1 TUD SOBRE ALFABETIZAÇÃO Edição Especial | 03/2009

Alfabetizar é todo dia O professor deve planejar com antecedência e constantemente as atividades de leitura e escrita. Por isso, manter-se atualizado com as novas pesquisas didáticas é essencial

MÃO NA MASSA As crianças precisam ser confrontadas com situações de escrita desde o início do processo. Foto: Ricardo Beliel Alfabetizar todos os alunos nas séries iniciais tem implicações em todo o desenvolvimento deles nos anos seguintes. Segundo a educadora Telma Weisz, supervisora do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, “a leitura e a escrita são o conteúdo central da escola e têm a função de incorporar a criança à cultura do grupo em que ela vive”. Por isso, o desafio requer trabalho planejado, constante e diário, conhecimento sobre as teorias e atualização em relação a pesquisas sobre as didáticas específicas (leia o artigo abaixo).

Esta edição especial traz o que há de mais consistente na área. Hoje se sabe que as crianças constroem simultaneamente conhecimentos sobre a escrita e a linguagem que se escreve. Conhecer as políticas públicas de Educação no país e seus instrumentos de avaliação é um meio de direcionar o trabalho. Um exemplo é a Provinha Brasil, que avalia se as crianças dominam a escrita e também seus usos e funções. Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda e Silva, o grande mérito do teste de avaliação que mede as competências das crianças na fase inicial de alfabetização é fornecer instrumentos para o professor interpretar os resultados, além de sugerir práticas pedagógicas eficazes para alcançá-los. “É um material que ajuda o professor na reflexão porque

2 nenhuma avaliação serve para nada quando se limita a constatar. Ela só faz sentido para mudar práticas e identificar as dificuldades de cada aluno.” Telma Weisz A saída é a formação do professor alfabetizador Para desenvolver este artigo, parto de dois pressupostos. Primeiro: o que garante a qualidade da Educação que acontece de fato nas escolas é, sobretudo, a qualidade do trabalho profissional dos professores. O segundo: a qualidade do trabalho profissional dos professores tem dependido essencialmente da formação em serviço, pois a inicial tem se mostrado inadequada e insuficiente. Diante disso, me concentro numa questão: a competência da escola pública brasileira para produzir cidadãos plenamente alfabetizados, requisito mínimo para falar em Educação de qualidade. É preciso admitir que nossa incapacidade para ensinar a ler e a escrever tem sido responsável por um verdadeiro genocídio intelectual. A existência de um fracasso maciço, o fato de ele ter sido tratado como natural até poucos anos atrás e a fraca evolução desse quadro em 40 anos comprovam como vem sendo penoso ensinar os brasileiros que dependem da rede pública. Pesquisas de campo mostram a enorme dificuldade que os educadores têm para avaliar o que os alunos já sabem e o que eles não sabem. Aqueles que produzem escritas silábicoalfabéticas e alfabéticas na 1ª série e que teriam condições de acompanhar a 2ª série – pois podem ler e escrever, ainda que com precariedade – são retidos. Por outro lado, os bons copistas e os que têm letra bonita ou caderno bem feito são promovidos. Quando se trabalha com esse tipo de indicador, até avanços na aprendizagem acabam sendo prejudiciais. Muitas crianças que aprendem a ler começam a “errar” na cópia. Elas deixam de copiar letra por letra e passam a ler e escrever blocos de palavras, em geral unidades de sentido. Isso faz com que cometam erros de ortografia ou unam palavras. O que indicaria progresso é interpretado como regressão, pois, por incrível que pareça, nem sempre o professor sabe a diferença entre copiar e escrever. Essa é uma dificuldade de avaliação comum nos quatro cantos do país e que explica em grande parte por que muitos alunos de 4ª série não leem e não entendem um texto simples. Eles costumam ser os que terminam a 1ª série sem saber ler ou lendo precariamente. Nas séries seguintes, passam o tempo copiando a matéria do quadronegro ou do livro didático. Ao serem perguntados sobre o que fariam para melhorar a qualidade da leitura e do texto produzido por esses estudantes, os profissionais que lecionam para a 2ª, 3ª ou 4ª série costumam dizer que não há o que fazer, já que eles foram mal alfabetizados e, além disso, as famílias não ajudam. Nos últimos 25 anos, estive envolvida com programas de formação docente em serviço

3 em todos os níveis possíveis: desde a implantação de uma unidade educacional até a formação em nível nacional. Essa experiência me dá condições de afirmar que não existem soluções mágicas para resolver em pouco tempo os problemas da escola brasileira. A qualidade da Educação – e especificamente da alfabetização – só melhorará quando as políticas educacionais forem um projeto de Estado e não de governo.
TELMA WEISZ é supervisora do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo

E não há tempo a perder. No início do ano, como agora, a tarefa essencial é descobrir quais as hipóteses de escrita das crianças, mesmo antes que saibam ler e escrever convencionalmente (leia mais sobre como fazer um bom diagnóstico). Assim, fica mais fácil acompanhar, durante o ano, a evolução individual para planejar as intervenções necessárias que permitam que todos efetivamente avancem. Essa sondagem inicial influi na distribuição da turma em grupos produtivos de trabalho, como mostra a reportagem Parceiros em Ação.

CERCADA POR TEXTOS Todos os materiais escritos do cotidiano, como livros, jornais e revistas, devem ser levados para a sala de aula. Foto: Marcelo Min Da mesma forma, organizar a rotina é imprescindível. Uma distribuição de atividades deve ser estabelecida com antecedência, contemplando trabalhos diários, sequências com prazos determinados e projetos que durem várias semanas ou meses (confira dicas preciosas sobre o planejamento). Ao montar essa programação, cabe ao professor abrir espaço para as quatro situações didáticas que, segundo as pesquisas, são essenciais para o sucesso na alfabetização: ler para os alunos, fazer com que eles leiam mesmo antes de saber ler, assumir a função de escriba para textos que a turma produz oralmente e promover situações que permitam a cada um deles escrever até que todos dominem de fato o sistema de escrita. A partir da página 34, você encontra as bases teóricas e casos reais de professoras que obtiveram sucesso ao desenvolver cada uma das situações (com sugestões detalhadas de atividades). Sabe-se, já há algum tempo, que as crianças começam a pensar na escrita muito antes de ingressar na escola. Por isso, precisam ter a oportunidade de colocar em prática

4 esse saber, o que deve ser feito em atividades que estimulem a reflexão sobre o sistema alfabético. No livro Aprender a Ler e a Escrever, as educadoras Ana Teberosky e Teresa Colomer apontam que o desenvolvimento do aluno se dá “por reconstruções de conhecimentos anteriores, que dão lugar a novos saberes”. Essa condição está presente nos 12 planos de aula deste especial. Em todos, transparece a necessidade de abrir espaço para que a turma debata o que produz, permitindo que a reflexão leve a avanços nas hipóteses iniciais de cada estudante.

Expectativas para o 1º ano
COMUNICAÇÃO ORAL • Fazer intercâmbio oral, ouvindo com atenção e formulando perguntas. • Mostrar interesse por ouvir e expressar sentimentos, experiências, ideias e opiniões. • Recontar histórias de repetição e/ou acumulativas com base em narrações ou livros. • Conhecer e recontar um repertório variado de textos literários, preservando os elementos da linguagem escrita. LEITURA • Ouvir com atenção textos lidos. • Refletir sobre o sistema alfabético com base na leitura de nomes próprios, rótulos de produtos e outros materiais - listas, calendários, cantigas e títulos de histórias, por exemplo -, sendo capaz de se guiar pelo contexto, antecipar e verificar o que está escrito. • Ler textos conhecidos de memória, como parlendas, adivinhas, quadrinhas e canções, de maneira a descobrir o que está escrito em diferentes trechos do texto, fazendo o ajuste do falado ao que está escrito e o uso do conhecimento que possuem sobre o sistema de escrita. • Buscar e considerar indícios no texto que permitam verificar as antecipações realizadas para confirmar, corrigir, ajustar ou escolher entre várias possibilidades. • Confrontar ideias, opiniões e interpretações, comentando e recomendando leituras, entre outras possibilidades. • Relacionar texto e imagem ao antecipar sentidos na leitura de quadrinhos, tirinhas e revistas de heróis. • Inferir o conteúdo de um texto antes de fazer a leitura com base em título, imagens, diagramação e informações contidas na capa, contracapa ou índice (no caso de livros e revistas).

• Produzir escritos de autoria (bilhetes. jornais. • Aprender a falar de maneira mais formal e. assim. o desempenho escolar nos anos iniciais precisa de resultados melhores. com dois docentes por sala. Variedade é realmente fundamental para os alfabetizadores. nas atividades de produção de texto. à linguagem escrita. • Aprender a respeitar modos de falar diferentes do seu. contos e muito mais). de próprio punho -. Expectativas para o 2º ano COMUNICAÇÃO ORAL • Participar de situações de intercâmbio oral. que devem ainda abordar todos os gêneros de escrita (textos informativos.ditando para o professor ou para os colegas e. mais informal. Para impedir que mais pessoas fiquem restritas a compreender apenas enunciados simples. com ou sem valor sonoro convencional. material didático de apoio. • Ouvir com atenção crescente a opinião dos colegas. enciclopédias etc. • Produzir texto de memória de acordo com sua hipótese de escrita. • Escrever o próprio nome e utilizá-lo como referência para a escrita. considerando as ideias principais do texto-fonte e algumas características da linguagem escrita. a intervenção do professor é vital para negociar a passagem da linguagem oral. cartas. revistas. mostra que só 28% da população brasileira está na condição de alfabetizados plenos. instrucionais). listas. E. • Escrever usando a hipótese silábica. relacionálas ao tema e fazer perguntas sobre os assuntos abordados. Essa preocupação deve ser compartilhada por professores e órgãos públicos. expressar suas ideias. afirma Maria Helena Guimarães de Castro. • Reescrever histórias conhecidas . O número mais recente do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). de 2007. como livros. (Baseadas nas expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo) É fundamental levar para a escola as muitas fontes de texto que nos cercam no cotidiano. secretária estadual de Educação de São Paulo. recuperando características da linguagem do texto original. • Recontar histórias conhecidas. ouvindo com atenção e formulando perguntas sobre o tema tratado. quando possível. se preparar para se comunicar em . formação continuada e avaliação bimestral”. “O governo está fazendo uma intervenção específica nas séries iniciais para ter resultados rapidamente.5 ESCRITA E PRODUÇÃO TEXTUAL • Conhecer as representações das letras maiúsculas do alfabeto de imprensa e a ordem alfabética. gibis.

notícias). poemas. canções e trava-línguas. com ajuda do professor e dos colegas. • Colocar em ação diferentes modalidades de leitura em função do texto e dos propósitos da leitura (ler para buscar uma informação. reler um trecho para retomar uma informação ou apreciar aquilo que está escrito. fazem uso da letra maiúscula. (Baseadas nas expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo) . nos contos. saraus. ainda que com erros ortográficos (ausência de marcas de nasalização. • Ampliar suas competências leitoras: ler rapidamente títulos e subtítulos até encontrar uma informação. • Ler.6 situações como entrevistas. • Produzir textos simples de autoria. evitam repetições. textos conhecidos. além de placas de identificação. hipo e hipersegmentação. assim. listas. para se entreter. ler diferentes gêneros (literários. • Revisar textos coletivamente. ler minuciosamente para executar uma tarefa. • Aprender a se preocupar com a qualidade de suas produções escritas. ditando-as ou de próprio punho. • Com a ajuda do professor. para compreender etc. instrucionais. compreender a revisão como parte do processo de produção. recitais. em textos esportivos e nas notícias de jornal). selecionar uma informação precisa. da pontuação). • Analisar textos impressos utilizados como referência ou modelo para conhecer e apreciar a linguagem usada ao escrever (como os autores descrevem um personagem. entre outros).). características do portador. em cartazes. quadrinhos e rótulos. manchetes de jornal. gênero e sistema de escrita. no que se refere tanto aos aspectos textuais como à apresentação gráfica. adivinhas. • Compreender a natureza do sistema de escrita e ler por si mesmo textos conhecidos. nas histórias em quadrinhos. para melhorá-los e. entre outras. • Coordenar a informação presente no texto com as informações oriundas das imagens que o ilustram (por exemplo. como resolvem os diálogos. cantorias e seminários. apoiando-se em conhecimentos sobre tema. LEITURA • Apreciar textos literários. • Reescrever histórias conhecidas. ESCRITA E PRODUÇÃO TEXTUAL • Escrever alfabeticamente. por si mesmo. como parlendas. de divulgação científica. legendas.

Desde então. de expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa para o 1º e o 2º ano da rede municipal paulistana. que ocorrem na árdua tarefa de ensinar a ler e escrever. muitos acharam que . é preciso um compromisso dos coordenadores pedagógicos em utilizar os horários de trabalho coletivo para afinar a capacitação das equipes. com a autoridade de quem soube. aprofundou-se como ninguém no assunto e. em 2009. debates e orientações curriculares têm de ser incentivados”. Em sua trajetória profissional. Hoje. Língua Portuguesa Alfabetização inicial . da Secretaria Estadual da Educação. sugere Célia Maria Carolino Pires. Pois superar os desafios da alfabetização é apenas o primeiro passo para que todos tenham uma vida escolar cheia de aprendizagens cada vez mais significativas. adaptada por NOVA ESCOLA. Nos últimos 30 anos. explica por que eles acontecem. trabalham com a meta de alfabetizar as turmas em no máximo dois anos. muitos deles cometidos no passado por ela mesma. que coordenou em 2008 o Programa de Orientações Curriculares da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. como a estadual e a municipal de São Paulo. “Pesquisas. que as crianças constroem seu conhecimento. você confere uma lista. todos tinham a ideia de que ensinar era transmitir informações. dona de uma generosidade sem igual.Fundamentos Edição Especial | Março 2009 REPORTAGEM: Aposte alto na capacidade dos alunos Ela é a mais respeitada especialista em alfabetização do país.7 As principais redes de ensino do país. você pode adequar suas propostas de trabalho e fazer com que. sem aprofundamento. Telma Weisz viveu o conflito de ter trabalhado durante anos numa perspectiva mais tradicional. Nos quadros acima. percebeu que não se pode subestimar a capacidade intelectual de nenhuma criança. nenhum aluno da turma fique para trás. mudou seu olhar sobre os alunos. por meio do conhecimento científico. o PROFA. refletir sobre a própria prática para melhorá-la. E. dedicou-se a transformar a prática de milhares de professores alfabetizadores por meio do principal curso de formação em Alfabetização do Brasil. quando começamos a descobrir que ensinar é criar condições e situações para a aprendizagem e quando os professores ouviram falar. Antigamente. ela supervisiona a versão paulista do programa. o mais importante. Com base nela. Ainda há professores que não transmitem informações às crianças por pensar que elas aprendem sozinhas? Qual é a origem dessa dificuldade? Telma Weisz Na verdade. Telma abusa de exemplos cotidianos para mostrar equívocos. Para garantir que essas expectativas de aprendizagem sejam atingidas. “Aí fiquei furiosa comigo mesma”. Nesta entrevista a NOVA ESCOLA. até ter contato com as ideias da psicogênese da língua escrita. revela a educadora. o Ler e Escrever. isso tem a ver com a própria concepção de ensino.

Se eu soubesse. elaborados por meio de um processo permanente de aproximação com o conhecimento objetivo. E essa é uma questão delicada porque não há um guia de coisas permitidas ou proibidas. E eu disse “L. Isso só se consegue fazendo avaliação constante da classe. Certa vez. Se o menino já está escrevendo alfabeticamente. a intervenção era pequena. E a segunda: “O que você quer escrever?”. mas se não é dita. Não ao mesmo tempo – e esse é outro equívoco –. mas é preciso ter condições e critérios para saber quais estudantes podem aproveitá-las. apresentava à classe o alfabeto (para aquela aluna. ele havia escrito “balãsa”. O papel do professor é ser aquele que sabe mais dentro da classe e que valida a informação que circula. Quando vi. Como o objetivo era deixar que os professores vissem-nas pensando em voz alta. a situação é outra. A. pela primeira vez). Como essas dúvidas se revelam na prática? Telma Por exemplo. pois é um equívoco. O que foi mal compreendido é que aquilo não era uma situação de ensino nem de pesquisa. porque não tive o cuidado de perguntar “para escrever o quê?”. mas sobre o que informar. A interpretação enviesada do construtivismo também tem a ver. Eu espero que não. em parte. naquele dia.” É uma informação simples. se você tem um aluno que está escrevendo uma letra para cada sílaba e ele pergunta “qual é o MI”. todos elaboram ideias e constroem conhecimento. til”. mas todos têm a oportunidade de expressar o que pensam. todos estão em atividade intelectual. Há uma quantidade enorme de informações que cabe ao professor oferecer. A professora. Mas eu não sabia que eram tão poucas. ajudando-o a encontrar uma resposta que caiba na estrutura teórica com a qual ele está trabalhando. mas também tem suas características. disse “eu sempre saio da escola no meio do ano porque não consigo aprender as letras. porque todos os saberes que estão sendo construídos são provisórios. buscava tornar visíveis as hipóteses que elas formulam quando estão aprendendo a ler e a escrever. Era uma tentativa de ilustrar o que estava no livro [Psicogênese da Língua Escrita. de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky] e que não era de fácil compreensão. Depende das circunstâncias e daquilo que as crianças pensam em cada momento. todos falam. com o fato de que a teoria da psicogênese foi popularizada no Brasil por um conjunto de vídeos de entrevistas com as crianças. Não sei se ainda há quem pense assim. em um trabalho de pesquisa.8 bastava o contato com as letras e o material escrito para que o conhecimento aparecesse naturalmente. por geração espontânea. não teria ficado tanto tempo aqui até aprender. Em uma sala. observei uma menina que estava repetindo a 1ª série havia cinco anos. que no caso era eu. você pode dar duas respostas. Dei uma informação errada. Há muitos anos. A primeira é: “MI é o M e o I”. Esses mal-entendidos fizeram com que muitos tivessem dúvidas não só sobre informar ou não. um outro me perguntou “Como se escreve lã?”. A validação deve acontecer. quando se acalmou. O entrevistador. A garota teve uma crise descontrolada de choro e. como ela vai saber? Outro exemplo: uma .

Ela respondeu: “É o que está escrito na Bíblia. Até o dia em que li sobre a psicogênese. somos obrigados a olhar de outro jeito. não dávamos importância. E. só acontece se não nos colocamos no lugar de quem está aprendendo. Porque. ainda que entre vogais. o que. Mas só gente alfabetizada. ou aproveitar a situação para explicar que é com Z. porque já tinha visto aquilo tudo. “Por que a Bíblia é a palavra de Deus”. de onde virá? O que acontece quando não nos colocamos na perspectiva do aluno? Telma “Cegamos” o aluno. mas é preciso ter claro que o que se está nomeando não é exatamente o que as crianças pensam que é. vi meninos escreverem coisas que. Muitos falam em “palavras”. Não estou dizendo para não usar a terminologia.” E eu insisti: “Por quê?”. Assim. no inicio. Certa vez. Você tem duas alternativas: mandála ao dicionário. E é claro que. para mim. É preciso aprender a escrever assim para depois pensar na questão das separações. é introduzida uma série de informações que nem todos talvez possam utilizar. Há muitos anos. Não olhávamos para isso como uma ação inteligente delas. quando trabalhei com professores indígenas no Acre. pode saber o que são palavras. dependendo das condições do grupo. perguntei a uma menina o que era “palavra”. é uma perda de tempo. para os que ainda não sabem ler e escrever. recusam a ideia de que os artigos sejam palavras. Colocar-se no lugar do aprendiz é essencial para ensinar. na mesma ordem. se isso não vier do professor. estava explicando a eles as hipóteses sobre a escrita e dizendo que. de qualquer maneira. mas que. mesmo quando já fazem isso. não se pode recuperar uma visão que já se teve. Imaginar que é obvio escrevermos exatamente como falamos. o mesmo som pode ser com S. Mas. muitas vezes. como se as crianças soubessem o que é isso. Sem a ajuda da ciência. Um exemplo simples: muitos professores estão convencidos de que o branco entre as palavras é uma coisa que se pode escutar.9 criança pergunta “cozinha é com S ou com Z?” O que você faz? Diz a ela “pense para descobrir?” Não tem como pensar para descobrir. É porque somos alfabetizados que ouvimos e vemos coisas que. Intuitivamente. às vezes. Não há. Na verdade. mas que foi apagada. um problema. numa espécie de esquecimento cognitivo. dessa perspectiva. E aí fiquei furiosa comigo mesma. não estão lá. ao assumir essa perspectiva. A vida inteira. não eram escrita. ao vê-las escrevendo tudo grudado. Nunca parei para refletir sobre o que eles estavam pensando. Isso só pode acontecer a uma pessoa cuja percepção da relação entre escrita e leitura está de tal maneira organizada em cima da sua própria competência leitora que nem passa por sua cabeça que a fala é um contínuo e que jamais as crianças vão encontrar no falado os elementos que permitirão separar as palavras. em determinadas circunstâncias. imagina-se que há uma disfunção. Qualquer alfabetizador já viu crianças escrevendo com uma letra para cada sílaba ou com menos letras. as crianças . Só com pesquisa cientifica é possível compreender o outro que pensa diferente de você. ninguém é capaz de fazer isso. não eram nada. que já escreve e segmenta o texto. Trata-se de um momento necessário do processo.

A partir dessa explicação. só podem recorrer ao conhecimento cientifico para recuperar isso. “o aluno achará que está certo”. Quais são os equívocos mais comuns na escolha das intervenções para fazer a turma avançar nas hipóteses de escrita? Telma Vejo duas versões sobre isso. para escrever um pedaço do que se fala. Foi uma situação interessante ver um adulto recuperar esse esquecimento. Ou seja. Há uma dificuldade enorme de aceitar e deixar no caderno uma escrita que não esteja ortograficamente correta. faz parte de um processo do aluno. é tão elegante? Como é que ele avança? Além da hipótese de que. “vai fixar o erro”. ele tem outras. ler. a mais tradicional e frequente. escrever com uma letra só. mostra-se aos silábicos quais letras faltam. via bom senso ou afetividade. com uma quantidade enorme de palavras dissílabas? Toda vez que a criança escreve um dissílabo. A média estatística da exigência é em torno de três letras. para a qual o ensino. usamos uma letra. Até que um deles puxou uma folha antiga de sua pasta. para cada vez que abrimos a boca. cuida de evitar que se fixem na memória ideias erradas. basta um pedaço de escrita. pois essa ideia de hipótese era muito estranha à cultura local. naquele momento. falta compreensão da diferença entre trabalhar o processo de aprendizagem e trabalhar sobre o produto que a criança está realizando. Em uma delas. abandonar essa hipótese que. Mas. imaginando que isso os ajuda a chegar a uma hipótese mais avançada. Nós não nos lembramos de quando não sabíamos calcular. o saber errado e o saber certo. de forma alguma. para alguns. duas letras também é muito pouco. do ponto de vista teórico. os professores fazem uma assimilação de que é preciso produzir situações conflitivas o tempo todo. E é claro que isso corresponde a uma concepção de aprendizagem. que não sabe nada sobre determinada coisa. por sua vez. que para eles é a letra. bem satisfeito da vida. fica claro que aquela escrita. pois precisa colocar alguma coisa para não cometer um “sacrilégio”. O que acontece com uma língua como o português. Toda a tradição de correção com caneta vermelha e de cópia dos erros vem daí – existe o não saber. não se chega a lugar algum. com uma abordagem psicogenética da alfabetização.10 pensam que. Mas o conflito ou é do aprendiz ou vira uma . Essa contradição entre os esquemas explicativos que ela tem para a leitura e a escrita é que dá origem e espaço ao que chamamos de conflito cognitivo. errada segundo os padrões convencionais. Era recémalfabetizado e ainda tinha o documento de suas próprias hipóteses. que está lá. escrever. E os professores. É possível e necessário subsidiá-lo para ajudá-lo. o que faz um menino. tem um problema. Na visão construtivista. E que. é preciso estimular o máximo possível a reflexão sobre o que se escreve. A segunda versão é uma leitura parcialmente equivocada do que chamamos de conflito cognitivo. Eles me olhavam com estranheza. “O que os pais vão pensar?”. escrever com poucas letras e. Na verdade. escrevendo uma letra para cada sílaba e conseguindo se virar assim. como a de que não pode escrever uma mesma letra repetida. Nós não temos a memória viva do que é ser alguém que tem de aprender. como tais. havia feito um desenho e assinado NBT. Porque. o que é muito diferente de dar informações para obter um produto correto. Ele se chamava Norberto.

