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BIOQUÍMICA – Professor Anderson Lamêgo

BIOQUÍMICA – LOGICA MOLECULAR DA VIDA

A matéria viva possui varias características identificadoras.


Os organismos vivos são estruturalmente complicados e altamente
organizados. Parecem ter um processo ou função específica. Possuem o que
podemos chamar de essência de vida (podem extrair, transformar e usar a
energia de seu ambiente, essa energia comumente provêem dos compostos
orgânicos ou da energia do Sol, e, tem a capacidade de se auto-replicar).

“Se os organismos são compostos de moléculas inanimadas por que a matéria viva difere tão
rapidamente da matéria não-viva, que também consiste de matéria inanimada?”

O objetivo da Bioquímica é determinar como a coleção de moléculas


inanimadas, que constituem os organismos vivos interagem para manter e
perpetuar o estado vital.
Para tanto, é importante destacar que os organismos são compostos de
macromoléculas que por sua vez são constituídas de unidades menores que se
repetem os monômeros, que em geral são formados por elementos fundamentais
como: carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.
Os organismos vivos estão em constante troca de energia e matéria. A
fonte primária de toda a energia na Terra é o Sol.
A energia é o principal tópico em Bioquímica.
A queda de níveis energéticos e seu aproveitamento por outros processos é
uma constante nos sistema biológicos. Por exemplo, a energia solar é capturada
pelas plantas e transformada em compostos orgânicos através da fotossíntese.
Estes compostos orgânicos podem ser oxidados (quebrados) para extrair a energia
que possuem numa forma de energia que pode ser utilizada pelas células (ATP -
adenosina trifosfato). O ATP é uma molécula transmissora de energia química, nas
células. É como se fosse uma moeda energética, que paga pelo trabalho celular
(como contração muscular, transporte através da membrana, biossíntese, etc).
Os sistemas biológicos devem operar com economia máxima de energia,
embora sejam grandes consumidores. Assim, todas as reações bioquímicas
(metabolismo) precisam ser reguladas para cooperar para essa economia. Nas
células a principal figura de controle do metabolismo celular são as enzimas, que
aceleram as reações químicas e são reguladas quer na quantidade de enzimas
disponível ou em modulações de sua atividade.
Toda essa capacidade de controle do metabolismo e origem das enzimas
provêem do DNA, molécula-chave na perpetuação da identidade e estabilidade
genética. O DNA é o grande maestro desse “show bioquímico”. Poderíamos pensar
nesse intricados caminhos metabólicos como grandes vias de tráfego de moléculas,
tendo as enzimas as organizadoras e reguladoras desse metabolismo (tráfego) e o
DNA como um QG (quartel general) que treinou as enzimas para desempenhar suas
funções.
Portanto, a energia é a centelha de todo o processo bioquímico.
Como estudar esse fluxo de energia?
A termodinâmica visa estudar a energia e seus efeitos sobre a matéria. De
fato, tudo que existe segue as leis da termodinâmica, apesar de seus desafios a
vida também é regida por essas leis.
A primeira lei da termodinâmica define que a energia é conservada, ela
não pode ser criada nem destruída. Os organismos vivos são sistemas abertos que
trocam energia e matéria com o meio ao redor, eles usam duas estratégias para
obter energia do meio. (1) eles captam componentes químicos do meio; (2) usam a
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energia absorvida da luz solar para reações fotossintetizantes. Esses sistemas vivos
e abertos nunca podem estar em equilíbrio como o meio, pois existe um constante
fluxo de massa e energia entre a célula e seu meio, para que possa se manter a
homeostase (constância biológica), num estado de equilíbrio estacionário
dinâmico. Se uma célula entra em equilíbrio com seu meio isso significa que
morreu. Para entender: na fotossíntese, as plantas convertem a energia radiante do
Sol – que é a fonte primaria de energia para a vida na Terra – em energia química
como carboidratos e outras substâncias orgânicas. As plantas ou animais que a
consomem ou metabolizam essas substâncias para fazer funcionar a síntese de
biomoléculas, manter a concentração de íons no meio intracelular e garantir os
movimentos celulares.
Podemos perceber nitidamente que os seres vivos são consumados
transdutores de energia. Tais transdutores de energia diferem muito das
máquinas, que dependem de diferenças de pressão e temperaturas. É o fluxo de
elétrons que fornece energia para as células.
A segunda lei da termodinâmica: tudo tende a desordem (entropia). Isso
significa que todos os processos espontâneos se caracterizam pela conversão de
ordem em desordem. Para entender o contexto, desordem é o número de modos
energeticamente diferentes de arranjar os componentes de um sistema. A partir
disso podemos criar o conceito de energia livre, que aquela energia disponível
para a realização de um trabalho durante uma reação. Alguns exemplos de
entropia: um bule de chá e a distribuição desordenada do calor; uma sala que não
recebe nenhum tipo de manutenção e outros. A informação é um refluxo na
entropia, pois o caos de letras ou palavras é organizado de tal forma que cria frases
que expressam sentido, uma mensagem, um pensamento. Agora, a vida é em si, o
refluxo da segunda lei da termodinâmica, pois se constitui num sistema
estruturalmente organizado, harmonioso e complexo. Mas, para tanto um grande
investimento energético é requerido para manter tal estado vital. Por esse modo,
podemos dizer que a vida persiste porque um sistema pode se manter ordenado as
custas de uma desordem maior na vizinhança. Sim, os seres vivos mantém ordem
pela desordem (quebra) dos nutrientes que consomem, os quais fornecem energia
e bloco fundamentais para a construção de biomoléculas e manutenção da vida, em
seu equilíbrio estacionário dinâmico.

