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Breve biografia do Patriarca Benjamim, filho de Jacó (a.s.

), e a sua Tribo

Richard Gottheil, Kaufmann Kohler, Marcus Jastrow, Louis Ginzberg, Duncan B.


McDonald
[Jewish Encyclopedia/Tzadikkim (Daily Zohar)]

Tumba de Benjamim (he: Qever Binyamin / ar: Maqâm/Qabr Binyâmîn), Kfar Saba, Israel

Ele é o filho mais novo de Jacó (a.s.) com Raquel, esta que morreu na estrada entre
Betel e Efrate enquanto lhe dava à luz. Ela o nomeou “Ben-oni” (filho da minha agonia);
mas Jacó (a.s.), para evitar o mau agouro, chamou-lhe “Ben-yamin”, (filho da mão direita);
isto é, da boa sorte (Gn 35:17, 18). Nasceu no dia 11 de hesvã, em Canaã (Palestina/Terra de
Israel) e também faleceu no dia 11 de hesvã, no Egito, com 111 anos (tendo vivido entre
1554 a.C.. e 1443 a.C.). É o fundador de uma das Doze Tribos de Israel. Todos os
fundadores das Tribos nasceram em solo estrangeiro, exceto por Benjamim, que nasceu na
Terra de Israel.
Benjamim ficou com o seu pai quando os seus irmãos desceram ao Egito para
comprar milho durante a escassez de comida, mas José (a.s.) insistiu que ele deveria
descer com eles na sua segunda visita. Jacó temendo deixá-lo partir do seu lado, sendo ele
o único filho de Raquel que permaneceu, Judá garantiu a sua segurança, e finalmente
obteve a permissão do seu pai para levá-lo junto (Gn 42, 43:8-10). José (a.s.) recebeu o seu
irmão mais novo com marcas de especial atenção; mas como chegava a hora de os irmãos
voltarem ao seu pai com o milho recém-comprado, ele os pôs severamente à prova,
armando uma armadilha e jogando a culpa em Benjamim de ter furtado a sua taça de
prata, o que em punição queria mantê-lo como escravo. Judá, fiel à sua promessa, deu um
passo à frente de José (a.s.), implorando-o para que fosse levado como escravo no lugar de
Benjamim, cujo fracasso em retornar poderia causar ao seu pai a descida em agonia ao
Xeol; no que José (a.s.), vendo os irmãos não sendo tão cruéis a um dos filhos de Raquel
como tinham sido com ele, tornou-se conhecido a eles (Gn 43; 45). Benjamim, até aquele
momento sendo chamado de “criança” (Gn 42:13; 44:20), mudou-se para o Egito com o seu
pai, Jacó (a.s.), e ele mesmo foi pai de dez irmãos (Gn 46:21).

A Tribo de Benjamim
A Tribo de Benjamin é descrita na
Bênção de Jacó (Gn 49:27) como belicosa:
“Benjamim é lobo que despedaça; pela
manhã comerá a presa, e à tarde repartirá
o despojo.” No deserto, quando Benjamim
formou parte do acampamento dos filhos de
José (a.s.), a tribo contava com 35400
guerreiros, e depois com 45600 homens (Nm
1:36; 37; 2:22-23; 10:22-24; 26:41). Em I Cr 7:6-
11, 59434 homens é o número dado. A
natureza astuta e combativa dos
benjaminitas é evidenciada pelo fato de que
eles eram treinados como guerreiros
canhotos para atacar o inimigo desprevenido (Jz 3:15-21; 20:16; I Cr 12:2). Eram conhecidos
como arqueiros corajosos e habilidosos (I Cr 8:40; 12:2; 2 Cr 14:7). Um ato cruel de
inospitalidade dos homens de Gibeá, lembrando aquele dos sodomitas, pôs toda a tribo sob
um banimento (hêrem); e uma guerra se seguiu, na qual todas as outras tribos chegaram
bem perto de exterminar a pequena tribo; além disso, juraram não dar aos benjaminitas
nenhuma das suas filhas em casamento. Somente num último momento, quando todos os
homens haviam sido mortos, exceto 600, encontraram um meio de prover esposas aos
sobreviventes, para evitarem que a tribo se extinguisse (Jz 19-21). Ainda a pequena tribo de
Benjamim estava destinada a um lugar proeminente na história de Israel. Deu à nação o
seu primeiro rei na pessoa de Saul, filho de Quis (1 Sm 9:1); e quando Saul morreu, seu filho,
Isbosete, reinou por dois anos sobre Benjamim e as outras tribos, exceto Judá (2 Sm 2:8-9).
De fato, Benjamim considerou a si mesmo o irmão mais novo de José (a.s.) muito depois
de Davi (a.s.) ter unido todas as outras tribos com a sua própria, Judá (2 Sm 19:21 [20]).

