AS SETE VIRTUDES

DO
LÍDER AMOROSO
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AS SETE VIRTUDES
DO
LÍDER AMOROSO
João Carlos Almeida
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AS SETE VIRTUDES
DO
LÍDER AMOROSO
João Carlos Almeida
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EDITORA CANÇÃO NOVA
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ISBN: 978-85-7677-112-8
© EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2008
EDITORA: Cristiana Negrão
CAPA E DIAGRAMAÇÃO: Tiago Muelas Filu
PREPARAÇÃO E REVISÃO: Lilian Miyoko Kumai
Patrícia de Fátima dos Santos
Almeida, João Carlos.
As sete virtudes do líder amoroso / Pe. Joãozinho -- São Paulo, SP :
Editora Canção Nova, 2008.

ISBN 978-85-7677-112-8

1. Liderança cristã I. Título.



08-06754 CDD-158.2
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
1. Liderança cristã : Teologia pastoral: Cristianismo
253
Índices para catálogo sistemático:
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Para
Sílvia Letícia Minamoto,
que conheceu estas lições sem estudar
e liderou, na vida e na morte, a arte de amar!
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Deveria manifestar aqui os meus agradecimentos a mui-
tas pessoas que me ajudaram na refexão que você acom-
panhará nas páginas seguintes. Foram tantas... Mas quero
agradecer, de um modo todo especial, ao amigo Hans Otto
Taube, empreendedor com os pés em Taubaté e Campos do
Jordão, o olhar em todo o Vale do Paraíba e o coração no
mundo inteiro. Ele não poupou tempo e atenção para me
ajudar a reler os originais com olhos de águia.
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SUMáRIO
Introdução 13
Capítulo um
O líder comunicativo 27
Capítulo dois
O líder confante 41
Capítulo três
O líder solidário 59
Capítulo quatro
O líder paciente 79
Capítulo cinco
O líder discreto 89
Capítulo seis
O líder honesto 101
Capítulo sete
O líder resiliente 113
Palavras fnais 127
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Hino ao Amor
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver o amor, sou como o bronze que soa,
ou como o címbalo que retine.
Mesmo que eu tivesse o dom da profecia,
e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência;
mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar
montanhas,
se não tiver o amor, não sou nada.
O amor é paciente, o amor é bondoso.
Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante.
O amor não é escandaloso.
Não busca os seus próprios interesses,
não se irrita, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça,
mas se rejubila com a verdade.
O amor tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acabará.
PAULO DE TARSO
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Introdução
Amar a Deus sobre todas as coisas
e ao próximo como a si mesmo!
Jesus Cristo
Quando James C. Hunter escreveu seu best-seller, O Monge
e o Executivo, teve uma intuição genial sobre a essência da
liderança: verdadeiro líder é aquele que tem autoridade e
não simplesmente aquele que tem o poder. Com a autorida-
de, conseguimos infuenciar as pessoas para que o grupo, de
modo coeso, atinja os seus objetivos. Toda sociedade precisa
de um líder. Toda empresa de sucesso tem em sua história
alguém que soube exercer a liderança de um modo determi-
nante e infuenciou as pessoas em vista do bem comum.
A QUESTÃO FUNDAMENTAL
A questão fundamental, portanto, é descobrir a dinâmi-
ca pela qual desenvolvemos nosso potencial de autoridade
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pessoal. Será que todos podemos ser líderes? Ou alguns
estão fatalmente condenados a ser apenas liderados? Lide-
rança seria puro carisma? Ou é 10% de inspiração e 90%
de transpiração?
O monge sugere aos executivos – que buscam a fórmula
do sucesso para seus empreendimentos – atenção ao exem-
plo de Jesus Cristo. Sua autoridade era tão marcante que al-
guns chegavam a dizer: “Até o vento e o mar o obedecem”.
Na verdade, o próprio mestre revelou seu segredo quando
ensinou a seus seguidores que “aquele que quiser ser líder
deve ser o servo de todos”. Certamente esta não é uma lição
apenas para os que querem um pedaço de terra no céu, mas
pode iluminar o caminho dos que se dedicam a construir
um céu na terra.
LIDERANÇA SERVIDORA
A partir desta intuição assumida por Hunter em seu li-
vro, o mundo corporativo começou a falar de liderança ser-
vidora. A fonte da autoridade seria, então, a disposição para
servir. O líder servidor é alguém que é obedecido, porque
antes de mandar fazer ele já fez e sabe como se faz. Sua or-
dem não é arbitrária. Ele sabe que é possível pintar aquela
parede daquele jeito e naquele espaço de tempo. Ele mesmo
já pintou muitas paredes sem precisar mais do que duas ho-
ras para fazer todo o serviço. Agora ele pode liderar os seus
pintores com autoridade.
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Mas Hunter deu um passo a mais. A origem e o fm da
autoridade não pode ser simplesmente a habilidade para re-
alizar tarefas. A liderança é construída em uma dimensão hu-
mana muito mais profunda: a atitude! O verdadeiro líder é
reconhecido até pelo tom da voz. Ele não precisa insistir muito
para que as pessoas fquem persuadidas de que seu caminho
é, de fato, o melhor. Ele inspira confança ao grupo porque
tem uma atitude de líder. A raiz desta atitude fundamental
é o que poderíamos chamar de amor, ou seja, a disposição de
doar-se, de dar a vida pelo grupo. Qualquer um de nós é ca-
paz de reconhecer a sinceridade de alguém que está disposto
a dar o sangue, o suor e as lágrimas pelo projeto da empresa.
LIDERANÇA AMOROSA
Aqui já não estamos somente no âmbito do líder servi-
dor. É muito mais... Poderíamos, então, falar de líder amoro-
so. Parece que o próprio Jesus percebeu isso quando disse ao
grupo mais restrito de seguidores: “Já não vos chamo servos,
mas amigos!” Este é o caminho que pretendemos trilhar nes-
tas páginas. Queremos descobrir de que modo a dinâmica do
amor é determinante para encher qualquer pessoa de muita
autoridade e garantir o sucesso dos seus empreendimentos.
Em outras palavras: o amor pode ser um bom negócio?
Hunter percebeu esta passagem do serviço para o amor
e utilizou o trecho mais belo da Bíblia para tentar descre-
ver o que realmente signifca esta palavra tão utilizada nos
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poemas e romances, mas nem sempre com o mesmo signi-
fcado. O “Hino ao Amor”, provavelmente, foi escrito por
Paulo de Tarso e está registrado no capítulo 13 da Carta aos
Coríntios. Nos Livros O Monge e o Executivo (capítulo 4) e,
Como se Tornar um Líder Servidor (capítulo 4), o autor procura
desvendar as virtudes que comporiam a personalidade do
líder. Ao ler a sua refexão, encontrei outras virtudes que ul-
trapassam o âmbito do serviço e nos permitem agora falar de
líder amoroso. Esta é a nossa contribuição original.
NÓ NA GARGANTA
Cheguei a pensar que este discurso convenceria qualquer
empresário de sucesso. Algum tempo depois, proferia uma
conferência para executivos e mostrava de que modo a lide-
rança amorosa é essencial para o sucesso de qualquer empreen-
dedor. Ao fnal de minha exposição, um senhor já idoso, gran-
de líder no comércio local, levantou a mão e questionou:
— Muito bonito o seu discurso, porém todos os grandes
empresários de sucesso que conheço são frios como uma
pedra... não me parecem nada amorosos!
Confesso que permaneci com aquelas palavras desafa-
doras engasgadas na garganta. Será mesmo que a liderança
amorosa serve apenas para consolar os derrotados? Seria uma
mensagem útil somente para piedosos seguidores de uma re-
ligião qualquer? Seria a ponte imaginária para um céu distan-
te, mas pouco prático nas coisas aqui da terra? Funcionaria
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bem nos corredores silenciosos de um mosteiro, mas cairia
no ridículo em nossas ruas, praças, empresas, prefeituras, co-
mércio, setor de serviços? É útil para os monges, mas de utili-
dade discutível para os executivos? Serve muito bem para os
sábados e domingos de repouso e celebração, porém não para
guiar nossos passos durante a semana?
Os grandes líderes, para alcançar o sucesso, devem ser
empreendedores sem coração? A amorosidade poderia enfra-
quecer a racionalidade que se exige do bom administrador?
O livro surgiu deste gosto amargo e da inquietude em res-
ponder a todas estas perguntas desafadoras. O amor pode
funcionar no mundo do comércio, das empresas e da indús-
tria? Em que dimensão? Ou é apenas um princípio religioso
que deve ser vivido privadamente no âmbito da família e da
amizade, mas negócios... bem, negócios à parte! Será?
UM EMPREENDEDOR CHAMADO PAULO
Foi refetindo sobre tudo isso que lembrei de Paulo de
Tarso, autor do “Hino ao Amor”, utilizado nos livros de Ja-
mes C. Hunter, como fundamento da liderança servidora.
Sim, quando ainda se chamava Saulo, aquele jovem empre-
endedor fariseu foi um raivoso perseguidor de cristãos. Ele
tinha muito sucesso em sua empreitada, até que um dia le-
vou um tombo quando estava a caminho de Damasco; viu
uma luz, ouviu uma voz e tudo mudou. Passou a perseguir
o ideal de Jesus, propagar suas idéias por grande parte do
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mundo conhecido. Se quisermos ser honestos com a histó-
ria, vamos concordar que Jesus foi um líder bastante limi-
tado à região da hoje Palestina. Não costumava ultrapassar
aquelas fronteiras. Ele inventou o negócio, mas foi Paulo de
Tarso quem levou seu empreendimento aos quatro cantos
do mundo. Suas viagens percorreram grande parte da Gré-
cia e o fzeram chegar até o centro do mundo antigo: Roma!
Inegavelmente foi um grande líder. Qual seria o segredo
do seu sucesso? Ao ler o seu “Hino ao Amor”, descobrimos
sete virtudes fundamentais para quem quiser ser um líder
amoroso e um empreendedor de sucesso garantido.
Nestas páginas você verá que Paulo tinha tudo para
dar errado, mas foi o grande responsável pelo sucesso da
idéia de Jesus. Dizem que, apesar de escrever bem e ser um
