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TÉCNICAS AVANÇADAS DE

ANÁLISE DE CUSTOS
AULA 3

Profª. Neide Borscheid Mayer


CONVERSA INICIAL

Olá! Seja bem-vindo à aula 3 da disciplina de Técnicas Avançadas de


Análise de Custos.
Nesta aula, continuaremos tratando do tema já iniciado na aula 2, que se
refere ao custo-padrão, porém, o enfoque atual será especificamente na
apuração e análise das variações na mão de obra direta e nos custos indiretos
de produção (CIPs).
Manteremos o foco na sua formação como analista e tomador de decisão,
para que consiga, de fato, contribuir com as organizações visando melhores
resultados econômicos e financeiros, bem como atingindo seus objetivos
estratégicos.
Bons estudos!

CONTEXTUALIZANDO

Diferentemente do que ocorre quando analisamos as variações de


materiais diretos de fabricação, ao tratarmos de variações entre aquilo que havia
sido previsto no custo-padrão da mão de obra direta e os custos indiretos de
produção, a análise por unidade produzida pode trazer distorções, uma vez que
são necessários direcionadores de custo (critérios de rateio) para efetuar essa
alocação.
Em virtude disso, é muito importante utilizar direcionadores que tenham
alguma relação causa x real sobre o consumo do custo em análise. Por exemplo,
quantidades de horas trabalhadas para a mão de obra direta. Uma vez que se
definiu o direcionador mais adequado ao se analisarem as variações, o foco
principal deve ser o da razão que levou à variação. Por esse motivo, as variações
devem ser vistas sob os prismas de volume, custo e eficiência.
E como se dá esse processo?
São esses os pontos que veremos na sequência.

TEMA 1 – CUSTO-PADRÃO: VARIAÇÃO DE MÃO DE OBRA DIRETA

Como vimos na aula 2, quando analisamos as variações do custo-padrão


em relação ao custo real dos materiais diretos, conseguimos identificar possíveis
perdas no consumo dos materiais, ou, até mesmo, a elevação desproporcional
dos preços em função de uma má negociação por parte da área responsável.
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A análise de variação de mão de obra direta deve ser realizada de forma
similar à dos materiais, sendo o foco principal o de analisar a eficiência por hora
trabalhada (Bornia, 2010). Nesse sentido, o cálculo da diferença entre aquilo que
havia sido projetado comparado ao custo real precisa considerar a origem da
variação, ou seja, se foi na quantidade de horas despendidas no processo, no
valor-hora (R$) gasto no período ou se houve uma variação mista, tanto em
quantidade de horas quanto em valor-hora (R$) gasto. Para melhor
compreensão, vamos utilizar novamente o esquema genérico apresentado por
Padoveze (2010, p.418):

Quadro 1 – Esquema genérico de variação

Fonte: Padoveze, 2010.

Sendo:
A = Quantidade de Horas Real x Valor-Hora Real
B = Quantidade de Horas Real x Valor-Hora Padrão
C = Quantidade de Horas Padrão x Valor-Hora Padrão
Vamos a um exemplo: digamos que determinada empresa apurou as
seguintes informações ao término do período produtivo em análise:
Quantidade de horas padrão estimadas para o período: 15.000 horas
Valor-hora* padrão considerado para o período: R$ 4,50
Valor padrão total da MOD do período: R$ 67.500
Quantidade de horas realizadas no período: 15.500 horas
Valor-hora* efetivamente gasta no período: R$ 4,00
Valor real total da MOD do período: R$ 62.000
A partir das informações apuradas, a empresa consegue efetuar a análise
para identificar sua real origem:
A = Quantidade de horas realizadas x Valor-hora Real
A = 15.500 x R$ 4,00
A = R$ 62.000
B = Quantidade de horas realizadas x Valor-hora Padrão
B = 15.500 x R$ 4,50

