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A ação dos sismos sobre os edifícios

Porque é que alguns edifícios não caem?

Grupo 1 – Turma 2

120501055 - Beatriz Alves


Supervisor 120504222 - Joana Gomes
Xavier Romão 120501061 - Mariana Fernandes
120503279 - Marlene Ferraz
Monitor 120501057 - Pedro Ferreira
João Pedro Saraiva 120501101 - Ricardo Correia
120501145 - Tiago Pintão

Outubro de 2012
Resumo

No âmbito da disciplina Projeto FEUP foi-nos atribuído o tema “A acção


dos sismos sobre os edifícios” ao qual foi dada especial atenção à questão
“Porque é que os edifícios não caem”.
Na pesquisa deste tema foi dada especial atenção a como reagem os
edifícios em caso de sismo, para tal foi elaborada uma pesquisa alargada, nas
diversas fontes de conhecimento especializadas na matéria em questão.
Ao longo deste relatório serão definidos vários conceitos, tais como:
sismo, flexibilidade, amortecedores sísmicos, entre outros que são essenciais
para uma boa compreensão do problema abordado e as suas soluções.

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Índice

 Introdução..................................................................................,........... 4
 1.O que são os sismos?......................................................................... 5
 1.1.Causas...……………………….………………………..…...…. 5
 1.2Consequências...................................................................... 5
 2.Escalas de avaliação sísmicas ...……….……….……….………....... 10
 2.1Escala de Mercalli .............…...…………………….....……… 10
 2.2Escala Richter .………………………...……….…..........…......11
 3.Ondas sísmicas .................................................................................12
 4.Zonas sísmicas da Terra……….……………………………....……… 13
 5.Sismicidade em Portugal………………………………………..…....... 15
 5.1.Sismos mais importantes em Portugal………………..……..16
 5.2.Regiões de Portugal mais atingidas por sismos……....……17
 6.Os sismos em números………………………………………….…...…18
 7. Regulamentação Antissísmica…………...………….………….......... 20
 8.Eurocódigo……………………………………………………….…….…21
 9.Medidas de construção antissísmica ...……………..…………….......22
 10.Porque é que os edifícios se movem? ........................................... 29
 10.1.Flexibilidade do edifício …................................................. 31
 10.2.Ductilidade………………………………..………..….......…. 31
 10.3.Amortecimento …...……....…………….…………..…......... 32
 11.Como é que a estrutura arquitetónica de um edifício é afetada
durante um sismo? .............................................................................. 33
 11.2.A importância das estruturas arquitetónicas …….……....... 33
 11.3.A proximidade entre edifícios ………..…....…......…..…...... 33
 Conclusão …………………………………........……....………...... 36
 Referências Bibliográficas …………………………....…………... 37

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Introdução

No âmbito da unidade curricular “Projeto FEUP” realizou-se o relatório


que aborda o tema “A acção dos sismos sobre os edifícios: Porque é que
alguns edifícios não caem?”.
O tema adquirido relaciona-se bastante com o curso de Engenharia Civil,
e é, no fundo, um bom tema visto que aborda termos que certamente iremos
utilizar no nosso dia-a-dia. Com este relatório poderemos construir uma base
para novos conhecimentos.
O tema “A acção dos sismos sobre os edifícios” estava dividido em duas
partes, “Porque é que alguns edifícios não caem?” e “Porque é que alguns
edifícios caem?”. Posto isto, o grupo decidiu escolher o primeiro ‘subtema’.
Ao longo do relatório iremos expor com algum desenvolvimento a
definição de sismo, bem como as suas causas e consequências, será
explicado o que é uma onda sísmica, analisar a actividade sísmica em
Portugal, referir materiais e construções contra abalos sísmicos e a estrutura
que o edifício deve ter para que seja mais resistente contra esses mesmos
abalos.

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1. O que são os sismos?

Os sismos são movimentos vibratórios bruscos da superfície terrestre, a


maior parte das vezes devem-se a uma súbita libertação de energia em zonas
instáveis do interior da Terra.
Um sismo representa o termo de uma série de fenómenos. Os
movimentos de massas magmáticas, relacionados com os fenómenos de
vulcanismo, os abatimentos em grutas e cavernas, o desprendimento de
massas rochosas nas encostas das montanhas e os movimentos tectónicos,
são as mais vulgares causas naturais dos sismos.

1.1. Causas

Os sismos são causados por:


 movimentos subterrâneos de placas rochosas;
 actividade vulcânica;
 deslocamentos de gases no interior da Terra.

1.2. Consequências

Entre as consequências de um sismo estão:

 a vibração do solo

Os movimentos do solo, provocados pelas ondas sísmicas, podem ser


registados em aparelhos denominados sismógrafos, dando origem ao
sismograma. Os sismógrafos registam o movimento de uma base indeformável,
solidária com o solo (Fig.1), relativamente ao movimento de uma massa de
grande inércia que constitui o pêndulo. Este movimento depende da vibração
do solo e da vibração do próprio pêndulo.

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Para registar todos os movimentos do solo são necessários 3
sismógrafos (Fig.1) - um regista os movimentos verticais, e os outros dois
registam os movimentos horizontais, sendo um deles colocado na direção
norte-sul e o outro na direção este-oeste. (in Diciopédia 97 ©, Porto Editora).

