Análise de obras Literárias - Prof.

a Adriana - Dom Casmurro
Estética literária - Realismo brasileiro Autor: Machado de Assis Construído em flash-back, o protagonista masculino (Dom Casmurro), já cinqüentão e solitário, tenta “atar as duas pontas da vida” (infância e velhice), contando a história de sua vida ao lado de Capitu, a qual acaba tomando conta do romance, dada a sua força e o seu mistério. ENREDO DE DOM CASMURRO Dom Casmurro foi publicado em 1900 e é um dos romance mais conhecidos de Machado. Narra em primeira pessoa a estória de Bentinho que, por circunstância várias, vai se fechando em si m esmo e passa a ser conhecido como Dom Casmurro. Sua estória é a seguinte: Órfão de pai, criado com desvelo pela mãe (D. Glória), protegido do mundo pelo círculo doméstico e familiar (tia Justina, tio Cosme, José Dias), Bentinho é destinado à vida sacerdotal, em cumprimento a uma antiga promessa de sua mãe. A vida do seminário, no entanto, não o atrai, já o namoro com Capitu, filha dos vizinhos. Apesar de comprometido pela promessa, também D. Glória sofre com a idéia de separar-se do filho único, interno no seminário. Por expediente de José Dias, o agregado da família, Bentinho abandona o seminário e, em seu lugar, ordena-se um escravo. Correm os anos e com eles o amor de Bentinho e Capitu. Entre o namoro e o casamento, Bentinho se forma em Direito e estreita a sua amizade com um ex-colega de seminário, Escobar, que acaba se casando com Sancha, amiga de Capitu. Do casamento de Bentinho e Capitu nasce Ezequiel. Escobar morre e,durante seu enterro, Bentinho julga estranha a forma qual Capitu contempla o cadáver. A partir daí, os ciúmes vão aumentando e precipita-se a crise. Á medida que cresce, Ezequiel se torna cada vez mais parecido com Escobar. Bentinho muito ciumento, chega a planejar o assassinato da esposa e do filho, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem. A tragédia dilui-se na separação do casal. Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Ezequiel, já mocó, volta ao Brasil para visitar o pai, que apenas constata a semelhança entre e antigo colega de seminário. Ezequiel volta a viajar e morre no estrangeiro. Bentinho, cada vez mais fechado em usas dúvidas, passa a ser chamado de casmurro pelos amigos e vizinhos e põese a escrever de sua vida (o romance). ORGANIZAÇÃO / ESTRUTURA 1. Dom Casmurro é narrado em primeira pessoa pelo protagonista masculino que dá nome ao romance, já velho e solitário, desiludido e amargurado pela casmurrice, conforme lhe está no apelido. A visão, pois, que temos dos fatos é perpassada da sua ótica subjetiva e unilateral: “tudo que sabemos do seu passado, de seus amores, de Capitu, só o conhecemos do seu ângulo” -. Em conseqüência disso, paira dúvida sobre o adultério de Capitu - dúvida que não se tem dissipado ao longo dos anos. 2. O romance , como já observamos, é construído a partir de um flash-back, por um cinqüentão solitário e casmurro, “à procura do tempo perdido”, o qual procura “atar as duas pontas da vida” ( infância e velhice). Perpassa. Pois, o romance uma atmosfera memorialista, dando a impressão de autobiografia, a qual, com o se sabe, não tem nada a ver com Machado de Assis. 3. O título do livro (“Dom Casmurro”) reflete uma das características mais marcantes do protagonista masculino no crepúsculo da existência: a visão amarga e doída de quem foi traído e machucado pela vida, e, em conseqüência disso vai-se isolando e ensimesmando. “Não consultes dicionários, Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo” (Cap. I). 4. O romance se compõe de 148 capítulos curtos, com títulos bem precisos, que refletem o seu conteúdo. A narrativa vai lenta até o capítulo XCVII, a partir do qual se acelera, como declara o próprio narrador, ao dar-se conta da sua lentidão: “Agora não há mais que levá-la a grandes pernadas, capítulo sobre capítulo, pouca emenda, pouca reflexão, tudo em resumo. Já esta página vale por meses, outras valerão por anos, e assim chegareis ao final” (Cap. XCVII). 