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Produzido por: Cristiano Rafael Pinno


Orientação: Fernando Jaime González

Diagramação e arte: Suzana Klein

Edição: 2020

Caderno Didático de
Educação Física

Escola:
Nome:
Ano: Turma: Ano:
SUMÁRIO

APRESENTANDO.....................................................................03
INTRODUÇÃO..........................................................................04

Unidade Didática 1:
AVALIAÇÃO FÍSICA..............................................................06
CONCEITOS BÁSICO................................................................ 10

Unidade Didática 2:
PADRÕES ESTERIÓTIPOS DA BELEZA CORPORAL...19

Unidade Didática 3:
LUTAS DO MUNDO...............................................................28
CLASSIFICAÇÃO DAS LUTAS...................................................28
BOXE...........................................................................................30

Unidade Didática 4:
TÊNIS........................................................................................44

Unidade Didática 5:
PRÁTICAS CORPORAIS DE AVENTURA NA NATUREZA.
...................................................................................50
CORRIDA DE ORIENTAÇÃO..................................................... 53
APRESENTANDO
A Coleção Cadernos Didáticos de Educação Física representa uma conquista
muito importante para minha prática pedagógica neste componente curricular.
Representou uma oportunidade de ressignificar o ensino da Educação Física e
possibilitar aos estudantes melhores espaços de discussão e compreensão dos te-
mas da cultura corporal de movimento. Esta necessidade foi, ao longo dos anos,
influenciada pelos desafios encontrados na prática do “ser” professor, entretanto,
também possui raízes nos preceitos estabelecidos pelo movimento renovador ini-
ciado em meados da década 1980.
Paulo Ghiraldelli Júnior (1988), Lino Castellani Filho (1988), Mauro Betti
(1991), Valter Bracht (1992), Elenor Kunz (2001), Coletivo de Autores (2009), en-
tre outros, delinearam uma concepção em que os saberes das práticas corporais
também precisam ser desconstruídos, contextualizados, problematizados e siste-
matizados. Esta perspectiva toma como fundamental que a disciplina Educação
Física também se engaje na tarefa escolar de possibilitar que o aluno desenvolva o
pensamento crítico, não se limitando a propiciar apenas a prática de um conjunto
específico de modalidades esportivas e/ou atividades recreativas.
Estes instrumentos permitiram aprimorar o processo de ensino dos conteúdos
em minhas aulas possibilitando uma tematização das práticas corporais funda-
mentadas na concepção da Escola Republicana e contextualizadas ao ambiente
sócio-histórico-cultural em que atuei neste período. Por isso, cabe ao professor
que fizer uso desta coleção, num primeiro momento, realizar as adequações ao
seu projeto pedagógico e num segundo momento, mediar a relação que alunos e
alunas estabelecerão com esses materiais.
Construídos ao longo dos últimos anos, a partir de minha prática pedagógica,
os Cadernos Didáticos de Educação Física foram aperfeiçoados a partir do Mes-
trado Profissional em Educação Física em Rede Nacional – ProEF e constituem
produtos do estudo intitulado “PARA EXPLICAR AS COISAS”: as representa-
ções dos alunos do ensino fundamental II quanto ao uso dos cadernos didáticos
de Educação Física.
A elaboração respeitou os documentos legais que orientam as organizações
curriculares, por isso, os Cadernos Didáticos de Educação Física seguem as orien-
tações do Referencial Curricular Municipal. Este é estruturado a partir do Refe-
rencial Curricular Gaúcho que, por sua vez, é norteado pela Base Nacional Co-
mum Curricular.
Destaco que nas mãos de professores capacitados qualquer material didá-
tico, seja ele livro, apostila, material audiovisual, cone ou bola funciona como
instrumento parceiro do projeto pedagógico. Do contrário, provavelmente, estes
mesmos materiais não comprometerão, mas também, não promoverão as apren-
dizagens que se espera do projeto de Educação Física iniciado pelo Movimento
Renovador.
Certo de estar contribuindo com o reconhecimento da Educação Física en-
quanto componente curricular engajado num projeto político e pedagógico, dese-
jo aos docentes que fizerem uso destes materiais, muito sucesso na formação de
sujeitos críticos, capacitados a intervir na sociedade, que façam uso do seu papel
de cidadãos por um mundo sem desigualdades, mais cooperativo e colaborativo,
sustentável, que reconheça a pluralidade e que respeite as diferenças.
INTRODUÇÃO

Queridos alunos e alunas, a Coleção Cadernos Didáticos de Educação Física


surgiu da necessidade de possibilitar, a vocês estudantes, um material capaz de
oferecer subsídios para a aprendizagem, reconhecendo a importância da siste-
matização dos conhecimentos vinculados aos temas da Cultura Corporal de Mo-
vimento. Os assuntos incluídos neste volume foram cuidadosamente pensados a
partir do referencial curricular do município de Coronel Barros. Este é norteado
pelo Referencial Curricular Gaúcho que, por sua vez, é estruturado a partir da
Base Nacional Comum Curricular.
Os Cadernos estão organizados em capítulos que correspondem às unidades
didáticas a serem desenvolvidas ao longo do período letivo. Cada um dos volumes
foi produzido a fim de contemplar os principais aspectos de cada um dos períodos
escolares. Seja no 6º, no 7º, no 8º ou no 9º ano do Ensino Fundamental, você terá
um material de apoio ao principal objeto de interesse desta disciplina, o estudo
do corpo em movimento e seu contexto social, histórico e cultural.
Para isso os Cadernos Didáticos de Educação Física contam com textos in-
formativos acompanhados de imagens, esquemas, tabelas que visam favorecer a
compreensão dos temas estudados. Também estão incluídos questionários para
reflexão sobre as temáticas, questões de estudo e atividades complementares para
obter o máximo de aproveitamento de nossas aulas.
Em alguns momentos são propostos estudos complementares a partir da indi-
cação de links de pesquisa, textos digitais, filmes, entre outras tantas possibilida-
des de auxílio à reflexão e compreensão dos conteúdos contemplados.
A sequência de trabalho das unidades didáticas não é cronológica, podendo o
professor alternar a ordem dos temas de acordo com a necessidade e do projeto
coletivo da escola.
A forma de utilização destes materiais também dependerá da metodologia es-
colhida pelo professor que será dependente dos objetivos de cada aula, dos mate-
riais e espaços disponíveis além, obviamente, do clima.
Entendendo os Cadernos Didáticos de Educação Física como um valioso par-
ceiro no ensino do Componente Curricular, espero que vocês, alunos e alunas,
aproveitem ao máximo cada elemento contido aqui.
Unidade Didática

Avaliação Física

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Unidade Didática 1:
AVALIAÇÃO FÍSICA

Avaliação física para a saúde1


Andressa Mella
Atualmente, com a evolução
tecnológica, o homem está se
tornando um ser que pouco se
movimenta e isso tem aumen-
tado os índices de inatividade
física. Segundo o Ministério da
Saúde (MS) a inatividade física
atinge 44,4% da população bra-
sileira trazendo inúmeros males
à saúde, tais como, aumento da
pressão arterial e da frequência
cardíaca de repouso, aumento da
massa corporal gorda e, conse-
quentemente, aumento das circunferências das regiões do corpo, da glicemia cir-
culante e dos níveis de low-density lipoprotein colesterol (LDL-c), diminuição do
high-density lipoptrotein colesterol (HDL-c), da flexibilidade e da força muscular
entre outros. Com isso tornam-se mais frequentes inúmeras doenças como a hi-
pertensão arterial, o diabetes mellitus, as cardiopatias adquiridas e a obesidade
(BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009a).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE –
(2007), “o excesso de peso atinge 38,8 milhões de brasileiros, o que corresponde
a 40,6% da população adulta e destes, 10,5 milhões possuem índice de massa
corporal (IMC) acima de 25 e estão em sobrepeso”. Entre as crianças os índices
não são muito diferentes, pois em 30 anos, a desnutrição deixou de ser preocupa-
ção e a obesidade infantojuvenil está se tornando um problema de saúde pública,
sendo que um em cada dez meninos e uma em cada cinco meninas é obeso (IBGE,
2003).
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade infan-
to-juvenil teve um crescimento de 10% a 40% nos países europeus nos últimos
dez anos (EBBELING, PAWLAK, LUDWIG, 2002). No Brasil, cerca de 10% da
população infantil é obesa e aproximadamente 16% dos adolescentes também se
encontram neste nível e já se sabe que a obesidade nestas fases da vida tende a
permanecer pela vida adulta (ESCRIVÃO et al., 2000).

1. Trecho extraído da dissertação apresentada a banca examinadora do Programa de Pós-Graduação


em Educação Física da UNIMEP, como exigência para obtenção do título de Mestre em Educação Físi-
ca - Avaliação antropométrica e nível de atividade física de escolares do município de Santa bárbara
D’Oeste. http://www.avaliacaofisica.com.br/si/site/0210

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O estilo de vida moderno tem sido marcado pela diminuição nos níveis de
exercício físico nas crianças devido ao maior tempo em frente à televisão, compu-
tador, vídeo game e a falta da prática do exercício físico e a dificuldade em brincar
devido a problemas de segurança, além da maior ingestão alimentar, principal-
mente de alimentos com pouco valor nutritivo tem contribuído para o aumento
da obesidade infanto-juvenil.
Obesidade
De acordo com o IBGE (2007), no Brasil há 38,8 milhões de pessoas obesas,
ou seja, 40,6% da população adulta estão acima do peso, e com isso a obesidade
vem se tornando um problema de saúde pública, pois ela é responsável pelo apa-
recimento de várias doenças como a hipertensão arterial, algumas dislipidemias,
entre outras. A obesidade ocorre devido a um balanço energético positivo, que se
dá pela maior ingestão de energia e menor gasto energético, porém Blair e Nicha-
man (2002) demonstraram que a ingestão alimentar não mudou muito nos últi-
mos 40 anos e mesmo assim a obesidade aumentou. Com isso, pode-se relacionar
a obesidade com a diminuição do gasto energético, que pode ser devido à redução
das atividades realizadas por causa do sedentarismo.
O tipo de obesidade que mais nos preocupa é a obesidade central, tipo androi-
de (obesidade abdominal), pois ela representa maior risco à saúde que a obesida-
de periférica, tipo ginoide (obesidade na região dos quadris), aumentando o risco
de doença cardíaca (VAGUE, 1956; GUEDES; GUEDES, 1998).
Para prevenir não só a obesida-
de abdominal, mas a obesidade em
geral, é necessário manter uma ali-
mentação adequada e um estilo de
vida ativo, praticando exercício físi-
co, e, para isso, o Centers of Disease
Control – CDC – dos Estados Uni-
dos e o American College of Sports
Medicine (ACSM), recomendam
que sejam realizados 30 minutos de
atividade física contínua ou acumu-
lada, pelo menos 5 dias por semana
(MATSUDO; MATSUDO, 2006)

