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Gestão Ambiental e

Responsabilidade Social
Material Teórico
Introdução à Gestão Ambiental e Responsabilidade Social

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.a Me. Nilza Maria Coradi de Araújo

Revisão Textual:
Prof. Dr.a Selma Aparecida Cesarin
a
Introdução à Gestão Ambiental
e Responsabilidade Social

• Introdução;
• Século XXI, o Desenvolvimento Sustentável
como Novo Paradigma;
• Considerações Finais.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Apresentar o desenvolvimento histórico das questões ambientais;
fornecer as bases teóricas e principais conceitos de sustentabilidade.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Introdução à Gestão Ambiental e Responsabilidade Social

Introdução
Nos últimos séculos, o desenvolvimento da Humanidade foi inigualável,
com inúmeras descobertas em todos os campos, trazendo enorme capacidade
de produção e de controle dos elementos da Natureza. Concomitante a esse
desenvolvimento, o ser humano gerou, também, os meios que podem levá-lo à
extinção, tanto dele, quanto de outros seres do Planeta. O processo em curso, de
contaminação excessiva do meio ambiente, acelerou-se de forma surpreendente
com a Revolução Industrial.

A compreensão desse processo é de fundamental importância para que nos


conscientizemos da gravidade do processo e para obtermos as soluções para
sua superação.

Entre todas as espécies existentes, o ser humano é a que apresenta a maior


capacidade de adaptação ao meio natural. Essa capacidade só é possível porque o
homem sempre modificou seu ambiente, criando um ambiente próprio, diferente
do meio circundante, que seria o natural.

Para dominar seu ambiente, o homem aprendeu a criar ferramentas, fazendo com
que suas capacidades fossem multiplicadas, e se juntou a grupos, que, organizados
em torno de um objetivo, ampliavam suas capacidades individuais.

A capacidade do homem de conceber suas ações previamente no seu cérebro,


na forma de planejamento, e a cada ação incorporar novas informações, que
resultam em diferentes soluções para os mesmos problemas, fazem-no diferente de
todos os outros animais.

As atividades realizadas que interferem na natureza de modo a transformá-


la para satisfazer as suas necessidades são denominadas trabalho. Desse modo,
o trabalho é uma atividade desenvolvida pela espécie humana para modificar a
natureza e adaptá-la para a satisfação de suas necessidades (DIAS, 2011).

Podemos dizer, então, que o trabalho humano tem como objetivo, essencialmente,
a manutenção da espécie humana no ambiente, melhorando suas condições ou sua
qualidade de vida.

Quando o homem percebeu que ao se unir a grupos alcançava melhor e mais


facilmente seus objetivos, começou a se organizar e a organizar o trabalho, com a
distribuição de funções e sequenciamento de tarefas, obtendo maior rendimento.
Com isso, a capacidade de trabalho do homem aumenta e a sua capacidade de
intervir na natureza também é ampliada e, assim, aumentam os impactos causados
pelo homem no meio natural.

Durante milhares de anos, esse processo de alteração do ambiente natural foi


se desenvolvendo e se intensificando. Há mais ou menos 8.000 anos, os homens
aprenderam a domesticar os animais e a plantar sementes, permitindo maiores e
melhores colheitas.

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O domínio de tais atividades provocou uma revolução na história da Humanidade,
pois possibilitou a fixação de pessoas em determinadas regiões e o aparecimento
das primeiras vilas e cidades.

Quando o homem conseguiu produzir os alimentos de forma eficiente, houve


um excedente desses alimentos, trazendo o surgimento de ofícios não ligados dire-
tamente à produção de alimentos, surgindo a divisão do trabalho.

Novas necessidades de cooperação continuada surgiam, com pessoas para fins


específicos, objetivando sempre a qualidade de vida. A partir desse momento, a
melhoria da qualidade de vida se dava em detrimento do mundo natural, pois havia
a ideia dominante, e era a luta do homem contra a Natureza.