grande estudioso, Paulo não era lá um grande orador. Em
certa ocasião, alguém até adormeceu durante um de seus
discursos e acabou caindo da janela. Era de baixa estatu-
ra. Não tinha rara beleza. A leitura atenta de seus escritos
mostra que ele tinha os defeitos de qualquer cidadão co-
mum, como uma certa vaidade e falta de paciência com
as pessoas. Mas superou tudo isso tornando-se o grande
líder do cristianismo. Que segredos descobriu? Como ele
fez para falar tão bem de alguém que nem sequer chegou
a conhecer? Lembre-se que ele nunca participou da escola
dos doze que Jesus formou ao longo de três anos.
Neste sentido, este livro pode ser de grande ajuda para
aqueles que assumem uma empresa na segunda geração,
quando o fundador já não está mais presente. Nem tudo
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está perdido. Aliás, este pode ser o grande momento de
transformar uma iniciativa prisioneira de limites individu-
ais em um empreendimento corporativo.
O QUE É O AMOR?
Ao propor a liderança amorosa como caminho para a
gestão de negócios, precisamos, antes de tudo, saber exa-
tamente do que estamos falando. “Amor” é uma palavra
desgastada pelo tempo, pelo uso e pelo abuso. Aquilo que
signifca quase tudo pode não signifcar quase nada. Faço
apenas duas advertências: amor não é apenas sentimento
nem se resume em práticas de caridade.
PRIMEIRA ADVERTÊNCIA
Ao falar de “amor”, não nos referimos simplesmente ao
universo dos sentimentos e das emoções. Amar é muito mais
que gostar. Alguém já disse que o amor é querer o bem para
o outro; paixão é querer o outro para o seu próprio bem.
Transponha este conceito para o universo corporativo e
aparentemente as coisas começam a se complicar. Quero o
bem do cliente ou quero conquistar mais consumidores do
meu produto tendo em vista o benefício fnal de minha em-
presa? Funciona mesmo amar o cliente? Não seria mais racio-
nal explorar seu potencial de consumo, convencendo-o por
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meio de um marketing efciente, capaz de gerar nele o apetite
por um produto do qual, a rigor, ele não tem a mínima neces-
sidade? Empresários apressados e egoístas costumam gastar
fortunas em consultoria e marketing para convencer o merca-
do. Isto pode garantir o sucesso por um determinado tempo.
Porém, um ótimo marketing para um péssimo produto é um
mau negócio. Em pouco tempo, todos saberão que aquela
chave de fenda estraga no terceiro parafuso; que aquele pali-
to de fósforo não acende; que aquele novo sabão em pó não
limpa; que aquela escova de dente dura menos. A embalagem
os enganou. Na próxima visita ao supermercado trocamos de
marca. Uma pesquisa de mercado amorosa procura descobrir
as reais necessidades e não se basta em persuadir as pessoas
por meio de uma mensagem convincente. Para querer e fazer
o bem é preciso uma inteligência amorosa. O amor, portanto,
tem algo de racional. É preciso amar com a mente e com o
coração. É hora de recordar a frase lapidar do flósofo e mate-
mático francês Blaise Pascal (1623-1662): “O amor tem razões
que a própria razão desconhece”. Não é difícil imaginar o que
signifca para um matemático reconhecer que certas aritméti-
cas humanas fazem com que dois mais dois não sejam apenas
quatro. Pode ser um pouco mais... ou quase nada!
O amor, portanto, tem sua racionalidade. Mas não va-
mos exagerar. Há sim algo de profundamente emocional
no amor. Poderíamos então radicalizar nossa pergunta e
questionar com mais precisão se o líder amoroso deve ou
não ser emocional. Disse “emocional” e não “emotivo”.
Você entenderá a diferença. O emotivo é refém de suas
emoções. O emocional as administra soberano, ou seja,
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sem negá-las e sem superdimensionar os sentimentos em
detrimento da razão.
Mas admitir as emoções não seria uma fraqueza na hora de
fazer um negócio ou empreender? Conheço empresários que
jamais fariam um negócio com alguém da família porque não
conseguiriam ser sufcientemente “objetivos”. Nesta linha, al-
guns se mostram muito efcientes em suas empresas e fracas-
sados em seus lares. São explorados pelos flhos, que gastam
os tostões que ele conseguiu economizar com tanto esforço.
Este é o emotivo. E o que seria o emocional?
Sobre isso, a psicologia moderna avançou em suas pes-
quisas ao descobrir a famosa “inteligência emocional”. O re-
volucionário livro do psicólogo Daniel Goleman, Inteligência
Emocional, mostrou que não podemos desprezar este ele-
mento, por exemplo, quando contratamos um colaborador.
Utilizar apenas critérios rigorosamente técnicos pode trazer
para empresa um sujeito extremamente efciente, mas, se o
seu grau de inteligência emocional for baixo, ele terá difcul-
dades para se integrar ao grupo, e o tiro pode sair pela cula-
tra. Podemos ter contratado um problema. A inteligência
emocional nos capacita para os mais diversos níveis de rela-
cionamento. Ela também é a mola propulsora de nossas mo-
tivações. Com ela, nosso empreendimento não tem apenas
fundamentos no “saber”... mas no “sabor”. Não podemos
imaginar um vendedor sem alto grau de inteligência emo-
cional. Não bastam argumentos racionais para convencer o
cliente. É preciso muita emoção. As grandes campanhas de
marketing costumam usar e abusar deste artifício. Quer ser
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um fracassado? Tenha uma ótima idéia e cultive-a sem co-
ração. Logo terá um grupo de colaboradores desmotivados
concorrendo entre si por cargos e salários melhores. Perderá
o foco. Quer ser um vencedor? Descubra as razões que a
própria razão desconhece: pergunte ao coração!
SEGUNDA ADVERTÊNCIA
O “amor” não é exatamente sinônimo de “caridade”. Al-
gumas Bíblias traduzem o “Hino ao Amor” como “Hino à Ca-
ridade”. Isto se deve ao fato de que a palavra Caritas, em latim,
tem um signifcado mais amplo do que entendemos quando
usamos este termo em português. Para nós, fazer caridade tem
algo de assistencialista. Amar é muito mais. Portanto, falar de
liderança amorosa não tem quase nada a ver com liderança
caritativa. Esta poderia ser uma forma de se referir ao Terceiro
Setor, que tem como núcleo de sua missão a flantropia. Não
é este o objetivo de quem abre um comércio de frutas ou uma
sorveteria. O pipoqueiro pode dar um saquinho de pipocas
para uma criança carente. Pode até reservar uma parte de
seus lucros para aquela “instituição de caridade” que acolhe
menores abandonados ou idosos carentes. Mas quando você
está em um parque de diversões e sente o cheiro de pipoca
quentinha, sabe que precisará colocar a mão no bolso para sa-
tisfazer o seu desejo. Você jamais se aproximaria do carrinho
de pipocas e diria ao seu velho conhecido pipoqueiro: “Hei,
Jorge, lembra que freqüentamos a mesma igreja? Então prati-
que a caridade... dê-me um saquinho de pipocas.”
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Portanto, liderança amorosa é muito mais que liderança sen-
timental ou liderança flantrópica. O que seria então? É uma atitu-
de radical, ou seja, “de raiz”. Dela nasce uma árvore com diver-
sos ramos. Cada um deles é uma das virtudes que acreditamos
compor a estrutura do líder amoroso. Refro-me às sete virtudes
que Paulo de Tarso, de um modo genial, ocultou em seu “Hino
ao Amor” e que serão discutidas em cada capítulo deste livro.
O QUE É MESMO LIDERANÇA?
A formação de líderes pró-ativos é hoje um dos gran-
des desafos das empresas de sucesso. Já não são sufcientes
executivos ou gestores. É necessário priorizar a qualidade
e estimular o potencial de liderança que há em cada um de
seus colaboradores.
O verdadeiro líder não é aquele que determina como
as coisas devem ser e é obedecido por força do cargo que
ocupa na empresa. É líder aquele que infuencia as pessoas
do grupo para que todos possam chegar à meta pretendida.
Você está se afastando da liderança quando se torna pater-
nalista e faz tudo o que os outros deixaram de fazer. O bom
líder consegue distribuir as tarefas e liderar com sua pre-
sença e sua ausência. Há pessoas que simulam a condição
de líderes ao permitir que cada um faça o que quiser. É o
liberal. No início, isso até funciona. Mas aos poucos a de-
sintegração do grupo e o afastamento das metas torna este
pseudolíder completamente desacreditado. O líder amoro-
so tem três habilidades fundamentais:
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• Visão
• Coesão
• Ação
Cada página deste livro mostrará que o líder é aquele
que viu a meta antes dos outros, inspira confança e coesão
ao grupo e garante a operacionalidade. Com ele, o grupo
se sente em movimento ordenado, coeso e lúcido. Sabe que
à sua frente não vai um aventureiro qualquer que deseja
ser seguido às cegas. O bom líder partilha suas habilidades
de modo a gerar uma “liderança em cadeia”. Sabe delegar.
Não retêm suas descobertas como se isso colocasse em risco
seu cargo. Aliás, um dos grandes equívocos dos aprendizes
de líder é achar que a liderança será exercida apenas por
eles. Repita a seguinte frase até se convencer: “Não existem
líderes solitários.”
Até existem momentos de solidão na vida de qualquer
líder. Mas liderança é sinônimo de coesão. Assim como as
andorinhas, um líder sozinho “não faz verão”.
Algumas pessoas imaginam que os grandes líderes e
vencedores já nascem prontos. Existem talentos naturais
que não podem ser desprezados, porém, neste livro, fala-
mos das “virtudes” que compõem o potencial de vitória
de um líder amoroso. Não estamos falando de dons ou ta-
lentos. Falamos de “virtudes”. Segundo o flósofo grego
Aristóteles, em seu livro clássico Ética a Nicômaco, virtude
é o “hábito do bem”, que se adquire pela repetição de um
mesmo “ato bom”. Vício, ao contrário, é o “hábito do mal”,
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adquirido pela repetição constante de um “ato mau”. To-
dos podemos nos tornar líderes amorosos se estivermos
dispostos a conquistar os sete hábitos salutares. O hábito
virtuoso é praticado naturalmente. É um patrimônio hu-
mano do líder amoroso.
