Você está na página 1de 40

ANÁLISE NA EPÍSTOLA DO APÓSTOLO PAULO AOS EFÉSIOS

Esboço Aplicativo

Saudações (1.1,2)
I. Doutrina Basilar - A Redenção do Crente (1.3-3.21)
A. A Preeminência de Cristo na Redenção (1.3-14)
1. Sua Preeminência no Plano do Pai (1.3-6)
2. Sua Preeminência na Participação do Crente (1.7-12)
3. Sua Preeminência na Concessão do Espírito (1.13,14)
Oração: Pela Iluminação Espiritual do Crente (1.15-23)
B. Os Resultados da Redenção em Cristo (2.1-3.21)
1. Liberta-nos do Pecado e da Morte para uma Nova Vida em Cristo (2.1-10)
2. Reconcilia-nos com os que Estão Sendo Salvos (2.11-15)
3. Une-nos em Cristo, Numa só Família (2.16-22)
4. Revela a Sabedoria de Deus Através da Igreja (3.1-13)
Oração: Pelo Êxito Espiritual do Crente (3.14-21)
II. Instruções Práticas - A Vida do Crente (4.1-6.20)
A. A Nova Vida do Crente (4.1-5.21)
1. Em Harmonia com o Propósito de Deus para a Igreja (4.1-16)
2. Uma Nova Vida de Pureza (4.17-5.7)
3. Vivendo como Filhos da Luz (5.8-14)
4. Cautelosos e Cheios do Espírito (5.15-21)
B. O Relacionamento Familiar do Crente (5.22-6.9)
1. Esposas e Maridos (5.22-33)
2. Filhos e Pais (6.1-4)
3. Servos e Senhores (6.5-9)
C. A Guerra Espiritual do Crente (6.10-20)
1. Nosso Aliado - Deus (6.10,11a)
2. Nosso Inimigo - Satanás e Suas Hostes (6.11b,12)
3. Nosso Equipamento - Toda a Armadura de Deus (6.13-20) Conclusão (6.21-24)

Considerações Preliminares
Efésios é um dos picos elevados da revelação bíblica, ocupando lugar único entre as Epístolas de Paulo. Ela não
foi elaborada no árduo trabalho da bigorna da controvérsia doutrinária ou dos problemas pastorais (como muitas outras
epístolas de Paulo). Ao contrário, Efésios transmite a impressão de um rico transbordar de revelação divina, brotando da
vida de oração de Paulo. Ele escreveu a carta quando estava prisioneiro por amor a Cristo (3.1; 4.1; 6.20),
provavelmente em Roma. Efésios tem muita afinidade com Colossenses, e talvez tenha sido escrita logo após esta. As
duas cartas podem ter sido levadas simultaneamente ao seu destino por um cooperador de Paulo chamado Tíquico
(6.21; cf. Cl 4.7). É crença geral que Paulo escreveu Efésios também para outras igrejas da região, e não apenas a
Éfeso. Possivelmente ele a escreveu como carta circular às igrejas de toda a província da Ásia. Muitos crêem que
Efésios é a mesma carta aos Laodicenses, mencionada por Paulo em Cl 4.16.

Visão Panorâmica
Há dois temas fundamentais no NT:
(1) como somos redimidos por Deus, e
(2) como nós, os redimidos, devemos viver. Os capítulos 1-3 de Efésios tratam principalmente do primeiro
desses temas, ao passo que os capítulos 4-6 focalizam o segundo.
(1) Os capítulos 1-3 começam por um parágrafo de abertura que é um dos trechos mais profundos da Bíblia (1.3-
14). Esse grandioso hino sobre redenção tributa louvores ao Pai pela eleição, predestinação e adoção que Ele nos
propiciou (1.3-6), por nossa redenção mediante o sangue do Filho (1.7-12) e pelo Espírito, como selo e garantia da nossa
herança (1.13,14). Nesses capítulos, Paulo ressalta que na redenção pela graça mediante a fé, Deus nos reconcilia
consigo mesmo (2.1-10) e com outros que estão sendo salvos (2.11-15), e, em Cristo, nos une em um só corpo, a igreja
(2.16-22). O alvo da redenção é "tornar a congregar em Cristo todas as coisas... tanto as que estão nos céus como as
que estão na terra" (1.10).
(2) Os capítulos 4-6 consistem mais de instruções práticas para a igreja no tocante aos requisitos que a redenção
em Cristo demanda de nossa vida individual e coletiva. Entre as 35 diretrizes dadas em Efésios, sobre como os
redimidos devem viver, destacam-se três categorias gerais. (a) Os crentes são chamados a uma nova vida de pureza e
separação do mundo. São chamados a serem "santos e irrepreensíveis diante dele" (1.4), a crescer "para templo santo
no Senhor" (2.21), a andar "como é digno da vocação com que fostes chamados" (4.1), a "varão perfeito" (4.13), a viver
"em verdadeira justiça e santidade" (4.24), a andar "em amor" (5.2; cf. 3.17-19) e a serem santos "pela palavra" (5.26), a
fim de que Cristo tenha uma "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga... santa e irrepreensível" (5.27). ( b) O crente é
chamado a um novo modo de viver nos relacionamentos familiares e vocacionais (5.22-6.9). Esses relacionamentos
devem ser regidos por princípios de conduta que distingam o crente da sociedade descrente à sua volta. ( c) Finalmente,
o crente é chamado a manter-se firme contra as astutas ciladas do diabo e as terríveis "hostes espirituais da maldade,
nos lugares celestiais" (6.10-20).

Características Especiais
Há quatro características que predominam nesta epístola. (1) A revelação da grande verdade teológica dos
capítulos 1-3 é interrompida por duas grandiosas orações apostólicas. Na primeira, o apóstolo pede para os crentes
sabedoria e revelação no conhecimento de Deus (1.15-23); na segunda, roga que possam conhecer o amor o poder e a
glória de Deus (3.14-21). (2) "Em Cristo", uma expressão paulina de peso (106 vezes nas epístolas de Paulo), sobressai
grandemente em Efésios (cerca de 36 vezes). "Toda bênção espiritual" e todo assunto prático da vida relaciona-se com o
estar "em Cristo". (3) Efésios salienta o propósito e alvo eterno de Deus para a igreja. (4) Há um realce multifacetado do
papel do Espírito Santo na vida cristã (1.13,14,17; 2.18; 3.5,16,20; 4.3,4,30; 5.18; 6.17,18). (5) Efésios é tida às vezes,
como epístola gêmea de Colossenses, pelo fato de apresentarem definidas semelhanças em seus conteúdos e terem
sido escritas quase ao mesmo tempo (ver o esboço das duas).

INTRODUÇÃO À CARTA DE PAULO AOS DE ÉFESO


– CONTEXTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO –
(Atualmente Turquia Asiática)

ÉFESO – Foi uma das três grandes cidades do Mediterrâneo. As outras: Antioquia na Síria e Alexandria no
Egito. Maior centro comercial, político e religioso da Ásia menor. Éfeso era a metrópole da Ásia, centro do Império
Romano – sede do culto à deusa Diana, onde estava seu templo (e a sua imagem), uma das sete maravilhas do mundo
(At 19.23-28).

DIANA – Era o nome latino da deusa grega.

ARTÊMISA – Da mitologia clássica, irmã gêmea de Apolo, filha favorita de Zeus ou Júpiter. Simbolizava a
castidade e a pureza virginal. Essa “deusa-virgem” certamente é oriunda de alguma espécie de culto da fertilidade da
deusa-mãe da Ásia Menor.
Sua imagem era representada por uma jovem alta e bela com muitos seios e em vez de pernas, um bloco sólido
de pedra, com um arco na mão direita, em atitude de caçar veados. A sua adoração era ministrada por sacerdotes
eunucos, chamados “megabysoi”.
Começou a ser adorada em um altar perto do mar, que mais tarde se transformou num templo majestoso, a 7 a
(sétima) maravilha do mundo. Esse templo foi construído (esculpido) sobre 100 (cem) colunas maciças, algumas das
quais eram esculpidas.
A tradição era que sua imagem havia caído do céu e julga-se ter sido um meteorito (At 19.35).
- O Novo Dicionário da Bíblia – p. 459 – figura da moeda.
- Dicionário da Bíblia – John Davis – p. 158 – com o cunho da deusa.

FUNDAÇÃO DA IGREJA – At 18.18-21; 19.1-40

Paulo havia passado pela Síria e por Cencréia, acompanhado por Priscila e Áquila (At 18.18).
Cencréia (porto oriental de Corinto), onde havia uma igreja local (Rm 16.1).

Chegaram a Éfeso vindos de Cencréia, e Paulo pregava o Evangelho aos judeus na sinagoga, porém não
permaneceu muito em Éfeso, comissionando Áquila e Priscila para permanecerem em Éfeso (Atos 18.19-21). “...E partiu
de Éfeso”.

Paulo viajou durante vários meses à uma distância de 2500 km até Jerusalém, ida e volta, enquanto o casal
continuava o trabalho de evangelização (At 18.22,23). Deus estava agindo naquele campo missionário.

Chegou a Éfeso um fervoroso pregador da Alexandria, também judeu, chamado Apolo (At 18.24,25).
Apolo pregava com ousadia na sinagoga e convencia publicamente os judeus pelas Escrituras que Jesus era o
Cristo – a semeadura estava florescendo.

Após a saída de Apolo de Éfeso para Corinto, Paulo é enviado por Deus a Éfeso para fundar, estruturar e
edificar a igreja na sua terceira viagem missionária.
Primeiramente ministrou aos discípulos (At 19.1-7) e em seguida ministrou na sinagoga acerca do reino de Deus
mostrando aos judeus que a esperança judaica relativa ao reino de Deus (At 19.8,9) se cumpre na igreja.

2
Porém com a resistência dos judeus e sua ministração ele separou os discípulos cristãos na escola de um certo
tirano (provavelmente uma sala alugada) (At 19.9,10).
O objetivo desta escola e/ou seminário foi preparar obreiros para evangelização e pastorado. As igrejas de
Colossos, Hierápolis e Laodicéia fundadas por Epafras, discípulos e conservos de Paulo, foram uma parte do fruto desse
trabalho em Éfeso durante 2 (dois) anos (ver Fl 23; 1.7; Cl 4.12; 4.16).

Nessas circunstâncias é que foi fundada a igreja de Éfeso, independente da sinagoga que durante 1 (um)
ano abrigou os crentes (At 18.19-26).

A profundidade da epístola aos Efésios deve-se ao alicerce teológico lançado por Paulo durante 2 (dois) anos.

Além do discipulado recebido houve um avivamento em Éfeso através do ministério de Paulo:


- Maravilhas extraordinárias – 19.11 (proclamação do Evangelho na Ásia – 19.10).
- Curas e libertações – 19.12
- Temor de Deus derramado – 19.17
- Arrependimento e confissão de pecados – 19.18-20
- Tumultos e perseguição devido às diversas conversões – 19.23-38

PROPÓSITO
O propósito imediato de Paulo ao escrever Efésios está implícito em 1.15-17. Em oração, ele anseia que seus
leitores cresçam na fé, no amor, na sabedoria e na revelação do Pai da glória. Almeja profundamente que vivam uma
vida digna do Senhor Jesus Cristo (e.g., 4.1-3; 5.1,2). Paulo, portanto, procura fortalecer-lhes a fé e os alicerces
espirituais ao revelar a plenitude do propósito eterno de Deus na redenção "em Cristo" (1.3-14; 3.10-12) à igreja (1.22,23;
2.11-22; 3.21; 4.11-16; 5.25-27) e a cada crente (1.15-21; 2.1-10; 3.16-20; 4.1-3,17-32; 5.1-6.20).

1º - Alguns comentaristas dizem que não havia nenhum problema na igreja que requeresse o conteúdo. Paulo
escreveu revelando a grandeza de Deus e sua majestosa obra em nós.
Esta epístola nos transporta a uma visão divina de sua obra redentora sobre 3 (três) prismas distintos: passado,
presente e futuro. Há frases que se destacam e se repetem, como:

- antes da fundação do mundo – 1.4 – (passado)


- nos lugares celestiais – 1.3; 2.6; 6.12 – (presente)
- em Cristo – 1.3; 2.6; 3.11 – (presente)
- nos séculos vindouros – 2.7 – (futuro)

UMA VISÃO DO ETERNO PROPÓSITO DE DEUS

2º - Outros comentaristas acham que Paulo escreveu essa carta para evitar 2 (dois) perigos:
- o paganismo – devido à herança religiosa dos efésios (Ef 4.17-24).
- a desunião entre judeus e gentios convertidos ao cristianismo (Ef 2.11-18).

Tanto uma como outra afirmação está correta, pois quando lemos e analisamos com profundidade esta carta,
encontramos base e conteúdo para as 2 (duas) teses.

Obs.: Nas cartas de Gálatas e Romanos Paulo ensinava aos gentios a permanecerem firmes na liberdade que
tinham em Cristo, podiam ser cristãos sem se tornarem prosélitos dos judeus. Porém não intencionava que os gentios
tivessem preconceitos contra os judeus, antes os considerassem como seus irmãos.
Deus não instituiu duas igrejas: uma judaica e outra gentílica, mas uma só: judeus e gentios formando um só
povo, um só rebanho “em Cristo Jesus”.
Em Efésios, Paulo exalta a UNIDADE, a UNIVERSALIDADE e a GRANDEZA INDIZÍVEL do Corpo de Cristo.
Por outro lado, tentou quebrar essa barreira de relacionamento levantando uma grande oferta entre as igrejas
gentílicas (ao fim de sua terceira viagem missionária), em prol dos crentes pobres da igreja de Jerusalém.

CO-RELAÇÃO ENTRE ROMANOS E EFÉSIOS / EFÉSIOS E COLOSSENSES

Em Romanos estamos “em Cristo” na morte e ressurreição.


Em Efésios estamos “em Cristo” nos lugares celestiais.
Colossenses e Efésios – Ef 1.16; Cl 1.3; 3.1-13; 1.23-29; 4.17; 3.5; 5.15; 3.16; 6.18; 4.3; 5.22-6.9; 3.18-4.1.

AUTOR OU ESCRITOR

Paulo – Do grego, “Paulos” (s), derivado do latim “Paulus”, que quer dizer: pequeno.
3
Saulo – Nome hebraico “Shaul”, todavia no grego é “Saulos” (s), que significa: desejado (Ef 1.1; 3.1).

DATA DA ESCRITURA

61-63 d.C. – Período de sua prisão em Roma (At 28.30).

LOCAL DA ESCRITA

Foi em Roma, quando estava preso. Enviou-a pelo seu amigo Tíquico ao mesmo tempo que escreveu
Colossenses e Filemon (At 28.16; Ef 3.1; 4.1). Sobre o portador – Ef 6.21,22; Cl 4.7-10.
Filipenses foi escrita na segunda etapa da prisão, quando estava preso como mais rigor, acorrentado a uma
guarda.

DESTINATÁRIOS

1º – Acredita-se ser uma carta circular as igrejas da Ásia. A expressão “em Éfeso” (1.1) é omitida nalguns dos
mais antigos manuscritos como os códigos do Vaticano e Sinaítico do séc. IV d.C., o importante corretor do cursivo 424,
o cursivo 1739 e o papiro 46 (datado de 200 d.C.).
2º – Foi enviada a uma igreja em particular (igreja local), com espaço vazio “em Éfeso” para ser preenchido à
igreja enviada ou receptora da carta, para efeito de circulação.
Assim acredita-se que é uma carta circular, escrita a um grupo de igrejas, das quais em Éfeso era a maior e
possivelmente a igreja mãe (ou igreja matriz).
A referência em Cl 4.16 a ler a “epístola de Laodicéia” possivelmente indica uma cópia desta carta enviada a
igreja em Laodicéia. Há a possibilidade de que a original foi enviada a Éfeso onde foram tiradas cópias para os outros
lugares. Os leitores ou destinatários portanto, eram os membros das igrejas na Ásia Menor Ocidental.
3º – Os argumentos anteriores não satisfazem inteiramente a veracidade dos fatos históricos, os manuscritos
mais antigos acima mencionados que omitem os destinatários da epístola: “em Éfeso”, apesar de serem considerados
pelos eruditos como os melhores, discordam entre si mais de 3000 vezes nos 4 (quatro) evangelhos.
Além disso esses manuscritos são oriundos do Egito, procedência não recomendável, e também eram
pouquíssimas vezes usados, talvez por isso foram preservados, enquanto isso, 98% dos manuscritos gregos trazem o
termo “em Éfeso”. Então, concluímos que esta epístola foi destina a IGREJA EM ÉFESO e sua autenticidade é legítima.

TEMA
- Cristo é aquele que preenche tudo em todos.
- Para si mesmo.
- Cristo e a Igreja.

PRINCIPAIS REVELAÇÕES DE DEUS À PAULO

- A graça de Deus
- Os judeus e os gentios são membros do mesmo corpo
- A igreja é o Corpo de Cristo

VERSO-CHAVE

Efésios 2.8 ou 3.8

ESBOÇO GERAL DA EPÍSTOLA

I – Saudação – 1.1,2
II – Obra tríplice do Deus trino – 1.3-14
III – A oração de Paulo – 1.15-23
IV – Análise da posição passada e presente do cristão
a) Como indivíduo – 2.1-10
b) Como povo – 2.11-20
V – Paulo identifica-se e revela o seu ministério – 3.1-13
VI – A tríplice petição de Paulo – 3.14-21 (segunda oração)
VII – O andar do cristão com relação a vocação – 4.1-16
VIII – O andar do cristão e uma relação aos deveres pessoais e a santificação – 4.17-5.21
IX – O andar do cristão com relação à família e a sociedade – 5.22-6.9
X – O andar do cristão em relação às potestades das trevas ou a batalha espiritual cristã – 6. 10-20

4
XI – Informações pessoais e bênçãos – 6.21-24

Obs.: 1a – A epístola nos mostra a obra das 3 (três) pessoas da divindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
2a – A epístola nos mostra a obra de Deus em 3 (três) tempos distintos: passado, presente e futuro.
3a – A epístola nos mostra 3 (três) classes de homens: natural, carnal e espiritual.
4a – A epístola nos dá uma visão da igreja em 3 (três) estados diferentes: sentados com Cristo nas
regiões celestiais (significa descansar numa posição já alcançada) – Ef 1-3. Andar em Cristo, em novidade de vida
(nossa vida prática do dia-a-dia) – Ef 4-6.9. Firmados em Cristo, no seu poder e autoridade, de pé para enfrentar e
vencer a luta espiritual – Ef 6.10-20.

CAPÍTULO – 1

Saudação – 1.1,2

‹1ò1Ì Pau'lo" ajpovstolo" Cristou' ÆIhsou' dia; qelhvmato" qeou' toi'" aJgivoi" toi'" ou\sin »ejn ÆEfevsw/¼ kai;
pistoi'" ejn Cristw'/ ÆIhsou',
‹1ò2Ì cavri" uJmi'n kai; eijrhvnh ajpo; qeou' patro;" hJmw'n kai; kurivou ÆIhsou' Cristou'.
VERSÍCULO 1.1,2: “1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, apela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e fiéis em
Cristo Jesus: a 1Co 4.17: 2Co 1.1; Cl 1.2 2 a vós graça be paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.
b
Gl l.3; Tt 1.4”.

APÓSTOLO – Do grego, “apostolos" (s) – palavra aramaica “Shaliah” é alguém comissionado, não
apenas como missionário, nem como embaixador, mas como procurador que substitui aquele que o mandou/enviou.
Há duas categorias de procurador:
- Sem reservas de poderes
- Com reservas de poderes
Nestes casos, “Shaliah” é um procurador sem reservas de poderes; equivalente aquele que o enviou (de acordo
com o Talmude):
- Era o ministério mais importante do N.T. – Ef 2.20; 3.4,5; 4.11; 1Co 12.28.
- Sua chamada não se deve a mérito pessoal – 1Co 15.9; Gl 1.13-15; 1Tm 1.12-16.
- Jesus foi o primeiro apóstolo – Hb 3.1.
- O apóstolo tem a palavra viva. Ele evangeliza, funda igrejas, discípula, dá visão, treina os líderes, e segue
avante na direção do Espírito – At 13.1-5; 20.17-38.
- O apóstolo é pregador, é mestre, é avivalista – Rm 15.18-20; 2Co 12.12 = sinais do apóstolo ou credenciais do
verdadeiro apóstolo.
- Apóstolo = homem com missão de evangelista, mensagem de profeta, dom de mestre e coração de pastor.

PELA VONTADE DE DEUS – Imperativo divino. Paulo foi comissionado para o apostolado por determinação exclusiva
de Deus.
É um ato da soberana e deliberativa vontade de Deus (vontade decretiva). É uma predestinação incondicional,
independente da capacidade e méritos ou conquista humana – At 9.15,16; Rm 1.1; Cl 1.1; Gl 1.1,11-16:

- Gl 2.7,8 – “Pedro, apóstolo aos judeus” – inculto e rude


“Paulo, apóstolo aos gentios” – culto e nobre

SANTOS – Do grego, “hagioi” () – Santos são os separados para uso religioso, usado para objetos pessoais.
No V.T., o Tabernáculo, o Templo, os vasos do Tabernáculo, os sacerdotes; tanto os objetos quanto as pessoas
eram separados para uso relogioso (Êx 30.31,32; 30.25-30; 409,10).
No N.T., separação posicional: É a obra do Espírito em separar para Deus, tirando do primeiro Adão para o
segundo Adão (não se refere a pureza moral), (Cl 1.13; Ef 2.1-5; 1.1

Separação ou santificação progressiva: É uma pessoa separada para se santificar; pureza interior, viver em
santidade (1Pe 1.15,16; Jo 3.5).
É uma separação do sistema de pecado, seus valores, práticas e motivações com o alvo de se tornar semelhante
a Cristo em sua imagem e caráter (Rm 8.29; Gl 4.19; Hb 12.14 = santificação = 2Co 7.1).
Nossa nova posição “em Cristo” – “SANTOS”, nos torna mais responsáveis da chamada e da eleição divina,
sermos “santos” como é Santo aquele que nos chamou.

Obs.: A Igreja Católica Romana tem um processo errado e contrário as Escrituras para canonizar alguém. A
pessoa primeiro tem que morrer e depois é feita uma pesquisa para verificar se ela fez milagres e se ela preenche certos

5
requisitos. A pessoa se torna “santa” pelos méritos e conquistas pessoais e não por estar “em Cristo” ou viver uma nova
vida nEle.

