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1.

(10 pontos) Determinar a relação entre as potências necessárias para que um submarino (Figura 1), de
5 m de diâmetro e de 25 m de comprimento, navegue horizontalmente em água do mar ( =
1025 𝑘𝑔⁄𝑚 ; 𝜇 = 6 × 10 𝑁𝑠⁄𝑚 ) a 40 𝑘𝑚⁄ℎ (~11 𝑚⁄𝑠), considerando as seguintes opções: (a)
aproximando-o por um cilindro com bordo de ataque arredondado, com as dimensões equivalentes; e (b)
aproximando-o por um elipsoide tridimensional com as dimensões equivalentes. Comentar sobre as
aproximações. Desconsiderar a torre nas aproximações.

Figura 1. Submarino a 40 𝑘𝑚⁄ℎ em água do mar.

Solução

Equação:

𝐹 = 𝐶 𝜌𝑉 𝐴 (1)

Para obter os coeficientes de arrasto, seja de gráfico ou de tabela, é necessário verificar o número de
Reynolds para determinar a natureza do escoamento (i.e., laminar ou turbulento). Para os dois tipos de
aproximações geométricas em questão, o número de Reynolds é calculado com base no diâmetro D,
portanto, como as duas aproximações geométricas têm o mesmo diâmetro, o número de Reynolds é o
mesmo e é calculado como
× ×
𝑅𝑒 = = = 94 × 10 (2)
×

que é um valor representativo de escoamento turbulento para todas as geometrias em questão. Desta
maneira, para a razão 𝐿⁄𝐷 = 25⁄5 = 5, o coeficiente de arrasto para aproximação da geometria do
submarino por um cilindro com bordo de ataque arredondado 𝐶 pode ser obtido da Figura 1.1.

Figura 1.1. Coeficientes de arrasto para escoamentos turbulentos axiais sobre cilindros (𝐴 = 𝜋𝐷 ⁄4) (a)
com bordo de ataque chapado e (b) com bordo de ataque arredondado.
O coeficiente de arrasto para o escoamento axial sobre cilindro com bordo de ataque arredondado (𝐶 )
é:
𝐶 = 0,2 (3)

Para a razão 𝐿⁄𝐷 = 25⁄5 = 5, o coeficiente de arrasto para aproximação da geometria do submarino
por um elipsoide 𝐶 pode ser obtido da Figura 1.2.

Figura 1.2. Coeficiente de arrasto para escoamento sobre elipsoides tridimensionais.

O coeficiente de arrasto para o escoamento turbulento sobre elipsoides tridimensionais 𝐶 é:

𝐶 = 0,1 (4)

A relação entre as forças para as duas aproximações é:

,
= = = =2 → 𝐹 = 2𝐹 (5)
,

em que (𝜌𝑉 𝐴) = (𝜌𝑉 𝐴) . A força de arrasto para a aproximação geométrica do submarino por
elipsoide é duas vezes menor que a força de arrasto para a aproximação geométrica por cilindro com
bordo de ataque arredondado. A potência necessária para vencer o arrasto é 𝑃 = 𝐹 𝑉. Uma vez que a
velocidade é a mesma e que 𝐹 = 2𝐹 , a potência para vencer o arrasto com a aproximação da
geometria do submarino por um cilindro com bordo de ataque arredondado é duas vezes maior que a
potência para a aproximação da geometria do submarino por um elipsoide tridimensional. A força de
arrasto para a aproximação da geometria do submarino por um elipsoide tridimensional é menor que a
para a aproximação por um cilindro com bordo de ataque arredondado pelo fato da geometria elipsoide
promover um maior atraso na separação da camada limite, restringindo, desta maneira, a área de
recirculação de fluido em decorrência do gradiente adverso de pressão.
2. (15 pontos) O sistema de exaustão de gases de um veículo é constituído das seguintes partes (Figura
2): tubo dianteiro; flexível; conversor catalítico; silenciador intermediário; tubo intermediário e
silenciador traseiro. Considerar um veículo com este tipo de sistema de exaustão de gases com as
seguintes características: volume de deslocamento do motor de 2 × 10 𝑐𝑚 (ou 2 × 10 𝑚 ); potência
do motor de 200 HP; comprimento total da tubulação de exaustão de 3,2 m; diâmetro da tubulação de
exaustão de 2,5 polegadas (ou 0,064 𝑚); e tubulação de aço galvanizado com rugosidade 𝑒 = 0,15 𝑚𝑚.
Uma maneira simplificada de calcular a vazão em volume de gases, 𝑄, no sistema de exaustão é
𝐿𝑅
𝑄= 𝑚 ⁄𝑠
120
em que L é o volume de deslocamento do motor em m3 e R é a rotação do motor em rotações por minuto
(rpm). A massa específica dos gases de exaustão a 500℃ é 𝜌 = 0.696 𝑘𝑔⁄𝑚 e a viscosidade é
𝜇 = 35,5 × 10 𝑁𝑠⁄𝑚 . Considerando que os dois silenciadores atuam como resistores, com
coeficiente de perda individual 𝐾 = 8,5, independentemente da vazão de gás, calcular a diferença
em perda de carga no sistema de exaustão para as condições de veículo parado com motor a 1000 rpm e
veículo em movimento com motor a 3000 rpm. Experimentos para gases de exaustão a 500℃
demonstraram que os coeficientes de perda para o conversor catalítico nas condições de motor com
rotações de 1000 e de 3000 rpm são, respectivamente, 𝐾 = 340 e 𝐾 = 160. Com base nos
resultados, é viável afirmar que a perda de carga distribuída é desprezível, quando comparada às perdas
de carga localizadas?

Figura 2. Sistema de exaustão de gases de veículo automotor.

Solução

Equação:

+𝛼 + 𝑔𝑧 − +𝛼 + 𝑔𝑧 =ℎ +ℎ (1)

em que a perda distribuída, hdist, e a perda localizada devido a entrada reentrante, hlocal, são descritas
respectivamente pelas equações:

ℎ =𝑓 (2)

ℎ =𝐾 (3)
Considerações:
1. regime permanente;
2. escoamento incompressível;
Primeiramente, calcula-se as vazões em volume de gás de exaustão para as condições estipuladas. Para a
rotação do motor de 1000 rpm, a vazão em volume é:
× ×
𝑄 = = = 0,0167 𝑚 ⁄𝑠 (4)

Para a rotação do motor de 3000 rpm, a vazão em volume é:


× ×
𝑄 = = = 0,05 𝑚 ⁄𝑠 (5)

A área da seção transversal da tubulação de exaustão é


×( , )
𝐴= = = 0,0032 𝑚 (6)

As respectivas velocidades dos gases de exaustão são:


,
𝑉 = = = 5,2 𝑚⁄𝑠 (7)
,

,
𝑉 = = = 15,6 𝑚⁄𝑠 (8)
,

A equação (1) fica:

− =𝑓 +𝐾 + 2𝐾 (9)

Da equação (9):

∆𝑝 = 𝜌 𝑓 + 𝐾 + 2𝐾 (10)

Os números de Reynolds para as condições de rotação de motor de 1000 e de 3000 rpm são,
respectivamente:
, × , × ,
𝑅𝑒 = = = 6.525 (11)
, ×

, × , × ,
𝑅𝑒 = = = 19.574 (12)
, ×

A rugosidade relativa do tubo de descarga é


, ×
= ≈ 0,002 (13)
,

Com os números de Reynolds e a rugosidade relativa calculados, obtém-se os fatores de atrito para as
condições de rotação de motor de 1000 e de 3000 rpm do Diagrama de Moody:

𝑓 = 0,037 (14)

𝑓 = 0,030 (15)
Para rotação de motor de 1000 rpm, a perda de carga, calculada pela equação (10) é:
, , × ,
∆𝑝 =𝜌 𝑓 +𝐾 + 2𝐾 = + 340 + 2 × 8,5 × (5,2) (16)
,

