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Gestão Ambiental e

Responsabilidade Social
Material Teórico
Novo Paradigma de Gestão Ambiental: Responsabilidade
Econômica, Social e Ambiental

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.a Me. Nilza Maria Coradi de Aráujo

Revisão Textual:
Prof. Dr.a Selma Aparecida Cesarin
a
Novo Paradigma de Gestão Ambiental:
Responsabilidade Econômica, Social e Ambiental

• Introdução;
• Práticas de Gestão Ambiental;
• Ferramentas para a Sustentabilidade;
• A produção mais Limpa e a Ecoeficiência;
• A Pegada Ecológica
• Finalizando a Unidade.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Discutir a implementação de mudanças corporativas em organiza-
ções de acordo com o conceito de desenvolvimento sustentável em
seus negócios. Apresentar algumas ferramentas que funcionam como
agentes de consolidação desse novo paradigma de gestão e a implan-
tação desses instrumentos como uma das grandes responsáveis pela
melhoria do desempenho econômico, social e ambiental de empresas.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Novo Paradigma de Gestão Ambiental:
Responsabilidade Econômica, Social e Ambiental

Introdução
Cada vez mais a Gestão Ambiental é considerada um componente de um pro-
cesso bem mais abrangente, no qual é a sustentabilidade das organizações. A Ges-
tão Ambiental está diretamente relacionada às tendências que provocam as empre-
sas a buscarem formas novas de gestão. As tendências principais são a Gestão da
Sustentabilidade Organizacional e a Responsabilidade Social.

As organizações consideradas sustentáveis são as que conseguem atingir um


bom desempenho econômico aliado ao bom desempenho ambiental e social.
O desafio principal para as organizações atingirem a sustentabilidade é encontrar
uma nova forma de gestão. A Gestão da Sustentabilidade acontece por meio da
gestão das ações ambientais e sociais, gerando novas oportunidades econômicas;
tais ações podem acontecer tanto interna quanto externamente à Organização.

As ações internas estão baseadas nas preocupações com o aumento da poluição,


com o aumento e as formas de consumo e da produção dos resíduos após consumo
e criam mecanismos de combate à poluição, com redução de resíduos e emissões
provenientes das operações produtivas. O objetivo é melhorar os índices de
ecoeficiência, que reduzem os custos e otimizam a gestão da Organização.

Externamente, as ações são motivadas pela resposta da sociedade civil e maior


transparência; as empresas procuram desenvolver produtos com menores impac-
tos ambientais. Essa nova forma de gestão e desenvolvimento de produtos traz
para a Organização a melhoria da sua imagem junto à Sociedade e maior legitimi-
dade organizacional.

As principais motivações para que uma Organização busque a sustentabilidade é


a revolução ambiental, a busca pelas tecnologias limpas e a divulgação das marcas
das organizações e da ideia socioambiental. Como contrapartida, as organizações
podem se beneficiar, também, com o posicionamento favorável da Organização
diante de seus concorrentes.

Com a adequada gestão da Organização, as ações internas e externas podem


criar um valor da Instituição junto aos investidores, além de gerar situações de
melhoria nos resultados ambiental e social.

Práticas de Gestão Ambiental


As organizações podem estar envolvidas com a Gestão Ambiental de diferentes
maneiras e em diferentes níveis. Esses diferentes níveis refletem o grau de
comprometimento de uma Organização em relação ao meio ambiente e o grau do
seu envolvimento quanto ao planejamento, organização e controle dos instrumentos
de Gestão Ambiental.

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As muitas práticas operacionais incluem as mudanças nos produtos e sistemas de
produção das organizações, que são vitais no rumo da Gestão Ambiental. Podemos
classificar as práticas ambientais em dois grupos: produtos e processos produtivos.

As práticas relacionadas a produtos têm como foco projetar e desenvolver


produtos ambientalmente mais adequados. Isso envolve projetos para reduzir a
poluição e a toxidade de matérias-primas, com o objetivo de reduzir a quantidade
de recursos e diminuir os desperdícios, aumentando a reutilização e a reciclagem.