Fig. 1 - Registo da actividade sísmica através


de um sismógrafo (adaptado de [1])

 a abertura de falhas

Uma falha (Fig. 2) é uma superfície num volume de rocha onde se


observa deslocamento relativo dos blocos paralelo à fratura A extensão da
falha varia entre poucos centímetros e centenas de quilómetros. O plano de
falha é a superfície da fratura onde se observa deslocamento relativo entre
blocos, as dimensões podem variar de forma ampla.

Fig. 2 - Representação esquemática do hipocentro de um sismo e da


falha que este origina (adaptado de [2])

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 deslizamento de terras

Um deslizamento de terra (Fig.3) é um


fenómeno de ordem geológica e climatológica que
inclui um largo espectro de movimentos do solo, tais
como quedas de rochas, rotura de encostas em
profundidade e fluxos superficiais de detritos.

Fig. 3 - Deslizamento de
terra (adaptado de [3])

 tsunamis

Quando o epicentro de um sismo se localiza no oceano, podem originar-


-se enormes vagas - maremotos ou tsunami (Fig. 4) - que, atingindo a costa,
varrem o litoral, provocando destruição.

Fig. 4 - Imagem representativa da formação de um tsunami


(adaptado de [4])

 mudanças na rotação da terra.

O diretor do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa indicou que


o deslocamento do eixo de rotação da terra é normal nos sismos, tal como
sucedeu no forte de tremor de terra que atingiu o Japão e que deslocou esse
eixo em dezassete centímetros.

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Ouvido pela TSF, Miguel Miranda explicou que «sempre que há uma
placa que entra sobre outra e mergulha na Terra temos aquilo a que se pode
chamar uma mudança de duas coisas».

«Em primeiro lugar, muda a posição relativa das massas da Terra e


portanto pode haver uma pequena aceleração da Terra e uma variação do
eixo», adiantou este especialista, que disse que as «mudanças são na ordem
de centímetros».

Segundo este especialista, as «mudanças são muito pequenas e


provavelmente haverá uma pequena variação na duração do dia», algo que
depois volta ao normal, quando a Terra recuperar deste deslocamento.

 destruição de construções feitas pelo Homem

Uma das maiores consequências dos sismos é a destruição das


construções (Fig.5).

Fig. 5 - Fotografia da destruição de uma construção feita pelo Homem


(adaptado de [5])

 mortes e ferimentos

As mortes e ferimentos não são uma consequência direta dos sismos,


são a consequência da destruição de construções, tsunamis e deslizamento de
terras causados por eles.

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 altos prejuízos financeiros e sociais

Os prejuízos financeiros provocados na Índia pelos maremotos de 26 de


Dezembro de 2004 ascendem a pelo menos 1,18 mil milhões de dólares,
anunciou o ministério do Interior, sublinhando que esta estimativa é provisória.
Quase metade deste montante, cerca de 581 milhões de dólares,
corresponde a prejuízos contabilizados no Estado de Tamil Nadu, no sul da
Índia, o mais atingido pela catástrofe com mais de 7.900 mortos.
O documento do ministério do Interior não precisa contudo os prejuízos
incluídos nesta estimativa, nomeadamente se apenas contabiliza os causados
por destruições ou também as perdas de receitas de dezenas de milhares de
pescadores arruinados pela catástrofe.
Contudo, o documento sublinha que esta estimativa de prejuízos não
inclui os danos sofridos nos arquipélagos indianos de Andaman e Nicobar,
localizados a cerca de 1.000 quilómetros a Leste da Índia continental, onde
está "em curso uma avaliação".
Os maremotos que devastaram a 26 de Dezembro de 2004 o sudeste da
Ásia, atingiram violentamente estes dois arquipélagos do sudeste indiano, que
no conjunto são formados por cerca de 500 ilhas e ilhotas, dos quais 38 são
habitadas.
Segundo as autoridades, 30 destas 38 ilhas habitadas foram afetadas e
algumas continuam inacessíveis pelo mar devido à destruição dos portos.
Na Índia continental, as ondas gigantes atingiram mais de 2.200
quilómetros de costa, essencialmente no sudeste e no sul, e quase 900
aldeias, predominantemente de pescadores.
Quase 150 mil pessoas morreram e milhões ficaram desalojadas na
sequência de um sismo e ondas gigantes registado ao largo da ilha indonésia
de Samatra a 26 de Dezembro e que afetaram vários países na Ásia e em
África. O país mais afetado é a Indonésia, com cerca de 84 mil mortos.

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2. Escalas de avaliação sísmicas

2.1. Escala de Mercalli

A escala de Mercalli (Fig. 6) avalia a intensidade de um sismo, ela foi


criada por Giusseppe Mercalli. Esta escala baseia-se na avaliação dos efeitos e
danos nas estruturas. A escala de mercalli tem apenas importância qualitativa,
isto é, é subjetiva pois só tem em conta a observação humana (por exemplo,
quando há um sismo num deserto, os estragos são nulos. Mas se houver um
sismo com a mesma energia libertada numa cidade onde existam muitas
construções, os estragos vão ser muito maiores. Por isso, a intensidade vai ser
muito maior na cidade do que no deserto).