O território
Mas o território de Benjamim estava situado tão favoravelmente ao ponto de se
destacar além das suas proporções numéricas. Fazendo fronteira com as de José no norte e
com as de Judá no sul, tocava o Jordão; e, jazendo na linha que leva de Jericó às colinas do
norte de Jerusalém, incluía cidades como Gibeá, Gibeão, Betel e, segundo a tradição
rabínica, uma parte do distrito do Templo (Js 18:11-21; Josefo, Antiguidades, v. 1, § 22; Sifre, veZot
ha-Berachah, 352). É feita referência a esta excelente localidade na bênção de Moisés (a.s.):
“E de Benjamim disse: O amado do Senhor habitará seguro com ele; todo o dia o cobrirá,
e morará entre os seus ombros.” (Dt 33:12). Na secessão das tribos do norte, Benjamim
permaneceu leal à casa de Davi (a.s.) (1 Rs 12:21), e assim compartilhou os destinos de Judá
no tempo da restauração (Ed 4:1; 10:9). Mardoqueu, o judeu leal, era um descendente de
Saul da tribo de Benjamim (Et 2:5) [o Rei Saul era seu tio-avô]; e Paulo, cujo nome era
Saulo [i.e., o mesmo que Saul], também afirmou ser um benjaminita (Rm 11:1; Fp 3:5). Por
outro lado, dificilmente seria admissível que Menelau e Lisímaco fossem permitidos de
oficiar como sumo sacerdotes se fossem descendentes da tribo de Benjamim, como em II
Mc 3:4 (compare com II Mc 4:23, 29) parece indicar; é muito mais provável que o nome
“Benjamim” [como algumas traduções usam] nesse lugar é devido a um erro do copista, e a
passagem ler-se-ia: “Simão era da tribo [sacerdotal] de Minyamin,” isso se “Bilgah” não
for a leitura correta [tal como usado em algumas traduções]. Compare com Suk. 56a e art.
Bilgah; também Herzfeld, “Gesch. des Volkes Jisrael,” 1863, i. 218.