FIÉIS – Do grego, “pistois” (s) – Usado freqüentemente aos cristãos do N.T., podendo significar aqueles que
tem fé, ou aqueles que são leais.
Ambas as idéias podem ser aqui incluídas, eles são crentes e sua chamada é a fidelidade.
É viver de acordo com a posição de santo (fiel é aquele que o chamou, separando-o do mundo para o seu Reino
de glória).
A sua fé que creu na posição que tem “em Cristo” o fará fiel.
Aqueles que tem fé permanecem firmes naquilo que crêem.

EM CRISTO – Do grego, “en Cristo” () – posição moral e espiritual da nova criatura (Gl 6.15-20; 2.20; Gl
3.3).

Aplicação Pessoal
1.1 EM CRISTO JESUS. Todo crente "fiel" tem vida somente estando "em Cristo Jesus".
(1) Os termos "em Cristo Jesus", "no Senhor", "nEle", ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo (36 vezes só em
Efésios). "Em Cristo", significa que o crente vive e age agora na esfera de Cristo Jesus. O novo ambiente do redimido é o
da união com Cristo. "Em Cristo" o crente tem comunhão consciente com seu Senhor, e, nesse relacionamento, sua
própria vida é considerada a vida de Cristo manifesta através dele (Gl 2.20). Essa comunhão pessoal com Cristo é a
coisa mais importante na experiência cristã. A união com Cristo é uma dádiva de Deus mediante a fé.
(2) A Bíblia contrasta nossa nova vida "em Cristo" com a velha vida não regenerada, "em Adão". Enquanto a velha vida é
caracterizada pela rebeldia, pecado, condenação e morte, nossa nova vida "em Cristo" é caracterizada pela salvação,
vida no Espírito, graça abundante, retidão c vida eterna (ver Rm 5.12-21; 6; 8; 14.17-19; 1Co 15.21,22, 45-49; Fp 2.1-5;
4.6-9).
1.1 Santos. Não quer dizer pessoas sem pecado, mas pecadores salvos pela graça de Deus, que também manifestam fé
(fiéis) em Cristo. Em Éfeso. Esta expressão é omitida nalguns dos mais antigos manuscritos, o que leva alguns a pensar
que esta carta foi destinada a ser circulada em várias igrejas (cf. 1.15 - Paulo ouvira a respeito da fé que havia entre
eles).

GRAÇA – Do grego, “Charis” (s) – É a base de toda benção. Refere-se a oferta de Deus em posição as obras –
sem limites em seus recursos.

PAZ – Saudação hebraica comum: “Shalom”. É o espírito de toda benção.


Paz justificadora: Feita na cruz: União do crente com Jesus. Ele nos deus a paz (Rm 5.1).
Paz santificadora: É um senso de tranqüilidade; é o bem-estar de um coração consagrado.
O Evangelho anuncia a paz e a graça através de Jesus Cristo.
A saudação “shalom” e a graça “charis” expressam o dom de Cristo em todas as saudações paulinas.

ANÁLISE DO CAPÍTULO 1.3-14

Esta porção contém as mais importantes palavras doutrinárias.

RAZÕES DO LOUVOR

RAZÕES DO LOUVOR A OBRA TRÍPLICE DO DEUS TRIUNO


I – A parte (obra) do Pai na nossa redenção – 1.3-6
01 – Nos tem abençoado - Nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais – 1.3
02 – Nos escolheu - Nos escolheu (elegeu) nEle antes da fundação do mundo – 1.4
03 – Nos predestinou - Nos adotou em Cristo (no passado eterno) e nos aceitará no
Amado (adoção no futuro eterno) – 1.5,6.
II – A parte do Filho na redenção – 1.7-12
04 – Nos redimiu - Nos redimiu, obteve nossa redenção pelo seu sangue – 1.7,8
05 – Nos iluminou - Nos ilumina, está nos iluminando em toda sabedoria e prudência –
1.8
06 – Nos herdou - Nos herdará, nos assegura uma herança em si – 1.11,12
III – A obra do Espírito na redenção – 1.13,14
07 – Nos revelou o ministério - Nos convence; nos despertou a fé aos ouvirmos a Palavra – 1.13
08 – Nos fez herdeiros
09 – Nos fez para louvor da sua glória
10 – Nos selou - Nos sela; Ele está em nós e conosco – 1.14; João 14.17.

6
11 – Nos assegura - Nos reclamará; Ele é o penhor da nossa herança – 1.14

‹1ò3Ì Eujloghto;" oJ qeo;" kai; path;r tou' kurivou hJmw'n ÆIhsou' Cristou', oJ eujloghvsa" hJma'" ejn pavsh/
eujlogiva/ pneumatikh'/ ejn toi'" ejpouranivoi" ejn Cristw'/,
VERSÍCULO 1.3: “3 Bendito o Deus ce Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em Cristo, c 2Co 1.3; 1Pe 1.3”.

BENDITO – Expressão rabínica que expressa louvor a Deus, devido aos seus muitíssimos benefícios (Sl 68.19).
No N.T., a palavra bendito, do grego, “eulogetos” (s), é usada somente em referência a Deus (só
Ele é digno de ser bendito), e significa: bendizer, falar bem de, elogiar, louvar, exaltar.
Ele é bendito por tudo que concede graciosamente ao homem e ao mundo (Sl 103.1-5; Ap 3.11).
Acima de tudo Ele é bendito como Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, porque Ele nos é revelado através de
Cristo, a imagem perfeita e expressa do Pai (Jo 1.18; Hb 1.1-3; Cl 2.9).
Tudo foi criado com a benção de Deus para louvá-lo e exaltá-lo (Sl 148; 150).

“ELO DA FLUXÃO ESPIRITUAL ‘EM CRISTO’”

Nos tem abençoado Ação contínua


Com todas as bênçãos espirituais Quantidade da natureza
Nas regiões celestiais Local
Em Cristo Jesus (Tg 1.17; Cl 1.27) Fonte geradora e distribuidora; Fonte doadora e
Inesgotável
As bênçãos possuem sua origem no céu, aqui na terra já gozamos o céu, porque estamos “em Cristo” e
Cristo está em nós.

QUE NOS TEM ABENÇOADO – Ninguém poderia bendizê-lo se não fosse abençoado, e Ele é o único e
supremo doador das bênçãos (Sl 119.68; Pv 10.22).
Mas Deus só nos abençoou em Cristo (1Co 8.6; 2Co 1.20).
Fora de Cristo ou sem Ele não há bênçãos legítimas (Jo 15.5-7).

COM TODAS AS BÊNÇÃOS OU COM TODA SORTE DE BENÇÃOS ESPIRITUAIS – A palavra é indefinida –
indica totalidade; não são parciais mas são completas (1Co 3.21,23; Rm 8.32).
Tudo é vosso – é vos de Cristo – e Cristo de Deus.
Por serem espirituais, não significa que não incluam as coisas materiais, mas sim que tem sua origem no Reino
do Espírito e vêem de Deus. A natureza dessas bênçãos é espiritual. Tudo que somos e temos vem dEle:

Gn 24.35 – Bênçãos materiais de natureza espirituais.


Sl 128.1-4 – Fecundidade, prosperidade, paz de espírito, produtividade, felicidade conjugal, são bênçãos que tem
origem em Deus e são de natureza espirituais.
At 4.12 – Salvação é uma bênção de natureza espiritual.

NOS LUGARES OU REGIÕES CELESTIAIS – Morada de Deus (Ef 1.20; 1.3), (3º céu – 2Co 12.2,4) – morada
dos remidos em Cristo (Ef 2.6) e dos anjos eleitos (3.10) – habitação dos anjos caídos (principados e potestades)
(Ef 6.12).
As bênçãos são provindas dessa região onde Cristo está e também sua Igreja assentada com Ele
posicionalmente, pois Ele é nosso representante e o Cabeça da Igreja, seu corpo místico (Cl 1.18).
Satanás também está nos lugares celestiais; é o local de governo e atuação dos poderes das trevas, porém
abaixo da posição de Cristo e da Igreja (1Pe 3.22; Cl 3.1; Ef 1.21) – “...acima de todo principado, e poder, e potestade, e
domínio, e de todo nome que se nomeia...”.

Aplicação Pessoal
1:3 nos lugares celestiais. Lit., nos lugares celestiais, i.e. no campo das posses e experiências celestiais às quais os
crentes foram trazidos por sua associação com o Cristo ressurreto. O termo ocorre em 1:20; 2:6; 3:10; 6:12; cf. Jo 3:12.
 N. Hom. 1.3-14 Toda sorte de bênção espiritual nos é concedida para louvor da Sua glória (vv. 6, 12, 14). 1) Eleição
nEle (v. 4). 2) Predestinação para Ele como filhos (v. 5) 3) Redenção pelo Seu sangue (v. 7). 4) Feitos herança (v. 11). 5)
Selados com o Espírito (v. 13).
1.3 Regiões celestiais. É a mundo espiritual que, após a morte ressurreição do crente com Cristo, fornece abrigo e
ambiente separados do mundo (cf. Cl 3.1-2). Esta expressão só se encontra em Efésios (1.20; 2.6; 3.10 e 6.12). Nos dois

7
últimos vv. é a esfera da operação demoníaca, e está diretamente ligada à frase "em Cristo", expressão chave de toda a
epístola.

‹1ò4Ì kaqw;" ejxelevxato hJma'" ejn aujtw'/ pro; katabolh'" kovsmou ei\nai hJma'" aJgivou" kai; ajmwvmou"
katenwvpion aujtou' ejn ajgavph/,
VERSÍCULO 1.4: “4 como também nos elegeu dnele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em 1caridade, (1ou amor) d Rm 8.28; 2Ts 2.13: 2Tm 1.9”.

ELEIÇÃO – (elegeu) – Eleger é o mesmo que escolher, preferir.


A doutrina da eleição encontra-se em toda a Bíblia.
No N.T. Israel foi escolhido dentre as demais nações para ser uma nação sacerdotal e um povo peculiar de Deus
para conhecê-lo, adorá-lo, servi-lo e ser sua testemunha às outras nações para abençoá-las (Êx 19.5,6; Dt 7.6-8; Is
43.10-12; Rm 9.9-13).
Isto não significa que Ele rejeitou as outras, mas que escolheu a Israel para alcançar as demais (Gn 22.17,18; Gl
3.8).
No N.T. essa doutrina é confirmada, mas sem a exclusividade de uma nação. Na Igreja se reúnem povos de
todas as raças, tribos, língua e etnias (nações) (Ap 5.9, com o objetivo de conhecer a Deus, (servi-lo e adorá-lo) e fazê-lo
conhecido) (Mt 28.18-20; Mc 16.15-20 – Proclamadores do Reino – Lc 24.47,48; At 1.8 – Testemunhas).
1Pe 2.9,10 – “...geração ELEITA, sacerdócio real, nação santa...”.
A eleição não é apresentada com um ato arbitrário de Deus desassociado da vontade humana ou oposta a ela.
Sem livre-arbítrio não pode haver responsabilidade em qualquer sistema ou governo moral.
Deus é soberano. O homem é responsável.

Algumas considerações

1a – Paulo apresentou o Evangelho da graça para todos os homens (Tt 2.11).


2a – Para os que aceitaram o dom gratuito de Deus em Cristo ele apresentou a doutrina da eleição:
2a.1 – Para assegurar que a fé salvadora descansa sobre a obra redentora de Cristo e não sobre o fundamento inseguro
das obras humanas, justiça própria, de herança religiosa ou de qualquer coisa que encontre em si mesmo (Tt 3.5,6; Ef
2.8,9; 2Ts 2.13; 1Pe 1.18-21).
2a.2 – A eleição se alicerça sobre a vontade divina e não sobre o mérito humano ou a fé prevista (Jo 15.16.).
2a.3 – A eleição é de conformidade com a presciência de Deus. Não indica apenas que Deus previu quem creria, mas Ele
previu os indivíduos, tendo os amado de antemão (1Pe 1.2,20; Rm 8.29).
2a.4 – A eleição é para a vida eterna, para transformação segundo a imagem de Cristo (Rm 8.29,30; 1Ts 5.9).
2a.5 – A eleição é uma determinação divina que foi deliberada antes da fundação do mundo (Ef 1.4; 2Tm 1.9).
Obs.: O interesse de Deus pela criação de um povo para si, estava antes do seu interesse pela criação do
“kosmos”. Nós já existíamos nos planos e pensamentos de Deus.
3a – Deus nos escolheu nEle (em Cristo) antes da fundação do mundo. Fomos escolhidos e abençoados por causa de
Cristo e em Cristo:
3a.1 – Antes de haver pecado. Deus nos escolheu em Cristo com o propósito de sermos santos (2Tm 1.9,10).
3a.2 – Antes da fundação do mundo, antes da criação, antes do homem pecar, Cristo morreu nas regiões celestiais. Mas
ele manifestou sua morte na terra em carne, no fim dos tempos (Ap 13.8; 1Pe 1.18-20).
3a.3 – Nossos nomes foram inscritos no livro da vida antes da fundação do mundo (Ap 17.8; Lc 10.20b). Nós não
entramos “em Cristo” “no meio do caminho”, nós morremos e ressuscitamos com Ele, pois estávamos nEle e nossos
nomes estavam escritos no Livro da Vida.
4a – A defesa teológica de João Calvino (teólogo francês do século XVI) não pôde determinar dogmaticamente a doutrina
bíblica da eleição:
- Depravação total
- Eleição incondicional
- Expiação limitada
- Graça irresistível
- Perseverança dos santos
Depravação total – De acordo com Calvino, a humanidade é tão depravada que nem mesmo a oferta de
salvação de Deus através de Cristo, pode ser aceita por qualquer indivíduo. O homem é tão ruim que ele não pode ter fé
em Deus até depois de ser regenerado por Deus.
Eleição incondicional – Deus predestinou alguns para serem salvos mesmo antes do mundo ser formado, isto
é, Ele escolheu alguns e determinou mandar o restante para o inferno.
Expiação limitada – Cristo morreu somente por aqueles que foram incondicionalmente eleitos; a expiação não
tornou a salvação possível para qualquer outro homem.

8
Graça irresistível – A chamada de Deus não pode ser resistida pelos eleitos; aqueles predestinados para a
salvação pelos quais Cristo morreu, são chamados – quando o tempo vier – pelo poder do Espírito Santo, de uma
maneira que eles não são capazes de resistir.
Perseverança dos santos – O indivíduo não pode fazer nada a não ser perseverar na fé. Até aqui, o individuo
não precisa obter nenhuma condição para permanecer salvo, mas é incondicionalmente preservado ou guardado pelo
poder de Deus.

Um teólogo holandês chamado Jacobus (James) Arminius que primariamente foi um seguidor de Calvino,
gradualmente através do estudo das Escrituras refutou teologicamente o sistema Calvinista.
Livre Arbítrio – (Jo 3.16; 1Tm 2.4,5; 1Pe 3.9) – De um lado Deus elegeu a todos, por outro lado Deus elegeu os
que corresponderiam, não firmando a eleição na fé correspondente, mas na soberana eleição que seria correspondida.
O povo conhecido é o povo predestinado, e isso não anula o livre-arbítrio porque o arrependimento, a fé, a
santificação, tem seu lado divino e humano. O caminho de Deus tem “duas pistas”: envolve o que Deus faz em relação
ao homem e o que o homem faz em relação favorável a Deus. É fora de lógica humana. Podemos achar paradoxal o
ensino da eleição e o livre-arbítrio, mas a contradição existe apenas na mente humana e não na verdade.

“...para que fossemos santos e irrepreensíveis perante Ele em amor”.

SANTOS E IRREPREENSÍVEIS – Deus nos elegeu/escolheu não apenas para a salvação mas para sermos
santos e irrepreensíveis, para vivermos em santidade de vida (santidade não posicional mas progressiva).
O objetivo e o alvo da vida cristã é, portanto, a perfeita santidade (Mt 5.48).
Quanto a sermos irrepreensíveis, atrás da palavra “amónous” (s), usada de forma semelhante em Fl
2.15, há uma conexão com os sacrifícios da Velha Aliança. Somente um animal perfeito podia ser oferecido a Deus (Lv
1.3-10). De maneira que, na expressão de Hb 9.14, Cristo a si mesmo se ofereceu moral e espiritualmente sem mácula a
Deus (1Pe 1.19). A vida do cristão também deve ser sem mácula perante Deus e os homens.

EM AMOR – Se refere a nossa eleição antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis
perante Ele. A idéia do autor é de que a santidade de vida somente é perfeita e irrepreensível em amor e através dEle
(1Ts 3.12,13). Ser santo sem amor é a imitação da santidade; é tentar ser santo pelas próprias forças ou por justiça
própria. John Wesley dizia que a verdadeira santificação é o “amor perfeito”. Amor sem santidade é permissividade e
santidade sem amor é justiça própria e orgulho, em alguns casos, legalismo.

Aplicação Pessoal
1:4 É possível que as palavras em amor devessem estar no v. 5. "E em amor nos predestinou".
1.4 Nos escolheu, nEle. É a determinação soberana de Deus na qual Ele nos deu Sua graça salvadora semelhar para
qualquer mérito nos recipientes (Jo 6.37; 17.6).

‹1ò5Ì proorivsa" hJma'" eij" uiJoqesivan dia; ÆIhsou' Cristou' eij" aujtovn, kata; th;n eujdokivan tou' qelhvmato"
aujtou',
VERSÍCULO 1.5: “5 e nos predestinou epara filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito
de sua vontade, e Rm 8.15,29; Jo 1.12: 2Co 6.18”.

Rm 8.29,30 – Conheceu – predestinou – chamou – justificou – glorificou.

Todos esses atos do decreto de Deus estão tempo passado, mostrando em Cristo tudo que já feito por nós. Mas
olhando do nosso ponto de vista, os dois primeiros passos foram realizados no passado, antes de existirmos (conheceu
e predestinou), enquanto que os dois seguintes estão acontecendo agora (chamou e justificou) a partir de nossa
conversão (Rm 5.1), e o último acontecerá no futuro (glorificou), porém para Deus tudo já está consumado “em Cristo
Jesus”. Essa é a sua perfeita, boa e agradável vontade: nossa eleição, nossa justificação, nossa santificação e nossa
glorificação (1Co 6.11; 2Ts 2.13).

“Deus nos predestinou para sermos filhos adotivos”

ADOÇÃO – Adotar: receber como filho, tomar, assumir, aceitar (Gl 4.4,5; Jo 1.12; Rm 8.15-29).
Não era um costume judeu, mas romano. Um filho adotado deve sua posição à graça (favor sem mérito) e não ao
direito, e ainda mais é trazido a família, passando a ter os mesmos privilégios e deveres de um filho de nascimento.
Rm 8.17: “E, se somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo”.

“POR JESUS CRISTO” – A adoção é por meio de Jesus Cristo. Tudo está nEle e não há salvação ou
predestinação ou eleição, nem filiação por adoção a não ser por Ele (Rm11.36).

9
“...segundo o beneplácito da sua vontade”

BENEPLÁCITO – Consentimento, licença, aprovação. Pode ser um propósito que lhe agrada. Nas Escrituras tem
dois sentidos:

1 – Boa vontade para com alguma pessoa (Lc 2.14).


2 – Quando não há pessoa especificada, essa boa vontade se torna um propósito divino soberano, uma
resolução deliberada e beneficente (Mt 11.25,26; Sl 103.21 – Versão Revista e Corrigida).
As palavras beneplácito (vv.5,6), vontade (vv.5-9), propósito (v.11), conselho (v.11), todas expressam o mesmo
sentido. Isto significa que nossa salvação não depende de nós, mas inteiramente a Deus – é Sua Vontade, Seu
Propósito, Seu Conselho, Seu Beneplácito.

PREDESTINAÇÃO

1 – Sua origem – No amor divino. Esse amor, o “ágape”, é que governa a predestinação.
2 – O meio meritório – (o que tornou possível), é a mediação do Senhor Jesus Cristo (Ef 1.5: “...por Jesus
Cristo...”).
3 – Seu resultado – A adoção (Ef 1.5).
4 – A causa – A razão da escolha, foi o beneplácito da Sua vontade (Ef 1.5).
5 – Propósito final – Revelação da glória da Sua graça (Ef 1.6).

PREDESTINADOS – A palavra grega “proorisas” (s), significa literalmente “marcado de antemão”.


O vocábulo grego “oridzo” (), quer dizer sem fronteira, limitar, definir.
A preposição grega “pro” (), faz essa palavra indicar uma atividade feita de antemão, e isso indica aquele
tempo anterior a essa existência terrena.
A eleição é uma subcategoria da predestinação, relacionando-se especificamente a salvação do homem; mas a
predestinação é a vontade de Deus por detrás de todas as coisas.

Aplicação Pessoal
1:5 predestinou. Deus determinou antecipadamente que aqueles que viessem a crer em Cristo fossem adotados em
Sua família e conformados a Seu Filho (cf. Rm 8:29). A predestinação envolveu uma escolha da parte de Deus.(Ef 1·4);
foi feita em amor (v. 4); é baseada na boa vontade do Seu propósito perfeito (vv. 5, 9, 11); seu propósito é glorificar a
Deus (v. 14); a predestinação não exime o homem de sua responsabilidade de crer no evangelho, o que efetiva em nível
pessoal, a predestinação divina (v.1 3).

VERSÍCULO 1.5: “...santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ed. Revista e Corrigida), “e em amor nos predestinou
para ele” (Ed. Atualizada).

As palavras “em amor” podem ser entendidas de acordo com as que seguem ou com as que precedem, e as
diversas opiniões de tradutores e comentadores, tanto do passado, como do presente indicam que não é possível ser
dogmático quanto a intenção do escritor.
A posição da frase e seu uso em outros lugares da epístola dentro de um contexto de amor do homem, mas do
que do amor de Deus (Ef 3.17; 4.2,16; 5.2), levam a crer que a idéia do autor é de que a santidade de vida somente é
perfeita em amor e através dele (1Ts 3.12).

Aplicação Pessoal
ELEIÇÃO E PREDESTINAÇÃO

Ef 1.4,5 "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante
dele em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de
sua vontade".