COMO UTILIZAR ESTE LIVRO
Você pode ler estas páginas de uma vez só e com muita
curiosidade. Não creio que seja a melhor maneira de ab-
sorver a experiência de vida que procurei passar por meio
destes sete capítulos. Na verdade, trata-se de sete grandes
exercícios de liderança. Sugiro que leia um capítulo por se-
mana. Faça o teste ao fnal de cada capítulo com toda a sin-
ceridade. Descubra o seu índice na respectiva virtude que
compõe a personalidade de um líder.
Nível 1 00 a 30 pontos
Regular. Você ainda não adquiriu esta virtude.
Precisa reunir as energias necessárias para dar
o primeiro passo.
Nível 2 31 a 60 pontos
Bom. Você já deu o primeiro passo. Mas ainda
está no nível dos atos isolados. Precisa exercitar
mais para ser virtuoso.
Nível 3 61 a 70 pontos
Ótimo. Você está no caminho certo. É um líder
virtuoso. Com um pouco mais de esforço pode
chegar à excelência.
Nível 4 71 a 80 pontos
Excelente. Você tem esta virtude incorporada ao
seu quotidiano e tem tudo para ser um grande
líder!
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Proponho que preencha seu teste a lápis. O resultado
nunca é defnitivo. Após algum tempo de exercício você
pode perceber que passou, por exemplo, do nível 2 para o
nível 3. Continue até chegar à excelência. Você é capaz!
Este livro, portanto, não é apenas um manual de teo-
rias sobre liderança. É uma espécie de Academia do Líder
Amoroso. Quero ajudá-lo a incorporar estes hábitos ao seu
dia-a-dia. Tenho certeza de que o resultado será visível em
sete semanas, ou seja, menos de dois meses. Procure fazer
estes exercícios continuamente, pois parar signifca perder
o hábito já conquistado!
Para contato com o autor: jocalmeida2005@hotmail.com
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Capítulo um
O líder comunicativo
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos
se não tiver o amor, sou como o bronze que soa,
ou como o címbalo que retine.
A primeira virtude fundamental para o líder amoroso é a
capacidade de se comunicar. Não basta fazer barulho como
um sino. É preciso aprender o jeito certo de ouvir e de falar
a língua dos homens, das mulheres, das crianças, dos ricos,
dos pobres e... até dos anjos.
O PRINCÍPIO DA MEDIOCRIDADE E DA SABEDORIA
O líder arrogante imagina que sabe tudo sobre o seu
produto e sobre o seu negócio. Está sempre disposto a dar
uma resposta. Tem muita difculdade para fazer perguntas.
Monopoliza o tempo das reuniões com intermináveis dis-
cursos. Seu orgulho é o princípio de sua mediocridade, pois
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quem pensa que tudo sabe não tem espaço para aprender
mais e fca escravo de sua própria ignorância.
O líder amoroso é humilde. Está disposto a aprender
sempre mais. Tem o hábito de fazer muitas perguntas, mes-
mo aos que sabem menos do que ele. Quem ama ouve res-
postas, aprende lições, pergunta o porquê. Sua humildade é
o princípio da sua sabedoria, pois quem sabe que não sabe
abre espaço na mente para saber sempre mais. A maioria de
nós sabiamos disso quando éramos crianças, pois vivíamos
perguntando “por que” isso, “por que” aquilo.
Há uma história da minha infância de menino pergunta-
dor. Meu pai, certa ocasião, teria perdido a paciência devi-
do à insistência de perguntas sobre como funcionava quase
tudo e acabou desabafando:
— João, pare de tanto por quê!!!
Dizem que minha resposta foi rápida e fulminante:
— Mas por que, pai?!
Infelizmente crescemos e desaprendemos as lições que
a natureza havia carimbado em nossa alma. Talvez seja por
esta e por outras que Jesus disse que é preciso ser criança
para ganhar o céu. Fico impressionado com a facilidade das
crianças de aprender idiomas. O líder comunicativo preci-
sa voltar a ser criança, se quiser aprender os mais diversos
tipos de linguagens, inclusive idiomas. Só aprendemos se
ouvimos e falamos − de preferência bastante errado − como
as crianças. Adultos silenciosos diante de uma gramática
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podem decorar todas as regras, mas não articularão uma
frase com espontaneidade na língua que se esforçam para
aprender. Crianças de três anos na Alemanha já se comu-
nicam naquele difícil idioma com seus pais. Experimente
estudar três anos para ver se fala como uma delas. Quanta
sabedoria pode estar escondida em nossa infância perdida.
Teremos conserto? Ou estamos condenados a ser cada vez
mais adultos? Quem sabe possamos reaprender as lições es-
quecidas começando pelo bê-á-bá: fazer perguntas!
Nossas escolas nos “adultecem” demais. Somos obriga-
dos a fcar calados diante de alguém que pensa que sabe
tudo e acaba nos contaminando com suas lições. Por sorte
esquecemos boa parte do que aprendemos. Seria insuportá-
vel viver com tantos teoremas e regras de gramática. Quase
não aprendemos das coisas mais importantes da vida, como
é o caso da comunicação ou alimentação.
PROFESSORES AMOROSOS
Vamos imaginar um professor que queira aplicar este
princípio da interrogação em sala de aula. Suas lições não
começam pela exposição de um plano predeterminado, com
todos os assuntos organizados em aulas bem preparadas e
sistematizadas no plano de ensino. Tudo isso é muito útil. É
necessário. Mas o primeiro passo para se tornar um profes-
sor amoroso é conhecer a realidade de seus alunos. Isto exi-
ge que ele estabeleça com eles um vínculo pedagógico que
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passa pelo afeto. Uma pesquisa recente indicou que muitos
alunos permanecem anos a fo em uma sala de aula com
o mesmo professor sem saber seu nome completo. Muitos,
depois de um ano, já não sabem sequer um de seus nomes.
Apagaram aquela pessoa da memória.
Os professores amorosos, ao contrário, têm grande auto-
ridade em sala de aula e suas lições permanecem na memó-
ria de seus alunos até o fm da vida. Outra pesquisa interes-
sante concluiu que os alunos confundem o professor com o
conteúdo. Normalmente, quando dizem que não gostam de
determinada matéria é porque sua relação com o professor
daquela disciplina não criou vínculo.
Um velho padre que conheci na adolescência e que foi pro-
fessor de meus pais, certa vez, me disse em tom de profeta:
— João, você será um professor. Lembre-se: nunca ensi-
ne tudo o que sabe, mas apenas o que os alunos precisam
aprender.
Muitos anos depois percebi a profundidade daquelas
palavras. Após concluir alguns doutorados, tenho sempre a
tentação de entrar em sala de aula e “dar aquele show”. Bo-
bagem. Muitos alunos precisam apenas de feijão com arroz,
afeto e atenção. Não adianta fazer um discurso sobre os va-
lores da culinária mediterrânea ou japonesa. Pode ser inútil
começar uma palestra com um longo recuo histórico para
resgatar as origens da humanidade em um ponto remoto
da África. O aluno pode estar preocupado apenas com o
aumento do preço dos alimentos e com a sua inadimplência
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na escola, pois acabou de perder o emprego. As palavras do
velho padre continuam me exortando:
— Ensine apenas o que eles precisam aprender!
Mas como saber? Apenas fazendo o exercício amoroso
de perguntar. Somente com ouvidos de aluno podemos ter
alma de educador. Pode-se chamar isso de construtivismo,
ou inventar outro termo inusitado, formulando uma teoria
ao redor da idéia. Mas não vamos complicar. No princípio
da boa comunicação há sempre uma ótima pergunta. Quem
souber fazê-la amorosamente abrirá o caminho para o pró-
prio sucesso. O flósofo grego Sócrates já andava peripateti-
camente ao redor da praça com seus alunos fazendo pergun-
tas, de modo que o conhecimento nascia no diálogo.
PESQUISAS DE MERCADO
Um empreendimento de sucesso normalmente come-
ça com uma boa pesquisa de mercado. Não deixa de ser
uma forma de perguntar. Aliás, neste caso, as perguntas são
cientifcamente selecionadas para que o resultado seja sa-
tisfatório. Os institutos de pesquisa gastam muito tempo e
dinheiro para chegar a respostas que aparentemente todos
já sabiam. Mas quanto melhor a pergunta, mais segura a
resposta e, conseqüentemente, menor o risco do investidor.
Algumas pessoas têm isso intuitivamente. Mas o que tenho
visto é que esta intuição não é tão automática ou mágica assim.
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Aquele vendedor de automóveis, que nasceu pobre e é hoje
um dos sujeitos mais ricos da cidade, tem “faro” para o bom
negócio. Ele compra um terreno distante e o progresso cami-
nha para lá, supervalorizando seu investimento. Será sorte,
acaso, predestinação, coincidência? Seus flhos fzeram curso
de administração e repetem o que todos fazem na cidade: ten-
tam vender carros. Não dá certo. Certa vez, um de seus flhos
comprou um automóvel para revender. Após algum tempo de
fracasso, resolveu procurar o pai, que imediatamente comprou
a velha Brasília, pagando mais que o flho pedira. Da lanchone-
te, onde toma rotineiramente seu cafezinho, ele chamou o fren-
tista do posto de gasolina ao lado e pediu que lavasse o veículo
e enchesse o tanque. Depois o deixou estacionado em frente
à lanchonete. Uma pessoa o procurou e perguntou se aquele
carro era dele. Respondeu que sim... e que não queria vendê-lo.
O homem fcou interessado e perguntou:
— Posso dar uma volta?
O líder amoroso lhe deu a chave e disse:
— Claro. Leve o carro e devolva amanhã.
Resultado: vendeu o automóvel por um preço maior do
que pagara a seu flho, que preferia deixar o carro sujo e
com o tanque na reserva. Inteligência? Esperteza? Carisma?
Intuição? Acaso? Sorte? Predestinação? Nada disso: comu-
nicação amorosa. É a capacidade de perceber o que as pes-
soas querem. O cliente viu que o carro era de um dono cui-
dadoso. Isto lhe inspirou confança. Não teve dúvidas em
comprar e fcou muito satisfeito com a compra.
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Mas não tente repetir isso em sua vida. Pode ser ar-
riscado, assim como fazer malabarismo ou andar na cor-
da-bamba, imitando o que vimos na tv. Parece tão fácil,
não é?! Copie a fórmula desta venda espetacular em uma