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B = R$ 69.750
C = Quantidade de horas-padrão x Valor-hora Padrão
C = 15.000 x R$ 4,50
C = R$ 67.500
Análise de Variação da taxa-horária:
(A – B) = R$ 62.000 – R$ 69.750
(A – B) = – R$ 7.750
Análise de Variação da eficiência:
(B – C) = R$ 69.750 – R$ 67.500
(B – C) = R$ 2.250
Variação FAVORÁVEL total = – R$ 7.750 + R$ 2.250 = – R$ 5.500.
Nesse exemplo, tivemos uma variação mista favorável correspondente a
R$ 5.500, ou seja, o gasto total foi inferior ao que havia sido previsto. Embora a
mão de obra não tenha sido tão eficiente, essa empresa teve um custo em Reais
por hora trabalhada inferior ao valor estimado.
Você sabe calcular o valor-hora da MOD?
Padoveze (2010, p. 409) estabelece que a “a base para construção dos
padrões de mão de obra direta é o processo de fabricação”, ou seja, são
consideradas as remunerações e encargos de toda a equipe ligada à produção.
E o que devemos incluir nessa remuneração?
A remuneração é composta pelo salário base dos colaboradores, além de
todos os adicionais que porventura recebam, como horas extras, adicionais
noturnos, de insalubridade etc.
Já em relação aos encargos, consideram-se as obrigações com FGTS,
INSS, férias, décimo terceiro salário, dentre outros.
Por exemplo, digamos que a linha de produção de determinada empresa
conte com três colaboradores, que trabalham 220 horas mensais, com custo de
remuneração e encargos mensais apresentados no quadro a seguir:

Quadro 2 – Custos de remuneração e encargos mensais

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Para calcular a média do valor mensal da MOD, basta utilizar a soma de
todas as remunerações e encargos dos três colaboradores e dividir por 3:
Média MOD mensal = R$ 14.110 / 3
Média MOD mensal = R$ 4.703
No entanto, para que possamos confrontar o custo real da MOD com o
que havia sido definido como padrão, é necessário apurar esse valor por hora.
Para isso, basta dividir o valor médio mensal da MOD pela quantidade de horas
trabalhadas no mês:
Valor-hora da MOD = R$ 4.703 / 220 horas
Valor-hora da MOD = R$ 21
A partir de agora, inicia-se a parte mais importante desse controle:
analisar os motivos que geraram as variações identificadas para implementar
melhorias no processo, ou mesmo no custo-padrão do restante dos períodos,
caso se confirme essa necessidade.
Quais são as possibilidades de origens das variações na MOD?
Já percebemos que as variações podem ocorrer tanto na quantidade de
horas despendidas para produção prevista quanto no valor-hora do salário do
colaborador. Nesse sentido, Martins (2010, p.332) nos traz alguns exemplos que
podem gerar tais variações:

 Aumento de salário-hora em função de determinação legal (encargos) ou


por negociação com o sindicato da categoria (dissídio);
 Ineficiência de mão de obra ou uso de pessoal inadequado para
determinada tarefa;
 Padrão de horas baseado em colaboradores com desempenho acima da
média, tornando a meta geral inatingível.

Esse autor diz, ainda, que da mesma forma como nas variações
identificadas no consumo de materiais, para as variações identificadas na MOD,
em algumas situações, serão viáveis medidas de correção e regularização, e,
para outras, pode ser necessária a realização de adequação do custo-padrão
para o exercício seguinte.

