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Resumo sobre hanseníase ou lepra (completo) – Sanarflix - Sanar Medicina 20/04/2021 12:59

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Resumo sobre hanseníase ou lepra (completo) – Sanarflix


SanarFlix " 12 min • há 235 dias

# Índice

1. Introdução

2. Epidemiologia da hanseníase

3. Etiopatogenia da lepra $
4. Quadro clínico de hanseníase $
5. Classificações $

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6. Diagnóstico

7. Reações hansênicas

8. Tratamento da hanseníase
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Clínicos
9. Investigação e Profilaxia Cadastre-se

10.Notificação

11. Confira o vídeo: $


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Introdução

A hanseníase é uma doença bacteriana crônica, infectocontagiosa, cujo


agente etiológico é o Mycobacterium leprae, que infecta os nervos
# Índice

periféricos e, mais especificamente, as células de Schwann. A doença


acomete principalmente os nervos superficiais da pele e troncos nervosos
periféricos localizados na face, pescoço, terço médio do braço e abaixo do
cotovelo e dos joelhos, mas também pode afetar os olhos e órgãos internos
como testículos, ossos, baço, fígado, dentre outros.

Se não tratada na forma inicial, a doença quase sempre evolui, torna-se


transmissível e pode atingir pessoas de qualquer sexo ou idade, inclusive
crianças e idosos. Essa evolução ocorre, em geral, de forma lenta e
progressiva, podendo levar a incapacidades físicas. A magnitude e o alto
poder incapacitante mantêm a doença como um problema de saúde pública.

Epidemiologia da hanseníase

A hanseníase é considerada doença tropical negligenciada por persistir


endêmica, quase exclusivamente em populações em condição de pobreza

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nos países em desenvolvimento, mesmo após a introdução de tratamento


eficaz e gratuito há mais de 3 décadas. Em 2016, segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS), 143 países reportaram 214.783 casos novos de
hanseníase, o que representa uma taxa de detecção de 2,9 casos por 100 mil
habitantes. No Brasil, no mesmo ano, foram notificados 25.218 casos novos,
perfazendo uma taxa de detecção de 12,2/100 mil habitantes.

Entre as doenças infecciosas, a hanseníase é considerada uma das principais


causas de incapacidades físicas, em razão do seu potencial de causar lesões
neurais.

Etiopatogenia da lepra

Agente etiológico

O Mycobacterium leprae é um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR),


fracamente gram-positivo e que se cora em vermelho pelo método Ziehl-
Neelsen, visualizado na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou amostra
de tecido. O M. leprae infecta, em especial, macrófagos e células de Schwann
e requer temperaturas entre 27 e 30ºC, que é clinicamente notável pelo
predomínio de lesões nas áreas mais frias do corpo.

Transmissão

O mecanismo de transmissão ainda não está esclarecido. Acredita-se que


ocorra, em especial, por via respiratória, pelo contato direto e prolongado
de indivíduo bacilífero com indivíduo suscetível. O M. leprae tem alta
infectividade e baixa patogenicidade, ou seja, infecta muitas pessoas, mas
apenas poucas adoecem por tratar-se de bacilo pouco tóxico.

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Quadro clínico de hanseníase

As manifestações clínicas da hanseníase são polimorfas, predominando o


acometimento neurocutâneo; nas formas multibacilares avançadas, pode
haver manifestações sistêmicas.

Sinais e sintomas

Os principais sinais e sintomas da Hanseníase são:

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Áreas da pele com manchas hipocrômicas, acastanhadas ou avermelhadas,


com alterações de sensibilidade ao calor, e/ou ao tato e/ou dolorosa;
Formigamentos, choques e câimbras nos braços e pernas, que evoluem
para dormência;
Pápulas, tubérculos e nódulos,normalmente assintomáticos;
Madarose;
Pele infiltrada (avermelhada), com diminuição ou ausência de suor no local;
Dor;
Diminuição ou perda da sensibilidade;
Edema de mãos e pés;
Febre e artralgia.

Exame Físico

Uma opção é iniciar o exame clínico pelos nervos cutâneos. Comece pelos

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nervos da face observando a simetria dos movimentos palpebrais e de


sobrancelhas (nervo facial). Em seguida, veja se há espessamento visível ou
palpável dos nervos do pescoço (auricular), do punho (ramo dorsal dos
nervos radial e ulnar), e dos pés (fibular superficial e sural). Depois, palpe os
nervos do cotovelo (ulnar), do joelho (fibular comum) e do tornozelo (tibial).
Observe se eles estão visíveis, assimétricos, endurecidos, dolorosos ou com
sensação de choque.

