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SUMARIO

UNIDADE 1 - OS RISCOS INERENTES À ATIVIDADE ............................................ 4

1.1 CONCEITO DE RISCO E PERIGO ................................................................... 5

1.2 RISCOS AMBIENTAIS EXISTENTES NA INDÚSTRIA NAVAL ...................... 6

1.3 MEDIDAS DE SEGURANÇA DISPONÍVEIS PARA O CONTROLE DOS


RISCOS OPERACIONAIS .................................................................................... 12

1.4 RESPONSABILIDADES (NR-34) ................................................................... 18

1.5 TREINAMENTO E CAPACITAÇÃO ............................................................... 19


UNIDADE 1 - OS RISCOS INERENTES À ATIVIDADE

Objetivo:

Capacitar os alunos quanto aos requisitos mínimos e as medidas de proteção à


segurança, à saúde e ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de
construção, reparação e desmonte naval.

Conteúdo abordado:

 os riscos inerentes à atividade

 as condições e meio ambiente de trabalho

 os Equipamentos de Proteção Coletiva - EPC existentes no estabelecimento

 o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual - EPI

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UNIDADE 1 - OS RISCOS INERENTES À ATIVIDADE

A norma regulamentadora NR-34, foi elaborada com o objetivo principal de


estabelecer os requisitos mínimos e as medidas de proteção à segurança, à saúde e
ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de construção, desmonte e
reparação naval.

Essa norma foi responsável por trazer atualização e aperfeiçoamento das


orientações para o exercício de diversas atividades neste setor, entre elas o trabalho
a quente, montagem e desmontagem de andaimes, jateamento e hidrojateamento,
movimentação de cargas, instalações elétricas provisórias e trabalhos em altura.

Figura 1: Embarcação sendo construída

Vale destacar que cada ambiente (portos, navios, barcos, etc) possui suas próprias
particularidades, sendo assim, a empresa deverá preparar seu plano de segurança
de acordo com os dados adquiridos junto aos funcionários, membros da CIPA (se
houver), técnico ou engenheiro de segurança do trabalho, sempre objetivando
manter a integridade física dos colaboradores.

Ciente que a empresa deva elaborar o plano de segurança para minimização dos
riscos, a NR-34 estabelece a realização do curso Treinamento Admissional de
trabalhadores da indústria naval conforme subitem 34.3.4.1 contemplando:

a) os riscos inerentes à atividade;


b) as condições e meio ambiente de trabalho;
c) os Equipamentos de Proteção Coletiva - EPC existentes no estabelecimento;
d) o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual - EPI.

O treinamento admissional, como o próprio nome diz, trata-se de um treinamento


realizado durante o período de admissão do funcionário pela empresa e tem como
principal objetivo proporcionar aos funcionários o conhecimento e orientá-los sobre

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os riscos relacionados à sua função ou atividade profissional dentro da empresa,
visando garantir a execução de suas atividades com saúde e segurança. Será
abordado mais sobre o tema treinamento, no tópico Treinamento e Capacitação.

Há uma diversidade de atividades laborais na indústria naval, onde cada trabalhador


é especializado para atuar em uma etapa da produção. Todas as atividades laborais
são acompanhadas pelos seus respectivos riscos. Os principais riscos dos
trabalhadores da industria naval são:

Riscos físicos: ruído, temperatura, vibração, pressão, radiação, etc..

Riscos químicos: É o perigo a que determinado indivíduo está exposto ao


manipular produtos químicos que podem causar-lhe danos físicos ou prejudicar-lhe a
saúde. Os danos físicos relacionados à exposição química incluem, desde irritação
na pele e olhos, passando por queimaduras leves, indo até aqueles de maior
severidade, causado por incêndio ou explosão. Os danos à saúde podem advir de
exposição de curta e/ou longa duração, relacionadas ao contato de produtos
químicos tóxicos com a pele e olhos, bem como a inalação de seus vapores,
resultando em doenças respiratórias crônicas, doenças do sistema nervoso,
doenças nos rins e fígado, e até mesmo alguns tipos de câncer. (FioCruz)

Cabe, portanto, entender as características e as particularidades dessas atividades,


bem como o tipo de doença que acometem estes trabalhadores, para então fazer
apontamentos sobre a possibilidade do nexo causal entre a profissão e a causa do
adoecimento.