ELEIÇÃO. A escolha por Deus daqueles que crêem em Cristo é uma doutrina importante (ver Rm 8.29-33; 9.6-
26; 11.5,7,28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). A eleição (gr. eklegoe) refere-se à escolha feita por Deus, em Cristo, de
um povo para si mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (cf. 2Ts 2.13). Essa eleição é uma
expressão do amor de Deus, que recebe como seus todos os que recebem seu Filho Jesus (Jo 1.12). A doutrina da
eleição abarca as seguintes verdades:
(1) A eleição é cristocêntrica, i.e., a eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo. Deus nos
elegeu em Cristo para a salvação (1.4; ver v.1, nota). O próprio Cristo é o primeiro de todos os eleitos de Deus. A

10
respeito de Jesus, Deus declara: "Eis aqui o meu servo, que escolhi" (Mt 12.18; cf. Is 42.1,6; 1Pe 2.4). Ninguém é eleito
sem estar unido a Cristo pela fé.
(2) A eleição é feita em Cristo, pelo seu sangue; "em quem [Cristo]... pelo seu sangue" (1.7). O propósito de
Deus, já antes da criação (1.4), era ter um povo para si mediante a morte redentora de Cristo na cruz. Sendo assim, a
eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo, no Calvário, para nos salvar dos nossos pecados (At 20.28; Rm
3.24-26).
(3) A eleição em Cristo é em primeiro lugar coletiva, i.e., a eleição de um povo (1.4,5,7,9; 1Pe 1.1; 2.9). Os
eleitos são chamados "o seu [Cristo] corpo" (1.23; 4.12), "minha igreja" (Mt 16.18), o "povo adquirido" por Deus (1Pe 2.9)
e a "noiva" de Cristo (Ap 21.9). Logo, a eleição é coletiva e abrange o ser humano como indivíduo, somente à medida
que este se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira (1.22,23; ver Robert Shank, Elect in the Son
(Eleitos no Filho). É uma eleição como a de Israel no AT (ver Dt 29.18-21 nota; 2Rs 21.14, Dt 29).
(4) A eleição para a salvação e a santidade do corpo de Cristo são inalteráveis. Mas individualmente a certeza
dessa eleição depende da condição da fé pessoal e viva em Jesus Cristo, e da perseverança na união com Ele. O
apóstolo Paulo demonstra esse fato da seguinte maneira: (a) O propósito eterno de Deus para a igreja é que sejamos
"santos e irrepreensíveis diante dele" (1.4). Isso se refere tanto ao perdão dos pecados (1.7) como à santificação e
santidade. O povo eleito de Deus está sendo conduzido pelo Espírito Santo em direção à santificação e à santidade (ver
Rm 8.14; Gl 5.16-25). O apóstolo enfatiza repetidas vezes o propósito supremo de Deus (ver 2.10; 3.14-19; 4.1-3,13,14;
5.1-18). (b) O cumprimento desse propósito para a igreja como corpo não falhará: Cristo a apresentará "a si mesmo
igreja gloriosa... santa e irrepreensível" (5.27). (c) O cumprimento desse propósito para o crente como indivíduo dentro
da igreja é condicional. Cristo nos apresentará "santos e irrepreensíveis diante dele" (1.4), somente se continuarmos na
fé. A Bíblia mostra isso claramente: Cristo irá "vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade,
permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho" (Cl 1.22,23).
(5) A eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16,17; 1Tm 2.4-6; Tt 2.11; Hb 2.9), e torna-se
uma realidade para cada pessoa consoante seu prévio arrependimento e fé, ao aceitar o dom da salvação em Cristo
(2.8; 3.17; cf. At 20.21; Rm 1.16; 4.16). Mediante a fé, o Espírito Santo admite o crente ao corpo eleito de Cristo (a igreja)
(1Co 12.13), e assim ele torna-se um dos eleitos. Daí, tanto Deus quanto o homem têm responsabilidade na eleição (ver
Rm 8.29 nota; 2 Pe 1.1-11).
A PREDESTINAÇÃO. A predestinação (gr. proorizo) significa "decidir de antemão" e se aplica aos propósitos de
Deus inclusos na eleição. A eleição é a escolha feita por Deus, "em Cristo", de um povo para si mesmo (a igreja
verdadeira). A predestinação abrange o que acontecerá ao povo de Deus (todos os crentes genuínos em Cristo).
(1) Deus predestina seus eleitos a serem: (a) chamados (Rm 8.30); (b) justificados (Rm 3.24; 8.30); (c)
glorificados (Rm 8.30); (d) conformados à imagem do Filho (Rm 8.29); (e) santos e inculpáveis (1.4); (f) adotados como
filhos (1.5); (g) redimidos (1.7); (h) participantes de uma herança (1.14); (i) para o louvor da sua glória (1.12; 1Pe 2.9); (j)
participantes do Espírito Santo (1.13; Gl 3.14); e (l) criados em Cristo Jesus para boas obras (2.10).
(2) A predestinação, assim como a eleição, refere-se ao corpo coletivo de Cristo (i.e., a verdadeira igreja), e
abrange indivíduos somente quando inclusos neste corpo mediante a fé viva em Jesus Cristo (1.5,7,13; cf. At 2.38-41;
16.31).
RESUMO. No tocante à eleição e predestinação podemos aplicar a analogia de um grande navio viajando para o
céu. Deus escolhe o navio (a igreja) para ser sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse navio. Todos os que
desejam estar nesse navio eleito, podem fazê-lo mediante a fé viva em Cristo. Enquanto permanecerem no navio,
acompanhando seu Capitão, estarão entre os eleitos. Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um
dos eleitos. A predestinação concerne ao destino do navio e ao que Deus preparou para quem nele permanece. Deus
convida todos a entrar a bordo do navio eleito mediante Jesus Cristo.

‹1ò6Ì eij" e[painon dovxh" th'" cavrito" aujtou' h|" ejcarivtwsen hJma'" ejn tw'/ hjgaphmevnw/.
VERSÍCULO 1.6: “para louvor e glória da sua graça, fpela qual nos fez agradáveis a si no Amado. f Rm 3.24; Mt 3.17: Jo
3.35”.

Nossa eleição e predestinação para adoção de filhos por Jesus Cristo redundará no louvor da glória da sua
graça.
O propósito de Deus é manifestar sua graça e isto vai produzir: glória e esta glória vai produzir louvor – “...louvor
e glória de sua graça”. Deus – graça – glória – louvor – o louvor da glória da sua graça: Deus.
Uma vez que a graça de Deus se manifesta, os homens louvam a Deus.
Esse louvor vem por diversos meios:

1 – Por palavras (1Ts 5.18; 1Pe 2.9).


2 – Pela vida do crente (Cl 3.17; Fl 2.14,15).
3 – Na eternidade, por vidas que Deus tornou úteis para os seus planos eternos (2Co 4.15).

VERSÍCULO 1.6: “... a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Ed. Atualizada).

11
A graça de Deus nos foi dada como um presente, gratuitamente, a troco de nada, sem vinculação com qualquer
mérito, porquanto tal doação se alicerça somente sobre o beneplácito da vontade de Deus.
“...pela qual (graça) nos fez agradáveis a si...” (Ed. Corrigida) – Sentido objetivo. Deus nos tornou aceitáveis,
agradáveis a Ele, mediante sua graça em Cristo.
“...no Amado” – Também é em Cristo que somos favorecidos e amados. A expressão o Amado é um título de
Cristo que tem vislumbres messiânicos (Mc 1.11).

Aplicação Pessoal
1:6 no Amado. I.e. em Cristo.
1.6 Concedeu gratuitamente (gr echaritõsen). literalmente é "manifestar Sua graça". No :N.T. só aparece aqui e em Lc
1.28. Ligados ao Amado (Cristo, o Filho) temos as riquezas inefáveis do amor de Deus.

‹1ò7Ì ejn w|/ e[comen th;n ajpoluvtrwsin dia; tou' ai{mato" aujtou', th;n a[fesin tw'n paraptwmavtwn kata; to;
plou'to" th'" cavrito" aujtou'
VERSÍCULO 1.7: “Em quem temos a redenção gpelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua
graça, g At 20.28; Rm 3.24; Cl 1.14”.

REDENÇÃO – Tornar livre uma pessoa ou coisa que era propriedade de outra ou que se tornara propriedade de
outrem; palavras cognatas (que tem o mesmo sentido):

- “agorazô” () = Comprar na feira de escravos (através do pagamento de um preço).


- “exagorazô” () = Comprar para si (1Pe 1.19,20; 2Pe 2.1 – tirar do mercado comprar para fora
de).
- “lutruô” () = Liberdade por pagamento de preço, dar liberdade (1Co 6.20).

REDIMIR – Tornar a comprar por um preço, adquirir de novo; tirar do cativeiro, do poder alheio, libertar da
escravidão através de pagamento.
Nas páginas do N.T. significa “libertação”, mediante um ato do poder divino, por intermédio de Cristo, libertando o
pecador do seu passado e conferindo-lhe uma gloriosa salvação passada de futura.
REMISSÃO DAS OFENSAS – Remir = resgatar, libertar, tornar livre (Rm 6.18; Gl 4.5) significa quitação, o
perdão dos pecados – a soltura de uma pessoa, de algo que o prenda. É uma ação contínua porque estamos sempre
perdoados.

PELO SEU SANGUE – Preço para a aquisição da redenção (Cl 1.13,14; Hb 9.22).

Aplicação Pessoal
1:7 redenção. Três idéias estão contidas na doutrina da redenção: (1) pagamento do resgate pelo sangue de Cristo (1
Co 6:20; Ap 5:9); (2) remoção da maldição da Lei (Gl 3:13; 4:5); e (3) libertação da escravidão ao pecado para a
liberdade da graça (1 Pe 1:18). A redenção é sempre pelo Seu sangue; i.e., pela morte de Cristo (Cl 1:14).
1.7 Redenção. Denota libertar da escravidão através de pagamento. Neste caso, o valor infinito do sangue vertido de
Cristo é eficaz para remir os nossos pecados.

‹1ò8Ì h|" ejperivsseusen eij" hJma'", ejn pavsh/ sofiva/ kai; fronhvsei,
VERSÍCULO 1.8: “que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência”

‹1ò9Ì gnwrivsa" hJmi'n to; musthvrion tou' qelhvmato" aujtou', kata; th;n eujdokivan aujtou' h}n proevqeto ejn
aujtw'/
VERSÍCULO 1.9: “descobrindo-nos o mistério da sua vontade, hsegundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
h
Rm 16.25; Cl 1.26; 2Tm 1.9”.

Podemos entender a expressão acima de duas maneiras:

1a – Deus teve sabedoria em nos dar a graça


2a – A graça que Ele nos deu é abundante em sabedoria

A segunda frase expressa o sentido correto, pois o próximo verso fala que Ele nos fez conhecer o ministério de
sua vontade. E foi para conhecer esse ministério que Ele nos deu sabedoria e prudência.

12
Deus não apenas recebe e perdoa aqueles que Ele reconciliou consigo mesmo como filhos. Ele também ilumina
com a compreensão do seu propósito.

SABEDORIA – Do grego, “sophia” (), significa: inteligência, habilidade, capacidade (que vem do alto,
não, por exemplo, acadêmica).
No original grego, esta palavra “sophia” = sabedoria, aponta para o conhecimento total que Deus possui, o que o
capacita a usar sua graça de maneira sábia.

PRUDÊNCIA – Do grego, “phronêsis” (s). Significa: compreensão, discernimento. Compreensão de


que está agindo certo.
Sabedoria – Para entendermos como a graça foi planejada.
Prudência – Para compreendermos como a graça opera em nós.

“Descobrindo-nos ou desvendando-nos o mistério da sua vontade...”

DESVENDANDO-NOS – No original grego, “gnondzo” (), que quer dizer “revelar”, “tornar conhecido”,
o que se refere a revelações íntimas e externas, como as palavras dos profetas, as Escrituras Sagradas que contém as
revelações divinas, e o entendimento íntimo, que é proporcionado a nós, pelo Espírito de Deus, a fim de
compreendermos corretamente o objetivo da revelação dEle.

MISTÉRIO – A palavra grega, “musterion” (), que significa “segredo”, “rito secreto”.
Um mistério é qualquer verdade divina, antes oculta, que nos foi revelada para que fossemos iluminados.

1.9 Mistério. Significa nesta epístola (com exceção de 5.32) e também em Colossenses, o propósito de Deus agora
revelado em unir tanto os gentios como, os judeus na obra redentora de Cristo (3.4-6).

Algumas considerações

1a – Um mistério não é alguma verdade misteriosa que somente os iniciados possam compreender, segundo se
pensava nas “religiões misteriosas dos gregos” e entre os “gnósticos”. De acordo com essas religiões, os mistérios
seriam segredos ocultos, que só poderiam ser entendidos por alguns poucos.
2a – Um mistério é antes uma verdade que até o momento de sua revelação estava oculta, mas que agora nos foi
desvendada.
3a – Um mistério é um segredo desvendado, uma verdade divinamente revelada. Não se trata de algo que possa
ser descoberto pelo raciocínio da razão, e muito menos ainda, através da pesquisa. Trata-se de conhecimento outorgado
mística e intuitivamente, diferente de empiricamente.
4a – No cristianismo, os mistérios são segredos desvendados, a fim de se tornarem conhecidos pelo mundo
inteiro. Tais mistérios devem ser publicados e não ocultados, como se fazia nas religiões da antigüidade.

SUA VONTADE – Tudo o que Deus planejou fazer; tudo o que propôs “em Cristo” e fora realizada nele com
prazer.

- Tudo nos foi dado pela vontade de Deus e de conformidade com ela (todas as bênçãos em Cristo Jesus).
- Foram-nos desvendados os seus conselhos secretos, alicerçados, em sua vontade divina.
- Esses mistérios dizem respeito ao que Deus quer, aquilo que foi determinado em seus decretos eternos.
- O que é enfaticamente destacado aqui é “aquilo que Deus tenciona fazer”, a saber, o mistério ao que Ele está
fazendo e fará em toda sua criação.

‹1ò10Ì eij" oijkonomivan tou' plhrwvmato" tw'n kairw'n, ajnakefalaiwvsasqai ta; pavnta ejn tw'/ Cristw'/, ta; ejpi;
toi'" oujranoi'" kai; ta; ejpi; th'" gh'" ejn aujtw'/.
VERSÍCULO 1.10 “de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, ina dispensação da plenitude dos tempos, tanto as
que estão nos céus como as que estão na terra; i Gl 4.4: Hb 1.2; 9.10; 1Pe 1.20”.

DISPENSAÇÃO – Do grego, “oikonomia” () – Significa “administração” ou “economia”, “ordem”,


“sistema”. Execução pelo Filho dos propósitos do Pai. Administração por Deus de um certo período da história humana.

PLENITUDE DOS TEMPOS – Plenitude significa cumprimento ou consumação, portanto plenitude dos tempos
significa cumprimento ou consumação dos tempos. A plenitude dos tempos começou com a primeira vinda de Cristo, e
vai além da segunda vinda.
O período de administração divina estará completo, depois do milênio.

13
TORNAR A CONGREGAR EM CRISTO – Fazer convergir nEle todas as coisas. Sumariar, reunir. A criação
inteira está sumariada em Cristo, tendo nEle seu propósito, destino e centro. Todas as coisas encontram sua essência e
significado nEle. Isto mostra seu significado cósmico e não apenas terreno. Ele é o cabeça e benfeitor de todas as
coisas.
“Todas as coisas” foram criadas em Cristo (Cl 1.16,17). Devido ao pecado, vieram ao mundo a desordem e a
desintegração intermináveis, mas na plenitude dos tempos “todas as coisas” serão restauradas a sua função original e
sua unidade pelo fato de terem sido trazidas à obediência de Cristo.
Cl 1.20 – A frase “Todas as coisas” no grego expressa a universalidade absoluta (Cl 1.17; Hb 1.3) significa tanto
as do céu como as da terra. Paulo tem em mente toda criação, tanto a espiritual como a material, pois ao escrever esta
epístola ele estava preocupado com a heresia corrente na Ásia Menor, a qual colocava muitos poderes espirituais em
oposição a Cristo e também mediadores entre Deus e os homens. Paulo defende a tese de que existe apenas um que
pode reconciliar e unificar TODAS AS COISAS em si mesmo e Ele o fará.
UNIVERSALISMO – Efésios 1.10 tem sido interpretado hemernêuticamente incorreto como texto-chave da
doutrina do universalismo, a qual afirma que os perdidos não-eleitos serão restaurados (salvação em proporção inferior a
salvação dos eleitos). Onde a redenção dos eleitos é um aspecto de restauração universal ou cósmica e o julgamento
dos ímpios e dos anjos caídos é aquilatado, é conceituado em termos de “contraste”, e não em termos de “sofrimento”
retribuitivo pelo pecado.
O universalismo é uma crença que afirma que, na plenitude dos tempos, todas as almas serão livradas das
penalidades do pecado e restauradas para Deus. Historicamente conhecida como “apokatastasis”, a salvação final nega
a doutrina bíblica do castigo eterno e baseia-se numa interpretação falha de Atos 3.21; Romanos 5.18,19; Efésios 1.9,10;
1Coríntios 15.22 e outras mais. A crença na salvação universal é pelo menos tão antiga quanto o próprio cristianismo, e
pode ser associada com mestres gnósticos primitivos. Os primeiros escritos claramente universalistas, no entanto,
remontam aos pais eclesiásticos gregos, mais notavelmente Clemente de Alexandria, seu aluno Orígenes e Gregório de
Nissa. Desses, os ensinos de Orígenes, que acreditava que até mesmo o diabo poderia finalmente ser salvo, era dos
mais influentes. Numerosos defensores da salvação final achavam-se na igreja pós-apostólica, embora Agostinho de
Hipona se opusesse fortemente a ela. A teologia de Orígenes foi finalmente declarada herética no quinto Concílio
Ecumênico em 533.
Na Europa Ocidental, o universalismo desapareceu quase totalmente durante a Idade Média, a não ser para o
estudioso irlandês João Escoto Erigena e para alguns dos místicos menos conhecidos. Seguindo Agostinho, os
reformadores protestantes, Lutero e Calvino também rejeitaram a doutrina da salvação final para todos.
No século XX, o uinversalismo, “apokatastasis” (s) associou-se com a teologia neo-ortodoxa
formulada pelo teólogo suíço Karl Barth. Embora ele não ensinasse de modo direto a salvação final de todos, certas
passagens na sua vasta obra “Church Dogmatics” (Dogmática Eclesiástica) ressaltam o triunfo universal e irresistível da
graça de Deus.
Barh foi levado nessa direção pelo doutrina da dupla predestinação. Em Cristo, o representante de todos os
homens, a adoção e a reprovação se fundem numa só coisa.
Não existem dois grupos – sendo um deles salvo e o outro eternamente condenado. O homem mortal pode ainda
ser pecador, mas a eleição de Cristo exige um julgamento final de salvação. Outros escritores neo-ortodoxos tem
sugerido que o castigo diário é uma forma purificadora ou disfarçada do amor de Deus, que acaba resultando na
restauração. (Enciclopédia Histórica Teológica, pág. 591-597).
(Sobre o ensino da Restauração Final, ver “O Novo Testamento Interpretado Verso por Verso – Champlin –
Efésios 1.10, comentário pág. 539).

REFUTAÇÃO CONTRA O UNIVERSALISMO – Na realidade, o texto implica em dizer que no fim de “todas as
coisas”, todos os seres existentes estarão debaixo de sua autoridade. Cristo não é só Senhor da Igreja, de Israel e do
mundo; Ele é Senhor do universo (Rm 8.18-25; 1Co 15.24-28).
A palavras “Kairós” (s) significa – Tempo de Deus fora do “cronos” (s) (tempo humano), isto é,
todas as coisas já lhe estão sujeitas (Mt 28. 18-20); Ele domina, governa e administra todas as coisas, porém todas as
coisas lhe serão sujeitas dentro da cronologia terrena, no “crono” humano, num determinado tempo e espaço de nossa
era e dimensão finita. Porém isso não significa que os homens não-eleitos, satanás e os anjos caídos não hão de sofrer
o castigo eterno, pelo contrário, eles serão julgados, condenados e punidos a uma eternidade sem Deus, sem salvação,
sem esperança, de tormento e maldição eterna (Ap 20 e 21). Isso redundará em louvor e glória para Deus, pois vencerá
inteiramente os seus inimigos e cumprirá integralmente os seus decretos deliberados soberanamente antes da fundação
do mundo (Is 46.9,10; 2Ts 1.7-10; 2Pe 2.4; 1Co 15.25-28). Quanto a sujeição final de Satanás, seus anjos e todos os
homens ímpios não será para a restauração e reconciliação, mas sim para o domínio universal de Deus e sobre todas as
coisas nos céus e na terra, e esse domínio será exercido para exaltar a glória, a majestade e a soberania de Deus (Fl
2.9-11). Esse domínio cósmico de Deus sujeitará Satanás, os anjos caídos e todos os ímpios a sofrerem ETERNA
PERDIÇÃO, sem nenhuma possibilidade de perdão ou restauração (Ap 21.7,8; 20. 10,14,15).
Cristo assumirá o controle de todas as coisas; todas as coisas serão controladas e govrenadas por Ele; Ele será
tudo para todos. Todo destino e propósito de todos os seres (incluindo os perdidos) serão centralizados em Cristo:
“...daquele que cumpre tudo em todas as coisas... de fazer convergir nele (em Cristo)... ou tornar a congregrar... Na
dispensação da plenitude dos tempos... todas as coisas tanto as do céu como as da terra”.
14
CONVERGIR NELE – Sumariar, reunir. A criação inteira está sumariada em Cristo, tendo nEle seu destino,
propósito e centro. Todas as coisas encontram seu significado e essência nEle. Isto mostra seu significado cósmico e
não terreno apenas. Ele (Cristo) é o cabeça e benfeitor de todas as coisas (Rm 8.21-25; 1Co 15.28). É o trabalho
restaurativo que se cumprirá nEle, e para Ele. Ele é o restaurador não só de Israel ou da Igreja, mas do universo.
No princípio criou Deus todas as coisas, mas depois Ele separou todas as coisas para no fim tornar a congregar
todas as coisas em Cristo. Tudo estava unido com Ele no começo e tudo será reunido (congregado, sumariado) nEle no
fim (Jo 1.1-3; Rm 11.36; Cl 1.15-20; Ef 1.9,10). O versículo 20 de Colossenses 1, corresponde a Efésios 1.10 –
reconciliar com Deus, através de Cristo, todas as coisas, quer sobre a terra, quer sobre os céus. Essa é a história do
universo. No fim há só uma palavra – CRISTO.

QUANDO ISSO ACONTECERÁ? – Na dispensação da plenitude dos tempos, ou na consumação dos tempos.
Então na época da dispensação desta plenitude ou cumprimento dos tempos TUDO vai convergir em Cristo.