Obesidade Infanto-juvenil
Nos anos 80 a preocupação era a desnutrição infantil, porém agora é a obe-
sidade infantojuvenil está se tornando um problema de saúde pública, pois de
acordo com o IBGE, cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros possui
sobrepeso e 7,3% sofre de obesidade. No Brasil, no período de 2002-2003, dentre
as crianças de 12 a 14 anos, 14,3% se encontra em sobrepeso, destes 10,4% são do
sexo masculino e 18,4% do sexo feminino; 17,5% em excesso de peso, 18,4% são
meninos e 16,6% meninas; e 2,4% em obesidade, dos quais 1,7% pertencem ao
sexo masculino e 3,2% ao sexo feminino (IBGE, 2009).
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As classes sociais que mais possuem ca-
sos de obesidade infantil são a média e alta,
pois estudos mostram que nas escolas pri-
vadas a prevalência de sobrepeso e obesi-
dade é maior que nas escolas públicas e este
dado se justifica pelo acesso mais fácil das
crianças de nível socioeconômico melhor
a alimentos ricos em gorduras e açúcares
simples, assim como as modernidades tec-
nológicas que elas têm acesso e que levam
ao sedentarismo (COSTA; CINTRA; FIS-
BERG, 2006).
Outro importante fator para a obesidade dos filhos é originário dos próprios
pais. Quando um dos pais é obeso, o risco de a criança ser obesa é de 50%. Se o
pai e a mãe são obesos, esse risco sobe para 90% e sabemos que embora os fatores
genéticos respondam por 24 a 40% dos casos de sobrepeso, não se pode negar o
efeito do exemplo e compartilhamento de atitudes da família (RAMOS; BARROS
FILHO, 2003).
Métodos de avaliação
Para garantir a segurança na prática de exercício físico e para estratificação
de riscos faz-se necessária a avaliação da saúde tanto para indivíduos saudáveis
quanto para portadores de doenças crônicas (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS
MEDICINE, 2007) e isto pode ser realizado por meio de questionários. Um deles
é o questionário de prontidão para atividade física, o PAR-Q (SHEPHARD, 1992),
porém ele só pode ser utilizado em populações que tenham entre 15 e 69 anos de
idade. Por meio das perguntas contidas nele é possível elaborar diversas fichas de
anamnese e utilizá-las como avaliação da saúde. Entretanto, outros questionários
podem ser utilizados na avaliação da saúde de crianças e adolescentes, sendo que
Ferreira et al. (2006) demonstraram a importância da utilização destes questio-
nários na avaliação de crianças e adultos praticantes de atividades motoras.
Há vários métodos para se avaliar os indicadores de obesidade corporal, den-
tre eles há o método direto, indireto e duplamente indireto. O método direto se
caracteriza pela dissecação macroscópica ou extração lipídica, porém este mé-
todo é limitado, pois há necessidade de incisões no corpo, ou seja, há necessi-
dade de utilização de cadáveres (QUEIROGA, 2005; GUEDES, GUEDES, 2003;
COSTA, 2001). Os métodos indiretos têm por objetivo estimar os componentes
de gordura e a massa isenta de gordura, dentre eles temos a densitometria, a pe-
sagem hidrostática, a espectrometria, a absormetria radiológica de dupla energia
(DEXA), a ultrassonografia, a tomografia computadorizada, a ressonância mag-
nética, entre outros. Entretanto, estes métodos muitas vezes se tornam inviáveis
devido ao alto custo financeiro (GUEDES, GUEDES, 2003; MCARDLE, KATCH,
KATCH, 2008).

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Os métodos duplamente indiretos
envolvem equações de regressão que
são utilizadas para estimar a composi-
ção corporal, dentre estes métodos se
destacam a bioimpedância elétrica e a
antropometria. Todavia, a utilização
da bioimpedância necessita de uma
série de cuidados que muitas vezes
são limitados à situação da avaliação,
como por exemplo, a ingestão de água
antes da realização do procedimento.
Um instrumento de fácil aplicação dentro da antropometria é o índice de massa
corporal, que fornece informações a respeito da quantidade de massa corporal
em relação à estatura. Outro instrumento é a análise da composição corporal por
meio da somatória das dobras cutâneas. Para esta análise há diversas fórmulas
propostas por diversos autores, e estas permitem a utilização de protocolos di-
ferentes compostos de duas ou até sete dobras cutâneas (GUEDES, GUEDES,
2003). Na antropometria é possível também utilizar medidas de circunferências
para se avaliar o risco de doença coronariana. Dentre estes se destacam as me-
didas da circunferência da cintura e do quadril, pois a medida da cintura isolada
ou a divisão entre a medida da cintura pela do quadril pode fornecer parâmetros
para risco coronariano (PETROSKI, 2009; GUEDES, GUEDES, 2003; COSTA,
2001).
Para a avaliação do nível de atividade física, são propostos diversos questio-
nários (anamnese). Dentre eles se destacam o Questionário de Atividade Física
Habitual preconizado por Baecke (GUEDES et al., 2006), porém este é mais in-
dicado para população acima de 14 anos. Outro instrumento é o International
Physical Activity Questionary (IPAQ), que foi proposto pela OMS e mais tarde
validado para crianças brasileiras por Pardini et al. (2001), sendo que estudos
recentes têm utilizado este instrumento.
A avaliação dos hábitos alimentares tam-
bém se faz necessária quando se estuda obe-
sidade e é possível realizá-la de algumas for-
mas. Uma delas é o recordatório de 24 horas
que consiste no relato de todos os alimentos
consumidos no período de 24 horas, desde
a primeira até a última refeição realizada
neste intervalo de tempo (MAJEM, BARBA,
1995). Outro método descrito na literatura é
o questionário de frequência alimentar, que consiste em perguntas relativas à
frequência usual de consumo de 94 itens alimentares referentes a um período de
seis meses, onde as porções utilizadas neste instrumento representam o consumo
médio, em gramas, de cada item alimentar (SLATER et al., 2003). O registro de
24 horas, que consiste em o avaliado levar o questionário para casa e preencher
conforme a realização das refeições (THOMPSON; BYERS, 1994). Em virtude da
mudança nos hábitos alimentares durante o final de semana, o registro de 24 ho-
ras é aplicado em três dias, sendo um deles durante um dia de final de semana.
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Questões para reflexão

1. Segundo a OMS, qual a justificativa para o crescimento do índice de obesida-


de infanto-juvenil?

2. Qual a relação estabelecida entre a obesidade dos pais e dos filhos?

3. Diferencie obesidade androide e obesidade ginoide?

4. Segundo o texto qual é a importância da avaliação física?

CONCEITOS BÁSICOS
Teste:
É uma pergunta específica utilizada
para aferir conhecimento ou habilida-
de de uma pessoa. É uma ferramen-
ta específica de medida e implica em
uma resposta da pessoa que está sen-
do medida.
Medida:
É a quantificação da resposta do
teste. É uma técnica de avaliação que
usa procedimentos que, geralmente,
são precisos e objetivos, resultando
em dados geralmente quantitativos,
que podem ser expressos de uma for-
ma numérica.
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Análise:
É a resultante da comparação dos resultados obtidos em um evento.

Avaliação:
É um processo permite, objetiva ou subjetivamente comparar critérios e deter-
minar a evolução de uma pessoa ou grupo numa linha de tempo, seus avanços e
retrocessos.

Antropometria
A antropometria é a ciência que estuda e avalia o tamanho, o peso e as propor-
ções do corpo humano, através de medidas de rápida e fácil realização, não neces-
sitando equipamentos sofisticados e de alto custo. Exemplo: peso corporal, esta-
tura, perímetros, composição corporal, índice de massa corporal, entre outros.
Índice de Massa Corporal2
O Índice de Massa Corporal (IMC) é um número calculado a partir do peso e
altura da pessoa. O IMC é um indicador da gordura corporal. Apesar do IMC não
medir a gordura diretamente, pesquisas mostram que ele se relaciona aos méto-
dos de medição direta. O Índice de Massa Corporal pode ser considerado uma
alternativa prática, fácil e barata para a medição direta de gordura corporal.

O IMC é usado como uma ferramenta para identificar possíveis problemas de


peso para adultos. Entretanto, o IMC não é uma ferramenta de diagnóstico. Por
exemplo, a pessoa pode ter um IMC alto, porém para determinar se o excesso de
peso é um risco para a saúde o médico precisa fazer mais análises que podem in-
cluir medição das dobras cutâneas, avaliação da dieta, atividade física e histórico
familiar, por exemplo.
Para calcular o IMC, você deve anotar seu peso em quilogramas (kg) e sua al-
tura em metros (m), em seguida divida seu peso (kg) pela sua altura (m) elevada
ao quadrado.
IMC = Peso (kg)
Altura² (m)
Ex.: Peso = 50kg
Altura = 1,50m

IMC = Peso -> 50 -> 50 -> 50 = 22,22...


Altura² (1,50)² 1,50 x 1,50 2,25

2 http://profmargi.blogspot.com.br/2010_05_01_archive.html. Acesso em 02/04/2012. 11


Questões de revisão
1. Calcule o IMC nos seguintes casos, determine a referência e descreva as im-
plicações e riscos:
a) Peso = 39kg, altura = 1,40m.
b) Peso = 79kg, altura = 1,50m.
c) Altura = 1,90m, peso = 120kg.
d) 85kg, 176cm.
e) 180cm, 90kg.
f) 1,70m, 53kg.

