Você está na página 1de 12

1

EMPREENDEDORIMO NO BRASIL ATUAL:


Mulheres empreendedoras no mercado imobiliário
Hamilton José Vasques
Prof. João Vitor Bridi
UNIASSELVI
Negócios Imobiliários – Empreendedorismo
Set 2008

RESUMO

Este estudo busca evidenciar uma realidade distinta sobre o empreendedorismo, através de uma
perspectiva que foca em negócios criados na economia informal. Inicialmente são discutidas a
precarização do trabalho, as características dos empreendedores e noções de empreendedorismo
por necessidade ou oportunidade. Partimos da constatação de que o empreendedorismo, emerge no
cenário nacional no início dos anos de 1990, e causado pelos vários planos econômicos
implementados. É o que procuramos apresentar, mesmo que sinteticamente e de forma
introdutória, a partir de conceitos, nacionais e internacionais, e de um exemplo típico brasileiro de
como as mulheres estão buscando o seu espaço dentro do meio empresarial.
Finalizando apontamos uma característica de entendimento do empreendedorismo no Brasil, bem
como, alguns elementos sobre os desafios e possibilidades desta nova forma e paradigma de gestão
empresarial que se apresenta como emergente e de grande poder de transformação comercial no
cenário de um Brasil paradoxal, com muitos problemas mas repleto de possibilidades.

Palavras-chave: cenário econômico dos anos 90; empreendedorismo; mulheres empreendedoras;


case Valentina Caran;

INTRODUÇÃO

Este paper inicialmente apresenta uma introdução sobre a importância da abertura do


mercado brasileiro no início dos anos 90 na chamada era Collor (Fernando Collor de Mello, então
presidente da república) que em termos econômicos, o projeto de governo de Fernando Collor não
2
foi um insucesso total. A iniciativa de privatizar as empresas estatais, a modernização de indústrias,
a abertura da economia para novos mercados externos e as soluções tomadas para resolver o
problema da dívida externa modificaram a mentalidade de muitos empresários e arejaram os meios
econômicos tradicionais do país; e quão importante foi para o fortalecimento do empreendedorismo
no Brasil. Em seguida apresentamos o empreendedorismo na forma de emprego, cidadãos que
aderiram aos P.D.I(s) e P.D.V(s) proporcionados por empresas públicas que buscavam naquele
momento a privatização e coloram em risco seus a vida financeiro de seus empregados. Num
terceiro momento apresentamos a internet e seu uso com o e-commerce como umas das estratégias
de comercialização de produtos e serviços. Por fim procuramos mostrar a importância da mulher
dentro do Brasil atual, o quão importante elas tem sido para o desenvolvimento do pais e a
participação no mercado. Ao final espera-se que o leitor possa identificar a importância do
empreendedorismo como forma de renda em no mundo atual, em especial as características de
nosso Brasil tão imenso e diversificado

DESENVOLVIMENTO

1. CENÁRIO ECONÔMICO BRASILIERO NOS ANOS 90

Para iniciarmos a elaboração deste paper, identificamos a necessidade de primeiramente


apresentarmos os conceitos que nortearam nosso trabalho e que nos ajudaram a discorrer sobre o
tema proposto. Começando pelo cenário do mercado de trabalho vivenciado durante o início dos
anos 90, vários autores dividiram opiniões a despeito de períodos onde se vivenciaram de bons a
maus momentos para o trabalhador brasileiro. Notamos que essas opiniões se divergem pela
alternância ocorrida entre Presidentes e planos econômicos colocados em prática em cada momento
distinto. Acreditamos que essas alternâncias resultaram em efeitos importantes sobre o ritmo e a
estrutura do crescimento econômico, afetando, significativamente, o desenvolvimento do mercado
de trabalho, quando houve forte redução no número de trabalhadores na indústria e, em
contrapartida, expandiu-se o número de trabalhadores nos setores de "prestação de serviços" e do
comércio.
Retrocedendo um pouco no tempo nas décadas de 50 a 80, o Brasil adotou um estilo de
desenvolvimento autárquico ou voltado "para dentro", apoiado na proteção generalizada ao mercado
interno e nos controles cambiais. Se, de um lado, esse modelo de industrialização induzida
(substituição de importações), com intensa participação estatal na atividade econômica conseguiu
3
implantar um parque industrial relativamente moderno no país, de outro, produziu grande
ineficiência na estrutura de produção, consumo e intermediação financeira.
A década de 80, foi considerada uma década perdida para a economia brasileira, devido aos
inúmeros problemas políticos e econômicos que assolaram o país, com os indicadores de
desempenho macroeconômicos bem abaixo dos da década de 70, quando o Brasil viveu o chamado
“milagre econômico”.

