Responsabilidade Socioambiental

Valéria da Vinha

Responsabilidade Socioambiental

Índice
Unidade 1 - Contexto e Trajetória do Desenvolvimento Sustentável
1.1. As fases da trajetória ......................................................................................................... 6 Década de 70 e a Conferência de Estocolmo ................................................................................... 6 Década de 80: redefinindo o desenvolvimento sustentável ............................................................... 8 Década de 90: generalização da convenção do desenvolvimento sustentável .................................. 10 1.2. Transição para uma visão integrada de sustentabilidade .................................................... 11 Desenvolvimento sustentável e empresas: cosmética ou enraizamento social? ................................ 12 Cúpula do Milênio e Rio + 10 ....................................................................................................... 13 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio ...................................................................................... 13 1.3. A eco-eficiência se impõe ................................................................................................. 14 Inicialmente, era apenas o discurso..... ......................................................................................... 15 O papel dos gerentes ................................................................................................................... 16 1.4. Do berço-ao-túmulo...começa a fase prática ...................................................................... 16 1.5. Contribuição da ciência .................................................................................................... 18 Logística Reversa – uma inovação incremental do tipo “berço ao berço” ........................................ 20 1.6. Principais Diretrizes, Padrões e Certificações ..................................................................... 21 A prática da auto-regulação: o modelo GRI de performance ambiental ........................................... 21 Pontos fracos dos relatórios de sustentabilidade ............................................................................ 24 Revisão do conteúdo.................................................................................................................... 25 Unidade 2 - A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) Emerge Objetivos .................................................................................................................................... 26 2.1. Campo institucional da RSE: O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social .............. 26 2.2. O relacionamento com o Terceiro Setor .................................................................................. 28 2.3. Ambientalismo Empresarial: podem as corporações administrar o mundo? ............................... 29 Protocolo de Quioto ..................................................................................................................... 30 Governança Corporativa ............................................................................................................... 31 Vantagens da Sustentabilidade Corporativa ................................................................................... 32 2.4. A Nova fase da RSE e a visão estratégica da sustentabilidade .................................................. 33 Revisão de conteúdo .................................................................................................................... 35

Unidade 3 - Evolução dos Conceitos e das Práticas da Responsabilidade Social Empresarial

Objetivos .................................................................................................................................... 35 3.1. Por que RS tem várias definições?.......................................................................................... 36 3.2. Diálogo com Stakeholders ..................................................................................................... 41 Na fase exploratória, pretende-se, com a aplicação dessa ferramenta, ............................................ 42 Contribuição do diálogo com stakeholders ao gerenciamento do projeto ......................................... 42 O stakeholder approach trata de públicos e indivíduos que podem afetar, direta ou indiretamente, a organização, e do comportamento gerencial adotado para responder a eles”. (Edward Freeman. Strategic Management: a stakeholder approach, 1984 ................................................................... 42 Stakeholder: conceito central da responsabilidade social ................................................................ 43 3.3. Articulando Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável ...................... 44 3.4. A RSE no Brasil ..................................................................................................................... 46 Revisão de conteúdo .................................................................................................................... 48

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Unidade 4 - A RSE no Setor Financeiro e a Norma ISO 26000
Objetivos .................................................................................................................................... 49 4.1. Principais inovações institucionais no setor financeiro .............................................................. 50 Protocolo Verde (1995) ................................................................................................................ 50 4.2. Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR) – Histórico e Evolução ..................................... 52 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE/BOVESPA ................................................................. 53 Investimentos em Empresas de Capital Aberto .............................................................................. 54 4.3. Por que uma norma em responsabilidade social? A Norma ISO 26000 ...................................... 55 4.4. O processo de criação da ISO 26000 ...................................................................................... 56 4.5. Características da ISO 26000 ................................................................................................. 59 4.6. Análise crítica: os prós e contras da ISO 26000 ....................................................................... 60 Limitações da Norma ................................................................................................................... 61 Aspectos positivos da ISO 26000 .................................................................................................. 61 ISO 26000 e NBR 16001: uma breve comparação .......................................................................... 62 4.7. Considerações finais .............................................................................................................. 62 A sinergia Estado/Sociedade ......................................................................................................... 63 Revisão de Conteúdo ................................................................................................................... 64 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 65 ANEXOS ............................................................................................................................ 68

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Introdução
“A questão ecológica é uma questão social; e hoje a questão social só pode ser elaborada adequadamente como uma questão ecológica”. (Elmar Altvater)

A teoria econômica tradicional baseia-se na premissa de que os homens são racionais e agem egoisticamente de maneira a maximizar a satisfação de seus interesses. Por essa razão, coube a uma instituição supostamente independente, o mercado, a responsabilidade pelo fluxo de todos os bens e serviços gerados por indivíduos e organizações. Através do livre jogo da oferta e da procura, o mercado seria capaz de garantir a distribuição dos bens entre a totalidade dos membros da sociedade e, consequentemente, a satisfação de cada um. Contudo, para seu bom desempenho, o mercado precisa de uma grande margem de liberdade, não devendo o Estado interferir ou regular seu funcionamento (SMITH, 1776:1985). Essa convenção social consolidou-se ao longo da expansão do modelo capitalista inaugurado pela Revolução Industrial do século XVIII, moldando o comportamento dos agentes econômicos, particularmente do segmento responsável pela produção e distribuição desses bens e serviços: as empresas. No bojo desse processo, ocorreu uma aparente emancipação da esfera econômica em relação à sociedade e ao Estado, levando ao surgimento de uma classe social historicamente nova: a burguesia em suas distintas facetas (mercantil, industrial e financeira). Sabe-se, no entanto, que, no mundo real, Economia e Sociedade não estão dissociadas e que o mercado não é uma instituição perfeita. Entre as suas falhas, uma vem ganhando evidência crescente: a incapacidade de dar respostas concretas e duradouras à questão ambiental. A intensificação dos impactos antrópicos ao longo do século passado impõe seu enfrentamento no nível macro e micro, dentro e fora do mercado, envolvendo todos os segmentos sociais e não apenas os concernentes à esfera pública. Dessas circunstâncias e preocupações comuns a organizações e a nações de todo o mundo, emergiu uma nova convenção de mercado popularizada no termo “Desenvolvimento Sustentável” (ou, simplesmente, Sustentabilidade). Sua disseminação tem sido tão rápida que está alterando as regras da concorrência capitalista, obrigando as empresas (sobretudo as multinacionais) a criarem ou a adquirirem competência para gerenciar práticas socioambientais de maneira a se manterem competitivas. O movimento da Responsabilidade Social Empresarial (ou Corporativa) nasce, assim, organicamente ligado aos princípios do Desenvolvimento Sustentável. A seguir, descrevem-se e analisam-se as motivações e as principais características e estratégias que pontuam esse processo.

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essa mudança de comportamento foi motivada por pressão da sociedade civil. o setor privado vem se conscientizando de que o custo financeiro de reduzir o passivo ambiental e de administrar conflitos sociais pode ser mais alto do que o custo de "fazer a coisa certa". Se as normas ambientais mais rigorosas representam um custo alto em pagamento de multas e mitigação dos danos ambientais. que se organizou para combater o desmatamento e a poluição. e estará apto a identificar o que mudou no dia-a-dia das empresas. por restrições impostas pela legislação ambiental. cuja influência cresceu significativamente nos últimos anos em decorrência dos inúmeros e sucessivos desastres ambientais atribuídos a ações antrópicas equivocadas (entre eles. Inicialmente. Por isso. e como o segmento empresarial incorporou os novos conceitos e práticas gerados ao longo deste processo. que estavam sendo expulsas dos países desenvolvidos. a cidade conseguiu controlar 98% do nível de poluentes no ar. com a união de indústrias. Há cerca de três décadas. durante a histórica Conferência de Estocolmo (1972) – evento que representou o primeiro alerta de grande repercussão sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta –. consequentemente. Cubatão enfrentou no passado a ameaça constante da poluição. Felizmente. diz respeito ao risco real de uma crise ambiental de grandes proporções capaz de gerar escassez das matérias-primas e das fontes energéticas que suportam o atual padrão de produção e consumo. que conhecerá os passos que a empresa deve tomar para atender aos princípios da sustentabilidade. comunidade e governo. você conhecerá o contexto que deu origem ao desenvolvimento sustentável. refletindo-se em queda de vendas e. mas terminou por influenciar o mercado. seja na sua relação com a sociedade. 4 . foi considerada pela ONU como a cidade mais poluída do mundo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Unidade 1 Contexto e Trajetória do Desenvolvimento Sustentável Objetivos Nesta Unidade. seja no seu processo produtivo. 1 Com um grande parque industrial. Outro fator de pressão. dificultando a implementação de novos projetos e a renovação de contratos. adotando a chamada ecoeficiência. Contudo. o representante do Governo brasileiro defendeu a tese de que o controle da poluição era um entrave ao progresso e articulou a vinda para a cidade de Cubatão 1 de indústrias altamente poluidoras. as tsunamis e o furacão Katrina). os principais acontecimentos desta trajetória. alterando as bases tradicionais da concorrência. de respeitar os direitos humanos e o meio ambiente de todos os povos. em 1992 recebeu da ONU o título de "Cidade-símbolo da Recuperação Ambiental". os acidentes e crimes ambientais provocam escândalos corporativos que abalam a confiança dos consumidores e acionistas. Na década de 80. Não está muito distante o tempo em que poluição era sinal de progresso. E deverá ser capaz de diferenciar as empresas que têm compromissos efetivos com a responsabilidade socioambiental daquelas que adotam apenas o discurso. Ao final da Unidade. pois influenciam a percepção da opinião pública sobre a empresa. isto é. em prejuízo financeiro.

que não haverá espaço nem para a legislação ambiental nem para as políticas públicas se imporem. ouviu 269 gestores de risco e concluiu que o principal obstáculo enfrentado pelo executivo para gerenciar risco de reputação da sua empresa seria a falta de instrumentos adequados (ver figura 01). De fato. Perder reputação pode representar um prejuízo financeiro incalculável. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). apenas três deles. em 2005. Só para aludir a um caso emblemático. Em estudo inédito realizado no Reino Unido. que levou o Governo norte-americano a aplicar o método de valoração contingente com o objetivo de avaliar a extensão dos danos e a obrigar a Exxon Corporation a indenizar suas vítimas. o que explica a ocorrência de tantos acidentes graves. as indústrias do setor de petróleo e derivados. como o conhecimento e a reputação) adquirem importância estratégica na condução dos negócios.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Os desastres naturais e meteorológicos mataram 350 mil pessoas nos últimos 12 meses e provocaram prejuízos econômicos calculados em US$ 200 bilhões. Segundo dados de 1995. decorrer de uma década. PORTO e MACHADO. Porém. sugere que a alocação de recursos será tão fortemente orientada pela disponibilidade física do recurso natural. os ativos intangíveis (isto é. o conjunto de recursos não materiais. no Alasca – o maior da história americana – . México e Argentina. particularmente. com 800 executivos. Finalmente. inevitavelmente. e muitas não resistem e pedem falência. a determinação e o rigor na implementação de uma política de sustentabilidade ambiental recairia. responsáveis pelo consumo de fontes não renováveis e por elevadas taxas de emissão de poluentes. a empresa demonstra maturidade para o diálogo e abre caminho para a obtenção do que se convencionou chamar “licença social para operar”. as indústrias extrativas (mineração. as gigantes do petróleo disputam a primazia de possuir as melhores tecnologias de energia renovável e de superar as metas na redução de emissões numa tentativa de mudar sua imagem pública desgastada por décadas na liderança da emissão de CO2. Atualmente. concentravam 70% da indústria química do Continente. em média. particularmente. Além de ser uma das mais poluentes. o mais importante impulsionador do uso de novos recursos e do desenvolvimento de tecnologias limpas será o estoque das reservas naturais. petróleo & gás. em 2005. Brasil. conforme se exporá ao longo do Curso. Pesquisa realizada no Brasil. sobre as empresas. 2002). os países em desenvolvimento. para a empresa recuperar sua credibilidade junto a opinião pública. além de incontáveis acidentes de grandes proporções. em média. envolvendo. 40 óbitos ao longo das décadas de 80 e 90 (FREITAS. indústria florestal) estão mais sensíveis ao movimento de responsabilidade social. não é apenas nos segmentos citados que essas forças de pressão vêm exercendo influência. Com isso. representantes dos mais diversos setores encaram os custos ambientais como um investimento inerente ao negócio. num futuro próximo. seriam necessários. Muitos autores consideram que. como o financeiro. concluiu-se que. 5 . além da tsunami e do terremoto no Paquistão (com 70 mil mortes). dez anos e oito meses e. por exemplo. Ao reconhecer que não tem autonomia para decidir como explorar os recursos de uma determinada região. esse cenário vem preocupando alguns segmentos industriais. por exemplo. Por serem mais visadas. Ao menos no plano da retórica. na Era da globalização e na da chamada sociedade da informação. cita-se o derramamento de 11 milhões de óleo bruto do petroleiro Exxon Valdez. a América Latina consome 40% dos produtos químicos comercializados nos países dessa categoria e. demonstram maior capacidade de resposta. houve mais tempestades tropicais (26) e mais furacões (14). porém outros segmentos. a indústria química afeta. Stuart Hart (1977).

As fases da trajetória Década de 70 e a Conferência de Estocolmo A Terceira Revolução Industrial. ocorrida na década de 70. entre elas a da preocupação ambiental. Com isso. se expandiram e aumentaram seu poder político. na visão do empresariado. muito embora. e a ameaça de ataques nucleares da Guerra Fria ainda era realidade.1. Com isso. cresceram os grandes conglomerados empresariais que passaram a ter poder de ação e de influência para além de seus territórios nacionais. A expressão “poluição ambiental” começava a fazer parte do vocabulário científico. antes ficavam restritas aos Estados nacionais. Na década de 70. introduziu novas técnicas de transporte e comunicação. Fonte: Matéria Folha de São Paulo28-01-2006. ganharam âmbito internacional. consolidando. As características e os momentos marcantes da trajetória já percorrida pelos setores produtivo e financeiro na direção da sustentabilidade serão tratados a seguir. como o Greenpeace. 6 . Os órgãos internacionais. Novas questões entraram na agenda da diplomacia mundial. em definitivo.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Figura 01: ameaças à reputação. e as principais organizações não governamentais. O cenário internacional era bipolar. como a ONU. o surgimento dos ideais neoliberais na década de 80.2 Esse conjunto de fatores conduziu a uma inevitável revisão dos valores empresariais. já que as preocupações passaram a ser globais. Acreditava-se que as principais ameaças à Camada de Ozônio eram as turbinas dos aviões supersônicos (o Concorde tinha acabado de surgir) e as emissões de gases orgânicos pelos rebanhos. possibilitando uma segmentação da produção nunca antes experimentada. 1. o desenvolvimento sustentável seja um projeto em construção. o fenômeno conhecido como globalização. as decisões políticas e econômicas que. Folha Dinheiro. com Reagan nos EUA e com Tatcher na Inglaterra. de longa duração. fazendo com que as economias nacionais atingissem uma integração global. o termo aquecimento global foi mencionado pela primeira vez. Aliado a esse fenômeno. Pág. contribuiu para ampliar esta integração mundial.

que colocou em pauta a discussão sobre a finidade dos recursos naturais planetários. para questões ambientais internacionais. “leis internacionais apenas intencionais”. a teoria passou a fomentar debates nacionais e internacionais acerca do tema em foco. Costa Cavalcante. um reflexo da bipolaridade política do período. Cerca de um ano depois. por recomendação da Conferência. na mesma Suécia. de uma conferência internacional sobre o meio ambiente. ou seja. Desses estudos. No Brasil. 7 . A Declaração de Estocolmo e seus princípios constituíram o primeiro conjunto de soft laws. sem aplicação obrigatória. na Suécia. Algumas metas específicas foram. ela defendia que os países parassem de crescer e voltassem suas atenções para a resolução dos impactos ecológicos causados pelo desenvolvimento anterior. estabelecidas: uma moratória de dez anos sobre a caça comercial a baleias. A Conferência de Estocolmo foi o evento que colocou o meio ambiente no foco das preocupações internacionais. representante do País na Conferência de Estocolmo (1972). com competência bastante limitada. recursos naturais e meio ambiente com o propósito de apontar possíveis caminhos para evitar o colapso do planeta. surgia. inspirando. como principais ausências. surge a publicação The Limits to Growth (“Limites do Crescimento”). foi produzida uma Declaração de 26 princípios e um Plano de Ação com 109 recomendações. No evento. informando e capacitando nações e povos a aumentar sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações” (ONU-BRASIL). ligada ao Ministério do Interior e usada como propaganda do Governo Médici. porém. com o Decreto Federal no 73. Esse documento foi um marco histórico para as preocupações ambientais e o caráter global das mesmas. Dessa preocupação. nasceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. de 30/10/1973. A missão do PNUMA é a de “prover liderança e encorajar parcerias no cuidado com o ambiente. a tese defendida do no relatório Limites do Crescimento foi fortemente rechaçada pelo Ministro do Interior. alimentos. No entanto. população. Ainda em 72.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Um grupo de estudiosos integrante do denominado Clube de Roma se propunha a analisar variáveis como tecnologia. a prevenção de derramamentos deliberados de petróleo no mar e um relatório sobre o uso da energia até 1975. então. Nesse contexto de maior atenção aos crescentes impactos ambientais. a União Soviética e a maioria de seus aliados. surge a ideia. A repercussão negativa da posição brasileira.030. a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). realizada em Estocolmo. a teoria defendida no documento não foi aceita por nenhuma nação. em 1972. considerada irreal e inviável. Denominada “teoria do crescimento zero”. Apesar de não ser aceita. previsto para o ano 2000. que vinha sofrendo sérios danos em seus lagos devido à chuva ácida decorrente da poluição da Europa Ocidental. motivou a criação de um órgão nacional de meio ambiente. para ação e coordenação de questões ambientais no âmbito da ONU. que vivia o período da ditadura militar e do milagre econômico. Essa discussão reuniu tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento e teve. criou-se o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP).

5. Década de 80: redefinindo o desenvolvimento sustentável A década de 80 pode ser definida como um período bastante peculiar em todo o mundo. citado em Integração entre o meio ambiente e o desenvolvimento: 19722002. 8. É necessário estabelecer um planejamento integrado para o desenvolvimento. 7. 2. Essas regiões. Os direitos humanos devem ser defendidos. 6. Armas de destruição em massa devem ser eliminadas. tornou-se de extrema importância nos debates políticos mundiais. 11.04. Fonte: Clarke & Timberlake. 19. para que realizem a gestão do meio ambiente. A poluição danosa aos oceanos deve ser evitada. 16. a crise nos países em desenvolvimento foi um fato extremamente marcante no período. 4.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Box 01 . Os países em desenvolvimento requerem ajuda. 15. por pesquisadores britânicos as medições do tamanho do buraco da camada de ozônio. o fim do mundo bipolarizado – simbolizado pela queda do muro de Berlim – trouxe importantes mudanças e consequências tanto na esfera européia quanto na mundial. A partir daí. pela primeira vez. a começar pela crise da dívida que atingiu a América Latina em 82.1982. lidar com temas. A poluição não deve exceder a capacidade do meio ambiente de neutralizá-la. Os países em desenvolvimento necessitam de recursos para desenvolver medidas de proteção ambiental. 14. sítio do Ibama na Internet. Cada país deve estabelecer suas próprias normas. 26. o apartheid e o colonialismo devem ser condenados. A educação ambiental é essencial. Os governos devem planejar suas próprias políticas populacionais de maneira adequada. No âmbito político. 22. Os Estados podem explorar seus recursos como quiserem. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis deve ser mantida. como a África. Devem-se promover pesquisas ambientais. Os Estados que sofrerem danos dessa forma deverão ser indenizados. Como a interdependência entre o meio 8 . não esgotados. registravam um aumento pequeno de renda. 18. Para exemplificar. A fauna e a flora silvestres devem ser preservadas.2006. As políticas ambientais não devem comprometer o desenvolvimento. O desenvolvimento é necessário à melhoria do meio ambiente. 2000). 12. A situação ficou especialmente difícil em países onde milhões de pessoas se deslocaram por conta de guerras. A ciência e a tecnologia devem ser usadas para melhorar o meio ambiente. Deve haver cooperação em questões internacionais. O número de refugiados passou de cerca de 09 milhões de pessoas em 1980 para mais de 18 milhões no início da década de 90 (UNHCR. No âmbito econômico. 9. fato que causou grande surpresa tanto para políticos quanto para cientistas. como pobreza e meio ambiente. 25. 3. 23. 13. principalmente em países em desenvolvimento. Acessado em 28. Os países em desenvolvimento necessitam de preços justos para as suas exportações. 20. Organizações internacionais devem ajudar a melhorar o meio ambiente. As instituições nacionais devem planejar o desenvolvimento dos recursos naturais dos estados. Para vários países em desenvolvimento. 10. a América Latina e o Caribe. 21. Os recursos não renováveis devem ser compartilhados. Um planejamento racional deve resolver conflitos entre meio ambiente e desenvolvimento. Os recursos naturais devem ser preservados. 17. a década de 80 ficou conhecida como “a década perdida”. em 1985 foi publicada. Assentamentos humanos devem ser planejados de forma a eliminar problemas ambientais. a Ásia Ocidental. desde que não causem danos a outros.Versão resumida dos Princípios da Declaração de Estocolmo (1972) 1. 24.

Reuniões foram conduzidas em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O relatório traduziu as preocupações com o meio ambiente que já se instalavam na sociedade. Nesta década também. culturais e ecológicas. desde que não comprometam a integridade dos outros ecossistemas ou espécies com os quais coexistem. Em 1983. o desastre nuclear em Chernobyl. em 1987. silvestres e domesticadas. 3 Em 26 de Abril de 1986. colhendo as percepções de diferentes grupos sociais sobre questões relacionadas à agricultura. altamente tóxica. 2 A tragédia em Bhopal teve início nas primeiras horas do dia 3 de dezembro de 1984. 1986) (ver Box 02). 9 . uma proteção especial deve ser dada a áreas singulares. Em pouco tempo. à energia. político-sociais. a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a Carta Mundial da Natureza (World Charter of Nature).10. em 1989. A substância. explodiu um reator da central de Chernobyl que libertou uma imensa nuvem radioativa contaminando pessoas. à transferência de tecnologias e ao desenvolvimento sustentável em geral. por meio da sustentabilidade do desenvolvimento que implica uma mudança nas relações econômicas. devem estar sujeitas a esses princípios de conservação. A natureza deve ser protegida da degradação causada por guerras e outras atividades hostis. foi criada a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) para realizar audiências em todo o mundo e produzir um relatório sobre suas conclusões. de 28. a maioria em favelas. que despejou 41 milhões de litros de petróleo em uma área de vida selvagem no Alasca (EUA). quando 40 toneladas do veneno isocianato de metila em estado gasoso começaram a vazar da fábrica de pesticidas da americana Union Carbide. os níveis populacionais de todas as formas de vida. como resultado da Assembléia Geral das Nações Unidas.1986. • Os ecossistemas e os organismos. Resolução nº 37/7. Esses e outros eventos confirmaram que as questões ambientais eram sistêmicas e que lidar com elas requeria estratégias e ações integradas de longo prazo e participação de todos os países e de todos os membros da sociedade. a amostras representativas de todos os diferentes tipos de ecossistema e ao habitat de espécies raras e ameaçadas de extinção. em 1986 e o acidente do navio Exxon Valdez. causa cegueira e leva ao bloqueio dos alvéolos pulmonares. com essa finalidade. animais e o meio ambiente de uma vasta extensão da Europa. onde viviam mais de 900 mil pessoas. Nele foi expresso pela primeira vez o conceito utilizado até os dias atuais e definido como aquele que “atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem as suas”. no relatório Our Common Future (“Nosso Futuro Comum”). o conceito de desenvolvimento sustentável foi apresentado. • Todas as áreas do planeta.Carta Mundial da Natureza: Princípios Gerais • A viabilidade genética da Terra não deve ser comprometida. A Estratégia de Conservação Mundial (World Conservation Strategy) foi um dos documentos mais importantes que ajudaram a redefinir o ambientalismo após a Conferência de Estocolmo. devem ser ao menos suficientes para a sua sobrevivência e.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 ambiente e o desenvolvimento se tornava cada vez mais óbvia. à água. A década de 80 também presenciou uma série de eventos catastróficos que marcaram de forma permanente o meio ambiente tais como o vazamento de gases letais na Índia na cidade de Bhopal em 2 3 1984 . assim como os recursos terrestres. Lançado em 1980. tanto terrestres quanto marítimas. Box 02 . marinhos e atmosféricos usados pelo homem devem ser manejados de forma a alcançar e a manter uma produtividade sustentável e em condições favoráveis. na Ucrânia. esse documento reconheceu que a abordagem dos problemas ambientais demandaria um esforço em longo prazo e a integração dos objetivos ambientais com aqueles relacionados com o desenvolvimento. os habitats necessários devem ser protegidos. chamando a atenção para o valor intrínseco das espécies e dos ecossistemas (ONU. Fonte: ONU. localizada a menos de 5 quilômetros de Bhopal. uma nuvem de gás letal atingiu Bhopal.

Entre os brasileiros. Uma de suas finalidades é definir um padrão mundial para implementação de normas e diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental nas organizações. e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. a natureza passou a ser vista como parte integrante de um sistema que originalmente deveria ser cíclico. funcionando como uma rede integrada internacional de órgãos de normalização em todo o mundo. com sede em Genebra. em 1998. duas novas entidades forneceram as diretrizes que orientariam. Década de 90: generalização da convenção do desenvolvimento sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se mais compreensível. na Suíça. gerando um movimento de conscientização acerca da estreita correlação entre pobreza e crise ambiental. o setor produtivo. Essa conferência. O agravamento da pobreza e da fome no mundo exerceu forte pressão para que se realizasse a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD).Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Desse modo. Ficou claro que um número cada vez maior de atores teria de lidar com as implicações ambientais de suas atividades. daria nascimento à Agenda 21 (Box 03). realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992. formada por representantes de mais de 155 países. conhecida como “Cúpula da Terra” ou “Rio-92”. Em 1996. em particular as empresas líderes: o Centro Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). A década testemunhou catástrofes ambientais ainda maiores do que as ocorridas nos anos 80. Ainda durante a década de 90. definindo um novo padrão voluntário de manejo ambiental na indústria. excluindo o comportamento predador do modelo desenvolvimentista predominante. 10 . braço brasileiro do WBCSD. daí em diante. considerada como a maior reunião do gênero já realizada. de 1997. 4 A International Organization for Standardization (ISO) é uma organização não governamental criada em 1946. acompanhando a crescente globalização dos mercados. despontam diversas iniciativas empresariais visando à adequação a essa nova proposta tecnológica. surgiu o selo ISO 14000 4.