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TEMA 2 – CUSTOS INDIRETOS, PRODUÇÃO (CIP): VARIAÇÃO TOTAL DOS
CIP, VARIAÇÃO DO VOLUME DOS CIP, VARIAÇÃO NO CUSTO

Vimos na aula 2 que os custos indiretos de produção são aqueles gastos


ou consumidos na produção mas que não fazem parte do produto em si.
Sabemos, ainda, que os custos indiretos podem ser fixos ou variáveis.
Para alocação desses custos aos produtos utilizam-se critérios de rateio
previamente definidos. Segundo Padroveze (2010, p.410), “sempre que possível
deve-se evitar o uso de taxas baseadas em valores, uma vez que isso impede a
correta mensuração das variações de quantidade que ocorrerão”. Ainda de
acordo com o autor, é sempre importante ter uma relação causal entre o critério
de rateio utilizado com o custo em si, por exemplo, horas-máquina trabalhadas,
volume de produção etc.
Para definição do custo-padrão dos CIP, seguindo na mesma linha do que
vimos para os materiais diretos e para a MOD, calcularemos o custo por unidade,
utilizando o volume como referência. Além disso, é importante destacar que, se
a empresa utiliza como sistema de custeio o custo por absorção, a construção
do custo-padrão deve ser tanto para os CIP variáveis quanto para os fixos.
Martins (2010) alerta que, para essas empresas, o volume considerado, tanto
para o custo-padrão quanto para o real, provocará alterações nos custos
unitários em virtude dos CIP fixos e que “haverá uma diferença causada pela
oscilação nos custos em si”.
Para ficar mais claro esse entendimento, vamos a um exemplo. Digamos
que determinada empresa utiliza o sistema de custeio por absorção e apresenta
as seguintes informações dos CIP para determinado período:
Custo-padrão dos CIPs variáveis*: R$ 55 por unidade produzida.
Custo-padrão dos CIPs fixos**: R$ 250.000
Volume-padrão de produção: 100.000 unidades

Considerações:
*Como os custos variáveis variam proporcionalmente ao volume de
produção, é possível a apuração do custo por unidade produzida.
** Os custos fixos não variam proporcionalmente ao volume de produção,
por isso serão rateados considerando o volume de produção do período. Assim,
mencionamos que podem interferir significativamente no custo unitário do
produto.
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Vamos realizar o cálculo do custo-padrão dos CIPs de acordo com as
informações apresentadas no exemplo:
Primeiramente, devemos calcular o valor total dos CIPs variáveis do
período, para isso, basta multiplicar o volume de produção, pelo custo indireto
variável unitário já fornecido no exemplo:
CIP variável padrão total = R$ 55 x 100.000 unid
CIP variável padrão total = R$ 5.500.000
Agora, basta somar os CIPs padrões fixos e variáveis totais e dividir o
resultado pelo volume de produção padrão:
Custo-padrão CIP unitário = (R$ 5.500.00 + R$ 250.000) / 100.000 unid
Custo-padrão CIP unitário = R$ 57,50
Da mesma forma, precisamos apurar os CIPs reais no período para que
possamos efetuar a análise das variações:
Custo real do CIP total = R$ 5.800.000
Volume de produção real = 95.000 unidades
Custo real CIP unitário = R$ 5.800.000 / 95.000
Custo real CIP unitário = R$ 61,05
Para que possamos identificar a origem dessa variação, que pode ser
mista, de volume ou de preço, utilizamos a mesma equação já abordada para os
demais tipos de custos:
A = Quantidade Real x Preço Real
A = R$ 5.800.000
B = Quantidade Real x Preço-Padrão
B = 95.000 un x R$ 57,50
B = R$ 5.462.500
C = Quantidade-padrão x Preço-padrão
C = R$ 5.750.000
Análise de Variação de preço:
(A – B) = R$ 5.800.000 – R$ 5.462.500
(A – B) = R$ 337.500
Análise de Variação em função do volume de produção:
(B – C) = R$ 5.462.500 – R$ 5.750.000
(B – C) = – R$ 287.500
Podemos concluir, com nosso exemplo, que tivemos uma variação
Desfavorável Mista, uma vez que parte da variação desfavorável teve sua

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origem em função do gasto em R$ e, ao mesmo tempo, essa empresa teve uma
volume de produção no período inferior ao que havia sido previsto. Em outras
palavras, houve uma ineficiência na gestão de custos, porque se produziu menos
do que havia sido previsto e com um CIP maior do que necessário para o volume
produzido.
Sempre que, ao analisarmos a variação do custo-padrão x custo real dos
CIPs, em virtude da inclusão dos custos indiretos fixos, de acordo com Padoveze
(2010, p.419), “Se o volume real for maior do que o volume escolhido como
padrão, a taxa unitária no custo do produto é menor: se o volume real acontecer
em menor quantidade, a taxa unitária atribuída ao custo será maior”.