5. Assim, pois, até o capítulo XCVII, quando o narrador sai do seminário, “com pouco mais de dezessete anos”, focaliza-se, em câmera lenta, a infância e a adolescência, dada necessidade do narrador traçar o perfil dos protagonistas da estória (Bentinho e Capitu), revelando, desde as entranhas, o caráter e as tendências de cada um: afinal, o adulto sempre se assenta no pilar da infância, como insinua Dom Casmurro, no final da narrativa, ao referir-se a Capitu: “Se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca” (Cap. CXLVIII). 6. Quanto ao lugar em que decorre a ação, trata-se do Rio de Janeiro da época do Império: há inúmeras referências a lugares, ruas, bairros, praças, teatros, salões de baile que evocam essa cidade imperial. Por outro lado, há também ligeiras referências a São Paulo, onde foi estudar Direito o ex-seminarista Bentinho, e também à Europa onde morre Capitu, e mesmo aos lugares sagrados, onde morre Ezequiel (Jerusalém). 7. Cronologicamente falando, a narrativa decorre durante o segundo Império, detendo-se mais o autor na infância pela razão exposta no item 5. Contudo, construído sob a forma de flash-back; “o que domina no livro não é esse tempo cronológico; é o psicológico, que se passa dentro das personagens, dentro da própria vida”. Debruçado sobre a reconstrução da longínqua infância de outrora, o solitário e magoado Dom Casmurro vai reconstituindo o “tempo perdido” de sua existência, filtrando os fatos sob sua ótica de cinqüentão amargurado, revivendo a vida subjacente, que jaz nas suas entranhas.
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D. que vamos alistar. com o narrador. Escobar era casado com Sancha e revela-se um tanto quanto misterioso: teria participado do “trio” cantado por Dom Casmurro. surge o filho (Ezequiel) e começam a aparecer os problemas: o “duo terníssimo” da ópera da vida vai cedendo lugar ao melodrama do “trio” e “quattuor” das dúvidas e incertezas. com quem ia jogar à noite. destacam-se ainda o Pádua.. prática. Depois. marcada pela solidão. 6.. velhas maneiras. Santiago. acaba sendo afastado. Outra marca do estilo machadiano é a tendência para a frase sentenciosa e proverbial. ESTILO DO AUTOR/LINGUAGEM O estilo de Machado de Assis. o qual deixa a família bem amparada. Mãe de Bentinho. D.PERSONAGENS Machado de Assis sempre foi um grande “arquiteto de personalidades” e. ele registra aspectos típicos da língua da personagem. que passa a ser sua marca registrada: “José Dias amava os superlativos” e usa-os com freqüência ao longo do romance. na sua imensa galeria de personagens famosas. além desses. formando o triângulo amoroso da suspeita do narrador. Bento F. quando trava amizade com Escobar. casado e feliz com Capitu. Além desses. como no episódio do penteado e da inscrição no muro.a capacidade de dissimu1ação de que é dotada a mulher. em São Paulo. Morando com D. como revelam muitas passagens do livro. 1. passa a constituir o centro do drama do protagonista masculino. e sua mulher. Machado de Assis (ou o narrador que conduz a estória). referências e citações que vão como que confirmando as suas idéias e pensamentos.. pela mágoa e pela amargura. personalidade forte e marcante (ela era muito mais mulher do que Bentinho. ainda devora quantos tentam decifrá-la.. D. José Dias. e tu concordarás comigo. pejorativamente chamado pelo pai de “filho do homem”. Glória). quando canta na ópera da vida um “duo terníssimo”. Dr. revela-se nobre e altiva ao não responder as acusações. Ao longo dos anos. Fica a dúvida e a mágoa. revela bem a espantosa cultura e erudição de Machado de Assis. com seus “olhos de ressaca” e de “cigana oblíqua e dissimulada”. inicialmente. muito amigo de Tio Cosme.Cocadinha tá boa. acusada pelo marido enciumado. como aquela em que compara a vida com uma ópera. pois a versão que temos para julgá-la nos é dada por um narrador suspeito . Capitu. cedo assume as rédeas da casa com a morte do marido. como no capitulo XXIX (O Imperador). em alguns pontos. sem possibilidade de defender-se da acusação. bem posto na vida. um “duo terníssimo” e. Vitima da suspeita do pai. Bentinho. 