Algumas maneiras operacionais em relação aos produtos são: mudança de


materiais poluentes ou tóxicos; alteração do Projeto dos produtos com foco na
diminuição do consumo de Recursos Naturais e a redução dos desperdícios no uso
dos produtos; redução da geração de resíduos; reutilização e reciclagem, de acordo
com a análise do ciclo de vida dos produtos.

O desenvolvimento de produtos com foco na redução de recursos e desperdí-


cios é uma importante prática de Gestão Ambiental e está direcionado a produtos
que consumam menos energia, menos água e menos matéria-prima e que possam
ser reciclados e reutilizados. Para tanto, é importante a adoção de práticas foca-
das na ecoeficiência, buscando a diminuição dos impactos ambientais da área de
produção e operação das empresas.

Para apresentar produtos melhores do ponto de vista ambiental, é necessária


a adoção de práticas chamadas de 3 Rs da Gestão Ambiental: Reduzir, Reutilizar
e Reciclar.

Ferramentas para a Sustentabilidade


A perspectiva de uma Empresa sustentável insere na Organização uma raciona-
lidade nos processos de produção com a Economia sendo um meio para buscar a
justiça social e a distribuição de renda. O pensamento para a atuação empresarial
sustentável deve estar pautado no princípio de que os processos produtivos eficien-
tes são os que estão diretamente ligados aos benefícios coletivos e aos valores de
cidadania corporativa.

Nesse novo princípio, são adotadas as dinâmicas ambientais, sociais e econô-


micas, nas quais há o estímulo de hábitos conscientes de consumo e produção de
bens que não impactam negativamente o meio natural.

De forma mais objetiva, para uma Organização se tornar sustentável, entre


outras coisas, é necessário alterar suas formas de gestão, minimizando os impactos
ao meio ambiente em função de suas atividades e reduzir o consumo de matéria-
-prima e energia ao longo do clico de vida de seus produtos e serviços.

No processo de construção da sua sustentabilidade, a Organização deve estabe-


lecer uma política em que em todas as suas ações exista a visão de planejamento e
de operação em curto, médio e longo prazo. Existem fatores que são fundamentais

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Responsabilidade Econômica, Social e Ambiental

para se atingir esse objetivo, um deles é a adoção de ferramentas como a ecoefi-


ciência, levando a Empresa a uma melhor e maior produção com menor uso de
matéria-prima e recursos naturais, atuando de forma mais responsável socialmente
(ALMEIDA ,2002).

A produção mais Limpa e a Ecoeficiência


Entre os conceitos mais presentes nas organizações, estão os de ecoeficiência e
de produção mais limpa, que se relacionam e se complementam, fortalecendo os
Sistemas de Gestão Ambiental nas empresas. Os objetivos da ecoeficiência e da pro-
dução mais limpa é a sustentabilidade, ou seja, conseguir que os recursos naturais se
transformem efetivamente em produtos e não gerem resíduos (DIAS, 2015).

Ecoeficiência
O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, no informe
chamado “Mudando o Curso”, assim definia as empresas ecoeficientes:
[...] aquelas empresas que alcancem de forma contínua maiores níveis de
eficiência, evitando a contaminação mediante a substituição de materiais,
tecnologias e produtos mais limpos e a busca do uso mais eficiente e a
recuperação dos recursos através de uma boa gestão.

A partir desse momento, o conceito de ecoeficiência vem sendo desenvolvido


pelo WBCSD e demais organizações. No primeiro workshop ampliado de ecoe-
ficiência, em 1993, foi elaborada a seguinte definição:
A ecoeficiência atinge-se através da oferta de bens e serviços a preços
competitivos, que, por um lado, satisfaçam as necessidades humanas e
contribuam para a qualidade de vida e, por outro, reduzam progressiva-
mente o impacto ecológico e a intensidade de utilização de recursos ao
longo do ciclo de vida, até atingirem um nível, que pelo menos, respeite
a capacidade de sustentação estimada para o planeta (DIAS, 2015 apud
WBCSD, 2000).