TEMA 3 – VARIAÇÃO DA DEFICIÊNCIA, COMPARAÇÃO ENTRE VARIAÇÕES


MÚLTIPLICAS E ANÁLISE DETALHADA DAS VARIAÇÕES DE CUSTO

No exemplo desenvolvido no tema anterior, utilizamos o volume de


produção tanto para apurar o custo unitário dos CIPs variáveis quanto dos fixos.
Porém, quando tratamos de custos variáveis, outros direcionadores de custo
podem ser mais eficientes, como é o caso de horas-máquina e volume de
consumo de matéria-prima.
Essa forma de apuração dos custos unitários trará um resultado mais
preciso daquilo que se entende como variação oriunda da eficiência de produção
e da variação que ocorreu em função de custo propriamente dito.
Para melhor compreensão, vamos utilizar as mesmas informações do
exemplo desenvolvido no tema anterior, alterando, somente, o direcionador de
custos utilizado para os custos indiretos variáveis.
Custo-padrão dos CIPs variáveis: R$ 55 por hora-máquina.
Custo-padrão dos CIPs fixos: R$ 250.000
Volume-padrão de produção: 100.000 unidades equivalentes a 100.000
horas-máquina no período.
O custo-padrão unitário em nosso exemplo ficaria, então:
(100.000 unidades por período x 1 hora-máquina por unidade x R$ 55 por
hora-máquina) + R$ 250.000 = R$ 5.500.000 + R$ 250.000 = R$ 5.750.000
Agora, dividimos o total dos CIPs padrão pelo volume de produção, que
ficaria:
R$ 5.750.000 / 100.000 = R$ 57,50

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O resultado do nosso exemplo ficou igual ao anterior, porque
consideramos 1 hora-máquina por unidade produzida,
Suponhamos, agora, que os dados dos CIPs reais sejam equivalentes aos
apresentados a seguir:
Custo real dos CIPs variáveis: R$ 58,42 por hora-máquina.
Custo real dos CIPs fixos: R$ 250.000
Volume de produção real = 95.000 unidades
Total de unidades de horas-máquina necessárias para essa
produção = 104.500
O custo real unitário em nosso exemplo ficaria, então:
(95.000 unidades por período x 1 hora-máquina por unidade x R$ 58,42
por hora-máquina) + R$ 250.000 = R$ 5.549.900 + R$ 250.000 = R$ 5.799.900
Dividindo o total dos CIPs pelo volume de produção para apuração do CIP
unitário:
Custo real CIP unitário = R$ 5.799.900 / 95.000
Custo real CIP unitário = R$ 61,05
Nesse exemplo, constatamos que a empresa teve um desempenho
ineficiente, porque não conseguiu produzir uma unidade a cada hora-máquina
trabalhada. Em outras palavras, a produção foi 10% menor em unidades do que
havia sido previsto pelo custo-padrão [(104.500 horas-máquina utilizadas –
95.000 horas-máquina previstas) / 95.000 horas-máquina previstas = 0,10 ou
10%)]. Por esse motivo é que se faz necessária a apuração da variação que se
refere à eficiência daquilo que está relacionado ao custo.
Levando em consideração essa ineficiência, o CIP unitário real ficaria:
(95.000 unidades por período x (104.500 horas-máquina utilizadas /
95.000 unidades produzidas) x R$ 58,42 por hora-máquina) + R$ 250.000 = R$
6.104.890 + R$ 250.000 = R$ 6.354.890
Custo real CIP unitário = R$ 6.354.890 / 95.000
Custo real CIP unitário = R$ 66,89
Para produzir 95.000 unidades, o custo unitário deveria ter sido o de R$
61,05, porém, utilizando uma quantidade maior de horas-máquina, o custo ficou
em R$ 66,89.
A separação entre eficiência e custo, segundo Martins (2010, p. 339), “só
pode ser usada quando é possível fazer algum tipo de relacionamento entre

