Você está na página 1de 20

A palavra Gestalt tem origem alemã e surgiu em 1523 de uma tradução da Bíblia, significando

"o que é colocado diante dos olhos, exposto aos olhares". Hoje adotada no mundo inteiro
significa um processo de dar forma ou configuração. Gestalt significa uma integração de partes
em oposição à soma do "todo".

A palavra gestalt tem o significado de uma entidade concreta, individual e característica, que
existe como algo destacado e que tem uma forma ou configuração como um de seus atributos.
Uma gestalt é produto de uma organização, e esta organização é o processo que leva a uma
gestalt.

Dizer que um processo, ou o produto de um processo é uma gestalt, significa dizer que não
pode ser explicado pelo mero caos, a uma mera combinação cega de causas essencialmente
desconexas, mas que sua essência é a razão de sua existência.

O Que é Psicologia da Gestalt

Considera-se que Von Ehrenfels, filósofo vienense de fins do séc XIX foi o precursor da
psicologia da gestalt. O movimento gestáltico surgiu no período compreendido entre 1930 e
1940, e tem como expoentes máximos: Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Kôhler (1887-
1967), Kurt Koffka (1886- 1.941) e Kurt Goldstein (1.878-1.965). A Psicologia da gestalt afirma
que as partes nunca podem proporcionar uma real compreensão do todo. O todo é diferente da
soma das partes, mas a psicologia acadêmica da gestalt ocupou-se predominantemente com
as forças externas.

De acordo com a gestalt, a arte se funda no princípio da pregnância da forma. O importante é


perceber a forma po ela mesma; vê-la como "todos" estruturados, resultados de relações.

A gestalt após sistemáticas pesquisas, apresenta uma teoria nova sobre o fenômeno da
Percepção. Segundo esta teoria o que acontece no cérebro não é idêntico ao que acontece na
retina. A exitação cerebral não se dá por pontos isolados, mas por extensão. A primeira
sensação já é de forma, já é global e unificada.

O postulado da gestalt no que se refere as relações psicofisiológicas pode ser definido como:
todo processo consciente, toda forma psicológicamente percebida, está estreitamente
relacionada com as forças integradoras do processo fisiológico cerebral. A hipótese da gestalt
para explicar a origem dessas forças integradoras, é atribuir ao sistema nervoso central, um
dinamismo auto-regulador que, à procura de sua própria estabilidade, tende a organizar as
formas em todos coerentes e unificados.

Essas organizações, originárias da estrutura cerebral, são espontâneas, independente da


nossa vontade. Na realidade a Psicologia da Gestalt não tentou integrar os fatos da motivação
com os fatos da percepção e esta foi a grande contribuição de Frederick Perls e que deu
origem a Gestalt-terapia.

O Que é Gestalt-Terapia

A Gestalt-terapia, sofrendo influências dos conceitos da Psicologia da Gestalt, incentiva a


formação flexível de gestalt sucessivas, adaptadas à relação sempre flutuante do organismo
como o meio, num ajustamento criador permanente. A gestalt-terapia poderia ser assim
definida como a arte da formação de boas formas.
Pode-se considerar que a Gestalt-terapia germinou no espírito de Frederick Perls em 1940, na
África do Sul. Quando imigrou nesta mesma época para a América com sua esposa Laura
Perls, que era membro da escola Gestáltica da qual Perls sofreu grande influência, integraram-
se a um grupo de intelectuais não conformistas com o sistema vigente, entre eles, o anarquista
Paul Goodman, Isadore From, Paul Weisz e Ralf Hefferline.

A Gestalt-terapia fundamenta-se no Existencialismo porque muito próximo da Fenomenologia,


absorveu o que a maioria das terapias existenciais considera importante, o encontro existencial
interpessoal. Um encontro existencial visa a autoatualização e a gestalt-terapia considera todo
o campo biopsicosocial, incluindo organismo/ambiente, como importante.

Pode ser considerado “existencial” tudo que diz respeito à forma como o homem experimenta
sua existência, a assume, a orienta, a dirige. A noção de responsabilidade de cada pessoa que
participa ativamente da construção de seu projeto existencial em sua relativa liberdade.
(Ginger, 1987. p . 36)

Existencialismo como ética, sustentada pela liberdade, a ação da liberdade é um ato


consciente, uma awareness, uma escolha.

A Gestalt-terapia é fenomenológica por ser centrada na descrição subjetiva do sentimento


(awareness) do indivíduo. É mais importante descrever do que explicar: o “como” precede o
“porque”. O essencial é o processo que está se desenvolvendo aqui e agora.
Fenômeno é o que se torna luz, o que se apresenta, traduzido para a Gestalt é aquilo que
damos significado, damos sentido ao mundo; sem consciência não há mundo e sem mundo
não há o nós. O sujeito só percebe e dá significado se há intencionalidade, a subjetividade vai
se constituir a partir desse movimento.

Com essa posição fenomenológica podemos justificar o “aqui e agora” da Gestalt-terapia. O


presente é ao mesmo tempo o passado, o presente e o futuro. Neste momento estão minhas
experiências, meu self, meus projetos. O passado está em mim, na minha fala, na minha
respiração, nos meus movimentos e na minha expressão. O passado é reestruturado em cada
momento existencial.

