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Projecto de um Edifício de Escritórios com Grandes Vãos

em Zona Sísmica

Luís Filipe Dias de Almeida

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Engenharia Civil

Orientador: Prof. Pedro Guilherme Sampaio Viola Parreira

Júri

Presidente: Prof. José Manuel Matos Noronha da Câmara


Orientador: Prof. Pedro Guilherme Sampaio Viola Parreira
Vogal: Prof. João Carlos de Oliveira Fernandes de Almeida

Outubro de 2014
Agradecimentos

Ao meu Orientador, Prof. Dr. Pedro Parreira, pela disponibilidade demonstrada e orientação durante
todo o percurso, e aos restantes professores do Departamento de Engenharia Civil pelos
conhecimentos transmitidos ao longo de todo o curso.

A toda a minha família, namorada e amigos pela dedicação, apoio e toda a força que me
transmitiram para chegar até aqui.

Aos meus colegas de curso pela ajuda, directa ou indirecta, e convivência demonstrada nestes 5
anos, que se revelou fundamental apesar do tempo abdicado com eles para a conclusão deste
trabalho.

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Resumo
As soluções estruturais mais económicas para edifícios de escritórios e comércio estão hoje em dia
perfeitamente estabilizadas e passam pela utilização de vãos moderados, entre os 7.5 e 9.5m. No
entanto, de forma a conferir aos espaços utilizáveis uma maior flexibilização na sua gestão e
comercialização os investidores têm vido a considerar a possibilidade de edifícios com uma
modelação com vãos superiores, que embora a curto prazo importem investimentos ligeiramente
mais significativos, vêem a sua eficiência económica ser garantida a médio e a longo prazo.

Este trabalho pretende analisar o efeito da utilização de grandes vãos na concepção estrutural num
edifício de escritórios, quer ao nível das acções verticais, quer ao nível das acções sísmicas. Assim,
considerou-se um edifício de escritórios construído em 2004 em Lisboa, o qual foi concebido com
uma modelação estrutural de vãos de 7.5x7.5m2 e duplicou-se o comprimento dos vãos de forma a
passar a uma modelação de 15x15m2.

Desta forma, este trabalho foi norteado pela obtenção dum projecto de estruturas de qualidade para
o edifício de escritórios em causa. Para isso percorreram-se todas as etapas dum projecto, desde a
concepção estrutural inicial ao dimensionamento e pormenorização dos respectivos elementos,
passando pelo pré-dimensionamento e análise a acções gravíticas e sísmicas. Foi dada especial
importância à análise das diversas lajes, onde se optou por uma solução com utilização de pré-
esforço, recorrendo-se para isso a um programa tridimensional de elementos finitos, por forma a
resolver os problemas de deformação excessiva, limitando a flecha máxima aos limites pré-
estabelecidos.

No pré-dimensionamento utilizaram-se os conhecimentos adquiridos ao longo do curso, obtendo-se


uma estimativa dos esforços condicionantes a partir de modelos simplificados, tendo-se confirmado
que as alterações aos elementos estruturais obtidos foram quase diminutas quando em fase de
dimensionamento final.

Tratando-se dum trabalho didáctico, na verificação da segurança estrutural, utilizaram-se os


Eurocódigos actualmente em vigor, em contraste com a regulamentação utilizada no edifício
construído, a qual se baseou ainda na antiga regulamentação portuguesa, nomeadamente no
Regulamento de Acções em Estruturas de Edifícios e Pontes (RSA) e no Regulamento de Estruturas de
Betão Armado e Pré-esforçado (REBAPE).

Palavras-Chave
Projecto de Estruturas; Grandes Vãos; Pré-Dimensionamento; Lajes pré-esforçadas; Análise sísmica;
Eurocódigos.

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Abstract
The most economical structural solutions for office and trade building are nowadays stabilized
throughout the use of moderate spans, between 7,5 and 9,5 meters. However, in order to achieve
greater flexibility in the management of space, investors have been considering the design with
superior modeling, that despite the short term increased investments, their economic efficiency is
guaranteed in the medium and long term.

This thesis main goal is to examine the effect of using large spans in an office building structural
design, both in terms of vertical and seismic actions. Thus, it was considered as office building built in
2004 in Lisbon, which was originally designed with a 7,5x7,5m 2 structural modeling and doubled up
to a 15x15m2 modeling.

Having said, the aim of this thesis is to present a quality structural design for an office building. For
that purpose, it went through all the steps of a structural design, from its initial design to the
dimensioning and detailing of its several elements, as well as the preliminary design and vertical
action and seismic analysis of the structure. Special attention was given to the analysis of the various
slabs performing an iterative analysis to calculate the prestress, using a three-dimensional finite
element program, in order to solve problems of excessive deformation, restraining the maximum
deflection to established limits.

In the pre-design, applying the knowledge acquired throughout the course, were estimated the
conditioning efforts through simplified models, confirming that only minor changes had to be made
in the design.

Since it is a didactic work, the current Eurocodes were used in the verification of structural safety,
while the original structure was designed based in the former Portuguese legislation.

Keywords
Structural Design; Large Spans; Pre-design; Prestressed Slabs; Seismic Analysis; Eurocodes

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Índice Geral
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................................... 1

1.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS .............................................................................................................................. 1


1.2 OBJECTIVOS E ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ................................................................................................. 3

2 ACÇÕES, MATERIAIS E CONDICIONANTES ................................................................................................ 5

2.1 BREVE DESCRIÇÃO DO EDIFÍCIO ...................................................................................................................... 5


2.2 CONDICIONANTES ....................................................................................................................................... 6
2.3 MATERIAIS ................................................................................................................................................ 7
2.3.1 Betão ................................................................................................................................................. 7
2.3.2 Aço................................................................................................................................................... 10
2.3.3 Solo de Fundação ............................................................................................................................ 12
2.4 ACÇÕES .................................................................................................................................................. 13
2.4.1 Cargas Permanentes ....................................................................................................................... 13
2.4.2 Sobrecargas ..................................................................................................................................... 15
2.4.3 Acção Sísmica .................................................................................................................................. 17
2.4.4 Acção do Vento ............................................................................................................................... 17
2.4.5 Acção Térmica ................................................................................................................................. 18
2.5 COMBINAÇÕES DE ACÇÕES ......................................................................................................................... 19

3 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS .................................................................... 21

3.1 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL DAS LAJES ............................................................................................................. 21


3.1.1 Piso de Escritórios ............................................................................................................................ 26
3.1.2 Piso de Estacionamento .................................................................................................................. 29
3.2 ELEMENTOS VERTICAIS DE SUPORTE .............................................................................................................. 31
3.2.1 Concepção estrutural ...................................................................................................................... 31
3.2.2 Pilares .............................................................................................................................................. 32
3.2.3 Paredes ............................................................................................................................................ 35
3.3 RESTANTES ELEMENTOS ESTRUTURAIS ........................................................................................................... 35
3.3.1 Muros de Contenção Periférica ....................................................................................................... 35
3.3.2 Sapatas ............................................................................................................................................ 37
3.3.3 Escadas ............................................................................................................................................ 39

4 MODELAÇÃO ESTRUTURAL .................................................................................................................... 41

4.1 MATERIAIS .............................................................................................................................................. 41


4.2 LAJES ..................................................................................................................................................... 41
4.3 VIGAS..................................................................................................................................................... 44
4.4 ELEMENTOS VERTICAIS DE SUPORTE .............................................................................................................. 45
4.4.1 Pilares .............................................................................................................................................. 45
4.4.2 Paredes ............................................................................................................................................ 45
4.5 SAPATAS ................................................................................................................................................. 46
4.6 RESTANTES ACÇÕES .................................................................................................................................. 46
4.6.1 Escadas ............................................................................................................................................ 46
4.6.2 Muro de contenção ......................................................................................................................... 47
4.7 VALIDAÇÃO DO MODELO ........................................................................................................................... 47

5 PRÉ-ESFORÇO......................................................................................................................................... 49

5.1 VERIFICAÇÃO DO ESTADO LIMITE DE DEFORMAÇÃO .......................................................................................... 53

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5.2 ANÁLISE DA DEFORMAÇÃO DAS LAJES ........................................................................................................... 54
5.2.1 Laje do piso tipo de escritórios (Pisos 1 a 3) .................................................................................... 54
5.2.2 Laje de escritórios (Piso 0) ............................................................................................................... 58
5.2.3 Laje de cobertura (Piso 4) ................................................................................................................ 59
5.2.4 Laje de estacionamento tipo (Pisos -3 a -1)..................................................................................... 60
5.2.5 Laje de estacionamento Exterior (Piso -0) ....................................................................................... 62
5.2.6 Observações Finais .......................................................................................................................... 64

6 ANÁLISE SÍSMICA ................................................................................................................................... 65

6.1 CRITÉRIOS DE REGULARIDADE ..................................................................................................................... 66


6.1.1 Regularidade em Altura .................................................................................................................. 66
6.1.2 Regularidade em Planta .................................................................................................................. 67
6.2 COEFICIENTE DE COMPORTAMENTO ............................................................................................................. 69
6.3 ANÁLISE MODAL ...................................................................................................................................... 70
6.4 ESPECTRO DE CÁLCULO .............................................................................................................................. 73
6.5 TORÇÃO ACIDENTAL E EFEITOS DE 2ª ORDEM .................................................................................................. 76
6.5.1 Torção acidental .............................................................................................................................. 76
6.5.2 Efeitos de 2ª ordem ......................................................................................................................... 78
6.6 ESTADO LIMITE DE SERVIÇO - LIMITAÇÃO DE DANOS ....................................................................................... 80

7 DIMENSIONAMENTO ............................................................................................................................. 83

7.1 ESTADO LIMITE DE SERVIÇO ........................................................................................................................ 83


7.2 ESTADO LIMITE ÚLTIMO............................................................................................................................. 84
7.2.1 Disposições Gerais ........................................................................................................................... 84
7.2.2 Vigas ................................................................................................................................................ 85
7.2.3 Lajes ................................................................................................................................................ 85
7.2.4 Pilares .............................................................................................................................................. 89
7.2.5 Paredes ............................................................................................................................................ 91
7.2.6 Fundações ....................................................................................................................................... 95
7.2.7 Muro de Contenção ......................................................................................................................... 95
7.3 VERIFICAÇÃO DA RESISTÊNCIA AO FOGO ........................................................................................................ 96

8 PLANEAMENTO CONSTRUTIVO, MAPA DE MEDIÇÕES E ORÇAMENTAÇÃO ............................................ 97

9 CONCLUSÕES ......................................................................................................................................... 99

10 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 100

ANEXOS........................................................................................................................................................ 101

PEÇAS DESENHADAS…………………………………………………………………………………………………………………. 116

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Índice de Figuras
Figura 2.1: Corte da estrutura dos desenhos de arquitectura ................................................................ 5
Figura 2.2: Planta do piso tipo de escritórios .......................................................................................... 6
Figura 2.3: Planta do piso de estacionamento tipo................................................................................. 6
Figura 2.4: Diagrama de tensão-deformação do betão à compressão ................................................... 9
Figura 2.5: Diagrama de tensão-deformação do aço à tracção e compressão ..................................... 11
Figura 2.6: Gráfico coeficiente de exposição [4] ................................................................................... 17
Figura 2.7: Zonamento térmico de Verão (à esquerda) e de Inverno (à direita) [4] ............................. 18
Figura 3.8: Laje nervurada (à esquerda) e respectivo corte transversal (à direita) (adaptado de [8]) . 22
Figura 3.9: Definição e pré-dimensionamento da laje de estacionamento .......................................... 23
Figura 3.10: Definição e pré-dimensionamento da laje de escritórios ................................................. 24
Figura 3.11: Especificação do tipo e espessura de laje em função do vão condicionante [10] ............ 24
Figura 3.12: Características da secção transversal adoptada (adaptado de [9]) .................................. 25
Figura 3.13: Distribuição de momentos na faixa central e faixa lateral [10] ........................................ 25
Figura 3.14: Localização da linha neutra na laje nervurada para momentos positivos ........................ 26
Figura 3.15: Pórtico equivalente na direcção transversal ..................................................................... 26
Figura 3.16: Modelo de cálculo da laje de escritórios na direcção transversal .................................... 27
Figura 3.17: Diagrama de momentos flectores na laje de escritórios na direcção transversal ............ 27
Figura 3.18: Pórtico equivalente na direcção longitudinal.................................................................... 28
Figura 3.19: Modelo de cálculo da laje de escritórios na direcção longitudinal ................................... 28
Figura 3.20: Diagrama de momentos flectores na laje de escritórios na direcção longitudinal ........... 28
Figura 3.21: Pórtico equivalente na direcção longitudinal.................................................................... 29
Figura 3.22: Modelo de cálculo da laje de estacionamento na direcção longitudinal .......................... 29
Figura 3.23: Diagrama de momentos flectores na laje de estacionamento na direcção longitudinal . 29
Figura 3.24: Pórtico equivalente na direcção transversal ..................................................................... 30
Figura 3.25: Modelo de cálculo da laje de estacionamento na direcção transversal ........................... 30
Figura 3.26: Diagrama de momentos flectores na laje de estacionamento na direcção transversal ... 30
Figura 3.27: Áreas de influência dos pilares dos pisos elevados ........................................................... 33
Figura 3.28: Áreas de influência dos pilares das caves ......................................................................... 34
Figura 3.29: Corte do muro de contenção periférica ............................................................................ 35
Figura 3.30: Modelo do muro de contenção periférica e respectivo carregamento (KN/m2) .............. 36
Figura 3.31: Diagrama de momentos flectores actuantes (KN.m/m) ................................................... 36
Figura 3.32: Diagrama de esforço transverso actuante ........................................................................ 36
Figura 3.33: Planta de fundações pré-dimensionadas .......................................................................... 38
Figura 3.34: Planta da zona das escadas ............................................................................................... 39
Figura 3.35: Modelo de análise para o pré-dimensionamento das escadas ......................................... 39
Figura 3.36: Modelo de cálculo (à esquerda) e correspondente diagrama de momentos flectores (à
direita) ................................................................................................................................................... 39
Figura 4.37: Definição dos elementos de laje maciça (à esquerda) e nervurada (à direita) ................. 42
Figura 4.38: Malha de elementos finitos para a laje do piso tipo de escritórios .................................. 43
Figura 4.39: Malha de elementos finitos para a laje do piso tipo de estacionamento ......................... 43
Figura 4.40: Malha de elementos finitos para a laje de estacionamento exterior ............................... 43
Figura 4.41: Secção transversal da viga de bordadura do piso tipo (à esquerda) e da cobertura (à
direita) ................................................................................................................................................... 44

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Figura 4.42: Secção transversal da dobra do piso 0 .............................................................................. 44
Figura 4.43: Elemento de barra definido pelos nós de extremidade .................................................... 45
Figura 4.44: Pormenor do núcleo com as "vigas rígidas" ao nível do piso............................................ 45
Figura 4.45: Carga em face aplicada na laje do piso ............................................................................. 46
Figura 4.46: Pormenor das molas de restrição nas caves (à esquerda) e o encastramento na base do
muro de contenção (à direita)............................................................................................................... 47
Figura 4.47: Modelo tridimensional finalizado ..................................................................................... 48
Figura 5.48: Corte na direcção longitudinal com emáx,y e na direcção transversal com emáx,x ............... 50
Figura 5.49: Medidas de bainhas e ancoragens (adaptado de [9]) ....................................................... 50
Figura 5.50: Representação das forças de ancoragem [12] .................................................................. 51
Figura 5.51: Distâncias necessárias entre ancoragens e bordo (adaptado de [15]) ............................. 52
Figura 5.52: Pormenor de aplicação do pré-esforço no SAP2000 (carga equivalente e forças de
ancoragem) ........................................................................................................................................... 53
Figura 5.53: Deformada para a combinação quase permanente de acções sem pré-esforço ............. 54
Figura 5.54: Corte das nervuras ............................................................................................................ 55
Figura 5.55: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas ........ 55
Figura 5.56: Deformada do piso tipo para a combinação quase permanente de acções com pré-
esforço ................................................................................................................................................... 56
Figura 5.57: Cálculo da largura efectiva [14] ......................................................................................... 56
Figura 5.58: Pormenor do pré-esforço na laje e na viga de bordadura a meio-vão ............................. 57
Figura 5.59: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas ........ 58
Figura 5.60: Deformada do piso 0 para a combinação quase permanente de acções com pré-esforço
............................................................................................................................................................... 58
Figura 5.61: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas e vigas
............................................................................................................................................................... 59
Figura 5.62: Deformada da cobertura para a combinação quase permanente de acções com pré-
esforço ................................................................................................................................................... 59
Figura 5.63: Deformada da laje de estacionamento para a combinação quase permanente de acções
sem pré-esforço .................................................................................................................................... 60
Figura 5.64: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas ........ 60
Figura 5.65: Deformada da laje de estacionamento tipo para a combinação quase permanente de
acções com pré-esforço ........................................................................................................................ 61
Figura 5.66: Deformada da laje de estacionamento exterior para a combinação quase permanente de
acções sem pré-esforço......................................................................................................................... 62
Figura 5.67: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas ........ 62
Figura 5.68: Deformada da laje de estacionamento exterior para a combinação quase permanente de
acções com pré-esforço ........................................................................................................................ 63
Figura 6.69: Espectro de resposta elástica genérica [adaptado de 11] ................................................ 65
Figura 6.70: Valor do coeficiente de comportamento q0 [6] ................................................................ 69
Figura 6.71: Modos de vibração do modelo “com paredes” ................................................................ 72
Figura 6.72: Modos de vibração do modelo "sem paredes" ................................................................. 73
Figura 6.73: Espectros de resposta elástica para os sismos do tipo 1 e 2............................................. 74
Figura 6.74: Espectro de resposta vertical elástica genérica [adaptado de 11].................................... 75
Figura 6.75: Espectros de resposta elástica vertical para os sismos do tipo 1 e 2 ................................ 75
Figura 6.76: Deformada de estrutura do tipo Parede e do tipo Pórtico ............................................... 79

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Figura 6.77: Deslocamentos relativos e totais ao longo da altura dos dois modelos ........................... 81
Figura 6.78: Diferente comportamento dos pilares para uma deformação imposta ........................... 81
Figura 7.79: Comprimento de emenda [14] .......................................................................................... 84
Figura 7.80: Pormenorização da armadura tipo na laje nervurada ...................................................... 86
Figura 7.81: Mecanismo de rotura por punçoamento [10] .................................................................. 87
Figura 7.82: Tensões de corte na laje devido a VEd, Mx e My................................................................. 87
Figura 7.83: Armadura de colapso progressivo (adaptado de [10])...................................................... 88
Figura 7.84: Geometria do mecanismo de rotura por punçoamento de diferentes pilares e detalhe da
armadura ............................................................................................................................................... 88
Figura 7.85: Localização das zonas críticas dos pilares [6] .................................................................... 89
Figura 7.86: Pormenor da passagem entre pilares e correspondente amarração dos varões
longitudinais .......................................................................................................................................... 91
Figura 7.87: Identificação das paredes nos pisos elevados (à esquerda) e nos pisos enterrados (à
direita) ................................................................................................................................................... 91
Figura 7.88: Diagramas de cálculo de momentos flectores e esforço transverso das paredes
[adaptado de 10] ................................................................................................................................... 92
Figura 7.89: Modelo para dimensionamento das armaduras longitudinais das paredes ..................... 92
Figura 7.90: Diagramas de cálculo (EC8) para as paredes PR1 e PR2.................................................... 93
Figura 7.91: Diagramas de cálculo (EC8) para as paredes PR3 e PR4.................................................... 94
Figura 7.92: Diagramas de cálculo (EC8) para a parede PR5 ................................................................. 94
Figura 7.93: Cálculo da armadura das sapatas [18] .............................................................................. 95
Figura 7.94: Acção do fogo .................................................................................................................... 96
Figura 8.95: Planeamento construtivo da estrutura ............................................................................. 97
Figura 8.96: Diferenças de custos dos materiais para as diferentes modelações ................................ 98

xi
xii
Índice de Tabelas
Tabela 2.1: Classes de exposição do betão ............................................................................................. 8
Tabela 2.2: Limites para as características do betão............................................................................... 8
Tabela 2.3: Características dos betões utilizados.................................................................................... 9
Tabela 2.4: Recobrimentos nominais adoptados .................................................................................. 10
Tabela 2.5: Classificação das armaduras ............................................................................................... 10
Tabela 2.6: Características do aço de armadura ordinária ................................................................... 10
Tabela 2.7: Características do aço de pré-esforço ................................................................................ 11
Tabela 2.8: Características do solo de fundação ................................................................................... 12
Tabela 2.9: Valores das restantes cargas permanentes adoptadas ...................................................... 15
Tabela 2.10: Valores das sobrecargas adoptadas ................................................................................. 16
Tabela 2.11: Variações térmicas diferenciais ........................................................................................ 18
Tabela 2.12: Coeficientes parciais de segurança................................................................................... 20
Tabela 2.13: Coeficientes de redução das sobrecargas ........................................................................ 20
Tabela 2.14: Quadro resumo das combinações de acções ................................................................... 20
Tabela 3.15: Cargas inerentes a cada piso para as várias combinações ............................................... 25
Tabela 3.16: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e
respectivos momentos flectores reduzidos .......................................................................................... 27
Tabela 3.17: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e
respectivos momentos flectores reduzidos .......................................................................................... 28
Tabela 3.18: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e
respectivos momentos flectores reduzidos .......................................................................................... 29
Tabela 3.19: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e
respectivos momentos flectores reduzidos .......................................................................................... 30
Tabela 3.20: Parâmetros de pré-dimensionamento dos pilares primários........................................... 33
Tabela 3.21: Secções transversais adoptadas para os pilares primários .............................................. 33
Tabela 3.22: Parâmetros de pré-dimensionamento dos pilares secundários....................................... 34
Tabela 3.23: Secções transversais adoptadas para os pilares secundários .......................................... 34
Tabela 3.24: Características do solo ...................................................................................................... 36
Tabela 3.25: Verificação da segurança ao esforço transverso .............................................................. 36
Tabela 3.26: Pré-dimensionamento das sapatas de pilares .................................................................. 38
Tabela 3.27: Pré-dimensionamento das sapatas do muo de contenção e núcleo central ................... 38
Tabela 4.28: Propriedades dos materiais .............................................................................................. 41
Tabela 4.29: Parâmetros mecânicos do solo de fundação .................................................................... 46
Tabela 4.30: Comparação dos esforços axiais obtidos dos pilares primários e pilares secundários .... 48
Tabela 5.31: Valores das flechas máximas admissíveis ......................................................................... 53
Tabela 5.32: Dados das bandas de pré-esforço .................................................................................... 56
Tabela 5.33: Pré-esforço adoptado no piso tipo de escritórios ............................................................ 57
Tabela 5.34: Pré-esforço adoptado no piso 0 de escritórios................................................................. 58
Tabela 5.35: Pré-esforço adoptado no piso de cobertura .................................................................... 59
Tabela 5.36: Pré-esforço adoptado no piso de estacionamento tipo ................................................... 61
Tabela 5.37: Pré-esforço adoptado no piso de estacionamento exterior ............................................ 63
Tabela 6.38: Diferenças do cálculo sísmico dependendo da regularidade da estrutura ...................... 66
Tabela 6.39:Cálculo do centro de rigidez de cada piso ......................................................................... 68

xiii
Tabela 6.40: Cálculo dos deslocamentos do centro de rigidez de cada piso ........................................ 68
Tabela 6.41: Valores dos raios de torção e de giração da estrutura ..................................................... 68
Tabela 6.42: Valores dos raios de torção e giração da estrutura "sem paredes" ................................. 69
Tabela 6.43: Cálculo do coeficiente de comportamento dos 2 modelos .............................................. 69
Tabela 6.44: Quantificação da massa total e massa oscilante da estrutura ......................................... 70
Tabela 6.45: Períodos, frequências e factores de participação de massa dos vários modos “modelo
com paredes” ........................................................................................................................................ 70
Tabela 6.46: Períodos, frequências e factores de participação de massa dos vários modos “modelo
sem paredes”......................................................................................................................................... 71
Tabela 6.47: Parâmetros para a definição da acção sísmica ................................................................. 74
Tabela 6.48: Parâmetros para a definição da acção sísmica vertical .................................................... 74
Tabela 6.49: Coeficientes sísmicos, para as diferentes acções sísmicas e direcções, para os dois
modelos ................................................................................................................................................. 76
Tabela 6.50: Cálculo dos momentos associados à torção acidental no modelo “com paredes”.......... 77
Tabela 6.51: Cálculo dos momentos associados à torção acidental no modelo “sem paredes” .......... 77
Tabela 6.52: Deslocamentos nas duas direcções ortogonais nos dois modelos................................... 78
Tabela 6.53: Análise da sensibilidade ao deslocamento relativo entre pisos no modelo “com paredes”
............................................................................................................................................................... 79
Tabela 6.54: Análise da sensibilidade ao deslocamento relativo entre pisos no modelo “sem paredes”
............................................................................................................................................................... 79
Tabela 6.55: Verificação da limitação de danos nos 2 modelos ........................................................... 80
Tabela 6.56: Taxas de armaduras dos pilares AB (1o e 2o pisos) e CD (3o e 4o pisos) do modelo “com
paredes” (superior) e “sem paredes” (inferior) .................................................................................... 82
Tabela 6.57: Estimativa de custo de materiais para os 2 modelos ....................................................... 82
Tabela 7.58: Comprimentos de amarração e de emenda ..................................................................... 84
Tabela 7.59: Cálculo do esforço transverso resistente às diversas cotas ............................................. 95
Tabela 8.60: Custo unitário dos materiais............................................................................................. 97

xiv
Acrónimos

Capítulo 2
γ – Peso volúmico;
fck – Valor característico da tensão de rotura do betão à compressão;
fcd – Valor de cálculo da tensão de rotura à compressão do betão;
fctm – Valor da tensão de rotura à tracção do betão;
Ecm – Módulo de elasticidade secante do betão;
fctk 0,05 – Valor característico inferior da tensão de rotura à tracção do betão;
εc2 – Extensão para a tensão máxima de compressão;
εcu2 – Extensão última do betão;
α – Coeficiente de dilatação térmica linear do betão;
ν – Coeficiente de poisson;
Dmáx – Diâmetro máximo dos agregados;
fsyk – Valor característico da tensão de cedência à tração do aço das armaduras ordinárias;
fsyd – Valor de cálculo da tensão de cedência à tração do aço das armaduras ordinárias;
Es – Módulo de elasticidade do aço;
εuk – Extensão última do aço;
fpuk – Tensão de rotura à tração do aço das armaduras de pré-esforço;
fpyk – Valor característico da tensão de rotura à tração das armadura de pré-esforço;
fpyd – Valor de cálculo da tensão de rotura à tração das armadura de pré-esforço;
Esp – Módulo de elasticidade do aço de pré-esforço;
σadm – Tensão máxima de compressão admissível do terreno;
φ – Angulo de corte do terreno;
Ko – Coeficiente de repouso do terreno;
Esolo – Módulo de elasticidade do solo;
vb,0 – Valor básico da velocidade do vento;
Ce – Coeficiente de exposição;
qp – Pressão dinâmica de pico;
Tmin e Tmáx – Temperatura mínima e máxima do ar, respectivamente de inverno e de verão;

Capítulo 3
d – Braço útil da secção;
μ – Momento flector reduzido;
ω – Percentagem mecânica de armadura;
μequivalente– Momento flector reduzido para um betão C25/30;
Msd – Momento flector de dimensionamento;

xv
Ac – Área da secção transversal de betão;
Nsd – Valor do esforço axial;
νsd – Valor do esforço axial reduzido;
Nsd,i – Valor do esforço axial à cota i;
bw – Largura da alma do elemento;
hs – Altura livre do piso;
Amin - Área mínima da sapata em planta em m2;
H – altura da sapata;

Capítulo 5
σc – Tensão na secção de betão;
P’0 – Força de pré-esforço;
P0 – Força de pré-esforço após perdas instantâneas;
P∞ - Força de pré-esforço útil ou a tempo infinito;
e – excentricidade do cabo de pré-esforço face ao centro de gravidade da secção;
R – Raio de curvatura dos cabos de pré-esforço;
hCG – Distância ao centro de gravidade da secção;
rec – Recobrimento de betão;
ϕlong – Diâmetro das armaduras ordinárias;
q – Carga equivalente ao pré-esforço;
f – Flecha do cabo de pré-esforço;
L – comprimento da parábola;
Fv – Forço vertical de ancoragem do pré-esforço;
M – Momento de ancoragem do pré-esforço;
ac – Flecha a longo prazo;
ae – Flecha elástica;
ϕ – Coeficiente de fluência do betão;
beff – Largura efectiva da secção de betão;
σc – Tensão de compressão na secção de betão;
bw,nec – Largura mínima de banda;
banc,nec – Distância mínima de ancoragem;

Capítulo 6
γ1 – Coeficiente de importância;
λ – Esbelteza do edifício em planta;
XCM e YCM – Coordenada em X e Y do centro de massa;
e0x e e0y – Distância em X e Y do centro de massa e o centro de rigidez;

xvi
XCR e YCR – Coordenada em X e Ydo centro de rigidez;
Kx e Ky – Rigidez de flexão em X e Y;
Kθ – Rigidez de torção;
rx e ry – Raio de torção segundo X e Y;
Isx e Isy – Raio de giração de massa segundo X e Y;
Ip – Inércia polar;
q0 – Valor básico do coeficiente de comportamento;
q – Coeficiente de comportamento;
kw – Factor que reflecte o modo de rotura predominante nos sistemas estruturais de paredes;
αu – Factor multiplicativo da acção sísmica de cálculo, na formação do mecanismo global;
α1 – Factor multiplicativo da acção sísmica de cálculo, na formação da primeira rótula plástica;
MT – Massa total da estrutura;
M0 – Massa oscilante da estrutura;
T – Período de vibração de um sistema linear com um grau de liberdade;
TB – Limite inferior do período do tramo de aceleração constante;
TC – Limite inferior do período do tramo de velocidade constante;
TD – Limite inferior do período do tramo de deslocamento constante;
Se – Espectro de resposta elástica horizontal;
agR – Valor de referência da aceleração máxima à superfície de um terreno do tipo A;
ag – Valor de cálculo da aceleração à superfície de um terreno do tipo A;
S – Coeficiente do solo;
avg – Valor de cálculo da aceleração à superfície do terreno na direcção vertical;
β – Coeficiente sísmico;
Fb – Força de corte basal;
Fv – Somatório das forças verticais;
eax e eay – Excentricidade acidental na direcção X e Y;
Lx e Ly – Comprimento do piso na direcção X e Y;
Mai – Momento torsor acidental aplicado no piso i;
Fi – força horizontal actuante no piso i;
θx e θy - Coeficiente de sensibilidade ao deslocamento entre pisos;
Ptot – Carga gravítica total do piso considerado e pisos superiores;
dr – Deslocamento horizontal relativo entre pisos;
Vtot – Esforço transverso total do piso;
h – altura entre pisos;
ν – Coeficiente de redução que tem em conta o baixo período de retorno da acção sísmica;
As,long – Volume de armadura longitudinal;
As,transv – Volume de armadura de esforço transverso;

xvii
As,cintagem – Volume de armadura de cintagem;
ρ – Taxa de armadura total do elemento;

Capítulo 7
ldb – Comprimento de amarração de cálculo;
σsd – Valor de cálculo da tensão no varão;
η1 e η2 - Parâmetros que relacionam, respectivamente, a aderência e o diâmetro do varão;
lo – Comprimento de emenda de cálculo;
As,min – Área mínima de armadura ordinárias;
As,máx - Área máxima de armadura ordinárias;
γrd – Coeficiente de sobre-resistência;
z – Braço das forças
θ – Ângulo de inclinação das bielas comprimidas em relação ao eixo da peça;
αCW – Coeficiente que temem conta a tensão de compressão no elemento;
T – Tensão de tracção na armadura;
C – Tensão de compressão no elemento de betão;
As,eq – Quantidade de armadura equivalente ordinária necessária;
Ap – Área de armadura de pré-esforço;
Δfypd – Variação de tensão no aço de pré-esforço;
VRd,C – Valor da resistência ao esforço transverso sem armadura específica para o efeito;
VRd,Cs – Valor da resistência ao esforço transverso com armadura específica para o efeito;
fywd,ef – Valor de cálculo da tensão de cedência da armadura de esforço transverso;
lcr – Comprimento da zona crítica;
lcl – Comprimento livre do pilar;
s – Espaçamento entre armadura transversal;
α – Coeficiente de eficiência de confinamento;
wwd – Taxa mecânica volumétrica da armadura de confinamento;
lc – Comprimento do pilar fictício da parede resistente;
lw – Maior dimensão da parede resistente;
bw – Menor dimensão da parede resistente;
R1 – Reacção do solo;
A – Dimensão da sapata segundo o plano de flexão considerado;
B – Dimensão da sapata ortogonal a A;
a – Dimensão do pilar segundo o plano de flexão considerado;

xviii
1. Introdução

1.1 Considerações Gerais

Há vários anos que os engenheiros civis seguem regulamentos para proceder ao dimensionamento e
verificação da segurança estrutural de obras de qualquer tipo ou material. É comum que cada país
tenha o seu próprio regulamento com as suas próprias regras. Mais recentemente, concretamente
após o Tratado de Roma, numa tentativa de unificar os critérios e normas na concepção e verificação
da segurança estrutural dos países aderentes, foi proposto um conjunto de normas, em que todos os
membros aderentes seguiriam um mesmo regulamento. Assim surgiram os Eurocódigos, que
estabelecem os princípios e requisitos de segurança, de utilização e de durabilidade de um projecto
de uma estrutura qualquer que seja os materiais que a constituam, que foram acompanhados de
uma regulamentação nacional relativa a cada país. Este Anexo Nacional NA fornece regulamentação
específica e parâmetros determinados a nível nacional, NDP, relativos a cada país. Deste modo
qualquer engenheiro civil está apto a dimensionar uma estrutura de qualquer tipo ou material em
qualquer país membro.