O nexo de causalidade é o vínculo fático que liga o efeito à causa, ou seja, é a


comprovação de que houve dano efetivo, motivado por ação, voluntária, negligência
ou imprudência daquele que causou o dano.

A NR-34 propõe a utilização dos preceitos da antecipação dos riscos para a


implantação de medidas de proteção adequadas, pela utilização de metodologias de
análise de risco e de instrumentos administrativos como as Permissões de Trabalho,
conforme as situações de trabalho existentes, para que este se realize com a
máxima segurança para o trabalhador.

1.1 CONCEITO DE RISCO E PERIGO

A ISO 31000, item 3.1 conceitua risco como um desvio em relação ao esperado,
podendo ser positivo e/ou negativo, podem aplicar–se em diferentes níveis (tais
como estratégico, em toda a organização, de projeto, de produto e de processo).
Para a ISO, o risco é muitas vezes caracterizado pela referência aos eventos
potenciais e às consequências, ou uma combinação destes.

A ISO 31000 - Gestão de riscos - Diretrizes, fornece diretrizes gerais para gerenciar
riscos, em quaisquer atividades, incluindo a tomada de decisão em todos os níveis.

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 Risco: é o efeito da incerteza sobre os objetivos.

 Efeito: é um desvio em relação ao esperado (positivo e/ou negativo).

 Incerteza: é o estado, mesmo que parcial, de falta de informações relativas


ao entendimento ou conhecimento do evento, seus impactos ou
frequência/probabilidade.

Para a ABNT NBR ISO 21101:2014, perigo pode ser fonte de dano potencial,
enquanto que dano é um efeito imediato de uma situação de um perigo. Ainda
segundo a Norma, é neste momento que são identificadas as situações que podem
gerar algum tipo de dano, seja aos participantes, aos colaboradores ou a outras
pessoas envolvidas.

No geral, para se definir risco, precisamos do conceito de perigo e o oposto.


Podemos exemplificar risco/perigo tomando um animal feroz como referência. O
animal feroz representa uma situação de risco/ perigo. Se enjaular o animal a
situação de risco será controlada, quanto mais se afasta do animal menor será o
risco, e o oposto, quanto mais se aproxima da jaula, o risco aumenta. Se entrar na
jaula o risco é maior ainda.

Figura 2: Animal feroz

1.2 RISCOS AMBIENTAIS EXISTENTES NA INDÚSTRIA NAVAL

As atividades exercidas por trabalhadores da indústria da construção e reparação


naval, dentro dos estaleiros, como também embarcações e estruturas, vêm
geralmente acompanhada de riscos que muitas vezes acarretam em acidentes
ocupacionais. É importante observar que quando se trata das condições e meio
ambiente de trabalho nas indústrias de construção e reparação naval – segundo a
NR 34 – há alguns riscos inerentes à cada atividade da produção que merecem ser
evidenciados, a fim de evitar possíveis danos à saúde dos trabalhadores.

O quadro 1 apresenta o Anuário Estatístico de Acidentes de trabalho referente ao


ano de 2017 da SPREV-MF/DATAPREV/INSS1 , ou seja, a quantidade de acidentes
do trabalho, por situação do registro e motivo, segundo a Classificação Nacional de
Atividades Econômicas (CNAE), no Brasil . O CNAE 30.11-3 refere-se a construção
de embarcações e estruturas flutuantes.

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Figura 3: Anuário Estatístico referente ao CNAE 3011

Convertendo os dados da tabela para o gráfico, é possível observar claramente que


o número de acidentes de trabalho caiu com o passar do tempo. Isso se deve
provavelmente a uma maior obediência das normas pelas empresas, uma vez que,
caso desrespeitem a legislação estarão sujeitas a dispendiosas sanções penais e
administrativas.

Figura 4 : Quantidade de acidente x tempo

Segundo Texeira, os índices de maior incidência de adoecimento de trabalhadores


da indústria naval Estaleiro Mauá S.A, são explicitados no gráfico mostrado a seguir:

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Figura 5: Índice de adoecimento na industria naval Estaleiro Mauá S.A

É válido ressaltar que o levantamento foi realizado em fevereiro de 2012 com alguns
dados disponibilizados pela instituição, inferindo uma média de três mil
trabalhadores ativos.

