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República de Moçambique

Especialidade: Técnico Aduaneiro

Trabalho de fim de curso para a obtenção do nível de técnico médio

Estudante

Evaristo Calisto Xavier

Maputo, 2020
República de Moçambique

Tema: Medidas de combate a Fraude e Evasão Fiscal em Moçambique

Estudante Supervisor

(Evaristo Calisto Xavier) (Jaime Chauque)

Dissertação apresentada ao Instituto Industrial e


Comercial da Matola para obtenção do nível
médio, do sistema clássico, em Técnico
Aduaneiro.

Maputo, 2020
Índice Página

CAPÍTULO I: ELEMENTOS PRETEXTUAIS

Lista de abreviaturas i

Declaração de honra ii

Dedicatória ii

Agradecimentos iii

Resumo iv

Conceitos básicos v

CAPÍTULO II: ELEMENTOS TEXTUAIS

1. Introdução 1
2. Problemática 3
3. Justificativa 4
4. Objectivos 5
5. Hipóteses 5
6. Metodologia 6
7. Infracção fiscal 7
8. Evasão fiscal 8
9. Tipos de evasão fiscal 9
10. Fraude fiscal 10
10.1.Classificação da Fraude Fiscal 11
11. Manifestação da fraude fiscal 11
12. Diferença entre Fraude, Evasão Lícita e Evasão ilícita 11
13. Classificação da evasão comissiva ilícita 12
14. Natureza jurídica dos meios utilizados 12
15. Principais teorias 13
16. Principais causas 15
17. Consequências 15
18. Meios disponíveis no combate à evasão e fraude fiscais 16
19. Esquema de meios para o combate à evasão e fraude fiscais 18
20. Meios alternativos 18
21. Efeitos da fuga ao fisco 19
22. Casos posteriores à prática da evasão e fraude fiscais 19
23. Benefícios do pagamento do imposto ao cidadão 20
24. Razões que levam o consumidor final a não exigir a factura, assim como as que levam o
sujeito passivo a não emiti-la 20
25. Finalidades das penas fiscais 20
26. Conclusão 21
27. Recomendações 22

CAPÍTULO III: ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

28. Apêndices 23
29. Anexos 26
30. Bibliografia 28
i

CAPÍTULO I: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

Lista de abreviaturas

DGI: Direcção Geral do Imposto

AT: Administração/Autoridade Tributária

ATM: Autoridade Tributária de Moçambique

LGT: Lei de Ordenamento Jurídico Tributário (Lei Geral Tributária)

RGIT: Regime Geral de Infracções tributárias

CRM: Constituição da República de Moçambique

IVA: Imposto sobre Valor Acrescentado

FEF: Fraude e Evasão Fiscais


ii

Declaração de honra

Eu, Evaristo Calisto Xavier, declaro que esta dissertação que constitui trabalho do final do
curso de Técnico Aduaneiro é resultado da minha investigação e das orientações dadas por alguns
familiares que frequentam o ensino superior, embora estejam em área diferente. O seu conteúdo é
original e todas as fontes estão devidamente mencionadas no texto e na bibliografia.

Declaro ainda que este trabalho nunca foi submetido e muito menos apresentado em nenhuma
outra instituição para obtenção de qualquer grau académico.

Dedicatória

Dedico a presente dissertação a minha família e aos meus parceiros de rotina.


iii

Agradecimentos

Em primeiro, agradecer a Deus pela vida, saúde e protecção ao longo dos meus estudos.

Um especial agradecimento vai aos meus pais, Calisto Alfredo Xavier e Henriqueta
Mauricio Matsimbe, por desde sempre serem o exemplo ideal para mim e por serem principais
impulsionadores nesta fase da vida em que me encontro, também a capacidade de acreditar e
investir em mim, para que eu pudesse seguir.

Agradeço imensamente, também, ao Salvador Maurício Matsimbe por tudo que ele fez por
mim e continua fazendo pois sem ele talvez não teria chegado até onde cheguei hoje
academicamente, inclusive por ele ser um dos ideais que tenho como referência em minha
trajectória.

Tenho por agradecer a dona Marta Faustino Mandzico por tudo que ela tem feito por mim
desde 2016 até hoje, para a prossecução dos estudos.

De forma geral, presto o meu mais sincero agradecimento ao corpo docente do IICM, por,
em todos os momentos, ter demonstrado toda sua competência pedagógica, organizacional e
técnica.

Finalmente referenciar que esta página é muito pequena para citar todos aqueles que de
diversas formas contribuíram para a realização do presente estudo com informação, tempo,
recursos materiais e financeiros e de outras formas, o meu sincero obrigado.
iv

Resumo

A presente pesquisa trata de um modo geral sobre o não pagamento de tributos. Visto que na
última década tem se registado uma crise económica no país causada por vários factores, dentre
eles a fuga ao fisco. Por ser um tema muito abrangente, pretende-se concretamente analisar
somente duas variáveis: A Evasão Fiscal e a Fraude Fiscal.

Como ponto principal interessa tratar do combate à evasão e fraude fiscais. Assim sendo, o
objectivo primordial é o estudo dos meios para o combate à evasão e fraude fiscais, onde
também abordar-se-á sobre as razões que levam os comerciantes a não emitirem facturas, bem
como as que levam os consumidores a não exigirem-nas.

Para comprovar a validade do tema são apresentadas as principais teorias, sendo estas as
seguintes: Teoria da finalidade dos impostos, Teoria da responsabilidade fiscal e Teoria da
fiscalidade e detecção do contribuinte.

O combate à evasão e fraude fiscal revela-se uma obrigação do Estado, por uma questão de
justiça, mas também de sobrevivência. Esse combate será realizado fundamentalmente pela
Autoridade Tributária, por via da sua missão de arrecadar impostos. Esse combate é
necessariamente concretizado em parceria com o legislador, através de uma eficaz acção penal.