Dando prosseguimento aos processos de abertura econômica e de integração externa,


iniciados no governo Collor, Fernando Henrique Cardoso, revogou todas as medidas de
favorecimento dos capitais nacionais em face dos estrangeiros, privatizou a produção estatal,
alterando o relacionamento entre os modos de produção. Com isso, o modo capitalista de produção
deixou de ser tutelado pelo Estado e sua integração ao grande capital global, controlado por
residentes nos chamados países centrais, vem sendo sistematicamente fomentada. Neste cenário o
papel do Estado na economia brasileira mudou drasticamente, passando de um Estado-empresário,
que procurava impulsionar o desenvolvimento econômico definindo diretamente onde os fatores de
produção deveriam ser alocados, para um Estado regulador e fiscal, mudando o foco da simples
acumulação de capital para uma busca de eficiência e produtividade (PINHEIRO, 1999).
Na visão de Arida (1999), a inflação brasileira era predominantemente inercial pois seu
maior determinante era a inflação passada, em um processo no qual a inflação futura era alimentada
e acelerada por ela. Adicionalmente, Batista Jr. (1999), identifica o déficit público como uma causa
fundamental do processo inflacionário, uma vez que só seria possível combatê-la com o equilíbrio
das contas do governo.
Pereira (1998) numa visão um pouco controversa destaca que, a explicação da inflação da
economia brasileira não é válida nem a partir do déficit público, pois este foi zerado em 1990 e
1991, e a inflação permaneceu em alta; nem a partir do crescimento da oferta monetária, dado o
caráter passivo ou endógeno da oferta de moeda quando a inflação é alta e inercial.
Fazendo um retrospectiva da história econômica do Brasil nos últimos anos, observa-se que
a tentativa de estabilização econômica e o controle inflacionário passou por vários planos de
estabilização a partir do final da década de 70. Alguns com características heterodoxas, que se
fizeram uso de políticas restritivas, congelamentos de preços, taxas de juros e salários, com a
utilização dos chamados "gatilhos" que possibilitavam uma reposição de parte das perdas salariais,
como foram os planos: Cruzado I e Cruzado II (1986), Collor I e Collor II (1990-1992). Outros de
cunho ortodoxo, voltado para melhoras nos indicadores macroeconômicos, como o Balanço de
Pagamentos, superávites comerciais, através de políticas alinhadas com o FMI, como foram os
planos implantados por Delfim Neto (1982-1984) e Francisco Dorneles (1985). Enquanto que
4
outros constituíram-se de uma mescla entre heterodoxia e ortodoxia, como foram os planos de
Delfim Neto (1979-1982), Bresser Pereira (1987-1988) e Maílson da Nobrega, conhecido como
Plano Verão (1989-1990).
Inserido nesse contexto inflacionário, a moeda brasileira, inserida nessa ciranda
inflacionária, desempenhava apenas uma de suas três funções primordiais, a de troca de
mercadorias, deixando de desempenhar a contento as funções de reserva de valor e representante
geral das mercadorias.
Duas medidas importantes, de grande impacto na economia brasileira foram introduzidas no
período Collor, o programa de privatização e a alteração da estratégia de comércio exterior, com a
liberação das importações. O programa de privatização foi ampliado a partir de 1995, com a decisão
de acabar com os monopólios do setor público na área de infra-estrutura e à iniciativa dos governos
estaduais de desenvolver seus próprios programas de privatização.
O Governo Itamar Franco se posicionou como forma de transição para a nova política
econômica que estava sendo preparada. Foram três os ministros da fazenda num período de seis
meses. Posterior a esses Fernando Henrique Cardoso é indicado o quarto ministro da fazenda, que
logo apresenta um plano de austeridade denominado Plano de Ação Imediata, cujo ponto básico era
um corte imediato nos gastos do governo. Infelizmente sem obter sucesso. A partir de então, ele
coloca em prática a implantação do Plano Real.
Implicitamente, pode-se dizer que uma das âncoras do Plano Real foi a abertura econômica,
que promoveu uma reestruturação industrial e possibilitou por um lado, um avanço da economia
brasileira no sentido de integrar-se ao mercado externo, e em certa medida, uma relativa
modernização em alguns setores produtivos nacionais (os que sobreviveram). Mas por outro lado, o
país pagou um preço elevado, como a extinção de alguns setores que não apresentavam níveis de
competência gerencial e produtiva nos padrões internacionais, os quais passaram a ser dominados
pelo capital estrangeiro, além da dependência crescente de investimentos produtivos, bem como
especulativos externos.
A economia brasileira integrou-se à economia mundial de uma forma que não é capaz de
defender-se de oscilações no mercado externo, haja vista os estragos causados pelas crises
internacionais recentes. O país é economicamente cada vez mais dependente da entrada de capitais
externos para financiar seu déficit em contas correntes. Capitais que por outro lado, tendem a se
reduzir com o cenário de crise internacional, catalisada pela instabilidade política e econômica
internacional e principalmente com o fim de bons negócios na economia brasileira ao capital
estrangeiro com o refreamento das privatizações.
Destaca-se também o papel de sustentação do Plano Real desempenhado pelas safras
agrícolas recordes, gerando divisas em moedas estrangeiras que desempenham um papel
5
fundamental no Balanço de Pagamentos. Sem mencionar a estrangulação e a queda do poder
aquisitivo da classe assalariada, imposta pela política de restrição salarial, a qual o governo mantém
sob constante vigilância via Medidas Provisórias, temendo conseqüências negativas sobre os gastos
governamentais e o controle da inflação.
A manutenção de juros elevados mostrou-se importante no sentido de continuar mantendo o
país atrativo ao capital estrangeiro, o qual continuou financiando os déficits comerciais.