— Na literatura rabínica
Ao nome “Benjamim” é atribuído muitos significados pelos rabinos. De acordo com
alguns, Binyamin é equivalente a ben yamim (“filho de dias”), porque Benjamim nascera a
seu pai na sua velhice (Testamento dos Doze Patriarcas, Benjamim I. υἱὸσ ἡμερῶν; Midrash Lekach-
Tov; e Rashi, ed. Berliner, sobre Gn 35:18). Outros rabinos interpretam o nome Benjamim como
“filho do Sul” [ben yamin, sendo yamin tanto “Sul” como “direita”] já que foi o único filho
de Jacó (a.s.) nascido na Palestina [Canaã/Israel], e os outros tendo nascido na
Mesopotâmia, ao norte da Palestina (Rashi ad loc.; “Sefer ha-Yashar,” veYishlach, ed. Leghorn, p.
56b). Benjamim não foi concedido [por Deus] aos seus pais até que Raquel orou e jejuou
por um segundo filho por um longo tempo (Testamento dos Doze Patriarcas, l.c. Num. R. 14. 8), e
não antes de Jacó ter cem anos de idade (Testamento dos Doze Patriarcas, ib.; “Sefer ha-Yashar,”
veYishlach, ib.; compare com Heilprin, “Seder ha-Dorot,” i. 52, ed. Warsaw).
"'Aquele que não difama com a sua língua.' (Sl 15:3). Este é Benjamim, filho de
Jacó, que sabia da venda de José, mas não o revelou ao seu pai." (Shocher Tov 16:6)
“Quando José, o Justo [ha-Tzaddiq] foi vendido para o Egito, o seu Justo irmão
Benjamim tomou o seu lugar [espiritual], para que não fizesse falta.” (Zohar 1:259a).
Benjamim, o irmão de José
(a.s.), não participou da venda de
José (a.s.) (Sifre, Deut. 352); e para
confortar Benjamim quanto ao
destino do seu irmão, Deus lhe
mostrou, em vigília, a forma e o
semblante de José (a.s.) (Testamento
dos Doze Patriarcas, Benjamim 10;
compare com Tan., ed. Buber, veYeshev,
8).Quando Benjamim foi detido
acusado como o ladrão da taça,
José (a.s.) fingiu que Benjamim
tinha sido instigado pelos seus
irmãos. Mas Benjamim jurou:
“Tão verdadeiro como o meu
irmão José está separado de mim,
tão verdadeiro como ele me fez
escravo, não toquei a taça, e meus Detalhe da entrada da Tumba de Benjamim [Qever Binyamin],
com a referência da taça que Benjamim teria sido acusado de
irmãos não quiseram me fazer roubar, o pretexto para José (a.s.) detê-lo no Egito e testar os
furtar.” Quando depois lhe foi irmãos, revelando-se em seguida
pedida uma prova da memória do
seu irmão ser tão sagrada que José (a.s.) deveria crer no seu juramento, Benjamim contou
a José (a.s.) o como ele nomeou os seus dez filhos (Gn 46:21) em referência à perda do seu
irmão. O primeiro se chamava Belá [Bela'], porque José desaparecera (bala', “engolir”); o
segundo, Bequer [Becher], porque José foi o primogênito (bachur) da sua mãe; o terceiro,
Asbel [Ashbel], porque José foi feito cativo (shavah, “capturar”); o quarto, Gera [Gera'],
porque ele morou numa terra estrangeira (ger); o quinto, Naamã [Na'aman], por causa do
discurso gracioso (no'am, “graciosidade”) de José; o sexto, Eí [Ehi] (ehi, “meu (único)
irmão (de pai e mãe, , i.e., germano)”); o sétimo, Rôs [Rosh], (rosh, “cabeça, mais velho”);
o oitavo, Mupim [Muppim], porque José ensinou a Benjamim as coisas que ele mesmo