O trabalho realizado pela Autoridade Tributária é fundamental neste combate, mas não será
único, e só poderá ter sucesso se devidamente for sustentado numa base robusta, numa educação
fiscal e numa acção penal.

Palavras-Chave: Fraude Fiscal, Evasão Fiscal, Autoridade Tributária, Contribuinte,


Consumidor e Factura.
v

Conceitos básicos

Fuga: significa objectivamente, saída ou retirada feita para escapar de alguém ou de algo, ou
melhor, é a manobra feita para o não cumprimento dos deveres por parte do cidadão ou empresa.

Fisco: é a denominação dada a autoridade financeira que tem como responsabilidade e função de
fiscaliza e controlar o cumprimento da legislação tributária vigente em um país ou região.

Fuga ao fisco: é a manobra feita pelo cidadão ou empresa para o incumprimento da legislação
tributária vigente em um país ou região.

Sonegação: é a ocultação do fato gerador, ou seja, impedir a ciência por


parte do fisco da ocorrência do fato gerador.

Sistema fiscal: é o conjunto de regras a instituições que regem a situação fiscal de uma pessoa
ou empresa.

Consumidor final: é aquele que compra, usa e descarta artigos ou ideias para satisfazer suas
necessidades.

Elisão e evasão: Os termos elisão e evasão são definidos no dicionário Aurélio (2008) como,
respectivamente, “ato ou efeito de elidir” e "ato de evadir-se, fuga”; “eliminação, supressão”.
Tributo: designa genericamente uma receita do Estado de natureza fiscal, compreendendo
designadamente os impostos, os direitos aduaneiros, as taxas e licenças, com exclusão das
receitas patrimoniais

Contribuinte: é o sujeito passivo obrigado a pagar tributos ou outros encargos legais a estes
associados.
CAPÍTULO II: ELEMENTOS TEXTUAIS

1. Introdução

Nos dias de hoje, o Estado assume uma importância na economia de tal forma relevante que
chega a absorver quase metade do produto de determinados países. Acontece que economias de
mercado como a nossa na qual o Estado assume cada vez menos um papel produtivo, sendo esse
papel deixado para os privados, a forma de o Estado arrecadar receitas se restringe em larga
medida aos impostos.

Este trabalho não cobre todo, nem pretende fazer do que aborda o mais essencial, mas sim trazer
mais uma matéria de debate à volta da questão da fuga ao fisco no país.

Numa breve introdutória e no sentido de enquadrar o tema, a arrecadação de impostos é uma área
nuclear para a prossecução dos objectivos tipificados para a nossa democracia, e como tal se
encontrar consagrado o seu âmbito na lei constitucional, proceder-se-á a um breve
enquadramento na mesma.

Desta forma, relativamente ao sistema fiscal, determina a constituição no seu nº 1 do art.º 127
que o Sistema fiscal visa satisfazer as necessidades públicas do Estado e demais entidades
públicas e uma repartição justa de rendimento e riquezas. Quanto aos impostos impõe que:

Os impostos são criados e alterados por lei e ninguém é obrigado a pagar impostos que não
tenham sido criados nos termos da lei.

Ora, todas práticas dolosas que tenham em vista o não cumprimento da lei tendo como objectivo
o não pagamento dos impostos devidos, designam-se por fraude e evasão fiscais.

No combate à evasão fiscal, eram até agora tipicamente usados meios corretivos e punitivos,
acompanhados de mecanismos limitados de obtenção de informação. Todavia, uma nova vaga de
medidas visa reformar essa situação, consagrando novos mecanismos de obtenção de informação,

1
e a consagração de mecanismos de natureza não punitiva, destinados a incentivar práticas não
evasiva.

Apesar dos esforços no sentido de reprimir práticas evasivas abusivas ou mesmo ilícitas, repetem-
se escândalos conexos com as mesmas, assumindo-se que a evasão fiscal, num sentido
juridicamente desvalioso, atinge globalmente níveis altíssimos, em termos financeiros e
populacionais, os quais são extremamente preocupantes, atentos os efeitos perniciosos a que dão
origem. Muitos Estados procuram identificar focos lesivos de evasão fiscal, quais os atos ou
negócios em que está se manifesta, as causas que a motivam, e que práticas ou alterações
legislativas podem ser introduzidas no sentido de a mitigar.

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2. Problemática

O estudo cinge-se à redução dos valores arrecadados pela Autoridade Tributária durante seu
exercício fiscal e que apesar do crescimento das receitas e das fiscalizações feitas ainda é muito
frequente a situação de fuga ao fisco no país e o cumprimento das metas por parte da Autoridade
Tributária nem sempre se regista conforme a previsão e isso implica o não crescimento ou
desenvolvimento padronizado da economia nacional.

Presume-se que a fraude e evasão fiscais conduzem à diminuição das receitas fiscais de tal forma
que constitui um obstáculo à evolução do país, nesse âmbito levanta-se a seguinte questão:

 Até que ponto o combate a Fraude e Evasão Fiscal impulsiona o crescimento da


economia nacional?

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3. Justificativa

Justifica-se o porquê da escolha do tema, destacando-se o objectivo e a importância do trabalho,


bem como a contribuição que o estudo pode proporcionar ao Estado Moçambicano.

O interesse surge da necessidade pessoal de dar um contributo no concernente à realidade da


fuga ao fisco em Moçambique, visto que é um fenómeno comum no país e no mundo em geral,
bem como esta é uma grande preocupação às Administrações Tributárias, para tanto viu se a
necessidade de abordar as medidas de combate à fraude e evasão fiscal em Moçambique.

Quanto à pertinência deste tema observa-se, pelo facto da questão da sustentabilidade orçamental
constituir maior desafio para o governo na colecta de receitas internas que garantem o
desenvolvimento do pais, visto que esse processo não chega a ser uma tarefa acabada, mas sim
de consciencialização e chamado para o seu cumprimento.