Se estivessem redigindo um texto inventado. “a galinha do vizinho bota ovo amarelinho”. No início. São versinhos. eles procurarão as letras). uma em cada sílaba. naturalmente memorizado. os mais avançados podem achar que está escrito “bota”. “ovo” e “amarelinho”. que são as “palavras” (mas. Isso está certo? Telma Não está clara. por exemplo. a importância do trabalho com textos memorizados. tem oito letras”. “bota ovo amarelinho”. a leitura que alguém faz. A própria criança começa a batalhar para colocar as letras. porque você informou. E certamente não fará quando estão colocando três letras. Então. sabendo o que está escrito em cada verso. nos países nórdicos. não teriam um problema comum para resolver. Por exemplo. Protestantes de orientação calvinista. Mas sendo um texto estável. eles tinham uma prática sistemática de . Elas sabem que. Descobriu-se que. de forma que uma possa contribuir com a outra) para produzir uma escrita. usados em dois tipos de atividades muito interessantes. bater três palmas. sem omitir nada. na segunda. É interessante pedir para localizar e ler pedaços. para quem pensa dessa forma. Dependendo de em que nível os meninos estejam. o professor escreve a palavra. Eles acompanharão o texto e começarão a localizar as partes do escrito e relacioná-las ao falado. Uma das atitudes equivocadas mais clássicas nessa linha é mandar contar os pedaços de uma palavra falada. Em primeiro lugar. pensam que está escrito “galinha” e “vizinho”. Você pode perguntar onde está escrito “vizinho”. O que está por trás disso? O fato de que ninguém nasce sabendo que se escreve tudo aquilo que se fala. na ordem em que se fala.11 conversa sem nexo para ele. Outro tipo de trabalho é pedir que acompanhem. toda a população era alfabetizada antes de haver escolas. Pense mais um pouco”. tomam decisões em função desse conhecimento prévio. Se você tem “a galinha do vizinho”. não é qualquer texto que pode ser utilizado. que as crianças já sabem ou podem aprender oralmente na escola. está escrito “a galinha do vizinho” e. Por exemplo. usadas em brincadeiras de roda e jogos verbais. imagina-se que só se escreve os substantivos. pergunta quantas letras tem e diz: “Você pensa que abrimos a boca três vezes e que é preciso colocar três letras. Deve ser um texto estável. na leitura de textos memorizados. isso não faz o menor sentido. Como as duas sabem de memória. tudo o que têm de intercambiar é que letras colocar e onde. Pode ser em uma transição. mas aí não é necessário ficar contando quantas vezes a boca abre ou quantas letras a palavra tem. e que borracha. com investigações sobre como as populações antigas se alfabetizaram. Para “bota ovo amarelinho”. mas eu estou mostrando que não é. Mas com a história da leitura. se você disser “palavras”. para “borracha”. mas não necessariamente nessa ordem. parlendas e trava-línguas. não o segundo parágrafo da história da Bela Adormecida. Existe um vasto repertório infantil. Ou você pode – e para isso é preciso conhecê-la intelectualmente – dizer: “Você sabe fazer melhor do que isso. É comum a ideia de que. o importante é guardar a grafia das palavras. na primeira linha. Esse tipo de atividade tem um papel extremamente importante e não aprendemos isso com a psicolinguística ou com a didática. Uma é juntar duas delas (com níveis próximos de conhecimento. no papel.

e não a que produziriam se estivessem pensando em como se escreve. Sempre que os professores insistem na memorização da forma. Agora. As pessoas acompanhavam e decoravam para se aproximar desse objeto sagrado que era a escrita. A leitura da escrita não entra pela pele. Ler acompanhando com o dedo serve. Mas. pede ajuda à família. tentamos constituir bons comportamentos leitores.mas nessas duas instituições o aprendizado é apenas para os homens. De repente. Essa é a origem do trabalho que fazemos com textos memorizados. Para isso. estuda. aponta e tenta acompanhar. passar o dedo embaixo. por exemplo. A forma adequada de organizar esse tipo de atividade é. eu gostaria de fazer um “mea culpa público”. Faz sentido apenas se houver reflexão sobre a grafia das palavras e se quem está lendo tenta ajustar aquilo que fala ao que está escrito.12 acompanhar nos textos o que se falava nos cultos. todos cantarem uma canção juntos. Isso também aconteceu nas escolas religiosas judaicas e ocorre nas escolas religiosas muçulmanas . eu disse “ler com o dedinho”. Para um sarau de poesia. O que leva o professor a passar questionários em vez de promover comentários sobre as histórias lidas – como fazemos com amigos. em um vídeo. re-elaborado e compartilhado. pois terá de se apresentar publicamente. Certa vez.. buscar uma compreensão teórica que vai muito além de apenas saber identificar uma hipótese de escrita. Quando se tem .. não é nada. Essa situação de focalização e de achar as partes do texto para se apresentar de forma adequada ajuda a descobrir em qual pedaço está escrito o quê. em si. o que é ainda pior. mas é uma bobagem. Já a memorização da forma escrita produz um efeito contrário. o professor bate palma. Quando lemos com ou para as crianças. quando lemos um livro? Telma Ou pedir que façam um desenho. é preciso estudar. O professor ainda acredita que. essencial. para aproveitar as possibilidades de uma atividade em que se leia um texto memorizado em público. produzem uma escrita caótica. no esforço de lembrar como as palavras são escritas. depois de dizer muitas vezes “ler apontando com o dedinho”. Essa prática de ler uma história e depois pedir um desenho não tem nada a ver com a ideia de que o que se lê pode ser aprofundado. leva para casa. também precisa ser um leitor. Se simplesmente diz “acompanhe com o dedo” e vai embora. é capaz de fazê-la ler. não acontece nada. ao pedir que a criança acompanhe a leitura com o dedo. ajuda a entender a posição certa. Se não estiverem. os alunos. para que você funcione como um modelo desses comportamentos. decora. sem observar se ela faz a relação do escrito com o falado? Telma Sobre esse assunto. pára numa determinada palavra e anda pela sala para ver se os dedos estão onde deveriam estar. cada um tem um poema. Todos eram incorporados a esse universo em que a palavra escrita nos textos religiosos era tratada como uma coisa básica. Muita gente repete isso. É preciso construir uma situação de aprendizagem e não ficar alisando papel. explorado. O intercâmbio de ideias a partir de uma situação de leitura é algo que se faz apenas quando se tem uma experiência significativa e intensa como leitor. por exemplo.

Ele não tinha vontade de aprender a ler para ler sozinho as histórias infantis. agarrou a enciclopédia. e que eu posso ter observado mais um aspecto do que outro e que podemos nos interessar por coisas diferentes. Os livros infantis. Aparentemente. Também é interessante perguntar “quem estava contando essa história? A personagem? A mãe dela?”. Se você pergunta “quem é essa amiga grande?”. com critérios. Assim. é completamente misturada à do escritor. me lembrei daquilo. não têm uma grande variedade de gêneros. ele saía de perto e ia fazer outra coisa. Esse espaço de intercâmbio é um espaço de trocas. Precisamos reconhecer essas diferenças. A escritora disse isso?” Aparece. ele tinha alma de cientista. Eu tenho visto perguntarem “de que pedaço você gostou mais?”. usa esses portadores para recortar letras. aprende como explorar os gêneros que há dentro deles. uma discussão louca surge na classe. O professor já compreendeu a importância dos livros na alfabetização. em geral. “ela existe de verdade?”. Mas as crianças não têm isso claro. “E você?”. que. menos um menino. É uma mudança de gênero. então. mas foi também uma mudança de mundo para o garoto. sabe-se que ela produz em mim um impacto diferente do que em você. São todos livros de ficção. na verdade. mas que é gigante e aparece sempre que a garota precisa se proteger dos adultos. Se o professor não entende isso. Só que isso nunca é dito explicitamente. não tinha interesse. a ideia do narrador. antes de levá-lo para as crianças. Mas ele oferece variedade de materiais de leitura? Telma A variedade dos gêneros ultrapassa a ideia dos livros. achei muito interessante a forma com que o autor escreveu. o menino ficou absolutamente fascinado. outros de assombração ou de fadas. uma representação do desejo da menina que se salva das maldades dos adultos. Há uma escritora que escreve em espanhol e tem uma série de livros sobre uma menina com uma amiga igualzinha a ela. mas queria dizer outra”. Se entende. Porque a personagem é. saber de que época eram e o que faziam. eu diria. apenas uma vaga intuição. mas alguns falam de mistério. Em geral. Quando se falava em leitura e escrita. Só no jornal e nas revistas há uma variedade enorme de gêneros. É interessante fazer perguntas sobre aspectos de uma história que talvez poucos tenham entendido.13 a concepção de que a leitura não é simplesmente fazer barulho com a boca diante das marcas gráficas. Eu acompanhei uma classe de alfabetização em que todos estavam envolvidos com os livros de histórias. Aprendeu a ler em dias. respondem que “é a escritora”. Têm. você dá o modelo: “Lendo esse texto. podam o intercâmbio real. E você pode questionar “mas aqui diz ‘eu não gosto que me penteiem os cabelos porque arranca e dói’. para as crianças. subgêneros. Ele não tinha alma de ficcionista. Se não souberem como fazer isso. Mas acho que o problema é anterior: o professor tem de ler para si mesmo. que seria “quem achou uma coisa interessante que gostaria de contar aos amigos?”. Até o dia em que chegou uma enciclopédia de dinossauros. . eu pensei nisso. para selecionar o texto. parecia que ele queria dizer uma coisa. Mas ele tinha muita vontade de aprender a ler para classificar os dinossauros. Nesse dia.

se vou ler histórias. Mas é preciso fazer uma aposta alta. Tenho uma experiência recente com uma que estava . Nele. quem ganhou o campeonato ou a corrida. Certa vez. Quando introduzimos um gênero novo. A maioria precisa construir uma prática de leitura para se soltar. Para ler poemas. Nesse caso. uma parte inicial do texto é algo muito possível de fazer. Porque. ajustada àquilo que as crianças mostram que são capazes de pensar e fazer. a busca de informações em diversas fontes? Telma Há um medo mortal de trabalhar verdadeiramente com jornais porque se pensa que é um texto adulto. Esse trabalho é fascinante. que não é algo que vem sozinho. propor a leitura de uma reportagem sobre uma chacina. por exemplo. ela levava o jornal impresso para a sala. Não uma aposta cega. elas devolvem um pouquinho. Eu sou uma defensora convicta da presença do jornal na sala de aula porque os fatos são a fonte da história. elas devolvem mais. A variedade tem de ser selecionada em função daquilo que a turma pode aprender. Quando se espera mais. sem olhar se a turma está acompanhando. O fato de trabalhar no limiar superior faz com que avancem muito mais do que quando se pensa “elas não vão entender”. lemos sobre acontecimentos de países distantes. mas também sua linguagem. ser envolvidos em projetos mais complexos. especialmente quando se tem sensibilidade para escolher o quê. vi uma professora fazer um trabalho muito interessante. a mais alta possível. É claro que sozinhas elas não entendem. Quando se espera pouco.14 Variar os gêneros é importante. Mas pode ler sobre quem jogou no domingo. E. para que encontrassem as informações sobre os fatos do dia anterior. tenho outro. revistas. na produção de um texto. Isso não é verdade. mas não é uma ideia mecânica. é preciso ter um sentido para isso. jornais. há alfabéticos que não são leitores. não aprendem só o enredo. escrever. Mas é preciso ter a inteligência das crianças em alta conta. O problema são os que ainda não compreenderam o sistema. você pode perguntar se a turma deseja escutar a história contada no jornal impresso. O que os diferentes gêneros permitem é abrir o leque das possibilidades de leitura e oferecer o discurso escrito em suas diversas formas. que não é igual a dos outros. Com um mapa múndi na classe você aponta. no dia seguinte. Poucas fazem isso. é preciso construir situações que ajudem a desembaraçar a leitura. Os já alfabéticos podem ler. Às vezes. O professor encontra dificuldades em dar atividades diferenciadas para os que já estão alfabéticos e também precisam avançar? Como agir nesses casos? Telma Isso é o mais fácil. Tudo isso vale para enciclopédias. onde ocorreu uma avalanche e aborda questões como o que é isso. produzir textos. Estes não são o problema. Os meninos tinham de assistir o noticiário da TV e. mais detalhada. textos de ficção. o subtítulo da reportagem. na verdade. sim. Você não vai. Quando alguém relata algo que viu. Ler os títulos. tenho um foco. quando as crianças ouvem o adulto ler. das diferenciações que os alunos já têm condições de fazer e que você se sente em condições de oferecer. por que acontece.sa Não é porque uma criança colocou todas as letras que ela já sai lendo. por exemplo. Por que ainda é pequeno o acesso a materiais que favoreceriam.

vê uma novela em 180 capítulos. quem tem problemas de memória somos nós.15 escrevendo silabicamente com valor sonoro. mas não sei ler. tudo está para ser aprendido e a disponibilidade para a aprendizagem é enorme. foi possível pensar em trabalhar questões como “essa letra serve para escrever esse som. Daí pra frente. O que acontece é que muitos imaginam que. mas alfabética. Mas isso empacava a leitura. Eu escrevo nessa letra e tudo o que eu vejo está escrito numa letra que eu não conheço”. Mas dizia “eu não sei nada porque escrevo. ele não tinha se soltado da ideia de que era necessário ler todas as letras. É claro que histórias grandes podem ser pobres e chatas. lembra de todos os personagens. cheia de erros de ortografia. O fracasso reiterado mata essa disponibilidade. As crianças não têm problemas de memória. E estava mesmo. já não sabia mais sobre o que era o texto. Porque. a vontade de ler cresceu e a leitura melhorou. pois só se entende o que se lê quando se lê rápido. que é ler e escrever. nunca lidas em capítulos? Telma Essa mania de que tudo tem de ser pequenininho é uma deturpação da concepção de criança e. mas é só essa? Tem mais? Você poderia colocar outra no lugar?” Então. com as letras de forma e de imprensa. voltou e disse: “Estou lendo tudo”. ele teve de usar as estratégias de leitura. principalmente. no fim da leitura: “tchan tchan tchan tchan. na verdade. ele se treinou. Minha experiência pessoal é a de escolher livros pela grossura. um desrespeito enorme. Como deve ser o trabalho do 3º ano em diante no que se refere ao aprimoramento da leitura e da escrita? Telma Você já disse a palavra: aprimoramento. voltasse a estudá-lo para ler rápido. Esse é um ciclo virtuoso. ninguém deveria chegar ao final da segunda série sem compreender o sistema de escrita e sem ler. Na medida em que pedi para que avançasse além dessa leitura letra por letra. todo o trabalho é de estabelecer objetivos cada vez mais complexos para a mesma coisa. Elas têm tudo fresquinho na cabeça. Quando ele terminava a segunda palavra. Ainda persiste a ideia de que as crianças só podem ter contato com histórias curtinhas. quando se é capaz de colocar . não quero que ela acabe! Esse lugar do leitor que tem prazer na leitura é o que o professor teria de encarnar. Quando ela já sabia todas as letras. o que está lá dentro. depois de destrinchar todo o texto. agora aguardem o capitulo de amanhã! Quem que acha que elas não gostam nunca experimentou. Quando perdem isso é porque os adultos destruíram. sim. Mas elas adoram ouvir uma história grande em capítulos. Então. Sozinho. Isso fez com que ganhasse velocidade e compreensão. Todas as vezes que não conseguia reconhecer uma letra. O nome do conteúdo não muda e. uma história pequena é pobre e chata. Em primeiro lugar. ao contrário do que alguns fazem. contados um por dia e. ela avançou rapidamente para uma escrita alfabética. fiz uma tira de correspondência. quem brigou com quem e o que vestia em tal dia. se a história for boa. o menino via na tira. Porque ela senta na frente da TV. Elas são muito mais inteligentes do que os adultos porque. Passei a propor que lesse desse jeito e. nesse momento da vida. Conforme passou a compreender o que lia. quem casou com quem. Eu sempre escolho os livros mais grossos porque. Para elas.

Isso os impediu de construir a capacidade de ler textos de certo grau de complexidade.Fundamentos Edição 217 | 2008/11/01 | Atualizado em 2008/11/01 Por que as crianças devem aprender a escrever com letra de fôrma para depois passar para a cursiva? Beatriz Vichessi (bvichessi@abril. As letras de fôrma maiúsculas são as ideais para essa tarefa. ainda que silabando.br) Esta escolha está relacionada ao processo de construção das hipóteses da escrita. Esse trabalho os transforma em leitores cada vez melhores e de uma gama mais ampla de gêneros. Quando entendemos isso. ajudamos os meninos a se aproximar de textos cada vez mais complexos. desde que tal contato fique restrito à leitura. E aprender por meio dos textos é condição para estudar os outros conteúdos na escola. Antes de estarem alfabetizadas. Não basta ser alfabético e ser capaz de ler um outdoor para ser alfabetizado. emendadas umas às outras. Durante a alfabetização inicial. porque infelizmente as faculdades onde estudaram. . os pequenos trabalham pensando quais e quantas letras são necessárias para escrever as palavras. está encerrada a aprendizagem da leitura e da escrita.16 todas as letras e ler alguma coisa. Alfabetização inicial . simplificando o conteúdo. já que são caracteres isolados e com traçado simples diferentemente das cursivas. elas entram em contato naturalmente com as letras cursivas e as de fôrma minúscula e até podem ser apresentadas a elas. criam as apostilas. de um determinado gênero. Aprende-se a ler e a escrever ao longo da vida toda. que já têm a lógica do sistema de escrita organizada. no pior sentido da palavra. O aprendizado das chamadas "letras de mão" deve ser trabalhado com crianças alfabéticas. Para quem não sabe aprender a partir de um texto escrito. o destino depois da quinta série é o fracasso.com. em vez de deixá-los ler textos acadêmicos adequados à competência deles. Uma prova de que isso não é verdade é que os meus alunos na pós-graduação estão aprendendo a ler textos acadêmicos.

Porém é importante que o leitor passeie pelas refllexões propostas no texto com olhos e pensamento atentos. a escrita como sistema de representação da linguagem. Mergulhar nas informações sobre a pré-história das elaborações infantis a respeito das marcas da linguagem expressas no mundo que nos rodeia acende uma luz definitiva sobre a alfabetização: diante de construções tão inteligentes. Ana Cláudia Rocha. A investigação acadêmica organizada por Emilia Ferreiro a respeito da alfabetização. tel. pois irá deparar-se com saberes infantis sofisticados e engenhosos. somos convidados a construir uma escola igualmente inteligente! E. Trata-se da síntese das principais contribuições de Emilia para a história e as descobertas sobre a alfabetização. 11/38640111. inaugurando uma maneira inédita de alfabetizar: a autora transfere a investigação do jeito de ensinar para o que tem de ser aprendido. é um dos melhores materiais concebidos pela educadora argentina para quem quer iniciar o estudo das pesquisas realizadas por ela a respeito da psicogênese da língua escrita. ao sabermos o que as crianças pensam e como pensam. O livro Reflexões sobre Alfabetização (104 págs. Temos uma imagem empobrecida da criança que aprende: a reduzimos a um par de olhos. com foco nas concepções que as crianças têm sobre o sistema de escrita. Ed. diretora do Projeto DICA de formação docente Trecho do livro "Temos uma imagem empobrecida da língua escrita: é preciso reintroduzir. Cortez.. quando consideramos a alfabetização. permitimos que sejam abertos novos caminhos: torna-se um compromisso inadiável entender cada vez mais e melhor como esses processos funcionam para planejar as aulas de alfabetização. iniciada em 1979.17 Alfabetização inicialFundamentos Edição 218 | 2008/12/01 | Atualizado em 2008/12/01 A criança e a escrita A pesquisadora Emília Ferreiro escreve sobre alfabetização. que surpreendem muito ao mostrar quão originais (e nem um pouco mecânicas) são as construções cognitivas que os pequenos são capazes de realizar. um par de ouvidos. e prioriza a análise das produções infantis. 15 reais). uma mão que pega um instrumento para marcar e um . lançado em 1981. revolucionou o jeito de ensinar as crianças a ler e escrever e fez da autora uma referência mundial sobre o tema. O texto instiga o educador e dá subsídios para que ele questione sua prática e revitalize o modo de compreender o ensino.

. Os testes de prontidão também não são neutros.. que constrói interpretações. .) É sufi ciente apontar que a 'prontidão' que tais testes dizem avaliar é uma noção tão pouco científi ca como a 'inteligência' que outros pretendem medir.Fornece elementos para compreender por que a escola tem formado analfabetos funcionais. Atrás disso há um sujeito cognoscente. que age sobre o real para fazê-lo seu.Apresenta o percurso pelo qual as crianças elaboram suas próprias idéias sobre o sistema de escrita. . . entendida como ferramenta de construção de cidadania. demonstrando a originalidade e a provisoriedade dessas concepções. alguém que pensa. colocando o foco naquele que aprende. Um novo método não resolve os problemas. (. e até que ponto funcionam como fi ltros de transformação seletiva e deformante de qualquer proposta inovadora.Convida o educador à consciência da dimensão política da alfabetização. . . É preciso reanalisar as práticas de introdução da língua escrita." Por que ler .18 aparelho fonador que emite sons.Aproxima o leitor da pesquisa que representou uma revolução conceitual na alfabetização.Expõe exemplos de como se dá o pensamento infantil sobre o sistema de escrita. tratando de ver os pressupostos subjacentes a elas.

ser lida pelo aluno assim que terminar de escrevê-la. mostraram que as crianças constroem diferentes ideias sobre a escrita. necessariamente. a criança elabora hipóteses sobre o sistema de escrita. Aí entra o que pode ser considerado uma palavra. resolvem problemas e elaboram conceituações. das secretarias estadual e municipal de Educação de São Paulo. num primeiro momento. “Essas hipóteses se desenvolvem quando a criança interage com o material escrito e com leitores e escritores que dão informações e interpretam esse material”. com quantas letras ela é escrita e em qual ordem as letras devem ser colocadas. As pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita. Além disso.19 Edição Especial | 03/2009 Para conhecer a nova turma Mesmo antes de saber ler e escrever convencionalmente. que permite identificar quais hipóteses sobre a língua escrita as crianças têm e com isso adequar o planejamento das aulas de acordo com as necessidades de aprendizagem. É a chamada sondagem inicial (ou diagnóstico da turma). Foto: Marcos Rosa Nos primeiros dias de aula. conta Regina . representa um momento no qual as crianças têm a oportunidade de refletir. ou seja. a produção espontânea de uma lista de palavras sem apoio de outras fontes e pode ou não prever a escrita de algumas frases simples. o que torna necessário propor ao resto da turma uma atividade que dispense ajuda. com a ajuda do professor. Essa lista deve. O guia ressalta também que é por meio da leitura que o alfabetizador “pode observar se o aluno estabelece ou não relações entre aquilo que ele escreveu e aquilo que ele lê em voz alta. Ela permite uma avaliação e um acompanhamento dos avanços na aquisição da base alfabética e a definição das parcerias de trabalho entre os alunos. sobre aquilo que escrevem. entre a fala e a escrita”. realizadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky no fim dos anos 1970 e publicadas no Brasil em 1984. No Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever. a sondagem é descrita como uma atividade que envolve. Descobrir em qual nível cada uma está é um importante passo para os professores alfabetizadores levarem todas a aprender MANTENHA O FOCO A sondagem deve ser individual. o professor alfabetizador tem uma tarefa imprescindível: descobrir o que cada aluno sabe sobre o sistema de escrita.

