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1.

No que consiste o processo de realização do direito e no que ele se


destinge da antiga parêmia interpretação / aplicação do direito?

Realiza-se o direito quando os juristas, na sua atividade profissional,


estabelecem regras para resolver conflitos de interesses, organizar a vida
social e legitimar o poder, com base nos valores fundamentais da ordem
jurídica. A realização do direito consiste, portanto, em um processo criativo
de normas para evitar ou resolver problemas a partir das regras e dos
demais elementos que integram o sistema legal. Aplicar o direito seria
assim, encaixar o caso da vida real na hipótese legal a previsão que a regra
contém (qualificação) do que logicamente decorre a conseqüência jurídica.

2. Porque é equivocado defender na contemporaneidade que o direito deve


ser pensado a partir do raciocínio lógico-dedutivo ou silogístico da
subsunção?

É equivocado porque o silogismo de subsunção, pode funcionar apenas


nas questões simples em que facilmente se pode precisar a questão de
fato e a questão de direito, combinando-as em um raciocínio de lógica formal.

3. O que quer dizer que o raciocínio jurídico hoje deve ser : (a)
problemático; (b) prático; (c) axiológico; e (d) dialético?

a) problemático, no sentido de que se desenvolve em função de casos


concretos, problemas, que o jurista intérprete deve solucionar;
b) ser prático, porque em função de comportamentos humanos;
c) axiológico, por fundamenta-se em valores básicos do meio social e
jurídico;
d) dialético no sentido de que parte de “opiniões geralmente admitidas”,
sendo o trabalho do intérprete muito mais de invenção do que de
demonstração.

4. Que são e qual a importância dos princípios no processo de realização


do direito?

É uma base de direito diferente de valores e normas jurídicos, que


assim como o de direito, é demasiadamente complexo para admitir, de
início, uma definição unitária. Exprimem os valores supremos do sistema
jurídico, são fontes extralegais do direito, no sentido de que não se tornam
explícitos em enunciados jurídicos. Os princípios como pensamentos
direitos de uma regulamentação jurídica, critérios para a ação e para a
constituição de normas e de institutos jurídicos. São diretivas básicas e
gerais que orientam o intérprete na criação da norma legal adequada.
Servem, assim, de garantia e certeza a um conjunto de juízos. Servem
também para fundamentar e dar unidade a um sistema ou a uma instituição.

5. Quais os critérios que permitem ao autor diferenciar princípios no


processo de realização do direito?

Porque não têm os elementos que formam a estrutura característica


dessas, isto é, a hipótese de fato e o dispositivo ou conseqüência jurídica. Não
podem assim, constitui-se em premissa maior de um silogismo de subsunção.
6. O que são os princípios (a) positivos, (b) transpositivos e (c)
suprapositivos na visão do autor?

Os princípios positivos compreendem os princípios fundamentais,


constitucionais ou superiores “aqueles sobre os quais a ordem jurídica
se constrói”. Os princípios transpositivos, quando transcendentais. (o
jusnaturalismo) e estruturantes dos diversos domínios da ordem jurídica,
como os princípios gerais do código civil. Os princípios suprapositivos
são os grandes princípios, os princípios gerais, expressão jurídica dos
valores fundamentais e consecutivos do direito, a saber, o da justiça, o
da segurança, o da liberdade, o da igualdade, o da dignidade da pessoa
humana.

7. Qual o papel dos princípios na visão do autor?

A interpretativa, quando se constituem em critérios para a solução de


dúvidas na interpretação do direito positivo. Princípios de natureza
constitucional; a integrativa, quando se utilizam no preenchimento de
lacunas da lei. E ainda uma função diretiva ou programática, como a dos
princípios de organização constitucional do País, os que orientam a
política legislativa, ou ainda os que decorrem do sistema constitucional
brasileiro, como do sistema federativo... e ainda uma função construtiva
no sentido de garaantir certa unidade sistemática ao direito ordenando-o
segundo orientações fundamentais e impedindo-o segundo orientações
fundamentais e impedindo-o de trasformar-se, função metodológica
quando se usam para orientar o conhecimento, interpretação e
realização das normas umas função ontológica, quando exprimem
valores fundamentais que inspiram e legitimam o direito positivo (justiça,
segurança, bem comum, etc.)

8. Quais são e como se manifestam os princípios gerais do código civil?

O princípio da socialidade orienta o intérprete no sentido da prevalência,


na ordem jurídica oq eu permite superar o individualismo pré-dominante
no código civil de 1916.
O princípio da eticidade privilegia os critérios éticos-jurídicos em do
direito, a chamada concreção jurídica.
O princípio da operabilidade ou o princípio da concretitude ou
concretude, indica um critério metodológico para a realização do direito,
a interpretação jurídica não deve ter por objeto descobrir o sentido e o
alcance da regra jurídica, mas sim constituir-se na primeira fase de um
processo de construção ou concretização da norma jurídica adequada
ao caso concreto.

9. O que significa funcionalização dos institutos jurídicos e qual a


importância dessa perspectiva?

Direito em particular e a sociedade em geral começam a interessar-se


pela eficácia das normas e dos institutos vigentes, não só no tocante ao
controle ou disciplina social, mas também no que diz respeito a
organização e direção da sociedade, abandonando-se a costumeira
função repressiva tradicionalmente atribuída ao direito, em favor de
novas funções de natureza distributiva, promocional e inovadora,
principalmente na relação do direito com a economia. Atribuir ao direito
uma função social significa considerar que os interesses da sociedade
se sobrepõem aos do individuo, sem que isso implique,
necessariamente, a anulação da pessoa humana.

10. Qual o papel e a importância da equidade para o autor?

É critério intermediador no processo de realização do direito, um critério


interpretativo, que permite adequar a norma ao caso concreto e chegar a
solução justa. A realização da igualdade material. É um critério de decisão que
leva em conta a singulariedade de cada caso, apresentando-se sob a forma de
clausula geral, no sentido de enunciado conteúdo variável, a precisar em cada
caso. A equidade tem função interpretativa, recorrendo aos critérios da
igualdade e da proporcionalidade para realizar o direito do caso concreto. Tem
função corretiva, no sentido de temperar o direito positivo, principalmente em
matéria contratual, e tem função quantificadora, no caso de ser critério de
fixação do valor de uma indenização.
Pode ainda ter função supletiva, como na hipótese de compromisso arbitral,
quando as partes a elegem como critério de solução.