Você está na página 1de 9

2021

As Dívidas e a sua
prescrição
ÍNDICE

ÍNDICE .........................................................................................................................................1
PREÂMBULO ...............................................................................................................................2
PRESCRIÇÃO DE DÍVIDAS .........................................................................................................3
TIPOS E PRAZOS PRESCRICIONAIS .........................................................................................4
Art.º 309º do Código Civil ......................................................................................................4
PRESCREVEM EM 8 ANOS.................................................................................................4
Art.º 45º e 48º da Lei Geral Tributária ...................................................................................4
PRESCREVEM EM 5 ANOS.................................................................................................5
Art.º 310º do Código Civil ......................................................................................................5
PRESCREVEM EM 2 ANOS.................................................................................................5
Art.º 317º do Código Civil ......................................................................................................5
PRESCREVEM EM 6 MESES ..............................................................................................6
Art.º 316º do Código Civil ......................................................................................................6
Lei 23/96 de 26 de julho ........................................................................................................6
INVOCAÇÃO E PRODUÇÃO DE EFEITOS..................................................................................7
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS ..................................................................................................8

1
PREÂMBULO

Na maioria das vezes, quando solicitamos um crédito, seja ele para que fim for, a vida corre-nos
bem e temos o sentimento de cumprimento de mais uma obrigação pecuniária - a intenção de o
pagar!

Por vezes, somos, inadvertidamente, apanhados pelas vicissitudes da vida e surpreendidos de tal
forma que não sabemos como reagir perante tais situações, e entramos em mora e em
incumprimento.

Na maioria dos casos, falamos, entramos em renegociação e cumprimos os timings para fazer
cumprir as nossas obrigações.

Em outros, temos os
credores, que se
aproveitam da nossa
fragilidade no momento
e exigem pagamentos,
fazem ameaças
verbais, e nós cedemos
sem sequer saber dos
nossos direitos
enquanto
consumidores, e
pagamos juros e mais
juros e ainda mais juros de faturas ou serviços que já não utilizamos.

Apesar da nossa boa vontade em resolver as questões monetárias suscitadas, muito acontece
que os credores não querem saber das nossas condições, só querem receber o capital que lhes
é devido acrescido de juros exorbitantes. Aliado a isso estão todas as firmas de cobrança de
créditos “mal parados” que em parceria fazem por cumprir os objetivos traçados, quanto mais se
receber dos incumprimentos, mais comissão recebem, fazendo com que ambos não facilitam a
vida a quem está em dificuldades e exigem, exigem …

Diz-nos a consciência que, se utilizamos um serviço ou usufruímos daquele, fomos bem ou menos
bem servidos, somos forçados ou obrigados a pagar. Pois ... não é bem assim!

2
PRESCRIÇÃO DE DÍVIDAS

Temos mecanismos legais que nos permitem agir contra os aproveitadores de debilidades
temporárias.

Importa, em primeiro lugar, esclarecer o que significa prescrição.

Em linguagem jurídica, prescrição é a perda do prazo para o exercício do direito de ação legal
sobre o devedor.

Por outras palavras, a prescrição de dívidas acontece quando, ultrapassado um determinado


período de tempo, o valor devido não é pago.

O credor deixa, então, de poder reclamar o pagamento. E o devedor de ter a obrigação de pagar .

Assim, apesar de a dívida existir, a partir de determinado prazo é dada a faculdade ao devedor de
recusar o cumprimento da
prestação ou de se opor à
mesma invocando a sua
prescrição.

Na verdade, todas as dívidas


prescrevem a determinada
altura. O devedor tem a
obrigação de pagar, assim
como o credor tem direito de
receber.

Ao contrário do que possa parecer, esperar pela prescrição de dívidas não é uma boa estratégia
para se livrar de um encargo. Isto porque é pouco provável que o credor não faça iniciativa
nenhuma para que lhe seja pago o que é devido.

Este pode acionar, dentro de um prazo, os meios legais disponíveis para o efeito, variando o seu
prazo em função do tipo de dívida, contrariamente à ideia, muitas vezes, generalizada de que as
dívidas preservem todas, com o mesmo prazo.