Sinteticamente, este estudo é um alerta à sociedade mediante ao desobedecimento de normas


tributárias que ajudariam no melhoramento da vida dos mesmos, bem como é um contributo para
académicos e sociedade no geral visto que são escassas abordagens concretas sobre meios de
combate a fuga ao fisco e o papel do consumidor no processo comercial.

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4. Objectivos

Objectivos gerais

 Abordar as medidas de combate a Fraude e Evasão Fiscais no território Moçambicano.

Objectivos específicos

 Decifrar os tipos de Evasão fiscal


 Listar as medidas de combate à Fraude e Evasão Fiscais;
 Reconhecer e analisar as razões que levam os agentes económicos a praticarem a Fraude e Evasão
Fiscais;
 Explicar os impactos dos impostos e o papel do consumidor final na redução da Fraude e Evasão
Fiscais.

5. Hipóteses

H0 ➡ Proporciona maior arrecadação de receitas e o consequente o crescimento da economia nacional.

H1 ➡ O não incentivo à educação e popularização do imposto pode concorrer cada vez mais à redução da
receita fiscal.

H2 ➡ A reforma legislativa concorre para o combate ao não pagamento de tributos o que é de extrema
significação aos cofres do Estado.

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6. Metodologia

Métodos de procedimento

A pesquisa procedeu-se com base no método histórico, visto que este consiste em investigar
conhecimentos, processos e instituições do passado para verificar sua influencia na sociedade de
hoje [(Lakatos e Marconi, 1981:32) e (Lakatos e Marconi, 2003:222)]

Recorreu-se também ao método monográfico (ou Estudo de caso), visto que consiste no estudo
de determinados indivíduos, profissões, instituições, grupos ou comunidade com a finalidade de
obter generalizações [(Lakatos e Marconi, 1981:33) e (Lakatos e Marconi, 2003:222)].

Deste modo, com base nos métodos citados foi possível analisar, de forma detalhada, os meios
disponíveis no combate a Fraude e Evasão Fiscais em Moçambique.

Técnicas de pesquisa (recolha de dados)

O presente trabalho foi realizado com base na conjugação de algumas técnicas de pesquisa,
nomeadamente, a pesquisa bibliográfica que consistiu na consulta em manuais e artigos que
versam sobre a Fraude e Evasão Fiscal. Bem como efectuou-se a pesquisa documental, que
consistiu na recolha de documentos que tratam da mesma matéria e/ou outra equiparada.

[(Lakatos e Marconi, 1981:33) e (Lakatos e Marconi, 2003:222)]

Tipo de pesquisa

Quanto ao tipo de pesquisa é qualitativa, pois está relacionado com a maneira de analisar e
interpretar dados e informações mais profundamente. Lakatos e Marconi (2009:18), entendem
que este tipo de estudo desenvolve-se dentro de uma situação natural, com muitos dados
descritos, planeado para ser aberto e flexível e focalizar a realidade de modo complexo e
contextualizado. Deste modo, com base na abordagem qualitativa, será possível abordar os meios
de combate a Fraude e Evasão Fiscais.

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7. Infracção fiscal

Os ordenamentos jurídicos, na sua função de satisfazer as necessidades financeiras do Estado,


não ignoram a existência de uma quota de evasores fiscais, o que leva a desenhar as normas
fiscais tomando em consideração a fuga ao fisco (impostos) para reagir e reprimir o
comportamento evasivo (com ou sem utilização da fraude), considerando simultaneamente o
previsto na norma que o evasor pretendeu afastar, através de uma correcção hermenéutica da sua
previsão.

Ora todas as práticas dolosas que tenham em vista o não cumprimento da lei tendo como
objectivo o não pagamento dos objectivos devidos, designam-se comummente por fraude e
evasão fiscais.

No entanto a “fraude e evasão fiscais” são entendidas popularmente como fuga ao fisco e é usada
habitualmente em discursos políticos e até em documentos oficiais, porque é facilmente
entendida por todos aqueles que a leêm ou ouvem. Na verdade, deveria ser encarada e
mencionada como planeamento fiscal ilícito e seu combate.

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8. Evasão fiscal

Para Franco (2010), evasão fiscal é um conceito amplo que, no essencial, corresponde a ideia de
que há alguém que deveria pagar imposto, mas não o pagou, sem que resulte de transferência
para outro sujeito económico de sacrifício fiscal.

De acordo com Ribeiro (1997), a evasão ao imposto consiste precisamente em ocultar o fisco na
totalidade ou parte da matéria colectável, ou seja, ele não a declara ou declara menos do que a
que possui. Enquanto Leitão (1999) define evasão fiscal como sendo toda e qualquer acção ou
omissão que possa eliminar ou suprimir, reduzir ou retardar o cumprimento de uma obrigação
tributária.

Para Waty (2007), evasão fiscal é a acção ou omissão tendente a elidir, reduzir ou retardar o
cumprimento de uma obrigação tributária, como são as situações que variam entre a absoluta
irrelevância jurídica e a directa contrariedade à lei (ilicitude), as que contrariam a lei também não
se podem considerar juridicamente irrelevantes.

Contudo, os autores acima são consensuais na definição de evasão fiscal, desse modo pode se
afirmar que a evasão fiscal constitui a prática ilegal que é usada para evitar o pagamento do
imposto, como é o caso do nosso estudo que busca entender a razão dos agentes económicos a
cometerem essa infracção.

Note se que a evasão fiscal abrange tanto a evasão fiscal contra legem (fraude fiscal), a evasão
fiscal in fraudem legem (fraude à lei fiscal) ou ainda a tax avoidance (elisão fiscal).

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9. Tipos de evasão fiscal

Em relação à tipologia temos a evasão omissiva e a evasão comissiva, conforme WATY (2007).