Abaixo serão listados os principais riscos a que estão submetidos os trabalhadores


da indústria naval e logo, no tópico subsequente serão apresentadas as respectivas
medidas de segurança disponíveis para o controle dos riscos operacionais.

Trabalho a quente:

Apresenta riscos de eletricidade, incêndios, queimaduras, explosões e doenças


respiratórias devido aos fumos e gases.

Figura 6: Riscos trabalho a quente

Trabalho em Altura:

O risco mais evidente é o de queda do trabalhador ou de ferramentas e materiais


que podem atingir pessoas que estejam abaixo da posição de trabalho. Já os riscos
adicionais estão associados a fatores alheios à própria tarefa, como os
meteorológicos e outros ambientais, podendo ocasionar hipotermia ou insolação.

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Figura 7: Risco queda de altura

Trabalho com Exposição a Radiações Ionizantes

A interação da radiação ionizante com os átomos e moléculas pode ser maléfica


para os seres humanos, pois, ao ionizar, a molécula pode alterar o DNA da célula,
podendo desenvolver câncer no indivíduo.

Figura 8: Mutação da célula devido à radiação

Para a ABNT NBR ISO 21101:2014, perigo


pode ser fonte de dano potencial, enquanto
que dano é um efeito imediato de uma situação
de um perigo. Ainda segundo a Norma, é neste
momento que são identificadas as situações
Saiba Mais
que podem gerar algum tipo de dano, seja aos
participantes, aos colaboradores ou a outras
pessoas envolvidas.

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Trabalhos de Jateamento e Hidrojateamento

Os riscos que os trabalhadores desse setor estão submetidos podem incluir: corte e
forças de reação a partir de jatos de água de alta pressão, restos de materiais que
estão sendo jateados, produtos químicos perigosos e materiais biológicos, ruído,
etc..

Figura 9: Hidrojateamento

Atividades de Pintura

Apresenta risco de queda em altura, intoxicacão por produtos químicos, aspiração


de poeiras proveniente dos lixamentos e explosão devido aos produtos utilizados
nos serviços de pintura.

Figura 10: Riscos em serviço de pintura

Movimentação de Cargas

Os principais riscos nesse setor são Imperícia (falta de habilidade ou destreza);


negligência (descuido, displicência); imprudência (ação temerária ou incoveniente),
problemas com sobrecarga, falta de inspensão de equipamento, falta de sinaleiro,
etc.

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Figura 11: Movimentação de carga

Instalações Elétricas Provisórias

Riscos de choque elétrico, queda (devido ao choque elétrico em quadros situados


em pisos altos), queimaduras, incêndios, etc.

Figura 12: Risco de choque elétrico

Fixação e Estabilização Temporária de Elementos Estruturais

Como esse tipo de atividade baseia-se na disposição de um conjunto de elementos


que é colocado em posição de equilíbrio estável, mediante a utilização de
dispositivos temporários, ponteamentos, apoios especiais ou suporte por
equipamento de guindar e costumam ser devidamente retiradas, desmontadas ou
quebradas ao fim do processo de fixação da estrutura, os riscos apresentados nessa
atividade podem ser o de desmoronamento de estrutura com risco de atingir
pessoas e materiais.

Ademais, os riscos ocupacionais podem ser classificados conforme sua natureza. Os


riscos ocupacionais podem ser classificados da seguinte forma: risco físico, químico,
biológico, ergonômico ou acidental. Assim, eles podem ser operacionais (riscos para
acidente), comportamentais ou ambientais (físicos, químicos, biológicos ou
ergonômicos).