∆𝑝 = 3.377 𝑃𝑎 (17)

Para rotação de motor de 3000 rpm, a perda de carga, calculada pela equação (10) é:
, , × ,
∆𝑝 =𝜌 𝑓 +𝐾 + 2𝐾 = + 160 + 2 × 8,5 × (15,6) (18)
,

∆𝑝 = 15.117 𝑃𝑎 (19)

A diferença de perda de carga entre as duas situações de rotações de motor é

∆𝑝 = 15.117 − 3.377 = 11.740 𝑃𝑎 (20)

Com base na equação (10),


= (21)

Para rotação de motor de 1000 rpm (𝐿⁄𝐷 = 3,2⁄0,0064 = 500):


, ×
= = = 0,052 𝑜𝑢 5,2% (22)
∆ × ,

Para rotação de motor de 3000 rpm (𝐿⁄𝐷 = 3,2⁄0,0064 = 500):


, ×
= = = 0,085 𝑜𝑢 8,5% (23)
∆ × ,

Com base nas equações (22) e (23), pode-se afirmar que a perda de carga distribuída é desprezível quando
comparada à perda de carga localizada total.
3. (15 pontos) Você foi a uma lanchonete para beber milkshake de chocolate (𝜌 = 1200 𝑘𝑔/𝑚 e 𝜇 ≈
6 𝑘𝑔/𝑚 𝑠). Na lanchonete, lhe prepararam o milkshake e o ofereceram com um canudo de plástico liso
de diâmetro 𝐷 = 8 𝑚𝑚 e de comprimento 𝐿 = 30 𝑐𝑚. (a) Demonstrar que, independentemente da
extensão do canudo verticalmente submersa no milkshake, a habilidade de beber (succionar) o milkshake
independe das perdas de carga distribuída e localizada (por entrada reentrante na extremidade submersa
do canudo, 𝐾 = 0,78) promovidas pelo canudo. (b) Considerando que o pulmão humano é capaz
de desenvolver uma pressão negativa de 3000 Pa, demonstrar que não é viável beber o milkshake
utilizando o canudo em questão (Figura 3), na situação em que apenas 10% do comprimento do canudo
é verticalmente submerso no milkshake. (c) Demonstrar que é viável beber o milkshake utilizando o
canudo em questão, considerando que dois terços do comprimento do canudo esteja verticalmente
submerso no milkshake. Fazer um esboço do volume de controle adotado para o estudo deste caso. (d)
Para a situação de dois terços do comprimento do canudo sendo verticalmente submerso no milkshake,
com 8 mm de diâmetro, determinar a velocidade do milkshake no canudo.

Figura 3. Você na lanchonete com dificuldades para beber um milkshake.

Solução

Equação:

+𝛼 + 𝑔𝑧 − +𝛼 + 𝑔𝑧 =ℎ +ℎ (1)

em que a perda distribuída, hdist, e a perda localizada devido a entrada reentrante, hlocal, são descritas
respectivamente pelas equações:

ℎ =𝑓 (2)

ℎ =𝑘 (3)

Considerações:
1. regime permanente;
2. escoamento incompressível;
3. a seção  do volume de controle se situa na superfície livre do milkshake, a seção  na extremidade
do canudo em que se aplica a sucção e o diâmetro do copo é muito maior que o diâmetro do canudo, de
modo que 𝑉 ≈ 0;
4. a pressão em  é atmosférica, portanto, a pressão manométrica em  é 𝑝 = 0; e
5. o escoamento do milkshake no canudo é laminar, de modo que 𝛼 = 𝛼 = 2.
Aplicando as considerações na equação (1):

0 + 0 + 𝑔𝑧 − −𝛼 − 𝑔𝑧 = 𝑓 +𝑘 (4)

Da equação (4):

𝑔(𝑧 − 𝑧 ) − = 𝑓 +𝑘 +𝛼 (5)

Explicitando a velocidade em (5):

( )
𝑉 = (6)