grande cidade e é possível que você nunca mais veja seu
carro... nem o dinheiro. Deu certo naquele momento de
comunicação amorosa em uma pequena cidade, onde to-
dos se conhecem. Em outros ambientes, a comunicativida-
de amorosa apresentará outros critérios. Mas a raiz desta
atitude é o que interessa. Há uma sensibilidade que o líder
comunicativo sabe manipular e que dá certo. Eis a grande
questão. Regras existem para serem quebradas, inclusive
esta. É possível que o flho daquele negociante tenha en-
chido o tanque de muitas Brasílias e esperado o cliente to-
mando dezenas de café. Permaneceu pensando: “Meu pai
fez assim e deu certo...”
Pode esperar sentado. Se não tiver aprendido a lição es-
sencial da comunicatividade amorosa, jamais será um ven-
dedor de sucesso.
Sempre tenho receio de que as pessoas, ao lerem livros
como este, levem-no ao pé da letra tentando repetir fórmu-
las de sucesso. Cada um tem sua dosagem de água, sal e
óleo no pão nosso de cada dia. Saber superar paradigmas
estagnados e abrir-se ao novo é uma das características
marcantes de um líder comunicativo. Ele é capaz de se rein-
ventar a cada dia. Assume os riscos desta postura diante da
vida. Por isso é um empreendedor. Ao comentar esta idéia
com um empresário de sucesso, ele completou:
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— O empreendedor sabe utilizar seus recursos e trans-
formá-los em riquezas palpáveis.
É claro que um dos recursos é a comunicatividade. O
líder amoroso sabe transformá-la em riqueza. Estamos fa-
lando em um capital humano de grande valor e que muitas
pessoas nem sabem que possuem, ou deixam em um cofre
da alma.
Quem prefere repetir a mesmice será sempre liderado e
gostará que seja assim. Se você é um destes... bem, é melhor
parar a leitura agora mesmo, pois estas páginas podem ter
“efeitos colaterais”.
Se aceita desafos, vá em frente!
OMBUDSMAN
Os grandes jornais têm uma pessoa especializada em
ouvir os leitores e até mesmo criticar os erros da reda-
ção: é o ombudsman. O líder amoroso sabe ouvir as críti-
cas de seus clientes. Aliás, ele faz questão de ouvir tudo
o que for necessário para melhorar o seu produto. Sua
empresa tem uma ouvidoria e seu processo de produção
passa sempre por este crivo de qualidade. Precisamos
“amorizar” nossas empresas, e o primeiro passo é desen-
volver a habilidade da escuta. Não basta que o investi-
dor ou o gerente seja amoroso. Este espírito de liderança
deve contagiar toda a empresa. É uma atitude coletiva
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que deixa sua marca no produto. Produtos “amorizados”
vendem mais e vendem sempre. A frase é infeliz, mas
insistimos que “a amorosidade comunicativa sempre é
um grande negócio!”
ESCUTA ATIVA
O líder comunicativo sabe ouvir. Isto signifca que ele
não apenas tem a disposição amorosa de escutar as pessoas,
mas ouve do jeito certo. É preciso critérios para não engolir
a-criticamente tudo o que se ouve. A primeira virtude do
líder amoroso não é ser simplesmente um comunicador ou
comunicólogo... é ser comunicATIVO. Isto quer dizer que
ele não é um ouvinte passivo, que depois se deixa dominar
pelo interlocutor. Conheço pessoas que são amorosas, ou-
vem muito, mas sempre se deixam dominar. São até bons
comunicadores, ou estudiosos da ciência da comunicação,
mas não são pró-ativos.
Após ouvir, o líder comunicativo passa tudo pelo cri-
vo de uma série de fltros, para que não fque disperso em
meio a um tiroteio de sugestões desordenadas. Ele aprovei-
ta o que é possível e muitas coisas simplesmente vão para a
lixeira. Isto não desagrada o cliente, que, na prática, queria
somente ser ouvido.
O líder comunicativo, em determinadas situações,
ouve até o que as pessoas não dizem. É intuitivo. Muitas
vezes, a mensagem mais importante é a que está sepultada
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no silêncio. Muitas pessoas têm difculdade em expressar
suas necessidades mais profundas. Quando um líder exer-
cita esta “empatia” e sabe ler o coração do outro, ganhou
um cliente fel.
Existem grandes comunicadores que não são comunica-
tivos. Sua mensagem é bem elaborada e inclusive elogiada
pela maioria. Mas o resultado fnal do seu discurso pode ser
simplesmente nulo. O comunicativo “vende o peixe”, ainda
que tropece um pouco nas palavras e até cometa erros de
gramática. Tome cuidado. Alguns clientes fcam desconfa-
dos diante do vendedor muito hábil nas palavras. Eles têm
a sensação (às vezes verdadeira) de estarem sendo enga-
nados pela “lábia” do vendedor. Pode ser que um tímido
comunicativo inspire mais confança e venda mais que um
empolgado comunicador. A credibilidade da mensagem é
fator fundamental para que sejamos comunicativos. A com-
pra é sempre uma escolha pessoal, e não uma imposição.
Basta que o vendedor seja capaz de aconselhar adequada-
mente o seu cliente. Comunicar demais pode ser autoritá-
rio. Se precisamos utilizar muitos recursos de retórica, pode
ser que nós mesmos não estejamos convencidos de que o
produto é bom.
OUTROS ELEMENTOS DA BOA COMUNICAÇÃO
No processo de diálogo interferem alguns elementos
secundários, mas muito importantes: o olhar, o tom da voz,
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a atenção. Uma técnica infalível é repetir com suas pala-
vras a resposta do cliente. Por exemplo, você lhe pergunta
se hoje ele prefere levar pães de queijo pequenos ou dos
maiores. A resposta é lacônica:
— Hoje prefro um dos grandes.
Você não perguntou por mera formalidade. Sua lideran-
ça amorosa o leva a ouvir a resposta e responder com outra
pergunta:
— Ok. Ótima escolha. Parecem mais apetitosos hoje, não é?
O cliente poderá fazer apenas um aceno com a cabeça,
mas fcará muito satisfeito por ter sido compreendido em
sua escolha.
A boa comunicação tem outro elemento fundamental:
o humor. Um líder amoroso jamais perde o bom humor.
Quem sorri quando fala multiplica por dez a sua capacida-
de de atingir o interlocutor. Não se trata de fazer piada, ou
utilizar a técnica da ironia ou do cinismo. Estas, ao contrá-
rio, são barreiras que se tornam verdadeiros obstáculos para
uma boa comunicação. O líder bem-humorado é “cheio de
graça”. Neste ponto é preciso ter um cuidado especial. Há
pessoas que são ótimas para contar uma anedota. Outras
simplesmente caem no ridículo. Mas cada um tem sua gra-
ça, seu charme pessoal. É preciso descobrir seu foco e não
perdê-lo durante o contato com o cliente. De qualquer ma-
neira, para ser um líder comunicativo não basta o amor, é
preciso o humor.
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ALERTA FINAL
É importante fazer um alerta ao fnal deste capítulo.
Não basta comunicar do jeito certo. É necessário ter conteú-
do. No fm do processo, o que fcará mesmo é a mensagem.
Se o produto não for bom, de nada valerá o belo embrulho.
Literalmente, as pessoas se sentirão traídas, “embrulhadas”
pela sua lábia de bom vendedor. O líder amoroso conhece
aquilo que vende. Ele sabe das qualidades e limites do seu
produto. Sabe dar as respostas que o cliente quer e precisa
ouvir. Boa parte da autoridade vem do conhecimento. Mui-
tas vezes nossos clientes não conhecem alguns dos bene-
fícios que terão ao adquirir determinado produto. O líder
amoroso sabe identifcar as necessidades do cliente e indicar
o melhor. Uma destas vendedoras amorosas conseguiu me
vender um aparelho celular de difícil manuseio. Quando
perguntei sobre uma das funções, ela mesma teve alguma
difculdade de explicar. Questionei de modo irreverente:
— Como você me vende um celular difícil de mexer?
Ela respondeu efcientemente:
— Sei que o senhor tem fuência digital. Terá menos di-
fculdades do que eu. Se fosse uma pessoa sem intimidade
com o mundo da informática, jamais indicaria este apare-
lho, que realmente é um dos melhores que temos aqui. Vale
o esforço de aprender a manusear.
Gostei tanto que passei as próximas horas tentando de-
cifrar os mistérios daquele pequeno aparelho.
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39
COMO SE TORNAR UM LÍDER COMUNICATIVO?
Saiba aquietar a sua mente a fm de abrir espaço nos
ouvidos e no coração para a mensagem que vem do ou-
tro. Escute o que o outro fala e também o que ele diz sem
falar. Exercite esta habilidade fazendo perguntas. Repita
este ato permanentemente. Não se relacione com nenhu-
ma pessoa sem fazer pelo menos três perguntas. Pergunte
o óbvio: o nome, de onde veio, do que gosta, se está fe-
liz, o que espera da vida, quais os planos para o futuro.
Perguntadores estão na escola da comunicatividade. Este
é o primeiro passo. Os outros você mesmo descobrirá. Seja
ativo na comunicação, desde a pergunta até as respostas
que esperam de você. Verá que dá certo e que comunicar é
um jeito de amar!
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TESTE DE COMUNICATIVIDADE
sempre às vezes raramente nunca total
1. Você faz perguntas? 10 8 4 0
2. Ouve as respostas atentamente? 10 8 4 0
3. Repete a resposta do seu
interlocutor com suas palavras?
10 8 4 0
4. Procura as pessoas? 8 6 2 0
5. Você se interessa em aprender
outros idiomas?
8 6 2 0
6. Você mede o grau de satisfação
dos clientes?
8 6 2 0
7. Já fez alguma pesquisa de mercado
científca?
8 6 2 0
8. Você tem sucesso em suas
vendas?
6 4 2 0
9. Faz cursos para se reciclar? 6 4 2 0
10. Lê livros, jornais e revistas? 6 4 2 0
TOTAL GERAL --- ---- ---- ----
AVALIE SEUS RESULTADOS
Nível 1 00 a 30 pontos
Regular. Você ainda não adquiriu esta virtude.
Precisa reunir as energias necessárias para dar o
primeiro passo.
Nível 2 31 a 60 pontos
Bom. Você já deu o primeiro passo. Mas ainda está
no nível dos atos isolados. Precisa exercitar mais
para ser virtuoso.
Nível 3 61 a 70 pontos
Ótimo. Você está no caminho certo. É um líder
virtuoso. Com um pouco mais de esforço pode
chegar à excelência.
Nível 4 71 a 80 pontos
Excelente. Você tem esta virtude incorporada ao seu
quotidiano e tem tudo para ser um grande líder!
O QUE FAREI PARA MELHORAR ESTES INDICADORES
Ação 1
Ação 2
Ação 3
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João Carlos Almeida

