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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE SÃO PAULO
FORO CENTRAL CÍVEL
42ª VARA CÍVEL
PRAÇA JOÃO MENDES S/Nº, São Paulo - SP - CEP 01501-900
Horário de Atendimento ao Público: das 12h30min às19h00min

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1001209-22.2016.8.26.0100 e código 2CC5DAC.
SENTENÇA

Processo Digital nº: 1001209-22.2016.8.26.0100


Classe - Assunto Procedimento Comum - Defeito, nulidade ou anulação
Requerente: Pillar I - Empreendimentos Imobiliarios Ltda. e outros
Requerido: José João Abdalla Filho

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ANDRE AUGUSTO SALVADOR BEZERRA, liberado nos autos em 22/02/2017 às 12:07 .
Juiz(a) de Direito: Dr(a). André Augusto Salvador Bezerra

Vistos.

PILLAR I – EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS


LTDA e FIRMINO MACHADO DA COSTA ajuizaram ação anulatória de ato jurídico
pelo rito ordinário com pedido liminar em face de JOSÉ JOÃO ABDALLA FILHO.
Arguiram que o réu alienou à Pillar I, o imóvel descrito na inicial pelo valor de R$
32.029.890,40, em 13 de março de 2013; que, no mesmo ato, celebraram instrumento
particular de confissão de dívida, novando o pagamento da área pela quantia de R$
33.029.890,00, para liquidação em 31 de janeiro de 2014, considerando o valor de R$
82,50/ m²; que, por conseguinte, sucederam complicações geológicas que assolaram a área
causando prejuízos financeiros, bem como a autora teve de suspender o pagamento das
parcelas; que a autora se viu obrigada a aceitar as condições impostas pelo réu, acrescendo
o valor do m² da área para R$ 120,00/m²; que a obrigação se tornou desproporcional à
obrigação inicial, sendo impossibilitada à autora a liquidação integral do acordo em
questão, visto que quitou seis parcelas. Pugnaram pela concessão da medida liminar,
determinando que o réu se abstenha de realizar cobrança de toda e qualquer parcela
relacionada à confissão de dívida e acordos firmados, bem como privar o réu de
empreender qualquer restrição de crédito em nome dos autores até que a questão seja
solucionada definitivamente; pelo reconhecimento da nulidade dos acordos celebrados no
processo de execução; pela valoração da causa ao montante de R$ 33.029.890,00.
Documentos acostados (fls. 25/58).
Indeferido pedido de antecipação de tutela (fls. 64).
Citado, o réu apresentou contestação.
JOSÉ JOÃO ABDALLA FILHO alegou, preliminarmente,

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ausência de interesse de agir. No mérito, aduziu que os autores não tiveram cuidado de
indicar quais as razões e a fundamentação legal para que sua pretensão tivesse respaldo em
juízo; que a autora deveria provar o alegado vício do negócio jurídico “lesão”. (fls. 76/88).
Documentos acostados (fls.92/104).
Proferido despacho para especificação de provas (fls. 105).

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ANDRE AUGUSTO SALVADOR BEZERRA, liberado nos autos em 22/02/2017 às 12:07 .
Sobreveio réplica (fls. 126/133).

É o relatório.
Fundamento e decido.

O julgamento antecipado da lide é de rigor, nos termos do


art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil, tendo em vista a desnecessidade de dilação
probatória em demanda em que se discutem matérias de direito, assentando-se, no mais,
em prova documental.
Cabe, de início, advertir que os pedidos formulados na inicial
são, ao menos em tese, admitido pela ordem jurídica bem como úteis e adequados a quem
impugna a validade de ajuste. As questões colocadas nas contestações como supostamente
caracterizadoras da ausência das condições da ação dizem respeito, a bem da verdade, ao
mérito da causa.
Rejeito, pois, a preliminar de falta de interesse de agir,
alegada em resposta.
No mérito, pretende aa autoraa a invalidade de avença,
alegando uma série de circunstâncias que, ao seu ver, elidiriam a juridicidade do ato.
É de se notar, contudo, que tal impugnação cai por terra
quando se considera que o pacto celebrado pelas partes está escorreito, sem máculas ou
vícios, pois as cláusulas foram avençadas livremente, assim como todos os encargos
contratados, tudo nos exatos termos das leis brasileiras.
Relevante notar que a parte demandante, uma delas, empresa,
na época da celebração do ajuste, procurou um negócio jurídico que se amoldasse à suas

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necessidades, tendo plena razão do que estava fazendo ao assinar e concordar
expressamente com todos os termos do contrato.
Não se pode aceitar, sob pena de se decretar o caos entre as
relações contratuais, que a autora pudesse ser induzida em erro para assinar o instrumento
contratual, já que assinou porque tinha pleno conhecimento de todas as cláusulas,

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ANDRE AUGUSTO SALVADOR BEZERRA, liberado nos autos em 22/02/2017 às 12:07 .
comprometendo-se em cumpri-las.
Note-se que a autora não consiste em pessoa física em
situação de vulnerabilidade perante a parte adversa. Pelo contrário, trata-se de empresa de
razoável porte e empresário, com plena possibilidade - por terem (ou porque deveria ter)
corpo técnico para este fim - de verificar plenamente todas as consequências jurídicas e
econômicas do acordo que celebraram.
Dizerem que desconheciam a sua real situação financeira,
como dito na inicial, não vai de encontro ao bom senso. Não vai de encontro, outrossim, à
necessária estabilidade nas relações jurídicas, que deve existir em uma economia de
mercado como a que vigora no Brasil, mormente porque, como se disse, não se trata de
parte vulnerável a merecer tutela especial do Estado.
Pelo mesmo motivo, não pode dizer ter sido induzida a erro.
A eventual celebração de um mau negócio faz parte do dia a dia de qualquer empresa, não
podendo valer-se do Judiciário para corrigir suas falhas operacionais em detrimento dos
demais contratantes.
Aplicável, pois, ao caso, envolvendo partes econômica e
juridicamente iguais, o velho princípio do pacta sunt servanda, impossibilitando o
acolhimento da pretensão deduzida na inicial.
Ante o exposto, julgo improcedentes os pedidos formulados
na inicial e condeno a autora ao pagamento de todas as custas, despesas processuais e
honorários advocatícios, que fixo, por equidade, em 10% sobre o valor da causa.
P.R.I.C.

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São Paulo, 22 de fevereiro de 2017.

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DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006,
CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA

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