Sua proposta é que cada pessoa atinja uma real percepção de si como um ser em relação,
uma reflexão sobre o tipo de sociedade que vivemos e em que base ética estamos
fundamentados.
Assim, a Gestalt-terapia não é uma terapia de ajustamento, mas de auto-realização. Crescer
neste sentido é buscar desenvolver seus próprios recursos, dons e talentos especiais. Desta
forma, o conceito de psicoterapia pode ser entendido e substituído pelo de crescimento.
Ampliar a consciência é assumir e aceitar a responsabilidade por suas próprias escolhas;
acreditando em nós mesmos podemos acreditar no outro e no mundo.

Princípios

A - Personalidade

Como teoria de personalidade podemos falar de interdependência ecológica; o campo


organismo / ambiente.

A personalidade é o sistema de atitudes adotadas nas relações interpessoais.


Quando o ser humano chega ao mundo precisa necessariamente do calor de braços
humanos, de contato cheio de ternura. Precisa sentir-se seguro de que será protegido, de
que foi desejado, de que alguém acalmará sua sede e fome.

Uma criança depende dass experiências dos pais e de seu meio ambiente.

O homem vive a unidade solidária de seu destino individual com o destino da


comunidade a que pertence, não pode ter êxito ou fracasso por sua conta. O problema
do ser define-se então como possibilidade.

A ação do homem no seu ser-no-mundo é desdobrada pela possibilidade originária de


ser-com-os-outros, não é jamais individual.

Os homens não se dirigem direta e simplesmente as coisas em sua mera presentidade,


mas por uma trama de significados em que as coisas vão podendo aparecer.

Para o organismo, antes que se possa denominá-lo de algum modo personalidade e, na


formação da personalidade, os fatores sociais são essenciais.

B - O Mundo Fenomenal

É organizado pelas necessidade do indivíduo.

O passado reflete as experiências anteriores transformadas pelas experiências


posteriores, que simbolizam as lembranças hoje.

"Para cada momento a vida nos oferece infinitas possibilidades de escolha. Muita
necessidade é a de escolher apenas uma. Meu poder é de buscar escolher com
consciência sabedoria e amor."(Loeci Maria Pagano Galli)

Futuro são expectativas, objetivos, metas que dirigem as escolhas de hoje e que poderão
ou não se concretizarem. O futuroinspira o presente.

O presente é a única possibilidade, a única realidade. É a forma de atenção sobre a


forma possível.

Pela expressão fenômeno deve reter-se o seguinte: o-que-se-mostra-em-si-mesmo.


Fenômenos são então a totalidade do que há na luz do dia ou que pode ser trazido a luz.
Fenômeno é igual a aparência.

Fenomenologia significa primeiramente uma concepção metodológica, não caracteriza o


porque mas o como dos objetos.

O objetivo da exploração fenomenológica da gestalt é a awareness. Um fenomenólogo


estuda a awareness pessoal e também a awareness do próprio processo.

Passado
Experiências anteriores

Temos uma hierarquia de necessidade, que continuamente se desenvolvem, e organizam


as figuras de experiência e desaparecem . A auto-regulação organísmica confia nosso
bem estar ao cuidado de um ser interno que se esforça inerentemente por ser saudável.

Futuro

Expectativas

A auto-regulação organísmica inclui três fenômenos: percepção, aceitação do que existe


e consciência da necessidade dominante. Aceitação da realidade possível, que é a
realidade que ela pode contatar.

Presente

Única realidade possível

C - E o pensamento torna-se a experiência

Compreenda as ações arquetípicas.

Pense num evento que esteja em harmonia com as ações / natureza arquetípicas.

Novos caminhos de mínima ação podem desenvolver-se guiando sua percepção para
aquela harmonia.

E o pensamento torna-se experiência!

Cada minúsculo “ato de observação” reduz à polifonia dos caminhos a um só ponto de


um dos caminhos. A partir dele são possíveis novos caminhos de mínima ação vindos
do passado e indo para o futuro. Tudo se passa como se a memória do universo
recebesse um leve solavanco, que a fizesse esquecer da maneira como ela trouxe este
objeto até esse determinado ponto do espaço e do tempo. Se estivermos “
“dependurados” no passado. Escolheremos ver o futuro como víamos o passado. Se
alterarmos nossa percepção do agora, nossa visão alterada mudará o futuro.
D - Hermenêutica

A hermenêutica é uma verdade que se estabelece dentro das condições humanas,


estamos sempre confrontados como indivíduos situados dentro de uma determinada
cultura.

A objetividade própria da hermenêutica ao escutar alguém ou realizar uma leitura não se


trata de não levar em conta os próprios pré-juízos ou negar suas próprias opiniões, mas
sim se estar aberto a opinião do outro ou do texto.

Tal receptividade não pressupõe neutralidade. A compreensão se move numa dialética


entre a pré compreensão e a compreesão do momento.

A fenomenologia do ser é hermenêutica.

A hermenêutica é esta incomoda verdade, que não é nem verdade empírica e nem uma
verdade absoluta, mas uma verdade que se estabelece dentro das condições humanas do
discurso e da linguagem. Não há grau zero no início da investigação, pois sempre
estamos confrontados como indivíduos situados historicamente dentro de uma
determinada cultura. A ciência é construída sobre o mundo vivido e ela só pode ser vista
enquanto resultado da experiência do mundo. Segundo Gadamer há um "perpetuum
movile".

