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Materiais de construção I 2/2020.

Professora Jéssica Siqueira de Souza

Guilherme de Andrade Santos

160050430

Resumo: Materiais cerâmicos e suas propriedades

Materiais cerâmicos, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas , ABNT,


possuem como principal constituinte as argilas, que são partículas coloidais de diâmetro inferior
a 0,005mm, que quando úmidas possuem plasticidade e quando secas formam torrões difíceis
de separar com as mãos, sua composição química é diversa, possui Silício, alumínio, água, na
sua forma mais pura e outros materiais inorgânicos . As características físico-químicas da
matéria-prima influenciam as propriedades finais dos produtos que serão submetidos ao
processamento industrial, sistema controlado, racionalizado para produção em larga escala, que
reduz efeitos negativos relacionados à criação do produto, como retração, trincas, fundência,
resistência mecânica, absorção de água e compactação, e pode vir a minimizar preços finais
(SILVA apud ABNT).

Essas diferentes composições nas jazidas podem ser analisadas por geólogos, conforme
os elementos químicos presentes, e seguem para a indústria para o processo de transformação
industrial, pelas etapas de sazonamento, mistura, amassamento, conformação, secagem,
queima e resfriamento. Entretanto, para diferentes produtos, requer-se diferentes etapas,
composições, propriedades e formas, neste resumo, trata-se do revestimento cerâmico, do
bloco cerâmico e das telhas cerâmicas.

O revestimento cerâmico não é somente um item de acabamento e de decoração, com


evolução da tecnologia se tornou um elemento indispensável para proteger estruturas e
prevenir de infiltrações, envolvendo-as contra as intempéries, de maneira funcional, além de
prezar pela questão do conforto, das sensações. Os pontos positivos de sua utilização são: a
higiene, o isolamento térmico e acústico, a durabilidade, o estanque de água e gases, a
segurança ao fogo. Esses blocos cerâmicos a partir do processo da moldagem, da secagem e da
queima dessa mistura ou da argila mais pura são diferenciados em blocos cerâmicos, e
normalmente ocorre a esmaltação e decoração. As normas referentes a esse produto são a NBR
13817 e 13818/97 (trata da especificação e dos métodos de ensaios), e possuem uma
importante instituição que é a associação nacional de fabricantes de cerâmica para
revestimento (ANFACER)

Para reforçar a durabilidade e a qualidade do produto final deve-se prestar atenção no


planejamento de ambientes, na escolha correta conforme a descrição do fabricante, na
qualidade do assentamento e na qualidade da construção. Deve-se considerar conforme o uso
os diversos aspectos da norma, absorção de água, a expansão por absorção de água, a
resistência mecânica, a resistência à reagentes químicos e às manchas, aspectos importantes.
Conforme o ambiente, sendo externo ou interno, horizontal ou vertical e seco ou molhado a
escolha do revestimento deve ser analisada. Placas cerâmicas podem ser aplicadas em
superfícies verticais, paredes, que podem possuir resistência à ruptura e à carga mínimas, mas
se tratando dos pisos, superfícies horizontais, requer mais atenção em relação à resistência as
cargas de ruptura, à abrasão, assim como a limpeza e o coeficiente de atrito. Para especificar
corretamente o uso, características próprias são determinadas pelas propriedades da matéria.
São elas:

Absorção de água: propriedade relacionada com a porosidade, sua capacidade de reter