(a) De acordo com a equação (6), 𝑓 + 𝑘 +𝛼 > 0 e os únicos termos que podem prevenir a
sucção do milkshake são aqueles que compõem o numerador, i.e., 2𝑔(𝑧 − 𝑧 ) − , uma vez que,
dependendo do valor de (𝑧 − 𝑧 ), o numerador pode se tornar negativo. Desta maneira, fica
demonstrado que a habilidade de beber (succionar) o milkshake independe das perdas de carga
distribuída e localizada. Fica evidente que a viabilidade de beber o milkshake depende exclusivamente da
diferença de pressão estática entre a superfície livre do fluido e a extremidade do canudo em que se aplica
a sucção.

(b) Para a condição de apenas 10% da extensão do canudo verticalmente submerso no milkshake,
(𝑧 − 𝑧 ) = − 𝐿. Portanto, a condição que garante a possibilidade de beber o milkshake é:

2𝑔(𝑧 − 𝑧 ) − > 0 𝑜𝑢 − 𝑔𝐿 > →𝐿<− (7)

Para 𝑝 = −3000 𝑃𝑎:


( )
𝐿<− = −1,11 × ≈ 0,28 𝑚 = 28 𝑐𝑚 (8)
× ,

ou seja, para apenas 10% da extensão do canudo verticalmente submerso no milkshake, na condição de
𝑝 = −3000 𝑃𝑎, o canudo fornecido não permite a sucção do milkshake.

(c) Para a condição de dois terços da extensão do canudo verticalmente submerso no milkshake,
𝑧 − 𝑧 = − 𝐿. A condição para que a velocidade seja positiva é:

2𝑔(𝑧 − 𝑧 ) − > 0 𝑜𝑢 − 𝑔𝐿 > → 𝐿 < −3 (9)

Para 𝑝 = −3000 𝑃𝑎:


( )
𝐿 < −3 = −3 × ≈ 0,77 𝑚 = 77 𝑐𝑚 (10)
× ,

ou seja, para a condição de dois terços do canudo verticalmente submerso no milkshake, o canudo
fornecido (𝐿 = 30 𝑐𝑚) permite a sucção do milkshake. O volume de controle utilizado para tal estudo é
apresentado na Figura 2.

Figura 2. volume de controle (linha tracejada) para o problema de impossibilidade de beber o milkshake.

(d) Para a situação de dois terços do comprimento do canudo sendo verticalmente submerso no milkshake
e considerando que o escoamento do milkshake no canudo seja laminar, i.e., 𝑓 = 64⁄𝑅𝑒 e 𝛼 = 2, a
equação (5) se torna:

− 𝑔𝐿 − = +𝑘 +2 (11)

Substituindo a definição de Número de Reynolds, 𝑅𝑒 = , na equação (11):

− 𝑔𝐿 − = +𝑘 +2 𝑉 (12)

Da equação (12):

− 𝑔𝐿 − = + 2,78𝑉 (13)

Da equação (13):

2,78𝑉 + 𝑉 +2 𝑔𝐿 + =0 (14)

Substituindo os devidos valores na equação (14):


× × , , × ,
2,78𝑉 + 𝑉 +2 + =0 (15)
( , )

A forma final da equação (15) fica:

2,78𝑉 + 1500𝑉 − 3,04 = 0 (16)


Resolvendo a equação quadrática (16), encontram-se as raízes
(https://www.calculatorsoup.com/calculators/algebra/quadratic-formula-calculator.php):

𝑉 = −539,6 𝑚/𝑠
e

𝑉 = 0,002 𝑚/𝑠
Verificando a pressuposição de que o escoamento é laminar:

𝜌𝑉𝐷 1200 × 0,002 × (0,008)


𝑅𝑒 = = = 2,56 × 10 ≪ 2300
𝜇 6
Portanto, a consideração de que o escoamento é laminar é confirmada. Para a condição de dois terços do
comprimento do canudo sendo verticalmente submerso no milkshake, a velocidade do milkshake no
canudo é 𝑉 = 0,002 𝑚/𝑠.

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