Segundo Heidegger o método fenomenológico é um método pelo qual devemos dar


conta sempre de dois aspectos na investigação: o aspecto da singularidade (fenômeno) e
o aspecto da universalidade (logos). Fenomenologia já contém a idéia de uma espécie de
análise constante dos aspectos da singularidade e da universalidade. O método
fenomenológico trata daquilo que se esconde sob o logos, que é a singularidade que
tenta se expressar no logos, mas que o logos sempre oculta. É o elemento hermenêutico.

E - Awareness

É uma forma de atenção sobre a forma, uma reflexão da forma em si mesma. Temos
uma hierarquia de necessidades que continuamente se desenvolvem e organizam. A
awareness não é estática, é um processo de orientação que se renova a cada instante.
Entrar em contato com o mundo é o reconhecimento do ambiente. Processo de estar em
vigilante contato com os eventos mais importantes do campo indivíduo- ambiente.

Experiência de estar em contato com a própria existência. Aceitação da realidade


possível, realidade que ela pode contatar.

A awareness é eficaz apenas quando fundamentada e enrgizada pela necessidade atual


dominante do organismo. Sem energia, entusiasmo e emocionalismo do organismo,
sendo investido na figura emergente, a figura não tem significado, poder ou impacto.

Expandir-se é estar consciente do que se passa dentro e fora de si no momento presente,


em nível mental, corporal e emocional.

Representa o autoconhecimento. A pessoa consciente sabe que tem alternativas e


escolhe a melhor para o momento.

É aceitação da realidade possível, realidade que ela pode contatar.

F - O universo físico não existe independentemente do pensamento dos participantes

O universo físico não existe sem os nossos pensamentos sobre ele. Sem nossas
observações e sem nossos pensamentos um objetivo se dispersaria no esquecimento.
Imagine-se isto para a confirmação da pessoa. O princípio da incerteza: é impossível
você conhecer, simultaneamente a posição e a trajetória de um objeto em movimento.
Se você determina um destes atributos com excelente precisão será sempre às expensas
do outro. Por isto, mesmo que você faça uma observação tão boa quanto possível, o
mundo será, sempre, um pouco incerto.O que denominamos realidade é construído pela
mente. O Mundo não é o mesmo sem você.

* *

G - Contato

O limite no qual o indivíduo e o meio se tocam, em Gestalt-terapia denomina-se "limite


de contato", e neste limite ocorre o intercâmbio vivo entre indivíduo e meio.

Contato é o processo básico do relacionamento, é a consciência de si como um ser com.


Toda experiência do indivíduo podem sofrer alterações conforme o campo em um dado
momento. Experiência é contato. Contato é função do campo e obedece as leis que
regem o campo. Posso estar contigo, unicamente se estou seguro de que tu és, não eu e
que existimos como entes separados. Contato é o processo básico do relacionamento. O
diálogo é que emerge quando eu e você buscamos o contato de forma autêntica. O
diálogo não é você mais eu, ao contrário, ele surge da interação. O contato humano é
um processo mútuo de duas pessoas separadas, movendo-se em ritmo de união e
separação

H - Figura-Fundo

Na subjetividade da percepção a escolha pode ser consciente ou inconsciente do que


para aquela pessoa aparece como figura ou fundo.

O processo de formação de figura-fundo é dinâmico, o organismo seleciona e


desenvolve formas próprias de auto-conservação. Qualquer fenômeno observado nunca
é uma realidade objetiva em si.

A figura depende do fundo sobre o qual aparece; o fundo serve como uma estrutura ou
moldura em que a figura está enquadrada ou suspensa, e por conseguinte, determina a
figura.

Vir ao mundo significa poder partilhar, com os outros, o seu modo de ser. Mas o ser
sem que me pertencesse isoladamente, me anularia como individualidade; porém o ser
que me define em minha individualidade, me abre a coexistência e determina uma
esfera infinita em que substituem possibilidades infinitas de encontro, de comunicação,
de compreensão entre o eu e o outro.

Nenhum olhar é meramente individual, ainda que seja sempre o indivíduo que vê. Isto
porque o indivíduo é um ente coexistente.

O homem é plural. Os outros não são aqueles com quem o indivíduo convive, nem
aqueles que o completam; os outros constituem-no. sem o outro o indivíduo não é.

Nunca estamos acabados como algo presente, estamos sempre abertos para o futuro no
sentido de conduzir a nossa vida.

Quando o ser é compreendido na sua impermanência, no seu aparecer, desaparecer, é a


existência humana mesma, entendida como coexistência (singularidade e pluralidade)
em seus modos de ser no mundo.
Qualquer escolha é aquilo que pode redespertar, ou colocar em movimento o que já vive
em nós, por isso nos desperta atenção. Por esse motivo a tendência de me identificar
com algumas pessoas.

I - O Espaço é uma Construção do Pensamento

O meu "agora" não é o seu "agora", a não ser que estejamos nos movendo à mesma
velocidade e no mesmo sentido. Se não estivermos, nossos "agoras" não serão os
mesmos. Todo o universo pede estar num ponto menor que este (para um observador
situado em nosso nível).
E nós poderíamos, ainda assim, experimentar o espaço como o conhecemos.

J - Teoria de Campo

Kurt Lewin (1890-1947) nasceu na Alemanha, doutor em psicologia, estudou a


interdependência entre a pessoa e o seu meio social.

