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“Não me toquem!” Uma


estória sobre convivência
Gérson Curt
Coach pela SBC – Sociedade Brasileira de Coaching.

Pessoas estressadas, mal-humoradas, desinteressadas e sem tempo! Um cenário


muito comum no meio corporativo atual. O sentido de "não me toquem" tem a ver
com aquelas pessoas de difícil acesso, arredias, hostis, que com seu jeito peculiar e
seus melindres inibem a tão necessária convivência. Enxergam em cada situação
uma oportunidade para murmurar e manifestar sua insatisfação. Uma pessoa que,
de tão seletiva, torna-se preterida pela maioria das pessoas que as rodeia, pois por
serem "cri-cri" dificultam o convívio e causam descontentamento, insegurança e
raiva nos demais à sua volta.

O que a grande maioria não percebe é que comportamentos como este, geram uma
sensação de estafa emocional muito grande (em si e nos outros), pois,
invariavelmente, tendem a se desgastarem mais, favorecendo a criação de
ambientes inadequados, com alto índice de improdutividade. O conflito não se
instala somente no campo relacional, mas também internamente, o que, por sua
vez, pode gerar um sentimento de impotência e de incompreensão por parte das
demais pessoas.

Indivíduos que apresentam dificuldades nos relacionamentos são pessoas que,


consigo mesmas trazem um conflito real e permanente, são egocêntricas e não
conseguem fazer o exercício de se colocar no lugar do outro (o que chamamos de
empatia).

Tomamos como base qualquer trabalho que precisa ser desenvolvido com o
envolvimento de muitas pessoas. Não se espera que todas sejam exatamente
iguais (e isso, seria humanamente impossível). Do ponto de vista: físico,
operacional, comportamental e reativo, dificilmente teremos um grupo homogêneo
(e essa diversidade é fundamental para um grupo). Pessoas diferentes geram
ideias, comportamentos, reações e possibilidades diferentes e isso pode enriquecer
muito os resultados de qualquer trabalho.

O grande problema é quando esse "ser diferente" dificulta a evidência de resultados


comprometendo o desempenho de um determinado grupo (e, às vezes, até da
própria organização). No rol das competências e características desejáveis e/ou
exigíveis para o profissional do futuro estão contempladas: relacionamento
interpessoal, orientação para o resultado, trabalho em equipe, liderança,
engajamento, comunicação, práticas de cidadania, dentre outros, e o nosso olhar
deve buscar identificar quais são, de fato, as características que favorecem de
verdade o exercício desses valores para a convivência. É bem provável que você
conheça uma estória, conhecida como a fábula da Convivência. Conta-se que:

"Durante uma Era Glacial muito remota, quando parte do globo terrestre estava
coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso
e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições de clima hostil.

Foi então que uma grande manada de porcos espinhos, numa tentativa de se
proteger e sobreviver começou a se unir, ajuntar-se mais e mais. Assim, cada um
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podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se
mutuamente, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começam a ferir os companheiros
mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor vital, questão de
vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se por
não suportar mais tempo os espinhos de seus semelhantes. Doíam muito...

Mas essa não foi a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a
morrer. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito,
com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava certa distância do
outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem
magoar, sem causar nenhum dano recíproco. Assim suportaram-se resistindo à Era
Glacial. “Sobreviveram”.

É importante o respeito pela individualidade, entretanto, o sentido do trabalho, da


missão de vida e da própria convivência em si, deve, invariavelmente, priorizar e
cultivar em cada um de nós, gestos, atitudes, intenções que traduzam o valor que
se dá à pessoa e ao que ela representa nesse contexto, onde ser "único" é tão
importante. A prática de valores pessoais voltados à convivência deve permear os
diversos níveis de relacionamentos (inclusive os hierárquicos).

Despretensiosamente, certo dia li uma frase no mural da faculdade que dizia assim:
"Não adianta ter graduação, mestrado, doutorado e não cumprimentar o porteiro".

Atitudes de generosidade, afeto e respeito devem nos acompanhar e devem


prevalecer. As atitudes revelam quem nós somos! Isso nos faz pessoas melhores,
ao mesmo tempo nos dá a oportunidade de identificar nas pessoas aquilo que elas
também têm de melhor. "O que a gente faz, fala muito mais do que só falar".

 Publicado em 24/03/2015 no www.RH.com.br.

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convivencia.html# <acessado dia 14/10/15>

I) Leia, e respondam através de pesquisas bibliográficas:

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Um hospital é uma organização de prestação de serviços, com foco nos cuidados que presta
aos seus usuários, que se desenvolvem em unidades organizadas segundo as várias
especialidades médicas. Nesse contexto, os enfermeiros realizam o seu trabalho em equipes
de 15, 20 ou mais pessoas (de diferentes formações e especialidades) constituídas de acordo
as necessidades e o tipo de cuidados exigidos.
Dotados de sistemas organizacionais muito próprios, os hospitais apresentam condições de
trabalho complexas por envolverem diversos departamentos e profissões. O trabalho no
hospital produz conflitos entre o ideal trabalho em equipe e o trabalho individualizado,
permeado pela competição acirrada entre “especialismos”.
Do exposto, torna-se fácil compreender alguns dos constrangimentos vivenciados pelos
profissionais de enfermagem.
Tais constrangimentos se refletem, sobretudo em relação à identidade e à autonomia. Afinal,
estes respondem em linha ao enfermeiro chefe, mas prestam assessoria direta ao médico de
plantão ou ao médico responsável pela especialidade?
Nesse caso, quem define suas prioridades de ação? Quem decide o uso dos recursos? Qual seu
nível de participação nas decisões?
De certo, sabe-se que o serviço de enfermagem apresenta, como característica principal, a
divisão técnica do trabalho, a desqualificação, o parcelamento das tarefas e a fragmentação do
serviço. Em muitas situações, os enfermeiros acumulam os papéis, tais como: o de gestor da
unidade de cuidados, o de apoio à pessoa doente e, também, com um relevo especial, o de
colaborador no trabalho do médico. Isso concede aos enfermeiros certos ‘poder virtual’,
dados sua relevância no alcance dos resultados organizacionais junto aos usuários. Porém, há
sempre alguém a controlar tal poder, mesmo que de uma forma subjetiva, fazendo com que
este grupo profissional ocupe sempre um papel essencial nas organizações hospitalares,
porém ‘de retaguarda’.
Nesse sentido, espera-se que a tomada de decisão na organização do trabalho dos enfermeiros
deva ser em função das necessidades da pessoa atendida e não de interesses pessoais ou de
grupos profissionais. Para tal, impõe-se uma reestruturação no funcionamento dos serviços
através de novas dinâmicas das relações interpessoais no trabalho, anulação e libertação de
comportamentos estereotipados e corporativistas, alinhando a ação aos objetivos
organizacionais.
SQUASSANTE, N. D. A dialética das relações entre a equipe de enfermagem. Tese de
Doutorado apresentada na Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007. Disponível em:
<http://teses.ufrj.br/EEAN_M/NilceaDadaltoSquassabte.pdf>. Acesso em: 29 de setembro d
e 2011. Adaptado.

01) A situação problema apresentada é observada em organizações de diferentes setores de


atividade, não apenas em hospitais.
Explique e relacione os conceitos de: a) Estrutura Organizacional, b) Autoridade, c) Poder e d)
Comportamento em Grupo, e utilize o caso exposto para exemplificar.

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