aprendeu do seu pai (muppim, “boca dupla”); o nono, Hupim [Huppim], “cujo casamento
(huppah) eu não vi”; e o décimo, Arde [Ard], pois José era como uma rosa (vêred). “José
era digno de gerar doze filhos… gerara somente dois; os outros dez foram gerados pelo
seu irmão Benjamim, e todos foram nomeados para ele [José].” (Sotah 36b)
O juramento de Benjamim tocara José (a.s.)
tão profundamente que ele não poderia mais
fingir ser um estranho, e revelou-se ao seu irmão
(Tan., ed. Buber, veYiggash, 7; os significados dos nomes
também são dados em Sotah 36b; Gen. R. 94. 8). Segundo
outra Haggadah (conhecida por ser uma obra tão
antiga como o Testamento do Doze Patriarcas,
Benjamim 2), José (a.s.) faz-se conhecer a
Benjamim antes da sua reconciliação com os
outros irmãos. O Livro de Jasar [Sêfer ha-Yashar]
(Mikketz, 89) narra que José (a.s.) solicitara que lhe
fosse trazido um tipo de astrolábio, e perguntou a
Benjamim se ele não poderia descobrir por meio
do instrumento a paradeiro do seu irmão perdido.
Para o espanto de José (a.s.), Benjamim declarou
que o homem no trono era o seu irmão, e José
(a.s.) revelou-se a Benjamim, contando-o o que ele
pretendia fazer com os irmãos. Sua intenção era
testá-los e então saber se eles agiriam
fraternalmente com Benjamim se ele estivesse em
perigo de perder a sua liberdade.
Os rabinos enfatizaram o nome “amado do
Astrolábio siro-egípcio de bronze, por Senhor”, pelo qual Benjamim é distinguido (Dt
Khafîf, aprendiz de 'Ali Ibn 'Issa, séc. IX 33:12; Sifre, l.c.). Ele é contado entre os quatro
homens que morreram pelo veneno da serpente
no Paraíso, isto é, sem pecado por si mesmo: os outros três sendo Anrão, o pai de Moisés
(a.s.), Jessé, o pai de Davi (a.s.), e Quileabe [também chamado de Daniel], filho de Davi
(a.s.) (Shabbat 55b). A sua comparação com o lobo voraz (Cant. R. a 8. 1), “que devora a presa”
(Gn 49:27) refere-se ou aos homens de Siló que furtaram esposas para si (Jz 21) ou a Eúde, ou
a Saul. Para outros é referência a Mardoqueu e Ester (Gen. R. 99. e Tan., veYehi, 14; assim
também no texto original dos Testamentos dos Doze Patriarcas [Benjamim 2]; enquanto
uma interpolação cristã refere-se a Paulo).
Uma interpretação faz referência à bênção do amadurecimento precoce das frutas
no território de Benjamim e a grande fertilidade da região de Jericó e Betel, e uma outra
liga a expressão “lobo” ao altar do Templo, que devorava os sacrifícios de manhã e de noite
(Gen. R. l.c.; Targ. O. and Yer.).
Outras tradições rabínicas ainda acrescentam:
“Com cada filho de Jacó uma irmã gêmea nascera. Uma irmã gêmea extra [i.e.
trigêmea] nascera com Benjamim.” (Bereshit Rabbah 82:8)
“Os vermes não tem poder sobre sete pessoas [i.e., os seus corpos não se
decompõem]…Moisés, Aarão e Miriã (…) e Benjamim, filho de Jacó.” (Bava Batra 17a)
“Nove entraram no Jardim do Éden durante as suas vidas: Benjamim, filho de
Jacó (…)” (Pirkei Rabbeinu ha-Kadosh, ed. Greenhut, Likuttim 3)
A Tribo de Benjamim, o Templo e a Guerra de Gibeá