O comportamento é uma função do campo, do qual ele é parte, ele não depende nem do
passado e nem do futuro, mas do campo presente. Este campo presente tem uma
determinada dimensão tempo, inclui o passado psicológico, o presente psicológico e o
futuro psicológico, que constituem uma das dimensões do espaço de vida exixtindo num
determinado momento. (Lewin, 1965. p.32)

Na abordagem de campo da Gestalt-terapia tudo é visto como vir a ser, movendo-se,


nada é estático. O campo é a pessoa no seu espaço de vida. A realidade é sempre
relacional e é assim que precisa ser compreendida.

K - Teoria Organísmica

Kurt Goldstein (1878-1965)


O indivíduo é um todo unificado, como um campo integrado em sentimentos,
sensações, emoções, imagens. O corpo e a mente não são entidades separadas. O
organismo é uma só unidade.

Uma verdadeira compreensão da condição individual só é alcançada se considerarmos o


indivíduo como parte da totalidade da natureza e em particular da sociedade humana a
que pertence.

O todo não pode ser compreendido pelo estudo das partes isoladas. O todo é regido por
leis que não se encontram nas partes. O todo é o seu próprio princípio regulador.

O homem possui um impulso dominante de auto-regulação pelo qual é


permanentemente motivado. Tem dentro de si potencialidades que regulam seu próprio
crescimento.

O organismo se expressa ora como figura, ora como fundo. Uma figura, embora
destacada do fundo, mantém-se ligada a ele e recebe dele sua origem e explicações.

L - Psicopatologia Fenomenológica

Precisamos compreender um sintoma como um estilo de ser-no-mundo, no modo que


este ser se dá existencialmente. Não há sentimento, comportamento ou qualquer outro
modo de ser de uma pessoa, que exista isoladamente, pois o ser-no-mundo reflete a
inseparabilidade. O sofrimento que pensamos estar só dentro, também está fora.
Podemos entender conflitos interiores como conflitos entre a existência do organismo e
o social, num ajuste permanente e criador, visando o reequilíbrio constante do
organismo.
Se uma flor for atingida por uma forte geada fora da estação, ela não se abrirá, a pessoa
da mesma forma. A dinâmica da personalidade fica danificada. O que é chamado de
neurose ou psicose, nós gestalt-terapeutas, chamamos de ajuste criativo. Estar encoberto
é uma realidade existencial, não é um estado patológico.
O reconhecer deste existencial compartilhado é que permite a consciência com
responsabilidade.

M - Assim, afinal de contas, por que estamos aqui?

O espaço tempo está aqui exatamente para se ter alguma coisa a fazer. Assim, jogamos
o jogo. Dançamos a dança. A alegria está na mudança, no processo, não na conquista.
Não podemos, nunca, experimentar completamente o além do espaço-tempo dançamos,
contudo, rumo a ele.

Conforme nos voltamos para o nosso interior compreendemos: eu afeto diretamente os


universos, eu assumo a responsabilidade direta; não espere pelo guru, não espere pelo
messias, não espere pela segunda vinda. O "eu" real está aqui e agora - no íntimo.
Acorde e sinta o aroma do café.

E Agora ?

Compreenda:
todo evento no indefinido número de universos é influenciado por você.

Compreenda:
Há vida em todas as coisas.

Compreenda:
Você não é aquilo que ensinaram a você.

Permita à consciência unir-se com você.

Desenhos: Ricardo Waldaman


* exceto indicados, extraídos de:

Toben, Bob e Wolf, Fred Alan. Espaço-Tempo e Além. São Paulo:Cultrix, 1999.

Bibliografia de Gestalt

A Gestalt-terapia é mais do que uma forma de fazer terapia; uma formação é mais do que
aprimorar um modo de trabalhar por conquistas intelectuais, é, de fato, um processo tanto para
formandos como para formadores de uma construção permanente na busca de compreender o
outro e a si mesmo, de exercitar possibilidades de percepção.
Uma aprendizagem ocorre consciente de que uma experiência em geral nunca é igual a
primeira e que trabalhamos sempre com construção, destruição e reconstrução.
De acordo com o método fenomenológico nenhum olhar é meramente individual, ainda que
seja sempre o indivíduo quem vê, mas é desse olhar que o aparecimento se torna efetivado,
quando sua origem for um certo ser-no-mundo. É desse um certo e efetivo ser-no-mundo-com
os outros que o fenômeno recebe sua sua possibilidade de ser, daí brota sua possibilidade de
realidade.
O ser humano é possibilidades imensas e inesgotáveis. Eu sou um dos possíveis que eu
poderia ser. Sou o resultado de um ser no mundo.

Trabalhos

Resumos de alguns trabalhos realizados por Loeci Pagano Galli

Trabalho Novo - Psicopatologia Fenomenológica

Tese Loeci

Trabalho na Revista de Gestalt da UERJ

Entar em Estudos e Pesquisas, clicar em edições e Ano 9, número 1, Um olhar


fenomenológico sobre a questão da saúde e da doença: a cura do ponto de vista da
gestalt-terapia.

1 - A Dialógica do Indivíduo e a Sociedade

Este Trabalho busca a compreensão fenomenológica da existência humana em sua


ontológica pluralidade e singularidade. a Coexistência é o fundamento de toda a
possibilidade humana de conhecer.

O homem é plural. Os outros não são aqueles com quem o indivíduo convive, nem
aqueles que o completam, os outros constituem-no.