Ana Teberosky e Teresa Colomer ressaltam que as “hipóteses que as crianças desenvolvem constituem respostas a verdadeiros problemas conceituais. membro da equipe responsável pela elaboração do material do Programa Ler e Escrever e formadora de professores. Para escrever. elas constroem dois princípios organizadores básicos que vão acompanhá-las por algum tempo durante o processo de alfabetização: o de que é preciso uma quantidade mínima de letras para que alguma coisa esteja escrita (em torno de três) e o de que haja uma variedade interna de caracteres para que se possa ler. O desafio é propor atividades que não sejam tão fáceis a ponto de não darem nada a aprender. a silábico-alfabética e a alfabética. a criança utiliza letras aleatórias (geralmente presentes em seu próprio nome) e sem uma quantidade definida. Diagnosticar o que os alunos sabem. . identificando o que é possível ler. Aqueles que não percebem a escrita ainda como uma representação do falado têm a hipótese pré-silábica. No livro Aprender a Ler e a Escrever. semelhantes aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita”. Já no segundo nível. As quatro hipóteses Ferreiro e Teberosky observaram que. a silábica. ressalta Regina. “Todos eles precisam de oportunidades para pôr em jogo o que sabem para se aproximar pouco a pouco desse objeto importante da cultura”. As conclusões desse estudo são importantes do ponto de vista da prática pedagógica. as crianças elaboram verdadeiras “teorias” explicativas que assim se desenvolvem: a pré-silábica. mesmo que não convencionalmente. São as chamadas hipóteses. dando lugar a novas construções”. COMBINE ANTES É importante que a criança saiba que ela pode escrever da melhor forma que conseguir. Ela se caracteriza em dois níveis. No primeiro. nem tão difíceis que se torne impossível para as crianças realizá-las. na tentativa de compreender o funcionamento da escrita. E completa: o desenvolvimento “ocorre por reconstruções de conhecimentos anteriores.20 Câmara. pois revelam que os pequenos já começaram a pensar sobre a escrita antes mesmo de ingressar na escola e que não dependem da autorização do professor para iniciar esse processo. as crianças procuram diferenciar o desenho da escrita. quais hipóteses têm sobre a língua escrita e qual o caminho que vão percorrer até compreender o sistema e estar alfabetizados permite ao professor organizar intervenções adequadas à diversidade de saberes da turma.

ela representa cada sílaba por uma única letra qualquer. apenas alguns dias depois da sondagem. um ou vários alunos terem dado um salto”. Alfabetizador há mais de sete anos. mantendo um registro criterioso do processo de evolução das hipóteses de escrita das crianças. ele deixa as crianças envolvidas com jogos e brincadeiras sob a supervisão da estagiária que o acompanha em sala. na EMEB Helena Zanfelici da Silva. consigo pensar melhor como será a rotina do bimestre e quais as intervenções devo fazer para ajudar os menos avançados a entender a lógica do sistema de escrita. “As sondagens bimestrais são importantes também por representarem dispositivos de acompanhamento das aprendizagens para os pais. depois. a produção de um desenho. Alguns dias após o retorno às aulas.21 Quando a escrita representa uma relação de correspondência termo a termo entre a grafia e as partes do falado. que podem ajustar seus programas de formação continuada de professores em regiões onde os resultados mostram que os estudantes não estão evoluindo da maneira desejada. Enquanto isso. Essa é a estratégia usada por Eduardo Araújo. Essa etapa também pode ser dividida em dois níveis: no primeiro. No segundo. Araújo sabe bem o valor da sondagem inicial. “A atividade de sondagem representa uma espécie de retrato do processo naquele momento. “Conhecendo a situação de cada aluno. a criança se encontra na hipótese silábica. há um avanço e cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente. chamado silábico sem valor sonoro. Ora ela escreve atribuindo a cada sílaba uma letra. os fonemas. E como esse processo é dinâmico e na maioria das vezes evolui muito rapidamente. O aluno começa a atribuir a cada parte do falado (a sílaba oral) uma grafia. ou seja.” . mas já conseguem entender a lógica do funcionamento do sistema de escrita alfabético”. O professor deve realizar a primeira sondagem no início do período letivo e. na Grande São Paulo.). é fundamental uma observação cotidiana e atenta do percurso dos alunos. os alunos ainda apresentam erros ortográficos. ressalta Regina. em São Bernardo do Campo. uma letra escrita. Quando a escrita representa cada fonema com uma letra. com o professor chamando um aluno por vez. o silábico com valor sonoro. diz-se que a criança se encontra na hipótese alfabética. Ao mesmo tempo. que deve tentar escrever algumas palavras e uma frase ditadas. pode acontecer de. A hipótese silábico-alfabética corresponde a um período de transição no qual a criança trabalha simultaneamente com duas hipóteses: a silábica e a alfabética. “Nesse estágio. bem como um retrato da qualidade do ensino para as redes.” Investigação individual O melhor é que a atividade seja feita individualmente. um jogo etc. ora representando as unidades sonoras menores. ao fim de cada bimestre. sem relação com os sons que ela representa. o resto da turma precisa estar envolvido em uma atividade diversificada em que não seja necessária a ajuda do professor (a cópia de uma cantiga. explica Regina.

Lista bem feita Na sondagem. para poder observar se o aluno volta a escrevê-la de forma semelhante. agregados por uma unidade de sentido. por causar um grande conflito para as crianças que estão entrando no Ensino Fundamental. ao ditar. Esse cuidado deve ser tomado porque. pode ajudar a perceber quais as ideias deles sobre o sistema de escrita. precisaria escrever AAAI. Na sondagem inicial feita com a lista de palavras relacionadas à reforma da escola. Por exemplo: um aluno com hipótese silábica com valor sonoro convencional. Os monossílabos ficam para o fim do ditado. Aproveitando a curiosidade das crianças. que utiliza vogais. martelo.22 ADOTE SINAIS Fazer luma marcação nos textos produzidos é útil para registrar como o aluno lê o que escreve e se ele se detém ou não em cada letra. a escola onde Araújo leciona passava por grande reforma. por último. O ditado deve ser iniciado por uma palavra polissílaba. e uma frase adequada ao contexto desse grupo”. ele resolveu trabalhar com uma lista de objetos usados na obra do prédio. seguida de uma trissílaba. marque a separação das sílabas (leia no quadro abaixo como preparar a lista de palavras). um aluno comentou com o professor Araújo: . Observação e registro Ficar atento às reações dos alunos enquanto escrevem também é fundamental. como ABACAXI. E a frase escolhida foi: usei a pá na reforma. recomenda a formadora de professores Regina Câmara. ferro e pá. Anotar o que eles falam. se a escrita da palavra permanece estável mesmo num contexto diferente. no caso de as crianças escreverem segundo a hipótese do número mínimo de letras. “O ideal é preparar uma lista de termos de um mesmo campo semântico. poderão se recusar a escrever se tiverem de começar por ele. de uma dissílaba e. Deve-se evitar que as palavras tenham vogais repetidas em sílabas próximas. No começo de 2008. é preciso ditar uma frase que envolva pelo menos uma das palavras já mencionadas. ou seja. As palavras ditadas foram ferramenta. ou seja. a escolha certa das palavras e da frase (e da ordem em que elas serão ditadas) é essencial. por exemplo. sobretudo de forma espontânea. de uma monossílaba – sem que o professor. cuja hipótese de escrita talvez faça com que creiam ser impossível escrever algo com duas ou mais letras iguais. Após a lista. do Programa Ler e Escrever.

de Felipe. em situação de sondagem. durante a leitura. Demorou bastante até se manifestar: – Mas essa não dá para escrever. CRIE UMA TABELA O ideal é construir um quadro para anotar a evolução das hipóteses de cada estudante. afirma Regina. tinha construído a hipótese de que para cada emissão sonora uma letra basta. sem que o critério de escolha . tentou contar “as partes” da palavra com os dedos e ficou um pouco incomodado. usando marcação com sinais que indique quais as associações feitas pela criança: LGA (mar) (te) (lo) Ou ainda: LGA ||| É possível que o aluno utilize muitas e variadas letras. sem a respectiva leitura. é necessário registrar abaixo a relação de cada letra com uma sílaba. “Uma lista de palavras produzida pelo aluno. entre o falado e o escrito – ou se lê aleatoriamente. se aponta com o dedo cada uma das letras. pois pensava que só se pode ler ou escrever palavras com três ou mais letras e. O professor pode anotar em uma folha à parte como ela faz a leitura. Se o aluno escreveu LGA para o ditado da palavra martelo e associou cada uma das sílabas dessa palavra a uma das letras. é que se pode observar se ela estabelece ou não relações entre o que escreveu e o que lê em voz alta – ou seja. Essa é fácil. não permite analisar essa produção e identificar sua hipótese de escrita”. Fotos Marcos Rosa Com o comentário. não é? E termina com “o”. Por meio da interpretação dela sobre a própria escrita. – Agora eu quero que você escreva “pá” – disse o professor. Terminado o ditado. Há duas maneiras de fazer esse registro. O aluno parou um instante.23 – Ferro começa com “fe”. ao mesmo tempo. Fica só uma letra e isso não pode. se associa aquilo que fala à escrita etc. o professor conseguiu perceber que a criança entrou em conflito. é imprescindível pedir que a criança leia o que escreveu.

Atividades diversificadas REGISTRE TUDO A observação da produção de cada um ao longo do ano mostra com clareza como ele avançou. Para que os alunos atinjam o objetivo previsto para o 1º ano – escrever alfabeticamente. Será que todos interagem com outras fontes de texto e. essa comparação traz agradáveis surpresas em relação aos que. como a ortografia. que podem ajudar no momento de decidir pelo uso de uma determinada letra? Encontram na escola um ambiente favorável à pesquisa. O ideal é que seja construída uma tabela que contenha a evolução das hipóteses de cada um. o professor precisa acompanhar a evolução de todos. se ele ler sem se deter em cada uma das letras. necessitam de outros conteúdos de ensino. refletem sobre a escrita e seu uso? Recebem informações de colegas mais experientes. sendo encorajados a se arriscar e escrever segundo suas hipóteses? . nessa interação. pois permite observar com mais clareza a hipótese que a criança tem e. Nesse caso. LPIEMAN Esse tipo de marcação é importante. os avanços que ela obtém ao longo do ano. que oferece novas informações sobre a escrita e orienta seu olhar para os materiais escritos disponíveis na sala de aula. Esses últimos. Com base nessa tabela. apesar de não escreverem convencionalmente.24 desses caracteres tenha alguma relação com a palavra falada. ainda que com erros de ortografia –. é necessário anotar o sentido que ele usou nessa leitura. conhecendo os que demandam mais atenção. comparando quanto evoluiu ao longo do ano. que os ajudam a compreender o que está envolvido na leitura e na escrita? Têm a oportunidade de tentar ler por si mesmos? Contam com o apoio do professor. é possível também fazer uma análise crítica da rotina e das atividades que estão sendo contempladas. posteriormente. realizaram avanços significativos em comparação com sua escrita do início do ano. quantos têm hipóteses mais avançadas e os que estão alfabetizados. Com frequência. particularmente.

lPrática pedagógica . Aspas aparecem quando queremos mostrar que alguém disse alguma coisa." Pesquisadora e professora do Instituto de Pesquisas Filológicas da Universidade Nacional Autônoma do México. se sua abordagem e rotina estão funcionando. talvez seja hora de rever alguns conceitos.Produção de textos Edição 225 | Setembro 2009 Célia Diaz Argüero: "A organização do texto vale tanto quanto vírgula e ponto" Especialista. Se você aprendeu pontuação assim (ou ensina seus alunos usando apenas essas informações). "Na sala de aula." Vírgulas servem para indicar breves pausas para respirar. ela coordena desde 2003 um trabalho com crianças das séries iniciais para descobrir como elas efetivamente apreendem o sentido de dividir e reagrupar as ideias no papel usando sinais de pontuação para que qualquer pessoa possa entendê-las. fala das hipóteses que os estudantes fazem sobre a pontuação na alfabetização inicial CELIA DÍAZ ARGÜERO "Oferecer textos prontos e pedir para pontuar não ajuda o professor em nada. dizemos que ela serve para separar unidades sintáticas e organizar o texto". que vem a São Paulo para a Semana da Educação. O melhor é colocar a garotada para escrever e observar a organização gráfica. E mostra que esse jeito tradicional de ensinar não resolve o problema da garotada. afirma Celia Díaz Argüero. todos estejam alfabetizados. . ao fim do ano letivo.25 É por meio das sondagens e da observação cuidadosa e constante das produções dos estudantes durante o ano que se pode saber em que momento se encontra cada um. qual a expectativa razoável de evolução para os que ainda se encontram em hipóteses mais primitivas e como ajustar o planejamento do trabalho para que. Pontos indicam pausas mais longas. "Só que as crianças nem sequer entendem o que isso significa. Alfabetização inicia .

que já estão abertas. Como isso se traduz nas produções dos estudantes em classe? CELIA Não há um comportamento igual em 100% dos casos. Isso significa que nas séries iniciais é relativamente fácil compreender que o sinal "?" está associado a uma pergunta porque falamos com uma entonação diferente quando propomos uma questão a alguém. Ao contrário. mas a passagem da fala para a escrita é muito mais complexa do que falar em "unidades sintáticas". A forma como os pequenos colocam as palavras no papel e a forma como exploram os espaços em branco na folha dizem muito sobre suas concepções de linguagem. que ajuda a entender como os alunos constroem os principais conceitos sobre a pontuação. sílaba. parágrafo. . de criança para criança. Confira a seguir algumas das principais conclusões de sua pesquisa. Mas é bastante claro que a organização gráfica do texto é muito importante para a grande maioria dos alunos em início de alfabetização. para ela. Em outras palavras. O que suas pesquisas revelam sobre a forma como as crianças aprendem o que é (e como usar) a pontuação? CELIA DÍAZ ARGÜERO Em primeiro lugar. é essencial saber disso e observar a organização visual das produções para poder avaliá-las e ajudar a garotada a avançar. Além disso. Elas compreendem que todos falamos em "blocos". Por outro lado. Porque essas unidades textuais não são nada óbvias para quem está aprendendo a ler e escrever.e essas ideias não têm a ver com os conceitos formais que a escola divulga sobre o que é pontuação. a organização dos textos não é só uma questão sintática. ao realizar o trabalho. a pontuação tem a ver com o que as crianças pensam sobre o idioma. promovida pela Fundação Victor Civita (as inscrições. que a explicação oficial para o que é a pontuação está muito distante do que as crianças de 6 e 7 anos sabem sobre os usos da língua. na alfabetização inicial. existem diferentes unidades. o uso que as crianças fazem dos sinais de pontuação atende a ideias específicas que elas têm sobre a função de tais marcas gráficas na construção de um texto .26 Celia vem a São Paulo em outubro como uma das palestrantes da Semana de Educação. O que descobrimos. há enormes diferenças de compreensão das regras de pontuação. É essencial ter a clareza de que. mas não necessariamente com o que a escola quer que elas aprendam. Mas as crianças trabalham com tudo junto: letra. Ela é visual também. nesse primeiro momento. De que forma as crianças organizam o texto quando ainda não compreendem o sentido da pontuação? CELIA Entre a unidade letra e a unidade texto. Para o professor. a lista é uma unidade em si. como palavras e parágrafos. palavra. é que os alunos rapidamente compreendem que a pontuação está associada a duas coisas: à entonação e à ideia que se completa. devem ser feitas via internet). é muito difícil para uma criança entender que uma lista de itens precisa de sinais de pontuação porque.

Essa é mais uma das razões para fazer com que todos. tudo o que fazíamos. no estado de Nayarit. as crianças têm acesso a textos escritos desde o primeiro dia. avançam de um estágio para outro. Como eu acredito que a única forma de desenvolver um trabalho com professores é de forma contínua . Só assim é possível observar a organização visual que cada criança constrói. duas ou três escolas. em textos reais de uso social. no Ministério. E. Quando chegamos à cidade de Tepic. o professor faz muitas atividades de leitura de textos e também muitas de revisão . Sem dúvida. como deveria ser feito em todas as escolas quando se pensa num bom trabalho de alfabetização. Aliás. Um deles diz: "Nossas escolas são feitas de uma mistura de barro e palha. No dia a dia. O ponto de partida foi um livro chamado E de Escuela (de autoria de Tomàs Abella. oferecendo materiais que nos ajudem a entender os processos das crianças. Nesse momento. quando eu ainda trabalhava para o Ministério da Educação do México. Cada um desses professores ficou responsável pela coordenação de uma.tudo tendo por base os estudos psicogenéticos realizados por Emilia Ferreiro e as pesquisas de didática da alfabetização realizadas por Delia Lerner. que já foram amplamente estudados e reproduzidos em diversos países. abreviaturas etc. não só nos de língua espanhola como também no Brasil. o secretário de Educação local imediatamente se comprometeu a dar início a um projeto de longa duração. Outro: "Muitos de . desde então. não lançado por aqui). existem inúmeros sinais gráficos. Por sorte. para apresentar nossa proposta. além de ler muito. do total de 120 na região. também produzam muito em sala de aula. com mais facilidade. o melhor caminho é colocar a garotada para escrever. Em que momento as crianças avançam para um uso mais convencional da pontuação? CELIA Uma das conclusões de nossa pesquisa é que as crianças aprendem a usar a pontuação como se espera quando têm (ou passam a ter) contato com livros. estava ligado a programas de formação permanente. Como é a rotina de trabalho? CELIA Para começar. trabalhamos três dias por semana com os 80 professores (40 de pré-escola e outros 40 de 1º ano). E trabalhamos com textos variados. nosso país é muito ensolarado e podemos aproveitar a luz que entra pelas janelas". E. Não têm luz elétrica.27 Na prática. continuamos atuando regularmente com esse grupo.e não com grandes eventos e conferências que acabam isoladas do dia a dia das equipes docentes -. que traz fotos de crianças africanas e textos curtos que descrevem a Educação local. Como a pesquisa surgiu? CELIA O trabalho nasceu em 2003. elas começam a entender que. o que o professor pode fazer para avaliar melhor a turma? CELIA Oferecer textos prontos aos estudantes e pedir para todos colocarem a pontuação é um tipo de tarefa que não ajuda o professor em nada nesse processo. Durante o primeiro ano.

Daí propomos uma tarefa: escrever um texto para que as crianças da África saibam quem somos e como é nossa escola. sim. mas não sabem fazer isso de forma convencional." e "Vendem-se muitas coisas no centro no centro existem muitas lojas". acompanhamos outras (em outra cidade) que não têm nenhum tipo de acompanhamento. Colocam dois pontos para indicar o horário ("12:30"). Em média. O mesmo ocorre com o número de erros de ortografia. O resultado é que esses alunos se desenvolvem mais do que a média. Diversos alunos escrevem uma frase sobre um assunto. e responder a quatro perguntas: Quem sou eu? Como é a nossa escola? Como chegamos à escola? O que fazemos na escola? E por que essas práticas fazem diferença na aprendizagem? CELIA De cara. Cada um deve fazer a atividade individualmente. avança da periferia para o centro.. mas não sabem se o correto é pôr uma vírgula ou um ponto. como o uso do espaço na folha de papel? . há os estudantes que usam. Isso os anima a frequentar a escola para adultos". Quais são as dificuldades mais comuns apontadas pela pesquisa? CELIA O "erro" que as crianças mais cometem nesse processo de entender o que é e para que serve a pontuação é a dificuldade de identificar as tais unidades sintáticas. além das turmas que participam do projeto. saber que é preciso ter um destinatário para qualquer produção textual é fundamental para o sucesso do trabalho. E o desempenho dos nossos alunos é claramente melhor do que os desse grupo de controle. como escreveu Emilia Ferreiro? De que forma as crianças incorporam as informações que a escola lhes oferece? Que relação existe entre a pontuação e a ortografia? Que relação existe entre a pontuação e outros recursos para organizar os textos. percebem a importância de saber ler e escrever. Qual é o papel do professor diante de situações como essa? CELIA Acredito que todo professor precisa se fazer algumas perguntas para ajudar a turma a se desenvolver. emendam uma nova frase sobre outro tema.não só porque o professor está mandando. sinais de pontuação. Desde o início. de fato. Além disso. Sem ponto nem nada. As crianças percebem que escrevem para alguém que vai ler .. quando viajam para vender a colheita ou os animais no mercado.28 nossos pais e mães não puderam ir à escola quando eram pequenos. Quais sinais os alunos utilizam primeiro? Quais são os mais usados por cada um? A pontuação. "Existem crianças que brigam e crianças tranquilas na escola na escola temos televisão. numa folha de papel. que é bem maior entre as crianças que não recebem a orientação. Mas. Veja dois exemplos reais. o total de palavras nos textos é de 145 nas salas que participam do projeto e de apenas 77 no grupo de controle.

O que realmente importa é observar os alunos e entender o processo para ajudá-los a superar as barreiras.e que ainda não há pesquisas específicas na área de didática que ajudem a pensar em atividades ou sequências que garantam um avanço mais eficaz na direção de fazer as crianças aprenderem a usar a pontuação. é empregado no fim da linha (mesmo que não seja o fim de uma frase). Que elementos a garotada costuma usar primeiro em seus textos? CELIA As formas mais comuns são os espaços em branco para separar frases ou parágrafos. Quando percebem que isso aparece em outros textos. todos os professores dão nota zero. Como. faz um trabalho genial. para concluir o texto. então. os pequenos passam a usar vírgulas para separar elementos numa lista. Também há os que usam aspas para títulos e para delimitar grupos (2º ano "A") e os dois pontos antes de uma lista ou para indicar horário. assim como um travessão no fim de cada linha. ocupando uma página inteira. claro. no fim de abreviaturas. Ela não usa corretamente as maiúsculas e organiza o texto praticamente sem pontuação. O ponto. para delimitar frases no interior de um parágrafo. e. Uma linha ao longo de toda a superfície do papel também aparece com frequência para separar parágrafos.a chamada psicogênese . atuar para fazer a garotada entender as regras de pontuação e usálas de forma convencional? CELIA Não há soluções mágicas. pois é bastante fácil compreender o sentido. No entanto. em geral. Eu me chamo Karina eu vivo em Santa Maria tenho 7 anos Minha professora se chama Maria Cruz Minha casa é grande e branca" E por aí vai. Por mais que existam atividades eficazes para dar início ao trabalho.29 É possível dar um exemplo de uso do espaço como forma de pontuação? CELIA Veja um trecho de um texto produzido por uma de nossas alunas: "MINHA ESCOLA Quem sou. Cada linha é uma frase e cada frase tem apenas um verbo. e nem é isso que buscamos com a pesquisa. Na verdade. . é essencial entender que o que fazemos é um primeiro passo para descobrir como os alunos aprendem . para delimitar os parágrafos.

o docente trabalha o comportamento escritor. explica Silvana Augusto. pois o conhecimento do sistema alfabético não é pré-requisito para a produção de texto. ditando as informações que pesquisaram em duplas. eles se concentram nos desafios da produção do texto: a definição do conteúdo.com.30 Alfabetização inicial . a adequação a um gênero e a organização da linguagem escrita. individual ou coletivamente Anderson Moço (novaescola@atleitor. o ditado foi patrimônio do professor: um texto ou uma lista com o propósito de avaliar se a turma sabia escrever de acordo com as regras da ortografia. não é preciso saber grafar as letras para organizar as ideias tal como se escreve". .Prática pedagógica . Foto: Marcos Rosa Por anos.br) PROFESSORA ESCRIBA Os alunos produzem um texto sobre os polos norte e sul. "É importante criar espaços para que as crianças usem a linguagem escrita antes de ler e escrever. ou seja. Hoje. as diferenças entre a linguagem oral e a escrita e a importância de sempre revisar o que é produzido. Isso mudou . formadora do Instituto Avisa Lá e professora do Instituto Superior de Ensino Vera Cruz. Livres de questões relacionadas à grafia e ao sistema de representação. ambos em São Paulo. uma das quatro situações didáticas previstas pelos principais programas oficiais de alfabetização inicial é pedir que os alunos produzam textos oralmente para se perceberem capazes de escrever antes de estarem alfabetizados. A criança que não sabe escrever de forma convencional está diante de uma situação-problema que permite a ela observar o desenvolvimento de seu processo de aprendizagem e da compreensão da linguagem escrita.Produção de textos Edição Especial | Março 2009 Produzir texto sem escrever Ao desempenhar o papel de escriba e pedir que os estudantes criem oralmente um texto.tanto nos objetivos como na forma.

.Propõe a produção de texto com propósitos comunicativos claros. Na EE Nelson Fernandes.). ressalta Silvana Augusto A produção precisa ter um destinatário real.por meio das leituras e releituras do que já foi escrito . a criança desenvolve critérios para a formação das preferências". as crianças escolhem uma das leituras realizadas para que seja produzida uma recomendação. a recomendação de um livro lido etc. mudando o tom de voz. sugerindo como melhorar a narrativa. Foi o que aconteceu com a sala da alfabetizadora Carlene Fernandes Lima após a leitura de A Fantástica Fábrica de Chocolate.Oferece às crianças espaço de troca de experiências e preferências. Diário da professora Carlene Fernandes Lima .e fazem adequações na produção: incluem pausas. do escritor galês Roald Dahl. . nos quais as crianças expõem sua opinião e aprendem a reconhecer e expressar preferências como leitoras. pedi que elas me ditassem um texto de indicação literária. O texto que será grafado pelo professor precisa ter uma função comunicativa definida (a produção de um bilhete. Fotos Marcos Rosa Uma atividade de ditado para o professor que não deve ficar fora do planejamento das aulas diz respeito à produção de textos de indicação literária. Indicação literária Neste trabalho. repetem partes quando necessário e distinguem o que dizem para ser escrito do que dizem como interlocutores. os alunos da 1ª série contam com a ajuda do professor para escrever o texto. No começo do ano.Após a leitura de um livro que as crianças adoraram. Ao fazer isso. Semanalmente. Na hora da revisão. contemplando diferentes gêneros. ritmo e velocidade. que será encaminhada a outras turmas.31 A elaboração de um texto vai muito além do registro gráfico. elas foram percebendo expressões repetidas no texto e frases que precisavam ser alteradas. as indicações literárias fazem parte do planejamento de toda a escola.Seleciona um material de leitura de significativo valor estético. Essa situação didática deve fazer parte da rotina da alfabetização inicial. "É um comportamento usual entre as pessoas indicar os livros de que gostam mais. Durante o ditado para o professor. o professor: . Elas ditam seu parecer sobre o material e os motivos para recomendar essa leitura. que anotei no quadro-negro. os alunos comandam a produção do texto no conteúdo e na forma . em São Paulo. .