1Co 10.11: “...sobre quem os fins dos séculos tem chegado”.

Os fins dos séculos tinha chegado sobre a Igreja Primitiva. Os séculos são todas as dispensações anteriores.
Paulo não estava afirmando necessariamente que o fim do mundo tinha chegado, mas que todas as dispensações
anteriores tinham terminado e que agora estava se iniciando uma nova era, a última dispensação – a plenitude dos
tempos, a era do início do fim.

Aplicação Pessoal
1:10 na dispensação da plenitude dos tempos. I.e., o plano, a disposição, o controle divino da História para
estabelecimento do reino milenar. A frase "fazer convergir nele" significa que Deus fará concentrar em Cristo todas as
coisas e através dEle produzir a harmonia universal (Cl 1·16).
1.10 Convergir. Iniciada na sua ressurreição, a reconstituição do universo com Cristo como sua cabeça reinante terá seu
auge quando toda oposição será posta debaixo dos Seus pés na Sua segunda vinda (cf. v. 22; Hb 2.8; Rm 8.18-21).

‹1ò11Ì ejn w|/ kai; ejklhrwvqhmen proorisqevnte" kata; provqesin tou' ta; pavnta ejnergou'nto" kata; th;n boulh;n
tou' qelhvmato" aujtou'
VERSÍCULO 1.11: “nele, digo, em quem jtambém fomos feitos herança, havendo sido predestinados lconforme o
propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade, j At 20.32; Rm 8.17; Cl 1.12; l Is 46.10”.

‹1ò12Ì eij" to; ei\nai hJma'" eij" e[painon dovxh" aujtou' tou;" prohlpikovta" ejn tw'/ Cristw'/.
VERSÍCULO 1.12: “com o fim de sermos mpara louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo; m
2Ts
2.13; Tg 1.18”.

“...em que também fomos feitos herança...”

HERANÇA – Existem dois significados a considerar:

1º - Os remidos são a herança de Cristo – O Deus dos eleitos é o Deus do universo; o propósito de nos fazer
herança engloba o plano soberano e universal de Deus (Dt 9.26-29; Sl 32.12).
O verbo está certamente na voz passiva, o que pode dar o sentido de “tomados como herança”.
2º - Também pode significar: “foram feitos participantes da herança” – Aqueles que são porção de Deus, tem sua
herança nEle (Dt 32.9,10: “Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança... Cantares 6.3 –
“Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”). Somos a herança de Deus e Deus é nossa herança.
Portanto, expressa os dois significados de herança.

Aplicação Pessoal
1:11 fomos também feitos herança. Ou ainda, obtivemos herança. Ambas as idéias são verdadeiras: nós somos a
herança de Cristo e Ele é a nossa herança.

PREDESTINADOS – Essa predestinação obtém para nós a herança, declarando-nos que todos os filhos de
Deus participarão da mesma. Todo e qualquer mérito humano, pois fica assim excluído.

SEGUNDO O PROPÓSITO – Propósito no original grego, “boule” (), significa: “conselho”, “resolução”,
“desígnio”.

CONSELHO DE SUA VONTADE – Tem o mesmo sentido original de beneplácito da sai vontade em Ef 1.5.
Deus não faz nada arbitrariamente, mas sim impulsionado pelo conselho da sua vontade.
15
“...com o fim de sermos para o louvor da sua glória...”

O plano divino para redenção do homem começou com os judeus. Eles foram predestinados, “marcados de
antemão”, para participarem do seu propósito. O mesmo aconteceu com os gentios.
O apóstolo Paulo diz que o objetivo deste plano era de que quando Deus completar sua obra em nós, seremos
um motivo para o louvor de sua glória.
Nesse verso especificamente, Paulo destaca os cristãos judeus: “...nós, os que primeiro esperamos em Cristo”,
porém isso não exclui os gentios cristãos de fazerem parte desse plano e serem eleitos para o “louvor da sua glória”.
Portanto, os cristãos descritos no verso 12 são os judeus, e o verbo descreve a esperança messiânica deles
antes mesmo do advento de Cristo. Os judeus confiavam e esperavam o Messias antes de todos os outros povos, e isso
é historicamente exato.

“...sua glória...” – De que maneira Deus será louvado pela sua glória?

1º - Exaltando a magnificência de Sua Pessoa.


2º - Cumprindo seus desígnios e desejos relativos ao homem.
3º - Completando o plano da redenção traçado “em Cristo”.
4º - E por servirem eles (os remidos) de meios e instrumentos das obras eternas de Deus.

A glória consiste do seguinte: (a glória de Deus):

1º - Sua bondade para com suas criaturas.


2º - Sua própria magnificência.
3º - A elevadíssima espiritualidade da Sua Pessoa.
4º - Sua santidade e poder absoluto.

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA REDENÇÃO

‹1ò13Ì ejn w|/ kai; uJmei'" ajkouvsante" to;n lovgon th'" ajlhqeiva", to; eujaggevlion th'" swthriva" uJmw'n, ejn w|/
kai; pisteuvsante" ejsfragivsqhte tw'/ pneuvmati th'" ejpaggeliva" tw'/ aJgivw/,
VERSÍCULO 1.13: “em quem também vós estais, depois que ouvistes na palavra da verdade, o evangelho da vossa
salvação; e, tendo nele também crido, ofostes selados com o Espírito Santo da promessa; n Jo 1.17; 2Co 6.7; o 2Co 1.22”.

1 – Nós – Do v.12 – Os judeus, que esperavam em Cristo.


2 – Vós – Do v. 13 – Os gentios.

1 – Aqueles que ouviram o Evangelho quando da missão evangelizadora entre os gentios, em contraste com
aqueles outros (pertencentes a qualquer raça) que tinham ouvido o Evangelho antes da missão e o aceitaram.

2 – Mais provavelmente ainda, estão em foco os gentios que haviam crido em Jesus Cristo, em resultado da
missão evangelizadora entre eles, em contraste com os judeus que tinham ouvido o Evangelho antes da missão.
Os gentios que outrora estavam sem esperança (2.12) passaram a participar do mesmo propósito que os judeus,
pela mesma promessa e esperança messiânica – “tendo nele também crido...”.

“...a palavra da verdade...”

1 – Paulo queria estabelecer o contraste entre essa “verdade” e as “sombras de verdade” do V.T. (posição de
Crisóstomo e outros intérpretes).
2 – A verdade é a “palavra de Deus” em contraste com as “idéias gnósticas” (essas idéias consistiam da mistura
de conceitos judaicos, conceitos das religiões misteriosas dos gregos, e conceitos cristãos).

Gnósticos (135-160 A.D., época de maior influência) – Vem do grego “gnósis” (s), que significa:
“conhecimento”, “o saber”, “a ciência”. Seguindo os gnósticos, a sua doutrina estava baseada numa sabedoria mística,
sobrenatural, que levava os iniciados a adquirirem o verdadeiro conhecimento. Haviam muitas seitas gnósticas. Em
síntese, podemos dizer que os gnósticos ensinavam o seguinte:

- O espírito é bom, e a matéria totalmente má.

16
- Para Deus ter contato com o mundo e com a humanidade, tem de operar mediante seres inferiores ou deuses
menores. Jesus é um desses deuses menores. Assim, Jesus não é Deus, e nem é homem. É apenas um fantasma com
aparência de homem.
- Negavam plenamente a humanidade de Jesus. Alguns deles ensinaram que Cristo nunca esteve associado
com a carne, ainda que parecesse ser homem, mas na realidade era puro espírito.
- Eles negavam a realidade do corpo físico de Cristo, porque a matéria (o corpo) era má.
- Cria que o homem poderia ser salvo através de uma sabedoria mística, mediante a qual os iniciantes eram
levados a um verdadeiro entendimento do universo e salvos deste mundo mal da matéria.
O EVANGELHO DA VOSSA SALVAÇÃO – O Evangelho são as “boas novas” que nos fala da redenção do
pecado, do livramento da ira divina, e do juízo eterno, o qual nos transforma na própria imagem de Cristo.

SALVAÇÃO – É uma palavra muito mais inclusa do que “perdão dos pecados”, pois tem por intuito incluir a
totalidade dos propósitos de Deus na redenção humana, em sua santificação, a ponto de os remidos participarem da
própria santidade de Deus Pai, e até mesmo na glorificação deles, para que compartilhem a natureza essencial de Cristo.

“...fostes selados com o Espírito Santo da promessa”.

1 – O Espírito Santo é o “selo” do cristão. Este selo significa a presença do Espírito Santo:
1.1 – No mundo antigo, o selo apresentava o símbolo pessoal do proprietário.
1.2 – Esse selo, tal como numa carta, distinguia o que era verdadeiro, do que era espúrio.
1.3 – Essa selagem nos assegura na convicção de pertencermos a Deus como filhos adotivos (Gl 4.6; Rm 8.15,16).
1.4 – Na época do N.T. (igreja apostólica) existiam certos cultos religiosos que tinham o costume de fazer tatuagem com
o emblema do grupo em seus seguidores como o que dizia: “terem sido selados” ou “iniciados”. Essa tatuagem ou selo
assinalava ou identificava que pertenciam a determinada divindade pagã.
1.5 – Os judeus consideravam a circuncisão como um selo do pacto abraãmico (Rm 4.11).
1.6 – Alguns intérpretes consideravam o batismo cristão um paralelo neo-testamentário da circuncisão, o que de fato,
pode ser um “sinal exterior” da obra interior de Deus, que é o selo do Espírito Santo.

2 – A expressão “o Espírito Santo da promessa” pode, no grego, ter o sentido de “o Espírito Santo prometido”, ou
seja, o Espírito que foi prometido no Antigo Testamento (Ez 36.26; 37. 1-14; Jl 2.28), e posteriormente confirmado elo do
Senhor (Lc 24.49; Jo 7.39).

2.1 – O Senhor Jesus Cristo nos prometeu a vinda e a presença do “divino parácleto () ” ou o
“Consolador” (Jo 14.16-18).

‹1ò14Ì o{ ejstin ajrrabw;n th'" klhronomiva" hJmw'n, eij" ajpoluvtrwsin th'" peripoihvsew", eij" e[painon th'"
dovxh" aujtou'.
VERSÍCULO 1.14: “o qual é o penhor pda nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua
glória. p 2Co 1.22; 5.5; Lc 21.28”.

PENHOR DA NOSSA HERANÇA – Dá a idéia de uma “parcela inicial” de todas as nossas bênçãos futuras, ou
ainda uma “primeira prestação” ou “garantia” de que o contrato ou parcela da graça será integralmente cumprido.
Deus penhorou (nos deu uma garantia legal de valor incalculável) Seu próprio Espírito como garantia da nossa
redenção completa no futuro (Ef 4.30).
Num negócio entre duas partes, o “penhor” (“arrabón” () – palavra que os gregos herdaram dos
mercadores fenícios) era um pagamento parcial, que dava a certeza de que o pagamento total seria feito; uma
antecipação e garantia daquilo que será seu quando possuir plenamente a herança legada por Deus (2Co 5.5; 1.21), ou
ainda pode ser entendido como uma espécie de “caução” (abonação, fiança, garantia, hipoteca, segurança, sinal) de um
hospital para garantia do pagamento integral do internamento (geralmente mais alto que o valor total do pagamento).

Aplicação Pessoal
1:14 penhor. I.e. depósito, entrada, pagamento inicial. A presença do Espírito Santo é a garantia que Deus nos dá de
que nossa salvação será consumada.
1.14 O penhor. O Espírito Santo não é somente a "entrada" paga adiantada, que confirma a posse dAquele que nos
comprou e selou (13; 4.30), mas a própria garantia da qualidade de vida que teremos no céu (2 Co 1.22; 5.5; Fp 1.6).

PARA REDENÇÃO DA POSSESSÃO DE DEUS – Poderíamos também dizer: “Até a obtenção (plena) de nossa
possessão divina”.

Temos aqui 2 idéias em destaque que se completam:

17
1a – Até ao resgate daquilo que agora possuímos, em forma de parcela inicial. De acordo com a versão inglesa
RSV, transliterado: “Até adquirirmos a possessão da herança”.
2a – Até obtermos a total posse de nossa redenção (em Cristo Jesus) divina.

A REDENÇÃO TEM DOIS ASPECTOS:


1º - Passado: Fomos remidos mediante o “perdão de pecados” (Ef 1.7), “fomos comprados de volta”.
2º - Futuro: Possessão total da nossa herança – Rm 8.23 – ressurreição metafísica do corpo – 2Tm 2.10 – vida
eterna com Deus.

No momento presente, gozamos apenas uma parte de nossa redenção, porém, no futuro, gozaremos
plenamente essa redenção, e a garantia dessa redenção futura aqui e agora é o penhor do Espírito que nos assegura a
obtenção completa dessa redenção (Ap 21.6,7; 22. 1-5). Tal resgate é, parcialmente, alcançado agora, mas no fim o será
totalmente (Lc 21.28; Ef 4.30; Rm 8.23).
A possessão plena de tudo que Deus planejou para os homens: tanto judeus como gentios. Essa possessão
plena é a “consumação final da nossa redenção” como foi explanado nos dois tópicos anteriores, para “louvor da glória
da sua graça”.

Aplicação Pessoal
1.13,14 O ESPÍRITO SANTO... O PENHOR. O Espírito Santo é o "penhor" ou sinal da nossa herança (v.14), i.e., uma
primeira prestação ou parcela inicial. Na presente era, o Espírito Santo é concedido aos crentes como parcela ou
quinhão inicial, por conta do que vamos receber no futuro. Sua presença e obra em nossas vidas; é uma "entrada" por
conta da nossa herança (cf. Rm 8.23; 2Co 1.22; 5.5).
1.13 FOSTES SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO. Como "selo", o Espírito Santo é dado ao crente como a marca ou
evidência de propriedade de Deus. Ao outorgar-nos o Espírito, Deus nos marca como seus (ver 2Co 1.22). Assim, temos
a evidência de que somos filhos adotados por Deus, e que a nossa redenção é real, pois o Espírito Santo está presente
em nossa vida (cf. Gl 4.6). Podemos saber que realmente pertencemos a Deus, pois o Espírito Santo nos regenera e
renova (Jo 1.12,13; 3.3-6), nos liberta do poder do pecado (Rm 8.1-17; Gl 6.16-25), nos faz conscientes de que Deus é
nosso Pai (v.5; Rm 8.15; Gl 4.6) e nos enche de poder para testemunhar (At 1.8; 2.4).
1.13 O ESPÍRITO SANTO. O Espírito Santo e seu lugar na redenção do crente é um dos pontos principais desta carta. O
Espírito Santo no crente: (1) é a marca ou sinal de propriedade de Deus (v.13); (2) é a primeira "porção" ou "quinhão”, da
herança do crente [traduzido "penhor"] (v.14); (3) é o Espírito de sabedoria e de revelação (v.17); (4) ajuda o crente a
aproximar-se de Deus (2.18); (5) edifica os crentes como templo santo (2.21,22); (6) revela o mistério de Cristo (3.4,5);
(7) fortalece o crente com poder, no homem interior (3.16); (8) promove a unidade da fé cristã, na completa semelhança
de Cristo (4.3,13); (9) entristece-se com o pecado na vida do crente (4.30); (10) quer repetidamente encher e capacitar o
crente (5.18); e (11) ajuda na oração e na guerra espiritual (6.18).
1:13 tendo nele também crido. A ocasião da selagem coincide com a ocasião da fé. selados com o Santo Espírito.
Um selo indicava posse e segurança. A presença do Espírito Santo, o selo divino, é para o crente a garantia da
segurança de sua salvação.

CAPÍTULO 1.15-23 – A ORAÇÃO DE PAULO PELOS EFÉSIOS

A primeira parte, dos versículos 3 ao 14, é vista mais como uma declaração do eterno propósito de Deus, e a
segunda parte, uma oração para que Deus abra os olhos do nosso entendimento (dos efésios) para que se possa ser
compreendido esse propósito.
Paulo não apenas declarou o eterno propósito de Deus, mas ele orou para que o povo de dEle alcançasse essa
visão. Não podemos orar corretamente sem termos primeiramente um visão correta do que Deus almeja.

‹1ò15Ì Dia; tou'to kajgwv ajkouvsa" th;n kaqÆ uJma'" pivstin ejn tw'/ kurivw/ ÆIhsou' kai; th;n ajgavphn th;n eij"
pavnta" tou;" aJgivou"
‹1ò16Ì ouj pauvomai eujcaristw'n uJpe;r uJmw'n mneivan poiouvmeno" ejpi; tw'n proseucw'n mou,
‹1ò17Ì i{na oJ qeo;" tou' kurivou hJmw'n ÆIhsou' Cristou', oJ path;r th'" dovxh", dwvh/ uJmi'n pneu'ma sofiva"
kai; ajpokaluvyew" ejn ejpignwvsei aujtou',
‹1ò18Ì pefwtismevnou" tou;" ojfqalmou;" th'" kardiva" »uJmw'n¼ eij" to; eijdevnai uJma'" tiv" ejstin hJ ejlpi;" th'"
klhvsew" aujtou', tiv" oJ plou'to" th'" dovxh" th'" klhronomiva" aujtou' ejn toi'" aJgivoi",
VERSÍCULOS 1.15-18: “Pelo que, qouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e a vossa 2caridade para
com todos os santos, (2ou amor) q Cl 1.4; Fm 5, não cesso de dar graças ra Deus por vós, lembrando-me de vós nas
minhas orações, r Rm 1.9; Fp 1.3-4; Cl 1.3, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, svos dê em
seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, s Jo 20.17; Cl 1.9, tendo iluminados os olhos do vosso
entendimento, tpara que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos
santos t At 26.18; Ef 2.12”.

18
Paulo era grato a Deus, ou dava graças a Deus, por saber da fé e do amor da igreja de Éfeso, e orava também
para que tivessem esperança, ou compreendessem qual a esperança do chamamento deles. Essa esperança era a visão
do propósito de Deus.

ESPÍRITO DE SABEDORIA E REVELAÇÃO – Espírito – do grego, “pneuma” () = sopro, vida, poder.
A idéia aqui é do sopro divino de sabedoria e de revelação.
Sabedoria – Significa olhar a vida com os olhos de Deus, pensar como Deus pensa. Na prática, é compreender
a forma mais correta de relacionar-se com Deus e com o próximo.
Paulo era cheio de sabedoria porque olhava a vida na perspectiva divina e vivia de acordo com essa visão. Para
os homens, não passava de um louco, todavia, para Deus era sábio; via pensava e agia de forma correta.
Revelação – Desvendar, tirar o véu. Diz respeito ao conhecimento dos mistérios de Deus.
Precisamos de revelação para conhecermos e compreendermos os mistérios de Deus, e precisamos de
sabedoria para aplicarmos a nossa vida prática essa revelação.

ILUMINANDO OS OLHOS DO VOSSO CORAÇÃO – Tendo os olhos do entendimento iluminados –


Entendimento = coração.

Os 3 pedidos da oração:

1º - “...para saberdes qual é a esperança do seu chamamento (da sua vocação)...”.


2º - “...[e] qual a riqueza da glória da sua herança nos santos”.
3º - Efésios 1.19 – “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a
operação da força do seu poder...”.

Deus manifestou seu poder = do grego, “dunamis” (s), que significa, “força”, “energia”, “habilidade”,
“poder”. Em nosso vocabulário, a palavra dinamite se deriva deste termo grego. Tal palavra era usada para indicar
“milagres”, “maravilhas”, isto é, “feitos” que requerem poder extraordinário e sobre-humano.

‹1ò19Ì kai; tiv to; uJperbavllon mevgeqo" th'" dunavmew" aujtou' eij" hJma'" tou;" pisteuvonta" kata; th;n
ejnevrgeian tou' kravtou" th'" ijscuvo" aujtou'.
VERSÍCULO 1.19: “e qual a sobre excelente grandeza udo seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da
força do seu poder, u Ef 3.7; Cl 1.29; 2.12”.

Aplicação Pessoal
1.19 SEU PODER. Para o crente progredir na graça, obter vitória sobre Satanás e o pecado, dar testemunho eficaz de
Cristo e usufruir a salvação final, é necessário o poder de Deus operando nele (cf. 1Pe 1.5). Esse poder é a atividade,
manifestação e força do Espírito Santo operando no crente fiel. É o mesmo Espírito de poder que ressuscitou Cristo
dentre os mortos e o assentou à destra de Deus (v.20; Rm 8.11-16, 26,27; Gl 5.22-25).

‹1ò20Ì h}n ejnhvrghsen ejn tw'/ Cristw'/ ejgeivra" aujto;n ejk nekrw'n kai; kaqivsa" ejn dexia'/ aujtou' ejn toi'"
ejpouranivoi"
‹1ò21Ì uJperavnw pavsh" ajrch'" kai; ejxousiva" kai; dunavmew" kai; kuriovthto" kai; panto;" ojnovmato"
ojnomazomevnou, ouj movnon ejn tw'/ aijw'ni touvtw/ ajlla; kai; ejn tw'/ mevllonti:
VERSÍCULO 1.20,21: “que manifestou em Cristo, vressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus, v At
2.24,33; 7.55; Cl 3.1, acima de todo xprincipado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só
neste século, mas também no vindouro. x Fp 2.9-10

- “...ressuscitando-o dentre os mortos...”.


- “...e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, muito acima de todo principado, e autoridade, e poder,
e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as
coisas debaixo dos seus pés...”.

1Co 15.24-28, mostra-nos uma perspectiva tríplice:

1º - Todas as coisas já estão legalmente sujeitas a Cristo (1Co 15.27a).


