Responsabilidade Socioambiental

Valéria da Vinha

Responsabilidade Socioambiental

Índice
Unidade 1 - Contexto e Trajetória do Desenvolvimento Sustentável
1.1. As fases da trajetória ......................................................................................................... 6 Década de 70 e a Conferência de Estocolmo ................................................................................... 6 Década de 80: redefinindo o desenvolvimento sustentável ............................................................... 8 Década de 90: generalização da convenção do desenvolvimento sustentável .................................. 10 1.2. Transição para uma visão integrada de sustentabilidade .................................................... 11 Desenvolvimento sustentável e empresas: cosmética ou enraizamento social? ................................ 12 Cúpula do Milênio e Rio + 10 ....................................................................................................... 13 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio ...................................................................................... 13 1.3. A eco-eficiência se impõe ................................................................................................. 14 Inicialmente, era apenas o discurso..... ......................................................................................... 15 O papel dos gerentes ................................................................................................................... 16 1.4. Do berço-ao-túmulo...começa a fase prática ...................................................................... 16 1.5. Contribuição da ciência .................................................................................................... 18 Logística Reversa – uma inovação incremental do tipo “berço ao berço” ........................................ 20 1.6. Principais Diretrizes, Padrões e Certificações ..................................................................... 21 A prática da auto-regulação: o modelo GRI de performance ambiental ........................................... 21 Pontos fracos dos relatórios de sustentabilidade ............................................................................ 24 Revisão do conteúdo.................................................................................................................... 25 Unidade 2 - A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) Emerge Objetivos .................................................................................................................................... 26 2.1. Campo institucional da RSE: O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social .............. 26 2.2. O relacionamento com o Terceiro Setor .................................................................................. 28 2.3. Ambientalismo Empresarial: podem as corporações administrar o mundo? ............................... 29 Protocolo de Quioto ..................................................................................................................... 30 Governança Corporativa ............................................................................................................... 31 Vantagens da Sustentabilidade Corporativa ................................................................................... 32 2.4. A Nova fase da RSE e a visão estratégica da sustentabilidade .................................................. 33 Revisão de conteúdo .................................................................................................................... 35

Unidade 3 - Evolução dos Conceitos e das Práticas da Responsabilidade Social Empresarial

Objetivos .................................................................................................................................... 35 3.1. Por que RS tem várias definições?.......................................................................................... 36 3.2. Diálogo com Stakeholders ..................................................................................................... 41 Na fase exploratória, pretende-se, com a aplicação dessa ferramenta, ............................................ 42 Contribuição do diálogo com stakeholders ao gerenciamento do projeto ......................................... 42 O stakeholder approach trata de públicos e indivíduos que podem afetar, direta ou indiretamente, a organização, e do comportamento gerencial adotado para responder a eles”. (Edward Freeman. Strategic Management: a stakeholder approach, 1984 ................................................................... 42 Stakeholder: conceito central da responsabilidade social ................................................................ 43 3.3. Articulando Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável ...................... 44 3.4. A RSE no Brasil ..................................................................................................................... 46 Revisão de conteúdo .................................................................................................................... 48

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 4 - A RSE no Setor Financeiro e a Norma ISO 26000
Objetivos .................................................................................................................................... 49 4.1. Principais inovações institucionais no setor financeiro .............................................................. 50 Protocolo Verde (1995) ................................................................................................................ 50 4.2. Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR) – Histórico e Evolução ..................................... 52 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE/BOVESPA ................................................................. 53 Investimentos em Empresas de Capital Aberto .............................................................................. 54 4.3. Por que uma norma em responsabilidade social? A Norma ISO 26000 ...................................... 55 4.4. O processo de criação da ISO 26000 ...................................................................................... 56 4.5. Características da ISO 26000 ................................................................................................. 59 4.6. Análise crítica: os prós e contras da ISO 26000 ....................................................................... 60 Limitações da Norma ................................................................................................................... 61 Aspectos positivos da ISO 26000 .................................................................................................. 61 ISO 26000 e NBR 16001: uma breve comparação .......................................................................... 62 4.7. Considerações finais .............................................................................................................. 62 A sinergia Estado/Sociedade ......................................................................................................... 63 Revisão de Conteúdo ................................................................................................................... 64 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 65 ANEXOS ............................................................................................................................ 68

Responsabilidade Socioambiental

Introdução
“A questão ecológica é uma questão social; e hoje a questão social só pode ser elaborada adequadamente como uma questão ecológica”. (Elmar Altvater)

A teoria econômica tradicional baseia-se na premissa de que os homens são racionais e agem egoisticamente de maneira a maximizar a satisfação de seus interesses. Por essa razão, coube a uma instituição supostamente independente, o mercado, a responsabilidade pelo fluxo de todos os bens e serviços gerados por indivíduos e organizações. Através do livre jogo da oferta e da procura, o mercado seria capaz de garantir a distribuição dos bens entre a totalidade dos membros da sociedade e, consequentemente, a satisfação de cada um. Contudo, para seu bom desempenho, o mercado precisa de uma grande margem de liberdade, não devendo o Estado interferir ou regular seu funcionamento (SMITH, 1776:1985). Essa convenção social consolidou-se ao longo da expansão do modelo capitalista inaugurado pela Revolução Industrial do século XVIII, moldando o comportamento dos agentes econômicos, particularmente do segmento responsável pela produção e distribuição desses bens e serviços: as empresas. No bojo desse processo, ocorreu uma aparente emancipação da esfera econômica em relação à sociedade e ao Estado, levando ao surgimento de uma classe social historicamente nova: a burguesia em suas distintas facetas (mercantil, industrial e financeira). Sabe-se, no entanto, que, no mundo real, Economia e Sociedade não estão dissociadas e que o mercado não é uma instituição perfeita. Entre as suas falhas, uma vem ganhando evidência crescente: a incapacidade de dar respostas concretas e duradouras à questão ambiental. A intensificação dos impactos antrópicos ao longo do século passado impõe seu enfrentamento no nível macro e micro, dentro e fora do mercado, envolvendo todos os segmentos sociais e não apenas os concernentes à esfera pública. Dessas circunstâncias e preocupações comuns a organizações e a nações de todo o mundo, emergiu uma nova convenção de mercado popularizada no termo “Desenvolvimento Sustentável” (ou, simplesmente, Sustentabilidade). Sua disseminação tem sido tão rápida que está alterando as regras da concorrência capitalista, obrigando as empresas (sobretudo as multinacionais) a criarem ou a adquirirem competência para gerenciar práticas socioambientais de maneira a se manterem competitivas. O movimento da Responsabilidade Social Empresarial (ou Corporativa) nasce, assim, organicamente ligado aos princípios do Desenvolvimento Sustentável. A seguir, descrevem-se e analisam-se as motivações e as principais características e estratégias que pontuam esse processo.

3

o setor privado vem se conscientizando de que o custo financeiro de reduzir o passivo ambiental e de administrar conflitos sociais pode ser mais alto do que o custo de "fazer a coisa certa". 4 . consequentemente. você conhecerá o contexto que deu origem ao desenvolvimento sustentável. alterando as bases tradicionais da concorrência. com a união de indústrias. adotando a chamada ecoeficiência. Outro fator de pressão. o representante do Governo brasileiro defendeu a tese de que o controle da poluição era um entrave ao progresso e articulou a vinda para a cidade de Cubatão 1 de indústrias altamente poluidoras. as tsunamis e o furacão Katrina). comunidade e governo. que conhecerá os passos que a empresa deve tomar para atender aos princípios da sustentabilidade. 1 Com um grande parque industrial. diz respeito ao risco real de uma crise ambiental de grandes proporções capaz de gerar escassez das matérias-primas e das fontes energéticas que suportam o atual padrão de produção e consumo. Ao final da Unidade. Felizmente. Cubatão enfrentou no passado a ameaça constante da poluição. por restrições impostas pela legislação ambiental. mas terminou por influenciar o mercado. Por isso. em 1992 recebeu da ONU o título de "Cidade-símbolo da Recuperação Ambiental". pois influenciam a percepção da opinião pública sobre a empresa. cuja influência cresceu significativamente nos últimos anos em decorrência dos inúmeros e sucessivos desastres ambientais atribuídos a ações antrópicas equivocadas (entre eles. refletindo-se em queda de vendas e. seja no seu processo produtivo. E deverá ser capaz de diferenciar as empresas que têm compromissos efetivos com a responsabilidade socioambiental daquelas que adotam apenas o discurso. seja na sua relação com a sociedade. Contudo. isto é. dificultando a implementação de novos projetos e a renovação de contratos. os acidentes e crimes ambientais provocam escândalos corporativos que abalam a confiança dos consumidores e acionistas. essa mudança de comportamento foi motivada por pressão da sociedade civil. que estavam sendo expulsas dos países desenvolvidos. Se as normas ambientais mais rigorosas representam um custo alto em pagamento de multas e mitigação dos danos ambientais. Inicialmente. de respeitar os direitos humanos e o meio ambiente de todos os povos. e estará apto a identificar o que mudou no dia-a-dia das empresas. a cidade conseguiu controlar 98% do nível de poluentes no ar. Há cerca de três décadas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Unidade 1 Contexto e Trajetória do Desenvolvimento Sustentável Objetivos Nesta Unidade. que se organizou para combater o desmatamento e a poluição. Na década de 80. foi considerada pela ONU como a cidade mais poluída do mundo. os principais acontecimentos desta trajetória. e como o segmento empresarial incorporou os novos conceitos e práticas gerados ao longo deste processo. durante a histórica Conferência de Estocolmo (1972) – evento que representou o primeiro alerta de grande repercussão sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta –. em prejuízo financeiro. Não está muito distante o tempo em que poluição era sinal de progresso.

Atualmente. o que explica a ocorrência de tantos acidentes graves. a América Latina consome 40% dos produtos químicos comercializados nos países dessa categoria e. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). como o financeiro. ouviu 269 gestores de risco e concluiu que o principal obstáculo enfrentado pelo executivo para gerenciar risco de reputação da sua empresa seria a falta de instrumentos adequados (ver figura 01). além de incontáveis acidentes de grandes proporções. responsáveis pelo consumo de fontes não renováveis e por elevadas taxas de emissão de poluentes. em 2005. envolvendo. o mais importante impulsionador do uso de novos recursos e do desenvolvimento de tecnologias limpas será o estoque das reservas naturais. apenas três deles. Ao menos no plano da retórica. como o conhecimento e a reputação) adquirem importância estratégica na condução dos negócios. em 2005. Só para aludir a um caso emblemático. indústria florestal) estão mais sensíveis ao movimento de responsabilidade social. a determinação e o rigor na implementação de uma política de sustentabilidade ambiental recairia. as indústrias extrativas (mineração. a empresa demonstra maturidade para o diálogo e abre caminho para a obtenção do que se convencionou chamar “licença social para operar”. o conjunto de recursos não materiais. que levou o Governo norte-americano a aplicar o método de valoração contingente com o objetivo de avaliar a extensão dos danos e a obrigar a Exxon Corporation a indenizar suas vítimas. México e Argentina. em média. por exemplo. os países em desenvolvimento. esse cenário vem preocupando alguns segmentos industriais. Perder reputação pode representar um prejuízo financeiro incalculável. no Alasca – o maior da história americana – . Em estudo inédito realizado no Reino Unido. inevitavelmente. Porém. Ao reconhecer que não tem autonomia para decidir como explorar os recursos de uma determinada região. com 800 executivos. além da tsunami e do terremoto no Paquistão (com 70 mil mortes). houve mais tempestades tropicais (26) e mais furacões (14). Segundo dados de 1995. 40 óbitos ao longo das décadas de 80 e 90 (FREITAS. sugere que a alocação de recursos será tão fortemente orientada pela disponibilidade física do recurso natural. as indústrias do setor de petróleo e derivados. Pesquisa realizada no Brasil. petróleo & gás. De fato. a indústria química afeta. em média. representantes dos mais diversos setores encaram os custos ambientais como um investimento inerente ao negócio. por exemplo. concluiu-se que. 2002). PORTO e MACHADO. que não haverá espaço nem para a legislação ambiental nem para as políticas públicas se imporem. particularmente. seriam necessários. Com isso. porém outros segmentos. as gigantes do petróleo disputam a primazia de possuir as melhores tecnologias de energia renovável e de superar as metas na redução de emissões numa tentativa de mudar sua imagem pública desgastada por décadas na liderança da emissão de CO2. Finalmente. para a empresa recuperar sua credibilidade junto a opinião pública. concentravam 70% da indústria química do Continente. sobre as empresas. Brasil. demonstram maior capacidade de resposta. decorrer de uma década. Além de ser uma das mais poluentes. 5 . e muitas não resistem e pedem falência. particularmente.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Os desastres naturais e meteorológicos mataram 350 mil pessoas nos últimos 12 meses e provocaram prejuízos econômicos calculados em US$ 200 bilhões. cita-se o derramamento de 11 milhões de óleo bruto do petroleiro Exxon Valdez. na Era da globalização e na da chamada sociedade da informação. dez anos e oito meses e. conforme se exporá ao longo do Curso. Muitos autores consideram que. Stuart Hart (1977). Por serem mais visadas. não é apenas nos segmentos citados que essas forças de pressão vêm exercendo influência. num futuro próximo. os ativos intangíveis (isto é.

Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Figura 01: ameaças à reputação. Novas questões entraram na agenda da diplomacia mundial.1. Aliado a esse fenômeno. contribuiu para ampliar esta integração mundial. Com isso. introduziu novas técnicas de transporte e comunicação. 6 . O cenário internacional era bipolar. Na década de 70. na visão do empresariado. entre elas a da preocupação ambiental. e as principais organizações não governamentais. Os órgãos internacionais. fazendo com que as economias nacionais atingissem uma integração global.2 Esse conjunto de fatores conduziu a uma inevitável revisão dos valores empresariais. Pág. 1. se expandiram e aumentaram seu poder político. e a ameaça de ataques nucleares da Guerra Fria ainda era realidade. já que as preocupações passaram a ser globais. com Reagan nos EUA e com Tatcher na Inglaterra. de longa duração. ganharam âmbito internacional. em definitivo. Fonte: Matéria Folha de São Paulo28-01-2006. o termo aquecimento global foi mencionado pela primeira vez. As características e os momentos marcantes da trajetória já percorrida pelos setores produtivo e financeiro na direção da sustentabilidade serão tratados a seguir. o surgimento dos ideais neoliberais na década de 80. muito embora. como o Greenpeace. Com isso. A expressão “poluição ambiental” começava a fazer parte do vocabulário científico. o desenvolvimento sustentável seja um projeto em construção. Acreditava-se que as principais ameaças à Camada de Ozônio eram as turbinas dos aviões supersônicos (o Concorde tinha acabado de surgir) e as emissões de gases orgânicos pelos rebanhos. as decisões políticas e econômicas que. como a ONU. cresceram os grandes conglomerados empresariais que passaram a ter poder de ação e de influência para além de seus territórios nacionais. antes ficavam restritas aos Estados nacionais. Folha Dinheiro. ocorrida na década de 70. o fenômeno conhecido como globalização. consolidando. As fases da trajetória Década de 70 e a Conferência de Estocolmo A Terceira Revolução Industrial. possibilitando uma segmentação da produção nunca antes experimentada.

“leis internacionais apenas intencionais”. então. Costa Cavalcante. a teoria passou a fomentar debates nacionais e internacionais acerca do tema em foco. Essa discussão reuniu tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento e teve. recursos naturais e meio ambiente com o propósito de apontar possíveis caminhos para evitar o colapso do planeta. A Declaração de Estocolmo e seus princípios constituíram o primeiro conjunto de soft laws. na mesma Suécia. estabelecidas: uma moratória de dez anos sobre a caça comercial a baleias. por recomendação da Conferência. ou seja. de uma conferência internacional sobre o meio ambiente. a União Soviética e a maioria de seus aliados. na Suécia. A missão do PNUMA é a de “prover liderança e encorajar parcerias no cuidado com o ambiente. realizada em Estocolmo. surgia. inspirando. a prevenção de derramamentos deliberados de petróleo no mar e um relatório sobre o uso da energia até 1975. que colocou em pauta a discussão sobre a finidade dos recursos naturais planetários. um reflexo da bipolaridade política do período. surge a ideia. nasceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. população. sem aplicação obrigatória. para questões ambientais internacionais. 7 . ela defendia que os países parassem de crescer e voltassem suas atenções para a resolução dos impactos ecológicos causados pelo desenvolvimento anterior.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Um grupo de estudiosos integrante do denominado Clube de Roma se propunha a analisar variáveis como tecnologia. Ainda em 72. como principais ausências. ligada ao Ministério do Interior e usada como propaganda do Governo Médici. Denominada “teoria do crescimento zero”. motivou a criação de um órgão nacional de meio ambiente. Algumas metas específicas foram. a tese defendida do no relatório Limites do Crescimento foi fortemente rechaçada pelo Ministro do Interior. a teoria defendida no documento não foi aceita por nenhuma nação. A repercussão negativa da posição brasileira. com competência bastante limitada. que vinha sofrendo sérios danos em seus lagos devido à chuva ácida decorrente da poluição da Europa Ocidental. para ação e coordenação de questões ambientais no âmbito da ONU. No evento. porém. em 1972. No Brasil.030. previsto para o ano 2000. a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). alimentos. Desses estudos. foi produzida uma Declaração de 26 princípios e um Plano de Ação com 109 recomendações. criou-se o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP). considerada irreal e inviável. representante do País na Conferência de Estocolmo (1972). com o Decreto Federal no 73. de 30/10/1973. Esse documento foi um marco histórico para as preocupações ambientais e o caráter global das mesmas. Cerca de um ano depois. surge a publicação The Limits to Growth (“Limites do Crescimento”). Nesse contexto de maior atenção aos crescentes impactos ambientais. Apesar de não ser aceita. Dessa preocupação. No entanto. A Conferência de Estocolmo foi o evento que colocou o meio ambiente no foco das preocupações internacionais. que vivia o período da ditadura militar e do milagre econômico. informando e capacitando nações e povos a aumentar sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações” (ONU-BRASIL).

A situação ficou especialmente difícil em países onde milhões de pessoas se deslocaram por conta de guerras. A educação ambiental é essencial. 13. A ciência e a tecnologia devem ser usadas para melhorar o meio ambiente. Os países em desenvolvimento necessitam de recursos para desenvolver medidas de proteção ambiental. Devem-se promover pesquisas ambientais. 21. 26. a crise nos países em desenvolvimento foi um fato extremamente marcante no período. 3. Organizações internacionais devem ajudar a melhorar o meio ambiente. não esgotados. 4. Essas regiões. Fonte: Clarke & Timberlake. É necessário estabelecer um planejamento integrado para o desenvolvimento. 2. A partir daí. 8. Os Estados que sofrerem danos dessa forma deverão ser indenizados. em 1985 foi publicada. Um planejamento racional deve resolver conflitos entre meio ambiente e desenvolvimento. A poluição não deve exceder a capacidade do meio ambiente de neutralizá-la. O desenvolvimento é necessário à melhoria do meio ambiente. 15. 16. 22. Acessado em 28. O número de refugiados passou de cerca de 09 milhões de pessoas em 1980 para mais de 18 milhões no início da década de 90 (UNHCR. No âmbito econômico. 19. lidar com temas. pela primeira vez. 20. 5.2006. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis deve ser mantida. Como a interdependência entre o meio 8 . 10. a Ásia Ocidental. fato que causou grande surpresa tanto para políticos quanto para cientistas. por pesquisadores britânicos as medições do tamanho do buraco da camada de ozônio. o fim do mundo bipolarizado – simbolizado pela queda do muro de Berlim – trouxe importantes mudanças e consequências tanto na esfera européia quanto na mundial. As instituições nacionais devem planejar o desenvolvimento dos recursos naturais dos estados. A fauna e a flora silvestres devem ser preservadas. a América Latina e o Caribe. 23. A poluição danosa aos oceanos deve ser evitada. 25. No âmbito político. Os países em desenvolvimento requerem ajuda. Os Estados podem explorar seus recursos como quiserem. 2000). 11. a começar pela crise da dívida que atingiu a América Latina em 82. 24. 9. sítio do Ibama na Internet. Para exemplificar. Os recursos não renováveis devem ser compartilhados. para que realizem a gestão do meio ambiente. principalmente em países em desenvolvimento. As políticas ambientais não devem comprometer o desenvolvimento.Versão resumida dos Princípios da Declaração de Estocolmo (1972) 1.04. Os governos devem planejar suas próprias políticas populacionais de maneira adequada. como a África. desde que não causem danos a outros.1982. tornou-se de extrema importância nos debates políticos mundiais. Os recursos naturais devem ser preservados. Os países em desenvolvimento necessitam de preços justos para as suas exportações. citado em Integração entre o meio ambiente e o desenvolvimento: 19722002. 18. Armas de destruição em massa devem ser eliminadas. registravam um aumento pequeno de renda. 14. Os direitos humanos devem ser defendidos. Assentamentos humanos devem ser planejados de forma a eliminar problemas ambientais. Deve haver cooperação em questões internacionais. a década de 80 ficou conhecida como “a década perdida”. como pobreza e meio ambiente. 7. Para vários países em desenvolvimento. o apartheid e o colonialismo devem ser condenados. Década de 80: redefinindo o desenvolvimento sustentável A década de 80 pode ser definida como um período bastante peculiar em todo o mundo. 17. 12.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Box 01 . Cada país deve estabelecer suas próprias normas. 6.

Box 02 . tanto terrestres quanto marítimas. à água. na Ucrânia. A substância. Nele foi expresso pela primeira vez o conceito utilizado até os dias atuais e definido como aquele que “atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem as suas”. o conceito de desenvolvimento sustentável foi apresentado. A natureza deve ser protegida da degradação causada por guerras e outras atividades hostis. uma proteção especial deve ser dada a áreas singulares. colhendo as percepções de diferentes grupos sociais sobre questões relacionadas à agricultura. os níveis populacionais de todas as formas de vida. os habitats necessários devem ser protegidos. culturais e ecológicas. em 1989. silvestres e domesticadas.1986. quando 40 toneladas do veneno isocianato de metila em estado gasoso começaram a vazar da fábrica de pesticidas da americana Union Carbide. marinhos e atmosféricos usados pelo homem devem ser manejados de forma a alcançar e a manter uma produtividade sustentável e em condições favoráveis. • Os ecossistemas e os organismos. localizada a menos de 5 quilômetros de Bhopal. O relatório traduziu as preocupações com o meio ambiente que já se instalavam na sociedade. causa cegueira e leva ao bloqueio dos alvéolos pulmonares. no relatório Our Common Future (“Nosso Futuro Comum”). Reuniões foram conduzidas em países desenvolvidos e em desenvolvimento. à energia.Carta Mundial da Natureza: Princípios Gerais • A viabilidade genética da Terra não deve ser comprometida. chamando a atenção para o valor intrínseco das espécies e dos ecossistemas (ONU. foi criada a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) para realizar audiências em todo o mundo e produzir um relatório sobre suas conclusões. a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a Carta Mundial da Natureza (World Charter of Nature). o desastre nuclear em Chernobyl. explodiu um reator da central de Chernobyl que libertou uma imensa nuvem radioativa contaminando pessoas.10. devem ser ao menos suficientes para a sua sobrevivência e. com essa finalidade.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 ambiente e o desenvolvimento se tornava cada vez mais óbvia. Em 1983. à transferência de tecnologias e ao desenvolvimento sustentável em geral. por meio da sustentabilidade do desenvolvimento que implica uma mudança nas relações econômicas. Em pouco tempo. uma nuvem de gás letal atingiu Bhopal. A década de 80 também presenciou uma série de eventos catastróficos que marcaram de forma permanente o meio ambiente tais como o vazamento de gases letais na Índia na cidade de Bhopal em 2 3 1984 . em 1986 e o acidente do navio Exxon Valdez. devem estar sujeitas a esses princípios de conservação. Esses e outros eventos confirmaram que as questões ambientais eram sistêmicas e que lidar com elas requeria estratégias e ações integradas de longo prazo e participação de todos os países e de todos os membros da sociedade. A Estratégia de Conservação Mundial (World Conservation Strategy) foi um dos documentos mais importantes que ajudaram a redefinir o ambientalismo após a Conferência de Estocolmo. 9 . Resolução nº 37/7. 1986) (ver Box 02). 3 Em 26 de Abril de 1986. • Todas as áreas do planeta. Fonte: ONU. em 1987. animais e o meio ambiente de uma vasta extensão da Europa. Lançado em 1980. esse documento reconheceu que a abordagem dos problemas ambientais demandaria um esforço em longo prazo e a integração dos objetivos ambientais com aqueles relacionados com o desenvolvimento. Nesta década também. como resultado da Assembléia Geral das Nações Unidas. assim como os recursos terrestres. desde que não comprometam a integridade dos outros ecossistemas ou espécies com os quais coexistem. altamente tóxica. que despejou 41 milhões de litros de petróleo em uma área de vida selvagem no Alasca (EUA). a amostras representativas de todos os diferentes tipos de ecossistema e ao habitat de espécies raras e ameaçadas de extinção. a maioria em favelas. onde viviam mais de 900 mil pessoas. político-sociais. 2 A tragédia em Bhopal teve início nas primeiras horas do dia 3 de dezembro de 1984. de 28.

em 1998. Ainda durante a década de 90. daí em diante. Uma de suas finalidades é definir um padrão mundial para implementação de normas e diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental nas organizações. excluindo o comportamento predador do modelo desenvolvimentista predominante. com sede em Genebra. conhecida como “Cúpula da Terra” ou “Rio-92”. Essa conferência. Ficou claro que um número cada vez maior de atores teria de lidar com as implicações ambientais de suas atividades. considerada como a maior reunião do gênero já realizada. a natureza passou a ser vista como parte integrante de um sistema que originalmente deveria ser cíclico. formada por representantes de mais de 155 países. Entre os brasileiros. braço brasileiro do WBCSD. Em 1996. surgiu o selo ISO 14000 4. A década testemunhou catástrofes ambientais ainda maiores do que as ocorridas nos anos 80. despontam diversas iniciativas empresariais visando à adequação a essa nova proposta tecnológica. realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992. daria nascimento à Agenda 21 (Box 03). Década de 90: generalização da convenção do desenvolvimento sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se mais compreensível. na Suíça. 10 . o setor produtivo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Desse modo. funcionando como uma rede integrada internacional de órgãos de normalização em todo o mundo. de 1997. O agravamento da pobreza e da fome no mundo exerceu forte pressão para que se realizasse a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD). duas novas entidades forneceram as diretrizes que orientariam. definindo um novo padrão voluntário de manejo ambiental na indústria. e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. 4 A International Organization for Standardization (ISO) é uma organização não governamental criada em 1946. gerando um movimento de conscientização acerca da estreita correlação entre pobreza e crise ambiental. em particular as empresas líderes: o Centro Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). acompanhando a crescente globalização dos mercados.

nacional e local. A ideia é de que a Agenda 21 Local seja um documento de referência para a construção ou revisão de Planos Diretores. Contudo. como agricultura e cidades sustentáveis. por meio de uma metodologia participativa que una governo e sociedade. em 1997. mas também qualitativa. para a promoção de ações que estimulassem a integração entre o crescimento econômico. está em curso a segunda etapa. crescimento econômico e desenvolvimento eram encarados como indissoluvelmente conectados.Agenda 21 – Por Um Mundo Sustentável A Rio-92. o documento enfatizava o aumento da produtividade. integração regional e redução das desigualdades sociais como forma a compreender a complexidade do País e suas regiões dentro do conceito de sustentabilidade ampliada. Durante a Rio-92. segundo a qual a regulação da economia é tarefa do equilíbrio entre a oferta e a demanda. Transição para uma visão integrada de sustentabilidade Até a década de 90. infra-estrutura. enquanto. de zoneamento ecológico-econômico. 1. para as economias desenvolvidas do Norte. 11 . Tal esforço exigia mudanças culturais de comportamento. dessa maneira. aliado à justiça social e à conservação dos recursos naturais. tanto para o poder público como para a sociedade civil e os setores econômicos. inovação tecnológica e rede de cumplicidades formada por todos os setores sociais a se irradiar nos planos global. contribuindo. bem como a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais. Ao redefinir o conceito de desenvolvimento. também juntou organizações não governamentais de todo o mundo em um evento paralelo – o Fórum Internacional de ONGs e Movimentos Sociais. como um guia.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Box 03 . órgão presidido pelo Ministério do Meio Ambiente. cada país comprometeu-se a definir sua própria Agenda 21. além de reunir chefes de Estado e representantes oficiais de 179 países. a justiça social e a proteção ambiental. ou seja. Em 2002. Daí surgiria a Agenda 21. Apresentou-se. entre outros instrumentos de gestão. essa equação vinha sendo administrada pela cartilha da ortodoxia neoclássica. foram escolhidos temas centrais. nos países do Sul. com a função de conduzir a elaboração da Agenda 21 Brasileira. assegurando-lhe dimensão não apenas quantitativa. a implementação das políticas públicas propostas. gestão dos recursos naturais. Seus principais objetivos são a formulação e a implementação de políticas públicas.2. para a integração de ações de diferentes instituições em uma mesma localidade. foi concluída a primeira etapa de elaboração da Agenda. ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. cujas perdas crescentes deveriam ser consideradas contribuição negativa ao produto interno bruto (PIB) e às contas nacionais. que se constituiu no documento mais abrangente dessa conferência e selou um compromisso entre as nações participantes. de orçamentos participativos municipais. O Brasil criou. o estado de pobreza crônica da população requereu a criação de instrumentos econômicos e institucionais para sua superação. a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS). um conjunto de diretrizes. Para iniciar as atividades da Agenda. A Agenda 21 Local é o processo participativo e multissetorial de construção de um programa de ação estratégico dirigido para o desenvolvimento sustentável local. Atualmente. não sendo considerada a possibilidade de se desenvolver sem crescer.

