminuição da libido
Amitriptilina: perda da libido, impotência,
não-ejaculação
Amoxapina: perda da libido, impotência, ejaculação
dolorida ou retrógrada, ou não-ejaculação
Anticolinérgicos: impotência
Atenolol: impotência
Baclofen: impotência, dificuldade para ejacular
Barbituratos: diminuição da libido, impotência
Brometo de metantelina: impotência
Carbamazepina: impotência
Carbonato de lítio: diminuição da libido, impotência
Cetoconazol: impotência
Cimetidina: impotência, diminuição da libido em
homens e mulheres
Clofibrato: impotência, diminuição da libido
Clomipramina: diminuição da libido, impotência,
ejaculação retardada, ausência de orgasmo
Clonidina: impotência, retardo na ejaculação ou
no orgasmo
Clorpromazina: diminuição da libido, impotência,
não-ejaculação

50
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

Clorprotixeno: inibição da ejaculação, diminuição da


intensidade do orgasmo
Clortalidona: diminuição da libido, impotência
Danazol: mudanças na libido
Desipramina: diminuição da libido, retardo ou
não-ejaculação
Digoxina: diminuição da libido, disfunção ejaculatória
Disopiramida: impotência
Dissulfiram: impotência
Diuréticos Tiazídicos: impotência, baixa energia
Doxepina: diminuição da libido, disfunção ejaculatória
Espironolactona: diminuição da libido, impotência
Estrógenos: diminuição da libido em homens
Etionamida: impotência
Etosuximida: diminuição da libido
Etoxzolamida: diminuição da libido
Fenelzina: impotência, retardo ou não-ejaculação
Fenitoína: diminuição da libido, impotência
Flufenazina: mudanças na libido, dificuldade de ereção,
impotência
Fluoxetina: retardo na ejaculação, retardo do orgasmo
em mulheres
Guanabenz: impotência
Guanadrel: diminuição da libido, retardo ou ejaculação
retrógrada, impotência
Guanetidina: diminuição da libido, retardo ou
ejaculação retrógrada ou não-ejaculação
Haloperidol: impotência, ejaculação dolorosa
Hidralazina: impotência, ejaculação dolorosa

51
ANGELA SIRINO

Hidroxi-progesterona: impotência
Imipramina: diminuição da libido, impotência,
ejaculação dolorosa
Indapamida: diminuição da libido, impotência
Interferon: diminuição da libido, impotência
Isocarboxazida: impotência, retardo na ejaculação,
ausência de orgasmo em mulheres
Labetalol: priapismo, impotência, diminuição da libido
Levodopa: diminuição da libido, impotência
Mazindol: impotência, ejaculação espontânea, dor
nos testículos
Mesoridazina: não-ejaculação, impotência, priapismo
Metadona: diminuição da libido, impotência,
ausência de orgasmo
Metandrostenolona: diminuição da libido
Metazolamida: diminuição da libido, impotência,
ausência de orgasmo, não-ejaculação
Metildopa: diminuição da libido, não-ejaculação,
ausência de orgasmo
Metirosina: impotência, falhas na ejaculação
Metoclopramida: impotência, diminuição da libido
Metoprolol: diminuição da libido, impotência
Naltrexona: retardo na ejaculação, impotência
Naproxeno: impotência, não-ejaculação
Nortriptilina: impotência, diminuição da libido
Paroxetina: retardo na ejaculação, ausência de
orgasmo em mulheres
Prazosin: impotência, priapismo
Progesterona (sintética): diminuição da libido em

52
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

homens, impotência
Propranolol: perda da libido, impotência
Ranitidina: perda da libido, impotência
Reserpina: diminuição da libido, impotência, retardo
ou não-ejaculação
Sertralina: retardo na ejaculação, ausência de orgasmo
em mulheres
Timolol: diminuição da libido, impotência
Tioridazina: impotência, priapismo, não-ejaculação
ou ejaculação dolorosa
Tranilcipromina: impotência
Trazodona: priapismo, ejaculação retrógrada
Verapamil: impotência

(Fonte: Dr. Rogério Alvarenga. Médico, especialista em Medi-


cina Ortomolecular. É também endocrinologista e tem título de
Especialista em Nutrologia Médica pela AMB. É membro da Aca-
demia de Ciências de Nova York (“The New Academy of Sciences”
- USA), entre outras no exterior. Membro da ABESO (Associação
Brasileira para Estudos da Obesidade), e outras. Membro-fun-
dador da SOMORJ – Sociedade de Medicina Ortomolecular do
Estado do Rio de Janeiro).

Essas informações são importantíssimas, porque, na era


da ansiedade e dos males causados pelas doenças psicos-
somáticas, muitas pessoas tomam remédios por mania, são
hipocondríacas, nem imaginam que podem estar causando
um grande mal a si mesmas.

