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Nome: Babilonia Rui Farnela

Escolas antropológicas

São quatro umas das principais escolas antropológicas elencadas pela literatura científica da
área. Elas ficaram conhecidas como Evolucionismo, Funcionalismo, Culturalismos e
Estruturalismo.

Evolucionismo

Essa foi a primeira das escolas antropológicas. Ela tem início no século XIX e é
marcada pelo pensamento dicotômico que divide as sociedades em “primitivas” e
“civilizadas”. Os pensadores que contribuíram para a Escola Evolucionista, de modo geral,
defendiam uma espécie de evolucionismo das sociedades humanas. Segundo essa lógica, as
sociedades ditas primitivas poderiam se tornar civilizadas. Logo, entende-se que existiria
uma assimetria entre os grupos populacionais e uma linha evolutiva que poderia ser seguida
por aqueles que estavam em posições de inferioridade.

Algumas características marcantes do Evolucionismo são:

 Ela explica aspectos comuns a todos os povos;


 Mostra a sucessão de estágios de desenvolvimento das sociedades;
 Ver os hábitos e costumes em termos de sobrevivência histórica;
 Explica o aspecto diacrônico, ou seja, levando em consideração a variável tempo.

O evolucionismo implica em investigar dados sociais classificando-os em categorias


diferentes.

É típico do evolucionismo, separar os fatos do contexto, ou seja, comparar costume com


costume em vez de o costume com o contexto e, só posteriormente o costume de uma
sociedade com outra. Assim era feito, os costumes eram visto como entidades isoladas, e essa
separação do contexto que situa o costume como ilustração crítica de estágios.
Os costumes têm sempre uma origem, uma explicação, mas esta está sempre em busca de
evidenciar que tal costume faz parte de um processo histórico de evolução das sociedades
que há de finalizar na sociedade mais evoluída, no caso, a européia.

As sociedades, para o evolucionismo, se desenvolvem de modo linear e irreversível. Os


sistemas então, evoluem do mais simples para o mais complexo e do mais indiferente para o
mais diferenciado, numa escala que não retorna. Assim é transmitida a idéia de progresso.

É importante ressaltar que a idéia de progresso está intimamente ligada à de Determinismo.


Este acredita que as forças que movem a sociedade estão fora da consciência e do controle
do sistema enquanto tal, não podendo colocar a unidade do indivíduo como explicação para
a ordem social. Então, o evolucionismo que tratou de apresentar a sociedade como uma
totalidade.

Enfim, o determinismo é a visão da sociedade humana como submetida a forças que atuam
sobre ela mesma e que o indivíduo desta não pode modificar. Como se o nosso destino
estivesse traçado.

No evolucionismo, também, as diferenças são reduzidas a momentos históricos específicos,


ou seja, a sociedade que vejo como estranha a mim, que não conheço, se reduz ao pensamento
de que é uma etapa que ela está passando pela qual a minha já passou. Enfim, o observador
toma o presente e o explica com o passado. Em outras palavras, assim, tudo passa a poder
ser colocado hierarquicamente.

Agora, se eu não submeto um costume desconhecido ao eixo de uma temporalidade postulada


pela minha sociedade, eu me permito alcançar a lógica social daquele costume como
alternativa social.

Os antropólogos que contribuíram para essa escola realizavam suas análises adotando
métodos comparativos, que poderiam levar em consideração aspectos como parentesco
e religião. Entre os principais representantes dessa escola estão Herbert Spencer, que
escreveu “Princípios de Biologia” (1864), e Edward Burnett Tylor, autor de “A Cultura
Primitiva” (1871).
Escola Funcionalismo

Das escolas antropológicas, a Funcionalista é a que vai propor o método clássico de


etnografia e adotar o trabalho de campo para realização das análises (na Escola Evolucionista,
eram os relatos dos viajantes e colonizadores que subsidiavam as interpretações feitas pelos
antropólogos). Além da adoção do trabalho de campo, os funcionalistas se diferem dos
evolucionistas por não conceberem a ideia de hierarquia entre as sociedades.

Algumas características fundamentais:

 Nada ocorre por acaso, não há “restos”, tudo desempenha um papel, sua função;
 O sentido de um costume tem que ser compreendido nos termos do sistema do qual
provém, ou seja, do contexto e não do tempo, logo, pode-se classificar como
sincrônico.

