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A DIMENSÃO ESTÉTICA – ANÁLISE E COMPREENSÃO DA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA

FICHA DE TRABALHO 2 – TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS | SUGESTÕES DE RESPOSTA

1. Teoria não essencialista da arte, mais concretamente a teoria institucional.


2. A tese central de Dickie é a de que a arte não pode ser definida, mais
concretamente, não é possível dar uma definição essencialista do que é arte. Isto
deve-se, não a uma dificuldade de facto, por causa da complexidade da arte, como
até aí se tinha pensado, mas por uma impossibilidade lógica que tem que ver com as
regras de aplicação de «obra de arte» e que pode ser verificado aplicando essas
regras. A posição de Dickie, tal como de A. Danto, assenta no destaque dado às
propriedades não observáveis das obras de arte, isto é, à sua natureza institucional.
Esse destaque torna-se evidente na arte de vanguarda e, particularmente, na de
Duchamp, nas quais é realçada a ação de conferir o estatuto de arte em detrimento
da construção da obra. A teoria que resultou desta confluência opõe-se e ultrapassa
as dificuldades das teorias que apresentaram definições em termos de propriedades
intrínsecas dos objetos e das que as apresentaram em termos de estados
psicológicos do sujeito. Mas desafia também as teses segundo as quais nenhuma
definição é possível e todas as aparentes definições mais não são do que definições
de valor. De facto, a definição que Dickie propõe nem é essencialista, nem estético-
psicológica, nem valorativa. A tese central de Dickie assenta no seguinte: tal como as
pessoas e os objetos podem adquirir determinados estatutos, por exemplo,
professor ou património da humanidade, apenas porque existem instituições
capazes de os conferir, também os objetos podem adquirir o estatuto de obra de
arte no contexto da instituição «mundo-da-arte». Portanto, uma obra de arte no
sentido classificativo é 1) um artefacto, 2) com um conjunto de aspetos ao qual foi
conferido o estatuto de candidato a apreciação por uma pessoa ou pessoas que
atuam em nome de uma instituição social, a saber, o mundo-da-arte.
3. Objeções: 1) há objetos que merecem o estatuto de arte, apesar de os seus autores
estarem à margem do mundo-da-arte. Mais, os autores desses objetos podem não
se considerarem artistas. 2) a definição de Dickie peca por circularidade e
informatividade, pois usa o próprio termo a definir na definição. Mais, presume que
já se saiba o que significa mundo-da-arte. 3) os critérios para a «atribuição de
estatuto» não são completamente claros. Enquanto para considerar uma pessoa
como sendo um professor existem critérios explícitos que essa pessoa tem de
preencher, assim como instituições que conferem esse estatuto, no caso da obra de
arte nada disso é claro.

©PLÁTANO EDITORA 2020 |FILOSOFIA 10

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