Monte do Templo, Jerusalém, Israel. Ali hoje se situa a Mesquita do Domo da Rocha
[Qubbat al-Shakhra] (em foco na imagem), além da Mesquita al-Aqsa e o Muro das
Lamentações (alegada ruína restante do Templo)

A construção do Templo em terras benjaminitas é explicada de várias formas. É


relatado que Benjamim (Sifre, Deut. 352, ed. Friedmann, 146a) foi privilegiado de ter a
Shechinah [a Presença Divina, frequentemente ligada ao Templo e à Arca da Aliança]
residindo no seu território porque todas as outras tribos (isto é, os Patriarcas das tribos)
tomaram parte na venda de José (a.s.). Pois Deus disse: “Se eles — os israelitas —
construíssem para Mim um Templo em qualquer outro lugar e buscassem a Minha
misericórdia, poderia mostrar-lhes tão pouca misericórdia quanto mostraram ao seu
irmão José.” Orígenes (“In Genesim,” 42. 6), dá uma outra razão, provavelmente baseada na
tradição judaica (compare com Ester R. em 3. 4), viz.: porque Benjamim não se inclinou
diante de Esaú como fizeram os seus irmãos e o seu pai (Gn 33:3-7), nem diante de José
(a.s.) (Gn 42:6), assim o seu território foi reservado para a adoração a Deus.
Os descendentes de Benjamim, é verdade, nem sempre se mostraram dignos do seu
ancestral, especialmente em conexão com o incidente em Gibeá (Jz 19). Apesar da sua
transgressão, os benjaminitas foram primeiramente vitoriosos (Jz 20:21-25); mas isso foi
devido à ira de Deus contra toda Israel, porque atacaram toda Benjamim por causa do
crime dum único indivíduo e ao mesmo tempo silenciosamente tolerando a idolatria que
Mica (Jz 17) espalhava entre eles (Pirḳei R. El. 38). Primeiramente a intenção das outras tribos
era apagar Benjamim completamente, já que o número de doze tribos poderia ser
preservado através de Efraim e Manassés; mas eles se lembraram da promessa de Deus a
Jacó (a.s.) logo após o nascimento de Benjamim (Gn 35:11), que “uma nação e uma multidão
de nações sairia dele”; e decidiram que a existência da tribo de Benjamim era necessária
(Yer. Ta'anit 4. 69c; Lam. R., lntrodução, 33). O dia em que a reconciliação aconteceu entre as
tribos é dito ter sido 15 de abe, e por esta razão foi feito um dia festivo (ibidem; compare com
Abe, Décimo-Quinto Dia de). Em outra ocasião, entretanto, os benjaminitas se mostraram
dignos do seu piedoso ancestral. Quando, no Mar Vermelho, todas as outras tribos se
puseram desesperadas, somente a tribo de Benjamim confiou em Deus e pulou no mar
(Mekilta, BeShallah, veYikra 5; Sotah 36b).
“Benjamim, que não participou da venda de José, obteve a montanha que Deus
desejou para a Sua morada ('(…)O Senhor está entre eles, como em Sinai, no lugar
santo.' (Sl 68:17)); [isto é, ele mereceu ter o Templo Sagrado construído em sua porção].”
(Bereshit Rabbah 99:1)
“Uma faixa [de terra] se sobressaiu da porção de Judá e entrou na porção de
Benjamim. Nesta [parte de terra] o altar foi construído. [Prevendo isto,] o justo
Benjamim agonizava sobre isso todo dia [e desejava] devorá-la [incorporá-la à sua
porção], como está escrito, 'E de Benjamim disse: (…) todo o dia o cobrirá.' (Dt 33:12)
Assim, Benjamim mereceu se tornar o anfitrião da Presença Divina [por ter a Arca na
sua porção].” (Megillah 26a)
“'E lançou-se ao pescoço [lit. 'pescoços', no original] de Benjamim seu irmão, e
chorou (...).'" (Gn 45:14). Quantos pescoços tinha Benjamim? Disse o Rabino Eliézer: 'Ele
chorou sobre os dois Templos que estavam destinados a ficar na porção de Benjamim e a
que seriam destruídos.'” (Megillah 16b)
“Benjamim foi enterrado em Jerusalém, em frente à [cidade] jebuseia, que foi
dada como herança aos filhos de Benjamim” (Livro de Jasar, fim de Josué).

— Na Literatura Muhammadiana
No Alcorão, Benjamim não é mencionado por nome. A história de José (a.s.) é
contada na Sura 12, e referência é feita repetidamente a um irmão particular de José (a.s.).
Assim, por exemplo, no v. 8, os outros
irmãos dizem: “José e seu irmão
[Benjamim] são mais queridos por nosso
pai do que nós (…)”. Al-Baidâwi explica
que Benjamim é especificado assim
porque ele era irmão de José (a.s.) dos
dois lados [i.e., germano]. Novamente, no
v. 69: “E quando se apresentaram a José,
este hospedou seu irmão (…)”. Al-Baidâwi
explica que ele o fez sentar à mesa com ele
ou o hospedou nas suas habitações.
Adicionou como uma tradição que José
(a.s.) fizera os seus irmãos se sentarem
dois a dois; assim Benjamim ficou sozinho
e chorou e disse: “Se o meu irmão José
(a.s.) estivesse vivo ele teria se sentado
comigo.” Então José o fez sentar à sua
mesa. Depois disso, ele designou casas aos
seus irmãos, dois a dois, mas levou
Benjamim à sua casa. E disse a Benjamim:
“Você gostaria que eu fosse o seu irmão,
em vez do irmão que está perdido?” E
Benjamim, detido por José (a.s.), e os seus outros
Benjamim respondeu: “Quem irmãos, no Egito
encontraria um irmão como você? Mas
Jacó não te gerou, nem Raquel te carregou…”