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produção e esforço para a produção e quando os custos indiretos variáveis
guardem relação com esse esforço”.
Outro aspecto importante que precisamos destacar é que, até o momento,
consideramos em nossos exemplos somente os valores totais dos CIPs, mas
quando se trata de análise para tomada de decisão, levando a um plano de ação
assertivo para correção das variações identificadas, a análise precisa considerar
cada um dos gastos ou custos individualmente.
Para exemplificar, vamos adaptar o caso utilizado por Martins (2010, p.
339), como segue:

Quadro 3 – Custo indireto de produção padrão

Fonte: Martins, 2010.

No quadro apresentado, é possível verificar que os CIPs estão separados


em variáveis e fixos e que há tipos de custos que são parte variáveis e parte
fixos.
Assim como analisamos as variações em nossos exemplos anteriores,
para a análise das diferenças por tipo de gasto também devemos confrontar os
gastos reais com aqueles que haviam sido previstos pelo padrão.

Quadro 4 – Custo indireto de produção real

Fonte: Martins, 2010.


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Em nosso exemplo, não foram identificadas variações em relação aos
custos fixos. Em virtude disso, focaremos nossa análise somente nos CIPs
variáveis e utilizaremos as mesmas quantidades de produção consideradas no
exemplo anterior, ou seja:
Quantidade Padrão: 100.000 unidades
Quantidade Real: 95.000 unidades

Quadro 5 – Análise das variações de custo e eficiência por item

Como você pode constatar na imagem com a análise das variações, por
mais que a variação derivada no custo tenha se mostrado favorável na maioria
dos itens que compõem os CIPs variáveis, ao analisar a eficiência, há uma
situação desfavorável em todos os itens, decorrentes de uma produção inferior
do que havia sido previsto, sendo o impacto mais significativo em virtude do
consumo de energia elétrica.
A abertura da análise de cada item dependerá da importância desse item
sobre o custo total, e cabe à área responsável definir esse nível de abertura e
análise.

TEMA 4 – ALTERNATIVAS NO CÁLCULO DE VARIAÇÃO DOS CIP E ANÁLISE


DETALHADA DAS VARIAÇÕES DE EFICIÊNCIA E DO VOLUME

O método de análise que detalhamos até o momento pode ser utilizado


independentemente do tipo de controle contábil realizado. Mas, para as
empresas que escolhem contabilizar o custo padrão, há uma forma alternativa
de controle das variações, esse modelo é tratado por Martins (2010) e o
detalharemos a seguir.
O primeiro passo para esse tipo de análise seria o de apropriar o custo
das unidades efetivamente produzidas ao custo unitário padrão (exemplo
adaptado de Martins (2010, p.340):
CIP padrão aplicado: 95.000 unid. X R$ 55,00 = R$ 5.225.000