AS SETE VIRTUDES
DO LÍDER AMOROSO

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Editora: Cristiana Negrão Capa E diagramação: Tiago Muelas Filu prEparação E rEvisão: Lilian Miyoko Kumai Patrícia de Fátima dos Santos

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Almeida, João Carlos. As sete virtudes do líder amoroso / Pe. Joãozinho -- São Paulo, SP : Editora Canção Nova, 2008. ISBN 978-85-7677-112-8 1. Liderança cristã I. Título.

08-06754 Índices para catálogo sistemático: 1. Liderança cristã : Teologia pastoral: Cristianismo 253

CDD-158.2

Editora Canção nova

Rua São Bento, 43 - Centro 01011-000 São Paulo SP Telefax [55] (11) 3106-9080 e-mail: editora@cancaonova.com vendas@cancaonova.com Home page: http://editora.cancaonova.com Todos os direitos reservados. ISBN: 978-85-7677-112-8 © EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2008

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21.07.08 13:45:42

a arte de amar! Sete_virtudes.indd 5 21.08 13:45:42 .07. na vida e na morte.Para Sílvia Letícia Minamoto. que conheceu estas lições sem estudar e liderou.

07.indd 6 21.08 13:45:43 .Sete_virtudes.

Sete_virtudes. ao amigo Hans Otto Taube. Ele não poupou tempo e atenção para me ajudar a reler os originais com olhos de águia. empreendedor com os pés em Taubaté e Campos do Jordão. de um modo todo especial. Foram tantas.. o olhar em todo o Vale do Paraíba e o coração no mundo inteiro.Deveria manifestar aqui os meus agradecimentos a muitas pessoas que me ajudaram na reflexão que você acompanhará nas páginas seguintes. Mas quero agradecer..indd 7 21.08 13:45:43 .07.

07.08 13:45:43 .Sete_virtudes.indd 8 21.

08 13:45:43 .indd 9 21.07.SUMáRIO Introdução Capítulo um O líder comunicativo Capítulo dois O líder confiante Capítulo três O líder solidário Capítulo quatro O líder paciente Capítulo cinco O líder discreto Capítulo seis O líder honesto Capítulo sete O líder resiliente Palavras finais 13 27 41 59 79 89 101 113 127 Sete_virtudes.

Sete_virtudes.08 13:45:43 .indd 10 21.07.

tudo espera. sou como o bronze que soa. tudo crê. não guarda rancor. O amor é paciente. se não tiver o amor. Não busca os seus próprios interesses. O amor jamais acabará. a ponto de transportar montanhas. O amor não é orgulhoso. não se irrita. e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência. se não tiver o amor.07. O amor tudo desculpa. Não tem inveja. mas se rejubila com a verdade. o amor é bondoso. O amor não é escandaloso.08 13:45:43 . mesmo que tivesse toda a fé. Não é arrogante.indd 11 21.Hino ao Amor Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos. ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia. PAULO DE TARSO Sete_virtudes. O amor não se alegra com a injustiça. não sou nada. tudo suporta.

07.08 13:45:43 .Sete_virtudes.indd 12 21.

A QUESTÃO FUNDAMENTAL A questão fundamental. atinja os seus objetivos. Com a autoridade.08 13:45:44 .07. de modo coeso. teve uma intuição genial sobre a essência da liderança: verdadeiro líder é aquele que tem autoridade e não simplesmente aquele que tem o poder. Toda sociedade precisa de um líder. é descobrir a dinâmica pela qual desenvolvemos nosso potencial de autoridade 13 Sete_virtudes. Hunter escreveu seu best-seller.Introdução Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo! Jesus Cristo Quando James C. O Monge e o Executivo. portanto. conseguimos influenciar as pessoas para que o grupo.indd 13 21. Toda empresa de sucesso tem em sua história alguém que soube exercer a liderança de um modo determinante e influenciou as pessoas em vista do bem comum.

pessoal. O líder servidor é alguém que é obedecido. Certamente esta não é uma lição apenas para os que querem um pedaço de terra no céu. A fonte da autoridade seria. Ele sabe que é possível pintar aquela parede daquele jeito e naquele espaço de tempo. 14 Sete_virtudes. Ele mesmo já pintou muitas paredes sem precisar mais do que duas horas para fazer todo o serviço. então.indd 14 21.07. Na verdade.08 13:45:44 . LIDERANÇA SERVIDORA A partir desta intuição assumida por Hunter em seu livro. a disposição para servir. o mundo corporativo começou a falar de liderança servidora. Será que todos podemos ser líderes? Ou alguns estão fatalmente condenados a ser apenas liderados? Liderança seria puro carisma? Ou é 10% de inspiração e 90% de transpiração? O monge sugere aos executivos – que buscam a fórmula do sucesso para seus empreendimentos – atenção ao exemplo de Jesus Cristo. o próprio mestre revelou seu segredo quando ensinou a seus seguidores que “aquele que quiser ser líder deve ser o servo de todos”. porque antes de mandar fazer ele já fez e sabe como se faz. Sua ordem não é arbitrária. mas pode iluminar o caminho dos que se dedicam a construir um céu na terra. Agora ele pode liderar os seus pintores com autoridade. Sua autoridade era tão marcante que alguns chegavam a dizer: “Até o vento e o mar o obedecem”.

A liderança é construída em uma dimensão humana muito mais profunda: a atitude! O verdadeiro líder é reconhecido até pelo tom da voz. o melhor.07. Ele inspira confiança ao grupo porque tem uma atitude de líder. falar de líder amoroso. LIDERANÇA AMOROSA Aqui já não estamos somente no âmbito do líder servidor. mas amigos!” Este é o caminho que pretendemos trilhar nestas páginas. de fato.Mas Hunter deu um passo a mais. o suor e as lágrimas pelo projeto da empresa. É muito mais. Qualquer um de nós é capaz de reconhecer a sinceridade de alguém que está disposto a dar o sangue.indd 15 21. Parece que o próprio Jesus percebeu isso quando disse ao grupo mais restrito de seguidores: “Já não vos chamo servos. A origem e o fim da autoridade não pode ser simplesmente a habilidade para realizar tarefas. Em outras palavras: o amor pode ser um bom negócio? Hunter percebeu esta passagem do serviço para o amor e utilizou o trecho mais belo da Bíblia para tentar descrever o que realmente significa esta palavra tão utilizada nos 15 Sete_virtudes. Ele não precisa insistir muito para que as pessoas fiquem persuadidas de que seu caminho é.. de dar a vida pelo grupo.. ou seja. A raiz desta atitude fundamental é o que poderíamos chamar de amor. Poderíamos. então. Queremos descobrir de que modo a dinâmica do amor é determinante para encher qualquer pessoa de muita autoridade e garantir o sucesso dos seus empreendimentos.08 13:45:44 . a disposição de doar-se.

.indd 16 21. encontrei outras virtudes que ultrapassam o âmbito do serviço e nos permitem agora falar de líder amoroso. Como se Tornar um Líder Servidor (capítulo 4). mas pouco prático nas coisas aqui da terra? Funcionaria 16 Sete_virtudes. Algum tempo depois. mas nem sempre com o mesmo significado. Ao final de minha exposição.08 13:45:44 . levantou a mão e questionou: — Muito bonito o seu discurso. grande líder no comércio local. porém todos os grandes empresários de sucesso que conheço são frios como uma pedra. foi escrito por Paulo de Tarso e está registrado no capítulo 13 da Carta aos Coríntios. Esta é a nossa contribuição original. O “Hino ao Amor”. o autor procura desvendar as virtudes que comporiam a personalidade do líder.poemas e romances. Ao ler a sua reflexão. um senhor já idoso.07.. não me parecem nada amorosos! Confesso que permaneci com aquelas palavras desafiadoras engasgadas na garganta. provavelmente. Nos Livros O Monge e o Executivo (capítulo 4) e. Será mesmo que a liderança amorosa serve apenas para consolar os derrotados? Seria uma mensagem útil somente para piedosos seguidores de uma religião qualquer? Seria a ponte imaginária para um céu distante. NÓ NA GARGANTA Cheguei a pensar que este discurso convenceria qualquer empresário de sucesso. proferia uma conferência para executivos e mostrava de que modo a liderança amorosa é essencial para o sucesso de qualquer empreendedor.

Sim. propagar suas idéias por grande parte do 17 Sete_virtudes. autor do “Hino ao Amor”. Hunter. mas negócios. bem. viu uma luz. prefeituras. comércio. porém não para guiar nossos passos durante a semana? Os grandes líderes. das empresas e da indústria? Em que dimensão? Ou é apenas um princípio religioso que deve ser vivido privadamente no âmbito da família e da amizade.07. para alcançar o sucesso. setor de serviços? É útil para os monges. empresas. como fundamento da liderança servidora. negócios à parte! Será? UM EMPREENDEDOR CHAMADO PAULO Foi refletindo sobre tudo isso que lembrei de Paulo de Tarso..indd 17 21.bem nos corredores silenciosos de um mosteiro. O amor pode funcionar no mundo do comércio. quando ainda se chamava Saulo. utilizado nos livros de James C. devem ser empreendedores sem coração? A amorosidade poderia enfraquecer a racionalidade que se exige do bom administrador? O livro surgiu deste gosto amargo e da inquietude em responder a todas estas perguntas desafiadoras. Passou a perseguir o ideal de Jesus. Ele tinha muito sucesso em sua empreitada.08 13:45:45 .. ouviu uma voz e tudo mudou. até que um dia levou um tombo quando estava a caminho de Damasco. mas cairia no ridículo em nossas ruas. aquele jovem empreendedor fariseu foi um raivoso perseguidor de cristãos. mas de utilidade discutível para os executivos? Serve muito bem para os sábados e domingos de repouso e celebração. praças.