Desenvolve o comportamento escritor: planejar. pois. Carlene relia o que estava escrito. ele explicita aos estudantes os comportamentos próprios de quem escreve".Como vamos começar esse texto? perguntou a professora. . Ele deve chamar a atenção sobre a estrutura. e partiu delas mesmas a iniciativa de escrever uma recomendação para a 1ª série C. que não deixa a gente perder a atenção . estimulando a turma a expor suas ideias. . a professora passou mais de uma semana lendo diariamente um ou dois capítulos de cada vez. .Permite aos alunos que se sintam escritores e produtores de texto antes de saber grafá-lo. . Por fim.Depois de lermos na sala de . passaram a ditar uma descrição do enredo. as crianças se identificaram com o personagem principal. "aí" e "daí" (marcas da oralidade) precisam ser trocadas por outras mais adequadas à linguagem escrita e que marquem a temporalidade e a causalidade. ressalta Silvana. prática que elas já estavam acostumadas a realizar. então.Aborda questões relacionadas ao gênero e às características da linguagem escrita. Terminada a leitura.Vamos colocar que esta é uma história encantadora e envolvente.32 Por ser um livro grande. Carlene abriu a conversa. A cada nova passagem. negociar significados e propor a substituição de palavras repetidas. Reescrita de história Neste trabalho.A gente tem de contar um pouco da história para que eles também tenham vontade de ler . "O papel do professor aqui é fundamental. ao escrever no quadronegro. O debate foi acalorado.disse um aluno. Todos. Diário da professora Rozangela Barbosa Cardoso . Expressões como "e".ditou uma das crianças. como "de repente". muitas vezes utilizando expressões que tinham visto no livro. os pequenos ditaram os motivos que os levaram a escrever aquela recomendação e utilizaram expressões que estavam nos modelos de indicação literária que Carlene havia mostrado. . o menino Charlie. o professor: . textualizar e revisar.

A cada conto finalizado. Antes de propor essa atividade. professora . No livro Aprender a Ler e Escrever. no início do ano ela se deparou com uma situação comum nas escolas brasileiras: menos de um terço de seus alunos estava no nível alfabético.Começa por "era uma vez". em que viram como os autores resolvem problemas semelhantes. O próximo passo foi começar a produzir o texto. pois uma parte tinha ficado confusa. o professor deve realizar situações de leitura de diferentes textos de um mesmo gênero para a ampliação do repertório linguístico dos alunos e a apropriação de suas características. Rozangela desenvolveu um projeto de reescrita de histórias de bruxas. Fotos Ivan Amorim As atividades de reescrita de textos diversos favorecem a apropriação das características da linguagem escrita.33 aula vários livros com bruxas como personagens." para que os alunos pudessem consultar as características que haviam encontrado.disse um dos alunos. aprender a reescrever.Eles usam outras palavras. Planejadas com o objetivo de eliminar algumas dificuldades inerentes à produção de textos. . Ela escreveu no quadro-negro uma lista intitulada "Nas histórias de bruxas tem. os alunos produziram uma versão própria. . das convenções e das formas. Num segundo momento. consistem em recriar algo com base no que já existe.. a 580 quilômetros de Curitiba. Professora da 2ª série. sobretudo. que tipo de reflexão deve ser feita na hora de escolher a forma e a sequência dos fatos e destacar as . É importante ajudar a turma a perceber como se trabalha um texto. explica Silva Augusto. Em um primeiro momento.. como os autores fizeram? . da EM Sebastião de Mattos. Esse tipo de intervenção da professora é de grande valia nas situações de produção. dos gêneros.Mas será que a gente não consegue encontrar outro começo? Esse não é muito comum? Nas histórias que lemos. Depois a professora pediu que eles destacassem oralmente o que caracteriza uma história de bruxa. Foi o que fez Rozangela Barbosa Cardoso. ela explicou que eles produziriam coletivamente um conto sobre bruxas e iniciou a leitura de diversos livros que tinham essa personagem. Que tal "um certo dia"? – propôs outra criança.indagou a professora. uma roda de conversa sobre o texto era realizada. "A reescrita não equivale a uma cópia porque a criança fará uma versão pessoal do texto fonte". . a pesquisadora argentina Ana Teberosky afirma que a orientação que se dá para a utilização do textomodelo pressupõe que aprender a escrever é. em Umuarama. Para melhorar o texto. pedi que eles retomassem a história. eles encontraram respostas nos livros lidos.

em outra aula. a professora retomou a produção. .Explora as características do texto de caráter científico e informativo. Eles trabalharam em duplas e um deles ficou com a tarefa de escrever o que ambos julgaram importante. "As crianças perceberam que precisávamos melhorar a coerência da narrativa para que o leitor não tivesse dúvidas. Terminada a segunda versão. . Com os dados coletados na pesquisa e a leitura feita por mim. relendo. para alterar algumas expressões e acrescentar novas frases para que a história ficasse mais redonda. No dia seguinte. seguindo as pesquisas mais . Diário da professora Anna Lúcia Schneider .Pedi que os estudantes pesquisassem nos livros informações sobre os polos norte e sul para saber como vivem ali as pessoas e os animais. Sugeri que eles procurassem nos livros como os autores resolvem esses problemas.Propõe a pesquisa e a busca de informações. entregou uma cópia para cada um deles." Texto informativo Neste trabalho.Amplia o universo de conhecimento e informação do aluno acerca de um tema específico. eles pediram. Os estudantes continuaram ditando a história até que a primeira versão fosse finalizada. Saber extrair informações de textos e aprender com eles é uma condição para se tornar estudante. pois eles permitem o acesso a informações diversas e contribuem para o aprendizado dos procedimentos de pesquisa e de estudo. A atividade de produção do texto oral com destino escrito no gênero informativo é fundamental na alfabetização inicial. Fotos Marcos Rosa É muito importante que desde cedo os alunos tenham contato com uma boa variedade de textos informativos e de caráter científico. grifando passagens e propondo que juntos tentassem melhorar o texto. pedindo que revisassem e tentassem encontrar partes que ainda precisavam ser trabalhadas. Depois da pesquisa. eles produziram um texto informativo sobre a vida de um bicho. Rozangela digitou no computador a história e. então. o professor: .34 questões de estilo e de efeito que deve provocar no leitor.

Na Escola Alecrim. Depois. "Ao participar desse tipo de situação de escrita. explicações e curiosidades. ele tem mais uma oportunidade de analisar e refletir sobre o sistema de escrita e ainda entra em contato com informações variadas. tentou descobrir o que o grupo conhecia sobre o tema. em São Paulo. Ela levou livros com informações sobre as regiões e os animais e pessoas que vivem nelas. Ela circulava pela sala para ver se alguém precisava de ajuda. na qual se reproduz o contexto cotidiano em que escrever tem sentido. explica Silvana Augusto. Primeiro. Anna Lúcia propunha uma discussão. clima etc. ela explicou que o produto final da atividade seria um livro ilustrado e que cada um receberia uma cópia. a professora Anna Lúcia Schneider propôs um projeto sobre os polos norte e sul. Além disso. A cada texto finalizado.35 consistentes na área. Todos eram estimulados a trocar informações e a mostrar para os colegas o que haviam descoberto. É percebendo a função social da linguagem escrita. formou duplas e pediu que cada uma pesquisasse sobre um aspecto dos polos (animais. O passo seguinte foi a escrita coletiva. As informações estão de acordo com o que lemos? Será que o leitor vai entender o que queremos dizer? Eles consultavam os livros para checar se estava tudo certo e se havia uma maneira melhor de construir o texto. . utilizando a linguagem. as características do comportamento escritor e a importância de trabalhar o texto que a criança vai avançar na compreensão da linguagem que usamos para escrever. O trabalho com produção escrita deve ser uma prática continuada. a organização e as expressões características. o estudante passa a se familiarizar com as maneiras de buscar e apresentar informações".). Em seguida.

Prática pedagógica . o sentido da escrita alfabética é adquirido com o tempo: as palavras se dispõem quase sempre em linha reta e descontínua e possuem uma quantidade de letras. na Espanha. O segredo para ensinar a ler é dar condições para o aluno resolver problemas que lhe permitam avançar como leitor e escritor. confrontando-se com textos desde o início da alfabetização. professora da Universidade de Barcelona. a escrita ultrapassa os limites da sala de aula.Leitura pelo aluno Edição Especial | 03/2009 Desde o começo É preciso oferecer textos à criança já nas primeiras atividades de alfabetização porque conhecer seus usos e suas funções favorece a reflexão sobre o sistema de escrita APRENDER A LER LENDO Os alunos podem avançar se colocados em atividades que proporcionam a eles situações reais de leitura. o professor: • Propõe a reflexão sobre o sistema alfabético de escrita. Diferentemente dos desenhos. O longo processo de conhecimento da linguagem escrita tem início antes de ela frequentar a escola. uma das quatro situações didáticas básicas para a alfabetização. que se alternam e se combinam para formar um significante. A criança não tarda em reconhecer e distinguir palavras de figuras ao abrir um gibi ou um livro. Está presente em todas as etapas da vida e atinge o ser humano desde que surge o interesse pela representação gráfica.36 Alfabetização inicial . Foto: Marcelo Min A criança compreende o sistema alfabético na prática de leitura. Texto memorizado Neste trabalho. . que comunicam referentes com facilidade. Segundo Ana Teberosky.

37 • Proporciona situações reais de leitura com cantigas e parlendas. • Permite que os alunos estabeleçam uma relação entre o oral e o escrito.

Diário da professora Ana Rosa Piovesana - Um aluno leu a letra da cantiga que escrevi em um papel pardo, preso na parede a uma altura que permitia acompanhar com o dedo. Eu também dei uma cópia do texto para cada um colar no caderno e acompanhar a leitura na carteira e fiz algumas intervençoes para que todos analisassem mais do que a primeira letra da palavra e usassem diversas estratégias. Fotos: Kriz Knack Segundo Beatriz Gouveia, coordenadora do programa Além das Letras, do Instituto Avisa Lá, em São Paulo, é o contato com o texto que permite ao aluno refletir sobre o funcionamento do sistema de escrita. “A reflexão constante possibilita desenvolver estratégias de leitura”, explica a educadora. Tais estratégias são postas em prática pelas crianças sempre que tentam “ler” mesmo sem saber ler. “Elas antecipam o que pode estar escrito. Como ainda não dominam o sistema, estão o tempo todo usando informações sobre a escrita do próprio nome, do nome dos colegas ou outros que trazem da própria experiência.” Beatriz esclarece que essa tentativa de leitura não é aleatória. Ao contrário, “é um trabalho intelectual. A criança compara as palavras, seleciona, olha para todas as pistas e só então verifica o que está escrito”. Existem atividades que ensinam o aluno a ler ao mesmo tempo em que proporcionam situações reais de “leitura”. Um exemplo é uma coletânea de cantigas e parlendas que as crianças já conheçam de cor. A letra da música é afixada pela professora na parede da sala de aula de maneira que todos possam acompanhar a leitura enquanto cantam. Assim – sempre com a intervenção da professora –, constroem relações entre o que pronunciam e a escrita correspondente. A professora Ana Rosa Piovesana conseguiu alfabetizar todos os alunos no 1º ano da EMEB Rosa Scavone, em Itatiba, a 89 quilômetros de São Paulo, lançando mão de atividades de leitura e escrita de cantigas e parlendas, entre outras. No início de 2008, sua sala tinha oito crianças pré-silábicas, duas silábicas sem valor, oito silábicas com valor, uma silábica-alfabética e duas alfabéticas. Antes de tudo, Ana Rosa pergunta quais cantigas todos conhecem. Esse levantamento é importante para saber que canções fazem parte do repertório comum da classe. Como as crianças ainda não dominam o sistema de escrita, a memorização prévia da canção que será “lida” é essencial para saber o que está escrito e tentar ler onde está

38 escrito: se trabalha a música O Sapo Não Lava o Pé, por exemplo, o estudante saberá que as estrofes que tentará ler durante a atividade correspondem tão-somente à letra dessa música. “Escrevo a letra das cantigas num papel pardo e coloco na parede da sala. Também entrego uma cópia para cada um colar no caderno para levar para casa e ler com os pais”, diz Ana Rosa. “Então cantamos a música, acompanhando a letra, apontando e fazendo o ajuste do falado ao escrito conforme ela vai sendo cantada. Depois, peço que encontrem palavras da música.” Ana Rosa descreve as intervenções realizadas com um de seus alunos durante o trabalho com uma das cantigas. Os versos em questão eram: “Havia uma barata/ Na careca do vovô/ Assim que ela me viu/ Bateu asas e voou”. Ana perguntou: – Lucas, encontre para mim na cantiga a palavra “vovô”. Ele apontou a palavra “voou”. – Lucas, diga com que letra começa a palavra “vovô”? – Com “v”, de Vanessa. – Muito bem, mas... – Mas esta também começa com “v” – disse Lucas, se antecipando à docente e apontando para a palavra “vovô”. – Então, com que letra termina a palavra “vovô”? A intervenção nesse caso levou o garoto a analisar mais que a primeira letra da palavra para conseguir lê-la e encontrá-la. “Lucas observou que ‘voou’ não tinha a letra ‘o’ no fim, percebeu que aquela não era a palavra correta e recorreu novamente à música para encontrar o que havia sido pedido”, explica Ana Rosa.

Títulos de livros
Neste trabalho, o professor: • Propõe a reflexão sobre o sistema alfabético de escrita. • Aciona estratégias de leitura que permitam descobrir o que está escrito e onde (seleção, antecipação e verificação).

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Diário da professora Tatiana Garcez Jora - Escrevi os títulos dos livros que selecionei em pequenas tarjetas de cartolina e apresentei três delas de cada vez aos estudantes. Depois que cada um escolheu o título de uma obra, pedi que eles procurassem por ela em uma caixa que matenho na sala de aula. Antes de retirar o que seria levado para casa, cada um colocou o título da história em um caderno que registra os empréstimos. Fotos Tatiana Cardeal O objetivo da leitura de títulos de livros é oferecer ao aluno o desafio de encontrar, entre muitas histórias, uma que gostaria de escutar em casa pela voz dos pais. Esse é o motivo pelo qual ele é levado a procurar em uma lista o título de sua história preferida. Isso é feito com base nos conhecimentos sobre a escrita de que já dispõe e naqueles que adquire com o passar do tempo – a escrita do próprio nome, do nome de colegas etc. Na EMEF Laura Lopes, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, Tatiana Garcez Jora começa essa atividade colocando os estudantes em círculo para que comentem o livro que leram com a família. A professora permite que eles citem os trechos da história que mais chamaram a atenção. A intenção é fazer com que apresentem as obras uns aos outros, despertando o interesse coletivo. Tatiana prepara pequenas tarjetas de cartolina. Em cada uma, vai escrito o título de um dos muitos livros que podem ser encontrados numa caixa que fica na sala de aula. Então um aluno se sente atraído por Branca de Neve. A professora seleciona três tarjetas, A Bela Adormecida, Branca de Neve e A Bela e a Fera, lê os títulos numa ordem e os apresenta à criança em outra. O fato de que os três títulos terem palavras começadas com “b” impõe a necessidade de encontrar na extensão da palavra mais indicativos – tamanho, outras letras etc. A professora fica ao lado do aluno durante as tentativas de leitura, fazendo intervenções que promovam a reflexão sobre o sistema de escrita, seja para levá-lo a repensar uma escolha, seja para pedir justificativas se ele aponta corretamente o título (leia a atividade permanente). Uma vez que o encontra, o estudante coloca o título num caderno para registrar o empréstimo e vai à caixa de livros, onde estará envolvido em outra atividade de busca, com o auxílio das imagens nas capas. Utilizar essas tarjetas que apresentam apenas o título das histórias, em vez de exibir as imagens na capa dos livros, permite o foco exclusivamente no contexto escrito – objetivo da alfabetização.

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Texto informativo
Neste trabalho, o professor: • Expõe o procedimento que os leitores experientes usam para buscar informações. • Formula questões sobre o que será lido e procura no texto como respondê-las.

Di ário da professora Lóide Carvalho de Vasconcelos - Pedi que as crianças procurassem na biblioteca da escola livro sobre girafas. Ajudei na leitura dos índices das obras para buscar as informações desejadas. Mostrei que apenas ver as figuras não basta. É preciso verificar se a informação está escrita. Organizei uma roda na sala para uma leitura coletiva das informações encontradas. Fotos Marcelo Min Em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a professora Lóide Carvalho de Vasconcelos iniciou com a turma de 1º ano da EMEB Anísio Teixeira o projeto Conhecendo os Animais. “Primeiro, perguntei a todos quais animais queriam conhecer melhor. Eles chegaram a um consenso e decidiram se aprofundar na vida da girafa”, explica Lóide. “Então levantamos questões sobre o que a girafa come, onde mora, quantos anos vive etc.” Para confirmar as respostas que os alunos deram às perguntas, a solução foi encaminhá-los à biblioteca. Na rede municipal de São Bernardo, a pesquisa não apresenta as dificuldades tradicionais que uma criança encontraria numa biblioteca comum. As obras estão dispostas por temas e divididos por cores. Os livros se organizam em ordem alfabética pelo sobrenome do autor e ficam com a capa à mostra para que o aluno que está aprendendo a ler possa utilizar as imagens como um instrumento adicional de busca. As estantes são baixas para que a criança alcance as obras. Lóide diz que os estudantes são orientados sobre como usar a biblioteca antes de sair à procura de informação. “Eles foram atrás de dicionários e enciclopédias em que pudessem constar informações sobre as girafas, além de livros e revistas” (leia atividade permanente).

Fora da escola. o alfabetizador tem um aliado: a escrita pelo aluno – uma das quatro situações didáticas básicas da alfabetização. Alfabetização inicial . a escrita aparece em listas de presença. que não fazem sentido para as crianças. por exemplo. testar e avançar nas próprias hipóteses MUITO ESFORÇO Na atividade de redigir uma lista.Leitura pelo aluno Edição Especial | 03/2009 Na ponta do lápis Desde as primeiras aulas. segundo pesquisas na área – como um instrumento com razão de existir. calendários. Nessas entrelinhas. quando há um contexto gerador de informações. “Se um aluno trazia um livro porque tinha visto uma figura de mamíferos. revistas. “Esse procedimento ensina a buscar informações de maneira cada vez mais autônoma e a compreender que só o desenho não esclarece tudo: é preciso ler. e-mail. assim. Foto Marcos Rosa No dia-a-dia da sala de aula.” Alunos e professora escolheram quatro livros. escrever leva a turma a refletir a respeito do sistema alfabético. não é diferente: está em cada carta. receita e bilhete. cartazes. livros. e não apenas como sílabas. Lóide formou uma roda e leu os textos para responder às dúvidas sobre a girafa. O papel da professora é investigar junto com a turma se os livros trazidos podem ou não servir para aprimorar o conhecimento sobre o tema. seguindo os mesmos procedimentos. No livro Aprender a Ler e a Escrever.. Depois. relata Lóide. o aluno escreve as palavras dentro de sua hipótese alfabética. eu lia o sumário com ele para saber se ali há elementos sobre a girafa”. “Mesmo que as crianças não saibam ler de forma convencional. palavras e frases soltas. elas conseguem realizar a leitura e. para ‘apropriar-se da linguagem escrita’ é necessário que . além de formular. Ana Teberosky e Teresa Colomer falam sobre a importância com esse cuidado: “Apesar de a criança aprender graças à interação com diferentes materiais gráficos..41 As obras são selecionadas. placa.Prática pedagógica . conclui a professora. cada um escolheu um animal para pesquisar individualmente. aprendem a ler”.

Antes de começar. Ciente da importância de propor à turma de 1º ano a escrita de textos conhecidos. Um desses momentos foi a produção escrita de Atirei o Pau no Gato. investiu em parlendas e cantigas para alavancar o processo de alfabetização. Fiz intervenções para incentivar a reflexão e a discussão dentro de cada parceria. Dividi a turma em duplas para permitir que um complementasse as idéias do outro. juntos. Mas. sem a preocupação de criar o texto. mas são as práticas culturais de interpretação que as transformam em objetos simbólicos e linguísticos.” Assim. contempla-se o preceito colocado pela psicolinguista argentina Emilia Ferreiro de que qualquer escrita é um conjunto de marcas gráficas intencionais. da EM Robert Kennedy. entre os silábicos com valor sonoro. Parlendas e cantigas Neste trabalho.Levei os garotos para o pátio da escola e eles memorizaram a cantiga enquanto brincavam. No começo. a 65 quilômetros do Rio de Janeiro. Diário da professora Cecília Pinheiro . Fotos: Ricardo Beliel Em 2008.42 ela participe de situações em que a escrita adquira significação. “Assim. ambos ficam relutantes e não querem abrir mão de suas opiniões. Já em sala. Cecilia decidiu fazer disso uma atividade permanente. existam os que queiram colocar apenas vogais e outros que optem por usar somente consoantes. as crianças tiveram mais oportunidades de se voltar apenas para o próprio ato de escrever. percebem que faltam elementos nos dois casos e passam a negociar”. . “É comum que. diz Cecilia. sem prender o pensamento à criação”. a professora propôs a produção de um cartaz que ficasse no corredor da escola para que outras turmas também apreciassem os versos da canção. conta a professora (leia o projeto didático). • Oferece espaço de troca de opiniões entre as crianças. Depois. em Petrópolis. separou o grupo em duplas para que um complementasse as ideias do outro. a classe foi ao pátio da escola para cantar e brincar com a letra da cantiga. o professor: • Foca a atenção do aluno apenas para o ato de escrever. a professora Cecilia Pinheiro.

voltar a elas quando necessário. eles escreveram quem estava na imagem e qual era o local. A cada nova dúvida solucionada. ao surgir a questão de o ‘qu’ nao escrever a palavra ‘queijo’. Que letra está faltando? A letra “o”. a professora ofereceu letras móveis para permitir a reflexão da dupla e fez uma intervenção: . Ainda em relacão às dúvidas ortográficas. conforme as crianças avançavam na alfabetização. mas. O trabalho com as letras . Álbum de legendas Neste trabalho. “não adianta mesmo falar em ‘s’ ou ‘ç’ para crianças que ainda não estão plenamente alfabetizadas.43 A escrita começou com lápis e papel. depois.O “d” sozinho não consegue formar o “do”. De acordo com Denise Maria Milan Tonello. texto.E como se escreve o “na”? Com o “n” sozinho? Não falta alguma coisa aqui? Falta o “a”. Por exemplo. o Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do Programa Ler e Escrever sugere não só o uso do dicionário como também consultas a uma lista de palavras organizadas coletivamente. Isso só ganhou destaque ao longo do ano. os alunos podem fazer um levantamento de outras em que o ‘q apareça e perceber que ele está sempre acompanhado do ‘u’”. berraram os dois. . As dúvidas aparecerão naturalmente e renderão boas chances de pesquisa. em São Paulo. Diário da professora Sandra Santos da Silva Jacques . o professor: • Mostra a importância do destinatário na construção do • Permite às crianças a discussão de critérios de seleção.Pedi que os alunos explicassem as fotos de viagens que trouxeram de casa. responderam. a turma pode escrever as grafias corretas e. Em duplas. Cecilia também conta que a cobrança da ortografia não foi uma preocupação nessa atividade. ao ver que uma dupla se deparou com o dilema de escrever “dona” como “oa” ou “dn”. pedagoga e orientadora do Colégio Miguel de Cervantes.