4. Glória. igualmente viúva: “era a casa dos três viúvos”. também forte e cheia como a filha Capitu. já que Escobar foi tragado pela morte (afogamento). bem cuidada. como nesta fala de um vendedor de cocada: . inclusive na hora de morrer quando se refere ao dia como lindíssimo 5.” (Cap. um trecho de mantilha. sem muita iniciativa e bastante dependente da mãe. tal como ocorre no Modernismo. apresenta traços inconfundíveis. pois. ele é agora o Dr. conforme observa o narrador: “Minha mãe exprimia bem a fidelidade aos velhos hábitos. Glória era. santíssima como diria o José Dias. muito econômica. Tinha uma imaginação fertilíssima. pairando a dúvida: Capita traiu ou não traiu Bentinho? A pergunta continua sem resposta. Entretanto. Ezequiel.uma santa. Era agregado da família e gostava muito de Bentinho. Glória destacam-se na narrativa Tio Cosme. 4. revela-se religiosa. Bentinho revela-se uma criança/adolescente marcado pela timidez. realçava-as com superlativo. assim como a mãe. qué cocada hoje? . O perfil do protagonista masculino pode ser acompanhado em três fases distintas: Bentinho. velhas modas Tinha o seu museu de relíquias. 2. É o filho de dom Casmurro com Capitu. financeiramente rico (riqueza muito mais de herança do que de trabalho). como arqueólogo. como revela Dom Casmurro no capitulo final. o qual era um modesto funcionário público. se te lembras bem da Capitu menina. por outro lado. atribuída ao tenor Marcolini: “A vida é uma ópera”. pondera e explica: “Mas eu creio que não. revelando um dos traços mais marcantes da psicologia feminina . com a entrada em cena de Escobar (“trio”) e de Ezequiel . para a Suíça. marcado pela sobriedade. pentes desusados. depois. 3. CXLVIII). Ao longo das suas narrativas. Levado para o seminário para ser padre (promessa da mãe . e Prima Justina. pai de Capitu. apegada às tradições e ao passado. É a vez da fase casmurra. pode entrar aqui também o Padre Cabral. Fortunata. sempre gostou de estabelecer um diálogo com o(a) leitor(a): conversa com ele(a). contribui ainda mais para fortalecer a dúvida: ela sabe sair-se bem de situações difíceis .ela sabe dissimular. A linguagem de Machado de Assis é marcadamente acadêmica: clássica. Dom Casmurro. adquiridas de forma autodidata como vimos. 3. O seu silêncio confere a ela grandeza e contribui mais ainda para acentuar a dúvida que paira sobre seu adultério..Sinhazinha. Capitu tem desafiado a crítica com seu enigma. Ao longo do romance. tendo morrido perto de Jerusalém. Escobar. Glória. viúvo como ela. abandona a carreira sacerdotal e ingressa na Faculdade de Direito. Até hoje. Outro aspecto interessante é o uso freqüente de alusões. Inteligente. Capitu acaba se tomando a dona do romance: forma. Por outro lado. uma boa senhora . Bajulador e de idéias chochas. dá-lhe conselhos. umas moedas de cobre.” D. com ajuda de J Dias. correção e concisão. 2. o que. homem). Capitu.um marido envenenado pelo ciúme e de imaginação bastante fértil. 2 . Gostava de imitar e imitava muito bem sobre-tudo Escobar. Formado aos vinte e um anos. sutilmente criado por Machado de Assis..No final. regida pelas normas de correção gramatical. Bento Fernandes Santiago e Dom Casmurro. velhas idéias. 1. Muito amigo de Bentinho (colegas de seminário). Capitu se destaca como uma das mais bem criadas por ele.