desenvolvimento não tem sido debatida. é o principal organismo multilateral internacional de financiamento do desenvolvimento social e econômico. 1998). relações públicas. Na visão convencional do Banco Mundial. apontando a necessidade de envolver representantes da sociedade no processo de implantação dos empreendimentos. 1995. Com cerca de 183 países membros. Da mesma forma. que a compreensão nas empresas sobre o desenvolvimento sustentável está significativamente ampliada. motivadas. marketing e financeiro. essa convenção tem sido responsável pela deflagração de novos valores morais e éticos. o fluxo de exportações de mercadorias e de capitais do Norte para o Sul e o consequente retorno na forma de lucros e juros da dívida só poderiam continuar se a aceleração do crescimento econômico do Sul estivesse condicionada ao combate à pobreza. portanto. que tem sido apoiado pelas funções centrais da firma. contudo. para outros. merecendo em muitos casos gerência ou diretoria próprias. A problemática crescimento vs. pelo incremento do intercâmbio entre ambos. na ênfase dada às políticas de combate à pobreza nos países pobres aliadas à exigência de uma avaliação de impacto ambiental dos projetos por ele financiados. concluindo pela necessidade de redirecionar o desenvolvimento do Sul para um modelo de crescimento econômico ambientalmente sustentável. Essa mensagem significava a negação de limites ecológicos paralisantes ao desenvolvimento. admitindo-se que os problemas decorrentes do consumo ambientalmente predatório do Sul poderiam ser solucionados através de um padrão de “crescimento sustentável”. inclusive o Brasil. o guiará no futuro próximo. IFC. Ainda é muito comum a empresa acomodar-se no 5 O Banco Mundial é uma instituição financeira. Desenvolvimento sustentável e empresas: cosmética ou enraizamento social? Existem tantas definições sobre Desenvolvimento Sustentável quantas são as correntes teóricas e indivíduos que sobre ele se pronunciam. principalmente entre as multinacionais. pela urgência em minimizar os efeitos das emissões de gases na atmosfera e seus impactos na mudança climática. Para alguns. Já se admitia. do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. em 1997. 12 . conceitual e operacionalmente falando. É fato. enquanto. No entanto. relativamente aumentado. 1996). Tal raciocínio pressupunha que o ritmo de crescimento das economias industrializadas do Norte se manteria inalterado e. composta de cinco instituições afiliadas (BIRD. A sua ação destina-se. fundamentalmente. além. naturalmente. como os setores jurídico. AMGI. certamente. Para as empresas que atuam em áreas ambiental e socialmente sensíveis em países pobres. trata-se apenas de uma jogada de marketing visando a oportunidades comerciais (KORTEN. até mesmo. Apesar do expressivo número de organizações ambientalistas existentes no Brasil e no mundo. o diálogo entre elas e o setor produtivo apenas recentemente vem adquirindo um caráter de parceria efetiva. essa decisão do Banco foi crucial para a definição de uma política de responsabilidade social. principalmente. por mais paradoxal que isso pudesse parecer. Algumas empresas já estão discutindo seriamente esse cenário. uma nova linha de abordagem foi incorporada aos documentos oficiais da instituição. O meio ambiente adquiriu tamanho prestígio.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 O Banco Mundial5 sustentava que a extensão do padrão de consumo do Norte ao Sul embutia o elevado risco de comprometer a capacidade de uso e de recuperação dos recursos naturais – vale lembrar. encontram-se visões distintas no seio do empresariado. fundado em 1944. sobretudo. a relativa fragilidade do modelo de desenvolvimento mundialmente hegemônico. que o Sul é detentor da maior parte do estoque existente no planeta –. aos países mais pobres do mundo. AID. que ajudam a humanizar a empresa frente à sociedade (SCHMIDHEINY. O Banco Mundial apresentou um relatório ortodoxo. CIADI) e tem como missão o combate à pobreza. inovando. mas está implícita no debate empresarial sobre responsabilidade social e. como a maior fonte de financiamento de ajuda ao desenvolvimento.

Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Reduzir a mortalidade infantil. reversão da tendência de degradação de recursos naturais. ao saneamento. em setembro de 2000. a diminuição 13 . Concluiu-se. como prioridade. como. hoje. então. A Cúpula buscou formular um plano de ação factível. era necessária a ampliação de acesso a mercados alternativos. Foram acordados oito objetivos denominados “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”. a malária e outras doenças. pressupondo que a instituição é uma organização dinâmica. eliminar a extrema pobreza e a fome do mundo até 2015.) A Agenda 21 e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram instrumentos que se conjugaram para a realização do desenvolvimento sustentável. cada qual com suas metas e indicadores. presencia-se. Como se tratará ao longo do Curso. Atingir o ensino básico universal. que estabelecia. também. 2. mais do que a imposição regulatória e a pressão do mercado. ao abrigo. é preciso desenvolverem-se procedimentos e normas destinados a facilitar a interação social. Entre os desafios expressos no documento. em Johannesburgo. e modificando o seu discurso mas não a sua prática. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente. evoluindo para a fase normativa (abrindo espaço na estrutura organizacional) e. Combater o HIV/AIDS. a Cúpula do Milênio. que corresponderia ao que se denomina pejorativamente de "esverdeamento". independente de instrumentos de coerção ou de pressão). incorporando os princípios da sustentabilidade na cultura corporativa. aumento à proteção à biodiversidade e o acesso à água potável. Erradicar a extrema pobreza e a fome.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 processo “cosmético”. Em 2002 e como consequência direta da Rio-92 e da Conferência de Estocolmo de 1972. baseada em princípios de responsabilidade social. O ideal é a empresa ir além do marco regulatório. reagindo apenas à legislação. que está sempre aprendendo e que tem uma compulsão estrutural ao crescimento. em Nova York. por exemplo. para promover o desenvolvimento sustentável dos países. na África do Sul. ocorreu a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (CMDS). à energia. 3. Garantir a sustentabilidade ambiental. reunião promovida pela Organização das Nações Unidas. Realizou-se. 7. que. Melhorar a saúde materna. Por isso. Cúpula do Milênio e Rio + 10 Como decorrência da situação mundial em relação à fome e a pobreza. 2005. 5. conhecida como Rio+10. aprovados e adotados pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas. mencionou-se a continuidade de diversos problemas ambientais de caráter global. Nascia um documento denominado “Declaração do Milênio”. 8. Algumas metas já estavam delineadas. para a cognitiva (isto é. consolidou-se a consciência sobre a urgência de se fazer algo a respeito dessas condições. restauração de pesqueiros até 2015 e estabelecimento de áreas marinhas protegidas até 2012. a consolidação de uma nova modalidade de gestão empresarial. finalmente. Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres. a estratégia adotada pela empresa para gerenciar o relacionamento com a sociedade será a principal fonte de vantagem competitiva. Líderes de 189 países firmaram um pacto cujo foco principal é o compromisso de combater a pobreza e a fome no mundo. no qual seriam detalhados alguns objetivos alinhados aos princípios já definidos na Rio-92. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 1. 4. saúde e segurança. 6. Para tanto.

3.. Conforme relatado por Stephan Schmidheiny.. quanto no da relação com os stakeholders e principais instrumentos de gestão e boas práticas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 dos subsídios às exportações e a promoção de um conjunto de programas. Elementos da Ecoeficiência: • Reduzir o consumo de materiais com bens e serviços. endossado pela Conferência Rio92 como uma forma de as organizações implementarem a Agenda 21 no setor privado. são desenvolvidas. ainda. • Prolongar a durabilidade dos produtos. • Reduzir a dispersão de substâncias tóxicas. O termo “eco-eficiência” foi introduzido. eco-eficiência é o uso mais eficiente de materiais e energia. em linha com a capacidade estimada da Terra em suportá-los”. duas fases marcantes do processo de conversão à sustentabilidade: a fase da disseminação dos princípios da eco-eficiência. Segundo ele. ao mesmo tempo em que reduz progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida. a eco-eficiência é obtida pela “entrega de bens e serviços com preços competitivos que satisfazem as necessidades humanas e trazem qualidade de vida. Assim. • Intensificar a reciclagem de materiais. 14 . em 1992. no mínimo. A eco-eficiência se impõe Neste tópico. empresário suíço fundador do WBCSD..alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida. desde então. o WBCSD define ecoeficiência como sendo. e a da institucionalização das mudanças organizacionais provocadas pela aplicação dos princípios e tecnologias associados à sustentabilidade.. no prazo de dez anos. concluiu-se que o termo era o que melhor exprimia a meta de integrar a eficiência econômica e ecológica. Portanto. que incentivassem o consumo e a produção sustentáveis. Depois de acirrado debate. uma significativa ligação entre eficiência dos recursos (que leva à produtividade e à lucratividade) e responsabilidade ambiental. De acordo com o WBCSD. o termo ecoeficiência surgiu da necessidade de apresentar uma proposta empresarial de atuação na área ambiental para a Conferência do Rio. com mais objetividade. equivalente à capacidade de sustentação estimada da Terra. através de todo o ciclo de vida. a fim de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais. • Agregar valor aos bens e serviços. pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) (“Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável”) por meio da publicação do livro Changing Course (“Mudando o Rumo”). tanto no plano da produção. • Reduzir o consumo de energia com bens e serviços. a um nível. • Maximizar o uso sustentável de recursos renováveis. foi desafiante para o grupo composto de 50 empresários encontrar algo a dizer sobre meio ambiente e sobre desenvolvimento que "honrasse as realidades básicas do mercado". tem-se tornado sinônimo de uma filosofia de gerenciamento que leva à sustentabilidade. Esse conceito descreve uma visão para a produção de bens e serviços que possuam valor econômico enquanto reduzem os impactos ecológicos da produção e sugere. 1.. . em 1992. reduzindo progressivamente impactos ambientais dos bens e serviços.

o Brasil é o quarto país com mais certificados SA 8000. Assim. considerando a grande diferenciação entre as leis trabalhistas em cada país. era apenas o discurso. reduziam custos através de uma melhor racionalização dos processos produtivos. de maneira a reduzirem ou eliminarem emissões. A partir de um modelo de gestão. Além disso. Administrado pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA). incrementou a produtividade e a eficiência. Mesmo sendo uma referência em termos de certificação para as condições do trabalho. principalmente nas indústrias de petroquímica. trabalho forçado. e ainda existem aquelas que implementam apenas reformas simbólicas e medidas cosméticas (a chamada "lavagem verde") visando responder à legislação ambiental e usá-las como propaganda institucional. Além disso. devido ao elevado custo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Inicialmente. o principal obstáculo à adoção da gestão ambiental residia na concepção dominante de que meio ambiente e lucro eram adversários naturais. deve-se à maior influência dos agentes de pressão anteriormente descritos e à magnitude dos custos associados ao passivo ambiental. discriminação. essa prática avançou mais. práticas disciplinares. papel e celulose) e nas multinacionais. horário de trabalho. o Social Accountability 8000 (SA 8000) é o primeiro certificado social com reconhecimento internacional. metalúrgico. nos setores notoriamente poluentes (petroquímico. papel e celulose. efluentes e desperdício nas suas operações. Em grande medida. remuneração e sistemas de gestão. informações importantes começaram a ser monitoradas e potenciais ganhos de eficiência mapeados o que permitiu significativa economia de recursos. Durante a última década do século passado houve também uma enorme pressão para as empresas adotarem sistemas de gestão ambiental. O processo de internalização do conceito de desenvolvimento sustentável não evoluiu da mesma forma em todos os setores industriais e em firmas de todos os portes. a indústria assumiu uma posição mais cooperativa intra e intersetorialmente. também. saúde e segurança. liberdade de associação e direito à negociação coletiva. Contudo. 15 . tendo sido motivado pelo crescente clamor popular contra o trabalho infantil. além de reduzir lucros. nem tão aperfeiçoada quanto hoje. essa crença devia-se ao fato de o custo da tecnologia ambiental ser alto em virtude de não estar nem tão disponível. isto é. no uso de insumos e no desperdício. Se. Acreditava-se que a implementação da gestão ambiental. particularmente. devido à dificuldade que a empresa encontra em manter um mesmo padrão. é mais difícil estender uma mudança de forma homogênea em empresas de grande porte. as empresas sérias procuram se diferenciar das oportunistas.. a maioria das empresas procura em seus programas de gestão ambiental ganhar novos mercados e vantagem competitiva no curto prazo. induzida pela organização e compartilhamento de tarefas intrínsecas à gestão ambiental.. cuja localização e natureza das operações variam significativamente. Os itens verificados na auditoria obrigatória para se candidatar ao SA 8000 são nove: trabalho infantil. mais recentemente. que verifica. elevando os preços dos bens negociados. com o agravante de que o montante do passivo cresce na proporção dos impactos cumulativos. A evidência disso é a corrida à certificação que agrega valor ao produto representando um selo de confiança no sistema de gestão implementado pela empresa. automotiva e eletrônica. Os certificados mais procurados são os da série ISO 9000 e ISO 14000 e. Por essa razão. entre outros aspectos. o número de empresas certificadas é baixo. em poucos anos. as trajetórias em direção à adoção de estratégias ambientalmente sustentáveis diferem significativamente entre setores e entre empresas. a Norma ISO 26000 foi desenvolvida para tratar de responsabilidade social (ver tópico a respeito). mas. ficou patente que as tecnologias ambientais tinham um potencial inverso. Por outro lado. resultando em vantagem de custo sobre os competidores. as condições de trabalho em toda a cadeia produtiva. Ainda assim. Apesar de reconhecer que a maturação de novos produtos e processos é lenta. obrigaria a repassar os custos aos consumidores.

a crença de que maximizar retornos aos acionistas impõe ao executivo a adoção de estratégias pontuais e imediatistas. 2007). p. um produto deveria ser criado para. O papel dos gerentes Inicialmente. vendedores etc. 6 Como salientou Schmidheiny (1996). Um estudo recente comparou a performance de Companhias abertas que informaram. ter condições de ser reutilizado com suas propriedades inalteradas no metabolismo tecnológico. sejam devolvidas através da compreensão compartilhada por técnicos.. Harvard. de vê-lo como um indivíduo iluminado no sentido de ser o que melhor conhece a firma e seus ambientes (o mercado. negligenciando investimentos de maturação longa. mas. em especial ao top management. 81 16 . G. como nutriente. May-June 1990. particularmente as pequenas e médias.4. para ela. dentro da empresa.. ao final. O conceito do “berço ao berço” – cradle to cradle – busca resgatar o princípio cíclico da natureza. Índia e China. os consumidores). engenheiros. apresentam componentes de difícil decomposição ou altamente tóxicos sem que se dê solução adequada para degradá-los quando descartados. n. A tradição da teoria do gerenciamento em atribuir aos Gerentes. ao final de seu uso. a ideia de sustentabilidade passou a ser encarada com seriedade por um número significativo de companhias por iniciativa do seu corpo executivo (Diretores e Gerentes) e. em relação às questões ambientais. não é de todo verdadeira. uma vez que os acionistas procuram obter retorno futuro de seus investimentos na mesma proporção em que anseiam por rendimentos no presente. Um grande problema causado por esse tipo de ciclo de vida é que os produtos.. contando. Nesse contexto. estimulado pelos próprios acionistas que temem a desvalorização das ações devido aos escândalos corporativos. o setor. HAMEL. Do berço-ao-túmulo. em que dejetos servem de alimento: assim. rentabilidade operacional e rendimento do patrimônio líquido superiores às demais (Grzebieluckas. em seus Relatórios de Informação Anual de 2006 (ano-base 2005). a maior parcela de responsabilidade pela construção das competências centrais da firma deve-se ao fato de o Gerente personificar. a Bahia Sul Celulose e a Avon cosméticos.. a mudança de paradigma traz importantes consequências e avanços no desenvolvimento de produtos. 1. o contingente de empresas brasileiras certificadas só não é maior porque muitas delas não têm como arcar com os custos da certificação. pois. ou de voltar à natureza não como poluente. a certificação da ISO 14001 com as empresas que possuíam algum sistema de monitoramento ambiental e com as empresas que não apresentaram informação relacionada às questões ambientais. geralmente se pensa em ser 6 PRAHALAD. 3. C. Harvard Business Review. pessoal de marketing. De um modo geral. 68. a sociedade ampliada. começa a fase prática A maneira linear. os gerentes seniores estimulam a participação e a criatividade nos empregados e gerentes de todos níveis. o produto e seus componentes e materiais não terão serventia. Prahalad e Hamel (1990) atribuem ao Gerente o papel de criar condições para que as informações da sociedade fluam para dentro da firma e que. entre suas empresas. As empresas que possuíam certificação ambiental tiveram rentabilidade do ativo.K.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 perdendo apenas para a Itália. utilização e descarte – é entendida como “do berço ao túmulo” (cradle to grave) já que. Garantindo isso. levando-os a procurar respostas às expectativas e às necessidades da sociedade. "The core competence of the corporation". geralmente empregada para conceber o ciclo de vida de um produto – produção. em alguns casos. em geral. v. das necessidades dos consumidores e das oportunidades tecnológicas.

para a implementação do consumo sustentável. ao longo do uso e no descarte de produtos (CARISIO DE PAULA. quarto estágio: buscar ciclos tecnológico e biológico mais salutares. A partir desse estágio. faz-se necessária uma aproximação de pesquisadores e profissionais que atuem no desenvolvimento de produtos. Parte-se então. como no caso do conceito “berço ao berço”. estabelecido na norma britânica BS 7750 e pela Avaliação de Desempenho Ambiental (ADA). 2007 17 . Mudanças na forma de desenvolver e de produzir produtos podem ser influenciadas por restrições impostas por legislações ou certificações como a ISO 14000. Seguindo o pensamento “berço ao berço”. tudo associado à reflexão sobre a infraestrutura necessária ao uso do produto. agregar mais valor ao meio ambiente ao longo do uso e em seu posterior descarte. para tanto. menos prejudicial. V. a orientação é pensar em como um produto possa ser melhor. tomando uma posição realmente pró-ativa e realizando assim uma lista positiva. preconiza-se uma transformação real. podem-se relacionar práticas de ecodesign de projeto verde. o qual envolve considerar o meio ambiente como fator decisivo desde a aquisição. IX ENGEMA. além de não serem prejudiciais ao meio ambiente. Curitiba. III. buscando incorporar esses objetivos com o menor custo ao desempenho do produto. As análises realizadas neste estágio podem envolver conceitos abordados pelo Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA). Faz parte dessa busca um maior contato com grupos de pesquisa e. McDonough & Braungart. relatam no livro Cradle to Cradle (2002) cinco estágios pelos quais passam as organizações que procuram atuar com responsabilidade ambiental. 7 7 CARÍSIO DE PAULA. Além disso. que limpem o ar ou fertilizem o solo. terceiro estágio: é trabalhar na criação de uma lista das substâncias saudáveis a serem adotadas. segundo estágio: quando a empresa pode e faz questão de deixar claro aos clientes as propriedades e os processos envolvidos na produção de seus produtos. para guiar etapas de projeto e produção. sua vida útil ou sua funcionalidade. primeiro estágio: é a busca por um produto livre de substâncias reconhecidas pelo grande público como perigosas ou mesmo práticas mal vistas. é uma transformação bem mais profunda. fazer produtos que. contribuam para a sua melhoria durante e após sua vida útil. pondo em prática a lista positiva. IV. no qual o processo de projeto trata atributos ambientais como objetivos e não restrições. A Gestão e Sustentabilidade no Processo de Desenvolvimento de Produtos. II. a saber: I. muitas vezes incentivados na sociedade de consumo e tomados como estratégia empresarial.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 menos poluente. a partir da sua experiência no trabalho com empresas. quinto estágio: prevê reinventar conceitos. porém a aplicação de um novo paradigma. ou em atingir aos índices estipulados pela legislação reguladora. a discussão sobre o uso responsável de recursos contraria a excessiva substituição de produtos e ciclos de vida cada vez mais curtos. Nov. Partir da análise desses critérios. 2007).

Fundamentalmente. A mudança para empresas e serviços financeiros pautados na sustentabilidade. promover um “aumento radical na produtividade de recursos”. juntamente com a contabilidade financeira padrão. A primeira estratégia. Portanto. uma série de outras abordagens surgiu para tratar de vários níveis de planejamento dentro do contexto de mudança em direção à sustentabilidade. Argumenta-se a importância de se considerarem os custos e o retorno ambiental e social. restaure e expanda os estoques de capital natural” (Hawken et al. 2000). Dessa forma. visando enfrentar os efeitos irreversíveis das mudanças climáticas. De forma notável. esse conhecimento existe e está disponível. ou seja. mas sua efetividade depende do conhecimento acumulado e da existência de modelos estatísticos confiáveis e historicamente abrangentes de maneira a permitir uma atuação direta sobre seus efeitos. Por exemplo. Instituto Ethos. explorar as possibilidades do biomimetismo. esses impactos ficam evidentes no dano à reputação que as empresas sofrem após violações de direitos humanos ou quando questões ambientais vêm à tona. ambientais e sociais em suas operações. porém. 1999: 10-11). o trabalho recente sobre “capitalismo natural” amplia a ideia de ecoeficiência e ecologia industrial. Fonte: WAAGE. Uma outra contribuição conceitual à área foi o desenvolvimento do termo “triple bottom line” (Elkington 1997). todas as empresas produzem e são afetadas por impactos financeiros.5. pode ser compreendido como um passo inicial no sentido de mudanças de alcance muito maior. 1. A segunda estratégia. A terceira estratégia é estabelecer uma economia de serviço e fluxo através da criação de sistemas que assegurem que os bens circulem em vez de serem usados e descartados. Uma reavaliação dos negócios a partir de uma perspectiva sistêmica. para se determinar o resultado final. está totalmente alinhada com os objetivos da ecoeficiência. Julho de 2004. dentro do contexto da teoria do Capitalismo natural. a relevância dos conceitos de sustentabilidade para os negócios é evidente nos relatórios de grandes empresas consideradas responsáveis por milhões de dólares em custos para a limpeza de locais usados por fabricantes contratados que entraram com pedidos de falência (GEMI 2001). Sissel. SP. Na realidade. repercute em pesquisas e trabalhos sobre ecologia industrial. 2000). Além disso. essas estratégias oferecem um caminho a ser trilhado em direção à sustentabilidade. o termo questiona o resultado final único (financeiro). Mais especificamente. criar crescimento econômico e aumentar o emprego significativo” (LOVINS et al. com o objetivo de “redesenhar os sistemas industriais sobre linhas biológicas” para possibilitar a “reutilização constante de materiais em ciclos fechados contínuos e frequentemente a eliminação de toxicidade” (LOVINS et al. Finalmente. Juntas. o Capitalismo natural requer quatro mudanças iterativas nas empresas e organizações da sociedade. Na maior parte dos países desenvolvidos.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Capitalismo Natural (visão do The Natural Step) Ao longo da década de 1990. todos esses fatores sempre afetaram as empresas. o resultado final único irá cada vez mais refletir retornos ecológicos e sociais. a quarta estratégia se refere ao reinvestimento em sistemas ecológicos de forma a assegurar que a sociedade “sustente. um trabalho fortemente focado no aumento da ecoeficiência. em países pobres e em 18 . Contribuição da ciência Os últimos cinco anos foram pródigos em produzir recomendações e soluções de natureza adaptativa. apresentando estratégias específicas para “reduzir o dano ambiental.

as necessidades de investimento são muito altas. Segundo Paulo Moutinho. Finalmente. por exemplo. o clima era o principal indicador ambiental e orientava todas as etapas do ciclo agrícola) ostentam uma margem de vantagem expressiva para o sucesso de modelos adaptativos. Inovação A inovação pode ser classificada em dois tipos: incremental e radical. 19 . para a maior parte das indústrias. alguns países europeus. Harvard.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 desenvolvimento. alguns fatores dificultam a produção confiável desses dados. Ela pode trazer uma melhor performance para empresa inovadora com uma sensível redução de custos em médio prazo. recursos humanos e investimento em ciência e tecnologia. Innovation Handbook: A road map to disruptive growth. Já inovação radical é a invenção (criação) de alguma coisa nova no mundo. como o IBGE e o IPEA. o quanto as chuvas poderão aumentar ou diminuir. as trágicas consequências da seca de 2005 na Amazônia. próximo a Manaus. tardiamente. tem o poder de alterar profundamente a cadeia de suprimentos ou de valor agregado. Além disso. mas não a precipitação. apesar de haver instituições de informação estatística reconhecidas internacionalmente. no curto prazo. que. Inovação incremental é entendida como a melhoria ou a modernização de um produto. porque as modelagens climáticas acompanham apenas a variação da temperatura. favorecendo o inovador. como exemplo. uma inovação radical tem o poder de mudar as bases da competição de um determinado mercado. outro problema recorrente é o de as instituições brasileiras sofrerem interferência política que resulta em descontinuidade do trabalho de pesquisa. do IPAM. Nesse quesito. aperfeiçoar os modelos estatísticos. Se levar em conta apenas a propaganda. 8 Formas de intervenção destinadas a reduzir ou remediar um determinado impacto ambiental. que monitoram o comportamento do clima há centenas de anos (na Idade Média. como a França e a Inglaterra. que enfatiza o potencial que uma inovação radical tem de transformar um modelo de negócio existente de uma organização. a pesquisa básica associada a esses indicadores. mas não sabe como vai lidar com os impactos de mudanças que são inevitáveis”. ou ajudam. “o País ainda está mais focado nos mecanismos de mitigação 8. a produção de informações e de dados sobre indicadores ambientais ou não existem ou são escassos e imprecisos. Um deles foi ter-se iniciado. Strategy and Innovation Collection. que são fundamentais. Suplemento especial Clima em Mudança). dado que. carece de informações básicas sobre seu clima. No caso brasileiro. investindo pesadamente em pesquisa. ou mesmo de um mercado inteiro. Cita. 2005. serviço ou processo existente. ver-se-á que a maior parte das indústrias está direcionando seu foco para o estágio inicial da trajetória da sustentabilidade: a implementação dos 3R (reduzir. e deixou 250 mil famílias sem água para beber (O Estado de São Paulo de 05/12/08. C. Mesmo a Amazônia. é chegada a hora de mostrar concretamente os resultados da propalada eco-eficiência. reciclar). se encontra melhor mapeada. rompendo com os métodos e com as tecnologias já existentes. por sua magnitude e visibilidade internacional. Por isso. Não se sabe. Enquanto esperam. que matou cerca de 100 toneladas de peixe no Lago do Rei. reutilizar. utiliza-se o termo disruptive technology. Fonte: CHRISTENSEN. M. o tamanho e a diversidade biológica do País impedem uma replicação eficiente de modelos.

pagam contribuição ao Instituto.eur. Hoje em dia.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Logística Reversa – uma inovação incremental do tipo “berço ao berço” 9 Logística Reversa é um termo bastante geral. O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001. 3. As entidades de classe são Sócios colaboradores. No sentido mais amplo. indústria e poder público. até certo ponto. consumidores e autoridades esperam que os fabricantes reduzam o lixo gerado por seus produtos. Isso aumentou a atenção com o gerenciamento de resíduos. No entanto. não pagam contribuição ao Instituto. devido aos altos custos e aos impactos ambientais do descarte. 2. a Logística Reversa se refere a todas as atividades logísticas de recolher. PRM lida com o cuidado dispensado aos produtos e aos materiais depois do seu uso. mas participam das Assembléias Gerais sem direito a voto. desmontar e processar produtos usados. O InpEV adota a Logística Reversa que consiste em disponibilizar o caminhão que leva os agrotóxicos (embalagens cheias) para os distribuidores e para as cooperativas do setor e que voltaria vazio.fbk. ou seja. devido a novas leis de gerenciamento de resíduos. ou seja. a ênfase se voltou à recuperação. em vez de descartá-los. agricultores. representa a indústria fabricante de produtos fitossanitários em sua responsabilidade de conferir a correta destinação final às embalagens vazias desses produtos utilizados na agricultura brasileira. O Instituto foi criado após a instauração da Lei 9. Benefícios econômicos de usar produtos devolvidos no processo produtivo. Quais as alternativas que estão disponíveis para recuperar produtos.nl/OZ/REVLOG/Introduction. A maior parte dos produtos usados eram jogados fora com consideráveis danos ao ambiente. similares às que ocorrem no caso de devoluções internas de itens defeituosos gerados por processos produtivos. Leis locais que forçam as empresas a receber de volta seus produtos e cuidar de seu tratamento. entrou em funcionamento em março de 2002. possuem direito a voto. Recentemente. as empresas de manufatura não se sentiam responsáveis por seus produtos depois do uso pelos clientes. para trazer as embalagens vazias (a granel ou compactadas) armazenadas nas unidades de recebimento. Algumas dessas atividades são. Quais são os custos e benefícios da logística reversa. É possível integrar as atividades típicas da logística reversa com sistemas de distribuição e de produção clássicos? 5.974/00 que disciplina o recolhimento e a destinação final das embalagens dos produtos fitossanitários. Quem deve realizar as diversas atividades de recuperação? 3. A crescente consciência ambiental dos consumidores. Instituto Nacional de Processamento de Embalagens O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) é uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos. canais de distribuição. partes de produtos e/ou materiais para garantir uma recuperação sustentável (e benéfica ao meio ambiente).htm 20 . As empresas fabricantes são associadas como Sócios contribuintes. do ponto de vista econômico e ambiental? Tradicionalmente. participação em cargos eletivos e nas Assembléias Gerais. A gestão dessas operações pode ser chamada de “Gestão de Recuperação de Produtos” (Product Recovery Management – PRM). partes de produtos e materiais? 2. Obs: integra o Ranking Benchmarking Ambiental de 2008 9 Fonte: www. em seu rol de associados. A Lei divide responsabilidades a todos os agentes atuantes na produção agrícola do Brasil. A Logística Reversa lida com 05 questões básicas: 1. 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as 7 principais entidades de classe do setor. O inpEV possui. Logística Reversa significa o conjunto das operações relacionadas ao reuso de produtos e materiais. As principais razões para aderir à logística reversa são as seguintes: 1. Como essas atividades devem ser realizadas? 4.