Deste modo, no dimensionamento e estudo sísmico do edifício em estudo irá recorrer-se aos
seguintes regulamentos: Eurocódigo 0 (EC0) - Bases para o projecto de Estruturas [1]; Eurocódigo 1
(EC1) – Acções em estruturas [2]; Eurocódigo 2 (EC2) – Projecto de estruturas de Betão [3] e
Eurocódigo 8 (EC8) – Projecto de Estruturas para Resistência aos Sismos [4]. Como os próprios nomes
indicam, o EC0 estabelece os princípios e requisitos de segurança, de utilização e de durabilidade das
estruturas e é onde estão definidas as bases para projecto e verificação e em anexo são
apresentadas as combinações de acções; o EC1 define as acções a que a estrutura vai estar sujeita
além de apresentar pesos volúmicos de materiais e alguns aspectos geotécnicos; o EC2 para a
verificação de segurança dos elementos de betão armado e suas pormenorizações, e finalmente o
EC8 que define a acção sísmica e faculta várias verificações de segurança e dimensionamento dos
elementos estruturais, que tem especial relevância no nosso país.

Todas estas normas têm em consideração que um projecto de estruturas tem como principal
exigência assegurar a funcionalidade para o qual está a ser concebido. Para isso é imprescindível
garantir que a estrutura tenha não só estabilidade mas também funcionalidade e durabilidade. A
estabilidade é necessária de modo a garantir a resistência a todas as acções a que irá estar sujeita ao
longo da sua vida útil. A durabilidade da estrutura tem em conta o período de vida útil para o qual a

1
estrutura é concebida, que está intimamente ligado com a classe de importância da estrutura. É
tendo em conta estes dois factores que se procede à escolha dos materiais a utilizar e o método
construtivo, este último tem muito a ver com o tempo para a construção. Além destes dois factores,
há que garantir um bom funcionamento de modo a conferir conforto ao seu utilizador. Para isso há
que verificar o seu comportamento em serviço, limitando as deformações dos elementos estruturais
e as eventuais vibrações que a sua normal utilização possa provocar. Apesar de nenhuma destas
ocorrências representarem qualquer risco para a estabilidade, grandes deformações da estrutura
causam desconforto visual, assim como a vibração da mesma causa desconforto.

A minimização das quantidades de material a utilizar bem como a utilização de processos


construtivos mais eficientes são factores importantes que os projectistas deverão ter em
consideração na concepção estrutural. Visto hoje em dia a tendência para a construção é ser em
altura, em que a repetição dos elementos estruturais é elevada, a optimização do projecto é outro
factor importante a ter em conta. Para isso é essencial formular várias hipóteses e respectivas
soluções de modo a poder efectuar-se uma comparação entre as mesmas e adoptar a que se
considera ser melhor. Este tipo de abordagem é mais demorado, pelo que a experiência do
projectista é muito importante.

2
1.2 Objectivos e organização da dissertação

O principal objectivo deste trabalho foi o de comparar soluções mais conservadoras na concepção de
edifícios de escritórios, com outras mais arrojadas, com vãos maiores, e analisar até que ponto estas
fazem economicamente sentido quando utilizadas na concepção dos mesmos edifícios.
Para isso, a solução estrutural terá de ser funcional, satisfazer as exigências de segurança e de bom
comportamento estrutural em condições de utilização quer normal, quer excepcional, assegurando
que esta detenha a resistência e ductilidade necessárias e assegurar o conforto dos seus utentes.
Procurou-se ainda compatibilizar a solução estrutural com o projecto de arquitectura disponibilizado.

No capítulo 2 do documento é feita uma breve descrição do edifício e estimam-se as acções que este
estará sujeito durante o seu período de vida útil, bem como se definem as combinações de acções a
considerar na verificação da segurança. Nesta secção serão também referenciados os materiais
adoptados e a sua caracterização física e mecânica.

O capítulo 3 considera o pré-dimensionamento dos elementos estruturais. De início é feito o pré-


dimensionamento dos elementos de piso, lajes e vigas, onde se consideram modelos simples da
análise estrutural. Comparam-se um conjunto de soluções estruturais possíveis e justifica-se a
escolha em relação à qual se julga se adapta melhor ao edifício em causa. Após escolhida a solução
estrutural dos elementos de pisos, procede-se ao pré-dimensionamento dos elementos verticais de
suporte da estrutura. É efectuado ainda neste capítulo o pré-dimensionamento dos muros de
suporte periféricos das caves, as sapatas e as escadas e rampas de acesso.

Posteriormente, no capítulo 4, é descrita a modelação tridimensional da estrutura e são definidas as


cargas para cada uma das acções actuantes. É executada ainda uma primeira validação do modelo
por comparação da reacção vertical total com a carga gravítica actuante, obtida no pré-
dimensionamento dos elementos verticais de suporte.

De seguida, no capítulo 5, é feito o cálculo do pré-esforço a aplicar nas lajes por forma a verificar, em
cada uma, os estados limites de deformação. É também compatibilizado o modelo tridimensional
com as exigências necessárias do pré-esforço, como o aumento da largura ou a espessura das bandas
caso necessário.

No capítulo 6 é realizada a análise sísmica da estrutura, em que se optou pelo estudo de dois
modelos diferentes, um modelo “com paredes” em que se aproveita os núcleos de acesso vertical,
escadas e elevadores, como paredes estruturais, utlizado na concepção do edifício inicial e o modelo
“sem paredes” em que as paredes resistentes foram substituídas por pilares tornando assim a

3
estrutura torsionalmente não-flexível, e por isso com um coeficiente de comportamento
significativamente superior modelo inicial. São feitos para ambos os casos uma análise modal, e são
analisadas as condições de regularidade e o cálculo do respectivo coeficiente de comportamento.
São também avaliados os efeitos da torção acidental e efeitos de 2ªordem, preconizados no EC8. No
final procede-se à escolha do modelo que melhor se adapta à estrutura, bem como o que verifica a
melhor relação custo-segurança.

No capítulo 7 é realizado o dimensionamento dos elementos estruturais e verificada a segurança as


normas do EC2 e EC8, que conduz posteriormente à sua pormenorização.

Por fim, no capítulo 8, é feito um breve planeamento do processo construtivo da estrutura e é


apresentada uma estimativa orçamental para a estrutura do edifício com base em preços unitários
correntes de mercado, a qual é comparada com a estimativa obtida com a solução mais conservativa
utilizada na sua concepção.

4
2 Acções, Materiais e Condicionantes

2.1 Breve descrição do edifício

Os edifícios de escritórios necessitam de grande flexibilidade, devido à grande exigência


relativamente à funcionalidade e capacidade de comunicação. Para isso pretendem-se espaços
amplos devido à necessidade de constante alteração do espaço consoante as necessidades. Para isso
a solução adoptada contemplará um número muito reduzido de pilares interiores, se possível sem
recurso a paredes resistentes, com toda a periferia envolvente composta por vãos envidraçados, de
modo a ter uma envolvente agradável e compatível com os requisitos arquitectónicos. Todos estes
factores tornam o edifício esteticamente mais agradável e principalmente mais confortável para
todos os seus utilizadores.
O edifício localiza-se em Setúbal, e é constituído por 4 pisos enterrados e 5 pisos elevados (Figura
2.1). Os pisos elevados têm como principal uso o funcionamento de escritórios, à excepção do último
que serve maioritariamente para o acesso à cobertura e a localização de equipamentos. Já os pisos
enterrados, pela falta de luz solar, destinar-se-ão a estacionamento de veículos ligeiros. Como se
pode observar no corte transversal do edifício, denota-se a presença de um depósito de água de
grandes dimensões, destinado à recolha de águas pluviais provenientes das coberturas e do piso
térreo, para posterior bombagem para um sistema colector próprio.
Cada piso elevado possui uma área bruta de 1119m2. A área de implantação do edifício é de 2771m2
e a área bruta total é de 15646m2. Todas as geometrias e dimensões de cada piso estão apresentadas
em anexo.

Figura 2.1: Corte da estrutura dos desenhos de arquitectura

5
2.2 Condicionantes

O edifício foi concebido com um número reduzido de pilares, o que implica grandes vãos de lajes.
Deste modo proporciona-se grandes espaços amplos e uma melhor rentabilização do espaço mas
esta solução tem o seu custo. Observando as plantas das Figuras 2.2 e 2.3, respectivamente a planta
dos pisos tipo de escritórios e de estacionamento, denota-se a existência de vãos com 15 metros o
que deverá implicar o uso de pré-esforço com consequente agravamento dos custos da obra. Quanto
ao núcleo de paredes resistentes da caixa de elevador e de escadas decidiu-se manter a sua posição
original de modo a não comprometer o espaço, não se tendo optado pela inclusão de quaisquer
outros elementos na periferia do edifício por incompatibilização com o projecto de arquitectura. Este
reduzido número de pilares desde a base tem de ser acompanhado por um ensaio geotécnico do
local de implantação da obra já que o solo terá de ser minimamente competente de modo a resistir
ao esforço normal proveniente destes elementos em condições de segurança.

Figura 2.2: Planta do piso tipo de escritórios

Figura 2.3: Planta do piso de estacionamento tipo

6
2.3 Materiais

Tendo em atenção aos grandes vãos utilizados, a solução estrutural adoptada passa pela utilização
de uma estrutura de betão armado e pré-esforçado, cuja resistência será garantida pela interacção
entre o betão e o aço de armadura ordinárias e de pré-esforço. É também importante referir as
características do solo de fundação para que se possa efectuar os cálculos de sapatas e paredes de
contenção.

Para que se pudesse fazer uma escolha correcta dos materiais a utilizar fez-se um levantamento de
todas as restrições existentes na regulamentação. Verificou-se que grande parte das restrições
encontram-se no art.º5 do EC8 para a análise sísmica. No que diz respeito a estruturas de betão
armado o EC8 estabelece que em elementos estruturais primários deve-se utilizar aços da classe B ou
C (art.º5.3.2) e para estruturas de classe de ductilidade média DCM, a classe de betão a utilizar
deverá ser superior a C16/20, novamente em elementos estruturais primários (art.º5.4.1.1).

2.3.1 Betão

Uma vez ter-se optado por uma estrutura em betão armado e pré-esforçado para o edifício em
causa, o betão a utilizar deverá cumprir todas as características de desempenho e funcionalidade.
Neste caso o betão terá que apresentar características de modo a assegurar uma vida útil da
estrutura, conforme foi dito anteriormente, de 50 anos.

A tensão de rotura do betão é expressa por classes de resistência relacionadas com o valor
característico da resistência à compressão referido a provetes cilíndricos e a provetes cúbicos. As
classes de resistência são assim definidas como C x/y, em que C designa “concrete” e x e y as
resistências à compressão de provetes cilíndricos e cúbicos, respectivamente, determinadas aos 28
dias.

7
Tabela 2.1: Classes de exposição do betão

Corrosão induzida por carbonatação


Classe Ambiente Exemplos
Seco ou
Betão no interior de edifícios com baixa humidade do ar; Betão
XC1 permanentemente
permanentemente submerso em água
húmido
Húmido, raramente Superfícies de betão sujeito a longos períodos de contacto com
XC2
seco água; Muitas fundações
Moderadamente Betão no interior de edifícios com moderada ou elevada humidade
XC3
húmido do ar; Betão no exterior protegido da chuva
Ciclicamente húmido Superfícies de betão sujeitas ao contacto com a água, fora do
XC4
e seco âmbito da classe XC2

Numa rápida análise aos elementos estruturais podemos verificar que existem três ambientes
distintos de exposição, tendo em conta que o edifício se encontra suficientemente afastado do mar e
o betão é apenas afectado pela carbonatação (Tabela 2.1). Os elementos interiores encontram-se
submetidos a humidades e variações de temperatura baixas, logo classe de exposição XC1. Já os
elementos exteriores encontram-se susceptíveis a grandes variações de humidade, temperatura e
todas as outras agressões ambientais, pelo que são classificados como classe de exposição XC3. Por
fim, encontram-se elementos em permanente com o solo contacto (paredes de contenção e sapatas)
e por isso classificados como classe XC2.

Com esta classificação das classes de exposição para os vários elementos estruturais e com recurso à
Tabela 2.2, pode-se determinar a classe de resistência mínima do betão a utilizar com as respectivas
composições e os recobrimentos mínimos nominais a adoptar em cada caso.

Tabela 2.2: Limites para as características do betão

Classe de Exposição Recobrimento nominal mínimo Dosagem de cimento mínima


X0 - -
XC1 25mm
240Kg/m2
XC2 35mm
XC3 35mm
280Kg/m2
XC4 40mm

A máxima dimensão dos agregados é outro parâmetro a especificar, de modo a garantir uma boa
colocação, compactação e vibração aquando da betonagem in situ. De modo a verificar o
recobrimento mínimo para a classe de exposição XC1, apesar de não ser este o recobrimento
realmente adoptado no projecto, especifica-se que os agregados podem apresentar uma dimensão
máxima de 25mm.

8
Para avaliar a classe de consistência do betão a utilizar foi necessário ter em conta que devido à
altura do edifício, a betonagem terá que ser feita com recurso a bombagem. Logo a classe mínima de
consistência é a S3, e será a adoptada para o projecto.

Tendo em conta as restrições anteriormente referidas, adoptou-se para o cálculo da estrutura um


betão com uma classe de resistência C35/45, nomeadamente para as lajes e pilares. Já o betão
utilizado nas sapatas e nas paredes de contenção foi o C25/30, uma vez não ser necessário um betão
de alta qualidade.

Tabela 2.3: Características dos betões utilizados

γ fck fcd fctm Ecm fctk 0.05


Betão
(kN/m3) (MPa) (MPa) (MPa) (GPa) (MPa)
C35/45 25 35 23,3 3,2 34 2,2
C25/30 25 25 16,7 2,6 31 1,8

O módulo de elasticidade do betão Ecm aumenta para idades superiores a 28 dias, no entanto este
aumento foi desprezado devido às incertezas associadas à modelação da fluência [1].

Figura 2.4: Diagrama de tensão-deformação do betão à compressão

O EC2 define o comportamento do betão por um diagrama parábola-rectângulo (Figura 2.4) para a
relação tensão-deformação do betão. Este traçado é parabólico para uma extensão até εc=εc2
(extensão para a tensão máxima de compressão) e constante até uma extensão εc=εcu2 (extensão
última do betão). Os valores de εc2 e εcu2 são de 2,0 ‰ e 3,5 ‰, respectivamente.

Este também estabelece um valor de 0,2 para o coeficiente de Poisson para o betão não fendilhado e
de 0 para o betão fendilhado (art.º3.1.3). No mesmo artigo é referenciado para o coeficiente de
dilatação térmica linear α um valor de 10x10-6 ºC-1. A retracção e fluência do betão dependem da
humidade do ambiente, da dimensão dos elementos e da composição do betão. A fluência por sua

9
vez depende ainda da idade do betão aquando o primeiro carregamento, assim como a duração e
intensidade da carga [1], e por isso adoptou-se pragmaticamente um valor para 𝜑 de 2,5.

Os recobrimentos nominais adoptados foram de 30mm para as lajes e pilares que são os elementos
estruturais menos expostos. Já para as paredes de contenção adoptou-se um recobrimento de 40mm
e para as sapatas, visto ser um elemento em que quaisquer actividades de inspecção, manutenção e
conservação são impossibilitadas um recobrimento de 50mm.

Tabela 2.4: Recobrimentos nominais adoptados

Elemento Recobrimento (mm)


Lajes 30
Pilares 30
Muros de contenção 40
Sapatas 50

2.3.2 Aço

2.3.2.1 Aço para armaduras ordinárias de betão armado

As propriedades das armaduras ordinárias de betão armado são apresentadas no art.º3.2 do EC2. O
art.º5.3.2 do EC8 limita os aços possíveis de utilizar aos A400NR, A400NR SD, A500NR e o A500NR SD,
de modo a apresentarem uma ductilidade adequada. Devido à diferença de preço do aço A400NR
para o A500NR ser mínima e devido à relação entre as tenções de cedência de ambos, optou-se por
um aço da classe A500NR. Apresentam-se de seguida as características do aço (Tabela 2.6):

Tabela 2.5: Classificação das armaduras

Armaduras Classe
A400 / A500NR SD C
A400 / A500NR B
A500ER A

Tabela 2.6: Características do aço de armadura ordinária

A500NR SD
fsyk (MPa) 500
fsyd (MPa) 435
Es (GPa) 210

10
De uma forma simplificada adopta-se para este aço um coeficiente de dilatação térmica linear igual
ao do betão.

Figura 2.5: Diagrama de tensão-deformação do aço à tracção e compressão

Novamente recorrendo ao EC apresenta-se o comportamento simplificado do aço definido pela curva


característica e a curva de dimensionamento (Figura 2.5), respectivamente a curva a e b, com εuk
(extensão última do aço) com um valor de 10 ‰.

2.3.2.2 Aço de pré-esforço

O aço utilizado nas armaduras de pré-esforço é um aço de alta resistência, apto a suportar tensões
elevadas. A solução de betão armado e pré-esforçado, seja por pré-tenção ou pós-tenção, permite
vencer maiores vãos com soluções mais esbeltas, que resulta na diminuição do peso próprio da
estrutura. Este proporciona ainda uma grande melhoria do comportamento em serviço da estrutura.

Neste projecto optou-se por utilizar cordões com 1.4cm2 (0.6’’N). Apresentam-se de seguida as
características do aço:

Tabela 2.7: Características do aço de pré-esforço

Y1860 S7
fpuk (MPa) 1860
fpyk (MPa) 1670
fpyd (MPa) 1452
Esp (GPa) 195

11
2.3.3 Solo de Fundação

Toda a caracterização do solo é feita tendo em conta várias simplificações. Como se sabe o solo é um
material que pode ser bastante heterogéneo, pelo que se deve proceder a ensaios de carga, de modo
a ter conhecimento do tipo de solo e a sua caracterização. Visto estes ensaios acarretarem grandes
custos, o seu número deve ser limitado o que questiona a sua representatividade. Deste modo o
Eurocódigo 7 [6] recomenda a localização destes ensaios por forma a serem o mais representativos
possível do solo de fundação, e um destes deve localizar-se onde se presumem estar as
características mais adversas.

Nesta análise considerou-se o solo como um meio homogéneo com as seguintes características:

Tabela 2.8: Características do solo de fundação

Tipo de terreno C

σadm (kPa) 400


3
γ (kN/m ) 18
o
φ( ) 32
k0 0,47
ESolo (MPa) 65
ν 0,3

12
2.4 Acções

Uma estrutura deve ser projectada e executada tal que, da forma mais económica possível, possa
suportar todas as acções que possam ocorrer com um determinado grau de fiabilidade, durante a
sua vida útil. A fiabilidade abrange a segurança, a utilização e a durabilidade da estrutura. Quanto à
utilização a estrutura deverá ter um bom comportamento em serviço e quanto à sua durabilidade há
que garantir que ao longo da vida útil de projecto a deterioração não implique uma redução no
desempenho.

O edifício em estudo, tratando-se de um edifício de escritórios, adopta um tempo de vida útil de 50


anos, e por isso, é da classe estrutural 4 segundo o art.º 2.3 do EC0.

Para a quantificação de acções foram utilizados valores e princípios apresentados no EC1


nomeadamente a parte 1.1- Acções gerais, a parte 1.4 - Acção do vento e a parte 1.5 – Acções
térmicas. Foi também utilizado o EC8 para a definição da acção sísmica. Por forma a efectuar as
verificações necessárias apresentam-se também as combinações de acções que são enumeradas no
EC0.

2.4.1 Cargas Permanentes

As cargas permanentes subdividem-se em dois grandes grupos: o peso próprio da estrutura e as


restantes cargas permanentes, as quais são compostas pelo peso dos elementos não estruturais,
nomeadamente revestimentos, enchimentos, instalações suspensas e paredes de alvenaria interiores
e exteriores.

2.4.1.1 Peso próprio

O peso próprio (PP) é considerado como uma acção permanente fixa, calculado com base nas
dimensões nominais e nos valores característicos dos pesos volúmicos correspondentes da estrutura
[7]. A estrutura é totalmente composta exclusivamente de betão armado a que corresponde a um
peso volúmico de 25,0 KN/m3. No anexo A da parte 1.1 do EC1 (Tabela A1) é especificado que o peso
volúmico de um betão normal é de 24,0 KN/m3, ao qual se soma 1,0 KN/m3 de modo a considerar o
peso das armaduras que perfazem o betão armado e pré-esforçado. De notar que este valor é
aproximado e tem em conta uma percentagem normal de armaduras.

13
2.4.1.2 Restantes Cargas Permanentes

Nas restantes cargas permanentes (RCP) consideram-se todas as cargas que actuam na estrutura
com carácter permanente. Nesta categoria é incluído o peso de todos os elementos não estruturais.

Ao nível dos pisos, de forma a ser o mais preciso possível foram considerados os seguintes elementos
e respectivas características:

 Paredes;
 Tectos falsos;
 Outros elementos como instalações eléctricas, canalizações e ar condicionado;
 Betão leve de regularização;
 Pavimentos;
 Vãos envidraçados.

As zonas de casas de banho, por se considerarem zonas em que as cargas são superiores, e devido à
sua localização contribuir para aumentar consideravelmente os deslocamentos transversais da laje,
considerou-se além das restantes cargas permanentes adjacentes a todo o piso, uma carga linear
distribuída em cada um dos pisos com o valor de 10,0 KN/m no contorno das paredes de alvenaria.

Os tectos falsos e outros elementos, o betão leve de regularização e o pavimento foram


considerados como cargas distribuídas em toda a extensão dos pisos. O valor utilizado para as
restantes cargas permanentes nos pisos de escritórios foi de 4,0 KN/m2, valor este que tem em conta
todos os elementos mencionados anteriormente.

Os vãos envidraçados são uma carga que não devemos desprezar visto ter um valor significativo. De
modo a ter em conta o seu peso, e sendo o mais preciso possível, optou-se não por aplicar uma carga
distribuída em toda a periferia dos pisos elevados mas sim cargas concentradas. Estas cargas vão
simular os apoios de cada painel de vidro sobre as lajes. Foram considerados painéis de vidro com
1,6m de largura, a altura corresponde à distância entre planos médios de cada piso e foram também
admitidos 4 apoios por painel, em que cada apoio suporta um quarto do peso de cada painel. O valor
adoptado para as forças aplicadas foi de 4,0 KN a cada 1,6 metros no contorno de cada piso.

Quanto aos pisos enterrados, destinados a estacionamento, podemos afirmar que este valor vai ser
em muito inferior face aos pisos elevados. Isto porque no caso dos pisos de estacionamento as
cargas permanentes são diminutas, tendo-se considerado apenas uma camada fina no pavimento e
possível canalização para incêndio (sprinklers), sendo este obrigatório nos pisos enterrados a partir
do piso -1. Deste modo o valor adoptado foi de 1,5 KN/m2.

14
O uso da cobertura não foi especificado no projecto. Deste modo, sendo o mais conservativo possível
considerou-se a mesma como cobertura acessível, e adoptou-se um valor de 2,0 KN/m2 para as
restantes cargas permanentes, para ter em conta a camada de forma, as camadas
impermeabilizantes e possíveis protecções.

Na laje de cobertura da primeira cave de estacionamento, visto estar em contacto directo com o
exterior, foi considerado um valor para as restantes cargas permanentes de 8,0 KN/m2. Este valor
corresponde à consideração de uma camada de cerca de 50cm de solo para as zonas ajardinadas e
uma camada de cerca de 5cm de betuminoso e lancis laterais para as zonas de estacionamento e vias
rodoviárias.

As cargas permanentes noutros elementos, nomeadamente os vãos de escadas, foram consideradas


com o valor de 2KN/m2.

Tabela 2.9: Valores das restantes cargas permanentes adoptadas

Restantes Cargas Permanentes


Pisos RCP [kN/m2]
Escritórios 4
Estacionamento 1,5
Estacionamento Exterior 8
Cobertura 2
Áreas de passagem 2

2.4.2 Sobrecargas

As sobrecargas em edifícios são as cargas resultantes da sua ocupação, e são consideradas como
acções quase-estáticas [7] e as acções que possam provocar acelerações significativas devem ser
classificadas como acções dinâmicas, como é o caso de a acção sísmica.

Para a determinação do valor da sobrecarga a aplicar em projecto, o EC1 classifica em categorias as


várias zonas de acordo com a sua utilização (A a G para pavimentos e H a I para coberturas). Para
cada categoria é definida uma carga uniformemente distribuída qk e uma carga concentrada Qk
destinadas para a determinação dos efeitos globais e locais, respectivamente (art.º6.3.1.2 do EC1).
Neste mesmo artigo o EC1 define que para pisos sujeitos a múltiplos usos, deve ser tido em conta a
categoria mais desfavorável que causa maiores esforços e/ou deformações (artº 6.3.1.2 (7)P).

Todos os valores adoptados para as sobrecargas nos pisos e coberturas foram definidos de acordo
com os valores recomendados no EC1.1. Neste projecto as cargas concentradas Qk não foram
consideradas, visto serem os efeitos globais os condicionantes.

15
O edifício em estudo é classificado como edifício de escritórios, e por isso, categoria B. A sobrecarga
adoptada foi de 3,0 KN/m2, valor este dentro do intervalo de 2,0 a 3,0 KN/m2 ao qual foi adoptado o
valor máximo.

Os pisos destinados a estacionamento foram classificados de categoria F, para veículos com peso
inferior a 30KN com um valor da sobrecarga adoptado de 2,5 KN/m2 (Tabela 6.8 de [2]). Já para a laje
de topo do piso superior destinado a estacionamento, como referido anteriormente, foi adoptado
para a sobrecarga um valor de 5,0 KN/m2, valor este relativo a uma zona de categoria G, de modo a
ter em consideração a passagem de veículos com peso superior a 30,0 KN como é o exemplo o carro
de bombeiros regulamentar.

De modo a ser coerente com o que foi definido anteriormente a cobertura é identificada como
acessível, e por isso classificada como H, ou seja, cobertura apenas acessível para operações de
manutenção e recuperação. Para isso recorreu-se à Tabela 6.10 de [2], para a qual se adoptou um
valor de 0,4 KN/m2.

Para os vãos de escadas foi adoptado o valor de sobrecarga definido na Tabela 6.2 de [2] de 2,0
KN/m2, valor este relativo a zona de categoria A.

Tabela 2.10: Valores das sobrecargas adoptadas

Sobrecargas
Pisos SC [kN/m2]
Escritórios 3
Estacionamento 2,5
Estacionamento Exterior 5
Cobertura 0,4
Áreas de passagem 2

16
2.4.3 Acção Sísmica

A caracterização e quantificação da acção sísmica encontra-se presente no capítulo 7 deste


documento.

2.4.4 Acção do Vento

A determinação das acções do vento sobre uma estrutura carece do conhecimento de alguns
aspectos, tais como a localização e o tipo de terreno. Todos estes aspectos encontram-se listados no
Anexo Nacional e no Anexo A [2]. Este último fornece dados mais detalhados sobre o efeito da
orografia, que incluí a elevação do nível de referência e a influência de construções vizinhas.

Visto o edifício localizar-se em Setúbal, podendo estar bastante perto do mar, considera-se um valor
básico da velocidade do vento, vb,0, de 30m/s, correspondente à zona B do território nacional. Já para
a categoria do terreno considera-se de 0, correspondente a “Mar ou zona costeira exposta a ventos
do mar”.

Tendo em conta a altura total acima do nível do solo do edifício de 20,6m, e a partir do gráfico
apresentado na Figura 2.6 [4] obteve-se um valor do coeficiente de exposição, Ce, de 3,4.

Figura 2.6: Gráfico coeficiente de exposição [4]

A acção do vento pode então ser considerada como uma carga distribuída, qp(z), correspondente à
pressão dinâmica de pico:

𝑞 1 (2.1)
𝑝(𝑧)=𝐶𝑒 (𝑧)∗ ∗𝜌∗𝑣𝑏 2 =1,91𝐾𝑁/𝑚2
2
com:

ρ - a massa volúmica do ar, com um valor recomendado de 1,25Kg/m3

vb - o valor de referência da velocidade do vento

17
Observa-se finalmente que o valor obtido é quase insignificante quando comparado à acção sísmica,
pelo que a acção do vento não é condicionante.

2.4.5 Acção Térmica

As acções térmicas em estruturas resultam de variações dos campos de temperatura nos elementos
constituintes. A quantificação exacta desta acção exige um cálculo muito complexo, pelo que se
adopta um cálculo simplificado para o cálculo da mesma. Estas acções são de especial importância
pois provocam deformações impostas à estrutura e consequentemente esforços nos elementos
estruturais que podem ser condicionantes face a outras acções.