As crianças se apropriam da estrutura das legendas e percebem. Com sua turma de 5 anos. Com as imagens em mãos. os pequenos levantem ideias do que escrever de acordo com o que veem nas imagens. Alguns alunos escreviam nas legendas indicadores como “no mês passado” ou “no fim de semana”. A docente levou a turma a refletir sobre isso. a professora Sandra Santos da Silva Jacques. cada um relatou o que fazia no momento da foto. onde estava. as crianças são motivadas a explicar as informações de forma que possam ser compreendidas de maneira clara por qualquer leitor. sabendo que o álbum se destina aos pais e parentes. Fotos: Fernando Vivas Um aspecto que deve ser abordado nas primeiras atividades com a linguagem escrita é o destinatário. em um passeio. juntos. Ao mesmo tempo. Para isso. Ela também considera que o trabalho em duplas colabora com a construção dos textos e permite que. Lista de personagens Neste trabalho. assim você informa qual é o seu nome. a posição do enunciador se mostrou um problema. É preciso que as crianças tenham a chance de se questionar para quem escrevem e o que é preciso garantir no texto para que o leitor compreenda as informações registradas. por exemplo. Depois a turma iniciou a seleção das fotografias que entrariam no álbum e a escrita de legendas. que não são extensas e não começam com ‘era uma vez’”. do Colégio Miró. escrita. Além disso.” Outra questão recorrente nas discussões foi a temporalidade. optou por legendar um álbum de fotos dirigido à família da garotada. relata Sandra. viagem ou brincadeira.44 móveis propiciou a reflexão sobre o que escreviam e permitiu revisões. elas se comprometem com a tarefa porque preveem um propósito de leitura claro e ganham possibilidades de discutir critérios de seleção dos textos. “Textos curtos e em que apareça o nome do colega favorecem a realização da atividade. . em Salvador. A professora explicou a ele que o texto não poderia ser “Eu na fazenda” porque seria lido em outro lugar por pessoas que não o conheciam. Quando um aluno escreveu a legenda de sua própria foto. o professor: • Propõe a reflexão sobre o sistema de • Desenvolve na turma comportamento leitor e escritor. quem o acompanhava (leia o projeto didático). “Escreva Marcelo no lugar do ‘eu’. solicitou fotografias tiradas nas férias.

desse modo. Entre as demais expectativas estão compreender o funcionamento alfabético do sistema de escrita. A seleção para a escrita por parte dos alunos incluía elementos como ingredientes de receitas. escrever textos que . ela distribuía uma ficha de atividade individual.45 Diário da professora Adriana de Oliveira Rocha . escreviam seu nome com letras móveis. a cada etapa do trabalho. Adriana montou uma lista de personagens a serem nomeados por escrito pelos pequenos. A atividade começou com uma conversa sobre quais histórias faziam parte do repertório da turma e quais eram mais apreciadas. tornam as falhas mais aparentes. diz Denise Tonello. se possível. Para evitar que as crianças se percam em problemas como “cadê o L?”. Ao ler o que escreveram. Como a reflexão sobre o sistema de escrita é permanente e requer que a produção seja avaliada e revista pelas crianças. então. cada criança escreveu os nomes individualmente com lápis e papel. Com base nessa checagem inicial. das secretarias estadual e municipal de Educação de São Paulo. Depois de identificarem coletivamente quem era ele e de qual história fazia parte. Com a ajuda de peças móveis ou no papel. Depois da fase de discussões em duplas. do Colégio Sidarta. com uma gravura ou ilustração de um dos personagens previamente listados. escrever o nome do personagem que aparecia nela. Cada dupla de alunos teve de observar uma ilustração e. ela sugere não misturar uma quantidade grande de letras e.Utilizei as letras móveis para a atividade de listar personagens de contos infantis porque elas permitem revisar e mudar o texto facilmente. brinquedos que os pequenos levavam de casa e nomes de fantasias. Após as intervenções da professora e da troca de experiências dentro de grupos de trabalho. na ordem do abecedário. as letras móveis funcionam como boas aliadas. os alunos redigiam os nomes individualmente e com lápis e papel. Uma das listas foi a que compôs uma galeria de personagens conhecidos como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho (leia a sequência didática). os alunos realizam o ajuste entre o que se fala e o que se escreve e. Tal habilidade é tão importante que figura nas expectativas de aprendizagem do Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever. em Cotia. Então. “Elas permitem mudar o que foi escrito”. Fotos: Marcos Rosa A professora Adriana de Oliveira Rocha. guardá-las em caixas com divisões. é indispensável confirmar o que foi produzido. lançou mão das listagens com crianças de 5 a 6 anos no ano passado. na Grande São Paulo.

cartas e instrucionais. identificar a história com base no seu título e escrever a lista dos personagens. que. da Fundação Victor Civita. Foto: Tatiana Cardeal Sempre que o professor lê para a turma. A cada proposta. pedagoga e formadora de professores do Projeto Entorno. desenvolver o comportamento leitor e iniciar o processo formal de alfabetização . surgiam novos desafios. Alfabetização inicialPrática pedagógicaLeitura pelo professor Edição Especial | 03/2009 Pequenos leitores Ouvir permite às crianças ampliar o repertório cultural. Petrópolis. colaboraram muito na evolução da escrita das crianças. aumentar a familiaridade com a língua. personagens e autores e têm a oportunidade de se encantar com a leitura.46 conhece de memória. O desejo de aprender a ler para decifrar os livros preferidos com autonomia e descobrir novas histórias aumenta de intensidade". "As crianças conhecem narrativas. Segundo Adriana. de acordo com Denise. reescrever histórias conhecidas e produzir textos de autoria. reportagem sugerida pela leitora Josélia de Castro Silva. Essa é uma das quatro situações didáticas básicas no processo de alfabetização. o projeto dessa galeria ajudou a desenvolver comportamentos leitores e escritores ao longo do ano. diz Ana Flavia Alonço. revela as múltiplas possibilidades que os textos oferecem. como explorar livros da biblioteca de sala. lugares. como bilhetes. RJ COMPORTAMENTO LEITOR É fundamental que toda a turma participe da atividade. expondo suas ideias sobre o que foi lido. .

por si só. A figura de pais e professores é fundamental. não dá conta de alavancar o processo de alfabetização. Atitudes como essas compõem o chamado comportamento leitor.47 A leitura.por exemplo. levantando e explicitando hipóteses. o professor: • Apresenta à turma autores em obras de reconhecida qualidade. os alunos e a linguagem escrita. capaz de ser desenvolvido desde muito cedo com a ajuda dos mais experientes. Mas também deve estar ciente dos objetivos didáticos a que ela se destina . em São Paulo. Nas palavras da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro. apenas duas eram alfabéticas no início do ano letivo. pois faltam os procedimentos necessários à mediação entre o professor. bem que você disse que eu ia adorar aprender a ler. debatendo ideias. comentando o que foi lido. pois o interpretante informa à criança. afirma Célia Prudêncio. "a leitura é um momento mágico. que essas marcas têm poderes especiais: basta olhá-las para produzir linguagem". pode ser ensinada em situações em que a turma toda participe. Os alunos não tinham o hábito de ouvir e comentar histórias. Não basta simplesmente fazer uma sessão por dia sem propósito comunicativo. pois eles assumem o papel de condutores de seus ouvintes para um mundo fantástico. Em dezembro esse número saltou para 29 e todos passaram a participar de discussões sobre as obras lidas. ela mostra o resultado de um investimento feito desde o primeiro dia letivo – incluir a leitura na rotina da classe. se os objetivos não estiverem claros. formadora do Programa Ler e Escrever. Conteúdo relacionado Sequência Didática • Comparar histórias Projeto Didático • Leituras simultâneas de contos Atividade Permanente • Leitura compartilhada e debate É preciso. da EMEF Padre Gregório Westrupp." Sirley Aparecida Mastini da Costa. "Quando o professor lê. como prática social. "Professora. diferenciar a linguagem escrita da falada ou conhecer o estilo de um autor". do governo do estado de São Paulo. emociona. a leitura. tem de considerar sua ação como prática social que entretém. De 33 crianças. que chamamos de 'um ato de leitura'. diferenciar versões da . informa e diverte. Dita por um aluno de 1º ano em 2008. Segundo ela. ao efetuar essa ação aparentemente banal. porém. guardou a frase na lembrança. ter em mente a intenção da leitura. Indicação literária Neste trabalho. • Comunica os motivos pelos quais selecionou o livro. • Lê o texto tal qual está escrito.

A escolha dos textos requer cuidados especiais. apresento seus autores e falo de outras obras deles. participar de atividades de contação de histórias organizadas pelos mais velhos e. Ou seja. Após a sessão. orienta Ana Flavia. é importante definir previamente possíveis intervenções que auxiliem na compreensão do texto e. diz Sirley. Por isso. lembrando sempre que a quantidade de vezes em que ela é realizada é menos relevante do que a qualidade da situação didática. "Depois que uma atividade acaba. A qualidade se faz ainda mais necessária. Percebem que. converso com as crianças sobre o autor e sobre o que o título da história parece sugerir". já alfabetizados. todos a serviço da produção de sentido por parte dos pequenos. Eles passaram a levar exemplares de casa para a escola. cobrar os momentos de leitura. definir qual o melhor momento da rotina para a leitura em voz alta.48 mesma história e conhecer o trabalho de autores como Ziraldo e Monteiro Lobato. para escrever. "Atuar como leitores competentes é também um aprendizado. Aspectos como esses devem ser levados em consideração durante o planejamento da aula. uma boa preparação requer uma pesquisa detalhada sobre o autor. a coleção elementos que não apenas enriqueçam o repertório da turma como também sirvam de base para as escolhas que todos farão como leitores. Diário da Professora Sirley Aparecida Mastini da Costa .Antes de iniciar a leitura. sempre que possível. o ilustrador e. então. conta Sirley. Resta. montar as próprias rodas literárias. “Além da história. eu destaco a capa dos livros. é comum as crianças formarem grupos e retirarem outros livros das estantes. pois a leitura em voz alta é uma porta fundamental para que os pequenos entrem no mundo letrado (leia a sequência didática). Fotos: Tatiana Cardeal Com tais objetivos em vista. que encantem as crianças. seleciono obras clássicas e atuais para ler diariamente". E é importante que o professor também conheça e aprecie a história”. a professora investiu na organização dos momentos de leitura: "Para entrar no clima. retiram livros das estantes e leem para os colegas". com ritmo e gestos. “Devem ser obras bem escritas. A atenção dos pequenos ouvintes ficou cada vez maior e cresceu também a vontade de conhecer outros livros. se houver. Além disso. as crianças assimilam aspectos da estrutura do texto. treinar a história em voz alta. é preciso ter muitas letras e . vão por conta própria para o fundo da sala.

entre obras literárias. o professor: • Apresenta a variedade de gêneros literários. "Ao contrário. subtítulos e legendas. Diário da professora Maria Aparecida de Araújo Silva . procuro mostrar que. Entre os textos literários. ao ouvir histórias. a professora Maria Aparecida de Araújo Silva. para descobrir o significado de termos desconhecidos. • Aponta estratégias para buscar informações em títulos. em Salvador. as crianças exploram as obras para escolher a história que lerei a seguir". dicionários e publicações sobre arte e animais. Depois disso. despertar neles a preocupação de cuidar dos volumes. depois dessa atividade. que tem até uma boneca de pano como mascote. poesia. Ela também investiu na decoração da sala de leitura com almofadas e . ela contém mais de 40 livros. é recomendável evitar aqueles em que a transmissão de uma moral supere a qualidade literária. Escolha de obras Neste trabalho. Aí os meninos passam a escolher livremente o que ler e se espalham pela sala. sentindo a necessidade de cada um. Consegui. do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp). que levo do lado de fora para criar um clima gostoso. em Presidente Prudente. De acordo com Ana Flavia. • Desperta nos alunos a vontade de cuidar dos livros.49 colocadas em lugares certos”. diz. "Antes de começar abrir a mala. leio um livro ou texto avulso. as crianças estabelecem relações acerca dos termos que não conhecem e ampliam seu repertório". É a biblioteca circulante.Eu ajudo os alunos na escolha do livros e na leitura. Fotos: Fernando Vivas Todos os dias. basta procurá-las no dicionário". diz Maria Aparecida. A intervenção inicial dura cinco minutos. Abastecida com frequência pela biblioteca da escola. a 565 quilômetros de São Paulo. Outro cuidado de Sirley é em relação ao vocabulário. afirma Maria Peregrina de Fátima Rotta Furlanetti. Ela não troca nem simplifica palavras. responsável pela sala de leitura da EM Teresa Cristina. passa pelas salas de Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental levando uma mala de rodinhas que esconde um verdadeiro tesouro. a medida é importante "porque cada palavra contribui para a beleza do texto literário e também porque.

têm hoje só leitores interessados e responsáveis. que podem ser um reconto. escolher as obras preferidas e até inventar as próprias histórias". de modo que todas possam escutá-la claramente e enxergar as páginas da publicação. todos querem cuidar dos volumes. professor e alunos exploram essa imensa gama de possibilidades. então. De acordo com Célia Prudêncio. Livros variados Neste trabalho. Por exemplo: buscar informações em títulos. algum aspecto da história. que lotam na hora do recreio. "É preciso ter sensibilidade para perceber as necessidades da turma. sempre terminar com um desenho sobre a história que foi apresentada. as crianças se organizam ao redor da professora. contos. um debate de ideias ou até mesmo o silêncio". por exemplo. "Independentemente da idade. entre outros (leia o projeto didático). "Explique que muitas dúvidas são respondidas no desenrolar da história e que. poemas e notícias. Esse momento posterior à leitura é bastante flexível . poderão perguntar o que não entenderam. ou seja. dados do texto e informações fornecidas pelo contexto. Maria Aparecida comenta. no fim da leitura. Juntos. o professor: • Aproxima os alunos de diferentes gêneros literários.conhecimentos do leitor. que servem de estantes em todas as salas até o 2º ano. uma dramatização. pedir a releitura de trechos e até folhear o exemplar". os resultados não demoram a aparecer. • Abre espaço para que elas demonstrem livremente suas impressões. Desse modo. "a variedade de gêneros deve ser um eixo do trabalho do professor. da Unesp. diz Ana Flavia Alonço. E vale lembrar que esse é um ótimo momento para combinar com as crianças que elas devem evitar interrupções. sugere Maria Peregrina Furlanetti.só não deve cair na rotina de. selecionar dados e reler para retomar dúvidas ou apenas voltar a trechos apreciados. como quem é o personagem principal ou onde a trama se passa. Assim. que coordena informações de diversas procedências . bem como os propósitos com que são escritos e lidos. .50 tapetes doados. então. e na instalação de sapateiras. num processo ativo de construção de significados. As turmas. • Cria situações em que eles possam atuar como leitores. Em cada momento de leitura. Esse contato permite à criança apreender as características específicas de cada gênero. conta a professora. que antes do início do projeto de biblioteca circulante chegaram a estragar 45 livros em uma semana. É importante garantir a diversidade textual. ler diferentes textos com diferentes objetivos". fornece elementos que ajudam os pequenos a formular suas primeiras hipóteses. realizando a leitura de obras literárias.

a textos informativos. . o que não agradou. por exemplo. Para tanto. Na segunda. Toda sexta-feira. "Depois de ouvir a leitura de um texto sobre um animal. o que faz dela algo especial . cada aluno escolhe um livro para levar para casa. É nesse espaço que podem demonstrar livremente suas impressões. as obras vão de clássicos. lê o título. conta. Todas as sessões de leitura são seguidas de conversas para a exposição de ideias (leia a atividade permanente). é importante explicar por que determinada leitura foi escolhida. A roda de biblioteca complementa a leitura diária. em especial porque queriam muito encontrar as informações". se leram com ajuda ou não. se as expectativas foram correspondidas .Antes de começar a leitura em roda com os alunos. ao longo do ano. sem trocar palavras para simplificar o vocabulário. Na sala de Daniela. é importante não interromper e não induzir a opiniões. Ensinar a ler não é transmitir conteúdos. que ela lê em capítulos. mas criar situações em que as crianças possam atuar como leitoras. O cardápio de textos oferecidos é bem variado. como O Mágico de Oz. fazem roda para comentar o que gostaram. Antes de entrar em sala.e deixar claro qual será o gênero.tem frases engraçadas. Quando mais de uma criança falar ao mesmo tempo. Foi assim que os alunos de Daniela passaram a agir. comenta o tema e abre o livro. “Percebi que. eles se sentiram cada vez mais motivados a ler. Eu complemento a atividade oferecendo exemplares que eles podem levar para casa. É enriquecedor voltar aos trechos comentados pela turma e ajudar a identificar pontos em que as imagens são fundamentais para o desenrolar da história. basta pedir que esperem a vez. Já com os alunos.51 Diário da professora Daniela Ribeiro . eu explico porque escolhi o livro do dia. as crianças se divertem falando sobre o lugar onde ele mora e outras curiosidades. ilustrações interessantes. Nesse caso.hábitos que podem ser construídos antes mesmo de a turma dominar a escrita. Quando alguém pergunta qual é o segredo para terminar o ano com todos os alunos alfabetizados. Fotos Kriz Knack Daniela Ribeiro deu aulas em 2008 para a turma de 1º ano da EMEF Rosalvito Cobra. ela treina a entonação. um tema atual ou um personagem curioso . Revelar esses elementos ajuda as crianças a selecionar as próprias leituras e justificar tais escolhas. na Grande São Paulo. em São Caetano do Sul. Eles buscam as ilustrações e as relacionam com trechos da história que eu narrei. ela não pensa duas vezes: a leitura.

O alfabeto da classe é um companheiro permanente para quem ensaia os primeiros passos no universo da escrita. a resposta também está lá. é só caminhar pela sequência de letras até encontrá-lo.de preferência.ratier@abril. o alfabeto ajuda as crianças a tirar dúvidas sobre a grafia das letras com autonomia Rodrigo Ratier (rodrigo. no campo de visão de todos os alunos. é a ele que os pequenos recorrem quando querem encontrar uma letra e saber como grafá-la. mas esqueceram o jeitão dele. ele ocupa uma posição central na classe . Se sabem que "gato" se escreve com G. acima do quadro. Foto: Gilvan Barreto Pendurado na parede desde o primeiro dia de aula. Conteúdo relacionado Reportagens • • • Pequenos leitores Alfabetizar é todo dia Tudo sobre alfabetização Atividades . a turma consulta o alfabeto na parede para conferir a grafia correta das letras. Se na hora de escrever "mar" bater a dúvida de quantas perninhas tem o M.com.br) É ASSIM QUE SE FAZ Na EM Atenas.52 Alfabetização inicialPrática pedagógicaEscrita pelo aluno Edição 220 | Março 2009 O alfabeto não pode faltar Ferramenta indispensável nas salas de séries iniciais. Material de apoio precioso para um ambiente alfabetizador na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

Uma excelente chance para conhecer esses e outros procedimentos essenciais para o letramento é a edição especial NOVA ESCOLA Alfabetização (leia o quadro "Um raio X da alfabetização"). que teve o alfabeto como aliado em todas as etapas.sala de alfabetização inicial. deve estar presente em toda . a confecção das agendas fez parte de um projeto amplo. quando o professor atua como escriba).53 • • • • Nomes próprios Legendas para fotos Hora da chamada Criar agendas telefônicas Não espanta o consenso de que um alfabeto. Nessa tarefa. no Rio de Janeiro. Responder aos dois principais problemas da alfabetização SABER NECESSÁRIO Agendas telefônicas mostram a importância da ordem alfabética numa situação real. em toda . "Ele ajudou a turma do 2º ano a conferir a grafia e a pronunciar o nome das letras ou como apoio à memória para saber qual a posição de uma delas na sequência". ele é um precioso instrumento de consulta para as situações de escrita. O . Se você leciona para pré-escola. uma das quatro situações didáticas mais importantes nesse processo (as outras três são a leitura pelo professor. diz. Afinal. organizado em cartazes ou painéis de tamanho razoável. afirma Clélia Cortez. Foto: Gilvan Barreto Uma oportunidade de fazer isso é trabalhar com a construção de agendas telefônicas (leia o projeto didático).sim. formadora do Instituto Avisa Lá. a utilidade da ordem das letras fica clara: ela serve para tornar a busca de nomes mais rápida e precisa. No caso de Janine. da EM Atenas. em São Paulo. precisa dominar essas práticas. ajudando a responder aos dois principais problemas de quem está entrando no processo. a leitura pelo aluno e a produção oral com destino escrito. Apenas mandar a garotada ler a sequência de A a Z não faz ninguém avançar na alfabetização. 1º ou 2º ano. Isoladamente. A proposta foi adotada pela professora Janine Caldeira Veiga. ele não é nada além de uma lista de letras. Para que o alfabeto realmente ajude na compreensão do funcionamento da escrita. é preciso saber usá-lo. o instrumento é útil durante todo o início da alfabetização. mas esse saber deve ser acionado pelas crianças durante atividades de reflexão sobre a escrita". "Memorizar a ordem das letras é importante. De fato.

coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. com um contorno que se mistura ao da letra.54 primeiro . Agora olhe o que você escreveu: "AO". Para desenvolver a autonomia. "Nessa fase inicial de aprendizado. . por exemplo. Onde a gente pode colocar o P na sua escrita? Outra dúvida comum diz respeito à grafia das letras. A forma do G é uma das mais problemáticas. . Por exemplo.pode ser enfrentado quando alguma palavra apresentar falta de letras. antes de produzir o alfabeto da classe. de contornos mais limpos e claramente identificáveis quando reunidos em palavras.o que. O alfabeto deve ter letras de imprensa. exatamente. Assim. colaborando para distingui-las dos números e de outros símbolos. O segundo desafio . pois a associação com desenhos confunde a criança. a escrita representa? . provoque uma reflexão e questione: Me indique Está no ali. incentive a criança a procurar a letra pela recitação do alfabeto. argumenta Regina Scarpa. se um aluno escreve "AO" para representar "pato". Por isso. com letras de imprensa e cursivas. porém. o B. Paula. com figuras cuja inicial é a letra em questão. letra de começa "pato". sem decorações PASSOS SEGUINTES Alfabetos mais sofisticados. aprimoram a escrita. vem adornado por uma asa de borboleta. Foto: Gilvan Barreto Atenção. o que realmente faz parte da letra e o que é somente um enfeite. qualquer elemento supérfluo acaba sendo reproduzido".como se organiza a escrita? . em que elas ainda não entendem que a escrita é uma representação da fala. ela imita a escrita e ainda não consegue determinar com clareza o que é central e o que é periférico. Nessa fase. O melhor é que o alfabeto seja composto de letras de imprensa maiúsculas.mobiliza sobretudo as crianças na fase pré-silábica. Ainda são muito comuns os modelos que trazem as letras de A a Z decoradas. alfabeto É com o que P.Isso mesmo. Você pode usar o alfabeto para apresentar as letras que compõem a escrita. Não é o ideal. enfatizar a diferença entre desenhar e escrever é fundamental.

Gentil de Ouro.e como ajudar os pequenos com mais dificuldades? O especial chega às bancas no dia 16 de março. como a de imprensa minúscula (o que vai ampliar a compreensão de livros. Ed. Novamente.. Rio de Janeiro. você deve mostrar outros tipos de letra.dessa vez. Totalmente voltadas para a prática de sala . Artmed.são. Ed. com a letra maiúscula em destaque e os outros quatro tipos correspondentes logo abaixo. 4. Ana Teberosky e Teresa Colomer. sim. jornais. aí. 0800-703-3444. Quer saber mais? CONTATOS Clélia Cortez EM Atenas. Um raio X da alfabetização A edição especial que a equipe de NOVA ESCOLA preparou traz mais de 50 páginas de material inédito sobre a alfabetização inicial. um modelo um pouco mais sofisticado.80 reais. nas bancas a partir de 16 de março Psicogênese da Língua Escrita. RJ. (21) 2413-3809 BIBLIOGRAFIA Aprender a Ler e a Escrever. 192 págs. 23063-340. Artmed. tel. 12 projetos e sequências didáticas -.55 Depois que os pequenos já entenderam o que a escrita representa e como ela se organiza. ao todo. essa etapa também pode se beneficiar da colaboração de um alfabeto pendurado na parede . 300 págs. 49 reais NOVA ESCOLA Alfabetização. edição especial. as reportagens mergulham no passo-a-passo do processo e respondem às principais questões que interessam a todo alfabetizador: como identificar o que as crianças sabem sobre a escrita? Quais as melhores estratégias para ensinar? O que os alunos precisam ter aprendido ao fim de cada série? Como acompanhar o avanço da sala . R. 52 reais . Emilia Ferreiro e Ana Teberosky.. s/nº. revistas e outros materiais impressos) e a cursiva maiúscula e minúscula (facilitando o contato com notas e bilhetes manuscritos e produções escolares). tel.

antes de ler a história do livro • Plano de aula para a situação didática Nomes próprios • Plano de aula para a situação didática Trabalhando uma questão ortográfica com ditado interativo • Plano de aula para a situação didática Projeto Biografias e autobiografias • Plano de aula para a situação didática Regras de brincadeira • Plano de aula para a situação didática Estudando seminários • 20 20 21 22 22 23 23 24 . tel. Apesar de uma classe ter alunos em estágios diferentes de conhecimento. “O ambiente escolar deve ser pensado para propiciar inúmeras interações com a língua escrita”. como ler sem saber ler e escrever sem saber escrever Cada criança chega à escola em uma fase da alfabetização – o nível de compreensão depende das possibilidades prévias de contato com o mundo da escrita. todos podem aprender.56 Reflexões sobre Alfabetização.. O papel do professor é mediar interações. a garotada passa por experiências enriquecedoras. 104 págs.. 15 reais Edição 213 | 06/2008 Mais do que letras Até dominar a leitura e a escrita. Conteúdo relacionado Plano de aula Seqüência didática Contos do mundo todo • Seqüência didática Prática de leitura • Procure no Ponto de Encontro por comunidades sobre alfabetização • Plano de aula para a situação didática Comparando diferentes versões de Chapeuzinho Vermelho • Plano de aula para a situação didática Comparando diferentes versões de Pinóquio • Plano de aula para a situação didática Lendo o livro .. Ed. Cortez. (11) 36119616. especialista em Psicologia Escolar e uma das maiores autoridades em alfabetização no Brasil. afirma Telma Weisz. Emilia Ferreiro.