mundo conhecido. mas foi o grande responsável pelo sucesso da idéia de Jesus. Neste sentido. Suas viagens percorreram grande parte da Grécia e o fizeram chegar até o centro do mundo antigo: Roma! Inegavelmente foi um grande líder. Que segredos descobriu? Como ele fez para falar tão bem de alguém que nem sequer chegou a conhecer? Lembre-se que ele nunca participou da escola dos doze que Jesus formou ao longo de três anos. A leitura atenta de seus escritos mostra que ele tinha os defeitos de qualquer cidadão comum. Ele inventou o negócio. Mas superou tudo isso tornando-se o grande líder do cristianismo.indd 18 21. Nem tudo 18 Sete_virtudes. Nestas páginas você verá que Paulo tinha tudo para dar errado. Dizem que. vamos concordar que Jesus foi um líder bastante limitado à região da hoje Palestina. Em certa ocasião. descobrimos sete virtudes fundamentais para quem quiser ser um líder amoroso e um empreendedor de sucesso garantido. apesar de escrever bem e ser um grande estudioso. este livro pode ser de grande ajuda para aqueles que assumem uma empresa na segunda geração. mas foi Paulo de Tarso quem levou seu empreendimento aos quatro cantos do mundo. Era de baixa estatura. alguém até adormeceu durante um de seus discursos e acabou caindo da janela. quando o fundador já não está mais presente. Não costumava ultrapassar aquelas fronteiras.08 13:45:45 . Não tinha rara beleza. Qual seria o segredo do seu sucesso? Ao ler o seu “Hino ao Amor”. como uma certa vaidade e falta de paciência com as pessoas.07. Se quisermos ser honestos com a história. Paulo não era lá um grande orador.

precisamos. Amar é muito mais que gostar. Faço apenas duas advertências: amor não é apenas sentimento nem se resume em práticas de caridade. Aquilo que significa quase tudo pode não significar quase nada. O QUE É O AMOR? Ao propor a liderança amorosa como caminho para a gestão de negócios. pelo uso e pelo abuso. antes de tudo. este pode ser o grande momento de transformar uma iniciativa prisioneira de limites individuais em um empreendimento corporativo. Alguém já disse que o amor é querer o bem para o outro. Quero o bem do cliente ou quero conquistar mais consumidores do meu produto tendo em vista o benefício final de minha empresa? Funciona mesmo amar o cliente? Não seria mais racional explorar seu potencial de consumo. “Amor” é uma palavra desgastada pelo tempo. paixão é querer o outro para o seu próprio bem. PRIMEIRA ADVERTÊNCIA Ao falar de “amor”. não nos referimos simplesmente ao universo dos sentimentos e das emoções.07. saber exatamente do que estamos falando.08 13:45:45 .indd 19 21. Transponha este conceito para o universo corporativo e aparentemente as coisas começam a se complicar.está perdido. Aliás. convencendo-o por 19 Sete_virtudes.

tem sua racionalidade. que aquele novo sabão em pó não limpa. Poderíamos então radicalizar nossa pergunta e questionar com mais precisão se o líder amoroso deve ou não ser emocional. O emotivo é refém de suas emoções. Porém. Em pouco tempo. tem algo de racional. portanto. Na próxima visita ao supermercado trocamos de marca. 20 Sete_virtudes.08 13:45:45 . portanto.. ou quase nada! O amor. ele não tem a mínima necessidade? Empresários apressados e egoístas costumam gastar fortunas em consultoria e marketing para convencer o mercado. ou seja. A embalagem os enganou. Há sim algo de profundamente emocional no amor. Você entenderá a diferença. Uma pesquisa de mercado amorosa procura descobrir as reais necessidades e não se basta em persuadir as pessoas por meio de uma mensagem convincente.07. Mas não vamos exagerar. Não é difícil imaginar o que significa para um matemático reconhecer que certas aritméticas humanas fazem com que dois mais dois não sejam apenas quatro. Para querer e fazer o bem é preciso uma inteligência amorosa. que aquele palito de fósforo não acende. Isto pode garantir o sucesso por um determinado tempo. um ótimo marketing para um péssimo produto é um mau negócio. todos saberão que aquela chave de fenda estraga no terceiro parafuso. O amor. que aquela escova de dente dura menos. É hora de recordar a frase lapidar do filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662): “O amor tem razões que a própria razão desconhece”. Pode ser um pouco mais..indd 20 21. É preciso amar com a mente e com o coração. a rigor. Disse “emocional” e não “emotivo”.meio de um marketing eficiente. O emocional as administra soberano. capaz de gerar nele o apetite por um produto do qual.

sem negá-las e sem superdimensionar os sentimentos em detrimento da razão. Podemos ter contratado um problema.indd 21 21. Inteligência Emocional..08 13:45:46 . Utilizar apenas critérios rigorosamente técnicos pode trazer para empresa um sujeito extremamente eficiente. alguns se mostram muito eficientes em suas empresas e fracassados em seus lares. E o que seria o emocional? Sobre isso. quando contratamos um colaborador. É preciso muita emoção. mas no “sabor”. se o seu grau de inteligência emocional for baixo. mas. A inteligência emocional nos capacita para os mais diversos níveis de relacionamento. São explorados pelos filhos. mostrou que não podemos desprezar este elemento.07. ele terá dificuldades para se integrar ao grupo. Não bastam argumentos racionais para convencer o cliente. e o tiro pode sair pela culatra. Nesta linha. As grandes campanhas de marketing costumam usar e abusar deste artifício. por exemplo. Mas admitir as emoções não seria uma fraqueza na hora de fazer um negócio ou empreender? Conheço empresários que jamais fariam um negócio com alguém da família porque não conseguiriam ser suficientemente “objetivos”. que gastam os tostões que ele conseguiu economizar com tanto esforço. a psicologia moderna avançou em suas pesquisas ao descobrir a famosa “inteligência emocional”. Quer ser 21 Sete_virtudes.. O revolucionário livro do psicólogo Daniel Goleman. Este é o emotivo. Com ela. nosso empreendimento não tem apenas fundamentos no “saber”. Não podemos imaginar um vendedor sem alto grau de inteligência emocional. Ela também é a mola propulsora de nossas motivações.

Perderá o foco. Algumas Bíblias traduzem o “Hino ao Amor” como “Hino à Caridade”.. Amar é muito mais. Jorge. Portanto.indd 22 21. Logo terá um grupo de colaboradores desmotivados concorrendo entre si por cargos e salários melhores. que tem como núcleo de sua missão a filantropia. Mas quando você está em um parque de diversões e sente o cheiro de pipoca quentinha. Esta poderia ser uma forma de se referir ao Terceiro Setor. dê-me um saquinho de pipocas. falar de liderança amorosa não tem quase nada a ver com liderança caritativa.07. Isto se deve ao fato de que a palavra Caritas. O pipoqueiro pode dar um saquinho de pipocas para uma criança carente. fazer caridade tem algo de assistencialista. sabe que precisará colocar a mão no bolso para satisfazer o seu desejo. Não é este o objetivo de quem abre um comércio de frutas ou uma sorveteria.um fracassado? Tenha uma ótima idéia e cultive-a sem coração. em latim.08 13:45:46 . Pode até reservar uma parte de seus lucros para aquela “instituição de caridade” que acolhe menores abandonados ou idosos carentes.” 22 Sete_virtudes. lembra que freqüentamos a mesma igreja? Então pratique a caridade. Para nós.. Quer ser um vencedor? Descubra as razões que a própria razão desconhece: pergunte ao coração! SEGUNDA ADVERTÊNCIA O “amor” não é exatamente sinônimo de “caridade”. Você jamais se aproximaria do carrinho de pipocas e diria ao seu velho conhecido pipoqueiro: “Hei. tem um significado mais amplo do que entendemos quando usamos este termo em português.

O verdadeiro líder não é aquele que determina como as coisas devem ser e é obedecido por força do cargo que ocupa na empresa. No início. de um modo genial. Há pessoas que simulam a condição de líderes ao permitir que cada um faça o que quiser. isso até funciona. O líder amoroso tem três habilidades fundamentais: 23 Sete_virtudes.07. Você está se afastando da liderança quando se torna paternalista e faz tudo o que os outros deixaram de fazer. ocultou em seu “Hino ao Amor” e que serão discutidas em cada capítulo deste livro. liderança amorosa é muito mais que liderança sentimental ou liderança filantrópica. É o liberal.08 13:45:46 .indd 23 21. O que seria então? É uma atitude radical. Refiro-me às sete virtudes que Paulo de Tarso. É líder aquele que influencia as pessoas do grupo para que todos possam chegar à meta pretendida. ou seja. Cada um deles é uma das virtudes que acreditamos compor a estrutura do líder amoroso.Portanto. O bom líder consegue distribuir as tarefas e liderar com sua presença e sua ausência. Mas aos poucos a desintegração do grupo e o afastamento das metas torna este pseudolíder completamente desacreditado. Dela nasce uma árvore com diversos ramos. O QUE É MESMO LIDERANÇA? A formação de líderes pró-ativos é hoje um dos grandes desafios das empresas de sucesso. É necessário priorizar a qualidade e estimular o potencial de liderança que há em cada um de seus colaboradores. Já não são suficientes executivos ou gestores. “de raiz”.

Mas liderança é sinônimo de coesão.07. Existem talentos naturais que não podem ser desprezados. que se adquire pela repetição de um mesmo “ato bom”. Vício. Não estamos falando de dons ou talentos. Sabe que à sua frente não vai um aventureiro qualquer que deseja ser seguido às cegas. 24 Sete_virtudes.indd 24 21. Falamos de “virtudes”. Assim como as andorinhas. O bom líder partilha suas habilidades de modo a gerar uma “liderança em cadeia”.” Até existem momentos de solidão na vida de qualquer líder. coeso e lúcido. um líder sozinho “não faz verão”. Sabe delegar. falamos das “virtudes” que compõem o potencial de vitória de um líder amoroso. Repita a seguinte frase até se convencer: “Não existem líderes solitários. virtude é o “hábito do bem”. um dos grandes equívocos dos aprendizes de líder é achar que a liderança será exercida apenas por eles. é o “hábito do mal”. porém. Não retêm suas descobertas como se isso colocasse em risco seu cargo. Aliás. o grupo se sente em movimento ordenado.08 13:45:46 . em seu livro clássico Ética a Nicômaco.• Visão • Coesão • Ação Cada página deste livro mostrará que o líder é aquele que viu a meta antes dos outros. inspira confiança e coesão ao grupo e garante a operacionalidade. Segundo o filósofo grego Aristóteles. Algumas pessoas imaginam que os grandes líderes e vencedores já nascem prontos. ao contrário. Com ele. neste livro.