53
OREM JUNTOS

Esta é a dica mais importante! A oração é uma das coi-


sas mais íntimas que um casal pode compartilhar. Adão
e Eva tinham uma intimidade verdadeira apenas quando
eles eram íntimos de Deus. Logo que eles pecaram, um co-
meçou a culpar o outro e os problemas apareceram. Por
isso, se você quiser ter mais alegria e menos discussão no
seu casamento, combinem de orar juntos pelo menos uma
vez ao dia, orem por tudo que envolva as suas vidas, inclu-
sive a sexualidade.

55
ANGELA SIRINO

Como a oração é capaz de mudar a rota da nossa vida


em todas as áreas! O verso que citei acima diz tudo, dis-
pensa comentários. Podemos, de uma forma bem simples,
contextualizar e dizer assim: Chega de ansiedade, chega de
pensar como, onde, por que ou de que maneira vou resol-
ver? Ore! A oração é a arma mais poderosa de um cristão.
Imagine como poderemos vencer com conhecimento so-
mado à oração.

Satanás investe pesado contra o casamento e contra a


vida sexual de um casal, pois ele sabe que se afetar essa área
no relacionamento, facilmente conseguirá seu objetivo.

Lembro-me de algo que aconteceu comigo. Eu e meu es-


poso, em um determinado dia, após nos recolhermos para
o nosso quarto, nos aproximamos a fim de desfrutarmos do
nosso momento de intimidade. Quando nos deitamos em
nossa cama e começamos os nossos afagos, sentimos um
“forte mau cheiro” em nosso quarto, simplesmente horrível.
Acabou o clima na hora. Imediatamente, nos levantamos,
procuramos por algo que pudesse explicar aquele odor;
olhamos debaixo da cama, atrás das poltronas, e nada. Pro-
curamos dentro do guarda-roupas… Enfim, não encontra-
mos nada que justificasse o mau cheiro. O clima passou,
borrifamos até perfume no quarto, mas não adiantou. Na
manhã do dia seguinte, o mau cheiro parece que tinha sumi-
do. Mesmo assim, pedi à minha governanta para dar aquela
faxina no meu quarto e perfumá-lo de uma forma especial.

56
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

Conferi à tarde, estava tudo limpo, tão cheiroso, pronto


para nos deliciarmos em nosso ninho de amor. Ele chegou,
lhe disse que preparei o quarto, afirmei que não encontra-
mos nada que justificasse o mau cheiro, etc. e tal. Novamen-
te, lá fomos nós no mesmo roteiro do dia anterior, jantamos,
oramos com as crianças e fomos para nossa cama. E lá esta-
va, para meu espanto, o mau cheiro novamente. Ele olhou
para mim e disse:

– O que é isso, amor?


Gente! O que era aquilo de novo? Que coisa horrível…
Insuportável. O olhar dele me deixou sem graça, pois eu ti-
nha acabado de falar que havíamos perfumado o quarto e
ele até tinha conferido antes do jantar! Sinceramente, sem
palavras! Eu até brinquei para quebrar o clima:
– Eu garanto que não sou eu!

E começamos novamente a levantar os móveis, abrimos


e fechamos a porta, e nada! Muito estranho, porque o mau
cheiro vinha sempre à noite.

Naquela outra noite, dormimos no quarto de visitas, que


fica entre os quartos de nossos filhos, sem condições de ter-
mos nosso momento de intimidade bem à vontade, afinal
de contas, qualquer som ou movimento diferente eles ou-
viriam. No outro dia, pela manhã, comecei a orar pedindo
a Deus para repreender aquilo. Levantei um clamor e disse:
– Deus, tem alguma coisa errada, o mau cheiro só acon-
tece ao entardecer, justamente no momento em que se apro-

57
ANGELA SIRINO

xima a hora da minha intimidade com meu esposo, nosso


momento juntos mais precioso.
No outro dia, o jardineiro da minha casa disse que nossa
governanta lhe compartilhou sobre o fato, então ele disse
que veria se era algum pássaro morto nas proximidades do
meu quarto. Quando ele subiu no telhado, achou um “ninho
de urubu”, onde todos os dias, ao entardecer, a mãe urubeia
(rsrs) trazia carniça para ele se alimentar. Essas carniças fe-
didíssimas eram o que contaminava os ares ao redor.

Que coisa estranha! Urubu, na Palavra de Deus, tem símbo-


lo satânico. Eles desfizeram o ninho, jogaram fora, lavaram o
telhado e todos os dias olhavam para ver se o urubu não estava
lá novamente. Durante vários dias, aquele urubu sondou nosso
jardim e o telhado da nossa casa, mas vencemos, ele sumiu.