água nos poros, interstícios resultantes da reação inorgânica durante a fundição do material. A
absorção influi na resistência química, mecânica, ao impacto, entre outras. É um parâmetro de
classificação dos revestimentos cerâmicos, quando maior a porosidade maior a aderência da
argamassa, entretanto esse aumento de porosidade pode reduzir a resistência mecânica.
Quando se trata de ambientes que o frio é uma realidade, deve-se considerar a expansão por
umidade e resistência ao gelo, pois quando a água penetra nos poros e congela aumenta o
volume e pode danificar a placa. Em diferentes revestimentos têm-se um espectro diferentes
absorções, do porcelanato é de 0 a 0,5% de absorção; dos chamados grés, de 0,5 a 3%; os semi-
grés de 3 a 6%; os semi-porosos, de 6 a 10% e os porosos são os acima de 10% de absorção de
água. A NBR 13818/ 1997 leva em conta a expansão por umidade, ou EPU, requisito importante
para classificar a cerâmica, que é o inchamento ocorrido na cerâmica logo após sair do formo,
fenômeno conhecido por dilatação higroscópica, ou expansão por umidade, uma elevada EPU
ocasiona microfissuras no esmalte, pois no começo encontra-se o produto ligeiramente
comprimido internamente, esse inchamento introduz de maneira gradativa tensões de tração
no esmalte, que é mais externo e deve ser próprio para compensar a compressão. O EPU deve
ser menor ou igual a 0,6mm/m, caso ultrapasse esse valor, além do gretamento, que são essas
fissuras do conflito da cerâmica ao esmalte, a cerâmica pode se destacar excessivamente, e não
será suportada tanto pela argamassa de rejunte, quanto pela adesiva, pela largura de junta, pelo
local de aplicação as quais foram projetadas. Aderência: capacidade do bloco cerâmico manter-
se fixado no substrato, resistindo a tensões normais e de tangência, no contato da base com o
revestimento, esse aspecto está relacionado, além da porosidade e densidade, com a
argamassa, da execução, a base e a limpeza da superfície.

Manchamento: Essa questão está relacionada com o esmalte da placa cerâmica, com a
porosidade, densidade e com os elementos químicos da argila cozida que podem reagir com
produtos químicos de limpeza que podem vir a manchar. Classes que indicam se as superfícies
cerâmicas são de fácil higienização de manchas: a classe 1 é tida como a de remoção de mancha
impossível; a classe 2 é removível com ácido clorídrico, hidróxido de potássio e tricloroetileno;
a classe 3 é uma placa que pode ter a mancha removida com produtos de limpeza fortes,
produtos com amoníaco; a classe 4 é a que possui mancha removível com produto de limpeza
fraco e a classe 5 é um produto resistente, remove a mancha com água quente.

Resistência a abrasão da superfície: aspecto que considera o desgaste da superfície do


material devido ao trânsito de pessoas, e o contato com objetos, relacionado com o atrito.

Existem dois tipos de resistência a abrasão, a superficial, para produtos esmaltados, e a


profunda, para não esmaltados. Esse estudo, feito inicialmente pelo instituto Porcelain Enamel
Institute, ocasionou no índice de resistência de cada grupo ou PEI, e a norma ainda associa a
possíveis usos e tráfegos, o grupo 0 possui resistência extremamente baixa e pode ser usada
para paredes, o grupo 1 ou PEI 1 possui resistência baixa e recomendado para banheiros e
quartos residenciais de baixo tráfego, o grupo 2/PEI 2 é de resistência e tráfego médios, como
cômodos sem portas, o grupo 3/PEI 3 é de tráfego e resistência média alta, como cozinhas,
corredores, halls, quintais; o grupo 4 ou PEI 4 é para tráfego e de resistência alta indicada para
hospitais, hotéis, lojas, bares, bancos, e por último o grupo 5/PEI 5 é indicado para aeroportos,
áreas públicas, padarias, residências que possuem um alto tráfego e demandam mais resistência
a abrasão.

Resistência à agressão química:

São de dois tipos, a residencial, que diz respeito a imunidade das placas cerâmicas a produtos
domésticos, obrigatória a qualquer placa e a industrial que resiste a ácidos fortes, concentrados
e quentes. O guia de assentamento cerâmico da ANFACER ressalta que devem possuir
resistência química mínima aos produtos químicos domésticos e para tratamentos de água de
piscina, para ácidos e bases pouco concentradas deve se atentar aos detalhes do fabricante e as
funções que serão exercidas no local.
Os blocos cerâmicos podem ser utilizados como elemento de vedação ou como
elemento estrutural, a alvenaria é a utilização dessas unidades ligadas entre si por argamassa,
é comum sua utilização para edifícios, muros e monumentos. Os blocos podem ser vazados ou
maciços. As propriedades desejadas desse material é a resistência ao fogo, à compressão, a
aderência à argamassa, a uniformidade das dimensões e a durabilidade diante das intempéries,
como umidade, variação de temperatura e ataque por agentes químicos, além de não necessitar
de mão de obra muito qualificada. Segundo a ABNT NBR 15270/2017 os blocos cerâmicos devem
ser fabricados por conformação plástica de matéria prima argilosa, contendo ou não aditivos e
queimado a elevadas temperaturas e submetidos aos testes de corpo de prova. Os elementos
avaliados na norma possuem estreita relação com as propriedades do material, sendo assim é
importante verificar as características geométricas, físicas e mecânicas.