2. EMPREENDEDORISMO

A palavra empreendedorismo foi utilizada pelo economista Joseph Schumpeter em 1950


como sendo uma pessoa com criatividade e capaz de fazer sucesso com inovações. Mais tarde, em
1967 com K. Knight e em 1970 com Peter Drucker foi introduzido o conceito de risco, uma pessoa
empreendedora precisa arriscar em algum negócio. E em 1985 com Pinchot foi introduzido o
conceito de Intra-empreendedor, uma pessoa empreendedora mas dentro de uma organização
Uma das definições mais aceitas hoje em dia é dada pelo estudioso de empreendedorismo,
Robert Hirsch, em seu livro “Empreendedorismo”. Segundo ele, empreendedorismo “é o processo
de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos
financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da
satisfação econômica e pessoal”.
No Brasil, após varias tentativas de acerto entre as alternâncias de Presidentes e planos
econômicos que buscaram a estabilização da economia, ficou evidente que a instabilidade
empregatícia vivida por empregados regidos pela C.L.T., ou pelos regidos pelo estatutários, que
eram motivados a pedirem demissão ou serem demitidos através dos P.D.V. (Programa de
Demissão Voluntária) ou P.D.I. (Programa de Demissão Incentivada), levaram essas pessoas a
buscarem o empreendedorismo.
O Brasil está caindo no ranking internacional do empreendedorismo. No entanto, o país sobe
algumas posições quando a avaliação é feita a partir do motivo que leva as pessoas a abrir um
negócio; mais por necessidade e não por oportunidade. A dificuldade em encontrar trabalho é a
motivação de 55,4% dos empreendedores, o que dá ao Brasil a maior taxa de atividade por
necessidade (7,5%) dos 37 países pesquisados.
A pesquisa é feita desde 1999 pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), instituição
criada pela London Business School e pelo Babson College de Boston (EUA). O Brasil participa
desde 2000, via Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP). Na primeira
vez em que foi avaliado, junto com 21 países, o Brasil foi classificado como a primeira nação em
6
iniciativa empreendedora. No ano seguinte, já com 28 países participando da pesquisa, ficou em
quinto lugar.
Segundo o estudo, o empreendedorismo por necessidade tende a ser maior entre os países
em desenvolvimento, "onde as dificuldades de inserção no mercado de trabalho levam as pessoas a
buscar alternativas de ocupação". "Este índice (do empreendedorismo movido pela necessidade)
deve servir de alerta para nossa sociedade", disse o presidente do IBQP-PR, Sérgio Prosdócimo,
ressaltando que o Brasil precisa mudar, "e rapidamente", suas políticas de apoio às micro e
pequenas empresas.
De acordo com o levantamento do GEM, os grandes entraves para as micro e pequenas
empresas estão no acesso e no custo do capital necessário; na elevada carga de tributos e exigências
fiscais e legais; na capacitação para a gestão do negócio e no fato de que políticas e programas
dedicados ao setor não serem adequados à realidade do empreendedor.
O empreendedorismo no Brasil começou a ganhar força na década de 1990, durante a
abertura da economia. A entrada de produtos importados ajudou a controlar os preços, uma
condição importante para o país voltar a crescer, mas trouxe problemas para alguns setores que não
conseguiam competir com os importados, como foi o caso dos setores de brinquedos e de
confecções, por exemplo. Para ajustar o passo com o resto do mundo, o país precisou mudar.
Empresas de todos os tamanhos e setores tiveram que se modernizar para poder competir e voltar a
crescer.
O governo deu início a uma série de reformas, controlando a inflação e ajustando a
economia, em poucos anos o País ganhou estabilidade, planejamento e respeito. A economia voltou
a crescer. Só no ano 2000, surgiu um milhão de novos postos de trabalho. Investidores de outros
países voltaram a aplicar seu dinheiro no Brasil e as exportações aumentaram. Juntas essas
empresas empregam cerca de 40 milhões de trabalhadores.
De acordo com o diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza,(2008) esse
aumento de novas empresas está diretamente ligado à saúde da economia brasileira, além do
elevado espírito empreendedor dos brasileiros. “Depois de algumas décadas, o Brasil está
experimentando um período de crescimento continuado, com diminuição das taxas de juros e
aumento significado de crédito, especialmente para as pessoas físicas.
Barboza acredita que os pequenos negócios, notadamente aqueles nascentes, são muito
susceptíveis às variações na economia. São os primeiros a sentirem os efeitos de queda de consumo
ou dificuldades de crédito. No entanto, quando a economia vai bem há uma maior sobrevivência
dos negócios existentes, bem como estímulo ao surgimento de outros.
Com a implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, é possível que esse
número venha a crescer ainda mais nos próximos anos. Isso porque a lei traz um conjunto de
7