Como o nível de leitura e escrita varia dentro de uma classe. dos jornais (que trazem notícias) e dos textos instrucionais (que incluem regras de jogos ou receitas culinárias). 20 Leitura para a classe (na alfabetização inicial) O que é A turma forma uma roda. Também é imprescindível garantir a qualidade do material à disposição da meninada. Os gêneros devem variar para que o repertório se amplie. “Percebo que mesmo os que não têm o hábito de ler ficam interessados quando vêem o colega com um livro ou contando uma história curiosa”. da EMEB Professor Bráulio José Valentim.57 Para auxiliá-lo na tarefa de facilitar o ingresso da meninada no universo da linguagem escrita. Maria Ussifati. “Aprendi que a leitura para a classe é uma delas e faço isso diariamente. Ela se familiariza com a linguagem e os elementos dos livros (que contam histórias). e o professor lê em voz alta textos literários. Quando Diariamente. A conclusão da alfabetização inicial ocorre após os dois primeiros anos de escolaridade. é importante identificar em que fase cada aluno está e escolher atividades adequadas para a turma. por exemplo) e textos informativos mais complexos. Nas séries seguintes. Quando Diariamente. jornalísticos. na zona rural de Mogi Mirim. mostro um livro. valem notícias que tratem de algum assunto de interesse de crianças. o docente tem à disposição algumas atividades consagradas. a 160 quilômetros de São Paulo. a garotada aprofunda conhecimentos sobre diferentes gêneros de texto e ganha maior autonomia na produção e na leitura. vê o progresso de seus alunos da 4ª série. alfabetização inicial e continuidade (veja a seguir). da EM Tempo Integral. ela explica. A educadora incentiva a escrita utilizando letras móveis ou lápis: “É para que as crianças descubram que tudo o que falam pode ser escrito”. afirma Cintia Dante de Queiroz Minelli. a 600 quilômetros de Curitiba. O objetivo é que a turma construa uma compreensão coletiva de cada obra. propor O que a criança aprende Os usos e as funções da escrita. de Umuarama. as características que distinguem os gêneros e as diferenças entre o oral e o escrito. propor . regras de jogos etc. Além de contos de fadas. Sento-me em roda com a turma. Eles lêem uns para os outros e indicam títulos a amigos. Leitura para a classe (na continuidade) O que é Leitura de livros literários mais longos (podem ser selecionados capítulos inteiros. As cinco situações didáticas de Língua Portuguesa estão descritas em duas fases. falo sobre o autor e leio por cerca de 15 minutos”.

Quando Em dias propor de atividades alternados aos de escrita. Quando Em dias propor de atividades alternados aos de escrita. ela compreende como acionar as primeiras estratégias de leitura. canções e travalínguas). . O que a criança aprende O funcionamento do sistema de escrita. aprender a buscar informações e a ler para estudar. O estudante pode entrar em contato com diferentes gêneros para saber quando e como usá-los e. sempre houver uso da escrita. Leitura para aprender a ler (na continuidade) O que é O crescimento da autonomia. é possível antecipar o que pode estar escrito e confirmar por meio do conhecimento das letras iniciais ou finais. a produção deve ser revisada. e o professor escreve no quadro. Podem ser feitas perguntas para provocar participações e estruturar a escrita. Durante a leitura. assim. O que a criança aprende A organizar as idéias principais de um texto conhecido e a modificar a linguagem. ela pode localizar e selecionar informações apoiandose em títulos. Além disso. Quando Várias vezes propor que por semana. 23 Produção textual (na alfabetização inicial) O que é Os pequenos ditam um texto. Sabendo o que es tá escrito (nomes de frutas. subtítulos ou imagens e apontando o que é interessante. por exemplo). 21 Leitura para aprender a ler (na alfabetização inicial) O que é A tentativa de ler listas ou textos conhecidos de memória (poemas. Ao fim da atividade. Eles ficam com o controle do que se escreve e acompanham como isso é feito. entre outras formas (leia o quadro abaixo). O que a criança aprende A compreender textos mais desafiadores.58 O que a criança aprende Características de textos mais difíceis e de diferentes gêneros (leia o quadro).

24 Comunicação oral (na alfabetização inicial) O que é Atividades em que a garotada narra histórias. É interessante incentivar a turma a falar com base em um roteiro e a fazer entrevistas e seminários. Comunicação oral (na continuidade) O que é Preparação e realização de atividades e projetos que incluam a exposição oral. fazer rascunhos. articulando conteúdos de linguagem verbal e escrita. propor atividades em mês. Quando Diariamente. apresenta seminários e realiza entrevistas. o propósito e o gênero. reler e revisar. O aluno define o leitor. formulando perguntas e adequando sua fala a diferentes situações formais. responder a elas justificando suas respostas e fazer exposições sobre temas estudados. dependendo dos projetos e das O que a criança aprende A utilizar a linguagem oral com eficiência. Podem ser feitos saraus e apresentações para expor um tema usando roteiros ou cartazes para apoiar a fala. propor atividades em mês. relatando acontecimentos. declama poemas. formular perguntas. propor O que a criança aprende A usar procedimentos de escritor: planejar o que escrever. Produção textual (na continuidade) O que é A reescrita e a produção de textos com autonomia crescente. intervir sem sair do assunto tratado. Quando Algumas vezes por desenvolvimento. Alfabetização inicial . defendendo pontos de vista. revisa e cuida da apresentação final. Quando Algumas vezes por desenvolvimento. dependendo dos projetos e das O que a criança aprende A participar de situações que requeiram ouvir com atenção.59 passando da forma oral para a escrita.

Mariluci Kamisaka garante que seus alunos. você encontra no nosso site.br) Todo dia é dia de ler: Mariluci forma a roda de crianças e lê para elas. condenadas ao fracasso no início da escolaridade. você vai conhecer Mariluci Falco Fernandes Kamisaka e sua turma de 1ª série da EE Maria Odila Guimarães Bueno. e Edinelma Ferreira de Souza. .Evita que o fracasso seja uma marca na vida das crianças já no início da escolaridade. de Utinga (BA). Em várias escolas brasileiras. acabam permanecendo nessa situação de exclusão. moradores da maior favela de São Paulo. de fato. Outros 18% chegam à 4a série sem terem sido alfabetizados. NOVA ESCOLA encontrou três profissionais que acreditam..Garante que os alunos avancem no aprendizado da leitura. saiam da 1ª série lendo e escrevendo Thais Gurgel (thais. Alfabetizar na 1a série.com. que todos podem aprender. da escrita e das demais matérias escolares. porém.Nestas páginas. um de cada seis alunos que entram na 1ª série é reprovado. . há professores dedicados que não aceitam desculpas extraclasse para não ensinar. mal atendidas pelo sistema de ensino..60 Edição 204 | 08/2007 ''Vou alfabetizar todos eles até o fim do ano'' Com um planejamento que inclui atividades diversificadas e muito estudo e dedicação. de Porto Alegre. em São Paulo. sempre caprichando na intonação para aumentar o interesse. Essas crianças. As histórias de Janice Cunha. Conteúdo relacionado . vêm de famílias que não têm acesso à leitura e à escrita e.gurgel@abril. Foto: Tatiana Cardeal Todo ano.

No que depender de Mariluci. Além disso. poemas. e Janice Cunha. receitas. essencial para os filhos de pais analfabetos ou que têm pouco contato em casa com . Elas são filhas de pais com baixa escolaridade e têm pouco acesso a materiais escritos – o que as diferencia das nascidas em ambientes em que livros. ouçam histórias todos os dias e observem adultos lendo e escrevendo. cartas etc. Quando propor: diariamente. Ao contrário. tomando o cuidado de trabalhar cada tipo de texto várias vezes.61 Assista a quatro vídeos mostrando a professora Mariluci promovendo em classe as atividades de leitura e escrita descritas na reportagem. ela tem evitado que seus alunos sigam na escola e na vida enfrentando dificuldades para fazer da leitura um meio de aprender. Muito do que essa professora de 39 anos faz está descrito nos Indicadores de Qualidade na Educação – Ensino e Aprendizagem da Leitura e da Escrita. ela tem uma turma com 32 crianças. O que a criança aprende: esse é o principal canal de acesso ao mundo da escrita. Mariluci não inventou nenhum método revolucionário. recomenda que a escola ofereça uma rotina de trabalho variada e que os professores os incentivem o tempo todo. se informar. até o fim do ano. e de variar os gêneros.). quando os alunos ditam e ela escreve no quadro. para que a turma se familiarize com ele. elaborados pelo Ministério da Educação (MEC). a leitura de textos reais feita pelos que ainda estão tentando ler. uma prática bem planejada e muita dedicação. que muitos consideram condenada ao fracasso. de Porto Alegre • Neste ano. O documento defende que os estudantes tenham contato com diferentes tipos de texto. de Utinga (BA). Eu trabalho para que isso aconteça”. Atividade Leitura para a classe O que é: o professor organiza a turma em uma roda e faz a leitura em voz alta de diferentes tipos de texto (contos. todos os itens estão contemplados: “Meus alunos podem e vão aprender. a maior da cidade.Com conhecimento teórico. • Confira. não assusta Mariluci. revistas e jornais circulam naturalmente e em que a leitura é valorizada e a escrita utilizada no dia-a-dia. trabalhar e participar da sociedade em pé de igualdade. a escrita feita pelos que ainda estão aprendendo o sistema alfabético e a produção de texto oral com destino escrito. Ensinar para essa clientela. notícias. pela Ação Educativa e por outras entidades ligadas à alfabetização. quase todas moradoras da favela de Heliópolis. para que o repertório se amplie. que você acompanha nos quadros de atividades desta reportagem: a leitura em voz alta feita pela professora para a turma (leia abaixo). Da prática de Mariluci fazem parte ao menos quatro situações essenciais – de acordo com pesquisas da área de didática da alfabetização –. quatro outros vídeos mensais mostrando o avanço dos alunos de Mariluci • Leia como trabalham as professoras Edinelma Ferreira de Souza.

dos manuais (que ensinam a usar um aparelho) etc. A atividade reproduz o que acontece com os adultos. por sua vez. quais foram os trechos preferidos? Que partes cada um achou mais engraçadas? Ela sempre pergunta. ela pede que todos falem de que imaginam tratar o enredo. mas sempre fazemos comentários com parentes e amigos. Discussão final: a atividade termina com Mariluci abrindo espaço para que todos se manifestem sobre o que foi lido.62 livros. não respondemos a nenhum questionário. ela já sinaliza à turma que a atividade tem uma dinâmica diferente. Leitura do texto: a professora capricha na entonação – principalmente na fala dos personagens – para criar dramaticidade e dar ritmo à leitura. Mariluci familiariza os alunos com vários tipos de texto. nesse momento. A cada trecho importante. No caso do livro de histórias. Os livros infantis. Na atividade. porém. Na hora da determinar o que será lido. ela não faz nenhuma simplificação. revistas e outros materiais. A professora lê os tradicionais contos de fadas. Mesmo que haja palavras difíceis. têm lugar de destaque na rotina de Mariluci. A escolha do texto é coerente com o objetivo de trabalho que ela estabelece para cada dia. e rápidas recapitulações para chamar a atenção no decorrer da atividade. é essencial garantir que todos se interessem pela leitura antes de iniciá-la. no entanto. Organização da turma e apresentação do material: ao propor a formação de uma roda. Os folhetos informativos. mostra as ilustrações da página para toda a roda. As etapas da trama ganham também comentários pessoais – “que complicação!” –. que pressupõe interação e diálogo.Alguns se arriscam baseados na ilustração. Reportagens de jornal. Assim. Quando lemos um livro por prazer. a criança se familiariza com a linguagem dos livros (onde há histórias que divertem). dos jornais (que trazem notícias).Depois que todos já sabem o nome da obra. seja para indicar a leitura. Mais próximos uns dos outros. COMO MARILUCI TRABALHA Escolha do material: nesse momento diário de contato com materiais impressos. ela se pauta pela qualidade literária da obra e não por seu tamanho – livro para crianças pequenas não precisa ser curto. ela aprende que cada um é produzido e apresentado de uma forma diferente e. assim. pois é só dessa forma que o vocabulário das crianças se amplia. por exemplo. começa a perceber a diferença entre a língua falada e a escrita. do Brasil e do mundo. vão aparecendo diferentes impressões sobre a trama. têm a função de informar sobre as notícias da cidade.mas também leva para a sala histórias de autores atuais. se alguém tem alguma dúvida sobre o texto e gostaria de apresentá-la aos colegas. seja para discutir algo polêmico ou marcante da narrativa. Por isso. Quando vai ler um livro de histórias. num momento de dificuldade vivido pelo protagonista. Mariluci sempre mostra a ilustração da capa e pergunta quem saberia dizer qual é o título. trazem listas de produtos em oferta nos supermercados.Assim. os pequenos podem desviar a atenção com facilidade. .

havia uma linha didática predominante na alfabetização. já replicadas no mundo inteiro. a mesma pela qual ela havia sido ensinada quando criança. A novidade conceitual ainda estava distante das salas de aula e poucos sabiam explicar como de fato as crianças aprendem os degraus pelos quais elas passam durante esse processo (leia o quadro abaixo). Na fase em que o aluno adota simplesmente o critério de que. “Já tive dificuldade de balancear a rotina porque muitas atividades têm de ser realizadas com freqüência quase diária”. E. em meados dos anos 1980. conta Mariluci. No entanto. A obra revolucionou a percepção sobre a alfabetização ao considerar que o ponto de partida da aprendizagem é a própria criança e permitiu compreender por que a escola conseguia alfabetizar alguns e não outros. O importante é a continuidade. os alunos ainda apresentam erros de ortografia. Veja como poderia ser a escrita da palavra camiseta de acordo com cada hipótese: ■ Pré-silábica: P B V A Y O ■ Silábica sem valor sonoro: E R F E ■ Silábica com valor sonoro: K I Z T ■ Silábico-alfabética: K A I Z T A ■ Alfabética: C A M I Z E T A . No entanto. as crianças elaboram diferentes hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita – com quantas letras se escreve uma palavra. as escritas incluem sílabas representadas com uma única letra e outras com mais de uma letra. é preciso uma quantidade de letras (no mínimo três) diferentes entre si. quando começa a representar cada fonema com uma letra. Quando passa a registrar uma letra para cada emissão sonora. quais são elas e em que ordem elas aparecem. Na hipótese silábico-alfabética. considera-se que ele compreende o princípio alfabético de nossa escrita. livro de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. garante que haja espaço para Matemática ou História e Geografia.“Hoje sei dosar melhor o tempo e se não consigo dar conta de alguma delas num dia compenso no outro. ela está no nível silábico – inicialmente sem valor sonoro e depois com a correspondência sonora nas vogais e/ou nas consoantes. finalmente.” Nem sempre.63 Em seu planejamento diário – são quatro horas e meia de aula –. O lançamento de A Psicogênese da Língua Escrita. no entanto. ela dedica a maior parte do tempo à alfabetização. inspirava os primeiros trabalhos feitos por pesquisadores brasileiros. para escrever. Teoria HIPÓTESES DE ESCRITA De acordo com as pesquisas de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. suas aulas foram tão organizadas e focadas na aprendizagem do aluno. mesmo nessa fase. recém-formada em Pedagogia. Quando Mariluci começou a lecionar. a hipótese é considerada pré-silábica.

realizado pelo Instituto Paulo Montenegro em 2005. Hoje é amplamente sabido que o que mais pesava era o contato com a escrita no cotidiano. a aprendizagem fica prejudicada. Nos anos 1980. pois não está ensinando a utilizar a leitura e a escrita para dar conta das demandas sociais e para continuar aprendendo ao longo da vida – como o Inaf define o que seja uma pessoa alfabetizada. seus usos e funções”. cabe ao professor diagnosticar em que nível está cada aluno (leia o quadro) para planejar as aulas e ajudar todos a avançar sempre mais.se as letras. se o aluno tem pouco contato. Os reflexos dessa situação são sentidos no país. E. “Hoje sabe-se que as crianças constroem simultaneamente conhecimentos sobre o sistema de escrita e sobre a linguagem que se escreve.64 Nesse último exemplo. temos o que já seria considerada uma escrita alfabética. Ainda hoje. “O que me incomodava naquela época era insistir com os alunos no ponto que eles não compreendiam e não saber contornar a situação com outra abordagem”. Dados do 5º Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). simplesmente desistem dessas crianças como se elas fossem incapazes de aprender. para Mariluci – assim como para a massa de professores brasileiros –. é um sistema de representação que cada um reconstrói até estar plenamente alfabetizado. supervisora do programa Letra e Vida. lembra Mariluci. Teoria O VALOR DO DIAGNÓSTICO Conhecer o nível em que está a turma é essencial durante a alfabetização – e no decorrer de toda a escolaridade. mas ainda com um erro ortográfico. É a prova de que a escola apenas perpetua essa exclusão. relacionar informações e comparar diferentes materiais escritos. Dentro dessa concepção. depois as sílabas e as palavras e só então vinha o trabalho com textos. afirma Telma Weisz. você consegue planejar uma boa aula e propor atividades adequadas para levar cada um a se desenvolver ainda mais e chegar ao fim do ano lendo e escrevendo. muitos professores sofrem ao perceber que alguns estudantes vão ficando para trás e se sentem impotentes para ajudá-los ou. 43% não possuem essas habilidades. Percebendo os avanços e as dificuldades dos pequenos. As pesquisas iniciadas por Emilia Ferreiro e comprovadas por diversos outros estudiosos transformaram a compreensão do que é a escrita: em vez de um código a ser assimilado. que precisa ser trabalhado pela professora. Essa avaliação deve ser feita logo no início do ano e repetida no mínimo uma vez por bimestre. da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. mostram que 74% dos brasileiros adultos não conseguem ler textos longos. o conhecimento sobre a escrita deveria se dar em etapas: primeiro aprendiam. Mesmo entre os que concluíram o Ensino Médio. em alguns casos extremos. .

) e textos que ela conhece de cor – como cantigas. Portanto. acompanhar a evolução de cada um e montar os agrupamentos produtivos. por exemplo). Para finalizar. É preciso lembrar também que. Mariluci introduz a garotada no universo da escrita. traz uma sugestão: ditar uma lista de quatro palavras (uma polissílaba. zebra. em 2003. seus alunos participam de diversas atividades de leitura e produção de texto mesmo sem terem aprendido isso formalmente. animais etc. . aponta o Profa. Como os alunos já conhecem o tema que deve ser posto no papel. Ao propor atividades como essa. os alunos podem pensar mais em como escrever (quantas e quais letras usar. É preciso tomar o cuidado para que as sílabas próximas contenham vogais diferentes. uma trissílaba. Como? Eles “leem” a letra de uma música que sabem de cor. queijo. pois é ela que permite ao professor verificar se o aluno estabelece algum tipo de correspondência entre partes do falado e partes do escrito”. como as listas – de frutas. é possível verificar como a turma está se saindo individual e coletivamente. fica mais fácil planejar atividades que façam os alunos avançar. mesmo sem essa sondagem. Com esse material. explica a formadora Beatriz Gouveia. Atividade Ler para aprender a ler O que é: a confrontação da criança com listas (de nomes. primeiro. manteiga. pão) e bichos vistos no zoológico (rinoceronte. é preciso escolher como atividade algo que seja feito regularmente.65 Para realizá-la adequadamente. frutas. uma dissílaba e uma monossílaba). Veja aqui dois exemplos possíveis: itens para um lanche coletivo (refrigerante. camelo. a professora mudou a forma de ensinar. brinquedos etc. ajustando a fala ao que está escrito (leia o quadro). registre tudo. avisar a turma sobre o tema da lista e depois ditar as palavras. boi). Isso porque a maioria das crianças que começa a se familiarizar com o sistema de escrita inicia os registros apenas com vogais e acredita que é necessário usar letras diferentes para escrever. cores. se você ditar só monossílabos elas também podem se recusar a escrever. você provoca o estudante a refletir sobre a forma de representação. propondo que neles ela encontre palavras ou “leia” trechos (antes mesmo de estar alfabetizada). muitos poderiam querer escrever A A A e achar que isso não faz sentido. Além de aprenderem o sistema de escrita. se você ditar “arara”. Desde que teve a oportunidade de fazer uma formação em alfabetização. do MEC. “O professor deve. parlendas e trava-línguas –. O Módulo 1 do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa). no dia-a-dia. peça que cada um leia o que escreveu. sem marcar as sílabas”. Com essas palavras. Terminado o ditado. “Essa leitura é tão ou mais importante do que a própria escrita. Como elas acham ainda que as palavras devem ter um número mínimo de letras – por volta de três –.

Proposta de leitura: individualmente ou em duplas. Outra estratégia é a verificação. A mesma oportunidade Mariluci proporciona aos estudantes. ela roda pela classe para acompanhar como cada um ou cada dupla está se saindo e pede que uma criança encontre determinado termo no texto. ele prevê qual será determinada palavra por já conhecer o tema em questão – frutas. Para os alfabetizados. já que eles conseguem ler com autonomia. por exemplo. No caso das listas. é a resposta. Ele reconhece as primeiras letras e partes de palavras conhecidas ou identifica as que se repetem.de Vinicius de Moraes. ele se vale de estratégias de leitura. A atividade deve ser realizada só com alunos não alfabéticos. Para isso. Isso acontece porque ele já sabe “o que” está escrito (condição para a realização da atividade) e precisa pensar somente no “onde”. É condição didática dessa atividade saber o que está escrito para descobrir onde está escrito. que consiste na identificação de uma letra conhecida que esteja no começo ou no fim da palavra e que confirme a antecipação feita. o aluno busca meios de “descobrir” as palavras fazendo o ajuste do falado para o escrito. como parlendas e canções.66 Quando propor: em dias alternados com as atividades de escrita (leia o quadro na página 41). ela convida um a um a ler o cartaz com o poema. A professora se vale com freqüência da estratégia. em que a equipe aproveita para estudar o tema. COMO MARILUCI TRABALHA Escolha do texto: Mariluci utiliza listas conhecidas pelos pequenos – como a de nomes da turma. ela pede que todos leiam um verso para achar determinada palavra.As perguntas são feitas a diversos alunos. mas Mariluci pede uma justificativa. por já saber o que está escrito. Ela compartilha sua rotina com os colegas nas duas semanais de trabalho pedagógico coletivo. fazendo dessa interação um importante instrumento de aprendizagem (leia mais no quadro). Dessa forma. intervém em dificuldades específicas. Intervenção da professora: durante a tarefa. é aconselhável propor outras tarefas de leitura. Depois. Novamente. que podem contar com a ajuda dos colegas de classe. no caso dos textos memorizados. que só é produtiva porque ela aprendeu a diagnosticar as hipóteses sobre a escrita que cada um tem e junta alunos que estão em níveis próximos. como a antecipação. a professora pede que os alunos encontrem certas palavras em uma lista. A criança mostra a palavra correta. O que a criança aprende: acompanhando o texto com o dedo enquanto recita os versos. cores – e. que fica exposta na parede – e textos memorizados. a professora provoca a reflexão e faz a turma avançar. Trocar idéias sobre a prática é extremamente rico para qualquer professor. Teoria . “Começa com N”. Quando trabalha com a letra de uma canção. questiona sobre o poema A Foca. “Onde está escrito ‘nariz’?”. trabalhando muitas vezes em duplas.

da Universidade Federal de Minas Gerais. Leitura e Escrita (Ceale). como a produção de texto oral com destino escrito. observando e intervindo de acordo com as necessidades de cada aluno”. é importante juntar os que apresentam níveis diferentes. assim. afirma Beatriz Gouveia. ■ Os já alfabéticos trabalham entre si. É essencial conhecer quanto os alunos já sabem sobre o desafio que será proposto. Atividade Escrever para aprender a escrever O que é: a escrita de textos memorizados – como cantigas. como as mostradas a seguir: ■ As de hipótese pré-silábica com as de hipótese silábica sem valor sonoro. que leva ao avanço na aprendizagem. Atuar em duplas pressupõe também que as crianças já conheçam o conteúdo para fazer alguns progressos sem a intervenção direta e constante do professor (mesmo porque é impossível acompanhar todos. possa evoluir. em suas carteiras). para que haja uma verdadeira troca”. “É importante que o professor atue nessas tarefas como um mediador. acaba-se reproduzindo a situação escolar de “alguém que ‘sabe’ mais que os demais. já que a organização da turma não pode ser aleatória. ■ As de hipótese silábica sem valor com as de hipótese silábica com valor. afirma Francisca Izabel Pereira Maciel. brinquedos etc. Isso vale para as perguntas que você fizer e também para as informações que der. precisa ser bem planejada. Quando a garotada vai escrever uma cantiga já memorizada (como a da atividade mostrada no quadro). ■ As de hipótese silábica com valor com as de hipótese silábico-alfabética. o tempo todo. você deve levar isso em conta também na hora de fazer suas intervenções para que eles estabeleçam novas relações. Quando se reúnem crianças de níveis muito diferentes. frutas. mas próximos entre si. quando os alunos ditam para o professor ou a leitura pelo professor e posterior discussão pela classe. Lembre: se os grupos têm níveis diferentes. trava -línguas e quadrinhas – ou de listas (de nomes. parlendas. O sucesso no trabalho com agrupamentos produtivos depende do tipo de tarefa: ela deve ser sempre desafiadora para que a turma use tudo o que sabe na sua resolução e. . numa situação de escrita. “Se o objetivo é que eles decidam conjuntamente sobre a escrita de um texto. obrigando os outros a uma atitude passiva de recepção”. o ideal é fazer intervenções específicas para que haja reflexão sobre as letras e palavras a usar. Essa troca. diretora do Centro de Alfabetização. é possível organizar duplas com crianças de níveis diferentes. Há os casos em que toda a turma pode atuar na mesma atividade. confrontar suas idéias com as dos colegas e oferecer e receber informações é essencial.67 AGRUPAMENTOS PRODUTIVOS Para toda criança. como explica Ana Teberosky no livro Os Processos de Leitura e Escrita. porém próximos.) que podem ser escritos com lápis e papel ou com letras móveis. Assim. por exemplo.