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Figura 13: Identificação dos agentes nocivos mediante as cores correspondentes

1.3 MEDIDAS DE SEGURANÇA DISPONÍVEIS PARA O CONTROLE DOS


RISCOS OPERACIONAIS

Diversas são as medidas de segurança que deverão ser acatadas no âmbito das
atividades realizadas no setor da indústria naval. Essas medidas de controle, muitas
vezes, terão nexo causal com a atividade exercida, outras vezes serão comuns a
vários tipos de serviço. A NR 34 dispôe todas as oritentações de medidas de
segurança por atividade, tais como trabalho a quente, trabalho em altura, etc. Além
da NR-34, a NR-09 a partir do item 9.3.5 apresenta algumas medidas necessárias
suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais,
sempre que forem verificadas uma ou mais das seguintes situações:

a) identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde;


b) constatação, na fase de reconhecimento de risco evidente à saúde;
c) quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos
trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR-15 ou, na ausência
destes os valores limites de exposição ocupacional adotados pela ACGIH - American
Conference of Governmental Industrial Higyenists, ou aqueles que venham a ser
estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do que
os critérios técnico-legais estabelecidos;
d) quando, através do controle médico da saúde, ficar caracterizado o nexo causal
entre danos observados na saúde dos trabalhadores e a situação de trabalho a que
eles ficam expostos.

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Ou seja, no estudo dos perigos e danos, após a classificação dos riscos, são
identificadas as medidas de controles com o objetivo de reduzi-los a níveis
aceitáveis para a saúde e integridade física dos trabalhadores. Uma vez
identificadas, os riscos devem ser reavaliados, de forma a verificar a se a nova
classificação está dentro dos padrões de aceitabilidade do gerenciamento de riscos.

Figura 14 – Sistema de gestão

A mitigação de riscos independente da natureza do risco (ocupacional, ambiental,


imagem e reputação, financeiro, etc) passa necessariamente pela adoção das
medidas de controle pertinentes.

No caso da Segurança e Saúde Ocupacional as medidas de controle são agrupadas


segundo uma hierarquia denominada “Hierarquia de Controles”. Esta classificação é
feita para identificar e classificar as medidas de controle de acordo com a sua
capacidade intrínseca de mitigar o risco.

A adoção de medidas de controle dos riscos ambientais é prevista, na nossa


legislação, pelo item 1.4.1, “g”, da nova NR1. Antes da nova redação da NR1, essa
obrigação já estava expressa no item 9.3.5.1 da NR-9.

A literatura classifica as medidas de controle segundo as seguintes classes:

Medidas de Eliminação: Eliminar a condição perigosa como por exemplo, eliminar


o manuseio manual por um manuseio mecânico. Em outras palavras, eliminar a
energia associada ao agente de risco.

Medidas de Substituição ou Minimização: Substituir uma substância perigosa por


outra menos agressiva ou reduzir a energia do processo (força, amperagem,
pressão, temperatura, etc.)

Medidas de Engenharia: Mudança estrutural no ambiente de trabalho de modo a


introduzir barreiras entre a condição perigosa e, portanto, a energia envolvida, e as
pessoas. Exemplo inclui interlock, enclausuramento, sistemas de ventilação, etc.

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Medidas de Separação ou Segregação: Criar meios de circulação da energia em
caminhos alternativos de modo a evitar o contato das pessoas com essa energia.
Exemplo: Proteção Passiva Contra Incêndio (PPCI) aplicada nos ambientes para
segregação de áreas com diferentes riscos para evitar a propagação do incêndio
das áreas de maior risco para as de menor risco.

Medidas Administrativas: Procedimentos, treinamento e competência para a


execução do trabalho. Inclui ainda sinalização horizontal e vertical, sinais de
advertência e alarme, permissão de trabalho, controle de acesso, etiquetagem,
inspeção, etc.

EPI – Equipamento de Proteção Individual: Fornecimento de equipamentos de


proteção individual que inclui a seleção, adequação, manutenção e uso.

Esse conceito está explícito na NR9, que trata sobre o PPRA (Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais), em seus itens 9.3.5.2 e 9.3.5.4:

9.3.5.2 O estudo, desenvolvimento e implantação de medidas de proteção coletiva


deverá obedecer à seguinte hierarquia:

a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes


prejudiciais à saúde;
b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no ambiente
de trabalho;
c) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no ambiente
de trabalho.

9.3.5.4 Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade


técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem
suficientes ou encontrarem-se em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou
ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão ser adotadas outras
medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia:

a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho;


b) utilização de equipamento de proteção individual – EPI.