Caso você identifique qualquer alteração nos nervos, confirme a


anormalidade com o teste da sensibilidade no território inervado. Se não
houver perda de sensibilidade, mas persistia a dúvida, encaminhe o paciente
para a referência e faça o acompanhamento do caso. Não troque o exame
clínico pela baciloscopia ou biópsia.

Posteriormente, em sala bem iluminada, é importante examinar toda a pele,


inclusive as coxas, dorso e nádegas. Comece pela face, depois examine
tronco e membros superiores. Não se esquecendo de examinar as palmas
das mãos e plantas dos pés. Quando perceber uma lesão de pele, marque a
área com uma caneta esferográfica para não correr o risco de não encontrar
a mesma região posteriormente.

Classificações

Para os casos diagnosticados, deve-se utilizar a classificação operacional de


caso de hanseníase proposta pela OMS, visando definir o esquema de
tratamento com poliquimioterapia, e que se baseia no número de lesões
cutâneas de acordo com os seguintes critérios:

Paucibacilar (PB): casos com até cinco lesões de pele.


Multibacilar (MB): casos com mais de cinco lesões de pele.

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Entretanto, alguns pacientes não apresentam lesões facilmente visíveis na


pele, e podem ter lesões apenas nos nervos, ou as lesões podem se tornar
visíveis somente após iniciado o tratamento. Sendo assim, para facilitar a
compreensão e o diagnóstico, pode ser utilizada a classificação de Madri, a
qual classifica a doença em quatro subtipos:

Hanseníase indeterminada e tuberculóide – paucibacilares;


Hanseníase dimorfa e virchowiana – multibacilares.

Vamos falar sobre cada uma delas:

Hanseníase Indeterminada (HI)

Considerada forma inicial da doença, caracteriza-se por máculas


hipocrômicas ou eritematosas, mal delimitadas, podendo apresentar
discreta diminuição da sensibilidade, redução da sudorese e/ou do
crescimento de pelos (Figura 1). Todos os pacientes passam por essa fase no
início da doença, entretanto, ela pode ser ou não perceptível.

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Figura 1. Manchas hipocrômicas lisas.

O exame anatomopatológico nesse estágio é inespecífico, podendo


apresentar infiltrado inflamatório leve ao redor dos nervos, vasos e anexos
cutâneos. A baciloscopia é negativa. Essa fase é não transmissível e não
incapacitante, sendo que a maioria das pessoas com HI evolui para cura
espontânea.

Hanseníase Tuberculoide (HT)

As formas tuberculoides se apresentam como poucas pápulas ou placas bem


delimitadas, de tamanho e forma variada, com bordas infiltradas nítidas, de
coloração eritemato-acastanhada, e podem apresentar centro hipocrômico
(Figura 2). Em geral, apresentam anestesia, anidrose e alopecia. Pode
apresentar tronco neural espessado e sensível e, quando compromete mais
de um nervo, geralmente a apresentação é assimétrica. No exame das lesões
tuberculoides, deve-se palpar a lesão e ao redor dela em busca de nervos
espessados, que configurem as lesões em raquete.

Figura 2. Placa anular, eritematosa, com centro hipocrômico e bem delimitado.

Hanseníase Virchowiana (HV)

É a forma mais contagiosa da doença. A anamnese e o exame físico são


fundamentais para sua suspeita, uma vez que os sinais e sintomas podem

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ser discretos. As lesões são difusas e, em geral, simétricas, podendo


manifestar-se por meio de lesões pardacentas, de limites imprecisos. A
infiltração difusa da pele pode dificultar a visualização de lesões, que muitas
vezes apresentam apenas discreta alteração da sensibilidade (Figura 3).

Figura 3. Tórax e MMSS com infiltrações difusas. Fonte: Clínica Médica, USP. Vol. 7, 2016

Incapacidades revelam que a doença está evoluindo e sendo transmitida há


mais de uma década. Nas formas avançadas, o indivíduo pode apresentar
infiltração difusa da face, configurando a fácies leonina (Figura 4), alopécia
levando à perda de cílios e sobrancelhas (madarose) e xerose por anidrose.

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Figura 4. Fácies leonina com infiltração, madarose e nariz alado.