O indivíduo pode ser entendido como uma pequena partícula da vida, mas ao mesmo
tempo carrega a plenitude da realidade viva - a existência, o ser, o contém o todo da
vida, sem deixar de ser uma unidade elementar da mesma. É singular com as
características do todo.

2 - Ser em um Mundo Pós-Moderno. Uma Leitura da visão de Michel Maffesoli.

O desenvolvimento científico, tecnológico ou econômico aparecem com grande


velocidade, mas ao mesmo tempo despertou uma lentidão, pois sendo agora a vida mais
do que instantes imóveis, eternos, é preciso tirar o máximo de prazer.

A cultura do prazer, o sentimento do trágico, o afrontamento do destino, tudo isso é


causa e efeito de uma ética do instante.

Maffesoli interroga-nos se os cavaleiros do graal pós-moderno não são justamente os


aventureiros do cotidiano, já não projetando suas esperanças em hipotéticos ideais
longíncuos, mas dedicando-se a viver o melhor possível, com qualidade e intensidade
existencial. A aceitação do presente não é senão uma outra maneira de dizer da
aceitação da morte.

3 - A Centralidade da Cultura: A dimensão Global.

Vivemos uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, onde


poderíamos nos identificar com cada uma delas temporariamente.

Os seres humanos são interpretativos, instituidores de sentido. A vida cotidiana das


pessoas foi revolucionada, a cultura indica a forma como penetra em cada recanto da
vida social conteporânea. A cultura é agora um dos elementos mais dinâmicos e
imprevisíveis.

4 - Modernidade e Pós Modernidade na Estética do Comportamento Humano, Uma Visão da


Gestalt Fenomenológica.

Viver é em si mesmo uma arte, a mais importante, e, ao mesmo tempo, a mais difícil e
mais complexa arte praticada pelo homem. Na arte de viver, o homem é
simultaneamente o artista e objeto de sua arte, ele é o escultor. A consciência humana
tende sempre a um estilo. Tomar consciência é tomar forma.
A consciência da nossa própria história e da humanidade como um todo é uma condição
indispensável a uma vida rica e realizada. A historia trás ao consciente o que somos e o
que possuímos.
A interpretação reconstrutiva é utilizada na investigação dos fenômenos históricos,
assim, trazer à luz todas as épocas históricas, pode alargar, completar e corrigir a nossa
concepção limitada, parcial e questionável destas épocas.
Compreender o homem no tempo pela concepção fenomenológico-existencial significa
que somos seres predominantemente relacionais, constituídos e formados/deformados
nas relações. Segundo Perls (1997), precisamos encontrar o saber que todos temos
dentro de nós, pois a pessoa vai se distanciando tanto de si mesma que perde o contato
com o seu querer. Padrões externos não nos faltam, são os nossos desafios existenciais.
Na modernidade a sociedade, a despeito de toda a ênfase que atribui à felicidade, à
individualidade e ao interesse de cada um, ensinou ao homem que não é a sua felicidade
a meta da vida e sim a satisfação de seu dever de trabalhar, ou seu sucesso. Tudo é
importante para ele, salvo sua vida e a arte de viver; é a favor de tudo, exceto de si
mesmo.
A transmissão de valores do modernismo para o pós-modernismo se dá pela leitura que
o ser humano faz de maneira muito sutil, dos comportamentos esperados e aceitos
socialmente. Desta forma, para sobreviver e encontrar seu caminho, esse ser
desenvolveu-se da melhor forma que pode, fez ajustes por vezes estranhos e, no conflito
com o contexto, modificou muito mais a parte sobre a qual tinha poder para modificar -
ele mesmo; isto é moldou-se muito mais do que influiu na alteração do seu meio
ambiente.
Portanto o ser humano, dentro dos contextos ainda atuais, tem de ser defensivo e
desconfiado porque percebe com maior ou menor clareza que precisa se proteger.O
conhecido lhe dá alguma segurança. Podemos ver aí um aparente paradoxo, quanto pior
o seu contexto, mais apegado a ele, por ter menos confiança em si para experimentar o
diferente. O contexto não lhe permitiu desenvolver a auto-confiança e a auto estima
indispensável para isso.
No modernismo, o bombardeio cruel e sistemático que sofremos desde o início de
nossas vidas para nos enquadrar e para sermos adequados em nome de uma boa
educação, fez com que desenvolvêssemos sistemas de resistência.
No pós-modernismo o importante é participar com os outros, é o ressurgimento do
fenômeno comunitário, agora voltado para o emocional.

A estética coletiva repousa sobre a multidão, o estar-junto é um eu poroso em estado de


transe que adere aos movimentos da massa, às diversas modas, aos sentimentos.
Ambientes que lhe garantem assim a calorosa segurança de uma comunidade arquetipal.
Uma espécie de tolerância geral que, por indiferença, aceita coabitar com o outro, na
medida em que esse outro não pretenda impor seus próprios valores. A diversidade
pouco importa, pois o importante é a comunhão. Corre-se atrás das festas, dos
ajustamentos e de outras ocasiões convivais.