O conceito de ecoeficiência engloba três objetivos principais:


·· Diminuir o consumo de recursos, incluindo a minimização da utilização de
energia, dos materiais, da água e do solo com favorecimento da reciclagem
e durabilidade do produto no intuito de fechar o ciclo dos materiais;
·· Diminuir o impacto na natureza, incluindo a redução das emissões gasosas e
líquidas, reduzir desperdícios e dispersão das substâncias tóxicas e promover
o incentivo da utilização consciente dos recursos renováveis;
·· Melhorar o valor de serviços e produtos, fornecendo mais benefícios aos
clientes, oferecendo mais serviços extras, vendendo necessidades funcionais.

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A ideia de introduzir práticas ecoeficientes está relacionada à melhoria contínua
e, por conta disso, é importante ter em mente a capacidade de um Sistema de
resistir a diferentes impactos ambientais. A ecoeficiência se alcança pela entrega
de produtos e serviços com preços competitivos que satisfaçam as necessidades
humanas e melhorem a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que seus impactos
ecológicos são reduzidos a um nível equivalente à capacidade de carga do Planeta
(ALMEIDA, 2002).

A ecoeficiência faz a junção do desempenho econômico com o desempenho


ambiental, com o intuito de criar valores com um menor impacto ambiental.
O uso demasiado dos Recursos Naturais desequilibra o Sistema Econômico e
Socioambiental.

Uma forma de fazer a avaliação da implantação de sistema de sustentabilidade


é avaliando a quantidade de resíduos gerados ao longo da linha de produção e
serviços, haja vista que a ecoeficiência promove a mudança dos fluxos de material,
como a customização de produtos, reduzindo o desperdício, pois os recursos
indesejados pelo consumidor deixam de ser produzidos. Essa estratégia “verde” de
produção alinha naturalmente a Gestão da Qualidade, a Gestão da Sustentabilidade
e a Gestão Estratégica Empresarial com a Gestão do Conhecimento, ferramentas
fundamentais para o empresariado do século XXI (LEAL, 2009).

Para alcançar a ecoeficiência, as empresas precisam traçar estratégias de Gestão


Ambiental nas quais aspectos ambientais são considerados no ciclo de vida dos seus
produtos e serviços, no sentido de unir a excelência ambiental com a empresarial.

Para implantar esse Sistema de Gestão na Empresa, algumas práticas devem ser
consideradas, como: reduzir o consumo de energia com bens e serviços; reduzir o
consumo de materiais com bens e serviços; reduzir a emissão de substâncias tóxicas;
aumentar a reciclagem de materiais; maximizar o uso de recursos renováveis;
prolongar a durabilidade dos produtos e agregar valor aos bens e serviços.

Figura 1
Etapas de Ecoeficiência

Início:
Decisão de implan-
tação\Diagnóstico

Estratégias/
Gestão dos sensibilização
Indicadores/ &
Monitoramento Gestão da Alinhamento
Ecoeficiência organizacional

Plano de Ação/ Plano Estratégico


Certificação & Indicadores

Fonte: Adaptada de iStock/Getty Images

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Responsabilidade Social Empresarial (RSE)


A responsabilidade social é um dos aspectos do movimento ambiental tanto de
indivíduos como de organizações em todos os setores: privado, público ou terceiro
setor. Existem diversas definições de responsabilidade social empresarial, mas
na prática o conceito de RSE é promover um comportamento empresarial que
harmoniza os elementos sociais e ambientais que podem não estar inseridos na
legislação, mas que atendem às necessidades da sociedade em relação à organização.

Esse conceito é chamado de sustentabilidade corporativa, baseado nas três


dimensões da sustentabilidade: responsabilidade ambiental, responsabilidade social
e responsabilidade econômica.

Hoje, para uma empresa, a corresponsabilidade pelo ambiente, pela sociedade,


pelo país é um diferencial competitivo, onde a organização consegue agregar valor
à sua marca. Ao assumir uma responsabilidade social, mostra a ideia do empresário
consciente, que deseja uma nova forma de fazer negócio, que juntamente com
a coletividade e com o estado busca um novo modo de resolver problemas, o
que é chamado de “cidadania compartilhada”; é quando as empresas se abrem
para construir uma sociedade mais democrática, mais humana e mais justa. Com
isso as empresas sustentáveis conseguem uma posição de destaque no modelo de
mercado atual.