3
TIPOS E PRAZOS PRESCRICIONAIS

Importa referir que o prazo para a prescrição


só se inicia quando o direito puder ser
exercido

Para poder invocar a prescrição de dívidas


é necessário conhecer os prazos, porque
nem todas prescrevem no mesmo período.

O momento a partir do qual começa a contar


o prazo é aquele em que o pagamento falha,
mas existem exceções.

Existem vários tipos e prazos de prescrição de dívida, muitas vezes interpretado de forma
incorreta.

Em geral, o prazo de prescrição de dívidas é de 20 anos (dívidas bancárias, comerciais, etc).

Art.º 309º do Código Civil

Artigo 309.º
(Prazo ordinário)

O prazo ordinário da prescrição é de vinte anos.

PRESCREVEM EM 8 ANOS

- Dívidas Fiscais (salvo o prenunciado em legislação especial), contado a partir do final do ano
em que se apurou o facto tributário (impostos periódicos) ou a partir da data em que o facto
tributário sucedeu (impostos de obrigação única). A prescrição de dívidas fiscais abrange, para
além dos impostos, os juros compensatórios e os moratórios.

Art.º 45º e 48º da Lei Geral Tributária

Artigo 45.º
Caducidade do direito à liquidação

1 - O direito de liquidar os tributos caduca se a liquidação não for validamente notificada ao contribuinte no prazo
de quatro anos, quando a lei não fixar outro.

4
Artigo 48.º
Prescrição

1 - As dívidas tributárias prescrevem, salvo o disposto em lei especial, no prazo de oito anos contados, nos
impostos periódicos, a partir do termo do ano em que se verificou o facto tributário e, nos impostos de obrigação
única, a partir da data em que o facto tributário ocorreu, excepto no imposto sobre o valor acrescentado e nos
impostos sobre o rendimento quando a tributação seja efectuada por retenção na fonte a título definitivo, caso em
que aquele prazo se conta a partir do início do ano civil seguinte àquele em que se verificou, respectivamente, a
exigibilidade do imposto ou o facto tributário.

PRESCREVEM EM 5 ANOS

Art.º 310º do Código Civil

- Dívidas à Segurança Social;


- Dívidas relativas a juros, convencionais ou legais;
- Dívidas de rendas e alugueres devidos pelo locatário, ainda que pagos somente uma vez;
- Dívidas relativas a condomínios;
- Dívidas decorrentes das pensões de alimentos, já vencidas;
- Dívidas de quotas de amortização de capital pagáveis com os juros;
- Dívidas de quaisquer outras prestações periodicamente renováveis, entre outras.
Artigo 310.º
(Prescrição de cinco anos)

Prescrevem no prazo de cinco anos:


a) As anuidades de rendas perpétuas ou vitalícias;
b) As rendas e alugueres devidos pelo locatário, ainda que pagos por uma só vez;
c) Os foros;
d) Os juros convencionais ou legais, ainda que ilíquidos, e os dividendos das sociedades;
e) As quotas de amortização do capital pagáveis com os juros;
f) As pensões alimentícias vencidas;
g) Quaisquer outras prestações periodicamente renováveis.

PRESCREVEM EM 2 ANOS

Art.º 317º do Código Civil

- Dívidas das escolas (em relação aos serviços concedidos);


- Dívidas a hospitais (em relação aos serviços concedidos);
- Dívidas dos consumidores finais aos comerciantes pelos bens vendidos;
- Dívidas dos consumidores àqueles que executam uma atividade (em relação ao serviço que
prestam) e àqueles que exercem profissões liberais.

5
Artigo 317.º
(Prescrição de dois anos)

Prescrevem no prazo de dois anos:


a) Os créditos dos estabelecimentos que forneçam alojamento, ou alojamento e alimentação, a estudantes, bem
como os créditos dos estabelecimentos de ensino, educação, assistência ou tratamento, relativamente aos serviços
prestados;
b) Os créditos dos comerciantes pelos objectos vendidos a quem não seja comerciante ou os não destine ao seu
comércio, e bem assim os créditos daqueles que exerçam profissionalmente uma indústria, pelo fornecimento de
mercadorias ou produtos, execução de trabalhos ou gestão de negócios alheios, incluindo as despesas que hajam
efectuado, a menos que a prestação se destine ao exercício industrial do devedor;
c) Os créditos pelos serviços prestados no exercício de profissões liberais e pelo reembolso das despesas
correspondentes.