Com o domínio da Agricultura, consolida-se a relação do homem com a Natureza,


pois a Agricultura demanda a criação de um meio artificial para o cultivo de plantas
e para a criação do gado. Além disso, torna-se necessária a proteção das plantações
e do gado dos animais selvagens e, assim, os espaços passam a ser cercados e a ser
propriedade de alguém ou de um grupo, surgindo, dessa maneira, a propriedade
privada. Com a abundância de comida, ocorre o aumento da população, que acaba
ocupando cada vez mais espaços, em detrimento do ambiente natural.

Quanto maior as populações humanas, mais destrutivas do ponto de vista am-


biental. A construção de grandes cidades aumentou a destruição do ambiente na-
tural circunvizinho.

As concentrações urbanas, quando destroem o ambiente natural, acabam pro-


vocando, também, a adaptação dos organismos que existiam nos ambientes natu-
rais, como as pragas que se alastram quase sem controle, além de muitos outros
organismos que transmitem doenças. Assim, durante todos esses milhares de anos,
tivemos notícias de grandes epidemias que assolaram as cidades.

A Industrialização
A segunda grande mudança após o desenvolvimento da Agricultura ocorreu no
século XVIII, com a Revolução Industrial. O surgimento da máquina a vapor deu ao
homem uma nova perspectiva. O que antes era feito de modo artesanal, exigindo
muito esforço e tempo, passou a ser realizado por máquinas, aumentando muito
a produtividade e viabilizando a criação de novos produtos. Com o aumento da
produtividade, aumentou-se, também, claro, o uso dos recursos naturais. Quanto
mais se desenvolviam os processos de produção, mais se consumiam os recursos
naturais e novos hábitos foram surgindo, impulsionando o crescimento demográfico.

A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, mas rapidamente foi difundida


para outros países. Com ela, a urbanização se intensificou de forma descontrolada,
trazendo problemas sérios como abastecimento de água, esgotos sanitários
insuficientes, fumaça das indústrias etc. As consequências logo começaram a
aparecer, como epidemias de cólera, febre tifoide e outras doenças infecciosas.

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Concomitante ao aumento da população, houve maior necessidade de expandir


a área agrícola, de utilizar a madeira para o carvão vegetal e para a construção de
moradias; houve grande exploração de minérios e demais recursos naturais, como
se fossem recursos ilimitados.
O desmatamento sem restrições, principalmente na Europa, dizimou suas
florestas, gerando problemas ambientais vistos ainda hoje.
Os países mais industrializados, incluindo os Estados Unidos, países da Europa
Ocidental, o Canadá e o Japão, após a Segunda Guerra Mundial, alcançaram um
padrão de vida nunca visto antes, com liberdade política, acesso à Educação e à
Saúde, grande capacidade de renda e consumo, fazendo contraste com o resto
da população.
Nesse período, utilizaram-se mais recursos naturais para a fabricação de bens de
consumo do que em toda a História da Humanidade.
Esse uso desmedido dos recursos, que ocorreu entre os anos de 1950 e 2000,
gerou diversos problemas ambientais, como:
• Alta concentração populacional;
• Consumo exacerbado de recursos naturais, alguns não renováveis, como pe-
tróleo e carvão mineral;
• Devastação das florestas, extinguindo espécies de fauna e flora;
• Contaminação do ar, do solo e das águas.

Contaminação Ambiental
O século XX foi, sem dúvida, o mais devastador para a questão ambiental. Nesse
período, as cidades cresceram consideravelmente em decorrência da industrialização
e, concomitantemente, as fábricas passaram a poluir os locais em que se instalavam.
Após a criação do automóvel movido a motor de combustão de derivados de
petróleo, os efeitos nocivos ao meio ambiente foram agravados enormemente.
Por um longo período, não houve qualquer controle do uso de recursos naturais
e nem eram de conhecimento público os efeitos de muitos resíduos expostos na
natureza; no entanto, grandes acidentes industriais chamaram a atenção da opinião
pública sobre esses perigos, como a contaminação do ar gerando a chuva ácida, as
alterações climáticas, a contaminação dos lençóis freáticos e do solo com metais
pesados e resíduos tóxicos.
Os acidentes industriais que aconteceram causaram muitas mortes e danos
ambientais. Podemos citar alguns exemplos de acidentes que tiveram um grande
impacto, como a contaminação da Baia de Minamata, no Japão. A contaminação
ocorreu por um longo período devido a uma Companhia Química instalada às
margens da Baía. Foram registrados casos de disfunções neurológicas em famílias
de pescadores e moradores também morriam em função das altas concentrações
de mercúrio, causando a doença chamada de Doença de Minamata.