Fig. 6 - Escala de Mercalli (adaptado de [6])

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2.2. Escala Richter

A escala de Richter (Fig. 7) avalia a energia libertada num sismo, ela


foi criada pelos sismólogos Charles Francis Richter e Beno Gutenberg. Esta
escala baseia-se em registos sismográficos. A escala de Richter é uma escala
aberta, ou seja, não tem um fim (por exemplo, a escala de Richter, até ao
momento tem um máximo de magnitude 10).

Fig. 7 - Escala de Richter (adaptado de [7])

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3. Ondas Sísmicas

Uma onda sísmica é uma onda que se propaga através da Terra,


geralmente como consequência de um sismo, ou devido a uma explosão. Estas
ondas são estudadas pelos sismólogos, e medidas por
sismógrafos, sismómetros ou geofones.
Existem dois tipos de ondas: primárias (ondas P) e secundárias (ondas
S).
As ondas P, ou primárias, são as primeiras a chegar, pois têm uma
velocidade de propagação maior. São ondas longitudinais que fazem
a rocha vibrar paralelamente à direção da onda, tal como um elástico em
contração. Verifica-se alternadamente uma compressão seguida de uma
alongamento com amplitudes e períodos baixos, impondo aos corpos sólidos
elásticos alterações de volume (contudo não há alterações na forma). No ar,
estas ondas de pressão tomam a forma de ondas sonoras e propagam-se
à velocidade do som. A velocidade de propagação deste tipo de ondas varia
com o meio em que se propagam, sendo típicos valores de 330 m/s no ar,
1450 m/s na água e 5000 m/s no granito.
As ondas S, ou secundárias, são ondas transversais, o que significa que
o solo é deslocado perpendicularmente à direção de propagação como num
chicote. No caso de ondas S polarizadas horizontalmente, o solo move-se
alternadamente para um e outro lado. São mais lentas que as P, com
velocidades de propagação entre 2000 e 5000 m/s, sendo as segundas a
chegar. As ondas S propagam-se apenas em corpos sólidos, uma vez que
os fluidos (gases e líquidos) não suportam forças de cisalhamento. A sua
velocidade de propagação é cerca de 60% daquela das ondas P, para um dado
material. A amplitude destas ondas é várias vezes maior que a das ondas P.

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4. Zonas sísmicas da terra

O Mundo está repleto de zonas sísmicas perigosas (Fig. 8) onde


ocorrem vários movimentos tectónicos de grande intensidade em pouco tempo.
Nas dorsais meso-oceânicas (médio-oceânicas), bem como nas falhas
transformantes, originam-se numerosos sismos de intensidade moderada.
Estes produzem-se a uma profundidade, abaixo do fundo oceânico, entre 1.000
a 2.000 metros e, praticamente, não afectam o homem. Nas zonas de
subducção têm origem sismos superficiais (profundidade do foco até 80 Km),
muito embora, os sismos superficiais ocorram particularmente ao longo das
dorsais meso-oceânicas (limites divergentes), intermédios (profundidade do
foco entre 80 e 300 Km, concentrando-se, particularmente, nos limites
convergentes) e profundos (profundidade do foco entre 300 e 700 Km,
encontrando-se unicamente nos limites convergentes). É aqui que se originam
os terramotos mais violentos e também os mais mortíferos, por causa da sua
situação geográfica, frequentemente, localizada em regiões de forte densidade
populacional (Chile, Japão, México).

Fig. 8 - Zonas com maior actividade sísmica no mundo (adaptado de [8])

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 Zona do Círculo Circum-Pacífico - esta zona rodeia o oceano
Pacífico, abrangendo as costas do México e da Califórnia, Golfo do
Alasca, Arquipélago das Aleutas, Península de Camechátca, as
Curilhas e a costa oriental do Japão, dividindo-se a partir daqui em dois
ramos, um que atravessa a Formosa e Filipinas e o outro seguindo as
Ilhas Polinésias (Marianas e Carolinas Ocidentais).Os dois ramos unem-
se na Nova Guiné, costeando, seguidamente, o bloco firme da Austrália,
seguindo até às ilhas Fiji e Kermadec, Nova Zelândia até ao continente
Antárctico. Prossegue pela Cordilheira dos Andes, ao longo do litoral
ocidental da América do Sul, passando pelas ilhas de Páscoa e
Galápagos. O círculo fecha-se com um pequeno anel que passa pelo
Arquipélago das Caraíbas.
 Zona de ondulação alpina da Europa e da Ásia - tem início na África
do Norte e na Espanha e estende-se, depois, com largura crescente,
até aos altos planaltos do Pamir (NW dos Himalaias no Tajiquistão ),
descendo, em seguida, pela Cordilheira Birman ( SE dos Himalaias),
passando à costa ocidental da Indonésia, onde vai encontrar-se com o
Círculo Circum-Pacífico.
 Zona da Dorsal Meso-Atlântica - zona sísmica que segue a cadeia de
montanhas submarinas ao longo de toda a dorsal meso-oceânica
Atlântica. Passa pela Islândia e os Açores, bifurcando-se a oeste de
Portugal para alcançar a região mediterrânica.
 Zona compreendida entre a costa meridional da Arábia e a ilha de
Bouvet, no oceano Antártico - zona sísmica análoga à do Atlântico
(placas divergentes), está relacionada com a cadeia dos altos fundos
que separa o oceano Índico em duas partes. Para completar este
inventário de geografia sísmica, assinalamos a sismicidade do Grande
Rift Africano, marcado pela sucessão dos Grandes Lagos e das regiões
vizinhas de fratura do Mar Vermelho.