— Visão Crítica
A história de Benjamim em Gênesis é tirada de fontes diferentes: a eloísta, que
escrevera a história do nascimento de Benjamim (Gn 35:16-22), faz Rubem garantir a
segurança de Benjamim (Gn 42:37); enquanto que a javista atribui este ato a Judá (Gn 43, 44).
O último faz José dar vazão ao seu sentimento fraternal à primeira vista do seu irmão mais
novo Benjamim, e dá-lhe cinco vezes mais presentes, sem, entretanto, trair a si mesmo (Gn
43:30-34), e depois disso, na cena de reconhecimento, mostra-lhe o seu carinho sem
reservas (Gn 45:14); enquanto a eloísta meramente relata no fim que Benjamim distinguiu-
se por receber cinco vezes mais presentes que os outros (Gn 45:22). O capítulo genealógico
que apresenta Benjamim como o pai duma grande família (Gn 46:21) é bem mais tardio que
o resto. (Em fontes mais antigas ele parece ser uma criança pequena [Gn 42:4, 15; 44:20].) A
bênção de Jacó (a.s.), na qual Benjamim — o qual, depois de José (a.s.), era o último dos
filhos — é descrito como sendo belicoso, como a tribo no tempo de Débora (Jz 5:14) (e ainda
sem qualquer alusão ao reino de Saul) é melhor atribuída ao tempo dos Juízes (Dillman,
Comentário). A história da guerra em Gibeá (Jz 19-21), que carrega evidências duma
composição muito tardia e tem várias características lendárias, tal como o exagero dos
números e modos de guerra, foi precipitadamente declarada ser uma invenção tardia
inserida com a intenção de encobrir atrocidades perpetradas pela tribo de Judá sob o Rei
Davi (a.s.) contra os parentes de Saul (Güdemann, “Monatsschrift,” 1869, p. 357; Geiger, “Jüd. Zeit.”
1869, p. 284; Grätz, “Gesch. der Juden,” i. 351 et seq.; Well-hauseu, “Komposition des Hexateuchs,” p. 237;
Kuenen, “Historisch-Kritische Untersuchung über die Entstehung und Sammlung der Bücher des Alten
Testaments,” 2, 163). Críticos recentes pensam que é muito mais provável que se baseie em
um fato histórico (Moore, Commentary on Judges, p. 406-408; Hogg, in Cheyne e Black, “Encyc. Bibl.”;
Nöldeke, citado pelo último na p. 536, nota 3). Isso de fato parece explicar a mudança repentina
no caráter da tribo.

A Bênção de Moisés (a.s.)


No tempo de Davi (a.s.) a tribo de Benjamim seguiu a liderança de José ou Efraim,
considerando a si mesma intimamente relacionada à outra, e desta forma invejava o
crescente poder de Judá (II Sm 19:21; 20). A bênção de Moisés (Dt 33:12), que representa
Benjamim perfeitamente identificado com os interesses de Judá, é provavelmente o
produto do tempo de Jeroboão II. (Driver, Commentary, p. 387 et seq.). Stade (“Gesch. des Volkes
Israel,” 1, 161; idem. “Zeitschrift,” 1, 114) e Hogg (“Encyc. Bibl.” s.v. “Benjamin”) explicam o nome
“Binyamin” como derivado de “Yemini” (compare com I Sm 9:1, “Ish Yemini,” and I Sm
9:4, “Eretz Yemini”), denotando as pessoas que viviam no sul ou direita do planalto
efraimita; a história do nascimento de Benjamim em Canaã sendo considerado como um
reflexo de forma mítica do fato de ter se ramificado da tribo de José depois que as outras
tribos se estabeleceram em seus vários territórios (Jz 1:22-23, 35). A casa de José, de acordo
com Moore, incluía Benjamim. Stade (“Gesch. des Volkes Israel,” 1, 138) pensa que a conta de
Benjamim perdeu-se. O relato de que o grande número de 280.000 arqueiros, dito ser a
tribo de Benjamim, pertencia ao Rei Asa (II Cr 14:7; compare com 17:17) é tomado como não
histórico.

Bibliografia:
Hastings, Dict. Bible;
Cheyne e Black, Encyc. Bibl.;
Winer, B. R.;
Hamburger, R. B. T. s.v. Benjamin;
Geiger, Jüd. Zeit. 1869, p. 284-292;
Stade, Gesch. des Volkes Israel, 1, 160-163.a.

Adaptado e traduzido ao português por: Ya'qûb 'Abd al-Jabbâr Ghîmârâish (al-Brâzîli


al-Tijâni)

Fontes: http://jewishencyclopedia.com/articles/2947-benjamin
https://dailyzohar.com/tzadikim/106-Binyamin-ben-Yaakov-Avinu

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