“Assim parece que o conflito entre o indivíduo e a sociedade é resultado de uma velha e
interminável serie de guerras: guerra na sociedade, guerra na família, guerra entre os
sexos, e a pior de todas as guerras: as guerras interiores.”
(Ribeiro, 1998, p. 46)

Se por um lado acreditamos menos em nós, por outro, as defesas são proporcionais as
pressões sofridas no contexto total: externo e interno. Quanto mais o indivíduo se sente
acuado, mais fica resistente e mais se defende. Por isto esta falta de confiança de fé em
si mesmo, no outro e no mundo foi uma construção penosa, porém necessária como
sobrevivência.
A essência e a intenção da gestal-terapia apontam de forma clara para a direção do
respeito a essas defesas tão duramente construídas, importante seria conscientizar-se de
que precisamos trabalhar com elas, jamais contra elas.
Só sendo aceitos por pessoas significativas para nós é que poderemos nos aceitar, parar
de nos julgar e de aceitar eternos julgamentos alheios e, assim, nos desenvolvermos e
nos recuperarmos, não para mudar ou não mudar, não para resistir ou se defender, mas
sim para viver.

5 - O Autoconhecimento como Busca de Realização Pessoal e Profissional: Um enfoque da Gestalt-


terapia.
Quando um indivíduo não tem bom autoconhecimento fala o que acredita que pensa e
age de acordo com o que pensa que sente, assim muitas vezes sua fala é uma, e sua ação
é contrariamente outra.

Quando me conheço o suficiente posso escolher minha própria direção, e esta é uma
mudança construtiva; assume e aceita a responsabilidadedas suas próprias escolhas.

A atenção. a sensibilidade, as emoções, os apegos, o pensamento e até o estilo de vida


devem ser treinados e disciplinados por todo aquele que deseja contribuir como
transformador social.

6 - A Arte de Bem Viver

Cada um de nós é chamado a decidir pela sua vida e pelo seu próprio destino.

A vida do homem se realiza como arte, ela mesma é sua história e sua arte e de sua
significação resulta o passado maestro do futuro.

Constatamos que estamos vivendo, que ser significa viver, mas temos que fazer algo
pelo nosso viver. Por isso temos que fazer algo pelo ser, não é só viver, mas o como
viver.

Somos seres em processo, presisamos descobrir quem podemos estar sendo de verdade,
ao invés de nos dizer quem devemos ser. No momento em que pudermos olhar uns para
os outros, examinando aquilo que estamos podendo ser, estaremos envolvidos no
processo de mudança.

7 - Reflexões Sobre a Publicidade Hoje

A proposta deste trabalho é utilizar o princípio da auto-reflexão para avaliar a


publicidade de hoje.

Nunca se saberá com absoluta certeza se a publicidade (como sustentam alguns) se


limita a refletir as atitudes sociais existentes ou se o seu papel (como tentam pensar
outros) consiste em exercer o veículo dinamizador que impulsiona o processo de
despertar valores tradicionais importantes para a reflexão sobre a construção da
sociedade.

A publicidade é o meio de comunicação mais potente que existe, por isso ela deve servir
para difundir os problemas que hoje perturbam a humanidade e mostrar a realidade.

É preciso estar atento ao meio como formador do homem e no qual ele está imerso. O
potencial humano é tão infinito quanto sua adaptabilidade humana. A Gestalt-terapia
ressalta a potencialidade inerente no organismo para crescer e atualizar-se. O organismo
retira do meio o que precisa para sobreviver.

8 - Livros de Auto-ajuda, Técnicas de Desbloqueio? Uma Reflexão como Gestalt-terapeuta.

Em busca de soluções apressadas e mágicas, as pessoas se voltam para os livros de


auto-ajuda ou técnicas rápidas, buscando solução para seus conflitos.
O importante é ler, aceitar exercícios ou não respeitando seus limites; o risco está em
receber essas informações acreditando que tudo depende somente dela; a busca de
mudança rápida, como otimizar seu potencial para o sucesso, como controlar sua vida e
sair da depressão, como impor sua vontade aos outros e chegar ao topo, como liberar
suas emoções, como desbloquear sua sexualidade etc...

As pessoas se exercitando numa certeza de vitória, muitas vezes irrealista, são levadas,
depois de algum tempo, a sentimentos extremos de menos valia, de depreciação, de
depressão mais profunda, pois culpam-se por saberem tudo que precisam fazer para
serem felizes, conseguirem emprego e não conseguem.

O comportamento dirigido pode agravar perturbações existente, ficando mais difícil


uma solução verdadeira. Nenhum conflito interno é uma relíquia do passado que precisa
ser destruída como se fosse um habito que segue persistindo. Podemos estar certos de
que estes conflitos refletem e são determinados por necessidades severas, dentro de uma
estrutura de caráter existente. Se não estivermos certos quanto ao seu significado,
corremos o risco de substituir uma velha imagem idealizada por outra nova também
idealizada.

9 - Awareness e Circulo Hermenêutico em Heidegger e Gadamer

Awareness é uma forma de experienciar. É o processo de estar vigilante com o evento


mais importante no campo indivíduo/ambiente. Todo o ser humano tem alguma
awareness, algum meio de experienciar o mundo e nele se orientar, mesmo que a
awareness seja parcial, A awareness é eficaz apenas quando fundamentada e energizada
pela necessidade atual dominante do organismo. é experienciar e saber o que estou
fazendo agora e como.

A palavra hermenêutica em sua origem etmológica pode apresentar vários sentidos:


exprimir, proclamar, interpretar, traduzir. Se deriva do verbo grego hermeneuin. O
hermenêutico não é primeiramente a explicação, mas, antes disso, é o já trazer numa
mensagem e comunicação.

heidegger nos diz que o método fenomenológico trata daquilo que se esconde sob o
logos, que é a singularidade que tenta se expressar no logos, mas que o logos sempre
oculta, é o elemento hermenêutico.