normas que desburocratiza não só a arrecadação de impostos, com o Simples Nacional, como
também o processo de abertura de empresa, por meio do Cadastro Sincronizado. “As medidas
relativas à facilidade e agilidade na abertura das empresas ainda estão sendo gradativamente
implementadas e, em breve, poderão contribuir para que o espírito empreendedor dos brasileiros
possa encontrar um ambiente mais favorável e estimulador”, disse Barboza.
Barboza cita ainda que: Além da análise das taxas de empresas iniciais (TEA) dos países,
nesta edição, o GEM trouxe uma inovação metodológica. Trata-se do aprofundamento da
comparação entre o Brasil com três grupos de países: G7 – grupo das sete nações mais ricas do
mundo – Canadá, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão; Bric – Brasil,
Rússia, China, Hong Kong e Índia; e os países da América Latina.
Por essa análise, constatou-se que a taxa brasileira de 12,72% é representativa quando
comparada com outros países que desempenham importante papel no cenário mundial. Outra
constatação trata da relativa estabilidade da TEA ao longo do tempo, dos países que apresentam
altas taxas. Países como Brasil, China e Peru, com taxas superiores a 10, têm mantido sua posição
entre os mais dinâmicos do mundo em termos de atividade empreendedora.
Para compor a pesquisa no Brasil, em 2007, foram entrevistados dois mil indivíduos de
idade adulta, entre 18 e 64 anos, de todas as regiões brasileiras, selecionados por meio de amostra
probabilística. A pesquisa que tem nível de confiança de 95% e erro amostral de 1,47% conta ainda
com opiniões de 36 especialistas brasileiros. Entre os anos de 2000 a 2007 foram entrevistados no
Brasil, 17.900 adultos.
A mulher brasileira está definitivamente conquistando seu espaço na economia
contemporânea. Pela primeira vez, o nível de empreendedorismo entre as mulheres ultrapassou o
dos homens.
As mulheres brasileiras ocuparam, em 2007, o 7º lugar, no ranking mundial como mais
empreendedoras, com uma taxa de 12,71% (aproximadamente 8 milhões).
Em 2007, as brasileiras representavam 52% dos empreendedores adultos (18 a 64 anos) no
Brasil, invertendo uma tendência histórica quando considerado o período 2001-2007. Em 2001 os
homens empreendedores representavam 71% contra 29% das mulheres.Embora a taxa de
empreendedorismo feminino esteja crescendo, a necessidade ainda é fator marcante de motivação
para a mulher iniciar o empreendimento. Enquanto 38% dos homens empreendem por necessidade,
essa proporção aumenta para 63% para as mulheres.
Esses dados confirmam a tendência apresentada pelos dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad 2006), que indicam que as mulheres buscam alternativa de
empreendimentos para complementar a renda familiar, ou ainda porque nos últimos anos elas vêm
assumindo cada vez mais o sustento do lar como chefe de família.
8
Do ponto de vista da motivação da mulher de empreender por oportunidade, houve uma
diminuição da proporção em relação ao homem, se considerado o período 2001-2007. Ou seja, em
2007, a motivação para empreender em busca de oportunidade é de 46% contra 54% dos homens.
Em outras palavras, em relação aos anos anteriores considerados, a mulher está empreendendo mais
por oportunidade (média de 40%). Contudo, considerando a evolução no período 2001-2007,
observa-se um crescimento constante da participação da mulher empreendedora tanto por
oportunidade como por necessidade.
Barboza cita pesquisas feitos pelo SEBRAE que, as atividades em que a ação de
empreendedorismo feminina se realiza estão especialmente no comércio varejista (37%) - artigos de
vestuário e complementos - na indústria de transformação (27%) – confecções, fabricação de
produtos alimentícios, fabricação de malas, bolsas, valises e outros artefatos para viagem de
qualquer material -, e na atividade de alojamento e alimentação (14%). O estudo também revela que
em 2007 a mulher supera a participação do homem nos empreendimentos de estágio nascente (53%)
e nos empreendimentos novos (52%), porém, é minoria nos empreendimentos estabelecidos (38%
contra 62%).
A pesquisa demonstra que a dificuldade da mulher em se estabelecer como empreendedora
pode partir de duas tendências: pode ser que ela encontre barreiras para transformar seu
empreendimento em uma atividade consolidada no mercado, ou devido à entrada mais recente da
mulher na atividade empreendedora, os novos empreendimentos ainda não tiveram tempo para
consolidar-se no mercado.
Para o diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza, as mulheres têm
conquistado espaço não só no mundo dos negócios, como também em todos os campos da atividade
humana.
“Creio que, com o esperado crescimento da economia brasileira nos próximos anos,
também poderemos assistir essa reversão entre as mulheres empreendedoras. É de se
esperar que gradativamente ocorra uma diminuição do empreendedorismo por necessidade
entre as mulheres”, afirma.