As primeiras foram a da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). especificadamente a da Responsabilidade Social Empresarial. pode-se dizer que as certificações ambientais se inserem na linha evolutiva dos processos de gestão da qualidade total. impossíveis de serem reunidos por pequenas empresas. a BS 8800 (condições dignas de trabalho) e a BS 8855 (ambiental). em especial as mais recentes. envolvendo cerca de 300 pessoas e 77 organizações. Citam-se. que tornava obrigatória a realização de Balanços Sociais periódicos para todas as empresas com mais de 700 funcionários. tímido se comparado com a ISO 14000. porque envolve grande investimento financeiro. Estando a um passo de ser. as empresas passaram pela fase de publicação do Balanço Social (BS). cuja redação concluiu-se em 2008. porque. logo no inicio do texto. quando a empresa Singer divulgou. durante o seu processo. entre as quais se destacam a ISO 14000 (meio ambiente).6. o BS se propôs a fornecer um selo para as empresas que o publicassem. a empresa. a gestão em áreas como segurança e condição do trabalho. ao lado do tradicional balanço financeiro. compradoras ou contratantes de serviços. decidiu-se que a ISO 26000. que “o atendimento aos requisitos da Norma não significa que a organização é socialmente responsável. através do Ibase. Além disso. seus dirigentes e seu corpo funcional se engajam num processo reflexivo de autoconhecimento. liderada pela mais importante organização de padronização internacional – a International Organization for Standardization (ISO) –. Destinada a contemplar todos os aspectos associados à responsabilidade social. ONG fundada por ele. lançada. e as geradas por pressão dos mercados. Padrões e Certificações A normatização é um processo característico de grandes empresas. o poder dessas normas em conduzir a empresa a um patamar elevado de conversão à sustentabilidade é questionável. a OHSAS 18001 (riscos/acidentes) e a AA 1000 (prestações de contas). voltada à gestão ambiental. Principais Diretrizes. lançada em dezembro de 2004. embora ainda não esteja oficialmente implementada. a NBR 16001. por exemplo. a ISO 9000 (qualidade). CEEMAS (ambiental). em 1997. No Brasil. parte da estratégia das organizações.” De fato.000. trata-se mais de um sistema de gestão convencional e. A primeira versão de um BS surgiu na França. organizacional e humano. o Balanço Social foi um marco. Em 12 de julho de 1977. Devido à disseminação da convenção da sustentabilidade. O primeiro passo do processo de normatização é a realização de um diagnóstico interno. conduzem a empresa a exercitar a análise mais aprofundada sobre seus recursos e objetivos. o País foi pioneiro no lançamento de normas técnicas de Responsabilidade Social. com destaque para a SA 8000 (direitos sociais). até certo ponto. e a norma ISO 26. finalmente.769. o das suas atividades na área social. ainda. Antes disso. A NBR 16001 é bem realista em relação a sua influência. mas que possui um sistema da gestão de responsabilidade social. Lançado por Betinho. após quatro anos de trabalho intenso. Ocorre geralmente por pressão da concorrência e das empresas líderes. advertindo. o processo gerou muita polêmica e pouco consenso. já que ambas são voluntárias e não mandatórias. praticamente todas as normas surgidas na última década tratavam do sistema gestão ambiental. que se caracterizou por ter elevado as normas a um patamar superior da boa administração e são. cujo resultado pode levar a uma alteração profunda da missão e das estratégias da empresa. Existem dois tipos de normas: aquelas que são publicadas por mecanismos oficiais de normatização. também. Por essa razão. Muitas vezes. precede a escolha das ferramentas de gestão e das rotinas e procedimentos operacionais. o mais amplo e abrangente possível. Mais desafiante foi a elaboração da norma ISO 26000. ao contrário 21 . em 1972. Contudo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 1. Enquanto esse diagnóstico está sendo elaborado. foi aprovada a Lei 77.

e alterna o terceiro lugar com Índia.10 No caso da SA 8000. econômico e social das empresas. inclusive. tem o maior número de empresas signatárias do Pacto Global. cujo modelo de relatório de sustentabilidade ganhou tamanha visibilidade e credibilidade que sua eficácia está acima das normas certificáveis e dos padrões gerados no âmbito da competitividade inter-firmas. Rússia. mas um conjunto de diretrizes e recomendações. Entre os indicadores disponíveis. Outra crítica muito frequente no meio empresarial é a de que a maior parte dos selos e certificações na área social e ambiental no Brasil não tem prazo de validade. o GRI busca elevar o nível dos relatórios sobre o desenvolvimento sustentável realizados por empresas ao mesmo patamar de credibilidade. a parceria com organizações da sociedade civil é pré-condição para conquistar o selo. Criado para estabelecer uma base comum para os relatórios voluntários sobre o desempenho ambiental. credibilidade. não perderam o selo. Bradesco. O ingresso no DJSI tende a facilitar o acesso da Companhia a esses investidores. o Brasil é o único que tem empresa listada no DJSI. Itaú. Aracruz e Cemig. ver páginas 43 e 44 desta Apostila. o mais adotado por empresas de todo o mundo. A prática da auto-regulação: o modelo GRI de performance ambiental Entre as mudanças mais significativas assumidas pelas grandes corporações. atualmente. que está na terceira geração (ver BOX 05). De acordo com pesquisa da instituição. Dos países do chamado BRICS12. destaca-se o Global Reporting Initiative (GRI). Tendo por objetivo equiparar os relatórios de sustentabilidade aos financeiros. passando de 4 para 8. Lançado em 1999. não seria uma norma de certificação. Petrobras. o Dow Jones Sustainability Index é um índice que monitora o desempenho financeiro de empresas consideradas líderes em sustentabilidade. sendo 60 delas brasileiras. além do mais. à semelhança de tantos outros. periodicidade e legitimidade da informação. dobrou o número de empresas brasileiras citadas no Dow Jones Sustainability Index (DJSI)11. nem sistema de verificação. Índia e China. Desde setembro de 2008. empresas que. 13 Principles for Responsible Investments – iniciativa da ONU que estabelece princípios que norteiam a incorporação de critérios sociais e ambientais nas decisões de investimento. Existem. mantidas na nona revisão anual do índice. a metodologia adotada no acompanhamento das diretrizes e dos indicadores permite comparabilidade. Fundos que gerenciam mais de quatro trilhões de dólares também são signatários dos Princípios de Investimentos Responsáveis13 da ONU. mesmo tendo sido vendidas e alterado seu sistema de gestão. É a mais bem sucedida dentre essas iniciativas voluntárias autoaplicáveis. podem ser usados para sempre pelas empresas. Integrar o DJSI só traz vantagens para a empresa. mais de 1000 empresas. produzem seus relatórios com base no modelo GRI. entre 2003-2005. Atualmente. sem que seja necessário se submeter a um processo de avaliação externa para sua renovação. comparabilidade e consistência.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 da 9000 e da 14000. Itaúsa. O Brasil está entre os quatro países com mais certificações na norma SA 8000 no mundo. São elas: Votorantin Papel e Celulose. uma vez conquistados. que destacaram-se no cenário mundial pelo rápido crescimento das suas economias em desenvolvimento. da ONU. destacam-se os relatórios de sustentabilidade e a produção de indicadores e sistemas de avaliação. o segmento de investidores que inclui responsabilidade social entre os itens considerados na hora de investir aumentou em torno de 180%. após Itália e China. 10 11 Sobre o Pacto Global. 12 É uma sigla que se refere a Brasil. Assim. 22 . Usiminas.

cuja missão é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. O modelo proposto pela organização determina princípios e estrutura um modelo para relatar. ativistas de direitos humanos. 23 .Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 BOX 05: GRI – GLOBAL REPORTING INITIATIVE O que é É a iniciativa que marca a primeira vontade em escala mundial de chegar a um consenso a respeito de uma série de diretrizes de comunicação sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas. organização internacional com sede em Amsterdã. Parte D – glossário e anexos: orientações e recursos adicionais para usar as Diretrizes. • avaliar internamente a consistência entre a política de sustentabilidade corporativa e sua efetiva realização. a GRI desenvolve diretrizes setoriais (Financeiro. agências da ONU. Objetivo A GRI busca estabelecer um padrão internacional de relatório econômico. firmas de auditoria e consultoria. instituição não governamental americana composta por organizações ambientais. Além das diretrizes globais. a G3. tornando-se um processo internacional. Automotivas. Metais e Mineração. Parte A – utilizando as Diretrizes: instruções gerais sobre o uso das Diretrizes. na terceira versão. investidores institucionais. A ideia de estabelecer um padrão global para relatórios não exclusivamente financeiros surgiu em 1997. lançará diretrizes nacionais. social e ambiental. permitindo às organizações a apresentação geral de seu desempenho econômico. entre outras. O documento divide-se em cinco partes: Introdução: tendências que motivam os relatórios de sustentabilidade e os benefícios gerados. hoje. Telecomunicações. profissionais de investimento socialmente responsável e investidores institucionais. • estabelecer metas. de trabalhadores. Origem Ferramenta criada pela Global Reporting Initiative (GRI). religiosos. lançada em outubro de 2006 e já traduzida para o português. Operadoras de Turismo. na Holanda. • identificar as melhorias alcançadas nos diversos aspectos. Seu objetivo é elevar a qualidade dos relatórios a um nível passível de comparação. • reportar se os objetivos foram ou não atingidos. consistência e utilidade. Conteúdo A estrutura e o conteúdo são constantemente revisados e atualizados por meio de um processo participativo envolvendo diferentes setores da sociedade mundial. Parte B – princípios para a Elaboração de Relatórios – princípios e procedimentos que promovem o rigor dos relatórios e que norteiam o uso das Diretrizes. Parte C – conteúdo do relatório: conteúdo e compilação de um relatório. social e ambiental. e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A primeira versão das Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade data de 2000 e foi construída dentro de um processo de engajamento voluntário de diversas partes interessadas: representantes do setor empresarial. a partir de uma parceria entre a Coalition for Environmentally Responsible Economy (CERES). organizações trabalhistas. cuja principal proposta é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes e incorporar numerosos indicadores de sustentabilidade para a elaboração de relatórios de sustentabilidade (Sustainability Reporting Guidelines). no futuro. Agências Públicas. Propicia a comparação com o mercado. já que estabelece padrões (indicadores) e ainda serve como uma plataforma para facilitar o diálogo e o engajamento de stakeholders. As diretrizes se encontram. A GRI encoraja as empresas a: • reportar o processo de implementação dos princípios. entre outras) e. ONGs.

Inclusão dos stakeholders . A GRI entende que a elaboração de um quadro de referência. ainda. Equilíbrio . comparabilidade. Clareza . confiabilidade. sociais e ambientais mais significativos do período de cobertura do relatório. abrangência. A pontuação dos relatórios na pesquisa variou desde a máxima de 54% (Natura) até a mínima de 35% (Banco Itaú). serem consideradas em três níveis de adesão ao modelo GRI (A. equilíbrio. Abrangência . de maneira progressiva ou.As informações apresentadas no relatório precisam ser comparáveis para permitir que os stakeholders avaliem as mudanças ocorridas ao longo do tempo e comparativamente à outras organizações. clareza. periodicidade. a GRI criou um ícone a ser inserido no relatório. social e ambiental constitui um trabalho de longo prazo. Há uma versão para pequenas e médias empresas. Essa análise da GRI se atém apenas aos itens de divulgação. na qual a pontuação máxima foi de 80% (British Telecom) e a mínima de 39% (Telus).As informações do relatório precisam cobrir temas e indicadores que reflitam os impactos econômicos. A+. sociais e ambientais mais significativos para do setor. Tais resultados podem ser comparados aos da pesquisa global de 2006.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 A GRI propõe um conjunto de indicadores organizados nas dimensões econômica. O sinal “+” indica que o relatório passou por um processo de verificação externa. Periodicidade . subdivididos em categorias. B+.O relatório precisa trazer aspectos positivos e negativos da performance da organização de forma balanceada. Os princípios para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade são os que seguem: materialidade. precisão. e em indicadores quantitativos ou qualitativos. Passo-a-passo As organizações podem utilizar as Diretrizes como referência informal. Comparabilidade . C. Contexto da sustentabilidade . Os 10 relatórios brasileiros 24 .As informações do relatório precisam ser precisas e suficientemente detalhadas para que os stakeholders possam devidamente avaliar a performance da empresa. qualquer que seja o seu nível de experiência na matéria. aspectos. não tendo fins de verificação. com média de 47%. B. Confiabilidade . e não ao conteúdo do relatório. A classificação em cada um dos Níveis de Aplicação é feita por autoavaliação. Entendendo os Princípios Materialidade . utilizando uma metodologia de pontuação padronizada. Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e PNUMA. A escolha dos indicadores depende das características e prioridades de cada organização e de suas partes interessadas.O relatório precisa apresentar a performance da empresa frente ao contexto de sustentabilidade. para prestação de contas econômico.O relatório precisa identificar os principais stakeholders e explicar como a empresa procedeu frente às suas expectativas e interesses.As questões materiais e indicadores devem refletir os impactos econômicos. Cada uma dessas categorias possui uma série de requisitos a serem atendidos. ficando a média em 57%. inclusão dos stakeholders. Precisão . C+). além daquele que informa que o relatório foi examinado pela própria GRI. ordenou dez relatórios de sustentabilidade de empresas brasileiras. Pontos fracos dos relatórios de sustentabilidade A pesquisa realizada pela SustainAbility.As informações apresentadas no relatório precisam ser rastreáveis e relevantes frente às questões materiais. Para cada um dos níveis. ambiental e social.As informações apresentadas no relatório precisam ser claras e compreensíveis por todos os stakeholders. contexto da sustentabilidade.A publicação do relatório deve ocorrer com regularidade e de forma que permita a avaliação dos stakeholders para tomadas de decisão.

FBDS. engajamento das partes interessadas (stakeholders) . Ampla. e ofereceu elementos para você avaliar o estágio em que se encontra sua organização neste processo. de modo a auxiliar a focar os relatórios nos assuntos prioritários. Energias do Brasil. Com isso. Suzano Petroquímica. mensuráveis e comparáveis (no lugar de declarações de intenções apenas). abrindo caminho para o diálogo entre stakeholders.utilização da mídia on-line ou demais ferramentas de comunicação para aperfeiçoar e aprofundar o conteúdo dos relatórios impressos. definindo novas estratégias comerciais e buscando adquirir competência na gestão socioambiental. Questões para refletir/responder:    O que caracteriza o desenvolvimento sustentável? O que é eco-eficiência? Quais as vantagens da certificação? Atividades: Selecione uma empresa que possui política de responsabilidade socioambiental e avalie se suas práticas estão de acordo com os princípios da eco-eficiência e da responsabilidade social. tais como especialistas. a transparência nas informações.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 que estão na liderança são por ordem decrescente: Natura. obrigando as empresas a se adaptarem. 14 Revisão do conteúdo A Unidade 1 tratou principalmente do contexto histórico que articula os dois fenômenos.abordagem de desafios e falhas. Coelce. PNUMA Rumo à Credibilidade. e a adoção de novas atitudes impactam diretamente a cultura corporativa.métodos utilizados para identificar e priorizar questões materiais. As parcerias. utilização dos websites . conteúdo equilibrado .metas específicas.liderança do Conselho de Administração e estruturas de governança para cumprir as metas da sustentabilidade. e com os passos recomendados pelo GRI (Global Reporting Initiative). 14 SustainAbility. Bunge. Sabesp. em particular. a visão da sociedade sobre o papel e as responsabilidades do empresariado também muda. comunidades e ONGs. Entre as principais conclusões. podemos afirmar que o surgimento de novas convenções (desenvolvimento sustentável e responsabilidade social empresarial) muda o padrão de concorrência. Celulose Irani e Banco Itaú. metas . Global Reporters. cabe destacar a ausência de: governança . Banco Real. dos fatores impulsionadores deste movimento no mundo e no Brasil. demonstrando como a sustentabilidade permeia os negócios. expondo as notícias ruins ou problemáticas em conjunto com as boas. Os documentos analisados na pesquisa Rumo à Credibilidade indicam a necessidade de aprofundar o valor estratégico dos relatórios. materialidade . Entre as falhas encontradas.a manifestação das partes interessadas. 2008 25 .

os institutos criados e geridos pelas grandes empresas e as entidades que representavam interesses setoriais voltadas. Cabe agora às empresas aprofundarem suas experiências nessa área e melhorarem. Campo institucional da RSE: O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Numérica e qualitativamente. explicando sua relação com o desenvolvimento sustentável. com destaque para o Instituto Ethos de Responsabilidade Social e o Protocolo de Quioto.1. por meio da ação de entidades não governamentais. Segundo esse Instituto. 2. você conhecerá as principais instituições e suas idéias. institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas com a questão.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Unidade 2 A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) Emerge Objetivos Nesta Unidade. continuamente. O modelo de BS do IBASE foi o mais utilizado pelas empresas até recentemente. e entender as vantagens para a empresa quando adota práticas responsáveis. o campo institucional no qual se movimenta o setor privado cresceu e tornou-se enormemente complexo ao incorporar a visão da Responsabilidade Social Empresarial. exclusivamente. por centenas de empresas brasileiras. consultorias e institutos que promovem a responsabilidade social corporativa no Brasil. a intermediar a relação entre o empresariado e os demais grupos sociais. apresentaremos as instituições que nasceram com o objetivo de orientar as empresas a adotarem uma atitude mais responsável perante a sociedade. Ao final da leitura. indicando como fazer. seus indicadores”. No Brasil. o IBASE anuncia o fim do modelo de Balanço Social: “A partir de 2010 o Ibase não mais atualizará seu modelo de Balanço Social. o termo "responsabilidade social" pressupõe uma forma de conduzir os 15 Em mensagem disponibilizada no site. sejam atores de mudança social.br. 15 A obtenção de certificados de padrão de qualidade e de adequação ambiental. também é outro símbolo dos avanços que têm sido obtidos em alguns aspectos importantes da responsabilidade social empresarial. sejam construtores de uma sociedade melhor. como as normas ISO. Neste sentido. trataremos do contexto que gerou o movimento da RSE. no Brasil e no mundo. o movimento de valorização da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) ganhou forte impulso na década de 90. tendo sido cancelado pela própria entidade. Acessado em 23-08-2010. sob o argumento de que seu uso já está suficientemente disseminado. avaliamos que a nossa missão foi cumprida – e com êxito. e estará apto a definir conceitos. em 2010. entendemos que esta ferramenta e esta metodologia já se encontram amplamente difundidas entre empresas. Praticamente todas as empresas brasileiras já realizam algum tipo de balanço ou relatório social anualmente. Fonte:www. O trabalho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) na promoção do Balanço Social (BS) constituiu-se em uma de suas expressões e alcançou grande repercussão. As enormes carências e desigualdades sociais existentes no País dão à responsabilidade social empresarial relevância ainda maior. Ao lado do espantoso crescimento das parcerias entre empresas e ONGs. proliferaram as fundações. Criado em 1998.balancosocial. Após 13 anos buscando a transparência das empresas por meio do balanço social. A sociedade brasileira espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: sejam agentes de uma nova cultura.org. o Instituto Ethos de Responsabilidade Social foi um ótimo sinalizador dessa tendência por seu pioneirismo e pela legitimidade conquistada ao longo de uma década de atuação. como Governança Corporativa. 26 .

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 2

negócios da empresa em parceira, compartilhando responsabilidades com todos os segmentos sociais. Sendo uma instituição sem fins lucrativos, o Ethos visa mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, de maneira a contribuir para a construção de uma sociedade ambientalmente mais sustentável e economicamente justa. Na concepção do Ethos, RSE é “a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais” e a empresa socialmente responsável será aquela que “possui a capacidade de ouvir os interesses de representantes das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e consegue incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários.” (site Ethos, 2010) A atual geração de executivos deve estar capacitada a lidar com todo tipo de stakeholder,16 e familiarizada com conceitos, até recentemente restritos ao mundo das entidades do chamado Terceiro Setor. Para apoiar essas novas atribuições, são criadas metodologias e ferramentas de gestão social. No relatório de 2005, o Ethos reconhece a existência de diversas novas organizações e ferramentas correlatas, tais como o GRI, a SA 8000, da ONG Accountability, além de declarar sua adesão a diretrizes do Pacto Global, lançado pela ONU, e aos Objetivos do Milênio.

BOX 06: Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização não governamental criada com a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Seus 1124 associados – empresas de diferentes setores e portes – têm faturamento anual correspondente a cerca de 30% do PIB brasileiro e empregam perto de 01 milhão de pessoas, tendo como característica principal o interesse em estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente. Idealizado por empresários e executivos oriundos do setor privado, o Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade corporativa. É hoje uma referência internacional no assunto e desenvolve projetos em parceria com diversas entidades no mundo todo. O Instituto atua em cinco áreas: 1. de ampliação do movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE); 2. de aprofundamento de práticas em RSE; 3. de influência sobre mercados e seus atores mais importantes no sentido de criar um ambiente favorável à prática da RSE; 4. de articulação do movimento de RSE com políticas públicas;

16

Um stakeholder é qualquer pessoa que tenha interesse no que a companhia faz, independentemente de estar diretamente vinculado a ela; stakeholder é também qualquer pessoa que influencie, direta ou indiretamente, a Companhia, ou que possa vir a afetar suas operações. Na concepção moderna, considera-se como potenciais stakeholders todas as pessoas que habitam, trabalham, atuam institucionalmente, ou tenham propriedades, na área de influência do empreendimento, embora seja possível diferenciar os chamados stakeholders primários (mais influentes) dos secundários. Quanto maior a presença geográfica e econômica da empresa, maior o número de pessoas que podem, legitimamente, reivindicar a posição de stakeholder, estendendo-se, por conseguinte, a responsabilidade da empresa a eles.

27

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 2

5. de produção de informação sobre RSE. Os Indicadores Ethos - compõem um instrumento de diagnóstico sobre a situação específica da empresa, indicando o grau de efetivação da responsabilidade social em suas atividades. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de gestão e de planejamento que indica prospectivamente – a partir da situação da empresa – políticas e ações voltadas para o aprofundamento de seus compromissos sociais. Os indicadores referem-se aos seguintes temas: Valores e Transparência; Comunidade Interna; Meio Ambiente; Fornecedores; Consumidores; Comunidade; Governo e Sociedade.
Fonte: Instituto Ethos. Sítio na Internet. Acessado em 02.08.2010

2.2. O relacionamento com o Terceiro Setor
Na Holanda e no Canadá, países com os índices mundialmente mais baixos de poluição ambiental, pesquisas realizadas no início da década de 90 apontavam que os principais agentes impulsionadores da adoção da gestão ambiental foram, em primeiro lugar, as regulações governamentais e, secundariamente, a vontade dos consumidores. As organizações ambientalistas não exerciam, ainda, influência decisiva como fonte de pressão. As mesmas pesquisas levantaram as percepções dos agentes para a segunda metade da década. Concluíram, então, que as tendências apontavam para a generalização e o aprofundamento da gestão ambiental, mas indicavam, também, a progressiva pressão que as ONGs viriam a exercer. Ao apontar uma gama diferenciada de potenciais riscos ambientais, essas organizações contribuiriam para tornar complexo o Plano de Gestão Ambiental e forçar medidas mais avançadas por parte das empresas. No Brasil, sua influência não tem sido menor. Em recente pesquisa realizada pelo Instituto Ethos com mais de mil consumidores, o apoio a projetos comunitários e a entidades sem fins lucrativos foi apontado como um importante requisito na avaliação da empresa: 59% dos entrevistados acreditavam que essas práticas são referência de comportamento empresarial ético. Esses resultados demonstraram que o bom desempenho da política de comunicação social da empresa seria um fator essencial na manutenção de posição competitiva. Atender às expectativas da sociedade não era considerado parte da responsabilidade da empresa até o momento em que as ONGs começaram a pressionar por mudanças mais profundas. Hoje, esse relacionamento está mais maduro: as ONGs são encaradas pelo setor produtivo com mais seriedade, sua função social é respeitada e suas habilidades específicas são reconhecidas. Por conseguinte, observa-se uma tendência cada vez mais acentuada de flexibilização de um discurso anticorporativo por parte das organizações do Terceiro Setor. As empresas respondem definindo metas para a redução de emissões, criando departamentos especialmente voltados ao meio ambiente e as relações corporativas, apoiando diretamente as ONGs, e até criando suas próprias organizações sem fins lucrativos e fundações, destinadas a gerenciar seus investimentos em projetos sociais. Os primeiros embates travados com as ONGs dirigiram-se às multinacionais que operavam em regiões economicamente pobres mas ricas em fontes energéticas e em biodiversidade. A poderosa organização não governamental Greenpeace foi uma das pioneiras. Fundada em 1971, no Canadá, a entidade notabilizou-se por organizar duras campanhas contra as multinacionais responsáveis por danos ambientais. Seu estatuto proíbe receber doação de empresas ou Governos, e sua arma é a denúncia pública e a mobilização popular através da panfletagem, realizada por um exército de 3 milhões de voluntários, espalhados por 29 países.