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5. Sismicidade em Portugal

Portugal situa-se na placa Euro-Asiática limitada a sul pela falha Açores-


Gibraltar que corresponde à fronteira entre as placas euro-asiática e africana e
a oeste pela falha dorsal do oceano Atlântico, sendo assim, Portugal está
situado numa zona propensa a sismos devido ao deslocamento das placas
tectónicas em que a placa africana se desloca para Norte enquanto que na
zona mais ocidental da fratura Açores-Gibraltar (FAG) encontra-se a junção
tripla dos Açores e a Sudeste da ilha de S. Miguel a fratura toma um
movimento de desligamento e é conhecida por Falha da Glória. Um pouco mais
para oriente, na zona do Banco de Gorringe, o movimento de desligamento
passa a cavalgamento da placa euroasiática sobre a placa Africana. Para
oriente abandona-se o domínio oceânico e entra-se no domínio continental com
convergência continente-continente. Assim, o território português constitui uma
zona de sismicidade importante (Fig. 9).

Fig. 9 - Portugal quanto à situação geográfica de tectónica de placas (adaptado de [9])

A sismicidade observada mostra que a actividade sísmica do território


português resulta de fenómenos interplacas e de fenómenos localizados no
interior da placa (sismicidade intraplacas). Aqui, ao contrário da sismicidade
interplacas que se caracteriza por sismos de magnitude elevada e grande
profundidade, a sismicidade é baixa a moderada e mais difusa, sendo difícil a
relação direta entre as falhas existentes e os epicentros dos sismos.

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5.1. Regiões de Portugal mais atingidas por sismos

A carta das isossistas máximas (Fig. 10) observadas até à atualidade,


permite-nos concluir que o risco sísmico no continente é elevado: as maiores
concentrações demográficas situam-se no seu litoral, precisamente nas áreas
de maiores intensidades sísmicas observadas:

Fig. 10 - Carta de isossistas máxima registada em Portugal (adaptado de [10])

A análise da sismicidade para diferentes períodos de exposição conduz


à elaboração dos mapas de perigosidade sísmica do território. O estado atual
do conhecimento sobre a ação sísmica, e em particular a que afeta o País,
indica que, a nível mundial, a perigosidade sísmica do território Nacional é
moderada. Esta perigosidade é um dos fatores que contribui para o risco
sísmico de Portugal, embora a avaliação do risco sísmico nas diferentes
regiões seja condicionada de forma decisiva por outros fatores fundamentais,
nomeadamente os elementos expostos do parque edificado e sua
vulnerabilidade.

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5.2.Sismos mais importantes em Portugal

 O sismo de 1 de Novembro de 1755 foi um dos mais destruidores, com


uma magnitude aproximada de 8.8, e foi o resultado dos movimentos
interplacas.

A localização do seu epicentro continua incerta: inicialmente apontava-


se para uma zona junto ao Banco de Gorringe, atualmente já se coloca o
epicentro mais junto à costa, na Falha Marquês de Pombal.

 Outro exemplo de sismo resultante da atividade interplacas no nosso


território, é o sismo de 28 de Fevereiro de 1969, que teve o seu
epicentro no Banco de Gorringe.

Apesar da sua elevada magnitude, não afetou de forma sensível o


território nacional, devido à sua grande distância.

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6. Os sismos em números

Em cada ano ocorrem inúmeros sismos nas mais variadas regiões de


todo o mundo com diferentes magnitudes. Ao longo da história da Terra, desde
que se faz uma medição da magnitude dos mesmos tem vindo a ser batidos
sucessivos records de magnitude, pelo que se apresenta abaixo o top dos 30
sismos mais significativos do mundo.

Top 30 Sismos mais significativos do mundo

PAÍS MAGNITUDE ANO PAÍS MAGNITUDE ANO

CHILE 9.5 1960 SUMATRA 8.5 2007

ALASKA 9.2 1964 KURIL ISLANDS 8.5 1963

SUMATRA 9.1 2004 RUSSIA 8.5 1963

JAPAN 9.0 2011 INDONESIA 8.5 1938

RUSSIA 9.0 1952 RUSSIA 8.5 1923

CHILE 9.0 1868 ARGENTINA 8.5 1922

CHILE 8.8 2010 CHILE 8.5 1922

ECUADOR 8.8 1906 SAMOAN ISLANDS 8.5 1917

COLOMBIA 8.8 1906 JAPAN 8.5 1896

PORTUGAL 8.7 1755 PERU 8.4 2001

SUMATRA 8.6 2012 JAPAN 8.4 1933

SUMATRA 8.6 2005 KURIL ISLANDS 8.3 2006

ALASKA 8.6 1957 RUSSIA 8.3 2006

CHINA 8.6 1920 JAPAN 8.3 2003

CHILE 8.6 1906 RUSSIA 8.3 1958

Devido às consequências dos sismos que já foram referidas no presente


relatório, é evidente que os sismos acarretam custos devido a toda a destruição
que causam e que provocam indiretamente muitas mortes, pelo que se
apresenta de seguida o top dos 5 sismos mais dispendiosos e o top dos 5
sismos com maior mortalidade, respectivamente.