9.1.Evasão omissiva
9.1.1. Omissiva imprópria

Para WATY (2007) é aquela que pode ser praticada com intenção ou não de assumir o risco de
produzi-lo e consiste num comportamento em que o contribuinte renuncia materializar ou
desenvolver a capacidade económica que esteja sujeita a imposto. Esta evasão caracteriza-se por:

- Uma inactividade ou abstenção do virtual contribuinte para evitar a realização do facto gerador
da obrigação do imposto;

- A natureza material ou virtual dessa inactividade ou abstenção (se a abstenção se referir a uma
determinada forma jurídica, mas se realizar antes outra com mesmos resultados económicos já
existira um verdadeiro caso de evasão)

- O facto de essa abstenção produzir uma lesão do fisco, já que haveria tributação se actividade
tivesse sido operada.

9.1.2. Omissiva por inacção

Intencional: consiste no facto de o contribuinte intencionalmente deixar de pagar o tributo


devido e uma vez verificada a incidência da norma fiscal, destaca-se o intuito de sonegação
fiscal, falta ou atraso no recolhimento da liquidação do imposto.

Não intencional: consiste no facto de o contribuinte inintencionalmente deixar de pagar o


tributo por ignorância do dever fiscal.

9
9.2.Evasão fiscal comissiva (ou comitiva)

Os contribuintes por meios ilícitos tendem a eliminar ou retardar o pagamento do imposto devido
havendo sempre intenção de dolo. Esta se subdivide em lícita e ilícita.

9.2.1. Evasão comissiva ilícita: quando existe um conluio nas decisões de cometer o dolo e
quando se atingem os fins económicos almejados para a obtenção da poupança fiscal.
9.2.2. Evasão comissiva lícita: é caracterizada pela acção individual do contribuinte tendendo
a por sempre processos lícitos de modo a afastar a incidência do facto gerador.

Em suma, nesses dois actos o que preocupa o contribuinte é a intenção, acção, finalidade e o
resultado.

10. Fraude fiscal

Na visão de FIGUEIREDO DIAS e COSTA ANDRADE, citados por CARINA ALINA, a


fraude fiscal surge com um estatuto dogmático ambivalente, considerando que ela é tipicamente
um crime de falsidade, sendo que ao mesmo tempo materialmente surge como um crime contra o
património fiscal.

Fala se assim de crimes de resultado cortado, quando o agente pretende obter um resultado que
há de ter um presente para a realização do tipo, mas que não é preciso alcançar o facto para que a
infracção se consume.

Na visão de JOSÉ AMORIM a fraude fiscal, em sentido restrito, consiste em condutas ilegítimas
tipificadas, que visam a não liquidação, entrega ou pagamento da prestação tributária ou a
obtenção indevida de benefícios fiscais, reembolsos ou outras vantagens patrimoniais
susceptíveis de causarem a diminuição da receita tributária.

Em sentido lato, representa todo o conjunto de crimes tributários comuns, crimes aduaneiros,
crimes contra a segurança social, crimes fiscais, contraordenações aduaneiras.

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10.1. Classificação da Fraude fiscal

A fraude fiscal classifica-se de duas formas: a fraude fiscal simples e a fraude fiscal qualificada.

Estamos perante fraude fiscal simples (infracção tributária formal simples) quando não se
cumprem obrigações tributárias. Por exemplo, impostos ou quando se obtém indevidamente
benefícios fiscais como reembolsos ou outras vantagens que impliquem diminuição de receitas
tributarias.

Estaremos perante fraude fiscal qualificada (infracção tributária grave) quando o não
cumprimento de obrigações tributárias estiver directamente relacionado com funcionários ou
agentes públicos, quer pessoas singulares ou colectivas.

11. Manifestação da fraude fiscal

A fraude fiscal dá-se por omissão ou por acção.

Sendo que a omissão consubstancia-se na abstenção intencional de uma acção, pelo abuso de
confiança fiscal ou pelas contraordenações fiscais.

Na fraude fiscal por acção encontramos a fraude fiscal strico sensu, a simulação fiscal e a
frustração de créditos fiscais.

12. Diferença entre Fraude, Evasão Lícita e Evasão ilícita

Na óptica de WATY (2007) evasão ilícita ou fraude fiscal inclui a fraude, a simulação e o
conluio. E a evasão lícita ou legítima refere-se a economia fiscal (mais conhecida como
planeamento fiscal) ou elisão fiscal.

A evasão fiscal, ao contrário da elisão fiscal, utiliza-se de meios ilícitos, considerados


crimes contra a ordem tributária – fraude, sonegação, simulação - no intuito de ocultar ou
diminuir o montante de dinheiro que deve ser entregue ao governo na forma de tributos.
Fraude consiste em prestar informações falsas, falsificar os documentos fiscais, inserir

11
dados não exatos nos livros fiscais. Ao passo que na elisão fiscal o contribuinte opta por meios
lícitos para a afastar ou reduzir a incidência do facto gerador da obrigação de imposto.

Diferentemente da evasão fiscal onde ocorre o facto gerador do tributo, na elisão fiscal, através
do planeamento evita-se a ocorrência do facto gerador, e por não ocorrer o facto gerador o
tributo não é devido. ˝Sendo assim o planeamento não é ilegal, apenas usa-se regras vigentes
para evitar o surgimento duma obrigação fiscal.̋

13. Classificação da evasão comissiva ilícita

Tendo em conta que WATY defende que a evasão comissiva ilícita ou fraudulenta consiste no
cumprimento da obrigação fiscal por meio de comportamentos que impedem a cognoscibilidade
dessa obrigação, lhe disfarçam o conteúdo ou impedem a sua cobrança efectiva, ela classifica-se
em:

− Fraude fiscal propriamente dita


− Simulação fiscal
− Frustração de créditos

14. Natureza jurídica dos meios utilizados

Os meios utilizados para a evasão fiscal correspondem a negócios jurídicos não tributados ou
menos tributados que em termos normais corresponde a estrutura típica de um negócio
fiscalmente menos oneroso para que são apresentadas as seguintes teses para a delimitação da
sua natureza jurídica.

a) A tese do negócio simulado

PLATINER E AMORÓS defendem ser um negócio simulado porque o fim prosseguido pelas
partes é fraudulento e o meio é um acordo simulatório, com a consequente divergência entre a
vontade real e a vontade declarada, cujos efeitos são destinados apenas a criar uma aparência
jurídica perante o fisco.