28

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 2

O Greenpeace instalou-se no Brasil por ocasião da Conferência do Rio, em 1992, e seu primeiro ato foi fincar 800 cruzes brancas em frente à Usina de Angra I. A entidade atua, principalmente, em defesa da Floresta Amazônica e na campanha contra o programa nuclear brasileiro. A experiência adquirida ao longo da última década levou a entidade a propor, em 2002, o que chamou de Princípios de Bhopal sobre Responsabilidade Corporativa. Trata-se de um conjunto de dez princípios sugerindo medidas que leve as empresas a agirem com mais responsabilidade, segundo os acordos firmados durante a Conferência realizada no Rio de Janeiro. Na visão do Greenpeace, as iniciativas voluntárias das empresas no que respeita ao desenvolvimento sustentável, como a Global Reporting Initiative (GRI),* entidade sem fins lucrativos que reúne sugestões para aperfeiçoar os relatórios de sustentabilidade ambiental das empresas, as diretrizes da Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) e o Global Compact – iniciativa do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, visando à adesão voluntária das empresas a nove princípios relacionados aos direitos humanos e ao meio ambiente –, demonstraram ser insuficientes e ineficazes. A entidade defende a criação de instrumentos legais de controle de âmbito internacional, definindo direitos e deveres das corporações, e os respectivos monitoramento e verificação dos comportamentos corporativos (ver Box 07). Caberia às empresas arcar com todos os custos de compensação por danos e disponibilizar todas as informações aos interessados. BOX 07: Greenpeace – Princípios de Bophal e Responsabilidade Social Corporativa. Princípio n. 2: ampliar a responsabilidade corporativa. As corporações devem ser responsabilizadas independente de culpa por todo e qualquer dano advindo de quaisquer de suas atividades que causem danos ao meio-ambiente, a propriedades ou pessoas, incluindo remediação do local atingido. As matrizes, bem como as subsidiárias e empresas locais afiliadas, devem ser responsáveis pela compensação e pela restituição. A responsabilidade das corporações por seus produtos deve se estender por todo o ciclo de vida do produto, desde a produção até a disposição final. Os Estados devem responsabilizar diretores e representantes das corporações, enquanto pessoa física, pelas ações ou omissões das empresas que representam, incluindo as ocorridas nas subsidiárias. (Greenpeace, 2003)

2.3. Ambientalismo Empresarial: podem as corporações administrar o mundo?
Com esse título provocativo, David Korten escreveu um dos mais contundentes manifestos contra o crescente poder das multinacionais, no qual questiona se “Podem as grandes corporações liderar a mudança no padrão de desenvolvimento econômico hegemônico em direção ao desenvolvimento sustentável? Podem intervir no rumo das políticas de sustentabilidade ambiental em escala nacional e internacional?” Ao longo do processo de consolidação da gestão ambiental, cresceu e ganhou projeção internacional uma vertente do pensamento empresarial preocupada em compreender a relação entre Meio Ambiente e Desenvolvimento, vertente a que se denominou de ambientalismo empresarial. Segundo seus adeptos, essa relação deve desenvolver-se de forma lenta e gradual, viabilizada através de instrumentos econômicos e políticos convencionais de maneira a não perturbar, abruptamente, o funcionamento do mercado. A Economia Ambiental, de base neoclássica, se insere nessa perspectiva. Apesar de as origens do ambientalismo empresarial ocidental remontarem há mais de duas décadas e de suas concepções básicas terem sido construídas a partir da Conferência de Estocolmo, de 1972, o 29

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 2

seu marco histórico ocorreu durante a preparação da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Essa conferência representou a culminância de um processo de discussão, registrando incontáveis manifestações a favor da sustentabilidade ambiental, partindo das mais diversas áreas de conhecimento, seja na forma de publicações acadêmicas, seja em material de cunho mais panfletário e político. A partir daí, soaram mais fortemente os alarmes anunciando o estado terminal de um modelo de desenvolvimento que cresceu em choque com a dinâmica da natureza. A rápida disseminação dos resultados da Eco-92 gerou uma inquietação generalizada ao redor do mundo, forçando o setor produtivo a dar uma resposta consistente ao problema, em grande medida, por ele criado. Resultou desse processo a internacionalização do Business Council for Sustainable Development (BCSD), ao qual foi acrescentado o adjetivo World (“mundial”). Desde então, o WBCSD destacou-se como a mais representativa entidade empresarial dedicada à causa do desenvolvimento sustentável baseado na eco-eficiência. Atualmente, a organização é uma coalizão de 165 empresas de presença internacional, distribuídas entre vinte setores econômicos e está presente em mais de 30 países, além de uma rede formada por 43 conselhos nacionais ou regionais, espalhados por 39 países. No Brasil, a adesão do empresariado nacional à eco-eficiência começou alguns anos mais tarde, tendo sido impulsionada pela criação, em 1997, do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentával (CEBDS), representação brasileira do WBCSD. A entidade representa 60 grandes grupos empresariais, que respondem por mais de 30% do PIB nacional e que representam aproximadamente 450 unidades produtivas das mais variadas atividades produtivas. À época, as ideias do BCSD e de seu fundador, Stephan Schmidheiny, foram apresentadas no livro sugestivamente intitulado, Mudando o Rumo (Changing Course). Essa publicação foi considerada um marco na história empresarial, pois representou a primeira resposta consistente e unificada da comunidade de negócios à causa ambiental. Nele, o autor apresentou um projeto de transformação econômica global no qual as empresas são os protagonistas e o mercado, o seu sinalizador. Apontou as competências que o setor privado possuía para gerenciar essa mudança, mas, praticamente, colocou em polos opostos empresa e Governo, o que contrariava interpretações que defendiam enfaticamente relações sinérgicas entre esses atores. Quatro anos depois, em 1996, Schmidheiny lançou um novo livro – Financing Changei/. – em parceria com Frederico Zorraquin. Dirigido a um outro momento, a meta, então, era atrair a comunidade financeira para o modelo de desenvolvimento sustentável, sob o argumento de que, até o momento, apenas as grandes corporações industriais teriam atingindo a maturidade no tocante à questão ambiental, enquanto as pequenas e as médias empresas e, principalmente, os bancos, estariam no estágio inicial de debate da questão. Protocolo de Quioto Um dos problemas ambientais mais preocupantes deste século é o aquecimento global. Sendo causado pela intensificação do efeito estufa, provoca o derretimento das geleiras, aumenta o nível do mar e a desertificação, alterando o suprimento de água doce e agravando os eventos climáticos extremos. Essa intensificação, por sua vez, ocorre pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, tais como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), oriundos, principalmente, da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral), lixões, aterros sanitários, processos industriais e atividades agropastoris. Na busca de soluções para a questão climática, foi criada, na Rio-92, a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), com o objetivo principal de estabelecer ações que

30

porém aqueles que mais contribuíram historicamente para o acúmulo de gases na atmosfera (ou seja. a saber: Comércio de Emissões. todas as relações econômicas entre esses sócios e suas empresas e a forma como esses sócios administram as suas empresas. a fim de maximizar o valor da empresa para todos. Entre os mecanismos de flexibilização. o mais importante para o Brasil é o MDL. não ratificaram o Protocolo. O conceito básico acertado para Kyoto é o da ''responsabilidade comum. Conselho de Administração. que podem ser adquiridos por países do Anexo 1 como forma de cumprir parte de suas metas. em média. ocorrida em Quioto. devem comprometer-se a reduzir suas emissões. Durante a conferência do Rio. China e Índia. ficou estabelecido que os países signatários da CQNUMC se reuniriam anualmente em busca de soluções para a questão climática. três princípios a norteiam: transparência. os EUA. funcionários e. de 5.o que significa que todos os países têm responsabilidade no combate ao aquecimento global. Governança Corporativa O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) define Governança Corporativa como “as práticas e os relacionamentos entre os Acionistas/Cotistas. Para a prática de uma boa governança corporativa. com a finalidade de otimizar o desempenho da empresa e facilitar o acesso ao capital. quando 17 O chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto é composto pelos países ricos que são obrigados a reduzir suas emissões. Além disso. Contudo. produzindo uma redução. contribuíram de forma mais intensa para o aumento da concentração atmosférica de GEE. em 1997. mas não são obrigados a reduzir emissões. Implementação Conjunta.” A existência de um sistema de Governança Corporativa permite aos acionistas ou cotistas o governo de sua empresa e o efetivo monitoramento da direção executiva. Além das ações de caráter nacional. embora grandes poluidores. denominadas “créditos de carbono”. quando foi lançado o Protocolo de Quioto. a 15ª edição. historicamente. equidade e responsabilidade ou prestação de contas (accountability). no Protocolo. participam do acordo. entre 07 e 18 de dezembro de 2009. os países industrializados). realizada em Copenhagen. Esses encontros foram denominados Conferências das Partes (COP). em níveis adequados para o clima do Planeta. exige o respeito aos direitos legais e morais dos acionistas minoritários por parte dos Diretores e dos acionistas controladores das empresas. convém destacar a COP 03. entre outros motivos porque o principal poluidor. Essas metas deveriam ser atingidas entre 2008 e 2012.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 levassem à estabilização da concentração de GEE na atmosfera. Países em desenvolvimento. Auditoria Independente e Conselho Fiscal. faz-se necessária a existência de um código de ética a ser seguido pelos Conselheiros de administração. os países afetados pelo Protocolo poderiam utilizar algumas alternativas para auxiliá-los no cumprimento de suas metas. que viabiliza projetos que reduzam emissões de GEE. O Protocolo de Quioto estabelecera que as metas deveriam ser cumpridas por meio de políticas públicas e regulamentações que limitassem diretamente as emissões. que estabeleceu metas de redução de emissão de GEE para os países que. Esses projetos geram Reduções Certificadas de Emissões (RCE). como Partes Anexo I) 17. Dos encontros já realizados. como Brasil. e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). 31 . Diretores executivos. em função do seu nível de industrialização (denominados. não registrou nenhum avanço em direção às metas estabelecidas em Quioto.2% nas emissões em relação aos níveis verificados no ano de 1990. Diretoria. chamadas de mecanismos de flexibilização. porém diferenciada'' . A Governança Corporativa engloba todas as relações econômicas entre sócios de uma mesma empresa. Japão.

o auditor independente e. “vou comprar um produto que me faça bem ou à comunidade que me cerca”.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 houver. As empresas viram-se compelidas a mudar suas estratégias de negócios. Os agentes da governança corporativa são os acionistas. então. tecnologias limpas. se qualidade e preço são praticamente iguais. fornecedores etc. fazendo com que funcionários de níveis diferentes trabalhassem por uma mesma causa: o bem da humanidade. Os produtos sustentáveis ou ambientalmente amigáveis são diferentes e têm um charme adicional por representarem uma opção saudável e politicamente correta. os acionistas geralmente são os gestores. a oportunidade de exploração de novos mercados: atividades que aliam lucratividade e benefícios para o meioambiente. 32 . confundindo em sua pessoa a propriedade e a gestão. Conselheiros fiscais. energia renovável. Resumindo. É importante que eles passem não só a ser consultados. O bom relacionamento com os stakeholders permite a identificação e a antecipação de oportunidades além de garantir a reputação e a boa imagem para a empresa. Governo. como a agricultura e a pecuária orgânicas. Expansão de Mercados Ainda dentro dessa linha de pensamento. a diretoria. o conselho de administração. da revolução tecnológica e da informação. Surge. isto é. Vantagens da Sustentabilidade Corporativa Imagem como Vantagem Competitiva Como decorrência dos fenômenos da globalização. gerando valor. bom preço e qualidade já não são diferenciais. escolas. política de participação nos lucros. mas obrigação. mas também a serem vistos como parceiros potenciais. incorporando padrões socioambientais. Com a profissionalização da gestão imposta pela globalização. ONGs. associações. O culto ao corpo e a preocupação com uma vida mais saudável estiveram presentes na ideologia dos anos 90. e o Conselho de administração colocado entre a propriedade e a gestão com uma ação ativa e independente. o consumidor exige cada vez mais produtos diferenciados. mas também com os dos seus stakeholders – os diversos grupos que podem ter algum interesse direto ou indireto nos seus negócios. a empresa passa a se preocupar não somente com os interesses dos seus acionistas. funcionários. Dados de pesquisas desenvolvidas no exterior e no Brasil demonstraram que o consumidor passou a se preocupar mais e mais com a imagem da empresa que está por trás dos produtos que ele compra. Parcerias Valiosas Ao adotar uma política de responsabilidade social. as famílias foram afastadas da administração direta das empresas. O consumo consciente de produtos que direta ou indiretamente trazem benefícios socioambientais para as comunidades é uma maneira de suprir essa demanda. o conselho fiscal. consumidores. e os preços são cada vez mais competitivos. programas de treinamento e capacitação registraram ganhos significativos em produtividade proporcionados pela motivação das equipes em todos os níveis da empresa. Nas empresas privadas e familiares. como: incentivo ao trabalho voluntário. quando houver. As empresas que mudaram a sua gestão tradicional para uma baseada em valores socialmente responsáveis adotando políticas internas. os produtos ganharam em qualidade. Aumento de produtividade Uma ação socioambientalmente correta pode ser uma poderosa ferramenta de gestão. As práticas de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável conseguiram criar um senso de união em torno de um mesmo ideal. como forma de desenvolver vantagem competitiva. negócios florestais. Algumas pesquisas também têm detectado nas pessoas uma grande vontade de cooperar de alguma forma para a melhoria das condições de vida dos seus semelhantes. ou seja.

2000).org 33 . Redução de custos Um conceito muito em voga atualmente e já mencionado no capítulo 1. e os consumidores têm cada vez mais consciência ambiental. 10 e até 100 vezes. que precisa mudar para se adaptar às novas demandas e desafios. diminuindo a quantidade de matéria-prima utilizada e.4. majoram-se os custos para quem destrói os ecossistemas. . por exemplo. utilidade e performance. ONG inglesa criada em março 2009 para difundir práticas e criar uma rede dos interessados no tema. a empresa vende serviços – iluminação em vez de lâmpadas. parece modesta diante dos desafios que se apresentam. 18 18 www. tudo o que sair deve ou retornar ao ecossistema em forma de nutriente ou servir como matéria-prima para produção de um outro produto. consequentemente. tal qual vem sendo praticada. Em um modelo de produção em closed-loop. Professor da Universidade de Cambridge. aumentam na medida em que crescem as necessidades do homem. O valor passa a não estar mais no produto em si.csrinternational. o que reforça o caráter não estático dessa estratégia.Aumentar radicalmente a produtividade dos recursos naturais através do redesign dos processos e do desenvolvimento de novas tecnologias. Como já era anunciada pelos mais renomados cientistas.Mudar para um modelo de negócios baseado em soluções. gastando menos. 2.Reinvestir em capital natural.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Esse diálogo também permite a identificação e a prevenção de conflitos antes mesmo que eles ocorram e a mitigação de riscos. A Nova fase da RSE e a visão estratégica da sustentabilidade O ano de 2010 ficará marcado pela sucessão de catástrofes naturais associadas aos efeitos das mudanças climáticas. Um dos idealizadores da versão que vem sendo denominada Responsabilidade Social Empresarial 2. mas na capacidade de a empresa satisfazer as necessidades do cliente garantindo qualidade. indenizações e gerando uma economia que pode chegar a bilhões de dólares. boicotes. e fundador da entidade “CSR International”.Mudar para modelos de produção “biologically inspired”. que defende a ideia de que uma estratégia de negócios construída com base no uso mais produtivo dos recursos naturais pode resolver muitos dos problemas ambientais e maximizar os lucros. Nesse contexto. a RSE. sobretudo as que agravarão ainda mais o já elevado nível de pobreza e de degradação ambiental.0 chama-se Wayne Visser. O objetivo desta seção é refletir sobre o novo papel da RSE no dia a dia das empresas. a década se inicia tendo à frente um novo desafio: buscar formas de adaptação às mudanças provocadas pelos eventos climáticos. nesse sentido. Nesse novo modelo. CEO. é o de capitalismo natural (LOVINS & HAWKEN. Isso significa reduzir a zero o desperdício. Os modelos tradicionais têm como fim a venda dos produtos. evitando acidentes. Restaurar. Esse conceito está baseado em quatro mudanças nas práticas dos negócios atuais: . Consiste em sustentar e expandir os ecossistemas para que eles possam produzir os serviços vitais para a sobrevivência da comunidade (é importante ressaltar que não se conhecem substitutos a nenhum preço e não se pode viver sem eles). Uma outra vantagem é as empresas socialmente responsáveis costumarem a atrair talentos. que representam capital intelectual. . As pressões. . Essas duas práticas conseguem aumentar a produtividade em 5.

Dualidade: parte do debate em RSE está focado na polarização do “ser ou não ser”: ou a empresa é socialmente responsável ou não é. P. as empresas não chegariam a soluções que atendessem as suas demandas. os cinco princípios 21 : Conectedness (C) – Conectividade. A fim de não se prender apenas a esse grupo. criado por Muhammad Yunus. Hoje. As organizações que se adaptaram a essa forma de comunicação ofereceram uma plataforma de discussão com seus stakeholders.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Para Visser. tornou-se mais visível a importância de engajar os stakeholders nas questões internas de RSE. Sem tal envolvimento. Um bom exemplo é o Grammen Bank. embora o movimento da RSE tenha evoluído bastante. ela deve “quebrar a hegemonia” dos acionistas. então. em mais de 50 países. não apenas através de relatórios financeiros. (2007) Tradução livre do autor. Eles se tornam apenas projetos de sucesso. os consumidores) fortalecidos pela facilidade de acesso às informações. seja um blog. Do ponto de vista dos impactos dos negócios na sociedade e no planeta. em 1974. Duality (2) – Dualidade e Circularity (0) – Circularidade. seja uma wiki (para tratar de assuntos específicos). é dever da empresa institucionalizar o relacionamento multistakeholder. Blogs. pelo menos. Conectividade: para que a organização tenha sucesso nas práticas socialmente responsáveis. e procuram participar ativamente das redes de relacionamentos. mas. e atender a milhões de famílias.0. 3) falta de evidência de que a RSE é “bom para o negócio”. a dificuldade de mensurar o retorno financeiro do investimento em RSE faz com que as empresas não se comprometam com as ações de longo prazo. Visser argumenta que essa forma de análise falha ao reconhecer 19 20 21 Visser. o foco principal continua sendo a satisfação dos acionistas e a obsessão pelo retorno financeiro de curto prazo). Scalability (S) – Atingir escala. fenômeno conhecido como Web 2. a RS fracassou no sentido de evitar suas consequências negativas ou. Esse princípio também significa dar maior transparência aos negócios. Ao fazer uma analogia com a revolução nos meios de comunicação trazida pela internet. Orkut. Ele elencou três causas19: 1) visão de RSE como um incremento e não como uma questão central e estratégica para os negócios. em especial pelo aumento no “poder” dos stakeholders (em especial. isto é. se o seu modelo de negócio é parte da solução ou parte dos problemas que se enfrenta. Através do diálogo rápido e intenso proporcionado pela Web. Facebook. Receptividade: a RSE requer que a organização se questione sobre sua performance social. principalmente. 2) falta de compromisso com as práticas em RSE (mesmo nas empresas que adotam sistematicamente ações em RSE. em valores atuais.5 bilhões. Em outras palavras. Através de empréstimos e microcréditos oferecidos às mulheres. falhou em seus principais objetivos. Fawkes. Twitter.W. após um longo período de fome em Bangladesh. a percepção da sociedade acerca do negócio de uma empresa é fortemente influenciada pelas ferramentas da Internet.20 Importantes características diferenciam a nova fase da RSE. Visser destaca. 34 . Como os problemas de sustentabilidade. pela troca de conhecimento com os seus stakeholders. manifestam-se em escala global e exigem urgente equacionamento. O envolvimento de todas as partes interessadas passa a ser de extrema importância para a sobrevivência e reputação de uma organização na conjuntura atual.(2010). Responsiveness (R) – Receptividade. foi possível transformar um negócio de $74. entre elas. mas pouco se discute sobre como podem ser reproduzidos em maior escala. para $2. Visser percebe que a maneira de se olhar e praticar a RSE também passa por essa revolução. a solução que não pode ser replicável ou reproduzida tem pouca utilidade. moderar a extensão e magnitude dos impactos. Atingir escala: os bons exemplos de RSE raramente possuem um efeito multiplicador das suas práticas. sejam eles relacionados ou ao clima ou à pobreza.

os “desperdícios” podem ser reutilizados. como uma solução disponível a todos que buscam melhorias na qualidade de vida e nas condições de trabalho. são úteis em outros ciclos industriais como matérias primas. A circularidade não se aplica somente ao meio ambiente. O que se busca é mudar a concepção do objetivo-fim de uma organização. Em um mundo complexo e interconectado. materiais que. os quais. produtos e serviços de alta qualidade que aumentem o bem-estar social. ou seja. similar ao que é feito nas agências de classificação de risco. assim como árvores. É um princípio aplicável à construção de prédios. mas. apresentou as características da atual fase da RSE. as questões de uso e consumo devem ser pensadas de forma circular. e construir um ranking mais preciso. entre outros temas. em nutrientes. podem produzir mais energia do que consomem e reutilizarem a água desperdiçada. ambiental e econômica. a responsabilidade social não poderá mais ser apresentada como um produto ou serviço de luxo. Circularidade: outra razão pela qual Visser mostra a deficiência da antiga visão de RSE reside no contexto em que ela se aplica: um sistema econômico global caracterizado por falhas e alto desperdício. e conheceu seus principais resultados. Os indicadores de RSE devem incorporar as várias dimensões da performance corporativa: social. produtos em decomposição que se transformam no seu oposto. 35 . as empresas (e os seus críticos) terão de se tornar mais eficientes na compreensão dos contextos locais e na busca das soluções mais adequadas. Questões para refletir/responder: 1234Quais os principais acontecimentos do movimento da RSE? Quais os objetivos do Instituto Ethos e que ferramentas ele usa? Selecione e explique duas vantagens da Governança Corporativa. Na atual concepção de RSE. Aponte as críticas de Visser e a forma como a RSE vem sendo adotada. também. por exemplo. Em suma. fundamentos e principais conceitos de RSE. de maneira a subsidiar a decisão de investimento. ética.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 que as questões relacionadas a RSE se manifestam como dilemas e não como simples escolhas de “sim ou não”. da origem. Revisão de conteúdo A Unidade 2 abordou. mas sem destruir os recursos ambientais necessários para o fornecimento desses bens. aceitando os dois lados de uma determinada visão e não os contrapondo. uma vez descartados. Atividade: Aplique os princípios de Governança Corporativa e as ferramentas do Instituto Ethos para elaborar um Código de Ética de uma determinada empresa ou um setor. O seu verdadeiro propósito é servir à sociedade através da provisão de segurança. das vantagens para a empresa em adotar as diretrizes da Governança Corporativa. sim. alguns pontos críticos do movimento da RSE. O propósito desta não é ser lucrativa nem servir aos interesses apenas dos acionistas. mas. As organizações também devem reciclar suas ações e seu capital humano não apenas através da educação e treinamento.

e não apenas de alguns segmentos com os quais a empresa se relaciona. Você saberá o que é o Pacto Global. à melhoria da qualidade de vida da população na sua totalidade. pressupõe-se a participação de todos os stakeholders e a mudança de valores que influenciarão a sociedade como um todo. e como incorporá-los nas suas práticas de gestão. e saberá por que os stakeholders (partes interessadas) adquiriram tamanha importância no dia-a-dia das empresas.1. econômicos. o segundo é hierarquizar os tipos de impactos e seus efeitos distintos sobre as “partes interessadas” (os stakeholders) com as quais a atividade da empresa possui algum tipo de vínculo. políticos. Nesse sentido. a redução da pobreza e o aumento da expectativa de vida da população. aliada à redução da pobreza e consequentemente. faz-se pertinente discutir sobre os prós e os contras de se utilizar um conceito único de RSE. visando à construção de um mundo mais justo. mas outras instituições. O que se observa é uma variedade de interpretações distintas sobre o termo. os desafios ambientais. a evolução e as tendências do movimento da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil. A futura norma de responsabilidade social espera alcançar uma mudança na cultura (missão e valores) das organizações de forma a internalizar as práticas de RSE nas suas rotinas. embora alguns equívocos sejam mais notáveis: o primeiro deles é confundir uma ação socialmente responsável com uma prática tipicamente filantrópica. envolvendo-se com a proteção do meio ambiente. com ênfase na análise da ferramenta de gestão denominada Diálogo com Stakeholders. O que todos esperam das empresas é uma posição cada vez mais comprometida com o desenvolvimento sustentável do País. Com esse processo de internalização. 36 . O tema responsabilidade social das empresas vem sendo amplamente discutido e divulgado pela mídia nos últimos anos. O que se espera de uma organização (não somente uma empresa. com ou sem fins lucrativos) é uma posição de comprometimento com o desenvolvimento sustentável. Entre os fatores que explicam a repentina valorização desse assunto está o fato de que. conhecerá os resultados das pesquisas. sociais e espirituais estão interligados e. Por que RS tem várias definições? Inicialmente. pode-se afirmar que as ações de responsabilidade social das empresas representam uma das formas de a iniciativa privada atuar com finalidade pública. Considerando que se vive num mesmo planeta e em uma sociedade globalizada. podem forjar soluções inclusivas e replicáveis em grande escala. Superar essa importante etapa é atingir um dos desafios futuros que a Carta da Terra (2000) apresenta à humanidade nos próximos anos (BOX 08). as empresas suprem necessidades comunitárias que não estavam satisfatoriamente atendidas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Unidade 3 Evolução dos Conceitos e das Práticas da Responsabilidade Social Empresarial Objetivos Os objetivos desta Unidade são: apresentar o panorama contemporâneo. juntos. ao assumirem uma responsabilidade mais ampla sobre o conjunto da sociedade. 3.

preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. É uma expressão de esperança e um chamado a contribuir para a criação de uma sociedade global num contexto crítico da História. a entidade adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. (Ethos. da comunidade ou do meio ambiente já ocorriam nos séculos anteriores. que seja justa. a saber: Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. O que já se percebia eram interpretações distintas sobre qual o papel da empresa na sociedade e qual a sua responsabilidade com o meio ambiente e com os seus próprios trabalhadores. a visão dominante. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. além 22 23 April30.org. As Nações Unidas. tomar as decisões ou seguir as linhas de ação que sejam desejáveis em torno dos objetivos e dos valores da sociedade”24. Em 1948.ISO Advisory Group on Social Responsibility. funcionam como complementares às leis sociais vigentes de cada país. era da empresa essencialmente lucrativa. exemplos de instituições que lutaram pelos interesses dos trabalhadores. O resultado é um conceito novo e mais amplo sobre o que constitui uma comunidade sustentável e o próprio desenvolvimento sustentável”.reviverde. Tradução livre do Relatório April30. 2004 . A visão ética inclusiva do documento reconhece que a proteção ambiental.br/CARTAdaTERRA. As maiores evidências da ascensão de práticas socialmente responsáveis ocorrem desde o período pós-2ª Guerra Mundial.ISO Advisory Group on Social Responsibility Working Report on Social Responsibility 24 Lourenço e Schröder (2003) 37 . 2004 . (ver Anexo 03 – texto completo Carta da Terra). Working Report on Social Responsibility. Alguns já defendiam que cabia aos empresários “implementar as políticas. Acessado em 10-05-2010 Uma das definições de RSE mais utilizadas no Brasil é a formulada pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Empresarial. sustentável e pacífica. O documento procura inspirar em todos os povos um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da família humana e do mundo em geral. consumidores ingleses deixaram de consumir o açúcar produzido no Caribe. São instrumentos que. a Companhia das Índias Ocidentais mudou para um fornecedor “não escravocrata” em Bengal. Isso fornece uma nova base de pensamento sobre esses temas e a forma de abordá-los. em contrapartida. o desenvolvimento humano equitativo e a paz são interdependentes e inseparáveis. porque provinha de trabalho escravo. Muito embora essa visão ultrapasse a noção corrente de filantropia baseada apenas na caridade. já que.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 ___________________________________________________________________________________ BOX 08: Carta da Terra “É uma declaração de princípios fundamentais para a construção de uma sociedade global no século XXI. Segundo o relatório da ISO22. tiveram grande participação na criação de novos princípios de Direitos Humanos.pdf. pregada pelo economista neoclássico Milton Friedman (1970). que sustenta que “todo indivíduo tem a responsabilidade de se esforçar pela promoção do respeito aos direitos individuais e à liberdade” 23. dessa forma. no fim do século XVIII. Embora o conceito de RSE tenha sido “firmado” no século XX. entre outros stakeholders. 2000). seria capaz de gerar empregos e pagar salários. embora busquem garantir cidadania universal. por exemplo. Fonte: http://www. os direitos humanos.

por exemplo. Foi o período do Governo Nixon nos EUA.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 dos impostos que aumentam o “bem-estar” público. Princípio 8: Promover a responsabilidade ambiental. como o trabalho voluntário. Princípio 2: Impedir violações de direitos humanos. a World Wildlife Fund (WWF). desde que não usasse recurso da mesma. Trata-se de um chamado para que as organizações (não somente as empresariais) adotem e apoiem. em suas respectivas esferas de atuação e de influência. a empresa estaria lesando seus acionistas. visto que. Os dez princípios do Pacto Global constituem-se em25 Direitos Humanos Princípio 1: Respeitar e proteger os direitos humanos. pois estaria transferindo recursos a outros fins que não o de geração de lucro e auto tributando-se. Condições Trabalhistas. Combate à Corrupção Princípio 10: Lutar contra toda forma de corrupção. Abolir o trabalho forçado. do escândalo Watergate. Direitos Trabalhistas Princípio Princípio Princípio Princípio 3: 4: 5: 6: Apoiar a liberdade de associação no trabalho. Abolir o trabalho infantil. um conjunto de valores relativos aos Direitos Humanos. ao discursar no Fórum Econômico Mundial (evento anual que ocorre em Davos. na Suíça). Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho. Além disso. Proteção ao Meio Ambiente Princípio 7: Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais. o que contribuiu para a disseminação das questões éticas e morais nas empresas. novas questões sobre as obrigações das empresas no âmbito social foram levantadas. universidades. Princípio 9: Encorajar tecnologias que não agridam o meio ambiente. O crescimento do número de atores preocupados com a questão da responsabilidade social no mundo já era bem significativo no fim da década de 90. ONGs e empresas. O processo de adesão ao Pacto Global envolve uma série de requisitos que podem ser adotados por empresas. também. denominada Pacto Global (Global Compact). mas. Em janeiro de 1999. Atitudes sociais. durante encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC). por qualquer pessoa pertencente à organização. Lourenço e Schröder (2003) afirmaram que foi naquela época que a ética empresarial se consolidou como campo de estudo. Kofi Annan. propôs a ideia de uma parceria entre as Nações Unidas. entre elas. segundo Friedman. Entre as décadas de 70 e 80. 25 Adaptado de “Boletim Brasileiro do Pacto Global” (2004) 38 . Corrupção e Meio Ambiente. também se discutia a busca pelo real papel das organizações no sistema capitalista. Amigos da Terra (Friends of the Earth) e o Greenpeace. da criação de importantes organizações ambientalistas. poderiam ser feitas. paralelo a esse debate. sindicatos. havia também a pressão social por mudanças. agências governamentais e entidades da sociedade civil. o ex-Secretário geral da ONU. Essa proposta surge no imediato contexto das manifestações antiglobalização que ocorrem em Seattle (EUA). Caso contrário.