Esta acção foi calculada segundo as normas do EC1, parte 5, e de acordo com o Anexo Nacional que
especifica os valores a utilizar a nível nacional. A localização da estrutura em Setúbal, ou seja, uma
zona B do território implica um Tmin e Tmáx de 0 e 40oC, respectivamente (Figura 2.7). Uma vez que a
estrutura é envolvida por uma fachada de vidro, assume-se ser uma superfície clara brilhante.
Quanto à temperatura média da estrutura assume-se igual à temperatura média do ar de 15oC.
Obtiveram-se os seguintes valores para os diferenciais de temperatura:

Tabela 2.11: Variações térmicas diferenciais

Pisos elevados Caves


o
( C) Verão Inverno Verão Inverno
Tout 40 0 15 8
ΔT 25 -15 0 -7

Figura 2.7: Zonamento térmico de Verão (à esquerda) e de Inverno (à direita) [4]

18
2.5 Combinações de Acções

De forma a não ser excessivamente penalizador no dimensionamento de uma estrutura, nem o


contrário, o Eurocódigo recomenda que as acções devem ser combinadas de forma a obter um valor
de cálculo. É este valor, correspondente a uma ponderação das acções que podem ocorrer em
simultâneo, que é utlizado no dimensionamento da estrutura e que tem em conta possíveis
incertezas na quantificação das acções. De seguida apresentam-se as combinações que foram
utilizadas neste projecto:

Estado Limite Último- Combinação Fundamental (art.º6.4.3.2 (3) do EC0):

𝐸𝑑 = ∑𝑗≥1 𝛾𝐺,𝑗 𝐺𝑘,𝑗 + 𝛾𝑝 𝑃 + 𝛾𝑄,1 𝑄𝑘,1 + ∑𝑖>1 𝛾𝑄,𝑖 𝜓0,𝑖 𝑄𝑘,𝑖 (2.2)

Estado Limite Último- Combinação Sísmica (art.º6.4.3.4 (2) do EC0):

𝐸𝑑 = ∑𝑗≥1 𝐺𝑘,𝑗 + 𝑃 + 𝐴𝑒𝑑 + ∑𝑖≥1 𝜓2,𝑖 𝑄𝑘,𝑖 (2.3)

Estado Limite de Utilização- Combinação Rara:

𝐸𝑑 = ∑𝑗≥1 𝐺𝑘,𝑗 + 𝑃 + 𝑄𝑘,1 + ∑𝑖>1 𝜓0,𝑖 𝑄𝑘,𝑖 (2.4)

Estado Limite de Utilização- Combinação Quase-Permanente (art.º6.5.3 (2) do EC0):

𝐸𝑑 = ∑𝑗≥1 𝐺𝑘,𝑗 + 𝑃 + ∑𝑖≥1 𝜓2,𝑖 𝑄𝑘,𝑖 (2.5)


em que:

Gk,j – Valor característico da acção permanente j;


Qk,i– Valor característico da acção variável i;
Qk,1 – Valor característico da acção variável base;
AEd– Valor de cálculo da acção sísmica;
P – Valor representativo da acção de pré-esforço;
Ed– Valor de dimensionamento do efeito da acção com base na combinação em causa;
𝛾G,j – coeficiente parcial relativo às acções permanentes, Gj;
𝛾Q,i – coeficiente parcial relativo às acções variáveis, Qi;
𝛾p – coeficiente parcial relativo à acção de pré-esforço;
ψ0,i – coeficiente de combinação da acção variável i;
ψ1,i – coeficiente de combinação frequente da acção variável i;
ψ2,i – coeficiente de combinação quase-permanente da acção variável i.

19
O valor dos coeficientes parciais relativos às acções permanentes e variáveis e os coeficientes de
combinação ψ são apresentados nas Tabelas 2.12 e 213, respectivamente.

Tabela 2.12: Coeficientes parciais de segurança

γG 1,35
γQ 1,5

Tabela 2.13: Coeficientes de redução das sobrecargas

Categoria Ψ0 Ψ1 Ψ2
Escritórios B 0,7 0,5 0,3
Estacionamento F 0,7 0,7 0,6
Estacionamento Exterior G 0,7 0,7 0,6
Cobertura H 0 0 0
Áreas de passagem A 0,7 0,5 0,3

Apresenta-se de seguida um quadro resumo das combinações de acções sujeitas de análise no


projecto:

Tabela 2.14: Quadro resumo das combinações de acções

Acções/Combinação ELS1 ELS2 ELS3 ELS4 ELU1 ELU2


PP 1 1 1 1 1,35 1
RCP 1 1 1 0 1,5 1
SC Ψ2 Ψ2 1 0 1,5 Ψ2
Pré-esforço 0 1 1 1 1 1
Sismo 0 0 0 0 0 1

ELS1 – Combinação Quase Permanente de acções;


ELS2 – Combinação Quase Permanente com pré-esforço;
ELS3 – Combinação Rara com sobrecarga como variável base;
ELS4 – Combinação para verificação da abertura de fendas do pré-esforço em vazio;
ELU1 – Combinação Fundamental com sobrecarga como variável base;
ELU2 – Combinação Sísmica.

20
3 Pré-Dimensionamento dos elementos estruturais

3.1 Concepção estrutural das lajes

Das várias hipóteses que poderiam ser analisadas para a concepção estrutural das lajes da estrutura,
várias foram descartadas de início devido à incompatibilização com o uso pretendido para o edifício e
os seus elevados custos.

Numa análise inicial, visto estar a tratar-se de vãos superiores a 10 metros, a utilização de pré-
esforço torna-se apelativa. De seguida apresentam-se os prós e contras de cada tipo estrutural de
lajes, e as razões porque não foram âmbito deste trabalho.

A laje maciça, ou laje fungiforme, é constituída por uma lâmina de betão armado, normalmente de
espessura constante, na área de implantação da mesma. Esta tipologia estrutural tem vantagens
neste tipo de edifício, já que devido à sua utilização, existe a necessidade de haver espaço entre a
face inferior da laje e a face superior do tecto falso para a passagem de todos as instalações
necessários, tais como, instalações eléctricas, ar-condicionado, etc. Este tipo de laje é o de mais
simples construção, nomeadamente no que toca a cofragem, armadura e betonagem. No entanto
esta tipologia estrutural peca para grandes vãos e tornam-se anti-económicas, já que a espessura
necessária da laje para controlar os deslocamentos verticais e resistir ao punçoamento é elevada.
Deste modo, obter-se-ia uma estrutura com elevada quantidade de material, e consequentemente
elevado peso próprio, mas com uma taxa de eficiência muito baixa.

A laje vigada tem a vantagem de melhor controlar as deformações dos pisos, e deter um melhor
funcionamento ao punçoamento, porém, a altura das vigas necessária penalizaria fortemente a
altura inter-piso, já que ter-se-ia de aumentar em demasiado a altura do edifício para garantir um pé-
direito livre de 3,5 metros, além da altura necessária para as instalações entre as faces inferiores das
vigas e a face superior do tecto falso. Isto acontece já que a perfuração das vigas deve ser evitada,
pois piora o comportamento estrutural às acções impostas, assim como à acção sísmica, e teriam de
ser tratadas como zonas de descontinuidade ou zonas D.

Outra solução, pela qual se optou pela continuação do estudo é a laje nervurada de elementos de
cofragem recuperável, comummente denominada de laje de cocos, exemplificada na Figura 3.8. Este
tipo de laje, objecto de vários estudos, é mais económica para vãos superiores a 8 metros. Esta
permite uma construção mais racionalizada, isto é, mais eficiente em termos de aproveitamento de
aço e betão, e apresenta geralmente uma maior eficiência em termos de resistência/rigidez. Esta

21
solução é particularmente vantajosa para edifícios de escritórios visto permitirem grandes vãos, sem
grande aumento do peso próprio, possibilitando uma maior versatilidade na gestão do espaço. Isto é
obtido pelo afastamento do betão da secção transversal da linha neutra, aumentando a espessura da
laje, e consequentemente aumentando o braço, formando assim um conjunto de nervuras em duas
direcções, com espaçamentos uniformes entre si, que pouco ou nada comprometem a inércia da
secção. Estas lajes são bastante eficientes para momentos flectores positivos, já que a zona de tração
situa-se nas nervuras, que é resistida pela armadura, e de compressão que é resistida pela lâmina de
betão. Já para os momentos negativos a situação é inversa, em que a secção transversal tem de ser
alterada para uma secção totalmente maciça de modo a resistir às compressões que surgem na parte
inferior da laje e assegurar também a resistência ao punçoamento, como é o caso das zonas
contíguas a apoios verticais como pilares ou paredes resistentes. Para que a rotura por punçoamento
ocorra dentro desta zona é necessário garantir uma largura de zona maciça de:

𝑎 ≥ 2,5𝑑 (3.6)

em que:

a - largura de zona maciça;

d – braço útil.

Figura 3.8: Laje nervurada (à esquerda) e respectivo corte transversal (à direita) (adaptado de [8])

Os espaços vazios que surgem podem ser preenchidos por um material inerte, de modo a deixar a
face inferior da laje plana, mas neste caso considerou-se que o espaço entre nervuras fica vazio, sem
que haja acréscimo de peso.

22
É importante referir, como é apresentado posteriormente, que há a necessidade de se conceber a
laje com nervuras nas duas direcções formando uma malha ortogonal, pois apesar do edifício ter
uma relação de vãos superior a dois, a laje vai trabalhar nas duas direcções devido às bandas que
serão necessárias incluir para a colocação do pré-esforço, de modo a controlar as deformações
existentes ortogonalmente ao plano da laje. Na definição da planta das várias lajes, as zonas maciças
apresentam ligeiras mudanças de dimensões de modo a compatibilizar da melhor forma a localização
dos moldes de aligeiramento na laje. Outro aspecto importante a referir é de as nervuras
necessitarem de ser dimensionadas de modo a evitar o uso de estribos ou outro tipo de armadura
transversal para resistir ao corte além da armadura mínima e a armadura que mobiliza a armadura
inferior.

Apresentam-se de seguida a geometria das lajes tipo de estacionamento e de escritórios,


respectivamente nas Figuras 3.9 e 3.10. Os moldes foram dispostos de forma a melhor compatibilizar
com a planta de cada piso, tendo em conta o espaço necessário para o alojamento das bandas e as
zonas maciças nas periferias dos pilares para a resistência aos momentos negativos e ao
punçoamento.

Figura 3.9: Definição e pré-dimensionamento da laje de estacionamento

23
Figura 3.10: Definição e pré-dimensionamento da laje de escritórios

O pré-dimensionamento das lajes foi feito através de um cálculo trivial, tendo em conta o vão
condicionante L.

Por uma questão de bom senso e simplificação de cálculo, optou-se por utilizar um produto da Ferca
[9], um fabricante bastante conhecido neste ramo, assim como no pré-esforço e outros. Os valores
mais importantes a reter do fabricante, e que por outra maneira seriam morosos de calcular, são a
inércia da secção assim como o peso próprio por metro quadrado em planta.

Considerando o vão condicionante de 15 metros e a Figura 3.11 [10], optou-se por uma laje com 50
cm de espessura total e 40 cm de altura do molde, à qual corresponde uma espessura da lâmina de
compressão do betão de 10cm de modo a garantir um bom recobrimento das armaduras do banzo.
De referir que foi adoptada esta medida devido às condições adversas a que os pisos de escritórios
estão sujeitos, como a falta de continuidade das lajes.

Figura 3.11: Especificação do tipo e espessura de laje em função do vão condicionante [10]

Para os vãos em causa, a condição fundamental de pré-dimensionamento é o da deformabilidade


vertical das lajes em serviço, pelo que, verificando que o valor das cargas da combinação quase-
permanente não são muito díspares, optou-se pela utilização da mesma secção em todos os pisos.

24
Altura Largura Área Módulo Volume Volume
Espessura Altura Distância Peso
do média da da Inércia de do de
da lâmina total ao C.G próprio
molde nervura secção Flexão vazio betão
cm cm cm cm cm2 cm cm4 cm3 m3/m2 kN/m2 m3/m2
40 10 50 20,8 1562 34 301779 18861 0,226 6,85 0,274

Figura 3.12: Características da secção transversal adoptada (adaptado de [9])

De seguida apresentam-se as cargas para as várias combinações de cada tipologia estrutural, e


apenas para comparação, as mesmas cargas para uma laje fungiforme.

Tabela 3.15: Cargas inerentes a cada piso para as várias combinações

2 Laje Estacionamento Laje Escritórios


(KN/m )
q (nervurada) q (fungiforme) q (nervurada) q (fungiforme)
Peso Próprio 6,9 12,5 6,9 12,5
Comb. Quase Permanente 9,1 14,8 11,8 17,4
Comb. Fundamental 15,3 22,9 19,8 27,4

Como se pode verificar uma laje nervurada permite diminuir o peso próprio em cerca de 45%, o que
equivale a uma diminuição de carga de 25 a 40% nas várias combinações de acções, ainda assim
mantendo o braço disponível, pelo que se julgou ser a melhor solução.

De modo a confirmar o pré-dimensionamento feito previamente, continuando com base em modelos


simplificados, obteve-se uma estimativa para o momento flector positivo condicionante m Sd, e
posteriormente o momento flector reduzido μ a partir de [11], através do método dos pórticos
equivalentes. A carga aplicada neste modelo tem em conta uma ponderação do peso próprio da zona
nervurada e maciça assim como as restantes cargas permanentes e sobrecargas para a combinação
fundamental.

Figura 3.13: Distribuição de momentos na faixa central e faixa lateral [10]

25
De forma a não existirem problemas de deformação excessiva na laje o valor do momento flector
reduzido μ deverá encontrar-se entre:

0,05 ≤ 𝜇 ≤ 0,15 (3.7)


Com o valor do momento flector reduzido pode ainda calcular-se os valores de w e k, que se devem
encontrar num intervalo associado a um bom comportamento estrutural e a uma densidade de
armadura concebível. Pode também fazer-se uma estimativa da localização da linha neutra através:

𝑥 = 𝑘×𝑑 (3.8)

a qual se deve encontrar no banzo de compressão do betão (apenas para os momentos positivos na
faixa lateral), de modo a que toda a compressão se localize nesta secção, e não nas nervuras,
assegurando assim boa ductilidade das lajes (Figura 3.14).

Figura 3.14: Localização da linha neutra na laje nervurada para momentos positivos

Visto a laje em estudo ter 50cm de espessura não deverá ser necessário a adopção de capiteis, o que
é confirmado posteriormente aquando o dimensionamento dos elementos.

3.1.1 Piso de Escritórios

Figura 3.15: Pórtico equivalente na direcção transversal

26
Figura 3.16: Modelo de cálculo da laje de escritórios na direcção transversal

Figura 3.17: Diagrama de momentos flectores na laje de escritórios na direcção transversal

Com o modelo apresentado na Figura 3.16 obtiveram-se os valores dos momentos flectores
reduzidos positivo e negativo nas faixas centrais e laterais, que se apresentam na Tabela 3.16. Da
análise da referida tabela resulta que os momentos flectores reduzidos se situam dentro dos limites
previamente estabelecidos. No entanto dever-se-á considerar que estes valores foram obtidos com
um betão da classe C35/45, e os valores estabelecidos tem em conta betões de classe inferior. Desta
forma procedeu-se à conversão num momento reduzido equivalente μequivalente que considera um
betão da classe C25/30, valor este que na faixa central para momentos positivos excede os limites
recomendados. Isto acarretará deformações excessivas da laje e consequente mau comportamento
em serviço, sugerindo a utilização de pré-esforço.

Tabela 3.16: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e respectivos momentos
flectores reduzidos

Laje Largura pórtico (m) psd (KN/m) Msd+ (KNm) Msd- (KNm)
Escritórios Y 13,13 295 7845 -452

Distribuição de momentos msd (KNm/m) μ μequivalente


Faixa Central 60% 717,3 0,14 0,20
M+
Faixa Lateral 40% 478,2 0,09 0,13
Faixa Central 75% -51,7 0,01 0,01
M-
Faixa Lateral 25% -17,2 0,00 0,00

27
Figura 3.18: Pórtico equivalente na direcção longitudinal

Figura 3.19: Modelo de cálculo da laje de escritórios na direcção longitudinal

Figura 3.20: Diagrama de momentos flectores na laje de escritórios na direcção longitudinal

Tabela 3.17: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e respectivos momentos
flectores reduzidos

Laje Largura pórtico (m) psd (KN/m) Msd+ (KNm) Msd- (KNm)
Escritórios X 9,25 213 3744 -4538

Distribuição de momentos msd (KNm/m) μ μequivalente


Faixa Central 60% 485,7 0,09 0,13
M+
Faixa Lateral 40% 323,8 0,06 0,09
Faixa Central 75% -735,9 0,14 0,20
M-
Faixa Lateral 25% -245,3 0,05 0,07

A análise do comportamento na direcção longitudinal do piso confirma de novo a conclusão anterior.

28
3.1.2 Piso de Estacionamento

Figura 3.21: Pórtico equivalente na direcção longitudinal

Figura 3.22: Modelo de cálculo da laje de estacionamento na direcção longitudinal

Figura 3.23: Diagrama de momentos flectores na laje de estacionamento na direcção longitudinal

Tabela 3.18: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e respectivos momentos
flectores reduzidos

Laje Largura pórtico (m) psd (KN/m) Msd+ (KNm) Msd- (KNm)
Estacionamento X 15 269 3232 -4543

Distribuição de momentos msd (KNm/m) μ μequivalente


Faixa Central 60% 258,6 0,05 0,07
M+
Faixa Lateral 40% 172,4 0,03 0,05
Faixa Central 75% -454,3 0,09 0,13
M-
Faixa Lateral 25% -151,4 0,03 0,04

29
Figura 3.24: Pórtico equivalente na direcção transversal

Figura 3.25: Modelo de cálculo da laje de estacionamento na direcção transversal

Figura 3.26: Diagrama de momentos flectores na laje de estacionamento na direcção transversal

Tabela 3.19: Valores das cargas aplicadas no modelo, momentos flectores condicionantes e respectivos momentos
flectores reduzidos

Laje Largura pórtico (m) psd (KN/m) Msd+ (KNm) Msd- (KNm)
Estacionamento Y 13,13 245 2626,5 -5185,9

Distribuição de momentos msd (KNm/m) μ μequivalente


Faixa Central 60% 240,0 0,05 0,07
M+
Faixa Lateral 40% 160,0 0,05 0,07
Faixa Central 75% -592,5 0,12 0,17
M-
Faixa Lateral 25% -197,5 0,04 0,06

Análise semelhante efectuada nas lajes dos pisos de estacionamento confirma as conclusões obtidas.
Como será explicado posteriormente, irá adoptar-se pré-esforço nas bandas de forma a diminuir as
deformações nestas, e consequentemente controlar a deformação no centro das lajes.

30
3.2 Elementos verticais de suporte

3.2.1 Concepção estrutural

O pré-dimensionamento dos elementos verticais é de grande importância visto serem estes que
maioritariamente resistem às acções sísmicas e que têm a capacidade de transmitir as acções
gravíticas às fundações, particularmente neste edifício que se verifica uma situação bastante
desfavorável. A presença de um núcleo de elevada rigidez aproximadamente no centro do edifício e
a ausência de elementos resistentes na periferia agrava o efeito sísmico pela presença de torção. Um
bom pré-dimensionamento permite que não se façam de seguida grandes alterações nestes
elementos, que implicaria um grande aumento de tempo no dimensionamento de toda a estrutura.
Para isso o EC8 4.2.1 fornece alguns princípios básicos que devem ser acompanhados ao longo de
todo o processo.

A simplicidade estrutural, 4.2.1.1, caracterizada pela identificação clara de trajectórias de


encaminhamento de cargas, que permite prever com maior rigor e com menos incertezas o
comportamento da estrutura face a um sismo. A simetria e redundância, 4.2.1.2,caracterizada pela
distribuição uniforme de elementos estruturais eliminando assim concentrações de tensões na
estrutura. Visto a acção sísmica ser um fenómeno bidireccional há que garantir uma adequada
resistência e rigidez nas duas direcções ortogonais. Além disso também deve também possuir
resistência face à torção (4.2.1.3 e 4.2.1.4).

Uma vez existirem elementos que não resistem directamente à acção sísmica, como é o caso dos
elementos verticais das caves, o EC8 designa-os como elementos secundários, distinguindo-os dos
elementos primários que são os que resistem directamente às acções sísmicas. Foram então
considerados como elementos primários todos os elementos acima da cota do solo, já que são estes
que proporcionam a resistência face à acção sísmica.

31
3.2.2 Pilares

O pré-dimensionamento de um pilar é condicionado pela carga axial a que está sujeito, pelo que se
estabelecem limites de esforço axial reduzido de modo a que se garanta uma boa ductilidade destes.

Este processo teve início na determinação dos esforços axiais nestes elementos, tendo em conta as
respectivas áreas de influência e a ponderação das cargas das zonas nervurada e fungiforme. De
seguida determina-se a área da secção transversal necessária para cada elemento, tendo por base a
limitação do esforço axial reduzido νsd segundo (3.9):

𝑁𝑠𝑑 (3.9)
𝐴𝑐 ≥
ν𝑠𝑑 𝑓𝑐𝑑

em que:

Ac – Área da secção transversal do elemento;

Nsd – Valor do esforço axial para a determinada combinação de acções;

ν sd – Valor do esforço axial reduzido;

fcd – Valor de dimensionamento da resistência do betão à compressão.

Para cada tipo de elementos verticais, optou-se por utilizar diferentes limites de esforço axial
reduzido assegurando a suficiente ductilidade face à acção sísmica.

𝑁
𝐴𝑐 ≥ 0,85𝑠𝑑𝑓 para elementos secundários, não considerados na resistência sísmica;
𝑐𝑑

𝑁
𝐴𝑐 ≥ 0,6 𝑠𝑑
𝑓
para pilares primários, que contribuem para a segurança da estrutura face à
𝑐𝑑
acção sísmica.

De seguida apresentam-se as áreas de influência de cada pilar (Figura 3.27) e os respectivos valores
de esforço axial (Tabela 3.20). De notar que o valor da carga distribuída foi uma ponderação da área
de laje nervurada e laje maciça, ainda majorada de 10% por forma a ter em conta o peso próprio dos
pilares.

32
Figura 3.27: Áreas de influência dos pilares dos pisos elevados

Tabela 3.20: Parâmetros de pré-dimensionamento dos pilares primários

Pilar Área de influência (m2) Nsd,0 (KN) Ac0,nec (m2) Nsd,8.8 (KN) Ac8.8,nec (m2)
P1 81 4858 0,347 2216 0,159
P2 108 6458 0,462 2946 0,211
P3 108 6458 0,462 2946 0,211
P4 81 4858 0,347 2216 0,159
P5 81 4858 0,347 2216 0,159
P6 121 7245 0,518 3305 0,236
P7 104 6210 0,444 2833 0,203
P8 121 7245 0,518 3305 0,236
P9 81 4858 0,347 2216 0,159

Para que a imagem arquitectónica do edifício fosse homogénea, optou-se por uniformizar a secção
transversal dos pilares em cada piso, pelo que a secção adoptada corresponde à secção
condicionante que necessita de maior área de betão. Tendo em atenção a variação do esforço axial
em altura, optou-se ainda por uma variação da secção transversal a qual foi considerada à cota 8.8m,
cota do piso 2. As secções adoptadas foram:

Tabela 3.21: Secções transversais adoptadas para os pilares primários

Pilares Diâmetro (m) Área (m2)


Cota 0m 0,85 0,567
Cota 8,8m 0,65 0,332

Já para os pilares das caves, preconizados como pilares secundários, procedeu-se ao mesmo cálculo
por forma a obter a área da secção transversal necessária ao nível da fundação. Novamente fez-se
uma ponderação da carga distribuída ao nível dos pisos de escritório, no piso de estacionamento
exterior e nos pisos de estacionamento.

De notar que a nomenclatura dos pilares nas peças desenhadas é diferente da apresentada
anteriormente, por forma a tornar mais simples a leitura e interpretação dos desenhos, que serão os
únicos documentos presentes em obra.

33
Figura 3.28: Áreas de influência dos pilares das caves

Tabela 3.22: Parâmetros de pré-dimensionamento dos pilares secundários

2 2
Nsd,0 (KN) Área de influência (m ) Nsd (KN) Ac,nec (m )
P1 9849 117 16529 0,835
P2 13095 126 20151 1,017
P3 13095 126 20151 1,017
P4 9849 117 16529 0,835
P5 9849 158 21649 1,093
P6 14690 197 27415 1,384
P7 12592 169 20642 1,042
P8 14690 197 27415 1,384
P9 9849 158 21649 1,093
P10 0 106 9984 0,504
P11 0 132 12384 0,625
P12 0 113 10408 0,526
P13 0 132 12384 0,625
P14 0 106 9984 0,504

Para os pilares P10-P14, visto não se encontrarem nos alinhamentos onde descarregam os pisos
elevados, adoptou-se uma secção transversal diferente, já que os esforços axiais nestes elementos
são muito inferiores.

Tabela 3.23: Secções transversais adoptadas para os pilares secundários

Pilares Dimensões (m.m) Área (m2)


P1-9 0,75x2,0 1,5
P11-13 0,7x1,0 0,7
P10 e P14 0,5x1,0 0,5

De referir que estes valores tratam-se apenas valores de pré-dimensionamento, estando susceptíveis
a qualquer alteração necessária para assegurar um bom comportamento estrutural. O pré-esforço
também pode alterar ligeiramente as cargas destes elementos, alterando o encaminhamento de
cargas.

34
3.2.3 Paredes

O pré-dimensionamento das paredes estruturais foi feito considerando uma metodologia idêntica à
utilizada no capítulo anterior (3.9), limitando-se agora, como sugerido no EC8, o valor do esforço
axial reduzido a 0,4.

Visto estes elementos apresentarem uma área de influência da mesma ordem dos pilares, porém
uma área transversal muito superior, verificou-se que uma espessura de 0,2m era suficiente para
cumprir a condição anterior. Porém por questões construtivas, e de modo a respeitar as
recomendações do EC8 para estruturas de ductilidade média optou-se por aumentar esta espessura
para 0,25m, por aplicação do art.5.4.1.2 do EC8, o qual aconselha uma largura mínima das paredes
dada por:

ℎ𝑠
𝑏𝑤 ≥ 𝑚á𝑥 (0,15; ) (3.10)
20
em que:

hs – altura livre do piso.

3.3 Restantes elementos estruturais

3.3.1 Muros de Contenção Periférica

Os muros de contenção foram pré-dimensionados segundo um modelo simples de viga continua, em


que as lajes são simuladas por apoios simples e a ligação na base foi considerada como encastrada na
sapata corrida de fundação.

Figura 3.29: Corte do muro de contenção periférica

35
O carregamento aplicado resulta da consideração da combinação do Estado Limite Último (ELU),
tendo em conta uma sobrecarga de utilização de 5kN/m2 à superfície, e com os seguintes dados do
solo:

Tabela 3.24: Características do solo

φ(o) 32
ko 0,47
γ (KN/m3) 18

O coeficiente de impulso utilizado foi o de repouso, já que se assumiu que o murro de contenção não
sofre deslocamentos, o que praticamente corresponde à realidade uma vez que se encontra
imobilizado ao nível das lajes.

2
Figura 3.30: Modelo do muro de contenção periférica e respectivo carregamento (KN/m )

Figura 3.31: Diagrama de momentos flectores actuantes (KN.m/m)

Com os momentos obtidos, e com uma espessura de 0,3m obtém-se para o momento condicionante
um μ de 0,08, que se encontra dentro dos limites para este tipo de elemento. De seguida, porque
geralmente o que condiciona os murros de contenção é a resistência ao esforço transverso,
procedeu-se à verificação do esforço transverso resistente, para um elemento sem armadura
específica para tal efeito (Tabela 3.25). De notar que se tirou partido da parcela de compressão a que
este elemento está sujeito por forma a garantir a resistência ao esforço transverso.

Figura 3.32: Diagrama de esforço transverso actuante

Tabela 3.25: Verificação da segurança ao esforço transverso

Vsd,máx (KN/m) VRd,c s/compressão (KN/m) VRd,c c/compressão (KN/m)


179,9 127,5 186,3

36
3.3.2 Sapatas

Devido à opção da duplicação da modelação estrutural original, é de esperar que o esforço axial nos
pilares principais no mínimo quadruplique quando comparados com os da estrutura original. Este
tem de ser transmitido ao terreno de fundação, e optou-se por utilizar fundações superficiais,
através de sapatas, uma vez que este apresenta características de resistência razoáveis e, devido à
existência de caves, os momentos transmitidos à fundação provenientes da acção sísmica são quase
desprezáveis.

Como primeira iteração, procedeu-se ao cálculo da área transversal da sapata tendo em conta
apenas as cargas axiais dos pilares, para a combinação rara de acções. Desta forma não se está a ter
em conta o peso próprio da sapata, por isso procedeu-se a uma segunda iteração que o tem em
conta (Tabela 3.26). Ainda assim para um pré-dimensionamento pensa-se ter obtido valores
razoáveis para as dimensões destes elementos. A área mínima em planta da sapata é calculada
segundo:

𝑁𝑆𝑑 (3.11)
𝐴𝑚𝑖𝑛 =
𝜎𝑎𝑑𝑚

com:

Amin- Área mínima da sapata em planta em m2;

NSd- Esforço axial proveniente dos pilares para a combinação rara de acções;

𝜎𝑎𝑑𝑚 - Tensão máxima admissível do terreno de fundação, adoptado com 400 KPa.

Por forma a obter quantidades de armadura razoáveis aquando o dimensionamento destes


elementos impôs-se que:

𝐴−𝑎 𝐴−𝑎 (3.12)


≤𝐻≤
4 2
em que:

a – dimensão do pilar paralela à dimensão A;

H – altura da sapata.

Para a definição da geometria da sapata tentou-se que o comprimento em consola nas duas
direcções ortogonais seja igual, por forma a obter a mesma quantidade de armadura nas duas
direcções, formando uma malha uniforme de armadura.

37
Tabela 3.26: Pré-dimensionamento das sapatas de pilares

2 2 2
Nsd (KN) Anec (m ) dx (m) dy (m) Aadoptada (m ) Hadoptado (m) Nsd,total (KN) Anec (m )
P1 11665 29,2 6,5 5,0 32,5 1,3 12721 31,8
P2 15494 38,7 6,0 7,0 42,0 1,5 17069 42,0
P3 15494 38,8 6,0 7,0 42,0 1,5 17069 42,0
P4 11665 29,2 6,5 5,0 32,5 1,3 12721 31,8
P5 14949 37,4 7,0 6,0 42,0 1,5 16524 41,3
P6 20894 52,2 7,0 8,5 59,5 1,8 23571 58,9
P7 13089 32,7 5,5 6,5 35,8 1,4 14340 35,8
P8 20894 52,2 7,0 8,5 59,5 1,8 23571 58,9
P9 14949 37,4 7,0 6,0 42,0 1,5 16524 41,3
P10 5843 14,6 4,0 4,0 16,0 1,0 6203 15,5
P11 9720 24,3 5,0 5,5 27,5 1,3 10613 26,5
P12 6668 16,7 4,0 4,5 18,0 1,0 7118 17,8
P13 9731 24,3 5,0 5,5 27,5 1,3 10624 26,5
P14 5843 14,6 4,0 4,0 16,0 1,0 6203 15,5

Já a fundação dos muros de contenção e do núcleo central foi pré-dimensionada da mesma forma
obtendo-se os valores:

Tabela 3.27: Pré-dimensionamento das sapatas do muro de contenção e núcleo central

Nsd Anec Aadoptada Hadoptado Nsd,total Anec


dx (m) dy (m) d (m)
(KN) (m2) (m2) (m) (KN) (m2)
Muro Contenção 280 0,70 - - 0,8 0,8 0,4 288 0,72
Núcleo Central 24100 60 10,0 8 - 80 0,8 25700 64,25

Figura 3.33: Planta de fundações pré-dimensionadas

38
3.3.3 Escadas

O pré-dimensionamento das escadas foi feito usando um modelo de laje armada numa só direcção. A
sua espessura foi calculada segundo (4.13):

𝐿 (3.13)
ℎ=
25 𝑎 30

Figura 3.34: Planta da zona das escadas

Figura 3.35: Modelo de análise para o pré-dimensionamento das escadas

Desta forma adoptou-se uma espessura para as escadas de 0,2m, tendo-se obtido um momento
máximo de 85,7KNm ao qual corresponde a um momento flector reduzido μ=0,11. Este valor indica
uma boa ductilidade para este elemento estrutural, confirmando-se o respectivo pré-
dimensionamento.