1. 2. Embora adote a primeira pessoa como técnica narrativa.por isso. Em Dom Casmurro é exatamente a suspeita de adultério que sustenta o enredo do romance. Por essa razão. diz o Prof. 3. Em suma. Ao longo de Dom Casmurro muitas idéias interessantes vêm apresentadas. na parte efetiva da intriga. a cinza. Poucos ficam. é licito afirmar que. guinam à direita e à esquerda. É um estudioso da alma humana. Bentinho) e Capitu. da USP. se pode ver também em Quincas Borba com Sofia. pausada . é atormentado pela mágoa pelos ressentimentos e sobretudo pela solidão catacumbal da casmurrice e do desencanto. Sem dúvida. Essa capacidade de dissimulação de Capitu. Vista de uma perspectiva pessimista (como é freqüente em Machado de Assis). resmungam. ASPECTOS TEMÁTICOS MARCANTES Muitos aspectos temáticos podem ser detectados na obra de Machado de Assis. A verdadeira questão não seria: como a mentira é fundamental para a manutenção das relações sociais. Como é próprio de Machado de Assis a velhice no livro é perpassada de uma visão amarga e melancólica. 3 . José Dias. Em entrevista à Folha de São Paulo (3/8/ 91) com o ensaista inglês John Gledson. como Dom Casmurro.o livro anda devagar. Tio Cosme. dominada por mágoas e ressentimentos. que “está bem próximo de capeta”. além do nosso casmurro narrador). para contar a história: todos são devorados pela ação voraz e demolidora do tempo . assumindo assim um ângulo de visão marcado pela objetividade. vão ficando as lágrimas. Embora seja personagem da estória e participe dela. 2.. ameaçam o céu. “a gente não pode deixar de levar em conta a religião no livro”. pessimista e niilista da vida humana. gargalham. Cabral. Antônio Dimas. a beleza. como observou alguém. Ao apresentar o perfil de Capitu. traição ou não. só ganha importância mesmo no último terço do livro. tu (conversa com o leitor) amas a narração direta e nutrida. aliás. Como ele diz em Memórias Póstumas.5. Aluísio Azevedo. via de regra. Machado de Assis vê a infância como o pilar que sustenta o adulto: o caráter e as tendências se forjam no forno da infância. como o desencantado Dom Casmurro. Outra coisa que chama e atenção são as suas personagens. desnudando-o nas suas entranhas. sem necessidade de trabalhar. Sem dúvida. questiona o sentido da vida. revelando a precariedade e a hipocrisia das relações sociais. Outro ponto que se destaca em Dom Casmurro é a religião. não há uma preocupação excessiva em contar a estória. Como é próprio da literatura realista (e sobretudo de Machado de Assis) um dos propósitos do livro é desmascarar o ser humano. Machado de Assis sempre se revela sarcástico e irônico na sua obra: desmascara o ser humano na sua hipocrisia e torpezas. movem-se lenta e pausadamente. E impressionante em Dom Casmurro a ação devastadora do tempo sobre coisas e pessoas. em que o escritor procura desnudar a personagem e revelar as suas entranhas. o nada. mas a mentira está muito presente em todo o livro. Machado de Assis retroage à infância (ab ovo) . ESTILO DE ÉPOCA Como observamos no início (introdução). como. a velhice é perpassada de amargura.todos morrem. Tudo vai-se desfazendo com o crepúsculo da existência humana: a graça. John Gledson. 6. Apresentando. Luiz Roncari (autor de Assim não brinco mais) observa e pergunta: “A questão do adultério. Tal como ocorre em “Conto de escola” (conto machadiano que integra o volume Várias Histórias).. as flores de antanho. sem dúvida. Sem perfilar unia linha anticlericalista (tão em voga na época). Pe. preocupação maior é com a análise. escorregam e caem. uma visão amarga. conforme observa o Prof. O autor dedica praticamente meio romance à infância. aliás. das relações humanas?” 