O homem se compreende enquanto compreende o ser, compreende o ser enquanto se


compreende a si mesmo. há uma circularidade. quer dizer, o compreender-se a si
mesmo, seria o universo apofântico (o logos da compreensão da linguagem) e o
compreender o ser, seria o universo hermenêutico.

Assim compreender plenamente algo não é pleno, porque lidamos com uma carga
histórica que nos limita. Nossa limitação do compreender é traduzida por uma história
da qual não consegumios dar conta, nem como indivíduos, nem como grupos. Só depois
que somo fato concreto, determinado pela história, pela cultura é que podemos
compreender algo, por isso nosso compreender nunca é transparência.

Segundo Gadamer não está em questão o que nós fazemos, ou deveríamos fazer, mas o
que ultrapassando o nosso querer e fazer, nos sobrevêm ou nos acontece.
http://www.igestalt.psc.br/gestalt.htm

Gestalt
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Cubo de Necker e o Vaso de Rubin, dois exemplos utilizados na Gestalt

A Psicologia da forma, Psicologia da Gestalt, Gestaltismo ou simplesmente Gestalt é


uma teoria da psicologia iniciada no final do século XIX na Áustria e Alemanha que
possibilitou o estudo da percepção (Britannica, 1992:226).

Segundo a Gestalt, o cérebro é um sistema dinâmico no qual se produz uma interacção


entre os elementos, em determinado momento, através de princípios de organização
perceptual como: proximidade, continuidade, semelhança, segregação, preenchimento,
unidade, simplicidade e figura/fundo. Sendo assim o cérebro tem princípios
operacionais próprios, com tendências auto-organizacionais dos estímulos recebidos
pelos sentidos.

Surge como uma reação às teorias contemporâneas estabelecidas que se fundamentavam


apenas na experiência individual e sensorial (Wundt). Parte do princípio de que o objeto
sensível não é apenas um pacote de sensações para o ser humano, pois a percepção está
além dos elementos fornecidos pelos orgãos sensoriais. Fundamentam-se nas
afirmações de Kant de que os elementos por nós percebidos são organizados de forma
a fazerem sentido e não apenas através de associações com o que conhecemos
anteriormente.

Max Wertheimer (1880-1943) publica o primeiro trabalho considerado iniciador dos


estudos da Gestalt em 1912, num estudo sobre a percepção visual, com seus colegas
Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940). Os três são considerados
iniciadores do movimento da Gestalt (Britannica 1992:227). Estes consideram os
fenômenos psicológicos como um conjunto autônomo, indivisível e articulado na sua
configuração, organização e lei interna, que independem da percepção individual e que
formulam leis próprias da percepção humana.

O filósofo norte-americano William James, foi um dos que influenciaram esta escola, ao
considerar que as pessoas não vêem os objetos como pacotes formados por sensações,
mas como uma unidade. A percepção do todo é maior que a soma das partes percebidas.
Uma outra influência fundamental foi a fenomenologia de Edmund Husserl. A
fenomenologia afirma que toda consciência é consciência de alguma coisa. Assim
sendo, a consciência não é uma substância, mas uma atividade constituída por atos
(percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc), com os quais visa algo.

Índice
[esconder]

• 1 Origens
• 2 Escola "dualista" de Graz
• 3 Laboratório de 1913
• 4 Fundamentos teóricos
o 4.1 Sete fundamentos básicos
• 5 Aplicações
o 5.1 Aplicações na arte
o 5.2 Gestalt-terapia
• 6 Referências
• 7 Ver também
• 8 Leituras
• 9 Notas

• 10 Ligações externas

[editar] Origens
Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-
1940), depois de 1910, na Universidade de Frankfurt, criticaram fortemente as idéias de
Wilhelm Wundt (1832-1920), considerado o fundador da psicologia moderna e
responsável pelo primeiro laboratório de psicologia experimental.

Wertheimer pôde provar experimentalmente que diferentes formas de organização


perceptiva são percebidas de forma organizada e com significado distinto por cada
pessoa. Como pode ser visto nas figuras do Cubo de Necker e do Vaso de Rubin, acima.
O todo é maior do que a soma das partes que o constituem. Por exemplo: uma cadeira é
mais do que quatro pernas, um assento e um encosto. Uma cadeira é tudo isso, mas é
mais que isso: está presente na nossa mente como um símbolo de algo distinto de seus
elementos particulares.

Em uma série de testes Wertheimer demonstrou que pode ser realizada uma ilusão
visual de movimento de um determinado objeto estacionário se este for mostrado em
uma sucessão rápida de imagens. Assim se consegue uma impressão de continuidade e
chamou este movimento percebido em sequência mais rápida de "fenômeno phi" (o
cinema é baseado nessa ilusão de movimento, a imagem percebida em movimento na
realidade são conjuntos de 24 imagens fixas projetadas na tela durante 1 segundo).