os Ministros representantes dos países da Organização para Cooperação e Econômica e Desenvolvimento (OCDE) aprovaram uma nova versão das Diretrizes das Empresas Multinacionais. proteção ao meio ambiente. Ao divulgar os resultados financeiros realizados na área social. em Bruxelas na Bélgica. A visão contemporânea de RSE caracteriza-se pela implementação de iniciativas que não são impostas por lei. Em julho de 2001. na busca de parcerias que criem soluções em prol do interesse coletivo. Em resposta à pressão social por mais transparência. demanda antiga do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE).forumsocial. nas áreas de comunicação e tecnologia. . tanto no âmbito europeu quanto no internacional. Tais empresas trabalham em ambientes de costumes. leis (entre outras características nacionais) de diferentes países. destacam-se alguns fatores que foram chave para a disseminação do conceito atual de RSE: . O Balanço Social foi o primeiro passo para a criação de padrões de relatórios de sustentabilidade. com o título Promover um quadro europeu para a responsabilidade social nas empresas. liderada por Herbert José de Sousa. a comunidade europeia lançava. Se o número de empresas que buscam aprimorar suas práticas de responsabilidade social aumenta significativamente. buscando a “construção de alternativas às políticas neoliberais” 26. outras iniciativas também marcaram presença. Discutem os direitos humanos. Era um lançamento que visava ampliar o debate sobre formas de implantação de RSE nas empresas. aceitos em nível internacional.a crescente presença e participação das multinacionais no comércio de bens e serviços e. uma vez que os investidores passariam a ter maior segurança com relação ao retorno futuro dos investimentos feitos na empresa. Em junho de 2000. o Betinho. o que reúne maior adesão das organizações é o Global Reporting Initiative (GRI).br 39 . Essas diretrizes recomendam princípios voluntários e padrões de conduta para a empresa que se pretende responsável. e as suas ações precisam se adaptar a esses aspectos também. acesso à saúde e à educação.os avanços da globalização. o seu maior peso por práticas socialmente responsáveis. buscando comunicar-se com as partes interessadas (stakeholders) e. adotadas voluntariamente pelas organizações como forma de demonstrar seu compromisso com a sociedade. OIT. que fortaleceram a interação continental. Finalmente.org. com isso. a empresa melhoraria a sua reputação frente à opinião pública e. adotado por mais de 400 companhias em cerca de 40 países. Elas migram de uma posição passiva para uma atitude pró-ativa. sim. ainda são poucas as que se articulam com outros agentes do mercado e com órgãos do Governo ou organizações da sociedade civil. as empresas começaram a publicar os chamados balanços sociais.o crescente número de organismos internacionais (como a ONU. provavelmente. 26 www.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Na década seguinte. cultura. troca de experiências e articulação de movimentos entre diversos setores da sociedade. entre outros temas. por exemplo) que articulam a nível global normas de conduta da sociedade. um “Livro Verde” sobre RSE. sociedade. a sua rentabilidade. mas. portanto. . Vale à pena destacar ainda um evento importante. organizado como resposta da sociedade aos efeitos da globalização: o Fórum Social Mundial – que completa dez anos de atuação em 2010 – reúne pessoas de todas as partes do mundo para promover um ambiente democrático de ideias. abrir novas oportunidades de negócios. o acompanhamento mais próximo das atividades corporativas e a rápida disseminação das informações a que concerniam tais atividades. e que esteja de acordo com as leis adotadas em cada país. Atualmente.

menos do que a verba consumida pelo maior programa social do Governo. hoje.7 bilhões por ano em ações comunitárias. levando-se em conta que a sustentabilidade pressupõe o equilíbrio entre os três pilares: econômico.43% do Produto Interno Bruto (PIB) –.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 . pela primeira vez. Segundo pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). À primeira vista. imagem da marca e reputação. na realidade. conhecido como Triple Bottom Line27. sem dúvida. o Bolsa-Família. valor que. 96% das companhias com mais de 500 empregados declararam ter política de responsabilidade social e financiar ações sociais. – aumentaram. cresceu 35% em quatro anos. esse incremento foi mais discreto (06%). Em Minas Gerais. regiões ricas e pobres praticamente equiparam-se no grau de engajamento social das empresas. Fonte: Instituto Ethos (julho 2001) O Brasil é o país da América do Sul que ingressou pioneiramente no movimento da RSE. é superior. informação. o índice chegou a 81%.9 bilhões). a soma de todas as riquezas produzidas no País –. para 74% em 2003. que mais de 70% das firmas dedicam parte de seu tempo e dinheiro a atividades sociais. em 1999. social e ambiental. em 2004 (R$ 5. também. criatividade. O Nordeste. o montante impressiona. por exemplo.400%. a sua contribuição na avaliação do preço de mercado das empresas. Vale à pena destacar esta última característica relativa aos valores intangíveis. 40 . por John Elkington. ao se terem passados quinze anos do período analisado. Segundo o IPEA. Atualmente.a percepção de valores intangíveis como essenciais aos negócios. fundador e presidente do Conselho da organização SustainAbility. equivale tão somente a 0. 27 A expressão Triple Bottom Line foi usada. capacidade de gestão e inovação. Os dados do Gráfico 01 indicam a crescente importância dos ativos intangíveis no ambiente de mercado e permitem constatar que os componentes intangíveis – tais como conhecimento. mas. em especial a questão da reputação da organização como chave para sua sobrevivência. No Sudeste. A pesquisa detectou. passando de 67% para 71% no mesmo período. as empresas investem R$ 4. motivação dos colaboradores etc. em quase 1. passando de 55%. A pergunta que se impõe é se essa nova visão de RSE será capaz de gerar soluções para os problemas globais na velocidade com que eles ocorrem. independentemente da localização regional.

O programa de consulta sistemática aos stakeholders fornece. envolvendo. que envolviam coleta exaustiva de dados e um grande número de pesquisadores. as utilizadas na metodologia Diagnóstico Rápido Participativo (DRP). transmitindo as informações básicas para se conhecerem e se manterem bem informados sobre o que cada um quer. tais como a comunidade acadêmica (em geral. que identifica e caracteriza o perfil de cada um dos stakeholders da empresa (seja ele individual. Em seguida. também. No Diálogo. constitui-se num instrumento apropriado para captar a dimensão de subjetividade existente em todo e qualquer processo de escolhas e de decisão estratégicas dos atores sociais. aplicam-se técnicas variadas. integram-se como assessores dos grupos mais combativos e de vanguarda). também. e do tempo. além das ONGs ambientalistas e dos órgãos governamentais ligados à área ambiental. expectativas e problemas não captados através dos canais fixos e formais de comunicação.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 3. Essa metodologia é radicalmente distinta da tradicionalmente utilizada pelas empresas de consultoria. pode acontecer em encontros e workshops mediados por facilitadores. a esta particularidades do sistema e “insights” pessoais suscitados pela dinâmica coletiva. um quadro das tendências comportamentais e das possíveis estratégias a serem adotadas pelos diferentes grupos de interesse face a uma determinada situação. O diálogo realiza-se através de comunicação individual direta entre o(s) representante(s) da empresa e o(s) representante(s) desses grupos. o Greenpeace e a World Wildlife Fund (WWF). Sendo um processo que pressupõe a disposição em informar e a comunicação sistemática. sendo as mais conhecidas. assim como acerca dos resultados que pretendem alcançar no processo de comunicação. se possível. fez-se emergir uma série de demandas. e formadores de opinião estrangeiros. a mídia. Essa metodologia foi desenvolvida na Alemanha. o processo de consulta ocupa-se da identificação dos temas sociais sensíveis associados ao empreendimento e ao desenvolvimento de soluções viáveis. Durante as dinâmicas coletivas. líderes de instituições religiosas. e sobre a atividade de exploração. na construção da análise. o termo usado é “partes interessadas”). primeiramente. no menor tempo possível. sendo a execução confiada a uma equipe multidisciplinar. para ser uma alternativa às tradicionais análises sobre a situação social nos países em desenvolvimento. seja coletivo). em particular. ao incorporar a consulta direta a indivíduos representativos e técnicas de dinâmica de grupo.2. orientada para obter. é uma forma excelente de interlocutores assimétricos que utilizam os mesmos recursos. acrítica e ineficaz para identificar pontos sensíveis e focos potenciais de conflito (nesse caso. faz e como pretende agir. mas. adquirirem conhecimento e trocarem informações. Para que o diálogo seja eficaz. criam-se oportunidades para a população local colaborar ativamente não só no levantamento dos dados. Diálogo com Stakeholders O Diálogo com Stakeholder (ou Partes Interessadas) é uma metodologia de consulta participativa. da pesquisa. Nesse sentido. entre elas. em geral. 41 . pois cada grupo coloca-se ao lado do outro para ouvir e. acarretando um aumento substancial dos custos. apesar de não os compartilharem. São os chamados "stakeholders primários". Aplicado em todas as fases do empreendimento. além de fóruns informais sugeridos pelos próprios envolvidos. são incorporados. assim. particularmente as grandes ONGs ambientalistas. na década de 70. as comunidades locais e suas lideranças. ou interessados. em geral. na qual os dados são coletados através de depoimentos orais e jogos dinâmicos. interagir. mas. captando a sua percepção e as suas expectativas sobre a empresa. outros segmentos indiretamente afetados. Além disso. novas informações e hipóteses sobre a comunidade estudada. é necessário que ambos os interlocutores se comprometam com a transparência. aportando.

Contribuição do diálogo com stakeholders ao gerenciamento do projeto “O stakeholder approach trata de públicos e indivíduos que podem afetar. essa modalidade de comunicação contribui. As comunidades locais devem ser encaradas como stakeholders primários28 assim como os órgãos reguladores. e do comportamento gerencial adotado para responder a eles”. Manter os stakeholders da área de influência permanentemente informados a respeito das operações em curso. na formulação da estratégia corporativa. Na fase exploratória. e a prática de diálogo sistemático com os seus stakeholders. Os stakeholders são considerados informantes privilegiados no processo de monitoramento e avaliação do Plano de Comunicação. gerada pelo desconhecimento a respeito de um empreendimento em virtude da assimetria institucional e cultural existente entre a empresa e os grupos de interesses. direta ou indiretamente. Criar um canal de comunicação permanente entre a empresa e seus stakeholders. mais útil ele será para detectar "sinais de perigo" ou algum fator-surpresa capaz de comprometer o empreendimento (por exemplo. podendo criar conflitos a serem administrados pela empresa. ele estará. Buscar o consenso em torno de questões polêmicas surgidas ao longo do processo de diálogo. São eles os seguintes: O compromisso da empresa em empregar os mais elevados padrões de qualidade técnica e ambiental. com a aplicação dessa ferramenta. assim. (Edward Freeman. decisivamente. 42 . 1984) Ao servir para identificar e antecipar potenciais crises antes de eclodirem e mapear os temas polêmicos aplicando técnicas de resolução de conflito.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Diante dessas vantagens. também. as técnicas de Diálogo com Stakeholders costumam ser adotadas não apenas na comunicação externa da empresa. a organização. por expressar o compromisso da empresa com a sociedade. pretende-se. Os pressupostos dessa metodologia estão diretamente relacionados aos compromissos assumidos pela empresa em adotar práticas corporativas de responsabilidade social e ambiental. como. ou seja. Essa é uma das razões pelas quais quanto mais cedo tem início o processo de consulta. que. fornecedores e contratados. devendo assim ocupar o mesmo patamar de importância e atenção atribuída a eles. construindo um ambiente de confiança entre eles. Ênfase especial deve ser dada ao setor pesqueiro por ser o segmento mais sensível às atividades de exploração em águas profundas. a existência de uma campanha para sabotar um projeto) ou uma situação de "vazio de opinião". mais propenso a se comportar negativamente. hoje. Strategic Management: a stakeholder approach. necessariamente. Identificar os focos potenciais de conflito para apoiar uma ação estratégica futura. O diálogo com os stakeholders deve ser encarado sob três prismas: 28 O que distingue um stakeholder primário de um secundário é o grau de impacto que ele pode sofrer do empreendimento em questão. passa. para o encaminhamento de soluções negociadas entre as partes.

O da Ferramenta de negócio. o futuro etc. fornecedores. Indica que a empresa reconhece o potencial de impacto do empreendimento. quando o confronto ocupa o lugar do diálogo. Stakeholder: conceito central da responsabilidade social A ideia de que as empresas não devem somente satisfação aos seus acionistas é um importante aspecto relacionado à RSE. Além dos agentes já mencionados. compradores e consumidores. consequentemente. quando as decisões já foram tomadas sem considerar a opinião dos stakeholders. Uma das tarefas das organizações é identificar esses agentes e trazê-los para o dia a dia dos negócios. dos acionistas (que deixam de ser o único público-foco das empresas). O da Redução de incerteza. Dependendo da natureza e da intensidade do conflito. é claro. A história de relacionamento pretérito entre a firma e seus stakeholders e a habilidade em administrar os arranjos institucionais pesa tanto. resultando em perda de credibilidade junto a fornecedores. quanto decisões de investimento exclusivamente orientadas por situações de mercado. circunstâncias em que. buscando estabelecer um entendimento com a sociedade antes de iniciar as operações e. Finalmente. sociedade) ou abstratos (meio ambiente. além de buscar maneiras de determinar. Atua como fonte privilegiada de obtenção de informação e. e mitigação de danos ambientais e sociais. pode ter suas operações suspensas judicialmente e ser obrigada a pagar multas elevadas. não usufruirá dos seus benefícios. Como é impossível identificar e se comprometer com todos os stakeholders. O stakeholder é. todo aquele que é impactado de alguma forma pelas operações de um empreendimento ou negócio. dessa forma. portanto. mensurar e divulgar os impactos das suas atividades sobre tais agentes.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 1) O da Responsabilidade social. sobretudo no quesito reputação e imagem institucional. uma vez que o custo de interromper um processo lento. além. se a empresa falhar na estratégia de gerenciamento ambiental e de comunicação com os stakeholders. Quando determinada empresa é questionada pela comunidade em virtude da incompatibilidade programática com seus sócios. ou mais.). portanto. consumidores. ou enfrenta conflitos sociais decorrentes da escolha equivocada de terceirizadas. as empresas buscam parcerias com organizações não governamentais (ONGs) que. 43 . sejam eles “concretos” (trabalhadores. 2) 3) Por não se tratar de uma panacéia. podem-se citar ainda os Governos. significa que aqueles arranjos institucionais não foram equacionados. A responsabilidade social empresarial também é definida pela sua forma de gerir um negócio baseado na identificação e consideração dos impactos de suas atividades a todos os agentes envolvidos. o diálogo com os stakeholders não é indicado nos casos em que não existe compromisso da empresa com a continuidade do projeto. representam alguns destes grupos. de redução de incerteza e formação de expectativas que possam vir a afetar os negócios da empresa e a sua posição competitiva no mercado. evitando custos futuros com processos judiciais. geralmente. afetam a sua reputação. de certa forma antagônica às metodologias empregadas em situações de crise instalada. Na visão moderna. de forma a compartilhar. as comunidades locais (respeitando seus costumes e cultura). Constitui-se num investimento destinado a prevenir potenciais conflitos e reduzir riscos. comunicação. é importante salientar que essa ferramenta é substancialmente distinta. caro e complexo é alto. sabotagem. além de comprometerem a viabilidade do empreendimento. obter “licença social para operar”.

sensibilizar e apoiar as empresas para que incorporem políticas e práticas de responsabilidade social na gestão de seus negócios. o principal responsável pela rápida disseminação do conceito foi o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. um grande contingente de empresas em todo o mundo abraçou a causa da responsabilidade social. pressupõe uma ação ética nos negócios e a transparência na comunicação com a sociedade. no Brasil. Articulando Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável A recente associação do princípio de Responsabilidade Social Empresarial aos preceitos do Desenvolvimento Sustentável conferiu uma dimensão mais humana à ecoeficiência. por exemplo. que tem como missão mobilizar. Trata-se de um relatório anual no qual a empresa pública ou privada declara publicamente os projetos sociais e os investimentos financeiros que realizou em prol do bem-estar das comunidades e do meio ambiente. recomendando às empresas a prática do diálogo com todos os grupos de interesse – e não apenas com autoridades governamentais –. e ampliou a compreensão do conceito ao estender a ação preventiva de impactos ao conjunto da sociedade. a entidade possui.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 3. Além de considerar um compromisso permanente dos empresários com a integridade do meio ambiente e com os direitos humanos. nem autoriza as empresas membros a usarem a associação ao Ethos como tal.3. deve ser obtida de todos. no tópico reservado às “recomendações” dirigido aos gestores dos recursos. criado em 1998. um dos países onde mais cresce esse movimento. mas. Desde 1997. Outras exigências ganharam espaço nos critérios neoliberais do Banco Mundial. adverte o Banco. O Instituto Ethos se apresenta como uma associação de empresas. uma nova abordagem é incluída nos documentos oficiais da instituição. mais de 700 empresas associadas. Como já foi dito. Pesquisas recentes em gerenciamento estratégico observaram que os temas ambientais vêm adquirindo crescente influência na definição das estratégias comerciais e no desenho técnico do empreendimento. 44 . Pelo menos no plano da retórica. previamente à implementação do empreendimento. em geral. do segmento mais exposto às operações: as comunidades que habitam e/ou trabalham na área de abrangência dos empreendimentos. A entidade faz questão de frisar que não desenvolve atividade de consultoria. particularmente. não cobra pelo serviço de orientação e não fornece "selo" ou certificado. A chamada “licença social para operar”. Esse relatório foi criado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). o Betinho. por um grupo de empresários liderado por Oded Grajew. Mudanças nas expectativas dos consumidores quanto a produtos com mais qualidade ambiental e implementação de standards tecnológicos superiores às exigências legais tornaram-se decisões tão determinantes quanto as relativas à escala de produção. a responsabilidade social empresarial (ou corporativa) teve o mérito de resgatar valores morais que a sociedade. Até o conservador Banco Mundial incorporou os princípios do Desenvolvimento Sustentável focados no envolvimento dos stakeholders. não associava às empresas. Um dos seus méritos foi o de popularizar a publicação do Balanço Social. hoje. sem fins lucrativos. ONG fundada pelo renomado sociólogo Herbert de Souza. ex-Diretor-Executivo da Fundação Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) e ex-assessor do extinto Programa Fome Zero do Governo Lula. Conceito de múltiplos significados. com o intuito de tornar mais transparente a Governos e grupos de interesse a maneira pela qual a empresa encara sua responsabilidade pública. que passou a induzir e a premiar as empresas que publicam Balanço Social e possuem certificações ambiental e social.

Responsabilidade Legal – está consignada nas leis que ela é obrigada a cumprir. a política de RSC da empresa deve contemplar as três dimensões da responsabilidade.Preocupação com a saúde e qualidade de vida dos funcionários.A importância do meio ambiente para a sobrevivência futura. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. a empresa deve ser pró-ativa e investir no desenvolvimento pessoal e profissional de seus empregados e na melhoria das condições de trabalho. Dependendo da natureza do negócio (o que produz e onde se localiza). é necessário manter um diálogo constante com seus stakeholders (funcionários. .A empresa também tem a sua parcela de responsabilidade pelo bem-estar da sociedade na qual está inserida. baseada na crença de que os recursos naturais são bens públicos e coletivos. para conquistar o atributo de uma empresa socialmente responsável. . a exemplo dos direitos trabalhistas definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). . . a um preço que lhe possa garantir a continuação das atividades da empresa e a satisfação das suas obrigações com os investidores. p. mas existem empresas que adotam a premissa de que “todo stakeholder importa”. conforme proposto por Ferrel et al.Respeito ao meio ambiente em todas as suas atividades. preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras. melhor dizendo. . porém não estão codificados em leis. Responsabilidade Ética – é definida como comportamentos ou atividades que a sociedade espera das empresas. fornecedores. O Ethos conceitua RSC como a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. clientes. comunidades). em geral as empresas escolhem focar nos segmentos internos (empregados e seus familiares) ou nos externos (a comunidade e as ONGs).A responsabilidade de devolver à natureza o que dela retirar ou nela impactar. Preservação do Meio Ambiente Bem-estar dos Funcionários . Essa escolha orientará a política de investimento social da empresa. prestar contas à sociedade e procurar sempre ir além da legislação e das normas internacionais.Apoio a projetos ambientais. Valores . . 45 .Criação de um ambiente agradável. Observe-se a “matriz de avaliação do nível de responsabilidade social” proposta por Neto e Fróes (1999.80): Quadro 1 – Matriz de avaliação de uma empresa socialmente responsável Vetores Desenvolvimento da Comunidade Crenças . (2001): Responsabilidade Econômica – consiste em produzir bens e serviços de que a sociedade necessita.A produtividade do trabalho está atrelada à satisfação e ao bemestar dos funcionários.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Segundo o Instituto Ethos.Projetos Sociais ligados à comunidade. e quer. Considerando esse amplo espectro de atuação.

a empresa deve primeiramente conhecer o enorme leque de necessidades sociais que carecem de apoio governamental e. Os episódios do impeachment do Collor e a campanha do sociólogo Herbert de Souza (o Betinho) contra a fome e a miséria são alguns exemplos de movimentos que buscaram fortalecer as causas sociais num contexto de crescente globalização do País. É o que Stephen Kanitz. ampliando as fronteiras dos Estados nacionais.Bom relacionamento baseado em respeito ao cliente. . (iii) conhecer a comunidade em que está inserida e sua cultura. (vii) divulgar relatórios externos.A sustentabilidade da empresa depende da confiança do seu acionista em aplicar seus recursos nela. chama de "filantropia estratégica". consolidando a globalização e. Fev 2004 Tais valores e crenças direcionam as ações que as empresas socialmente responsáveis devem desempenhar proporcionando um maior envolvimento com todos os atores envolvidos em seus processos. A fim de se adotar uma atitude socialmente responsável. a economia brasileira ingressou num processo de internacionalização e de abertura comercial. impôs-se a visão neoliberal dos mercados. inclusive um segmento mais progressista de empresários. o IBASE foram responsáveis pela criação. . A RSE no Brasil No final dos anos 80 e início dos 90. depois. por conseguinte. . Responsabilidade social em incubadora de empresas de base cultural. Em face desse novo cenário. Prêmio Ethos. Crescem em presença e importância as multinacionais no País. faz-se necessário que cada empresa determine claramente qual é o seu papel. . 3.4. Fonte: Adriana Malamut. que viria a criar o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. a empresa deve (i) focar prioritariamente no indivíduo. do Balanço Social. em seguida.As parcerias otimizam custos operacionais a partir do compartilhamento de recursos pelas empresas. concomitante à intensificação do progresso tecnológico e à rápida disseminação de novas soluções em Tecnologia da Informação. Diretor da Kanitz & Associados e colunista da Revista Veja. 46 .Política de remuneração e atuação empresarial conforme as expectativas. em 1998. Transparência na comunicação a todos os atores envolvidos. o primeiro indicador destinado a contabilizar a contribuição das empresas para a sociedade. Ética e um bom relacionamento com os atuais e potenciais parceiros. (v) formar parcerias inteligentes. Para ele.O sucesso da empresa depende da satisfação do cliente.Os stakeholders devem ser bem informados visando amortecer os impactos de fatores exógenos que podem influenciar negativamente a empresa. 29 29 O sociólogo Betinho e sua instituição. Para tanto. (ii) possuir ética corporativa. integre suas preocupações com o lado social em sua estratégia de negócios. levando as organizações brasileiras a aderirem às novas diretrizes que passam a reger a competitividade no mundo capitalista. (iv) garantir a transparência.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Comunicação Transparente Retorno aos Acionistas Sinergia com os Parceiros Satisfação dos Clientes . em 1997. Vários segmentos da sociedade participaram da campanha. . (vi) avaliar os resultados e prestar contas. sua visão e seus valores como organização para que. optar por aquelas que correspondem às suas competências e interesses de seus funcionários.

realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) entre 2000 e 2004. com 273 companhias privadas e estatais provenientes de nove Estados e do Distrito Federal. No ano seguinte. há dez anos. sobretudo porque o empresário brasileiro não percebia o vínculo entre a função econômica e as práticas sociais da sua organização. Contribuição em 52% para o desenvolvimento de conhecimentos. Registro de um crescimento de 34% na motivação e produtividade dos funcionários. majoritariamente. demonstrando que grande parte dos ganhos de uma organização está relacionada ao capital humano (além dos próprios colaboradores. a comunidade na qual faz parte). entretanto. Crescimento em 40% no envolvimento. como consequência da nova prática. empresas de outros setores seguiram seu exemplo. Inicialmente. preocupadas em demonstrar que a adoção de práticas responsáveis aumenta as condições de competitividade da empresa. outros episódios indicavam a crescente participação do setor privado em questões públicas. Segundo Queiroz (2000). e que ele é constituído de aspectos subjetivos (motivação. as ações sociais promovidas pelas empresas brasileiras ainda eram. proliferavam as iniciativas de cidadania empresarial. No âmbito empresarial. era um orgulho saber que a organização da qual faziam parte também trabalhava para o desenvolvimento de sua comunidade. enquanto crescia o número de publicações especializadas e de eventos e prêmios especialmente dedicados ao tema. pois. que citaram uma pesquisa realizada no mesmo ano pelo Centro de Estudos em Administração do Terceiro Setor da Universidade de São Paulo (CEATS – USP). habilidades) difíceis de serem construídos e mensurados. Fundações e Empresas (GIFE) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. motivação de conduzir práticas socialmente responsáveis visando ao fortalecimento de seus negócios. Essa é mais uma comprovação da crescente importância dos ativos intangíveis. respectivamente. técnicas. veriam seus mercados minguarem” 30. Na segunda edição da pesquisa “Ação Social das Empresas”. Nos primeiros anos do novo milênio.estar social. caso contrário. O antigo Banco do Estado de São Paulo (Banespa) publicou. colocando as últimas sempre em segundo plano. preenchendo a lacuna deixada pela falência do Estado em prover o bem. Surgem. conhecimento. de natureza assistencialista. a RSE começava a chamar a atenção dos principais meios de comunicação e da mídia nacional. Para muitos colaboradores. um relatório completo com o resultado de todas as suas ações sociais. impossíveis de serem imitados. Segundo FISCHER & FALCONER (1999). num futuro próximo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Durante a década de 90. e habilidades dos funcionários decorrente dessa nova forma de interação. com destaque para o Grupo de Institutos. as ações sociais empresariais tinham um caráter filantrópico. portanto. O aumento de empresas interessadas nos projetos sociais se devia à “conscientização dos empresários de que precisavam agir rápido e fazer algo pelo País. criados em 1995 e 1998. Não havia. do funcionário com a empresa. as entidades empresariais. percebeu-se um expressivo aumento no número de 30 Responsabilidade Social Empresarial nas Organizações de Varejo. em 1992. os ganhos com as práticas dentro do ambiente organizacional geraram os seguintes resultados: Os investimentos em ações sociais melhoraram em 79% a imagem institucional da empresa e ampliaram em 74% suas relações com a comunidade. 47 . nessa década.

As regiões Sul e Nordeste foram as mais beneficiadas no montante final dos investimentos. Revisão de conteúdo Esta Unidade apresenta uma nova ferramenta de gestão – o diálogo com stakeholders – que ganhou importância no movimento da RSE. Entre as principais conclusões. portanto. e entendeu como ela pode influenciar. Por fim. incluindo diálogo com os diferentes stakeholders. INSTITUTO AKATU (2008). seja porque não compensava. 31 32 Fonte: www. Você conheceu seus princípios e métodos. houve um aumento considerável no número de práticas implantadas: em 2004. 48 . passando desde as ambientais até as de natureza ética e de governança corporativa. envolvendo desde questões relacionadas às relações com funcionários e fornecedores.27% do PIB do País naquele mesmo ano31. Em 2004. portanto o entendimento corrente era de que a atuação privada não substituía o poder público. em parceria com o Instituto Akatu. Uma publicação recente confirmou essa tendência identificada pelo IPEA no início da década. positiva ou negativamente. um aumento de quase 100%32. a posição competitiva da empresa. oriundos. seja porque não tinham conhecimento desse procedimento. Há outras conclusões interessantes nesta pesquisa: foram poucas as empresas que se utilizaram de benefícios tributários para investir no social.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 empresas privadas brasileiras que realizaram ações sociais visando beneficiar as comunidades nas quais atuavam. Comparado a pesquisas anteriores. tendo um caráter complementar às ações dos Governos.7 bilhões.ipea. o Instituto Ethos. cerca de 600 mil empresas atuaram de forma voluntária e investiram um montante de aproximadamente R$ 4. avaliou a implantação de um conjunto de 56 práticas de responsabilidade social. a pesquisa também avaliou a percepção dos empresários sobre o seu papel social. Questões para refletir/responder: Por que o movimento da RSE dá tanta importância ao relacionamento com os stakeholders? Quais os resultados apontados pelas pesquisas sobre o movimento da RSE no Brasil? Como a empresa deve lidar com seus stakeholders? Atividade: Selecione uma empresa e desenvolva uma política de relacionamento com seus stakeholders. das grandes empresas (94% do total). a pesquisa revelou que 50% das empresas já praticavam ao menos 22 das 56 ações de RS listadas. A maioria (78%) ainda atribuiu ao Estado a obrigação de prover as necessidades sociais. um estudo análogo mostrava que 50% das empresas só registraram 11 de um total de 55.gov. majoritariamente. Na pesquisa realizada em 2008. o que correspondia a 0.br/acaosocial INSTITUTO ETHOS.