O diretor acredita que, pelo fato das mulheres terem maior escolaridade, elas poderão se
preparar mais antes de abrir sua empresa. Assim, examinando as possibilidades que o mercado
oferece, poderá ter um aumento do empreendedorismo por oportunidade gerando negócios mais
competitivos e sustentáveis.
No item que analisa a mentalidade dos empreendedores brasileiros, homens e mulheres
foram questionados sobre a sua preocupação com relação ao meio ambiente. Ambos os
entrevistados afirmaram concordar totalmente (63,9%) quanto à opção de compra junto a empresas
9
que se preocupam com questões ambientais. Ou seja, tanto mulheres como homens têm consciência
associada à preocupação ambiental.
Dados do Pnad nos dizem que, é crescente a participação feminina na População
Economicamente Ativa (PEA). A participação delas no mercado de trabalho tem sido cada vez mais
expressiva, representando 42,6 milhões de mulheres em 2006, com crescimento constante dessa
participação.
Porém, embora a mulher venha conquistando esse espaço, ainda existe uma elevada
disparidade no que se refere à remuneração. As mulheres ocupam a maior parte dos postos de
trabalho nas faixas de até um salário mínimo e sem rendimento. A participação dos homens vai
aumentando à medida que aumentam as classes de rendimento.
Para a pesquisadora do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), Simara
Greco,“é fundamental que as políticas públicas de apoio ao empreendedorismo levem em conta as
especificidades das condições laborais femininas para que o envolvimento da mulher em novos
negócios saia da condição de trabalho precário e passe a significar real inclusão social, aumento de
empreendimentos sólidos e realização pessoal da mulher”, afirma.
Segundo os dados do GEM, “as mulheres também já são maioria nas categorias de maior
escolaridade nas áreas urbanas, onde a escolaridade média das mulheres é de 7,4 anos para a
população total e de 8,9 anos para as que estão no mercado de trabalho. No Brasil rural, essas
médias são baixas e se distanciam consideravelmente das áreas urbanas, 4,5 anos e 4,7 anos,
respectivamente.
Quando se observa a ação empreendedora e sua relação com o nível de escolaridade,
percebe-se uma mudança importante no período de 2002-2007. Em 2002, os empreendedores sem
educação formal e aqueles com até quatro anos de estudo representavam pouco mais da metade do
total de empreendedores (50,8%). Já em 2007, os empreendedores situados nessa mesma faixa de
escolaridade não alcançaram os 30%. Situação inversa e positiva observa-se em 2007 na população
dos empreendedores com mais de cinco anos de escolaridade, que passaram de 50% em 2001 para
71%.”