[editar] Escola "dualista" de Graz


A tentativa de visualização do movimento marca o início de outra escola da psicologia
da Gestalt: a Escola de Graz ou “corrente dualista”, (Áustria). Esta identificou dois
processos distintos na percepção sensorial: um, a sensação, a percepção física pura dos
elementos de uma configuração (o formato de uma imagem ou as notas de uma música),
próprio ao objeto percebido; e o outro, a representação, que seria um processo “extra-
sensorial” através do qual os elementos, agrupados, excitam a percepção e adquirem
sentido (a forma visual ou a melodia da música), que já é particular do trabalho mental
do homem.

A outra concepção, divergente do “dualismo”, era a chamada “corrente monista” (de


mono, único), defendida pelos alemães. Pelo ponto de vista monista, tanto sensação
como representação se dariam simultaneamente, e não em separado. A forma, ou seja, a
compreensão que os dualistas chamaram de “extra-sensorial”, não pode ser dissociada
da sensação do objeto material. Por ocorrerem ao mesmo tempo, percepção sensorial e
representativa vão se completando até finalizarem o processo de percepção visual. Só
quando uma é concluída que a outra pode ser concluída também.

[editar] Laboratório de 1913


Em 1913, a Academia Prussiana de Ciências instalou, na ilha de Tenerife, nas Canárias,
uma estação para estudo do comportamento do macaco. Wolfgang Köhler foi nomeado,
então, diretor da estação - ainda muito jovem e com quase nenhuma experiência em
biologia e psicologia de animais. Suas pesquisas pioneiras com antropóides enfatizaram
que não só a percepção humana, mas também nossas formas de pensar e agir
funcionam, com freqüência, de acordo com os pressupostos da Gestalt da reorganização
perceptiva.

Observou-se que ato cognitivo corresponde a uma reestruturação do conhecimento


anterior (informações disponíveis na memória) tal como posteriormente estudada pelos
construtivistas a exemplo de Piaget. Medidas da estimulação elétrica cortical em gatos e
os seus clássicos experimentos com chimpanzés (empilhando caixotes para alcançar
alimentos) comprovaram que estes têm condições de resolver problemas relativamente
mais complexos do que os experimentos de contornar um obstáculo e abrir fechaduras
para fuga, aproximando-se da inteligência humana.

[editar] Fundamentos teóricos


Segundo a Gestalt, existem quatro princípios a ter em conta para a percepção de
objectos e formas: a tendência à estruturação, a segregação figura-fundo, a pregnância
ou boa forma e a constância perceptiva.

Outros conceitos dessa teoria são supersoma e transponibilidade.[1] Supersoma refere-se


a idéia de que não se pode ter conhecimento de um todo por meio de suas partes, pois o
todo é maior que a soma de suas partes: "(…) "A+B" não é simplesmente "(A+B)", mas
sim um terceiro elemento "C", que possui características próprias".[carece de fontes?] Já
segundo o conceito da transponibilidade, independentemente dos elementos que
compõem determinado objeto, a forma se sobressai. "(…) uma cadeira é uma cadeira,
seja ela feita de plástico, metal, madeira ou qualquer outra matéria-prima."[carece de fontes?]
[editar] Sete fundamentos básicos

Os sete fundamentos básicos da Gestalt - muito usado hoje em dia em profissões como
design, arquitetura, etc - são:

• Continuidade
• Segregação
• Semelhança
• Unidade
• Proximidade
• Pregnância
• Fechamento

[editar] Aplicações
[editar] Aplicações na arte

A tendência à estruturação por exemplo explica a tendência dos diferentes povos a


distinguir grupos de estrelas e reconhecer constelações no céu; a boa forma ou
configuração ideal mais conhecida é a Proporção áurea dos arquitetos e geômetras
gregos que explica muitas das formas que são agradáveis aos olhos humanos. As
empresas de publicidade e criadores de signos visuais (marcas) parece que são os
maiores usuários da descoberta dos símbolos que possuem alto poder de atração
(pregnância). Vários artistas se utilizaram das ilusões de óptica muitas delas explicadas
pela lei da segregação da figura e fundo a exemplo de Escher e Salvador Dalí ou os
discos ópticos de Marcel Duchamp. A ilusão de perspectiva e proposição cubista de
criação de uma cena com (sob) múltiplos pontos de vista também são explicados pela
teoria da gestalt. Através dos estudos realizados e das teorias elaboradas na escola
Gestalt, no início do século XX, referentes a teoria da psicologia das imagens, foi
possível criar condições favoráveis para a racionalização na construção de projetos
gráficos.Reforça-se a idéia que o todo, é mais que a soma das suas partes, existindo
envolvimento psicológico.Compreender a construção de imagens é imprescindível para
a elaboração e desenvolvimento de mensagens visuais, viabilizando a ampliação do
acervo de soluções gráficas autoras de sentidos qualificados.

[editar] Gestalt-terapia

Ver artigo principal: Gestalt-terapia

A partir da teoria da Gestalt e da psicanálise, o médico alemão Fritz Perls (1893-1970)


desenvolveu uma forma de psicoterapia de orientação gestáltica. A gestaltoterapia ou
terapia Gestalt orienta-se segundo o conceito que o desenvolvimento psicológico e
biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse
organismo, que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. A prática
psicoterapêutica é, normalmente, realizada em grupo e ao longo das suas sessões
destaca-se a realização de um conjunto de exercício sensório-motores (que trabalham as
áreas sensoriais e motoras do nosso corpo) e meditativos (de relaxamento). Estes
exercícios pretendem, principalmente, que os indivíduos descubram novas forças
existentes em si, para poderem ultrapassar as suas dificuldades.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gestalt