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Top 5 Sismos mais dispendiosos

PAÍS CUSTO. US$ ANO

Japão 235 Biliões 2011

Japão 100 Biliões 1995

Estados Unidos 81 Biliões 2005

Estados Unidos 42 Biliões 1994

China 29 Biliões 2008

Top 5 Sismos com maior mortalidade

PAÍS Nº de Mortes ANO

China 830,000 1556

Indonésia 283,106 2004

China 255,000 1976

Síria 230,000 1138

China 200,000 1927

Através da análise destes três tops podemos concluir que os sismos são
um dos desastres naturais que mais impacto tem junto da populações, não só
pelos prejuízos humanos e materiais causados mas também pela sua
imprevisibilidade.
Este panorama tem motivado os investigadores na busca de novas
soluções para melhorar o comportamento antissísmico das estruturas.

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7. Regulamentação Antissísmica

A primeira regulamentação antissísmica que se desenvolveu em


Portugal, data do tempo do Marquês de Pombal e, por consequência, foi
desenvolvida devido ao sismo que ocorreu no ano de 1755 (Fig. 11).

Fig. 11 - Gravura representando a destruição ocorrida em 1755, em Lisboa (adaptado de [11])

De facto, esta ideia de construção antissísmica era baseada numa


estrutura de madeira, revestida exteriormente por alvenaria de pedra, tendo por
base de ideias, a construção naval, dado que se verificou uma analogia entre o
comportamento das embarcações e o comportamento de um sismo durante a
ocorrência de um sismo.
Efetivamente, ambas as estruturas estariam sujeitas a ações atuantes
em meios agitados, absorvendo, por isso, parte da energia dos deslocamentos
a que estão sujeitas. Assim sendo, nos edifícios foram sendo implementados
sistemas de madeira revestidos por pedra, tendo ganho o nome de “gaiola”,
considerada uma invenção do urbanismo pombalino.
Assim sendo, os edifícios pombalinos, representam uma grande marca
na engenharia sísmica, dado que são constituídos por uma estrutura
tridimensional de madeira no seu interior, não sendo visível por se encontrar
revestida pelas paredes de pedra, que permite a absorção da parte das ações
e deslocamentos provocados pela ocorrência de um sismo.

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8. Eurocódigo 8

Os eurocódigos (Fig. 12) são um conjunto de normas europeias que visa


uniformizar critérios de cálculo e dimensionamento de estruturas.
O” eurocódigo” tem o objetivo de proteger o ser humano, limitar as
perdas económicas e garantir que são mantidas as condições necessárias para
o correto funcionamento de serviços como a proteção civil, bombeiros,
hospitais, entre outros.
O eurocódigo 8 é aquele que refere as normas que devem ser aplicadas
na construção antissísmica.

Fig. 12 - Logótipo dos eurocódigos (adaptado de [12])

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9. Medidas de construção antissísmica

Ao longo dos tempos, devido a todas as perdas materiais e de vidas


humanas, foi necessário desenvolverem-se técnicas que proporcionassem aos
edifícios uma maior resistência, para que os mesmos fossem capazes de
resistir a algum contratempo.
O dimensionamento de um edifício antissísmico tem, por isso, como
objetivo fazer com que este não colapse e que apenas sejam afetados
elementos não estruturais tais como vidro e algumas paredes.
Assim sendo, com o passar dos anos e com o avançar da tecnologia e
do conhecimento, estas técnicas foram sendo inovadas e, hoje em dia, em
alguns locais do mundo, são utilizadas diversas medidas nas construções (Fig.
13), para que seja possível que o edifício resista a um sismo.

Fig.13 - Representação esquemática de


um edifício possuidor de medidas
antissísmicas (adaptado de [13])

22
De facto, o Japão é dos países com maior taxa de sismicidade, pelo que
foi necessário implementar sistemas antissísmicos muito eficazes, dado a
grande intensidade e violência com que os sismos daquelas regiões se fazem
sentir.
Assim, preparar prédios para sismos depende de aumentar a sua
resistência e flexibilidade, sendo que um edifício de materiais fracos não resiste
a um terramoto e um muito rígido não é capaz de se deformar para absorver os
movimentos do solo.
Por estas razões, foram criadas medidas de construção antissísmica
(Fig. 14), entre as quais:

 Reduzir o tamanho de janelas e portas, dado que aumenta a resistência


das paredes, que devem ter maior espessura para não ruir;
 Fixar o edifício ao chão com fundações resistentes, na tentativa de
evitar deslizamentos;
 Fixar as partes da construção umas às outras, para fazer com que o
edifício se comporte como uma unidade, aquando de um terramoto.
Desta forma, cria-se uma ajuda, ao redistribuir e dissipar a força do
impacto;
 Utilizar materiais flexíveis, que suportem maior peso e, por outro lado,
que sejam mais leves e maleáveis, para que se possam deformar de
modo ilimitado, sem entrar em rotura;

1 4

Fig. 14 - Representação esquemática de diversas medidas


de construção antissísmica (adaptado de [13])

23
 Utilizar suportes de fixação e amortecedores em diagonal (Fig. 15 e 16),
feitos de materiais como aço, dado que além de aumentar a resistência
do edifício, podem ser alongados ou comprimidos, de forma a compensar
o movimento do solo.