3. ESTUDO DE CASO: VALENTINA CARAN – MULHERES EMPREENDEDORAS

3.1 Histórico da empresa


A pacata cidade de Monte Mor, interior de São Paulo, ficou pequena para os sonhos da
jovem Valentina Caran, então com 21 anos. Trabalhando na lavoura de tomates, tinha o sonho de
vir para a capital e tornar-se atriz . Um rápido curso por correspondência bastou para que tomasse
10
coragem para aportar em São Paulo. Uma ponta de figurante aqui, outra ali era o seu trabalho, mas a
necessidade de ganhar dinheiro levou-a a outros caminhos: foi trabalhar na editora Abril como
vendedora de enciclopédias. Não demorou muito para que um amigo, corretor de imóveis,
percebesse o “tino comercial” da amiga e mostrasse um novo caminho: o mercado imobiliário.
Estava traçados eu destino.
Por três anos trabalhou na Bolsa de Escritório de São Paulo, onde viu, aprendeu e
principalmente, inovou nesse mercado. “Observava como os corretores trabalhavam e como
atendiam e, principalmente, analisava os seus clientes; o que queriam e quais as suas necessidades”,
conta Valentina em sua ampla sala, na sede da Valentina Caran Imóveis, na avenida Paulista.
Foi um pulo rápido para aplicar o que aprendeu. Alugou uma salinha de 30 m2 na av.
Paulista e dedicou-se obstinadamente a entregar o seu cartão nas portarias de prédios comerciais ao
longo da Paulista. O objetivo estava na procura de salas ou andares inteiros para os seus clientes.
A dedicação trouxe não só o apelido carinhoso de “Rainha da Paulista”, como visibilidade
no mercado imobiliário; afinal tratava-se de uma mulher obstinada despontando num mercado até
então estritamente masculino. “Ao mesmo tempo em que meu trabalho é agressivo, ele tem a
„delicadeza‟ de ter os mais variados imóveis para atender qualquer necessidade de meus clientes”,
diz.
Hoje conta com uma sede de 800 metros quadrados na própria Paulista, mais as filiais na
Vila Olímpia, Morumbi, Centro, Alphaville e em Indaiatuba, inteiror de SãoPaulo.
Um dos seus segredos é investir sempre no trabalho, ter a visão lá na frente. “Muitos
corretores ganham a comissão da venda de um imóvel e vão viajar ou comprar um carro novo.
Penso diferente, sempre investi em imóveis para ter produto para os meus clientes”. Disse ela.
Empresas como Abril, TV Globo, Bancos Safra, Panamericano, Bradesco, Cyrela
Empreendimentos Imobiliários, PIA Sociedade de São Paulo (Grupo Vaticano), Grupo Sílvio
Santos e Telesp Celular, são alguns dos nomes que integram a sua carteira de clientes e por si só
avalizam o trabalho de Valentina.
Mas não são só nomes de personalidades badaladas, seja do eixo político, seja do eixo
artístico-cultural que complementam sua carteira. “Minha especialidade é mesmo imóveis e áreas
comerciais, mas acabo atendendo também imóveis residenciais e áreas rurais. É um complemento
do meu trabalho. As empresas trabalham comigo há muitos anos, e não é raro me pedirem imóveis
residenciais”,afirma.
Como região de grande potencial comercial, a empresária aponta a própria Paulista, a Vila
Olímpia, com foco na Engo Luiz Carlos Berrini, extensão da Faria Lima e o Centro da capital que
teve uma valorização de 25%, após a chegada da prefeitura e empresas governamentais na região.
11