Tabela de Controle de Testes


I.M.C Sentar e Abdominal Flexão de Impulsão 30 40 Cami-
alcançar braços Horizontal m. Seg. nhar e
correr
12 min.
Pré
Teste
Pós
Teste
12
Aptidão Cardiorrespiratória
O componente cardiorrespiratório
está diretamente associado aos níveis
de saúde de um indivíduo. Em baixos
níveis, este componente tem sido cor-
relacionado a várias causas, especifica-
mente ligadas às doenças cardiovascu-
lares.
A capacidade cardiorrespiratória
pode ser definida como sendo a habi-
lidade de realizar atividades físicas de
caráter dinâmico que envolvam grande
massa muscular com intensidade de moderada a alta por períodos prolongados.
Ela é dependente dos estados funcionais dos sistemas respiratório, cardiovascu-
lar, muscular e de suas relações fisiológico-metabólicas.
A aptidão cardiorrespiratória tem relação com a resistência aeróbia generali-
zada e com a dinâmica do indivíduo.
Atualmente a eficiência do sistema cardiorrespiratório pode ser avaliada me-
dindo-se a capacidade aeróbia máxima (VO2máx.) em um só parâmetro.

Teste de caminhar e correr 12 minutos


A partir da distância percorrida é estimado o consumo de oxigênio
D= distância percorrida

VO2máx = D(m) – 504


45
VO2 em ml/(kg.min-1)

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Aptidão Neuromuscular3
A aptidão neuromuscular pode ser definida como a condição de um indivíduo
em executar ações musculoesquelético relacionada com as capacidades motoras
de: força e resistência muscular, flexibilidade, velocidade, agilidade, coordena-
ção, equilíbrio e suas possíveis combinações.
As capacidades motoras de força e endurance muscular e flexibilidade, soma-
das a endurance cardiorrespiratória e a composição corporal, constituem o con-
junto de atributos que compõem a “aptidão física relacionada à saúde”. Segundo
as Diretrizes do American College of Sports Medicine – ACSM, o termo “aptidão
física relacionada à saúde” é definido como “um estado caracterizado pela capa-
cidade do indivíduo de realizar as atividades diárias com vigor e demonstrar ca-
pacidades que estão associadas com um baixo risco de surgimento prematuro de
doenças hipocinéticas (aquelas associadas com a inatividade física)”.
• São benefícios da aptidão neuromuscular relacionados à promoção da saú-
de:
• Manutenção ou aumento da força e resistência musculares;
• Manutenção ou aumento da flexibilidade;
• Manutenção da estabilidade postural;
• Aumento da estabilidade articular prevenindo lesões;
• Redução dos desgastes das superfícies articulares;
• Prevenção de lombalgias;
• Auxiliar na manutenção ótima de uma massa corporal magra;
• Prevenção da perda de massa magra (proteólise) que ocorre com o envelhe-
cimento;
• Redução dos fatores de risco para doenças cardiovasculares;
• Manutenção da capacidade funcional em indivíduos idosos;
A avaliação periódica da aptidão neuromuscular permite traçar perfis longi-
tudinais (teste -> re-teste) de populações ou indivíduos submetidos a progra-
mas de intervenção (ex.: exercício físico, reeducação alimentar e fármacos) e,
consequentemente, monitorar a eficiência desses programas, permitindo ajustes
adequados nas prescrições de exercícios.
Segundo as diretrizes do ACSM, os componentes da aptidão neuromuscular
relacionados à promoção da saúde são:
Aptidão neuromuscular
• Força: definida como “a força máxima que um músculo consegue gerar para
uma determinada velocidade”;
• Endurance (resistência) muscular: definida como “a capacidade que tem um
músculo de realizar contrações repetidas ou de resistir à fadiga muscular”;
• Flexibilidade: definida como “a capacidade de movimentar uma articulação
por meio de sua amplitude de movimento completa”.

3. http://edfisicamatutino.blogspot.com.br/2011/03/avaliacao-neuromuscular.html. Acesso em
14 10/03/2016.
Avaliação da Resistência Muscular Localizada (endurance muscular)
Tabela do teste de flexão de braço
Homens (número de repetições por minuto)

Mulheres (número de repetições por minuto)

Fonte: Pollock, M. L. & Wilmore J. H., 1993

15
Tabela do teste de Abdominal
CLASSIFICAÇÃO PARA HOMENS (número de repetições por minuto)

CLASSIFICAÇÃO PARA MULHERES (número de repetições por minuto)

Fonte: Pollock, M. L. & Wilmore J. H., 1993

16
Avaliação da Flexibilidade
Sentar e alcançar
Masculino - com banco (em cm)

Feminino - com banco (em cm)

Fonte: Canadian Standardized Teste of Fitness (CSTF)

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Unidade Didática

Padrões Esteriótipos
da Beleza Corporal

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Unidade Didática 2:

PADRÕES ESTERIÓTIPOS DA BELEZA CORPORAL

Estereótipo: Imagem mental padroni-


zada, tida coletivamente por um grupo,
refletindo uma opinião demasiadamente
simplificada, atitude afetiva ou juízo incri-
terioso a respeito de uma situação, acon-
tecimento, pessoa, raça, classe ou grupo
social.
Pesquisa revela que a mulher contemporâ-
nea persegue uma beleza inatingível

Silicone nos seios, quadril simetrica-


mente perfeito e um rosto que traduza beleza clássica. Estes são os requisitos
para se conseguir um corpo ideal, ilusão das mulheres, principalmente brasilei-
ras. Cerca de 7% destas confessam ter feito algum tipo de cirurgia plástica e, 54%
já considerou a ideia de submeter-se a um processo cirúrgico. Os dados fazem
parte da pesquisa realizada pela Dove, marca da Unilever, em dez países, dentre
os quais apenas 2% das mulheres se dizem belas.
Atualmente, a criação de novos cosméticos e a prática de cirurgias plásticas são
tão frequentes que procura-se condições de corrigir ou esconder “imperfeições”
a todo custo. A insatisfação acompanha desde a seleção para emprego até o auto-
controle emocional.
O estereótipo de beleza corporal é vendido pela mídia, e esta nos faz acreditar
que enquadrar-se em determinado modelo de beleza é a receita para a felicidade.
Uma Gisele Bündchen, por exemplo, pode fotografar e desfilar muito bem, mas,
fora das passarelas, quem pode garantir que sua vida será sempre satisfeita e
feliz?
No entanto, 13% das mulheres afirmaram que somente as “top models” são
realmente bonitas.
Aos 49 anos, a maquiadora Vânia Martins recorda o ano de 1973 quando rece-
beu os títulos de “Garota Banorte” e “Miss Simpatia”: “- Naquela época éramos
admiradas por um conjunto de qualidades, mas hoje, contam apenas as medidas
físicas”.
Ela ressalta, ainda, que embora as artistas precisem manter o corpo bonito
devido à profissão, a beleza é relativa e emana primeiro de dentro da pessoa, não
sendo, portanto, um privilégio só de modelos.
Ainda, de acordo com a pesquisa, 68% das mulheres concordam que a mídia
utiliza padrões irreais e inatingíveis de beleza. Percebendo que a identidade esté-
tica de cada ser humano é variável e particular, os especialistas indicam soluções
mais saudáveis e eficientes a longo prazo, como a prática de esportes e alimenta-
ção balanceada.

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A psicóloga Karina Vieira adverte que o culto ao corpo e a busca exagerada por
uma beleza idealizada podem trazer consequências dolorosas, por vezes, irrever-
síveis.
“- A inversão de valores, o ter versus o ser, já é um traço característico da so-
ciedade. A plástica visual diz respeito a cada um”, afirma. E, ainda salienta que
a constante insatisfação pessoal pode gerar distúrbios psicológicos e alimenta-
res.
Culto ao corpo: retrato de uma obsessão

Em que momento a preocupação saudável com a imagem se torna um vício


doentio?
O centro da vida deles é a academia. Tanto que alguns até sacrificam as rela-
ções pessoais em nome de uma corrida interminável em busca de um músculo
cada vez mais volumoso. E nunca se contentam com o que têm. Os mais afoitos
recorrem ao mercado negro, acessível na internet, para obter anabolizantes de
origem incerta ou injeções de hormô-
nio do crescimento. No final, o corpo
reage ao castigo: músculos hipertro-
fiados até o limite, retorno da acne,
ginecomastia (crescimento irregular
das mamas), sudorese excessiva, al-
terações bruscas de temperamento e,
nos casos mais graves, complicações
hepáticas e disfunção erétil, entre ou-
tros males.
Participantes se preparam para uma exibição de fisi-
culturismo amador Ximena Garrigues e Sérgio Moya.

“Ganhar musculatura é tão lícito quanto colocar silicone nos seios”

A obsessão com a imagem corporal se transformou num dos traços caracterís-


ticos das sociedades desenvolvidas, onde um físico esbelto e musculoso é associa-
do ao sucesso e à atração sexual. Seu resultado extremo é a vigorexia, o fanatismo
pelos músculos. Suas vítimas, pessoas que, “levadas pelo modelo social de culto
ao corpo, desenvolvem tendências obsessivo-compulsivas e viciantes, experiên-
cias negativas com seu próprio físico e baixa autoestima”, diz Luís García Alonso,
professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Complutense de Madri.

O vigoréxico típico seria um homem de 18 a 35 anos. Também há casos de


mulheres, embora muito mais isolados. Faltam dados exatos, mas a psicóloga
calcula que 35% dos frequentadores de academias caem no vício. Um estudo mais
completo realizado na França elevou esse número a 42%. “A primeira coisa que
um vigoréxico recebe é um reforço social: seu entorno o parabeniza por sua nova
condição física”, afirma Carlos Fanjul, professor da Universidade Jaime I, em
Castellón, e autor do livro Vigorexia: Una Mirada Desde la Publicidad (inédito no
20 Brasil).
 

