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Cleide de Sousa Pereira

EDUCAÇÃO DO FUTURO: PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS

MORÍN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo :


Cortez ; Brasília, DF : UNESCO, 2000.

Edgar Morín, é um antropólogo, sociólogo e filósofo francês judeu de


origem sefardita. Pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche
Scientifique). Formado em Direito, História e Geografia, realizou estudos em
Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Autor de mais de trinta livros, entre eles: O
método, Introdução ao pensamento complexo, Ciência com consciência e Os sete
saberes necessários para a educação do futuro. É considerado um dos principais
pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos do campo de estudos da
complexidade, que inclui perspectivas anglo-saxônicas e latinas. Sua abordagem é
conhecida como "pensamento complexo" ou "paradigma da complexidade". Morín
não se identifica como "teórico da complexidade" nem pretende limitar seus estudos
às chamadas "ciências da complexidade". Ele distingue entre perspectivas restritas,
limitadas, e amplas ou generalizadas da complexidade (MORIN, 2005).
No livro o autor discorre sobre a educação do futuro e enfatiza quais os
principais problemas, que ele denomina como os sete buracos negros da educação.
Como solução os trata como os sete saberes necessários à educação do futuro e
que atualmente são ignorados, mas que levam a novas relações com a nossa
pratica docente e com o mundo.
O livro é dividido em sete capítulos com 115 páginas e narrado em terceira
pessoa. O autor usa de pensamentos e citações de vários outros autores, filósofos e
também utiliza a literatura, a ciência e a história da humanidade para fundamentar
seu ponto de vista.
Em seu capítulo I Morín trata do primeiro buraco negro “As cegueiras do
conhecimento: o erro e a ilusão”, que diz respeito ao conceito de conhecimento, que
pode ser interpretado como um ponto de vista de um ponto de vista, o que pode nos
levar a realidade como também à ilusão, neste caso a interpretação de certo fato
pode levar a um erro. Afirma assim que a educação deve tratar de sanar estes erros
que ele classifica como: erros, mentais, erros intelectuais, erros da razão e cegueiras
paradigmáticas. Neste capítulo Morín também trata do Imprinting e da normalização,
onde se usa das crenças e convicções para impor comportamentos a partir de
interpretações que determinam ideologias dominantes.
O capítulo II “Os princípios do conhecimento pertinente” ou segundo buraco
negro, diz respeito à organização do pensamento, a multidisciplinariedade entre as
disciplinas, onde se deve contextualizar a ligação entre os conteúdos e não
simplesmente ensinar currículos disciplinares fragmentados e descontextualizados
dos aspectos atuais da sociedade global. Neste contexto ele trata o complexo como
a união de todas as partes pertinentes ao conhecimento, e que deve ser
multidimensional para assim estimular ou mesmo despertar a inteligência geral,
capaz de contextualizar e resolver todo e qualquer problema.
O capítulo III “Ensinar a condição humana” ou terceiro buraco negro e diz
respeito à identidade humana, onde o autor enfatiza a importância que cada
indivíduo exerce sobre o nosso planeta, e que o homem faz parte de uma sociedade
onde a realidade é trinitária, ou seja, uma relação de dependência indivíduo-
sociedade-espécie. A educação do futuro deve levar em consideração a condição
cósmica, a condição física, a condição terrestre e a condição humana em relação ao
enraizamento/desenraizamento do ser humano, assim como sua unidualidade que é
gerada através da cultura que adquire durante a vida.
Em seu capítulo IV “Ensinar a identidade terrena”, Morín fala sobre o quarto
aspecto que é a nossa identidade planetária, ou seja, a conscientização do nosso
papel no sentido de preservar o planeta, e que também não é colocado como
importante por isso não é ensinado. Enfatiza que entramos no século XX na era da
mundialização, submersos na complexidade de um mundo tecnológico de múltiplos
problemas oriundos de diversos conflitos mundiais e que a educação do futuro deve
apontar para um pensamento policêntrico nos levando a uma identidade e
consciência terrena para “Civilizar e solidarizar a Terra”.
O quinto aspecto tratado no capítulo V é “enfrentar as incerteza”, pois na
verdade o que fazemos é apenas ensinar certezas e não nos damos conta de que o
inesperado também é importante na natureza humana, para que possamos reagir
aos acontecimentos que fogem aos nossos objetivos, o que o autor chama de
“ecologia das ações”. Saber reagir aos acontecimentos imprevistos é importante
para a educação do futuro, assim como ensinar a ideia da incerteza, já que os
grandes acontecimentos da história da humanidade foram marcados por fatos
inesperados ou pelo menos fatos fora da normalidade.
O sexto aspecto tratado no capítulo VI é “ensinar a compreensão”, onde o
autor enfatiza que tudo está conectado por meios de comunicação modernos, porém
estamos mergulhados em um universo de incompreensão e falta de solidariedade. A
educação do futuro deve ter por base e finalidade a compreensão e a aceitação. É o
compreender de forma desinteressada, ou seja, compreender a incompreensão. Se
colocar no lugar do outro e ter empatia pelo próximo, coisas que não se ensina e
nem se preocupam em ensinar, mas que o autor considera como a “verdadeira
comunicação humana”. Neste capítulo ele enfatiza os obstáculos para a
compreensão que são egocentrismo, etnocentrismo e o sociocentrismo em
contrapartida coloca a ética, o bem estar e a tolerância como itens essenciais a
compreensão planetária.
O último aspecto tratado pelo autor no capítulo VII “A ética do gênero
humano” é o que o autor denomina antro-poético, que diz respeito ao indivíduo
exercer as responsabilidades frente à democracia, frente à tríade
indivíduo/sociedade/espécie sabendo que são coprodutores um do outro. Neste
sentido o autor enfatiza que a antro-poética nos indica, uma direção para assumir
uma missão de humanização, uma mudança no pensamento humano com o
desenvolvimento da ética e consequentemente nos levar a uma comunidade
planetária organizada que irá civilizar a Terra.
Esta obra é indicada para educadores e estudantes da área de educação,
porque que discorre mais profundamente sobre uma reflexão a respeito da
educação que se quer para o futuro, uma educação baseada nos aspectos da ética
e da compreensão humana, necessárias para as futuras gerações. É necessário
porém um estudo preliminar do campo da educação e da conduta humana para um
melhor entendimento do conteúdo da obra, sendo de fácil entendimento para alunos
de licenciatura e pesquisadores da área de investigação educacional.