2º - Todas as coisas já estão legalmente sujeitas a Cristo; ainda não se sujeitaram historicamente a Ele (1Co
15.28a).
3º - Todas as coisas só estarão de fato totalmente sujeitas a Cristo quando o Reino de Deus, mediante a vinda
de Cristo, prevalecer sobre as forças ou poderes da história. No entanto, o prevalecer final do Reino implicará na
destruição de todos esses poderes auto-existentes ou que existem na oposição a Deus (1Co 15.24) (“A Bíblia e o
Impeachment” pág. 76).
19
Aplicação Pessoal
1.15 Fé... no Senhor.. amor para... os outros. É a prova dupla da verdadeira regeneração.
1:18 vosso coração. Nas Escrituras o "coração" é considerado o próprio centro e âmago da vida.
1.17-19 São três as petições centrais desta oração apostólica: 1) que os efésios possam conhecer plenamente a
esperança do chamamento (CI 1.5); 2) que possam apreciar a riqueza da glória da Sua (de Cristo) herança nos santos;
3) que possam meditar na supremo grandeza do Seu poder para conosco. Tudo isso é possível para nós no pleno
conhecimento dEle (v. 17).
1.16-20 NAS MINHAS ORAÇÕES. A oração de Paulo pelos efésios reflete o desejo máximo de Deus para todo crente
em Cristo. Ele ora para que o Espírito opere neles em maior escala (cf. 3.16). A razão dessa medida maior do Espírito é
que os crentes recebam mais sabedoria, revelação e conhecimento a respeito dos propósitos redentores de Deus para a
salvação, presente e futura (vv.17,18), e experimentem um “poder" mais abundante do Espírito Santo na sua vida
(vv.19,20).
1:20 à sua direita. Veja Sl 110:1. A direita ou destra é um meio figurado de indicar o lugar de honra e de poder
soberano.
1:21 principado, e potestade, e poder, e domínio. Estas palavras, no pensamento rabínico da época representavam
diferentes ordens de anjos (veja Rm 8:38; Ef 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10, 15; Tt 3:1).

‹1ò22Ì kai; pavnta uJpevtaxen uJpo; tou;" povda" aujtou' kai; aujto;n e[dwken kefalh;n uJpe;r pavnta th'/
ejkklhsiva/,
VERSÍCULO 1.22: “E sujeitou todas as coisas a zseus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, z
Mt 28.18; 1Co 15.27; Hb 2.18”.

Aplicação Pessoal
1:22-23 à igreja, a qual é o seu corpo. A Igreja universal, à qual pertence todo verdadeiro crente, não importando a qual
igreja local esteja filiado. É um organismo espiritual no qual se entra pelo batismo com o Espírito Santo (1 Co 12:13).
Cristo é o Senhor ressurreto da Igreja e seus membros são sujeitos a Ele (Ef 5:24). As igrejas locais deveriam ser
miniaturas do corpo de Cristo, embora seja possível haver membros de igrejas locais não genuinamente salvos e que,
portanto, não são membros do corpo de Cristo.

‹1ò23Ì h{ti" ejsti;n to; sw'ma aujtou', to; plhvrwma tou' ta; pavnta ejn pa'sin plhroumevnou.
VERSÍCULO 1.23: “que é o seu corpo, aa plenitude daquele que cumpre tudo em todos. a Rm 12.5; 1Co 12.12,27”.

1.23 Plenitude. O Seu corpo, a Igreja, Salva e remida, é complemento, dEle que é a cabeça.

CAPÍTULO 2

Capítulo 2.1-10 – A salvação é pela graça de Deus.


Capítulo 2.11-22 – Os gentios e os judeus são unidos por Deus mediante a cruz de Cristo formando um só povo.

CAPÍTULO 2.1-10 – NOSSA POSIÇÃO ANTES E DEPOIS DE CRISTO


CAPÍTULO 2.1-3 – ASPECTOS NEGATIVOS DA NOSSA SITUAÇÃO PASSADA

‹2ò1Ì Kai; uJma'" o[nta" nekrou;" toi'" paraptwvmasin kai; tai'" aJmartivai" uJmw'n,
VERSÍCULO 2.1: “E vos vivificou, aestando vós mortos em ofensas e pecados, a Jo 5.24; Cl 2.13; Ef 4.18”.

‹2ò2Ì ejn ai|" pote periepathvsate kata; to;n aijw'na tou' kovsmou touvtou, kata; to;n a[rconta th'" ejxousiva" tou'
ajevro", tou' pneuvmato" tou' nu'n ejnergou'nto" ejn toi'" uiJoi'" th'" ajpeiqeiva":
VERSÍCULO 2.2: “em que, bnoutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades
do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; b 1Co 6.11; Cl 1.21; 1Jo 5.19”

‹2ò3Ì ejn oi|" kai; hJmei'" pavnte" ajnestravfhmevn pote ejn tai'" ejpiqumivai" th'" sarko;" hJmw'n poiou'nte" ta;
qelhvmata th'" sarko;" kai; tw'n dianoiw'n, kai; h[meqa tevkna fuvsei ojrgh'" wJ" kai; oiJ loipoiv:
VERSÍCULO 2.1: “entre os quais todos cnós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade
da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. c Tt 3.3; 1 Pe 4.3; Gl 5.16”.

- Mortos em delitos e ofensas


- Andando segundo o curso deste mundo:

1 – Terra física (Jo 9.32).


20
2 – O povo, os habitantes da terra (Jo 3.16).
3 – As coisas materiais, riquezas e bens (1Jo 2.15-17).
4 – O sistema que governa este mundo (Ef 2.2).

- Segundo o príncipe das potestades do ar – Satanás (Jo 12.31; 14.30 – Do espírito que agora opera nos filhos
da desobediência), ou participando do império das trevas ou do Reino de Deus. Não há campo neutro, posição neutra (Cl
1.15).
Existe dentre muitas justificativas, os das pessoas caridosas, as que não fumam, não bebem, são honestas,
cuidam da família, etc, no entanto não conhecem o senhorio de Cristo sobre suas vidas, conseqüentemente não são
mais do que filhos da desobediência.

- Andávamos nos desejos da carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos – Corpo – Concupiscência
da carne – Alma – “psiquê” (mente, vontade, emoções) – Espírito – “pneuma”.
Satanás atua de fora para dentro, isto é, o corpo tem contato com o mundo e com o sistema iníquo. Dentro do
corpo temos a alma com as emoções, o intelecto e a vontade. No mais interior, temos o espírito que foi criado por Deus
para ser nosso meio de contato com Ele.
Depois da queda, o espírito do homem perdeu o contato com Deus, e Satanás tem apelado para as paixões e
concupiscências da carne e dos olhos. O diabo tenta o homem a pecar ao nível da carne, e vai dominando-o até alcançar
a alma. Dessa forma o homem sem comunhão com Deus está morto em delitos e ofensas, e seu espírito está totalmente
separado da glória de Deus, está morto, sem vida, porém aberto para a operação de espíritos malignos. Sem comunhão
com Deus o espírito humano não tem força.
Contrariamente a Satanás, Deus atua de dentro para fora, alcançando nosso espírito pelo poder do Seu Espírito
através de Sua Palavra; nosso espírito é recriado ou nasce de novo, pois recebe a vida que emana do Espírito de Deus
(Jo 3.3-6; 1Co 6.17; Ef 2.1: “e vos deu vida, estando vós mortos...”).
Nossa mente é renovada pela Palavra de Deus e pela persuasão do Espírito de Deus (Rm 12.1,2). Nosso corpo
é levado em disciplina até o dia da nossa redenção final, que é a glorificação física (1Co 9.25-27; Fl 3.20,21).
O poder do Espírito vem do nosso espírito para resistirmos as concupiscências da carne, e dos olhos e assim
andarmos em santidade (1Ts 5.23; Gl 5.16,17,25,26).
“A liberação do Espírito” – Livro de Watchman Nee, enfoca esta visão na amplitude dessa situação:
- E éramos por natureza filhos da ira – Se éramos “filhos da desobediência” éramos também “filhos da ira”,
pois merecíamos o mesmo castigo que Satanás mereceu por sua desobediência. Os filhos da ira são os filhos que
receberão o castigo da ira de Deus (Jo 3.32; 8.44). Serão lançados no lago de fogo e enxofre preparado para Satanás e
seus anjos (Mt 25.41; 2Ts 1.7-9; Ap 20.10,14,15).
Ira de Deus – É uma ira santa, uma ira justa (Rm 1.18). proveniente do grego, “orge” (), é uma ira
pensada, firmada na razão e na vontade santa e justa dEle próprio; é a aplicação da punição divina contra o pecado (Rm
1.18).

2:1 mortos. I.e., separados de Deus por causa dos pecados. Esta é a morte espiritual. Se um indivíduo continua neste
estado por sua contínua rejeição de Cristo, a morte espiritual torna-se a segunda morte, a separação eterna de Deus (Ap
20:14).

Aplicação Pessoal
2.1 Mortos (v. 5). A morte espiritual tem vários sentidos: 1) em Adão (Rm 5.12; vd n); 2) em delitos e pecados (cf. Cl
2.13) que acabam na segunda morte (Ap 20.6, 14); 3) com Cristo, quando Ele morreu (Gl 2.20 Rm 6.8, CI 2.20); 4) no
batismo (Rm 6.4; 2.12); 5) numa experiência contínua (Rm 6.11; Cl 3.5). De qualquer forma, não é a doença mas a
morte que nos diz respeito. Esta é a razão por que dependemos completamente dAquele que nos pode dar nova vida (v.
5).

2:2 o príncipe ... do espírito. Ambas as expressões referem-se a Satanás. filhos da desobediência. Um hebraísmo
que indica "pessoas desobedientes por natureza".
2.2 Príncipe. Satanás, que desde a queda de Adão domina o mundo de homens e espíritos em rebelião contra Deus (Jo
12.31) Ar. Usado como metáfora: a atmosfera ou a ambiente do século.

Aplicação Pessoal
2.2 FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA. Efésios 2.1-4 revela uma razão por que o cristão deve ter grande compaixão e
misericórdia dos que ainda vivem em ofensas e pecados.
(1) Todo aquele que está sem Cristo é controlado pelo "príncipe das potestades do ar", i.e., Satanás. Sua mente é
obscurecida por Satanás, para que não veja a verdade de Deus (cf. 2Co 4.3,4). Tais pessoas estão escravizadas pelo
pecado e concupiscências da carne (v.3; Lc 4.18).
(2) A pessoa irregenerada, por causa de sua condição espiritual não poderá compreender, nem aceitar a verdade à parte
da graça de Deus (vv.5,8; 1Co 1.18; Tt 2.11-14).

21
(3) O cristão deve ver a todos do ponto-de-vista bíblico. Quem vive na imoralidade e no orgulho deve ser alvo da nossa
compaixão, por causa da sua escravidão ao pecado e a Satanás (vv.1-3; cf. Jo 3.16).
(4) A pessoa sem Cristo é responsável pelo seu pecado, pois Deus dá a cada ser humano uma medida de luz e graça,
com a qual possa buscar a Deus e escapar da escravidão do pecado, mediante a fé em Cristo (Jo 1.9; Rm 1.18-32; 2.1-
6).

2:3 A natureza básica do homem foi afetada pelo pecado. filhos da ira. Mais um hebraísmo, difícil de traduzir que
significa "merecedores da ira".
CAPÍTULO 2.4-10 – A INTERFERÊNCIA GRACIOSA DE DEUS

Aspectos positivos de nossa posição depois de Cristo.

‹2ò4Ì oJ de; qeo;" plouvsio" w]n ejn ejlevei, dia; th;n pollh;n ajgavphn aujtou' h}n hjgavphsen hJma'",
VERSÍCULO 2.4: “Mas Deus, dque é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, d Rm 10.12”.

Apesar de nosso estado miserável, da nossa situação espiritual em Cristo, destinados a ira de Deus, perdidos
sem salvação, Deus veio ao nosso encontro com seu amor e misericórdia sem que merecêssemos favor nenhum dele.

‹2ò5Ì kai; o[nta" hJma'" nekrou;" toi'" paraptwvmasin sunezwopoivhsen tw'/ Cristw'/, - cavritiv ejste
sesw/smevnoi -
VERSÍCULO 2.5: “estando nós ainda emortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois
salvos), e Rm 5.6,8,10; 6.4-5”.

*‹2ò6Ì kai; sunhvgeiren kai; sunekavqisen ejn toi'" ejpouranivoi" ejn Cristw'/ ÆIhsou',
*VERSÍCULO 2.6: “e nos ressuscitou juntamente com ele, fe nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; f
Ef 1.27”.

Tt 2.11 – “Porque a graça de Deus se há manifestado trazendo salvação a todos os homens”.


A graça de Deus manifestou-se “em Cristo”.

- Nos vivificou juntamente com Ele.


- Nos ressuscitando juntamente com Ele.
- Nos fazendo assentar juntamente com Ele.

A primeira posição que temos em Cristo já aconteceu:

- Ele nos deu a vida.

Quanto à ressurreição e ascensão também já aconteceram “em Cristo”, entretanto não se manifestou
historicamente no “kronos” humano, apesar de ser uma verdade posicional (Cl 3.1-4).
Gl 2.20 – “Já estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mais Cristo vive em mim...” (verdade histórica).

PROPÓSITO DA GRAÇA DE DEUS “EM CRISTO” SOBRE NÓS

‹2ò7Ì i{na ejndeivxhtai ejn toi'" aijw'sin toi'" ejpercomevnoi" to; uJperbavllon plou'to" th'" cavrito" aujtou' ejn
crhstovthti ejfÆ hJma'" ejn Cristw'/ ÆIhsou'.
VERSÍCULO 2.7: “para mostrar nos séculos vindouros (eternidade) as abundantes riquezas da sua graça, gpela sua
benignidade para conosco em Cristo Jesus. g Tt 3.4”.

Deus quer mostrar para todo o sempre a sua graça através de nós. Podemos ver eternos troféus de sua
bondade, misericórdia e graça. Assim como as grandes cidades têm letreiros luminosos com luzes florescentes que
piscam continuamente, nos seremos os “outdoors” da graça de Deus da nova Jerusalém.

2.7 Séculos vindouros. É na eternidade depois da segunda vinda.

Aplicação Pessoal
2:7 Os crentes serão uma eterna demonstração da graça de Deus.

CAPÍTULO 2.8-10 – A GRAÇA E AS OBRAS

22
Essa passagem é a declaração clássica da graça de Deus, como também 1Co 11.23,24, o texto clássico da Ceia
do Senhor.

‹2ò8Ì th'/ ga;r cavritiv ejste sesw/smevnoi dia; pivstew": kai; tou'to oujk ejx uJmw'n, qeou' to; dw'ron: ‹2ò9Ì oujk
ejx e[rgwn, i{na mhv ti" kauchvshtai.
VERSÍCULO 2.8,9: “Porque pela graça hsois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. h Rm 3.24;
2Tm 1.9 Não vem das obras, ipara que ninguém se glorie. i Rm 3.20,27-28; 1Co 1.29-31”.

A graça é um dom de Deus ou presente de Deus e não algo dado pelas obras ou merecimento. Nada precisamos
fazer para ganhá-la, porém a perdemos sem tentarmos merecê-la por nossos esforços.

2:8 A salvação é pela graça ... mediante a fé. A fé envolve o conhecimento do Evangelho (Rm 10:14), reconhecimento
da verdade da sua mensagem, e recepção pessoal do Salvador (Jo 1:12). As obras não podem salvar (Ef 2:9), mas as
boas obras sempre acompanham a salvação (v. 10; Tg 2:17).
2.8 Mediante a fé. Fé é meio, caminho ou canal. Não é uma "obra" mas, um Dom. "Se respiramos é porque a vida foi
respirada dentro de nós" (Simpson).

Aplicação Pessoal
2.9 NÃO VEM DE OBRAS. Ninguém poderá ser salvo pelas obras e boas ações, ou por tentar guardar os mandamentos
de Deus. Seguem-se as razões:
(1) Todos os não-salvos estão espiritualmente mortos (v.1), sob o domínio de Satanás (v.2), escravizados pelo pecado
(v.3) e sujeitos à condenação divina (v.3).
(2) Para sermos salvos precisamos receber a provisão divina da salvação (vv.4,5), ser perdoados do pecado (Rm 4.7,8),
ser espiritualmente vivificados (Cl 1.13), ser feitos novas criaturas (v.10; 2Co 5.17) e receber o Espírito Santo (Jo 7.37-
39; 20.22). Nenhum esforço da nossa parte poderá realizar essas coisas.
(3) O que opera a salvação é a graça de Deus mediante a fé (vv.5,8). O dom salvífico de Deus inclui os seguintes
passos: (a) a chamada ao arrependimento e à fé (At 2.38). Com essa chamada vem a obra do Espírito Santo na pessoa,
dando-lhe poder e capacidade de voltar-se para Deus. (b) Aqueles que respondem com fé e arrependimento e aceitam a
Cristo como Senhor e Salvador, recebem graça adicional para sua regeneração ou novo nascimento, pelo Espírito (ver o
estudo A REGENERAÇÃO, Jo 3) e ser cheios do Espírito (At 1.8; 2.38; Ef 5.18). (c) Aqueles que se tornam novas
criaturas em Cristo, recebem graça contínua para viver a vida cristã, resistir ao pecado e servir a Deus (Rm 8.13,14; 2Co
9.8). O crente se esforça em viver para Deus, mediante a graça que nele opera (1Co 15.10). A graça divina opera no
crente dedicado, tanto para ele querer como para cumprir a boa vontade de Deus (Fp 2.12,13). Do começo ao fim, a
salvação é pela graça de Deus (ver o estudo FÉ E GRAÇA, Rm 5).

‹2ò10Ì aujtou' gavr ejsmen poivhma, ktisqevnte" ejn Cristw'/ ÆIhsou' ejpi; e[rgoi" ajgaqoi'" oi|" prohtoivmasen oJ
qeo;", i{na ejn aujtoi'" peripathvswmen.
VERSÍCULO 2.10: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para jas boas obras, as quais Deus preparou
para que andássemos nelas. j Dt 32.6; Is 19.25; Jo 3.3,5”.

Ef 2.10 – A graça não só perdoa pecados, mas também produz a vida de Cristo em nós como membros da nova
raça – “...somos feitura sua, criados em Cristo...”.
At 4.32-35 – O resultado desta graça neste livro, ou melhor na igreja dos tempos dos atos dos apóstolos, foi a
doação dos bens materiais, a destruição da barreira entre judeus e gentios e a abundância de vida no meio da tribulação.
A graça é muito mais que uma doutrina bíblica, é nada menos do que a liberdade para cumprir a lei (Gl 5.1-4).
Essa graça manifestou-se trazendo não apenas perdão, salvação, justificação, vida eterna, etc., mas também:

2.11-13 – Cuidado espiritual e religioso ente judeus e gentios.


2.15,16 – Reconciliação social entre judeus e gentios.
2.14 – Formação de um só povo “em Cristo” (A IGREJA).

DISTINÇÃO ENTRE OBRAS DA FÉ E OBRAS DA LEI

(1) – As obras como meios de justificação não são aceitas diante de Deus, antes são reprovadas – (Gl 2.16). Ex.:
filantropia, caridade, sacrifícios, novenas, procissões, ajudas financeiras, promessas feitas e cumpridas na intenção de
alcançar algum favor de Deus, a guarda dos sábados, os dez mandamentos e etc.
(2) – As obras da fé são as obras resultantes da nossa fé em Deus, pois a “fé sem obras é morta”; essas obras
não são um meio de justificação diante de Deus, mas sim, uma conseqüência natural da graça de Deus em nós, isto é,
nós fazemos as “boas obras” não para sermos salvos, mas porque somos salvos (Mt 5.13-16; Ef 2.10).

23
Aplicação Pessoal
2.10 Boas obras. Só são possíveis depois de sermos criados de novo pelo Espírito, de Cristo (2 Co 5.17; Gl 5.22-25).
Antemão. Confere toda a glória a Deus.

– CAPÍTULO 2.11-22 –
OS GENTIOS E OS JUDEUS SÃO UNIDOS POR DEUS MEDIANTE A CRUZ DE CRISTO

Efésios se divide em duas partes. Vimos na primeira que o tema está centralizado na graça de Deus. Na
segunda estaremos vendo o tema que gira em torno da Paz. Paulo fala sobre a paz quatro vezes (2.13-17), e sobre
reconciliação uma vez (2.16). Portanto, o capítulo dois trata sobre a graça e a paz. Todas as epístolas de Paulo
começam com “graça e paz”. Encontramos essa saudação dezessete vezes no N.T. – treze nas cartas de Paulo, duas
nas cartas de Pedro, uma em 2 João, e uma em Apocalipse. O V.T. termina com a palavra maldição e o N.T. com a
frase: “A graça do nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco”. (Rm 1.7; 1Co 1.3; 2Co 1.2; Gl 1.3; Ef 1.2; Fl 1.2; Cl 1.2;
1Ts 1.1; 2Ts 1.2; 1Tm 1.2; 2Tm 1.2; Tt 1.4; Fm 1.3; 1Pe 1.2; 2Pe 1.2; 2Jo 1.3; Ap 1.4).
Efésios capítulo 2 aborda esse assunto – Reconciliação entre judeus e gentios. Essa reconciliação trouxe paz
entre esses povos, “a paz de Cristo que excede todo entendimento humano”.

‹2ò11Ì Dio; mnhmoneuvete o{ti pote; uJmei'" ta; e[qnh ejn sarkiv, oiJ legovmenoi ajkrobustiva uJpo; th'"
legomevnh" peritomh'" ejn sarki; ceiropoihvtou,
VERSÍCULO 2.11: “Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamam circuncisão, feita pela mão dos
homens; l 1Co 12.2; Cl 1.21; Rm 2.28-29””.

Paulo inicia mais uma vez mostrando a posição dos gentios “antes de Cristo”, gentios na carne, enquanto os
judeus são o povo escolhido de Deus descendentes dos patriarcas – Abraão, Isaque e Jacó. Paulo teve de iniciar esta
segunda parte mostrando a posição desses dois povos – gentios e judeus – para revelar a existência de um terceiro povo
– A Igreja (existem três povos) formada tanto de gentios quanto de judeus (1Co 10.32).
Os judeus são a descendência natural de Abraão. Os gentios são os demais povos da terra separados do povo
de Deus e ignorantes aos propósitos de Deus; a Igreja é a nova raça, o nosso povo, o Israel espiritual, o povo da nova
aliança que Deus escolheu para realizar seus propósitos aqui na terra.

GENTIOS NA CARNE, CHAMAM CIRCUNCISÃO – Do mesmo que os gregos menosprezavam os que viviam
fora de suas cidades, chamando-os “ethné” () = pagãos, semelhantemente os judeus menosprezavam os demais
povos por não conhecerem a Deus e não terem o sinal da aliança (Gn 17.10-14; Lc 2.21; Fl 3.4,5), circuncisão no
prepúcio.

FEITA PELA MÃO DOS HOMENS; – Os judeus por serem circuncidados na carne, se julgavam os únicos dignos
de ser o “povo de Deus”.
A circuncisão era um sinal de purificação da carne simbolizando a do coração. A circuncisão na carne era uma
figura da circuncisão no espírito. O tempo das figuras e sombras acabaram-se na vinda de Jesus que trouxe a realidade
das coisas celestiais (Rm 2.28,29; Hb 11.23,24; Fl 3.3; Cl 2.11).