Recomenda-se, formalmente, um prisma reto, e segundo a norma as características


geométricas tendem a considerar as variações das medidas das faces, a planicidade das faces,
as áreas, as angulações, as espessuras dos septos e as paredes externas o mais padronizado
possível, dentro de certo tipo de tijolo, a fim de tornar esse elemento mais regular e dentro da
unidade construtiva que será multiplicada, a unidade de comercialização é o milheiro, mil
unidades, caso fora dos padrões dimensionais pode comprometer o prumo, o alinhamento, a
planicidade da estrutura ou da vedação e consequentemente a estrutura como um todo,
causando acidentes ou não contemplando sua função de proteger ou estruturar.

Os estruturais costumam ter espessuras maiores e devem trabalhar conjuntamente com


os septos na vertical conjuntamente com outros blocos, para resistir aos esforços de compressão
e possuem esses tipos:
Ou seja, mecanicamente, deve resistir a compressão deve ser considerada a partir de 3
MPa, pela equação que compreeende a somatória dos blocos e, fisicamente, o índice de
absorção de água não deve ser inferior a 8% nem superior a 22%, visualmente devem estar
intactos, sem quebras, sem deformações, irregularidades.

Para vedação constituem alvenarias externas ou internas, que tem não tem a função de
resistir outras cargas verticais, além do peso da alvenaria da qual faz parte, e os septos
costumam estar dispostos na horizontal:

As características mecânicas são fundamentais, conforme a função desse bloco, caso de


vedação deve resistir a compressão individual calculada na área bruta, e deve atender os valores
mínimos de pressão dadas as posições do furo, para blocos com furo na horizontal é necessária
uma resistência a compressão maior ou igual a 1,5 MPa, e para a utilização na vertical, maior ou
igual a 3 MegaPascal, fisicamente o índice de absorção de água não deve ser inferior a 8% nem
superior a 22%.

As diversas dimensões de fabricação são observadas na norma, e é importante que não


ultrapassem em quaisquer uma das dimensões 5 milimetros para mais nem para menos, assim
como espessura dos septos desses blocos cerâmicos de vedação deve possuir no mínimo 6mm
e das paredes externas 7mm, o desvio em relação ao esquadro e planeza das faces deve ser no
máximo 3 mm,

Visualmente, não devem possuir defeitos como quebras, superfícies irregulares, ou


deformações que impeçam seu emprego.

Nas características físicas, analisa-se a massa seca e massa úmida, para gerar o índice de
absorção de água devido ao fato de ser um elemento poroso e que reage com o meio, ou seja,
está trabalhando com as diferenças térmicas e com a dilatação e retração, fatores
extremamente importantes para a aderência do material que irá recobrir essa estrutura, a
argamassa, que tende a se consolidar em um material poroso e não tão úmido, para finalmente
secar e proteger esse bloco cerâmico estrutural ou de vedação. Sua durabilidade está
relacionada com a interação com a argamassa e a maneira que esses blocos estão protegidos
das intempéries, além dos pré-requisitos os fabricantes devem alcançar para vender seus
produtos, características visuais, geométricas, físicas, mecânicas, os valores essenciais colocados
nas normas

As telhas cerâmicas são componentes de aplicação descontínua destinados à


montagem de cobertura de edificações, tem o objetivo de resistir a intempéries e apresentar
desempenho dentro do previsto, é utilizada conforme a NBR 15310/09 (terminologia, requisitos
e métodos de ensaio), estabelece requisitos dimensionais, físicos, mecânicos exigíveis para
telhas cerâmicas, para execução de telhados de edificações, a formação dos lotes, amostragem,
critério para aceitação e estabelece métodos de ensaio.

Fabricação: feitas por argila conformada, por prensagem ou extrusão e queimadas a


altas temperaturas 900-1100°C, podem ser esmaltadas, que aumenta a impermeabilidade e o
brilho. As telhas devem possuir identificação do fabricante e dados gravados em relevo ou
reentrância, com caracteres de 5 mm sem prejudicar o uso (modelo, rendimento T/m²,
dimensões, galga).Características visuais, pequenos defeitos desde que não prejudiquem o
desempenho, sonoridade: som semelhante ao metálico quando suspensa por uma extremidade
e percutida.