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Figura 15 – Pirâmide da hierarquia de controles de risco

O PPRA tem por objetivo estabelecer medidas que visem a eliminação, redução ou
controle dos riscos ambientais em prol da preservação da integridade física e mental
do trabalhador. A NR9 determina a obrigatoriedade de elaboração e implementação
do PPRA por todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como
empregados.

Emitir Permissão de Trabalho (PT), realizar a Análise Preliminar de Risco (APR)


antes do início da atividade, trabalhar apenas com pessoal qualificado e treinado
conforme as Normas regulamentadoras, assegurar a realização de avaliação prévia
das condições do ambiente de trabalho a fim de planejar e implementar as ações e
medidas de segurança aplicáveis, assegurar que o trabalho seja supervisionado e a
organização e arquivamento da documentação inerente para disponibilização.

A adoção de medidas de controle dos riscos


ambientais é prevista, na nossa legislação,
pelo item 1.4.1, “g”, da nova NR1. Antes da Importante
nova redação da NR1, essa obrigação já
estava expressa no item 9.3.5.1 da NR-9.

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ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO

A Análise Preliminar de Risco (APR) consiste na avaliação inicial dos riscos


potenciais, suas causas, consequências e medidas de controle. Deve ser efetuada
por equipe técnica multidisciplinar e coordenada por profissional de segurança e
saúde no trabalho ou, na inexistência deste, pelo responsável pelo cumprimento da
NR-34, devendo ser assinada por todos os participantes. Caberá ao empregador a
escolha de qual metodologia de Análise de Riscos a ser utilizada, em função da
complexidade do trabalho a ser desenvolvido.

Figura 16: Exemplo de APR

PERMISSÃO DE TRABALHO

A Permissão de Trabalho (disponível no Anexo I deste manual) é um documento


escrito que contém o conjunto de medidas de controle necessárias para que o
trabalho seja desenvolvido de forma segura. Todos os dias, os supervisores de cada
área, se reúnem para avaliar todas as PTs e definir quais tarefas serão executadas
no dia seguinte, bem como as medidas de emergência e resgate, os requisitos
mínimos a serem atendidos para a execução dos trabalhos e, quando aplicáveis, as
disposições estabelecidas na APR .

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Figura 17: Permissão de trabalho

Deve ser emitida em três vias, sendo uma cópia afixada no local de trabalho, outra
deve ser entregue à chefia imediata e a última deve ser arquivada na sala de
controle. A PT deve ser assinada pelos integrantes da equipe de trabalho, pela
chefia imediata e pelo profissional de segurança e saúde no trabalho ou, na
inexistência deste, pelo responsável pelo cumprimento da norma. A validade da PT é
limitada à duração da atividade, restrita ao turno de trabalho, podendo ser revalidada
pelo responsável pela aprovação nas situações em que não ocorram mudanças nas
condições estabelecidas ou na equipe de trabalho. (CAMISASSA, 2015)

Figura 18: Destinação das guias das PTs

DIÁLOGO DIÁRIO DE SEGURANÇA – DDS

É uma reunião diária de curta duração, durante a qual são discutidos temas de
segurança, saúde no trabalho e meio ambiente. Os temas tratados nesses diálogos
devem ser registrados em documentos, rubricados pelos participantes e arquivado,
com a lista de presença.

É importante saber que a NR-34 estabelece diretrizes sobre as documentações,


observe o que diz a norma:

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34.4.1 Toda documentação prevista nesta Norma deve permanecer no
estabelecimento à disposição da Auditoria-Fiscal do Trabalho, dos
representantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA e dos
representantes das Entidades Sindicais representativas da categoria, sendo
arquivada por um período mínimo de cinco anos.