Fig. 15 - Suportes de fixação e


amortecedores em diagonal
(adaptado de [13]) Fig. 16 - Suportes de fixação e
amortecedores em diagonal
(adaptado de [13])

Por outro lado, em edifícios altos, ou seja, com diversos andares, para além
das medidas já referidas, é necessário implementar ainda mais algumas, dado
a maior fragilidade dos mesmos.
Desta forma, algumas destas medidas preventivas utilizadas, poderão ser:

 Pêndulo: Utilização de um pêndulo gigante de metal (Fig. 17), fixado no


último andar, tendo a função de puxar o prédio de volta, quando a
inclinação se torna muito elevada.

Fig. 17 - Pêndulo utilizado em


edifícios de altura elevada
(adaptado de [13])

 Tubos de aço: Utilização de tubos de aço, dispostos em encaixe


telescópico, de forma a se deslocarem uns para dentro dos outros,
deixando desta forma, a estrutura flexível.

24
 Amortecedores: Os amortecedores de sismos servem para, tal como o
nome indica, absorver as vibrações totalmente ou em grande parte de
maneira a que estas não sejam transmitidas aos edifícios. Existem dois
tipos de amortecedores de edifícios:

- Amortecedores hidráulicos (Fig. 18) que funcionam como os


amortecedores de choques dos carros, sendo a energia do sismo
absorvida pelo sistema hidráulico passando muito pouca energia
para o edifício;

- Amortecedores de fricção (Fig. 19) utilizam o mecanismo de atrito


sólido para dar a desejada dissipação de energia.

Fig. 18 - Amortecedor Hidráulico (adaptado de [14]) Fig. 19 - Amortecedor de Fricção (adaptado de [14])

 Isolamento da base de um edifício: A ideia por trás dos dispositivos de


isolamento de base é separar as bases dos edifícios do chão fazendo
com que em caso de sismo as vibrações do mesmo não sejam
transmitidas aos edifícios. Este conceito pode ser facilmente explicado
através de um edifício assente em cilindros, que não fazem fricção com
o chão. Assim quando o chão mexe, o edifício não o fará (Fig. 20), mas
esta solução traz problemas pois a base do edifício pode chocar com as

25
paredes das fundações, danificando-o. Este problema pode ser resolvido
se se usar uma base flexível normalmente apelidada de isolador de base
(Fig. 21).

Este isolamento para além de absorver energia introduz no


edifício flexibilidade, assim um edifício construído em betão armado
torna-se extremamente flexível em caso de sismo.

Fig. 20 - Representação esquemática de um Fig. 21 - Representação esquemática de um isolador de


edifício assente em cilindros (adaptado de base (adaptado de [15])
[15])

Assim, a ideia sub acente ao conceito de isolamento sísmico, é a


eliminação das ligações entre a estrutura e o exterior, no plano
horizontal, mantendo em pleno a ligação entre a estrutura e o solo na
direção vertical. O isolamento será pois relativo, cingir-se-á somente aos
movimentos horizontais (Fig. 22).

Fig. 22 - No isolamento de base o ob ectivo é “separar” a estrutura do solo de fundação (adaptado de [16])

26
 Materiais Resistentes, Flexíveis: Acerca dos materiais
antissísmicos, recentemente em Portugal foram construídas as primeiras
casas antissísmicas, em Braga, adotando uma solução construtiva
criada na Bélgica chamada SISMO. Esta solução baseia-se na
associação de módulos pré-fabricados (painéis (Fig.23)) que são
compostos por duas malhas duplas de aço colocadas nas faces
exteriores do módulo, contendo no seu interior duas camadas de
material com boas características térmicas e acústicas.

Fig. 23 - Lajes do Sistema SISMO-Building Technology


(adaptado de [17])

Assim, neste sistema podem ser identificados três componentes


diferentes; a malha exterior; os painéis interiores e o enchimento estrutural; o
acabamento exterior.

O elemento básico do conceito SISMO consiste numa malha tridimensional


feita em aço galvanizado. A malha apresenta um conjunto de funções básicas:

 Serve para conter os painéis interiores que formam a cofragem perdida


para o enchimento estrutural (betão armado);
 Funcionam como zona de ancoragem para o revestimento exterior.

27
Os painéis interiores transformam a malha numa estrutura fechada
formando uma cofragem perdida e o espaço entre painéis permite o
enchimento com o material resistente, neste caso betão armado. O tipo de
enchimento e o material estrutural utilizado depende do tipo de construção, dos
materiais disponíveis e dos regulamentos nacionais. Finalmente, a malha
exterior permite um acabamento praticamente ilimitado, fornecendo ao
arquiteto a liberdade para escolher o acabamento final (Fig. 24) (painéis de
madeira, placagens, pedra, alvenaria, etc.).

Fig. 24 - Edifício de habitação unifamiliar – Acabamento Final


(adaptado de [17])

Concluindo, esta solução, surgiu em Portugal, como sendo uma


alternativa às construções tradicionais apresentando algumas vantagens entre
as quais: a facilidade de construção e o facto de as suas características físicas
em junção corresponderem a uma elevada capacidade de resistência, neste
caso contra os sismos, devido à redução das zonas críticas comuns nas
construções tradicionais. Estas vantagens fazem desta solução uma boa
alternativa garantindo, em certas situações, uma redução no custo final da
construção.

28
10. Porque é que os edifícios se movem?