É o caso do Manu. 21 anos. Corpo harmônico e fibroso que cultiva com


regularidade. Mas sua musculatura não aumentava tão rápido quanto ele queria.
Por isso, nos meses prévios ao verão, para se exibir na piscina, ele costumava
injetar-se hormônio do crescimento adquirido na internet sem nenhuma garantia
sobre a composição das substâncias.
Fazia isso escondido, em seu quarto,
sem que sua mãe soubesse. Até que um
dia, após injetar hormônio nos glúteos,
esteve meia hora estendido inconsciente
no chão. O susto serviu para que
deixasse de brincar com produtos cuja
procedência desconhecida.
Os atletas usam óleos bronzeadores para
realçar a musculatura Ximena Garrigues e
Sérgio Moya.

“Para que os músculos aumentem, é preciso sofrer”


A eclosão do culto ao corpo pétreo aconteceu nos anos oitenta, quando a comu-
nidade gay, atingida pela aids, começou a frequentar academias com a intenção
de oferecer uma imagem saudável do coletivo. Era a época em que os físicos en-
couraçados de Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone se transformavam em
ícones midiáticos. E o que começou como uma corrente homossexual se estendeu
por toda a sociedade. No mundo gay ainda existe essa tribo de talibãs do músculo.
Nos meses anteriores às festas do bairro madrilenho de Chueca, os vestiários de
muitas academias são testemunhas de conversas sobre como se faz um ciclo: in-
gestão de anabolizantes para alcançar um corpo perfeito, forçando o crescimento
da musculatura de forma rápida e brutal. 

Exibição de fisiculturismo
realizada em Alcalá de Hena-
res (Madri). Ximena Garrigues
e Sérgio Moya.

21
Jorge (nome fictício porque, como todos os consumidores de esteroides con-
sultados, quer proteger seu anonimato) tem 49 anos. Ele gosta de homens su-
per musculosos como Vin Diesel e Dwayne Johnson, conhecido como The Rock,
e sonha em ter um corpo como o deles. Um instrutor de academia prescreveu
a ele uma dieta de seis refeições diárias à base de muita proteína e lhe vendeu
anabolizantes com a bula escrita em turco. Jorge, que sabe dos efeitos colaterais
negativos, ainda não teve coragem de injetá-los. Mas segue uma dieta rigorosa e
malha diariamente na academia seguindo a máxima de seu treinador: “Para que
os músculos aumentem, é preciso sofrer”. O resultado, por enquanto, é uma ten-
dinite irrecuperável em um dos ombros. Ainda que aparente ser mais jovem do
que é, ele não está satisfeito com seu corpo. Sente-se infeliz e tentado a recorrer
às ampolas que estão guardadas no fundo da geladeira. 

“Vemos casos de obsessão”


“As pessoas com vigorexia seguem rituais alimentares bem singulares e, às ve-
zes, alterados. São incapazes de se enxergarem suficientemente fortes e ficam ob-
cecados com os exercícios e a alimentação para conseguirem cada vez mais mus-
culatura”, afirma José Ignacio Baile, psicólogo da Universidade à Distância de
Madri, na Espanha, e pesquisador de distúrbios do comportamento alimentar.

“O corpo precisa de tempo para


gerar massa muscular. É um proces-
so lento. Mas o problema de hoje é o
imediatismo”, diz Fernando López,
personal trainer do site de prepara-
ção física 4cuerpos.com. “Vemos casos
de obsessão. Há pessoas que até se
isolam do cônjuge e dos amigos. É
um problema grave porque falta in-
formação verdadeira. Cerca de 80%
do que se encontra na internet é fal-
Descanso prévio ao desfile perante os jurados
so ou errado”.
Ximena Garrigues e Sérgio Moya.

“Não somos ‘freaks’. Pelo contrário, somos esportistas”


Nem tudo são excessos. Muitos praticantes de musculação defendem os efeitos
saudáveis da prática. Daniel Stella, um madrilenho de 25 anos que trabalha como
caixa em uma rede de lojas de roupa e é aficionado por levantar peso, garante
que sempre recusou os anabolizantes quando lhes foram oferecidos. “Sei que tem
gente nesse mundinho que consome, mas eu prefiro dar duro na academia e man-
ter uma dieta saudável”.
Incentivado pela família, Daniel já participou de cinco campeonatos de fisi-
culturismo, uma modalidade que tenta se livrar do rótulo de esporte bizarro e
de minorias. “Não somos freaks. Pelo contrário, somos esportistas que fazemos
um grande esforço e um enorme sacrifício”, define Iliyan, búlgaro de 29 anos que
ficou em terceiro lugar na categoria Men’s Physique de um campeonato espanhol
em 2016.
22
 Faltam dados exatos, mas a psicóloga calcula que 35% dos frequentadores
de academias caem no vício da vigorexia. Um estudo mais completo elevou esse
número a 42%.

 Há vozes que defendem o uso de determinadas substâncias se isso for feito
de maneira responsável e sob controle. Como Desiree Gazmira, que há alguns
anos competiu no fisiculturismo feminino: “É alto que deveria ser controlado por
médicos e farmacêuticos. O problema é com aquelas pessoas que buscam atalhos
e agem de modo irresponsável. Essa gente dá uma fama ruim a nosso mundo.
Existe, mas não faz parte disso”.

Miguel Ángel Peraita, especialista em medicina biológica em um grande clube


esportivo de Madri, é da mesma opinião. Ele destaca que uma alimentação inade-
quada pode acabar sendo mais nociva do que o uso controlado de anabolizantes,
ou seja, “com análises prévias e metas vigiadas pelo médico”. “A diferença entre
um medicamento e um veneno é a dose”, define. Desde que não se caia em mãos
inexperientes e pouco qualificadas, o modelamento do corpo não tem porque
acarretar consequências negativas, segundo o médico. Ele o compara à cirurgia
plástica para fins estéticos: “Ganhar musculatura é tão lícito quanto colocar sili-
cone nos seios”.
Fonte: El País: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/22/eps/1469215970_680873.html

Questões de reflexão

1. Quando falamos em saúde e/ou qualidade de vida, quais são as capacidades


físicas que precisam ser priorizadas nas avaliações físicas?

2. Qual o seu ideal de beleza?

3. O que determina nossos critérios de avaliação para determinar o que é ideal


e o que não é?

23
4. Como sabemos quando alguém está magro/gordo, baixo/alto, bonito/feio?

5. Existe algum padrão ideal?


a. Qual seria?

b.Quem determina?

6. Você acha que sua opinião sobre ideais de beleza sofre alguma influência da
mídia? Justifique.

7. Você se considera bonita(o)? Se sim, acha que se enquadra nos padrões de


beleza expostos na mídia?

8. Na sua opinião, uma pessoa que não se enquadra nos padrões de beleza im-
postos pela mídia tem maior dificuldade na sua vida social? (amigos, namoro,
emprego, entre outros). Justifique sua resposta.

24
9. Você conhece alguém que tenha passado por alguma situação ruim em rela-
ção a avaliação de seu corpo por outras pessoas?

a. Se sim, sem citar nomes, explique o que ocorreu?

10. O que as pessoas fazem para se manter dentro dos padrões de beleza?

(a) Tudo que é feito para se manter em “forma” é correto?

(b) Tem alguma atitude que pode ser prejudicial?

(c) Quais são suas sugestões para alguém que queira melhorar a estética de seu
corpo de forma saudável?

25
11. (ENEM, 2017) Apesar de muitas crianças e adolescentes terem a Barbie
como um exemplo de beleza, um infográfico feito pelo site Rehabs.com compro-
vou que, caso uma mulher tivesse as medidas da boneca de plástico, ela nem esta-
ria viva. Não é exatamente uma novidade que as proporções da boneca mais famo-
sa do mundo são absurdas para o mundo real. Ativistas que lutam pela construção
de uma autoimagem mais saudável, pesquisadores de distúrbios alimentares e
pessoas que se preocupam com o impacto da indústria cultural na psique humana
apontam, há anos, a influência de modelos como a Barbie na distorção do corpo
feminino. Pescoço Com um pescoço duas vezes mais longo e 15 centímetros mais
fino do que o de uma mulher, a Barbie seria incapaz de manter sua cabeça levan-
tada. Cintura Com uma cintura de 40 centímetros (menor do que a sua cabeça),
a Barbie da vida real só teria espaço em seu corpo para acomodar metade de um
rim e alguns centímetros .de intestino. Quadril O índice que mede a relação en-
tre a cintura e o quadril da Barbie é de 0,56, o que significa que a medida da sua
cintura representa 56% da circunferência de seu quadril. Esse mesmo índice, em
uma mulher americana média, é de 0,8. Disponível em: http://oglobo.globo.com.
Acesso em: 2 maio 2015.

Ao abordar as possíveis influências da indústria de brinquedos sobre a repre-


sentação do corpo feminino, o texto analisa a :
(a) noção de beleza globalizada veiculada pela indústria cultural.
(b) influência da mídia para a adoção de um estilo de vida salutar pelas mulhe-
res.
(c) relação entre a alimentação saudável e o padrão de corpo instituído pela
boneca.
(d) proporcionalidade entre a representação do corpo da boneca e a do corpo
humano.
(e) influência mercadológica na construção de uma autoimagem positiva do
corpo feminino.

Pesquisa:
Distúrbios em relação ao corpo
• Anorexia nervosa
• Bulimia nervosa
• Vigorexia
• Compulsão alimentar
• Transtorno dismórfico corporal
1. O que é? Quais as suas características? O que causa essa doença?
2. Como prevenir? Quais são as consequências para pessoas portadoras
dessa patologia? Existe tratamento? Quais?
Após a organização dos dados coletados em um texto com formato
científico, monte uma apresentação utilizando cartaz informando as
principais informações da pesquisa.
26
Unidade Didática

Lutas do Mundo

27
Unidade Didática 3:
LUTAS DO MUNDO
São aqueles caracterizados como dis-
putas em que o oponente deve ser subju-
gado, com técnicas, táticas e estratégias
de desequilíbrio, contusão, imobilização
ou exclusão de um determinado espaço
na combinação de ações de ataque e de-
fesa.
Ex.:
individuais – judô, caratê, esgrima,
boxe, luta greco-romana, taekwondo;
coletivo – Kabadi
Lutaas versus Briga
É muito importante ter clareza que lutas
e brigas são coisas distintas que nada tem a
ver uma com a outra. Enquanto a luta apre-
senta regras, respeito entre os praticantes e
toda uma organização social, as brigas não
apresentam regras, são desorganizadas e
constituem-se em uma maneira violenta
de resolver conflitos por meio de ações não
éticas e desrespeitosas, ou seja, são bem di-
ferentes das lutas.