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Outro exemplo que podemos citar foi um incêndio em uma indústria, ocorrido em
1986, em Basileia, na Suíça, no qual 30 toneladas de pesticidas foram despejadas
no Rio Reno, causando a mortandade de peixes ao longo de 193km (DIAS, 1998).

No Brasil, ocorreu uma das mais graves contaminações de águas, o aterro


Mantovani, situado no município de Santo António de Posse, região metropolitana
de Campinas (SP), onde mais de 50 indústrias multinacionais despejaram toneladas
de material tóxico ao longo de 15 anos, contaminando rios e pessoas. E, além
desses exemplos, temos milhares de outros, no Brasil e no mundo, retratando o
descaso com o meio ambiente e a saúde das pessoas (DIAS, 2011).

Mais recentemente, no Brasil, tivemos o rompimento da barragem do Fundão,


localizada na cidade histórica de Mariana (MG), responsável pelo lançamento no
meio ambiente de 34 milhões de m³ de lama, resultantes da produção de minério
de ferro pela mineradora Samarco -- Empresa controlada pela Vale e pela britânica
BHP Billiton.

Seiscentos e sessenta e três quilômetros de rios e córregos foram atingidos;


1.469 hectares de vegetação foram comprometidos; 207 de 251 edificações
acabaram soterradas apenas no distrito de Bento Rodrigues. Esses são apenas
alguns números do impacto, ainda por ser calculado, do desastre, já considerado a
maior catástrofe ambiental da história do país.

Figura 1

Fonte: Wikimedia/Commons

A Mudança
Foi a partir da década de 1960 que iniciaram as discussões sobre a relação do
homem com seu meio ambiente. A partir desse momento, começou a conscien-
tização sobre a importância do gerenciamento ambiental para garantir não só a
geração presente, mas também às gerações futuras a possibilidade de um desen-
volvimento sustentável.

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No ano de 1962, houve um marco, quando a bióloga Rachel Carson publicou


o livro Primavera Silenciosa (Silent Spring), no qual a autora denunciava o uso
abusivo do dicloro difenil tricloroetano (DDT), um agrotóxico que, além de trazer
sérios riscos de câncer e outras doenças, danificaria também a terra e exterminaria
os pássaros, pois esse inseticida era amplamente utilizado para proteger a colheita
contra os insetos.

A publicação do livro foi um alerta a todos os países. Foram realizados, a partir


daí, vários estudos com o enfoque nos efeitos dessa substância e se constatou
realmente a nocividade e, mesmo com forte oposição dos agricultores, a substância
foi proibida nos EUA. O livro abriu espaço para o movimento ambientalista.

O aumento das discussões em torno das questões ambientais culminou em um


encontro de trinta especialistas de vários países em Roma, Itália (1968). Foram
pessoas de 10 países entre cientistas, educadores, indústrias e funcionários públicos,
com o objetivo de abrir uma discussão sobre o futuro do homem (CARSON, 1969).

Desse encontro, nasceu o Clube de Roma, uma organização informal, com a


finalidade de entender os diversos componentes variados, mas interdependentes
– econômicos, políticos, naturais e sociais, e chamar a atenção dos tomadores
de decisões e da população global para esse novo modo de entender e, assim,
fomentar novas iniciativas e planos de ação.

No início da década de 1970, tornaram-se mais consistentes os questionamentos


sobre o modelo de crescimento e de desenvolvimento econômico que existia desde
a Revolução Industrial. Questionava-se que mesmo ocorrendo profundas mudanças
na Economia, o subdesenvolvimento e a pobreza não diminuíam e a desigualdade
social entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos se tornava cada vez maior.