Figura 3.36: Modelo de cálculo (à esquerda) e correspondente diagrama de momentos flectores (à direita)

39
40
4 Modelação Estrutural

Realizado todo o pré-dimensionamento da estrutura, procedeu-se à sua modelação tridimensional,


utilizando novamente o programa de cálculo automático SAP2000. O uso desta ferramenta é
especialmente importante para a análise dinâmica da estrutura.

Visto em qualquer estrutura de betão armado não existir uma solução perfeita mas sim um conjunto
de soluções possíveis, o processo de modelação da estrutura é um processo iterativo na busca da
melhor solução que cumpra todas as exigências impostas. Para isso, caso pontualmente através de
uma análise elástica um esforço num determinado elemento seja muito grande, este poderá ser
controlado através da diminuição da sua rigidez, sendo o esforço redistribuído para os restantes
elementos, garantindo-se desta forma o equilíbrio global da estrutura.

4.1 Materiais

O primeiro passo na construção do modelo tridimensional passa pela definição dos materiais,
inserindo as suas propriedades mecânicas e físicas. De notar que foi criado o material “Betão Rígido”
por forma a permitir a correcta modelação do núcleo de paredes resistentes, como é referido
posteriormente, e “Betão PE”, do qual são feitas as vigas fictícias onde são aplicadas as cargas
equivalentes ao pré-esforço.

Tabela 4.28: Propriedades dos materiais

γ (KN/m3) E (GPa) υ fck (MPa)


C35/45 25 34 0,2 35
C25/30 25 31 0,2 25
Betão rigido 0 34x106 0,2 35
Betão PE 0 1 0,2 35
A500 78 210 0,3 500

4.2 Lajes

A definição da malha de elementos finitos resultou de uma ponderação sobre os resultados que se
esperariam obter. Desta forma decidiu-se utilizar elementos rectangulares, com aproximadamente
80cm de lado, por forma a compatibilizar com as dimensões dos moldes do fabricante. Deste modo
poderá retractar-se de forma adequada as zonas nervurada e maciça da laje.

41
Tendo em consideração o valor da espessura adoptada para as lajes, considerou-se apropriado o uso
de elementos de laje espessa, Reissner-Mindlin, de modo a ter em conta o efeito de deformabilidade
por esforço transverso, e consequente deformação por corte das mesmas.

Os elementos de laje maciça foram então definidos com uma espessura uniforme de 0,5 metros. Já
os elementos de laje nervurada tiveram de ser definidas espessuras diferentes, consoante o seu
efeito de membrana e de flexão. Para a espessura de membrana, a qual o programa vai associar a
um volume, de modo a contabilizar o seu peso próprio, foi retirado da tabela do fabricante, que
apresenta o volume de betão por metro quadrado de laje (m3/m2). A espessura de flexão foi
determinada da seguinte forma:

𝑏ℎ3
<=> ℎ = √12𝐼⁄𝑏
3 (4.14)
𝐼=
12

em que I corresponde à inércia apresentada na tabela do fabricante.

Deste modo obteve-se as espessuras de 0,274m e 0,331m, respectivamente para as espessuras de


membrana e de flexão.

Figura 4.37: Definição dos elementos de laje maciça (à esquerda) e nervurada (à direita)

Como se pode observar houve a necessidade de pré-determinar a largura necessária para as bandas
que posteriormente contêm o pré-esforço. Decidiu-se que estas iriam ocupar o espaço de duas
nervuras, que posteriormente poderá ser sujeito a alteração caso necessário.

42
Figura 4.38: Malha de elementos finitos para a laje do piso tipo de escritórios

Figura 4.39: Malha de elementos finitos para a laje do piso tipo de estacionamento

Figura 4.40: Malha de elementos finitos para a laje de estacionamento exterior

43
4.3 Vigas

Nos pisos existe uma viga periférica cuja face inferior se encontra à cota do tecto falso, a qual
aumenta ligeiramente de secção no piso de cobertura, formando uma platibanda (Figura 4.41), ainda
que não se tenha contabilizado este aumento no modelo. Estes elementos foram modelados com um
elemento de barra com as respectivas dimensões. De referir que este elemento no contorno dos
pisos elevados é muito importante já que uniformiza os deslocamentos no contorno, evitando
deslocamentos diferenciais excessivos que poderiam por em causa a integridade da fachada de vidro.

Figura 4.41: Secção transversal da viga de bordadura do piso tipo (à esquerda) e da cobertura (à direita)

Existe similarmente uma dobra na laje ao nível do piso térreo (Figura 4.42), a qual se vai ter em
consideração no dimensionamento, pelo que foi criado um elemento de barra com as respectivas
dimensões e disposto no contorno do piso. Uma vez que este elemento liga a laje do piso 0 de
escritórios e o piso de estacionamento exterior a cotas diferentes, optou-se por considerar este
elemento na discretização da laje do piso superior, unindo esta laje à inferior por meio de tirantes
axialmente rígidos. Desta forma assegura-se o comportamento conjunto das lajes no perímetro da
dobra, e é de fácil análise já que se arma a dobra como uma viga a partir dos esforços retirados para
a combinação condicionante.

Figura 4.42: Secção transversal da dobra do piso 0

44
4.4 Elementos verticais de suporte

4.4.1 Pilares

Os pilares foram modelados como elementos de barra com a secção transversal anteriormente pré-
dimensionada. Por forma a compatibilizar o modelo com os desenhos de arquitectura fornecidos
optou-se por manter a distância entre faces das lajes ai definida. Desta forma, a altura destes
elementos passa a ser 4,4 metros em vez dos 3,9 metros. Esta aproximação é conservativa já que
estamos a aumentar o comprimento livre do pilar em 0,5metros.

Figura 4.43: Elemento de barra definido pelos nós de extremidade

4.4.2 Paredes

As paredes resistentes foram modeladas como elementos de barra com a respectiva secção
transversal pré-dimensionada. Estas são posicionadas no seu centro de gravidade e ligadas entre elas
e às lajes por vigas rígidas no plano da laje. Por forma a que os esforços sísmicos não sejam resistidos
por flexão e/ou torção destes elementos rígidos, as rotações na ligação de paredes com direcções
ortogonais foram libertadas.

De notar que existem várias formas para modelar estes núcleos mas optou-se por esta por simular
muito aproximadamente o comportamento real da estrutura, além de que facilita a interpretação de
esforços resultantes da acção sísmica para posterior dimensionamento.

Figura 4.44: Pormenor do núcleo com as "vigas rígidas" ao nível do piso

45
4.5 Sapatas

Devido à existência de caves, optou-se por encastrar todos os pilares e o muro de contenção ao nível
da cota de fundação, à excepção da sapata do núcleo resistente. Para esta optou-se por impedir
apenas as translações nas 3 direcções ortogonais, e simular as rigidezes de rotação da sapata através
de molas de rotação cuja rigidez foi calculada através de (4.15):

𝑎
𝜋𝑎2 𝑏(1 + )𝐸
𝐾𝜃 = 4𝑏 𝑠𝑜𝑙𝑜 (4.15)
2
18(1 − 𝜇 )

em que a e b correspondem às dimensões em planta da sapata na sua respectiva direcção.

Os parâmetros mecânicos do solo adoptados apresentam-se na Tabela 4.29:

Tabela 4.29: Parâmetros mecânicos do solo de fundação

Esolo (MPa) 70
μ 0,3

Dim,x (m) Dim,y (m) Kθ,y (kN/rad) Kθ,x (kN/rad)

Núcleo Central 10 8 10059138 7071940

4.6 Restantes Acções

4.6.1 Escadas

As escadas não foram consideradas directamente no modelo, mas sim as cargas sobre as lajes onde
assentam. Foram então aplicadas cargas em faca no começo e final de cada vão de escada, como é
representado na Figura 4.45.

Figura 4.45: Carga em face aplicada na laje do piso

46
4.6.2 Muro de contenção

Os muros de contenção foram modelados com elementos de casca, com a espessura pré-
dimensionada anteriormente. No modelo tridimensional, por forma a considerar a contribuição do
terreno face à acção sísmica aplicaram-se molas de translação ao nível de cada piso. Desta forma
simula-se de forma muito aproximada a contenção conferida pelo terreno sobre a estrutura. Para as
molas ao nível térreo, por não haver continuidade do terreno na vertical optou-se por reduzir a
rigidez para metade.

Figura 4.46: Pormenor das molas de restrição nas caves (à esquerda) e o encastramento na base do muro de contenção
(à direita)

4.7 Validação do Modelo

Os programas de cálculo estrutural são ferramentas avançadas que possibilitam cálculos de grande
complexidade que, de outra forma, levariam muito mais tempo. No entanto são ferramentas
perigosas, já que se podem cometer erros que alteram de forma significativa os esforços e
deformações obtidas, pelo que, os resultados devem ser sempre fundamentados por cálculos
simplificados de pré-dimensionamento. Deve também ser feita uma análise dos valores, sobretudo
com o recurso à experiencia do projectista, por forma a confirmar os resultados.

Para isso procedeu-se à validação do modelo que não foi mais do que comparar os valores retirados
do programa e os valores obtidos anteriormente no pré-dimensionamento dos elementos. Optou-se
então por comparar as cargas axiais dos pilares (Tabela 4.30):

47
Tabela 4.30: Comparação dos esforços axiais obtidos dos pilares primários e pilares secundários

Nsd,0 (KN) Nsd,0 SAP(KN) Nsd,8.8 (KN) Nsd,8.8 SAP(KN) Nsd (KN) Nsd SAP (KN)
P1 4858 4620 2216 2140 16529 16573
P2 6458 7375 2946 3580 20151 20335
P3 6458 7380 2946 3580 20151 20684
P4 4858 4621 2216 2140 16529 16564
P5 4858 4745 2216 2180 21649 21036
P6 7245 7425 3305 3520 27415 28860
P7 6210 3155 2833 1500 20642 18175
P8 7245 7430 3305 3520 27415 28864
P9 4858 4750 2216 2180 21649 21005
P10 - - - - 9984 8635
P11 - - - - 12384 12857
P12 - - - - 10408 9320
P13 - - - - 12384 12867
P14 - - - - 9984 7944
TOTAL 53047 51501 24201 24340 247276 243719

Como se pode observar na tabela anterior os resultados são bastante coerentes, tendo-se obtido um
erro máximo de 3% no total das cargas a cada cota. Este desvio deve-se à principalmente à
simplificação feita para o peso-próprio dos pilares correspondente a 10% do peso total de cada piso,
mas ainda assim com um valor aceitável.

Figura 4.47: Modelo tridimensional finalizado

48
5 Pré-esforço

Como foi mencionado anteriormente, verificou-se a necessidade de incluir pré-esforço nas lajes de
modo a controlar as deformações, para que seja verificado o estado limite de deformação.

O pré-esforço consiste na introdução de um estado de tensão auto-equilibrado que provoca um


estado de deformação imposta cujo objectivo é contrariar as deformações existentes na laje devido
às acções gravíticas. Deste modo consegue-se vencer maiores vãos sem diminuir a esbelteza dos
elementos, melhorando ainda o comportamento em serviço controlando a fendilhação. Uma vez que
estes elementos são betonados “in situ”, a única forma de aplicação de pré-esforço é por pós-tensão,
em que os cabos são tensionados após o betão ganhar resistência necessária, o que normalmente se
verifica após 7 dias.

Esta força de tensão originada nos cabos transfere-se numa força de compressão uniforme na secção
de betão, e visto o cabo apresentar excentricidade face ao centro de gravidade da secção introduz
um momento. Uma vez que uma laje se trata de um elemento tridimensional, o mais comum é
considerar o pré-esforço pelo lado da acção dado por forma a evitar diferenciar as parcelas
hiperestáticas e isostáticas do pré-esforço.

A disposição dos cabos de pré-esforço no interior da laje deve ser o mais simples e eficiente possível,
nomeadamente constituído por troços rectos ou parabólicos de 2º grau, e deve aproveitar a máxima
excentricidade nas secções críticas. O traçado de cabos deve também verificar o critério de raio
mínimo de curvatura dado por:

𝑅 ≥ 2,8√𝑃∞ (5.16)

em que:
R - raio de curvatura (m)
P∞ - força de pré-esforço útil (MN)

Por forma a aproveitar a máxima excentricidade nas zonas de maiores momentos decidiu-se dispor
as bainhas em contacto com as armaduras longitudinais existentes da laje. Desta forma a
excentricidade presente no cabo é de:
𝜙𝑏𝑎𝑖𝑛ℎ𝑎 (5.17)
𝑒𝑚á𝑥 = ℎ𝐶𝐺 − 𝑟𝑒𝑐 − 𝜙𝑙𝑜𝑛𝑔1 − 𝜙𝑙𝑜𝑛𝑔2 −
2

49
em que:
𝑒𝑚á𝑥 - excentricidade máxima de pré-esforço superior/inferior;
ℎ𝐶𝐺 - distância entre o centro de gravidade e a face superior/inferior da secção;
𝜙𝑙𝑜𝑛𝑔 - diâmetro das armadura longitudinais;
𝜙𝑏𝑎𝑖𝑛ℎ𝑎 - diâmetro da bainha do cabo de pré-esforço.

De referir que a excentricidade utilizada nas duas direcções ortogonais são diferentes, consoante o
alinhamento das malhas da armadura ordinária. Deste modo adoptou-se uma maior excentricidade
na direcção transversal e menor na direcção longitudinal do piso. O cálculo destas excentricidades foi
feito admitindo-se uma malha de armadura com varões φ12 nas duas direcções.

Figura 5.48: Corte na direcção longitudinal com emáx,y e na direcção transversal com emáx,x

Em primeira instância optou-se pelo uso de cabos de 4 cordões com bainhas planas de modo a
melhor aproveitar a excentricidade existente, mas devido a vários problemas como a grande
densidade de cabos de pré-esforço e problemas na disposição das ancoragens foi impossibilitado o
seu uso. Devido ainda ao maior raio de curvatura em planta destas bainhas era impossível a devida
colocação das ancoragens assim como a condução das bainhas para as mesmas e devido à grande
densidade de cabos nas zonas sobre os pilares, a secção transversal destes elementos era
severamente reduzida, ainda que as bainhas sejam injectadas com calda de cimento.

A solução final passou então pelo uso de cabos de 7 cordões com uma consequente redução do
número de cabos e ancoragens, já que a perda de excentricidade é compensada pelo aumento de 4
para 7 cordões por cabo solução, tornando-se na solução mais económica, e mono-cordões na zona
nervurada.

Figura 5.49: Medidas de bainhas e ancoragens (adaptado de [9])

50
O valor das cargas equivalentes são dados por:

8𝑃∞ 𝑓 (5.18)
𝑞=
𝐿2
em que:

P∞ – força de pré-esforço útil;

f – flecha do cabo de pré-esforço;

L – comprimento da parábola;

Também se recorre ao cálculo das forças de ancoragem, responsáveis pela absorção das forças
aplicadas e a sua transmissão ao elemento de betão:

4𝑓 (5.19)
𝑡𝑔𝛼 =
𝐿

𝐹𝑣 = 𝑃 × 𝑡𝑔𝛼 (5.20)

𝑀 = 𝑃 × 𝑒𝑚á𝑥,𝑎𝑛𝑐 (5.21)
com:

Fv e M respectivamente a força na vertical e o momento de ancoragem.

Figura 5.50: Representação das forças de ancoragem [12]

Como já anteriormente foi referida a força de pré-esforço útil, P∞, corresponde à força instalada a
tempo infinito, isto é, após perdas. Estas perdas podem ser instantâneas e diferidas. As perdas
instantâneas, como o nome indica, ocorrem durante a aplicação do pré-esforço, como é o caso das
perdas por atrito, por entrada de cunhas e deformação instantânea do betão. As perdas diferidas
ocorrem ao longo da vida da estrutura, como é o caso das perdas por retracção e fluência do betão, e
por relaxação das armaduras. Visto cada um destes efeitos serem difíceis de contabilizar
individualmente, assumiu-se perdas instantâneas de 10% e perdas diferidas de 15%. De notar que
estes valores podem ser ligeiramente diferentes tendo em conta várias condicionantes, tais como o
comprimento do cabo e o traçado de cabo. Em cabos muito curtos, a perda por reentrada de cunhas
toma maior expressão, enquanto que em cabos muito longos é a perda por atrito.

51
De acordo com o EC2 1.1, os cabos de pré-esforço devem ser tensionados apenas a 75% da
capacidade resistente, pelo que este critério foi utilizado em todo o dimensionamento.

Uma vez que grande parte do pré-esforço está localizado nas bandas optou-se por limitar a tensão de
compressão destas a um máximo de 4MPa, já que uma banda é um meio-termo entre uma viga e
uma laje maciça, com tensões de compressão máximas de 7Mpa e 3MPa, respectivamente.

Apresentam-se de seguida as distâncias necessárias entre centros de ancoragens e distâncias aos


bordos adoptadas no dimensionamento do pré-esforço ao nível das lajes [15], considerando fcm,0 de
25MPa uma vez que o pré-esforço é aplicado aos 7 dias.

Amin(mm)/ Bmin (mm)/


Cabo
Aadopt(mm) Badopt (mm)
165/ 355/
7 Cordões
200 400

Figura 5.51: Distâncias necessárias entre ancoragens e bordo (adaptado de [15])

52
5.1 Verificação do estado limite de deformação

Facilmente se verifica que no centro dos painéis de laje nervurada existem problemas de deformação
excessiva, pelo que os estados limites de deformação não são verificados. Desta forma, optou-se por
controlar as deformações nas bandas com recurso a pré-esforço e, consequentemente controlar a
deformação nas zonas mais condicionantes.

Os valores da deformação máxima a longo prazo admissíveis são definidos na Tabela 5.31 [13], tendo
em conta o piso em estudo. Assumindo-se a aplicação de pré-esforço em todos os pisos, esta pode
ser calculada segundo (5.23):

𝑎𝑐 = 𝑎𝑒 (1 + 𝜑) (5.22)
em que:

𝑎𝑐 - flecha a longo prazo;

𝑎𝑒 - flecha elástica;

φ - coeficiente de fluência do betão (pragmaticamente considerado igual 2,5)

A flecha elástica admissível, que corresponde à flecha máxima no modelo tridimensional para a
combinação quase permanente de acções, para cada tipologia de piso é de:

Tabela 5.31: Valores das flechas máximas admissíveis

δ longo prazo δ longo prazo (mm) δ elástico (mm)


Laje estacionamento L/250 60 17,1
Laje escritórios L/500 30 8,6

Para os pisos de escritório houve ainda a necessidade de garantir que as deformações diferenciais
máximas eram inferiores a 15mm a longo prazo, o equivalente a 4,3mm de deformação elástica, nas
zonas de sanitários devido à existência de paredes de alvenaria.

Figura 5.52: Pormenor de aplicação do pré-esforço no SAP2000 (carga equivalente e forças de ancoragem)

53
5.2 Análise da deformação das lajes

A definição do pré-esforço necessário a aplicar resultou de um processo iterativo com base no


modelo tridimensional de elementos finitos. No processo iterativo, aplicou-se as cargas equivalentes
no modelo, e foi-se alterando os coeficientes multiplicadores destas até que a laje apresentasse
deformações admissíveis. Desta forma, obteve-se a força de pré-esforço necessária, e
consequentemente o número de cordões/cabos a considerar. De seguida, foi necessário verificar a
tensão de compressão do betão e verificar se existe espaço suficiente para as ancoragens nas
extremidades.

Para que a análise das deformações não viesse contaminada dos deslocamentos elásticos dos pilares,
e assim trabalhar-se apenas com flechas, estes foram anulados introduzindo-se no modelo uma
rigidez axial de todos os elementos verticais numericamente infinita. De notar que para este efeito
não foi aumentado o módulo de elasticidade do betão já que isso iria interferir com os resultados
obtidos devido ao consequente aumento de rigidez destes elementos.

No caso das lajes de estacionamento, devido à dimensão dos pilares ser significativa, adoptaram-se
no modelo vigas rígidas que restringem os deslocamentos na direcção de maior dimensão do pilar,
evitando-se desta forma ser excessivamente penalizador.

5.2.1 Laje do piso tipo de escritórios (Pisos 1 a 3)

Figura 5.53: Deformada para a combinação quase permanente de acções sem pré-esforço

Da Figura 5.53, onde se representa as deformações obtidas para a laje do piso tipo de escritórios,
retira-se que os deslocamentos verticais da laje são muito superiores aos admissíveis, chegando em
alguns pontos a ser superior a 40mm. Como era de esperar, a deformação máxima ocorre no centro
do painel de laje, correspondendo a uma deformação de aproximadamente 43mm.

54
Numa primeira fase optou-se por adoptar cabos de pré-esforço nas bandas anteriormente definidas,
mas verificou-se que tal não era suficiente para controlar a deformação no ponto mais
condicionante. Isto deve-se à não existência de continuidade da laje, e à maior concentração de
cargas nessa área devido à existência dos sanitários. Para garantir uma deformação máxima
admissível na zona condicionante apenas com pré-esforço nas bandas, o valor deste deveria ser tal
que posteriormente a verificação das tensões em vazio não era satisfeita.

Optou-se então por incluir mono-cordões na zona nervurada, definindo-se como limite máximo a
adopção de 2 mono-cordões por nervura (Figura 5.54). As nervuras por si definem o espaçamento
entre cordões, que corresponde a 80cm. Adoptou-se os mono-cordões na direcção transversal do
piso por forma a alterar o caminho de cargas e exigir mais das bandas na direcção longitudinal que
anteriormente estavam menos carregadas.

Figura 5.54: Corte das nervuras

Para uma correcta modelação do pré-esforço, optou-se por definir as barras fictícias não num único
alinhamento mas sim em vários a toda a largura da banda, onde são aplicadas as cargas equivalentes
de pré-esforço. As bandas são identificadas segundo a sua disposição no piso, como transversal (Xi)
ou longitudinal (Yi). Já as barras fictícias sem legenda correspondem aos mono-cordões aplicados.

Y2

X1 X2 X2 X1

Y1 Y1

Figura 5.55: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas

55
Figura 5.56: Deformada do piso tipo para a combinação quase permanente de acções com pré-esforço

De forma a ser o mais exacto possível, procedeu-se ao cálculo da largura efectiva da banda de acordo
com o EC2. Desta forma podemos calcular a área efectiva da banda e o centro de gravidade da
mesma, com base na Figura 5.57 e expressões (5.24) e (5.25).

Figura 5.57: Cálculo da largura efectiva [14]

𝑏𝑒𝑓 = ∑𝑏𝑒𝑓𝑖 + 𝑏𝑤 < 𝑏 (5.23)

𝑏𝑒𝑓𝑖 = 0,2𝑏𝑖 + 0,1𝐿𝑜 ≤ 0,2𝐿𝑜 (5.24)

Tabela 5.32: Dados das bandas de pré-esforço

Banda X1 Banda X2 Banda X2 (60cm) Banda Y1/Y2


2
A (m ) 1,34 2,13 2,48 1,47
bef (m) 4,6 7,75 7,75 4,85
bef1 (m) 2,52 2,36 2,36 2,52
bef2 (m) - 1,99 1,99 -
b (m) 8,8 13,13 13,13 9,05
b1 (m) 6,6 5,8 5,8 6,6
b2 (m) - 3,93 3,93 -
bw (m) 2,2 3,4 3,4 2,45
L0 (m) 12,0 12,0 12,0 12,0
0,2L0 (m) 2,4 2,4 2,4 2,4
hCG (m) 0,285 0,285 0,35 0,285
4
I (m ) 0,031 0,0496 0,0839 0,0337

56
Figura 5.58: Pormenor do pré-esforço na laje e na viga de bordadura a meio-vão

Tabela 5.33: Pré-esforço adoptado no piso tipo de escritórios

Poo Ac σc bw,min banc,min bw adopt(m) banc adopt δelástico δlongo prazo


Cabos Cordões 2
(KN) (m ) (MPa) (m) (m) /nervuras (m) (mm) (mm)
Banda X1 4 28 4200 1,34 3,1 0,6 1,6(A/P) 2,1/3 3 1,7 6,0
Banda X2 8 56 8400 2,13 3,9 1,2 3,2(A/P) 3,4/4 3,4 5,5 20,3
Banda Y1 5 35 5250 1,47 3,6 0,8 2,0(A/P) 2,45/3 3,4 2,8 8,1
Banda Y2 5 35 5250 1,47 3,6 0,8 2,0(A/A) 2,45/3 3,4 2,6 7,4
Viga
1 7 1050 0,31 3,4 0,2 0,4(A/A) 0,25 0,4 - -
bordadura
P.
- - - - - - - - - 8,5 29,8
Máximo

O bw,min corresponde à largura mínima da banda para o alojamento da totalidade dos cabos de pré-
esforço e o banc,min corresponde à distância mínima para a colocação das ancoragens, atendendo aos
valores adoptados da Figura 5.51. Nas bandas X1, X2 e Y1, devido ao reduzido comprimento e o
traçado simples dos cabos optou-se por dispor as ancoragens activas e passivas alternadamente,
diminuindo a largura necessária para a ancoragem (A/P). Já a banda Y2, com um comprimento
superior a 50m, adoptou-se a disposição de ancoragens activas nas duas extremidades dos cabos
(A/A). Houve ainda a necessidade de incluir um cabo de pré-esforço de 7 cordões em toda a periferia
na viga de bordadura, representado na Figura 5.58, por forma a melhor aproveitar toda a
excentricidade existente.

A diferença entre a deformação diferencial máxima e mínima onde se situam as paredes de alvenaria
corresponde a 4,1mm e a 14,4mm a longo prazo, o que é inferior ao limite estipulado de 15mm.

57
5.2.2 Laje de escritórios (Piso 0)

Devido à existência da dobra anteriormente referida, optou-se por aplicar pré-esforço apenas na
banda X2 e novamente os mono-cordões. Optou-se também por pré-esforçar a dobra do
alinhamento Y3, por forma a reduzir a grande deformada a que esta estava sujeita devido às cargas
exteriores que nela actuam, além das cargas provenientes do piso 0. Já no alinhamento Y4, com um
nível de carga muito inferior, não houve a necessidade de pré-esforçar este elemento.

Y3 (Dobra)

X2 X2

Figura 5.59: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas

Figura 5.60: Deformada do piso 0 para a combinação quase permanente de acções com pré-esforço

Neste piso para que a tensão de compressão no betão não fosse superior a 4MPa, optou-se por
aumentar a espessura da banda Y2. Desta forma aumenta-se a excentricidade dos cabos além da
área disponível da banda.

Tabela 5.34: Pré-esforço adoptado no piso 0 de escritórios

Poo Ac bw,min banc,min bw adopt(m) banc adopt δelástico δlongo prazo


Cabos Cordões 2 σc (MPa)
(KN) (m ) (m) (m) /nervuras (m) (mm) (mm)
Banda X1 - - - - - - - - - 3,7 13
Banda X2
9 63 9450 2,43 3,9 1,3 3,4(A/P) 3,4/4 3,4 3,1 10,9
(60 cm)
Banda Y1 - - - - - - - - - 4,6 16,1
Banda Y2 - - - - - - - - - 4,6 16,1
Dobra Y3 2 14 2100 0,7 3,0 0,4 0,2(A/A) 0,4 0,4 3,6 12,6
P.
- - - - - - - - - 8,6 30,0
Máximo

58
5.2.3 Laje de cobertura (Piso 4)

Na laje do piso de cobertura optou-se novamente por simplificar o processo construtivo e adoptar
pré-esforço apenas na banda Y2. Adoptou-se, á semelhança dos pisos tipo de escritórios, um cabo
pré-esforço com 7 cordões na viga de contorno por forma a aproveitar toda a excentricidade
existente.

X2 X2

Figura 5.61: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas e vigas

Figura 5.62: Deformada da cobertura para a combinação quase permanente de acções com pré-esforço

Tabela 5.35: Pré-esforço adoptado no piso de cobertura

Poo Ac σc bw,min banc,min bw adopt(m) banc adopt δelástico δlongo prazo


Cabos Cordões 2
(KN) (m ) (MPa) (m) (m) /nervuras (m) (mm) (mm)
Banda X1 - - - - - - - - - 1,9 6,7
Banda X2 8 56 8400 2,13 3,9 2,18 3,2(A/P) 3,4/4 3,4 3,5 12,3
Banda Y1 - - - - - - - - - 4,1 14,4
Banda Y2 - - - - - - - - - 3,9 13,7
Viga
1 7 1050 0,39 2,7 0,2 0,4(A/A) 0,25 0,4 - -
bordadura
P. Máximo - - - - - - - - - 8,6 30,0

59
5.2.4 Laje de estacionamento tipo (Pisos -3 a -1)

Para os pisos de estacionamento o procedimento foi o mesmo em que apenas mudam as cargas e a
geometria global do piso.

Figura 5.63: Deformada da laje de estacionamento para a combinação quase permanente de acções sem pré-esforço

Y3

X1 X2 X3 X2 X1

Y2

Y1 Y1

Figura 5.64: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas

Uma vez que existe alguma folga, nesta laje optou-se por aproveitar melhor o pré-esforço e assim
melhor controlar a deformação do piso. Para isso em vez de limitar a flecha a longo prazo a 60mm,
optou-se por limitar num valor intermédio de 45mm. Desta forma melhora-se o comportamento em
serviço da laje, além de garantir a não fendilhação.

60
Figura 5.65: Deformada da laje de estacionamento tipo para a combinação quase permanente de acções com pré-esforço

Tabela 5.36: Pré-esforço adoptado no piso de estacionamento tipo

Poo Ac σc bw,nec banc,nec bw adopt(m) banc adopt δelástico δlongo prazo


Cabos Cordões 2
(KN) (m ) (MPa) (m) (m) /nervuras (m) (mm) (mm)
Banda X1 3 21 3150 0,94 3,4 0,5 1,2(A/A) 1,6/2 3,2 5,1 17,9
Banda X2 3 21 3150 0,94 3,4 0,5 1,2(A/A) 1,6/2 3,2 7,3 25,6
Banda X3 2 14 2100 0,94 2,2 0,4 0,8(A/A) 1,6/2 3,2 7,1 24,9
Banda Y1 3 21 3150 0,94 3,4 0,5 1,2(A/A) 1,6/2 3,2 5,5 19,3
Banda Y2 4 28 4200 1,04 4,0 0,6 1,6(A/A) 1,6/2 3,2 7,4 25,9
Banda Y3 3 21 3150 1,04 3,0 1,5 1,2(A/A) 1,6/2 3,2 3,9 13,7
P.
- - - - - - - - - 12,6 44,0
Máximo

Como se pode verificar pela comparação da Tabela 5.33 e da Tabela 5.36, a quantidade de pré-
esforço necessário é neste caso muito inferior ao adoptado nos pisos elevados. Isto deve-se não só à
diferença de cargas, que neste caso não são assim tão díspares, mas também, de forma mais
significativa, à continuidade das lajes nas duas direcções que restringe mais as deformações e
possibilita a adopção da excentricidade máxima positiva e negativa dos cabos de pré-esforço.

61
5.2.5 Laje de estacionamento Exterior (Piso -0)

Uma vez que se trata de uma laje com comunicação directa com o exterior e com grandes cargas,
optou-se por limitar a deformação à de um piso de estacionamento tipo.

Figura 5.66: Deformada da laje de estacionamento exterior para a combinação quase permanente de acções sem pré-
esforço

Y1

X1 X2 X3 X2 X1

Figura 5.67: Localização das barras fictícias equivalentes ao pré-esforço e legenda das bandas

62
Figura 5.68: Deformada da laje de estacionamento exterior para a combinação quase permanente de acções com pré-
esforço

Tabela 5.37: Pré-esforço adoptado no piso de estacionamento exterior

Poo Ac σc bw,nec banc,nec bw adopt(m) banc adopt δelástico δlongo prazo


Cabos Cordões 2
(KN) (m ) (MPa) (m) (m) /nervuras (m) (mm) (mm)
Banda X1 7 49 7350 1,98 3,7 1,1 2,8(A/P) 3,2/4 3,2 5,6 19,6
Banda X2 8 56 8400 2,13 3,9 1,2 3,2(A/P) 3,2/4 3,2 7,5 26,3
Banda X3 5 35 5250 1,35 3,9 0,8 2,0(A/P) 1,6/2 3,2 7,7 27,0
Banda Y1 8 56 8400 2,13 3,9 1,2 3,2(A/A) 3,2/4 3,2 5,8 20,3
P.
- - - - - - - - - 17 59,5
Máximo

Como os cabos das bandas transversais apresentam um comprimento pequeno optou-se,


novamente, por aplicar alternadamente ancoragens activas e passivas. Já na banda Y1, devido ao seu
grande comprimento, optou-se por ancoragens activas nas 2 extremidades.