As consequências que advêm da ocorrência de um sismo,


nomeadamente no que se refere aos edifícios, podem ser bastante notórias e
marcadas por uma certa perigosidade. Isto acontece pois este fenómeno
geológico provoca um rápido movimento no edifício que, se não tiver sido
projetado tendo em conta a resistência a abalos deste tipo, poderá colapsar
causando inúmeras mortes (Fig. 25).

Fig. 25 – Imagem da devastação de uma cidade após a ocorrência de um sismo


(adaptado de [18])

As vibrações resultantes de um sismo propagam-se sob a forma de


diversas ondas pelo solo e, se o edifício estiver em contacto direto com o
mesmo, situação que é altamente provável na maioria das construções
humanas, estas vibrações irão ser transmitidas ao edifício. Esta é, portanto,
uma das soluções encontradas pela Engenharia Civil que garantem uma
diminuição da vulnerabilidade do edifício, o isolamento da base, que, não
sendo total, é garantido por um sistema de rolamentos que permitem a
existência de uma movimentação entre a fundação e a parte inferior da
construção em causa, ou ainda por um sistema de amortecedores colocados
nas bases dos edifícios.

29
O verdadeiro problema dos sismos não se centra exclusivamente na
movimentação da crosta terrestre que provoca a movimentação dos edifícios,
mas também na enorme quantidade de energia que é libertada num curto
espaço de tempo e que, ao movimentar a crosta terrestre gera uma força de
grande intensidade que atua sobre os edifícios. Como é sabido pela 2ª Lei de
Newton ou Lei Fundamental da Dinâmica, a aceleração adquirida por um corpo
é inversamente proporcional à massa desse corpo e diretamente proporcional à
intensidade da força resultante que atua sobre o mesmo (F=m x a). Tal
significa que quanto maior for a força exercida pelo solo no edifício, maior a
aceleração a que este irá ser sujeito, ou seja, maior será a rapidez com que
este terá de mudar de velocidade, aumentando-a, neste caso. Logo, quanto
maior a energia libertada pelo sismo no epicentro, maior será a movimentação
da crosta terrestre, maior será a força gerada sobre os edifícios,
consequentemente maior será a aceleração a que estes serão sujeitos e mais
rapidamente estes irão aumentar a sua velocidade até atingirem a velocidade
máxima, algo que demorará um curtíssimo período de tempo.
Tem-se ainda de ter em conta ainda o Princípio de D’Alembert que diz
que uma massa sendo sujeita a uma aceleração com uma dada direção e
sentido tende a opor-se de à mesma de forma proporcional. É devido a todas
estas variáveis que se tem vindo a fazer o estudo do impacto dos sismos nos
edifícios de diversos modos entre os quais se destaca a implementação de
acelerómetros em edifícios que se situam em zonas sísmicas. Os
acelerómetros (Fig. 26), como o
próprio nome indica, são
instrumentos que permitem detetar e
registar em acelerogramas todas as
acelerações a que um dado objeto
em estudo está a ser sujeito, neste
caso o objeto de estudo serão os
edifícios e o solo subjacente.

Fig. 26 – Imagem esquemática de um acelerómetro


(adaptado de [19])

30
Deve-se ainda de ter em consideração a força inercial que é aquela
que corresponde à força que o edifício gera para se opor à aceleração a que
este está a ser sujeito. Esta provoca tensões nos elementos estruturais dos
edifícios, como as paredes estruturais, vigas, colunas, entre outros, que
podem ficar danificados devido à imobilização do edifício que faz com que a
força inercial se a “absorvida” internamente.
Outra questão que importa referir é que a frequência de vibração do
solo durante o sismo, bem como a frequência natural de vibração do edifício
influenciam mutuamente a resposta do edifício ao abalo sísmico. Na verdade,
se estas frequências de vibração tiverem valores próximos ou até mesmo
iguais a resposta dos edifícios é seriamente afetada.
Nalguns casos este efeito de amplificação dinâmica pode aumentar a
aceleração do edifício elevando-a para valores duas ou mais vezes superiores
aos da aceleração do solo. Geralmente, edifícios com maiores frequências
naturais e curtos períodos naturais, tendem a sofrer acelerações maiores,
mas deslocamentos menores. No caso dos edifícios com frequências naturais
mais baixas, e com longos períodos naturais, acontece o contrário, os
edifícios ficam com acelerações mais baixas, mas sofrem deformações
laterais maiores.

10.1. Flexibilidade do edifício

Quanto mais alto o edifício for mais longo tende a ser o seu período
natural. No entanto, a altura do edifício está também relacionada com outra
importante característica estrutural: a flexibilidade do edifício. Edifícios altos
tendem a ser mais flexíveis do que edifícios pequenos.
A flexibilidade afeta grandemente a forma como o edifício reage ao
sismo. Há que encontrar o equilíbrio perfeito de modo a projetar um edifício
com o grau de flexibilidade/rigidez adequado ao meio onde este se encontra.

10.2. Ductilidade

A ductilidade é a capacidade que um objeto ao ser sujeito a distorção e


deformação tem que lhe permite evitar uma rutura frágil. Ao ser dúctil o edifício,

31
em situações limite, irá deformar-se, mas tal cenário é preferível a uma rutura
brusca. Como tal, a ductilidade de uma estrutura é de facto um dos mais
importantes fatores que afetam o seu desempenho durante um sismo.
Uma das principais tarefas de um engenheiro civil ao projetar um
edifício para ser resistente a sismos é assegurar que o mesmo possui
ductilidade suficiente para garantir que este resiste a todos os tipos e
intensidades de sismos a que pode estar sujeito durante a sua vida útil.

