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26/02/2018

Resumo
Unidade de Ensino: 1
Conhecer os fundamentos e a língua que possibilita
Competência da Unidade de Ensino:
o ensino-aprendizagem de surdos.
1) Compreender o processo histórico e político da
educação de surdos;
2) Identificar as diferentes abordagens de ensino e
concepções sobre o surdo e a surdez;
3) Reconhecer as implicações dos aspectos
Resumo:
biológicos da surdez no desenvolvimento
linguístico do sujeito;
4) Entender a importância da Libras no processo de
construção identitaria das pessoas surdas

história; língua de sinais; educação de surdos;


Palavras -chave:
método visual; método oral.
Fundamentos históricos e conceituais da educação
Título da tele aula:
LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais de surdos

Aula 1 Tele aula nº: 01

Fundamentos históricos e conceituais da


educação de surdos

Convite ao Estudo VA Caminho de Aprendizagem


A Língua Brasileira de Sinais é oficialmente a língua da
comunidades de pessoas surdas no Brasil.
Entretanto, de acordo com o Censo Demográfico de
2010 (IBGE, 2010) 7.574.145 declararam possuir
alguma dificuldade para ouvir, todavia, nem todas
conhecem e utilizam a Libras como meio de
comunicação.

Por que isso ocorre?

Conhecimentos Prévios Pensando a aula:


situação geradora de aprendizagem

Personagens:
Clarice, pedagoga e professora do ensino
fundamental);

 É uma língua, e não uma linguagem. Luzia, (mãe de Mariana, aluna da professora) e de
 É brasileira. Cada país possui sua própria João Pedro, recém diagnosticado com perda auditiva.
língua de sinais.
 É uma língua visual – motora e
não oral- auditiva.

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Situação-Problema 1
Cápsula 1 “Iniciando o estudo”
Luzia viu na televisão que a Libras é a melhor
alternativa na educação dos surdos, porém, foi
orientada pelo médico de que, para o sucesso
linguístico, cognitivo e social de seu filho, deve
mantê-lo longe da língua de sinais.

Problematizando a Situação-Problema 1 Problematizando a Situação-Problema 1


Antiguidade Idade Média
• Egito ( ar místico) Até a Idade Média as pessoas surdas vivenciaram uma fase
de exclusão, eram consideradas ineducáveis e incapazes
• Grécia (condenavam os surdos à morte, uma vez
de exercer um ofício, vivendo à margem da sociedade,
que não atendiam aos padrões exigidos da época).
muitas vezes, em condições sub-humanas (SACKS, 1998).
• Roma Antiga ( sem direito à vida em sociedade, as Com a ascensão da Igreja Católica, surgiu um novo
crianças surdas eram lançadas no rio Tibre). paradigma o Assistencialismo. O surdo deixou de ser visto
Século VI, a partir do código de como sub-humano, passou a ser defendido pela Igreja
Justiniano, os surdos oralizados, como um ser dotado de alma, e seus
poderiam herdar fortunas, se unir cuidadores eram tidos como pessoas
em matrimônio e ter prosperidades. tolerantes e caridosas.

Problematizando a Situação-Problema 1 Problematizando a Situação-Problema 1


Idade Moderna Educadores que eram contrários ao uso da língua
 Ensino era individual de sinais: Johann Konrad Amman, Thomas Braidwood
 Ministrado por preceptores, em sua grande parte e Samuel Heinicke.
clérigos. Educadores que investiram no uso da língua de
sinais: Ponce de León, Pablo Bonet e Charles Michel
Segundo Goldfeld (1997), nesta fase foram criadas de L'Épée`.
diferentes metodologias de ensino para os surdos.

Método Oral
X
Método Visual

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Problematizando a Situação-Problema 1 Problematizando a Situação-Problema 1

Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), Idade Contemporânea


fundado no Rio de Janeiro, em 1857, pelo surdo Congresso de Milão (1880)
francês Ernest Huet. Objetivo: Oralismo X língua de Sinais

Problematizando a Situação-Problema 1 Problematizando a Situação-Problema 1


Atualidade Antiguidade: sem direitos perante a lei, muitas vezes
No Brasil, a abordagem bilíngue no contexto da eram condenados à morte.
surdez é representada pela Libras como sendo a L1 Idade Média: com direitos restritos, os surdos eram
das pessoas surdas e a língua portuguesa como L2. considerados ineducáveis.
O reconhecimento da Libras no ordenamento jurídico Idade Moderna: os primeiros educadores de surdos
do país ocorreu por meio da Lei nº 10.436, em 2002, e aceitaram o uso de sinais como recurso pedagógico.
sua regulamentação foi determinada no Decreto nº
5.626, em 2005. Idade Contemporânea: Proibição das
línguas de sinais.
Atualidade: Legitimação das línguas
de sinais.

Resolvendo a Situação-Problema 1
Cápsula 2 “Participando da aula”
A divergência de posicionamentos entre a proibição e
o incentivo do uso da língua de sinais não é algo
recente, mas se estende desde o início da história da
educação de surdos, quando a oposição era entre um
método visual e um método oral.

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Situação – Problema 2 Situação – Problema 2


Defende o tratamento da deficiência auditiva com Declara estar preocupada com a comunicação e
o acompanhamento fonoaudiológico, interação do surdo dentro de seu meio social,
aproveitamento do resíduo auditivo para o independente da forma pela qual essa criança vai se
desenvolvimento da oralidade e se opõe ao uso da comunicar (se por sinais, oralidade, escrita, imagens
Libras. etc.). O importante é ela conseguir se expressar.

Instituição “A”
Instituição “B”

Situação – Problema 2 Situação – Problema 2


É muito preocupada com a aquisição da Libras como
primeira língua e defende que o aprendizado escolar
dos surdos seja viabilizado de forma bilíngue.