63
5.2.6 Observações Finais

Para que não surgissem esforços de tração e evitar a adopção de nichos de ancoragem na laje,
optou-se, se possível, por prosseguir os cabos de pré-esforço até à extremidade do piso, como é o
caso dos pisos -0 a 4. Já nos pisos das caves, uma vez não ser possível o puxe dos cabos de pré-
esforço pelo exterior do muro de contenção, adoptaram-se nichos de ancoragem que, após
efectuado o processo de pré-esforço da laje, são preenchidos com argamassa.

De notar ainda que existem zonas onde as ancoragens são feitas nas paredes resistentes, como é o
caso dos pisos tipo de escritórios (banda Y1). As armaduras ordinárias nestas zonas têm de ser
devidamente dimensionadas e pormenorizadas, para garantir o bom confinamento destas zonas.
Também nesta banda os cabos são ligeiramente desviados para que a ancoragem dos mesmos seja
feita fora dos pilares fictícios.

Todos estes pormenores são apresentados em anexo nas peças desenhadas correspondentes ao pré-
esforço.

64
6 Análise Sísmica

O nosso país é uma região susceptível à acção sísmica tendo sido afectado por vários sismos de
magnitude moderada a forte ao longo dos tempos, o que causa grande preocupação aquando o
dimensionamento de uma estrutura a ser aqui implantada. Daí surge o binómio economia/segurança
em que se tem, como engenheiros civis, de encontrar um termo entre a solução mais económica mas
menos resistente e uma solução mais resistente mas pouco económica.

A acção sísmica foi definida segundo as normas e recomendações do EC8. Para uma acção sísmica de
grande intensidade e menos frequente (sismo de projecto), com uma probabilidade de 10% de ser
excedido durante o período de vida útil da estrutura (período de retorno de 475 anos), é exigido o
não colapso local ou global da mesma. Para uma acção sísmica de menor intensidade e maior
frequência não devem ocorrer danos estruturais nem limitação da utilização da estrutura, cujos
custos sejam excessivos face ao da própria estrutura.

O EC8, assim como os anteriores regulamentos, define dois tipos de acção sísmica. A acção sísmica
do tipo 1 para sismos afastados de maior magnitude (interplaca) e a acção sísmica do tipo 2 para
sismos próximos de menor magnitude (intraplaca). Atendendo à localização do edifício (Setúbal) e às
tabelas do Anexo Nacional NA.I pode-se definir o zonamento sísmico para cada tipo de acção sísmica,
que corresponde a zona de 1,3 e 2,3 respectivamente para o sismo do tipo 1 e do tipo 2.

A excitação do terreno é representada por um espectro de resposta elástica que é igual nas duas
direcções ortogonais (Figura 6.69). Este depende ainda das características geotécnicas do terreno de
fundação.

Figura 6.69: Espectro de resposta elástica genérica [adaptado de 11]

Um edifício de escritórios é da classe de importância II, ao qual corresponde um coeficiente de


importância γ1=1,0.

65
A fim de evitar uma análise não elástica, a capacidade de dissipação de energia é tida em conta
efectuando-se uma análise elástica baseada no espectro de resposta elástico reduzido pelo
coeficiente de comportamento q. Este coeficiente depende da ductilidade da estrutura, que está
directamente ligada à capacidade de dissipação de energia.

A fendilhação e consequente perda de rigidez dos elementos verticais primários foi tida em conta no
modelo de forma aproximada, com a redução do módulo de elasticidade para metade do original.

6.1 Critérios de Regularidade

O EC8 estipula critérios de regularidade das estruturas que vão influenciar o modelo de análise, o
método de análise e o valor do coeficiente de comportamento, dependo se a estrutura é classificada
de regular ou não regular em altura e em planta.

Tabela 6.38: Diferenças do cálculo sísmico dependendo da regularidade da estrutura

Regularidade Simplificação admitida Coeficiente de comportamento


Planta Altura Modelo Análise elástica linear (análise linear)
Sim Sim Plano Estático (Forças Laterais) Valor de referência
Sim Não Plano Dinâmico Valor reduzido em 20%
Não Sim Espacial Estático (Forças Laterais) Valor de referência
Não Não Espacial Dinâmico Valor reduzido em 20%

6.1.1 Regularidade em Altura

Para uma estrutura ser considerada regular em altura deve satisfazer todos os seguintes critérios:

 Continuidade dos elementos verticais desde a fundação até ao topo do edifício;


 A massa e a rigidez lateral de cada piso deverão ser constantes ou decrescerem
gradualmente, sem variações abruptas;
 Não deverá haver uma variação abrupta entre pisos adjacentes relativamente ao rácio
resistência verificada / resistência exigida pela análise;
 Caso ocorram recuos, seria necessário verificar várias condições, que neste caso não é
necessário.

A estrutura em estudo verifica a regularidade em altura, já que todos os critérios são satisfeitos, e
por isso não é necessária a redução do coeficiente de comportamento.

66
6.1.2 Regularidade em Planta

Para que uma estrutura seja considerada regular em planta deve satisfazer os seguintes critérios:

 Simetria em relação a dois eixos ortogonais, no que se refere à rigidez lateral e à distribuição
de massas;
 Garantir uma forma compacta em planta;
 As lajes devem comportar-se como diafragmas rígidos no seu plano em comparação com a
rigidez dos elementos verticais;
 A esbelteza do edifício em planta deve ser inferior a 4, onde λ é dado por:

𝐿𝑚á𝑥 55,5 (6.25)


𝜆= = =3<4
𝐿𝑚𝑖𝑛 18,5

em que Lmáx e Lmin são respectivamente, a maior e a menor dimensão em planta do edifício.

 Para cada piso e para cada direcção ortogonal deverão ser satisfeitas as condições relativas à
excentricidade estrutural e ao raio de torção:

e0i ≤ 0.30 × ri (6.26)

ri ≥ lsi (6.27)

onde:
e0i – distância entre o centro de rigidez e o centro de massa na direcção i;
ri – a raiz quadrada do rácio entre a rigidez de torção e a rigidez de translação na direcção i;

Kθ (6.28)
ri = √
Ki

Isi – raio de giração de massa do piso em planta, correspondendo à raiz quadrada da relação entre o
momento polar de inércia da massa do piso com a massa do piso.

Ip,CM (6.29)
ls = √
M

A não verificação destas condições, correspondentes a uma rigidez de rotação mínima, envolve a
classificação da estrutura como torsionalmente flexível. Para calcular o centro de rigidez de cada
piso, a respectiva rigidez de torção e a rigidez de translação nas 2 direcções ortogonais, aplica-se um
momento torsor e forças segundo as duas direcções no centro de gravidade do último piso,
medindo-se os respectivos deslocamentos obtidos.

67
Tabela 6.39:Cálculo do centro de rigidez de cada piso

Mz,CM (kNm) 1000000


Piso δx,CM (m) δy,CM (m) θz,CM (rad) e0x (m) e0y (m) xCR (m) yCR (m)
Cob -0,2312 -0,0026 0,0531 -0,05 -4,35 27,60 4,90
3 -0,1561 -0,0019 0,0367 -0,05 -4,25 27,60 5,00
2 -0,0762 -0,0012 0,0195 -0,06 -3,91 27,61 5,34
1 -0,0299 -0,0005 0,0081 -0,06 -3,66 27,61 5,58
0 -0,0004 0,0000 0,0005 -0,04 -0,81 27,59 8,44

Tabela 6.40: Cálculo dos deslocamentos do centro de rigidez de cada piso

Fx,CM (kN) 1000000 Fy,CM (kN) 1000000


Piso x,CM(m) y,CM(m) z,CM(rad) e0y(m) x,CR(m) x,CM(m) y,CM(m) z,CM(rad) e0x(m) y,CR(m)
Cob 7,265 -0,211 -0,235 -4,35 6,24 -0,211 8,566 -0,003 -0,05 8,57
3 5,253 -0,156 -0,159 -4,25 4,58 -0,149 6,057 -0,002 -0,05 6,06
2 3,184 -0,089 -0,078 -3,91 2,88 -0,080 3,677 -0,001 -0,06 3,68
1 1,528 -0,031 -0,030 -3,66 1,42 -0,026 1,725 -0,000 -0,06 1,73
0 0,193 -0,003 -0,005 -0,81 0,19 -0,001 0,379 -0,000 -0,04 0,38

Desta forma as rigidezes de torção e de translação em ambas as direcções são obtidas a partir do
quociente entre o momento/força aplicada e o respectivo deslocamento do centro de rigidez:

𝐹𝑖 𝑀𝑧
𝐾𝑖 = 𝑒 𝐾𝜃 = (6.30) e (6.31)
𝛿𝑖,𝐶𝑅 𝜃𝑧,𝐶𝑅

Tabela 6.41: Valores dos raios de torção e de giração da estrutura

Piso Kθ (KN/rad) Kx (KN/m) Ky (KN/m) ls (m) rx (m) ry (m)


Cob 18816446 160202 116742 16,78 12,70 10,84
3 27236082 218418 165095 16,78 12,84 11,17
2 51318896 347171 271986 16,78 13,74 12,16
1 122729504 705258 579631 16,78 14,55 13,19
0 2024291498 5278641 2637125 16,78 27,71 19,58

Como seria de esperar, o edifício não verifica as condições apresentadas anteriormente,


apresentando assim um comportamento flexível à torção. Isto deve-se principalmente á falta de
elementos resistentes nas zonas de periferia e o núcleo se apresentar aproximadamente no centro
da estrutura, aumentando muito a rigidez de translação da estrutura mas não a de torsão.

Uma vez que o coeficiente de comportamento de uma estrutura torsionalmente flexível é baixo,
resultando assim em esforços elevados, e que, por razões arquitectónicas, não era possível adoptar
paredes de fachada, optou-se por criar um modelo com uma rigidez do núcleo central inferior,
substituindo-se as paredes estruturais por pilares. De referir que todas as alterações foram feitas
para que a estrutura verificasse todas as limitações de estado limite de serviço preconizadas no EC8,

68
pelo que houve a necessidade de aumentar a secção transversal dos pilares dos pisos elevados para
uma secção constante em altura com 90cm de diâmetro. Procedeu-se novamente à verificação da
regularidade em planta pelo que se obteve os resultados apresentados na Tabela 6.42.

Tabela 6.42: Valores dos raios de torção e giração da estrutura "sem paredes"

Piso Ktorção(KN/rad) Kx (KN/m) Ky(KN/m) e0x (m) e0y (m) ls(m) rx(m) ry(m)
Cob 14692486 40330 36892 0,01 0,83 16,78 19,96 19,09
3 21126909 58639 53103 0,01 0,86 16,78 19,95 18,98
2 40561369 115436 102481 0,01 0,95 16,78 19,89 18,75
1 97342548 264252 237545 0,01 0,94 16,78 20,24 19,19
0 1964636542 5138073 3744338 0,01 0,98 16,78 22,91 19,55

Como seria de esperar o modelo “sem paredes resistentes” verifica folgadamente a regularidade em
planta pelo que é considerado uma estrutura torsionalmente não flexível, ainda que o valor da
rigidez de torção tenha diminuído, os valores das rigidezes de translação diminuíram
consideravelmente nas duas direcções.

6.2 Coeficiente de Comportamento

Uma vez caracterizados e classificados os diferentes modelos, procedeu-se ao cálculo dos respectivos
coeficientes de comportamento, que é dado por:

𝑞 = 𝑞0 𝑘𝑤 ≥ 1,5 (6.32)

kw – factor que reflecte o modo de rotura predominante nos sistemas estruturais de paredes.

Figura 6.70: Valor do coeficiente de comportamento q0 [6]

O modelo “com paredes” uma vez classificado de torsionalmente flexível é associado a um


coeficiente de comportamento de 2,0. Já o modelo “sem paredes” é equivalente a um sistema
porticado pelo que o coeficiente de comportamento tem um valor muito superior, de 3,9.

Tabela 6.43: Cálculo do coeficiente de comportamento dos dois modelos

Modelo "com paredes" Modelo "sem paredes"


q0 kw q u/ q0 kw q
2,0 1,0 2,0 1,3 3,9 1,0 3,9

69
6.3 Análise Modal

O cálculo dos valores e vectores próprios associados a cada modo de vibração é bastante complexo
devido aos vários graus de liberdade associados à própria estrutura. Para isso recorre-se ao
programa SAP2000 para a realização de uma análise modal dos dois modelos anteriormente
referidos. As frequências próprias e modos de vibração retirados desta análise são atributos
intrínsecos da estrutura, não dependendo da acção sísmica, e são obtidos através de uma análise da
resposta dinâmica da estrutura. De acordo com o EC8, devem ser tidos em conta todos os modos até
que o somatório participação de massa modal, em ambas as direcções, seja igual ou superior a 90%
da massa total oscilante da estrutura (a massa das caves não entra) bem como todos os modos com
participação de massa superior a 5%.

Tabela 6.44: Quantificação da massa total e massa oscilante da estrutura

Modelo “com paredes” Modelo “sem paredes”


Massa total (Mt) 24646 24048
Massa oscilante (Mo) 5792 5470
90% Mo/Mt 0,21 0,20

Tabela 6.45: Períodos, frequências e factores de participação de massa dos vários modos “modelo com paredes”

Modelo “com paredes”


Comport. Associado Modo Período Frequência Translação X Translação Y Rotação Z
(s) (Hz) (%) ∑ (%) (%) ∑ (%) (%) ∑ (%)
Torsão 1 1,228 0,814 0,04 0,04 0,00 0,00 0,06 0,06
Trans. Y 2 0,944 1,059 0,09 0,12 0,13 0,13 0,07 0,12
Trans. X 3 0,920 1,087 0,11 0,23 0,10 0,23 0,05 0,18
Torsão 4 0,442 2,263 0,01 0,24 0,00 0,23 0,01 0,19
Trans. Z 5 0,322 3,110 0,02 0,26 0,00 0,24 0,00 0,19
Trans. Z 6 0,318 3,140 0,01 0,28 0,00 0,24 0,00 0,19
Trans. Z 7 0,318 3,144 0,00 0,28 0,00 0,24 0,00 0,19
Trans. Z 8 0,302 3,316 0,00 0,28 0,00 0,24 0,00 0,19
Trans. Z 9 0,301 3,323 0,00 0,28 0,00 0,24 0,00 0,19
Trans. Z 10 0,288 3,473 0,00 0,28 0,00 0,24 0,00 0,19

70
Tabela 6.46: Períodos, frequências e factores de participação de massa dos vários modos “modelo sem paredes”

Modelo “sem paredes”


Comport. Associado Modo Período Frequência Translação X Translação Y Rotação Z
(s) (Hz) (%) ∑ (%) (%) ∑ (%) (%) ∑ (%)
Trans. Y 1 1,402 0,713 0,00 0,00 0,21 0,21 0,11 0,11
Trans. X 2 1,365 0,733 0,20 0,20 0,00 0,21 0,00 0,11
Torsão 3 1,226 0,816 0,01 0,21 0,00 0,21 0,05 0,16
Trans. Y 4 0,464 2,154 0,00 0,21 0,04 0,25 0,02 0,18
Trans. X 5 0,458 2,181 0,03 0,24 0,00 0,25 0,00 0,19
Torsão 6 0,405 2,468 0,00 0,24 0,00 0,25 0,01 0,19
Trans. Z 7 0,317 3,155 0,00 0,24 0,00 0,25 0,00 0,19
Trans. Z 8 0,313 3,195 0,00 0,24 0,00 0,25 0,00 0,19
Trans. Z 9 0,312 3,205 0,00 0,24 0,00 0,25 0,00 0,19
Trans. Z 10 0,295 3,390 0,00 0,24 0,00 0,25 0,00 0,19

Como se pode observar nas Tabelas 6.45 e 6.46, em ambos os modelos os três primeiros modos de
vibração caracterizam o comportamento de 90% da massa oscilante da estrutura, já que grande
parte desta se encontra nas caves.

De notar que devido aos grandes vãos que a estrutura apresenta, verifica-se que grande parte dos 10
primeiros modos correspondem a modos locais verticais das lajes. Isto poderia implicar uma nova
abordagem da estrutura, já que estes se iniciam a frequências baixas (por volta dos 3Hz), mas para
um edifício de escritórios não é necessariamente um problema, já que numa utilização corrente não
se atingem essas frequências.

Destaca-se, no modelo “com paredes”, o primeiro modo de vibração associado à torção, o que já era
esperado para uma estrutura torsionalmente flexível. De seguida os modos de translação em Y e em
X, que, devido à falta de simetria da estrutura, não correspondem a modos de translação pura. O
quarto modo volta a ser de torção e todos os seguintes correspondem a modos verticais das lajes.

O modelo “sem paredes” apresenta um comportamento bem definido de translação em Y, seguida


de translação em X e torção, mantendo esta ordem nos 4º, 5º e 6º modos. De notar que devido à
inexistência de paredes (elementos de grande rigidez) deslocalizadas do eixo de simetria, os modos
de translação correspondem a translação pura numa e outra direcção. Como seria de esperar, devido
à diminuição da rigidez lateral da estrutura, as frequências associados aos modos são mais baixas.

71
1º Modo de Vibração

2º Modo de Vibração

3º Modo de Vibração

Figura 6.71: Modos de vibração do modelo “com paredes”

72
1º Modo de Vibração

2º Modo de Vibração

Figura 6.72: Modos de vibração do modelo "sem paredes"

6.4 Espectro de cálculo

De uma forma generalizada os espectros de resposta utilizados no EC8 são definidos por um tramo
de aceleração constante (TB≤T≤TC), de velocidade constante (Tc≤T≤TD) e de deslocamento constante
(T≥TD). Estes são ainda dependentes do zonamento sísmico e do tipo de solo de fundação, valores
estes que são apresentados na Tabela 6.47. Apresenta-se de seguida (Figura 6.73) os espectros de
resposta obtidos para o caso particular do edifício em estudo.

73
Se(m/s2)
7

4 Sismo do Tipo 1

3 Sismo do tipo 2

0
T (s)
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3

Figura 6.73: Espectros de resposta elástica para os sismos do tipo 1 e 2

Como se pode observar nesta figura, o sismo do tipo 1 é condicionante para períodos de vibração
superiores a 0,35 segundos, aos quais correspondem os principais modos de vibração de ambos os
modelos. Para períodos inferiores a este valor é a acção sísmica do tipo 2 que passa a condicionante,
o que no caso em análise corresponde à afectação dos modos de vibração vertical das lajes.

Tabela 6.47: Parâmetros para a definição da acção sísmica

Sismo tipo 1 Sismo tipo 2


Zona sísmica 1,3 2,3
agR (m/s2) 1,5 1,7
ag 1,5 1,7
Solo C
Smáx 1,6 1,6
TB (s) 0,1 0,1
TC (s) 0,6 0,3
TD (s) 2,0 2,0
S 1,50 1,46

Devido aos grandes vãos que a estrutura apresenta, com modos verticais de frequências na ordem
dos 3 Hz, considerou-se importante o estudo da acção sísmica vertical. Esta é também definida pelo
espectro de resposta elástica Sve apresentado de seguida, bem como todos os parâmetros para a sua
completa definição. De notar que o valor de avg é obtido a partir do valor de ag definido
anteriormente de acordo com a Tabela 6.48.

Tabela 6.48: Parâmetros para a definição da acção sísmica vertical

Sismo tipo 1 Sismo tipo 2


avg/ag 0,9 0,45

74
Sismo tipo 1 Sismo tipo 2
2
ag (m/s ) 1,5 1,7
avg 1,35 0,77
TB (s) 0,05 0,05
TC (s) 0,15 0,15
TD (s) 1,0 1,0

Os espectros são então definidos a partir do espectro de resposta elástica genérico, semelhante ao
apresentado na Figura 6.69, apresentados de seguida.

Figura 6.74: Espectro de resposta vertical elástica genérica [adaptado de 11]

Sve (m2/s)
4,5
4
3,5
3
2,5 Sismo do Tipo 1
2 Sismo do tipo 2
1,5
1
0,5
0
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3

Figura 6.75: Espectros de resposta elástica vertical para os sismos do tipo 1 e 2

Como se pode verificar o sismo do tipo 1 é condicionante em todo o espectro, pelo que foi este o
considerado no estudo. Este efeito foi analisado separadamente das restantes acções, verificando
assim a necessidade da sua inclusão na combinação sísmica. Comparando os resultados obtidos, ao
nível das lajes verificou-se um aumento dos momentos negativos sobre os pilares, já ao nível dos
pilares verificou-se a existência de momentos flectores de ordem de grandeza inferior. Contudo
devido à modelação da estrutura e aos modos de vibração verticais das lajes a baixas frequências
optou-se por incluir este efeito no dimensionamento dos elementos.

75
6.5 Torção acidental e efeitos de 2ª ordem

Uma vez procedido ao cálculo da força basal, determinou-se o coeficiente sísmico, que traduz a
relação entre a força basal e o somatório das forças verticais à mesma cota:

𝐹𝑏 (6.33)
𝛽=
𝐹𝑣

nas duas direcções ortogonais para o sismo do tipo 1 e do tipo 2.

Tabela 6.49: Coeficientes sísmicos, para as diferentes acções sísmicas e direcções, para os dois modelos

Modelo "com paredes" Modelo "sem paredes"


Direcção x Direcção y Direcção x Direcção y
Fv (KN) 56762 53606
Fb (KN) 8958 8179 3137 3256
Sismo tipo 1
β 15,8% 14,4% 5,9% 6,1%
Fb (KN) 4814 4809 1591 1635
Sismo tipo 2
β 8,5% 8,5% 3,0% 3,1%

Analisando a Tabela 6.49 verifica-se que a acção sísmica do tipo 1 é condicionante face à acção
sísmica do tipo 2, como foi referido anteriormente. Já na comparação dos dois modelos observa-se
que as forças de corte basal nas duas direcções e para as diferentes acções sísmicas são muito
superiores no modelo “com paredes” face ao modelo “sem paredes”. De certa forma estes valores já
eram esperados já que o primeiro apresenta uma rigidez direccional muito superior devido à
existência de paredes resistentes.

Mesmo com uma grande gama de valores do coeficiente sísmico nos dois modelos observa-se que
estes se apresentam num intervalo de bom comportamento sísmico.

6.5.1 Torção acidental

Por forma a ter em conta vários factores de grande imprevisibilidade tais como a incerteza na
localização das massas aquando a actuação do sismo, a variação espacial do movimento sísmico e
assimetrias no comportamento não linear dos materiais, o EC8 (4.3.2) recomenda que o centro de
massa de cada piso deve ser deslocado, em cada direcção, de uma excentricidade acidental:

𝑒𝑎𝑖 = ±0,05. 𝐿𝑖 (6.34)

76
que é considerada através da aplicação de momentos torsores ao nível de cada piso, todos no
mesmo sentido (o mais desfavorável para a estrutura global) determinados da seguinte forma:

𝑀𝑎𝑖 = 𝑒𝑎𝑖 . 𝐹𝑖 (6.35)

𝑠𝑖 . 𝑚𝑖
𝐹𝑖 = 𝐹𝑏 × (6.36)
∑ 𝑠𝑗 . 𝑚𝑗

com:

𝐿𝑖 – dimensão em planta perpendicular à acção sísmica;

𝑀𝑎𝑖 - momento torsor aplicado no piso i;

𝐹𝑖 – força horizontal actuante no piso i;

𝐹𝑏 – força de corte basal;

𝑠𝑖 e 𝑠𝑗 – deslocamento das massas mi e mj no modo de vibração fundamental;

𝑚𝑖 e 𝑚𝑗 – massa do piso i.

Tabela 6.50: Cálculo dos momentos associados à torção acidental no modelo “com paredes”

Modelo “com paredes”


Piso Mi(ton) si,x(m) si,y(m) Fi,x(KN) Fi,y(KN) Mi,x(KNm) Mi,y(KNm) Mmáx (KNm)
Cob 971,1 0,0448 0,0602 2952,3 3305,5 2730,8 9106,7 9106,7
3 1506,9 0,0346 0,0447 3540,9 3807,1 3275,4 10488,5 10488,5
2 1506,9 0,0235 0,0288 2406,0 2453,7 2225,5 6759,9 6759,9
1 1506,9 0,0114 0,0114 1167,7 973,3 1080,1 2681,4 2681,4
0 1506,9 0,0015 0,0035 154,4 294,0 142,8 810,1 810,1

Tabela 6.51: Cálculo dos momentos associados à torção acidental no modelo “sem paredes”

Modelo “sem paredes”


Piso Mi(ton) si,x(m) si,y(m) Fi,x(KN) Fi,y(KN) Mi,x(KNm) Mi,y(KNm) Mmáx (KNm)
Cob 971,1 0,3813 0,3853 833,0 940,9 770,6 2592,2 2592,2
3 1506,9 0,3061 0,3135 1037,7 1187,6 959,8 3271,9 3271,9
2 1506,9 0,1808 0,1888 612,7 715,2 566,8 1970,5 1970,5
1 1506,9 0,0857 0,0935 612,7 354,1 566,8 975,4 975,4
0 1506,9 0,0044 0,0071 15,0 27,1 13,9 74,5 74,5

Uma vez que em cada piso se podem considerar duas excentricidades acidentais aplicaram-se nos
modelos os momentos Mmáx, que correspondem aos momentos mais condicionantes em cada piso.

77
6.5.2 Efeitos de 2ª ordem

De acordo com o EC8 (4.4.2.2) os efeitos de 2ª ordem devem ser considerados caso a seguinte
condição não seja satisfeita para todos os pisos:

𝑃𝑡𝑜𝑡 × 𝑑𝑟 (6.37)
θ𝑖 = ≤ 0,1
𝑉𝑡𝑜𝑡 × ℎ

onde:

θ – coeficiente de sensibilidade ao deslocamento entre pisos;

Ptot – carga gravítica total do piso considerado e pisos superiores;

dr –deslocamento relativo entre pisos;

Vtot – esforço transverso total do piso;

h – altura entre pisos.

Caso seja necessário considerar estes efeitos, se o valor de θ estiver compreendido entre 0,1 e 0,2,
estes podem ser contabilizados, de forma aproximada, amplificando os efeitos da acção sísmica por
1
1−𝜃
. Este cálculo já deve ter em conta os efeitos de torção acidental, e por isso para a determinação

dos deslocamentos relativos foi aplicada a combinação sísmica condicionante (sismo do tipo 1) e os
momentos calculados anteriormente.

Tabela 6.52: Deslocamentos nas duas direcções ortogonais nos dois modelos

Modelo "com paredes" Modelo "sem paredes"


Piso dex dey dsx dsy dex dey dsx dsy
Cob 0,050 0,075 0,101 0,150 0,042 0,045 0,162 0,174
3 0,040 0,055 0,080 0,110 0,035 0,035 0,137 0,137
2 0,027 0,035 0,053 0,070 0,024 0,024 0,092 0,092
1 0,014 0,017 0,027 0,035 0,012 0,012 0,047 0,047
0 0,002 0,004 0,004 0,008 0,001 0,001 0,003 0,004

O SAP2000 não procede à correcção do coeficiente de comportamento para a análise dos


deslocamentos, por isso todos os deslocamentos retirados do programa são corrigidos multiplicando-
os pelo respectivo coeficiente de comportamento.

78
Tabela 6.53: Análise da sensibilidade ao deslocamento relativo entre pisos no modelo “com paredes”

Modelo "com paredes"


Piso Ptot h Vtot,x dr,x θx Vtot,y dr,y θy
Cob 18353 4,4 4682 0,021 0,018 5303 0,040 0,031
3 38859 4,4 7830 0,027 0,030 7957 0,040 0,045
2 61644 4,4 10129 0,026 0,036 9806 0,036 0,051
1 86591 4,4 11620 0,024 0,040 11927 0,027 0,044

Tabela 6.54: Análise da sensibilidade ao deslocamento relativo entre pisos no modelo “sem paredes”

Modelo "sem paredes"


Piso Ptot h Vtot,x dr,x θx Vtot,y dr,y θy
Cob 12989 4,4 1402 0,025 0,053 1467 0,037 0,075
3 30057 4,4 2081 0,044 0,145 2129 0,044 0,143
2 44229 4,4 2631 0,045 0,173 2750 0,046 0,167
1 60304 4,4 3137 0,044 0,193 3257 0,043 0,179

Como seria de esperar o modelo “com paredes”, com maior rigidez lateral, tem deslocamentos
relativos entre pisos menores e tem um nível de esforço transverso em cada piso superior, pelo que
não é necessário a verificação dos efeitos de 2ªordem.

Já o modelo “sem paredes” tem deslocamentos relativos entre pisos muito superiores (função no
numerador) e um nível de esforço transverso por piso inferior (função no denominador) pelo que se
obteve valores do coeficiente de sensibilidade ao drift superiores a 0,1 mas ainda assim inferiores a
0,2. Neste caso é necessário ter em conta os efeitos de 2ª ordem mas de forma simplificada,
amplificando a acção sísmica por um factor de 1,24 nas duas direcções.

Como se pode verificar ao nível da cobertura os deslocamentos relativos no modelo “com paredes”
são superiores ao modelo “sem paredes” devido ao comportamento de parede associado a um
aumento dos deslocamentos relativos em altura (Figura 6.76).

Figura 6.76: Deformada de estrutura do tipo Parede e do tipo Pórtico

79
6.6 Estado Limite de Serviço - Limitação de Danos

Relativamente ao EC8 também é necessário efectuar uma análise aos Estados Limites de Serviço
(ELS) para assegurar a limitação de danos para o sismo de serviço. Para isso há que garantir que o
deslocamento entre pisos se encontra dentro de limites estabelecidos, assegurando assim a
integridade dos elementos estruturais e não-estruturais. Devido à existência da fachada de vidro em
toda a periferia do edifício o limite, do deslocamento entre pisos é [6]:

𝑑𝑟 𝜈 ≤ 0,005ℎ (6.38)

ν – Coeficiente de redução que tem em conta o baixo período de retorno da acção sísmica (0,4 para a
acção sísmica do tipo 1, um vez que é condicionante)

Tabela 6.55: Verificação da limitação de danos nos 2 modelos

Modelo "com paredes" Modelo "sem paredes"


dr,x dr,x . ν dr,y dr,y . ν dr,x dr,x . ν dr,y dr,y . ν
Cob 0,023 0,009 0,027 0,010 0,002 0,000 0,006 0,002
Cob 0,021 0,008 0,040 0,015 0,031 0,012 0,046 0,018
3 0,027 0,010 0,040 0,016 0,055 0,021 0,055 0,022
2 0,026 0,010 0,036 0,014 0,056 0,022 0,057 0,022
1 0,024 0,009 0,027 0,010 0,054 0,021 0,053 0,021

Como seria de esperar o modelo “com paredes” satisfaz o requisito de limitação de danos, em que o
0,005h correspondente ao valor máximo é de 0,0195m.