Aplicação Pessoal
2.11 A distinção entre gentio e judeu, removida em Cristo (Cl 3.11), fez obsoletos os termos "circuncisão" e
"incircuncisão".
2:11-22 Paulo agora expande o conceito do corpo de Cristo apresentado em 1:23.

‹2ò12Ì o{ti h\te tw'/ kairw'/ ejkeivnw/ cwri;" Cristou', ajphllotriwmevnoi th'" politeiva" tou' ÆIsrah;l kai; xevnoi tw'n
diaqhkw'n th'" ejpaggeliva", ejlpivda mh; e[conte" kai; a[qeoi ejn tw'/ kovsmw/.
VERSÍCULO 2.12: “que, naquele mtempo, estáveis sem Cristo, 3separados da comunidade de Israel e estranhos aos
concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. ( 3ou separados da comunhão) m Cl 2.11; Ez 13.19;
Jo 10.16”.

Mais uma vez Paulo relembra aos gentios sua posição passada, a situação, deles, sem Cristo era irremediável:

(1) - Separados da comunidade de Israel.


(2) - Estranhos às alianças da promessa.
(3) - Não tendo esperança.
(4) - Sem Deus no mundo.

(1) – Israel era a nação eleita, povo santo, reino sacerdotal – Êx 19.6; Dt 7.6; 10.5. A comunidade de Israel tinha
a promessa e a esperança messiânica (Gl 3.7-9).
24
(2) – Estranhos às alianças da promessa – São as várias renovações da promessa que Deus fez a vários
homens durante a história de Israel, principalmente aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó (Gn 17.1-4; 22.16-18; 28.13-15;
Rm 3.1,2; 9.4,5; Êx 24.1-11).

(3) – Não tendo esperança – As alianças deram aos patriarcas e aos judeus, segurança, e uma relação especial
de conhecimento e comunhão com Deus, que preservava “a esperança futura do advento messiânico”. Enquanto os
gentios não passavam de um povo ignorante espiritualmente, estranhos às alianças da promessa e sem esperança.

(4) – Sem Deus no mundo – A palavra grega, “atheoi” () não dá o significa de que eles se recusassem a
crer em Deus, ou, que fossem abandonados por Deus, e sim, que não possuíam um conhecimento verdadeiro de Deus.
Em muitos casos, até adoravam “muitos deuses, e muitos senhores”, porém, sem conhecerem, cultuarem e servirem ao
único Deus verdadeiro (1Co 8.5-7; Gl 4.8). Alguns procuravam Deus através do conhecimento filosófico sem, contudo,
conhecê-lo (At 17.18-22).

‹2ò13Ì nuni; de; ejn Cristw'/ ÆIhsou' uJmei'" oi{ pote o[nte" makra;n ejgenhvqhte ejggu;" ejn tw'/ ai{mati tou'
Cristou'.
VERSÍCULO 2.13: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegaste perto
Gl 3.28; At 2.39”.

Da mesma maneira que Paulo dá a nossa posição sem Cristo (2.1-3) em um ângulo negativo, e, com Cristo (2.4-
10) em uma perspectiva positiva nessa segunda parte, daí então ele continua seu posicionamento com uma perspectiva
negativa (2.11,12), e depois analisa a situação dos gentios e judeus cristãos de uma perspectiva positiva.

MAS AGORA EM CRISTO JESUS – O sangue proporcionou reconciliação, reconciliação, aproximação, perdão,
salvação (Rm 5.8,9).

Aplicação Pessoal
2:13 fostes aproximados. De Deus.

‹2ò14Ì Aujto;" gavr ejstin hJ eijrhvnh hJmw'n, oJ poihvsa" ta; ajmfovtera e}n kai; to; mesovtoicon tou' fragmou'
luvsa", th;n e[cqran ejn th'/ sarki; aujtou',
VERSÍCULO 2.14: “Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação
que estava no meio, Mq 5.5; Jo 16.33; At 10.36”.

2:14 a parede da separação. Uma alusão à parede que separava o Átrio dos Gentios do Átrio dos Judeus no templo em
Jerusalém. Uma inscrição naquela parede avisava os gentios da pena de morte para os que a transpusessem.
2.14 Parede da separação. Parece ser uma alusão à barreira na corte dos gentios no templo em Jerusalém. Já foram
encontradas duas inscrições proibindo, sob pena de morte, a entrada no recinto cercado pela barreira. Corresponde à
barreira da lei (v. 15) judaica.

‹2ò15Ì to;n novmon tw'n ejntolw'n ejn dovgmasin katarghvsa", i{na tou;" duvo ktivsh/ ejn aujtw'/ eij" e{na kaino;n
a[nqrwpon poiw'n eijrhvnhn
VERSÍCULO 2.15: “na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar,
em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, Cl 1.20; 2.14,20; 2Co 5.17”.

2:15 na sua carne. Com respeito à explicação paulina desta frase sintética, veja Gl 4:4 e Hb 2:14. a lei dos
mandamentos. Todo o sistema legal judaico. dos dois. I.e., judeu e gentio.

Aplicação Pessoal
2.15 Novo homem. É a Igreja, que é o Corpo de Cristo (cf. 4.13), a "nova criação" de Gl 6.15. Esta unidade se baseia na
participação do Espírito (vv. 18, 22).

‹2ò16Ì kai; ajpokatallavxh/ tou;" ajmfotevrou" ejn eJni; swvmati tw'/ qew'/ dia; tou' staurou', ajpokteivna" th;n
e[cqran ejn aujtw'/.
VERSÍCULO 2.16: “E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade Cl 1.20;
Rm 6.6”.

25
Cristo derrubou a barreira entre judeus e gentios, essa barreira era social e religiosa, e era simbolizada pela
parede de divisão no templo em Jerusalém.
Existia uma barreira tanto espiritual quanto literal em Jerusalém, entre o recinto do templo propriamente dito, e o
pátio dos gentios. Era um muro de pedra no qual existia uma inscrição em grego e em latim que “proibia qualquer
estrangeiro de entrar, sob pena de morte” (Efésios – “Introdução e Comentário” – Francis Foulkes – pág. 69). Na
verdade, não era apenas uma separação social e religiosa, e sim, uma separação; uma discriminação social, racial e
religiosa.
Jesus trouxe a paz entre esses povos quebrando todas as barreiras visíveis e invisíveis. Ele não simplesmente
trouxe a paz, Ele na verdade, é a Paz; o Príncipe da Paz, que implantou a paz na mente e no coração de gentios e
judeus.
O fato dos gentios serem proibidos de entrar onde os judeus entravam significava que eles estavam separados
de Deus e não tinham direito de entrar na sua presença, ao passo de que os judeus, por serem descendentes naturais
de Abraão, tinham esse privilégio. Isto, no ponto de vista “lógico”, inevitavelmente criava uma barreira, uma inimizade
entre estes dois povos. Por outro lado, os judeus estavam separados de Deus por causa do pecado (Rm 3.23; 3.9,10 –
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. “...tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do
pecado”. “Como está escrito: não há um justo, nenhum sequer”).
Os judeus tinham a lei, tinham as promessas de Deus e o sacerdócio, mas além de serem transgressores desta
lei, haviam rejeitado o Messias, pois estavam cheios de orgulho e justiça própria (Rm 10.1-3; Jo 1.12). Havia uma
incontestável barreira entre eles e Deus. Não obstante, esta separação mencionada nos versos 14-16, pode ser aplicada
em três sentidos:

1º - Separação entre judeus e gentios – 2.14


2º - Separação entre gentios e Deus – 2.11,12
3º - Separação entre judeus e Deus – 2.15

Judeus L
Ef 2.15 E DEUS
Gl 2.16 I

Ef 2.12 – Estranhos às alianças


Ef 4.18 – Ignorância
Gentios 1Ts 1.9 – Idolatria DEUS
Gl 4.8 – Politeísmo

Jesus acabou com as duas separações através da cruz – sua carne e seu sangue.
Pela cruz Ele desfez tanto a inimizade entre os dois povos (judeus e gentios), quanto a inimizade entre eles e
Deus.

ABOLIU NA SUA CARNE A LEI DOS MANDAMENTOS, NA FORMA DE ORDENANÇAS, – A lei constituída de
ordenanças, cerimônias e regulamentos detalhados acerca do que era limpo ou impuro, tinha o efeito de impor uma
barreira e causar inimizade entre judeus e gentios. Além disso, ela separava todos os povos de Deus, pois os judeus a
tinham e não obedeciam, e os gentios, não a conheciam.
As ordenanças que traziam os significados de aspectos exteriores, figurativos e simbólicos da lei, causavam
inimizade para com Deus porque eram usadas como desculpas para se poder encobrir a desobediência à lei. A lei de
Deus é boa, santa, perfeita e eterna (Rm 7.12).
Jesus não veio para abolir (destruir) a lei quando na cruz, em sentença de morte, expirou. Veio apenas vertê-la
para si próprio, pois aquela era constantemente acusadora de nossas dívidas, pedindo nossa morte como pagamento.
Cristo “riscou essa dívida” que tínhamos diante da Lei, e, “pregou a sentença condenatória na cruz” (Cl 2.13-15):
“pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade...”.
Por intermédio da cruz o propósito de Deus foi reconciliar os homens com Ele, e também, reconciliar ambos os
povos em um só corpo – a Igreja (2Co 5.19; Gl 3.27,28).

‹2ò17Ì kai; ejlqw;n eujhggelivsato eijrhvnhn uJmi'n toi'" makra;n kai; eijrhvnhn toi'" ejgguv":
VERSÍCULO 2.17: “E, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto, Is 57.19; Zc
9.10; At 2.39”.

26
- ...vós... – gentios – “...estáveis longe...”.
- ...aos que estavam perto... – judeus.

‹2ò18Ì o{ti diÆ aujtou' e[comen th;n prosagwgh;n oiJ ajmfovteroi ejn eJni; pneuvmati pro;" to;n patevra.
VERSÍCULO 2.18: “porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito Jo 10.9; Rm 5.2”.

“Acesso” continua sendo a melhor tradução de “posagôgê” (), podendo significar “introdução”.
Nas cortes orientais, existia um “posagôgês” que introduzia as pessoas à presença do rei. O pensamento do
apóstolo pode ser o de querer considerar Cristo como esta “introdução”. Porém, o sentido mais correto é o de que, por
Ele, existe sim, um “caminho de aproximação”; Ele é a porta, o caminho (Hb 4.16; 7.25).

AMBOS – Judeus e gentios.

ESPÍRITO – É o Espírito Santo (Rm 8.15; Gl 4.6).

Aplicação Pessoal
2.18 ACESSO AO PAI. O acesso ao Pai é mediante Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. "Acesso" significa que nós, que
temos fé em Cristo, temos também a liberdade e o direito de nos aproximar de nosso Pai celestial, certos de que
seremos aceitos, amados e bem-vindos.
(1) Esse acesso foi conseguido por meio de Cristo pelo seu sangue derramado na cruz (v.13; Rm 5.1,2) e pela sua
intercessão, no céu, a favor de todos quantos vierem a Ele (Hb 7.25; cf. 4.14-16).
(2) O acesso a Deus também necessita da ajuda do Espírito Santo. A presença do Espírito que em nós habita, nos
possibilita orar e invocar a Deus segundo a sua vontade e propósito (Jo 14.16,17; 16.13,14; Rm 8.15,16,26,27).

‹2ò19Ì a[ra ou\n oujkevti ejste; xevnoi kai; pavroikoi ajlla; ejste; sumpoli'tai tw'n aJgivwn kai; oijkei'oi tou' qeou',
VERSÍCULO 2.19: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de
Deus; Fp 3.20; Hb 12.22-23; Gl 6.10 ”.

ESTRANGEIROS, – Não pertence ao país, sem direito a cidadania.


FORASTEIROS – Alguém que não tem lar, nem família.
CONCIDADÃOS – Pertencentes a uma nação, com direito a cidadania.
DA FAMÍLIA DE DEUS – Nova posição em Cristo.

‹2ò20Ì ejpoikodomhqevnte" ejpi; tw'/ qemelivw/ tw'n ajpostovlwn kai; profhtw'n, o[nto" ajkrogwniaivou aujtou'
Cristou' ÆIhsou',
VERSÍCULO 2.20: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal
pedra da esquina; 1Co 3.9-10; 1Pe 2.4-5; Mt 16.18 ”.

O fundamento do cristianismo foi lançado pelos apóstolos e profetas cristãos (Ef 3.5 e 4.11). Toda estrutura
desse edifício depende de Cristo, a pedra angular (uma designação messiânica, ver Is 28.16 e Mt 21.42).
Cristo é o Cabeça da Igreja, mas também é a pedra angular do edifício, o alicerce, a base.
Esta afirmação não contrasta 2Co 3.10,11, pois em Ef 2.20 o apóstolo se refere a si mesmo e aos outros
apóstolos e profetas como pedras de edifício, ao passo que em 2 Coríntios, a referência é a construtores. Jesus é o
arquiteto mestre, enquanto os apóstolos e profetas foram o início da construção sobre a qual outros deviam ser
edificadores.

Aplicação Pessoal
2.20 FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS. A igreja somente poderá ser genuína se for alicerçada na revelação infalível,
inspirada por Cristo aos primeiros apóstolos.
(l) Os apóstolos do NT foram os mensageiros originais, testemunhas e representantes autorizados do Senhor crucificado
e ressurreto (v.20). Foram as pedras fundamentais da igreja, e sua mensagem encontra-se nos escritos do NT, como o
testemunho original e fundamental do evangelho de Cristo, válido para todas as épocas.
(2) Todos os crentes e igrejas locais dependem das palavras, da mensagem e da fé dos primeiros apóstolos, conforme
estão registradas historicamente em Atos e nos seus escritos. A autoridade deles é conservada no NT. As gerações
posteriores da igreja têm o dever de obedecer à revelação apostólica e dar testemunho da sua verdade. O evangelho
concedido aos apóstolos do NT, mediante o Espírito Santo, é a fonte permanente de vida, verdade e orientação à igreja.

27
(3) Todos os crentes e igrejas serão verdadeiros somente à medida em que fizerem o seguinte: ( a) Aceitar o ensino e
revelação originais dos apóstolo, a respeito do evangelho, conforme o NT registra, e procurar manter-se fiéis a eles (At
2.42). Rejeitar os ensinos dos apóstolos é rejeitar o próprio Senhor (Jo 16.13-15; 1Co 14.36-38; Gl 1.9-11). ( b) Continuar
a missão e ministério apostólicos, comunicando continuamente sua mensagem ao mundo e à igreja, através da
proclamação e ensino fiéis no poder do Espírito (At 1.8; 2Tm 1.8-14; Tt 1.7-9). (c) Não somente crer na mensagem
apostólica, mas também defendê-la e guardá-la contra todas as distorções ou alterações. A revelação dos apóstolos,
conforme temos no NT, nunca poderá ser substituída ou anulada por revelação, testemunho ou profecia posterior (At
20.27-31; 1Tm 6.20).
2:20-21 Na figura da Igreja como um templo, Cristo é a pedra angular os apóstolos e profetas (do N.T.) são o alicerce
(fundamento), e cada crente é uma pedra do edifício (1 Pe 2:4-8). Em 1 Co 3:11 Paulo fala de Cristo como o único
fundamento, mas a referência ali é à salvação.

‹2ò21Ì ejn w|/ pa'sa oijkodomh; sunarmologoumevnh au[xei eij" nao;n a{gion ejn kurivw/,
‹2ò22Ì ejn w|/ kai; uJmei'" sunoikodomei'sqe eij" katoikhthvrion tou' qeou' ejn pneuvmati.
VERSÍCULO 2.21,22: “no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor, Ef 4.15-16; 1Co 3.17;
2Co 6.16 no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito 1Pe 2.5”.

Tudo construído no edifício a de ser bem ajustado. Cada pessoa descobre seu verdadeiro lugar e função
relativamente perante Cristo à medida que vai sendo “edificado” nEle.
Nesse edifício todos crescem bem ajustados por Cristo – o arquiteto mestre – que incluiu os gentios
integralmente: “...também vós...”, e não os fez como um “mero anexo” ou deles quis extrair uma “simples dependência”.

2.21 Bem ajustado pelo Arquiteto Mestre que incluiu os gentios integralmente e não os fez como um anexo ou uma
simples dependência.

CAPÍTULO 3

– VERSÍCULOS 3.1-13 –
O MINISTÉRIO DA VOCAÇÃO DOS GENTIOS, E O APOSTOLADO DE PAULO

–3.14-21 –
A SEGUNDA ORAÇÃO DE PAULO AOS EFÉSIOS

VERSÍCULO 1-3.1-13

‹3ò1Ì Touvtou cavrin ejgw; Pau'lo" oJ devsmio" tou' Cristou' »ÆIhsou'¼ uJpe;r uJmw'n tw'n ejqnw'n
VERSÍCULO 3.1: “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios”.

O capítulo três contém um dos grandes desvios de Paulo. Sua intenção era fazer uma oração pelos gentios, mas
profundamente consciente de sua chamada, extraviou a oração que intencionava fazer, para explicar sobre a vocação
dos gentios e seu ministério a eles (aos gentios). No verso quatorze, ele volta ao seu objetivo inicial: orar pelos Efésios.
Gramaticalmente, esses desvios são uma curiosidade, mas espiritualmente nos revelam “mistérios de Deus” que
parecem inescrutáveis, estando ocultos nos escritos vetero-testamentários e que só foram desvendados através dos
ministérios dos apóstolos e profetas do Novo Testamento (3.5).

PRISIONEIRO DE JESUS CRISTO POR VÓS – Paulo estava preso em Roma, e foi da prisão que escreveu esta
epístola. Enquanto esteve preso, não pensou em si, em seu sofrimento, em como sair da cadeia, mas aproveitou o
isolamento para poder interceder, e sob a inspiração do Espírito Santo, escreveu mais esta carta que faz composição
com suas outras, das canonizadas sagradamente. O apóstolo considerava-se prisioneiro de Jesus Cristo, de modo que,
se do ponto de vista humano considerarmos o contexto dele, não passava de mais um dos muitos que Roma aprisionara
por causa de sua perseguição ao cristianismo, todavia, se vermos sob a ótica de Deus, ele se auto considerou prisioneiro
pela vontade soberana de Deus. Não sabia Roma, mas estava apenas cumprindo um desígnio divino (Ef 4.1; 2Tm 1.8; Fl
1.1).
Paulo escreveu aos Efésios, Colossenses, Filipensses e a Filemon da prisão romana, sendo estas chamadas
“epístolas da prisão”, das quais três foram levadas as igrejas por Tíquico (Ef 6.21,22; Cl 4.7-10; Fl 1.10-12).

‹3ò2Ì ei[ ge hjkouvsate th;n oijkonomivan th'" cavrito" tou' qeou' th'" doqeivsh" moi eij" uJma'",
VERSÍCULO 3.2: “Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada...”.

28
DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS – Dispensação vem da palavra grega, “oukomia” (), que dela
podem ser extraídas várias derivações, sendo uma delas “economia”. Seu significado pode ser – designação, comissão
ou administração.
A diferença dessa palavra em 1.10, contrastada com a do versículo em questão é a seguinte:
“oikomia” em 1.10 – É a administração de Deus, não para o homem, mas para cumprimento de Seu eterno
propósito, em todo universo, na plenitude dos tempos, nos últimos dias.
“oikomia” em 3.2 – É a administração da graça de Deus para que Paulo pudesse cumprir no seu ministério, em
favor dos gentios. Ele faz referência aqui à mordomia a qual Deus lhe confiara (Ef 3.2; 1Co 4.1; 9.17; Gl 2.7), em Cl 1.25,
vemos mais um texto paralelo: “da qual eu fui constituído ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida
para convosco, a fim de cumprir a palavra de Deus...”.
Em outras palavras, a Paulo foi dada a responsabilidade de administrar a graça de Deus publicamente, pois,
tinha recebido a revelação desta graça e a responsabilidade de pregá-la e ensiná-la (1Tm 2.7).
Por isso é extremamente importante buscarmos saber a vontade de Deus para nós, o que Ele quer
especificamente para cada filho “em Cristo” seu. O nosso ministério, e como exercê-lo.

‹3ò3Ì »o{ti¼ kata; ajpokavluyin ejgnwrivsqh moi to; musthvrion, kaqw;" proevgraya ejn ojlivgw/,
‹3ò4Ì pro;" o} duvnasqe ajnaginwvskonte" noh'sai th;n suvnesivn mou ejn tw'/ musthrivw/ tou' Cristou',
VERSÍCULO 3.3,4: “como pela revelação me foi manifestado o mistério, conforme acima em poucas palavras vos
escrevi, pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo...”.

O apóstolo mostra sua compreensão acerca da “graça de Deus” por revelação, em entendimento profundo e
amplo (Gl 1.11,12; Ef 6.19 – revelação = tornar conhecido).
Paulo chama mistério, o “secreto propósito de Deus”, o qual quando revelado é entendido pelos salvos, através
de sua pregação e ensino.
Mas, qual é o significado deste mistério aqui?

1º - Não é a salvação dos gentios, mas a formação da Igreja – judeus e gentios formando um Corpo (3.6).
2º - Gentios e judeus são co-herdeiros de Deus (3.6).
3º - Gentios e judeus são participantes da promessa.
Que promessa é essa?

- A de Deus feita a Abraão (Gn 12.3; Gl 3.8). Esta mesma é o conteúdo do Evangelho no próprio Cristo (3.6).

‹3ò6Ì ei\nai ta; e[qnh sugklhronovma kai; suvsswma kai; summevtoca th'" ejpaggeliva" ejn Cristw'/ ÆIhsou' dia;
tou' eujaggelivou,
VERSÍCULO 3.6: “...a saber, que os gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo e co-participantes da
promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho...”.