Classificação das Lutas


Curta distância
Dentro das práticas de curta distância,
estão as ações que ocorrem com maior
proximidade entre os envolvidos, os movi-
mentos de agarre que se tornam mais evi-
dentes. São ações que exigem proximidade
para que seja possível realizar os diferentes
golpes, técnicas, táticas, chaves, entre ou-
tras possibilidades. São exemplos de prá-
ticas de curta distância o judô, o jiu-jitsu,
o sumô, o wrestling (também denominada
de luta olímpica, dividido em dois estilos:
livre e greco-romana), entre outras.

28
Média distância
Já as ações de média distância referem-
-se as lutas que exigem um afastamento
maior em razão do tipo de golpe realizado
entre os envolvidos em comparação às lutas
de curta distância. Tal fato também se re-
fere às ações que são desenvolvidas nessas
modalidades, que são de toque, seja com
socos ou com chutes. Alguns exemplos de
modalidades de média distância são o cara-
tê, o kung fu, o boxe, o muay thai, o savate,
o krav maga, o kickboxing, entre outras.
Longa distância
As ações de longa distância, por sua vez,
como o próprio nome indica, exigem uma
distância ainda maior entre os envolvidos.
Para isso, é necessário algum tipo de imple-
mento no desenvolvimento das ações, como
uma espada, por exemplo. Existe uma série
de modalidades que utilizam implementos
e podem ser classificadas como de longa
distância, tais como a esgrima, o kendo,
kempo, algumas ações do kung fu, entre
outras.

Distância Mista
Finalmente, temos as ações caracteriza-
das pela distância mista, ou seja, que mis-
tura duas ou mais distâncias, como curta
com média. Qual modalidade poderia ser
enquadrada nesta última divisão? O MMA
é o melhor exemplo, pois agrega tanto ações
de curta distância como agarres, finaliza-
ções e quedas, quanto de média distância,
tais como socos, chutes e joelhadas.

Questões para estudo


1. O que são esportes de combate?

29
2. Diferencie Luta e briga.

3. Como podemos classificar as lutas? Explique e de exemplo em cada grupo.

Boxe
Há registros longínquos da existência do boxe já no ano 3.000 a.C., no Egito.
Mas foi na Grécia Antiga, no século 7 a.C., que a modalidade começou a tomar
cara de esporte. A história do boxe, no entanto, é cheia de altos e baixos. Embora
tenha feito parte das Olimpíadas da Grécia Antiga, quando os lutadores apenas
protegiam as mãos com pedaços de couro, o
boxe chegou a morrer.
Durante o Império Romano, houve altera-
ções no mínimo controversas na modalida-
de. O boxe passou a ser protagonizado pelos
gladiadores, que lutavam com luvas rechea-
das de metal. Algo propício para o objetivo
dos combates, já que na maioria das vezes a
disputa terminava com a morte de um dos
lutadores.

Jovens lutam boxe. Afresco


da civilização minoica, emAcroti-
ri, Santorini, cerca de 1500 a.C

Porém, o boxe só ganhou algumas


regras, aproximando-se do que é hoje,
no século XVII, no Reino Unido. Foi no
ano de 1867, que o uso de luvas e o nú-
mero de assaltos foram determinados
como regras oficiais.

30
Regras Básicas

As regras podem variar um pouco entre o


boxe amador e o profissional, assim como va-
riam também entre as organizações do boxe
profissional.

Os ringues têm entre 5 m² e 7,5 m², e sua


superfície é composta de lona sobre aproxi-
madamente 3 cm de acolchoado, para amor-
tecer possíveis quedas. Ainda, é cercado por
cordas flexíveis, sendo que normalmente fica
em uma plataforma elevada.

A luta é dividida em rounds, ou assaltos, que tem duração que podem variar
entre 3 min. e 1 minuto (para a divisão de juniores). O intervalo entre os rounds
é de 1 min.

31
O número de rounds (assaltos) pode variar dentre os níveis amador e profis-
sional. No profissional, as lutas têm 12 rounds, podendo chegar até 15. Já para os
amadores, são no máximo 5 rounds.

Nas regras atuais são consideradas faltas:

• Abraçar, atracar-se, ou agarrar excessivamente.

• Desferir golpes abaixo da cintura.

• Chutar.

• Atacar quando o oponente está caído na lona.

• Dar cabeçada.
No final de cada assalto, os lutadores ganham pontos, que são atribuídos por
cinco jurados da luta. Estes pontos, definidos por golpes e defesas, servem para
definir o ganhador em caso da luta chegar até o fim. Quando um lutador con-
segue derrubar o adversário e este permanece por 10 segundos no chão ou não
apresentar condições de continuidade na luta, ela termina por nocaute. Não são
permitidos golpes baixos (na linha da cintura ou abaixo dela).

As categorias
Para tornar as lutas mais competitivas,
as regras do boxe definiram categorias
que variam de acordo com o peso do luta-
dor (boxeador ou pugilista).

O boxe olímpico passou a ter 10 cate-


gorias no masculino e três categorias no
feminino na última edição dos Jogos, em
Londres-2012.

Masculino • Pesado (até 91kg)


• Mosca-ligeiro (até 49kg) • Superpesado (acima de 91kg)
• Mosca (até 52kg)
• Galo (até 56kg) Feminino
• Leve (até 60kg)
• Mosca (até 51kg)
• Médio-ligeiro (até 64kg)
• Leve (até 60kg)
• Meio-médio (até 69kg)
• Médio (até 75kg) • Meio-pesado (até 81kg)
• Meio-pesado (até 81kg)

32
Organização das lutas
As entidades de boxe são as responsáveis pela organização das lutas desde
1910, quando foi criada a União Internacional de Boxe (UIB), em Paris.
Posteriormente, outras entidades surgiram, outras deixaram de existir ou se
fundiram a novas entidades, até que nos dias atuais temos em vigor cinco grandes
entidades:
• Associação Mundial de Boxe (AMB), fundada em 1921;
• Conselho Mundial de Boxe (CMB), fundado em 1963;
• Federação Internacional de Boxe (FIB), criado em 1983;
• Organização Mundial de Boxe (OMB), criado em 1988;
• Federação Mundial de Boxe Profissional (FMBP), criado em 1998.
Além dessas, existe ainda a Asso-
ciação Internacional de Boxe Amador
(AIBA).
 
Modelo de atadura

Curiosidades
O boxe é um esporte, também considerado arte marcial, que faz parte dos Jo-
gos Pan-Americanos e também das Olimpíadas. Podemos citar como boxeadores
que mais fizeram sucesso: Larry Holmes, Muhammad Ali, Sugar Ray Leonard,
Oscar de la Hoya, Julio Cesar Chavez e Mike Tyson. No Brasil, podemos destacar
Éder Jofre, Adilson “Maguila” Rodrigues e Acelino Popó Freitas.

33
Golpes específicos
Jab ou Jabe: golpe frontal com o punho que está à frente na guarda. Embo-
ra seja geralmente usado para afastar o oponente ou para medir a distância, ele
pode nocautear;
Direto: golpe frontal com o punho que está atrás na guarda. É um golpe muito
rápido e forte;
Cruzado: tão potente quanto o direto, porém o alvo é a lateral da cabeça do
adversário. O cruzado termina seu movimento com o braço flexionado, diferen-
temente do direto;
Gancho:  desferido em movimento curvo do punho, atingindo lateralmente
a cabeça ou abdome, dificultando a defesa do oponente. Difere do cruzado pela
distância que é aplicado, próximo e contornando a guarda adversária;
Upper: golpe desferido de baixo para cima visando atingir o queixo do opo-
nente.
Jab-direto: desfere-se socos com ambas as mãos ao mesmo tempo.
Nocaute - O nocaute, ou knockout (KO) na língua inglesa, ocorre quando um
dos lutadores aplica um golpe que derruba seu adversário no chão, incapacitan-
do-o de terminar o combate. Caso o lutador esteja visivelmente atordoado pelos
golpes do adversário, mas ainda permaneça de pé, o juiz pode interromper a luta,
o que configura um nocaute técnico, no inglês technical knockout (TKO).
Golpes baixos - Os golpes baixos são os aplicados abaixo da cintura e não são
permitidos no boxe. Se o outro adversário bater em uma dessas partes, o mesmo
será advertido e, na reincidência, poderá ser eliminado, a critério do árbitro.
Os golpes permitidos são os aplicados na parte frontal do adversário, como no
rosto e no abdome.
Sparring  - Sparring é o pugilista que ajuda no treinamento de um outro
pugilista. Muitos lutadores profissionais começam suas carreiras como sparring,
antes de se profissionalizarem. Alguns exemplos de sparrings, que depois vieram
a se tornar campeões incluem: Larry Holmes, sparring de Muhammad Ali; Oscar
de la Hoya, sparring de Julio Cesar Chavez; e Riddick Bowe, sparring de Evander
Holyfield.