34.4.2 Consiste a Permissão de Trabalho - PT em documento escrito que


contém o conjunto de medidas de controle necessárias para que o trabalho
seja desenvolvido de forma segura, além de medidas emergência e resgate, e
deve: a) ser emitida em três vias, para: afixação no local de trabalho, entrega à
chefia imediata dos trabalhadores que realizarão o trabalho, e arquivo de
forma a ser facilmente localizada; b) conter os requisitos mínimos a serem
atendidos para a execução dos trabalhos e, quando aplicável, às disposições
estabelecidas na APR; c) ser assinada pelos integrantes da equipe de trabalho,
chefia imediata e profissional de segurança e saúde no trabalho ou, na
inexistência desse, pelo responsável pelo cumprimento desta Norma; d) ter
validade limitada à duração da atividade, restrita ao turno de trabalho, podendo
ser revalidada pelo responsável pela aprovação nas situações em que não
ocorram mudanças nas condições estabelecidas ou na equipe de trabalho.

1.4 RESPONSABILIDADES (NR-34)

O empregador que não cumprir a Norma Regulamentadora poderá receber


notificação, autuação, interdição ou embargo de ambiente específico ou do
estabelecimento inteiro e, também ações regressivas por parte do INSS.

Quanto ao empregador, observe que pela NR-1, no item 1.4.1, deve cumprir os
regulamentos sobre medicina do trabalho bem como elaborar as ordens de serviço
sobre segurança e saúde no trabalho. Ainda segundo a NR-1 cabe ao empregador
comunicar aos trabalhadores sobre os riscos profissionais que possam originar-se
nos locais de trabalho e os meios para prevenir, informar os resultados dos exames
médicos e de exames complementares de diagnóstico aos quais os próprios
trabalhadores forem submetidos e os resultados das avaliações ambientais
realizadas nos locais de trabalho.

Porém, as responsabilidades não são apenas dos empregadores. A NR-1, item


1.4.2, obriga os trabalhadores a cumprir as disposições legais e regulamentares
sobre segurança e saúde do trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo
empregador. Exige o uso do EPI fornecido pelo empregador e determina que os
empregados devam submeter-se aos exames médicos previstos nas Normas
Regulamentadoras – NR além de colaborar com a empresa na aplicação das
Normas Regulamentadoras – NR.

Ademais, a NR 34, subitem 34.2 estabelece que:

34.2.1 Cabe ao empregador garantir a efetiva implementação das medidas de


proteção estabelecidas nesta Norma, devendo:

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a) designar formalmente um responsável pela implementação desta Norma;
b) garantir a adoção das medidas de proteção definidas nesta Norma antes do início
de qualquer trabalho;
c) assegurar que os trabalhos sejam imediatamente interrompidos quando houver
mudanças nas condições ambientais que os tornem potencialmente perigosos à
integridade física e psíquica dos trabalhadores;
d) providenciar a realização da Análise Preliminar de Risco - APR e, quando
aplicável, a emissão da Permissão de Trabalho - PT;
e) realizar, antes do início das atividades operacionais, Diálogo Diário de Segurança
- DDS, contemplando as atividades que serão desenvolvidas, o processo de
trabalho, os riscos e as medidas de proteção, consignando o tema tratado em um
documento, rubricado pelos participantes e arquivado, juntamente com a lista de
presença.
f) garantir aos trabalhadores informações atualizadas acerca dos riscos da atividade
e as medidas de controle que são e devem ser adotadas;
g) adotar as providências necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas
de proteção estabelecidas nesta Norma pelas empresas contratadas.

1.5 TREINAMENTO E CAPACITAÇÃO

Treinamento e capacitação são modos de garantir o desenvolvimento das


habilidades do profissional de acordo com a função exercida na empresa. Ao fazer
um investimento nessa área, é possível que os funcionários e colaboradores tornem-
se peritos em determinado item, aumentando o desempenho e produtividade.

Qual é a diferença entre treinamento e capacitação?

O processo de treinamento é uma forma de garantir o aperfeiçoamento das


habilidades do profissional. O objetivo é preparar o empregado melhorando o que
ele já sabe para obtenção de excelência como resultado final. Capacitação, por sua
vez, é o processo de assimilação de conhecimentos com o fim de realizar uma
atividade. A capacitação tem a ver com a preparação do indivíduo para enfrentar
situações derivadas da função que exerce, em outras palavras, aprende-se
determinado procedimento para exercer aquela atividade.

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Figura 19: Profissional capacitado

Segundo a NR-34, no seu subitem 34.3.4.1 e 34.3.4.2, o treinamento admissional


deve ter carga horária mínima de seis horas e deve contemplar os riscos a que o
empregado estará submetido além das condições do meio ambiente de trabalho e o
uso adequado dos EPC’s e EPI`s.