CONCLUSÃO

Para o escopo deste trabalho tenta-se definir o fenômeno empreendedorismo de maneira a


distingui-lo de seu agente necessidade e de seu produto dinheiro. O fenômeno extrapola esta relação
e pode se associar às formas de pensamento e, conseqüentemente, culturas. Parece então, mais
adequado para subsidiar a discussão proposta neste estudo explicar o fenômeno de maneira mais
ampla.
Mostrar que no Brasil a informação através de Escolas Públicas não estão preocupadas em
formar empreendedores, discutir a realidade das mulheres brasileiras, sobretudo as de baixa renda.
No Brasil esta questão é de extrema relevância, pois as mulheres de modo geral, sustentam o
lar e os filhos sozinhas. Estas deveriam sim ser preparadas para identificar e avaliar oportunidades,
o desenvolvimento de projetos identificados por elas próprias.
Preconizamos que os estudantes principalmente os de baixa renda devem ser auxiliados
pelas Universidades Públicas/ Privadas Brasileira, pois, em suas comunidades poderão ser gestores
da inovação e da criação de competências essenciais específicas para este segmento populacional.
para tanto precisaríamos inovar através de micro-crédito e planos de negócios, milhares, senão
milhões de estudantes seriam beneficiados e teriam um sentido para suas vidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARANTES, Márcia Maria Ribeiro. Monografia de conclusão de curso: Comércio Eletrônico na


Internet - UNIT. Uberlândia/MG.2000

CARVALHO, Denise. A explosão imobiliária. Revista Exame 04 de maio de 2006. Ed. Abril, SP

FELIPINI, Dailton. O crescimento do e-commerce do Brasil. s/d em www.e-commerce.org.br


acessado em 30/08/2008

A força avassaladora da conveniência. Publicado 11/12/2007 em www.abc-commerce.com.br.


acessado em 30/08/2008

FERNANDEZ, João Alberto da Costa Ganzo. Estruturação de Estudos de Viabilidade de Mercado


Para Empreendimentos Habitacionais. in: II Seminário Internacional da Lares – Latin American
Real. Revista Gestão Industrial v. 02, n. 04: Paraná, 2006
12
http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/2989C695EC859A3D03256D520059ADE7/$File/303_1_
Arquivos_ousadia.pdf

Empreendedorismo social no Brasil: Atual configuração...


Fonte: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/art_cie/art_15.pdf

Uma proposta de procedimentos para gestão de empreend. no terceiro setor


http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2001_TR81_0719.pdf

A Universidade formando empreendedores


Fonte: http://inf.unisul.br/~ingo/emoreendedorismo.pdf

Cenário Econômico e Político (Luís Nassif) 07.11.2006


Fonte: http://www.couro.news.com.br/Perfil%20do%20Setor/view.htm?id=227143&ca_id=19

MARQUES, Washington . Histórico do mercado imobiliário. Ano 7 no. 65. http://www.ademi-


pe.com.br/noticias/ademinews/n65/news04.html. jan 2007. acessado em 30 de agosto de 2008

PETERSEN, Fernanda; DANILEVICZ, Ângela – Revista Gestão industrial. v. 02, n. 04. Porto
Alegre, 2006 http://www.pg.cefetpr.br/ppgep/revista/revista2006/pdf/vol2nr4/vol2nr4art6.pdf
acessado em 30-08-2008

PORFIRIO, Wesley. O duro aprendizado do mercado imobiliário. Publicado em 1/06/2005.


www.administradores.com.br/artigos acessado em 30/08/2008