Luzia procurou novamente a


Instituição “C” professora Clarice: como decidir entre
as três instituições encontradas?

Problematizando a Situação-Problema 2 Problematizando a Situação-Problema 2

Oralismo se baseia, principalmente, no ensino da fala


oral, no treino da leitura orofacial (ou leitura labial) e
no uso de Aparelho de Amplificação Sonora
Individual (AASI) ou do Implante Coclear (IC) .
Nesta vertente, apenas a língua oral é
reconhecida como mediadora da comunicação e
da interação e, além da proibição do uso de
sinais.

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Problematizando a Situação-Problema 2 Problematizando a Situação-Problema 2


Bilinguismo considera a Libras de forma autônoma, ou
Comunicação Total (1960) considerada no Brasil uma seja, respeitando que a estrutura linguística da Libras, se
filosofia educacional apoiada na língua falada oralmente, organiza de forma diferente. Esta abordagem
no alfabeto manual, no uso de sinais, imagens, compreende o indivíduo como sujeito bilíngue e bi
apontamentos e na língua escrita, Paccini (2007). cultural, assumindo suas especificidades linguísticas,
“Bimodalismo" consiste na fala oral acompanhada de culturais e identitaria. Nessa direção, apoia o contato e a
sinais, porém essa concomitância desconsidera e comunicação precoce de crianças surdas com pares e
desrespeita as especificidades da estrutura da língua de adultos também surdos, com os quais podem
sinais que não ocorre sob a mesma compartilhar vivências e experiências
organização da fala oral. visuais de mundo por meio da
língua que lhes é natural, a Libras.

Resolvendo a Situação-Problema 2
Cápsula 3 “Participando da aula”
A professora Clarice pode devolver os
questionamentos de Luzia com algumas perguntas
quanto as diferentes Instituições:
Quais habilidades e/ou competências são
focalizadas?
Quais as metodologias adotadas?
Qual a concepção de surdo e surdez presente em
seus discursos?

Situação-Problema 3
Problematizando a Situação-Problema 3
Após alguns exames solicitados pelo médico, o resultado Unilateral: quando a perda
do diagnóstico foi de uma perda auditiva bilateral auditiva acomete apenas um
neurossensorial profunda. Em comum acordo, o médico e dos ouvidos.
a fonoaudióloga indicaram o uso do Aparelho de Bilateral: quando a perda
Amplificação Sonora Individual (AASI) e o início das auditiva acomete os dois
sessões de fonoterapias para João Pedro. ouvidos, ou seja, o direito e o
esquerdo.
O que significa esse diagnóstico?
Pré - linguística: surdez ocorrida
Com o uso do AASI e com as
sessões de fonoterapias meu filho antes de o sujeito surdo adquirir a
irá falar oralmente ou ele será oralidade.
surdo-mudo? Pós – linguística: surdez adquirida
após o sujeito adquirir a oralidade.

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Problematizando a Situação-Problema 3
Problematizando a Situação-Problema 3
Tipos de Perda Auditiva quanto a localização. Central: tronco cerebral, em regiões subcorticais e no
córtex cerebral. Não é beneficiada pelo AASI ou IC.
Condutiva: orelha externa e/ou médio. Geralmente é
temporária e poder revertida com medicamentos e/ou
cirurgia.
Neurossensorial: orelha interna. É permanente e
irreversível, mas pode ser favorecida com o uso do AASI ou
IC.
Mista: orelha externa e/ou média e
também na orelha interna. Aceita uso
de ASSI e IC.

Problematizando a Situação-Problema 3 Problematizando a Situação-Problema 3


A contribuição é limitada e depende do tipo e grau de
perda auditiva, sendo mais recomendada nas situações de
perdas de tipo mistas e neurossensoriais, uma vez que as
condutivas têm chance de serem revertidas por meio de
medicamentos e cirurgias. Para as perdas leve e
moderadas demonstra bons resultados, porém isso é
muito variável, no caso de perda severa e principalmente,
profunda pode ser insuficiente escutar os sons da fala.

Problematizando a Situação-Problema 3 Resolvendo a Situação-Problema 3


Implante Coclear (IC) Perda auditiva bilateral, uma perda auditiva
É uma cirurgia indicada para perdas profundas neurossensorial e uma perda auditiva profunda;
neurossensoriais ou mistas. Ele é dividido em duas Desenvolvimento linguístico das pessoas surdas, e
partes: quais as limitações estão implicadas no
Interna: eletrodos inseridos na cóclea. diagnóstico de João Pedro;
Externa: fica aparente e pode ser removido. Benefícios do ASSI.

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Situação - Problema 4
Cápsula 4 “Participando da aula”

Situação - Problema 4 Situação - Problema 4

Para resolver esta SP, é necessário refletir De acordo com Choi et al. (2011), a Libras tem uma
sobre os seguintes aspectos: representação muito forte entre as pessoas surdas
A língua veiculada na escola regular é acessível em virtude de três funções principais que assume:
para João Pedro? 1) Símbolo de identidade;
Como João Pedro está construindo sua 2) Meio de interação;
identidade surda no ambiente escolar? 3) Depositário de conhecimento cultural

Situação - Problema 4 Situação - Problema 4


A Libras é como um símbolo de identidade, mas na Segundo Perlin (1998), é possível observar diferentes
verdade existem outros elementos identificatórios que manifestações de identidade surdas.
constituem a identidade surda.

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Resolvendo a Situação-Problema 4
Cápsula 5 “Participando da aula”
O que João Pedro precisa e todas as pessoas surdas
também é que a Libras circule em mais espaços,
permitindo uma comunicação mais efetiva.

Provocando novas situações


VE Caminho de Aprendizagem

Ele é surdo ou deficiente auditivo?

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