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b) A tese do negócio praticado em abuso de direito

O contribuinte abusaria da liberdade de selecção do tipo negocial que lhe é conferida pelo
ordenamento jurídico, para fugir ao elenco dos factos tributários.

Na evasão fiscal legítima apenas se faz uso da liberdade de selecção dos tipos negociais,
permissão genérica incluída na sua autonomia privada, que, como tal não é susceptível de abuso,
além de que o abuso de direito foi apenas limite ao exercício de posições judiciais quando desse
exercício pudessem resultar prejuízos.

c) A tese do negócio indirecto

De acordo com esta posição, na evasão fiscal legítima as partes adoptam um negócio em que
pretendiam deliberadamente atingir fins diversos daqueles que lhes são próprios (elenco
subjectivo), isto é, o resultado económico, cuja obtenção acarretaria o nascimento da dívida
tributária.

d) A tese do negócio em fraude a lei

Para fraude a lei é necessário que a norma fraudada seja a que prescreve ou proíba condutas, ou
comine a ilicitude do fim prosseguido ou que só o autorize mediante a prática de determinados
actos, o que não é o fim da norma tributária.

15. Principais teorias

Para demonstrar a validade do estudo é quase indispensável a apresentação das teorias que
comprovam a pertinência do tema e que vão dar suporte ao estudo, nesse sentido serão
apresentadas três teorias fundamentais.

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a) Teoria da finalidade dos Impostos colectados pelo Governo

De acordo com PEREIRA os impostos são criados com o fim último de satisfação das
necessidades públicas, com objectivos fiscais e extrafiscais (Sociais e Económicos).

Em relação aos objectivos fiscais, ele, fundamenta que os impostos visam a arrecadação de
receitas para o financiamento de despesas públicas.

Quanto aos objectivos sociais, preconiza que os impostos visam a repartição justa da riqueza e
dos rendimentos, de modo a reduzir as desigualdades, tendo em conta as necessidades e
rendimentos do agregado social, operando-se assim uma verdadeira redistribuição de riquezas.

Por conseguinte, os objectivos económicos dos impostos ajudam a combater a inflação


(reduzindo o rendimento disponível), obter seletividade do consumo (tributando mais
pesadamente os consumos nocivos e supérfluos), usar a política de protecionismo (estabelecendo
direitos aduaneiros protetores durante dado período), incentivar a poupança e o investimento
(indirectamente através de desagravamentos fiscais).

b) Teoria da Fiscalidade e Detecção do contribuinte

De acordo com SEQUEIRA (2005), esta teoria defende que se deve montar uma estratégia eficaz
de auditoria, baseada em informações específicas do contribuinte, incluindo características
observáveis que tenham correlação com a responsabilidade tributária, a auditoria deve ser feita
por auditores fiscais bem preparados, justos actuando de forma regular, programada e periódica.
Caso sejam flagrados a cometerem a fuga ao fisco propõe que haja punição aos fraudadores
mesmo com o pagamento das multas. Isso porque assume-se que a sonegação é um acto
criminoso, no entanto quando a fraude é observada os contribuintes são multados num valor
equivalente ao sonegado, feito isso o crime fica nulo.

Da mesma forma, PELLIZARI (1990) faz a mesma referência, mas com enfoque a criação de um
corpo de auditores fiscais bem preparados moralmente, juridicamente, tecnicamente, actuando de
forma programada, regular, sistemática, permanente e periódica.

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c) Teoria da Responsabilidade Fiscal

CAMPOS (2010) alega que é direito do consumidor final saber quanto paga de tributos, assim
como deve saber se os sujeitos passivos recolhem devidamente os impostos devidos que estão
inseridos no preço da mercadoria. No entanto é papel do consumidor final exigir as facturas no
acto de compras, o que culminará evidentemente na providência das necessidades colectivas dos
cidadãos, como o caso da assistência a saúde, educação e defesa nacional.

16. Principais causas

De forma bem sintetizada, estas são objecto de abordagem na obra de AMORIM bem como na
obra de RAINHA, onde eles tratam como causas as seguintes:

 Elevada carga fiscal;


 Intensidade e complexidade da lei fiscal;
 Ineficiência da administração pública;
 Falta de equidade fiscal;
 Ineficiência da administração pública;
 Desigualdade de oportunidades e da distribuição de riquezas e de rendimentos;
 Burocracia excessiva;
 Falta de fiscalização por parte das autoridades;
 Ganhar clientes.

17. Consequências

Conteúdo de pouca abordagem, o qual CARINA (2015) cita duas consequências, as quais
passo a citar:

 Redução das receitas fiscais do Estado;


 Compromete a satisfação das necessidades do Estado, induzindo ao ajuste da despesa
pública reduzindo os gastos públicos ou em alternativa, sobrecarregando os contribuintes
cumpridores.

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18. Meios disponíveis no combate à evasão e fraude fiscais

O combate à fraude e evasão fiscais desenvolve-se directamente pela dialética entre diversas
áreas de actuação.

LEGISLATIVA

De primeira, por via do princípio da legalidade tributária, nenhuma actuação por parte do Estado
ou particularmente da DGI/AT poderá ser realizada sem estar suportada na legalidade, ou por
outras, as bases da política de impostos e o sistema fiscal são definidos por lei, nos termos da
constituição, não havendo espaço à cobrança de impostos não tenham sido estabelecidos por lei
conforme o art.º 4 da LGT, art.º 3 da Lei base em conjugado com o art.º 100 e o nº 2 do art.º 127
da CRM.

EDUCAÇÃO FISCAL

Em paralelo, e como meio de combate à fraude e evasão fiscais encontramos a Educação fiscal.
De facto, apesar de pouco se apostar na educação fiscal a um nível institucional, e é essa que nos
referimos, colocamos aqui um nível básico de importância a educação fiscal e a legislativa.