O conceito de responsabilidade social corporativa (RSC) pode ser entendido


como o comprometimento permanente do empresariado em adotar um
comportamento ético e transparente e contribuir para o desenvolvimento econômico,
simultaneamente melhorando a qualidade de vida de seus empregados e familiares,
comunidade local e da sociedade como um todo, tendo como valores essenciais:
o respeito aos direitos humanos e aos direitos trabalhistas, e valorização do bem-
estar das comunidades e do progresso social (Leal, 2009). Como uma ferramenta
de gestão, a responsabilidade social não é somente um fator de competitividade,
mas também um ato de sobrevivência para as empresas.

A Pegada Ecológica
Como já discutido anteriormente, avançamos sobre nosso planeta consumindo
seus recursos como se fossem infinitos. A pegada ecológica é um mecanismo criado
com o objetivo de dimensionar a marca que deixamos no Planeta. Consumimos
cerca de 25% a mais do que a natureza é capaz de suprir (Ideia sustentável, 2017).

No sentido de equacionar essa relação, a pegada ecológica se mostra como uma


forma de interpretar a realidade, indicando as mudanças necessárias nos modelos
de produção, consumo e comportamento para o uso mais consciente dos recursos
naturais. Uma mudança profunda no padrão da civilização atual, que deve se iniciar
nas atitudes de cada um.

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Os cálculos da Pegada Ecológica se iniciaram em meados de 1960 e começaram
a ser realizados pela Global Footprint Network; nesse momento a população
humana usava em torno de 70% da capacidade produtiva do planeta. Em 1987,
pela primeira vez a humanidade consumiu mais recursos do que o planeta era
capaz de oferecer.

O relatório Planeta Vivo, elaborado pela WWF e Global Footprint Network


em 2006, mostra que se essa tendência de consumo for mantida, em 2050 os
seres humanos vão demandar duas vezes mais recursos do que o Planeta é capaz
de oferecer. Uma das piores consequências desse cenário é a perda de serviços
ambientais e biodiversidade.

Analisar até que ponto o impacto dos seres humanos na Terra já ultrapassou
o limite da capacidade biológica é fundamental para alcançar padrões de vida,
tecnologias e processos mais sustentáveis. A pegada ecológica pode ser útil para
medir e gerenciar o uso de recursos naturais em toda atividade econômica. Também
pode ser um indicativo importante para motivar a sustentabilidade dos estilos de
vida individuais, dos produtos, serviços, organizações, indústrias, cidades e nações.

A pegada ecológica tem o objetivo de demonstrar de forma honesta o desafio de


reduzir nossos impactos na natureza. É ferramenta de análise muito simples, mas
eficiente (Dias, 2015). A pegada ecológica é uma forma de traduzir, em hectares, a
extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média,
para atender suas necessidades. De forma geral, as sociedades mais industrializadas
utilizam mais espaços de produção do Planeta em relação às populações de culturas
ou sociedades menos industrializadas. Suas pegadas ecológicas são maiores
porque, quando utilizam recursos de várias partes do mundo, afetam locais cada vez
mais distantes.

A forma ou estilo de vida e do consumo de um indivíduo, de uma família ou de


uma sociedade tem influências locais e globais. “Os EUA, por exemplo, consomem
43% da gasolina do Planeta para movimentar internamente 5% da população
global, com isso impactam o clima e a vida de todos no mundo”, afirma Eduardo
Athayde, diretor da Universidade da Mata Atlântica (UMA), organização que
representa o World Watch Institute no Brasil (Ideia Sustentável, 2017).

Segundo o relatório Planeta Vivo, elaborado pela WWF e Global Footprint


Network, a pegada ecológica per capta dos países industrializados estão bem acima
da média ideal de 1,8 hectares globais. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse
índice é de 9,6, enquanto na Somália é de apenas 0,4.

De maneira geral, nenhum país dá conta do desafio de oferecer o bem-estar


social da sua população sem comprometer a disponibilidade de recursos naturais.