PRESCREVEM EM 6 MESES

Art.º 316º do Código Civil

- Dívidas a estabelecimentos que forneçam alojamento, comidas ou bebidas;


- Dívidas dos prestadores de serviços – eletricidade, água (águas residuais e resíduos sólidos
incluídos), telecomunicações –móveis, fixas, interne, tv, gás, serviços postais, etc.
Artigo 316.º
(Prescrição de seis meses)

Prescrevem no prazo de seis meses os créditos de estabelecimentos de alojamento, comidas ou bebidas, pelo
alojamento, comidas ou bebidas que forneçam, sem prejuízo do disposto na alínea a) do artigo seguinte.

Lei 23/96 de 26 de julho

Artigo 10.º
Prescrição e caducidade

1 - O direito ao recebimento do preço do serviço prestado prescreve no prazo de seis meses após a sua prestação.
2 - Se, por qualquer motivo, incluindo o erro do prestador do serviço, tiver sido paga importância inferior à que
corresponde ao consumo efectuado, o direito do prestador ao recebimento da diferença caduca dentro de seis
meses após aquele pagamento.
3 - A exigência de pagamento por serviços prestados é comunicada ao utente, por escrito, com uma antecedência
mínima de 10 dias úteis relativamente à data-limite fixada para efectuar o pagamento.
4 - O prazo para a propositura da acção ou da injunção pelo prestador de serviços é de seis meses, contados após a
prestação do serviço ou do pagamento inicial, consoante os casos.
5 - O disposto no presente artigo não se aplica ao fornecimento de energia eléctrica em alta tensão.

6
INVOCAÇÃO E PRODUÇÃO DE EFEITOS

Um dos pressupostos para a prescrição de dívidas é que o credor, seja ele que entidade for, não
tenha tomado nenhuma medida judicial para receber os montantes em falta.

Cartas enviadas pelo credor sem que este faça prova em como foram entregues, não pode ser
tomado como medida judicial.

Assim, se este não exigir,


dentro dos prazos
previstos na lei, que o
pagamento seja feito,
podemos sempre invocar
a prescrição da dívida.

A partir desse momento, o


credor já não pode
recorrer ao tribunal para
que a dívida seja paga.
Ou seja, na prática, já não tem, do ponto de vista legal, como reclamar o que lhe é devido.

Destarte, e para que a prescrição de dívidas seja válida, é necessário que seja invocada pelo
devedor (art.º 303.º do Código Civil).

Não basta só ignorar e deixar passar o tempo até que justifique o prazo para a prescrição.

Se existem dívidas prescritas, o mais aconselhável é enviar, à entidade em causa, uma carta
registada com aviso de receção.
Ademais, será sempre necessário que tenhamos de alegar essa condição se, porventura,
recebermos uma notificação para pagar e o prazo para o solicitar já tiver sido ultrapassado.

A partir desse momento, deixamos de ter a obrigação de pagar e o credor já não pode usar a via
judicial para receber.

7
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS

- Lei Geral Tributária – Decreto-Lei n.º 398/98 de 17 de dezembro (versão atualizada) – Lei n.º
47/2020 de 24 de agosto ::: DL n.º 398/98, de 17 de Dezembro (pgdlisboa.pt) - página 1;

- Código Civil Português – Decreto-Lei n.º 47344/66 de 25 de novembro (versão atualizada) – Lei
n.º 65/2020 de 04 de novembro ::: DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro (pgdlisboa.pt)- página 4;

- Lei dos Serviços Públicos – Decreto-Lei 23/96 de 26 de julho (versão atualizada) – Lei 51/2019
de 29 de julho ::: Lei n.º 23/96, de 26 de Julho (pgdlisboa.pt) - única página.

Você também pode gostar