Todos podemos nos tornar líderes amorosos se estivermos dispostos a conquistar os sete hábitos salutares. trata-se de sete grandes exercícios de liderança. O hábito virtuoso é praticado naturalmente. Você já deu o primeiro passo.08 13:45:47 .adquirido pela repetição constante de um “ato mau”. Descubra o seu índice na respectiva virtude que compõe a personalidade de um líder. Com um pouco mais de esforço pode chegar à excelência. Ótimo. Sugiro que leia um capítulo por semana. Nível 1 00 a 30 pontos Regular. Excelente. É um líder virtuoso. Você tem esta virtude incorporada ao seu quotidiano e tem tudo para ser um grande líder! Nível 2 31 a 60 pontos Nível 3 61 a 70 pontos Nível 4 71 a 80 pontos 25 Sete_virtudes. Faça o teste ao final de cada capítulo com toda a sinceridade.indd 25 21. É um patrimônio humano do líder amoroso. Não creio que seja a melhor maneira de absorver a experiência de vida que procurei passar por meio destes sete capítulos. Na verdade. Mas ainda está no nível dos atos isolados. Você está no caminho certo.07. Você ainda não adquiriu esta virtude. Precisa reunir as energias necessárias para dar o primeiro passo. Bom. Precisa exercitar mais para ser virtuoso. COMO UTILIZAR ESTE LIVRO Você pode ler estas páginas de uma vez só e com muita curiosidade.

Proponho que preencha seu teste a lápis. menos de dois meses.indd 26 21. pois parar significa perder o hábito já conquistado! Para contato com o autor: jocalmeida2005@hotmail. do nível 2 para o nível 3.08 13:45:47 . Quero ajudá-lo a incorporar estes hábitos ao seu dia-a-dia. Procure fazer estes exercícios continuamente. Continue até chegar à excelência. por exemplo. É uma espécie de Academia do Líder Amoroso. Você é capaz! Este livro.07. ou seja. não é apenas um manual de teorias sobre liderança. Após algum tempo de exercício você pode perceber que passou. Tenho certeza de que o resultado será visível em sete semanas.com 26 Sete_virtudes. O resultado nunca é definitivo. portanto.

Não basta fazer barulho como um sino. Monopoliza o tempo das reuniões com intermináveis discursos. das mulheres. dos pobres e..08 13:45:47 . até dos anjos. Tem muita dificuldade para fazer perguntas. ou como o címbalo que retine..indd 27 21. Está sempre disposto a dar uma resposta. das crianças. A primeira virtude fundamental para o líder amoroso é a capacidade de se comunicar.Capítulo um O líder comunicativo Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos se não tiver o amor. O PRINCÍPIO DA MEDIOCRIDADE E DA SABEDORIA O líder arrogante imagina que sabe tudo sobre o seu produto e sobre o seu negócio. Seu orgulho é o princípio de sua mediocridade. pois 27 Sete_virtudes. sou como o bronze que soa. dos ricos.07. É preciso aprender o jeito certo de ouvir e de falar a língua dos homens.

Fico impressionado com a facilidade das crianças de aprender idiomas. Sua humildade é o princípio da sua sabedoria. Há uma história da minha infância de menino perguntador. aprende lições. “por que” aquilo. se quiser aprender os mais diversos tipos de linguagens. Está disposto a aprender sempre mais. Tem o hábito de fazer muitas perguntas. Meu pai.indd 28 21. pai?! Infelizmente crescemos e desaprendemos as lições que a natureza havia carimbado em nossa alma. teria perdido a paciência devido à insistência de perguntas sobre como funcionava quase tudo e acabou desabafando: — João. Talvez seja por esta e por outras que Jesus disse que é preciso ser criança para ganhar o céu. A maioria de nós sabiamos disso quando éramos crianças.quem pensa que tudo sabe não tem espaço para aprender mais e fica escravo de sua própria ignorância. pare de tanto por quê!!! Dizem que minha resposta foi rápida e fulminante: — Mas por que. pois quem sabe que não sabe abre espaço na mente para saber sempre mais. pois vivíamos perguntando “por que” isso. Só aprendemos se ouvimos e falamos − de preferência bastante errado − como as crianças. Quem ama ouve respostas.07. pergunta o porquê. O líder comunicativo precisa voltar a ser criança. O líder amoroso é humilde. certa ocasião. inclusive idiomas. mesmo aos que sabem menos do que ele.08 13:45:47 . Adultos silenciosos diante de uma gramática 28 Sete_virtudes.

como é o caso da comunicação ou alimentação. mas não articularão uma frase com espontaneidade na língua que se esforçam para aprender. Isto exige que ele estabeleça com eles um vínculo pedagógico que 29 Sete_virtudes. Mas o primeiro passo para se tornar um professor amoroso é conhecer a realidade de seus alunos. Somos obrigados a ficar calados diante de alguém que pensa que sabe tudo e acaba nos contaminando com suas lições. Por sorte esquecemos boa parte do que aprendemos. Quanta sabedoria pode estar escondida em nossa infância perdida.07. É necessário. com todos os assuntos organizados em aulas bem preparadas e sistematizadas no plano de ensino. Experimente estudar três anos para ver se fala como uma delas. Suas lições não começam pela exposição de um plano predeterminado.indd 29 21. PROFESSORES AMOROSOS Vamos imaginar um professor que queira aplicar este princípio da interrogação em sala de aula.podem decorar todas as regras. Quase não aprendemos das coisas mais importantes da vida. Teremos conserto? Ou estamos condenados a ser cada vez mais adultos? Quem sabe possamos reaprender as lições esquecidas começando pelo bê-á-bá: fazer perguntas! Nossas escolas nos “adultecem” demais.08 13:45:48 . Crianças de três anos na Alemanha já se comunicam naquele difícil idioma com seus pais. Tudo isso é muito útil. Seria insuportável viver com tantos teoremas e regras de gramática.

Apagaram aquela pessoa da memória. quando dizem que não gostam de determinada matéria é porque sua relação com o professor daquela disciplina não criou vínculo. você será um professor. Os professores amorosos. Um velho padre que conheci na adolescência e que foi professor de meus pais. Muitos alunos precisam apenas de feijão com arroz.08 13:45:48 . Outra pesquisa interessante concluiu que os alunos confundem o professor com o conteúdo. ao contrário. mas apenas o que os alunos precisam aprender. têm grande autoridade em sala de aula e suas lições permanecem na memória de seus alunos até o fim da vida. Bobagem.07. Pode ser inútil começar uma palestra com um longo recuo histórico para resgatar as origens da humanidade em um ponto remoto da África. Muitos anos depois percebi a profundidade daquelas palavras. afeto e atenção. Após concluir alguns doutorados. Uma pesquisa recente indicou que muitos alunos permanecem anos a fio em uma sala de aula com o mesmo professor sem saber seu nome completo. Normalmente. O aluno pode estar preocupado apenas com o aumento do preço dos alimentos e com a sua inadimplência 30 Sete_virtudes. Muitos. Não adianta fazer um discurso sobre os valores da culinária mediterrânea ou japonesa.indd 30 21. depois de um ano. me disse em tom de profeta: — João. tenho sempre a tentação de entrar em sala de aula e “dar aquele show”. certa vez. já não sabem sequer um de seus nomes.passa pelo afeto. Lembre-se: nunca ensine tudo o que sabe.

Mas o que tenho visto é que esta intuição não é tão automática ou mágica assim.indd 31 21. ou inventar outro termo inusitado. mais segura a resposta e. No princípio da boa comunicação há sempre uma ótima pergunta. As palavras do velho padre continuam me exortando: — Ensine apenas o que eles precisam aprender! Mas como saber? Apenas fazendo o exercício amoroso de perguntar. Quem souber fazê-la amorosamente abrirá o caminho para o próprio sucesso. Aliás. Não deixa de ser uma forma de perguntar. O filósofo grego Sócrates já andava peripateticamente ao redor da praça com seus alunos fazendo perguntas. Mas não vamos complicar. conseqüentemente. 31 Sete_virtudes. as perguntas são cientificamente selecionadas para que o resultado seja satisfatório. menor o risco do investidor. pois acabou de perder o emprego. Mas quanto melhor a pergunta.07. PESQUISAS DE MERCADO Um empreendimento de sucesso normalmente começa com uma boa pesquisa de mercado. neste caso. Somente com ouvidos de aluno podemos ter alma de educador. formulando uma teoria ao redor da idéia. Algumas pessoas têm isso intuitivamente. Pode-se chamar isso de construtivismo. de modo que o conhecimento nascia no diálogo. Os institutos de pesquisa gastam muito tempo e dinheiro para chegar a respostas que aparentemente todos já sabiam.08 13:45:48 .na escola.

Respondeu que sim. que nasceu pobre e é hoje um dos sujeitos mais ricos da cidade. Ele compra um terreno distante e o progresso caminha para lá. onde toma rotineiramente seu cafezinho. resolveu procurar o pai. ele chamou o frentista do posto de gasolina ao lado e pediu que lavasse o veículo e enchesse o tanque. O cliente viu que o carro era de um dono cuidadoso. um de seus filhos comprou um automóvel para revender.08 13:45:48 .. É a capacidade de perceber o que as pessoas querem. Inteligência? Esperteza? Carisma? Intuição? Acaso? Sorte? Predestinação? Nada disso: comunicação amorosa. e que não queria vendê-lo. Não teve dúvidas em comprar e ficou muito satisfeito com a compra. tem “faro” para o bom negócio. acaso.07. Da lanchonete. que preferia deixar o carro sujo e com o tanque na reserva. Certa vez.. que imediatamente comprou a velha Brasília. predestinação. Não dá certo. Uma pessoa o procurou e perguntou se aquele carro era dele. Depois o deixou estacionado em frente à lanchonete. pagando mais que o filho pedira. supervalorizando seu investimento. Isto lhe inspirou confiança. coincidência? Seus filhos fizeram curso de administração e repetem o que todos fazem na cidade: tentam vender carros. 32 Sete_virtudes. Após algum tempo de fracasso. Resultado: vendeu o automóvel por um preço maior do que pagara a seu filho.indd 32 21. O homem ficou interessado e perguntou: — Posso dar uma volta? O líder amoroso lhe deu a chave e disse: — Claro. Será sorte.Aquele vendedor de automóveis. Leve o carro e devolva amanhã.