Em relação ao meio ambiente, questionava-se, principalmente, o uso dos


recursos naturais e se constatava que esse modelo de crescimento econômico
provocava o agravamento da deterioração ambiental, aumentando a contaminação
e acelerando o esgotamento dos recursos naturais.

Após 10 anos, a Assembleia das Nações Unidas realizou uma conferência


mundial sobre o meio ambiente humano, em Estocolmo, Suécia, em 1972.

Esse encontro teve como objetivo influenciar e orientar o mundo na preservação


e na melhoria do ambiente humano. Como resultado, foi elaborado um Documento,
uma Declaração e um Plano de Ação para o meio ambiente humano e a criação do
Programa de Nações Unidas sobre o meio ambiente (PNUMA).

O maior mérito dessa Conferência foi o de lançar as bases para a abordagem


dos problemas ambientais numa ótica global de desenvolvimento, primeiros passos
do que viria a se constituir mais tarde o conceito de desenvolvimento sustentável
(DIAS, 2011).

Esse encontro marcou a história do meio ambiente e, desde então, o dia 5 de


junho passou a ser o Dia Mundial do Meio Ambiente.

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Esses eventos foram desencadeadores de ações normativas-institucionais den-
tro da Organização das Nações Unidas (ONU), com a criação de Ministérios,
Agências e outras Organizações responsáveis pelo meio ambiente e a criação de
legislações ambientais.

Continuando a cronologia histórica da evolução das questões ambientais, em


1983, na Assembleia Geral da ONU, foi criada a Comissão Mundial para o Meio
Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD). Essa Comissão solicitou um trabalho que
consistia em uma “Agenda Global de mudança”. Entre os itens solicitados estava:
• Estratégias para viabilizar o desenvolvimento sustentável;
• Propostas dos países desenvolvidos de ajuda na área ambiental para países em
várias fases de desenvolvimento para atingir objetivos comuns;
• Elaborar uma Agenda a ser colocada em prática por um longo período e
contribuir com noções comuns a questões ambientais.

Em 1987, essa comissão apresentou o relatório “Nosso Futuro Comum”.


Esse documento vinculou a Economia à Ecologia, formalizando o conceito de
desenvolvimento sustentável e apontando as responsabilidades que os estados
devem ter em relação aos danos ambientais.

Esse relatório vincula estreitamente Economia e Ecologia e define o eixo em


torno do qual se deve discutir o desenvolvimento, formalizando o conceito de
desenvolvimento sustentável e estabelecendo os parâmetros em que os governos
deveriam se pautar, assumindo as responsabilidades pelos danos ambientais e pelas
políticas que causam esses danos.

Vinte anos após a criação do PNUMA, ocorreu no Rio de Janeiro, em 1992,


a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
(CNUMAD), que discutiu as políticas que geram os efeitos ambientais negativos.

No evento, foram firmados cinco documentos que direcionaram as discussões


para os anos seguintes.São eles:
• Agenda 21 (Agenda para o século XXI);
• Convênio da Diversidade Biológica (CDB);
• Convênio sobre as Mudanças Climáticas;
• Princípios para Gestão Sustentável das Florestas;
• Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.

A CNUMAD teve um desdobramento institucional importante, que foi a criação


da Comissão Sobre o Desenvolvimento Sustentável (CDS), que visou a assegurar a
implementação das propostas da Rio 92 e, mais tarde, seria o órgão organizador
da Rio+10, que ocorreu em Johannesburgo, em 2002, com o objetivo de avaliar a
situação do meio ambiente global, em função das medidas adotadas CNUMAD-92.

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Após dez anos desse evento, em 2002, ocorreu em Johannesburgo (África do


Sul), o encontro da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, para
avaliar a situação da questão ambiental, em função dos compromissos assumidos
na Rio-92.

A conclusão foi que os objetivos propostos não foram alcançados. No entanto,


nesse encontro, foram reiterados os seguintes compromissos na direção de um
desenvolvimento sustentável: Proteção ao meio ambiente, desenvolvimento social
e econômico.