Características geométricas, possui diversas formas e tipos, telha francesa (plana de


encaixe), romana (composta de encaixe), colonial, paulista, plan (simples sobreposição) e plana
de sobreposição (germânica). Segundo a norma a geometria e a fixação, características da seção
transversal e detalhe da junção são classificadas em quatro tipos: Telhas de encaixe, telhas
compostas de encaixe, telhas simples de sobreposição e telhas planas de sobreposição. Elas
devem obedecer a dimensões características, básicas, como largura de fabricação, comprimento
de fabricação, posição do pino, altura do pino, rendimento médio e galga média, pode assumir
diversas modelos, mas são de responsabilidade do fabricante, atendendo os requisitos gerais e
específicos da norma.

A retilineidade e a planaridade são importantes determinações para o correto encaixe


dos elementos de maneira uniforme, sendo importantes aspectos para a vedação o caimento
da estrutura, além de permitir a articulação sistemática, e ser utilizada conforme a inclinação
colocada nas informações em relevo do fabricante. Retilinearidade, flecha máxima medida em
um ponto determinado das bordas, ou no eixo central no maior sentido. Planaridade, teste
estando apoiado em plano horizontal.

Para resistir as intempéries e abrigar de maneira funcional, as diversas telhas também


devem possuir impermeabilidade suficiente, para isso realiza-se o ensaio para verificar
qualitativamente a passagem de água pela espessura da telha, quando submetida a
determinado tempo à pressão da água

As telhas cerâmicas devem resistir à rupturas de flexão simples, para isso alguns ensaios
com barra de aço, trena metálica, apoios e cutelo, são realizados flexionando pontos conforme
as diversas geometrias, para verificar as resistências das telhas a submissão de cargas e
resistência a intempéries, assim como prever o comportamento estrutural.

A massa seca e a absorção de água também são fatores importantes, pois se tratando
de cerâmicas, materiais porosos e submetidos a trocas de temperatura, estão retraindo e
expandindo conforme as trocas de energia térmica, assim, é importante antever essas variações
dimensionais pelos testes exigidos na norma para não comprometer a proteção de ambientes,
por isso realiza-se também o teste da galga, que é o afastamento entre as telhas, levando em
conta o afastamento mínimo e máximo das extremidadades, importantes informações
projetuais que devem ser consideras a fim de tornar a estrutura amarrada, livre de goteiras e de
frestas.

Na norma é colocado que deve apresentar som semelhante ao metálico, quando


suspensa e percutida. Tal teste é feito em algumas fábricas, para verificar se o material cerâmico
obteve um cozimento uniforme, pois se tiver o som amortecido é sinal que suas propriedades
de vitrificação da sílica não complexou de maneira uniforme e irreversível por inteiro.

Portanto, a versatilidade da argila é ampla, uma matéria prima que tanto industrial
quanto artesanalmente gera produtos diversos com funções e propriedades variadas. Esse
produtos surgem de antigas tradições para elaborar ambiente, se abrigar, ou produzir utensílios
e armamentos, pela sabedoria popular e pela ciência esses saberes estão em constante
desenvolvimento tecnológico e normativo, este sendo necessário revisão, pois como foi visto a
norma referente aos revestimentos cerâmicos é de 1997.

Referências bibliográficas

Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais. Placas cerâmicas


para revestimento. Belo Horizonte: Sinduscon.MG 2009 (programa qualimat sinduscon MG)
24p.il

Marinilda Nunes Pereira da Silva, Marly Nunes Pereira da Silva, Bruno de Uzeda Serralvo
Barrionuevo, Igor Marinho Feitosa, Givanildo Santos da Silva. Revestimento cerâmico e suas
aplicabilidades. https://periodicos.set.edu.br/fitsexatas/article/view/2138

Silva, Judson Ricardo Ribeiro. Caracterizaçăo físico-química de massas cerâmicas e


suas influęncias nas propriedades finais dos revestimentos cerâmicos.
https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/6289

ABNT, NBR 15310.


ABNT, NBR 15270.
ABNT, NBR 13817.

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