O modelo “sem paredes”, apresentando uma rigidez lateral muito inferior, não possibilita ter
deslocamentos relativos entre pisos tão baixos. Desta forma, mesmo optando por secções com
diâmetro superior e constante em toda a altura, verifica-se que os deslocamentos relativos são
superiores ao modelo “com paredes”. Uma vez que a modelação foi feita com elementos verticais
com 4,5 metros de comprimento em vez dos reais 3,9 metros optou-se por utilizar este valor para a
altura entre pisos, obtendo um valor limite de 0,005h=0,022m. Com este limite observa-se que o
modelo “sem paredes” verifica no limite a limitação de danos. Não sendo este um procedimento
conservativo optou-se por não continuar o estudo aprofundado deste modelo.

80
H (m) Deslocamentos Relativos
22

17,6

13,2

8,8

4,4

0
0,000 0,010 0,020 0,030 0,040 0,050 0,060 dr (m)

H (m) Deslocamentos totais


22

17,6

13,2

8,8

4,4

0
0 0,05 0,1 0,15 0,2
ds (m)
Figura 6.77: Deslocamentos relativos e totais ao longo da altura dos dois modelos

De notar que a concepção da estrutura sem paredes resistentes levaria a vários problemas
estruturais e de construção. Em primeiro lugar conduziria à existência de um pilar curto na ligação
com a laje de escadas a meia altura de um dos pilares. Uma vez que se optou por não incorporar
directamente as escadas no modelo tridimensional, a pormenorização da armadura neste elemento
teria de ser muito cuidada, porque a laje de escada forma um elemento triangular extremamente
rígido restringindo o deslocamento do pilar a meia altura. Visto a acção sísmica impor um
deslocamento entre pisos à estrutura, esse deslocamento, neste caso particular, seria absorvido pela
deformação de apenas metade da altura do pilar, subavaliando severamente os esforços do pilar,
podendo conduzir à rotura precoce deste elemento [16].

Figura 6.78: Diferente comportamento dos pilares para uma deformação imposta

81
Existe ainda a questão da análise sísmica de edifícios com laje maciça, na qual se denotou a ausência
de directrizes específicas no EC8. O comportamento desta solução está associado a uma grande
deformabilidade devido à ausência de paredes estruturais e com potenciais problemas locais na
ligação laje-pilar. Pode-se ainda apontar os problemas na fixação dos elevadores e todos os
respectivos componentes e a perda de elementos resistentes corta-fogo.

De notar que foi definido anteriormente como limite máximo do diâmetro dos pilares primários da
estrutura de 0,9 metros já que, para diâmetros superiores, o custo total dos materiais é superior. Por
forma a comparar a parcela de custo dos pilares dos dois modelos procedeu-se ao dimensionamento
dos mesmos, segundo as directivas de dimensionamento ao ELU apresentadas posteriormente.

o o o o
Tabela 6.56: Taxas de armaduras dos pilares AB (1 e 2 pisos) e CD (3 e 4 pisos) do modelo “com paredes” (superior) e
“sem paredes” (inferior)

Vs,long Vs,trans Vs,cintagem V betão Taxa armadura


/10cm 3 3 3 3 ρ 3
(cm ) (cm ) (cm ) (cm ) (Kg/m )
Pilares AB 1395 191 109 55050 0,031 247
Pilares CD 954 97 63 32069 0,035 278

Vs,long Vs,trans Vs,cintagem V betão Taxa armadura


/10cm 3 3 3 3 ρ 3
(cm ) (cm ) (cm ) (cm ) (Kg/m )
Pilares AB 748 153 231 62485 0,018 146
Pilares CD 639 106 231 62641 0,016 126

Tabela 6.57: Estimativa de custo de materiais para os 2 modelos

Modelo “com paredes” Modelo “sem paredes”


Volume betão Quant. Armadura Volume betão Quant. Armadura
3 3
(m ) (kg) (m ) (kg)
Pilares AB 40 9825 45 6520
Pilares CD 23 6482 45 5627
Quant. Total 63 16307 89 12147
Preço (€) 5682 14676 8039 10933
Preço total (€) 20358 18971

Como se pode observar na Tabela 6.57, apesar do modelo “sem paredes” ter um coeficiente de
comportamento de aproximadamente o dobro do modelo “com paredes”, a diferença de custos dos
materiais é muito pequena, não tendo em conta ainda a mão-de-obra que será necessariamente
superior para o modelo “sem paredes”, uma vez que é necessária uma quantidade muito superior de
armadura de cintagem, que envolve grande trabalho de dobragem e colocação.

82
7 Dimensionamento

7.1 Estado Limite de Serviço

Previamente foi considerado o estado limite de deformação para o cálculo do pré-esforço nas lajes
da estrutura, e este deve ser complementado com a verificação ao estado limite de fendilhação
destes mesmos elementos.

A fendilhação ocorre quando é ultrapassada a resistência à tração do betão fctm. No caso das bandas
pré-esforçadas, uma vez que verificam a descompressão para a combinação quase-permanente de
acções, não ocorre fendilhação. Quanto à zona nervurada verificou-se totalmente o estado não
fissurado à excepção da zona mais condicionante da laje de estacionamento exterior. Neste caso
procedeu-se ao cálculo da abertura de fendas, obtendo-se um valor de wk,máx muito inferior ao limite
estabelecido pelo EC2 de 0,3mm para elementos da classe de exposição XC2 a XC4, como é o caso
desta laje que comunica directamente com o exterior (wk,máx obtido é ligeiramente inferior a 0,1mm).

Também foi considerado o estado em vazio que corresponde ao instante após a aplicação do pré-
esforço em que as únicas acções actuantes na estrutura são o peso-próprio e o pré-esforço (ELS4), e
verificou-se a abertura de fendas na parte superior das bandas a meio vão e na zona nervurada pré-
esforçada. Neste caso também é verificado a não fendilhação dos elementos.

Como é referido posteriormente, uma vez que as paredes de contenção são feitas utilizando o
método dos muros de Munique, estas podem ser realizadas meses antes da execução das lajes das
caves a que ligam, pelo que grande parte da retracção da parede de contenção já ocorreu aquando o
começo da retracção da laje. Isto provoca esforços de tração na laje que originam fendilhação que
atravessa todo o elemento [17], pelo que adoptou-se um reforço da armadura nestes locais na face
superior e inferior da laje por forma a restringir a fendilhação. Os esforços que surgem devido a este
efeito foram calculados através de um diferencial de temperatura entre a laje o muro de -25oC.

Já quanto às acções térmicas não foi necessário qualquer especificação de armadura uma vez que as
trações que surgem ao nível das lajes são inferiores ao valor médio da resistência do betão à tração.

83
7.2 Estado Limite Último

Uma vez eleito o modelo estrutural óptimo, procede-se ao respectivo dimensionamento de todos os
elementos constituintes previamente pré-dimensionados, garantindo a verificação da segurança.

7.2.1 Disposições Gerais

Uma vez que se trata do dimensionamento de elementos de grande dimensão foi necessário calcular
os comprimentos de emendas além dos comprimentos de amarração necessários.

𝜑 𝜎𝑠𝑑
𝑙𝑏𝑑 = × (7.39)
4 𝑓𝑏𝑑

com:

𝑓𝑏𝑑 = 2,25𝜂1 𝜂2 𝑓𝑐𝑡𝑑 (7.40)

σsd – valor de cálculo da tensão no varão;

𝜂1 𝑒 𝜂2 – parâmetros que relacionam a aderência (1,0 para varões nervurados e 0,7 para
varões lisos) e o diâmetro do varão (1,0 para φ≤32), respectivamente.

Para o comprimento de emenda l0 deve ser utilizada a seguinte expressão:

Figura 7.79: Comprimento de emenda [14]

Tabela 7.58: Comprimentos de amarração e de emenda

φ8 φ10 φ12 φ16 φ20 φ25 φ32


lbd (m) 0,20 0,23 0,28 0,38 0,47 0,59 0,75
l0 (m) 0,2 0,2 0,2 0,24 0,3 0,375 0,48

No caso da amarração da armadura de cintagem e esforço transverso dos elementos verticais esta
deve ser feita através de um gancho com um angulo de 135º e um comprimento de 10φ.

Por forma a evitar uma grande concentração de armaduras, e consequentemente uma betonagem
deficiente, o EC2 estabelece uma distância livre entre armaduras de 30mm.

84
7.2.2 Vigas

Segundo o EC2 as vigas devem possuir uma quantidade de armadura longitudinal mínima e máxima,
calculada da seguinte forma:

𝑓𝑐𝑡𝑚
𝐴𝑠,𝑚𝑖𝑛 ≡ 0,26 𝑏𝑑 < 𝐴𝑠 < 0,04𝐴𝑐 ≡ 𝐴𝑠,𝑚á𝑥 (7.41)
𝑓𝑦𝑘
Quanto ao dimensionamento das armadura transversais, procedeu-se ao cálculo pelo capacity design
por forma a garantir a rotura por flexão na viga (rotura dúctil), utilizando ainda um coeficiente de
sobre resistência de γrd=1,1 (estrutura de ductilidade média).

𝐴𝑠𝑤 𝑉𝑠𝑑
≥ (7.42)
𝑠 𝑧. 𝑐𝑜𝑡𝑔𝜃. 𝑓𝑦𝑑
em que Vsd é o esforço transverso necessário para atingir a rotura por flexão majorado de 1,1.

O espaçamento máximo entre a armadura transversal é de:

𝑆𝑚𝑎𝑥 = 0,75𝑑(1 + 𝑐𝑜𝑡𝑔𝛼) ≤ 600𝑚𝑚 (7.43)

Tem-se ainda de verificar o esmagamento das bielas comprimidas:

𝑓𝑐𝑑 (7.44)
𝑉𝑅𝑑,𝑚á𝑥 = 𝛼𝑐𝑤 𝑏𝑤 𝑧 𝜈
𝑐𝑜𝑡𝑔𝜃 + 𝑡𝑔𝜃

𝑓𝑐𝑘 (7.45)
𝜈 = 0.6 [1 − ]
250

em que 𝛼𝑐𝑤 corresponde ao coeficiente que tem em conta a tensão de compressão no elemento
(conservativamente optou-se por utilizar 1,0).

Todos os restantes princípios preconizados no EC2 e EC8, nomeadamente espaçamentos entre


armaduras de esforço transverso, espaçamento na zona crítica e diâmetro de varões foram tidos em
conta aquando o dimensionamento destes elementos.

7.2.3 Lajes

Quanto às lajes, a armadura superior e inferior de flexão é calculada tendo em conta os momentos
retirados do modelo tridimensional para a combinação condicionante, que corresponde à
combinação ELU1. O valor do momento é uniformizado numa distância razoável e é calculado a
tensão de tração no elemento e a armadura necessária:

85
𝑀 𝐶
𝑇= − (7.46)
𝑧 2
𝐴𝑠,𝑒𝑞 = 𝑇⁄𝑓 (7.47)
𝑦𝑑
em que C e T são, respectivamente, a compressão no elemento e a tração condicionante.

Por forma a ter em conta a variação de tensão no aço de pré-esforço, a armadura ordinária
necessária é calculada da seguinte forma:

𝐴𝑠,𝑒𝑞 𝑓𝑠𝑦𝑑 − 𝐴𝑝 𝛥𝑓𝑦𝑝𝑑


𝐴𝑠,𝑛𝑒𝑐 = (7.48)
𝑓𝑠𝑦𝑑

em que:
𝑃
𝛥𝑓𝑦𝑝𝑑 = 𝑓𝑝𝑦𝑘 − 𝐴∞ (apenas para os cabos com pré-esforço aderente). (7.49)
𝑝
Caso, a partir do cálculo, se verifique que não é necessária armadura ordinária, adopta-se a
armadura mínima. Já para o caso da armadura nas nervuras o valor da armadura necessária é
dividido pela distância entre nervuras, que corresponde a 0,8m.

Apresenta-se, na Figura 7.80, um pormenor da armadura tipo da laje nervurada. Esta será a
armadura a adoptar caso não seja especificamente representada nas peças desenhadas em anexo.
De referir que quando são adoptados mais de 2 varões por nervura, estes devem ser colocados em
segunda camada por forma a garantir uma boa betonagem deste elemento, tendo já procedido no
cálculo à alteração do braço da armadura.

Figura 7.80: Pormenorização da armadura tipo na laje nervurada

Como foi referido anteriormente, a ausência de vigas numa laje pode provocar problemas de
punçoamento sobre os pilares. Este fenómeno está associado à actuação de cargas elevadas sobre
uma área muito pequena da laje, que pode provocar um tipo de rotura, conforme a representada na
Figura 7.81. Este mecanismo de rotura é frágil, uma vez que é essencialmente condicionado pela
rotura do betão e, como tal, pode gerar o colapso progressivo da estrutura, já que transfere e
consequentemente aumenta as cargas nos pilares adjacentes.

86
Figura 7.81: Mecanismo de rotura por punçoamento [10]

O punçoamento está também associado à transmissão de momentos flectores à laje que são
resistidos por esforços de corte, designado de punçoamento excêntrico, que aumenta
substancialmente o esforço de corte a que a laje está sujeita (Figura 7.82). Desta forma com a
actuação de momentos flectores nas duas direcções Mx e My e o esforço normal VEd, o esforço de
corte pode ser calculado como a soma total destas acções:

Figura 7.82: Tensões de corte na laje devido a VEd, Mx e My

A tensão de corte actuante foi então calculada através da decomposição dos momentos Mx e My em
binários de forças posteriormente somados à parcela do VEd, tendo sempre em conta a geometria do
piso, nomeadamente o caso dos pilares junto aos cantos.

O cálculo da resistência ao punçoamento sem armadura específica é feito segundo:


1⁄ (7.50)
𝑉𝑅𝑑,𝑐 = [𝐶𝑅𝑑,𝑐 𝑘(100 × 𝜌𝑙 × 𝑓𝑐𝑘 ) 3 + 𝑘1 𝜎𝑐𝑝 ]
em que:

𝐶𝑅𝑑,𝑐 – 0,18/γc

k = 1 + √200/𝑑 ≤ 2,0 , com d em mm

ρl – percentagem de armadura de tração

k1 – 0,15

𝜎𝑐𝑝 – tensão de compressão axial na secção

87
Uma vez que o processo construtivo das lajes nervuradas já é bastante complexo e a laje já ter uma
espessura de 50cm, quando a resistência ao punçoamento não é verificada optou-se não por adoptar
capiteis mas sim armaduras de punçoamento, por forma a não alterar a geometria da estrutura.

O cálculo é feito da seguinte forma:

1 (7.51)
𝑉𝑅𝑑,𝑐𝑠 = 0,75𝑉𝑅𝑑,𝑐 + 𝐴𝑠𝑝 𝑓𝑦𝑤𝑑,𝑒𝑓 ( )
𝑢1 𝑑
com:

fywd,ef = 250+0,25d (mm) ≤ fywd (7.52)

É conveniente adoptar uma armadura inferior sobre o pilar, que suspende a laje em caso de rotura
por punçoamento num dos pilares, denominada de armadura de colapso progressivo calculada
segundo (7.54),para a combinação quase permanente de acções.

𝑁𝑆𝑑
𝐴𝑠,𝑠𝑢𝑠𝑝 =
𝑓𝑦𝑑 (7.53)

Figura 7.83: Armadura de colapso progressivo (adaptado de [10])

A pormenorização desta armadura depende da geometria do mecanismo de rotura por


punçoamento, que será diferente para cada pilar dependendo se este se encontra no canto, junto ao
bordo ou no interior da laje. O cálculo e pormenorização desta armadura encontra-se em anexo.

Figura 7.84: Geometria do mecanismo de rotura por punçoamento de diferentes pilares e detalhe da armadura

88
7.2.4 Pilares

7.2.4.1 Pilares Primários

O cálculo da armadura longitudinal é feito com recurso às tabelas de flexão composta [11]. A
armadura longitudinal mínima é de 0,01Ac e a máxima de 0,04Ac. A armadura de esforço transverso é
calculada da mesma forma que as vigas, de acordo com o capacity design, onde:

𝑀𝑅𝑑
𝑧 = 0,9 × (0,8𝐷) 𝑒 𝑉𝑠𝑑 =
× 1,1 (7.54) e (7.55)
𝐿⁄
2
A pormenorização das armaduras transversais deve ainda respeitar as normas do EC8 consoante se
trate de pilares primários ou secundários, especificadas de seguida.

A zona crítica do pilar deve ter um comprimento mínimo de:

𝑙𝑐𝑟 = 𝑚á𝑥{ℎ𝑐; 𝑙𝑐𝑙 ⁄6 ; 0,45𝑚} (7.56)


𝑙𝑐𝑙 (7.57)
𝑙𝑐𝑟 = 𝑙𝑐𝑙 𝑠𝑒 <3
ℎ𝑐

Figura 7.85: Localização das zonas críticas dos pilares [6]

em que o espaçamento máximo das cintas é de:

𝑍𝑜𝑛𝑎 𝑐𝑟í𝑡𝑖𝑐𝑎: 𝑠 = min{8𝜙𝐿,𝑚𝑖𝑛 ; 𝑏0 ⁄2 ; 175𝑚𝑚} (7.58)

𝑧𝑜𝑛𝑎 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒: 𝑠 = 𝑚𝑖𝑛{15𝜙𝐿,𝑚𝑖𝑛 ; 𝑏𝑐 ; 300𝑚𝑚} (7.59)

Estes elementos devem ainda verificar a condição de cintagem mínima preconizada no EC8:

𝛼𝑤𝑤𝑑 ≥ 30𝜇𝜙 𝜈𝑑 𝜀𝑠𝑦𝑑 𝑏𝑐 ⁄𝑏0 − 0,035 (7.60)


∀𝐴𝑠,𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑓𝑦𝑑
𝑤𝑤𝑑 = × ≥ 0,08 (7.61)
∀𝑏,𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑓𝑐𝑑
.

onde:

α – coeficiente de eficiência de confinamento, calculado segundo o EC8;

89
bc e b0 – respectivamente a largura do pilar e largura do núcleo de betão confinado;

wwd – taxa mecânica volumétrica da armadura de confinamento.

7.2.4.2 Pilares Secundários

Estes elementos são calculados pelo EC2, aos quais corresponde uma quantidade de armadura
longitudinal mínima e máxima de, respectivamente, 0,002Ac e 0,04Ac. Uma vez que estes elementos
se encontram nas caves estão sujeitos a momentos muito baixos pelo que se adoptou uma armadura
que satisfizesse a armadura mínima e a distância entre varões longitudinais preconizada no EC2.

Quanto à armadura de esforço transverso, foi apenas necessário garantir a ductilidade e


confinamento destes elementos.

𝑙𝑐𝑟 = 𝑚𝑖𝑛{ℎ𝑐; 4𝑏𝑐 } (7.62)

𝑍𝑜𝑛𝑎 𝑐𝑟í𝑡𝑖𝑐𝑎: 𝑠 = 0,6min{15𝜙𝐿,𝑚𝑖𝑛 ; 𝑏𝑐 ; 300𝑚𝑚} (7.63)

𝑧𝑜𝑛𝑎 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒: 𝑠 = 𝑚𝑖𝑛{15𝜙𝐿,𝑚𝑖𝑛 ; 𝑏𝑐 ; 300𝑚𝑚} (7.64)

Para toda a altura e tipologia de pilares o diâmetro mínimo das cintas ≥ 𝑚á𝑥{6𝑚𝑚; 𝜙𝐿,𝑚𝑎𝑥 ⁄4}.

7.2.4.3 Observações

Numa primeira fase optou-se por utilizar uma armadura longitudinal constante para os dois
primeiros pisos elevados e outra para os restantes dois pisos. Posteriormente, após o
dimensionamento destes elementos, verificou-se que no 2º piso a quantidade de armadura
longitudinal necessária era substancialmente inferior à do 1º piso, tendo-se optado por dispensar
alguns varões a esta cota (4.4m). Desta forma obtém-se não só uma solução mais económica mas
também se simplifica o processo construtivo, já que possibilita a dispensa de varões no interior do
pilar, evitando a dobragem da totalidade dos varões para o interior da laje à cota de 8.8m (Figura
7.86). Na pormenorização da armadura longitudinal tentou-se sempre evitar a dobragem dos varões,
uma vez que foram utilizados varões φ25 com um grande diâmetro de dobragem, e as dispensas de
armadura são efectuadas no limite ou posteriormente à zona crítica do pilar.
Como pode ser observado no anexo A4, a resistência das bielas comprimidas VRd,c com um θ=30o é,
em cada piso, superior ao dobro do esforço transverso necessário para atingir a rotura por flexão
majorado VSd. Deste modo adoptou-se θ=30o para a zona crítica e zona corrente, que estabelece a
adopção da mesma armadura nestas duas zonas. De referir que a condição de cintagem mínima foi
verificada na zona crítica de todos os elementos, impondo:
𝑤𝑤𝑑 ≥ 𝑤𝑤𝑑,𝑟𝑒𝑞 = 𝑚á𝑥{𝑤𝑤𝑑 ; 0,08} (7.65)

90
Figura 7.86: Pormenor da passagem entre pilares e correspondente amarração dos varões longitudinais

7.2.5 Paredes

Figura 7.87: Identificação das paredes nos pisos elevados (à esquerda) e nos pisos enterrados (à direita)

As paredes resistentes, enquanto elementos que resistem significativamente à acção sísmica, devem
verificar a condição do esforço axial reduzido inferior a 0,4 e devem ter uma quantidade de armadura
longitudinal dentro dos limites dos pilares primários. Estes elementos foram dimensionados segundo
as indicações do EC8, apresentados na Figura 7.88.

91
Figura 7.88: Diagramas de cálculo de momentos flectores e esforço transverso das paredes [adaptado de 10]

O esforço transverso vindo da análise sísmica para a combinação condicionante foi majorado de 1,5 e
é feita uma translação do diagrama de momentos de al=z cotgθ. Como simplificação adoptou-se
z=0,9d com d=0,9lw.

Figura 7.89: Modelo para dimensionamento das armaduras longitudinais das paredes

A análise foi feita considerando o momento flector como um binário de forças somado da parcela de
compressão a que este elemento está sujeito, para a combinação condicionante. Deste modo
calcula-se a força de tração máxima Fs e a respectiva armadura, sendo que esta é igual para os dois
pilares fictícios, uma vez que a acção sísmica provoca a alternância dos esforços.

𝑀 𝑁 𝑀 𝑁
𝐹𝑠 = − 𝑒 𝐹𝑐 = + (7.66) e (7.67)
𝑧 2 𝑧 2
Por forma a verificar estes valores também se procedeu ao cálculo da armadura pelas tabelas da
flexão composta de secções rectangulares, tendo-se obtido exactamente a mesma quantidade de
armadura pelos dois métodos. Para a disposição desta armadura optou-se por utilizar espaçamentos
de 10cm por forma a não ter de amarrar todos os varões mas sim em alternância, calculando assim o
número de varões necessários e os respectivos diâmetros por forma a perfazer o total da armadura
necessária.

Estes elementos devem também verificar todas as exigências de confinamento e ductilidade em


curvatura preconizados para os pilares. O espaçamento vertical máximo da armadura transversal é o
mesmo da zona crítica dos pilares primários. De notar que esta medida poderá ser ligeiramente
ultrapassada por simplicidade construtiva, como é o exemplo de passar a distância de 9,5cm para
10cm.

O comprimento dos pilares fictícios lc é calculado para cada parede resistente de acordo com as
normas do EC8 (5.4.3.4.2) e este valor não poderá ser inferior a (7.69):

92
𝑙𝑐 ≥ 𝑚𝑎𝑥{0,15𝑙𝑤 ; 1,5𝑏𝑤 } (7.68)

Devido às grandes dimensões em planta destes elementos, optou-se por considerar como zona
crítica todo o comprimento na vertical e, uma vez que os esforços diminuem consideravelmente em
altura, optou-se por fazer a dispensa de armadura não à cota 8.8m como os pilares mas à cota
13.2m. Desta forma a quantidade de armadura longitudinal e transversal necessária é muito inferior
e não surgem problemas de grandes alterações de esforços devido à redução da secção de todos os
pilares à mesma cota.

7.2.5.1 Observações

Durante a modelação da estrutura observou-se que grande parte dos esforços eram absorvidos pelas
paredes, resultando em quantidades de armadura exageradas. Para melhorar o seu funcionamento
reduziu-se a sua rigidez de 20% do seu valor elástico. A única excepção foi a parede PR5, a única
paredes na direcção longitudinal do piso, em que a redução da rigidez foi um processo iterativo por
forma a que esta verificasse a resistência ao esmagamento das bielas comprimidas sem aumentar a
sua espessura. Nesta caso considerou-se um diminuição de 60% do seu valor elástico.

De seguida apresentam-se os diagramas de esforços de cálculo utilizados no dimensionamento


destes elementos:

25
h (m)

20
Momento Actuante
15 Envolvente
10 Envolvente de Cálculo
5
0
-5 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500
M (KNm)
-10
-15
-20

25
h (m)

20 Transverso Actuante
15 Transverso Amplificado
10 Envolvente de Cálculo
5
0
-5 0 200 400 600 800 1000 1200 1400
V (KN)
-10
-15
-20
Figura 7.90: Diagramas de cálculo (EC8) para as paredes PR1 e PR2

93
h (m) 25
20
Momento Actuante
15
Envolvente
10
Envolvente de Cálculo
5
0
-5 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000
M (KNm)
-10
-15
-20

25
h (m)

20 Transverso Actuante
15 Transverso Amplificado
10 Envolvente de Cálculo
5
0
-5 0 2000 4000 6000 8000
V (KN)
-10
-15
-20
Figura 7.91: Diagramas de cálculo (EC8) para as paredes PR3 e PR4

25
h (m)

20 Momento Actuante
15 Envolvente
10 Envolvente de Cálculo
5
0
-5 0 5000 10000 15000 20000
M (KNm)
-10
-15
-20

25
h (m)

20 Transverso Actuante
15 Transverso Amplificado
10 Envolvente de Cálculo
5
0
-5 0 2000 4000 6000 8000
V (KN)
-10
-15
-20
Figura 7.92: Diagramas de cálculo (EC8) para a parede PR5

94
7.2.6 Fundações

Para o caso das sapatas, tratando-se de elementos com grandes dimensões, assume-se o
comportamento rígido, uniformizando a tensão face ao terreno de fundação. Visto aquando o
dimensionamento destes elementos se ter considerado as consolas nas duas direcções de
comprimento aproximado, a quantidade de armadura necessária nas duas direcções será
aproximadamente a mesma e é calculada da seguinte forma:

Figura 7.93: Cálculo da armadura das sapatas [18]

𝑁 (𝐴 − 𝑎)
𝐹𝑡 = (7.69)
8𝑑

𝐴𝑠 𝐹𝑡 𝑁(𝐴 − 𝑎) (7.70)
= =
𝑠 𝐵. 𝑓𝑠𝑦𝑑 8𝑑. 𝐵. 𝑓𝑠𝑦𝑑

De notar que não se deve utilizar varões de diâmetro inferior a 12mm. Na face superior é colocada
uma malha de armadura de pele para controlar a possível fendilhação devido à retracção do betão.

7.2.7 Muro de Contenção

Para estes elementos adoptou-se uma armadura vertical constante de φ12//0,10 nos dois pisos
inferiores dispensando para φ12//0,20 nos restantes dois pisos. Como armadura horizontal, o EC2
9.3.1.1 (2) especifica que esta não deverá ser inferior a 20% da armadura vertical, por isso, adoptou-
se φ8//0,20 a toda a altura. Na base é complementada com φ16//0,10 na vertical por forma a resistir
ao binário da reacção R1 (MR1), armadura esta que constitui a caixa da sapata.

Tabela 7.59: Cálculo do esforço transverso resistente às diversas cotas

h (m) -13,65 -10,8 -7,7 -4,3


VSd (KN/m) 179,9 147,1 108,9 72
VRd,c s/comp (KN/m) 127,5 127,5 92,1 92,1
VRd,c c/comp (KN/m) 186,3 171,6 119,4 105,6
h (m) 0,3 0,3 0,3 0,3
ρ 0,0045 0,0045 0,0028 0,0028
2
As (cm /m) 11,3 11,3 5,65 5,65
σcp (Mpa) 1,57 1,18 0,77 0,39
Ned (N) 469875 352875 235875 116625

95
7.3 Verificação da resistência ao fogo

Como foi referido anteriormente a principal desvantagem das lajes nervuradas é a resistência ao
fogo, e por isso foi considerado o elemento condicionante face a esta acção.

As lajes e paredes foram consideradas elementos com função de suporte, compartimentação e são
exigidos a estabilidade, estanqueidade e isolamento térmico (REI). Já os pilares e vigas de contorno
foram classificados como elementos de suporte onde é apenas exigida a estabilidade (R). Tendo em
conta que o edifício em estudo se destina a escritórios (III - administrativo) e a sua altura ser inferior
a 28m (2ªcategoria), estes elementos devem garantir a resistência ao fogo durante 60 minutos.

Figura 7.94: Acção do fogo

Segundo as directivas do EC2 parte 1.2, os pilares devem ter no mínimo 8 varões, e uma dimensão
mínima de 300mm e respectivo recobrimento de 30mm, exigências estas que são totalmente
verificadas. As paredes para garantirem a resistência ao fogo necessária, presumindo uma situação
condicionante de estar exposta nos dois lados, têm de deter uma espessura mínima de 120mm e
recobrimento de 10mm, sendo que estes elementos também verificam os requisitos mínimos de
paredes corta-fogo. Já quanto aos elementos que se presumiam condicionantes, as lajes nervuradas,
é exigido uma largura mínima da nervura de 120mm e uma distancia do eixo da armadura à face de
25mm, bem como uma espessura do banzo da laje mínima de 80mm e 10mm de recobrimento.
Todas estas exigências são verificadas pelo que não deverá ser necessário a adopção de qualquer
outra técnica de resistência ao fogo.

96
8 Planeamento Construtivo, Mapa de Medições e Orçamentação

De seguida apresenta-se um breve planeamento construtivo da estrutura (corte alinhamento X3). A


cinza claro encontram-se os elementos com um betão mais fraco C25/30 e a cinza escuro os
elementos com betão C35/45.

1-Construção do muro de contenção (Munique) por


piso e respectiva escavação até à mesma cota;

5-Betonagem das restantes lajes das caves,


2-Finalização de construção do muro de contenção até
aplicação do pré-esforço e desactivação das
à cota final;
restantes micro-estacas;

3-Betonagem da sapata corrida do muro de contenção


e sapatas dos pilares;

4-Betonagem dos pilares e posterior betonagem da


6- Construção das lajes dos pisos superiores e
laje, desactivando as micro-estacas para o terreno
respectiva aplicação do pré-esforço;
adjacente e aplicação do pré-esforço da laje aos 7 dias;

Figura 8.95: Planeamento construtivo da estrutura

Por forma a ter um termo de comparação decidiu-se efectuar um breve orçamento da estrutura,
para uma ideia do custo total da estrutura e o custo por metro quadrado, comparando este valor
com os valores habituais de construção. De seguida apresenta-se os custos unitários dos materiais
adoptados e o respectivo mapa de quantidade é apresentado no anexo A8.

Tabela 8.60: Custo unitário dos materiais

Material Custo Unitário


C35/45 90 €/m3
Betão
C25/30 80 €/m3
A500NR 0,9 €/Kg
Armadura Pré-esforço aderente 2,5 €/Kg
Pré-esforço não-aderente 4,0 €/kg
Cofragem 15 €/m2
Mov. Terras 3,5 €/m3

97
No anexo A9 é apresentado a orçamentação da estrutura, na qual se obteve um custo total de
1567153€, o qual corresponde a 100€/m2, um valor dentro dos limites usuais de construção.