Ao redefinir o conceito de desenvolvimento. integração regional e redução das desigualdades sociais como forma a compreender a complexidade do País e suas regiões dentro do conceito de sustentabilidade ampliada. para a promoção de ações que estimulassem a integração entre o crescimento econômico. foram escolhidos temas centrais. cujas perdas crescentes deveriam ser consideradas contribuição negativa ao produto interno bruto (PIB) e às contas nacionais. inovação tecnológica e rede de cumplicidades formada por todos os setores sociais a se irradiar nos planos global. bem como a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais. Daí surgiria a Agenda 21. Transição para uma visão integrada de sustentabilidade Até a década de 90. a justiça social e a proteção ambiental. Apresentou-se.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Box 03 . como agricultura e cidades sustentáveis. Contudo. a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS). A Agenda 21 Local é o processo participativo e multissetorial de construção de um programa de ação estratégico dirigido para o desenvolvimento sustentável local. Tal esforço exigia mudanças culturais de comportamento. cada país comprometeu-se a definir sua própria Agenda 21. segundo a qual a regulação da economia é tarefa do equilíbrio entre a oferta e a demanda. gestão dos recursos naturais. um conjunto de diretrizes. que se constituiu no documento mais abrangente dessa conferência e selou um compromisso entre as nações participantes. o documento enfatizava o aumento da produtividade. mas também qualitativa.Agenda 21 – Por Um Mundo Sustentável A Rio-92. 11 . crescimento econômico e desenvolvimento eram encarados como indissoluvelmente conectados. Seus principais objetivos são a formulação e a implementação de políticas públicas. por meio de uma metodologia participativa que una governo e sociedade. aliado à justiça social e à conservação dos recursos naturais. dessa maneira. A ideia é de que a Agenda 21 Local seja um documento de referência para a construção ou revisão de Planos Diretores. nos países do Sul. nacional e local. 1. além de reunir chefes de Estado e representantes oficiais de 179 países. como um guia. ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. Atualmente. está em curso a segunda etapa. foi concluída a primeira etapa de elaboração da Agenda. não sendo considerada a possibilidade de se desenvolver sem crescer. entre outros instrumentos de gestão. assegurando-lhe dimensão não apenas quantitativa. enquanto. também juntou organizações não governamentais de todo o mundo em um evento paralelo – o Fórum Internacional de ONGs e Movimentos Sociais. para as economias desenvolvidas do Norte. de orçamentos participativos municipais. contribuindo. Para iniciar as atividades da Agenda. Em 2002. para a integração de ações de diferentes instituições em uma mesma localidade. Durante a Rio-92. ou seja. o estado de pobreza crônica da população requereu a criação de instrumentos econômicos e institucionais para sua superação. com a função de conduzir a elaboração da Agenda 21 Brasileira. a implementação das políticas públicas propostas. em 1997.2. O Brasil criou. órgão presidido pelo Ministério do Meio Ambiente. essa equação vinha sendo administrada pela cartilha da ortodoxia neoclássica. de zoneamento ecológico-econômico. infra-estrutura. tanto para o poder público como para a sociedade civil e os setores econômicos.

que ajudam a humanizar a empresa frente à sociedade (SCHMIDHEINY. AID. apontando a necessidade de envolver representantes da sociedade no processo de implantação dos empreendimentos. certamente. inclusive o Brasil. fundado em 1944. Apesar do expressivo número de organizações ambientalistas existentes no Brasil e no mundo. A problemática crescimento vs. por mais paradoxal que isso pudesse parecer. que a compreensão nas empresas sobre o desenvolvimento sustentável está significativamente ampliada. CIADI) e tem como missão o combate à pobreza. relações públicas. 1996). além. principalmente entre as multinacionais. AMGI. 1998). pela urgência em minimizar os efeitos das emissões de gases na atmosfera e seus impactos na mudança climática. contudo. o guiará no futuro próximo. aos países mais pobres do mundo. É fato. o diálogo entre elas e o setor produtivo apenas recentemente vem adquirindo um caráter de parceria efetiva. o fluxo de exportações de mercadorias e de capitais do Norte para o Sul e o consequente retorno na forma de lucros e juros da dívida só poderiam continuar se a aceleração do crescimento econômico do Sul estivesse condicionada ao combate à pobreza. Já se admitia. fundamentalmente. Tal raciocínio pressupunha que o ritmo de crescimento das economias industrializadas do Norte se manteria inalterado e. Algumas empresas já estão discutindo seriamente esse cenário. que o Sul é detentor da maior parte do estoque existente no planeta –. IFC. relativamente aumentado. merecendo em muitos casos gerência ou diretoria próprias. conceitual e operacionalmente falando. 12 . Para alguns. mas está implícita no debate empresarial sobre responsabilidade social e. a relativa fragilidade do modelo de desenvolvimento mundialmente hegemônico. admitindo-se que os problemas decorrentes do consumo ambientalmente predatório do Sul poderiam ser solucionados através de um padrão de “crescimento sustentável”. Para as empresas que atuam em áreas ambiental e socialmente sensíveis em países pobres. do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. até mesmo. No entanto. Com cerca de 183 países membros. desenvolvimento não tem sido debatida. na ênfase dada às políticas de combate à pobreza nos países pobres aliadas à exigência de uma avaliação de impacto ambiental dos projetos por ele financiados. pelo incremento do intercâmbio entre ambos. 1995. portanto. trata-se apenas de uma jogada de marketing visando a oportunidades comerciais (KORTEN. Desenvolvimento sustentável e empresas: cosmética ou enraizamento social? Existem tantas definições sobre Desenvolvimento Sustentável quantas são as correntes teóricas e indivíduos que sobre ele se pronunciam. composta de cinco instituições afiliadas (BIRD. principalmente. uma nova linha de abordagem foi incorporada aos documentos oficiais da instituição. essa convenção tem sido responsável pela deflagração de novos valores morais e éticos. é o principal organismo multilateral internacional de financiamento do desenvolvimento social e econômico. concluindo pela necessidade de redirecionar o desenvolvimento do Sul para um modelo de crescimento econômico ambientalmente sustentável. Essa mensagem significava a negação de limites ecológicos paralisantes ao desenvolvimento. O Banco Mundial apresentou um relatório ortodoxo. em 1997. enquanto. marketing e financeiro. essa decisão do Banco foi crucial para a definição de uma política de responsabilidade social. como a maior fonte de financiamento de ajuda ao desenvolvimento.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 O Banco Mundial5 sustentava que a extensão do padrão de consumo do Norte ao Sul embutia o elevado risco de comprometer a capacidade de uso e de recuperação dos recursos naturais – vale lembrar. para outros. que tem sido apoiado pelas funções centrais da firma. encontram-se visões distintas no seio do empresariado. A sua ação destina-se. sobretudo. motivadas. O meio ambiente adquiriu tamanho prestígio. Da mesma forma. Ainda é muito comum a empresa acomodar-se no 5 O Banco Mundial é uma instituição financeira. inovando. naturalmente. como os setores jurídico. Na visão convencional do Banco Mundial.

2. em Johannesburgo. também. baseada em princípios de responsabilidade social. aumento à proteção à biodiversidade e o acesso à água potável. mais do que a imposição regulatória e a pressão do mercado. Realizou-se. Em 2002 e como consequência direta da Rio-92 e da Conferência de Estocolmo de 1972. a diminuição 13 . saúde e segurança. Garantir a sustentabilidade ambiental. que estabelecia. como prioridade. é preciso desenvolverem-se procedimentos e normas destinados a facilitar a interação social. Entre os desafios expressos no documento. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 1. Nascia um documento denominado “Declaração do Milênio”. incorporando os princípios da sustentabilidade na cultura corporativa. para a cognitiva (isto é. então. no qual seriam detalhados alguns objetivos alinhados aos princípios já definidos na Rio-92. ao saneamento. consolidou-se a consciência sobre a urgência de se fazer algo a respeito dessas condições. hoje. Foram acordados oito objetivos denominados “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”. evoluindo para a fase normativa (abrindo espaço na estrutura organizacional) e. aprovados e adotados pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas. Concluiu-se. Atingir o ensino básico universal. Reduzir a mortalidade infantil. 5. Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Líderes de 189 países firmaram um pacto cujo foco principal é o compromisso de combater a pobreza e a fome no mundo. Melhorar a saúde materna. para promover o desenvolvimento sustentável dos países. presencia-se. Por isso. em setembro de 2000. a estratégia adotada pela empresa para gerenciar o relacionamento com a sociedade será a principal fonte de vantagem competitiva. O ideal é a empresa ir além do marco regulatório. Erradicar a extrema pobreza e a fome. reversão da tendência de degradação de recursos naturais. mencionou-se a continuidade de diversos problemas ambientais de caráter global. 2005.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 processo “cosmético”. Algumas metas já estavam delineadas. cada qual com suas metas e indicadores. a consolidação de uma nova modalidade de gestão empresarial. por exemplo. Para tanto. finalmente. eliminar a extrema pobreza e a fome do mundo até 2015. conhecida como Rio+10. 8. à energia. 3. Combater o HIV/AIDS. que. restauração de pesqueiros até 2015 e estabelecimento de áreas marinhas protegidas até 2012. que corresponderia ao que se denomina pejorativamente de "esverdeamento". era necessária a ampliação de acesso a mercados alternativos. reunião promovida pela Organização das Nações Unidas. que está sempre aprendendo e que tem uma compulsão estrutural ao crescimento. e modificando o seu discurso mas não a sua prática. 6. ao abrigo.) A Agenda 21 e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram instrumentos que se conjugaram para a realização do desenvolvimento sustentável. em Nova York. como. 7. independente de instrumentos de coerção ou de pressão). na África do Sul. a malária e outras doenças. ocorreu a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (CMDS). Como se tratará ao longo do Curso. a Cúpula do Milênio. reagindo apenas à legislação. Cúpula do Milênio e Rio + 10 Como decorrência da situação mundial em relação à fome e a pobreza. 4. pressupondo que a instituição é uma organização dinâmica. A Cúpula buscou formular um plano de ação factível. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente.

no prazo de dez anos. ao mesmo tempo em que reduz progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida. que incentivassem o consumo e a produção sustentáveis. Conforme relatado por Stephan Schmidheiny.3. com mais objetividade. duas fases marcantes do processo de conversão à sustentabilidade: a fase da disseminação dos princípios da eco-eficiência. equivalente à capacidade de sustentação estimada da Terra. o WBCSD define ecoeficiência como sendo. em 1992. ainda. 14 . a eco-eficiência é obtida pela “entrega de bens e serviços com preços competitivos que satisfazem as necessidades humanas e trazem qualidade de vida. em linha com a capacidade estimada da Terra em suportá-los”. uma significativa ligação entre eficiência dos recursos (que leva à produtividade e à lucratividade) e responsabilidade ambiental. • Reduzir o consumo de energia com bens e serviços. são desenvolvidas. e a da institucionalização das mudanças organizacionais provocadas pela aplicação dos princípios e tecnologias associados à sustentabilidade. reduzindo progressivamente impactos ambientais dos bens e serviços. empresário suíço fundador do WBCSD. a fim de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais. .. A eco-eficiência se impõe Neste tópico.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 dos subsídios às exportações e a promoção de um conjunto de programas. através de todo o ciclo de vida. concluiu-se que o termo era o que melhor exprimia a meta de integrar a eficiência econômica e ecológica. De acordo com o WBCSD. Portanto. Esse conceito descreve uma visão para a produção de bens e serviços que possuam valor econômico enquanto reduzem os impactos ecológicos da produção e sugere. tanto no plano da produção. • Maximizar o uso sustentável de recursos renováveis. tem-se tornado sinônimo de uma filosofia de gerenciamento que leva à sustentabilidade. • Agregar valor aos bens e serviços. • Prolongar a durabilidade dos produtos. em 1992. quanto no da relação com os stakeholders e principais instrumentos de gestão e boas práticas. o termo ecoeficiência surgiu da necessidade de apresentar uma proposta empresarial de atuação na área ambiental para a Conferência do Rio. Assim.alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida. no mínimo.. foi desafiante para o grupo composto de 50 empresários encontrar algo a dizer sobre meio ambiente e sobre desenvolvimento que "honrasse as realidades básicas do mercado". desde então. a um nível. Elementos da Ecoeficiência: • Reduzir o consumo de materiais com bens e serviços. Depois de acirrado debate. • Intensificar a reciclagem de materiais. endossado pela Conferência Rio92 como uma forma de as organizações implementarem a Agenda 21 no setor privado. 1. Segundo ele. eco-eficiência é o uso mais eficiente de materiais e energia. pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) (“Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável”) por meio da publicação do livro Changing Course (“Mudando o Rumo”). O termo “eco-eficiência” foi introduzido... • Reduzir a dispersão de substâncias tóxicas..

liberdade de associação e direito à negociação coletiva. no uso de insumos e no desperdício. nem tão aperfeiçoada quanto hoje. efluentes e desperdício nas suas operações. práticas disciplinares. Ainda assim. de maneira a reduzirem ou eliminarem emissões. a indústria assumiu uma posição mais cooperativa intra e intersetorialmente. saúde e segurança. o principal obstáculo à adoção da gestão ambiental residia na concepção dominante de que meio ambiente e lucro eram adversários naturais.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Inicialmente. isto é. essa prática avançou mais. 15 . Por essa razão. a Norma ISO 26000 foi desenvolvida para tratar de responsabilidade social (ver tópico a respeito). também. papel e celulose) e nas multinacionais. automotiva e eletrônica. as trajetórias em direção à adoção de estratégias ambientalmente sustentáveis diferem significativamente entre setores e entre empresas. Acreditava-se que a implementação da gestão ambiental. horário de trabalho. Contudo. além de reduzir lucros. em poucos anos. devido à dificuldade que a empresa encontra em manter um mesmo padrão. com o agravante de que o montante do passivo cresce na proporção dos impactos cumulativos. Apesar de reconhecer que a maturação de novos produtos e processos é lenta. resultando em vantagem de custo sobre os competidores. nos setores notoriamente poluentes (petroquímico. ficou patente que as tecnologias ambientais tinham um potencial inverso. Por outro lado. Durante a última década do século passado houve também uma enorme pressão para as empresas adotarem sistemas de gestão ambiental. cuja localização e natureza das operações variam significativamente. reduziam custos através de uma melhor racionalização dos processos produtivos. as condições de trabalho em toda a cadeia produtiva. A evidência disso é a corrida à certificação que agrega valor ao produto representando um selo de confiança no sistema de gestão implementado pela empresa. deve-se à maior influência dos agentes de pressão anteriormente descritos e à magnitude dos custos associados ao passivo ambiental. obrigaria a repassar os custos aos consumidores. o número de empresas certificadas é baixo. mas.. devido ao elevado custo. tendo sido motivado pelo crescente clamor popular contra o trabalho infantil. Os itens verificados na auditoria obrigatória para se candidatar ao SA 8000 são nove: trabalho infantil. mais recentemente. é mais difícil estender uma mudança de forma homogênea em empresas de grande porte. entre outros aspectos. metalúrgico. o Social Accountability 8000 (SA 8000) é o primeiro certificado social com reconhecimento internacional. o Brasil é o quarto país com mais certificados SA 8000. as empresas sérias procuram se diferenciar das oportunistas. considerando a grande diferenciação entre as leis trabalhistas em cada país. Assim. Em grande medida.. papel e celulose. remuneração e sistemas de gestão. e ainda existem aquelas que implementam apenas reformas simbólicas e medidas cosméticas (a chamada "lavagem verde") visando responder à legislação ambiental e usá-las como propaganda institucional. induzida pela organização e compartilhamento de tarefas intrínsecas à gestão ambiental. Se. a maioria das empresas procura em seus programas de gestão ambiental ganhar novos mercados e vantagem competitiva no curto prazo. elevando os preços dos bens negociados. Além disso. trabalho forçado. Mesmo sendo uma referência em termos de certificação para as condições do trabalho. essa crença devia-se ao fato de o custo da tecnologia ambiental ser alto em virtude de não estar nem tão disponível. Administrado pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA). informações importantes começaram a ser monitoradas e potenciais ganhos de eficiência mapeados o que permitiu significativa economia de recursos. Os certificados mais procurados são os da série ISO 9000 e ISO 14000 e. era apenas o discurso. Além disso. A partir de um modelo de gestão. O processo de internalização do conceito de desenvolvimento sustentável não evoluiu da mesma forma em todos os setores industriais e em firmas de todos os portes. particularmente. que verifica. incrementou a produtividade e a eficiência. principalmente nas indústrias de petroquímica. discriminação.

Prahalad e Hamel (1990) atribuem ao Gerente o papel de criar condições para que as informações da sociedade fluam para dentro da firma e que. O papel dos gerentes Inicialmente. ter condições de ser reutilizado com suas propriedades inalteradas no metabolismo tecnológico. das necessidades dos consumidores e das oportunidades tecnológicas. engenheiros. A tradição da teoria do gerenciamento em atribuir aos Gerentes. "The core competence of the corporation". Nesse contexto. em especial ao top management. em que dejetos servem de alimento: assim. levando-os a procurar respostas às expectativas e às necessidades da sociedade.. o produto e seus componentes e materiais não terão serventia. começa a fase prática A maneira linear. ao final de seu uso. 2007). a mudança de paradigma traz importantes consequências e avanços no desenvolvimento de produtos. dentro da empresa. As empresas que possuíam certificação ambiental tiveram rentabilidade do ativo. o contingente de empresas brasileiras certificadas só não é maior porque muitas delas não têm como arcar com os custos da certificação.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 perdendo apenas para a Itália. pessoal de marketing. a sociedade ampliada. uma vez que os acionistas procuram obter retorno futuro de seus investimentos na mesma proporção em que anseiam por rendimentos no presente. C. 68. os gerentes seniores estimulam a participação e a criatividade nos empregados e gerentes de todos níveis. 1. a ideia de sustentabilidade passou a ser encarada com seriedade por um número significativo de companhias por iniciativa do seu corpo executivo (Diretores e Gerentes) e. a crença de que maximizar retornos aos acionistas impõe ao executivo a adoção de estratégias pontuais e imediatistas. n. utilização e descarte – é entendida como “do berço ao túmulo” (cradle to grave) já que. em relação às questões ambientais.K. de vê-lo como um indivíduo iluminado no sentido de ser o que melhor conhece a firma e seus ambientes (o mercado. vendedores etc. apresentam componentes de difícil decomposição ou altamente tóxicos sem que se dê solução adequada para degradá-los quando descartados. HAMEL.4. a Bahia Sul Celulose e a Avon cosméticos. Índia e China. em geral. 81 16 . em alguns casos. estimulado pelos próprios acionistas que temem a desvalorização das ações devido aos escândalos corporativos. Harvard. G. geralmente se pensa em ser 6 PRAHALAD. como nutriente. o setor. particularmente as pequenas e médias. não é de todo verdadeira. a certificação da ISO 14001 com as empresas que possuíam algum sistema de monitoramento ambiental e com as empresas que não apresentaram informação relacionada às questões ambientais. sejam devolvidas através da compreensão compartilhada por técnicos. um produto deveria ser criado para. ou de voltar à natureza não como poluente. May-June 1990. Garantindo isso. p. Do berço-ao-túmulo. entre suas empresas. para ela. 3. negligenciando investimentos de maturação longa. O conceito do “berço ao berço” – cradle to cradle – busca resgatar o princípio cíclico da natureza. a maior parcela de responsabilidade pela construção das competências centrais da firma deve-se ao fato de o Gerente personificar. Um grande problema causado por esse tipo de ciclo de vida é que os produtos. mas. Um estudo recente comparou a performance de Companhias abertas que informaram.. v. Harvard Business Review. os consumidores). contando. 6 Como salientou Schmidheiny (1996).. De um modo geral. ao final. pois.. geralmente empregada para conceber o ciclo de vida de um produto – produção. rentabilidade operacional e rendimento do patrimônio líquido superiores às demais (Grzebieluckas. em seus Relatórios de Informação Anual de 2006 (ano-base 2005).

é uma transformação bem mais profunda. A partir desse estágio. McDonough & Braungart. muitas vezes incentivados na sociedade de consumo e tomados como estratégia empresarial. quinto estágio: prevê reinventar conceitos. menos prejudicial. ou em atingir aos índices estipulados pela legislação reguladora. A Gestão e Sustentabilidade no Processo de Desenvolvimento de Produtos. o qual envolve considerar o meio ambiente como fator decisivo desde a aquisição. pondo em prática a lista positiva. porém a aplicação de um novo paradigma. faz-se necessária uma aproximação de pesquisadores e profissionais que atuem no desenvolvimento de produtos. Faz parte dessa busca um maior contato com grupos de pesquisa e. primeiro estágio: é a busca por um produto livre de substâncias reconhecidas pelo grande público como perigosas ou mesmo práticas mal vistas. que limpem o ar ou fertilizem o solo. quarto estágio: buscar ciclos tecnológico e biológico mais salutares. IV. fazer produtos que. 2007 17 . III. II. a orientação é pensar em como um produto possa ser melhor. IX ENGEMA. além de não serem prejudiciais ao meio ambiente. para tanto. Seguindo o pensamento “berço ao berço”. agregar mais valor ao meio ambiente ao longo do uso e em seu posterior descarte. segundo estágio: quando a empresa pode e faz questão de deixar claro aos clientes as propriedades e os processos envolvidos na produção de seus produtos. tomando uma posição realmente pró-ativa e realizando assim uma lista positiva. Curitiba. como no caso do conceito “berço ao berço”. a saber: I. As análises realizadas neste estágio podem envolver conceitos abordados pelo Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA). Nov. 2007). a partir da sua experiência no trabalho com empresas. Parte-se então. a discussão sobre o uso responsável de recursos contraria a excessiva substituição de produtos e ciclos de vida cada vez mais curtos. Partir da análise desses critérios. Mudanças na forma de desenvolver e de produzir produtos podem ser influenciadas por restrições impostas por legislações ou certificações como a ISO 14000. no qual o processo de projeto trata atributos ambientais como objetivos e não restrições. V. ao longo do uso e no descarte de produtos (CARISIO DE PAULA. relatam no livro Cradle to Cradle (2002) cinco estágios pelos quais passam as organizações que procuram atuar com responsabilidade ambiental. 7 7 CARÍSIO DE PAULA.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 menos poluente. sua vida útil ou sua funcionalidade. podem-se relacionar práticas de ecodesign de projeto verde. Além disso. para guiar etapas de projeto e produção. terceiro estágio: é trabalhar na criação de uma lista das substâncias saudáveis a serem adotadas. para a implementação do consumo sustentável. tudo associado à reflexão sobre a infraestrutura necessária ao uso do produto. contribuam para a sua melhoria durante e após sua vida útil. preconiza-se uma transformação real. estabelecido na norma britânica BS 7750 e pela Avaliação de Desempenho Ambiental (ADA). buscando incorporar esses objetivos com o menor custo ao desempenho do produto.

com o objetivo de “redesenhar os sistemas industriais sobre linhas biológicas” para possibilitar a “reutilização constante de materiais em ciclos fechados contínuos e frequentemente a eliminação de toxicidade” (LOVINS et al. ambientais e sociais em suas operações. A primeira estratégia. 1999: 10-11). Na maior parte dos países desenvolvidos. dentro do contexto da teoria do Capitalismo natural. pode ser compreendido como um passo inicial no sentido de mudanças de alcance muito maior. 1. SP. Juntas. restaure e expanda os estoques de capital natural” (Hawken et al. visando enfrentar os efeitos irreversíveis das mudanças climáticas. esse conhecimento existe e está disponível. Finalmente. A mudança para empresas e serviços financeiros pautados na sustentabilidade. um trabalho fortemente focado no aumento da ecoeficiência. Sissel. mas sua efetividade depende do conhecimento acumulado e da existência de modelos estatísticos confiáveis e historicamente abrangentes de maneira a permitir uma atuação direta sobre seus efeitos. A segunda estratégia. criar crescimento econômico e aumentar o emprego significativo” (LOVINS et al. apresentando estratégias específicas para “reduzir o dano ambiental. está totalmente alinhada com os objetivos da ecoeficiência. o trabalho recente sobre “capitalismo natural” amplia a ideia de ecoeficiência e ecologia industrial. Instituto Ethos. Portanto. Uma outra contribuição conceitual à área foi o desenvolvimento do termo “triple bottom line” (Elkington 1997). repercute em pesquisas e trabalhos sobre ecologia industrial. explorar as possibilidades do biomimetismo. o termo questiona o resultado final único (financeiro). Dessa forma. essas estratégias oferecem um caminho a ser trilhado em direção à sustentabilidade. a relevância dos conceitos de sustentabilidade para os negócios é evidente nos relatórios de grandes empresas consideradas responsáveis por milhões de dólares em custos para a limpeza de locais usados por fabricantes contratados que entraram com pedidos de falência (GEMI 2001). ou seja. 2000). a quarta estratégia se refere ao reinvestimento em sistemas ecológicos de forma a assegurar que a sociedade “sustente. Contribuição da ciência Os últimos cinco anos foram pródigos em produzir recomendações e soluções de natureza adaptativa. em países pobres e em 18 . Julho de 2004. Além disso.5. De forma notável. promover um “aumento radical na produtividade de recursos”. para se determinar o resultado final. Fonte: WAAGE. todas as empresas produzem e são afetadas por impactos financeiros. porém. o resultado final único irá cada vez mais refletir retornos ecológicos e sociais. Argumenta-se a importância de se considerarem os custos e o retorno ambiental e social. todos esses fatores sempre afetaram as empresas. o Capitalismo natural requer quatro mudanças iterativas nas empresas e organizações da sociedade. esses impactos ficam evidentes no dano à reputação que as empresas sofrem após violações de direitos humanos ou quando questões ambientais vêm à tona. juntamente com a contabilidade financeira padrão. 2000). Mais especificamente. Por exemplo. A terceira estratégia é estabelecer uma economia de serviço e fluxo através da criação de sistemas que assegurem que os bens circulem em vez de serem usados e descartados. Fundamentalmente.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Capitalismo Natural (visão do The Natural Step) Ao longo da década de 1990. Na realidade. Uma reavaliação dos negócios a partir de uma perspectiva sistêmica. uma série de outras abordagens surgiu para tratar de vários níveis de planejamento dentro do contexto de mudança em direção à sustentabilidade.

como a França e a Inglaterra. favorecendo o inovador. M. por exemplo. ou mesmo de um mercado inteiro. o clima era o principal indicador ambiental e orientava todas as etapas do ciclo agrícola) ostentam uma margem de vantagem expressiva para o sucesso de modelos adaptativos. Innovation Handbook: A road map to disruptive growth. mas não a precipitação. Além disso. se encontra melhor mapeada. No caso brasileiro. Um deles foi ter-se iniciado. como o IBGE e o IPEA. mas não sabe como vai lidar com os impactos de mudanças que são inevitáveis”. 8 Formas de intervenção destinadas a reduzir ou remediar um determinado impacto ambiental. Suplemento especial Clima em Mudança). como exemplo. o quanto as chuvas poderão aumentar ou diminuir. que matou cerca de 100 toneladas de peixe no Lago do Rei. que. uma inovação radical tem o poder de mudar as bases da competição de um determinado mercado. próximo a Manaus. apesar de haver instituições de informação estatística reconhecidas internacionalmente. outro problema recorrente é o de as instituições brasileiras sofrerem interferência política que resulta em descontinuidade do trabalho de pesquisa. reciclar). Enquanto esperam. 19 . carece de informações básicas sobre seu clima. do IPAM. dado que. “o País ainda está mais focado nos mecanismos de mitigação 8. Ela pode trazer uma melhor performance para empresa inovadora com uma sensível redução de custos em médio prazo. 2005. Strategy and Innovation Collection. tem o poder de alterar profundamente a cadeia de suprimentos ou de valor agregado. utiliza-se o termo disruptive technology. Nesse quesito. Segundo Paulo Moutinho. alguns países europeus. Mesmo a Amazônia. Cita. a pesquisa básica associada a esses indicadores. serviço ou processo existente. é chegada a hora de mostrar concretamente os resultados da propalada eco-eficiência. o tamanho e a diversidade biológica do País impedem uma replicação eficiente de modelos. C.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 desenvolvimento. que são fundamentais. que enfatiza o potencial que uma inovação radical tem de transformar um modelo de negócio existente de uma organização. ou ajudam. alguns fatores dificultam a produção confiável desses dados. tardiamente. a produção de informações e de dados sobre indicadores ambientais ou não existem ou são escassos e imprecisos. Inovação A inovação pode ser classificada em dois tipos: incremental e radical. Se levar em conta apenas a propaganda. e deixou 250 mil famílias sem água para beber (O Estado de São Paulo de 05/12/08. Não se sabe. no curto prazo. por sua magnitude e visibilidade internacional. Harvard. porque as modelagens climáticas acompanham apenas a variação da temperatura. Finalmente. as trágicas consequências da seca de 2005 na Amazônia. recursos humanos e investimento em ciência e tecnologia. rompendo com os métodos e com as tecnologias já existentes. reutilizar. aperfeiçoar os modelos estatísticos. que monitoram o comportamento do clima há centenas de anos (na Idade Média. Inovação incremental é entendida como a melhoria ou a modernização de um produto. ver-se-á que a maior parte das indústrias está direcionando seu foco para o estágio inicial da trajetória da sustentabilidade: a implementação dos 3R (reduzir. as necessidades de investimento são muito altas. Já inovação radical é a invenção (criação) de alguma coisa nova no mundo. investindo pesadamente em pesquisa. Fonte: CHRISTENSEN. para a maior parte das indústrias. Por isso.

As principais razões para aderir à logística reversa são as seguintes: 1. As entidades de classe são Sócios colaboradores. canais de distribuição. Quais as alternativas que estão disponíveis para recuperar produtos. ou seja. participação em cargos eletivos e nas Assembléias Gerais. em seu rol de associados. A maior parte dos produtos usados eram jogados fora com consideráveis danos ao ambiente. pagam contribuição ao Instituto. Hoje em dia. 3. Quais são os custos e benefícios da logística reversa. Recentemente. a ênfase se voltou à recuperação. PRM lida com o cuidado dispensado aos produtos e aos materiais depois do seu uso.fbk. a Logística Reversa se refere a todas as atividades logísticas de recolher. Obs: integra o Ranking Benchmarking Ambiental de 2008 9 Fonte: www. agricultores.eur. devido aos altos custos e aos impactos ambientais do descarte. representa a indústria fabricante de produtos fitossanitários em sua responsabilidade de conferir a correta destinação final às embalagens vazias desses produtos utilizados na agricultura brasileira. até certo ponto. para trazer as embalagens vazias (a granel ou compactadas) armazenadas nas unidades de recebimento. O inpEV possui.htm 20 . Isso aumentou a atenção com o gerenciamento de resíduos. Logística Reversa significa o conjunto das operações relacionadas ao reuso de produtos e materiais. É possível integrar as atividades típicas da logística reversa com sistemas de distribuição e de produção clássicos? 5. 2. Como essas atividades devem ser realizadas? 4. No entanto. partes de produtos e/ou materiais para garantir uma recuperação sustentável (e benéfica ao meio ambiente). desmontar e processar produtos usados. devido a novas leis de gerenciamento de resíduos. indústria e poder público. No sentido mais amplo. O Instituto foi criado após a instauração da Lei 9. partes de produtos e materiais? 2. A gestão dessas operações pode ser chamada de “Gestão de Recuperação de Produtos” (Product Recovery Management – PRM). A Logística Reversa lida com 05 questões básicas: 1. do ponto de vista econômico e ambiental? Tradicionalmente. não pagam contribuição ao Instituto. A crescente consciência ambiental dos consumidores. As empresas fabricantes são associadas como Sócios contribuintes. entrou em funcionamento em março de 2002. O InpEV adota a Logística Reversa que consiste em disponibilizar o caminhão que leva os agrotóxicos (embalagens cheias) para os distribuidores e para as cooperativas do setor e que voltaria vazio. ou seja.nl/OZ/REVLOG/Introduction. Quem deve realizar as diversas atividades de recuperação? 3.974/00 que disciplina o recolhimento e a destinação final das embalagens dos produtos fitossanitários. Instituto Nacional de Processamento de Embalagens O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) é uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos. O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001. 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as 7 principais entidades de classe do setor. possuem direito a voto. Leis locais que forçam as empresas a receber de volta seus produtos e cuidar de seu tratamento. mas participam das Assembléias Gerais sem direito a voto. Algumas dessas atividades são. as empresas de manufatura não se sentiam responsáveis por seus produtos depois do uso pelos clientes. consumidores e autoridades esperam que os fabricantes reduzam o lixo gerado por seus produtos. Benefícios econômicos de usar produtos devolvidos no processo produtivo. em vez de descartá-los. A Lei divide responsabilidades a todos os agentes atuantes na produção agrícola do Brasil. similares às que ocorrem no caso de devoluções internas de itens defeituosos gerados por processos produtivos.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 Logística Reversa – uma inovação incremental do tipo “berço ao berço” 9 Logística Reversa é um termo bastante geral.

após quatro anos de trabalho intenso. a NBR 16001. ainda. O primeiro passo do processo de normatização é a realização de um diagnóstico interno. a BS 8800 (condições dignas de trabalho) e a BS 8855 (ambiental). CEEMAS (ambiental). parte da estratégia das organizações. decidiu-se que a ISO 26000. embora ainda não esteja oficialmente implementada. ao contrário 21 . Contudo. o mais amplo e abrangente possível. A primeira versão de um BS surgiu na França. que tornava obrigatória a realização de Balanços Sociais periódicos para todas as empresas com mais de 700 funcionários. liderada pela mais importante organização de padronização internacional – a International Organization for Standardization (ISO) –. o das suas atividades na área social. A NBR 16001 é bem realista em relação a sua influência. envolvendo cerca de 300 pessoas e 77 organizações.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 1. Antes disso. entre as quais se destacam a ISO 14000 (meio ambiente). Padrões e Certificações A normatização é um processo característico de grandes empresas. impossíveis de serem reunidos por pequenas empresas. Muitas vezes. a empresa. durante o seu processo. e a norma ISO 26. quando a empresa Singer divulgou. por exemplo. o processo gerou muita polêmica e pouco consenso.000. praticamente todas as normas surgidas na última década tratavam do sistema gestão ambiental. conduzem a empresa a exercitar a análise mais aprofundada sobre seus recursos e objetivos. ao lado do tradicional balanço financeiro. o Balanço Social foi um marco. que se caracterizou por ter elevado as normas a um patamar superior da boa administração e são. Principais Diretrizes. lançada em dezembro de 2004. porque envolve grande investimento financeiro. Além disso. que “o atendimento aos requisitos da Norma não significa que a organização é socialmente responsável. também. mas que possui um sistema da gestão de responsabilidade social. finalmente. seus dirigentes e seu corpo funcional se engajam num processo reflexivo de autoconhecimento. pode-se dizer que as certificações ambientais se inserem na linha evolutiva dos processos de gestão da qualidade total. Citam-se. a ISO 9000 (qualidade). ONG fundada por ele. Lançado por Betinho. com destaque para a SA 8000 (direitos sociais). Por essa razão. lançada. a gestão em áreas como segurança e condição do trabalho. Devido à disseminação da convenção da sustentabilidade. cujo resultado pode levar a uma alteração profunda da missão e das estratégias da empresa. porque. trata-se mais de um sistema de gestão convencional e. até certo ponto. voltada à gestão ambiental. advertindo. compradoras ou contratantes de serviços. Ocorre geralmente por pressão da concorrência e das empresas líderes. as empresas passaram pela fase de publicação do Balanço Social (BS). logo no inicio do texto. através do Ibase.769. Em 12 de julho de 1977. foi aprovada a Lei 77. o País foi pioneiro no lançamento de normas técnicas de Responsabilidade Social. No Brasil. cuja redação concluiu-se em 2008. o poder dessas normas em conduzir a empresa a um patamar elevado de conversão à sustentabilidade é questionável.” De fato. Enquanto esse diagnóstico está sendo elaborado. As primeiras foram a da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Existem dois tipos de normas: aquelas que são publicadas por mecanismos oficiais de normatização. organizacional e humano. a OHSAS 18001 (riscos/acidentes) e a AA 1000 (prestações de contas). especificadamente a da Responsabilidade Social Empresarial. em 1972. Destinada a contemplar todos os aspectos associados à responsabilidade social. precede a escolha das ferramentas de gestão e das rotinas e procedimentos operacionais. em especial as mais recentes. Mais desafiante foi a elaboração da norma ISO 26000. já que ambas são voluntárias e não mandatórias. Estando a um passo de ser. em 1997. o BS se propôs a fornecer um selo para as empresas que o publicassem. e as geradas por pressão dos mercados.6. tímido se comparado com a ISO 14000.

12 É uma sigla que se refere a Brasil. O ingresso no DJSI tende a facilitar o acesso da Companhia a esses investidores. econômico e social das empresas. Desde setembro de 2008. Itaú.10 No caso da SA 8000. De acordo com pesquisa da instituição. Atualmente. o segmento de investidores que inclui responsabilidade social entre os itens considerados na hora de investir aumentou em torno de 180%. à semelhança de tantos outros.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 da 9000 e da 14000. Outra crítica muito frequente no meio empresarial é a de que a maior parte dos selos e certificações na área social e ambiental no Brasil não tem prazo de validade. Entre os indicadores disponíveis. Usiminas. mas um conjunto de diretrizes e recomendações. tem o maior número de empresas signatárias do Pacto Global. passando de 4 para 8. que está na terceira geração (ver BOX 05). o mais adotado por empresas de todo o mundo. a metodologia adotada no acompanhamento das diretrizes e dos indicadores permite comparabilidade. e alterna o terceiro lugar com Índia. atualmente. cujo modelo de relatório de sustentabilidade ganhou tamanha visibilidade e credibilidade que sua eficácia está acima das normas certificáveis e dos padrões gerados no âmbito da competitividade inter-firmas. não seria uma norma de certificação. Criado para estabelecer uma base comum para os relatórios voluntários sobre o desempenho ambiental. inclusive. mais de 1000 empresas. periodicidade e legitimidade da informação. credibilidade. Índia e China. 13 Principles for Responsible Investments – iniciativa da ONU que estabelece princípios que norteiam a incorporação de critérios sociais e ambientais nas decisões de investimento. sendo 60 delas brasileiras. mesmo tendo sido vendidas e alterado seu sistema de gestão. mantidas na nona revisão anual do índice. não perderam o selo. É a mais bem sucedida dentre essas iniciativas voluntárias autoaplicáveis. Itaúsa. Petrobras. sem que seja necessário se submeter a um processo de avaliação externa para sua renovação. empresas que. Lançado em 1999. o Brasil é o único que tem empresa listada no DJSI. da ONU. comparabilidade e consistência. 10 11 Sobre o Pacto Global. após Itália e China. Dos países do chamado BRICS12. além do mais. Bradesco. Existem. A prática da auto-regulação: o modelo GRI de performance ambiental Entre as mudanças mais significativas assumidas pelas grandes corporações. uma vez conquistados. São elas: Votorantin Papel e Celulose. Rússia. Fundos que gerenciam mais de quatro trilhões de dólares também são signatários dos Princípios de Investimentos Responsáveis13 da ONU. Tendo por objetivo equiparar os relatórios de sustentabilidade aos financeiros. Aracruz e Cemig. produzem seus relatórios com base no modelo GRI. entre 2003-2005. O Brasil está entre os quatro países com mais certificações na norma SA 8000 no mundo. podem ser usados para sempre pelas empresas. nem sistema de verificação. destacam-se os relatórios de sustentabilidade e a produção de indicadores e sistemas de avaliação. que destacaram-se no cenário mundial pelo rápido crescimento das suas economias em desenvolvimento. dobrou o número de empresas brasileiras citadas no Dow Jones Sustainability Index (DJSI)11. o GRI busca elevar o nível dos relatórios sobre o desenvolvimento sustentável realizados por empresas ao mesmo patamar de credibilidade. 22 . Assim. destaca-se o Global Reporting Initiative (GRI). Integrar o DJSI só traz vantagens para a empresa. a parceria com organizações da sociedade civil é pré-condição para conquistar o selo. o Dow Jones Sustainability Index é um índice que monitora o desempenho financeiro de empresas consideradas líderes em sustentabilidade. ver páginas 43 e 44 desta Apostila.

social e ambiental. Seu objetivo é elevar a qualidade dos relatórios a um nível passível de comparação. O modelo proposto pela organização determina princípios e estrutura um modelo para relatar. A ideia de estabelecer um padrão global para relatórios não exclusivamente financeiros surgiu em 1997. a partir de uma parceria entre a Coalition for Environmentally Responsible Economy (CERES). As diretrizes se encontram. permitindo às organizações a apresentação geral de seu desempenho econômico. Telecomunicações. e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). • avaliar internamente a consistência entre a política de sustentabilidade corporativa e sua efetiva realização. a GRI desenvolve diretrizes setoriais (Financeiro. cuja principal proposta é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes e incorporar numerosos indicadores de sustentabilidade para a elaboração de relatórios de sustentabilidade (Sustainability Reporting Guidelines). Parte D – glossário e anexos: orientações e recursos adicionais para usar as Diretrizes. ativistas de direitos humanos. Parte B – princípios para a Elaboração de Relatórios – princípios e procedimentos que promovem o rigor dos relatórios e que norteiam o uso das Diretrizes. Metais e Mineração. entre outras) e. 23 . consistência e utilidade. social e ambiental. Conteúdo A estrutura e o conteúdo são constantemente revisados e atualizados por meio de um processo participativo envolvendo diferentes setores da sociedade mundial. Objetivo A GRI busca estabelecer um padrão internacional de relatório econômico. de trabalhadores. • identificar as melhorias alcançadas nos diversos aspectos. Agências Públicas. já que estabelece padrões (indicadores) e ainda serve como uma plataforma para facilitar o diálogo e o engajamento de stakeholders. Operadoras de Turismo. Parte A – utilizando as Diretrizes: instruções gerais sobre o uso das Diretrizes. Automotivas. Propicia a comparação com o mercado. • reportar se os objetivos foram ou não atingidos. Além das diretrizes globais. Parte C – conteúdo do relatório: conteúdo e compilação de um relatório. ONGs. A GRI encoraja as empresas a: • reportar o processo de implementação dos princípios. cuja missão é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. hoje. a G3. organizações trabalhistas. na terceira versão. Origem Ferramenta criada pela Global Reporting Initiative (GRI). agências da ONU. O documento divide-se em cinco partes: Introdução: tendências que motivam os relatórios de sustentabilidade e os benefícios gerados. na Holanda. profissionais de investimento socialmente responsável e investidores institucionais. A primeira versão das Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade data de 2000 e foi construída dentro de um processo de engajamento voluntário de diversas partes interessadas: representantes do setor empresarial. lançará diretrizes nacionais. tornando-se um processo internacional. religiosos. investidores institucionais. lançada em outubro de 2006 e já traduzida para o português. entre outras. instituição não governamental americana composta por organizações ambientais. firmas de auditoria e consultoria. organização internacional com sede em Amsterdã. • estabelecer metas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 BOX 05: GRI – GLOBAL REPORTING INITIATIVE O que é É a iniciativa que marca a primeira vontade em escala mundial de chegar a um consenso a respeito de uma série de diretrizes de comunicação sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas. no futuro.

além daquele que informa que o relatório foi examinado pela própria GRI.As questões materiais e indicadores devem refletir os impactos econômicos. Os 10 relatórios brasileiros 24 . na qual a pontuação máxima foi de 80% (British Telecom) e a mínima de 39% (Telus). Pontos fracos dos relatórios de sustentabilidade A pesquisa realizada pela SustainAbility. A+.As informações do relatório precisam ser precisas e suficientemente detalhadas para que os stakeholders possam devidamente avaliar a performance da empresa. aspectos. não tendo fins de verificação. a GRI criou um ícone a ser inserido no relatório. Comparabilidade . contexto da sustentabilidade.As informações apresentadas no relatório precisam ser claras e compreensíveis por todos os stakeholders. ambiental e social. Passo-a-passo As organizações podem utilizar as Diretrizes como referência informal. C+). de maneira progressiva ou. B. B+. abrangência. Clareza .As informações apresentadas no relatório precisam ser comparáveis para permitir que os stakeholders avaliem as mudanças ocorridas ao longo do tempo e comparativamente à outras organizações. A escolha dos indicadores depende das características e prioridades de cada organização e de suas partes interessadas.O relatório precisa apresentar a performance da empresa frente ao contexto de sustentabilidade. Entendendo os Princípios Materialidade .O relatório precisa trazer aspectos positivos e negativos da performance da organização de forma balanceada. Equilíbrio . Confiabilidade . utilizando uma metodologia de pontuação padronizada. A classificação em cada um dos Níveis de Aplicação é feita por autoavaliação. social e ambiental constitui um trabalho de longo prazo. Abrangência . inclusão dos stakeholders.As informações apresentadas no relatório precisam ser rastreáveis e relevantes frente às questões materiais. clareza. Periodicidade . qualquer que seja o seu nível de experiência na matéria. serem consideradas em três níveis de adesão ao modelo GRI (A.Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 A GRI propõe um conjunto de indicadores organizados nas dimensões econômica. Essa análise da GRI se atém apenas aos itens de divulgação. Inclusão dos stakeholders . ainda. Há uma versão para pequenas e médias empresas. Tais resultados podem ser comparados aos da pesquisa global de 2006. equilíbrio. Contexto da sustentabilidade . confiabilidade. A pontuação dos relatórios na pesquisa variou desde a máxima de 54% (Natura) até a mínima de 35% (Banco Itaú). precisão. Os princípios para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade são os que seguem: materialidade. e em indicadores quantitativos ou qualitativos. O sinal “+” indica que o relatório passou por um processo de verificação externa. Cada uma dessas categorias possui uma série de requisitos a serem atendidos. Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e PNUMA. Precisão . ordenou dez relatórios de sustentabilidade de empresas brasileiras. para prestação de contas econômico. sociais e ambientais mais significativos para do setor. Para cada um dos níveis. ficando a média em 57%. com média de 47%. C. sociais e ambientais mais significativos do período de cobertura do relatório. comparabilidade. e não ao conteúdo do relatório. subdivididos em categorias. A GRI entende que a elaboração de um quadro de referência.O relatório precisa identificar os principais stakeholders e explicar como a empresa procedeu frente às suas expectativas e interesses. periodicidade.As informações do relatório precisam cobrir temas e indicadores que reflitam os impactos econômicos.A publicação do relatório deve ocorrer com regularidade e de forma que permita a avaliação dos stakeholders para tomadas de decisão.

Bunge. PNUMA Rumo à Credibilidade. e ofereceu elementos para você avaliar o estágio em que se encontra sua organização neste processo. abrindo caminho para o diálogo entre stakeholders.métodos utilizados para identificar e priorizar questões materiais. utilização dos websites . obrigando as empresas a se adaptarem. Global Reporters. FBDS. e com os passos recomendados pelo GRI (Global Reporting Initiative).Responsabilidade Socioambiental Unidade 1 que estão na liderança são por ordem decrescente: Natura. conteúdo equilibrado .metas específicas. mensuráveis e comparáveis (no lugar de declarações de intenções apenas). 2008 25 . Celulose Irani e Banco Itaú. de modo a auxiliar a focar os relatórios nos assuntos prioritários. metas . Com isso. 14 Revisão do conteúdo A Unidade 1 tratou principalmente do contexto histórico que articula os dois fenômenos. Ampla. Coelce. Questões para refletir/responder:    O que caracteriza o desenvolvimento sustentável? O que é eco-eficiência? Quais as vantagens da certificação? Atividades: Selecione uma empresa que possui política de responsabilidade socioambiental e avalie se suas práticas estão de acordo com os princípios da eco-eficiência e da responsabilidade social. cabe destacar a ausência de: governança . engajamento das partes interessadas (stakeholders) . e a adoção de novas atitudes impactam diretamente a cultura corporativa. tais como especialistas. a transparência nas informações. Energias do Brasil. a visão da sociedade sobre o papel e as responsabilidades do empresariado também muda. Os documentos analisados na pesquisa Rumo à Credibilidade indicam a necessidade de aprofundar o valor estratégico dos relatórios. em particular. podemos afirmar que o surgimento de novas convenções (desenvolvimento sustentável e responsabilidade social empresarial) muda o padrão de concorrência.utilização da mídia on-line ou demais ferramentas de comunicação para aperfeiçoar e aprofundar o conteúdo dos relatórios impressos. materialidade . Banco Real. 14 SustainAbility. Suzano Petroquímica. Entre as falhas encontradas. Sabesp.abordagem de desafios e falhas. dos fatores impulsionadores deste movimento no mundo e no Brasil. Entre as principais conclusões. demonstrando como a sustentabilidade permeia os negócios. comunidades e ONGs.a manifestação das partes interessadas. As parcerias.liderança do Conselho de Administração e estruturas de governança para cumprir as metas da sustentabilidade. definindo novas estratégias comerciais e buscando adquirir competência na gestão socioambiental. expondo as notícias ruins ou problemáticas em conjunto com as boas.

consultorias e institutos que promovem a responsabilidade social corporativa no Brasil. você conhecerá as principais instituições e suas idéias. proliferaram as fundações. o termo "responsabilidade social" pressupõe uma forma de conduzir os 15 Em mensagem disponibilizada no site. Cabe agora às empresas aprofundarem suas experiências nessa área e melhorarem. continuamente. indicando como fazer. Segundo esse Instituto. As enormes carências e desigualdades sociais existentes no País dão à responsabilidade social empresarial relevância ainda maior.br. tendo sido cancelado pela própria entidade. seus indicadores”. apresentaremos as instituições que nasceram com o objetivo de orientar as empresas a adotarem uma atitude mais responsável perante a sociedade. exclusivamente. como as normas ISO. por centenas de empresas brasileiras. com destaque para o Instituto Ethos de Responsabilidade Social e o Protocolo de Quioto. Neste sentido. o Instituto Ethos de Responsabilidade Social foi um ótimo sinalizador dessa tendência por seu pioneirismo e pela legitimidade conquistada ao longo de uma década de atuação. avaliamos que a nossa missão foi cumprida – e com êxito. os institutos criados e geridos pelas grandes empresas e as entidades que representavam interesses setoriais voltadas. a intermediar a relação entre o empresariado e os demais grupos sociais. no Brasil e no mundo. trataremos do contexto que gerou o movimento da RSE. explicando sua relação com o desenvolvimento sustentável. sejam construtores de uma sociedade melhor. por meio da ação de entidades não governamentais. entendemos que esta ferramenta e esta metodologia já se encontram amplamente difundidas entre empresas. institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas com a questão. Ao final da leitura.1. 15 A obtenção de certificados de padrão de qualidade e de adequação ambiental. o movimento de valorização da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) ganhou forte impulso na década de 90. Criado em 1998. O trabalho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) na promoção do Balanço Social (BS) constituiu-se em uma de suas expressões e alcançou grande repercussão. Após 13 anos buscando a transparência das empresas por meio do balanço social. o campo institucional no qual se movimenta o setor privado cresceu e tornou-se enormemente complexo ao incorporar a visão da Responsabilidade Social Empresarial. como Governança Corporativa. sejam atores de mudança social. em 2010. 2. Fonte:www. 26 . e estará apto a definir conceitos. o IBASE anuncia o fim do modelo de Balanço Social: “A partir de 2010 o Ibase não mais atualizará seu modelo de Balanço Social. Campo institucional da RSE: O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Numérica e qualitativamente. sob o argumento de que seu uso já está suficientemente disseminado.org.balancosocial. O modelo de BS do IBASE foi o mais utilizado pelas empresas até recentemente. também é outro símbolo dos avanços que têm sido obtidos em alguns aspectos importantes da responsabilidade social empresarial. Ao lado do espantoso crescimento das parcerias entre empresas e ONGs.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Unidade 2 A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) Emerge Objetivos Nesta Unidade. No Brasil. A sociedade brasileira espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: sejam agentes de uma nova cultura. e entender as vantagens para a empresa quando adota práticas responsáveis. Praticamente todas as empresas brasileiras já realizam algum tipo de balanço ou relatório social anualmente. Acessado em 23-08-2010.

Responsabilidade Socioambiental

Unidade 2

negócios da empresa em parceira, compartilhando responsabilidades com todos os segmentos sociais. Sendo uma instituição sem fins lucrativos, o Ethos visa mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, de maneira a contribuir para a construção de uma sociedade ambientalmente mais sustentável e economicamente justa. Na concepção do Ethos, RSE é “a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais” e a empresa socialmente responsável será aquela que “possui a capacidade de ouvir os interesses de representantes das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e consegue incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários.” (site Ethos, 2010) A atual geração de executivos deve estar capacitada a lidar com todo tipo de stakeholder,16 e familiarizada com conceitos, até recentemente restritos ao mundo das entidades do chamado Terceiro Setor. Para apoiar essas novas atribuições, são criadas metodologias e ferramentas de gestão social. No relatório de 2005, o Ethos reconhece a existência de diversas novas organizações e ferramentas correlatas, tais como o GRI, a SA 8000, da ONG Accountability, além de declarar sua adesão a diretrizes do Pacto Global, lançado pela ONU, e aos Objetivos do Milênio.

BOX 06: Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização não governamental criada com a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Seus 1124 associados – empresas de diferentes setores e portes – têm faturamento anual correspondente a cerca de 30% do PIB brasileiro e empregam perto de 01 milhão de pessoas, tendo como característica principal o interesse em estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente. Idealizado por empresários e executivos oriundos do setor privado, o Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade corporativa. É hoje uma referência internacional no assunto e desenvolve projetos em parceria com diversas entidades no mundo todo. O Instituto atua em cinco áreas: 1. de ampliação do movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE); 2. de aprofundamento de práticas em RSE; 3. de influência sobre mercados e seus atores mais importantes no sentido de criar um ambiente favorável à prática da RSE; 4. de articulação do movimento de RSE com políticas públicas;

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Um stakeholder é qualquer pessoa que tenha interesse no que a companhia faz, independentemente de estar diretamente vinculado a ela; stakeholder é também qualquer pessoa que influencie, direta ou indiretamente, a Companhia, ou que possa vir a afetar suas operações. Na concepção moderna, considera-se como potenciais stakeholders todas as pessoas que habitam, trabalham, atuam institucionalmente, ou tenham propriedades, na área de influência do empreendimento, embora seja possível diferenciar os chamados stakeholders primários (mais influentes) dos secundários. Quanto maior a presença geográfica e econômica da empresa, maior o número de pessoas que podem, legitimamente, reivindicar a posição de stakeholder, estendendo-se, por conseguinte, a responsabilidade da empresa a eles.

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Responsabilidade Socioambiental

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5. de produção de informação sobre RSE. Os Indicadores Ethos - compõem um instrumento de diagnóstico sobre a situação específica da empresa, indicando o grau de efetivação da responsabilidade social em suas atividades. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de gestão e de planejamento que indica prospectivamente – a partir da situação da empresa – políticas e ações voltadas para o aprofundamento de seus compromissos sociais. Os indicadores referem-se aos seguintes temas: Valores e Transparência; Comunidade Interna; Meio Ambiente; Fornecedores; Consumidores; Comunidade; Governo e Sociedade.
Fonte: Instituto Ethos. Sítio na Internet. Acessado em 02.08.2010

2.2. O relacionamento com o Terceiro Setor
Na Holanda e no Canadá, países com os índices mundialmente mais baixos de poluição ambiental, pesquisas realizadas no início da década de 90 apontavam que os principais agentes impulsionadores da adoção da gestão ambiental foram, em primeiro lugar, as regulações governamentais e, secundariamente, a vontade dos consumidores. As organizações ambientalistas não exerciam, ainda, influência decisiva como fonte de pressão. As mesmas pesquisas levantaram as percepções dos agentes para a segunda metade da década. Concluíram, então, que as tendências apontavam para a generalização e o aprofundamento da gestão ambiental, mas indicavam, também, a progressiva pressão que as ONGs viriam a exercer. Ao apontar uma gama diferenciada de potenciais riscos ambientais, essas organizações contribuiriam para tornar complexo o Plano de Gestão Ambiental e forçar medidas mais avançadas por parte das empresas. No Brasil, sua influência não tem sido menor. Em recente pesquisa realizada pelo Instituto Ethos com mais de mil consumidores, o apoio a projetos comunitários e a entidades sem fins lucrativos foi apontado como um importante requisito na avaliação da empresa: 59% dos entrevistados acreditavam que essas práticas são referência de comportamento empresarial ético. Esses resultados demonstraram que o bom desempenho da política de comunicação social da empresa seria um fator essencial na manutenção de posição competitiva. Atender às expectativas da sociedade não era considerado parte da responsabilidade da empresa até o momento em que as ONGs começaram a pressionar por mudanças mais profundas. Hoje, esse relacionamento está mais maduro: as ONGs são encaradas pelo setor produtivo com mais seriedade, sua função social é respeitada e suas habilidades específicas são reconhecidas. Por conseguinte, observa-se uma tendência cada vez mais acentuada de flexibilização de um discurso anticorporativo por parte das organizações do Terceiro Setor. As empresas respondem definindo metas para a redução de emissões, criando departamentos especialmente voltados ao meio ambiente e as relações corporativas, apoiando diretamente as ONGs, e até criando suas próprias organizações sem fins lucrativos e fundações, destinadas a gerenciar seus investimentos em projetos sociais. Os primeiros embates travados com as ONGs dirigiram-se às multinacionais que operavam em regiões economicamente pobres mas ricas em fontes energéticas e em biodiversidade. A poderosa organização não governamental Greenpeace foi uma das pioneiras. Fundada em 1971, no Canadá, a entidade notabilizou-se por organizar duras campanhas contra as multinacionais responsáveis por danos ambientais. Seu estatuto proíbe receber doação de empresas ou Governos, e sua arma é a denúncia pública e a mobilização popular através da panfletagem, realizada por um exército de 3 milhões de voluntários, espalhados por 29 países.

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O Greenpeace instalou-se no Brasil por ocasião da Conferência do Rio, em 1992, e seu primeiro ato foi fincar 800 cruzes brancas em frente à Usina de Angra I. A entidade atua, principalmente, em defesa da Floresta Amazônica e na campanha contra o programa nuclear brasileiro. A experiência adquirida ao longo da última década levou a entidade a propor, em 2002, o que chamou de Princípios de Bhopal sobre Responsabilidade Corporativa. Trata-se de um conjunto de dez princípios sugerindo medidas que leve as empresas a agirem com mais responsabilidade, segundo os acordos firmados durante a Conferência realizada no Rio de Janeiro. Na visão do Greenpeace, as iniciativas voluntárias das empresas no que respeita ao desenvolvimento sustentável, como a Global Reporting Initiative (GRI),* entidade sem fins lucrativos que reúne sugestões para aperfeiçoar os relatórios de sustentabilidade ambiental das empresas, as diretrizes da Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) e o Global Compact – iniciativa do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, visando à adesão voluntária das empresas a nove princípios relacionados aos direitos humanos e ao meio ambiente –, demonstraram ser insuficientes e ineficazes. A entidade defende a criação de instrumentos legais de controle de âmbito internacional, definindo direitos e deveres das corporações, e os respectivos monitoramento e verificação dos comportamentos corporativos (ver Box 07). Caberia às empresas arcar com todos os custos de compensação por danos e disponibilizar todas as informações aos interessados. BOX 07: Greenpeace – Princípios de Bophal e Responsabilidade Social Corporativa. Princípio n. 2: ampliar a responsabilidade corporativa. As corporações devem ser responsabilizadas independente de culpa por todo e qualquer dano advindo de quaisquer de suas atividades que causem danos ao meio-ambiente, a propriedades ou pessoas, incluindo remediação do local atingido. As matrizes, bem como as subsidiárias e empresas locais afiliadas, devem ser responsáveis pela compensação e pela restituição. A responsabilidade das corporações por seus produtos deve se estender por todo o ciclo de vida do produto, desde a produção até a disposição final. Os Estados devem responsabilizar diretores e representantes das corporações, enquanto pessoa física, pelas ações ou omissões das empresas que representam, incluindo as ocorridas nas subsidiárias. (Greenpeace, 2003)

2.3. Ambientalismo Empresarial: podem as corporações administrar o mundo?
Com esse título provocativo, David Korten escreveu um dos mais contundentes manifestos contra o crescente poder das multinacionais, no qual questiona se “Podem as grandes corporações liderar a mudança no padrão de desenvolvimento econômico hegemônico em direção ao desenvolvimento sustentável? Podem intervir no rumo das políticas de sustentabilidade ambiental em escala nacional e internacional?” Ao longo do processo de consolidação da gestão ambiental, cresceu e ganhou projeção internacional uma vertente do pensamento empresarial preocupada em compreender a relação entre Meio Ambiente e Desenvolvimento, vertente a que se denominou de ambientalismo empresarial. Segundo seus adeptos, essa relação deve desenvolver-se de forma lenta e gradual, viabilizada através de instrumentos econômicos e políticos convencionais de maneira a não perturbar, abruptamente, o funcionamento do mercado. A Economia Ambiental, de base neoclássica, se insere nessa perspectiva. Apesar de as origens do ambientalismo empresarial ocidental remontarem há mais de duas décadas e de suas concepções básicas terem sido construídas a partir da Conferência de Estocolmo, de 1972, o 29

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seu marco histórico ocorreu durante a preparação da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Essa conferência representou a culminância de um processo de discussão, registrando incontáveis manifestações a favor da sustentabilidade ambiental, partindo das mais diversas áreas de conhecimento, seja na forma de publicações acadêmicas, seja em material de cunho mais panfletário e político. A partir daí, soaram mais fortemente os alarmes anunciando o estado terminal de um modelo de desenvolvimento que cresceu em choque com a dinâmica da natureza. A rápida disseminação dos resultados da Eco-92 gerou uma inquietação generalizada ao redor do mundo, forçando o setor produtivo a dar uma resposta consistente ao problema, em grande medida, por ele criado. Resultou desse processo a internacionalização do Business Council for Sustainable Development (BCSD), ao qual foi acrescentado o adjetivo World (“mundial”). Desde então, o WBCSD destacou-se como a mais representativa entidade empresarial dedicada à causa do desenvolvimento sustentável baseado na eco-eficiência. Atualmente, a organização é uma coalizão de 165 empresas de presença internacional, distribuídas entre vinte setores econômicos e está presente em mais de 30 países, além de uma rede formada por 43 conselhos nacionais ou regionais, espalhados por 39 países. No Brasil, a adesão do empresariado nacional à eco-eficiência começou alguns anos mais tarde, tendo sido impulsionada pela criação, em 1997, do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentával (CEBDS), representação brasileira do WBCSD. A entidade representa 60 grandes grupos empresariais, que respondem por mais de 30% do PIB nacional e que representam aproximadamente 450 unidades produtivas das mais variadas atividades produtivas. À época, as ideias do BCSD e de seu fundador, Stephan Schmidheiny, foram apresentadas no livro sugestivamente intitulado, Mudando o Rumo (Changing Course). Essa publicação foi considerada um marco na história empresarial, pois representou a primeira resposta consistente e unificada da comunidade de negócios à causa ambiental. Nele, o autor apresentou um projeto de transformação econômica global no qual as empresas são os protagonistas e o mercado, o seu sinalizador. Apontou as competências que o setor privado possuía para gerenciar essa mudança, mas, praticamente, colocou em polos opostos empresa e Governo, o que contrariava interpretações que defendiam enfaticamente relações sinérgicas entre esses atores. Quatro anos depois, em 1996, Schmidheiny lançou um novo livro – Financing Changei/. – em parceria com Frederico Zorraquin. Dirigido a um outro momento, a meta, então, era atrair a comunidade financeira para o modelo de desenvolvimento sustentável, sob o argumento de que, até o momento, apenas as grandes corporações industriais teriam atingindo a maturidade no tocante à questão ambiental, enquanto as pequenas e as médias empresas e, principalmente, os bancos, estariam no estágio inicial de debate da questão. Protocolo de Quioto Um dos problemas ambientais mais preocupantes deste século é o aquecimento global. Sendo causado pela intensificação do efeito estufa, provoca o derretimento das geleiras, aumenta o nível do mar e a desertificação, alterando o suprimento de água doce e agravando os eventos climáticos extremos. Essa intensificação, por sua vez, ocorre pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, tais como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), oriundos, principalmente, da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral), lixões, aterros sanitários, processos industriais e atividades agropastoris. Na busca de soluções para a questão climática, foi criada, na Rio-92, a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), com o objetivo principal de estabelecer ações que

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Esses encontros foram denominados Conferências das Partes (COP). os EUA. porém diferenciada'' . Auditoria Independente e Conselho Fiscal. Durante a conferência do Rio.2% nas emissões em relação aos níveis verificados no ano de 1990. embora grandes poluidores. em média. a 15ª edição. os países afetados pelo Protocolo poderiam utilizar algumas alternativas para auxiliá-los no cumprimento de suas metas. Japão. o mais importante para o Brasil é o MDL. devem comprometer-se a reduzir suas emissões. chamadas de mecanismos de flexibilização.o que significa que todos os países têm responsabilidade no combate ao aquecimento global. 31 . Conselho de Administração. entre 07 e 18 de dezembro de 2009. denominadas “créditos de carbono”. faz-se necessária a existência de um código de ética a ser seguido pelos Conselheiros de administração. Países em desenvolvimento. realizada em Copenhagen. quando foi lançado o Protocolo de Quioto. Governança Corporativa O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) define Governança Corporativa como “as práticas e os relacionamentos entre os Acionistas/Cotistas. Além das ações de caráter nacional. não ratificaram o Protocolo. entre outros motivos porque o principal poluidor. a fim de maximizar o valor da empresa para todos.” A existência de um sistema de Governança Corporativa permite aos acionistas ou cotistas o governo de sua empresa e o efetivo monitoramento da direção executiva. em níveis adequados para o clima do Planeta. com a finalidade de otimizar o desempenho da empresa e facilitar o acesso ao capital. China e Índia. convém destacar a COP 03. exige o respeito aos direitos legais e morais dos acionistas minoritários por parte dos Diretores e dos acionistas controladores das empresas. de 5. a saber: Comércio de Emissões. Entre os mecanismos de flexibilização. como Partes Anexo I) 17. em função do seu nível de industrialização (denominados. contribuíram de forma mais intensa para o aumento da concentração atmosférica de GEE. quando 17 O chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto é composto pelos países ricos que são obrigados a reduzir suas emissões. O Protocolo de Quioto estabelecera que as metas deveriam ser cumpridas por meio de políticas públicas e regulamentações que limitassem diretamente as emissões. participam do acordo. que podem ser adquiridos por países do Anexo 1 como forma de cumprir parte de suas metas. Contudo. Diretores executivos. mas não são obrigados a reduzir emissões. os países industrializados). O conceito básico acertado para Kyoto é o da ''responsabilidade comum. Essas metas deveriam ser atingidas entre 2008 e 2012. Dos encontros já realizados. ficou estabelecido que os países signatários da CQNUMC se reuniriam anualmente em busca de soluções para a questão climática. Diretoria. como Brasil. não registrou nenhum avanço em direção às metas estabelecidas em Quioto. três princípios a norteiam: transparência. A Governança Corporativa engloba todas as relações econômicas entre sócios de uma mesma empresa. e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). ocorrida em Quioto. funcionários e. equidade e responsabilidade ou prestação de contas (accountability). porém aqueles que mais contribuíram historicamente para o acúmulo de gases na atmosfera (ou seja. em 1997. Além disso. todas as relações econômicas entre esses sócios e suas empresas e a forma como esses sócios administram as suas empresas. Implementação Conjunta. historicamente. que viabiliza projetos que reduzam emissões de GEE. no Protocolo. produzindo uma redução.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 levassem à estabilização da concentração de GEE na atmosfera. Esses projetos geram Reduções Certificadas de Emissões (RCE). Para a prática de uma boa governança corporativa. que estabeleceu metas de redução de emissão de GEE para os países que.

O culto ao corpo e a preocupação com uma vida mais saudável estiveram presentes na ideologia dos anos 90. o conselho fiscal. mas obrigação. da revolução tecnológica e da informação. As empresas viram-se compelidas a mudar suas estratégias de negócios. As práticas de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável conseguiram criar um senso de união em torno de um mesmo ideal. o consumidor exige cada vez mais produtos diferenciados. Os agentes da governança corporativa são os acionistas. fornecedores etc. 32 . e o Conselho de administração colocado entre a propriedade e a gestão com uma ação ativa e independente. Nas empresas privadas e familiares. os produtos ganharam em qualidade. ONGs. isto é. O consumo consciente de produtos que direta ou indiretamente trazem benefícios socioambientais para as comunidades é uma maneira de suprir essa demanda. Surge. se qualidade e preço são praticamente iguais. As empresas que mudaram a sua gestão tradicional para uma baseada em valores socialmente responsáveis adotando políticas internas. fazendo com que funcionários de níveis diferentes trabalhassem por uma mesma causa: o bem da humanidade. as famílias foram afastadas da administração direta das empresas. o auditor independente e. programas de treinamento e capacitação registraram ganhos significativos em produtividade proporcionados pela motivação das equipes em todos os níveis da empresa. então. ou seja. mas também com os dos seus stakeholders – os diversos grupos que podem ter algum interesse direto ou indireto nos seus negócios. Resumindo. confundindo em sua pessoa a propriedade e a gestão. Vantagens da Sustentabilidade Corporativa Imagem como Vantagem Competitiva Como decorrência dos fenômenos da globalização. Os produtos sustentáveis ou ambientalmente amigáveis são diferentes e têm um charme adicional por representarem uma opção saudável e politicamente correta. Com a profissionalização da gestão imposta pela globalização. Governo. a oportunidade de exploração de novos mercados: atividades que aliam lucratividade e benefícios para o meioambiente. quando houver. funcionários. É importante que eles passem não só a ser consultados. os acionistas geralmente são os gestores. e os preços são cada vez mais competitivos. como: incentivo ao trabalho voluntário. associações. a diretoria. como forma de desenvolver vantagem competitiva. mas também a serem vistos como parceiros potenciais. escolas. negócios florestais. O bom relacionamento com os stakeholders permite a identificação e a antecipação de oportunidades além de garantir a reputação e a boa imagem para a empresa. a empresa passa a se preocupar não somente com os interesses dos seus acionistas. política de participação nos lucros. Dados de pesquisas desenvolvidas no exterior e no Brasil demonstraram que o consumidor passou a se preocupar mais e mais com a imagem da empresa que está por trás dos produtos que ele compra. consumidores. Algumas pesquisas também têm detectado nas pessoas uma grande vontade de cooperar de alguma forma para a melhoria das condições de vida dos seus semelhantes. Aumento de produtividade Uma ação socioambientalmente correta pode ser uma poderosa ferramenta de gestão. Parcerias Valiosas Ao adotar uma política de responsabilidade social. incorporando padrões socioambientais. tecnologias limpas. Conselheiros fiscais. “vou comprar um produto que me faça bem ou à comunidade que me cerca”. gerando valor. como a agricultura e a pecuária orgânicas. bom preço e qualidade já não são diferenciais. energia renovável. o conselho de administração.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 houver. Expansão de Mercados Ainda dentro dessa linha de pensamento.

CEO. que representam capital intelectual. 18 18 www. que defende a ideia de que uma estratégia de negócios construída com base no uso mais produtivo dos recursos naturais pode resolver muitos dos problemas ambientais e maximizar os lucros. Uma outra vantagem é as empresas socialmente responsáveis costumarem a atrair talentos. 2000). Essas duas práticas conseguem aumentar a produtividade em 5.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Esse diálogo também permite a identificação e a prevenção de conflitos antes mesmo que eles ocorram e a mitigação de riscos.Aumentar radicalmente a produtividade dos recursos naturais através do redesign dos processos e do desenvolvimento de novas tecnologias. a década se inicia tendo à frente um novo desafio: buscar formas de adaptação às mudanças provocadas pelos eventos climáticos. tudo o que sair deve ou retornar ao ecossistema em forma de nutriente ou servir como matéria-prima para produção de um outro produto.Reinvestir em capital natural.csrinternational. evitando acidentes. e os consumidores têm cada vez mais consciência ambiental. mas na capacidade de a empresa satisfazer as necessidades do cliente garantindo qualidade. o que reforça o caráter não estático dessa estratégia. aumentam na medida em que crescem as necessidades do homem. indenizações e gerando uma economia que pode chegar a bilhões de dólares. As pressões. O objetivo desta seção é refletir sobre o novo papel da RSE no dia a dia das empresas. Em um modelo de produção em closed-loop. Consiste em sustentar e expandir os ecossistemas para que eles possam produzir os serviços vitais para a sobrevivência da comunidade (é importante ressaltar que não se conhecem substitutos a nenhum preço e não se pode viver sem eles). Nesse novo modelo. . Os modelos tradicionais têm como fim a venda dos produtos. nesse sentido. 2. A Nova fase da RSE e a visão estratégica da sustentabilidade O ano de 2010 ficará marcado pela sucessão de catástrofes naturais associadas aos efeitos das mudanças climáticas. Nesse contexto. a RSE. Professor da Universidade de Cambridge. Como já era anunciada pelos mais renomados cientistas.0 chama-se Wayne Visser. Um dos idealizadores da versão que vem sendo denominada Responsabilidade Social Empresarial 2. . Restaurar. Isso significa reduzir a zero o desperdício. a empresa vende serviços – iluminação em vez de lâmpadas. e fundador da entidade “CSR International”.org 33 . O valor passa a não estar mais no produto em si. ONG inglesa criada em março 2009 para difundir práticas e criar uma rede dos interessados no tema. parece modesta diante dos desafios que se apresentam. que precisa mudar para se adaptar às novas demandas e desafios. boicotes. Redução de custos Um conceito muito em voga atualmente e já mencionado no capítulo 1. . gastando menos. Esse conceito está baseado em quatro mudanças nas práticas dos negócios atuais: .4. majoram-se os custos para quem destrói os ecossistemas. diminuindo a quantidade de matéria-prima utilizada e.Mudar para um modelo de negócios baseado em soluções. 10 e até 100 vezes. por exemplo.Mudar para modelos de produção “biologically inspired”. tal qual vem sendo praticada. sobretudo as que agravarão ainda mais o já elevado nível de pobreza e de degradação ambiental. consequentemente. utilidade e performance. é o de capitalismo natural (LOVINS & HAWKEN.

as empresas não chegariam a soluções que atendessem as suas demandas.5 bilhões. a dificuldade de mensurar o retorno financeiro do investimento em RSE faz com que as empresas não se comprometam com as ações de longo prazo. Orkut. Em outras palavras. em especial pelo aumento no “poder” dos stakeholders (em especial. Fawkes. manifestam-se em escala global e exigem urgente equacionamento.Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 Para Visser. foi possível transformar um negócio de $74. a RS fracassou no sentido de evitar suas consequências negativas ou. Visser destaca. Duality (2) – Dualidade e Circularity (0) – Circularidade. Conectividade: para que a organização tenha sucesso nas práticas socialmente responsáveis. entre elas. Sem tal envolvimento. Twitter. principalmente. ela deve “quebrar a hegemonia” dos acionistas.20 Importantes características diferenciam a nova fase da RSE. não apenas através de relatórios financeiros. seja uma wiki (para tratar de assuntos específicos). embora o movimento da RSE tenha evoluído bastante. Responsiveness (R) – Receptividade. sejam eles relacionados ou ao clima ou à pobreza. P. se o seu modelo de negócio é parte da solução ou parte dos problemas que se enfrenta. A fim de não se prender apenas a esse grupo. Esse princípio também significa dar maior transparência aos negócios. mas pouco se discute sobre como podem ser reproduzidos em maior escala. e atender a milhões de famílias. é dever da empresa institucionalizar o relacionamento multistakeholder. 2) falta de compromisso com as práticas em RSE (mesmo nas empresas que adotam sistematicamente ações em RSE. os cinco princípios 21 : Conectedness (C) – Conectividade. em valores atuais. O envolvimento de todas as partes interessadas passa a ser de extrema importância para a sobrevivência e reputação de uma organização na conjuntura atual. moderar a extensão e magnitude dos impactos. pelo menos. em 1974. o foco principal continua sendo a satisfação dos acionistas e a obsessão pelo retorno financeiro de curto prazo). após um longo período de fome em Bangladesh. Receptividade: a RSE requer que a organização se questione sobre sua performance social. Hoje. Dualidade: parte do debate em RSE está focado na polarização do “ser ou não ser”: ou a empresa é socialmente responsável ou não é.0. Scalability (S) – Atingir escala. seja um blog. Através do diálogo rápido e intenso proporcionado pela Web. os consumidores) fortalecidos pela facilidade de acesso às informações. Como os problemas de sustentabilidade. Um bom exemplo é o Grammen Bank. Atingir escala: os bons exemplos de RSE raramente possuem um efeito multiplicador das suas práticas. pela troca de conhecimento com os seus stakeholders. tornou-se mais visível a importância de engajar os stakeholders nas questões internas de RSE. Ele elencou três causas19: 1) visão de RSE como um incremento e não como uma questão central e estratégica para os negócios. mas. criado por Muhammad Yunus. Do ponto de vista dos impactos dos negócios na sociedade e no planeta. a solução que não pode ser replicável ou reproduzida tem pouca utilidade. em mais de 50 países. a percepção da sociedade acerca do negócio de uma empresa é fortemente influenciada pelas ferramentas da Internet. Facebook. (2007) Tradução livre do autor. As organizações que se adaptaram a essa forma de comunicação ofereceram uma plataforma de discussão com seus stakeholders. Visser percebe que a maneira de se olhar e praticar a RSE também passa por essa revolução. Ao fazer uma analogia com a revolução nos meios de comunicação trazida pela internet. falhou em seus principais objetivos. Blogs. para $2. e procuram participar ativamente das redes de relacionamentos. Através de empréstimos e microcréditos oferecidos às mulheres. Eles se tornam apenas projetos de sucesso. 3) falta de evidência de que a RSE é “bom para o negócio”. isto é. Visser argumenta que essa forma de análise falha ao reconhecer 19 20 21 Visser.(2010). fenômeno conhecido como Web 2. 34 . então.W.

Responsabilidade Socioambiental Unidade 2 que as questões relacionadas a RSE se manifestam como dilemas e não como simples escolhas de “sim ou não”. por exemplo. produtos em decomposição que se transformam no seu oposto. e construir um ranking mais preciso. materiais que. os quais. mas. e conheceu seus principais resultados. são úteis em outros ciclos industriais como matérias primas. ou seja. podem produzir mais energia do que consomem e reutilizarem a água desperdiçada. as empresas (e os seus críticos) terão de se tornar mais eficientes na compreensão dos contextos locais e na busca das soluções mais adequadas. similar ao que é feito nas agências de classificação de risco. em nutrientes. produtos e serviços de alta qualidade que aumentem o bem-estar social. os “desperdícios” podem ser reutilizados. também. da origem. As organizações também devem reciclar suas ações e seu capital humano não apenas através da educação e treinamento. 35 . fundamentos e principais conceitos de RSE. É um princípio aplicável à construção de prédios. apresentou as características da atual fase da RSE. alguns pontos críticos do movimento da RSE. Questões para refletir/responder: 1234Quais os principais acontecimentos do movimento da RSE? Quais os objetivos do Instituto Ethos e que ferramentas ele usa? Selecione e explique duas vantagens da Governança Corporativa. O que se busca é mudar a concepção do objetivo-fim de uma organização. aceitando os dois lados de uma determinada visão e não os contrapondo. A circularidade não se aplica somente ao meio ambiente. mas. ambiental e econômica. ética. Aponte as críticas de Visser e a forma como a RSE vem sendo adotada. entre outros temas. Circularidade: outra razão pela qual Visser mostra a deficiência da antiga visão de RSE reside no contexto em que ela se aplica: um sistema econômico global caracterizado por falhas e alto desperdício. Os indicadores de RSE devem incorporar as várias dimensões da performance corporativa: social. Atividade: Aplique os princípios de Governança Corporativa e as ferramentas do Instituto Ethos para elaborar um Código de Ética de uma determinada empresa ou um setor. das vantagens para a empresa em adotar as diretrizes da Governança Corporativa. assim como árvores. sim. Em um mundo complexo e interconectado. mas sem destruir os recursos ambientais necessários para o fornecimento desses bens. a responsabilidade social não poderá mais ser apresentada como um produto ou serviço de luxo. Na atual concepção de RSE. O propósito desta não é ser lucrativa nem servir aos interesses apenas dos acionistas. uma vez descartados. como uma solução disponível a todos que buscam melhorias na qualidade de vida e nas condições de trabalho. de maneira a subsidiar a decisão de investimento. O seu verdadeiro propósito é servir à sociedade através da provisão de segurança. Em suma. Revisão de conteúdo A Unidade 2 abordou. as questões de uso e consumo devem ser pensadas de forma circular.

36 . Superar essa importante etapa é atingir um dos desafios futuros que a Carta da Terra (2000) apresenta à humanidade nos próximos anos (BOX 08).Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Unidade 3 Evolução dos Conceitos e das Práticas da Responsabilidade Social Empresarial Objetivos Os objetivos desta Unidade são: apresentar o panorama contemporâneo. visando à construção de um mundo mais justo. ao assumirem uma responsabilidade mais ampla sobre o conjunto da sociedade. O que se observa é uma variedade de interpretações distintas sobre o termo. embora alguns equívocos sejam mais notáveis: o primeiro deles é confundir uma ação socialmente responsável com uma prática tipicamente filantrópica. Por que RS tem várias definições? Inicialmente. podem forjar soluções inclusivas e replicáveis em grande escala. políticos. econômicos. A futura norma de responsabilidade social espera alcançar uma mudança na cultura (missão e valores) das organizações de forma a internalizar as práticas de RSE nas suas rotinas. a evolução e as tendências do movimento da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil. juntos. aliada à redução da pobreza e consequentemente. o segundo é hierarquizar os tipos de impactos e seus efeitos distintos sobre as “partes interessadas” (os stakeholders) com as quais a atividade da empresa possui algum tipo de vínculo. Nesse sentido. Entre os fatores que explicam a repentina valorização desse assunto está o fato de que. Considerando que se vive num mesmo planeta e em uma sociedade globalizada. à melhoria da qualidade de vida da população na sua totalidade. envolvendo-se com a proteção do meio ambiente. e não apenas de alguns segmentos com os quais a empresa se relaciona. com ênfase na análise da ferramenta de gestão denominada Diálogo com Stakeholders. e como incorporá-los nas suas práticas de gestão. pode-se afirmar que as ações de responsabilidade social das empresas representam uma das formas de a iniciativa privada atuar com finalidade pública. Com esse processo de internalização. 3. as empresas suprem necessidades comunitárias que não estavam satisfatoriamente atendidas. Você saberá o que é o Pacto Global. faz-se pertinente discutir sobre os prós e os contras de se utilizar um conceito único de RSE. conhecerá os resultados das pesquisas. pressupõe-se a participação de todos os stakeholders e a mudança de valores que influenciarão a sociedade como um todo. a redução da pobreza e o aumento da expectativa de vida da população. e saberá por que os stakeholders (partes interessadas) adquiriram tamanha importância no dia-a-dia das empresas. sociais e espirituais estão interligados e. mas outras instituições. com ou sem fins lucrativos) é uma posição de comprometimento com o desenvolvimento sustentável. os desafios ambientais.1. O que se espera de uma organização (não somente uma empresa. O que todos esperam das empresas é uma posição cada vez mais comprometida com o desenvolvimento sustentável do País. O tema responsabilidade social das empresas vem sendo amplamente discutido e divulgado pela mídia nos últimos anos.

Segundo o relatório da ISO22. a entidade adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.ISO Advisory Group on Social Responsibility Working Report on Social Responsibility 24 Lourenço e Schröder (2003) 37 . Em 1948. 2000). pregada pelo economista neoclássico Milton Friedman (1970). funcionam como complementares às leis sociais vigentes de cada país.reviverde. Tradução livre do Relatório April30.ISO Advisory Group on Social Responsibility. no fim do século XVIII. A visão ética inclusiva do documento reconhece que a proteção ambiental. dessa forma. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. Working Report on Social Responsibility. As maiores evidências da ascensão de práticas socialmente responsáveis ocorrem desde o período pós-2ª Guerra Mundial.org. O que já se percebia eram interpretações distintas sobre qual o papel da empresa na sociedade e qual a sua responsabilidade com o meio ambiente e com os seus próprios trabalhadores. Embora o conceito de RSE tenha sido “firmado” no século XX. O resultado é um conceito novo e mais amplo sobre o que constitui uma comunidade sustentável e o próprio desenvolvimento sustentável”. o desenvolvimento humano equitativo e a paz são interdependentes e inseparáveis. (Ethos. por exemplo. sustentável e pacífica. os direitos humanos. Alguns já defendiam que cabia aos empresários “implementar as políticas. Isso fornece uma nova base de pensamento sobre esses temas e a forma de abordá-los. consumidores ingleses deixaram de consumir o açúcar produzido no Caribe. porque provinha de trabalho escravo. em contrapartida. a Companhia das Índias Ocidentais mudou para um fornecedor “não escravocrata” em Bengal. 2004 . (ver Anexo 03 – texto completo Carta da Terra). seria capaz de gerar empregos e pagar salários. Acessado em 10-05-2010 Uma das definições de RSE mais utilizadas no Brasil é a formulada pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Empresarial. a visão dominante. que sustenta que “todo indivíduo tem a responsabilidade de se esforçar pela promoção do respeito aos direitos individuais e à liberdade” 23. embora busquem garantir cidadania universal. Fonte: http://www. a saber: Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. As Nações Unidas.pdf. era da empresa essencialmente lucrativa. além 22 23 April30. O documento procura inspirar em todos os povos um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da família humana e do mundo em geral. que seja justa. São instrumentos que. exemplos de instituições que lutaram pelos interesses dos trabalhadores.br/CARTAdaTERRA. tiveram grande participação na criação de novos princípios de Direitos Humanos. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. entre outros stakeholders.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 ___________________________________________________________________________________ BOX 08: Carta da Terra “É uma declaração de princípios fundamentais para a construção de uma sociedade global no século XXI. já que. É uma expressão de esperança e um chamado a contribuir para a criação de uma sociedade global num contexto crítico da História. tomar as decisões ou seguir as linhas de ação que sejam desejáveis em torno dos objetivos e dos valores da sociedade”24. Muito embora essa visão ultrapasse a noção corrente de filantropia baseada apenas na caridade. 2004 . da comunidade ou do meio ambiente já ocorriam nos séculos anteriores.

desde que não usasse recurso da mesma. denominada Pacto Global (Global Compact). sindicatos. Combate à Corrupção Princípio 10: Lutar contra toda forma de corrupção. agências governamentais e entidades da sociedade civil.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 dos impostos que aumentam o “bem-estar” público. Além disso. Abolir o trabalho forçado. novas questões sobre as obrigações das empresas no âmbito social foram levantadas. pois estaria transferindo recursos a outros fins que não o de geração de lucro e auto tributando-se. também. Caso contrário. a empresa estaria lesando seus acionistas. propôs a ideia de uma parceria entre as Nações Unidas. por qualquer pessoa pertencente à organização. Atitudes sociais. Trata-se de um chamado para que as organizações (não somente as empresariais) adotem e apoiem. O crescimento do número de atores preocupados com a questão da responsabilidade social no mundo já era bem significativo no fim da década de 90. do escândalo Watergate. como o trabalho voluntário. Corrupção e Meio Ambiente. poderiam ser feitas. entre elas. Foi o período do Governo Nixon nos EUA. a World Wildlife Fund (WWF). por exemplo. ao discursar no Fórum Econômico Mundial (evento anual que ocorre em Davos. segundo Friedman. havia também a pressão social por mudanças. Essa proposta surge no imediato contexto das manifestações antiglobalização que ocorrem em Seattle (EUA). da criação de importantes organizações ambientalistas. Princípio 9: Encorajar tecnologias que não agridam o meio ambiente. Princípio 8: Promover a responsabilidade ambiental. paralelo a esse debate. durante encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC). Condições Trabalhistas. Kofi Annan. Lourenço e Schröder (2003) afirmaram que foi naquela época que a ética empresarial se consolidou como campo de estudo. em suas respectivas esferas de atuação e de influência. Abolir o trabalho infantil. O processo de adesão ao Pacto Global envolve uma série de requisitos que podem ser adotados por empresas. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho. Os dez princípios do Pacto Global constituem-se em25 Direitos Humanos Princípio 1: Respeitar e proteger os direitos humanos. também se discutia a busca pelo real papel das organizações no sistema capitalista. um conjunto de valores relativos aos Direitos Humanos. Entre as décadas de 70 e 80. 25 Adaptado de “Boletim Brasileiro do Pacto Global” (2004) 38 . na Suíça). Amigos da Terra (Friends of the Earth) e o Greenpeace. Proteção ao Meio Ambiente Princípio 7: Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais. Princípio 2: Impedir violações de direitos humanos. o que contribuiu para a disseminação das questões éticas e morais nas empresas. Em janeiro de 1999. ONGs e empresas. mas. o ex-Secretário geral da ONU. Direitos Trabalhistas Princípio Princípio Princípio Princípio 3: 4: 5: 6: Apoiar a liberdade de associação no trabalho. universidades. visto que.

os avanços da globalização. cultura. uma vez que os investidores passariam a ter maior segurança com relação ao retorno futuro dos investimentos feitos na empresa. . organizado como resposta da sociedade aos efeitos da globalização: o Fórum Social Mundial – que completa dez anos de atuação em 2010 – reúne pessoas de todas as partes do mundo para promover um ambiente democrático de ideias. Discutem os direitos humanos. Finalmente. provavelmente. abrir novas oportunidades de negócios. tanto no âmbito europeu quanto no internacional. e as suas ações precisam se adaptar a esses aspectos também. portanto.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Na década seguinte. leis (entre outras características nacionais) de diferentes países. nas áreas de comunicação e tecnologia. sociedade. adotado por mais de 400 companhias em cerca de 40 países. que fortaleceram a interação continental. . troca de experiências e articulação de movimentos entre diversos setores da sociedade. acesso à saúde e à educação. sim.o crescente número de organismos internacionais (como a ONU. adotadas voluntariamente pelas organizações como forma de demonstrar seu compromisso com a sociedade. com o título Promover um quadro europeu para a responsabilidade social nas empresas. Atualmente. 26 www. o que reúne maior adesão das organizações é o Global Reporting Initiative (GRI). aceitos em nível internacional.a crescente presença e participação das multinacionais no comércio de bens e serviços e. Era um lançamento que visava ampliar o debate sobre formas de implantação de RSE nas empresas. os Ministros representantes dos países da Organização para Cooperação e Econômica e Desenvolvimento (OCDE) aprovaram uma nova versão das Diretrizes das Empresas Multinacionais. o seu maior peso por práticas socialmente responsáveis. buscando a “construção de alternativas às políticas neoliberais” 26. com isso. liderada por Herbert José de Sousa. Essas diretrizes recomendam princípios voluntários e padrões de conduta para a empresa que se pretende responsável. proteção ao meio ambiente. Ao divulgar os resultados financeiros realizados na área social. o Betinho. O Balanço Social foi o primeiro passo para a criação de padrões de relatórios de sustentabilidade. destacam-se alguns fatores que foram chave para a disseminação do conceito atual de RSE: . na busca de parcerias que criem soluções em prol do interesse coletivo. um “Livro Verde” sobre RSE. outras iniciativas também marcaram presença. por exemplo) que articulam a nível global normas de conduta da sociedade. as empresas começaram a publicar os chamados balanços sociais. Em resposta à pressão social por mais transparência.forumsocial. a empresa melhoraria a sua reputação frente à opinião pública e. Em julho de 2001. a sua rentabilidade. ainda são poucas as que se articulam com outros agentes do mercado e com órgãos do Governo ou organizações da sociedade civil. A visão contemporânea de RSE caracteriza-se pela implementação de iniciativas que não são impostas por lei. entre outros temas. buscando comunicar-se com as partes interessadas (stakeholders) e. e que esteja de acordo com as leis adotadas em cada país. Vale à pena destacar ainda um evento importante. demanda antiga do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). Tais empresas trabalham em ambientes de costumes. Elas migram de uma posição passiva para uma atitude pró-ativa.br 39 . a comunidade europeia lançava. Em junho de 2000. OIT. o acompanhamento mais próximo das atividades corporativas e a rápida disseminação das informações a que concerniam tais atividades. em Bruxelas na Bélgica. mas. Se o número de empresas que buscam aprimorar suas práticas de responsabilidade social aumenta significativamente.org.

na realidade. Em Minas Gerais. No Sudeste. levando-se em conta que a sustentabilidade pressupõe o equilíbrio entre os três pilares: econômico. fundador e presidente do Conselho da organização SustainAbility. social e ambiental. À primeira vista.9 bilhões). em quase 1. equivale tão somente a 0. hoje. é superior. criatividade. capacidade de gestão e inovação. Fonte: Instituto Ethos (julho 2001) O Brasil é o país da América do Sul que ingressou pioneiramente no movimento da RSE. O Nordeste. sem dúvida. o montante impressiona. regiões ricas e pobres praticamente equiparam-se no grau de engajamento social das empresas. que mais de 70% das firmas dedicam parte de seu tempo e dinheiro a atividades sociais.a percepção de valores intangíveis como essenciais aos negócios. em 2004 (R$ 5. o Bolsa-Família. informação. a sua contribuição na avaliação do preço de mercado das empresas. o índice chegou a 81%.43% do Produto Interno Bruto (PIB) –. 40 . a soma de todas as riquezas produzidas no País –. mas. conhecido como Triple Bottom Line27. imagem da marca e reputação.400%. independentemente da localização regional. – aumentaram. A pesquisa detectou. Vale à pena destacar esta última característica relativa aos valores intangíveis. passando de 55%. 27 A expressão Triple Bottom Line foi usada. cresceu 35% em quatro anos. valor que. Os dados do Gráfico 01 indicam a crescente importância dos ativos intangíveis no ambiente de mercado e permitem constatar que os componentes intangíveis – tais como conhecimento. Segundo pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). menos do que a verba consumida pelo maior programa social do Governo. por John Elkington. as empresas investem R$ 4. esse incremento foi mais discreto (06%).7 bilhões por ano em ações comunitárias. Atualmente. por exemplo. ao se terem passados quinze anos do período analisado. em 1999. também. Segundo o IPEA. passando de 67% para 71% no mesmo período.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 . A pergunta que se impõe é se essa nova visão de RSE será capaz de gerar soluções para os problemas globais na velocidade com que eles ocorrem. pela primeira vez. motivação dos colaboradores etc. 96% das companhias com mais de 500 empregados declararam ter política de responsabilidade social e financiar ações sociais. em especial a questão da reputação da organização como chave para sua sobrevivência. para 74% em 2003.

expectativas e problemas não captados através dos canais fixos e formais de comunicação. Sendo um processo que pressupõe a disposição em informar e a comunicação sistemática. o processo de consulta ocupa-se da identificação dos temas sociais sensíveis associados ao empreendimento e ao desenvolvimento de soluções viáveis. Para que o diálogo seja eficaz. se possível. constitui-se num instrumento apropriado para captar a dimensão de subjetividade existente em todo e qualquer processo de escolhas e de decisão estratégicas dos atores sociais. também. é necessário que ambos os interlocutores se comprometam com a transparência. interagir. as comunidades locais e suas lideranças. faz e como pretende agir. na década de 70. apesar de não os compartilharem. integram-se como assessores dos grupos mais combativos e de vanguarda). No Diálogo. Em seguida. que identifica e caracteriza o perfil de cada um dos stakeholders da empresa (seja ele individual. ou interessados. além de fóruns informais sugeridos pelos próprios envolvidos. líderes de instituições religiosas. da pesquisa. Essa metodologia foi desenvolvida na Alemanha. O programa de consulta sistemática aos stakeholders fornece. criam-se oportunidades para a população local colaborar ativamente não só no levantamento dos dados. envolvendo. e sobre a atividade de exploração. a esta particularidades do sistema e “insights” pessoais suscitados pela dinâmica coletiva. a mídia. e do tempo. seja coletivo). mas. são incorporados. as utilizadas na metodologia Diagnóstico Rápido Participativo (DRP). sendo a execução confiada a uma equipe multidisciplinar. adquirirem conhecimento e trocarem informações. orientada para obter. para ser uma alternativa às tradicionais análises sobre a situação social nos países em desenvolvimento.2. também. entre elas. Aplicado em todas as fases do empreendimento. pois cada grupo coloca-se ao lado do outro para ouvir e. mas. tais como a comunidade acadêmica (em geral. pode acontecer em encontros e workshops mediados por facilitadores. Diálogo com Stakeholders O Diálogo com Stakeholder (ou Partes Interessadas) é uma metodologia de consulta participativa. o Greenpeace e a World Wildlife Fund (WWF). Além disso. em geral. um quadro das tendências comportamentais e das possíveis estratégias a serem adotadas pelos diferentes grupos de interesse face a uma determinada situação. ao incorporar a consulta direta a indivíduos representativos e técnicas de dinâmica de grupo. em geral. sendo as mais conhecidas. que envolviam coleta exaustiva de dados e um grande número de pesquisadores. São os chamados "stakeholders primários". particularmente as grandes ONGs ambientalistas. outros segmentos indiretamente afetados. e formadores de opinião estrangeiros. O diálogo realiza-se através de comunicação individual direta entre o(s) representante(s) da empresa e o(s) representante(s) desses grupos. Durante as dinâmicas coletivas. o termo usado é “partes interessadas”). Essa metodologia é radicalmente distinta da tradicionalmente utilizada pelas empresas de consultoria. novas informações e hipóteses sobre a comunidade estudada. Nesse sentido. captando a sua percepção e as suas expectativas sobre a empresa. além das ONGs ambientalistas e dos órgãos governamentais ligados à área ambiental. primeiramente. assim como acerca dos resultados que pretendem alcançar no processo de comunicação. assim. fez-se emergir uma série de demandas. na construção da análise. é uma forma excelente de interlocutores assimétricos que utilizam os mesmos recursos. em particular. transmitindo as informações básicas para se conhecerem e se manterem bem informados sobre o que cada um quer. 41 . acarretando um aumento substancial dos custos. aplicam-se técnicas variadas. no menor tempo possível. acrítica e ineficaz para identificar pontos sensíveis e focos potenciais de conflito (nesse caso.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 3. aportando. na qual os dados são coletados através de depoimentos orais e jogos dinâmicos.

decisivamente. Na fase exploratória. pretende-se. mais útil ele será para detectar "sinais de perigo" ou algum fator-surpresa capaz de comprometer o empreendimento (por exemplo. O diálogo com os stakeholders deve ser encarado sob três prismas: 28 O que distingue um stakeholder primário de um secundário é o grau de impacto que ele pode sofrer do empreendimento em questão. Essa é uma das razões pelas quais quanto mais cedo tem início o processo de consulta. ele estará. passa. fornecedores e contratados. As comunidades locais devem ser encaradas como stakeholders primários28 assim como os órgãos reguladores. as técnicas de Diálogo com Stakeholders costumam ser adotadas não apenas na comunicação externa da empresa. por expressar o compromisso da empresa com a sociedade. Os pressupostos dessa metodologia estão diretamente relacionados aos compromissos assumidos pela empresa em adotar práticas corporativas de responsabilidade social e ambiental. e a prática de diálogo sistemático com os seus stakeholders. para o encaminhamento de soluções negociadas entre as partes. podendo criar conflitos a serem administrados pela empresa. a existência de uma campanha para sabotar um projeto) ou uma situação de "vazio de opinião". devendo assim ocupar o mesmo patamar de importância e atenção atribuída a eles. ou seja. necessariamente. construindo um ambiente de confiança entre eles. a organização. Manter os stakeholders da área de influência permanentemente informados a respeito das operações em curso. essa modalidade de comunicação contribui. Strategic Management: a stakeholder approach. assim. São eles os seguintes: O compromisso da empresa em empregar os mais elevados padrões de qualidade técnica e ambiental. hoje. direta ou indiretamente. 1984) Ao servir para identificar e antecipar potenciais crises antes de eclodirem e mapear os temas polêmicos aplicando técnicas de resolução de conflito.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Diante dessas vantagens. também. Criar um canal de comunicação permanente entre a empresa e seus stakeholders. na formulação da estratégia corporativa. e do comportamento gerencial adotado para responder a eles”. Buscar o consenso em torno de questões polêmicas surgidas ao longo do processo de diálogo. Ênfase especial deve ser dada ao setor pesqueiro por ser o segmento mais sensível às atividades de exploração em águas profundas. Identificar os focos potenciais de conflito para apoiar uma ação estratégica futura. Os stakeholders são considerados informantes privilegiados no processo de monitoramento e avaliação do Plano de Comunicação. (Edward Freeman. gerada pelo desconhecimento a respeito de um empreendimento em virtude da assimetria institucional e cultural existente entre a empresa e os grupos de interesses. mais propenso a se comportar negativamente. 42 . como. Contribuição do diálogo com stakeholders ao gerenciamento do projeto “O stakeholder approach trata de públicos e indivíduos que podem afetar. com a aplicação dessa ferramenta. que.

além de buscar maneiras de determinar. obter “licença social para operar”. A responsabilidade social empresarial também é definida pela sua forma de gerir um negócio baseado na identificação e consideração dos impactos de suas atividades a todos os agentes envolvidos. Stakeholder: conceito central da responsabilidade social A ideia de que as empresas não devem somente satisfação aos seus acionistas é um importante aspecto relacionado à RSE. 43 . Constitui-se num investimento destinado a prevenir potenciais conflitos e reduzir riscos. é claro. Finalmente. sejam eles “concretos” (trabalhadores. O stakeholder é. mensurar e divulgar os impactos das suas atividades sobre tais agentes. ou enfrenta conflitos sociais decorrentes da escolha equivocada de terceirizadas. não usufruirá dos seus benefícios. buscando estabelecer um entendimento com a sociedade antes de iniciar as operações e. Na visão moderna. de certa forma antagônica às metodologias empregadas em situações de crise instalada.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 1) O da Responsabilidade social. dos acionistas (que deixam de ser o único público-foco das empresas). todo aquele que é impactado de alguma forma pelas operações de um empreendimento ou negócio. compradores e consumidores. sabotagem. o futuro etc. Uma das tarefas das organizações é identificar esses agentes e trazê-los para o dia a dia dos negócios.). as comunidades locais (respeitando seus costumes e cultura). uma vez que o custo de interromper um processo lento. caro e complexo é alto. além de comprometerem a viabilidade do empreendimento. Além dos agentes já mencionados. portanto. representam alguns destes grupos. ou mais. de forma a compartilhar. afetam a sua reputação. A história de relacionamento pretérito entre a firma e seus stakeholders e a habilidade em administrar os arranjos institucionais pesa tanto. é importante salientar que essa ferramenta é substancialmente distinta. geralmente. resultando em perda de credibilidade junto a fornecedores. 2) 3) Por não se tratar de uma panacéia. pode ter suas operações suspensas judicialmente e ser obrigada a pagar multas elevadas. evitando custos futuros com processos judiciais. se a empresa falhar na estratégia de gerenciamento ambiental e de comunicação com os stakeholders. podem-se citar ainda os Governos. comunicação. quando as decisões já foram tomadas sem considerar a opinião dos stakeholders. as empresas buscam parcerias com organizações não governamentais (ONGs) que. significa que aqueles arranjos institucionais não foram equacionados. Quando determinada empresa é questionada pela comunidade em virtude da incompatibilidade programática com seus sócios. de redução de incerteza e formação de expectativas que possam vir a afetar os negócios da empresa e a sua posição competitiva no mercado. Como é impossível identificar e se comprometer com todos os stakeholders. consequentemente. Atua como fonte privilegiada de obtenção de informação e. Indica que a empresa reconhece o potencial de impacto do empreendimento. Dependendo da natureza e da intensidade do conflito. sobretudo no quesito reputação e imagem institucional. quanto decisões de investimento exclusivamente orientadas por situações de mercado. quando o confronto ocupa o lugar do diálogo. portanto. além. dessa forma. e mitigação de danos ambientais e sociais. sociedade) ou abstratos (meio ambiente. O da Redução de incerteza. fornecedores. consumidores. circunstâncias em que. O da Ferramenta de negócio. o diálogo com os stakeholders não é indicado nos casos em que não existe compromisso da empresa com a continuidade do projeto.

ONG fundada pelo renomado sociólogo Herbert de Souza. mas. sem fins lucrativos. mais de 700 empresas associadas. A entidade faz questão de frisar que não desenvolve atividade de consultoria. particularmente. um dos países onde mais cresce esse movimento. o principal responsável pela rápida disseminação do conceito foi o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. previamente à implementação do empreendimento. por exemplo. do segmento mais exposto às operações: as comunidades que habitam e/ou trabalham na área de abrangência dos empreendimentos. e ampliou a compreensão do conceito ao estender a ação preventiva de impactos ao conjunto da sociedade. não associava às empresas.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 3. Outras exigências ganharam espaço nos critérios neoliberais do Banco Mundial. que passou a induzir e a premiar as empresas que publicam Balanço Social e possuem certificações ambiental e social. Esse relatório foi criado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). hoje. Até o conservador Banco Mundial incorporou os princípios do Desenvolvimento Sustentável focados no envolvimento dos stakeholders.3. 44 . Além de considerar um compromisso permanente dos empresários com a integridade do meio ambiente e com os direitos humanos. pressupõe uma ação ética nos negócios e a transparência na comunicação com a sociedade. com o intuito de tornar mais transparente a Governos e grupos de interesse a maneira pela qual a empresa encara sua responsabilidade pública. Articulando Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável A recente associação do princípio de Responsabilidade Social Empresarial aos preceitos do Desenvolvimento Sustentável conferiu uma dimensão mais humana à ecoeficiência. Trata-se de um relatório anual no qual a empresa pública ou privada declara publicamente os projetos sociais e os investimentos financeiros que realizou em prol do bem-estar das comunidades e do meio ambiente. Conceito de múltiplos significados. em geral. A chamada “licença social para operar”. a responsabilidade social empresarial (ou corporativa) teve o mérito de resgatar valores morais que a sociedade. recomendando às empresas a prática do diálogo com todos os grupos de interesse – e não apenas com autoridades governamentais –. uma nova abordagem é incluída nos documentos oficiais da instituição. ex-Diretor-Executivo da Fundação Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) e ex-assessor do extinto Programa Fome Zero do Governo Lula. nem autoriza as empresas membros a usarem a associação ao Ethos como tal. deve ser obtida de todos. o Betinho. por um grupo de empresários liderado por Oded Grajew. Um dos seus méritos foi o de popularizar a publicação do Balanço Social. não cobra pelo serviço de orientação e não fornece "selo" ou certificado. adverte o Banco. no tópico reservado às “recomendações” dirigido aos gestores dos recursos. no Brasil. Como já foi dito. Desde 1997. O Instituto Ethos se apresenta como uma associação de empresas. sensibilizar e apoiar as empresas para que incorporem políticas e práticas de responsabilidade social na gestão de seus negócios. que tem como missão mobilizar. Pelo menos no plano da retórica. um grande contingente de empresas em todo o mundo abraçou a causa da responsabilidade social. a entidade possui. criado em 1998. Pesquisas recentes em gerenciamento estratégico observaram que os temas ambientais vêm adquirindo crescente influência na definição das estratégias comerciais e no desenho técnico do empreendimento. Mudanças nas expectativas dos consumidores quanto a produtos com mais qualidade ambiental e implementação de standards tecnológicos superiores às exigências legais tornaram-se decisões tão determinantes quanto as relativas à escala de produção.

p. clientes. . para conquistar o atributo de uma empresa socialmente responsável.Respeito ao meio ambiente em todas as suas atividades. a empresa deve ser pró-ativa e investir no desenvolvimento pessoal e profissional de seus empregados e na melhoria das condições de trabalho. a política de RSC da empresa deve contemplar as três dimensões da responsabilidade. . Dependendo da natureza do negócio (o que produz e onde se localiza). melhor dizendo. conforme proposto por Ferrel et al. baseada na crença de que os recursos naturais são bens públicos e coletivos. Preservação do Meio Ambiente Bem-estar dos Funcionários . Valores .A produtividade do trabalho está atrelada à satisfação e ao bemestar dos funcionários. a um preço que lhe possa garantir a continuação das atividades da empresa e a satisfação das suas obrigações com os investidores.A empresa também tem a sua parcela de responsabilidade pelo bem-estar da sociedade na qual está inserida.A responsabilidade de devolver à natureza o que dela retirar ou nela impactar. . a exemplo dos direitos trabalhistas definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). prestar contas à sociedade e procurar sempre ir além da legislação e das normas internacionais.Apoio a projetos ambientais. . comunidades). fornecedores. em geral as empresas escolhem focar nos segmentos internos (empregados e seus familiares) ou nos externos (a comunidade e as ONGs). porém não estão codificados em leis. é necessário manter um diálogo constante com seus stakeholders (funcionários. mas existem empresas que adotam a premissa de que “todo stakeholder importa”. Responsabilidade Ética – é definida como comportamentos ou atividades que a sociedade espera das empresas. Considerando esse amplo espectro de atuação. . e quer. Responsabilidade Legal – está consignada nas leis que ela é obrigada a cumprir.Criação de um ambiente agradável. preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras. 45 .Projetos Sociais ligados à comunidade.A importância do meio ambiente para a sobrevivência futura. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Segundo o Instituto Ethos.Preocupação com a saúde e qualidade de vida dos funcionários. (2001): Responsabilidade Econômica – consiste em produzir bens e serviços de que a sociedade necessita. . Essa escolha orientará a política de investimento social da empresa. O Ethos conceitua RSC como a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade.80): Quadro 1 – Matriz de avaliação de uma empresa socialmente responsável Vetores Desenvolvimento da Comunidade Crenças . Observe-se a “matriz de avaliação do nível de responsabilidade social” proposta por Neto e Fróes (1999.

. Crescem em presença e importância as multinacionais no País. (v) formar parcerias inteligentes. (ii) possuir ética corporativa. Fev 2004 Tais valores e crenças direcionam as ações que as empresas socialmente responsáveis devem desempenhar proporcionando um maior envolvimento com todos os atores envolvidos em seus processos. (iii) conhecer a comunidade em que está inserida e sua cultura. o primeiro indicador destinado a contabilizar a contribuição das empresas para a sociedade. integre suas preocupações com o lado social em sua estratégia de negócios. Fonte: Adriana Malamut.Política de remuneração e atuação empresarial conforme as expectativas. .Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Comunicação Transparente Retorno aos Acionistas Sinergia com os Parceiros Satisfação dos Clientes . consolidando a globalização e. Diretor da Kanitz & Associados e colunista da Revista Veja. (vi) avaliar os resultados e prestar contas. Ética e um bom relacionamento com os atuais e potenciais parceiros.Os stakeholders devem ser bem informados visando amortecer os impactos de fatores exógenos que podem influenciar negativamente a empresa. do Balanço Social. faz-se necessário que cada empresa determine claramente qual é o seu papel. impôs-se a visão neoliberal dos mercados. em 1997. Os episódios do impeachment do Collor e a campanha do sociólogo Herbert de Souza (o Betinho) contra a fome e a miséria são alguns exemplos de movimentos que buscaram fortalecer as causas sociais num contexto de crescente globalização do País. a empresa deve (i) focar prioritariamente no indivíduo. Para tanto. A fim de se adotar uma atitude socialmente responsável. Em face desse novo cenário. Prêmio Ethos. (iv) garantir a transparência. A RSE no Brasil No final dos anos 80 e início dos 90. o IBASE foram responsáveis pela criação. 3. Vários segmentos da sociedade participaram da campanha.A sustentabilidade da empresa depende da confiança do seu acionista em aplicar seus recursos nela. concomitante à intensificação do progresso tecnológico e à rápida disseminação de novas soluções em Tecnologia da Informação. ampliando as fronteiras dos Estados nacionais.As parcerias otimizam custos operacionais a partir do compartilhamento de recursos pelas empresas. inclusive um segmento mais progressista de empresários. Para ele. . chama de "filantropia estratégica".O sucesso da empresa depende da satisfação do cliente. depois. optar por aquelas que correspondem às suas competências e interesses de seus funcionários. . a empresa deve primeiramente conhecer o enorme leque de necessidades sociais que carecem de apoio governamental e. Responsabilidade social em incubadora de empresas de base cultural. por conseguinte. . 46 .Bom relacionamento baseado em respeito ao cliente.4. em 1998. Transparência na comunicação a todos os atores envolvidos. sua visão e seus valores como organização para que. levando as organizações brasileiras a aderirem às novas diretrizes que passam a reger a competitividade no mundo capitalista. em seguida. a economia brasileira ingressou num processo de internacionalização e de abertura comercial. (vii) divulgar relatórios externos. 29 29 O sociólogo Betinho e sua instituição. É o que Stephen Kanitz. que viria a criar o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.

conhecimento. portanto. enquanto crescia o número de publicações especializadas e de eventos e prêmios especialmente dedicados ao tema. preenchendo a lacuna deixada pela falência do Estado em prover o bem. Crescimento em 40% no envolvimento. e que ele é constituído de aspectos subjetivos (motivação. com destaque para o Grupo de Institutos. de natureza assistencialista. Para muitos colaboradores. as entidades empresariais. Contribuição em 52% para o desenvolvimento de conhecimentos. Segundo Queiroz (2000). em 1992.Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 Durante a década de 90. Essa é mais uma comprovação da crescente importância dos ativos intangíveis. Nos primeiros anos do novo milênio. Surgem. proliferavam as iniciativas de cidadania empresarial. a comunidade na qual faz parte). colocando as últimas sempre em segundo plano. entretanto. Na segunda edição da pesquisa “Ação Social das Empresas”. Não havia. há dez anos. percebeu-se um expressivo aumento no número de 30 Responsabilidade Social Empresarial nas Organizações de Varejo.estar social. respectivamente. veriam seus mercados minguarem” 30. 47 . sobretudo porque o empresário brasileiro não percebia o vínculo entre a função econômica e as práticas sociais da sua organização. do funcionário com a empresa. realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) entre 2000 e 2004. as ações sociais promovidas pelas empresas brasileiras ainda eram. Segundo FISCHER & FALCONER (1999). outros episódios indicavam a crescente participação do setor privado em questões públicas. No âmbito empresarial. e habilidades dos funcionários decorrente dessa nova forma de interação. como consequência da nova prática. pois. com 273 companhias privadas e estatais provenientes de nove Estados e do Distrito Federal. Registro de um crescimento de 34% na motivação e produtividade dos funcionários. demonstrando que grande parte dos ganhos de uma organização está relacionada ao capital humano (além dos próprios colaboradores. nessa década. que citaram uma pesquisa realizada no mesmo ano pelo Centro de Estudos em Administração do Terceiro Setor da Universidade de São Paulo (CEATS – USP). criados em 1995 e 1998. motivação de conduzir práticas socialmente responsáveis visando ao fortalecimento de seus negócios. caso contrário. habilidades) difíceis de serem construídos e mensurados. O aumento de empresas interessadas nos projetos sociais se devia à “conscientização dos empresários de que precisavam agir rápido e fazer algo pelo País. No ano seguinte. um relatório completo com o resultado de todas as suas ações sociais. Fundações e Empresas (GIFE) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. empresas de outros setores seguiram seu exemplo. majoritariamente. num futuro próximo. O antigo Banco do Estado de São Paulo (Banespa) publicou. as ações sociais empresariais tinham um caráter filantrópico. era um orgulho saber que a organização da qual faziam parte também trabalhava para o desenvolvimento de sua comunidade. Inicialmente. impossíveis de serem imitados. preocupadas em demonstrar que a adoção de práticas responsáveis aumenta as condições de competitividade da empresa. a RSE começava a chamar a atenção dos principais meios de comunicação e da mídia nacional. os ganhos com as práticas dentro do ambiente organizacional geraram os seguintes resultados: Os investimentos em ações sociais melhoraram em 79% a imagem institucional da empresa e ampliaram em 74% suas relações com a comunidade. técnicas.

um estudo análogo mostrava que 50% das empresas só registraram 11 de um total de 55. a pesquisa também avaliou a percepção dos empresários sobre o seu papel social. Questões para refletir/responder: Por que o movimento da RSE dá tanta importância ao relacionamento com os stakeholders? Quais os resultados apontados pelas pesquisas sobre o movimento da RSE no Brasil? Como a empresa deve lidar com seus stakeholders? Atividade: Selecione uma empresa e desenvolva uma política de relacionamento com seus stakeholders. A maioria (78%) ainda atribuiu ao Estado a obrigação de prover as necessidades sociais. INSTITUTO AKATU (2008). oriundos.7 bilhões. seja porque não compensava. Você conheceu seus princípios e métodos.27% do PIB do País naquele mesmo ano31.gov. a posição competitiva da empresa. a pesquisa revelou que 50% das empresas já praticavam ao menos 22 das 56 ações de RS listadas. houve um aumento considerável no número de práticas implantadas: em 2004. seja porque não tinham conhecimento desse procedimento. tendo um caráter complementar às ações dos Governos. um aumento de quase 100%32. em parceria com o Instituto Akatu. das grandes empresas (94% do total). envolvendo desde questões relacionadas às relações com funcionários e fornecedores. Em 2004. incluindo diálogo com os diferentes stakeholders. portanto. cerca de 600 mil empresas atuaram de forma voluntária e investiram um montante de aproximadamente R$ 4. e entendeu como ela pode influenciar. Há outras conclusões interessantes nesta pesquisa: foram poucas as empresas que se utilizaram de benefícios tributários para investir no social. portanto o entendimento corrente era de que a atuação privada não substituía o poder público. positiva ou negativamente. avaliou a implantação de um conjunto de 56 práticas de responsabilidade social. Revisão de conteúdo Esta Unidade apresenta uma nova ferramenta de gestão – o diálogo com stakeholders – que ganhou importância no movimento da RSE. Comparado a pesquisas anteriores. Uma publicação recente confirmou essa tendência identificada pelo IPEA no início da década. 31 32 Fonte: www. Na pesquisa realizada em 2008. Por fim. passando desde as ambientais até as de natureza ética e de governança corporativa. 48 .Responsabilidade Socioambiental Unidade 3 empresas privadas brasileiras que realizaram ações sociais visando beneficiar as comunidades nas quais atuavam. majoritariamente. o Instituto Ethos. As regiões Sul e Nordeste foram as mais beneficiadas no montante final dos investimentos.ipea.br/acaosocial INSTITUTO ETHOS. Entre as principais conclusões. o que correspondia a 0.

pois desempenhou importante papel em direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável. Os riscos ambientais entram definitivamente nos custos dos empreendimentos. por sua vez. também. inicialmente. Ao longo dos últimos dez anos. A preocupação das instituições financeiras com as questões ambientais ocorreu. Seu compromisso com a sustentabilidade influenciou estratégias do setor bancário comercial e de investimento em todo o mundo. Você conhecerá e entenderá o Protocolo Verde. via operações de crédito ou como detentor de ativos financeiros (ações ou títulos de dívida). ou seja. A imagem dos bancos na sociedade é importante para o sucesso conjunto de suas atividades e é considerada como parte de seu patrimônio. e detalha uma importante ferramenta de gestão que será implementada em dezembro de 2010. energia etc. tornando-se cada vez mais determinantes nas decisões de negócios. surgiu uma série de iniciativas visando à incorporação da sustentabilidade nos negócios do setor financeiro. o Dow Jones Sustainability. motivada pela crescente conscientização do papel de indutor na disseminação de boas práticas socioambientais na cadeia produtiva. 2005) O Banco Mundial foi um dos grandes protagonistas nessa questão. não conceder crédito. no seu papel coercitivo. o banco deveria internalizar nos seus custos os gastos com controle de poluição. 49 . mas. aplicar-se-ia diretamente o Princípio do Poluidor Pagador. em decorrência. cancelar empréstimos etc. tais como. A partir daí. e os Princípios do Equador. equipamentos. sob pena de terem sua reputação prejudicada diante da sociedade. Os bancos. como forma de evitar a responsabilização legal por danos ambientais produzidos por bens que eram recebidos como garantia de empréstimos. chamada Norma ISO 26000. para os bancos também. Nessa modalidade.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Unidade 4 A RSE no Setor Financeiro e a Norma ISO 26000 Objetivos Esta Unidade apresenta os principais acontecimentos e características do movimento da RSE no setor financeiro. impondo restrições e sanções às empresas que não agirem de acordo com aquela condução. Risco indireto: o risco ambiental afetaria a empresa com a qual o banco tiver relacionamento como intermediário financeiro. Risco de reputação: os bancos vêm sofrendo pressão do público em geral e dos organismos não governamentais (ONGs) para adotar uma política de financiamento e investimento ambientalmente correta. entre outras importantes mudanças institucionais. riscos associados às suas próprias instalações. estão sujeitos a três tipos de riscos ambientais: Risco direto: aqueles aos quais os bancos respondem diretamente como poluidores. gradativamente os banqueiros começaram a acreditar que “o que é bom para o meio ambiente poderia também ser bom para os bancos”. indica os principais riscos ambientais. (SOLER. uso de papéis. conhecerá as modalidades de Investimentos Socialmente Responsáveis e os que existem no Brasil hoje. A gestão inadequada dessas questões pode causar perdas financeiras irreparáveis para a empresa e. Finalmente.

O Banco do Brasil é um dos bancos brasileiros que aderiram imediatamente ao Pacto Global em novembro de 2003. o Secretário-Geral das Nações Unidas. ajudando as organizações a redefinirem suas estratégias e ações. Banco da Amazônia. o Banco Central de a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aderiram a ele. No Fórum Econômico Mundial. O Pacto Global é uma iniciativa que tem como objetivo mobilizar a comunidade empresarial internacional para a promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos. Kofi Annan. o grupo Dow Jones lançou o Dow Jones Sustainability Index. e em 2009. A partir de então. Em 2008. Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). outros bancos passaram a expressar publicamente sua preocupação com a variável ambiental nos negócios. lançou os indicadores de RSE para o setor financeiro. evitando que estes sejam aproveitados por poucos. no curto espaço de cinco anos. tanto em suas práticas corporativas individuais. Trata-se de uma carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos oficiais (Banco do Brasil. 60 bancos. o Instituto Ethos.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 4. desafiou os líderes empresariais mundiais a apoiar e a adotar o Pacto Global (Global Compact). Compromissos dos Signatários: Oferecer linhas de financiamento e programas que fomentem a qualidade de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente. em parceria com a Febraban. trabalho e meio ambiente. Promover o consumo consciente de recursos naturais e de materiais deles derivados nos processos internos. quanto no apoio a políticas públicas apropriadas. Considerar os impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas análises de risco de projetos. Embora não seja um selo certificável. Em 1999. tendo por base a Política Nacional de Meio Ambiente. Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil). Promover a cooperação e a integração de esforços entre as organizações signatárias deste Protocolo. em Davos. sensibilizar e engajar continuamente as partes interessadas nas políticas e nas práticas de sustentabilidade da instituição. Informar. a fim de que todas as pessoas possam compartilhar dos benefícios da globalização. arregimentando.1. procedeu-se à revisão do Protocolo. Banco do Nordeste. Criado em 2003 por iniciativa de dez instituições financeiras 50 . na qual os signatários se propõem a empreender políticas e práticas que estejam sempre e cada vez mais em harmonia com o objetivo de promover um desenvolvimento que não comprometa as necessidades das gerações futuras. Os Princípios do Equador representaram um divisor de águas nesse processo. o primeiro índice global que considera a performance ambiental das empresas. BNDES. Principais inovações institucionais no setor financeiro Protocolo Verde (1995) A primeira iniciativa resultante de acordo entre bancos brasileiros foi o Protocolo Verde. Naquele mesmo ano. em 31 de janeiro de 1999. adquiriu rapidamente status de standard no setor financeiro.

nem toda boa intenção se traduz em prática. Santander. Em agosto de 2001. foram criados os chamados fundos éticos. Crédit Lyonnais. Caixa Econômica Federal. à realização de consultas públicas para verificação da viabilidade do projeto. A III Pesquisa de Responsabilidade Social da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). braço financeiro do Banco Mundial. pela efetividade na aplicação de várias diretrizes. Entretanto. Royal Bank of Scotland. os projetos são classificados de acordo com o risco social e ambiental que apresentem: A . A Financial Institutions Initiative (FII). Nesse mesmo ano. 51 . realizou uma pesquisa junto à comunidade de analistas e investidores com o objetivo de diagnosticar a posição dos agentes do mercado em relação às informações de natureza social utilizada para análise das companhias. Para atender ao investidor ambientalmente ético.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 (ABN Amro. entre outros. fundada em 1992 e ligada ao Programa das Nações Unidas para o Ambiente ( UNEP). à observação das condições de trabalho. B . passou a ser obrigatório. e chegou a resultados aparentemente animadores: a) 41% dos analistas levam em consideração as informações de natureza social em todas as suas análises. além da divulgação do Balanço Social da empresa. com a adesão de cinco bancos de capital nacional (Bradesco. para empresas que pleiteiam a partir de US$ 10 milhões. Itaú Unibanco S/A). Citigroup. mas. Crédit Suisse. e 84% levam-nas em consideração pelo menos em metade de suas análises. Para as categorias A e B. com mais de 100 adesões por parte de instituições financeiras. aos níveis de poluição e das emissões de gases de efeito estufa. realizada no mesmo ano. respectivamente. seu objetivo original era verificar se os projetos que requeriam financiamento cumpriam as exigências de sustentabilidade. Esses critérios preveem especificações para cada categoria de projetos no que se refere aos cuidados com as populações atingidas pelos empreendimentos. o Brasil continua sendo o único representante dos países emergentes no conselho da entidade. Desde 2006. Naturalmente. apresentar avaliação ambiental do projeto e provar que adotam critérios sociais. devendo ser reportadas ao mercado. Além disso. de acordo com critérios estabelecidos pelo International Finance Corporation (IFC) . HypoVereinsbank. a Corporação Financeira Internacional (IFC) passou a exigir que os Bancos afiliados também se fossem signatários do processo designado Princípios do Equador.alto risco. apesar de três quartos dos fundos que favoreceram empresas social e ambientalmente responsáveis terem tido um desempenho superior à média. Barclays. em que os critérios sociais. mas 77% não publicam nem mesmo o Balanço Social. Não apenas pela velocidade na adesão. os fundos de investimento adaptaram-se rapidamente à nova realidade. A partir da análise. b) a Educação e Meio Ambiente são considerados muito importantes por 62% e 47% dos entrevistados. Sua performance no Brasil é singular. em março de 2001. os bancos elaboram um relatório sugerindo mudanças no projeto. A significativa adesão do segmento produtivo brasileiro à ecoeficiência conduziu a uma revisão nos critérios de financiamento dos Bancos. São Paulo. por exemplo. em 1998. a Comissão Técnica de Balanço Social da Associação Brasileira de Mercado de Capitais (Abamec). Segundo pesquisa realizada pelo Finance Institute for Global Sustainability (FIGS). WestLB e Westpac).baixo risco. de maneira a adequá-los às exigências internacionais. no ano de 2000. Rabobank. Banco do Brasil. revelou uma profunda contradição: 97% das empresas entrevistadas afirmaram que a responsabilidade social faz parte da visão estratégica nas suas decisões. e c) 85% consideram que as ações sociais internas são levadas em conta em suas análises. ainda não existia uma série histórica que comprovasse definitivamente a correlação entre ética e lucro. Um dos fatores que condicionam a liberação de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). chegando. sendo que o Banco do Brasil foi o primeiro Banco oficial a integrar o grupo de instituições financeiras brasileiras a aderir à medida. lançou uma Declaração Internacional sobre o compromisso com o desenvolvimento sustentável que contava. é o alcance dos impactos ambientais do projeto. a 171 instituições de 46 países. considerado um modelo de prestação de contas essencial. ambientais e de governança corporativa são aplicados no processo de seleção dos melhores papéis. principalmente.médio risco e C .

de uma maneira geral.2. A política inclui também projetos de médio porte abaixo do limite estabelecido pelos Princípios do Equador. como armas. enquanto o não atendimento dos mesmos pontua negativamente. corresponsabiliza as instituições financeiras por danos causados ao meio ambiente. em 28 de fevereiro de 2008. a longo prazo. uma preocupação com os impactos de suas operações no meio ambiente e na sociedade. figuram no hall de preocupações dos investidores. Outro componente desse cenário é o II Acordo de Capitais de Basiléia. que trata dos Crimes Ambientais. lançou recentemente o Relatório de Responsabilidade Ambiental (RRA). O novo acordo considera outros riscos enfrentados pelos bancos para efeito de cálculo de capital regulamentar e exige modelos de gerenciamento de risco mais precisos.” 52 . Um número crescente de investidores passou a optar por investir em empresas que demonstram. 4. O atendimento aos parâmetros resultou numa nota. por exemplo. se o proprietário solicitante de crédito tem algum passivo ambiental ou fundiário. se destaca por ter sido o primeiro no País a aplicar critérios de RRA em toda sua cadeia produtiva. vigiu a ideia de que investimentos socialmente responsáveis comprometem o retorno financeiro. diminuir ou remediar impactos. incentivando o aumento da produção por hectare e o incentivo à utilização de técnicas de manejo florestal. Alguns setores produtivos estão excluídos da carteira de clientes do Banco: os que utilizam o trabalho infantil ou incentivam direta ou indiretamente a prostituição. Durante muito tempo. Nesse cenário. atual Santander. problemas ambientais e o impacto social de alguns produtos. causando mais desemprego. e cumprimento das disposições legais. Esse ideário deverá mudar a atuação das instituições financeiras bancárias em relação às questões ambientais. uma das maiores empresas do mundo em análise de crédito. uma opção mais lucrativa. O Real também incentiva entre os clientes o acesso ao crédito para a correção de problemas ambientais já existentes. que permite a avaliação das empresas segundo quatro critérios: política e gestão ambiental. Além disso. o ambiental. e a empresa não venha a falir. tabaco e álcool. conta com uma política própria de concessão de financiamentos sob a avaliação de aspectos socioambientais. o Banco Real. sabe-se que investir levando em conta valores éticos pode aumentar consideravelmente os ganhos financeiros. ou por serem altruístas ou por perceberam. a resolução ainda tenta induzir o crédito a atividades menos devastadoras. No que diz respeito à negação de crédito para empresas que desrespeitam o meio ambiente. Questões como bem-estar dos funcionários. Hoje. Além disso. forma de uso dos recursos naturais. por parte de bancos públicos e privados. a Lei Federal 9605. a qual estabelece a exigência de documentação comprobatória de regularidade ambiental e outras condicionantes para a concessão de financiamentos agropecuários no Bioma Amazônia. o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou um sistema nacional com informações sobre a situação ambiental e fundiária da propriedade privada e aprovou a Resolução 3. medidas adotadas para evitar.545. nessa rede de informações. Por ser a criação bovina é a principal responsável pelo aumento dos índices de desmatamento na região Norte. os que extraem madeira nativa não certificada e operam com a indústria do amianto.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 O SERASA. como. adotado a partir do final de 2007 pela maioria dos países e não apenas pelos países-membro. nessas empresas. para que o passivo não se mantenha. As empresas que incluem as questões socioambientais em sua estratégia estão criando valor. ambientais e sociais. de alguma forma. Investimentos Socialmente Responsáveis (ISR) – Histórico e Evolução Investimentos socialmente responsáveis são aqueles que integram ganhos financeiros. agregando novos riscos. para a sua empresa – conceito conhecido como “sustentabilidade corporativa. Os Bancos deverão checar.

tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e com a sustentabilidade empresarial. a revolução tecnológica e da informação. na África do Sul. US$ 2. Atualmente. produtos socialmente destrutivos como álcool e cigarros. International Finance Corporation (IFC). os Quakers. O que se tem de fato é. o clima social dos anos 60 acendeu a discussão em torno de questões sobre direitos civis e o meio ambiente. dos US$ 25. Nos tempos bíblicos. Mais recentemente. e de 36 ações para 43. Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). nos últimos dez anos. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). o Conselho do ISE é composto pelas seguintes entidades: Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). os judeus tinham leis que orientavam investimentos segundo princípios éticos. observaram-se consumidores mais conscientes e exigentes e empresas cada vez mais preocupadas em investir na qualidade de seus produtos. num cenário em que figuram a globalização. no século XVI. aquecimento global e desastres ambientais.socialinvest. devido ao recente boom da responsabilidade social empresarial. processos e relações. praticavam atividades socialmente responsáveis. Contribuíram para esse desempenho algumas medidas introduzidas no questionário nos últimos quatro anos. indicador composto de ações emitidas por empresas.76%) estavam aplicados em fundos ISR. Como resultado direto desses fenômenos. 33 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE/BOVESPA A carteira do ISE. De 1995 a 2007.1 trilhões aplicados na indústria de fundos. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Ministério do Meio Ambiente. este cresceu de R$ 372 bilhões.org. foram incluídas questões sobre o desempenho da 33 Site do Social Invest. A sustentabilidade corporativa passou a ser vista como vantagem competitiva e fundamental para a sobrevivência das empresas a longo prazo. Não é possível afirmar se essa modalidade de investimento terá sempre um desempenho superior. conhecida como Apartheid. por exemplo. em parceria com várias instituições.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Há muitos séculos há registros de pessoas que levam em conta seus valores éticos ao realizarem investimentos. Além da BM&F Bovespa. em novembro de 2009. a seguros e a máquinas e equipamentos. embora existam desde década de 60. A quinta e mais recente carteira do ISE registrou um aumento de 28 para 34 Companhias. que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e com a responsabilidade social. Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).7 trilhões (10. em dezembro de 2008. sendo que os três mais recentes concernem à construção civil. além de atuar como promotor das boas práticas no meio empresarial brasileiro. www. foi lançada em 2005 pela Bolsa de Valores de São Paulo. aumentando o interesse e as opções de investidores socialmente responsáveis. Acessado em 10-05-2009 53 . O fato mais significativo que marcou a entrada dos investimentos socialmente responsáveis na agenda internacional foi a campanha contra a discriminação racial institucionalizada. a integração dos mercados e a queda das barreiras comerciais elevaram os níveis de competição a uma escala planetária. os investimentos socialmente responsáveis virem crescendo no mercado financeiro norte-americano. As preocupações crescentes com questões ambientais como lixo tóxico. Bovespa. Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Na versão de 2006. Nos Estados Unidos. Ao final de 2007. influenciando os investidores. representando 15 setores. 2007. assim como direitos humanos. o montante de investimento envolvido nessa modalidade aumentou mais de 320%. baseados em suas crenças de igualdade e não violência. Quanto ao valor de mercado das ações. estão na ordem do dia. para R$ 730 bilhões.

Eletropaulo. atualmente. na fórmula de cálculo anterior. e o atual índice. foi a mudança na metodologia de formação da carteira que. Dasa. normalmente através de Fundos de Investimento.bovespa. Suzano Papel. é a realizada em empresas de capital aberto. Prova disso foram os mais de 03 trilhões de dólares aplicados em fundos que utilizam critérios sociais. Embraer. Natura e Telemar. entre eles a exigência de apresentarem documentos que comprovem a veracidade das informações prestadas nos questionários. Fonte: www. BRF Foods. agora. ambientais e éticos para selecionar ações. Gerdau Met.2009 Atualmente. Entre os positivos. Copel. Even. Usiminas. Outra inovação recente foi a inclusão de perguntas sobre as iniciativas da empresa face às mudanças climáticas. há registros de 42 fundos de Venture Capital ligados a atividades 54 . 34 empresas estão listadas no ISE. Eletrobras. fica limitada a uma participação de 15% por setor econômico. Duratex.br.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 empresa em relação à corrupção e anúncio do lançamento de procedimentos de verificação. houve um aumento dos investimentos em Private Equity e Venture Capital. que se estabilizaram como uma classe de investimentos. Energias Br. que utilizam critérios socioambientais de seleção. Redecard. enquanto. Ao longo desse tempo. Fibria. era de 25% por empresa. Esses dados sugerem que os investidores socialmente responsáveis deverão acompanhar a tendência atual do mercado tradicional e também procurar oportunidades de investimentos em Venture Capital/Private Equity. Indústrias Romi. Tractebel. Cesp. está constituído pelas seguintes companhias: AES Tiete. em 2009. Sabesp. Investimentos em Empresas de Capital Aberto A forma mais popular de investimentos socialmente responsáveis.11. Esse tipo de investimento apresenta pontos positivos e negativos quanto a sua aplicação. Acessado em 26. Vivo. Light S/A. que vigorará até 30 de novembro de 2010. Braskem. Uma das novidades introduzidas nas regras do ISE. Coelce. ItaúUnibanco. Tim Participações S/A.com. tem-se a ajuda em promover e em conferir credibilidade ao tema da sustentabilidade entre os investidores tradicionais – na última década. CPFL Energia. Bradesco. Gerdau. Atualmente. Brasil. o interesse de investidores por ações socialmente responsáveis também cresceu muito. Sul America. Cemig. Itausa.

ao incorporarem (ou melhor. mas sim esclarecer o que cada uma delas significa. as empresas que exercitam a filantropia não podem se autodenominar empresas socialmente 34 35 Fonte: Consultoria Tony Lent. As principais categorias e suas respectivas taxas de retorno esperadas estão relacionadas na tabela a seguir: 34 Categorias Exploração Sustentável de Florestas Agricultura Orgânica Fair Trade Inner-City VC Funds Brown Fields Tecnologias Sustentáveis Rentabilidade 8-15% 5-35% 10-15% 15-35% 20-50% 15-25% 4. há o problema da padronização de um conceito tão amplo.3. a par do direito dos consumidores. por exemplo. É uma ação bem mais abrangente. São empresas. além da existência de distintas interpretações de RSE. Para as instituições e organizações – sejam as públicas. associações.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 sustentáveis no mundo. e quando devem ser implementadas: enquanto as ações filantrópicas garantem a sobrevivência no dia de hoje. realizadas. Managing Director EA Capital Corrêa e Medeiros (2003) 55 . Governos. doações de comida e roupas aos necessitados. Não se pretende discutir qual das duas atitudes (filantropia ou RSE) é a melhor para a empresa. A norma pressupõe maior transparência das organizações na comunicação de suas ações a todos os públicos interessados em seu processo produtivo. que não resultam em benefício de longo prazo. funcionando principalmente como conforto pessoal e moral de quem a pratica. sejam as privadas –. 35 Já a Responsabilidade Social visa ao envolvimento e ao desenvolvimento contínuo da sociedade com a qual se trabalha. Ademais. voltada para o futuro. são ações pontuais e temporárias. como. entidades da sociedade civil e ONGs (o “Terceiro Setor”) dos mais variados perfis que. internalizarem) em seus modelos de gestão princípios de RSE. conforme se comentou. agir de forma responsável significa investimentos necessários no “hoje” que visam diminuir o impacto de suas ações em troca de um retorno social (e também nos negócios) no “amanhã”. Ações filantrópicas são atitudes que causam impacto momentâneo. tal como a educação e a capacitação em projetos de geração de renda. a existência de um padrão pode vir a ser muito útil para eliminar a confusão que é feita entre RSE e filantropia. Trata-se de uma atitude coletiva. Embora bem vistas pela sociedade. além da preservação ambiental. O fenômeno da globalização impõe a criação de parâmetros de comportamento que possam ser compartilhados por todas os stakeholders. poderão contribuir para a utilização mais consciente e sustentável de nossos recursos naturais e humanos em escala global e um futuro digno às próximas gerações. ao fazer a distinção entre as duas práticas. as ações de RSE oferecem oportunidades no futuro. Por que uma norma em responsabilidade social? A Norma ISO 26000 Voltando à norma internacional em RSE. O que se espera é que uma norma internacional facilite a implementação de ações concretas que respondam à crescente preocupação e pressão da sociedade em relação aos direitos humanos em seu sentido mais amplo. englobando os direitos trabalhistas e políticos. A questão mais importante a destacar é a de que.

000 normas que recomendam as melhores práticas aos mais variados ramos de negócios. foi o responsável pelas primeiras discussões. com sede em Genebra.ethos. associados a ISO. formada por representantes de mais de 155 países.org. 4.4. os representantes dos setores sobre os quais a norma terá algum impacto reúnem-se. Conforme mencionado anteriormente. que é de responsabilidade da International Eletrotechnical Commission (IEC). A ISO 26000 é considerada a “terceira geração de normas”. em maio de 2002. O Instituto Ethos classifica uma empresa como socialmente responsável quando ela vai “além da obrigação de respeitar as leis. embora as primeiras discussões tenham começado. de Gestão da Qualidade e a ISO 14001. As normas ISO 9000 e ISO 14000 estão entre as mais conhecidas certificações no mundo: a primeira está relacionada à Gestão da Qualidade e a segunda à Gestão do Meio Ambiente. funcionando como uma rede integrada internacional de órgãos de normalização em todo o mundo. conhecido como Grupo Consultivo Estratégico (SAG) 37. compõe a denominação da organização responsável pela criação dessa norma bem como de outras anteriores. www. eficiente e gerar mínimo impacto na natureza. tecnológico e intelectual. pesquisas e sugestões sobre qual seria o escopo e a abrangência da norma nos futuros debates. Esse grupo. Atualmente. quando uma norma internacional da ISO é publicada. Por fim. de Meio Ambiente. O objetivo inicial era recomendar à ISO se tal tinha condições. oficialmente. Nessa fase. periodicamente. para trocar experiências e identificar as melhores práticas de gestão com o objetivo chegarem a um acordo sobre cada aspecto da norma. destacam-se as principais questões debatidas durante este período pelo SAG: 36 37 Strategic Advisory Group.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 responsáveis. Por intermédio de cooperações no âmbito científico. A International Organization for Standardization (ISO) é uma organização não governamental criada em 1946. Uma de suas finalidades é definir um padrão mundial para implementação de normas e diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental nas organizações. a disseminação do conhecimento e das boas práticas em gestão. que significa “igual”. na Suíça. A criação de uma nova norma decorre de consenso por parte dos membros que participam de sua elaboração. isso porque o desenvolvimento de uma norma em Responsabilidade Social se dá após a consolidação das normas que a precederam: a ISO 9001. O processo de criação da ISO 26000 Os debates para a construção da futura norma de RSE já estavam ocorrendo desde o ano de 2000. A seguir. além de tornar o negócio mais transparente. a ISO possui um portfólio de mais de 15. exceto para o campo da eletroeletrônica.br 56 . São séries que beneficiam empresários na busca por soluções de problemas de produção e melhoria de produtividade. os primeiros passos para o desenvolvimento de uma norma se dão através da formalização de um grupo de membros. do ingles. O prefixo da língua grega ”iso-”. todos os países membros da organização podem traduzi-la e adotála como norma nacional. ou não. além dos avanços na área tecnológica. de prosseguir com o desenvolvimento de uma norma de Responsabilidade Social. A ISO criou normas técnicas para quase todas as atividades econômicas. pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e saúde para os trabalhadores” 36. a organização acredita que a padronização dos processos em nível internacional facilita o intercâmbio de produtos e serviços.

as diretrizes da ISO 26000 devem ser complementares aos padrões já estabelecidos pela OIT nesta área. como os Direitos Humanos. muitas vezes subjetivas e de difícil mensuração (se comparado ao cumprimento de qualidade de um produto). e 3) O nível de competência da ISO para desenvolver uma norma em RS. Reconhecer que. mais uma restrição à interferência da norma em questões legais e padrões já estabelecidos sobre os temas abordados. pela complexidade e evolução rápida do tema. são questões de natureza social. não será fácil harmonizar todos os compromissos substantivos de Responsabilidade Social. qual era o “nível” de entendimento de RSE no mundo e quais eram os pontos a serem considerados pela ISO para que se pudesse criar um conceito universal nessa área. em uma base tripartite. Em outras palavras. é a partir da compreensão dessa importante premissa que a ISO 26000 buscou uma dinâmica multistakeholder (ou seja. Reconhecer que a ISO não possui autoridade ou legitimidade para criar obrigações sociais e políticas que são definidas pelos Governos locais e organizações intergovernamentais. integração dos instrumentos legais e a análise de iniciativas já existentes neste campo. o que se deve esperar da ISO 26000 é um instrumento que vise à complementação ao cumprimento das diretrizes e leis estabelecidas pelos Governos e/ou as entidades internacionais acima citadas. O seu relatório demonstrava. dentre outras questões. nível de abrangência. – fato reconhecido pelos próprios membros do SAG –. apesar de a Responsabilidade Social ser um tema complexo e de difícil definição. o SAG recomendou que a futura norma: Fosse desenvolvida como uma diretriz e não como uma norma de requisitos (portanto. Poder-se-á citar ainda a necessidade e a importância do envolvimento de todos os stakeholders no processo produtivo como um tema que exige um grande debate. normas internacionais com respeito à questões trabalhistas. de participação de todas as ”partes envolvidas”) para garantir maior legitimidade no documento final. O SAG terminou o seu trabalho em abril de 2004. a recomendação do SAG para o desenvolvimento de uma norma só deveria prosseguir se se considerassem algumas premissas. como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. fazer ajustes para garantir uma participação significativa das partes interessadas. além de outras convenções da ONU. Reconhecer que a OIT tem um mandato único como a organização que define. 57 . Com relação ao escopo do trabalho. sem envolver certificação) que servisse de base para verificações de conformidade ou para apoiar as certificações existentes. Limitar o escopo do tema de maneira que sejam evitados assuntos que só possam ser tratados no campo político: ou seja. entre elas: Reconhecer que a RS envolve um número de temas qualitativamente diferentes dos já trabalhados pela ISO. 2) Tópicos para a criação de uma norma em RS que incluíssem aspectos de custo e benefício.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 1) Discussão sobre quais seriam as referências necessárias para um conceito – aceito por todos – de RSE. Segundo Ursini & Sekiguchi (2005). Organização Internacional do Trabalho (OIT). Revisar seus produtos e. quando necessário.

Não tivesse a intenção de reduzir a autoridade governamental no que tange à Responsabilidade Social das organizações. representante da World Wildlife Fund (WWF). os seguintes aspectos: A ISO busque trabalhar a fundo. além do aumento da credibilidade da empresa. Foi através deste relatório do SAG que se realizou. ocorrida em Estocolmo. a Conferência Internacional da ISO sobre Responsabilidade Social. Enfatizasse resultados de melhoria e desempenho. a parceria entre Brasil/Suécia foi a vencedora. Entre os primeiros acordos obtidos está a confirmação das recomendações do SAG sobre a necessidade de uma norma que apresentasse diretrizes. voltada às demais organizações e a todos os setores (como Governos e ONGs). O novo comitê fosse composto por diversas partes interessadas e trabalhasse de forma coordenada com os comitês já existentes. Pudesse introduzir guias práticos sobre métodos e opções de operacionalização da RS. Também com relação ao processo de construção. em junho de 2004. A necessidade de se criar um comitê próprio para a Responsabilidade Social dentro da entidade (não utilizando nenhum comitê da ISO já existente. Das candidaturas submetidas. na Suécia. Contribuísse para que as organizações pudessem. abordar o tema de Responsabilidade Social em diferentes culturas. Outro importante avanço resultante dessa conferência foi a decisão de desenvolver a norma através de uma parceria entre um país desenvolvido e um em desenvolvimento. Ocupando a presidência está o brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira. em setembro de 2004. engenheiro. Fosse escrita em linguagem clara e inteligível. sociedades e ambientes. escrita em linguagem de fácil entendimento. aplicável a todos os portes. identificação e engajamento das partes interessadas (stakeholders). Pudesse complementar outros instrumentos e metodologias relevantes. para permitir uma participação significativa dos países em desenvolvimento. sem ser um documento de requisitos (isto é. responsável pela criação da norma. mas. entre outras recomendações.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Não fosse apenas para uso por parte das empresas privadas e grandes corporações (multinacionais). O objetivo do evento foi discutir os pontos levantados pelo SAG e aprofundar o debate com todos os membros e países envolvidos na ISO para a construção de um consenso sobre o assunto. sem certificação). efetivamente. gerente-executivo da Companhia Suzano Papel e Celulose. o SAG destacou. Adotasse uma terminologia comum para o tema de responsabilidade social. a vice-presidência coube ao sueco Staffan Söderberg. devido à complexidade do tema). com os brasileiros na presidência e os suecos na secretaria do Grupo de Trabalho (GT) de Responsabilidade Social da ISO. também. 58 .

4. Normas de diretrizes. prevenção da poluição e os princípios da precaução. sistemas e entidades que. a ISO 26000 busca estabelecer um entendimento comum (aceito internacionalmente) sobre o que de fato significa responsabilidade social. F. em si. Características da ISO 26000 Apesar das expectativas em torno da nova norma de Responsabilidade Social. econômicos. como foi dito. Ambos comandaram todos os encontros seguintes à Conferência de Estocolmo. direitos fundamentais do trabalhador. combate e adaptação às mudanças climáticas (confirmando que as alterações no clima já impactam a vida das sociedades). evitar a cumplicidade e a discriminação e cuidar dos grupos vulneráveis. os temas centrais que regem o desenvolvimento na nova norma são os seguintes39: Direitos Humanos: visa garantir os direitos civis. concorrência e negociação justas. deseja se tornar socialmente responsável. A norma. Conforme foi decidido na 3ª Reunião Plenária. e promoção da RS na esfera de influência da organização. A ISO 26000 será. além de indicações sobre os principais instrumentos. (2007) Adaptado de “Brasil e a futura Norma Internacional 26000” 59 . Compondo a chapa. Elas tendem ainda a ser mais abrangentes. por exemplo – que deve assumir os custos impostos aos outros agentes. envolvimento político responsável. respeito aos direitos de propriedade. sociais e culturais. não são passíveis de auditoria ou certificação. chamado de usuário-pagador. produtores e/ou consumidores que sentirão os efeitos de sua ação). diálogo social. servindo como um guia para a implementação do sistema de gestão mais adequado às necessidades de cada organização. atualmente. Práticas operacionais justas: compreende o combate à corrupção. políticos. A abrangência do “trabalho” refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalhador autônomo. saúde e segurança do trabalho.38 Em vista do reconhecimento prévio da complexidade no tratamento do assunto de RS.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 A entidade que representa a ISO em âmbito mundial e tem papel decisivo na elaboração da norma. resolução de conflitos. visando orientar as organizações de todos os tipos e tamanhos sobre os cuidados e princípios que devem seguidos por quem. condições e proteção social. proteção e restauração do ambiente natural. da responsabilidade ambiental e do “poluidor-pagador” (ou ainda. a fim de que as iniciativas duvidosas sobre o assunto possam ser claramente resolvidas. desenvolvimento humano dos trabalhadores. do ciclo de vida. um dia. tem como objetivo. diferente das de especificação. a representação sueca ficou a cargo do Instituto Sueco de Normatização ( Swedish Standards Institute – SIS). uma norma de diretrizes e não de especificações. Meio ambiente: uso sustentável dos recursos. tratam do tema. 38 39 CREDIDIO. é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).5. muito já se pode apresentar e discutir a respeito de seus principais aspectos. Práticas trabalhistas: tratará do emprego e das relações de trabalho. tratando-se do agente que origina uma externalidade – não apenas a poluição como também o uso indiscriminado dos recursos. trazer as orientações necessárias para o processo de incorporação da responsabilidade social e ambiental às atividades de uma organização.

educação e conscientização. que se encontra bem próxima. Deve-se destacar ainda que. inclusive a saúde e bem-estar da sociedade. discutiu-se a evolução da RSE. privacidade e proteção de dados. Representando as outras cinco categorias. leve em consideração as expectativas dos stakeholders. consumidores. define responsabilidade social como a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente. quando se fazem necessários para a internalização dos princípios de RS. que substituiu a Natura. apresentando os pontos positivos. O objetivo é. a responsabilidade pela indicação dos especialistas ficou a cargo da ABNT.6. o processo de construção da norma e a criação de uma definição “global” de Responsabilidade social. governo. até a sua publicação final. a uma análise crítica. mas. é um grande 60 . marketing e comunicação (com o máximo de transparência na divulgação de seu produto/serviço ao comprador).Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 Questão dos consumidores: visam às práticas justas de negócios. por fim. quanto de uma revisão das opiniões expressas por diferentes especialistas no assunto. Governança organizacional: engloba aqui os processos e estruturas de tomada de decisão. na esperança de que o discurso corporativo socialmente responsável e as verdadeiras práticas e políticas empresariais se tornem cada vez mais próximas e esclarecedoras. Outros (academia) – Fundação Vanzolini. bem como o processo de desenvolvimento da “futura norma”. Trata-se ainda das mudanças na cultura e nos valores da organização. têm-se: Consumidores – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC). como já disse. criação de empregos e geração de riqueza e renda.). da Universidade de São Paulo e ONGs – Instituto Akatu. mostrando suas limitações.. proteção. saúde e segurança do consumidor. dentre outras necessidades locais). A entidade convidou o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) para indicar um especialista que representasse a parte interessada “trabalhadores”. moradias. a ISO criou um Grupo de Trabalho composto de representantes de todas as “partes interessadas”. Vai-se proceder. que. esteja integrada em toda a organização e seja praticada em seus relacionamentos. também. É por contar com o trabalho e com a troca de experiências de diferentes especialistas que a nova norma também possui a característica de ser multistakeholder. todas as partes poderem ser ouvidas e incluídas no processo. através da padronização das diretrizes. Começa-se observando o caráter básico da ISO 26000. a seguir. em todo o processo de construção da norma. Empresas – Furnas. terceiro setor. Governo – Ministério da Ciência e Tecnologia.. As diretrizes da ISO 26000 têm como objetivo buscar a amplitude na participação das diferentes entidades representantes da sociedade civil (empresas privadas. Análise crítica: os prós e contras da ISO 26000 Até aqui. no dia a dia da instituição. investimento social (saúde. educação. delegação de poder e controle. serviço e suporte pósfornecimento. e especialistas indicados por órgãos nacionais de normalização. que tinham direito de voz e voto nas plenárias semestrais. 4. No Brasil. São visões que partem tanto da visão autoral. esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento. substituto do Instituto Ecofuturo. por meio de um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento sustentável. desenvolvimento tecnológico. Desenvolvimento e participação da comunidade: trata do envolvimento com a comunidade na busca de seu desenvolvimento e atuação conjunta nos negócios. A ISO 26000. consumo sustentável.

que resultam em embargos e boicotes comerciais. com a publicação da norma. “um padrão internacional da ISO pode tornar-se um referencial único e integrador mundial das principais ferramentas de Responsabilidade Social”. Independentemente de seu conteúdo. haverá muita dificuldade em criar um padrão de auditoria. essa barreira poderá gerar um desinteresse por parte das organizações em adotar a ISO 26000. portanto. de que forma as organizações comprovarão que suas atividades estão de acordo com as especificações recomendadas? Se não existe um formato de auditabilidade. esse aspecto esteja bem claro para os interessados. Ainda segundo esses autores. Caberá. padrões. trabalho infantil.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 desafio ao requerer o consenso entre os mais de 155 países-membros da ISO. Isso significa trabalhar visões distintas de RSE. pois trata-se de questões não mensuráveis e/ou intangíveis. todos os países devem ser ouvidos. a busca por uma definição internacional de Responsabilidade Social pode facilitar a troca de experiências e práticas entre os participantes. a adesão à norma também pode estar motivada por razões puramente comerciais. vindas de países com cultura. ao final do processo. o Pacto Global). alto índice de pobreza. facilitando a adesão das pequenas e médias empresas (PMEs). não se pode deixar de apontar suas limitações. e das organizações do Terceiro Setor. o custo é bem menor. Para os países pobres ou de poucos recursos. a adoção de uma norma implica o aumento de custos. algumas empresas podem vir a adotar a nova norma com o fim único de manter uma boa imagem perante o público. metodologias e referências distintas que estão hoje no mercado a respeito de RSE. política e sociedade total ou parcialmente divergentes. Um último aspecto que se caracteriza como limitante é a possível dificuldade de comprovar a adesão à norma. portanto. a adesão à ISO 26000 pode ser responsável por um aumento tão significativo nos custos que. em especial das pequenas e médias empresas (PMEs) e ONGs. entre outros). costumes. e iniciativas já consolidadas. Além do mais. Por outro lado. Pressionadas pela crescente cobrança da sociedade civil e temendo perder seus clientes e consumidores. Limitações da Norma No que tange aos custos de adequação a uma norma. a definição expressa contribuirá para diminuir o excesso de normas. história. Uma questão levantada por Ursini & Sekiguchi (2005) diz respeito ao caráter empresarial das certificações ISO e a sua força de mercado. péssimas condições sanitárias. espera-se que. de adotar as práticas de RS. comportamentos e modelos de gestão. uma análise individual por parte de cada organização no momento de avaliar a viabilidade. Deixarão de lado. caso essa norma se torne certificável. conforme defendem Ursini & Sekiguchi (2005). e não de certificação. Como se trata de diretrizes apenas. como o Global Reporting Initiative (GRI). Por se tratar de uma norma de diretrizes. caso contrário. se se almeja criar uma norma de aceitação global. Uma norma internacional de RS pode vir a reduzir a influência da aplicação de outros protocolos (como a OIT. que mais confundem do que geram eficácia quando da sua aplicação. economicamente falando. obrigue essas organizações a transferirem esses repasses ao consumidor final. Dependendo da análise custo-benefício. Assim. Ao colocar em prática as ações de RSE aceitas no 61 . Mesmo contrariando os princípios da ISO 26000. a adoção de um padrão internacional de RSE pode ajudar a quebrar a visão preconcebida da comunidade internacional sobre os seus desafios internos (tais como. Logo. Aspectos positivos da ISO 26000 Uma característica que merece destaque é o fato de ter sido decidido que esta seria uma norma de diretrizes. a oportunidade de criar um ambiente de reflexão sobre seus valores. abrindo espaço para as grandes empresas de auditoria atuarem.

um Grupo Tarefa sobre Responsabilidade Social Corporativa (ABNT/GTRSC) que. Convém destacar ainda o esforço do grupo gestor em garantir a participação equilibrada entre os países. muito mais do que apenas um sistema inovador de gestão (CHELEGON. portanto. Ademais. diante de importantes acontecimentos ocorridos na década de 90. Finaliza-se este tópico comparando a ISO 26000 com a já estabelecida norma brasileira de RS. devido à credibilidade da ISO – poderá facilitar a troca de experiência e o melhor entendimento da temática. que agregam credibilidade à norma: Organização das Nações Unidas (ONU). A ABNT define a RS como a “relação ética e transparente da organização com todas as suas partes interessadas. 2008). além da busca pela relação ética com outros públicos. a NBR 16001 é uma norma de especificidades e. Em paralelo ao processo de desenvolvimento da 26000. act). A partir dessa definição. sim. diferentemente da ISO 26000. responsável pela disseminação de conceitos de Gestão da RS e suas ferramentas de apoio no Brasil. e a participação de organismos multilaterais. Diferentemente da ISO 26000. A Associação Brasileira de Normas Técnicas. mas é bem mais abrangente. Apesar de seu caráter inovador. comunidades e imprensa. Já a ISO 26000 dirige-se às organizações que encaram a responsabilidade social como uma filosofia corporativa. A norma brasileira se baseia no mesmo sistema de gestão das ISOs 9001 e 14001 – o modelo PDCA (plan. Atender aos requisitos da norma brasileira não significa que a organização seja socialmente responsável. eliminará (no sentido positivo) 62 . e a parceria da ISO com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). com a ressalva de que a ISO 26000 será complementar aos padrões internacionais da OIT.7. Não se pode negar que a criação de uma norma em RS – com aceitação mundial. mas. que contempla esse aspecto. Considerações finais A norma ISO 26000 pretende ser a grande referência sobre responsabilidade social em todo o mundo. Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). ISO 26000 e NBR 16001: uma breve comparação A reflexão apresentada a seguir consistirá em uma breve análise comparativa entre as características da ISO 26000 e a NBR 16001 – a norma brasileira de responsabilidade social. check. pode-se concluir que o foco da norma brasileira é a busca da transparência com os stakeholders. 4. que ela possui um sistema de gestão de Responsabilidade Social. como Governos. em 2002. esse foi o grupo que representou o Brasil na elaboração da ISO 26000.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 mundo todo. Esse esboço tem como objetivo indicar os pontos convergentes e divergentes entre as duas práticas. É o primeiro documento sobre o assunto que apresenta um conteúdo amplo e foi construído com base no consenso entre diferentes representantes do mundo inteiro. além da representação de todos os grupos de stakeholders envolvidos. a norma ainda possui um perfil empresarial e é limitada na sua capacidade de atrair um público potencial que poderia adotar suas especificações. ONGs. posteriormente. a elaboração da norma brasileira de requisitos mínimos para um sistema de gestão da Responsabilidade Social (ABNT/NBR 16001) foi concluída em setembro de 2004. buscando influenciar uma mudança na cultura organizacional. do. além de melhor acesso ao comércio internacional. Não por acaso. exige certificação. passou a se chamar de Grupo Tarefa de Responsabilidade Organizacional (ABNT/GTRO). sindicatos. visando ao desenvolvimento sustentável”. Ela possui os requisitos necessários para que a organização saiba trabalhar com o seu público interno (funcionários e colaboradores). decidiu criar. esses países poderão ganhar maior presença e visibilidade.

Com a padronização desse conceito. Em outras palavras.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 procedimentos e interpretações diferenciadas de acordo com cada país. é dinâmico. Contudo. Por outro lado. A privacidade das empresas também sai fortalecida quando ela está preparada para enfrentar qualquer tipo de pressão. como longo prazo e gerações futuras. 37% dos mais de mil entrevistados pensam que cabe ao Governo o papel de fiscalizar para que as empresas não poluam o meio ambiente. Embora variáveis. e aos mecanismos disponíveis. uma vez que estas percebem as vantagens de ouvir os seus stakeholders que. apesar das suas ações isoladas e mais focadas na filantropia. conclui-se que um projeto de sociedade sustentável será construído com base na inter-relação. em cada contexto 63 . interna ou externa. A pergunta que ainda não foi respondida é como financiar essa forma de desenvolvimento que demanda investimentos de longo prazo. tenham sido historicamente ignoradas pelo mercado. A última pesquisa sobre a percepção do consumidor brasileiro. democraticamente estruturada. deu um grande passo no sentido da modernização. patrocinada pelo Instituto Ethos. estando a questão da coordenação condicionada às condições existentes. para o qual pesou o fato de liderar o processo de construção da nova norma. O espaço para a chamada auto regulação. constata-se que a sustentabilidade do desenvolvimento requer justamente um mercado regulado e um horizonte de longo prazo para as decisões públicas. algumas questões críticas levantadas anteriormente (por exemplo. A transparência nas ações imposta por lei ou por pressão passará a ser fomentada pelas empresas. e assim deve se manter. O Brasil. espera-se ainda diferenciar de vez a ação filantrópica da ação socialmente responsável. o que não pode acontecer é que tal definição ponha um ponto final no assunto. como suas antecessoras. se a norma gerará um certificado. entre todos os atores sociais. as séries 9000 e 14000) ainda são válidas e espera-se também que continuem em debate após a publicação da ISO 26000. procurando despertar o empreendedorismo das comunidades através da construção de capacitação institucional de suas organizações. ainda não inspira confiança e o Estado ainda é visto como o principal regulador dessa prática. sentemse mais seguros e importantes quanto ao seu papel na sociedade ao interagirem e fazerem parte do negócio da organização. sobretudo porque a auto regulação ambiental e social transformou-se em estratégia competitiva. portanto. Mesmo próximo de seu lançamento. Ao se revisarem a noção de sustentabilidade (a manutenção do estoque de recursos e da qualidade ambiental para a satisfação das necessidades básicas das gerações atuais e futuras). como tal. novas formas de articulação de interesses estão sendo introduzidas pelas empresas. por sua vez. A sinergia Estado/Sociedade Impulsionado pelo imperativo da preservação ambiental. mais desafiante do que conquistar o mercado financeiro será convencer a sociedade de que a empresa privada – e não o Estado –. revelou que. presencia-se uma relação mais equilibrada entre sociedade e mercado. no quesito “Atribuição de Responsabilidade”. Finalmente. sem o concurso da comunidade financeira. Responsabilidade Social é um conceito relacionado ao comportamento da sociedade e. espera-se ter deixado claro que a responsabilidade social deve estar internalizada na cultura organizacional de tal forma que prepare a empresa para enfrentar os enormes desafios que envolvem o desenvolvimento sustentável e que a organização que pretenda seguir os princípios de RSE deve começar a fazê-lo a partir da sua própria mobilização interna: é essa transformação que se pode esperar nas próximas décadas. deve ser o condutor dessa transição em direção a uma economia sustentável. Face ao exposto.

Questões para refletir/responder: 1.Quais os principais marcos institucionais? 3.O que é a Norma ISO 26000 e quais suas principais características? Atividade: O dilema em estar assumindo funções do poder público é vivenciado pela maioria das empresas.O que são os ISRs? 4. identificou seus interlocutores qualificados para formação de parcerias e alianças.Responsabilidade Socioambiental Unidade 4 no qual esse relacionamento se expressa. o ambiente institucional no qual a empresa atua. é preciso superar a dicotomia "menos ou mais Estado" e buscar a eficácia relativa das diferentes estruturas sociais. Revisão de Conteúdo Nesta Unidade. Explique as razões deste impasse e dê sugestões de como a empresa deve agir para evitá-lo. De concreto. com destaque para os Princípios do Equador. você conheceu como aconteceu o movimento da RSE no setor financeiro.Como aconteceu o movimento no RSE no setor financeiro? 2. sem negligenciar sua responsabilidade social. 64 . com destaque para a Norma ISO 26000. e os ISRs.

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Caixa Econômica Federal e Banco Banif lançam fundo Caixa Ambiental.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 01: CRONOLOGIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL NO SETOR FINANCEIRO         2008 Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Social que incorpora questões sociais na avaliação de risco de crédito. em convênio com o Japan Bank for International Cooperation – JBIC –. 2006 Banco Bradesco é incluído no Dow Jones Sustainability Index. Banco da Amazônia. Bancos Itaú. primeiro fundo de investimento do país voltado para o desenvolvimento de projetos ambientais. BNDES cria o Fundo Brasil Sustentabilidade. Banco Bradesco inicia diálogo com seus fornecedores sobre responsabilidade socioambiental. Cerca de 50 instituições financeiras globais são signatárias dos Princípios do Equador. Bradesco e ABN Amro Real lançam produtos com foco socioambiental. Banco Bradesco cria área de responsabilidade socioambiental. 2007 Banco Rabobank lança programa de créditos de carbono para incentivar o reflorestamento de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. Unibanco. Banco Bradesco anuncia o lançamento de produtos com foco socioambiental que irão gerar recursos financeiros para a Fundação Amazônia Sustentável. Banco Bradesco lança o Banco do Planeta. Banco Unibanco e Caixa Econômica Federal lançam fundos atrelados ao ISE. eficiência energética e construção sustentável. Banco Unibanco obtém linha de crédito inédita da IFC para financiamento de projetos nas áreas de energia renovável. Unibanco Asset Management (UAM) e Banco Real Asset Management aderem ao Principles for Responsible Investment (PRI). Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Ambiental. que incorpora questões ambientais na avaliação de risco de crédito. Banco Itaú lança política de crédito com classificação do risco socioambiental dos clientes corporativos. área dedicada a centralizar e ampliar todos os seus projetos e iniciativas socioambientais. IFC e Centro de Estudos em Sustentabilidade – FGV/SP – lançam o Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis – LASFF. Rede BankTrack lança manual "O que Fazer e o que Não Fazer em um Banco Sustentável". Banco Real lança o CDB Sustentável. Banco do Brasil. cria linha de financiamento para projetos de comercialização de créditos de carbono.. primeiro fundo com foco em projetos do setor de saneamento básico e meio ambiente. Banco HSBC lança política específica para o setor de energia.                     68 . título de renda fixa com foco socioambiental. Banco HSBC lança linhas de crédito com foco socioambiental. Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F realiza primeiro leilão público de créditos do carbono do mundo. Bradesco e Safra lançam fundos atrelados ao ISE. Rabobank lança política socioambiental com critérios para o setor rural. com ratificação dos bancos brasileiros. representando cerca de 90% do mercado de project finance no mundo. Caixa Econômica Federal e BNDES reeditam o Protocolo Verde. Bancos HSBC. Bancos privados lançam nova versão dos Princípios do Equador. IFC aprova suas novas políticas socioambientais. Banco do Nordeste do Brasil.

2004 Rede BankTrack é formalmente constituída. cria Comissão de Responsabilidade Socioambiental e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador. 2003 Dez bancos internacionais lançam os Princípios do Equador. Bradesco. com adesão pioneira do fundo de pensão Previ. Caixa Econômica Federal e a Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F. Banco ABN Amro Real amplia sua linha de produtos com foco socioambiental. 69                            . Rede BankTrack lança campanhas específicas para monitorar bancos de países emergentes e os direitos humanos em instituições financeiras. Banco ABN Amro lança política para o setor de jogos e política ética e social de países. Bancos Unibanco. Banco ABN Amro Real lança produtos com foco socioambiental. cujos membros são os bancos do Brasil. Organizações da sociedade civil começam a monitorar o envolvimento dos bancos nos projetos da IIRSA1. ABN Amro Real. Banco do Brasil adere aos Princípios do Equador e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador. Banco do Brasil lança a estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável. Banco Itaú aprimora suas políticas socioambientais. Banco ABN Amro lança políticas para os setores de defesa e de petróleo e gás. Banco do Brasil lança fundo atrelado ao ISE. 2005 Banco Bradesco cria comitê e política socioambiental corporativa. que visa apoiar práticas de apoio a atividades produtivas de forma sustentável. Itaú e Bradesco aderem aos Princípios do Equador. Banco HSBC lança política para o setor florestal. Banco Itaú lança fundo Excelência Social. Banco ABN Amro lança política para o setor de mineração e metalurgia. 2002 Banco ABN Amro Real adota política de riscos socioambientais. Ocorre o lançamento do Principles for Responsible Investment (PRI). Banco ABN Amro inicia o lançamento de políticas específicas para setores mais sensíveis a impactos socioambientais. Banco HSBC lança políticas específicas para os setores de infraestrutura de água doce e químico. Banco Itaú lança produtos com foco socioambiental. Organizações da sociedade civil lançam a Declaração de Collevecchio: 1ª declaração das ONGs sobre o papel do setor financeiro e a sustentabilidade. CEBDS2 cria a Câmara Técnica de Finanças Sustentáveis.Responsabilidade Socioambiental    Banco ABN Amro Real lança fundo de investimento em infraestrutura com sistema de gestão ambiental . Itaú. Fundo de pensão Petros adota critérios socioambientais para seleção da carteira de ações. Acontece a primeira reunião entre a Rede BankTrack e os bancos signatários dos Princípios do Equador. Banco ABN Amro Real inicia negócios com créditos de carbono. Bovespa lança o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Seguradora Unibanco AIG lança seguro ambiental.Fundo InfraBrasil.

Acesso em 10-05-2010.Responsabilidade Socioambiental    2001 Banco ABN Amro Real lança fundo Ethical. FONTE: site Finanças Sustentáveis (www. Campanhas internacionais da sociedade civil sobre projetos financiados por bancos privados ganham maior visibilidade. (1) Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana: iniciativa dos 12 Governos sul-americanos para implantação de projetos de infra-estrutura www.financassustentaveis. ABN Amro lança política para o setor de florestas e reflorestamento.org.iirsa.br). Banco ABN Amro Real inicia diálogo com seus fornecedores sobre responsabilidade social. 70 .  Bolsa de Nova York lança o Dow Jones Sustainability Index (DJSI).com. 2000 Amigos da Terra – Amazônia Brasileira dá início ao projeto Eco-Finanças.   1999  Banco Itaú é incluído no DJSI. (2) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.

explicitou-se o interesse em contribuir para o desenvolvimento de um novo sistema de valores para a sociedade que tenha como referencial maior o respeito à vida humana e ao meio ambiente.4 Fortalecer a interação com os públicos de relacionamento. evidenciou-se a intenção estratégica do Banco do Brasil em conciliar o atendimento aos interesses dos seus acionistas com o desenvolvimento de negócios social e ambientalmente sustentáveis.2 Financiar atividades de geração de trabalho e renda e de inclusão social. 2.O Banco do Brasil e a responsabilidade socioambiental Com o objetivo de aderir aos princípios da Agenda 21 e sustentando suas metas de comprometimento com o desenvolvimento sustentável de seus negócios. protocolo com o MMA no sentido de disseminar a Agenda 21 nos projetos de Desenvolvimento Regional Sustentável. 1. DIMENSÃO NEGÓCIOS COM FOCO NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 1. 2. 1. A definição de um conceito e de uma carta de princípios de responsabilidade socioambiental para o Banco do Brasil se fez importante para fundamentar e direcionar as ações e movimentos voltados à internalização da cultura de responsabilidade socioambiental no Conglomerado. em especial. serviços. 3.3 Manter processos negociais coerentes com os Princípios de RSA.3 Financiar atividades e tecnologias ambientalmente adequadas. O tema da responsabilidade socioambiental passou a ser pauta das decisões estratégicas e operacionais do Banco do Brasil com a criação da Unidade Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental (RSA). ainda. estimulando outras empresas a se engajarem na questão. DIMENSÃO PRÁTICAS ADMINISTRATIVAS E NEGOCIAIS COM RSA 2. O Banco assumiu com essa iniciativa.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 02 . negócios e rotinas administrativas. ao mesmo tempo em que busca resultados sociais e ambientais. 3.5 Influenciar a incorporação dos princípios de RSA no País. Com a definição do Conceito e da Carta de Princípios. 2. Diante desses novos objetivos. Dessa forma.3 Apoiar programas relacionados à defesa e à promoção dos direitos humanos. O painel propicia também. 2. a partir da comparação com ou tras 71 . o Banco do Brasil criou o Painel do Desenvolvimento Sustentável.2 Apoiar programas relacionados à consciência e preservação ambiental. 3.1 Contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Além disso. mediante a incorporação daqueles princípios a seus produtos.2 Manter processos administrativos coerentes com os Princípios de RSA. à contribuição do Banco do Brasil para o desenvolvimento sustentável do País. Dimensões estratégicas e pragmáticas da Agenda 21 do BB e seus Objetivos 1. sob a forma de inclusão social. condição indispensável à sustentabilidade da própria humanidade. O Banco assina. geração de trabalho e renda e respeito ao meio ambiente. uma ferramenta que está em desenvolvimento e que permitirá acompanhar e avaliar as ações do Banco com relação ao desenvolvimento sustentável e. sob a forma de lucros e participação no mercado. DIMENSÃO INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO 3. o Banco do Brasil cuida para que seus negócios gerem resultados econômicos. o papel orientador e catalisador no processo de criação das agendas 21 empresariais em nível nacional.5 Incentivar a atuação dos funcionários em trabalhos voluntários e ações sociais. 2. o Banco do Brasil criou sua Agenda 21 Empresarial.1 Disseminar os princípios e fortalecer a cultura de RSA na Comunidade BB. 3. 3.1 Implementar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável.4 Captar recursos para apoiar ações vinculadas ao desenvolvimento social.

Carta de Princípios de Responsabilidade Socioambiental . e toda forma de vida é importante. colaboradores. 3. o Banco do Brasil também vem promovendo intensos debates sobre o assunto. Diante da preocupação com o impacto socioambiental de grandes projetos financiados com recursos creditícios. difundir e implementar práticas de desenvolvimento sustentável. Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho. concorrentes. Pautar relacionamentos com terceiros a partir de critérios que observem os princípios de responsabilidade socioambiental e promovam o desenvolvimento econômico e social. fornecedores. Atuar em consonância com Valores Universais. gestão de ativos e seguridade. a implementação da Agenda 21 do BB resultou no desenvolvimento de várias ações. Governo e meio ambiente”. Perceber e valer-se da posição estratégica da corporação BB. tais como: Direitos Humanos. Responsabilidade socioambiental para o Banco do Brasil é “ter a ética como compromisso e o respeito como atitude nas relações com funcionários. 5. parceiros. Reconhecer que todos os seres são interligados. workshops e eventos (como o prêmio Ethos). 6. como cidadãos. sociais e de governança nas suas análises de financiamento. Estimular. 2. o Banco do Brasil decidiu aderir aos Princípios do Equador. Essas iniciativas permitiram que o Banco obtivesse desempenho superior em cinco das sete dimensões avaliadas a partir dos Indicadores Ethos. quando comparado o resultado de 2004 com o do ano anterior. Alem disso. sendo o primeiro banco a integrar oficialmente o grupo de instituições financeiras que aderiu aos Princípios. o Banco do Brasil também participou da elaboração do relatório Who Care Wins – Connecting Financial Markets to a Changing World . clientes. credores. etnia. para adotar modelo próprio de gestão da Responsabilidade Socioambiental à altura da corporação e dos desafios do Brasil contemporâneo. raça.Banco do Brasil. Para tornar operacional o Painel. a ética e o respeito ao meio ambiente como balizadores das práticas administrativas e negociais da Empresa. a indicação de áreas ou setores nos quais o Banco pode construir vantagem competitiva ou diferenciação em termos de RSA. com recomendações para a indústria financeira melhor integrar questões ambientais. 9. Diretoria Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental . Responsabilidade socioambiental na prática Além de aderir ao Pacto Global da ONU em 2003. comunidade.Dire BB se compromete a: 1. Ter a transparência. orientação sexual. nas relações com o Governo. credo ou de qualquer espécie.de iniciativa também da ONU. Entre 2003 e 2006. o Mercado e a Sociedade Civil. antes de tudo. 8. Enxergar clientes e potenciais clientes. 4. 7. Repelir preconceitos e discriminações de gênero. acionistas. Princípios sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. elaborou-se um ensaio de indicadores inspirados em iniciativas que são referências em relatos de sustentabilidade em nível nacional (Ethos. Ibase. com especial destaque para a dimensão “relação com fornecedores”. 72 . envolvendo diversas áreas do BB. Febraban) e internacional (Global Reporting Initiative) para cada conjunto de objetivos definidos no painel. com o objetivo de colaborar sempre com o movimento de estimulo ao engajamento das empresas em relação à Responsabilidade socioambiental.Responsabilidade Socioambiental iniciativas na indústria financeira. Fortalecer a visão da Responsabilidade Socioambiental como investimento permanente e necessário para o futuro da humanidade.

Entre as diretrizes estabelecidas. a variável ambiental é tratada em diversas normas e recomendações. encostas e topos de morro. utilizando critérios ambientais. ético e espiritual dos funcionários e colaboradores possa ser aproveitado. dimensões econômico-financeiras. criado em 2005. Alguns exemplos de RSA realizados pelo Banco do Brasil O Banco do Brasil caracteriza-se como um Banco de múltiplas funções. profissional. na apresentação dos projetos. foi instalado pelo Ministério da Fazenda um Grupo de Trabalho Interministerial. 14. denominado Crédito para o Desenvolvimento Sustentável. Com relação aos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). que contou com a participação do BB. Fundamentar o relacionamento com os funcionários e colaboradores na ética e no respeito. dotadas de práticas conservacionistas adequadas à defesa do solo e do meio ambiente. de proteção dos mananciais. madeira. de proteção da fauna e da flora e outras considerações de conservação ambiental indicadas na Constituição Federal e nas Constituições Estaduais. também. reúne empresas que se pautam pelo respeito ao meio ambiente. borracha e outros produtos extrativos. para o financiamento da comercialização da pesca. o cumprimento da legislação ambiental. Contribuir para que o potencial intelectual. 13. o Banco do Brasil possui convênios com empresas de assistência técnica. Contribuir para a inclusão de pessoas com deficiência. Por exemplo. agindo como banco comercial (crédito geral). Em projetos de reforma agrária. de conservação do solo e água. o Banco não financia serrarias que utilizam madeiras oriundas de floresta nativa. Estabelecer e difundir boas práticas de governança corporativa. que a reestruturação do Protocolo Verde conferiria condições institucionais para a transformação dos créditos oficiais e privados em instrumentos de indução efetiva do desenvolvimento das atividades produtivas. que avalia. de forma integrada. Com relação ao crédito rural. O índice. Contribuir para a universalização dos direitos sociais e da cidadania. a ação do BB mais 73 . A participação do Banco do Brasil no índice representa um significativo reconhecimento de mercado quanto ao BB ser uma empresa que gera valor para os seus acionistas de uma forma social e ambientalmente responsável. artístico. Índice de sustentabilidade empresarial da Bovespa O Banco do Brasil também faz parte do grupo de empresas selecionadas para compor o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. Em janeiro de 2005.Responsabilidade Socioambiental 10. em sua plenitude. é incluída a cláusula contratual de comprometimento do devedor em conservar o meio ambiente obedecendo a critérios técnicos e legais de preservação das matas ciliares. responsabilidade social e indicadores financeiros saudáveis. ficou acordado. A avaliação da sustentabilidade segue o critério internacional do triple bottom line. consoante a legislação ambiental vigente. especialmente naqueles relativos ao controle e preservação do meio ambiente e equilíbrio ecológico. Em consonância com sua diversidade de atuação. principal fonte de recursos internos para operações incentivadas de longo prazo geridas pelo Banco do Brasil é exigido. Essa prática torna. preservando os compromissos com acionistas e investidores. 11. que se comprometem a recomendar tecnologias de produção exequíveis. da utilização do manejo integrado de pragas. de forma consensual. Isso também é válido para o Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera). Em financiamentos industriais. as normas internas se tornam ainda mais rigorosas. o licenciamento ambiental é exigido e. 12. banco setorial (crédito rural) e banco de desenvolvimento (gestor do Fundo Constitucional para a Região Centro-Oeste). utilizado como referência para o fundo de investimento BB Ações Índice de Sustentabilidade Empresarial. sociais e ambientais das empresas. pela sociedade.

viria a dar origem a uma nova cultura ambiental. Durante a Rio-92. um documento que possui. concessão de crédito oficial e benefícios fiscais às atividades produtivas. metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). Os encontros foram denominados Conferências das Partes (COP). Banco do Brasil face ao mercado de créditos de carbono e Protocolo de Quioto Um dos problemas ambientais mais preocupantes deste século é o aquecimento global – sendo causado pela intensificação do efeito estufa. vem provocando o derretimento das geleiras. desertificação. em última instância. criassem sinergias com a legislação ambiental existente. BNDES. sobre as práticas ambientais vigentes no conjunto das atividades produtivas desenvolvidas por multiplicidade de agentes econômicos no conjunto do território brasileiro. aterros sanitários. por sua vez. Essa difusão e incorporação de práticas de proteção ambiental teriam como consequência. ao mesmo tempo. consiste de uma carta de princípios para o desenvolvimento sustentável firmada por bancos em 1995 (Banco do Brasil. é de se destacar a COP 3. alteração no suprimento de água doce e eventos climáticos extremos. um caráter pioneiro no marco latino-americano como compromisso de um sistema financeiro público com princípios de implementação de políticas ambientais. por meio de todo o sistema de crédito público. com a institucionalidade pública que estava sendo implantada. Em função dos objetivos do Protocolo. Este. ocorrida em 1997. Banco do Nordeste. sem dúvida. Essa intensificação. principalmente. em 29 de maio de 1995. ocorre pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. objetivando a consolidação de políticas públicas coerentes e consistentes. Dentre as Conferências realizadas até 2005. na qual foi elaborado o Protocolo de Quioto. com o objetivo principal de estabelecer ações que levassem à estabilização da concentração de GEE na atmosfera. foi estabelecido que os países signatários da CQNUMC se reuniriam anualmente em busca de soluções para a questão climática. Na busca de soluções para a questão climática. tais como dióxido de carbono (CO2). Protocolo Verde O denominado Protocolo Verde teve sua origem em um Grupo de Trabalho instituído pelo Governo Federal por meio de decreto. O Protocolo Verde. processos industriais e atividades agropastoris. da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral). Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil). e em uma perspectiva pioneira na região latino-americana. oriundos. por sua vez. foi criada a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC) na Rio-92. A intenção era implementar mecanismos financeiros que complementassem e. estratégias e mecanismos operacionais para a incorporação de dimensões ambientais no processo de gestão. na qual se propõem a empreender políticas e práticas que estejam sempre e cada vez mais em harmonia com o objetivo de promover um desenvolvimento que não comprometa as necessidades das gerações futuras. com os dispositivos de comando e controle e com outros instrumentos econômicos na área ambiental. as instituições financeiras federais assinaram a denominada Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável. Banco da Amazônia. em níveis adequados para o clima do planeta. o Governo brasileiro buscou definir linhas de ação com compromissos ambientais para o sistema de bancos públicos federais. Acompanhando uma tendência que então começava a despontar no cenário financeiro internacional. aumento do nível do mar. por sua vez. uma vez que os investidores estão associando as ações de sustentabilidade social e ambiental das empresas com a perspectiva de menores riscos e de lucros. Seu objetivo era elaborar uma proposta contendo diretrizes. Japão. A incorporação da dimensão ambiental pelos bancos viria a ter efeitos potencializadores. estabelece 74 . lixões.Responsabilidade Socioambiental atrativa. em Quioto. a mudança de comportamentos dos tomadores de decisões e.

O MDL é um instrumento de flexibilização que permite a participação no mercado dos países em desenvolvimento. Além de coerente com a postura de responsabilidade socioambiental do Banco do Brasil.Responsabilidade Socioambiental metas de redução de emissão de GEE para os países que historicamente foram os que contribuíram de forma mais intensa para o aumento da concentração atmosférica de GEE. e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Além das ações de caráter nacional. diretrizes e soluções específicas para o mercado de créditos de carbono: no curto prazo. 75 . com a avaliação da necessidade de ações que requerem o desenvolvimento de produtos e serviços específicos.2% nas emissões em relação aos níveis verificados no ano de 1990. juntamente com os principais investidores institucionais no mundo. o apoio à iniciativa vem ao encontro dos interesses em causa. com ações que não requerem a criação de novos produtos e serviços e não envolvem mudanças de estrutura do mercado. Dentre os mecanismos de flexibilização. Esses projetos geram Reduções Certificadas de Emissões (RCE). os países afetados pelo protocolo poderão utilizar algumas alternativas para auxiliá-los no cumprimento de suas metas. O Protocolo estabelece que as metas deverão ser cumpridas por meio de políticas públicas e regulamentações que limitem diretamente as emissões. manifestaram formalmente apoio ao pedido de abertura de informações sobre a emissão de gases de efeito estufa. Implementação Conjunta. que podem ser adquiridos por países do Anexo 1 como forma de cumprir parte de suas metas. aprovado pela ONU no mundo foi o do aterro sanitário de Nova Iguaçu. a saber: Comércio de Emissões. no Estado do Rio de Janeiro. tendo os créditos de carbono sido negociados diretamente com os Países Baixos. no médio e longo prazos. a partir da implantação de tecnologias mais limpas nessas nações. Em março de 2005. países desenvolvidos comprariam créditos de carbono. O primeiro projeto de MDL. denominadas “créditos de carbono”. o mais importante para o Brasil é o MDL. ou nações sem compromissos de redução. produzindo uma redução em média de 5. e a contribuição para que os países do Anexo I cumpram suas reduções de emissão. Brasil. que viabiliza projetos que reduzam emissões de GEE. Os países que não conseguirem atingir suas metas terão a liberdade para investir em projetos MDL de países em desenvolvimento. de países em desenvolvimento responsáveis por tais projetos. O Brasil deve se beneficiar desse cenário como vendedor de créditos de carbono e também como alvo de investimentos em projetos engajados com a redução da emissão de gases poluentes. que utiliza tecnologias bem precisas de engenharia sanitária. chamadas de mecanismos de flexibilização. Por meio desse mecanismo. em função do seu nível de industrialização (denominados no Protocolo como Partes Anexo I). Essas metas deverão ser atingidas entre 2008 e 2012. que prevê ponderações acerca dos impactos sociais e ambientais das práticas administrativas e negociais – considerados aí os investimentos realizados –. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) nasceu de uma proposta brasileira à CQNUMC para tratar do comércio de créditos de carbono baseado em projetos de sequestro ou mitigação. O MDL visa ao alcance do desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento (país anfitrião). equivalentes em tonelada de CO2. O Banco do Brasil decidiu ter uma atuação efetiva no sentido de se posicionar como referência no mercado por meio do desenvolvimento de políticas. Banco do Brasil. enviado as 500 maiores empresas do mundo. Brasilprev e Previ. como o Brasil. Sendo assim.

no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida. esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies comunidades estão sendo arruinadas. deve-se decidir viver com um sentido de responsabilidade universal. diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. Ao 76 . instituições e modos de vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores. na justiça econômica e numa cultura da paz.CARTA DA TERRA Preâmbulo Vive-se de um momento crítico na História da Terra. é imperativo os povos da Terra. nos direitos humanos universais. Os desafios ambientais. mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta. A proteção da vitalidade. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. grande perigo e grande esperança. águas puras e ar limpo. econômicos. mas não inevitáveis. a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. o futuro reserva. Tem-se o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir os impactos no meio ambiente. Essas tendências são perigosas. Na medida em que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil. sociais e espirituais estão interligados e juntos podem-se forjar soluções inclusivas.Responsabilidade Socioambiental ANEXO 03 . A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos. Para seguir adiante. com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações. A injustiça. uma rica variedade de plantas e animais. políticos. deve-se reconhecer que. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A Situação Global Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental. Deve-se entender que. nosso lar A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. ao mesmo tempo. quando as necessidades básicas forem supridas. A Terra. numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. Responsabilidade Universal Para realizar essas aspirações. há uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Desafios Futuros A escolha é da sociedade: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a sua destruição e a da diversidade da vida. solos férteis. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. a pobreza. Deve-se juntar todos para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza. As bases da segurança global estão ameaçadas. identificado com a comunidade terrestre como um todo. Terra. é viva como uma comunidade de vida incomparável. o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. lar de todos. Para chegar a esse propósito. declarem a sua responsabilidade uns para com os outros. bem como com as comunidades locais.

a. administrar e usar os recursos naturais. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras. que seja ecologicamente responsável. a. Cuidar da comunidade da vida com compreensão. de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto. sustentáveis e pacíficas. b. b. juntos na esperança. com urgência. afirmam-se os princípios a seguir discriminados. com o aumento da liberdade. 2. organizações. Princípios Carta da Terra I. dos conhecimentos e do poder. Governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. vem a maior responsabilidade de promover o bem comum. Respeitar e Cuidar da Comunidade de Vida 1. em todos os níveis. b. Assumir que. com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza. empresas. interdependentes.Responsabilidade Socioambiental mesmo tempo. artístico. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando se vive com reverência o mistério da existência. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor. existem cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Afirmar a fé na dignidade inerente a todos os seres humanos e no potencial intelectual. 4. através dos quais a conduta de todos os indivíduos. Assegurar que as comunidades. independentemente de sua utilidade para os seres humanos. tradições e instituições que apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo. Necessita-se. compaixão e amor. com o direito de possuir. 77 . a. propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações. ético e espiritual da humanidade. a. vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas. Promover a justiça econômica e social. Aceitar que. participativas. Construir sociedades democráticas que sejam justas. 3. b. visando a um modo de vida sustentável como padrão comum. garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial. Transmitir às futuras gerações valores.

indiretas. como a energia solar e do vento. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados. como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave. reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.Responsabilidade Socioambiental II. a adoção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais seguras. Controlar e erradicar organismos não nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas. d. Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis. e. Administrar o uso de recursos renováveis como água. f. manter a biodiversidade e preservar a herança natural da humanidade. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente. incluindo terras selvagens e áreas marinhas. a. 7. Administrar a extração e o uso de recursos não renováveis. c. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental. b. tóxicas ou outras substâncias perigosas. Adotar. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis. os direitos humanos e o bem-estar comunitário. solo. em todos os níveis. Reduzir. 78 . d. quando o conhecimento for limitado. a longo prazo. de longo alcance e globais das atividades humanas. Adotar padrões de produção. produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as consequências cumulativas. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra. Promover o desenvolvimento. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e. assumir uma atitude de precaução. 6. e. para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra. consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra. planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis. b. c. a. d. mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não conclusivo. c. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais. a. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5. b. com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.

política. d. tomadoras de decisão. a. social e ambiental. c. Erradicar a pobreza como um imperativo ético. assistência de saúde e às oportunidades econômicas. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável. servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica. Reconhecer os ignorados. c. b. proteger os vulneráveis. líderes e beneficiárias. 11. com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento. b. alocando os recursos nacionais e internacionais demandados. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação. aos solos não contaminados. incluindo informação genética. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9. à segurança alimentar. c. c. financeiros. 8. técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas. Incrementar os recursos intelectuais. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito. a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano. permaneçam disponíveis ao domínio público III. Garantir o direito à água potável.Responsabilidade Socioambiental e. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas. social e cultural como parceiras plenas e paritárias. f. ao ar puro. b. 10. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis. a. a. a. ao abrigo e saneamento seguro. civil. b. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família. 79 . Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas consequências de suas atividades.

incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos. cor. a. conhecimentos. e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais em que possam ser cumpridas mais efetivamente. regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessadas na tomada de decisões. na educação para sustentabilidade. b. oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável. Honrar e apoiar os jovens das comunidades. d. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do Governo. terras e recursos. ATENÇÃO: O CONCEITO DE “RAÇA” É INDESEJADO. e. b. habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual. de expressão. Prover a todos. d. DEMOCRACIA. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse. como as baseadas em raça. religião.Responsabilidade Socioambiental 12. participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça. Defender. c. Eliminar a discriminação em todas as suas formas. f. a. os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes. especialmente a crianças e jovens. com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias. c. Fortalecer as comunidades locais. assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis. sem discriminação. 80 . Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. a. étnica ou social. Apoiar sociedades civis locais. NÃO VIOLÊNCIA E PAZ 13. gênero. na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida. IV. os conhecimentos. de reunião pacífica. habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes. valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. 14. assim como das ciências. Proteger os direitos à liberdade de opinião. de associação e de oposição. orientação sexual. b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade. Promover a contribuição das artes e das humanidades. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais. c. Integrar. idioma e origem nacional. a saúde corporal e o bem-estar espiritual.

objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo. com a Terra e com a totalidade maior da qual se faz parte. e. organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas. porque se tem muito a aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. 15. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Promover uma cultura de tolerância. c. as empresas.Responsabilidade Socioambiental d. regional e global. família. A parceria entre Governo. o que pode significar escolhas difíceis. biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa. a. Entretanto. o exercício da liberdade com o bem comum. b. b. Estimular e apoiar o entendimento mútuo. 16. Proteger animais selvagens de métodos de caça. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz. d. necessita-se encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade. os meios de comunicação. as religiões. o destino comum conclama a sociedade a buscar um novo começo. Deve-se desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local. outras vidas. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento. as ciências. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas. c. As artes. outras culturas. A diversidade cultural é uma herança preciosa. 81 . Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputa. Eliminar armas nucleares. f. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma ação defensiva não provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos. O Caminho Adiante Como nunca antes na História. nacional. não violência e paz. as organizações não governamentais e os Governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. a humanidade tem-se de comprometer a adotar e a promover os valores e objetivos da Carta. e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar essa visão. as instituições educativas. dentro das e entre as nações. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo. prolongado ou evitável. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável. Todo indivíduo. Isso requer uma mudança na mente e no coração dos homens. a. com outras pessoas. Deve-se aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra. Para cumprir essa promessa. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. incluindo restauração ecológica. sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas. Que o tempo presente seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida. Fonte: http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text. a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.Responsabilidade Socioambiental Para construir uma comunidade global sustentável. cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento. pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade.html 82 .

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