Risco de reputação: os bancos vêm sofrendo pressão do público em geral e dos organismos não governamentais (ONGs) para adotar uma política de financiamento e investimento ambientalmente correta. como forma de evitar a responsabilização legal por danos ambientais produzidos por bens que eram recebidos como garantia de empréstimos. Finalmente. motivada pela crescente conscientização do papel de indutor na disseminação de boas práticas socioambientais na cadeia produtiva. uso de papéis. não conceder crédito. o banco deveria internalizar nos seus custos os gastos com controle de poluição. em decorrência. 2005) O Banco Mundial foi um dos grandes protagonistas nessa questão. Seu compromisso com a sustentabilidade influenciou estratégias do setor bancário comercial e de investimento em todo o mundo. Os riscos ambientais entram definitivamente nos custos dos empreendimentos. tornando-se cada vez mais determinantes nas decisões de negócios. equipamentos. Ao longo dos últimos dez anos. impondo restrições e sanções às empresas que não agirem de acordo com aquela condução. ou seja. tais como. para os bancos também. (SOLER. energia etc. mas. Os bancos. e os Princípios do Equador. Risco indireto: o risco ambiental afetaria a empresa com a qual o banco tiver relacionamento como intermediário financeiro. chamada Norma ISO 26000. via operações de crédito ou como detentor de ativos financeiros (ações ou títulos de dívida). no seu papel coercitivo. A preocupação das instituições financeiras com as questões ambientais ocorreu. conhecerá as modalidades de Investimentos Socialmente Responsáveis e os que existem no Brasil hoje. indica os principais riscos ambientais. aplicar-se-ia diretamente o Princípio do Poluidor Pagador. Nessa modalidade. A gestão inadequada dessas questões pode causar perdas financeiras irreparáveis para a empresa e. A imagem dos bancos na sociedade é importante para o sucesso conjunto de suas atividades e é considerada como parte de seu patrimônio. pois desempenhou importante papel em direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável. sob pena de terem sua reputação prejudicada diante da sociedade.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Unidade 4 A RSE no Setor Financeiro e a Norma ISO 26000 Objetivos Esta Unidade apresenta os principais acontecimentos e características do movimento da RSE no setor financeiro. 49 . também. gradativamente os banqueiros começaram a acreditar que “o que é bom para o meio ambiente poderia também ser bom para os bancos”. por sua vez. surgiu uma série de iniciativas visando à incorporação da sustentabilidade nos negócios do setor financeiro. estão sujeitos a três tipos de riscos ambientais: Risco direto: aqueles aos quais os bancos respondem diretamente como poluidores. o Dow Jones Sustainability. cancelar empréstimos etc. riscos associados às suas próprias instalações. e detalha uma importante ferramenta de gestão que será implementada em dezembro de 2010. inicialmente. A partir daí. entre outras importantes mudanças institucionais. Você conhecerá e entenderá o Protocolo Verde.

Naquele mesmo ano. Os Princípios do Equador representaram um divisor de águas nesse processo. Em 1999.1. desafiou os líderes empresariais mundiais a apoiar e a adotar o Pacto Global (Global Compact). o Banco Central de a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aderiram a ele. Embora não seja um selo certificável. adquiriu rapidamente status de standard no setor financeiro. trabalho e meio ambiente. o Instituto Ethos. ajudando as organizações a redefinirem suas estratégias e ações. quanto no apoio a políticas públicas apropriadas. Promover o consumo consciente de recursos naturais e de materiais deles derivados nos processos internos. Promover a cooperação e a integração de esforços entre as organizações signatárias deste Protocolo. em parceria com a Febraban. no curto espaço de cinco anos. Kofi Annan. lançou os indicadores de RSE para o setor financeiro.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 4. em 31 de janeiro de 1999. a fim de que todas as pessoas possam compartilhar dos benefícios da globalização. Criado em 2003 por iniciativa de dez instituições financeiras 50 . O Banco do Brasil é um dos bancos brasileiros que aderiram imediatamente ao Pacto Global em novembro de 2003. Em 2008. procedeu-se à revisão do Protocolo. tanto em suas práticas corporativas individuais. 60 bancos. Compromissos dos Signatários: Oferecer linhas de financiamento e programas que fomentem a qualidade de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente. Principais inovações institucionais no setor financeiro Protocolo Verde (1995) A primeira iniciativa resultante de acordo entre bancos brasileiros foi o Protocolo Verde. Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). evitando que estes sejam aproveitados por poucos. arregimentando. e em 2009. o Secretário-Geral das Nações Unidas. na qual os signatários se propõem a empreender políticas e práticas que estejam sempre e cada vez mais em harmonia com o objetivo de promover um desenvolvimento que não comprometa as necessidades das gerações futuras. BNDES. o grupo Dow Jones lançou o Dow Jones Sustainability Index. o primeiro índice global que considera a performance ambiental das empresas. O Pacto Global é uma iniciativa que tem como objetivo mobilizar a comunidade empresarial internacional para a promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos. sensibilizar e engajar continuamente as partes interessadas nas políticas e nas práticas de sustentabilidade da instituição. tendo por base a Política Nacional de Meio Ambiente. A partir de então. Considerar os impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas análises de risco de projetos. Banco do Nordeste. Informar. em Davos. Banco da Amazônia. Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil). outros bancos passaram a expressar publicamente sua preocupação com a variável ambiental nos negócios. Trata-se de uma carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos oficiais (Banco do Brasil. No Fórum Econômico Mundial.

entre outros. Santander. realizada no mesmo ano. Desde 2006. Para as categorias A e B. braço financeiro do Banco Mundial. por exemplo. revelou uma profunda contradição: 97% das empresas entrevistadas afirmaram que a responsabilidade social faz parte da visão estratégica nas suas decisões. respectivamente. a Comissão Técnica de Balanço Social da Associação Brasileira de Mercado de Capitais (Abamec). apesar de três quartos dos fundos que favoreceram empresas social e ambientalmente responsáveis terem tido um desempenho superior à média.alto risco. 51 . Nesse mesmo ano. para empresas que pleiteiam a partir de US$ 10 milhões. à observação das condições de trabalho. e chegou a resultados aparentemente animadores: a) 41% dos analistas levam em consideração as informações de natureza social em todas as suas análises. Em agosto de 2001. Sua performance no Brasil é singular. Crédit Lyonnais. seu objetivo original era verificar se os projetos que requeriam financiamento cumpriam as exigências de sustentabilidade. os fundos de investimento adaptaram-se rapidamente à nova realidade. A significativa adesão do segmento produtivo brasileiro à ecoeficiência conduziu a uma revisão nos critérios de financiamento dos Bancos. Barclays. Itaú Unibanco S/A). em 1998. Rabobank. principalmente. Para atender ao investidor ambientalmente ético. devendo ser reportadas ao mercado. lançou uma Declaração Internacional sobre o compromisso com o desenvolvimento sustentável que contava. A III Pesquisa de Responsabilidade Social da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). ainda não existia uma série histórica que comprovasse definitivamente a correlação entre ética e lucro. sendo que o Banco do Brasil foi o primeiro Banco oficial a integrar o grupo de instituições financeiras brasileiras a aderir à medida. passou a ser obrigatório. fundada em 1992 e ligada ao Programa das Nações Unidas para o Ambiente ( UNEP). chegando. em março de 2001. Crédit Suisse.baixo risco. b) a Educação e Meio Ambiente são considerados muito importantes por 62% e 47% dos entrevistados. aos níveis de poluição e das emissões de gases de efeito estufa. WestLB e Westpac). no ano de 2000. HypoVereinsbank. realizou uma pesquisa junto à comunidade de analistas e investidores com o objetivo de diagnosticar a posição dos agentes do mercado em relação às informações de natureza social utilizada para análise das companhias. Entretanto.médio risco e C . foram criados os chamados fundos éticos. os bancos elaboram um relatório sugerindo mudanças no projeto. São Paulo. ambientais e de governança corporativa são aplicados no processo de seleção dos melhores papéis.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 (ABN Amro. a Corporação Financeira Internacional (IFC) passou a exigir que os Bancos afiliados também se fossem signatários do processo designado Princípios do Equador. é o alcance dos impactos ambientais do projeto. mas 77% não publicam nem mesmo o Balanço Social. de acordo com critérios estabelecidos pelo International Finance Corporation (IFC) . a 171 instituições de 46 países. Um dos fatores que condicionam a liberação de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). pela efetividade na aplicação de várias diretrizes. Naturalmente. Royal Bank of Scotland. A Financial Institutions Initiative (FII). Não apenas pela velocidade na adesão. A partir da análise. e c) 85% consideram que as ações sociais internas são levadas em conta em suas análises. com mais de 100 adesões por parte de instituições financeiras. Segundo pesquisa realizada pelo Finance Institute for Global Sustainability (FIGS). mas. e 84% levam-nas em consideração pelo menos em metade de suas análises. considerado um modelo de prestação de contas essencial. Além disso. em que os critérios sociais. os projetos são classificados de acordo com o risco social e ambiental que apresentem: A . Banco do Brasil. nem toda boa intenção se traduz em prática. apresentar avaliação ambiental do projeto e provar que adotam critérios sociais. além da divulgação do Balanço Social da empresa. com a adesão de cinco bancos de capital nacional (Bradesco. B . Citigroup. Caixa Econômica Federal. à realização de consultas públicas para verificação da viabilidade do projeto. de maneira a adequá-los às exigências internacionais. Esses critérios preveem especificações para cada categoria de projetos no que se refere aos cuidados com as populações atingidas pelos empreendimentos. o Brasil continua sendo o único representante dos países emergentes no conselho da entidade.

figuram no hall de preocupações dos investidores.545. medidas adotadas para evitar. e cumprimento das disposições legais. Um número crescente de investidores passou a optar por investir em empresas que demonstram. O Real também incentiva entre os clientes o acesso ao crédito para a correção de problemas ambientais já existentes. Alguns setores produtivos estão excluídos da carteira de clientes do Banco: os que utilizam o trabalho infantil ou incentivam direta ou indiretamente a prostituição. de alguma forma. vigiu a ideia de que investimentos socialmente responsáveis comprometem o retorno financeiro. de uma maneira geral. tabaco e álcool. Hoje. como. Durante muito tempo. a qual estabelece a exigência de documentação comprobatória de regularidade ambiental e outras condicionantes para a concessão de financiamentos agropecuários no Bioma Amazônia. a longo prazo. O atendimento aos parâmetros resultou numa nota. Outro componente desse cenário é o II Acordo de Capitais de Basiléia. o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou um sistema nacional com informações sobre a situação ambiental e fundiária da propriedade privada e aprovou a Resolução 3. nessas empresas. Nesse cenário. No que diz respeito à negação de crédito para empresas que desrespeitam o meio ambiente. Além disso. Questões como bem-estar dos funcionários. Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR) – Histórico e Evolução Investimentos socialmente responsáveis são aqueles que integram ganhos financeiros. forma de uso dos recursos naturais. corresponsabiliza as instituições financeiras por danos causados ao meio ambiente. incentivando o aumento da produção por hectare e o incentivo à utilização de técnicas de manejo florestal. Por ser a criação bovina é a principal responsável pelo aumento dos índices de desmatamento na região Norte. causando mais desemprego. ou por serem altruístas ou por perceberam. a resolução ainda tenta induzir o crédito a atividades menos devastadoras. problemas ambientais e o impacto social de alguns produtos. e a empresa não venha a falir. A política inclui também projetos de médio porte abaixo do limite estabelecido pelos Princípios do Equador. Os Bancos deverão checar. 4. enquanto o não atendimento dos mesmos pontua negativamente. agregando novos riscos. a Lei Federal 9605. uma das maiores empresas do mundo em análise de crédito. o ambiental. Além disso. em 28 de fevereiro de 2008. como armas. que trata dos Crimes Ambientais. diminuir ou remediar impactos. se destaca por ter sido o primeiro no País a aplicar critérios de RRA em toda sua cadeia produtiva. conta com uma política própria de concessão de financiamentos sob a avaliação de aspectos socioambientais. se o proprietário solicitante de crédito tem algum passivo ambiental ou fundiário. para que o passivo não se mantenha. uma preocupação com os impactos de suas operações no meio ambiente e na sociedade. por exemplo. adotado a partir do final de 2007 pela maioria dos países e não apenas pelos países-membro.” 52 . o Banco Real.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 O SERASA. ambientais e sociais. O novo acordo considera outros riscos enfrentados pelos bancos para efeito de cálculo de capital regulamentar e exige modelos de gerenciamento de risco mais precisos. nessa rede de informações. sabe-se que investir levando em conta valores éticos pode aumentar consideravelmente os ganhos financeiros. atual Santander. Esse ideário deverá mudar a atuação das instituições financeiras bancárias em relação às questões ambientais. os que extraem madeira nativa não certificada e operam com a indústria do amianto. que permite a avaliação das empresas segundo quatro critérios: política e gestão ambiental. por parte de bancos públicos e privados. lançou recentemente o Relatório de Responsabilidade Ambiental (RRA). para a sua empresa – conceito conhecido como “sustentabilidade corporativa. As empresas que incluem as questões socioambientais em sua estratégia estão criando valor.2. uma opção mais lucrativa.

O que se tem de fato é. dos US$ 25.org. Quanto ao valor de mercado das ações. os Quakers. a revolução tecnológica e da informação. nos últimos dez anos. Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). embora existam desde década de 60. De 1995 a 2007. As preocupações crescentes com questões ambientais como lixo tóxico. num cenário em que figuram a globalização. Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Bovespa. os judeus tinham leis que orientavam investimentos segundo princípios éticos. o montante de investimento envolvido nessa modalidade aumentou mais de 320%. Atualmente. Acessado em 10-05-2009 53 . aumentando o interesse e as opções de investidores socialmente responsáveis. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Ministério do Meio Ambiente. que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e com a responsabilidade social. em novembro de 2009. 2007. Mais recentemente. por exemplo. tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e com a sustentabilidade empresarial. Nos tempos bíblicos. sendo que os três mais recentes concernem à construção civil. indicador composto de ações emitidas por empresas. Nos Estados Unidos. a integração dos mercados e a queda das barreiras comerciais elevaram os níveis de competição a uma escala planetária. A sustentabilidade corporativa passou a ser vista como vantagem competitiva e fundamental para a sobrevivência das empresas a longo prazo. e de 36 ações para 43. produtos socialmente destrutivos como álcool e cigarros. estão na ordem do dia. na África do Sul. a seguros e a máquinas e equipamentos. praticavam atividades socialmente responsáveis. foram incluídas questões sobre o desempenho da 33 Site do Social Invest. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). A quinta e mais recente carteira do ISE registrou um aumento de 28 para 34 Companhias. para R$ 730 bilhões.76%) estavam aplicados em fundos ISR. conhecida como Apartheid. Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. além de atuar como promotor das boas práticas no meio empresarial brasileiro. International Finance Corporation (IFC). o clima social dos anos 60 acendeu a discussão em torno de questões sobre direitos civis e o meio ambiente. no século XVI. os investimentos socialmente responsáveis virem crescendo no mercado financeiro norte-americano. www. Não é possível afirmar se essa modalidade de investimento terá sempre um desempenho superior.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Há muitos séculos há registros de pessoas que levam em conta seus valores éticos ao realizarem investimentos. em parceria com várias instituições. assim como direitos humanos. devido ao recente boom da responsabilidade social empresarial. em dezembro de 2008. 33 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE/BOVESPA A carteira do ISE. O fato mais significativo que marcou a entrada dos investimentos socialmente responsáveis na agenda internacional foi a campanha contra a discriminação racial institucionalizada. Como resultado direto desses fenômenos. aquecimento global e desastres ambientais. representando 15 setores. observaram-se consumidores mais conscientes e exigentes e empresas cada vez mais preocupadas em investir na qualidade de seus produtos.socialinvest. Além da BM&F Bovespa. este cresceu de R$ 372 bilhões. influenciando os investidores. baseados em suas crenças de igualdade e não violência. Contribuíram para esse desempenho algumas medidas introduzidas no questionário nos últimos quatro anos. US$ 2. Na versão de 2006. Ao final de 2007. o Conselho do ISE é composto pelas seguintes entidades: Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). foi lançada em 2005 pela Bolsa de Valores de São Paulo. processos e relações.7 trilhões (10.1 trilhões aplicados na indústria de fundos.

Copel. Sabesp. Gerdau Met. Natura e Telemar. Braskem. Ao longo desse tempo. e o atual índice. o interesse de investidores por ações socialmente responsáveis também cresceu muito. fica limitada a uma participação de 15% por setor econômico. CPFL Energia. tem-se a ajuda em promover e em conferir credibilidade ao tema da sustentabilidade entre os investidores tradicionais – na última década. Eletropaulo. enquanto. na fórmula de cálculo anterior. Brasil. Sul America.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 empresa em relação à corrupção e anúncio do lançamento de procedimentos de verificação.11. Usiminas. Atualmente.bovespa. agora. Embraer. Duratex. Light S/A. Coelce. BRF Foods. Esses dados sugerem que os investidores socialmente responsáveis deverão acompanhar a tendência atual do mercado tradicional e também procurar oportunidades de investimentos em Venture Capital/Private Equity. que se estabilizaram como uma classe de investimentos. Vivo. atualmente. Prova disso foram os mais de 03 trilhões de dólares aplicados em fundos que utilizam critérios sociais. está constituído pelas seguintes companhias: AES Tiete. é a realizada em empresas de capital aberto. Investimentos em Empresas de Capital Aberto A forma mais popular de investimentos socialmente responsáveis. normalmente através de Fundos de Investimento.com. Indústrias Romi. ambientais e éticos para selecionar ações. Itausa. Tractebel.2009 Atualmente. Cemig. Bradesco. Entre os positivos. Dasa. ItaúUnibanco. Fibria. Redecard. que vigorará até 30 de novembro de 2010. era de 25% por empresa. que utilizam critérios socioambientais de seleção. Gerdau. Fonte: www. foi a mudança na metodologia de formação da carteira que. há registros de 42 fundos de Venture Capital ligados a atividades 54 . Outra inovação recente foi a inclusão de perguntas sobre as iniciativas da empresa face às mudanças climáticas. Uma das novidades introduzidas nas regras do ISE.br. Esse tipo de investimento apresenta pontos positivos e negativos quanto a sua aplicação. entre eles a exigência de apresentarem documentos que comprovem a veracidade das informações prestadas nos questionários. 34 empresas estão listadas no ISE. houve um aumento dos investimentos em Private Equity e Venture Capital. Acessado em 26. Tim Participações S/A. em 2009. Suzano Papel. Eletrobras. Energias Br. Even. Cesp.

englobando os direitos trabalhistas e políticos. São empresas. O fenômeno da globalização impõe a criação de parâmetros de comportamento que possam ser compartilhados por todas os stakeholders. Embora bem vistas pela sociedade. que não resultam em benefício de longo prazo. 35 Já a Responsabilidade Social visa ao envolvimento e ao desenvolvimento contínuo da sociedade com a qual se trabalha. tal como a educação e a capacitação em projetos de geração de renda. Por que uma norma em responsabilidade social? A Norma ISO 26000 Voltando à norma internacional em RSE. além da preservação ambiental. realizadas. Ações filantrópicas são atitudes que causam impacto momentâneo. voltada para o futuro. como. É uma ação bem mais abrangente. ao incorporarem (ou melhor. mas sim esclarecer o que cada uma delas significa. as empresas que exercitam a filantropia não podem se autodenominar empresas socialmente 34 35 Fonte: Consultoria Tony Lent. poderão contribuir para a utilização mais consciente e sustentável de nossos recursos naturais e humanos em escala global e um futuro digno às próximas gerações. Governos. sejam as privadas –. funcionando principalmente como conforto pessoal e moral de quem a pratica. Managing Director EA Capital Corrêa e Medeiros (2003) 55 . são ações pontuais e temporárias. a existência de um padrão pode vir a ser muito útil para eliminar a confusão que é feita entre RSE e filantropia. associações. agir de forma responsável significa investimentos necessários no “hoje” que visam diminuir o impacto de suas ações em troca de um retorno social (e também nos negócios) no “amanhã”. Trata-se de uma atitude coletiva. Ademais. entidades da sociedade civil e ONGs (o “Terceiro Setor”) dos mais variados perfis que. a par do direito dos consumidores. Para as instituições e organizações – sejam as públicas. Não se pretende discutir qual das duas atitudes (filantropia ou RSE) é a melhor para a empresa. as ações de RSE oferecem oportunidades no futuro. A norma pressupõe maior transparência das organizações na comunicação de suas ações a todos os públicos interessados em seu processo produtivo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 sustentáveis no mundo. As principais categorias e suas respectivas taxas de retorno esperadas estão relacionadas na tabela a seguir: 34 Categorias Exploração Sustentável de Florestas Agricultura Orgânica Fair Trade Inner-City VC Funds Brown Fields Tecnologias Sustentáveis Rentabilidade 8-15% 5-35% 10-15% 15-35% 20-50% 15-25% 4. ao fazer a distinção entre as duas práticas. conforme se comentou. por exemplo. internalizarem) em seus modelos de gestão princípios de RSE. doações de comida e roupas aos necessitados. e quando devem ser implementadas: enquanto as ações filantrópicas garantem a sobrevivência no dia de hoje. O que se espera é que uma norma internacional facilite a implementação de ações concretas que respondam à crescente preocupação e pressão da sociedade em relação aos direitos humanos em seu sentido mais amplo.3. A questão mais importante a destacar é a de que. além da existência de distintas interpretações de RSE. há o problema da padronização de um conceito tão amplo.

As normas ISO 9000 e ISO 14000 estão entre as mais conhecidas certificações no mundo: a primeira está relacionada à Gestão da Qualidade e a segunda à Gestão do Meio Ambiente. A ISO criou normas técnicas para quase todas as atividades econômicas. Uma de suas finalidades é definir um padrão mundial para implementação de normas e diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental nas organizações.4. funcionando como uma rede integrada internacional de órgãos de normalização em todo o mundo. Conforme mencionado anteriormente. oficialmente. Por intermédio de cooperações no âmbito científico. Por fim. pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e saúde para os trabalhadores” 36. de Gestão da Qualidade e a ISO 14001. www. O processo de criação da ISO 26000 Os debates para a construção da futura norma de RSE já estavam ocorrendo desde o ano de 2000. Esse grupo. O Instituto Ethos classifica uma empresa como socialmente responsável quando ela vai “além da obrigação de respeitar as leis. conhecido como Grupo Consultivo Estratégico (SAG) 37. todos os países membros da organização podem traduzi-la e adotála como norma nacional. do ingles. foi o responsável pelas primeiras discussões. os representantes dos setores sobre os quais a norma terá algum impacto reúnem-se. O objetivo inicial era recomendar à ISO se tal tinha condições. eficiente e gerar mínimo impacto na natureza. a organização acredita que a padronização dos processos em nível internacional facilita o intercâmbio de produtos e serviços.org. Nessa fase. para trocar experiências e identificar as melhores práticas de gestão com o objetivo chegarem a um acordo sobre cada aspecto da norma. os primeiros passos para o desenvolvimento de uma norma se dão através da formalização de um grupo de membros. A International Organization for Standardization (ISO) é uma organização não governamental criada em 1946. de Meio Ambiente. compõe a denominação da organização responsável pela criação dessa norma bem como de outras anteriores. São séries que beneficiam empresários na busca por soluções de problemas de produção e melhoria de produtividade. de prosseguir com o desenvolvimento de uma norma de Responsabilidade Social. na Suíça. periodicamente. a ISO possui um portfólio de mais de 15. além de tornar o negócio mais transparente. A seguir. além dos avanços na área tecnológica. tecnológico e intelectual.000 normas que recomendam as melhores práticas aos mais variados ramos de negócios. O prefixo da língua grega ”iso-”. 4. A ISO 26000 é considerada a “terceira geração de normas”. que significa “igual”. isso porque o desenvolvimento de uma norma em Responsabilidade Social se dá após a consolidação das normas que a precederam: a ISO 9001.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 responsáveis. em maio de 2002. A criação de uma nova norma decorre de consenso por parte dos membros que participam de sua elaboração. Atualmente. formada por representantes de mais de 155 países. quando uma norma internacional da ISO é publicada. destacam-se as principais questões debatidas durante este período pelo SAG: 36 37 Strategic Advisory Group.br 56 . associados a ISO. embora as primeiras discussões tenham começado. pesquisas e sugestões sobre qual seria o escopo e a abrangência da norma nos futuros debates. com sede em Genebra. que é de responsabilidade da International Eletrotechnical Commission (IEC). a disseminação do conhecimento e das boas práticas em gestão. exceto para o campo da eletroeletrônica.ethos. ou não.

dentre outras questões. O SAG terminou o seu trabalho em abril de 2004. Organização Internacional do Trabalho (OIT). de participação de todas as ”partes envolvidas”) para garantir maior legitimidade no documento final. Reconhecer que. as diretrizes da ISO 26000 devem ser complementares aos padrões já estabelecidos pela OIT nesta área. e 3) O nível de competência da ISO para desenvolver uma norma em RS. em uma base tripartite. 57 . além de outras convenções da ONU. pela complexidade e evolução rápida do tema. o que se deve esperar da ISO 26000 é um instrumento que vise à complementação ao cumprimento das diretrizes e leis estabelecidas pelos Governos e/ou as entidades internacionais acima citadas. Em outras palavras. Reconhecer que a ISO não possui autoridade ou legitimidade para criar obrigações sociais e políticas que são definidas pelos Governos locais e organizações intergovernamentais. o SAG recomendou que a futura norma: Fosse desenvolvida como uma diretriz e não como uma norma de requisitos (portanto. Revisar seus produtos e. não será fácil harmonizar todos os compromissos substantivos de Responsabilidade Social. mais uma restrição à interferência da norma em questões legais e padrões já estabelecidos sobre os temas abordados. nível de abrangência. qual era o “nível” de entendimento de RSE no mundo e quais eram os pontos a serem considerados pela ISO para que se pudesse criar um conceito universal nessa área. sem envolver certificação) que servisse de base para verificações de conformidade ou para apoiar as certificações existentes. fazer ajustes para garantir uma participação significativa das partes interessadas. como os Direitos Humanos. é a partir da compreensão dessa importante premissa que a ISO 26000 buscou uma dinâmica multistakeholder (ou seja. Reconhecer que a OIT tem um mandato único como a organização que define. muitas vezes subjetivas e de difícil mensuração (se comparado ao cumprimento de qualidade de um produto).Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 1) Discussão sobre quais seriam as referências necessárias para um conceito – aceito por todos – de RSE. Poder-se-á citar ainda a necessidade e a importância do envolvimento de todos os stakeholders no processo produtivo como um tema que exige um grande debate. integração dos instrumentos legais e a análise de iniciativas já existentes neste campo. – fato reconhecido pelos próprios membros do SAG –. quando necessário. como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 2) Tópicos para a criação de uma norma em RS que incluíssem aspectos de custo e benefício. a recomendação do SAG para o desenvolvimento de uma norma só deveria prosseguir se se considerassem algumas premissas. normas internacionais com respeito à questões trabalhistas. Segundo Ursini & Sekiguchi (2005). entre elas: Reconhecer que a RS envolve um número de temas qualitativamente diferentes dos já trabalhados pela ISO. Limitar o escopo do tema de maneira que sejam evitados assuntos que só possam ser tratados no campo político: ou seja. Com relação ao escopo do trabalho. O seu relatório demonstrava. apesar de a Responsabilidade Social ser um tema complexo e de difícil definição. são questões de natureza social.