Já o treinamento periódico deve ter carga horária mínima de quatro horas e ser
realizado anualmente ou quando do retorno de afastamento do trabalho por período
superior a noventa dias.

A capacitação deve ser realizada durante o horário normal de trabalho e o


trabalhador deve receber o material didático utilizado na capacitação.

Devido à complexidade referente à diversidade de treinamentos e cursos, foi


elaborada a tabela abaixo, apresentando os detalhes exigidos conforme a Norma.

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NR Treinamento / Curso Conteúdo Programático Público-Alvo Carga Horária Periodicidade Carga Horária
Inicial Reciclagem
NR 34 – Condições e Treinamento admissional de Conforme item 34.3.4.1. Todos os trabalhadores da indústria naval. 06h 01 ano e conforme item 04h
Meio Ambiente de trabalhadores da indústria naval 34.3.4 da norma.
Trabalho na Indústria
Treinamento periódico de Conforme item 34.3.4.1. Todos os trabalhadores da indústria naval. 04h 01 ano e conforme item 04h
da Construção e
trabalhadores da indústria naval 34.3.4 da norma.
Reparação Naval
Treinamento do observador (vigilância Conforme anexo I - 1. Trabalhador que permanece em 08h - -
especial contra incêndios) na indústria contato permanente com os trabalhadores que
naval executam trabalhos a quente, monitora os
trabalhos e o seu entorno,
visando detectar e combater possíveis
princípios de incêndio.
Treinamento sinaleiro e operador – Conforme anexo I - 2. Para sinaleiros e operadores de Equipamento 20h - -
Movimentação de cargas na indústria de Guindar.
naval
Treinamento complementar para o Conforme anexo I - 3. Para operadores de Equipamento de Guindar. 20h - -
operador – Movimentação de cargas
na indústria naval
Treinamento Básico de Segurança para Conforme anexo I - 4. Trabalhadores que atuarão em atividades como: mínima de 08h e - -
Trabalhos a Quente Completo soldagem, goivagem, esmerilhamento, corte ou máxima 20h.
outras que possam gerar fontes de ignição tais
como aquecimento, centelha ou chama.
Treinamento inicial para realização de Conforme anexo I - 5. Trabalhadores que realizem ensaios não 24h 01 ano 08h
testes de estanqueidade na indústria destrutivo realizado pela aplicação de pressão
naval em peça, compartimento ou tubulação para
detecção de vazamentos.
Capacitação do operador de Não determinado Trabalhadores que irão operar as Plataformas Não - -
plataforma elevatória na indústria Elevatórias. determinada
naval
Capacitação da equipe de trabalho Não determinado Trabalhadores que executarão atividades com Não - -
para resgate em altura na indústria acesso por cordas. determinada
naval
Capacitação em jateamento e Não determinado Trabalhadores envolvidos nos serviços de Não - -
hidrojateamento na indústria naval jateamento/hidrojateamento. determinada

Capacitação nas atividades de pintura Não determinado Trabalhadores que realizarão serviços de Não - -
na indústria naval pintura. determinada

Capacitação para montagem, Não determinado Trabalhadores que atuarão nas atividades de Não - -
desmontagem e manutenção de montagem, desmontagem e manutenção de determinada
andaimes na indústria naval andaimes.
Capacitação nas atividades de Fixação Não determinado Responsáveis operacionais (RO) que Não - -
e Estabilização Temporária de supervisionarão as atividades de fixação e determinada
Elementos Estruturais na indústria estabilização.
naval

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A Permissão de Trabalho (disponível no Anexo
I deste manual) é um documento escrito que
contém o conjunto de medidas de controle
necessárias para que o trabalho seja
Dicas desenvolvido de forma segura. Todos os dias,
os supervisores de cada área, se reúnem para
avaliar todas as PTs e definir quais tarefas
serão executadas no dia seguinte, bem como
as medidas de emergência e resgate, os
requisitos mínimos a serem atendidos para a
execução dos trabalhos e, quando aplicáveis,
as disposições estabelecidas na APR .

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