A década de 1990 foi quando as empresas dos países desenvolvidos começaram


a sofrer pressão muito grande das agências ambientais e da Sociedade. Nesse
período, as empresas começaram a investir no desenvolvimento de Tecnologias
para um controle mais efetivo da emissão de poluentes, uma maior Economia
energética, entre outras medidas de proteção ambiental. Algumas indústrias
como as automobilísticas, química e de papel e celulose transferiram suas plantas
industriais para os países em desenvolvimento, porque não conseguiam atender à
Legislação de seus países.

A definitiva vinculação do tema ambiental às propostas de desenvolvimento


poder ser considerada um marco no debate ambiental, após vinte anos, houve a
abertura para uma nova abordagem das questões ambientais, fazendo o link com
os problemas sociais típicos dos países subdesenvolvidos, tais como a desigualda-
de e a injustiça social.

Com a crescente conscientização ecológica nos países mais desenvolvidos,


constataram que problemas ambientais eram globais e, portanto, de responsabilidade
de todos. Com isso, tentaram fazer com que as responsabilidades fossem globalmente
distribuídas, desconsiderando os diferentes estágios de desenvolvimento dos
diversos países.

Os problemas ambientais dos países desenvolvidos são atribuídos ao desenvolvi-


mento excessivo e sem planejamento. Podemos citar como exemplo o aquecimen-
to global, provocado por gases emitidos nas sociedades industrializadas. O estilo de
vida das nações mais ricas é ecologicamente insustentável.

No entanto, nos países em desenvolvimento, a degradação dos recursos assumiu


dimensões mais trágicas, devido à necessidade de exploração da natureza para
garantir a sobrevivência de suas populações (DIAS, 2002).

Os países em desenvolvimento, além de usarem intensivamente os recursos


naturais, são grandes consumidores de energia e suas indústrias têm menor
controle na emissão dos poluentes em relação aos países mais desenvolvidos, tanto
que algumas empresas saem desses países e se instalam em regiões nas quais esse
controle ainda é menor. Isso tudo é resultado do modelo econômico adotado, que
necessita que os produtos sejam mais competitivos no Mercado e, portanto, com
menor custo de produção.

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Todas essas discussões evoluíram muito sobre o real papel do meio ambiente
no processo de desenvolvimento. A relação entre a proteção do meio ambiente
e o combate à pobreza foi um salto importante e é uma conquista dos países em
desenvolvimento frente à pressão dos países desenvolvidos. Hoje, quase não se
discute mais sobre a importância da proteção ambiental e a discussão está focada
em qual deve ser o modelo de desenvolvimento que reduza a desigualdade entre
os países.

O objetivo está na busca de uma agenda comum, na qual se diminua a pobreza e


a destruição ambiental, o que une países desenvolvidos e em desenvolvimento nos
encontros internacionais.

A conscientização das questões ambientais, no final do século XX e início do século


XXI, foi ocorrendo paralelamente às denúncias sobre problemas de contaminação
ao meio ambiente. Todo esse processo gerou o desenvolvimento de normas e
regulamentos internacionais que foram também adotados nos estados nacionais e,
paralelamente, foram surgindo os órgãos responsáveis por acompanhar e fiscalizar
a aplicação desses instrumentos legais.

A sociedade civil também se organizou rapidamente, surgindo as Organizações


não Governamentais (ONGs) (LANDIM, 1993; 1998), que pressionam as organi-
zações políticas da Sociedade e atuam também globalmente, participando de fóruns
sobre o tema e fazendo pressão nos governos, empresas e órgãos de financiamen-
to, entre outros, alterando políticas em prol de um desenvolvimento sustentável.

É uma nova realidade que leva a uma mudança de atitude por parte das
organizações do setor público e privado da Economia, que tem de considerar cada
vez mais a opinião pública quando se trata de questões ambientais.

Século XXI, o Desenvolvimento Sustentável


como Novo Paradigma
Com a crescente discussão sobre as questões ambientais, iniciada por volta
dos anos 60 e desenvolvida nas décadas posteriores, consolida-se uma nova visão
de desenvolvimento que não se limita somente ao ambiente natural, mas inclui
também aspectos socioculturais, nos quais a qualidade de vida do ser humano passa
a ser uma condição para o progresso.