Para os alfabetizados. Permitindo que os alunos trabalhem em dupla. pensando em quantas e quais letras usar. Mariluci interveio. os dois concordaram. Ela se esforça para encontrar formas de representar graficamente o que necessita redigir. é aconselhável propor um trabalho sobre ortografia ou pontuação. avançando no processo de alfabetização. Assim. Ao ver o colega começar o primeiro verso com A – quando deveria ser escrita a palavra “cai” –. Dessa forma. mas juntando umas às outras. eles devem melhorar a ortografia e a segmentação – é comum escreverem as palavras corretamente. já que eles sabem escrever.Assim. Mariluci junta crianças com níveis próximos. O desafio era escolher letras e formar as palavras necessárias para compor o texto com a ajuda do parceiro. O que a criança aprende: concentrada apenas no sistema de escrita – pois o conteúdo ela já sabe de cor –. então?”. liberando os dois para discutir os próximos passos. Quando passa nesses grupos para acompanhar o andamento da tarefa e vê que há erros ortográficos. Para os alfabéticos – que vão se tornando mais numerosos com o passar do ano –. “Não está faltando letra nesse verso. já memorizada por todos.“E onde está escrito mão?”. soube que os três primeiros versos estavam ali representados. escreveram a palavra e passaram adiante na tarefa. ela não corrige. respondeu o outro aluno. a criança não só consegue organizar sua concepção sobre a escrita como também repensá-la. Mariluci convida os estudantes a consultar o dicionário. “Com M!”. Trabalhando entre si.68 Quando propor: em dias alternados com as atividades de leitura para reflexão sobre o sistema de escrita (leia o quadro na página 38). Cai. perguntou. ela deixa de ser a única informante válida na classe e ganha mobilidade para dar atenção a quem precisa de mais ajuda. há espaço para problematizar a diferença entre o que se lê e o que se escreve. a criança pode se voltar apenas ao “como escrever”. Um deles mostrou: “NU”. uma vez que eles já sabem escrever. Confirmar o que está escrito: uma última etapa é fundamental nessa atividade: a professora pede que os alunos leiam o que acabaram de produzir. Balão. indagou. perguntou Mariluci.“Coloca o C de cai!”. “O começo das duas palavras não é parecido?”. Ao perguntar a uma dupla o que já tinha escrito. disse ela. Os dois se entreolharam. COMO MARILUCI TRABALHA Organização da turma: a produção escrita é uma atividade em que a formação de agrupamentos produtivos tem ótimo resultado. Ela passa ao menos uma vez pelas carteiras no decorrer do trabalho. A atividade deve ser realizada com alunos não alfabéticos. encontrando certa desconfiança do parceiro. uma menina sinalizou que não era essa a letra. Desenvolvimento da atividade: em uma das aulas do mês de junho.Argumentando com o colega e trocando idéias. “Com que letra começa ‘mão’?”. mas ensina a buscar a . essa atividade tem outro objetivo. a professora sugeriu que a turma escrevesse a letra da música Cai. questionou ela. pedindo que o aluno comparasse a palavra “cai” com um dos nomes da turma – Carina.

a escola representa o único meio de contato com o universo da escrita. Ou seja. “Digo que as crianças vão sentir que o empenho em aprender está sendo reconhecido. Só assim os estudantes saberão como lidar de maneira adequada com cada um deles no dia-a-dia. A importância desse momento é enfatizada nas reuniões de pais. É nesse espaço que ficam reunidos materiais como livros. cabe a você garantir a elas o acesso à maior diversidade possível de textos – literatura. nos intervalos entre as atividades ou nos momentos especialmente destinados a isso. no cantinho de leitura. Sua tarefa é formar pessoas que tenham familiaridade com a leitura e seus propósitos. imita um gesto porque já sabe que ele faz sentido e é parte do aprendizado. manuais de instruções. como se estivesse lendo. Nas aulas. reportagens. Ela está se apoiando na experiência do professor e no conhecimento da postura de quem lê”. em que Mariluci os incentiva também a acompanhar o progresso dos filhos pelos cadernos. é necessário mostrar que um livro de literatura se lê passando página por página e olhando as ilustrações até chegar ao fim e que um dicionário – que também tem a forma de um livro – é útil para verificar a grafia das palavras. diz a professora (leia mais no quadro).69 grafia correta. explica Francisca Maciel. folhetos de propaganda e enciclopédias. textos literários costumam ser lidos por prazer. que compreendam o que lêem e enxerguem nela uma maneira de se informar e se desenvolver pessoalmente No dia em que a garotada traz os livros de volta para a classe. anúncios publicitários etc. Momentos de leitura e escrita individuais também fazem parte do planejamento porque é necessário que cada aluno tenha espaço para desenvolver as próprias idéias. diferentemente de um manual de montagem de um produto. socialmente. Isso acontece. ela organiza uma roda de conversa e até quem ainda não está alfabetizado conta a história para os colegas. por exemplo. é necessário apresentá-los no contexto em que são utilizados. “A criança deve saber que. que a turma freqüenta diariamente. as crianças podem escolher uma obra e levá-la para casa com a recomendação de ler com os familiares. Até mesmo o rótulo de um produto pressupõe comportamentos leitores específicos: ali podem ser buscados os ingredientes e o valor nutricional. afirma Beatriz Gouveia. “Ofereço uma diversidade de textos à qual eles dificilmente teriam acesso”. Toda semana. ou seja. Mais do que isso. jornais.” Teoria ACESSO À DIVERSIDADE DE TEXTOS Para grande parte das crianças brasileiras. por exemplo. Já o jornal pode ser consultado. “A criança que lê sem estar alfabética não está brincando de faz-deconta. quando se quer ler uma notícia. que tem o objetivo prático de fazê-lo funcionar corretamente”. Assim. .

foi “era uma vez”. a criança sabe diferenciá-los. notícia etc. A prática de tantas atividades. Mariluci faz um aquecimento. aliada à atenção constante ao desempenho de cada um. Atividade Ditado para escriba O que é: a turma cria oralmente um texto num gênero específico – conto. Mariluci propõe diversas discussões com os alunos. mesmo quem não sabe escrever convencionalmente é capaz de ditar um conto de fadas (leia o quadro). em março. oito silábicos com valor sonoro e só quatro silábico-alfabéticos. O que a criança aprende: ela se aprimora na linguagem escrita ao adaptar a linguagem oral (mais coloquial) às exigências de um texto no que se refere às suas características. Revisão e conclusão: durante a escrita. COMO MARILUCI TRABALHA Proposta da atividade: antes de convidar a turma a produzir coletivamente um conto de fadas já conhecido. 14 eram silábicos sem valor sonoro. bilhete. receita. como “e daí”. mesmo sem saber definir o que são uma carta ou um conto de fadas. o desafio era organizar as sugestões. Dessa forma. Esse tipo de atividade é importante para que a garotada. Enquanto escrevia no quadro. fazendo perguntas para que a turma recontasse a história ditando na forma de texto. pedindo que todos relembrem as características do gênero. eliminando palavras repetidas. Expressões típicas da linguagem oral.Ninguém vai saber como são escritas (e como se leem) uma notícia de jornal ou uma receita de bolo se nunca tiver ouvido uma antes. Há ainda o trabalho de revisão dessa produção. Sempre que o uso da escrita se fizer necessário no dia-a-dia da sala de aula (escrita de bilhetes. como era de esperar. O conto geralmente se passa num tempo distante e num local indefinido e traz adjetivos como “belo” e “terrível”. É condição didática para a atividade as crianças conhecerem o gênero. com o seguinte quadro: seis dos 32 estavam no nível pré-silábico. –. e a professora escreve no quadro. mesmo sem dominar ainda o sistema de escrita. ela garantia que todos articipassem. aprenda a compor um texto . Como a garotada já conhecia o enredo. mesmo sem estar alfabetizada. Por isso. Ela iniciou o trabalho. são substituídas por “depois” ou simplesmente retiradas. A escrita de Chapeuzinho: na hora em que Mariluci pediu para a garotada ditar Chapeuzinho Vermelho. O começo. logo apareceram exemplos de expressões e vocabulário adquiridos com as leituras feitas por ela em classe.70 Desenvolver esse comportamento leitor só é possível com atividades diárias.) e no desenvolvimento de projetos de leitura e escrita. carta. tem feito os alunos de Mariluci avançar. convites etc. Quando propor: várias vezes por semana.

. Ed. No fim do primeiro semestre.org. Seu compromisso é chegar em dezembro com todos os alunos alfabetizados. 46 reais INTERNET Faça o download dos Indicadores de Qualidade na Educação: Ensino e Aprendizagem da Leitura e da Escrita em www. 300 págs.. Inspirar-se no exemplo de Mariluci (e das outras professoras que aparecem no site) é fundamental para o Brasil superar o atraso educacional– e passar a acreditar que há esperança para nossas crianças. Ed. Hoje se sabe que na Educação Infantil é possível pesquisar. tel. ela propõe a releitura e a revisão do que se escreveu para identificar possíveis erros e também formas de melhorar o texto. Delia Lerner. Ed. Emilia Ferreiro e Margarida Gomes Palácio. 13 silábicas com valor sonoro.br Língua Portuguesa Alfabetização inicial Outubro 2007 Interação com a linguagem escrita Em contato com a escrita As crianças pequenas não vão mais à escola apenas para receber cuidados e brincar. SP. Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Artmed. 0800-703-3444. Artmed. aliás. 32 reais Os Processos de Leitura e Escrita.71 escrito.acao educativa. 34 reais Ler e Escrever na Escola. Os especialistas afirmam que quanto antes elas conhecerem a . três silábico-alfabéticas e 14 alfabéticas. fazer contas e trabalhar com livros.. R Américo Samarone. 274 págs. No fim. seja ele de que gênero for. Quer saber mais? CONTATO EE Maria Odila Guimarães Bueno. (11) 6215-5339 BIBLIOGRAFIA Contextos de Alfabetização Inicial. Artmed. Ana Teberosky e Marta Soler Gallart. como tem ocorrido nos últimos anos. tel.. Ed. São Paulo. 52 reais Psicogênese da Língua Escrita. 175 págs. Artmed. 128 págs. 350. eram 31 crianças – uma foi transferida – na seguinte situação: uma pré-silábica.

TEMPO: 30 minutos. ensinar a ler e escrever. como cadernos e pastas. como uma moral. A leitura tem valor em si. Se você tiver crianças não-leitoras. MATERIAL: Pedaços de papel cartão com 20 por 12 centímetros. MATERIAL: Pedaços de papel cartão com 20 por 7 centímetros. escreva nos pedaços de papel cartão o primeiro nome de cada criança com letra bastão maiúscula. saco plástico e botões. é fundamental selecionar bons livros e evitar os textos simplificados e infantilizados. O objetivo nesta fase não é. Os espaços devem ter 5 por 2 centímetros. quando a turma tem novos materiais. Escreva os nomes das crianças aleatoriamente nas cartelas e distribua. você escreve IDADE: 5 anos. Este é o meu material IDADE: A partir de 4 anos. Quadricule os pedaços de papel cartão. TEMPO: De 20 a 30 minutos. lápis ou canetas hidrocor. Ensine à turma onde e como colar. ou associá-lo a um questionário ou a um desenho. Os nomes estão em jogo IDADE: 5 anos. Para isso. tesoura. etiquetas e lápis ou canetas hidrocor. OBJETIVO: Ler e escrever usando os nomes próprios por meio de jogos. ESPAÇO: Sala de atividades. OBJETIVO: Ler e escrever os nomes próprios para identificar o material pessoal. Ganha quem conseguir preencher a cartela primeiro.72 linguagem escrita mais possibilidades de inclusão terão numa sociedade letrada. PREPARAÇÃO: No começo do ano letivo. Não há necessidade de escolher um livro para ensinar algo além da linguagem. Escreva o nome de cada uma em pedacinhos de papel e coloque-os dentro do saco. caneta hidrocor. coloque punhados de botões que serão usados como marcadores. . Comece o jogo sorteando um nome. depois. A turma dita. mas proporcionar a interação com a língua escrita. Lembre-se de que elas devem ser diferentes umas das outras para que todas as crianças não ganhem juntas. ESPAÇO: Sala de atividades. etiquetas ou tiras de papel e fita adesiva. Sempre utilize letra bastão maiúscula. necessariamente. Dê um tempo para que todos procurem nas cartelas. oriente a turma a fixá-las com a fita adesiva. escreva o nome sorteado no quadro para que elas possam procurar. Caso utilize tiras de papel. Entregue a cada criança o cartão com o nome dela. etiqueta o material. régua. Sobre as mesas. Cada uma escreve o próprio nome com base no modelo fornecido por você e.

É importante voltar ao trabalho inicial (o texto que elas ditaram para você) para que a turma compare com o produto final e perceba a importância da revisão e que aspectos do texto foram modificados. é fazer pequenas intervenções quando necessário e anotar como elas estão escrevendo para saber o quanto cada uma ainda pode avançar. No último dia. coloque de novo o texto já corrigido no retroprojetor. os cartazes e os textos que ficam na sala de aula servem de apoio nessa hora. Letras móveis IDADE: 5 anos. chame a atenção do grupo perguntando se há algo para ser modificado. Entregue algumas ilustrações para cada grupo e peça às crianças que escrevam o nome da figura. No dia seguinte. Bons livros são exemplos IDADE: A partir de 4 anos. pois é um conteúdo de que ainda não têm domínio. Divida a turma em grupos de quatro. Providencie uma quantidade maior de alfabetos do que os grupos da sala. Repita esse procedimento com mais três ou quatro contos. você passa essa história para a folha de transparência exatamente com os termos que elas usaram. TEMPO: De 20 a 30 minutos. você pode montar um livro para ser doado à biblioteca ou ser dado de presente para os pais. TEMPO: De 40 a 50 minutos. MATERIAL: Figuras do mesmo campo semântico (não misture objetos com animais. e apropriar-se da linguagem escrita. evita-se que uma faça toda a tarefa). lápis e papel. coloque o texto no retroprojetor e leia. mantenha as letras organizadas em uma caixa para as crianças as visualizarem melhor. revisar. elas a recontam e depois ditam o texto para você escrevê-lo no quadro-negro. OBJETIVOS: Criar uma nova versão para um enredo conhecido. Após essa etapa. OBJETIVO: Escrever com a ajuda de letras móveis. por exemplo) e letras bastão maiúsculas móveis. A lista de nomes. Peça às crianças que elejam uma história de que gostem e que seja conhecida de todas. É possível que a turma não perceba alguns erros. trabalhe em duplas. . Cuide para que as crianças do mesmo grupo tenham níveis de aprendizagem parecidos (assim. Depois. canetas de duas cores para retroprojetor. Seu papel. produzir textos orais com destino escrito. MATERIAL: Retroprojetor.73 TEMPO: De 15 a 30 minutos. ESPAÇO: Sala de atividades. folhas de transparência. Se não for possível. Nesse caso. Se puder. Marque as alterações com caneta de outra cor. As crianças apontam quais revisões devem ser feitas. ESPAÇO: Sala de atividades. A pontuação ainda não é corrigida por elas. enquanto elas escrevem. Quando chegarem a um consenso.

Cada coluna será destinada a um dia do mês. uma menininha muito bonita. No final. Cole os cartazes na parede numa altura ideal para a turma. Logo no início do dia. a linguagem é pobre. Proponha que um voluntário vá até a parede para ler o nome de cada um em voz alta e verificar a presença ou a ausência dos colegas.. Veja a diferença entre duas versões de Branca de Neve. tapete e almofadas. mas lembre-se de que. Na outra.74 ESPAÇO: Sala de atividades. como estrelinhas ou bolinhas. TEMPO: Cerca de 15 minutos. Os demais acompanham a leitura. reúna a turma sentada em um semicírculo próximo aos cartazes. lápis. Risque outras linhas verticais. à direita. A segunda: "Nasceu Branca de Neve. . Escolha uma história e leia. OBJETIVO: Familiarizar-se com a linguagem escrita por meio de livros Um requisito importante é ter um bom acervo de livros. MATERIAL: Um mural.. Prepare o melhor clima para o momento da atividade. a pele branca como a neve e os lábios vermelhos como sangue". você encontra uma história cheia de detalhes." Na primeira. Você pode variar a atividade fazendo sozinha a chamada ou pedindo que cada um marque o próprio nome. Quem está presente? IDADE: A partir de 4 anos. Livros 5 Estrelas IDADE: 5 anos. Você deve mostrar às crianças o que está lendo. podem ser usados. Ícones. TEMPO: Variável. É importante combinar com as crianças a forma de marcar as faltas e as presenças. com histórias interessantes do ponto de vista da linguagem. com os cabelos negros como ébano. em um reino distante. É importante conhecer o texto previamente para saber que ritmo será empregado na hora da leitura. pois o escolhido pode não saber algum nome ou se confundir. OBJETIVOS: Aprender a ler e escrever usando os nomes próprios e identificar o nome dos colegas. nasceu uma linda princesinha. A primeira: "Certo dia. se houver muita poluição sonora a atenção das crianças tende a se dispersar. PREPARAÇÃO: Confeccione uma lista de chamada grande utilizando as cartolinas. ESPAÇO: Sala de atividades. papéis e um acervo de bons livros. fita crepe e giz de cera ou canetas hidrocor. à esquerda. MATERIAL: Acervo de livros. MATERIAL: Folhas de cartolina. Isso inclui uma sala com boa acústica e uma apresentação envolvente. Eventualmente. É comum isso acontecer quando os nomes têm a mesma inicial. converse sobre quem faltou e faça com a turma a contagem de quantos foram. ESPAÇO: Sala de atividades. faça esta atividade fora da sala. Escreva nelas os nomes de todas as crianças em uma coluna.

A atividade deve ser feita com grupos que já tenham certa familiaridade em ouvir histórias. do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária. Este. da Escola Municipal de Educação Infantil Inês dos Ramos. você deve determinar a ordem na qual os nomes vão aparecer.75 OBJETIVOS: Desenvolver o comportamento leitor. Liste em um papel o lugar onde vai ficar cada informação da agenda: nomes. Mostre às crianças o lugar de cada informação escrevendo os dados de uma delas no quadro. indica um livro para o Pré B. Paula Stella. usar uma agenda. números de telefone ou endereços e datas de aniversário. Funciona assim: o Jardim A. É importante que os espaços já estejam delimitados para facilitar a organização na hora que as crianças forem completar. ESPAÇO: Sala de atividades. Peça às crianças que pensem num livro de que gostem muito e que desejem recomendar aos colegas de outra classe. para este trabalho. mas. organize as folhas de cada um em ordem alfabética e grampeie. Risque todos os outros papéis da mesma forma ou tire cópias. Por fim. todos ditam o texto e você escreve. em São Paulo. pode dizer se gostou ou não e também recomendar outro livro. por exemplo. em São Paulo. do Instituto Avisa Lá. MATERIAL: Papel. em São Caetano do Sul (SP) . fazer um intercâmbio cultural. Para começar. Cada uma deve copiar essas informações no seu papel. e Rosemeire Brait. No início. OBJETIVOS: Ler e escrever usando os nomes próprios. por sua vez. CONSULTORIA: Bia Gouveia. será apenas um nome a cada dia. mas esse ritmo deve aumentar conforme a atividade se tornar familiar. Se houver crianças que não tenham telefone. à medida que o trabalho avançar. Elas farão isso por meio de recados que serão colocados num mural. é possível convidar a turma a pensar quem será o próximo da sequência. Se precisar. grampeador e canetas ou lápis. elabore uma agenda com os endereços. familiarizar-se com a escrita e obter informações sobre os colegas. e criar uma comunidade de leitores. Peça à turma que traga anotado o próprio número de telefone e o dia do nascimento. envie um bilhete aos pais pedindo essas informações. fazer cópia. Reserve um dia na semana. Se a garotada ainda não souber escrever. Agora cada um tem sua agenda. TEMPO: 30 minutos. durante um semestre. Agenda da Turma IDADE: 5 anos. que deve estar num local comum às turmas de toda a escola.

Para Beatriz Gouveia. Ela lembra que as publicações são baratas e acessíveis. as crianças podem acompanhar a leitura em voz alta pelo professor." Mas o grande trunfo são os recursos gráficos. mesmo sem saber ler. Só de olhar é possível saber se um personagem está pensando. têm pesadelos e medo de dentista. As imagens aparecem associadas a textos coloquiais e permitem que a criança antecipe o enredo e atribua sentido à história. O mesmo vale para os balões. coordenadora do programa Além das Letras. selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. também são importantes para facilitar a compreesão de diversas situações e emoções. "Com essas informações. Conteúdo relacionado Tudo sobre • Produção de texto Reportagens • • Aulas que estão no gibi Gibis podem ser usados em sala de aula? Como? Galeria • Calvin e seus amigos "Afinal. por si só. fica fácil entender a trama".com. afirma Silvana Augusto. o que permite a compra de vários exemplares da mesma edição para distribuir na sala.br) Foi-se o tempo em que os gibis eram proibidos na sala de aula e as crianças tinham de escondê-los sob a carteira. . da Universidade Federal do Pará. Os quadrinhos são uma excelente opção para incentivar a leitura em quem está entrando no mundo das letras. Sem contar que os protagonistas passam por situações parecidas com as de seus leitores: vão à escola e ao parque. explica o psicólogo José Moysés Alves. do Instituto Avisa Lá. ilustrado e cheio de recursos gráficos estimula as turmas de pré-escola a tomar gosto pela leitura Adriana Toledo (novaescola@atleitor. peças de teatro e desenhos na televisão. estão presentes em brinquedos. roupas. A começar pelos personagens. Com isso. Isso promove a identidade e a familiaridade entre eles. são atraentes para a garotada.76 ''Eu já sei ler gibi!'' Esse gênero literário colorido. embalagens. como "ploft" e "grrr". "Eles despertam interesse por serem bem conhecidos". as onomatopéias. gritando ou conversando. jogos. que. em São Paulo.

cerca de 300 gibis já estavam catalogados na escola. Ele fez uma pesquisa e descobriu que 70% das crianças não vivenciavam situações de leitura em casa. As crianças podiam levá-los para casa duas vezes por semana e tinham de devolver no dia combinado e cuidar do material. Como a escola não tinha as revistinhas. Por isso. ele chamou a atenção para o fato de ela só usar roupas vermelhas e sempre se irritar com o Cebolinha. Compartilhar os gibis Para encerrar o trabalho. em Pompéia. por exemplo. Uma carroceria de caminhão cedida pela prefeitura foi adaptada para transportar as crianças e o acervo e virou o Trenzinho da Leitura. Uma vez por semana. Com esses dados. Foi a forma que ele encontrou de antecipar informações e facilitar a compreensão do enredo. apostou nas histórias em quadrinhos para iniciar o trabalho com classes de crianças com 4 e 5 anos (veja no quadro ao lado uma seqüência didática para desenvolver um projeto nessa área). no interior de São Paulo. Em pouco tempo. com o apoio do Ministério da Educação). . nas encenações. Ao apresentar a Mônica. criou o projeto Semeando o Prazer de Ler com as Histórias em Quadrinhos – vencedor do Prêmio Professores do Brasil (dado pelas fundações Orsa e Bunge. Marcelo organizou uma leitura coletiva. confeccionou fantoches dos mais populares e.77 Quadrinhos e fantoches Para explorar essas características. Seu objetivo? Disseminar o prazer de ler. Marcelo começou perguntando quais eram as histórias e os personagens mais conhecidos. Isso permitiu que todas manuseassem as histórias. Na etapa seguinte. Marcelo mobilizou a comunidade para montar a gibiteca. formar rodas de leitura com crianças de todas as idades e emprestar as revistinhas. Com a ajuda de um retroprojetor. espalhando cartazes pela vizinhança e pedindo ajuda aos pais. a turma visita outras unidades educacionais do bairro para apresentar os personagens e falar sobre as histórias. da EMEI Sonho de Criança. E tudo isso antes mesmo de estarem alfabetizados. o professor Marcelo Campos. Marcelo lia o texto na íntegra para todos entenderem a ordem seqüencial. procurando. o professor organizou uma verdadeira gibiteca itinerante. No fim de cada projeção. ele reproduziu algumas histórias em transparências para a turma perceber detalhes da paisagem e dos personagens. criando as noções de como se comporta um leitor de quadrinhos.os espontaneamente. falava um pouco das características físicas e psicológicas de cada um. Atividades Seqüência didática Conteúdos • Leitura e manuseio de histórias em quadrinhos. O saldo do projeto foi animador: todos se tornaram loucos por gibis.

para ler para a turma ou participar como ouvintes das rodas de leitura. Organize a sala em grupos e distribua um montinho com uma seqüência . escolha uma das histórias. mande um bilhete aos pais ou fale com eles sobre a importância do projeto. Ao receber as doações. Depois dessa conversa inicial. para estimular as crianças a antecipar o enredo. transparências e retroprojetor. Uma das maneiras é pedir a doação de gibis. • Envolvimento de crianças. catalogue e organize-as por título para ficar mais fácil encontrar o desejado. Faça uma máscara de cartolina para cobrir os quadrinhos. Explique que é preciso se comprometer a devolver o gibi na data estipulada para que outros colegas possam ler depois. Outra é perguntar sobre a possibilidade de eles comparecerem durante uma hora na escola. Depois de analisar cada um. Dessa maneira. objetivos • Estimular nas crianças o prazer de ler antes da alfabetização. recorte os quadrinhos e embaralhe-os. Aproveite para convidá-los a participar. pois o ideal é mostrá-los um a um. Depois. Para animar a garotada e controlar os mpréstimos. Anote as datas de retirada e de devolução. Tempo estimado Dois meses. leia o texto completo para a turma entender a seqüência. cartolina. faça carteirinhas de sócios para todos (que tal colocar uma foto também?). com o máximo possível de exemplares repetidos. • Formar leitores competentes. Chame a atenção para o formato dos balões e as onomatopéias. no decorrer do projeto. Material necessário Gibis variados. ANO Préescola.78 • Valorização da leitura como fonte de prazer e cultura na escola e na comunidade. 2ª etapa Prepare transparências com algumas seqüências e apresente as histórias com a ajuda de um retroprojetor. distribua exemplares do mesmo gibi para que todos possam acompanhar a história individualmente. pergunte: "O que será que vem no próximo?". • Aproximar a escola e a comunidade por meio da leitura. Assim estará montada a gibiteca. todos vão fazer uma observação minuciosa das expressões fisionômicas dos personagens e dos detalhes das cenas. Depois que a turma tiver um bom repertório. tesoura. em duplas ou trios. 3ª etapa Para a leitura compartilhada. pais e comunidade em situações de leitura. Aproveite os momentos de organização do acervo para ensinar a manusear o material corretamente: as páginas devem ser viradas com cuidado e com as mãos limpas para não rasgar nem amassar. Desenvolvimento 1ª etapa Reúna as crianças e pergunte quais personagens elas conhecem. Discuta as principais características de cada um e apresente algumas informações comportamentais e físicas.