É necessário que se faça sensibilização da população, transmitindo informações suficientes sobre


os impostos, estabelecendo formações frequentes nas comunidades e numa primeira fase isso é
tarefa do Estado e posteriormente passa a ser tarefa dos cidadãos, comunicando um ao outro
sobre a importância, obrigatoriedade e benefícios do pagamento dos impostos em transacções
comerciais.

De seguida, e no âmbito administrativo da DGI/AT, encontramos a gestão tributária e a justiça


tributária.

GESTÃO TRIBUTÁRIA
É o processo de gerenciamento dos aspectos tributários de uma determinada empresa, com a
finalidade de adequação e planeamento, visando controle das operações que tenham relação
directa com tributos.
Basicamente, a gestão atua sobre o departamento de impostos da respectiva empresa.

16
Isto não quer dizer que somente tal departamento é alvo da gestão. Outros departamentos que
influenciam a geração de imposto (como o Departamento Comercial) também devem estar
compreendidos no alcance da administração tributária.
Um erro muito comum nas empresas é focalizar demais o processo tributário no departamento de
impostos, esquecendo-se que outros departamentos também geram rotinas fiscais.
A gestão funciona como um meio interno relativo ao cumprimento tributário em massa e
correcção das declarações e/ou das omissões.

INSPECÇÃO TRIBUTÁRIA

A inspecção tributária como meio de controlo interno e externo do cumprimento das obrigações
tributárias e correcção das declarações e omissões, neste caso de forma mais particularizada,
sendo que ela é regida conforme o art.º 102 da LGT, art.º 24 e art.º 53 da Lei Base.

No nosso sistema fiscal, a liquidação do imposto compete, em regra, ao contribuinte, razão pela
qual o papel da Administração Tributária se concretiza “... num controlo a posteriori das
declarações dos contribuintes e das correspondentes liquidações de modo a verificar se todos os
factos com relevância tributária foram objecto de declaração e se, a respectiva quantificação, está
correcta.”
O procedimento de inspecção tributária pode ser de comprovação e verificação do cumprimento
das obrigações tributárias, mas também de informação, visando o cumprimento dos deveres
legais de informação ou de parecer dos quais a inspecção tributária seja legalmente incumbida.
Também visa a observação de realidades tributárias, a verificação do cumprimento das
obrigações tributárias e a prevenção das infracções tributárias, obedecendo aos princípios da
verdade, da proporcionalidade e da cooperação.
JUSTIÇA TRIBUTÁRIA

A justiça tributária como meio de forçar o pagamento dos impostos devidos, das coimas
provenientes de contraordenações praticadas, de forma coerciva. Os resultados obtidos e as
necessidades detectadas deverão servir para alimentar a base, nomeadamente o legislativo e o da
educação fiscal. Sendo que o princípio da justiça tributária está previsto no art.º 5 da LGT.

Para TIPKE, 2008 P394, a justiça fiscal em sentido estrito é a execução sistematicamente
consequente da igualdade tributária, o qual está patente no art.º 35 da CRM.

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ACÇÃO PENAL

Por fim encontramos a Acção penal, realizada numa primeira fase pela DGI/AT como órgão de
polícia criminal. Também realizada através dos tribunais das jurisdições fiscal e aduaneiras. Note
se que os resultados obtidos e as necessidades detectadas deverão servir para alimentar as fases
anteriores.

Os meios punitivos, a que correspondem normas de natureza penal e contraordenacional, que


visam reprimir a prática de atos evasivos antijurídicos; e os meios de natureza corretiva, que,
decorrendo diretamente da lei ou de uma aplicação integrativa desta, visam a anulação da
vantagem injustificada resultante da prática evasiva antijurídica.

19. Esquema de meios para o combate à evasão e fraude fiscais

Legislativa Educação Fiscal

Inspecção Controlo Justiça


Tributária Tributário Tributária

Acção Penal
Fonte: MIRANDA - Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Auditoria

20. Meios alternativos

MEDIDAS DISSUASIVAS

Nas medidas dissuasivas opta-se pela divulgação pública da lista de devedores fiscais.
A publicação de uma lista dos devedores fiscais permite, através do conhecimento público do
incumprimento, imputar um sentimento de vergonha e descrédito aos contribuintes faltosos. No

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tocante aos contribuintes particulares, o conhecimento público dos montantes em dívida pode ser
apto a descredibilizar o sujeito passivo na praça pública, perante os seus pares e perante terceiros
com quem espere criar uma relação fundada na confiança – esse conhecimento pode ser de tal
modo lesivo ao contribuinte, que somente o risco desta lesão poderia ser apta a afastar qualquer
comportamento evasivo.

21. Efeitos da fuga ao fisco

A fuga ao fisco, praticada surte efeitos em duas vertentes:

Para o contribuinte: para o contribuinte, no momento da prática da infracção só há efeitos


positivos, pois ele consegue escapar do pagamento de impostos, isso que implica para ele retirar
um valor para entregar ao Estado. Assim sem pagar os impostos a empresa ou comerciante já
tem um, valor extra em sua posse para poder acrescer aos seus cofres. Porém, tem efeitos
negativos quando é descoberto pelas autoridades pois tem de pagar uma multa e por vezes
cumprir pena (suspensão ou prisão), a sua marca fica prejudicada bem como inviabiliza seu
negócio.

Para o Estado: o Estado é o maior afectado negativamente quando o assunto é fuga ao fisco,
realçar aqui, que as despesas públicas do Estado são satisfeitas essencialmente pelas receitas e as
mesmas derivam ou provém da arrecadação de impostos, então, quando uma empresa ou
comerciante comete fuga ao fisco acaba contribuindo negativamente nas receitas do Estado e
como consequência o atraso ao desenvolvimento do país.