10.3. Amortecimento

A última característica/parâmetro estrutural que importa referir é o


amortecimento. Como se tinha referido anteriormente, a movimentação do
chão e do edifício durante um sismo tem uma natureza vibratória constante.
Em vez de ir numa só direção o edifício, na realidade, move-se para trás e
para a frente em muitas direções horizontais.
Todos os objetos vibratórios incluindo os edifícios, tendem a parar de
vibrar eventualmente à medida que o tempo passa, pois a amplitude da
vibração decai com o tempo. Sem amortecimento, um objeto vibratório, uma
vez posto em movimento, nunca irá parar de vibrar. Obviamente, objetos
diferentes possuem diferentes graus de amortecimento. Um saco de feijões,
por exemplo, tem um alto amortecimento; Um trampolim tem um baixo
amortecimento.
Quanto maior amortecimento um edifício possui, mais rápido irá parar
de vibrar – o que é, claro, altamente desejável do ponto de vista da
resistência sísmica. Atualmente, uma das técnicas de dimensionamento e
construção mais avançadas de resistência sísmica consiste em adicionar
aparelhos de amortecimento como os absorsores de choques para aumentar
artificialmente o amortecimento intrínseco de um edifício e melhorar o
desempenho do mesmo face aos sismos.

32
11. Como é que a arquitetura de um edifício é afetada durante
um sismo?

A arquitetura de um edifício é extremamente importante, na medida em


que interfere no modo como o mesmo reage a um abalo sísmico.

11.1. A importância da arquitetura

O comportamento do edifício depende principalmente da sua forma,


tamanho, geometria e da maneira com a energia do sismo é distribuída pelo
edifício. Durante o planeamento do edifício, os arquitetos e os engenheiros
civis trabalham de modo a que se obtenha uma boa configuração do edifício e
que não haja falhas. As estruturas não devem ser muito altas, muito longas
nem largas no plano.

11.2. A proximidade entre edifícios

Quando dois edifícios estão demasiadamente próximos (Fig. 27), estes


podem em caso de sismo chocar. Quanto maior o peso do edifício maior será
este problema. Quando a altura entre os edifícios não é a mesma, o telhado do
mais pequeno pode bater no edifício mais alto.

Fig. 27 - Imagem representativa da proximidade excessiva entre dois


edifícios (adaptado de [20])

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Em combate aos inúmeros sismos, ocorridos frequentemente, muitos
países optam por investir em novas tecnologias (Fig. 28) na construção civil.
Ao construir um novo edifício, a preocupação começa na fundação,
parte do edifício que fica em contato com o solo. Estes edifícios têm então nas
suas fundações alicerces com suspensão para absorver o impacto gerado pelo
terremoto. Tanto podem ser instalados amortecedores eletrónicos, que podem
ser controlados à distância, como podem ser instalados amortecedores de
molas que funcionam de maneira equivalente à suspensão dos carros.

Fig. 28 - Nova tecnologia contras sismos (adaptado de [21])

Os engenheiros também colocam um material especial para amortecer


as junções entre as colunas, a laje e as estruturas de aço que compõe cada
andar. Todos os andares possuem, além de paredes de betão, uma estrutura
de aço interna, que ajuda a suportar o peso do prédio.
Uma das partes mais importantes dos prédios com tecnologias mais
modernas contra sismos é o sistema de contrapeso inercial, uma espécie de

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um pêndulo instalado na parte mais alta do edifício (Fig. 29), uma bola
suficientemente pesada para movimentar o prédio no sentido contrário às
vibrações do solo atenua o movimento e permite que o prédio se mantenha
40% mais estável durante a acção de um sismo.

Fig. 29 - Fotografia de um pêndulo instalado num edifício (adaptado


de [22])

Uma das medidas também implementadas nestas novas tecnologias é


envolver os vidros das janelas, uma das partes mais sensíveis da construção,
com borracha, para que não fiquem em contato direto com os aros de aço.
Com isso, enquanto o prédio oscila, o vidro também se movimenta,
acompanhando o edifício mas de forma controlada.
Este conjunto de tecnologias permite que os prédios mais modernos do
mundo passem por sismos sem comprometer a estrutura física da construção,
evitando assim quaisquer danos, custos e mortes.

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Conclusão

Como se pôde verificar, este relatório deu-nos a conhecer praticamente


tudo o que está relacionado com sismos.
Após tal informação podemos concluir então que, apesar de ser cada
vez mais frequente a ocorrência de um sismo, e por mais que sejam
avassaladores e imprevisíveis ao ponto de deixarem países desertos devido às
suas elevadas magnitudes, existem edifícios que não caem e saem ilesos à
catástrofe.
E a resposta a tal acontecimento está nas novas conceções adotadas na
engenharia civil, em que implementam novas tecnologias, das quais: o uso de
novos materiais resistentes e flexíveis; uma arquitetura minuciosa, em que os
edifícios têm de ser desenhados detalhe a detalhe; e o uso de contrapesos
inerciais, como a esfera de Taipei.

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