SP. (14) 3405-1503 BIBLIOGRAFIA Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula. R. O desafio é remontar na ordem correta. em Pompéia. Eles podem ser leitores ou simplesmente ouvir as histórias na roda. SP. 160 págs. 17580-000. se comentam as histórias preferidas e se adquiriram o hábito de levá-los emprestados para casa.. tel. Consultoria Marcelo Campos Pereira. observe se depois dessas atividades as crianças buscam espontaneamente a leitura de gibis e com que freqüência. Pompéia. Outra. 4ª etapa Repita os momentos de leitura várias vezes durante a semana – o ideal é fazer disso uma atividade permanente durante o ano.br) . espalhar colchonetes e deixá-los curtir os quadrinhos à vontade. Ed.com. 650. Quer saber mais? CONTATO EMEI Sonho de Criança. Avaliação Para saber se os objetivos foram alcançados. (11) 3832-5838. Cuide para que esses momentos sejam bem descontraídos. Uma idéia é levar os pequenos para ler no parque. José de Moura Resende. turma de alfabetização aprende a transmitir suas ideias utilizando o desenho e a palavra Denise Pellegrini (dpellegrini@abril. professor da EMEI Sonho de Criança. tel. É hora de chamar os pais que se dispuseram no início a participar do projeto para comparecer à sala. Contexto. 25 reais Aulas que estão no gibi Ao criar histórias em quadrinhos. Angela Rama e outros.79 completa para cada um.

uma das elaboradoras dos PCN de 5ª a 8ª séries. coordenador do Núcleo de Pesquisas em História em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). "Por isso. Colocados num canto. fez exatamente o contrário: usou o material preferido de seus alunos da pré-escola para animar suas aulas de Português e Educação Artística. Pois a professora Cynthia Nagy. relata Cynthia. "As revistas têm a particularidade de unir duas formas de expressão cultural: a literatura e as artes plásticas". considero bastante oportuna sua utilização em sala de aula". justifica. e pesquisaram os diferentes tipos de balão: trabalho para entender as variações da língua Houve tempo em que levar revista em quadrinhos para a classe valia repreensão e castigo e o aluno ainda se arriscava a perder o gibi. analisa a professora. Quem não sabia ler escutava as histórias contadas por ela e pelos sete colegas já . "Enquanto eram alfabetizadas. No caso dos quadrinhos. as crianças aprenderam as características desse tipo de linguagem e. como o Cascão. entre as vantagens de utilizar esse recurso na alfabetização está a possibilidade de a turma ler textos só em letras maiúsculas. Além disso. Conteúdo relacionado Tudo sobre • Produção de texto Reportagens • • Gibis podem ser usados em sala de aula? Como? ''Eu já sei ler gibi!'' Galeria • Calvin e seus amigos Waldomiro Vergueiro. Ambos falam da importância do trabalho com diferentes tipos de texto. "Isso permite exercitar a autonomia da leitura recém-conquistada". Investigando os balões A experiência de Cynthia começou com o material de que ela dispunha em sala. entre eles os quadrinhos. De acordo com a consultora de Português Maria José Nóbrega. "Cada vez mais os produtos culturais se entrelaçam". completa Waldomiro. a experiência se enquadra tanto nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil quanto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). endossa as palavras de Cynthia. afirma. do Colégio Mopyatã. os gibis estavam sempre ao alcance de seus 22 alunos. no final do ano. o resultado é um veículo extremamente atraente para as crianças. estavam desenhando e escrevendo histórias". na capital paulista.80 As crianças desenharam seus personagens preferidos.

"Também é interessante mostrar à classe personagens desconhecidos". de costas e de perfil . "Sempre alertamos a turma para a necessidade de respeitar o perfil que eles mesmos deram aos personagens". gratuitas na Grande São Paulo. os pequenos copiavam os desenhos das revistas com papel vegetal e mudavam apenas o texto. A base de qualquer tira. Para Maria José. distribuindo a informação pelo espaço disponível. afirma Marcelo Campos. De frente. informações históricas como essa são importantes para que a criança conheça bem o gênero de linguagem com que está trabalhando. descrevem as etapas envolvidas na confecção de um gibi. diz Marcelo. são agendadas de acordo com a disponibilidade da equipe. um dos quatro profissionais que cuidam da Fábrica de Quadrinhos. "Os quadrinhos têm uma linguagem própria e o mais importante é entender seus códigos". cochicho e uníssono. como os de fala. pensamento. Nesta fábrica. a matéria-prima é a ideia Artistas mostram aos alunos como se faz um gibi Ao trabalhar com revistas na sala de aula deixe claro para seus alunos o seguinte: não é necessário fazer desenhos e textos maravilhosos. grito. núcleo de produção e ensino dessa técnica localizado em São Paulo. Um dos primeiros itens investigados pelos alunos foram os balões. As crianças recortaram das revistas vários tipos. lançam um mote. Esse exercício fez parte da rotina das aulas de Cynthia. é a idéia. eles avisam. "Expliquei que essa foi a técnica utilizada pelos primeiros desenhistas no Brasil". No princípio.81 alfabetizados. Confira no quadro ao final da reportagem o telefone para informações." A pesquisa foi uma constante no projeto. os profissionais esboçam o desenho. Viram que. "Tudo o que as crianças descobriam era socializado com os colegas nas discussões em roda". Marcelo e seus companheiros visitam escolas e. conta Cynthia." Os artistas dão uma aula prática sobre o processo de produção de uma revista. recomenda. As palestras. traziam onomatopéias ou mesmo um simples desenho. "O desafio é passá-la para o desenho. sonho. amor. instigam a turma a criar os personagens. "Eu e as crianças procurávamos tiras nos jornais e colávamos as melhores num cartaz. As primeiras historinhas começaram a ser feitas depois de a classe conversar sobre as revistas preferidas. Primeiro. diz Cynthia. em palestras de 30 minutos. estudaram o que eles continham. Enquanto os alunos inventam a história coletivamente. Em seguida. além de palavras comuns. Depois.

explica Regina Scarpa." Para estimular o processo de criação." Três jeitos de contar uma história Alunos conferem diferenças entre os quadrinhos. "Todas as atividades propostas pela professora deram às crianças competência para produzir seus roteiros". trecho por trecho. As melhores tiras. tel. de costas e de perfil. ainda freqüentes. do Colégio Montessori Santa Terezinha. o livro e o teatro Assim que terminavam suas tarefas. lembra. não foram corrigidos por ela. A professora tirava cópias das histórias e apagava balões ou quadros inteiros. "Primeiro. Quando todos se familiarizaram com a tarefa. a corrida ou um pulo. Melhoramentos. "É importante que as crianças vejam suas criações publicadas em veículos típicos do gênero. Ela pediu que a classe lesse o livro Cuidado: Garoto Apaixonado (Toni Brandão. A narrativa foi transformada em quadrinhos. apesar de não ter sido o único em Português. foram publicadas no jornal bimestral da escola. Depois deram movimento às figuras. avalia Maria José.40 reais. . Após essa fase. eles tentavam dividir a narrativa em quadros e criar os diálogos. "Eu lia um texto curto e repetia. Silvana resolveu incorporar o gosto da turma de 5a série a suas aulas de Português. O trabalho que veio a seguir fascinou a turma. 11. Outras vezes. que eram consultados por todos na hora de criar as tiras. festeja Cynthia. em quatro quadros. na opinião de Maria José. As demais formaram um almanaque. eles descreveram os principais integrantes da Turma da Mônica. ela distribuía uma história recortada para ser colocada em ordem. tiravam um gibi da mochila e se divertiam com a leitura.20 reais na Dudes Shop) "Recomendei que evitassem as falas de narrador e tornassem os diálogos curtos como os dos gibis". os alunos da professora Silvana Vívolo. "No final do ano. teve grande influência na alfabetização da turma. Em grupo. para que as alunos fizessem um esboço". Os erros dos textos. "A escrita só era melhorada até o ponto em que a criança tinha condições de chegar". O projeto. explica Silvana. Cynthia passou o que as crianças tinham escrito para cartazes. 47. com a ajuda do programa Oficina do Livro (Iona. 0_ _113874-0884). de acordo com a descrição feita anteriormente. Cynthia ensinou como transformar uma ideia em quadrinhos. coordenadora pedagógica do Colégio Mopyatã. vários exercícios se seguiram. mostrando o andar. que eram refeitos pela turma. Atenta a esse detalhe. No quadro-negro. escolhidas em votação.82 Na hora de escolher personagens para suas histórias. Essa foi uma ótima forma de concluir o trabalho. cada criança criou sua história e fez um esboço. apenas dois alunos não estavam alfabetizados". As técnicas de arte vieram em seguida. a turma ficou com os de Mauricio de Sousa. eles desenharam os personagens de frente. em São Paulo.

Quer saber mais? CONTATOS Colégio Mopyatã . (0-11) 818-4324 Maria José Nóbrega . tel. CEP 01407-000. conclui. SP. da USP. "Eles percebem que uma mesma mensagem pode ser transmitida de diferentes maneiras e que não há uma mais nobre que a outra". São Paulo.. tel.Av. 13 reais Era uma vez. 183. 3265. SP. (0-11) 6090-1500. Farjalla Koraicho. porém.. CEP 05724-020. é importante oferecer aos alunos o contato com várias linguagens. CEP 05508-990. Giovanni Gronchi. O maravilhoso mundo dos contos de fadas e seu poder de formar leitores O bicentenário do escritor infantil Hans Christian Andersen é uma boa oportunidade para explorar a fantasia das crianças com histórias clássicas como O Patinho Feio e O Soldadinho de Chumbo . 51. tel. a professora levou a classe para ver uma peça de teatro baseada no mesmo livro. (011) 884-8867 BIBLIOGRAFIA O Mundo das Histórias em Quadrinhos.R.Av. De acordo com Waldomiro Vergueiro. 4000. (0-11) 3744-2571 Colégio Montessori Santa Terezinha . São Paulo. São Paulo. Modema.Av. 443. (0-11) 5011-1022 Waldomiro Vergueiro . tel.R. SP.9 de Julho. SP. São Paulo. Ribeiro do Vale. SP.83 Antes que fosse ao laboratório de informática. tel. CEP 04321-130. São Paulo. Lúcio Martins Rodrigues. Prof. Leila Rentroia Lannone e Roberto Antônio LAnnone. CEP 04568-000 Fábrica de Quadrinhos .

As narrativas se . assim como a introdução "era uma vez". Quando o pai morreu. reis e rainhas não podem faltar. apenas registravam no papel as histórias já contadas oralmente pelo povo. o sonho do menino ficou mais distante. Foto: Karine Basílio Era uma vez um garoto pobre e feio que queria ser ator. como em O Patinho Feio. Os escritores que o antecederam. Ele é autor de cerca de 160 contos e seis romances.84 Medo. além de poesias e de uma autobiografia. já que ele teria que sustentar a família. que era sapateiro. Sua obra foi traduzida para mais de 100 línguas. viaja com a turma para o mundo da imaginação. pois em cada narrativa escrita por ele há um pouco de suas tristezas e alegrias. mas ficou rico e famoso escrevendo histórias infantis. O aniversário de 200 anos do autor é uma oportunidade de desenvolver um projeto de leitura na escola e de explorar as características dos contos de fadas — gênero literário que dá ao leitor oportunidade de encontrar significado para a vida. Um dia. em um teatrinho feito de papelão. Animais que falam. A vida do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) daria um conto de fadas. em Diadema (SP). Mais sobre alfabetização Reportagens • • • • Emília Ferreiro. como Chapeuzinho Vermelho. como o francês Charles Perrault (1628-1703) e os irmãos alemães Jakob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859). fadas madrinhas. susto e raiva: a professora Maristela. É fácil reconhecer um conto de fadas. a estudiosa que revolucionou a alfabetização Produzir textos sem escrever Alfabetizar é todo dia Edição especial sobre alfabetização Vídeos • • • Entrevista com Telma Weisz Diagnóstico na alfabetização inicial item Planos de aula • • • Leituras simultâneas de contos Leitura de textos informativos Reescrita de histórias conhecidas A genialidade de Andersen está na leveza. o garoto partiu para bem longe e passou fome e frio até conhecer um homem que pagou seus estudos e viagens pelo mundo. do Instituto Educacional Stagium. O menino não se tornou ator. na poesia e na melancolia com que trata o sofrimento infantil. Andersen é definitivamente o primeiro escritor infantil. E rendeu muitos. Uma de suas poucas alegrias era assistir histórias populares encenadas pelo pai.

o leitor é transportado para um mundo onde tudo é possível: tapetes voam e galinhas põem ovos de ouro. diz a terapeuta Mariúza Pregnolato Tanouye. Uma obra é clássica e referência em qualquer época quando desperta as principais emoções humanas. Para ele. Algumas histórias tratam de temas que fazem parte da tradição de muitos povos e apresentam soluções para problemas universais. a rivalidade entre irmãos em Cinderela e a separação entre as crianças e os pais em Rapunzel e O Patinho Feio. Fantasia ajuda a formar a personalidade A literatura infantil surgiu somente no século 17. O personagem representa o desejo de vingança do mais fraco contra o mais forte". no entanto. Há notícias de histórias antigas na África. Ou seja. de São Paulo. existem desde que o ser humano adquiriu a fala. pois eles ensinam sobre os problemas interiores dos seres humanos e apresentam soluções em qualquer sociedade. no Japão e no Oriente Médio — como a coleção de contos árabes As Mil e Uma Noites. na Índia. com a descoberta da prensa. a agressividade e o descontentamento com irmãos. como João e Chapeuzinho Vermelho. "A criança aumenta seu repertório de conhecimentos sobre o mundo e transfere para os personagens seus principais dramas". "A fantasia é um mecanismo inventado pelo homem na era medieval para superar as dificuldades da vida real". conta Katia Canton. especialista em contos de fadas pela Universidade de Nova York. Os pequenos se identificam com os heróis e experimentam diversas emoções. "No conto maravilhoso. na China. os contos de fadas pertencem ao gênero literário mais rico do imaginário popular. Esses elementos facilitam a memorização e tornam a narrativa apropriada à oralidade. e esse drama existencial aparece logo no começo de muitas histórias consideradas referências na literatura. explica Lilian Mangerona Corneta Rotta. afirma Lilian. Para Bettelheim. mães e pais são vivenciados na fantasia dos contos: o medo da rejeição é trabalhado em João e Maria." A idéia foi difundida após a divulgação dos estudos do psicólogo austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990). a fantasia ajuda a formar a personalidade e por isso não pode faltar na educação. saindo mais feliz dessa experiência. nenhum tipo de leitura é tão enriquecedor e satisfatório do que os contos de fadas. O que os pequenos mais temem na infância? A separação dos pais. Que criança não fica com medo ao imaginar o Lobo Mau devorando a Vovozinha? Ou odeia a bruxa quando ela prende Rapunzel na torre? Para a escritora Ana Maria Machado. As histórias infantis e os contos populares.85 passam em um lugar distante — "muito longe daqui" — e têm personagens com nomes comuns ou apelidos. "É o caso de O Pequeno Polegar. mestre em literatura pela Universidade Estadual Paulista. "Essas histórias funcionam como válvula de escape e permitem que a criança vivencie seus problemas psicológicos de modo simbólico. A leitura das histórias no passado tinha mais um propósito muito claro: apontar padrões . Essa é a magia da fantasia".

Não é saudável evitar que as crianças enfrentem os conflitos". parece ser exatamente a sensação de viver por empréstimo grandes aventuras. "Isso mostra como os contos serviam para instruir mais que divertir". professora da Universidade de Campinas.. com muito suspense. como mostrado em A Bela Adormecida e Cinderela. deparavam com situações dramáticas. como enfrentar o Lobo Mau. Na versão original de Chapeuzinho Vermelho. a professora mostra uma página e pede para as crianças adivinharem a . de Andersen. Canibalismo e incesto. "As mudanças de enredo apaziguam as emoções que precisam ser vividas. lembra Katia. a recompensa final da protagonista. confeccionado com retalhos pelos próprios alunos. como Chapeuzinho Vermelho. Fazer paródias. Assim. A cada dia." A atividade é completada com a moldura mágica. o medo e o castigo das narrativas é forte atualmente. Especialistas afirmam que a tendência de retirar o mal. grandes amores e. Eles foram escritos em outra época e a criança consegue compreender isso. diz Katia Canton. no entanto. o Lobo devora a Vovó e a própria Chapeuzinho. para crianças e adultos. e o Caçador não existe. por exemplo. Assim que ela coloca o tapete no chão. sinaliza que é hora de a professora Maristela Aparecida Martins de Paiva contar histórias. Em A Polegarzinha. é possível usar e abusar de filmes que recontam A Bela e a Fera e O Patinho Feio. em Diadema (SP). "Todos os estudiosos do assunto afirmam que as crianças gostam de violência. também era o casamento. "É importante criar esse universo de magia e curiosidade para facilitar o mergulho das crianças nas histórias. grandes crueldades também!" Leitura também para adolescentes No Instituto Educacional Stagium. um dos prazeres da arte. A vida da menina foi poupada na versão dos irmãos Grimm. Para Marisa Lajolo. o mais importante é que pais e professores se sintam confortáveis ao contar uma história. e as obras infantis devem ser respeitadas como a literatura para adultos".. Essa história tinha forte caráter moral na sociedade rural do século 17: camponesas não deviam andar sozinhas. Já garotas desobedientes. mas é preciso apresentar primeiro as obras que mais se aproximam dos originais. que as histórias mudam de acordo com a cultura e a época. Um tapete mágico. os contos de fadas fazem parte das atividades diárias na Educação Infantil e são explorados com criatividade pelos professores. Medo e morte devem fazer parte dos contos Por que histórias de reis e rainhas e de moçoilas à espera de um príncipe ainda fazem sentido hoje em dia? "Os contos são um patrimônio da humanidade. Um critério é escolher livros traduzidos por um escritor conhecido. foram retirados de histórias antigas. afirma Mariúza. Toda semana. Clássicos são clássicos porque se perpetuam. um livro é apresentado aos pequenos aos poucos. a turma senta ansiosa ao seu redor.86 sociais para as crianças. promover uma visão crítica dos temas tratados e indicar a época em que as novas versões foram escritas ajudam a garotada a refletir. por exemplo. Aliás. Dedolina. O objetivo das moças ingênuas era encontrar um príncipe. Ela explica.

Ática. 15. É um estímulo para os estudos de literatura. 54 reais OS TRÊS PORQUINHOS. 15. 16 reais RAPUNZEL. professora de Língua Portuguesa. Ed. tradução de Maria Heloisa Penteado. tradução de Ana Maria Machado. Depois de perder tudo o que ganhou. (11) 3707-3500. o Soldadinho de Chumbo. Ada Priscila da Silva.. ele faz um novo pedido e. (11) 3874-0644 . 120 págs. em Santos (SP). tel. tradução de Heloisa Jahn. Os contos de fadas não devem ficar restritos às séries iniciais. Os campeões são o Lobo Mau. 32 págs.87 história pela ilustração. Na Escola Novos Caminhos. 88 págs. 288 págs. tel. É o primeiro livro escrito pelo autor dinamarquês.. Ed. Obras que não podem faltar na escola CONTOS DE PERRAULT. (11) 3990-2100. Só na sexta-feira Maristela lê a obra inteira. pede para cada aluno levar um livro de casa e relembrar momentos de leitura com os pais.. O Soldadinho de Chumbo (1838) O protagonista é um boneco de uma perna só. Ed. alunos de 5ª a 8ª série também lêem os contos durante as aulas. esse tipo de leitura contribui para a formação de alunos leitores e críticos. tel. Na adolescência. tradução de Tatiana Belinky. Mas é jogado em uma . ele se apaixona por uma boneca bailarina. 16 págs. Ática. Após passar por muitas aventuras nas mãos de crianças. Branca de Neve e Cinderela — os adolescentes traçam um paralelo com os políticos atuais e com as cobranças dos padrões sociais. passa a ajudar os pobres. (11) 3789-4000. Companhia das Letras. 38 reais OS CONTOS DE GRIMM." Quais personagens mais marcaram a vida dos jovens? Os alunos respondem e justificam as escolhas com uma redação. Paulus.. tel. Os pais também participam do projeto: oficinas de leitura de histórias acontecem nas reuniões para que eles aprendam a proporcionar aos filhos esses momentos de magia. rico.. Ed.90 reais Os mais famosos contos de Andersen O Isqueiro Mágico (1835) Um soldado encontra um isqueiro mágico que realiza todos os seus desejos. Melhoramentos. "Eles se emocionam e contam fatos significativos vividos em família e proporcionados pela leitura.90 reais HISTÓRIAS MARAVILHOSAS DE ANDERSEN. Ed. tradução de Fernanda Lopes de Almeida.

Ela tenta vender fósforos para se sustentar. 146 págs. Ed.. mas acaba acendendo todos. Ele foge e descobre que é na verdade um belo cisne. É a história que representa de maneira mais explícita a vida do autor. Senador Pinheiro Machado. (13) 3251-5174 Bibliografia A PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS. Av. (11) 3337-8399. 366 págs. Paz e Terra. Ana Maria Machado. 09910-200. O Patinho Feio (1843) Um pato feio e desengonçado é rejeitado pela família por ser diferente. É considerado um dos contos mais tristes da literatura infantil. Japão.50 reais COMO E POR QUE LER OS CLÁSSICOS UNIVERSAIS DESDE CEDO. uma menina perambula pelas ruas frias de uma cidade. (21) 2556-7824. tel. 49. Santos.90 reais . tel. A Pequena Vendedora de Fósforos (1846) No último dia do ano. 29. que ilustrou diversos contos de Andersen.88 lareira junto com sua amada. 11075-000. tel. A ilustração ao lado foi feita em 1847 por Vilhelm Pedersen. para se aquecer. Objetiva. (11) 4056-8063 ESCOLA NOVOS CAMINHOS. SP. tel. 495. Quer saber mais? INSTITUTO EDUCACIONAL STAGIUM. A história não tem um final feliz. Diadema. Ed. um a um.. Trata-se do primeiro conto totalmente criado por Andersen. Andersen se inspirou na infância da mãe para escrevê-lo. 29. Bruno Bettelheim. R. SP.

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