Com o funcionalismo o ponto focal não é mais a Europa e seus costumes, mas sim a própria
“tribo”, segmento ou cultura em análise. Não é mais como na visão de progresso
evolucionista, uma visão de algo já determinada, definido; mas sim uma visão mais
relativizada, visão esta que vai sempre depender do seu referencial.

“Se deus não existisse, os homens deveriam inventá-lo.” (Voltaire)

Essa frase não quer apenas questionar a existência de Deus, mas mostrar que mesmo se Ele
não existisse, Ele é peça fundamental para o funcionamento de determinada sociedade, ou
seja, a figura de Deus, existindo ou não, exerce a sua função.

Para os antropólogos funcionalistas, cada sociedade possui uma função distinta. Esse
seria o traço que diferenciaria uma das outras, mas sem construir hierarquias. Nessa
perspectiva, ao passo que cada grupo exercesse a sua função, eles contribuíam para um
sistema maior, onde todos as funções se relacionavam. Contribuíram para a Escola
Funcionalista Bronislaw Malinowski, escritor de “Argonautas do Pacífico Ocidental” (1922),
e Alfred Radcliffe-Brown, autor de “Estrutura e função nas sociedades primitivas” (1952).
Escola Culturalismos

Diante disso, é importante que se destaque o nome de Franz Uri Boas, um dos
primeiros antropólogos a sistematizar e organizar o conceito moderno de cultura. Segundo
(CUCHE, 1999, p.41-42)
A escola dá ênfase no processo de construção e identificação dos padrões culturais. Por meio
deles, seria possível absorver as leis do desenvolvimento das culturas. Franz Boas é o
principal representante;

toda a obra de Boas é uma tentativa de pensar a diferença. Para


ele, a diferença fundamental entre os grupos humanos é de ordem
cultural e não racial. também, se dedicou a mostrar o absurdo da
ideia de uma ligação entre traços físicos e traços mentais, dominante
na época e implícita na noção de “raça”. Para ele, não há diferença de
“natureza” (biológica) entre primitivos e civilizados, somente
diferenças de cultura, adquiridas e logo, não inatas. Ele foi um dos
primeiros cientistas sociais a abandonar o conceito de “raça” na
explicação dos comportamentos humanos.

O Culturalismo americano abarca diversas perspectivas sobre a pluralidade cultural e teve


muitos desdobramentos no século XX, entretanto, na primeira metade, esteve sob a liderança
intelectual de Franz Uri Boas. Foi mentor, entre tantos nomes, de Margaret Mead, Ruth
Benedict e Gilberto Freyre.
Escola Estruturalismo

Os antropólogos que integram a Escola Estruturalista buscam identificar as regras


estruturantes da cultura que estão presentes na mente humana. Seus estudos se atêm à
construção dos significados dentro de uma cultura, um processo que envolve inter-relações
entre diferentes elementos ligados à linguagem, sistemas de signos e ao imaginário dos
indivíduos.

O estruturalismo é uma modalidade de pensar, um método de análise de maneira sempre


sincrônica.
A noção de estrutura é entendida com um todo, mas que compreende-se a partir da análise
de seus componentes, das partes, e suas funções dentro do todo. Assim, essa estrutura tem
caráter de uma totalidade no qual qualquer modificação de alguma das partes afeta o
conjunto.
O estruturalismo é uma forma anti-humanista, ou seja, proclama a “morte do homem” porque
não existe liberdade humana, toda a ação humana é condicionada.
(Como na estrutura lingüística, você não poderá chamar uma mesa de cadeira, pois há uma
estrutura, um “contrato social” que te impede de fazer isso, você é condicionado pela
estrutura)
Relação interessante:
Estruturalismo – Marxismo – Freudismo
O estruturalismo aproxima-se da visão de Marx e Freud, pois estes entendiam que os
fenômenos sociais e comportamentais respectivamente, são condicionados por forças
impessoais, são elas: Para Marx, o capitalismo; para Freud, o Superego.

Tal como o marxismo e o freudismo, o estruturalismo diminuiu a importância do indivíduo,


retratando a pessoa humana como resultado de uma construção, de uma estrutura. Ou seja,
os indivíduos nem produzem nem provocam os códigos e as convenções.
Claude Lévi-Strauss, autor de “Tristes Tópicos” (1955), é considerado criador da
antropologia estrutural. Essa escola recebeu ainda contribuições de Ferdinand Saussure,
linguista que colaborou bastante para o desenvolvimento da Semiótica.

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