22. Casos posteriores à prática da evasão e fraude fiscais

Verificada, por si próprio, a execução de uma evasão ou fraude fiscal por parte do contribuinte,
este pode manifestar-se de diversas formas perante as autoridades competentes no acto de
fiscalização tributária. Podendo facilitar a fiscalização, concedendo tudo que lhe for exigido,
assim como ele pode recusar-se à execução da mesma, onde estaria cometendo uma Obstrucção
a fiscalização ou investigação tributária, a qual é punível com uma multa que varia dos 25 000
MT a 350 000 MT, conforme o nº 1 do art.º 202 da LGT.

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Bem como, não sendo perante uma fiscalização, pelo facto de não querer encaminhar um
imposto já liquidado ele pode optar em alienar ou danificar seu património, onde estaria
cometendo uma Frustração de créditos fiscais, a qual é punível com uma multa que varia de 30
000 MT a 450 000 MT bem como a aplicação de uma pena de prisão até 1 ano, conforme o nº 1
do art.º 203 da LGT.

23. Benefícios do pagamento do imposto ao cidadão

Partindo de princípio que os impostos perseguem objectivos fiscais e extrafiscais, a colecta do


imposto tem sido um grande impulso ao desenvolvimento do país, pois é com base nos impostos
colectados que se garante a criação de Hospitais, Escolas, pontes, estradas, a providencia com a
segurança nacional e justiça.

24. Razões que levam o consumidor final a não exigir a factura, assim como as que levam o
sujeito passivo a não emiti-la

De acordo com informações colhidas, na óptica dos consumidores acontece que quando não se
exige a factura comercial no acto das compras todo o valor correspondente ao IVA vai para o
bolso do comerciante, mesmo com essa noção os consumidores nem sempre exigem a factura
nas suas compras e as razões que advém disso, são as seguintes, não exigem a factura por pressa,
esquecimento e ainda por desinteresse, ou ainda, acreditam que não exigindo a factura o valor
que pagaria pelo produto reduzirá.

De igual modo, em situações em que o consumidor exige a factura, estudos revelam que o
comerciante não tem correspondido da melhor forma, em muitos dos casos ele alega não ter
factura, quando tem demora entregar até que alguns dos consumidores se chateiem com a
exigência da factura, abandonando o recinto e a factura.

25. Finalidades das penas fiscais

Na óptica de MARTÍNEZ (2003) as penas fiscais têm os fins de quaisquer outras penas, são
repressivas e preventivas.

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26. Conclusão

Nesse trabalho lançou se em quadro de debate para a problemática da fuga ao fisco no país, num
contexto de fazer perceber um pouco daquilo que é o sistema tributário, o imposto e a fuga no
pagamento dos mesmos.

A fuga ao fisco é um problema que a muito tem vindo a assolar o Estado Moçambicano, por ser
uma prática que contribui consideravelmente para o fraco desenvolvimento do país, ora pois, a
fraude e evasão fiscais levam a diminuição das receitas fiscais de tal forma que se constitui um
obstáculo à evolução do país.

Os meios de combate à obtenção de vantagens fiscais injustificadas compreendem diversas


formas e mecanismos legais, podendo todavia serem qualificados, os mais consolidados no nosso
e outros ordenamentos jurídicos, como (i) meios tendentes à obtenção de informação, (ii) meios
corretivos, que visam eliminar economicamente a vantagem fiscal obtida, e (iii) meios punitivos,
que visam reprimir as práticas juridicamente desvaliosas.

O combate a fraude e evasão fiscais deverá passar por alterações legislativas que poderão parecer
recuos, mas que serão avanços quando observados os resultados obtidos. A acção de inspecção
deverá tender a chegar a mais sujeitos passivos de forma menos intensiva, mas mais abrangente
em número e mais particular na acção. Em termos estruturais a aposta na educação será o veio
fundamental. Só ela poderá levar a uma tributação mais abrangente no sector terciário não
permitindo entrada de valores no mercado que irão exponenciar a própria fuga noutros sectores.

A medida que o tempo passa esta prática vem se tornando constante e pouco se vê a intervenção
massiva das autoridades competentes para controlar e minimizar a prática deste acto. É possível
sim combater a estes actos de forma que ambos lados (Estado e Contribuinte) saiam satisfeitos.

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27. Recomendações

Como estudioso da área, acredito que alguns dos meios pelos quais se optaria para melhor a
popularização do imposto seria através de meios de comunicação, a mídia exterior, os Rode
Shows, mercados, palestras em entidades de ensino no geral.

Para além da maior aposta na educação fiscal suponho que as medidas dissuasivas também são
uma grande chave para a redução de fuga ao fisco no âmbito da Fraude e Evasão fiscal. Nessa
óptica disponibilizar-se-iam sempre, ao público, as listas de entidades e sujeitos que se
encontram numa situação não regularizada de modo que se regularize em contrapartida do
salvamento ou não tingimento de sua imagem.

De acordo com Zaqueu (jornal@verdade 2010), o país deve procurar formas alternativas de
tributação e não se deve aumentar a taxa dos impostos, porque esta desencoraja os produtores, os
consumidores e a economia no geral, uma vez que incidem sobre o mesmo grupo de
contribuintes. Deve-se apostar no aumento da fiscalização e aposta na educação fiscal.

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CAPÍTULO III: ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS
28. Apêndices

 Educação fiscal em Moçambique

No dia 12 de Abril de 2010, foi lançada a Campanha de Educação Fiscal e Aduaneira e


Popularização do Imposto, no Centro de Conferencias Joaquim Chissano, a qual foi levada acabo
pelo Ex-Primeiro-Ministro Moçambicano Aires Ali, visando, de entre outros objectivos,
mobilizar os cidadãos a aderirem, como contribuintes efectivos, aos sistemas fiscal e aduaneiro
vigentes no país.
Bem como exortou aos cidadãos para que desenvolvam a cultura da exigência da factura ou
recibo nas transacções de que participam e que, reciprocamente, os agentes económicos também
tenham como princípio a emissão de documentos credíveis, justificativos das operações de
compra e venda que realizam, de modo a potenciar-se a veracidade dos actos de comércio e
optimizar-se a colecta de receitas para o Estado.
Conforme informações colhidas do Diário Electrónico de Informação geral, Jornalistas foram
capacitados em matéria de Educação Fiscal, Aduaneira e Popularização do Imposto, no dia 23
de abril de 2015, a qual foi protagonizada pelo Ex presidente da AT, Rosário Fernandes, isso
segundo Rosário permite que a informação produzida pelos jornalistas chegue aos consumidores
com qualidade na especialidade com detalhes.