identificação e engajamento das partes interessadas (stakeholders). voltada às demais organizações e a todos os setores (como Governos e ONGs). Não tivesse a intenção de reduzir a autoridade governamental no que tange à Responsabilidade Social das organizações. gerente-executivo da Companhia Suzano Papel e Celulose. sem certificação). Contribuísse para que as organizações pudessem. Entre os primeiros acordos obtidos está a confirmação das recomendações do SAG sobre a necessidade de uma norma que apresentasse diretrizes. abordar o tema de Responsabilidade Social em diferentes culturas. Outro importante avanço resultante dessa conferência foi a decisão de desenvolver a norma através de uma parceria entre um país desenvolvido e um em desenvolvimento. os seguintes aspectos: A ISO busque trabalhar a fundo. mas. Pudesse complementar outros instrumentos e metodologias relevantes. Ocupando a presidência está o brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira. na Suécia. engenheiro. Enfatizasse resultados de melhoria e desempenho. O novo comitê fosse composto por diversas partes interessadas e trabalhasse de forma coordenada com os comitês já existentes. entre outras recomendações. para permitir uma participação significativa dos países em desenvolvimento. responsável pela criação da norma. com os brasileiros na presidência e os suecos na secretaria do Grupo de Trabalho (GT) de Responsabilidade Social da ISO. Adotasse uma terminologia comum para o tema de responsabilidade social. o SAG destacou. em junho de 2004. a Conferência Internacional da ISO sobre Responsabilidade Social. Fosse escrita em linguagem clara e inteligível. além do aumento da credibilidade da empresa. a vice-presidência coube ao sueco Staffan Söderberg. também. representante da World Wildlife Fund (WWF). Foi através deste relatório do SAG que se realizou. efetivamente. ocorrida em Estocolmo. escrita em linguagem de fácil entendimento. A necessidade de se criar um comitê próprio para a Responsabilidade Social dentro da entidade (não utilizando nenhum comitê da ISO já existente. Pudesse introduzir guias práticos sobre métodos e opções de operacionalização da RS. 58 . a parceria entre Brasil/Suécia foi a vencedora. Das candidaturas submetidas. O objetivo do evento foi discutir os pontos levantados pelo SAG e aprofundar o debate com todos os membros e países envolvidos na ISO para a construção de um consenso sobre o assunto.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Não fosse apenas para uso por parte das empresas privadas e grandes corporações (multinacionais). Também com relação ao processo de construção. devido à complexidade do tema). aplicável a todos os portes. sociedades e ambientes. sem ser um documento de requisitos (isto é. em setembro de 2004.

desenvolvimento humano dos trabalhadores. direitos fundamentais do trabalhador. visando orientar as organizações de todos os tipos e tamanhos sobre os cuidados e princípios que devem seguidos por quem. tratando-se do agente que origina uma externalidade – não apenas a poluição como também o uso indiscriminado dos recursos. A norma. não são passíveis de auditoria ou certificação. (2007) Adaptado de “Brasil e a futura Norma Internacional 26000” 59 . sociais e culturais. evitar a cumplicidade e a discriminação e cuidar dos grupos vulneráveis. um dia. Conforme foi decidido na 3ª Reunião Plenária. prevenção da poluição e os princípios da precaução. Práticas trabalhistas: tratará do emprego e das relações de trabalho. combate e adaptação às mudanças climáticas (confirmando que as alterações no clima já impactam a vida das sociedades). por exemplo – que deve assumir os custos impostos aos outros agentes. trazer as orientações necessárias para o processo de incorporação da responsabilidade social e ambiental às atividades de uma organização. em si. uma norma de diretrizes e não de especificações. Elas tendem ainda a ser mais abrangentes. condições e proteção social. deseja se tornar socialmente responsável. resolução de conflitos.38 Em vista do reconhecimento prévio da complexidade no tratamento do assunto de RS. respeito aos direitos de propriedade.5. sistemas e entidades que. F. Práticas operacionais justas: compreende o combate à corrupção. servindo como um guia para a implementação do sistema de gestão mais adequado às necessidades de cada organização. produtores e/ou consumidores que sentirão os efeitos de sua ação). Ambos comandaram todos os encontros seguintes à Conferência de Estocolmo. os temas centrais que regem o desenvolvimento na nova norma são os seguintes39: Direitos Humanos: visa garantir os direitos civis. como foi dito. políticos. Meio ambiente: uso sustentável dos recursos. chamado de usuário-pagador. A abrangência do “trabalho” refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalhador autônomo. e promoção da RS na esfera de influência da organização. além de indicações sobre os principais instrumentos.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 A entidade que representa a ISO em âmbito mundial e tem papel decisivo na elaboração da norma. Normas de diretrizes. da responsabilidade ambiental e do “poluidor-pagador” (ou ainda. tem como objetivo. saúde e segurança do trabalho. Compondo a chapa. concorrência e negociação justas. atualmente. A ISO 26000 será. a representação sueca ficou a cargo do Instituto Sueco de Normatização ( Swedish Standards Institute – SIS). 4. econômicos. a fim de que as iniciativas duvidosas sobre o assunto possam ser claramente resolvidas. a ISO 26000 busca estabelecer um entendimento comum (aceito internacionalmente) sobre o que de fato significa responsabilidade social. envolvimento político responsável. diferente das de especificação. tratam do tema. 38 39 CREDIDIO. muito já se pode apresentar e discutir a respeito de seus principais aspectos. do ciclo de vida. Características da ISO 26000 Apesar das expectativas em torno da nova norma de Responsabilidade Social. diálogo social. proteção e restauração do ambiente natural. é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O objetivo é. Desenvolvimento e participação da comunidade: trata do envolvimento com a comunidade na busca de seu desenvolvimento e atuação conjunta nos negócios. leve em consideração as expectativas dos stakeholders. na esperança de que o discurso corporativo socialmente responsável e as verdadeiras práticas e políticas empresariais se tornem cada vez mais próximas e esclarecedoras. desenvolvimento tecnológico. inclusive a saúde e bem-estar da sociedade. a seguir. até a sua publicação final. Trata-se ainda das mudanças na cultura e nos valores da organização. como já disse. privacidade e proteção de dados. Governança organizacional: engloba aqui os processos e estruturas de tomada de decisão. consumidores. a responsabilidade pela indicação dos especialistas ficou a cargo da ABNT. a ISO criou um Grupo de Trabalho composto de representantes de todas as “partes interessadas”. 4. governo. a uma análise crítica. no dia a dia da instituição. têm-se: Consumidores – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC). educação. da Universidade de São Paulo e ONGs – Instituto Akatu. que substituiu a Natura. delegação de poder e controle. marketing e comunicação (com o máximo de transparência na divulgação de seu produto/serviço ao comprador). consumo sustentável. proteção.). Análise crítica: os prós e contras da ISO 26000 Até aqui. e especialistas indicados por órgãos nacionais de normalização. bem como o processo de desenvolvimento da “futura norma”.. por meio de um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento sustentável. moradias. que se encontra bem próxima. quanto de uma revisão das opiniões expressas por diferentes especialistas no assunto. dentre outras necessidades locais). Vai-se proceder. substituto do Instituto Ecofuturo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Questão dos consumidores: visam às práticas justas de negócios. quando se fazem necessários para a internalização dos princípios de RS. saúde e segurança do consumidor. apresentando os pontos positivos. investimento social (saúde. No Brasil. Representando as outras cinco categorias.6. mostrando suas limitações. A ISO 26000. Empresas – Furnas. que tinham direito de voz e voto nas plenárias semestrais. todas as partes poderem ser ouvidas e incluídas no processo. que. o processo de construção da norma e a criação de uma definição “global” de Responsabilidade social. São visões que partem tanto da visão autoral. define responsabilidade social como a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente. Começa-se observando o caráter básico da ISO 26000. também. através da padronização das diretrizes. em todo o processo de construção da norma. por fim. criação de empregos e geração de riqueza e renda. discutiu-se a evolução da RSE. Governo – Ministério da Ciência e Tecnologia. As diretrizes da ISO 26000 têm como objetivo buscar a amplitude na participação das diferentes entidades representantes da sociedade civil (empresas privadas. A entidade convidou o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) para indicar um especialista que representasse a parte interessada “trabalhadores”. mas. Deve-se destacar ainda que. terceiro setor. esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento. serviço e suporte pósfornecimento. é um grande 60 .. esteja integrada em toda a organização e seja praticada em seus relacionamentos. Outros (academia) – Fundação Vanzolini. É por contar com o trabalho e com a troca de experiências de diferentes especialistas que a nova norma também possui a característica de ser multistakeholder. educação e conscientização.

economicamente falando.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 desafio ao requerer o consenso entre os mais de 155 países-membros da ISO. caso contrário. em especial das pequenas e médias empresas (PMEs) e ONGs. péssimas condições sanitárias. Deixarão de lado. Dependendo da análise custo-benefício. obrigue essas organizações a transferirem esses repasses ao consumidor final. vindas de países com cultura. que mais confundem do que geram eficácia quando da sua aplicação. Um último aspecto que se caracteriza como limitante é a possível dificuldade de comprovar a adesão à norma. e iniciativas já consolidadas. Pressionadas pela crescente cobrança da sociedade civil e temendo perder seus clientes e consumidores. Caberá. a adoção de uma norma implica o aumento de custos. Por outro lado. ao final do processo. Independentemente de seu conteúdo. a definição expressa contribuirá para diminuir o excesso de normas. que resultam em embargos e boicotes comerciais. com a publicação da norma. Assim. comportamentos e modelos de gestão. portanto. a adesão à ISO 26000 pode ser responsável por um aumento tão significativo nos custos que. como o Global Reporting Initiative (GRI). Para os países pobres ou de poucos recursos. Isso significa trabalhar visões distintas de RSE. pois trata-se de questões não mensuráveis e/ou intangíveis. todos os países devem ser ouvidos. Por se tratar de uma norma de diretrizes. portanto. se se almeja criar uma norma de aceitação global. facilitando a adesão das pequenas e médias empresas (PMEs). não se pode deixar de apontar suas limitações. caso essa norma se torne certificável. alto índice de pobreza. Além do mais. Ao colocar em prática as ações de RSE aceitas no 61 . haverá muita dificuldade em criar um padrão de auditoria. entre outros). Limitações da Norma No que tange aos custos de adequação a uma norma. esse aspecto esteja bem claro para os interessados. Uma questão levantada por Ursini & Sekiguchi (2005) diz respeito ao caráter empresarial das certificações ISO e a sua força de mercado. conforme defendem Ursini & Sekiguchi (2005). Como se trata de diretrizes apenas. “um padrão internacional da ISO pode tornar-se um referencial único e integrador mundial das principais ferramentas de Responsabilidade Social”. uma análise individual por parte de cada organização no momento de avaliar a viabilidade. a oportunidade de criar um ambiente de reflexão sobre seus valores. costumes. o Pacto Global). Mesmo contrariando os princípios da ISO 26000. de que forma as organizações comprovarão que suas atividades estão de acordo com as especificações recomendadas? Se não existe um formato de auditabilidade. Ainda segundo esses autores. Uma norma internacional de RS pode vir a reduzir a influência da aplicação de outros protocolos (como a OIT. política e sociedade total ou parcialmente divergentes. abrindo espaço para as grandes empresas de auditoria atuarem. Aspectos positivos da ISO 26000 Uma característica que merece destaque é o fato de ter sido decidido que esta seria uma norma de diretrizes. a adoção de um padrão internacional de RSE pode ajudar a quebrar a visão preconcebida da comunidade internacional sobre os seus desafios internos (tais como. a adesão à norma também pode estar motivada por razões puramente comerciais. espera-se que. padrões. e não de certificação. o custo é bem menor. de adotar as práticas de RS. algumas empresas podem vir a adotar a nova norma com o fim único de manter uma boa imagem perante o público. história. a busca por uma definição internacional de Responsabilidade Social pode facilitar a troca de experiências e práticas entre os participantes. essa barreira poderá gerar um desinteresse por parte das organizações em adotar a ISO 26000. metodologias e referências distintas que estão hoje no mercado a respeito de RSE. trabalho infantil. e das organizações do Terceiro Setor. Logo.

passou a se chamar de Grupo Tarefa de Responsabilidade Organizacional (ABNT/GTRO). É o primeiro documento sobre o assunto que apresenta um conteúdo amplo e foi construído com base no consenso entre diferentes representantes do mundo inteiro. Ela possui os requisitos necessários para que a organização saiba trabalhar com o seu público interno (funcionários e colaboradores). a NBR 16001 é uma norma de especificidades e. que contempla esse aspecto. 2008). comunidades e imprensa. sim.7. Finaliza-se este tópico comparando a ISO 26000 com a já estabelecida norma brasileira de RS. a norma ainda possui um perfil empresarial e é limitada na sua capacidade de atrair um público potencial que poderia adotar suas especificações. em 2002. e a parceria da ISO com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). com a ressalva de que a ISO 26000 será complementar aos padrões internacionais da OIT. Em paralelo ao processo de desenvolvimento da 26000. posteriormente. mas é bem mais abrangente. act). ISO 26000 e NBR 16001: uma breve comparação A reflexão apresentada a seguir consistirá em uma breve análise comparativa entre as características da ISO 26000 e a NBR 16001 – a norma brasileira de responsabilidade social. exige certificação. além da representação de todos os grupos de stakeholders envolvidos. eliminará (no sentido positivo) 62 . Já a ISO 26000 dirige-se às organizações que encaram a responsabilidade social como uma filosofia corporativa. diante de importantes acontecimentos ocorridos na década de 90. e a participação de organismos multilaterais. pode-se concluir que o foco da norma brasileira é a busca da transparência com os stakeholders. A norma brasileira se baseia no mesmo sistema de gestão das ISOs 9001 e 14001 – o modelo PDCA (plan. A Associação Brasileira de Normas Técnicas. devido à credibilidade da ISO – poderá facilitar a troca de experiência e o melhor entendimento da temática. A ABNT define a RS como a “relação ética e transparente da organização com todas as suas partes interessadas. esse foi o grupo que representou o Brasil na elaboração da ISO 26000. A partir dessa definição. Apesar de seu caráter inovador. além de melhor acesso ao comércio internacional. esses países poderão ganhar maior presença e visibilidade. do. que ela possui um sistema de gestão de Responsabilidade Social. Convém destacar ainda o esforço do grupo gestor em garantir a participação equilibrada entre os países. sindicatos. Atender aos requisitos da norma brasileira não significa que a organização seja socialmente responsável. responsável pela disseminação de conceitos de Gestão da RS e suas ferramentas de apoio no Brasil. um Grupo Tarefa sobre Responsabilidade Social Corporativa (ABNT/GTRSC) que. mas. ONGs. Não se pode negar que a criação de uma norma em RS – com aceitação mundial. visando ao desenvolvimento sustentável”.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 mundo todo. diferentemente da ISO 26000. buscando influenciar uma mudança na cultura organizacional. além da busca pela relação ética com outros públicos. muito mais do que apenas um sistema inovador de gestão (CHELEGON. Considerações finais A norma ISO 26000 pretende ser a grande referência sobre responsabilidade social em todo o mundo. Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). decidiu criar. check. Esse esboço tem como objetivo indicar os pontos convergentes e divergentes entre as duas práticas. como Governos. Ademais. 4. portanto. Diferentemente da ISO 26000. Não por acaso. a elaboração da norma brasileira de requisitos mínimos para um sistema de gestão da Responsabilidade Social (ABNT/NBR 16001) foi concluída em setembro de 2004. que agregam credibilidade à norma: Organização das Nações Unidas (ONU).

Em outras palavras. como tal. como longo prazo e gerações futuras. sobretudo porque a auto regulação ambiental e social transformou-se em estratégia competitiva. por sua vez. A transparência nas ações imposta por lei ou por pressão passará a ser fomentada pelas empresas. no quesito “Atribuição de Responsabilidade”. procurando despertar o empreendedorismo das comunidades através da construção de capacitação institucional de suas organizações. A privacidade das empresas também sai fortalecida quando ela está preparada para enfrentar qualquer tipo de pressão. presencia-se uma relação mais equilibrada entre sociedade e mercado. é dinâmico. A última pesquisa sobre a percepção do consumidor brasileiro. para o qual pesou o fato de liderar o processo de construção da nova norma. espera-se ter deixado claro que a responsabilidade social deve estar internalizada na cultura organizacional de tal forma que prepare a empresa para enfrentar os enormes desafios que envolvem o desenvolvimento sustentável e que a organização que pretenda seguir os princípios de RSE deve começar a fazê-lo a partir da sua própria mobilização interna: é essa transformação que se pode esperar nas próximas décadas. revelou que. Finalmente. O espaço para a chamada auto regulação. o que não pode acontecer é que tal definição ponha um ponto final no assunto. Mesmo próximo de seu lançamento. e aos mecanismos disponíveis. tenham sido historicamente ignoradas pelo mercado. A pergunta que ainda não foi respondida é como financiar essa forma de desenvolvimento que demanda investimentos de longo prazo. Embora variáveis. Ao se revisarem a noção de sustentabilidade (a manutenção do estoque de recursos e da qualidade ambiental para a satisfação das necessidades básicas das gerações atuais e futuras).Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 procedimentos e interpretações diferenciadas de acordo com cada país. democraticamente estruturada. sentemse mais seguros e importantes quanto ao seu papel na sociedade ao interagirem e fazerem parte do negócio da organização. uma vez que estas percebem as vantagens de ouvir os seus stakeholders que. A sinergia Estado/Sociedade Impulsionado pelo imperativo da preservação ambiental. novas formas de articulação de interesses estão sendo introduzidas pelas empresas. as séries 9000 e 14000) ainda são válidas e espera-se também que continuem em debate após a publicação da ISO 26000. patrocinada pelo Instituto Ethos. em cada contexto 63 . Por outro lado. algumas questões críticas levantadas anteriormente (por exemplo. deu um grande passo no sentido da modernização. como suas antecessoras. ainda não inspira confiança e o Estado ainda é visto como o principal regulador dessa prática. Contudo. Face ao exposto. 37% dos mais de mil entrevistados pensam que cabe ao Governo o papel de fiscalizar para que as empresas não poluam o meio ambiente. mais desafiante do que conquistar o mercado financeiro será convencer a sociedade de que a empresa privada – e não o Estado –. apesar das suas ações isoladas e mais focadas na filantropia. portanto. se a norma gerará um certificado. entre todos os atores sociais. deve ser o condutor dessa transição em direção a uma economia sustentável. sem o concurso da comunidade financeira. constata-se que a sustentabilidade do desenvolvimento requer justamente um mercado regulado e um horizonte de longo prazo para as decisões públicas. Com a padronização desse conceito. e assim deve se manter. estando a questão da coordenação condicionada às condições existentes. conclui-se que um projeto de sociedade sustentável será construído com base na inter-relação. O Brasil. espera-se ainda diferenciar de vez a ação filantrópica da ação socialmente responsável. interna ou externa. Responsabilidade Social é um conceito relacionado ao comportamento da sociedade e.

e os ISRs. Questões para refletir/responder: 1. com destaque para os Princípios do Equador. você conheceu como aconteceu o movimento da RSE no setor financeiro. 64 .O que é a Norma ISO 26000 e quais suas principais características? Atividade: O dilema em estar assumindo funções do poder público é vivenciado pela maioria das empresas. é preciso superar a dicotomia "menos ou mais Estado" e buscar a eficácia relativa das diferentes estruturas sociais.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 no qual esse relacionamento se expressa.Quais os principais marcos institucionais? 3. com destaque para a Norma ISO 26000. identificou seus interlocutores qualificados para formação de parcerias e alianças.Como aconteceu o movimento no RSE no setor financeiro? 2. sem negligenciar sua responsabilidade social. o ambiente institucional no qual a empresa atua. De concreto.O que são os ISRs? 4. Revisão de Conteúdo Nesta Unidade. Explique as razões deste impasse e dê sugestões de como a empresa deve agir para evitá-lo.

org/prt/text. CARÍSIO DE PAULA. J. 1984 FRIEDMAN. Hamilton. José Maria R. http://www. 3. Innovation Handbook: A road map to disruptive growth . M. FERREL. ASHLEY. ISO 26000 . FRAEDRICH. 2002 ARRUDA.Nova Fronteira. publicado em 22 fevereiro de 2007. Fundamentos da Ética Empresarial e Econômica. 1970.J: Ed. The Social Responsibility of Business is to Increase its Profits. FISCHER. CARTA DA TERRA – O Texto da Carta da Terra.A norma internacional de responsabilidade social. 2001 FAWKES.com/articles/7474/1/As-8000--NBR-16001-Ou-ISO-26000--Qual-ATua-Empresa-Merece/pagina1. Strategic Management: a stakeholder approach. Artigo apresentado no III Seminário de Economia do Meio Ambiente..com/2007/05/csr_20. 19 a 21 de novembro de 2007. Ano 01 – Nº 1 – 2004. RAMOS.. SP: Reischmann & Affonso. Piers. Maio. Artigo disponível em: www.html.. FERREL.envolverde. O bom negócio da sustentabilidade.com. Estratégias de empresas no Brasil: atuação social e voluntariado. 2005 CORRÊA. 2001.webartigos. 91. FRIEDMAN. Junho/2008. “NBR 16001 ou ISO 26001 – Qual a tua empresa merece?”. L. C. CHRISTENSEN.0. 1999 FREEMAN. São Paulo. Andrés. Harvard. DEMAJOROVIC. “Norma ISO 26000 é aprovada para publicação em 2010”. Paper apresentado no IX ENGEMA. SENAC-SP. CSR 2. et al. Maio de 2003 ALMEIDA.br. Campinas/SP. Revista Filantropia – Online. UNICAMP. 65 . Ética Empresarial: Dilemas. Tomadas de Decisões e Casos. 1984. F. nº 2. Filipe & MEDEIROS.psfk. Fernando. e FALCONER. SP: Atlas. JACQUES DE JACQUES. Strategy and Innovation Collection. Ed. Artigo publicado em http://www. Desenvolvimento Sustentável de Produtos – Análise da lacuna entre a prática e filosofia em empresas do Rio Grande do Sul.html Acesso em: 02/Maio/2009 Disponível em: CHELEGON. I. 2001. R. Acesso em 24/03/2010. Curitiba. September 13. Setembro de 2003. Acesso em 28/02/2010. Reportagem publicada em www. The New York Times Company.internethos. Revista Econômica. Capitalismo e Liberdade. Rosa M. GIFE e CIEE. Sociedade de risco e responsabilidade socioambiental.html Acesso em 22/01/2010. The New York Times Magazine. Responsabilidade Social Corporativa para quem? – 2003 – Disponível em www. J. de. Milton. São Paulo: Editora Abril. P. ____________Regulação e Auto-Regulação no Contexto do Desenvolvimento Sustentável e da Responsabilidade Social Empresarial: o caso do setor de petróleo & gás. C. Senac. Saraiva. Responsabilidade social corporativa e cidadania empresarial: uma análise conceitual comparativa. FERRONI. Maria Cecília C. 2000 BOLETIM Brasileiro do Pacto Global. Maria do Carmo. 2007. O. E. V. Parceria entre o Programa Voluntários e CEATS-USP.org. RJ.Responsabilidade Socioambiental Bibliografia ____________ Polanyi e a Nova Sociologia Econômica: uma Aplicação Contemporânea do conceito de Social Embeddedness. n.br CREDIDIO. João R. Gustavo.cartadaterrabrasil. J. M. WHITAKER.

HOFFMAN. Ed.Responsabilidade Socioambiental GRZEBIELUCKAS. HART. Suplemento especial Clima em Mudança. ed. “Globalization and Corporate Social Responsibility”. CAMPOS. San Francisco. HAWKEN. 77 p. 81.M. p-66-76. “ISO 26000: Uma análise da elaboração da norma internacional de responsabilidade social”. (1. SCHRODER. & BRAUNGART. C. G. Vale investir em responsabilidade social empresarial? Stakeholders. "The core competence of the corporation".C. 05/12/08 PORTER. INSTITUTO ETHOS. M. A. ISO Advisory Group on Social Responsibility. VINHA. W. RJ. Cristiana M. HAMEL. Stuart L. H. Instituto Ethos Reflexão – Os novos desafios da responsabilidade social empresarial.. Teoria e Prática. “A responsabilidade social das empresas no Brasil: um estudo sobre indicadores”. ISO 26000 Norma Internacional de Responsabilidade Social. M. 2003. MAY. n. Curitiba. Capitalismo Natural. Harvard Business Review. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION – ISO. V. May-June 1990. Harvard. IX ENGEMA.br/iso26000 KORTEN. Vantagem Competitiva. 2008 SCHMIDHEINY. From heresy to dogma: an institutional history of corporate environmentalism. INSTITUTO ETHOS.19 a 21 de novembro de 2007. “Working Report on Social Responsibility”. de S. Jun 2006. O mundo pós-corporativo. Adele. Disponível em: INSTITUTO ETHOS. 2002. The Oxford Handbook of Corporate Social Responsibility. LOVINS. P. disponível em www. 2008. 3. 2002 LOURENÇO. ISO/TMB/WG SR N 49. As Empresas com Certificação ISO 14001 são mais Rentáveis? Uma Abordagem em Companhias Abertas no Brasil. G.. 2004. Critérios Essenciais de Responsabilidade Social Empresarial e seus Mecanismos de Indução no Brasil. Vozes. Remaking the Way We Make Things MELLO. Beyond greening: strategies for sustainable world .jsp. MCDONOUGH. v. Ed. D. SCHERER. 1992).br/default. 5. Campus. Abril. M. L. Out/2000. São Paulo: Fundação Petrópolis. 2003. Andrew J. C. PRAHALAD.. MA: The Mit Press. de S. Acesso em 10/03/ 2010. David. Sumário de Pesquisa. (orgs). Novo site do Instituto Ethos sobre a norma ISO 26000. Ação social. São Paulo. 68. 1997. Dissertação de Mestrado. P. Andreas. Campus.. Resenha. Cambridge. Changing course: a global business perspective on development and the environment . 2000. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION – ISO. CA: The New Lexington Press. São Paulo: Instituto Ethos.ipea. 1990.org/sr. M. SELIG. Jul 2001. Jan-Feb.org. LOVINS. Oxford University. “Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil”. 1995. ano 2. QUEIROZ. Harvard Business Review. Cradle to Cradle. 2006 North Point Press.ethos.gov. 1997 INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA www. anda WORLD BUSINESS COUNCIL FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT (WBCSD). (IPEA). INSTITUTO AKATU. Ed. Ed. LUSTOSA.iso. P. no. 66 . Disponível em www. A. S. O ESTADO DE SÃO PAULO. Cultrix. Acesso em 27/02/2010. p.. Harvard. Economia do Meio Ambiente.K. ganhos e perdas..

Cambridge. SUSTAINABILITY. Inovação: Inovação e Responsabilidade Social.. www. Tarsila. SEKIGUCHI. Global Reporters. 67 . A mudança para empresas e serviços financeiros pautados na sustentabilidade. VISSER. v.forumsocialmundial.org Website da CSR INTERNATIONAL www. WORLD BUSINESS COUNCIL FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT (WBCSD). Financing change: the financial community. 2008.2. “Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social: rumo à terceira geração de normas ISO”. 2008 URSINI.ipea. V. Instituto Uniemp. eco-efficiency. Wayne. Acesso em 24/03/2010. FBDS e PNUMA. A convenção do desenvolvimento sustentável e as empresas eco-comprometidas.org.csrinternational. S. Tese de Doutorado. São Paulo.. Rumo à Credibilidade. Celso. CSR International. 2000. São Paulo.gov. Uma reavaliação dos negócios a partir de uma perspectiva sistêmica. Instituto Ethos. CSR Paper Series. Acesso em 24/03/2010. and sustainable development. L. ZORRAQUÍN. 1996 SCHMIDHEINY.br/ Website do Fórum Social Mundial. CPDA/UFRRJ. MA: The Mit Press. 2010 WAAGE.br/acaosocial Busca de maiores informações sobre o resultado desta pesquisa “Ação Social”. “The Evolution and Revolution of Corporate Social Responsibility ”. F. VINHA. Julho de 2004 www.Responsabilidade Socioambiental S.