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Na sequência, é necessário ajustar o custo-padrão, levando em
consideração a eficiência, ou seja, o valor por horas-máquina:
CIP padrão ajustado ao nível real = (95.000 unidades por período x 1
hora-máquina por unidade x R$ 58,42 por hora-máquina) = R$ 5.549.900
A partir dessas duas informações, é possível realizar o cálculo da variação
decorrente do volume de produção, como demonstramos:
Variação de volume = CIP padrão aplicado – CIP padrão ajustado ao nível
real
Variação de volume = R$ 5.225.000 – R$ 5.549.900
Variação de volume = – R$ 324.900
O próximo passo é ajustar o custo padrão à produção em horas-máquinas
realmente consumidas:
CIP ajustado a eficiência real = 95.000 unidades por período x (104.500
horas-máquina utilizadas / 95.000 unidades produzidas) x R$ 58,42 por hora-
máquina) = R$ 6.104.890
Levando em consideração o valor obtido do CIP padrão ajustado ao nível
real e do CIP ajustado à eficiência real, conseguimos identificar a variação
decorrente da eficiência propriamente dita, como segue:
Variação de Eficiência = R$ 5.549.900 – R$ 6.104.890
Variação de Eficiência = – R$ 554.900
Da mesma forma como demonstramos nos exemplos do método de
análise das diferenças anterior, essas variações também poderiam ser abertas
de forma a analisar a variação em cada uma dos itens que compõem o CIP total
e, assim, ter maior assertividade na tomada de decisão em relação aos pontos
que precisam ser corrigidos ou tratados.
As duas formas de apuração e análise das variações dos custos-padrão
para os custos reais são válidas. O que determinará qual método a ser
empregado é a estrutura de contabilização e controle de custos já implementada
na empresa.

TEMA 5 – CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A VARIAÇÃO DOS CIP

Como já destacamos ao longo dos temas em que abordamos as análises


das variações do custo-padrão em relação ao custo realmente incorrido, os
esforços de apuração das diferenças somente serão válidos caso se adotem
medidas de correção dos principais pontos identificados.
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Nesse sentido, é importante destacar que, no tratamento e na análise das
diferenças, devem ser respeitadas as características qualitativas fundamentais
de relevância e materialidade das informações contábeis, o que Padoveze
(2010) chama de enfoque na administração por exceção ou administração por
relevância, ou seja, deve-se atuar naquelas variações que são, de fato,
relevantes e que precisam de uma gestão mais assertiva, afinal, trabalha-se
sempre com uma escassez de recursos e tempo e que, portanto, devem ser
corretamente empregados.
Agora você deve estar se questionando: como classificar a
informação como relevante e material?
Para responder a essa pergunta, vamos utilizar o próprio conceito
apresentado no Pronunciamento conceitual básico (R1) - CPC 00:

Informação contábil-financeira relevante é aquela capaz de fazer


diferença nas decisões que possam ser tomadas pelos usuários e é
considerada material se a sua omissão ou sua divulgação distorcida
(misstating) puder influenciar decisões que os usuários tomam com
base na informação contábil-financeira acerca de entidade específica
que reporta a informação.
Vamos exemplificar uma situação. Digamos que nossa empresa apurou
um valor total de CIPs no período correspondente a R$ 1.000.000 e, nesse total,
há um material que teve uma variação de 130% maior do que o previsto, mas
que correspondia a R$ 100. Por mais que olhando exclusivamente para o item
específico percentualmente a variação tenha sido grande, dentro do todo o valor
o gasto do item era de 0,01%, não sendo necessário um esforço para tratamento
e tomada de decisão.
Outro aspecto que também não pode ser negligenciado é de que tratar as
variações significa trabalhar na razão pela qual se obteve diferenças entre os
custos previstos e aqueles efetivamente realizados. Vamos apresentar alguns
exemplos de fatores que podem gerar variações:

 Variações de volume: crise no país que levou a uma demanda maior dos
produtos, paradas de produção não programadas decorrentes de falhas
nos equipamentos ou quedas de energia elétrica, matéria-prima de má
qualidade que gerou uma quantidade maior de refugos etc.
 Variações de eficiência: treinamento inadequado da equipe, férias de
colaboradores importantes do processo, mudança de sistemas ou
processo, dentre outros.

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 Variações de custo: aumento ou redução do valor dos materiais
decorrentes de compras em moeda estrangeira ou mesmo devido ao
processo inflacionário, consumo maior de água ou energia elétrica por
haver equipamentos desregulados, trocas de fornecedores etc.

O importante em todo esse processo é a utilização do custo-padrão como


uma ferramenta de controle e gestão dos custos de produção de maneira a
permitir a organização a atingir seus objetivos estratégicos.