A pegada ecológica é uma ferramenta que permite ampliar a percepção das


pessoas a respeito da sua contribuição pessoal às pressões sobre os recursos
ambientais. Facilita a percepção das pressões causadas por diferentes países e seus
padrões de produção e consumo” (Dias, 2015). Analisar nossa atitude é a melhor
forma de reduzir a pegada ecológica. Devemos repensar muito o nosso consumo.

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Figura 2

Pegada Ecológica (número de planetas Terra)

1961 1970 1980 1990 2000 2008


Ano
Legenda

Áreas construídas Pesqueiros Florestas

Pastagens Áreas de cultivo Carbono

O Consumo Consciente
Consumo consciente é o ato de adquirir e usar bens de consumo, alimentos
e recursos naturais de forma a não exceder as necessidades. Além de ser uma
questão de cidadania, as atitudes de consumo consciente ajudam a preservar o
meio ambiente.

É necessário que fiquemos atentos aos nossos hábitos cotidianos, como o


tempo gasto no banho, e a busca por tecnologias mais eficientes, inclusive as mais
simples, para aquecer a água, por exemplo. O simples fato de deixar os aparelhos
eletrônicos em standby, por exemplo, pode aumentar em até 11% o consumo
de energia, segundo pesquisas. Reavaliar a necessidade de descolamentos com
automóveis é outro ponto importante; o setor de transportes é responsável por
14% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa.

É importante ressaltar que quanto maior a consciência do consumo, mais efetivas


as contribuições para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável, pois ao
basearem as decisões de compra em critérios socioambientais, os consumidores
adquirem o direito de punir ou recompensar as empresas em consequência da sua
postura, induzindo padrões mais sustentáveis no mercado.

Apesar de figurarem entre os mais preocupados com as mudanças climáticas, por


exemplo, os consumidores brasileiros também estão entre os mais acomodados em
relação a mudanças em comportamentos para reduzir impactos no meio ambiente.
Na média, não conseguimos estabelecer as conexões que existem entre
os nossos hábitos com os problemas ambientais. Não é tão simples per-
ceber que o modo de se locomover, descartar resíduos são responsáveis
pelo aquecimento global, por exemplo. Reconhecemos que o desmata-
mento na Amazônia é um problema a ser enfrentado, mas na hora de

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comprar móveis não perguntamos de onde vem a madeira. Apesar de
termos informações, continuamos consumindo da mesma forma (Ideia
Sustentável, 2017).

Segundo Dias (2015), a resistência a mudanças de hábito se deve ao modelo


civilizatório atual, consolidado pelos sistemas de ensino e meios de comunicação.
“O analfabetismo ambiental atrelado à ganância e a busca do poder, da acumulação
simples de coisas e dinheiro, são os principais desafios para redução da pegada
ecológica. As pessoas se apegaram ao consumismo como objetivo de vida, símbolo
de sucesso”, ressalta.
Para mudar nosso padrão civilizatório atual, é necessário um novo modelo
educacional, pois o modelo de civilização atual é predatório, excludente e gerou essa
situação de insustentabilidade planetária. Precisamos de uma educação baseada em
outra visão de mundo, que seja holística, sistêmica e estimule o respeito à diferença.

Como Reduzi-la
Figura 3

· Reutilizar sempre que seja possível;


· Reduzir ao máximo o consumo;
· Separar os resíduos recicláveis (papel, vidro, plástico, pilhas,
tecido,...) e encaminha-los para uma empresa de reciclagem;
· Tomar ducha em vez de banho de imersão;
· Recolher a água da chuva para regar as plantas;
· Optar por materiais de construção ecológicos.

Fonte: iStock/Getty Images

Processos, Produtos e Ciclos Fechados


Fazer a análise dos processos, produtos e práticas de determinada corporação e
de sua cadeia de valor tem se tornado questão de sobrevivência para os negócios.
Assuntos como biodiversidade, eficiência energética, reciclagem de resíduos,
análise do ciclo de vida dos produtos, redução de emissões de gases causadores
do efeito estufa, neutralização de carbono passaram a ser assuntos constantes
nas companhias.
Precisamos desenvolver tecnologias baseadas na natureza em que nada se
perde, tudo se transforma. É necessário buscar formas de utilizar resíduos como
matéria-prima, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos e descarte
na natureza.
Analisar para onde estão indo os resíduos, desenvolver formas de reduzir sua
produção, reutilizá-los e reciclá-los. E procurar trabalhar com ciclos fechados, assim
como na natureza, em que o resíduo de um processo torne-se matéria-prima para
outra atividade.