Links Interessantes
• Como fazer um saco de pancadas caseiro
https://www.youtube.com/watch?v=LYGfiDxFhNM
• Como fazer uma luva de boxe caseira
https://www.youtube.com/watch?v=FJQaJ0G_QpU

34
Questões para estudo:
1. Onde e quando surgiu o boxe?

2. Qual era o objetivo desta luta nos primórdios de seu surgimento?

3. Quais são as entidades que organizam as competições do boxe?

4. Quais os critérios utilizados para a definição das categorias desta luta? Quais
são as categorias?

5. Cite os principais golpes e descreva sua execução?

6. Como se determina o vencedor de uma luta?

7. O que é nocaute?

8. Quais são os principais movimentos de defesa?

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Pesquisa
• Origem e história;
• Equipamentos e estrutura necessária;
• Como se pratica (regulamento básico)?
• Técnicas específicas de luta (movimentação, ataque e defesa);
• Como se determina o vencedor?
• Monte uma aula de 30 minutos para esta modalidade (pesquise
exercícios específicos da modalidade, mas que possam ser realizados
por alunos iniciantes).
Trabalho escrito completo: capa, índice, introdução, desenvolvi-
mento, conclusão, referências, anexos (entre outras informações ane-
xadas, deve estar a aula de 30 minutos planejada pelo grupo).
Cartaz explicativo resumido com imagens (uma cartolina ou outro
material de mesmo tamanho)
Apresentação
• Fala breve sobre a modalidade;
• Explicação resumida sobre o seu funcionamento;
• Desenvolvimento de uma aula de 25-30 minutos.
Peso: 20 pontos
Data de entrega e início das apresentações 05/08.

UFC: Dá para chamar de esporte?


Acusação de doping de Anderson Silva revela as condições nebulosas em que
são realizados os testes de controle da modalidade de luta mais popular da atua-
lidade na qual o dinheiro dita as regras
Não foram poucas as pessoas que
atravessaram a madrugada diante da
televisão no domingo 1º, para prestigiar
o maior ídolo brasileiro dos esportes
de luta na atualidade. Em uma jaula de
oito lados cercada por grades, Anderson
Silva, a grande atração do UFC 183, o
maior evento de MMA do mundo, reali-
zado em Las Vegas, bateu, esquivou-se e
apanhou do seu rival, o americano Nick
Rodrigo Cardoso (rcardoso@istoe.com.br) Diaz. Em São Paulo e no Rio de Janeiro,
a audiência da luta que marcou o retorno do atleta 399 dias depois de ter fratura-
do a perna esquerda foi espetacular para o horário – 15 pontos (ou um milhão de
domicílios sintonizados) e 18 pontos (1,2 milhão), respectivamente. Silva venceu
o combate e foi aclamado por sua capacidade de superação. Dois dias depois, po-
rém, o mundo assistiu, surpreso, à divulgação da notícia de que o brasileiro fora
flagrado no exame antidoping.

36
Show: Nick Diaz e Anderson Silva, na luta que
deixou milhões de espectadores grudados na TV.
Abaixo, o todo-poderoso dono do UFC, Dana White:
à margem das regras do esporte

O fato deve reverter a vitória do


brasileiro para luta “sem resultado”.
Como se encurralado nas cordas es-
tivesse, o atleta iniciou um embate
jurídico para contestar o resultado
e não perder a credibilidade que o
tornou o maior lutador de MMA da
história. Mas é o UFC, à margem das
regras do esporte, quem sai mais ar-
ranhado desse episódio.
O exame que acusou no brasileiro a presença de drostanolona, um tipo de ana-
bolizante, e androsterona, uma testosterona endógena, foi realizado 22 dias antes
da luta entre Silva e Diaz e divulgado dois dias depois dela. As perguntas que se
instalaram são: por que a demora na conclusão do resultado do teste? E por que a
divulgação poucos dias depois do combate? Há a possibilidade de que os organi-
zadores já soubessem do doping e tenham segurado a informação para que o tão
lucrativo confronto não fosse cancelado e causasse prejuízo aos donos do even-
to, os irmãos Frank e Lorenzo Ferrita e Dana White. Somente o público pagante
rendeu R$ 12,3 milhões. Mas é pouco provável que essa suposta complacência
consiga ser provada. Após a enxurrada de questionamentos sobre o procedimen-
to de análises e divulgação do material coletado de Silva, a Comissão Atlética de
Nevada (NSAC), órgão do governo que regulou o controle antidoping dessa luta,
achou por bem assumir parte da culpa. “Eu deveria ter ligado para o laboratório e
checado o andamento dos exames”, disse o diretor executivo Bob Benett. “Infeliz-
mente, nós estávamos ocupados. Foram seis eventos em 30 dias.”
Entidade privada, o UFC não segue o protocolo da Agência Mundial Antido-
ping (Wada), como os esportes olímpicos. O futebol americano e o beisebol, duas
das modalidades mais populares nos Estados Unidos, também não seguem essas
regras. Como a luta do brasileiro foi realizada em Las Vegas, coube a um órgão
do governo, a Comissão Atlética de Nevada (NSAC), regular o controle antido-
ping. Ocorreria da mesma forma com outra comissão, se o evento fosse em outro
Estado. “A Comissão Atlética de Nevada tinha os testes de Silva antes da luta e
o deixou lutar? Estou confuso”, questionou, via Twitter, o lutador americano do
UFC Cody Gibson.
O brasileiro foi submetido a dois testes surpresa. A análise ficou a cargo do
Laboratório de Pesquisa de Medicina Esportiva e Exames, de Utah. De acordo
com o ex-lutador e comentarista de MMA do canal Combate, da Globosat, Carlão
Barreto, é o UFC quem financia os exames feitos fora da competição. “Essa lacuna
entre a data da coleta do material e a divulgação dele joga contra a imagem da
comissão e, por tabela, do MMA”, diz ele.

37
Se o MMA fosse regulado por essa agência, qualquer atleta flagrado com ana-
bolizantes poderia ser banido do esporte por até oito anos. No UFC, se a culpa de
Silva for confirmada após os esclarecimentos que dará à NSAC, na terça-feira 17,
sua pena pode ser de até nove meses. “Fica evidente a importância do que repre-
senta o ‘show’ e o show nunca pode parar, não é mesmo? Precisamos discutir se o
MMA pode ser considerado esporte”, afirma Alexandre Velly Nunes, professor da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul que integrou grupos de controle de
doping em quatro olimpíadas. O código mundial antidoping é reconhecido pela
Unesco, o que implica que todos os países signatários deveriam segui-lo. “Se os
padrões internacionais não são utilizados, a modalidade fica sob suspeita.”

Em 2014, Georges Saint Pierre, eleito


por três vezes o maior atleta canadense
do ano por sua performance no UFC,
considerado o melhor meio-médio da
história, revelou ter se afastado das lu-
tas por discordar da política antidoping
do evento. “Sou atleta e sei o que acon-
tece. Infelizmente, algumas pessoas,
talvez por medo de perder dinheiro,
não queiram mudar nada. Como ficaria
a imagem do esporte se você fosse obri-
gado a cancelar lutas porque o atleta
testou positivo?” Anderson Silva nega
ter usado as substâncias apontadas no
teste e pediu que uma contraprova fos-
se feita em outro laboratório, o que foi
negado pela Comissão de Nevada. Res-
ta saber se só a imagem do UFC sairá
manchada dessa história.

Questões de reflexão
1. Você considera o MMA um esporte legítimo ou uma espécie de versão huma-
na da rinha de galo?

38
2. O MMA é um dos esportes que mais cresce no mundo. O que isso nos diz so-
bre a sociedade moderna?

3. A Associação Médica do Canadá está correta em tentar banir o MMA no


país?

4. Você já assistiu alguma luta de qualquer esporte de combate? E de UFC? Co-


nhece alguém que acompanha frequentemente esses eventos?

5. Na história da humanidade, vimos a utilização da violência para a distração


do povo em meio aos desmandos de governos autoritários (caso das arenas de
gladiadores em Roma). Existe alguma relação entre as Arenas Romanas de anti-
gamente e os Octógonos ou Ringues de MMA modernos?

6. Qual a importância deste tipo de evento para a economia?

39
Espadas e Sensores: a tecnologia da esgrima
Um dos esportes mais tradicionais, a es-
grima já usa algum tipo de tecnologia des-
de a década de 20. Equipamento criado por
brasileiros vai trazer sistema wireless para
a atividade
Em uma pista de 14 metros, es-
grimistas dão passos rápidos para
frente e para trás e desferem golpes
tão rápidos em seus oponentes que
é necessário um replay em câmera
lenta para serem avaliados a olho
nu. Devido a essa rapidez e precisão
dos atletas, o esporte foi um dos pri-
meiros a adotar algum tipo de tec-
nologia para a detecção de pontos,
ainda na década de 20.
Antes, vale uma breve descrição das regras da esgrima: são três assaltos, com
três minutos cada. As armas brancas utilizadas são florete, espada e sabre. Na es-
pada e no florete, o adversário só pode ser atingido com a ponta da arma e ganha
pontos quando o faz. Na espada, é contabilizado o ponto quando qualquer parte
do corpo é atingida. O florete deve atingir o tronco, enquanto o sabre, que é me-
nor, pode atingir a região da cintura ou acima, sendo que o toque pode ser feito
com a lâmina ou a ponta da arma.
Embora existam relatos de esportes parecidos com a esgrima há três mil anos,
o esporte de maneira mais parecido com o atual surgiu entre 1500 e 1700. “Até o
século 19, o esporte funcionava sem sistema elétrico e era o árbitro que via se a
arma havia tocado ou não no adversário. Normalmente, colocava-se giz na ponta
da espada para ajudar nessa aferição”, explica Carlos Toledo Martins, esgrimista
e empresário que está trabalhando no desenvolvimento de um novo sistema de
detecção de pontos para a esgrima.
Na década de 20 surgiu o primeiro sistema elétrico na espada. No florete, a
tecnologia chegou por volta de década de 40 e no sabre no final da década de 80.
“Antes do sistema elétrico, sempre existiam reclamações dos atletas. Eles falavam
‘eu não senti nada’ e quem decidia era o árbitro. Dava muita margem ao erro”,
conta Carlos.
No sistema atual de detecção de pontos, há um dispositivo na ponta da espada
que está conectado a um sistema elétrico com fios. No caso da espada e do florete,
em que o atleta só pode pontuar com a ponta da arma, há um sensor que parece
um botão quando pressionado e acende uma luz no aparelho de sinalização. No
florete, há a luz vermelha e verde (uma para cada atleta), além da branca, quando
o toque é feito em uma zona não válida. Além disso, a pista é forrada com uma
malha magnética para que não haja confusão quando a arma tocar a pista, por
exemplo.