Custos dos diferentes materiais


1600000
1400000 Total
1200000 Betão
1000000 Armaduras
800000
Pré-esforço
600000
400000 Cofragem
200000 Movim. Terras
0
Modelo Actual Modelo Original
Modelação 15x15m2 Modelação 7,5x7,5m2
Total 1567153 1419130
Betão 579464 482164
Armaduras 301354 413829
Pré-esforço 179378 24319
Cofragem 377282 369837
Movim. Terras 129675 128981
Figura 8.96: Diferença de custos dos materiais para as diferentes modelações

Por forma a ter um termo de comparação, decidiu-se equiparar este valor com o obtido no projecto
original, realizado em 2004, para esta mesma estrutura com uma modelação de 7,5x7,5 m2. De notar
que, para efectuar esta comparação, teve-se acesso ao mapa de medições da estrutura original para
proceder ao cálculo do mesmo com os custos unitários actuais dos materiais. O custo obtido para a
estrutura original foi de 1459310€, ou seja 91€/m2, correspondendo a uma diferença global de
aproximadamente 10% face à estrutura em estudo. Devido à grande quantidade de pré-esforço
adoptada verifica-se que, mesmo com a duplicação de vãos, a quantidade de armaduras ordinárias
necessárias é muito inferior. Quanto ao betão, a diferença do modelo actual com uma laje nervurada
de 50cm face ao original com uma laje fungiforme de 20cm, aumenta aproximadamente 20%,
enquanto que a cofragem e a movimentação de terras apresentam uma diferença aproximadamente
nula, já que a alteração das cotas de escavação e a área de cofragem pouco alteram.

Este resultado, ainda que reforçando a ideia que o aumento dos vãos de uma estrutura implica um
aumento do custo da mesma, é bastante encorajador uma vez que, mesmo tendo-se alterado
significativamente a concepção estrutural, conseguiu-se obter uma solução sem um grande aumento
de custo global, pelo que se reconhece ser uma boa solução e passível de ser implementada em
futuros edifícios de escritórios.

98
9 Conclusões

Nesta dissertação procedeu-se à análise do projecto de estruturas de um edifício destinado a


escritórios diferenciado pelos grandes vãos que apresenta. Analisou-se várias possíveis soluções bem
como o uso de diferentes materiais, e optou-se pela solução que melhor se adaptava, tentando
sempre manter o mais fiel ao projecto de arquitectura fornecido.

A solução final foi escolhida atendendo binómio do custo/segurança, tendo sempre em conta que a
estrutura seria menos onerosa caso o número de elementos verticais fosse superior. A solução
adoptou lajes nervuradas em duas direcções, acrescidas de bandas pré-esforçadas por forma a
controlar as grandes deformações a que estavam sujeitas. Por uma questão de simplicidade de
cálculo e construtiva, e uma vez que as cargas são da mesma ordem de grandeza, adoptou-se esta
solução para todos os pisos. Procedeu-se posteriormente ao cálculo do pré-esforço, um cálculo
iterativo por forma a melhorar o comportamento em serviço das lajes em termos de deformação,
tentando sempre minimizar os custos. Foi realizado o pré-dimensionamento de todos os elementos
estruturais, ao qual se deu grande importância por forma a atingir uma boa solução com alguma
rapidez, tirando partido de alguma experiência adquirida anteriormente. Foi feita a análise sísmica
do edifício utilizando um programa tridimensional de elementos finitos, que possibilita a análise de
estruturas de grande complexidade, seguindo as normas e princípios do EC8. Finalmente procedeu-
se ao dimensionamento detalhado e pormenorização de armadura de todos os elementos
constituintes. Para finalizar, fez-se uma orçamentação por forma a obter uma estimativa do custo
total e por metro quadrado da estrutura e comparar com a estrutura originalmente concebida com
uma modelação mais conservativa.

O principal objectivo desta dissertação foi cumprido, apresentando-se a análise para o caso
específico de um edifício de escritórios com uma modelação estrutural de grandes vãos e a
respectiva comparação, em termos de custos, com uma modelação inferior. Concluiu-se que a
duplicação de vãos numa estrutura não implica necessariamente a duplicação do custo da mesma e,
como se pode verificar neste caso específico, a diferença de custos é da ordem de 10%. Este
resultado é bastante propício à adopção de modelações superiores neste tipo de edifícios,
garantindo assim uma maior flexibilidade do espaço e eficiência económica ao longo do tempo.

A meta de um engenheiro não é apresentar “a” solução, mas sim “uma” solução que verifique todos
os requerimentos de estabilidade, durabilidade e funcionalidade, durante o seu período de vida útil,
com o menor custo possível.

99
10 Referências

[1] CEN. EN 1990. Eurocódigo 0 – Bases para o Projecto de Estruturas. s.l. , 2008.

[2] CEN. N 1991. Eurocódigo 1 – Acções em Estruturas. s.l. , 2008.

[3] CEN. EN 1992. Eurocódigo 2 – Projecto de Estruturas de Betão. s.l., 2008.

[4] CEN. EN 1998. Eurocódigo 8 – Projecto de Estruturas para Resistência aos Sismos. s.l. 2008

[5] Calado, Luís e Santos, João. Estruturas Mistas de Aço e Betão. Lisboa : IST Press, 2010.

[6] CEN. EN 1997. Eurocódigo 7 – Projecto Geotécnico. s.l. 2008

[7] Mendes, Pedro. Dimensionamento de Estruturas : Quantificação de acções em edifícios de


acordo com o Eurocódigo 1. s.l. : s.n. , 2011.

[8] “http://tenteacessar.blogspot.pt/2010/08/lajes-nervuradas.html”, [Online].

[9] Ferca. Ferca Construções Racionalizadas, [Online].

[10] Marchão, Carla e Appleton, Júlio. Estruturas de Betão II - Folhas de Apoio às Aulas. Módulo 2 -
Lajes de Betão Armado. Lisboa : Instituto Superior Técnico, 2011.

[11] Gomes, Augusto e Vinagre, João. Instituto Superior Técnico - Departamento de Engenharia Civil.
Estruturas de Betão I. Lisboa : s.n., 1997. Vol. III Tabelas de Cálculo.

[12] Marchão, Carla e Appleton, Júlio. Estruturas de Betão II – Folhas de Apoio às Aulas. Módulo 1 -
Pré-Esforço. Lisboa : Instituto Superior Técnico, 2011.

[13] Appleton, Júlio. Estruturas de Betão I - Folhas de Apoio às Aulas. Módulo 3 – Verificação do
Comportamento em Serviço (Estados Limites de Utilização - SLS). Lisboa : s.n., 2010.

[14] Appleton, Júlio & al. Betão Armado e Pré-Esforçado I - Folhas de Apoio às Aulas. Módulo 2 –
Verificação da Segurança aos Estados Limites Últimos. Lisboa : s.n., 2010.

[15] Tensacciai. Catálogo 2- Post Tensioning, [Online].

[16] Lopes, Mário & al. Sismos e Edifícios. s.l. : Edições Orion, 2008.

[17] Almeida, João, Costa, António e Câmara, José. Folhas de Apoio à Disciplina. Estruturas de
Edifícios. s.l. : Instituto Superior Técnico, 2014.

[18] Marchão, Carla, Appleton, Júlio e Câmara, José. Estruturas de Betão II - Folhas de Apoio às
Aulas. Módulo 3 - Fundações de Edifícios. Lisboa : Instituto Superior Técnico, 2011.

[19] Appleton, Júlio. Estruturas de Betão I – Notas sobre Desenhos de Projecto. s.l. : s.n., 2012.

100
Anexos

A1. Cálculo da Armadura de Flexão das Lajes

A2. Cálculo da Armadura de Colapso Progressivo

A3. Cálculo da Armadura de Punçoamento das Lajes

A4. Cálculo da Armadura dos Pilares Primários

A5. Cálculo da Armadura dos Pilares Secundários

A6. Cálculo da Armadura das Paredes Resistentes

A7. Cálculo da Armadura das Sapatas

A8. Mapa de Medições

A9. Orçamentação

101
A1. Cálculo da Armadura de Flexão das Lajes

Li (m) mii (KNm/m) mij (KNm/m) m'i (KNm/m) M' (KNm) Ltot (m) msd (KNm/m)
L1 M1 M4
L2 M2 M5 mii,i+mij,i ∑m'i,i ∑L i ∑m'i,i / ∑Li
L3 M3 M6

Piso de Escritórios Tipo (Pisos 1 a 3)

Msd T As,eq As,nec As,min


Zona As,adoptado (cm2/nervura)
(KNm/m) (KN/m) (cm2/m) (cm2/nervura) (cm2/nervura)
1 101,8 71,0 1,6 2,0 1,7 212 2,3
2 92,8 69,5 1,6 2,0 1,7 212 2,3
3 70,8 79,9 1,8 2,3 1,7 212 2,3
4 30,5 22,1 0,5 0,6 1,7 212 2,3
Msd T As,eq As,nec As,min
Zona As,adoptado (cm2/m)
(KNm/m) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m) (cm2/m)
5 205,0 489,8 11,3 11,3 5,2 12//0,10 11,3
6 -227,4 287,7 6,6 6,6 5,2 10//0,15+ 8,6
7 -32,9 79,5 1,8 1,8 - [38+210]//0,8m 3,9

102
Piso de Cobertura (Piso 4)

Msd T As,eq As,nec As,min


Zona As,adoptado (cm2/nervura)
(KNm/m) (KN/m) (cm2/m) (cm2/nervura) (cm2/nervura)
1 75,1 6,3 0,1 0,2 1,7 212 2,3
2 76,5 92,6 2,1 2,6 1,7 212 2,3 (*)
3 27,3 66,0 1,5 1,9 1,7 212 2,3
4 34,6 83,7 1,8 2,3 1,7 212 2,3
Msd T As,eq As,nec 2 2
Zona As,min (cm /m) As,adoptado (cm /m)
(KNm/m) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m)
5 188,5 479,4 11,0 11,0 5,2 12//0,10 11,3
6 190,8 461,0 10,6 10,6 5,2 12//0,10 11,3
7 189,0 461,0 10,6 10,6 5,2 12//0,10 11,3
8 185,9 449,0 10,3 10,3 5,2 12//0,10 11,3
9 -151,5 358,2 8,2 8,2 5,2 10//0,15+8//0,15 8,6
10 -220,3 520,7 12,0 12,0 5,2 10//0,15+12//0,15 12,8
11 -219,0 520,7 12,0 12,0 5,2 10//0,15+12//0,15 12,8
12 -54,9 158,3 3,6 3,6 - [38+210]//0,8m 3,9

2
(*) Armadura um pouco inferior à necessária (-0,3cm /nervura)mas na direcção ortogonal a armadura adoptada é muito
2
superior à armadura necessária (+2,1cm /nervura).

103
Piso de Estacionamento Tipo (Pisos -3 a -1)

Msd T As,eq As,nec As,min


Zona As,adoptado (cm2/nervura)
(KNm/m) (KN/m) (cm2/m) (cm2/nervura) (cm2/nervura)
1 88,3 125,7 2,9 3,6 1,7 216 4,0
2 83,2 96,6 2,2 2,8 1,7 216 4,0
3 80,1 109,3 2,5 3,1 1,7 216 4,0
4 86,0 135,1 3,1 3,9 1,7 216 4,0
5 49 75,8 1,7 2,2 1,7 216 4,0
6 65 113,7 2,6 3,3 1,7 216 4,0
Msd T As,eq As,nec
Zona As,min (cm2/m) As,adoptado (cm2/m)
(KNm/m) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m)
7 -66,0 156,1 3,6 3,6 - [38+210]//0,8m 3,9
8 -29,8 70,5 1,6 1,6 - [38+210]//0,8m 3,9
9 -60,9 143,9 3,3 3,3 - [38+210]//0,8m 3,9
10 -71,9 165,0 3,8 3,8 - [38+210]//0,8m 3,9
11 -27,0 63,7 1,5 1,5 - [38+210]//0,8m 3,9
12 -114,1 184,7 4,2 4,2 - [58+210]//0,8m 5,1
13 -35,0 82,7 1,9 1,9 - [38+210]//0,8m 3,9
14 -40,0 94,6 2,2 2,2 - [38+210]//0,8m 3,9
15 -60,9 143,9 3,3 3,3 - [38+210]//0,8m 3,9

104
Piso de Estacionamento Exterior (Piso -0)

Msd As,eq As,nec As,min


Zona T (KN/m) As,adoptado (cm2/nervura)
(KNm/m) (cm2/m) (cm2/nervura) (cm2/nervura)
1 185,9 279,0 6,4 8,0 1,7 [220] 8,5
2 148,9 207,0 4,8 5,9 1,7 220 6,3
3 81,0 16,6 0,4 0,5 1,7 212 2,3
4 61,0 24,2 0,6 0,7 1,7 212 2,3
Msd As,eq As,nec
Zona T (KN/m) As,min (cm2/m) As,adoptado (cm2/m)
(KNm/m) (cm2/m) (cm2/m)
5 175,1 422,9 9,7 -7,4 5,2 10//0,15 5,2
6 51,1 123,4 2,8 2,8 5,2 10//0,15 5,2
7 158,6 383,0 8,8 8,8 5,2 10//0,15+10//0,15 10,5
8 -101,9 181,0 4,2 4,2 - [58+210]//0,8m 5,1
9 -68,5 162,0 3,7 3,7 - [38+210]//0,8m 3,9
10 -106,0 200,6 4,6 4,6 - [58+210]//0,8m 5,1
11 -111,3 178,8 4,1 4,1 - [58+210]//0,8m 5,1
12 -57,3 135,5 3,1 3,1 - [38+210]//0,8m 3,9

105
A2. Cálculo da Armadura de Colapso Progressivo

Cota (m) 119,0 114,6 110,2 105,8 101,4 100,15 97,1 93,7 90,6
N (KN) 830 1050 1050 1050 1100 1090 1085 1085 1085
2
P1 As (cm ) 19,1 24,1 24,1 24,1 25,3 25,1 24,9 24,9 24,9
As,adoptado         
N (KN) 1050 1510 1510 1510 1510 1690 1510 1510 1510
P2 As (cm2) 24,1 34,7 34,7 34,7 34,7 38,9 34,7 34,7 34,7
As,adoptado         
N (KN) 850 1090 1090 1090 1090 1510 1800 1800 1800
2
P3 As (cm ) 19,5 25,1 25,1 25,1 25,1 34,7 41,4 41,4 41,4
As,adoptado         
N (KN) 1390 1850 1850 1850 1850 2025 2400 2400 2400
P4 As (cm2) 312,0 42,5 42,5 42,5 42,5 46,6 55,2 55,2 55,2
As,adoptado         
N (KN) 1040 1100 1100 1100 1100 1100 1640 1640 1640
2
P5 As (cm ) 23,9 25,3 25,3 25,3 25,3 25,3 37,7 37,7 37,7
As,adoptado         
N (KN) - - - - - 2275 941 941 941
2
P6 As (cm ) - - - - - 52,3 21,6 21,6 21,6
As,adoptado - - - - -    
N (KN) - - - - - 3250 1620 1620 1620
P7 As (cm2) - - - - - 74,7 37,2 37,2 37,2
As,adoptado - - - - -    

106
A3. Cálculo da Armadura de Punçoamento das Lajes

Piso de Escritórios Tipo (Pisos 1 a 3)

NT Nx Ny Mx My Vx Vy σ VRd,c As,nec x As,nec y As,x As,y


Pilar As,x As,y
(KN) (KN) (KN) (KNm) (KNm) (KN/m) (KN/m) (MPa) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m) (cm2) (cm2)
P1 1551 775 775 12 240 348 287 1,9 321,5 2,9 1,3 8,7 3,4 188 88
P2 2426 809 809 40 270 332 307 2,2 342,6 - - - - - -
P3 1658 829 829 210 240 368 360 1,9 321,5 3,5 3,2 9,4 8,8 208 188
P4 2865 955 955 290 191 375 428 2,2 342,6 3,2 4,6 8,8 12,7 188 268
P5 1541 514 514 200 25 191 242 0,5 253,7 - - - - - -
107
Piso de Cobertura (Piso 4)
NT Nx Ny Mx My Vx Vy σ VRd,c As,nec x As,nec y As,x As,y
Pilar As,x As,y
(KN) (KN) (KN) (KNm) (KNm) (KN/m) (KN/m) (MPa) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m) (cm2) (cm2)
P1 1118 559 559 125 240 269 238 1,9 321,5 - - - - - -
P2 1433 478 478 110 240 207 205 2,2 342,6 - - - - - -
P3 1163 582 582 300 230 275 294 1,9 321,5 - - - - - -
P4 1863 621 621 400 160 249 335 2,2 342,6 - - - - - -
P5 1153 384 384 450 15 143 262 0,2 232,5 -0,86 2,4 - 6,5 - 148

Piso de Estacionamento Tipo (Pisos -3 a -1)


NT Nx Ny Mx My Vx Vy σ VRd,c As,nec x As,nec y As,x As,y
Pilar As,x As,y
(KN) (KN) (KN) (KNm) (KNm) (KN/m) (KN/m) (MPa) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m) (cm2) (cm2)
P1 1635 327 491 155 222 151 145 0,7 236,9 - - - - - -
P2 2056 617 411 384 40 166 200 0,7 236,9 - - - - - -
P3 2426 485 728 50 354 226 196 0,6 229,8 1,5 0,7 3,7 2,5 88 68
P4 3416 1025 683 100 67 276 278 0,5 222,8 3,0 3,0 11,3 7,7 248 168
P5 2359 708 472 320 5 187 217 0,3 208,7 0,8 1,6 3,1 4,0 88 88
P6 1241 620 620 90 40 254 236 0,6 229,8 2,2 2,5 5,5 6,0 128 128
P7 2138 534 534 161 33 195 236 0,6 229,8 0,6 1,7 1,8 4,3 48 108

Piso de Estacionamento Exterior (Piso -0)


NT Nx Ny Mx My Vx Vy σ VRd,c As,nec x As,nec y As,x As,y
Pilar As,x As,y
(KN) (KN) (KN) (KNm) (KNm) (KN/m) (KN/m) (MPa) (KN/m) (cm2/m) (cm2/m) (cm2) (cm2)
P1 618 309 309 540 499 189 189 0 189,2 - - - - - -
P2 198 25 149 728 251 114 140 0 189,2 - - - - - -
P3 1551 775 775 732 735 350 311 1,4 287,9 3,7 2,6 11,0 9,8 1410 1410
P4 819 123 574 1559 360 209 549 1,5 294,9 -0,3 6,5 - 19,0 - 2410
P5 603 69 422 1475 10 41 394 1,3 280,8 -4,6 5,0 - 15,0 - 2010
P6 2550 1403 1148 1796 300 542 708 2,2 344,3 7,7 12,2 21,6 30,6 2810 4010
P7 5249 1312 1312 1760 0 562 664 2,2 344,3 8,3 11,0 23,1 27,6 3010 3610
NOTA: A laje adjacente aos pilares P1 a P5 descarregam directamente sobre a dobra mas devido às bandas pré-esforçadas e aos grandes momentos que estão instalados devido à
falta de continuidade da laje optou-se por complementar com armadura de punçoamento.
108
A4. Cálculo da Armadura dos Pilares Primários

Cota 0,0m (Piso 0)

MSd NSd As,total As,min/ As,max As,adopt MRd VSd VRd,c s VRd,s cinta Asw/s nec Asw/s adopt VRd,s total
Pilar ν wtot lcr (m) wwd wwd,req
(KNm) (KN) (cm2) (cm2) /(cm2) (KNm) (KN) (KN) (mm) 8 (KN) (cm2/m) /(cm2) (KN)
2033 (1) 5195 0,39  
P1 2171 (2) 3940 0,30 0,51 155 57/ 227  2191 1096 0,9 2390 100 390 14,8  1138 0,12 0,08
370 (3)
6833 0,52 157cm2 15,7cm2/m
1592 7872 0,60  
P2 1868 4597 0,35 0,38 115 57/ 227  1911 955 0,9 2390 100 390 11,9  1138 0,12 0,08
325 9485 0,72 118cm2 15,7cm2/m
1949 5449 0,41  
P3 2091 3865 0,29 0,49 149 57/ 227  2191 1096 0,9 2390 100 390 14,8  1138 0,12 0,08
612 7132 0,54 157cm2 15,7cm2/m
1577 8603 0,65  
P4 1837 6397 0,48 0,43 131 57/ 227  1967 983 0,9 2390 100 390 12,5  1138 0,12 0,08
569 11126 0,84 137cm2 15,7cm2/m
1436 6006 0,45  
P5 1630 2316 0,18 0,32 97 57/ 227  1742 871 0,9 2390 125 312 11,7  911 0,09 0,08
537 6346 0,48 98cm2 12,6cm2/m

(1) Combinação Sísmica - Máximo (2) Combinação Sísmica - Mínimo (3) Combinação Fundamental
109
Cota 4,4m (Piso 1)

MSd NSd As,total As,min/ As,max As,adopt MRd VSd lcr VRd,c s VRd,s cinta Asw/s nec Asw/s adopt VRd,s total wwd,re
Pilar ν wtot wwd
(KNm) (KN) (cm2) (cm2) /(cm2) (KNm) (KN) (m) (KN) (mm) 8 (KN) (cm2/m) /(cm2) (KN) q

1454 (1) 3763 0,28  


P1 1635 (2) 2967 0,22 0,32 97 57/ 227  1686 843 0,9 2390 125 312 11,1  911 0,09 0,08
594 (3)
5009 0,38 cm2 12,6cm2/m
1316 5693 0,43  
P2 1642 3246 0,25 0,31 94 57/ 227  1686 843 0,9 2390 125 312 11,1  911 0,09 0,08
565 6779 0,51 cm2 12,6cm2/m
1450 3912 0,30  
P3 1714 2926 0,22 0,37 112 57/ 227  1798 899 0,9 2390 125 312 12,3  911 0,09 0,08
992 5207 0,39 cm2 12,6cm2/m
1396 6279 0,47  
P4 1751 4680 0,35 0,35 106 57/ 227  1798 899 0,9 2390 125 312 12,3  911 0,09 0,08
929 8087 0,61 cm2 12,6cm2/m
1532 4435 0,34  
P5 1295 1739 0,13 0,32 97 57/ 227  1573 787 0,9 2390 125 312 10,0  911 0,09 0,08
907 4658 0,35 cm2 12,6cm2/m

(1) Combinação Sísmica - Máximo (2) Combinação Sísmica - Mínimo (3) Combinação Fundamental
110
Cota 8,8m (Piso 2)
MSd NSd As,total As,min/ As,max As,adopt MRd VSd VRd,c s VRd,s cinta Asw/s nec Asw/s adopt VRd,s total
Pilar ν wtot lcr (m) wwd wwd,req
(KNm) (KN) (cm2) (cm2) /(cm2) (KNm) (KN) (KN) (mm) 8 (KN) (cm2/m) /(cm2) (KN)
854 (1) 2351 0,30  
P1 939 (2) 1913 0,25 0,52 92 33/ 133  955 477 0,75 1827 125 240 6,6  527 0,09 0,08
328 (3) 3169 0,41 cm2 cm2/m
840 3505 0,45  
P2 776 2011 0,26 0,40 71 33/ 133  854 427 0,75 1827 125 240 5,2  527 0,09 0,08
290 4166 0,54 cm2 cm2/m
1101 2384 0,31  
200
P3 1021 1929 0,25 0,60 107 33/ 133  1106 553 0,75 1827 150 9,3  574 0,10 0,08
(10)
562 3271 0,42 cm2 cm2/m
1000 3928 0,51  
P4 949 2997 0,39 0,55 98 33/ 133  1005 503 0,75 1827 125 240 7,4  527 0,09 0,09
509 5070 0,66 cm2 cm2/m
998 2828 0,37  
P5 965 1176 0,15 0,55 98 33/ 133  1005 484 0,75 1827 125 240 6,8  527 0,09 0,08
470 2943 0,38 cm2 cm2/m

(1) Combinação Sísmica - Máximo (2) Combinação Sísmica - Mínimo (3) Combinação Fundamental

Cota -1,25m (Piso -0)


MRd,x MRd,y VSd,x VSd,y Asw,s x Asw,s x Asw,s y
As ν Asw,s x adoptado Asw,s y adoptado Asw,s y (cm2) α.w wd α wwd req w wd
(KNm) (KNm) (KN) (KN) (cm2) (cm2) (cm2)
6R8//0,10+ 2R10//0,10+
P1  0,26 6650 3730 1360 2430 34,7 40,7 22,3 25,8 0,02 0,75 0,08 0,14
2R10//0,10 2R8//0,10
6R8//0,10+ 2R10//0,10+
P2  0,37 7650 4000 1460 2800 37,3 40,7 25,7 25,8 0,04 0,75 0,08 0,14
2R10//0,10 2R8//0,10
6R8//0,10+ 2R10//0,10+
P3  0,32 7000 3860 1410 2560 36,0 40,7 23,5 25,8 0,03 0,75 0,08 0,14
2R10//0,10 2R8//0,10
6R8//0,10+ 2R10//0,10+
P4  0,41 7980 4260 1560 2920 39,8 40,7 26,9 25,8 (*) 0,05 0,75 0,08 0,14
2R10//0,10 2R8//0,10
6R8//0,10+ 2R10//0,10+
P5  0,31 7000 3860 1410 2560 36,0 40,7 23,5 25,8 0,03 0,75 0,08 0,14
2R10//0,10 2R8//0,10
(*) Valor ligeiramente inferior ao necessário visto que não se contabilizou as cintas interiores nesta direcção, pelo que o valor real é superior ao necessário
111
A5. Cálculo da Armadura dos Pilares Secundários

2 2
As,min/As,max (cm ) As,adopt
As (cm ) lcr (m) szona critica (mm) szona corrente(mm)
P1-P5 30 / 600  63 Altura total 150 -
P6 10/ 200  31 1 150 300
P7 14/ 280  38 1 150 300

A6. Cálculo da Armadura das Paredes Resistentes

Cot Iw lc,adopt Msd Nsd (*) As Vsd VRd,c s Asw/s nec Asw/s adopt wwd,re
Parede a (m) (m) (KNm) (KN) ν (*) (cm2) As,adopt /(cm2) lcr (m) (KN) (KN) (mm) (cm2/m) /(cm2) wwd α
q
(m)
3123 -4281 -0,32 R

0 2861 1070 0,08 47,7  1148 2631 100 9,9  0,224 0,412 0,152
381 -2630 51,8 cm2 cm2/m
PR1 / -0,20 Toda a
PR2 2,2 0,5 altura
1684 -632 -0,05 R

13,2 1684 -345 -0,03 16,9  827 2631 100 7,2  0,195 0,330 0,189
29 -753 22,4 cm2 cm2/m
-0,06
27768 -8823 -0,27  R
0 23812 3098 153,2  5735 8079 100 20,2  0,256 0,432 0,127
0,09  
PR3 / 5832 -4089 -0,12 153,6 cm2 Toda a cm2/m
5,65 1
PR4 18004 -1380 -0,04 altura R
 
13,2 18004 -259 -0,01 98,4  4130 6463 100 14,5

0,198 0,388 0,127
101,8 cm2
1661 -1661 -0,05 cm2/m
15962 -2284 -0,07 R
 7479 
0 15487 473 0,01 81,9  7451 (θ=40o) 100 29,9

0,396 0,427 0,08
84,0cm2
552 -1969 -0,06 Toda a cm2/m
PR5 5,65 0,9 altura
12459 -935 -0,03 R

13,2 12459 59 0,00 62,2  6454 6709 100 22,3  0,326 0,400 0,08
0 -683 65,2 cm2 cm2/m
-0,02
PR6 - 7,75 - - - - - - Toda a 1787 9151 100 4,4 R - - -
altura cm2/m
(*) Valor do esforço axial (reduzido) negativo para compressão e positivo para tracção.
112
A7. Cálculo da Armadura das Sapatas

2 2
Sapata N (KN) Mx (KNm) My (KNm) Dx (m) Dy (m) H (m) R1x (KN) R1y (KN) Ftx (KN) Fty (KN) As/s,condic (cm /m) As/s adopt (cm /m)
S1 (P1) 16573 250 310 6,5 5 1,3 8325 8349 6417 6871 29,5  31,4
S2 (P2) 20684 110 670 6 7 1,5 10360 10439 9158 7829 30,1  31,4
S3 (P3) 21036 315 30 7 6 1,5 10563 10523 7922 9302 30,5  31,4
S4 (P4) 28860 130 290 7 8,5 1,8 14449 14459 12643 11945 39,2  39,2
S5 (P5) 18175 0 400 5,5 6,5 1,4 9087 9149 7777 6510 27,5  31,4
S6 (P6) 8635 130 250 4 4 1 4350 4381 3142 4016 23,1  25,1
S7 (P7) 12857 30 280 5 5,5 1,3 6435 6476 5389 5463 25,1  25,1
S8 (P7) 9320 0 230 4 4,5 1 4660 4712 3909 4057 23,3  25,1

2 2 2
N (KN/m) Mx(KNm/m) D (m) d (m) H (m) R1 (KN/m) Ft (KN/m) As/s (cm /m) As/s adopt (cm /m) MR1 (KNm/m) As/s (cm /m)
Muro Contenção 448 84 0,8 0,3 0,4 448 262 6,0  11,3 157  11,3
113
A8. Mapa de Medições

Elementos Volume de betão (m3)


Nervurada 1900
Lajes
Fungiforme 2600
Primários 32
Pilares
C35/45 Secundários 194
Vigas 195
Paredes Resistentes 187
TOTAL 5108
Fundações 751
Muro de contenção 726
C25/30
Escadas 20
TOTAL 1497

Elementos Taxa de armadura Quantidade de aço


(Kg/m3) (Kg)
Nervurada 50 94271
Lajes
Fungiforme 39 100550
Primários 260 8320
Pilares
Secundários 70 13580
Vigas 65 12675
Paredes Resistentes 142 26532
Fundações 40 30040
Muro de contenção 65 47190
Escadas 84 1680
TOTAL 334838

Comprimento (m) Quantidade de aço (Kg)


Cabo aderente 60966 67063
Cabo não-aderente 2664 2930
TOTAL 63630 69993

2
Elementos Área de Cofragem (m )
Nervurada 10857
Lajes
Fungiforme 6200
Primários 331
Pilares
Secundários 450
Vigas 1720
Paredes Resistentes 1575
Fundações 548
Muro de contenção 2771
Escadas 400
TOTAL 25152

3
Volume de Terras (m ) 37050

114
A9. Orçamentação

Preço Unitário Custo Total


Art.o Descrição Un. Quantidade
(€) (€)
1 Betão
Fornecimento e colocação em obra
1.1 m3 5108 90 459704
de betão C35/45
Fornecimento e colocação em obra
1.2 m3 1497 80 119760
de betão C25/30
Total 6605 579464
2 Armaduras
Fornecimento e colocação em obra
de armaduras de aço A500NR
2.1 Kg 334838 0,9 301354
incluindo todos os trabalhos
necessários
Total 334838 301354
3 Aço de Pré-esforço
Fornecimento e aplicação de Pré-
Esforço- Cabos Aderentes -
3.1 Kg 67063 2,5 167657
incluindo todos os acessórios
inerentes à realização da técnica
Fornecimento e aplicação de Pré-
Esforço- Cabos Não Aderentes -
3.2 Kg 2930 4 11722
incluindo todos os acessórios
inerentes à realização da técnica
Total 69993 179378
4 Cofragem

Fornecimento e aplicação de
4.1 material de cofragem incluindo m2 25152 15 377282
todos os acessórios inerentes

Total 25152 377282


5 Movimentação de Terras
Recolha e transporte de terras
5.1 incluindo todos os equipamentos m3 37050 3,5 129675
necessários
Total 37050 129675