indd 33 21.08 13:45:49 . jamais será um vendedor de sucesso. Regras existem para serem quebradas. Parece tão fácil. nem o dinheiro. ao lerem livros como este. Assume os riscos desta postura diante da vida.. levem-no ao pé da letra tentando repetir fórmulas de sucesso. sal e óleo no pão nosso de cada dia. Sempre tenho receio de que as pessoas.07. Pode ser arriscado. inclusive esta.. Há uma sensibilidade que o líder comunicativo sabe manipular e que dá certo. É possível que o filho daquele negociante tenha enchido o tanque de muitas Brasílias e esperado o cliente tomando dezenas de café. não é?! Copie a fórmula desta venda espetacular em uma grande cidade e é possível que você nunca mais veja seu carro. a comunicatividade amorosa apresentará outros critérios. Eis a grande questão.Mas não tente repetir isso em sua vida. Em outros ambientes.. Saber superar paradigmas estagnados e abrir-se ao novo é uma das características marcantes de um líder comunicativo.. Deu certo naquele momento de comunicação amorosa em uma pequena cidade. imitando o que vimos na tv. Permaneceu pensando: “Meu pai fez assim e deu certo. Ao comentar esta idéia com um empresário de sucesso.” Pode esperar sentado. Cada um tem sua dosagem de água. onde todos se conhecem. Ele é capaz de se reinventar a cada dia. Por isso é um empreendedor. Se não tiver aprendido a lição essencial da comunicatividade amorosa. ele completou: 33 Sete_virtudes. assim como fazer malabarismo ou andar na corda-bamba. Mas a raiz desta atitude é o que interessa.

vá em frente! OMBUDSMAN Os grandes jornais têm uma pessoa especializada em ouvir os leitores e até mesmo criticar os erros da redação: é o ombudsman. é melhor parar a leitura agora mesmo.. Precisamos “amorizar” nossas empresas. Aliás.indd 34 21. É uma atitude coletiva 34 Sete_virtudes. Não basta que o investidor ou o gerente seja amoroso. Se aceita desafios. ele faz questão de ouvir tudo o que for necessário para melhorar o seu produto. Estamos falando em um capital humano de grande valor e que muitas pessoas nem sabem que possuem. É claro que um dos recursos é a comunicatividade. e o primeiro passo é desenvolver a habilidade da escuta. bem. Se você é um destes. Quem prefere repetir a mesmice será sempre liderado e gostará que seja assim.— O empreendedor sabe utilizar seus recursos e transformá-los em riquezas palpáveis.08 13:45:49 .07. O líder amoroso sabe ouvir as críticas de seus clientes. ou deixam em um cofre da alma.. pois estas páginas podem ter “efeitos colaterais”. Sua empresa tem uma ouvidoria e seu processo de produção passa sempre por este crivo de qualidade. Este espírito de liderança deve contagiar toda a empresa. O líder amoroso sabe transformá-la em riqueza.

ouvem muito. a mensagem mais importante é a que está sepultada 35 Sete_virtudes. mas ouve do jeito certo. São até bons comunicadores. na prática. mas insistimos que “a amorosidade comunicativa sempre é um grande negócio!” ESCUTA ATIVA O líder comunicativo sabe ouvir. A frase é infeliz.indd 35 21.. para que não fique disperso em meio a um tiroteio de sugestões desordenadas.que deixa sua marca no produto. O líder comunicativo. em determinadas situações. que. Isto quer dizer que ele não é um ouvinte passivo. Ele aproveita o que é possível e muitas coisas simplesmente vão para a lixeira. mas sempre se deixam dominar. ou estudiosos da ciência da comunicação. Após ouvir.08 13:45:49 . Isto não desagrada o cliente. que depois se deixa dominar pelo interlocutor. Muitas vezes. É intuitivo. É preciso critérios para não engolir a-criticamente tudo o que se ouve.07. é ser comunicATIVO. queria somente ser ouvido.. Isto significa que ele não apenas tem a disposição amorosa de escutar as pessoas. Produtos “amorizados” vendem mais e vendem sempre. mas não são pró-ativos. A primeira virtude do líder amoroso não é ser simplesmente um comunicador ou comunicólogo. Conheço pessoas que são amorosas. ouve até o que as pessoas não dizem. o líder comunicativo passa tudo pelo crivo de uma série de filtros.

e não uma imposição.indd 36 21. Comunicar demais pode ser autoritário.no silêncio. Tome cuidado. Mas o resultado final do seu discurso pode ser simplesmente nulo. Existem grandes comunicadores que não são comunicativos. OUTROS ELEMENTOS DA BOA COMUNICAÇÃO No processo de diálogo interferem alguns elementos secundários. Alguns clientes ficam desconfiados diante do vendedor muito hábil nas palavras. ainda que tropece um pouco nas palavras e até cometa erros de gramática. o tom da voz. ganhou um cliente fiel. Sua mensagem é bem elaborada e inclusive elogiada pela maioria. O comunicativo “vende o peixe”. 36 Sete_virtudes. Se precisamos utilizar muitos recursos de retórica. Muitas pessoas têm dificuldade em expressar suas necessidades mais profundas. Basta que o vendedor seja capaz de aconselhar adequadamente o seu cliente.07.08 13:45:49 . A compra é sempre uma escolha pessoal. mas muito importantes: o olhar. Pode ser que um tímido comunicativo inspire mais confiança e venda mais que um empolgado comunicador. A credibilidade da mensagem é fator fundamental para que sejamos comunicativos. Eles têm a sensação (às vezes verdadeira) de estarem sendo enganados pela “lábia” do vendedor. Quando um líder exercita esta “empatia” e sabe ler o coração do outro. pode ser que nós mesmos não estejamos convencidos de que o produto é bom.

O líder bem-humorado é “cheio de graça”. De qualquer maneira. Você não perguntou por mera formalidade. Quem sorri quando fala multiplica por dez a sua capacidade de atingir o interlocutor. Mas cada um tem sua graça. É preciso descobrir seu foco e não perdê-lo durante o contato com o cliente. Há pessoas que são ótimas para contar uma anedota. Sua liderança amorosa o leva a ouvir a resposta e responder com outra pergunta: — Ok. Ótima escolha. são barreiras que se tornam verdadeiros obstáculos para uma boa comunicação. 37 Sete_virtudes. Parecem mais apetitosos hoje. não é? O cliente poderá fazer apenas um aceno com a cabeça. ao contrário.08 13:45:49 . A boa comunicação tem outro elemento fundamental: o humor. A resposta é lacônica: — Hoje prefiro um dos grandes. Não se trata de fazer piada.a atenção. Estas. ou utilizar a técnica da ironia ou do cinismo. Um líder amoroso jamais perde o bom humor.indd 37 21. seu charme pessoal. Uma técnica infalível é repetir com suas palavras a resposta do cliente. Outras simplesmente caem no ridículo. Por exemplo. você lhe pergunta se hoje ele prefere levar pães de queijo pequenos ou dos maiores. para ser um líder comunicativo não basta o amor. é preciso o humor. Neste ponto é preciso ter um cuidado especial.07. mas ficará muito satisfeito por ter sido compreendido em sua escolha.

O líder amoroso conhece aquilo que vende.08 13:45:50 . Ele sabe das qualidades e limites do seu produto. o que ficará mesmo é a mensagem. jamais indicaria este aparelho. Terá menos dificuldades do que eu. Não basta comunicar do jeito certo. Uma destas vendedoras amorosas conseguiu me vender um aparelho celular de difícil manuseio. Se o produto não for bom. ela mesma teve alguma dificuldade de explicar. Gostei tanto que passei as próximas horas tentando decifrar os mistérios daquele pequeno aparelho. O líder amoroso sabe identificar as necessidades do cliente e indicar o melhor. É necessário ter conteúdo. de nada valerá o belo embrulho. as pessoas se sentirão traídas. que realmente é um dos melhores que temos aqui. “embrulhadas” pela sua lábia de bom vendedor. Literalmente. Quando perguntei sobre uma das funções. Boa parte da autoridade vem do conhecimento. Questionei de modo irreverente: — Como você me vende um celular difícil de mexer? Ela respondeu eficientemente: — Sei que o senhor tem fluência digital. 38 Sete_virtudes. Muitas vezes nossos clientes não conhecem alguns dos benefícios que terão ao adquirir determinado produto.ALERTA FINAL É importante fazer um alerta ao final deste capítulo. Vale o esforço de aprender a manusear.indd 38 21. No fim do processo.07. Sabe dar as respostas que o cliente quer e precisa ouvir. Se fosse uma pessoa sem intimidade com o mundo da informática.

Pergunte o óbvio: o nome. Seja ativo na comunicação. desde a pergunta até as respostas que esperam de você. Verá que dá certo e que comunicar é um jeito de amar! 39 Sete_virtudes. quais os planos para o futuro. Não se relacione com nenhuma pessoa sem fazer pelo menos três perguntas. Escute o que o outro fala e também o que ele diz sem falar.08 13:45:50 . Os outros você mesmo descobrirá. de onde veio.07. o que espera da vida.indd 39 21.COMO SE TORNAR UM LÍDER COMUNICATIVO? Saiba aquietar a sua mente a fim de abrir espaço nos ouvidos e no coração para a mensagem que vem do outro. do que gosta. Repita este ato permanentemente. Este é o primeiro passo. Perguntadores estão na escola da comunicatividade. Exercite esta habilidade fazendo perguntas. se está feliz.

Repete a resposta do seu interlocutor com suas palavras? 4. Você ainda não adquiriu esta virtude. Você se interessa em aprender outros idiomas? 6.07. Você já deu o primeiro passo. Você está no caminho certo. Ouve as respostas atentamente? 3. Procura as pessoas? 5. Você faz perguntas? 2. Você mede o grau de satisfação dos clientes? 7. Já fez alguma pesquisa de mercado científica? 8. Você tem esta virtude incorporada ao seu quotidiano e tem tudo para ser um grande líder! Nível 2 31 a 60 pontos Nível 3 61 a 70 pontos 71 a 80 pontos Nível 4 O QUE FAREI PARA MELHORAR ESTES INDICADORES Ação 1 Ação 2 Ação 3 Sete_virtudes. Com um pouco mais de esforço pode chegar à excelência. Lê livros. É um líder virtuoso. Você tem sucesso em suas vendas? 9. jornais e revistas? TOTAL GERAL 10 10 10 8 8 8 4 4 4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 ---- 8 8 8 8 6 6 6 6 6 4 4 4 ---- 2 2 2 2 2 2 2 ---- 6 6 --- AVALIE SEUS RESULTADOS Nível 1 00 a 30 pontos Regular. Bom.TESTE DE COMUNICATIVIDADE sempre às vezes raramente nunca total 1. Mas ainda está no nível dos atos isolados. Precisa reunir as energias necessárias para dar o primeiro passo. Precisa exercitar mais para ser virtuoso.indd 40 21. Excelente.08 13:45:50 . Ótimo. Faz cursos para se reciclar? 10.

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