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PATRISTICA

Chama-se literatura patrística, em sentido lato, ao conjunto de obras cristãs que datam
da idade dos Padres da Igreja, e esse título mesmo não é rigorosamente preciso. Num
primeiro sentido, ele designa todos os escritores eclesiásticos antigos, mortos na fé
cristã e na comunhão da igreja; em sentido estrito um Padre (ou Pai) da Igreja deve
apresentar quatro características: ortodoxia doutrinal, santidade de vida, aprovação da
Igreja, relativa antiguidade (até fins do século III aproximadamente).

EXEMPLO DE INFLUENCIA DE PLATÃO NOS PATRISTICOS E EM SANTO


AGOSTINHO.

Justino, grande teólogo da Patrística, procurou outros “estilos de vida” antes de se tornar
cristão. E precisamente, a filosofia platônica o levou ao Cristianismo. Depois de se
decepcionar com pitagóricos e epicuristas, um melhor êxito esperava-o junto aos
discípulos de Platão. Aí ele se instruiu verdadeiramente sobre o que desejava aprender:
“A inteligência das coisas corpóreas”, diz Justino, “me cativava ao mais alto grau; a
contemplação das Ideias dava asas a meu espírito, de modo que, após pouco tempo,
acreditei ter-me tornado um sábio; fui mesmo tolo o bastante para esperar que ia
imediatamente ver Deus, pois é esse o objetivo da Filosofia de Platão”.

O platonismo e o neoplatonismo, por incrível que pareça, foi o solo da doutrina de


Santo Agostinho. Toda parte filosófica da obra de Santo Agostinho exprime o esforço
de uma fé cristã que procura levar o mais longe possível a inteligência de seu próprio
conteúdo, com ajuda de uma técnica filosófica cujos elementos principais são tomados
do neoplatonismo, em partícula de Plotino. Entre esses elementos, a definição de
homem dialeticamente justificada por Platão no Alcibíades e retomada em seguida por
Plotino exerceu sobre o pensamento de Agostinho uma influencia decisiva: o homem é
uma alma que se serve de um corpo. Quando fala simplesmente como cristão,
Agostinho toma o cuidado de lembrar que o homem é a unidade de alma e corpo;
quando filosofa, recai na definição de Platão.

PROBLEMA DOS UNIVERSAIS

Um dos debates que mais recebeu atenção dos filósofos desde as origens da filosofia
(sobretudo a partir dos séculos V a VI de nossa Era) até os nossos dias recebe o nome
de problema dos universais. Trata-se de investigar se os conceitos gerais existem por si
mesmos, para além dos indivíduos que eles designam (pelo menos, se eles podem ser
pensados sem referência aos indivíduos) ou se consistem em meras elaborações do
pensamento para representar o conjunto de indivíduos (simples modos de falar deles).

O problema dos universais, no limite, consiste em procurar o sentido que atribuímos às


próprias realidades singulares: elas seriam totalmente distintas entre si ou revelariam
possibilidades comuns que as transcenderiam e as uniriam? Quando se pensa, por
exemplo, em gêneros e espécies de seres, o que permite unir tais seres em grupos? Uma
simples convenção? Características pertencentes a elas? Seria possível pensar os seres
individuais como totalmente diferentes e independentes entre si, como se uma gota d’
água não tivesse nada em comum com outra gota d’ água? Mas, pensar em coisas
singulares como totalmente diferentes seria possível? Quando se fala de “coisa” e de
“coisa singular”, já não se chegou a uma identidade que permite diferenciá-las no modo
de viver tal identidade? Seria possível pensar sem estabelecer relações de identidade,
alteridade e diferença? Essas são apenas algumas das questões que exemplificam o
debate em torno da natureza dos conceitos gerais (problema dos universais).

Em geral, as respostas a esse problema são divididas em três orientações:

1. O realismo: postura segundo a qual os termos universais indicam a identidade


de coisas; identidade que existem antes de coisas;
2. O nominalismo: postura segundo a qual só existem indivíduos, e não realidades
universais, de modo que os termos universais são formados apenas depois do
conhecimento dos indivíduos;
3. O conceitualismo: postura segundo a qual os universais existem, mas não
independentemente, e sim nos indivíduos, podendo, portanto, ser identificados
neles e representados como conceitos na mente.

UNIVERSIDADES

Universitas, Universidades, não designa, na Idade Média, o conjunto das faculdades


estabelecidas numa mesma cidade, mas o conjunto de pessoas, mestres e alunos, que
participam do ensino dado nessa mesma cidade. Portanto, nem sempre se tem o direito
de concluir, da palavra Universitas, a existência de uma universidade organizada num
lugar determinado; basta que se tenha tido a necessidade de se dirigir ao conjunto dos
professores e estudantes residentes no mesmo lugar para que a expressão tenha sido
naturalmente empregada. Um studium generale, ou universale, ou ainda comune, não é
um lugar em que o conjunto dos conhecimentos é estudado, mas um centro de estudos
em que estudantes de origens bastante diversas podem ser recebidos. A expressão se
aplicava sobretudo ás escolas abertas pelas ordens religiosas nas cidades que podiam ser
centros importantes do ponto de vista da ordem, mas que não possuíam universidade. A
primeira universitas a se tornar um corpo regularmente organizado e ser um coletivo
análogo a nossas universidades modernas é a de Bolonha, mas ela foi, antes de mais
nada, um centro de estudos jurídicos e só obteve uma faculdade de teologia regular em
1352. Do ponto de vista filosófico e teológico, foi a Universidade de Paris a primeira a
se constituir.

SÃO TOMÁS

Uma dupla condição domina o desenvolvimento da filosofia tomista: a distinção entre


razão e fé, e a necessidade de sua concordância. Todo domínio da filosofia pertence
exclusivamente à razão; isso significa que a filosofia deve admitir apenas o que é
acessível à luz natural e demonstrável apenas por seus recursos. A teologia baseia-se, ao
contrario, na revelação, isto é, afinal de contas, na autoridade de Deus. Os artigos de fé
são conhecimentos de origem sobrenatural, contidos em formulas cujo sentido não nos é
inteiramente penetrável, mas que devemos aceitar como tais, muito embora não
possamos compreendê-las. Portanto, um filósofo sempre argumenta procurando na
razão os princípios de sua argumentação; um teólogo sempre argumenta buscando seus
princípios primeiros na revelação.

A teologia natural não é toda a filosofia, é apenas uma parte desta, ou, melhor ainda, o
seu coroamento; todavia, é parte da filosofia que santo Tomás elaborou mais
profundamente e na qual ele se manifestou como um gênio verdadeiramente original.
Se se trata de Física, de fisiologia ou dos meteoros, santo Tomás é apenas aluno de
Aristóteles; mas se se trata de Deus, da gênese das coisas e de seu retorno ao criador,
santo Tomás é ele mesmo. Ele sabe pela fé para que termo se dirige, contudo só
progride graças aos recursos da razão. Portanto, nessa obra filosófica, a influencia
confessa da teologia é certa, e é a teologia mesma que fornecera o plano. Se tivesse
querido, santo Tomás teria podido escrever uma metafísica, uma cosmologia, uma
psicologia e uma moral concebidas de acordo com um plano estritamente filosófico e
partindo do que há de mais evidente para nossa razão. No entanto, é um fato, e nada
mais, que suas obras sistemáticas são sumas de teologia e que, por conseguinte, a
filosofia que expõem nos é oferecida segundo a ordem teológica.

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