Total da Obra (€) 1567153


Custo (€/m2) 100

115
Peças Desenhadas

DIMENSIONAMENTO
1/25 – Planta de Fundações
2/25 – Planta dos pisos -3 a -1
3/25 – Planta do piso -0
4/25 – Planta dos pisos 0 e 1
5/25 – Planta dos pisos 2 a 3 e 4
6/25 – Corte transversal
BETÃO ARMADO
7/25 – Armadura de flexão dos pisos -3 a -1
8/25 – Armadura de flexão do piso -0
9/25 – Armadura de flexão do piso 0
10/25 – Armadura de flexão dos pisos 1 a 3
11/25 – Armadura de flexão do piso 4
12/25 – Armadura do piso 5, vãos de escadas, vigas e sapatas
13/25 – Armadura de punçoamento dos pisos -3 a -1
14/25 – Armadura de punçoamento do piso -0
15/25 – Armadura de punçoamento dos pisos 0 a 3 e 4
16/25 – Armadura de colapso progressivo dos pisos -3 a -1
17/25 – Armadura de colapso progressivo do piso -0
18/25 – Armadura de colapso progressivo dos pisos 0 a 3
19/25 – Armadura de colapso progressivo do piso 4
20/25 – Mapa de Pilares
21/25 – Núcleo dos pisos 0 a 5
22/25 – Núcleo dos pisos -4 a 0
PRÉ-ESFORÇO
23/25 – Pisos -3 a -1
24/25 – Piso -0
25/25 – Pisos 0 a 4

116
ESQUEMA GERAL DE UMA SAPATA:

a
b

H
A
B

5.25
SAPATAS A (m) B (m) H (m)
S1 6,5 5,0 1,3
S2 6,0 7,0 1,5
S3 7,0 6,0 1,5
S4 7,0 8,5 1,8
P6 P6 S5
S6
5,5
4,0
6,5
4,0
1,4
1,0
S7 5,0 5,5 1,3

S6 87,10
P7 P7 P7 S6 87,10
S8 4,0 4,5 1,0

S8 87,10
S7 87,10 S7 87,10 PILARES a (m) b (m)
P1 2,0 0,75
P2 0,75 2,0
P3 2,0 0,75
P4 0,75 2,0
P5 0,75 2,0
P6 1,0 0,5
P7 0,7 1,0

15.00
MASSAME
87,50 0,30

87,10

0,40
0,50

CORTE A-A
ESC 1:50

P3 P4 P5 P4 P3
ENROCAMENTO
87,50
87,10
S3 87,10
S5 87,10 S3 87,10

S4 87,10 S4 87,10

CORTE B-B
ESC 1:100

15.00
A A

C C
B

D D

P1 P2 P2 P1 QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
S1 87,10
86,00
S1 87,10
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

B
S2 87,10 S2 87,10

7.25
C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm


6.00 15.00 11.25 11.25 15.00 6.00
40mm

SAPATAS: 50mm
MASSME COM MALHA DUPLA QUADRADA ( 10,00
ENROCAMENTO 3,55
87,50 TERRENO COMPACTO
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
0,15 0,25

87,50 87,50
TESE DE MESTRADO
1,50
1,50 0,70

1,00 1,00 ELABORADO POR:


86,00 86,00
0,70

PORMENOR TIPO DO MASSAME OUTUBRO 2014 DESENHO 1 / 25


ESC 1:50
CORTE C-C
ESC 1:100
CORTE D-D
ESC 1:100
ESCALA 1:100
DIMENSIONAMENTO
e=0,2m

5.25
e=0,2m

E P6 P6
P7 P7 P7

e=0,5m
97,10

15.00
93,70
90,60

P3 P4 P5 P4 P3

15.00
D D

B B

e=0,2m

C C
A A
e=0,2m
97,10
93,70
P1 P2 P2 P1 QUADRO DE MATERIAIS
90,60
GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

7.25
C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm


6.00 15.00 11.25 11.25 15.00 6.00 40mm

0,80 3,20 0,80 8,00


SAPATAS: 50mm
3,55

1,30 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


0,50
0,20

TESE DE MESTRADO
0,50

0,50

0,50
0,50 0,75

ELABORADO POR:
0,20
0,80 1,60 0,80
0,3 1,6 0,80
OUTUBRO 2014 DESENHO 2 / 25

CORTE A-A
0,75
CORTE B-B CORTE C-C CORTE D-D CORTE E-E ESCALA 1:100 DIMENSIONAMENTO
ESC 1:50 ESC 1:75 ESC 1:50 ESC 1:50 ESC 1:50 PLANTA DOS PISOS -3 A -1
e=0,2m

5.25
C

P6 P6
P7 P7 P7
C

e=0,5m
100,15

C C

15.00
B A

P3 P4 P5 P4 P3

15.00
P1 P2 P2 P1 QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

7.25
C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm


6.00 15.00 11.25 11.25 15.00 6.00 40mm

101,4 101,4 SAPATAS: 50mm


0,50
0,50

100,15 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


1,25
1,25

1,75

TESE DE MESTRADO

0,50
1,75

100,15
1,25

100,15 ELABORADO POR:


0,50
0,50

OUTUBRO 2014 DESENHO 3 / 25


0,4 1,50 0,80 0,3 0,4 1,50 0,80 0,80 3,2 0,80

CORTE A-A CORTE B-B CORTE C-C ESCALA 1:100 DIMENSIONAMENTO


ESC 1:50 ESC 1:50 ESC 1:50 PLANTA DO PISO -0
0,85

PISO 0 C 101,40

0,50
1.75
D D

P3 P4 P5 P4 P3 0,80 1,60 0,80


C CORTE A-A
ESC 1:50
0,85
A A

1,3 101,40

e=0,5m

0,50
101,40

0,75
15.00
0,4 1,50 0,80
B B
e=0,6m e=0,6m CORTE B-B
ESC 1:50

0,85

1,75 101,40

0,75 0,50
e=0,2m
101,40 E
E
P2 P2

1.75
P1 P1 0,4 2,00 0,80

CORTE C-C
ESC 1:50
1.30 15.00 11.25 11.25 15.00 1.30

PISO 1 H
0,25 7,50 0,25

1.75
105,80

F F

0,20
P3 P4 P5 P4 P3
H

4,20

3,90
4,40
0,20
A A 0,25

0,175
0,38
e=0,5m 101,40
105,80

15.00
CORTE E-E
G G ESC 1:75

QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)


e=0,2m
105,80 E ARMADURAS: A500NR SD
E
P2 P2

1.75
P1 P1 Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm
1.30 15.00 11.25 11.25 15.00 1.30
PILARES E PAREDES: 30mm
0,85 0,85 0,85
0,85 40mm

SAPATAS: 50mm

101,40 1,3 105,80 1,75 105,80


MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
0,75 0,50
0.50

0,75 0,50
0,60

105,80
TESE DE MESTRADO
1,25

0,50

ELABORADO POR:
3,2
0,75

OUTUBRO 2014 DESENHO 4 / 25


0,50

0,75 0,25 1,65 0,80 0,25 2,15 0,80

CORTE D-D CORTE G-G CORTE H-H ESCALA 1:100


DIMENSIONAMENTO
CORTE F-F ESC 1:50
ESC 1:50 ESC 1:50 ESC 1:50 PLANTA DOS PISOS 0 E 1
0,65

PISO C

2A3 110,20

1.75
114,60

A A

0,50
P3 P4 P5 P4 P3

0,75
C

CORTE A-A
ESC 1:50

e=0,5m 0,65
110,20
114,60 110,20
1,3 114,60

0,75 0,50
15.00
B B

0,25 1,65 0,80

CORTE B-B
ESC 1:50

0,65

e=0,2m 110,20
1,75 114,60
110,20
P2 P2

1.75
P1 P1

0,75 0,50
114,60

1.30 15.00 11.25 11.25 15.00 1.30 0,25 2,15 0,80

PISO 4 E CORTE C-C


ESC 1:50

0,65

1.75
0,2

0,50 0,30
P3 P4 P5 P4 P3 1,3 119,00

0,75
0,25 1,65 0,80
e=0,5m
119,00
CORTE D-D
ESC 1:50

15.00
D D

QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)


e=0,2m
119,00 F
ARMADURAS: A500NR SD
F
P2 P2

1.75
P1 P1 Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm
1.30 15.00 11.25 11.25 15.00 1.30 PILARES E PAREDES: 30mm
0,65 11,50 11,50 40mm

1,75
1,75 122,00 1,75
0,2 PISO 5 1,75 8,00 1,75 SAPATAS: 50mm
0,20
0,50 0,30

1,75 119,00
e=0,2m MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
3,00
2,65

122,00 TESE DE MESTRADO

5,65
ELABORADO POR:
0,75

119,00
0,50

0,25 2,15 0,80 OUTUBRO 2014 DESENHO 5 / 25


0,20
0,20

0,80 1,65 1,65 0,80

CORTE E-E ESCALA 1:100 DIMENSIONAMENTO


CORTE F-F
ESC 1:50 PLANTA DOS PISOS 2 A 3, 4 E 5
ESC 1:75
122,0
A
Piso 5

0,50
119,0 B
Piso 4

0,75
114,6 A
Piso 3
0,25
ESC 1:25
110,2
Piso 2

Piso 1
105,8
0,2 B

0,50 0,30
101,4
Piso 0

0,75
100,15
Piso -0

97,1 0,25
Piso -1
ESC 1:25
93,7
Piso -2

90,6
Piso -3

QUADRO DE MATERIAIS

87,5 GERAL:
Piso -4 C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD
7.25 15.00 15.00 5.25
Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 6 / 25

ESCALA 1:100
DIMENSIONAMENTO
CORTE TRANSVERSAL
PISOS -3 A -1

ARMADURA TIPO DA LAJE NERVURADA


ARMADURA SUPERIOR ARMADURA INFERIOR

#2 #2
R R

D
R
x R x R

R
R

R
D

x R x R

ESC 1:25
ESC 1:25

ZONA B
ZONA A
#2 #2

0,4 m

#2
R
R R
(S/ ESCALA)

0,3 m

B
A x R x R
3m

x R

R
R
(S/ ESCALA)

x R

x R
3m

A x R
B x R

#2

#2
#2

#2
R R

#2

CORTE D-D
#2

ESC 1:25
C C x R
QUADRO DE MATERIAIS
x R

R
GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

x R

x R
C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2
x R
2 C12/15 (NP EN206-1)
R
#2

#2
ARMADURAS: A500NR SD

2
Y1860 S7 15,3
R
2

2 RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm
0,10

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


0,50

TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 7 / 25


0,80 1,60 0,80 0,80 3,20 0,80

CORTE A-A CORTE B-B CORTE C-C ESCALA 1:100


ESC 1:25 ESC 1:25 ESC 1:25
PISO -0 ARMADURA INFERIOR
ARMADURA SUPERIOR

ARMADURA TIPO DA LAJE NERVURADA


#2 #2

R R

C/8m

R
#2 #2

A A
2

ESC 1:25
ESC 1:25

ZONA B
ZONA A
C/8m C/8m

R R R
COMPLEMENTARNA ZONA NERVURADA ESTA
DEVE SER COLOCADA EM SEGUNDA CAMADA
4,0 m

C m
C m

0,5 m

(S/ ESCALA)

2 0,3 m

(S/ ESCALA)

QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C m

C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3


4,0 m

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C/ 12m C12/15 (NP EN206-1)


C m
C m 2 ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 8 / 25


0,80 3,20 0,80
CORTE A-A ESCALA 1:100
ESC 1:25
PISO 0
ARMADURA SUPERIOR ARMADURA INFERIOR

D E
3m 3m 3m

R
R
D
E x2R x2R

A A
#2
F F

2
B B
R

R
R

2
ARMADURA TIPO DA LAJE NERVURADA
ESC 1:25

x2R
C 0,3 m

R
C

(S/ ESCALA)

0,10

0,10
0,10

0,50
0,50

0,50
0,50

0,50
0,50

0,75
0,75

0,75
0,80 1,60 0,80

CORTE A-A

0,50
0,50

ESC 1:25

0,50
0,4 1,50 2,00 0,4 0,4 2,00 QUADRO DE MATERIAIS

CORTE B-B CORTE C-C CORTE D-D GERAL:


C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3
ESC 1:25 ESC 1:25 ESC 1:25
C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD
0,50

Y1860 S7 15,3

0,60
RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm
0,75

PILARES E PAREDES: 30mm


0,10

0,50

40mm
0,60

SAPATAS: 50mm
0,50

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


0,80 3,20 0,80
TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:
0,4
CORTE F-F
ESC 1:25 OUTUBRO 2014 DESENHO 9 / 25
CORTE E-E
ESC 1:25
ESCALA 1:100
PISOS 1 a 3
ARMADURA SUPERIOR ARMADURA INFERIOR

D
3m

R
R
C C
D
x2R
x2R

A A
#2
E E

2
B B
R
ARMADURA TIPO DA LAJE NERVURADA
R ESC 1:25
R

x2R
0,3 m

R
(S/ ESCALA)

0,10
0,10

0,50
0,50

0,80 1,60 0,80 0,80 3,20 0,80 QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
CORTE A-A CORTE E-E C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

ESC 1:25 ESC 1:25


C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:

0,10
0,10
0,10

LAJES E VIGAS : 30mm

0,50
0,50

0,50
0,50
0,50
0,50

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm
0,75
0,75
0,75

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:
0,25 1,65 0,25 2,45 0,25 2,15
OUTUBRO 2014 DESENHO 10 / 25
CORTE B-B CORTE C-C CORTE D-D
ESC 1:25 ESC 1:25 ESC 1:25 ESCALA 1:100
PISO 4
ARMADURA SUPERIOR ARMADURA INFERIOR

C D
3m 3m 3m

R
R
C
x2R x2R
D

A A
#2
F F

2
B B
R

R
R
ARMADURA TIPO DA LAJE NERVURADA
2 ESC 1:25

x2R

0,3 m

R
(S/ ESCALA)

0,10
0,10

0,50
0,50

0,80 1,60 0,80 0,80 3,20 0,80 QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
CORTE A-A CORTE E-E C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

ESC 1:25 ESC 1:25


C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3
0,30
0,30

0,30

RECOBRIMENTOS:
0,10

LAJES E VIGAS : 30mm


0,10

0,50
0,50
0,50

0,50
0,50

0,50

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm
0,75
0,75

0,75

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:
0,25 1,65 0,25 2,15 0,25
OUTUBRO 2014 DESENHO 11 / 25
CORTE B-B CORTE C-C CORTE D-D
ESC 1:25 ESC 1:25 ESC 1:25 ESCALA 1:100
PISO 5 ARMADURA SUPERIOR ARMADURA INFERIOR
SAPATAS ARMADURA INFERIOR ARMADURA SUPERIOR
ESC 1:100 S1 # 20//0,10 # 12//0,10
S2 # 20//0,10 # 12//0,10
S3 # 20//0,10 # 12//0,10
ARMADURA TIPO DAS ESCADAS S4 # 25//0,125 # 12//0,125
ESC 1:50 S5 # 20//0,10 # 12//0,10
S6 # 20//0,125 # 12//0,125
S7 # 20//0,125 # 12//0,125
S8 # 20//0,125 # 12//0,125

# # PORMENOR DA ARMADURA TIPO DAS SAPATAS


- PLANTA E CORTE (S/ ESCALA)

ARMADURA INFERIOR ARMADURA SUPERIOR

face

ESC 1:50
ARMADURA SUPERIOR ARMADURA INFERIOR

1,40
1,40

1,40
1,40

face

VIGA BORDADURA 2 2 4 face


ESC 1:50

2 2
5,15 m 7,50 m 3,75 m 3,75 m 7,50 m

QUADRO DE MATERIAIS
DOBRA (ALINHAMENTO Y3) 4 5 face
GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

4 Y1860 S7 15,3

5,15 m 7,50 m 3,75 m 3,75 m 7,50 m RECOBRIMENTOS:


LAJES E VIGAS : 30mm

DOBRA (ALINHAMENTO Y4) 4 5 face 8 4


PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

8 4 OUTUBRO 2014 DESENHO 12 / 25


5,15 m 7,50 m 3,75 m 3,75 m 4,00 m
ESCALA 1:50
ESCADAS, VIGAS E SAPATAS
P6
P7 P7
4R 8//0,20

6R 8 8R 8//0,15

P3 P4 P5
PILAR P3

4R 8//0,10

P1 P2
PILAR P4

GEOMETRIA DOS PISOS


(S/ ESCALA)

4R 8//0,20

MAX 0,45m MIN 0,23m


, MAX 0,45m

ARMADURA
LONGITUDINAL DA LAJE

4R 8//0,20

4R 8//0,15
PILAR P5
-CORTE TRANSVERSAL (S/ ESCALA)

4R 8//0,15

ARMADURA LONGITUDINAL
PILAR P6 DA LAJE

2R
ESTRIBOS
4R QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
6R C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

-CORTE LONGITUDINAL (S/ ESCALA)


4R 8 C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm


2R 8+4R 8//0,20
40mm

SAPATAS: 50mm

PILAR P7 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 13 / 25

ESCALA 1:50
8R 10+6R 10
8R 10//0,15
P6
P7 P7

P3 P4 P5

8R 10+6R 10

PILAR P3 PILAR P4

P1 P2

4R 10+8R 10//0,15
GEOMETRIA DO PISO
(S/ ESCALA)

2R 10+4R 8//0,10
MAX 0,45m MIN 0,23m
, MAX 0,45m

ARMADURA
LONGITUDINAL DA LAJE
8R 10//0,10

PILAR P6
PILAR P5
-CORTE TRANSVERSAL (S/ ESCALA)

ARMADURA LONGITUDINAL
DA LAJE

2R
ESTRIBOS
4R QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
6R C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

6R 10//0,10 -CORTE LONGITUDINAL (S/ ESCALA) C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

4R 10+8R 10//0,10 PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

PILAR P7
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 14 / 25

ESCALA 1:50
PISO 4

P3 P4 P5

2R 8+6R 8//0,15

PILAR P5
P1 P2

GEOMETRIA DOS PISOS


(S/ ESCALA)
PISO 0 A 3

MAX 0,45m MIN 0,23m


, MAX 0,45m

ARMADURA
LONGITUDINAL DA LAJE

2R 8+6R 8//0,125 6R 8//0,125 -CORTE TRANSVERSAL (S/ ESCALA)

6R 8//0,125 2R 8+8R 8//0,125


ARMADURA LONGITUDINAL
DA LAJE

2R
ESTRIBOS
PILAR P3
PILAR P4 4R

6R
QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3
-CORTE LONGITUDINAL (S/ ESCALA)
4R 8//0,15 C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm


6R 8//0,125 40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


PILAR P1 TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 15 / 25

ESCALA 1:50
P6
P7 P7

20 c/ 5m
20 c/ 5m
20 c/ 4m

P3 P4 P5

4 20 c/ 4m
3 20 c/ 4m

P1 P2
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO 20 c/ 5m
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO PILAR P3
PILAR P1
GEOMETRIA DOS PISOS
(S/ ESCALA)

ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO


PILAR P5

6 20 c/ 4m
20 c/ 4m

3 20 c/ 4m
MIN 50 +d MIN 50 +d

GEOMETRIA DA ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO


3 20 c/ 5m
2 20 c/ 5m
3 20 c/ 4m
QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO PILAR P4 C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

PILAR P2 C12/15 (NP EN206-1)


ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO
PILAR P7 ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm
20 c/ 4m PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

2 20 c/ 4m MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 16 / 25


ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO ESCALA 1:50
PILAR P6 ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO DOS PISOS -3 A -1
P6
P7 P7

P3 P4 P5

P1 P2

GEOMETRIA DO PISO
(S/ ESCALA)

6 20 c/ 4m
5 20 c/ 4m

6 20 c/ 4m
2 20 c/ 2m 3 20 c/ 4m

MIN 50 +d MIN 50 +d

ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO


PILAR P6 PILAR P7 GEOMETRIA DA ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO

QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 17 / 25

ESCALA 1:50
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO DO PISO -0
4 20 c/ 4m 4 20 c/ 4m

P3 P4 P5

4 20 c/ 3m 4 20 c/ 4m

P1 P2

GEOMETRIA DOS PISOS


ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO (S/ ESCALA)
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO
PILAR P1 PILAR P2

5 20 c/ 4m
4 20 c/ 3m 3 20 c/ 4m

MIN 50 +d MIN 50 +d

GEOMETRIA DA ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO

2 20 c/ 4m
4 20 c/ 4m 4 20 c/ 4m QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO Y1860 S7 15,3

PILAR P3 PILAR P4 PILAR P5


RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 18 / 25

ESCALA 1:50
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO DOS PISOS 0 A 3
4 20 c/ 4m 3 20 c/ 4m

P3 P4 P5

4 20 c/ 3m 3 20 c/ 4m

P1 P2

GEOMETRIA DOS PISOS


ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO (S/ ESCALA)
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO
PILAR P1 PILAR P2

4 20 c/ 3m 4 20 c/ 4m 3 20 c/ 4m

MIN 50 +d MIN 50 +d

GEOMETRIA DA ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO

3 20 c/ 4m 2 20 c/ 4m
QUADRO DE MATERIAIS
4 20 c/ 4m
GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO Y1860 S7 15,3

PILAR P3 PILAR P4 PILAR P5


RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 19 / 25

ESCALA 1:50
ARMADURA DE COLAPSO PROGRESSIVO DO PISO 4
ESQUEMA TIPO DA ARMADURA
PILAR 119,0
PISO P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 DOS PILARES (S/ ESCALA)

CINT CINT CINT CINT CINT

PISO 2
PILARES A
PISO 4 D=0,65 D=0,65 D=0,65 D=0,65 D=0,65 114,6

A TODA A ALTURA - 0,125 A TODA A ALTURA - 0,125 A TODA A ALTURA - 0,15 A TODA A ALTURA - 0,125 A TODA A ALTURA - 0,125

CINT CINT CINT CINT


ARMADURA
PISO 2 A PISO 4

PISO 1 110,2

D=0,85 D=0,85 D=0,85 D=0,85

1,0
A TODA A ALTURA - 0,125 A TODA A ALTURA - 0,125 A TODA A ALTURA - 0,125 A TODA A ALTURA - 0,125
EMENDAS A DISTANCIA ARMADURA
PISO 1
CINT CINT CINT CINT CINT

105,8

1,0
PISO 0
D=0,85 D=0,85 D=0,85 D=0,85 D=0,85
ARMADURA
PISO 0

A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,125

CINT CINT CINT CINT CINT


101,4

R
100,15

3,0
PISO -0 ARMADURA
PISO -0

ARMADURA
PISO -4 A PISO -1

0,75x2,0 0,75x2,0 0,75x2,0 0,75x2,0 0,75x2,0

A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10 A TODA A ALTURA - 0,10
87,1
CINT CINT CINT CINT CINT

CINT

QUADRO DE MATERIAIS

PISO -4 CINT
GERAL:
C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

A ARMADURA - CORTE A-A


C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2

PISO -1 1,0x0,5 0,7x1,0


C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3
0,75x2,0 0,75x2,0 0,75x2,0 0,75x2,0 0,75x2,0
ZONA CORRENTE - 0,30 ZONA CORRENTE - 0,30 RECOBRIMENTOS:
A TODA A ALTURA - 0,15 A TODA A ALTURA - 0,15 A TODA A ALTURA - 0,15 A TODA A ALTURA - 0,15 A TODA A ALTURA - 0,15 LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm


PISO P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7
PILAR ESC 1:100 40mm

SAPATAS: 50mm

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL


NOTA: OS PILARES PERMANECEM EM TODA A ALTURA SOBRE O MESMO EIXO, PELO TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 20 / 25

ESCALA 1:50
DAS CINTAS (S/ ESCALA) MAPA DE PILARES
ESQUEMA TIPO DA ARMADURA
122,0 DAS PAREDES (S/ ESCALA)

0,50
2 2

1,00
9 9

119,0

2,2
face
face
ARMADURA
PISO 4 A 5
face

2
8

4
114,6
2 12
5,65

face face
ARMADURA
0,90 PISO 0 A 4
face
5,65

101,4

100,15
1,00

9 9 ARMADURA
PISO -1 A 0

97,1

PISOS 4 A 5

93,7 ARMADURA

0,50
8 8 PISO -4 A -1
1,00

13 13

2,2
face
face
87,5

face

4 8
6

6
QUADRO DE MATERIAIS
4 12
GERAL:
5,65

face face C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3

C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2


0,90
face
C12/15 (NP EN206-1)
5,65
ARMADURAS: A500NR SD

DAS CINTAS (S/ ESCALA) Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm
1,00

13 13
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 21 / 25

ESCALA 1:50
PISOS 0 A 3
8,00 ESQUEMA TIPO DA ARMADURA
122,0 DAS PAREDES (S/ ESCALA)

0,50
8 8

1,00
13 13

119,0

2,2
face
face
ARMADURA
PISO 4 A 5
face

4 8
6

6
114,6
4 12
5,70

face face

0,90 ARMADURA
PISO 0 A 4
face
5,65

101,4

100,15
1,00

13 13
ARMADURA
PISO -1 A 0

97,1

face

PISOS -1 A 0 8,00

93,7 ARMADURA

0,50
PISO -4 A -1
2 2
1,00

9 9

2,2
face
face 87,5

face

2
8

4
QUADRO DE MATERIAIS

2 12 GERAL:
5,70

C35/45; XC1; DMAX=25mm; S3


face face
C25/30; XC2; DMAX=25mm; S2
0,90
face C12/15 (NP EN206-1)
5,65
ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

DAS CINTAS (S/ ESCALA) RECOBRIMENTOS:


LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

SAPATAS: 50mm
1,00

9 9
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 22 / 25


face
ESCALA 1:50
PISOS -4 A -1
4,70 15,00
2,50 5,00 5,00 2,50

Y3

ANCORAGEM ACTIVA

FACE INFERIOR (m) 0,10 0,43 0,31 0,07 0,31 0,43 X1 X2 X3

ESC. HORIZONTAL 1:100


ESC. VERTICAL 1:50 Y2
4,70 15,00 11,25
2,50 5,00 5,00 2,50 2,50 5,00 3,75

ANCORAGEM ACTIVA

0,10 FACE INFERIOR (m) 0,43 0,31 0,07 0,31 0,43 0,31 0,07 0,25
Y1

ESC. HORIZONTAL 1:100


ESC. VERTICAL 1:50
GEOMETRIA DOS PISOS
5,95 15,00 7,65 (S/ ESCALA)
2,50 5,00 5,00 2,50

ANCORAGEM PASSIVA
ANCORAGEM ACTIVA

FACE INFERIOR (m) 0,25 0,37 0,28 0,08 0,28 0,37 0,25

ESC. HORIZONTAL 1:100


ESC. VERTICAL 1:50
5,50 15,00 11,25
2,50 5,00 5,00 2,50 2,50 5,00 3,75

ANCORAGEM ACTIVA

FACE INFERIOR (m) 0,10 0,37 0,28 0,08 0,28 0,37 0,33 0,25 0,25

BANDA
PISO BANDA X1 BANDA X2 BANDA X3 BANDA Y1 BANDA Y2 BANDA Y3
ESC. HORIZONTAL 1:100 PISOS -3 A -1 3 3 2 3 4 3
ESC. VERTICAL 1:50

QUADRO DE MATERIAIS

GERAL:
C35/45; XC 1; DMAX=25mm; S3

P1 C25/30; XC 2; DMAX=25mm; S2

P3 C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

RECOBRIMENTOS:
0,40

LAJES E VIGAS : 30mm

PILARES E PAREDES: 30mm

PORMENOR DAS ANCORAGENS PORMENOR DAS ANCORAGENS 40mm

SAPATAS: 50mm

DA BANDA Y1 EM PLANTA DA BANDA Y2 EM PLANTA


ESC 1:100 ESC 1:100 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 23 / 25

ESCALA 1:100
PISOS -3 A -1
Y1

X1 X2 X3

13,50 5,40
5,50 5,50 2,50

ANCORAGEM ACTIVA ANCORAGEM ACTIVA


PASSIVA ALTERNADA PASSIVA ALTERNADA

0,25 0,07 0,32 0,43 0,25


FACE INFERIOR (m)

ESC. HORIZONTAL 1:100


ESC. VERTICAL 1:50

GEOMETRIA DO PISO
(S/ ESCALA)

ESC. VERTICAL 1:50

5,95 15,00 11,25


2,50 5,00 5,00 2,50 2,50 5,00 3,75

ANCORAGEM ACTIVA

FACE INFERIOR (m) 0,25 0,37 0,28 0,08 0,28 0,37 0,33 0,25 0,25

ESC. HORIZONTAL 1:100


ESC. VERTICAL 1:50

0,3 0,3 BANDA


PISO BANDA X1 BANDA X2 BANDA X3 BANDA Y1
0,35 0,35 PISO -0 7 8 5 8

0,4 QUADRO DE MATERIAIS

0,40
GERAL:
C35/45; XC 1; DMAX=25mm; S3
P6
C25/30; XC 2; DMAX=25mm; S2
0,40

C12/15 (NP EN206-1)

0,5 0,4 0,5 0,4


ARMADURAS: A500NR SD

Y1860 S7 15,3

0,70 0,70 RECOBRIMENTOS:


LAJES E VIGAS : 30mm

P4 P4 PILARES E PAREDES: 30mm

40mm

PORMENOR DAS ANCORAGENS SAPATAS: 50mm

PORMENOR DAS ANCORAGENS PORMENOR DAS ANCORAGENS


DA BANDA Y1 EM PLANTA MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
DA BANDA X2 EM PLANTA DA BANDA X3 EM PLANTA
ESC 1:100 TESE DE MESTRADO
ESC 1:100 ESC 1:100
ELABORADO POR:

OUTUBRO 2014 DESENHO 24 / 25

ESCALA 1:100
PISO -0
1,75 7,50
1,75 7,50 3,5 0,50 3,5

ANCORAGEM ACTIVA Y2
PASSIVA ALTERNADA

0,07 0,45 0,33 0,07 0,05 0,05


0,25 0,17 FACE INFERIOR (m)
FACE INFERIOR (m)

ESC. HORIZONTAL 1:100 ESC. HORIZONTAL 1:100 X1 X2


ESC. VERTICAL 1:50 ESC. VERTICAL 1:50
1,3 15,00 7,65
5,00 7,50 2,50

ANCORAGEM ACTIVA/
PASSIVA
ANCORAGEM ACTIVA/PASSIVA Y1

0,25 0,18 0,06 0,35 0,44 0,25


FACE INFERIOR (m) GEOMETRIA DOS PISOS
(S/ ESCALA)
ESC. HORIZONTAL 1:100
ESC. VERTICAL 1:50

1,3 15,00 11,25 BANDA


PISO BANDA X1 BANDA X2 BANDA Y1 BANDA Y2
5,00 7,50 2,50 2,50 5,00 3,75
PISO 0 - 9 - -
PISOS 1 A 3 4 8 5 5
ANCORAGEM ACTIVA
PISO 4 - 8 - -

0,25 0,19 0,08 0,34 0,42 0,36 0,25 0,25


FACE INFERIOR (m)

ESC. HORIZONTAL 1:100


ESC. VERTICAL 1:50 0,3

0,4 0,5 0,4

0,4
0,4

0,5 0,4
P1

0,5
P1

0,4 0,5
0,4

1
0,30 0,3

QUADRO DE MATERIAIS
PORMENOR DAS ANCORAGENS
DA BANDA Y1 EM PLANTA GERAL:
C35/45; XC 1; DMAX=25mm; S3
PORMENOR DAS ANCORAGENS ESC 1:100
DA BANDA X1 EM PLANTA C25/30; XC 2; DMAX=25mm; S2

0,3
0,4 ESC 1:100 C12/15 (NP EN206-1)

ARMADURAS: A500NR SD

0,4
Y1860 S7 15,3

0,6
RECOBRIMENTOS:
P3 LAJES E VIGAS : 30mm

0,4 PILARES E PAREDES: 30mm


P2 40mm

SAPATAS: 50mm

0,35 0,35
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL
TESE DE MESTRADO
ELABORADO POR:
0,70 1,10 0,70

PORMENOR DAS ANCORAGENS OUTUBRO 2014 DESENHO 25 / 25


PORMENOR DAS ANCORAGENS
DA BANDA X2 EM PLANTA DA BANDA Y2 EM PLANTA ESCALA 1:100
ESC 1:100 ESC 1:100 PISOS 0 A 4

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