Bradesco e Safra lançam fundos atrelados ao ISE. Banco Real lança o CDB Sustentável. com ratificação dos bancos brasileiros. IFC aprova suas novas políticas socioambientais. Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Ambiental. Bancos HSBC. Banco do Nordeste do Brasil. Banco Unibanco e Caixa Econômica Federal lançam fundos atrelados ao ISE. Caixa Econômica Federal e BNDES reeditam o Protocolo Verde. BNDES cria o Fundo Brasil Sustentabilidade. em convênio com o Japan Bank for International Cooperation – JBIC –.                     68 . que incorpora questões ambientais na avaliação de risco de crédito. Cerca de 50 instituições financeiras globais são signatárias dos Princípios do Equador.. IFC e Centro de Estudos em Sustentabilidade – FGV/SP – lançam o Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis – LASFF. Rede BankTrack lança manual "O que Fazer e o que Não Fazer em um Banco Sustentável". Bancos Itaú. Banco HSBC lança linhas de crédito com foco socioambiental. primeiro fundo com foco em projetos do setor de saneamento básico e meio ambiente. Unibanco. Banco Unibanco obtém linha de crédito inédita da IFC para financiamento de projetos nas áreas de energia renovável. Banco da Amazônia. Banco Bradesco inicia diálogo com seus fornecedores sobre responsabilidade socioambiental. Bancos privados lançam nova versão dos Princípios do Equador. Banco Bradesco lança o Banco do Planeta. Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F realiza primeiro leilão público de créditos do carbono do mundo. Banco Bradesco anuncia o lançamento de produtos com foco socioambiental que irão gerar recursos financeiros para a Fundação Amazônia Sustentável. representando cerca de 90% do mercado de project finance no mundo. 2007 Banco Rabobank lança programa de créditos de carbono para incentivar o reflorestamento de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. Bradesco e ABN Amro Real lançam produtos com foco socioambiental. 2006 Banco Bradesco é incluído no Dow Jones Sustainability Index. Banco HSBC lança política específica para o setor de energia.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 01: CRONOLOGIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL NO SETOR FINANCEIRO         2008 Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Social que incorpora questões sociais na avaliação de risco de crédito. eficiência energética e construção sustentável. Banco do Brasil. Unibanco Asset Management (UAM) e Banco Real Asset Management aderem ao Principles for Responsible Investment (PRI). Caixa Econômica Federal e Banco Banif lançam fundo Caixa Ambiental. Rabobank lança política socioambiental com critérios para o setor rural. Banco Itaú lança política de crédito com classificação do risco socioambiental dos clientes corporativos. cria linha de financiamento para projetos de comercialização de créditos de carbono. título de renda fixa com foco socioambiental. Banco Bradesco cria área de responsabilidade socioambiental. área dedicada a centralizar e ampliar todos os seus projetos e iniciativas socioambientais. primeiro fundo de investimento do país voltado para o desenvolvimento de projetos ambientais.

Bancos Unibanco. Banco ABN Amro lança política para o setor de jogos e política ética e social de países.Fundo InfraBrasil. 2003 Dez bancos internacionais lançam os Princípios do Equador. Seguradora Unibanco AIG lança seguro ambiental. Fundo de pensão Petros adota critérios socioambientais para seleção da carteira de ações. que visa apoiar práticas de apoio a atividades produtivas de forma sustentável. Itaú. Organizações da sociedade civil começam a monitorar o envolvimento dos bancos nos projetos da IIRSA1. Bradesco. Bovespa lança o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Ocorre o lançamento do Principles for Responsible Investment (PRI). Banco do Brasil lança a estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável. cujos membros são os bancos do Brasil. CEBDS2 cria a Câmara Técnica de Finanças Sustentáveis. Banco ABN Amro lança política para o setor de mineração e metalurgia. Banco ABN Amro Real inicia negócios com créditos de carbono. Caixa Econômica Federal e a Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F. Banco ABN Amro lança políticas para os setores de defesa e de petróleo e gás. Rede BankTrack lança campanhas específicas para monitorar bancos de países emergentes e os direitos humanos em instituições financeiras. Organizações da sociedade civil lançam a Declaração de Collevecchio: 1ª declaração das ONGs sobre o papel do setor financeiro e a sustentabilidade. Banco do Brasil adere aos Princípios do Equador e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador. Banco do Brasil lança fundo atrelado ao ISE. Banco HSBC lança política para o setor florestal. Banco HSBC lança políticas específicas para os setores de infraestrutura de água doce e químico. cria Comissão de Responsabilidade Socioambiental e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador. 2005 Banco Bradesco cria comitê e política socioambiental corporativa. Acontece a primeira reunião entre a Rede BankTrack e os bancos signatários dos Princípios do Equador. Banco ABN Amro Real amplia sua linha de produtos com foco socioambiental. Banco ABN Amro Real lança produtos com foco socioambiental.Responsabilidade Socioambiental    Banco ABN Amro Real lança fundo de investimento em infraestrutura com sistema de gestão ambiental . 2002 Banco ABN Amro Real adota política de riscos socioambientais. com adesão pioneira do fundo de pensão Previ. Banco Itaú lança produtos com foco socioambiental. 69                            . 2004 Rede BankTrack é formalmente constituída. ABN Amro Real. Banco ABN Amro inicia o lançamento de políticas específicas para setores mais sensíveis a impactos socioambientais. Banco Itaú lança fundo Excelência Social. Itaú e Bradesco aderem aos Princípios do Equador. Banco Itaú aprimora suas políticas socioambientais.

br). FONTE: site Finanças Sustentáveis (www. (2) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. (1) Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana: iniciativa dos 12 Governos sul-americanos para implantação de projetos de infra-estrutura www.com.  Bolsa de Nova York lança o Dow Jones Sustainability Index (DJSI).iirsa. Acesso em 10-05-2010.org.financassustentaveis. Campanhas internacionais da sociedade civil sobre projetos financiados por bancos privados ganham maior visibilidade. 70 .Responsabilidade Socioambiental    2001 Banco ABN Amro Real lança fundo Ethical. Banco ABN Amro Real inicia diálogo com seus fornecedores sobre responsabilidade social. ABN Amro lança política para o setor de florestas e reflorestamento.   1999  Banco Itaú é incluído no DJSI. 2000 Amigos da Terra – Amazônia Brasileira dá início ao projeto Eco-Finanças.

Dessa forma.2 Apoiar programas relacionados à consciência e preservação ambiental. 3. 1. DIMENSÃO PRÁTICAS ADMINISTRATIVAS E NEGOCIAIS COM RSA 2. sob a forma de lucros e participação no mercado. 3.3 Financiar atividades e tecnologias ambientalmente adequadas. O Banco assumiu com essa iniciativa. Com a definição do Conceito e da Carta de Princípios. protocolo com o MMA no sentido de disseminar a Agenda 21 nos projetos de Desenvolvimento Regional Sustentável. 2. uma ferramenta que está em desenvolvimento e que permitirá acompanhar e avaliar as ações do Banco com relação ao desenvolvimento sustentável e. 3. o Banco do Brasil criou o Painel do Desenvolvimento Sustentável. ao mesmo tempo em que busca resultados sociais e ambientais. à contribuição do Banco do Brasil para o desenvolvimento sustentável do País. evidenciou-se a intenção estratégica do Banco do Brasil em conciliar o atendimento aos interesses dos seus acionistas com o desenvolvimento de negócios social e ambientalmente sustentáveis. estimulando outras empresas a se engajarem na questão. o Banco do Brasil cuida para que seus negócios gerem resultados econômicos. 3. Além disso. Diante desses novos objetivos.4 Fortalecer a interação com os públicos de relacionamento. a partir da comparação com ou tras 71 . sob a forma de inclusão social. o papel orientador e catalisador no processo de criação das agendas 21 empresariais em nível nacional.1 Implementar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável.4 Captar recursos para apoiar ações vinculadas ao desenvolvimento social. negócios e rotinas administrativas. 3. em especial. 2. O painel propicia também. O tema da responsabilidade socioambiental passou a ser pauta das decisões estratégicas e operacionais do Banco do Brasil com a criação da Unidade Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental (RSA). 2. O Banco assina. A definição de um conceito e de uma carta de princípios de responsabilidade socioambiental para o Banco do Brasil se fez importante para fundamentar e direcionar as ações e movimentos voltados à internalização da cultura de responsabilidade socioambiental no Conglomerado. mediante a incorporação daqueles princípios a seus produtos. condição indispensável à sustentabilidade da própria humanidade.3 Manter processos negociais coerentes com os Princípios de RSA.2 Manter processos administrativos coerentes com os Princípios de RSA. ainda. 1. DIMENSÃO NEGÓCIOS COM FOCO NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 1. 2. Dimensões estratégicas e pragmáticas da Agenda 21 do BB e seus Objetivos 1.2 Financiar atividades de geração de trabalho e renda e de inclusão social. DIMENSÃO INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO 3. 2. o Banco do Brasil criou sua Agenda 21 Empresarial.5 Incentivar a atuação dos funcionários em trabalhos voluntários e ações sociais.O Banco do Brasil e a responsabilidade socioambiental Com o objetivo de aderir aos princípios da Agenda 21 e sustentando suas metas de comprometimento com o desenvolvimento sustentável de seus negócios.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 02 .1 Disseminar os princípios e fortalecer a cultura de RSA na Comunidade BB.5 Influenciar a incorporação dos princípios de RSA no País. geração de trabalho e renda e respeito ao meio ambiente.1 Contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. explicitou-se o interesse em contribuir para o desenvolvimento de um novo sistema de valores para a sociedade que tenha como referencial maior o respeito à vida humana e ao meio ambiente.3 Apoiar programas relacionados à defesa e à promoção dos direitos humanos. serviços.

Responsabilidade socioambiental na prática Além de aderir ao Pacto Global da ONU em 2003. Responsabilidade socioambiental para o Banco do Brasil é “ter a ética como compromisso e o respeito como atitude nas relações com funcionários. Diretoria Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental . Febraban) e internacional (Global Reporting Initiative) para cada conjunto de objetivos definidos no painel. a ética e o respeito ao meio ambiente como balizadores das práticas administrativas e negociais da Empresa. Repelir preconceitos e discriminações de gênero. Princípios sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.Banco do Brasil. Fortalecer a visão da Responsabilidade Socioambiental como investimento permanente e necessário para o futuro da humanidade. sociais e de governança nas suas análises de financiamento. orientação sexual. credores. etnia.Dire BB se compromete a: 1. Ter a transparência. 4. gestão de ativos e seguridade. 7. a indicação de áreas ou setores nos quais o Banco pode construir vantagem competitiva ou diferenciação em termos de RSA. o Banco do Brasil também participou da elaboração do relatório Who Care Wins – Connecting Financial Markets to a Changing World . Enxergar clientes e potenciais clientes. parceiros. e toda forma de vida é importante. 5. 72 . tais como: Direitos Humanos. Perceber e valer-se da posição estratégica da corporação BB. o Banco do Brasil também vem promovendo intensos debates sobre o assunto. Estimular. Carta de Princípios de Responsabilidade Socioambiental . sendo o primeiro banco a integrar oficialmente o grupo de instituições financeiras que aderiu aos Princípios.Responsabilidade Socioambiental iniciativas na indústria financeira. Atuar em consonância com Valores Universais. Entre 2003 e 2006. nas relações com o Governo. workshops e eventos (como o prêmio Ethos). 9. comunidade. Pautar relacionamentos com terceiros a partir de critérios que observem os princípios de responsabilidade socioambiental e promovam o desenvolvimento econômico e social. a implementação da Agenda 21 do BB resultou no desenvolvimento de várias ações. credo ou de qualquer espécie. fornecedores. Governo e meio ambiente”. Para tornar operacional o Painel. quando comparado o resultado de 2004 com o do ano anterior. 3. para adotar modelo próprio de gestão da Responsabilidade Socioambiental à altura da corporação e dos desafios do Brasil contemporâneo. raça. Alem disso. difundir e implementar práticas de desenvolvimento sustentável. o Mercado e a Sociedade Civil. com especial destaque para a dimensão “relação com fornecedores”. 6. 8. com recomendações para a indústria financeira melhor integrar questões ambientais. Diante da preocupação com o impacto socioambiental de grandes projetos financiados com recursos creditícios. concorrentes. clientes. antes de tudo. Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho. acionistas. envolvendo diversas áreas do BB. como cidadãos. elaborou-se um ensaio de indicadores inspirados em iniciativas que são referências em relatos de sustentabilidade em nível nacional (Ethos. Reconhecer que todos os seres são interligados. 2. com o objetivo de colaborar sempre com o movimento de estimulo ao engajamento das empresas em relação à Responsabilidade socioambiental. colaboradores.de iniciativa também da ONU. Essas iniciativas permitiram que o Banco obtivesse desempenho superior em cinco das sete dimensões avaliadas a partir dos Indicadores Ethos. o Banco do Brasil decidiu aderir aos Princípios do Equador. Ibase.

também. Em janeiro de 2005. 14. profissional. Com relação ao crédito rural. Entre as diretrizes estabelecidas. utilizado como referência para o fundo de investimento BB Ações Índice de Sustentabilidade Empresarial. Isso também é válido para o Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera). criado em 2005. 11. Com relação aos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). dotadas de práticas conservacionistas adequadas à defesa do solo e do meio ambiente. foi instalado pelo Ministério da Fazenda um Grupo de Trabalho Interministerial. O índice. ficou acordado. de forma integrada. borracha e outros produtos extrativos. encostas e topos de morro. banco setorial (crédito rural) e banco de desenvolvimento (gestor do Fundo Constitucional para a Região Centro-Oeste). Contribuir para a universalização dos direitos sociais e da cidadania. o Banco não financia serrarias que utilizam madeiras oriundas de floresta nativa. consoante a legislação ambiental vigente. responsabilidade social e indicadores financeiros saudáveis. Contribuir para que o potencial intelectual. 12. A participação do Banco do Brasil no índice representa um significativo reconhecimento de mercado quanto ao BB ser uma empresa que gera valor para os seus acionistas de uma forma social e ambientalmente responsável.Responsabilidade Socioambiental 10. sociais e ambientais das empresas. 13. agindo como banco comercial (crédito geral). Por exemplo. madeira. artístico. da utilização do manejo integrado de pragas. que a reestruturação do Protocolo Verde conferiria condições institucionais para a transformação dos créditos oficiais e privados em instrumentos de indução efetiva do desenvolvimento das atividades produtivas. as normas internas se tornam ainda mais rigorosas. preservando os compromissos com acionistas e investidores. pela sociedade. Alguns exemplos de RSA realizados pelo Banco do Brasil O Banco do Brasil caracteriza-se como um Banco de múltiplas funções. Estabelecer e difundir boas práticas de governança corporativa. de conservação do solo e água. utilizando critérios ambientais. Essa prática torna. Índice de sustentabilidade empresarial da Bovespa O Banco do Brasil também faz parte do grupo de empresas selecionadas para compor o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. Em projetos de reforma agrária. para o financiamento da comercialização da pesca. na apresentação dos projetos. dimensões econômico-financeiras. Em consonância com sua diversidade de atuação. o Banco do Brasil possui convênios com empresas de assistência técnica. Fundamentar o relacionamento com os funcionários e colaboradores na ética e no respeito. Em financiamentos industriais. de forma consensual. especialmente naqueles relativos ao controle e preservação do meio ambiente e equilíbrio ecológico. ético e espiritual dos funcionários e colaboradores possa ser aproveitado. denominado Crédito para o Desenvolvimento Sustentável. reúne empresas que se pautam pelo respeito ao meio ambiente. de proteção dos mananciais. Contribuir para a inclusão de pessoas com deficiência. que contou com a participação do BB. que avalia. a variável ambiental é tratada em diversas normas e recomendações. o licenciamento ambiental é exigido e. o cumprimento da legislação ambiental. A avaliação da sustentabilidade segue o critério internacional do triple bottom line. em sua plenitude. principal fonte de recursos internos para operações incentivadas de longo prazo geridas pelo Banco do Brasil é exigido. de proteção da fauna e da flora e outras considerações de conservação ambiental indicadas na Constituição Federal e nas Constituições Estaduais. que se comprometem a recomendar tecnologias de produção exequíveis. é incluída a cláusula contratual de comprometimento do devedor em conservar o meio ambiente obedecendo a critérios técnicos e legais de preservação das matas ciliares. a ação do BB mais 73 .

é de se destacar a COP 3. consiste de uma carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos em 1995 (Banco do Brasil. Banco do Brasil face ao mercado de créditos de carbono e Protocolo de Quioto Um dos problemas ambientais mais preocupantes deste século é o aquecimento global – sendo causado pela intensificação do efeito estufa. Essa difusão e incorporação de práticas de proteção ambiental teriam como consequência. estabelece 74 . sobre as práticas ambientais vigentes no conjunto das atividades produtivas desenvolvidas por multiplicidade de agentes econômicos no conjunto do território brasileiro. ocorre pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Em função dos objetivos do Protocolo. Japão. Essa intensificação. concessão de crédito oficial e benefícios fiscais às atividades produtivas. oriundos. processos industriais e atividades agropastoris. ocorrida em 1997. Banco da Amazônia. da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral). ao mesmo tempo. por sua vez. Na busca de soluções para a questão climática. A incorporação da dimensão ambiental pelos bancos viria a ter efeitos potencializadores. uma vez que os investidores estão associando as ações de sustentabilidade social e ambiental das empresas com a perspectiva de menores riscos e de lucros. Dentre as Conferências realizadas até 2005. Seu objetivo era elaborar uma proposta contendo diretrizes. em última instância. as instituições financeiras federais assinaram a denominada Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável. Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil). A intenção era implementar mecanismos financeiros que complementassem e. o Governo brasileiro buscou definir linhas de ação com compromissos ambientais para o sistema de bancos públicos federais. Acompanhando uma tendência que então começava a despontar no cenário financeiro internacional. criassem sinergias com a legislação ambiental existente. na qual se propõem a empreender políticas e práticas que estejam sempre e cada vez mais em harmonia com o objetivo de promover um desenvolvimento que não comprometa as necessidades das gerações futuras. em 29 de maio de 1995. lixões. na qual foi elaborado o Protocolo de Quioto. desertificação. vem provocando o derretimento das geleiras. foi estabelecido que os países signatários da CQNUMC se reuniriam anualmente em busca de soluções para a questão climática. Os encontros foram denominados Conferências das Partes (COP). objetivando a consolidação de políticas públicas coerentes e consistentes. Durante a Rio-92. BNDES. por meio de todo o sistema de crédito público. por sua vez. sem dúvida. um documento que possui. O Protocolo Verde. Banco do Nordeste. tais como dióxido de carbono (CO2).Responsabilidade Socioambiental atrativa. com o objetivo principal de estabelecer ações que levassem à estabilização da concentração de GEE na atmosfera. metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). Este. foi criada a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC) na Rio-92. um caráter pioneiro no marco latino-americano como compromisso de um sistema financeiro público com princípios de implementação de políticas ambientais. com a institucionalidade pública que estava sendo implantada. aumento do nível do mar. em níveis adequados para o clima do planeta. Protocolo Verde O denominado Protocolo Verde teve sua origem em um Grupo de Trabalho instituído pelo Governo Federal por meio de decreto. a mudança de comportamentos dos tomadores de decisões e. e em uma perspectiva pioneira na região latino-americana. em Quioto. com os dispositivos de comando e controle e com outros instrumentos econômicos na área ambiental. estratégias e mecanismos operacionais para a incorporação de dimensões ambientais no processo de gestão. alteração no suprimento de água doce e eventos climáticos extremos. viria a dar origem a uma nova cultura ambiental. por sua vez. aterros sanitários. principalmente.

denominadas “créditos de carbono”. no médio e longo prazos. enviado as 500 maiores empresas do mundo. como o Brasil.Responsabilidade Socioambiental metas de redução de emissão de GEE para os países que historicamente foram os que contribuíram de forma mais intensa para o aumento da concentração atmosférica de GEE. juntamente com os principais investidores institucionais no mundo. o mais importante para o Brasil é o MDL. diretrizes e soluções específicas para o mercado de créditos de carbono: no curto prazo. a saber: Comércio de Emissões. O Protocolo estabelece que as metas deverão ser cumpridas por meio de políticas públicas e regulamentações que limitem diretamente as emissões. Esses projetos geram Reduções Certificadas de Emissões (RCE). Dentre os mecanismos de flexibilização. que prevê ponderações acerca dos impactos sociais e ambientais das práticas administrativas e negociais – considerados aí os investimentos realizados –. Essas metas deverão ser atingidas entre 2008 e 2012. de países em desenvolvimento responsáveis por tais projetos.2% nas emissões em relação aos níveis verificados no ano de 1990. a partir da implantação de tecnologias mais limpas nessas nações. Os países que não conseguirem atingir suas metas terão a liberdade para investir em projetos MDL de países em desenvolvimento. O MDL é um instrumento de flexibilização que permite a participação no mercado dos países em desenvolvimento. chamadas de mecanismos de flexibilização. que utiliza tecnologias bem precisas de engenharia sanitária. tendo os créditos de carbono sido negociados diretamente com os Países Baixos. Além de coerente com a postura de responsabilidade socioambiental do Banco do Brasil. os países afetados pelo protocolo poderão utilizar algumas alternativas para auxiliá-los no cumprimento de suas metas. com a avaliação da necessidade de ações que requerem o desenvolvimento de produtos e serviços específicos. que viabiliza projetos que reduzam emissões de GEE. o apoio à iniciativa vem ao encontro dos interesses em causa. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) nasceu de uma proposta brasileira à CQNUMC para tratar do comércio de créditos de carbono baseado em projetos de sequestro ou mitigação. no Estado do Rio de Janeiro. Além das ações de caráter nacional. e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O MDL visa ao alcance do desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento (país anfitrião). com ações que não requerem a criação de novos produtos e serviços e não envolvem mudanças de estrutura do mercado. equivalentes em tonelada de CO2. Por meio desse mecanismo. ou nações sem compromissos de redução. Implementação Conjunta. em função do seu nível de industrialização (denominados no Protocolo como Partes Anexo I). Banco do Brasil. O Brasil deve se beneficiar desse cenário como vendedor de créditos de carbono e também como alvo de investimentos em projetos engajados com a redução da emissão de gases poluentes. O Banco do Brasil decidiu ter uma atuação efetiva no sentido de se posicionar como referência no mercado por meio do desenvolvimento de políticas. produzindo uma redução em média de 5. que podem ser adquiridos por países do Anexo 1 como forma de cumprir parte de suas metas. 75 . países desenvolvidos comprariam créditos de carbono. aprovado pela ONU no mundo foi o do aterro sanitário de Nova Iguaçu. e a contribuição para que os países do Anexo I cumpram suas reduções de emissão. Brasil. O primeiro projeto de MDL. Sendo assim. Brasilprev e Previ. manifestaram formalmente apoio ao pedido de abertura de informações sobre a emissão de gases de efeito estufa. Em março de 2005.

declarem a sua responsabilidade uns para com os outros. Responsabilidade Universal Para realizar essas aspirações. o futuro reserva. águas puras e ar limpo. quando as necessidades básicas forem supridas. esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies comunidades estão sendo arruinadas.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 03 . São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores. numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. é imperativo os povos da Terra. sociais e espirituais estão interligados e juntos podem-se forjar soluções inclusivas. As bases da segurança global estão ameaçadas. identificado com a comunidade terrestre como um todo. o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Para seguir adiante. solos férteis. Para chegar a esse propósito. grande perigo e grande esperança. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. Ao 76 . A Terra. nosso lar A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. Essas tendências são perigosas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. Na medida em que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil. a pobreza. bem como com as comunidades locais. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. há uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. A proteção da vitalidade. nos direitos humanos universais. mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. deve-se reconhecer que. A injustiça. Desafios Futuros A escolha é da sociedade: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a sua destruição e a da diversidade da vida. mas não inevitáveis. uma rica variedade de plantas e animais. Terra. no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida. é viva como uma comunidade de vida incomparável. instituições e modos de vida. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. lar de todos. a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. deve-se decidir viver com um sentido de responsabilidade universal. na justiça econômica e numa cultura da paz. políticos. A Situação Global Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental. Deve-se entender que. Os desafios ambientais. ao mesmo tempo. Deve-se juntar todos para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos. com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações. Tem-se o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir os impactos no meio ambiente. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta. econômicos.CARTA DA TERRA Preâmbulo Vive-se de um momento crítico na História da Terra.

Afirmar a fé na dignidade inerente a todos os seres humanos e no potencial intelectual. em todos os níveis. empresas. a. Governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. afirmam-se os princípios a seguir discriminados. dos conhecimentos e do poder. 3. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando se vive com reverência o mistério da existência. a. através dos quais a conduta de todos os indivíduos. sustentáveis e pacíficas. a. Princípios Carta da Terra I. Cuidar da comunidade da vida com compreensão. com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza. Respeitar e Cuidar da Comunidade de Vida 1. Portanto. de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. organizações. Construir sociedades democráticas que sejam justas. juntos na esperança. propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura. com urgência.Responsabilidade Socioambiental mesmo tempo. artístico. ético e espiritual da humanidade. tradições e instituições que apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo. Transmitir às futuras gerações valores. a. vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas. b. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações. vem a maior responsabilidade de promover o bem comum. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. 4. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor. que seja ecologicamente responsável. Necessita-se. participativas. com o direito de possuir. independentemente de sua utilidade para os seres humanos. b. 2. visando a um modo de vida sustentável como padrão comum. Assumir que. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras. interdependentes. compaixão e amor. Promover a justiça econômica e social. administrar e usar os recursos naturais. b. Assegurar que as comunidades. com o aumento da liberdade. 77 . b. Aceitar que. garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial. existem cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas.

f. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as consequências cumulativas. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental. consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra. a. mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não conclusivo. Reduzir. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas. em todos os níveis. c. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e. c. 78 . tóxicas ou outras substâncias perigosas. os direitos humanos e o bem-estar comunitário. a. como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave. com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5. Promover o desenvolvimento. Administrar a extração e o uso de recursos não renováveis. a longo prazo. Adotar padrões de produção. planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento. manter a biodiversidade e preservar a herança natural da humanidade. b. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados. 7. Administrar o uso de recursos renováveis como água. e. assumir uma atitude de precaução. c. b. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais. Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis. quando o conhecimento for limitado. Adotar. de longo alcance e globais das atividades humanas. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis.Responsabilidade Socioambiental II. Controlar e erradicar organismos não nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais. reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas. 6. como a energia solar e do vento. d. b. para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra. solo. incluindo terras selvagens e áreas marinhas. d. a. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra. indiretas. e. d. a adoção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais seguras.

d. b. permaneçam disponíveis ao domínio público III. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade. 79 . c. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica. Incrementar os recursos intelectuais. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas. Reconhecer os ignorados. civil. social e cultural como parceiras plenas e paritárias. social e ambiental. b. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações. 8. ao ar puro. aos solos não contaminados. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis. ao abrigo e saneamento seguro. com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento. c. 10. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação. b. servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações. financeiros. a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas. Garantir o direito à água potável. técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.Responsabilidade Socioambiental e. b. à segurança alimentar. política. a. c. a. c. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito. f. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas consequências de suas atividades. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9. assistência de saúde e às oportunidades econômicas. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido. incluindo informação genética. a. proteger os vulneráveis. 11. alocando os recursos nacionais e internacionais demandados. líderes e beneficiárias. a. tomadoras de decisão. Erradicar a pobreza como um imperativo ético. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.

de expressão. terras e recursos. como as baseadas em raça. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais. b. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual. na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida. assim como das ciências. c. gênero.Responsabilidade Socioambiental 12. na educação para sustentabilidade. NÃO VIOLÊNCIA E PAZ 13. conhecimentos. Eliminar a discriminação em todas as suas formas. com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias. idioma e origem nacional. Promover a contribuição das artes e das humanidades. 14. de reunião pacífica. f. participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça. IV. ATENÇÃO: O CONCEITO DE “RAÇA” É INDESEJADO. Proteger os direitos à liberdade de opinião. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes. valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. étnica ou social. a. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do Governo. e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais em que possam ser cumpridas mais efetivamente. Defender. cor. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis. d. incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos. Fortalecer as comunidades locais. habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes. c. a. especialmente a crianças e jovens. Apoiar sociedades civis locais. regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessadas na tomada de decisões. c. os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana. os conhecimentos. de associação e de oposição. Honrar e apoiar os jovens das comunidades. religião. 80 . DEMOCRACIA. a. b. b. d. habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. sem discriminação. oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável. Integrar. Prover a todos. orientação sexual. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse. a saúde corporal e o bem-estar espiritual. e. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade.

sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva. as religiões. e. armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo. regional e global. Proteger animais selvagens de métodos de caça. A diversidade cultural é uma herança preciosa. e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar essa visão. outras vidas. família. Deve-se desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local.Responsabilidade Socioambiental d. Eliminar armas nucleares. Entretanto. as empresas. com outras pessoas. Promover uma cultura de tolerância. b. as organizações não governamentais e os Governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. f. A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. nacional. necessita-se encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade. Todo indivíduo. c. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo. Estimular e apoiar o entendimento mútuo. biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa. d. c. a. não violência e paz. o destino comum conclama a sociedade a buscar um novo começo. A parceria entre Governo. as ciências. Deve-se aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra. com a Terra e com a totalidade maior da qual se faz parte. o que pode significar escolhas difíceis. os meios de comunicação. objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. As artes. a. O Caminho Adiante Como nunca antes na História. Isso requer uma mudança na mente e no coração dos homens. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputa. 16. Para cumprir essa promessa. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma ação defensiva não provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. outras culturas. o exercício da liberdade com o bem comum. porque se tem muito a aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria. 81 . dentro das e entre as nações. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas. as instituições educativas. 15. a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável. incluindo restauração ecológica. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz. prolongado ou evitável. a humanidade tem-se de comprometer a adotar e a promover os valores e objetivos da Carta. b. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.

Que o tempo presente seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida. as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas.Responsabilidade Socioambiental Para construir uma comunidade global sustentável.org/prt/text.html 82 . cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.cartadaterrabrasil. a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida. pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade. Fonte: http://www.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful