Você está na página 1de 6

Oficina: Fazer ideias brilharem: estratégias argumentativas

Ministrante: Profa. Ma. Priscila Caxilé Soares

REPERTÓRIO SOCIOCULTURAL

Conceitos de Filosofia e Sociologia


1. Direitos humanos

Formulada pela primeira vez no contexto das guerras religiosas do século XVII, a noção
de direitos humanos tornou-se um paradigma para a atuação do Estado moderna e é, inclusive,
critério de correção do Enem. Dito de modo simples, acreditar em direitos humanos significa
acreditar que todo ser humano, simplesmente pelo fato de ser uma pessoa, possui certos
direitos, certas prerrogativas básicas que não lhe podem ser negadas de modo nenhum,
independentemente de sua cor, raça, cultura, posição social, religião, visão de mundo,
orientação sexual ou qualquer outra condição específica.
2. Direitos civis, políticos e sociais

Como se vê, o conceito de direitos humanos é bastante amplo e, à primeira vista, vago.
Tendo isso em vista, tradicionalmente dividem-se os direitos humanos em três grandes tipos.
Os direitos civis são aqueles que visam preservar a integridade do indivíduo diante dos outros,
garantindo a sua autonomia e imunidade de qualquer coação externa – é o caso dos direitos à
vida, à propriedade privada e à liberdade de expressão. Os direitos políticos são aqueles que
visam permitir a participação política do indivíduo, seu poder de tomar parte na administração
pública – como os direitos ao voto e à ocupação de cargos públicos. Por fim, os direitos sociais
são aqueles que visam garantir a posse, por parte dos indivíduos, de certos bens considerados
essenciais para sua qualidade de vida – por exemplo, os direitos à saúde, à educação e ao
trabalho.
3. Cidadania

Cidadania é um dos conceitos mais fundamentais quanto se trata de política. Diferente


do simples habitante, que é apenas o sujeito parte da população de um país, o cidadão é aquele
que é parte de uma comunidade política, ou seja, que possui direitos políticos, que tem
capacidade de influenciar nos rumos do Estado. Nesse sentido, no Brasil atual, uma criança é
apenas uma habitante, mas não uma cidadã. Ela mora no Brasil, mas não tem qualquer
possibilidade de influenciar o Estado brasileiro, já que nem direito ao voto tem.
4. Democracia

Quanto mais uma palavra é usada, mais ela corre o risco de ter seu significado esvaziado
e acabar não dizendo coisa alguma. Foi mais ou menos o que aconteceu com a palavra
democracia. Do ponto de vista sociológico, no entanto, seu significado é bem preciso:
democracia é aquele regime político no qual o Estado é administrado pelo conjunto de todos
os cidadãos, diferente da monarquia (na qual a administração cabe a um só) e da aristocracia
(na qual a administração cabe a uma elite).
5. Cultura

Muitas palavras variam de significado de acordo com o contexto em que são usadas. É o
caso da palavra “cultura”. Em nosso dia a dia, usamos esse termo para classificar as diferentes
atividades humanas em superiores ou inferiores. Assim, dizemos que certa pessoa tem muita
cultura ou que tal gênero de música não é cultura. Quando falamos sobre cultura em
Sociologia não funciona assim. Do ponto de vista sociológico, cultura é o conjunto de todos os
elementos da vida humana que não são naturais. É simples: se não é algo espontâneo, natural
para o homem (como respirar ou se alimentar), então é cultural.
6. Diversidade Cultural

Se compreendemos o conceito de cultural tal como ele é visto pela sociologia,


automaticamente percebemos que existem inúmeras culturas. De fato, há os mais diferentes
modos humanos de crer, de dançar, de se divertir, de organizar as relações sociais, de prestar
culto, de falar, de escrever etc. O fato, porém, é que não há apenas diversas culturas
espalhadas pelo mundo. Frequentemente há também uma grande variedade de culturas
habitando conjuntamente o mesmo território. Esta coexistência de diferentes modelos culturais
em uma mesma área é chamada de diversidade cultural.
7. Estratificação social

Toda sociedade humana é um organismo complexo. A vida social não se trata de uma
simples junção de indivíduos mais ou menos idênticos, mas sim das mais diferentes pessoas
ocupando os mais diferentes papéis e posições sociais. Essa hierarquia social, essa divisão da
sociedade em estratos – ou seja, em grupos sociais com status diferenciado – é chamada de
estratificação social. Naturalmente, há diversos modelos de estratificação, nas mais diferentes
sociedades.
8. Minorias

A divisão da sociedade em camadas, a estratificação social, naturalmente leva a grupos


sociais historicamente marginalizados, que ocupam uma posição de inferioridade social. Em
Sociologia, esses grupos são chamados de minorias. Perceba-se, porém, que, nesse contexto,
minoria não é um conceito quantitativo. Não se trata de grupos sociais com poucas pessoas,
mas sim de grupos sociais com menor status na sociedade. Nesse sentido, por exemplo, as
mulheres são consideradas uma minoria na sociedade brasileira. Isso não faria sentido em
termos quantitativos, já que há mais brasileiras do que brasileiros, mas faz sentido em virtude
da posição de inferioridade que as mulheres historicamente assumiram no Brasil.
9. O poder segundo Foucault

Para a Redação do Enem, é mais importante não é apenas saber conceitos genéricos, tais
como democracia, mas sim compreender como eles são utilizados por autores específicos. É o
caso da noção de poder em Michel Foucault. Para ele, o poder não é apenas um aspecto da
vida do homem, mas a base inevitável de todas as relações humanas. Todas as relações
humanas são relações de poder, pois todas as relações humanas envolvem elementos de
domínio e disputa. Por isso, é tolice imaginar que o poder se concentra apenas em grandes
instituições, como o Estado e a Igreja. Além disso, é necessário lembrar que, diante de
qualquer exercício de poder, forma-se automaticamente um contra-poder, uma resistência.
10. O agir comunicativo segundo Habermas

Nenhuma afirmação é mais comum do que a definição de que o homem é um ser


racional. Mas o que isso significa efetivamente? Para o filósofo Jürgen Habermas, há duas
formas básicas de racionalidade. De um lado, a racionalidade instrumental é aquela que
consiste em calcular custos e benefícios. É baseado nisso que chamamos uma pessoa
econômica ou organizada de racional. Por outro lado, a racionalidade comunicativa, ou agir
comunicativo, é aquele que consiste na capacidade de deliberar em conjunto com os outros,
mediante a troca de argumentos e de razões. Segundo Habermas, essa segunda forma de
racionalidade tem sido excessivamente desvalorizada, quando, na verdade, ela é essencial
tanto para a vida ética quanto para a sustentação da democracia.
11. O estado de natureza para Hobbes

Ao observarmos o mundo ao nosso redor, repleto de tanta violência, é natural nos


perguntarmos: de onde vem tanta maldade? Para o filósofo Thomas Hobbes, há violência entre
os homens, pois o ser humano é naturalmente mau e egoísta. Segundo ele, todos nós somos
movidos pela busca incessante por satisfação. Isso faz com que sempre coloquemos os nossos
interesses acima dos interesses dos outros. Daí a famosa frase hobbesiana: “O homem é o lobo
do homem”. De acordo com o pensador britânico, o único modo de impedir a guerra de todos
contra todos, consequência inevitável do estado de natureza do homem, é através da
instauração do Estado, instituição pública encarregada da manutenção da ordem mediante o
uso da força.
12. A teoria do bom selvagem de Rousseau

Indo na direção contrária à de Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau elaborou uma


perspectiva bastante diferente sobre o problema da violência, perspectiva que, tal como a de
Hobbes, influencia muitos até hoje. Segundo o filósofo iluminista, o homem é naturalmente
bom, a sociedade é que o corrompe. Para ele, se vivêssemos com selvagens, tal como éramos
em nosso estado de natureza, guiados por nossos sentimentos naturais, viveríamos em paz e
tranquilidade perpétua. Se hoje isso não é mais possível, a culpa não se encontra na natureza
humana, mas sim na criação da propriedade privada, que, instaurando conflitos de interesses
entre os homens, os corrompeu e dividiu.
13. As virtudes segundo Aristóteles

Em nosso dia a dia, frequentemente julgamos as pessoas por seu comportamento e,


quando reconhecemos nelas atitudes positivas, as elogiamos. Esses hábitos bons, tais como a
coragem, a justiça e sinceridade, são chamados de virtudes. Mas como podemos identificar
uma virtude? O que diferencia um hábito bom de um mau? Para o filósofo Aristóteles, a
virtude está sempre em um ponto de equilíbrio. Ou seja, ela se encontra sempre na justa
medida entre dois vícios opostos, um por falta e outro por excesso. Assim, por exemplo, a
virtude da paciência, que é a capacidade de suportar situações adversas, está entre o vício da
ira, que é falta de paciência, e o vício da frouxidão, que é excesso de paciência.
14. A alienação para Karl Marx

O filósofo Karl Marx é conhecido principalmente como um dos maiores críticos do


capitalismo. De fato, para o pensamento marxista, o sistema capitalista é um sistema de
exploração, onde alguns poucos proprietários dos meios de produção se beneficiam
injustamente do suor e do trabalho de uma multidão de proletários. A condição na qual os
trabalhadores são colocados pela exploração que sofrem é chamada por Marx de alienação.
Ela consiste no fato de que o trabalhador não se identifica mais consigo mesmo, não se
reconhece mais no fruto de seu trabalho. Resumindo: o seu trabalho é percebido acima de tudo
como um peso, como um estorvo, como algo que não tem qualquer significado para além do
salário recebido no fim do mês.
15. A modernidade líquida em Bauman

Segundo o autor Bauman, a modernidade líquida é a própria contemporaneidade em que


as relações se esvaem e se tornam cada vez menos concretas. A sociedade anterior vivia a
modernidade sólida, ou seja, tinha seus papéis sociais bem estabelecidos, as relações de
trabalho eram mais claras e as noções de consumo e agilidade não obtinham destaque. A
liquidez dos nossos tempos está basicamente nos relacionamentos interpessoais, que passaram
a ter a mesma lógica do consumo – ou seja, quanto mais e mais rápido melhor. Por isso, o
autor chama esse tipo de associação de conexão, pela facilidade de conectar e desconectar. De
maneira resumida, a modernidade líquida é a forma de vida de nossa sociedade capitalista, que
leva a volatilidade do consumo a todas as esferas sociais.

Construindo um repertório por eixo temático

Art. 1º A República Federativa do Brasil,


formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos: II - a cidadania; III - a dignidade
da pessoa humana; IV - os valores sociais do
trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo
político.

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da


República Federativa do Brasil: I - construir uma
sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o
desenvolvimento nacional; III - erradicar a
pobreza e a marginalização e reduzir as
Problema de cunho social (Constituição desigualdades sociais e regionais; IV - promover
Federal) o bem de todos, sem preconceitos de origem,
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas
de discriminação.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem


distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: I - homens e
mulheres são iguais em direitos e obrigações,
nos termos desta Constituição; II - ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei; III - ninguém será
submetido a tortura nem a tratamento desumano
ou degradante; IV - é livre a manifestação do
pensamento, sendo vedado o anonimato; VI - é
inviolável a liberdade de consciência e de
crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a
proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VIII - ninguém será privado de direitos por
motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, salvo se as invocar para
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e
recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada
em lei; IX - é livre a expressão da atividade
intelectual, artística, científica e de
comunicação, independentemente de censura ou
licença.

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente


ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao poder público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.

Lei 9.605/1998 - Lei dos Crimes Ambientais -


Reordena a legislação ambiental quanto às
infrações e punições. Concede à sociedade, aos
órgãos ambientais e ao Ministério Público
mecanismo para punir os infratores do meio
ambiente. Destaca-se, por exemplo, a
possibilidade de penalização das pessoas
Problemas de cunho ambiental jurídicas no caso de ocorrência de crimes
(Constituição Federal) ambientais.

Lei 12.305/2010 - Institui a Política Nacional de


Resíduos Sólidos (PNRS) e altera a Lei
9.605/1998 - Estabelece diretrizes à gestão
integrada e ao gerenciamento ambiental
adequado dos resíduos sólidos. Propõe regras
para o cumprimento de seus objetivos em
amplitude nacional e interpreta a
responsabilidade como compartilhada entre
governo, empresas e sociedade. Na prática,
define que todo resíduo deverá ser processado
apropriadamente antes da destinação final e que
o infrator está sujeito a penas passivas, inclusive,
de prisão.

LEI Nº 6.938, DE 31 DE AGOSTO DE 1981-


Da política nacional do meio ambiente.

Art. 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente


tem por objetivo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propícia à
vida, visando assegurar, no País, condições ao
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses
da segurança nacional e à proteção da dignidade
da vida humana, atendidos os seguintes
princípios:

I - ação governamental na manutenção do


equilíbrio ecológico, considerando o meio
ambiente como um patrimônio público a ser
necessariamente assegurado e protegido, tendo
em vista o uso coletivo;

II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da


água e do ar;

III - planejamento e fiscalização do uso dos


recursos ambientais;

IV - proteção dos ecossistemas, com a


preservação de áreas representativas;

V - controle e zoneamento das atividades


potencial ou efetivamente poluidoras;

VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de


tecnologias orientadas para o uso racional e a
proteção dos recursos ambientais;

VII - acompanhamento do estado da qualidade


ambiental;

VIII - recuperação de áreas degradadas;

IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação;

X - educação ambiental a todos os níveis de


ensino, inclusive a educação da comunidade,
objetivando capacitá-la para participação ativa
na defesa do meio ambiente.

Referências:
Disponível em:< https://descomplica.com.br/tudo-sobre-enem/novidades/20-conceitos-fundamentais-de-
sociologia-e-filosofia-redacao-enem/>. Acesso em: 29 ago. 2019.
BRASIL. Constituição (1998). Promulga a Constituição [da] República Federativa do Brasil. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 28 ago. 2019.