Bairro da Inhagoia A foi palco de uma acção de educação fiscal, aduaneira e popularização
do imposto, organizada pela AT em coordenação com a Associação Kutuanana Ka Ka Inhagoia
(AKK) aos 24 de agosto de 2013

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 Casos de fuga ao fisco

Fuga ao fisco em África chega aos 50 mil milhões de dólares por ano (por António Cascais
23.04.2019 - MEDIATECA)

Apreendida mercadoria avaliada em 4.500.000 Mt alvo de fraude fiscal

No dia 28 de Julho de 2018 foram apreendidos 28 000 sacos de cimento, de 50Kg por unidade
usando a via Ferroviária, não declarados às autoridades aduaneiras. A mercadoria não reunia
documentação completa e era avaliada em cerca de 1 milhão e 500 mil Rands.

Descobertos, no dia 31 de outubro de 2017, mais 3 casos de fraude fiscal cujo valor excede a
180 milhões de meticais
Empresas emitem cheques destinados ao pagamento do IVA e os mesmos são depositados em
bancos comerciais da praça, não a favor do Estado, mas sim outras empresas que se assemelham
a algumas unidades da Autoridade Tributária. [Reportagem do dia 2 de Novembro de 2017]

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 Exemplos
1. Por não ter submetido declaração mensal de rendimento, a sociedade Despachantes
Matola, lda no dia 15.02.2013 cometeu um acto que consubstancia infracção tributária
passível de punição com uma multa de 30 000 à 70 000. Por sua vez Manuel, Contabilista
desta sociedade porque pretendia adquirir isenções no pagamento de IRPC, com ajuda de
seu cunhado falsificou documentos sobre a actividade exercida pela empresa.
R: A não submissão da declaração é punível conforme nº 1 do art.º 23 do RGIT e Manuel
cometeu fraude fiscal simples conforme f) do nº 1 do art.º 200 da LGT.

2. No dia 5 de Maio de 2018, Pombe adquiriu do Babaca um imóvel sito na zona de


Katembe, através de um contrato de compra e venda no valor de 5000000 MT, no
entanto, para reduzirem os impostos devidos, declararam no contrato o valor de
1000000MT.
R: Estamos perante simulação fiscal conforme o art.º 240 do Código Civil.

3. Cossa, sabendo da liquidação de imposto por si devido no valor de 500000 USD e não
querendo dolosamente suportar esses encargos, querendo desfazer-se do seu património
antecipando a administração fiscal, celebrou um negócio simulado de venda de todo seu
património ao António no valor de 100000USD, e assim a AT não encontrou bens para
executar.
R: Não obstante à simulação conforme o art.º 240 do Código Civil; Cossa cometeu abuso de
confiança fiscal conforme o nº 1 do art.º 201 da LGT e também será responsabilizado por
Frustração de créditos conforme o nº 1 do art.º 203 da LGT.

4. Manuel António e Genoveva, casados, gerente da Avimoc e funcionaria da autoridade


tributaria respectivamente, venderam em 2008 um apartamento ao Carlos, contudo, de
modo a contornar suas obrigações fiscais, celebraram uma escritura de doação.

R: Houve simulação em relação a natureza do negócio e haverá responsabilização por fraude


fiscal qualificada conforme a) do nº 1 do art.º 200 da LGT.

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29. Anexos
 Imagens

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30. Bibliografia
 Lei 15/2002 de 26 de Junho (Lei Base do Sistema Tributário);
 Lei 2/2006 de 22 de Março (Lei do Ordenamento Jurídico Tributário);
 WATY, Teodoro Andrade. INTRODUÇÃO AO DIREITO FISCAL. Catembe,
Moçambique. 2002, W e W editora;
 WATY, Teodoro Andrade. DIREITO FISCAL. 3ª edição, W e W editora limitada,
Maputo, 2007, Pp 258 – 262;
 RIBEIRO J J T. LIÇÕES DE FINANÇAS PÚBLICAS. 5ª edição, Coimbra, Portugal
editora;
 Pena, C. APONTAMENTOS DE DIREITO FISCAL ADUANEIRO. 2014, Maputo,
Moçambique, Escolar editora;
 MARTÍNEZ, Soares. DIREITO FISCAL. 8ª edição, Coimbra, 1996, Pp 348;
 COSTA, Carina Alina. O CRIME DE FRAUDE FISCAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS
PARA O BEM JURÍDICO E SUAS FUNÇOES SOCIAIS DO ESTADO. Coimbra,
2015;
 TIPKE, Klaus. DIREITO TRIBUTÁRIO. 18ª edição, Porto Alegre: Sérgio António
Fabris, 2008, VI.
 RAINHA, José Herminio Paulo Rato. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA FRAUDE E
EVASÃO FISCAL EM MACAU. Administração, nº 39 vol XI, 1998-1º, Pp 107 – 132.
 Horizonte, Diário Electrónico de Informação Geral 24 de Abril de 2015, ano V edição
1019;
 AMORIM, José Campos. O COMBATE A FRAUDE E EVASÃO FISCAL. Pp 3-13;
 MIRANDA, António José Areias. O COMBATE À FRAUDE E EVASÃO FISCAIS: a
actuação da administração tributária e a avaliação dos resultados obtidos. 2013, Porto;
 SEMINÁRIO INFORMATIVO. Folha da AT, edição 21, Outubro de 2017. REUNIÃO
NACIONAL PARA PLANIFICAÇÃO DAS ACTIVIDADES PARA 2018.

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