5. “o menino é pai do homem”. andam e param. “E o único romance de Machado onde a religião católica aparece com tanta importância. com o fim de mostrar “ab ovo” o embrião do caráter das personagens principais e concluir que a Capitu menina estava dentro da adulta.” 4. 3. filtrada pela ótica do narrador. Por outro lado. Dom Casmurro é um romance de velhos e solitários (D. Glória. ao declarar em passagem famosa de Memórias póstumas de Brás Cubas que vale também para Dom Casmurro: “. E quem fica vivo. Machado de Assis insinua que a existência humana sempre desemboca na casmurrice e na solidão. o narrador de Dom Casmurro se coloca à distância: no extremo da vida (velhice). na qual sobressaem traços do estilo realista. que nunca foi escritor de grandes teses. e este livro e o meu estilo são como os ébrios. Machado de Assis revela traços da psicologia feminina: a arte de dissimular e a capacidade que tem a mulher para sair-se bem de situações embaraçosas. urram. tentando buscar a origem do problema focalizado. uma análise dissecante e profunda. em Dom Casmurro pode-se ver um perfil da sociedade da época e certamente de hoje.anda bem devagar. Tudo se desfaz e se desmorona ante o seu olhar arrasador: até mesmo um casamento que parecia sólido e embasado no pilar do amor. É o que se vê em Dom Casmurro. Dom Casmurro se enquadra na segunda fase machadiana. sendo quase sempre objeto de observação e análise do autor: são personagens muito mais de reflexão do que de ação. o estilo regular e fluente. pela vida vazia. 6. Entretanto. o Prof. a narrativa é lenta. “como a fruta dentro da casca”. Aliás. o narrador coloca-se fora e ausente enquanto narra e reconstitui os fatos (“flash-back”). Os romances realistas sempre se fundamentam num caso de adultério.. Solidão e sensação de vazio e perda qual se acentua e dói ainda mais com a consciência da irreversibilidade do tempo. e outras obras machadianas. Tudo se constrói em torno desse possível adultério de Capitu. etc). Apesar do “duo terníssimo” de Bentinho e Capitu. contribui enormemente para deixar no leitor de Dom Casmurro a dúvida que paira no final do romance: houve ou não houve adultério? 1. desmistifica crenças e instituições sacralizadas pelos tempos. 4. a começar pelo próprio nome do narrador (Bento. quase sempre bem situadas na vida.como se pode ver nos diversos autores da época (Eça de Queirós. o próprio Machado de Assis reconhece isso.. o único trabalho que fazem é serem personagens de Machado de Assis. o protagonista masculino reconstitui o seu passado. Prima Justina.

que nos passam uma visão idealizada do amor e do casamento (como é próprio do Romantismo). como disse o cético Brás Cubas. do amor e da vida. contundente. Confrontando com os romances românticos. ressentido e magoado pelas trapaças da sorte. cm que o casamento é uma verdadeira comunhão de amor. Dom Casmurro mostra o lado terrível. filtrada pela ótica de um narrador casmurro. patético (e real?) do casamento.7. Embora a vida humana possa ter os seus encantos (é perfeitamente possível o “duo terníssimo” do casamento. em Dom Casmurro o casamento é simplesmente uma comunhão de bens. do amor e da amizade) é amarga e niilista. a visão apresentada por Machado de Assis acerca da vida (especialmente do casamento. 4 . da amizade . Distante do “happy end” dos romances românticos.das relações sociais). que “dura quinze meses e onze contos de réis”.

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