O mistério foi anunciado por Jesus (Mt 16.16), mas explicado por Paulo.
Paulo era um judeu ortodoxo do partido exclusivista dos fariseus (Fl 3.5), e foi necessária uma clara revelação de
Deus para que ele tivesse sido convencido do que era o cristianismo a quem tinham ordens para poder perseguir.
Ele ainda recebeu uma visão mais ampla do mistério; entendeu o mistério do Corpo de Cristo formado por judeus
e gentios (3.6). Os doze apóstolos tinham a revelação do mistério de Cristo, porém, Paulo “desenvolveu mais” esta
revelação para incluir os gentios no mesmo Corpo (3.4-6).
Os apóstolos que precederam o apóstolo dos gentios, não estavam suficientemente esclarecidos e convictos
quanto a posição deles a respeito da igualdade dos gentios nos propósitos de Deus, por isso também se fez necessária
uma revelação que tornou claro e conhecido esse ministério (Gl 1 e 2). Paulo não está preocupado em comunicar como
recebeu essa revelação, mas em seu conteúdo.
Além do texto contido em 3.4, as palavras “mistério de Cristo” possuem outros significados:

(1) Mistério de Deus – “Cristo” – Cl 2.2 (6) A palavra de Deus – Cl 1.25,26


(2) Evangelho – “mistério do Evangelho” – Ef 6.19 (7) A pregação de Jesus Cristo – Rm 16.25
(3) “Riquezas insondáveis em Cristo” – Ef 3.8 (8) Cristo em nós, esperança da glória – Cl 1.27
(4) “Multiforme sabedoria de Deus” – Ef 3.10 (9) Os gentios são membros do mesmo corpo – Ef 3.6
(5) “A vontade de Deus (o propósito eterno de Deus)” – Ef 1.9,10

Poderíamos dizer que cada uma dessas definições tem haver com um aspecto distinto do “mistério de Cristo”
revelado a Paulo e divulgado por ele em suas cartas.

29
‹3ò5Ì o} eJtevrai" geneai'" oujk ejgnwrivsqh toi'" uiJoi'" tw'n ajnqrwvpwn wJ" nu'n ajpekaluvfqh toi'" aJgivoi"
ajpostovloi" aujtou' kai; profhvtai" ejn pneuvmati,
VERSÍCULO 3.5: “...o qual em outras gerações não foi manifestado aos filhos dos homens, como se revelou agora no
Espírito aos seus santos apóstolos e profetas...”.

O mistério de Cristo esteve oculto no V.T. por vários séculos, mas agora (a época dos apóstolos) foi revelado
pelo Espírito (não por mera leitura ou estudo, pesquisa ou conhecimento intelectual, filosófico, teológico, etc,.) aos Seus
santos apóstolos e profetas do N.T.

‹3ò7Ì ou| ejgenhvqhn diavkono" kata; th;n dwrea;n th'" cavrito" tou' qeou' th'" doqeivsh" moi kata; th;n
ejnevrgeian th'" dunavmew" aujtou'.
VERSÍCULO 3.7: “do qual fui feito ministro, segundo o dom da graça de Deus, que me foi dada conforme a operação do
seu poder”.

Paulo dá testemunho de si:


DO QUAL FUI FEITO MINISTRO – (Constituído ministro) – do grego,“diakonos” (s) termo usado
freqüentemente no N.T. para designar aquele que vive e trabalha nos serviço de Cristo (literalmente servente, ou,
“garçom”).

SEGUNDO O DOM DA GRAÇA – (1Co 15.10) – Segundo a força operante do seu poder (foi o poder
transformador que fez um Saulo ser Paulo, ministro de Cristo).

‹3ò8Ì ejmoi; tw'/ ejlacistotevrw/ pavntwn aJgivwn ejdovqh hJ cavri" au{th, toi'" e[qnesin eujaggelivsasqai to;
ajnexicnivaston plou'to" tou' Cristou'
VERSÍCULO 3.8: “A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas
inescrutáveis de Cristo,...”.

O maior apóstolo se considerava o menor dos menores de todos os santos; quando a graça de Deus se revela,
sentimo-nos como Paulo nesta declaração, “...o mínimo de todos os santos...”, para que só apenas assim, o poder de
Deus possa ter acesso operativo em nós, fazendo-nos ver graus de variações dos que dependem mais dEle do que
outros, para que por estes também, possamos confiar menos em nós mesmos, trazendo resultados benéficos na
realização do trabalho cristão (1Co 15.10).

INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO –


(1) Riquezas de sua glória – Iguais a do Pai, recebedor de culto, devido a sua divindade.
(2) Riqueza do seu empobrecimento voluntário, por amor de nós – História de sua humilhação (2Co 8.9).
(3) Riqueza de sua glória moral – Homem de caráter irrepreensível, isto é, inacusável (1Pe 1.9; Is 58.9).
(4) Riqueza de sua morte, alcançando o objetivo de sua vinda – Resgate.
(5) Riqueza de sua posição de mediador – Constante intercessor.
(6) Riqueza de sua esperança entre nós – Até a consumação dos séculos.
(7) Riqueza de sua volta e seu Reino –

‹3ò9Ì kai; fwtivsai »pavnta"¼ tiv" hJ oijkonomiva tou' musthrivou tou' ajpokekrummevnou ajpo; tw'n aijwvnwn
ejn tw'/ qew'/ tw'/ ta; pavnta ktivsanti,
‹3ò10Ì i{na gnwrisqh'/ nu'n tai'" ajrcai'" kai; tai'" ejxousivai" ejn toi'" ejpouranivoi" dia; th'" ejkklhsiva" hJ
polupoivkilo" sofiva tou' qeou',
‹3ò11Ì kata; provqesin tw'n aijwvnwn h}n ejpoivhsen ejn tw'/ Cristw'/ ÆIhsou' tw'/ kurivw/ hJmw'n,
VERSÍCULO 3.9-11: “e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em
Deus, que tudo criou, para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões
celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor,...”.

Esses versos falam do objetivo de Deus em revelar a Paulo o mistério que esteve oculto: “...para que agora seja
manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes...”.

MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS – Expressa o propósito redentor de Deus e sua gloriosa obra.
A palavra “multiforme” tem um sentido de, como se significa-se um “emaranhado belo de um bordado”.

PRINCIPADOS E POTESTADES – Tanto os poderes das trevas como os poderes da luz.


Esse objetivo divino comentado há pouco, não foi determinado por Deus durante ou depois da vinda de Cristo,
sua morte e ressurreição, mas fazia parte de seu eterno propósito.

30
‹3ò12Ì ejn w|/ e[comen th;n parrhsivan kai; prosagwgh;n ejn pepoiqhvsei dia; th'" pivstew" aujtou'.
VERSÍCULO 3.12: “...no qual temos ousadia e acesso em confiança, pela nossa fé nele”.

Depois de Paulo falar o mistério que lhe fora revelado e do ministério que lhe fora confiado, ele agora fala do
significado prático que isso tem na vida diária do cristão: ousadia e acesso com confiança pela nossa fé.
A palavra ousadia (do grego, “parrésia” () é basicamente “expressar-se com liberdade”. Relaciona-
se com ausência de timidez ou vergonha de se aproximar de Deus (Hb 4.16; 10.19).

PELA NOSSA FÉ NELE – A fé pessoal, é o único meio de acesso a Deus através de um assentimento
(consentimento) intelectual, de uma crença, mas de um conhecimento pessoal de Cristo e de um relacionamento com
Ele.

‹3ò13Ì dio; aijtou'mai mh; ejgkakei'n ejn tai'" qlivyesivn mou uJpe;r uJmw'n, h{ti" ejsti;n dovxa uJmw'n.
VERSÍCULO 3.13: “Portanto vos peço que não desfaleçais diante das minhas tribulações por vós, as quais são a vossa
glória”.

A confiança e a ousadia torna-nos corajosos nas tribulações. A tribulação é a glória por causa do fim e da razão
dela mesma (2Co 4.16-18).

– 3.14-21 –
A SEGUNDA ORAÇÃO DE PAULO AOS EFÉSIOS

‹3ò14Ì Touvtou cavrin kavmptw ta; govnatav mou pro;" to;n patevra,
VERSÍCULO 3.14: “Por esta razão dobro os meus joelhos perante o Pai,...”.

Entre os judeus era comum ficar em pé para orar (Mt 6.5; Lc 18.11,13). Ajoelhar-se, embora se tenha tornado
uma atitude cristã comum, era anteriormente sinal de profunda emoção ou fervor:

- Salomão na dedicação do Templo (1Re 8.54).


- Estevão durante o martírio (At 7.60).
- Pedro no leito de Tabita (At 9.40).
- Paulo em sua despedida em Éfeso (At 20.36; 21.5).
- Jesus Cristo no Getsêmani (Lc 22.41).

‹3ò15Ì ejx ou| pa'sa patria; ejn oujranoi'" kai; ejpi; gh'" ojnomavzetai,
VERSÍCULO 3.15: “...do qual toda família nos céus e na terra toma o nome,...”.

As palavras gregas, “pasa patria" (é diferente de toda família) não podem ser entendidas
como tais, pois nesse caso, o artigo estaria presente no grego. Uma tradução mais adequada seria “cada família”.
Pai no versículo quatorze é, no grego, “pater” (), por isso a idéia de “paternidade” é muito forte. A
paternidade de Deus é eterna. Deus não é apenas o Pai, mas também é o único através de quem toda paternidade
existente recebe seu significado e inspiração.
Antes da criação, Deus já era Pai. Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. O relacionamento de Pai e Filho
entre a divindade é eterno. Antes que qualquer coisa fosse criada, Deus eternamente era Pai, e Cristo eternamente era
Filho.
Isto concede importância e santidade ao ofício do Pai. É na realidade uma projeção da própria natureza de Deus
na experiência humana aqui na terra e no tempo.

‹3ò16Ì i{na dw'/ uJmi'n kata; to; plou'to" th'" dovxh" aujtou' dunavmei krataiwqh'nai dia; tou' pneuvmato" aujtou'
eij" to;n e[sw a[nqrwpon,
VERSÍCULO 3.16: “para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo
seu Espírito no homem interior,...”.

‹3ò17Ì katoikh'sai to;n Cristo;n dia; th'" pivstew" ejn tai'" kardivai" uJmw'n, ejn ajgavph/ ejrrizwmevnoi kai;
teqemeliwmevnoi,
VERSÍCULO 3.17: “...que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em
amor,...”.

‹3ò18Ì i{na ejxiscuvshte katalabevsqai su;n pa'sin toi'" aJgivoi" tiv to; plavto" kai; mh'ko" kai; u{yo" kai; bavqo",

31
VERSÍCULO 3.18: “...possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a
profundidade,...”.

‹3ò19Ì gnw'naiv te th;n uJperbavllousan th'" gnwvsew" ajgavphn tou' Cristou', i{na plhrwqh'te eij" pa'n to;
plhvrwma tou' qeou'.
VERSÍCULO 3.19: “...e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira
plenitude de Deus”.

Paulo se baseia nas riquezas da glória de Deus que são:

- Incontáveis.
- Inesgotáveis.
- Insondáveis.
- Incapazes de serem avaliadas.
- Incomparáveis.
- Incompreensíveis.

E faz sua petição rogando a Deus pelos Efésios:

(1) Fortalecimento com poder – Dominados para poderem dominar. Controlados pela força de Deus para se
poder dominar no seu poder.
(1.1) A fonte desse poder – O Espírito Santo (At 1.8).
(1.2) O recipiente desse poder – O homem interior, o espírito.
Aqui, Paulo, se refere ao “enchimento do Espírito Santo”. O cristão “cheio” do Espírito Santo (“dunamis”), é
dominado pelo Espírito na mente, na vontade e nas emoções, e não se deixa dominar pelo ego.
(2) Senhorio de Cristo – Para que Cristo habite pela fé em vossos corações. Isto significa: assenhorear-se de
casa, tendo procuração autorizada.

PELA FÉ – A posse para o senhorio de Cristo é pela fé com a posse para a salvação.

ARRAIGADOS – Ter fundamento firme, é a base que dá permanência e sustentação. Essa base é o amor
“Ágape” de Deus.

AFIM DE PODERDES PERFEITAMENTE COMPREENDER – A palavra traduzida por poderdes é, do grego


“exischusete” (), e também o verbo compreender, do grego “katalabestai” ()
significa um zeloso esforço de aprender não uma mera proeza intelectual, mas uma questão de experiência prática, uma
convivência em amor.
O conteúdo do conhecimento de Deus e de sua sabedoria é o maior porque o conhecimento dEle é inatingível
sem o amor.

COM TODOS OS SANTOS – A verdade divina não é compreendida por um só indivíduo isoladamente, mas “com
todos os santos”, isto significa que o crescimento em perfeita compreensão de Deus só se dá na vida de comunhão e
edificação da comunidade, na prática do dia-a-dia. Através de suportar-nos uns aos outros em amor, de servirmos uns
aos outros em sujeição no temor de Deus, de usarmos os dons para edificação mútua. Fazendo assim, iremos crescer
na compreensão do conhecimento de Deus.

As dimensões do Amor de Deus

LARGURA – Alcançar todos indistintamente.


COMPRIMENTO – Abrange todos os tempos.
ALTURA – Estende-se até os céus.
PROFUNDIDADE – Suportou o sofrimento até suas últimas conseqüências.

Na cruz:

LARGURA – É o amor estendido a todos os homens tipificado pelos braços abertos.


COMPRIMENTO – Esse amor não estende-se apenas a todos os homens, mas também a todas as épocas.
ALTURA E PROFUNDADE – Cristo morreu crucificado entre os céus (altura) e a terra (profundidade) entre Deus
(céus) e os homens (terra) e depois de morto “desceu até as profundezas da terra, pregou aos espíritos em prisão e
levou cativo cativeiro e deu dons aos homens”.
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus” (Rm 11.33).

32
O AMOR DE CRISTO EXCEDE TODO ENTENDIMENTO – Isso significa conhecer como Ele amou e ama, e
experimentar seu amor em amá-lo e amar os outros por amor a Ele.
O amor de Cristo é infinitamente maior do que possamos compreender ou avaliar. É:
- Superior ao conhecimento, ou a ciência (1Co 8.1).
- Superior ao conhecimento espiritual (1Co 13.2).

Esse amor é expresso, é experimentado nos sofrimentos e tribulações, por caminhos demasiadamente profundos
para a mente humana alcançar.
“Por mais profundo que seja o abismo, Deus é mais profundo do que ele” Corrie Tee Boon.
A mente humana não tem condições de explorá-la em sua totalidade.
“O amor conhece razões que a própria razão desconhece”.

PARA QUE SEJAIS CHEIOS ATÉ A INTEIRA PLENITUDE DE DEUS – A plenitude divina – “pleroma” –, a
natureza divina com seus atributos.
A virtude, o privilégios da alma redimida está acima dos anjos porque recebe a plenitude de Deus, participa de
sua natureza (2Pe 1.4).
Em Cristo habita toda plenitude de Deus (Cl 1.19; 2.9).
Essa plenitude de Deus apesar de ser finita no homem, não é diferente em tipo, pelo contrário, é da mesma
essência. Ela é manifestada pelo Espírito de Deus (2Co 3.18; 1Jo 3.2).
Essa plenitude significa: ser inteiramente, totalmente dominado, guiado, cheio, controlado pelo Espírito Santo de
maneira que só transpareça em nós o caráter e os atributos de Deus e o seu poder.
Também podemos ser cheios não com a plenitude de Deus exclusivamente, mas sim até ela, tendo o mesmo
desejo de sermos santos como Ele é Santo. Buscar ser como Cristo, que é a plenitude de Deus, para se atingir a
plenitude do amor.
Compreender o amor de Deus é conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, e conhecer o amor
de Cristo é ser cheio da plenitude de Deus.

‹3ò20Ì Tw'/ de; dunamevnw/ uJpe;r pavnta poih'sai uJperekperissou' w|n aijtouvmeqa h] noou'men kata; th;n
duvnamin th;n ejnergoumevnhn ejn hJmi'n,
VERSÍCULO 3.20: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos
ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,...”.

‹3ò21Ì aujtw'/ hJ dovxa ejn th'/ ejkklhsiva/ kai; ejn Cristw'/ ÆIhsou' eij" pavsa" ta;" genea;" tou' aijw'no" tw'n
aijwvnwn, ajmhvn.
VERSÍCULO 3.21: “a esse seja glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém”.

Existem três superlativos no versículo 20: - Infinitamente ou “...abundantemente...”, (Ed. Revista e Corrigida);
“...mais...”, “...tudo...”
Duas palavras também procedem da mesma raiz “dunamis”: poderoso e poder.

O Pai é poderoso para fazer abundantemente mais do que tudo que pedimos ou pensamos pelo poder do
Espírito que opera em nós.
É exatamente o que Deus faz além do nosso entendimento, pensamento e oração. Porém Cristo governa o
mundo pela oração da Igreja, Ele não reina pelo seu cetro, mas pela oração, apesar de fazer muito mais
abundantemente além de qualquer oração.
Isso nos encoraja a orar, crer e esperar que Ele faça infinitamente mais além daquilo que pedimos ou pensamos.
Pela Igreja Deus é glorificado, é o principal instrumento de louvor e glória nas mãos de Deus. Ele quer “encher” a
sua Igreja da sua glória como encheu o Tabernáculo e o Templo de Salomão.
Essa glória só está na Igreja por causa de Cristo, se Cristo não está na Igreja, de que adiante ficar nela? Estar na
Igreja é estar em Cristo e Cristo está em nós – Cristo em nós a esperança da glória de Deus.
Esta Igreja será eterna, existirá para sempre. Cristo vai ser glorificado eternamente na Sua Igreja.
Acrescentar mais alguma coisa não seria apropriado, a não ser a doxologia: “a esse seja glória na igreja e em
Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém”.
A Ele (esse – RC) seja a glória, exclama Paulo, a este Deus com poder para ressuscitar; ao único que pode fazer
com que um sonho se torne realidade.
O poder vem da parte dEle; a Glória deve ser dada a Ele. A Ele seja a Glória, na Igreja e em Cristo Jesus (no
Corpo e na Cabeça), na comunidade da paz e no pacificador, por TODAS as GERAÇÕES (na história), para TODO
SEMPRE (na eternidade), Amém.

33
CAPÍTULO 4

VERSÍCULOS 4.1-16

VERSÍCULOS 4.17-32

Paulo inicia este capítulo com uma exposição sobre a vida prática do cristão eleito por Deus, “ele caminha da
teologia intelectualizada para as implicações terrestres, práticas e concretas, no viver de todos os dias” (John Stott).
A carta aos efésios pode ser vista panoramicamente em três perspectivas:

- A de estar sentado.
- A de andar.
- A de permanecer em pé.

SENTAR – Doutrina – Capítulos 1-3 – Teoria (Ênfase-Revelação) POSIÇÃO


Ef 1.19,20; 2.4-6 Nossa posição em Cristo.
ANDAR –
Ef 4.1,17; 5. 1,2,8,15 Prática – Capítulo 4.1 e 6.9 – Nossa vida no mundo.
VIDA
PERMANECER EM PÉ
– Prática – Capítulo 6.10-20 – Nossa atitude para com o inimigo. MILÍCIA
Ef 6.11,13,14

Esse esquema foi extraído do livro: “Sit, Walk and Stand” – Watchman Nee.

ESTAR SENTADO EM CRISTO – É como colocar uma folha de papel dentro de um livro. Tudo que acontece
com o livro, acontece com o papel.
Esta posição de sentar representa o descanso de todas as nossas obras e o reconhecimento da obra completa
de Cristo.

ANDAR – Representa nossa vida no mundo. Só podemos andar no espírito se estivermos “sentados em Cristo”;
é como um homem dirigindo um carro, não se pode dirigir um carro em pé, é preciso sentar-se para dirigi-lo e fazê-lo
andar.
Também podemos exemplificar essa posição como um paralítico numa cadeira de rodas – ele está sentado e
andando. Se levantarmos do nosso descanso em Cristo vamos tropeçar e cair. Temos que ficar em Cristo para
andarmos em Cristo:

- 4.1 – “Rogo-vos... que andeis de modo digno da vocação”.


- 4.17 – “...que não mais andeis como também andam os gentios”.
- 5.2 – “...e andai em amor...”.
- 5.8 – “...andai como filhos da luz...”.
- 5.15 – “...vede prudentemente como andais...”.

Esses versículos nos exortam a andar baseados na nossa posição em Cristo.

PERMANECER EM PÉ – Representa uma atitude para com o inimigo:

- 6.11 – “...ficar firmes...”.


- 6.13 – “...para que possais resistir, e havendo feito tudo, ficar firmes”.
- 6.14 – “Estai, pois, firmes...”.

‹4ò1Ì Parakalw' ou\n uJma'" ejgw; oJ devsmio" ejn kurivw/ ajxivw" peripath'sai th'" klhvsew" h|" ejklhvqhte,
‹4ò2Ì meta; pavsh" tapeinofrosuvnh" kai; prau?thto", meta; makroqumiva", ajnecovmenoi ajllhvlwn ejn ajgavph/,
‹4ò3Ì spoudavzonte" threi'n th;n eJnovthta tou' pneuvmato" ejn tw'/ sundevsmw/ th'" eijrhvnh":
VERSÍCULO 4.1,2,3: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes
chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando
diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz”.

34
Do capítulo quatro ao seis, são mostrados os detalhes práticos de como a glória deve ser dada a Deus na Igreja
de acordo com Efésios 3.21, iniciando Paulo essa exposição dizendo: “...que andeis como é digno da vocação com que
fostes chamados,...”.
1 – Vocação significa: escolha, chamamento, predestinação (2Pe 1.10). Essa vocação, ou chamamento tem
duas características básicas:

1a – A de que fomos chamados por Deus para fazermos parte de um só povo (judeu e gentios), a família de
Deus, a Igreja.
2a – E a de fomos chamados para sermos santos, distintos do mundo secular, separados para Deus.

Essas são as implicações da dignidade da nossa chamada: UNIDADE e SANTIDADE.