O conceito de desenvolvimento sustentável está baseado na utilização consciente


dos recursos naturais e da sua preservação para as gerações futuras.

A primeira ideia de desenvolvimento sustentável surgiu na Conferência de


Estocolmo, em 1972, e foi chamada de “Abordagem do Ecodesenvolvimento”
(SACHS, 1993, p. 7). Para alcançá-lo, três critérios deveriam ser atendidos simul-
taneamente: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica.

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Mas foi o relatório produzido pela comissão Brundtland (Nosso Futuro Comum)
que apresentou, pela primeira vez, uma definição mais elaborada do conceito de
“desenvolvimento sustentável” (DIAS,2002).
A definição do relatório e a mais difundida até hoje: “O desenvolvimento
sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as
possibilidades das gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”.
Embora seja um conceito muito utilizado, não existe visão única do que seja o
desenvolvimento sustentável. Para muitos, alcançar o desenvolvimento sustentável
é conseguir o crescimento econômico contínuo por meio de um manejo apropriado
dos recursos naturais e de tecnologias menos poluentes e mais eficientes; para
outros é um projeto político com o objetivo de erradicar a pobreza e melhorar a
qualidade de vida.
A passagem de um modelo de desenvolvimento predatório a um sustentável
inclui, entre outras coisas, modificar nossa relação com a natureza, não somente
como fonte de matéria-prima, mas é o ambiente necessário para a existência
humana. Nesse processo, é necessário o manejo racional dos recursos naturais, a
modificação da organização produtiva e social, a alteração das práticas produtivas
predatórias e o surgimento de nova relações sociais, cujo principal objetivo deixe
de ser apenas o lucro e passe a ser o bem estar dos seres.
Resumidamente, o conceito baseia-se no equilíbrio entre três eixos principais do
conceito de sustentabilidade: o crescimento econômico, a preservação ambiental e
a equidade social.
Quando qualquer um desses eixos predomina, torna-se uma manifestação de
interesse de grupos isolados e deixa de ser um interesse da Humanidade como
um todo.

Considerações Finais
É possível afirmar que chegamos ao início do século XXI com um conceito de
desenvolvimento sustentável bem mais amadurecido, que não está mais restrito
às discussões acadêmicas e políticas, de defensores e contestadores, mas que se
popularizou por todos os Continentes, passando a fazer parte da vida cotidiana
das pessoas.

Um conceito que está presente desde as pequenas atitudes diferenciadas de


comportamento, como a separação e a reciclagem do lixo doméstico, tomadas
pelo cidadão comum, até as grandes estratégias e investidas comerciais de algumas
empresas, as quais se especializaram em atender um mercado consumidor em
franco crescimento, que hoje cobra essa qualidade diferenciada tanto dos produtos
que consome, quanto dos processos produtivos que o envolvem; uma verdade
que abre grandes perspectivas para o futuro. Uma forma de desenvolvimento que
não está mais no plano abstrato, e que se mostra cada dia mais real e possível,
principalmente no plano local. (GONÇALVES, 2005).

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
Sustentabilidade Econômica
https://youtu.be/2ZiKnt8zqpM
Sustentabilidade como Fator Estratégico na Empresa
https://youtu.be/QwodJ87SyHw

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Referências
CARSON, Rachel. Primavera silenciosa. São Paulo: Melhoramentos, 1969.

________.Introdução. In: CARSON, Rachel. Primavera silenciosa. São Paulo:


Gaia, 2010.

COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO


(CMMAD). Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1988.

DIAS, R. Gestão Ambiental: Responsabilidade Social e Sustentabilidade. São


Paulo: Atlas, 2011.

GONÇALVES, Daniel Bertoli. Desenvolvimento sustentável: o desafio da presente


geração. Revista espaço acadêmico, v. 51, 2005.

LANDIM, Leilah (org.). Ações em sociedade militância, caridade, assistência,


etc. Rio de Janeiro: NAU, 1998.

SACHS, I. Espaços, tempos e estratégias do desenvolvimento. São Paulo:


Vértice, 1981.

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