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Figura 4

Fonte: Acervo do conteudista

Finalizando a Unidade
Nesta unidade, apresentamos algumas características do processo de transfor-
mação pelo qual as empresas estão passando, de modo a alterar a sua forma
gerencial tradicional, baseada em premissas puramente econômicas, para se posi-
cionar no futuro mercado verde como uma organização sustentável.

Apresentamos a ecoeficiência e práticas de responsabilidade social como


ferramentas de gestão, um caminho a ser percorrido por essas organizações
sustentáveis, promovendo a gestão sustentável de seus processos produtivos,
desde o consumo de matéria-prima e de insumos até a reciclagem dos resíduos
provenientes de seus produtos e serviços. Apresentamos alguns direcionamentos
utilizados para a transformação das empresas em organizações sustentáveis; é
fundamental a verificação do nível de sustentabilidade da empresa, por meio da
construção e implementação de indicadores de sustentabilidade, que permitam
quantificar e acompanhar a evolução do grau de comprometimento da organização
com o desenvolvimento sustentável.

Concluímos que a construção de um futuro sustentável nas empresas só


é possível pelo estabelecimento de mudanças corporativas e pela adoção de
práticas gerenciais transparentes que valorizem as dimensões sociais e ambientais
e econômicas, melhorando a qualidade de vida, o bem-estar social, o equilíbrio
econômico entre as nações e o respeito ao meio ambiente.

Acreditamos que a era das organizações sustentáveis é um caminho sem volta


para este novo milênio e o despertar de toda a sociedade global no que tange à
preservação da biodiversidade global, à prosperidade econômica da sociedade, à
equidade social para os povos e à manutenção da vida do planeta como um todo.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
A história das coisas – Dublado Parte 1
Tides Foundation, Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption,
Free Range Studios. The story of stuff. Publicado por Cerradowikibr. A história das
coisas – Dublado Parte 1.
https://youtu.be/ZpkxCpxKilI
A história das coisas – Dublado Parte 2.
Tides Foundation, funders workgroup for Sustainable Production and Consumption,
Free Range Studios. The story of stuff. Publicado por Cerradowikibr. A história das
coisas – Dublado Parte 2.
https://youtu.be/ZgyNw5pIXE8

Leitura
Estudo do Indicador de Sustentabilidade Pegada Ecológica: uma Abordagem Teórico-Empírica
RIBEIRO, Márcia França; PEIXOTO, José Antonio Assunção; XAVIER, Leydervan
de Souza. Estudo do indicador de sustentabilidade pegada ecológica: uma abordagem
teórico-empírica. In: XVII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. A energia
que move a produção: um diálogo sobre integração, projeto e sustentabilidade. Foz do
Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007.
https://goo.gl/EBRYBi

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Responsabilidade Econômica, Social e Ambiental

Referências
ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2002.

DIAS, Genebaldo Freire. Pegada ecológica e sustentabilidade humana. São


Paulo: Global Editora e Distribuidora Ltda, 2015.

Ideia sustentável. O desafio da redução da pegada ecológica. Disponível em:


<http://ideiasustentavel.com.br/o-desafio-da-reducao-da-pegada-ecologica/>.
Acesso em: 12 mar. 2017.

LEAL, C. E. A era das organizações sustentáveis. Revista Eletrônica Novo


Enfoque, v. 8, n. 8, p. 1-11, 2009. Disponível em: <http://www.castelobranco.
br/sistema/novoenfoque/files/08/04.pdf>. Acesso em: 03 abr. 2017.

VAN BELLEN, Hans Michel. Indicadores de sustentabilidade. Rio de Janeiro:


FGV, 2007.

Wbcsd. A ecoeficiência: criar mais valor com menos impacto. Lisboa: WBCSD,
2000. Disponível em: <www.wbcsd.org>.

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