2 – Quanto ao aspecto prático dessa vocação, temos que andar de maneira digna para preservarmos a unidade
da Igreja e para sermos santos.
Isto significa exatamente isso na prática:
(2.1) – Humildemente ou com toda humildade, ou ainda com o máximo de humildade.
“A humildade era uma virtude muito desprezada no mundo antigo. Os gregos nunca empregavam a palavra humildade
“tapeinotes” (s) num contexto de aprovação, muito menos de admiração.
Além disso, a palavra que Paulo emprega aqui é “tapeinophrosyné” (), que significa: “humildade
de morte”, ou o reconhecimento da dignidade e do valor de outras pessoas, a mentalidade humilde que havia em Cristo,
que o levou a esvaziar-se a si mesmo e tornar-se um servo. A humildade é essencial à unidade”.
(2.2) – Mansidão – A palavra grega “prantés” (s), era usada no grego clássico com o bom sentido de suavidade
de trato ou docilidade de caráter. Porém, mansidão não é sinônimo de fraqueza, pelo contrário, é a suavidade dos fortes,
cuja força está sob controle. É a ausência da disposição para se poder asseverar (afirmar, assegurar) direitos pessoais,
seja na presença de Deus, seja na presença dos homens.
O homem que é manso não reivindica sua própria importância ou autoridade.
(2.3) – Com longanimidade – Do grego “makrothymia” (), significa: “agüentar” ou “suportar com
paciência pessoas provocantes”, ou também indica o não apressar em vingar o mal ou em retaliar (revidar com dano
igual ao dano recebido) quando ferido por outrem.
- É usado as vezes para indicar a firme paciência no sofrimento ou infortúnio como em Tiago 5.10.
- Usa-se esta mesma palavra para designar a paciência de Deus para com os homens (Rm 2.4; 1Tm 1.16: 1Pe 3.20;
2Pe 3.9).
(2.4) – “...suportando-vos uns aos outros em amor,...”. – Diz respeito a tolerância mútua sem a qual nenhum grupo de
seres humanos pode conviver em paz. Essa tolerância significa ser clemente com as fraquezas dos outros não deixando
de amar o próximo ou os amigos devido aquelas suas faltas ainda que, talvez, nos ofendam ou desagradem (Cl 3.13).
A base para esse suporte no relacionamento coletivo ou comunitário é o amor de Deus. Esse amor é necessário também
para sermos humildes, mansos e longânimos; poderíamos dizer que cada uma dessas virtudes são essencialmente
facetas do amor de Deus = “Ágape”, derramado no coração daqueles que são vocacionados por Deus para ser Seu
povo.
1Co 13.8: “...o amor tudo sofre, tudo espera, tudo suporta”.

3 – PROCURANDO DILIGENTEMENTE GUARDAR A UNIDADE DO ESPÍRITO NO VÍNCULO DA PAZ –


Alguns interpretam a “unidade do Espírito” mencionada aqui como a unidade espiritual da Igreja no sentido de que
espíritos humanos são ligados onde quer que homens e mulheres se encontrem partilhando as coisas que possuem e
desfrutam “em Cristo”. Porém, é mais provável vermos “essa unidade” como dom de Deus.
Esta unidade só se tornou possível pela cruz de Cristo (Ef 2.16: “E pela cruz reconciliar ambos (judeus e gentios)
com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades”).
Esta unidade foi efetivada pela obra do Espírito de Deus (Ef 2.18: “...ambos temos acesso ao Pai em um mesmo
Espírito”.
Esta, também não pode ser criada pelo homem, por estruturas religiosas, por filosofias, mas unicamente por
Deus.
Porém, ao homem é dada a responsabilidade de:

1 – Esforçar-se para preservar a “unidade” com “toda diligência” (como pode ser lido na Ed. Revista e Atualizada;
a palavra diligência = cuidado ativo). Isto é, esforçar-se para preservar essa UNIDADE com todo cuidado, zelo e
empenho ativamente.
Na prática, isso significa que só podemos preservar essa unidade quando andamos com toda humildade,
longanimidade, mansidão e amor. Essa unidade é o resultado do nosso andar cristão.
O capítulo quatro de Efésios se refere a dois tipos de unidade:

- Unidade do Espírito – 4.3.


- Unidade da fé – 4.13.
35
O processo de Deus começa com a unidade do Espírito para alcançar a unidade da fé.

‹4ò4Ì e}n sw'ma kai; e}n pneu'ma, kaqw;" kai; ejklhvqhte ejn mia'/ ejlpivdi th'" klhvsew" uJmw'n:
‹4ò5Ì ei|" kuvrio", miva pivsti", e}n bavptisma,
‹4ò6Ì ei|" qeo;" kai; path;r pavntwn, oJ ejpi; pavntwn kai; dia; pavntwn kai; ejn pa'sin.
VERSÍCULOS 4.4-6: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa
vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em
todos”.

O apóstolo Paulo enfatiza a unidade da Igreja com base na unidade divina da Trindade.

HÁ UM SÓ CORPO – Significa que há apenas uma Igreja, não há uma igreja de judeus e outra de gentios, mas
sim, o Corpo de Cristo formado tanto por judeus quanto por gentios redimidos pelo sangue de Cristo e selados pelo
Espírito de Deus. Essa unidade apesar de ser no Espírito e universal, tem que se expressar nas nossas igrejas locais.

E UM SÓ ESPÍRITO – É óbvio que aqui Paulo se refere ao Espírito de Deus, que é o sustentador da unidade da
Igreja.

UMA SÓ ESPERANÇA DA VOSSA VOCAÇÃO – Essa esperança é transcendental, isto é, ela se estende além
dessa existência terrena; ela ultrapassa qualquer esperança humana; essa esperança não pode “murchar”, pois não
depende de nós, mas sim de Deus (1Pe 1.3,4).
A esperança da nossa vocação é a glória de Deus, e esta esperança está alicerçada e arraigada num
fundamento sólido e indestrutível: “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).

UM SÓ SENHOR – A palavra grega para Senhor “Krios” (s) que significa: “aquele que exerce senhorio,
domínio absoluto”. É nesse aspecto que Paulo disse que a Igreja tem um só Senhor, que não eram os “Césars”
(Imperadores romanos que eram venerados como semi-deuses, e reverenciados como divindades), nem tão pouco o
“estado” (Roma que era reputada como um império sagrado, indestrutível, invulnerável, devido ao seu domínio universal
e a sua opulência (riqueza), e a sua glória; Roma era venerada obstinadamente como algo supremamente divino, e seus
imperadores como deuses menores, representantes do estado); também não era nenhuma divindade pagã; mas sim o
“Senhor dos senhores” (1Co 8.5,6).

UMA SÓ FÉ – Esta fé era uma fé viva e poderosa, sem mistura; uma fé que levou muitos cristãos a morrerem
martirizados por causa de seu fundamento inabalável (Hb 11).
Os pagãos tinham uma fé mística misturada com filosofias gregas e superstições diversas, cultuando e adorando
diversas divindades; era uma fé oscilante, frágil, sem fundamento seguro.

UM SÓ BATISMO – Aqui Paulo se refere ao batismo no Corpo de Cristo, pois o assunto exposto neste capítulo,
é a unidade da Igreja. Existem três alusões ao batismo no N.T.:

- Batismo nas águas – Mt 28.18-20


- Batismo “no/do Espírito Santo” – Mt 3.11; At 1.4,5
- Batismo no Corpo de Cristo – 1Co 12.13,14

Esse batismo ocorre no ato da regeneração quando cada nova criatura é batizada em Espírito, sendo imersa no
Corpo de Cristo.
UM SÓ DEUS E PAI DE TODOS, O QUAL É SOBRE TODOS, E POR TODOS E EM TODOS – Vemos agora a
defesa de Paulo para com a idéia do monoteísmo cristão, já que os judeus eram monoteístas, mas não conheciam as
três pessoas da Trindade como sendo um único Deus, e os gentios eram politeístas, adorando diversas divindades,
apesar do apóstolo abrir a visão dos Efésios sobre o trino Deus indistintamente:

- um só Espírito – 4.4
- um só Senhor – 4.5.
- Pai de todos – 4.6.

Ele enfatiza que essas três pessoas relacionadas no texto em análise, são essencialmente um só Deus, o qual é
sobre todos, e por todos e em todos, o que também revela a unidade da divindade, e essa unidade da Trindade é a base
da unidade da Igreja.
João 17.21: “para que todos (judeus e gentios) sejam um (só corpo); assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu
em ti, que também eles sejam um em nós...”.

36
‹4ò7Ì ïEni; de; eJkavstw/ hJmw'n ejdovqh hJ cavri" kata; to; mevtron th'" dwrea'" tou' Cristou'.
VERSÍCULO 4.7: “Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo”.

Apesar de Paulo defender a unidade de todos os crentes no versículo sete, ele particulariza os dons concedidos
por Cristo, o Cabeça da Igreja, como algo extremamente individual, isto é, apesar de estarmos em Cristo, cada um de
nós tem uma porção diferente do dom de Cristo; o apóstolo passa da unidade da Igreja para a diversidade da Igreja.
Poderíamos dizer que os cristãos não são uma xerox autenticada por Deus, como se fossemos totalmente iguais uns aos
outros, mas que apesar de sermos diferentes uns dos outros e termos diferentes dons concedidos por Deus, podemos
viver em unidade.
Toda igreja é uma comunidade carismática. É o corpo de Cristo; e cada um dos seus “membros tem um dom
(“charisma”) para exercer ou função para cumprir”.

‹4ò8Ì dio; levgei, ÆAnaba;" eij" u{yo" hj/cmalwvteusen aijcmalwsivan, e[dwken dovmata toi'" ajnqrwvpoi".
‹4ò9Ì to; de; ÆAnevbh tiv ejstin, eij mh; o{ti kai; katevbh eij" ta; katwvtera »mevrh¼ th'" gh'"É
‹4ò10Ì oJ kataba;" aujtov" ejstin kai; oJ ajnaba;" uJperavnw pavntwn tw'n oujranw'n, i{na plhrwvsh/ ta; pavnta.
VERSÍCULO 4.8-10: “Por isso foi dito: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto-ele
subiu-que é, senão que também desceu às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que
subiu muito acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas”.

A menção de Paulo ao Sl 68.18: “Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os
homens...”, o qual ele aplicou ao triunfo e a ascensão de Cristo, seguido pela concessão (doação) dos dons ministeriais à
Sua Igreja.
De um ponto de vista devocional, poderíamos dizer que o Senhor Jesus Cristo mesmo depois de sua
humilhação, morte, ressurreição, e ascensão, continuou demonstrando seu grande amor e humildade, pois agora Ele é
digno de toda glória, honra, enaltecimento e todos os atributos, Ele está voltando a sua posição original de Deus,
assumindo sua identidade divina, mesmo assim, expressa seu amor e humildade dando dons aos homens ao invés de
receber, e essa atitude de doador ao invés de receptor, continuou sendo exercida, pois depois de sentar-se à destra do
Pai, Ele deu o Seu Espírito, e continua dando graça em forma de perdão, de regeneração, de salvação, de vida
abundante, de ministérios, de dons espirituais, e vai continuar dando sempre e alternadamente a vida eterna, a glória
dos céus, o gozo de sua presença.

Do ponto de vista teológico, podemos analisar esse texto por vários ângulos:

(1) – Cristãos primitivos entendiam que se tratava de uma referência à descida de Cristo até o hades. Associavam a essa
interpretação 1Pe 3.19, que era interpretado no sentido de ele despojar ou ferir o inferno.
(2) – Calvino e outros comentaristas da reforma interpretam esse texto associado a João 3.13: “Ora, ninguém subiu ao
céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem”, dizendo que a descida de Cristo refere-se a sua encarnação pois a
expressão “as regiões inferiores da terra” no grego significa “a terra” (que é genitivo de oposição ou definição).
(3) – Outro comentarista, B. Philips entende esse texto como Calvino interpretou apenas acrescentado que “Cristo
desceu da altura do céu ao abismo desse mundo”. Outrossim, pode ser que a referência “as regiões inferiores da terra”
signifiquem que “Cristo desceu as profundezas da humilhação quando veio a terra” ou possivelmente, a alusão seja à
cruz, e a “experiência das profundezas da terra, como as próprias agonias do inferno” que Cristo suportou ali, e que se
torna uma interpretação um tanto devocional, apesar de combinar com Fl 2.11, onde a morte de cruz descreve a sua
mais profunda humilhação que foi esguida de sua suprema exaltação acima de todo principado e potestade nas regiões
celestiais.
Particularmente, é de se dizer que essa interpretação, apesar de ter uma ênfase devocional, traz consigo uma
sólida base teológica.
(4) – O que podemos afirmar com toda convicção é que a obra redentora de Cristo que desceu dos mais altos céus às
regiões inferiores da terra, exalta Sua supremacia universal, para que todo universo, de alto a baixo, pudesse conhecer
Sua presença.
Portanto, o que Paulo tem em mente, não é tanto a descida e a subida em termos espaciais, mas, a humilhação
e a exaltação de Cristo, sendo que esta última deu a Cristo autoridade e poder universais.

37
‹4ò11Ì kai; aujto;" e[dwken tou;" me;n ajpostovlou", tou;" de; profhvta", tou;" de; eujaggelistav", tou;" de;
poimevna" kai; didaskavlou",
‹4ò12Ì pro;" to;n katartismo;n tw'n aJgivwn eij" e[rgon diakoniva", eij" oijkodomh;n tou' swvmato" tou' Cristou',
‹4ò13Ì mevcri katanthvswmen oiJ pavnte" eij" th;n eJnovthta th'" pivstew" kai; th'" ejpignwvsew" tou' uiJou' tou'
qeou', eij" a[ndra tevleion, eij" mevtron hJlikiva" tou' plhrwvmato" tou' Cristou',
VERSÍCULO 11-13: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros
para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para edificação
do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.”

O apóstolo Paulo, que nos capítulos iniciais comenta a graça divina e no princípio do capítulo 4 relata o meio
como Cristo governa sua Igreja, a união entre judeus e cristãos, parte da unidade para uma diversidade coordenada,
visto que Deus trabalha com homens, então estabelece ofícios para os homens,
Mas não apenas isso, quando Paulo fala de dons do Espírito (mas a cada um foi dada a graça segunda a medida
do dom de Cristo v. 10) ele está se referindo aos ofícios. Pois como fala Calvino: “Deus não veste homens com
máscara ao designá-los apóstolos ou pastores, e, sim, os supre com dons”. E diz a inda que devemos a Cristo o
fato de termos ministros do evangelho. Então não devemos conceber que concedeu é equivalente a designou, logo estes
de quem Paulo fala são presentes de Deus para a Igreja.

A Análise destes ofícios deve ser feita separadamente para uma melhor compreensão:

APÓSTOLOS – No uso estrito do termo, aqueles que haviam estado com Jesus e testemunhou sua ressurreição (ou
recebido uma revelação especial do Jesus ressurreto) e que haviam sido comissionados por Jesus para serem
fundadores de Igrejas (At 1.21-22; 1Co 15.1-9). A palavra também foi empregada em um sentido mais amplo, para
pessoas enviadas como representantes de igrejas particulares (2Co 8.23; Fp 2.25), a autoridade dos apóstolos
comissionada por Cristo foi única e conservada hoje no Novo Testamento, conforme afirma Stott, mas continua ele, é
perfeitamente possível argumentar que há pessoas com ministérios apostólicos de um tipo diferente, inclusive a
jurisdição episcopal, a obra missionária pioneira, a implantação de igrejas, a liderança itinerante, etc. Creio que Paulo
aqui se refere aos apóstolos tais como ele, onde suas contribuições permanecem até hoje para a edificação do corpo.

PROFETAS – Também no sentido mais estrito da palavra, o profeta era uma pessoa que esteve no conselho do Senhor,
que ouvia a sua palavra e transmitia a mesma com fidelidade, era o porta-voz de Deus, como meio de revelação direta. E
nestes termos não há profetas hoje com inspiração e autoridade semelhantes ao contidos no cânon. Os profetas
contribuíram para a igreja em uma época que não existia o cânon sagrado, portanto, era um ofício de vital importância.
Como exemplo temos Ágapo (At 11.28), Judas e Silas (At 15.32). A ligação que temos entre apóstolos e profetas, é, que,
são associados por Paulo como fundamento sobre o qual a igreja está alicerçada (Ef 2.20), ora o fundamento foi lançado
e acabado há muitos séculos, e hoje, concordando com Stott, não podemos mexer com ele. Costuma-se dizer que nos
tempos atuais Deus continua levantando profetas, mas ressalto que o ministério profético deve ser o de edificação,
exortação e consolação, e nunca encarado como nova revelação.

EVANGELISTAS – Apenas três vezes encontramos esta palavra no Novo Testamento (At 21.8; 2Tm 4.5; Ef 4.11),
sabemos que a evangelização compete a todos os cristãos, mas é inegável que alguns possuam o “dom de evangelista”,
referindo-se ao dom da pregação evangelística, ou de trazer o evangelho de forma especialmente clara e relevante para
os descrentes, ou aqueles que se empenham especialmente para esta obra. Vemos Timóteo como exemplo e a casa de
Felipe.

PASTORES e MESTRES – Observemos que aqui, a citação é feita em conjunto, designando o mesmo ministério.
Pastores que cuidam de ovelhas devem alimentá-las e como farão isso sem ensiná-las? Um pré-requisito é que o bispo
(entende-se pastor) seja apto para ensinar (1Tm 3.2). São pessoas dadas pelo Supremo Pastor para cuidar do seu
rebanho precioso. Note que todos esses dons são ligados ao ensino. Calvino defende que os deveres de pastores são
diferentes do de doutores. A suma é que não há uma linha divisória nítida entre os dois. Os pastores devem prover o
rebanho de alimento espiritual e protegê-lo dos perigos espirituais, e é evidente que alguns possuem o dom de ensino e
se destacam dentro da Igreja.

No verso 12 fica claro o propósito dos dons, levar os santos a tornarem-se aptos para o desempenho de suas
funções no corpo de Cristo, isto é, em todo o serviço da igreja. Sendo assim, é para a edificação do corpo de Cristo, a
igreja cresce à medida que seus membros usam de seus dons individuais para o benefício da comunidade.

No verso 13 fica entendido que, o alvo da Igreja é alcançar a perfeição no sentido da maturidade na unidade. E o
pleno conhecimento é a comunhão com o Filho de Deus. Assim sendo, a unidade é assegurada, mesmo com toda a

38
diferença entre as pessoas, pela mesma esperança e Senhor. Não conhecendo a Cristo de forma superficial e sim de
forma profunda, até alcançarmos a maturidade adequada.

CONCLUSÃO

As três primeiras categorias de dons são consideradas como pertencentes à Igreja universal, enquanto Pastores
e Mestres descreva o ministério local. Tanto os evangelistas como os pastores e mestres permanecem até hoje, mas a
autoridade que os apóstolos e profetas do Novo Testamento possuíam não mais existe. Todos os dons são dados por
Cristo, segundo o seu governo, de forma a cooperar com a edificação do seu corpo. Ele quer que o cristão seja
preenchido em tudo o que Ele possa comunicar.

VERSÍCULO 14 –
PARA QUE NÃO MAIS SEJAMOS COMO MENINOS – É literalmente “criancinhas”.

LEVADOS AO REDOR – Levados pelo vento, o qual foi usado aqui de modo figurado naturalmente – VENTO DE
DOUTRINA. PELA ARTIMANHA DOS HOMENS – A palavra que foi traduzida para artimanha significava originalmente
“jogo de dados”. Passou, então, a significar trapaça de todo tipo, por causa das muitas trapaças usadas para se roubar
no jogo dos dados. A única maneira de estarmos atentos para perceber o erro é pelo conhecimento da verdade; por isso
devemos chegar ao conhecimento do Filho de Deus, à maturidade cristã. Uma pessoa não precisa estudar cada nota
falsificada a fim de reconhecer que uma determinada nota está falsificada. Só precisa conhecer o artigo genuíno.

VERSÍCULO 15 –
SEGUINDO A VERDADE EM AMOR – É possível seguir a verdade e não fazê-lo em amor. É literalmente
“apegando-se à verdade”.
CRESÇAMOS EM TUDO NAQUELE – Deus quer que sejamos maduros ou adultos. Temos uma Cabeça
absolutamente perfeita, o próprio Cristo.

VERSÍCULO 16 – Observe a perfeição do corpo. Como o corpo humano foi intrincadamente ajustado! Por isso é uma
ilustração adequada do corpo de Cristo. Houve quem dissesse que nem todos podem ser os membros maiores, mas as
juntas também são muito importantes. Todas as partes trabalham juntas (ver 1Co 12; Rm 12).

A CAMINHADA DIFERENTE – 4.17-32

As Escrituras, tanto no V.T. como no N.T. enfatizam que o povo de Deus tem de ser diferente do povo do mundo.

DESCRIÇÃO DA CAMINHADA DOS GENTIOS – 4.17-19

Os gentios são “ovelhas desgarradas” (1Pe 2.25; Is 53.6). Os crentes têm um grande e bom Pastor para
seguirem.

VERSÍCULO 17

ISTO PORTANTO DIGO – A caminhada cristã foi descrita de diversos modos nesta passagem. Temos aqui uma
descrição negativa. TESTIFICO – Protesto, exorto, ou imploro. NÃO mais andeis – Agora suas vidas têm de ser
diferentes. COMO ANDAM TAMBÉM OS OUTROS GENTIOS (E.R.C) – Esse andar foi descrito em 2.2. A maior parte
dos efésios tinham antecedentes gentios. Alguns manuscritos não trazem a palavra “outros”. Portanto, “que não mais
andeis como também andam os gentios”. Diante de Deus, os crentes no Senhor Jesus Cristo já não são mais nem
judeus, nem gentios (1Co 10.32). NA VAIDADE DOS SEUS PRÓPRIOS PENSAMENTOS – A palavra que foi usada
para “vaidade” parece significar perversidade ou depravação nesta instância.

VERSÍCULO 18

OBSCURECIDOS DE ENTENDIMENTO – (2Co 4.4)


ALHEIOS À VIDA DE DEUS – (2.12)
DUREZA DOS SEUS CORAÇÕES – Literalmente é “percepção obtusa” (Mc 3.5).

VERSÍCULO 19

TORNADO INSENSÍVEIS – (1Tm 4.2)


IMPUREZA – Aqui não é apenas indulgência com ela, mas também um desejo cúpido de prosseguir nela. Uma
declaração pitoresca da natureza insaciável do desejo pecaminoso.

39
O DESPOJAR DO VELHO E O REVESTIR DO NOVO 4.20-24

A vida cristã é comparada com o tirar de uma roupa para vestir outra. Não é uma referênica à nossa posição em
Cristo, mas à nossa experiência. É possível ser um novo homem em Cristo e continuar vivendo como o “homem velho”;
isto é, contunuar usando a roupa do “homem velho”.

MAS – Um contraste com o precedente

NÃO FOI ASSIM QUE APRENDESTES A CRISTO – Esta é a mais importante de todas as matérias que alguém
pode estudar.

VERSÍCULO 21

SE É QUE NELE DE FATO O TENDES OUVIDO, E NELE FOSTES INSTRUIDOS SEGUNDO É A VERDADE
EM JESUS – Aquilo que eles aprenderam depois de ouvirem sobre Cristo deveria fazê-los feito melhorar suas vidas, pois
cristãos devem agir como cristãos, não como os pagãos que não são cristãos.

40

Você também pode gostar