Hanseníase Dimorfa (HD)

Compreende a maior parte dos casos de hanseníase no nosso meio: são


grupos instáveis, nos quais o indivíduo pode apresentar lesões de diferentes
aspectos, ora tendendo ao polo tuberculoide, ora com manifestações do
polo virchowiano. O padrão de resposta imune celular é intermediário,
podendo apresentar mudanças dentro do grupo dimorfo, desencadeadas
por variações imunes do indivíduo pela carga bacilar, condições de
imunossupressão, estados reacionais, retardo do diagnóstico ou do início do
tratamento.

Diagnóstico

O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico,


realizado por meio da anamnese, exame geral e dermato-neurólogico para
identificar lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade e/ou
comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou
motoras e/ou autonômicas.

De acordo com o 8° Comitê de Hanseníase da Organização Mundial de


Saúde (OMS) em 2012, o diagnóstico de hanseníase deve ser suspeitado em
indivíduos que apresentem os seguintes sinais ou sintomas:

Manchas pálidas (hipocrômicas) ou avermelhadas na pele;


Sensação de formigamento em mãos e pés;
Dor ou sensibilidade na topografia dos nervos periféricos;
Aumento do volume facial ou dos lóbulos da orelha;
Feridas indolores em mãos e pés.

O Ministério da Saúde do Brasil definiu como caso de hanseníase o


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indivíduo que apresente um ou mais dos seguintes sinais cardinais e que


necessita de tratamento poliquimioterápico:

1. lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração da sensibilidade térmica e/


ou dolorosa e/ou tátil; ou
2. espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas
e/ou motoras e/ou autonômicas; ou
3. presença de bacilos M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço
intradérmico ou na biópsia de pele.

Reações hansênicas

As reações hansênicas são complicações inflamatórias agudas que se


apresentam como emergências médicas, sendo a principal causa de
morbidade e incapacidade neurológica, podendo surgir antes, durante ou
depois do tratamento poliquimioterápico. Geralmente seguem fatores
desencadeantes, como o próprio início do poliquimioterápico, reexposição a
fontes bacilíferas, infecções, vacinação, gravidez, uso de medicamentos
iodados, estresse físico e emocional.

A Reação Tipo 1 ou Reação Reversa caracteriza-se por exacerbação de


lesões preexistentes, por meio de hiperestesia, eritema, edema e posterior
descamação.
A Reação Tipo 2, também chamada de eritema nodoso hansênico (ENH)
ocorre nas formas Virchowiana e Dimorfa-Virchowiana, com maior
frequência após o início do tratamento (aproximadamente após 6 meses).
Caracteriza-se por nódulos eritematosos, dolorosos, que podem ulcerar e
evoluir com necrose e acometer todo o tegumento.

Tratamento da hanseníase
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O tratamento da hanseníase é realizado através da associação de


medicamentos (poliquimioterapia – PQT) conhecidos como Rifampicina,
Dapsona e Clofazimina. Deve-se iniciar o tratamento já na primeira
consulta, após a definição do diagnóstico, se não houver contraindicações
formais.

O paciente PB receberá uma dose mensal supervisionada de 600 mg de


Rifampicina, e tomará 100 mg de Dapsona diariamente (em casa). O tempo
de tratamento é de 6 meses (6 cartelas). O paciente MB receberá uma dose
mensal supervisionada de 600 mg de Rifampicina, 100 mg de Dapsona e de
300 mg de Clofazimina. Em casa, o paciente tomará 100 mg de Dapsona e 50
mg de Clofazimina diariamente. O tempo de tratamento é de 12 meses (12
cartelas).

Investigação e Profilaxia

A investigação epidemiológica de contatos consiste em:

Anamnese dirigida aos sinais e sintomas da hanseníase; Exame


dermatoneurológico de todos os contatos dos casos novos, independente
da classificação operacional;
Vacinação BCG para os contatos sem presença de sinais e sintomas de
hanseníase no momento da avaliação.

É importante ressaltar que a aplicação da vacina não previne o


desenvolvimento da doença, mas é utilizada com o propósito de estimular a
resposta imune celular:

< 1 ano de idade, já vacinados: não revacinar; 1 ano de idade, sem cicatriz ou
com uma cicatriz de BCG: aplicar uma dose;
2 cicatrizes de BCG: não revacinar;

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Cicatriz vacinal incerta: aplicar uma dose independentemente da idade.

Notificação

A hanseníase é uma doença de notificação compulsória e de investigação


obrigatória. Os casos diagnosticados devem ser notificados, utilizando-se a
ficha de Notificação/Investigação, do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (Sinan).

Confira o vídeo:

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