40
Atletas do sabre utilizam um colete e uma máscara metálica para ativar o sen-
sor em caso do toque, já que na categoria os golpes contabilizados só são da cintu-
ra para cima. No florete, há apenas a utilização do colete metálico, já que o toque
que vale é apenas no torso. Na espada não há a necessidade dos coletes ou más-
cara metálicas, pois os pontos são contabilizados em qualquer parte do corpo.
Ao final da década de 90, o Comitê Olímpico Internacional (COI) come-
çou a pressionar a esgrima para desenvolver uma tecnologia melhor. Até en-
tão, o sistema elétrico de aferição é feito com “enroladeiras”, um equipamen-
to com fio que conecta o atleta na pista ao aparelho de sinalização. Foi então
que a FIE (Federação Internacional de Esgrima) começou a buscar um sistema
wireless para as competições, que foi desenvolvido pela STM, empresa russa. O
sistema feito pela STM foi utilizado em Sydney, em 2000, mas somente para a
categoria de sabre.
Segundo Martins, o sistema dos russos é efetivo, mas pode falhar com muito
suor. “Este aparelho coloca mais fios ainda no corpo do atleta e exige grandes
aparelhos conectados na pista”, conta Martins. “É uma parafernália muito gran-
de. Colocam equipamentos nas pessoas por baixo da luva, então ele é ligado na
barriga e joga um sinal para outro grande equipamento na pista”, explica. Por
trazer esse aumento na complexidade, o aparelho não foi vendido e só é usado
em apresentações e a partir das oitavas-de-final de grandes competições, como o
Mundial.

41
A esgrima wireless

A partir da pressão do COI pela melhora da tecnologia, a FIE lançou um con-


curso em 2013, desafiando engenheiros ao redor do mundo a criar um sistema
wireless para o esporte. Vinte e três empresas apresentaram suas ideias e o con-
curso ainda não teve vencedor.
Empresas de países como Itália, Inglaterra e Espanha chegaram a desenvol-
ver um sistema wireless, mas apenas para treino. Martins, que já desenvolvia a
tecnologia desde 2008, resolveu tentar a sorte no concurso. O projeto foi feito
em parceria com os engenheiros Walter Pedra e Daniel Rossato, em Curitiba.
Em 2012, a RFID Control, empresa formada por engenheiros da Universidade
Tecnológica Federal do Paraná, resolveu abraçar o projeto e transformá-lo em
produto.
Além dos engenheiros da Universidade, Martins também teve a ajuda de Wol-
ney Betiol, cofundador da Bematech, que faz a mentoria da parte comercial do
projeto. O sistema de Martins e seus parceiros funciona com sinais wireless com
uma caixinha no bolso do atleta que estará conectada a arma, podendo diferen-
ciar a pele, a base de arma e a roupa suada. O aparelho irá funcionar para as três
armas. Veja uma demonstração da tecnologia em uso com o atleta Athos Schwan-
tes:
Agora, Martins está na etapa final do processo. “Em um ou dois meses já deve
estar funcionando em algumas competições”, explica. Os brasileiros estão termi-
nando os protótipos para entregar para possíveis parceiros. Carlos está fechando
negócio com uma grande marca de artigos esportivos. Funcionários desta empre-
sa, que ainda não pode ser revelada, devem levar três conjuntos para testar na
Alemanha nas próximas semanas. Caso o contrato seja assinado, a produção será
feita na China e no Brasil.
Além do projeto dos brasileiros, há outros que estão tentando criar os seus
próprios.
Um deles foi desenvolvido pela Laurenson Engineering, empresa australiana
que tentou a sorte no crowdfunding. A empresa pedia 70 mil dólares australianos
no Kickstarter, mas não conseguiu a meta ao atingir somente 16 mil.
A tecnologia foi um fator determinante para algumas mudanças no esporte. “O
sabre antes do sistema elétrico era muito mais pesado e mais lento”, explica ele.
Depois do sistema elétrico, qualquer toque de raspão começou a ser considerado
ponto, não tendo mais a necessidade de aferição de pontos pelo árbitro.

Atividade reflexiva
Com base no texto acima, disserte sobre a utilização da tecnologia nos esportes
citando exemplos que você conheça e justificando seu posicionamento. Obs.: má-
ximo de 30 linhas mais título; nome ao final do texto; entrega, 30 de julho. Crité-
rios de avaliação: organização das ideias; argumentação; apresentação estética;
ortografia. Peso: 20 pontos.
42
Unidade Didática

Tênis

43
Unidade Didática 4:

TÊNIS

O tênis é um esporte de origem inglesa, dis-


putado em quadras geralmente abertas e de
superfícies sintéticas, cimento, saibro, ou rel-
va. Participam no jogo dois oponentes ou duas
duplas de oponentes, podendo ser mistas (ho-
mens e mulheres) ou não. A quadra é dividida
em duas meia-quadras por uma rede, e o obje-
tivo do jogo é rebater uma pequena bola para
além da rede (para a meia-quadra adversária)
com ajuda de uma raquete.

Tipos de piso

Saibro Rápida

Grama
Para marcar um ponto é preciso que a bola toque no solo em qualquer parte
dentro da quadra adversária incluindo o alvado do oponente, fazendo com que o
adversário não consiga devolver a bola antes do segundo toque, ou que a devolva
para fora dos limites da outra meia-quadra.
44
O tênis possui um intricado sistema de pontuação, que subdivide o jogo em ga-
mes/jogos e sets/partidas. Grosso modo, um game é um conjunto de pontos (15-
30-40-game) e um set é um conjunto de games (1-2-3-4-5-set). Cada game tem
um jogador responsável por recolocar a bola em jogo: fazer o serviço ou sacar.
Ganha o jogo aquele que atingir um número de sets pré-definido - geralmente 2
sets, sendo de 3 sets para os grandes torneios masculinos.

O jogo atual de tênis originou-se no século XIX, na Inglaterra. Porém, muitos


historiadores acreditam que a origem do esporte data o século XII, na França,
contudo usava-se a mão para bater na bola. No final do século XVI começou-se
a usar raquetes para bater na bola e o jogo passou a ser chamado de “tênis”, do
francês antigo Tenez, que pode ser traduzido como “segure” ou “receba”. O jogo
era popular na França e na Inglaterra, onde era praticado em locais cobertos,
onde a bola não batesse em uma parede. Mais tarde, o jogo seria chamado de
“tênis real”.

Equipamentos

45
A Quadra
A quadra tem 23,77m de comprimento, e sua largura são 8,23m para partidas
de simples, e 10,97m para partidas de duplas. A rede tem 1,07m de altura nas
extremidades, e 914mm de altura no centro.

46
Linguagem do esporte
• Ace / Ás - Saque que, bem colocado
ou batido com muita eficácia, não dá chance
ao adversário de pegar a bola na tentativa de
resposta.
• Break / Quebra de serviço / Quebra
de saque - Ganhar o game em que foi o ad-
versário quem sacou.
• Falta - Um erro no saque (por sacar
a bola para rede, para fora da área permiti-
da, ou por pisar a linha de fundo de quadra).
Dois erros consecutivos, ou dupla falta, fa-
zem o servidor dar um ponto ao oponen-
te.
• Vantagem - Ponto que desempata
o placar de igualdade (40 a 40 ou deuce).
Vantagem significa que o ponto seguinte pode concluir o game. Pode ser “vanta-
gem do sacador” ou “vantagem do recebedor” .
• Contagem de pontos - Os pontos são dados nesta ondem: 0, 15, 30, 40. Em
cada ponto existe um lugar certo para sacar, começando sempre pela direita.

Gran Slam

O Grand Slam é a sequência dos quatro principais torneios do mundo: Roland


Garros (França), Wimbledon (Inglaterra), Aberto dos EUA (Estados Unidos) e
Aberto da Austrália.
A expressão Grand Slam veio de uma associação com outro esporte, o base-
ball. Quando uma equipe consegue completar, de uma só vez, as quatro bases,
ela provoca um “grand slam” (grande barulho) no estádio - ninguém se cansa de
aplaudir a incrível jogada. No tênis, quem vence os quatro maiores torneios con-
segue um fato tão raro quanto completar as quatro bases sucessivas no baseball,
daí a comparação. O maior vencedor de Grand Slams é o suíço Roger Federer
(ainda em atividade) com 17 títulos. Vencer os quatro Grand Slams em uma única
temporada é um fato muito raro. Dois homens e três mulheres conseguiram essa
proeza:
Feminino Masculino
• Maureen Connoly • John Donald Budge
(Estados Unidos), em 1953. (Estados Unidos), em 1938.
• Margaret Smith Court • Rod Laver (Austrália),
(Austrália), em 1970. em 1962 e 1969
• Steffi Graf (
Alemanha), em 1988.
47
Análise: Tênis mostra que igualdade de gênero
ainda está longe do esporte4

Por Adalberto Leister Filho


São Paulo (SP) em 8 de Novembro de 2017 às 08:14

No filme “A guerra dos sexos”, recentemente em cartaz em São Paulo, a tenista


Billie Jean King, estrela do tênis nos anos 70, aceita o desafio do ex-campeão de
Wimbledon Bobby Riggs para uma partida. A “batalha dos sexos” atrai a atenção
de público e mídia, diante do inusitado do acontecimento.

Ao contrário da expectativa geral, a norte-americana venceu o duelo, dando


um passo importante na afirmação do tênis feminino no circuito internacional.

Foram vitórias significativas, mas a luta pela igualdade de gêneros nas qua-
dras ainda está longe do tie-break. Quase 45 anos depois, a ATP (Associação dos
Tenistas Profissionais) deu mais um passo grande rumo ao atraso ao promover
um sorteio sexista para os grupos do Next Gen Finals, que reúne os oito melhores
tenistas até 21 anos da temporada.