As células e seus compartimentos


Poderíamos encarar as células como tubos de ensaios, pois se trata de uma
bolsa cheia de vesículas membranosas, criando um sistema de compartimentação,
que propicia inúmeras vantagens num universo de reações: Criam uma proteção
contra efeitos ambientais adversos; um sistema delimitado pode manter as
concentrações locais elevadas de componentes, que de outra forma poderiam se
difundir, as substâncias mais concentradas podem reagir mais rapidamente,
resultando numa maior eficiência nas reações químicas; cria locais específicos
paras as reações. Especial as células eucariontes apresentam uma maior
diversidade bioquímica devido a riqueza de endomembranas, sendo assim
apresentam um maior organização desses seus processos bioquímicos.
As dimensões celulares variam muito dentro de limites. O que limita o
tamanho celular? O limite inferior é determinado pelo tamanho mínimo dos átomos,
enquanto o tamanho superior é determinado pela capacidade de manter seus
volumes, devido a velocidade de difusão das moléculas de soluto nos sistemas
biológicos. Por exemplo, organismos superiores o 100um são pluricelulares, pois
uma única célula deste tamanho não conseguiria manter este volume por muito
tempo. Isso acontece devido a lei de Spencer que determina que o crescimento dos
organismo é alométrico, enquanto a área aumenta ao quadrado o volume aumenta
ao cubo. Isso que dizer que quando uma célula é tão pequena a sua relação área de

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superfície / volume é muito grande, que todas as partes do citoplasma são


facilmente alcançadas pelos nutrientes. A medida que a célula aumenta a relação
área / volume diminui, o que leva ao déficit (há maior consumo metabólico e menor
difusão dos nutrientes) na manutenção de sua forma.

Estudo Dirigido

1. Explique a primeira e a segunda lei da termodinâmica.


2. Como a vida persiste apesar da segunda lei da termodinâmica?
3. Como a organização celular possibilitou a diversificação das atividades
bioquímicas?
4. Em condições ideais uma célula bacteriana dobra de tamanho e se divide a cada
20 minutos, enquanto uma célula animal precisa de 24 horas. Explique por que
da diferença nesse metabolismo.
5. Por que a razão superfície-volume tem importante relevância no efeito da
velocidade máxima do metabolismo?

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