TROCANDO IDEIAS

Você conhece os diferentes tipos de sistemas de custeio que podem ser


utilizados nas organizações? O artigo do link apresentado a seguir, mostra, de
uma forma muito simples e direta, as variações de alguns dos sistemas utilizados
pelas organizações, seus pontos fortes e fracos. Disponível em:
<http://blog.wk.com.br/metodos-de-custeio-por-absorcao-variavel-abc-e-uep/>.
A partir da leitura desse artigo, discuta com seus colegas sobre de que
forma a utilização dos diferentes tipos de sistema de custeio interferirão na
análise das variações dos CIPs padrão x real das organizações.

NA PRÁTICA

Suponhamos que você seja a pessoa responsável pelo tratamento das


variações identificadas entre os custos padrão e real da empresa que utilizamos
como exemplo ao longo da nossa aula. Analise as razões pelas quais foram
geradas as principais diferenças e apresente ações que poderiam ser
implementadas para mitigação e correção dos desvios, a partir das informações
disponibilizadas no quadro a seguir:

Quadro 6 – Análise das variações de custo e eficiência por item

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Quantidade Padrão: 100.000 unidades
Quantidade Real: 95.000 unidades
Informações coletadas das razões das principais variações:

 Ocorreram quedas de energia que levaram a uma parada de produção de


4 horas no mês.
 A empresa trocou o fornecedor responsável pela realização da
manutenção dos equipamentos, que, além de cobrar um valor menor
pelas peças e serviços prestados, conseguiu calibrar as máquinas de
forma a conseguir uma eficiência maior na sua utilização.
 Fornecedor do material indireto utilizado para realização do acabamento
do produto (lixas) aumentou o preço em função de seu concorrente no
Estado não estar mais atuando no segmento.

FINALIZANDO

Ao longo desta aula, abordamos as formas de análise das variações do


custo-padrão x real em relação à mão de obra direta empregada e dos custos
indiretos de produção. Além disso, constatamos que as variações podem ser
decorrentes de diferentes pontos, como volume, custo e eficiência, e que, por
esse motivo, a análise precisa ser realizada sob esses três enfoques para que
se consiga uma efetividade maior na implementação de medidas de correção
que se fizerem necessárias, no processo produtivo ou no custo utilizado como
padrão ou referência.
Quando se trata especificamente da análise dos CIPs, podem ser
utilizados dois métodos, respeitando o nível de controle de cada organização.
Um leva em consideração as informações gerenciais em controles paralelos e o
outro considera a contabilização do custo-padrão.
Independentemente da forma que se decidir por utilizar, a energia
principal deve ser gasta no tratamento adequado das variações relevantes e
materiais constatadas, ou seja, trabalhando na razão principal que levou à
diferença daquilo que havia sido previsto para o período.

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REFERÊNCIAS

BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas


modernas. 3. ed. São Paulo: Altas, 2010.

CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento conceitual


básico (R1) – CPC 00. Disponível em:
<http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf>. Acesso em:
13 mar. 2018.

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FRANCISCHETTI, C. E.; PADOVEZE, C. L.; FARAH, O. E. Porque e como


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MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 10. ed. São Paulo: Altas, 2010.

MECCA, M. S.; F., T. de F. M. et al. Utilização do custo padrão como


ferramenta de auxílio aos gestores na tomada de decisão. Disponível em:
<https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/4031/4032>. Acesso em:
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estratégica de custos. Disponível em:
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O QUE são custos diretos e indiretos de produção? Indústria Hoje, 16 nov.


2014. Disponível em: <https://www.industriahoje.com.br/o-que-sao-custos-
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PADOVEZE, C. L. Contabilidade Gerencial: um enfoque em sistema de


informação contábil. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

PEREZ JR., J. H.; OLIVEIRA, L. M. de; COSTA, R. G. Gestão estratégica de


custos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

SCHIER, C. U. da C. Gestão de custos. 2. ed. Curitiba: Ibpex, 2011.

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