Esse fato remete a uma grande verdade: tem muito


urubu enviado por Satanás, cheio de carniça do inferno,
tentando acabar com a vida sexual dos casais e, por fim,
os casamentos. Tem a carniça da pornografia, do adulté-
rio, da frieza sexual, da mágoa, da crítica, das lembran-
ças amargas, das enfermidades que afetam a sexualidade
e tantas outras. Satanás tenta fazer ninho em nosso rela-
cionamento conjugal. Compartilhei esse fato em uma igre-
ja e, ao terminar, minha pergunta foi: “Tem algum urubu
fazendo ninho e colocando carniça no seu relacionamento
sexual? Ou está tentando fazer?”. Houve tanto choro, tanto
quebrantamento! Oramos pelos casais, embora eu estives-
se ministrando para mulheres. Quando terminou o evento,
chegavam muitas compartilhando aquilo que estava atrapa-

58
SEM LENHA, O FOGO SE APAGA

lhando seu ninho de amor, transformando-o em um lugar


desagradável, semelhante a um ninho de urubu.

Elas diziam: “Tenho lembranças amargas da adolescên-


cia”, outras diziam ter sofrido abuso sexual em alguma etapa
da vida, outras tinham profundas mágoas do marido, ou-
tras, vergonha do seu corpo, e a grande maioria sabia que
“não tinha” desejo, mas não sabiam e nem imaginavam o
real motivo. Meu coração partiu quando uma amada irmã,
toda constrangida, me disse entre lágrimas:
– Pastora, minha “perseguidinha” precisa de oração ur-
gente. Tem seis meses que estou com uma coceira absurda,
já fiz todo tipo de tratamento e nada de sarar. Não aguento
fazer nada com meu marido.

Ela estava com candidíase. A humildade, a simplicidade


e a coragem daquela mulher me quebrantou. Eu olhei para
ela e disse sorrindo: “Então vamos orar por ela”.

Como Satanás tem atacado essa área! Às vezes preferimos


recorrer somente à farmácia, ao médico e ao comodismo, a con-
selhos antibíblicos. Não oramos e não pedimos a Deus sua inter-
venção. Foi orando que logo Deus nos dirigiu para achar aquele
ninho de urubu com sua carniça horrorosa! Mas graças a Deus
conseguimos, na outra noite, restaurar nosso ninho de amor.

Deus quer acabar com os ninhos de urubu nos casamen-


tos e restabelecer os ninhos de amor. Convido-o a buscá-lo,
marido e mulher, em oração.

59
CONCLUSÃO

E ssas e outras dicas podem melhorar nossa vida se-


xual! Coloquem-nas em prática e nunca se esque-
çam: o casamento foi feito para durar para sempre, e isso só
é possível quando ambos se comprometem a fazer o outro
feliz! Uma vida sexual plena não vem apenas com a procu-
ra do prazer ou da autoafirmação a qualquer custo, mas é
fruto de um relacionamento diário, onde impera o amor, o
respeito, a renúncia e a fidelidade, onde valores como esses
são formados dia após dia através do afeto, do amor, do res-
peito, das palavras construtivas e da cumplicidade.

61
ANGELA SIRINO

Certa vez, um marido me reclamou que sua esposa não lhe


dava toda a bênção sexual que ele precisava. Ele ainda disse:
– Pastora, eu acho que ela tem problemas, pois ela é ex-
tremamente fria. No atendimento que posteriormente fiz à
esposa, ela amargamente me confidenciou das vezes que ele
a humilhou, xingou, criticou e até relatou sobre duas vezes
em que fisicamente ela foi agredida. Concluindo, disse:
– Pastora, nesse ambiente, como a sexualidade poderia
florescer? De fato, em uma situação como a dela, morre a
sexualidade entre o casal.

Vários casais estão trocando o respeito pela irresponsa-


bilidade, o prazer pela imoralidade, a pureza pelo vício e o
desejo de amar pelo egoísmo, apenas visando o “meu pra-
zer e minha satisfação”. Relacionamentos assim produzem
dor, mágoa e culpa. Entenda que o que importa é o que
está acontecendo no momento. A vida não é um ensaio,
portanto, viva-a ao máximo. Lembre-se: o sexo é a músi-
ca do matrimônio. Quanto mais os músicos tocarem, mais
habilidosos ficarão. Isso mesmo, “habilidade”. Esta deve ser
a atitude correta. Nem sempre o problema está no instru-
mento, e sim na habilidade daquele que o usa; se estiver de-
safinado, não será possível extrair dele um som agradável.

Meu conselho final é que os casais não devem parar de


tocar a música da sexualidade no casamento, porque en-
quanto houver música, haverá alegria e vida conjugal plena.
Claro que o sexo não é tudo, mas a infelicidade sexual pode

62
gerar um mau humor crônico, que afetará todas as áreas da
vida do casal.
Lembre-se: “Sem lenha, o fogo se apaga”.

Citamos algumas atitudes que podem servir como “gra-


vetos” para reacender e aumentar a chama do prazer na vida
sexual entre você e seu cônjuge. Quem sabe eles sejam úteis
para seu relacionamento. Se não for o bastante, busque co-
nhecimento, peça ajuda, descubra quais são os gravetos que
vocês ainda poderão usar para aumentar a chama da intimi-
dade e do prazer conjugal.

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