Cada tenista escolhia uma modelo, que levantava o vestido para mostrar em
que grupo o jogador estaria inserido na competição. A Red Bull, patrocinadora
do evento pediu desculpas públicas e qualificou o episódio como “inaceitável”.  

Deslizes assim têm se repetido. Há dois anos, Caroline Wozniacki, ex-número


1 do mundo, reclamou da organização do Torneio de Wimbledon. A dinamarque-
sa ficou contrariada pelo fato de a quadra central ser reservada quase que exclu-
sivamente para os jogos no masculino.
Mesmo sendo um dos esportes que mais cedo equiparou os prêmios para ho-
mens e mulheres, o tênis mostra que a busca pela igualdade ainda está longe do
match point. 

Questões de reflexão:
1. Como você percebe a prática de esportes das mulheres em relação aos ho-
mens?

2. A que se devem estas diferenças?

4 https://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/analise-tenis-mostra-que-igualdade-de-genero-ain-
48 da-esta-longe-do-esporte_33451.html
Unidade Didática

Práticas Corporais de
Aventura na Natureza

49
Unidade Didática 5:

PRÁTICAS CORPORAIS DE AVENTURA NA NATUREZA

Um dos objetivos do homem sempre


foi vencer obstáculos e limites, buscan-
do ser o mais forte, o mais ágil e o mais
rápido perante os competidores e os am-
bientes. Levando a extremos, chegou-se
aos esportes de aventura, no qual, além
de certo perigo físico, busca-se mais que
a vitória uma vivência física e emocio-
nal. Para os praticantes, o fundamental
é sentir a adrenalina pulsando.

Os esportes de aventura se dividem


em duas categorias, os esportes de aventura na natureza e os esportes radicais ur-
banos. Os do primeiro tipo, além dos riscos da atividade em si, o praticante deve
lidar com a imprevisibilidade da natureza. Afinal, pode chover nevar, o rio pode
ficar mais turbulento, etc. Já os urbanos utilizam a disposição das cidades em sua
prática, embora algumas modalidades possam ser praticadas indoor.

50
Sugestão de filmes:
Uma caminhada na floresta
127 horas

Caminho do Peabiru
Os peabiru (na língua tupi, “pe” – caminho;
“abiru” - gramado amassado) são antigos ca-
minhos utilizados pelos indígenas sul-ame-
ricanos desde muito antes do descobrimento
pelos  europeus, ligando o litoral ao interior do
continente.
O principal destes caminhos, denominado
Caminho do Peabiru, constituía-se em uma via
que ligava os Andes ao Oceano Atlântico. Mais
precisamente, Cusco, no Peru (embora talvez
se estendesse até o oceano Pacífico), ao litoral
brasileiro na altura da Capitania de São Vicen-
te (atual estado de São Paulo), estendendo-se
por cerca de 3 000 quilômetros, atravessando
os territórios dos atuais Peru, Bolívia, Para-
guai e Brasil.

Segundo os relatos históricos, o caminho passava pelas regiões das atuais ci-
dades de Assunção, Foz do Iguaçu, Alto Piquiri, Ivaí, Tibagi, Botucatu, Soroca-
ba e São Paulo até chegar à região da atual cidade de São Vicente. Ainda havia
outros ramos do caminho que terminavam nas regiões das atuais cidades de Ca-
naneia e Florianópolis.

Em território brasileiro, um de seus traços ou ramais era a chamada Trilha dos


Tupiniquins [...] Ramificações adicionais partiam do litoral dos atuais estados
de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
História
Em 1524, parte desse caminho
foi percorrido pelo náufrago portu-
guês Aleixo Garcia, que comandou
uma expedição integrada por algumas
centenas de índios guaranis carijós,
partindo da Ilha de Santa Catari-
na («Meiembipe»), percorrendo essa
via para saquear ouro, prata e estanho,
tendo atingido o território do Peru,
no Império Inca, nove anos antes da invasão espanhola dos Andes em 1533.
51
O caminho tinha diversas ramifica-
ções utilizadas pelos guaranis, que, atra-
vés delas, se deslocavam pelas diversas
partes do seu território, mantendo, em
contato, as tribos confederadas através
de uma espécie de correio rudimentar
chamado parejhara que ligava o norte e
o sul do Brasil, da Lagoa dos Patos até
a Amazônia. Segundo a tradição desse
povo, o caminho não foi aberto por eles,
que atribuem a sua construção ao an-
cestral civilizador Sumé, que teria cria-
do a rota no sentido leste-oeste.

Através do caminho, era realiza-


da uma intensa troca comercial (na
base do escambo) entre os índios do
litoral e do sertão e os incas: os índios do litoral forneciam sal e conchas orna-
mentais, os índios do sertão forneciam feijão, milho e penas de aves grandes
como ema e tucano para enfeite, e os incas forneciam objetos de cobre, bronze,
prata e ouro.

Pesquisas iniciadas no século XIX pelo Barão de Capanema levaram à


formulação da hipótese de o caminho ter sido criado pelos incas numa tentativa
de trazer a sua cultura até os povos da costa do Oceano Atlântico.

Hoje
Restam ainda, em pontos isolados de mata e em algumas localidades, remi-
niscências desse caminho, que se caracterizava por apresentar cerca de 1,40 me-
tro de largura e leito com rebaixamento médio em relação ao nível do solo de
cerca de 40 centímetros, recoberto por uma gramínea denominada puxa-tripa.
Nos seus trechos mais difíceis, o caminho chegava a ser pavimentado com pedras.
Em alguns trechos, era sinalizado com inscrições rupestres, mapas e símbolos as-
tronômicos de origem indígena.

52
Na década de 1970, uma equipe coordenada pelo professor Igor Chmyz, da Uni-
versidade Federal do Paraná, identificou cerca de trinta quilômetros remanescen-
tes da trilha na área rural de Campina da Lagoa, no estado do Paraná. Ao longo
desse trecho, foram, ainda, identificados sítios arqueológicos com vestígios das
habitações utilizadas provavelmente quando os indígenas estavam em trânsito.
Mais recentemente, essa universidade vinha desenvolvendo trabalhos para tornar
o caminho uma atração turística, a exemplo do Projeto Estrada Real, em Minas
Gerais.

Trilhas como está são utilizadas para práticas de aventura como desafios para
aventureiros profissionais, mas, também, para amadores.

Conhecida popularmente como A.T.,


é uma trilha totalmente sinalizada no
Leste dos Estados Unidos e fica entre os
estados americanos da Georgia (sain-
do da Springer Mountain) e termina
no Maine (no Mount Katahdin). Com
3.500 km de extensão, atravessando
14 estados americanos, é considerada
como quase obrigatória por praticantes
de trekking e hiking do país.

A organização que a administra


- Appalachian Trail Conservancy, afirma
que é a trilha de caminhadas mais longa
do mundo. Mais de 2 milhões de pes-
soas dizem ter feito pelo menos um dia
de caminhada na trilha a cada ano.

É mantida por 31 clubes de trilhas e


parcerias múltiplas, e gerenciadas pelo National Park Service, United States Fo-
rest Service e a organização sem fins lucrativos Appalachian Trail Conservancy. A
maioria da trilha está em áreas florestadas ou selvagens, embora algumas porções
atravessem cidades, estradas e fazendas.

Corrida de Orientação
A Corrida de Orientação é uma
espécie de rally a pé -, consiste
basicamente em um competidor,
equipado apenas com uma bússola
e um mapa topográfico, onde estão
marcados os locais por onde ele
deve passar.

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Nesses lugares existem prismas juntamente com picotadores, com o qual o
atleta deve picotar um cartão de controle, assinalando sua passagem. Ganha
quem fizer o percurso no menor tempo.

O campeonato é dividido em modalidades por idade e sexo. Os lugares onde


são realizadas estas provas são muito verdes, por isso a corrida de orientação é
um esporte para aqueles que gostam de ficar junto da natureza, convivendo paci-
ficamente com ela, tirando proveito e cuidando dela ao mesmo tempo.

A Orientação é um desporto distinto dos demais, onde o praticante escolhe o


caminho a ser seguido em meio à natureza, gerando deste modo, um componente
mental e lúdico capaz de atrair um grande número de praticantes de todas as ida-
des e ter uma aceitação muito grande pelo público feminino.

Nesta prova o competidor terá uma bússola, um mapa e sua inteligência. Nada
mais é preciso para que ele trace seu próprio caminho, atravessando trilhas e
montanhas, e quando chegar ao fim da corrida , passando por todos os pontos de
marcação, torne-se um verdadeiro vencedor.

A Orientação, como atividade, acompanha o homem desde sua origem. No


entanto, como esporte, surgiu nos países nórdicos há mais de cem anos, com o
propósito de realizar-se uma atividade física ao ar livre, mantendo a mente do
praticante ocupada em toda a sua execução e contribuindo para a educação am-
biental.
Regras básicas
• Passar por todos os pontos de controle;

• Marcar corretamente o cartão de controle;

• Preservar a natureza.
Característica do Esporte
A característica própria do desporto Orientação é escolher e seguir a melhor
rota por um terreno desconhecido contra o relógio. Isto exige habilidades de
orientação, tais como: leitura precisa do mapa, avaliação e escolha da rota, uso da
bússola, concentração sob tensão, tomar decisão rápida, correr em terreno natu-
ral, manter o controle da distância percorrida etc.

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Equipamentos Específicos da Orientação

Legenda

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O mapa de orientação

O mapa de orientação é um mapa topográfico detalhado, onde é traçado o per-


curso que o atleta tem que percorrer e são locados precisamente todos os detalhes
da vegetação, relevo, hidrografia, rochas e construções feitas pelo homem etc.

O percurso de Orientação
O percurso de orientação é constituído de triângulo de partida, pontos de con-
trole e chegada. Entre estes pontos, que são locados precisamente no terreno e
equivalentemente no mapa, estão as pernadas do percurso, nas quais o competi-
dor deverá orientar-se.

Mapa com padrões oficiais segundo as normas específicas do esporte

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Mapa adaptado do espaço escolar confeccionado exclusivamente para as
vivências do esporte na escola.

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