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APRESENTAÇÃO

- Os meios de comunicação de massa têm níveis de acesso diferenciados em sociedades


igualmente diferentes entre sim, o que caracteriza um fenômeno complexo demais para ser
analisado apenas por uma escola ou modelo de pesquisa.

- Para entender o processo da comunicação de massa em seus vários aspectos, é preciso


auxílio de parâmetros, paradigmas e teorias que nos permitam compreender os meios de
comunicação, seu alcance e influência na sociedade, sua eficiência e suas limitações.

- O verbo comunicar vem do latim comunicare (tornar comum, partilhar, repartir, trocar
opiniões - RABAÇA; BARBOSA, 1987).

- Lembrando que expressões faciais, gestos e vestimentas também são formas de


comunicação.

[OFF] A dimensão matemática e os estudos de mass communication excluem a característica


dialogal da comunicação, que é um dos pilares que sustentam a relação entre comunicação e
cidadania.

O CAMPO DE ESTUDO DA COMUNICAÇÃO

- Estudos comunicacionais: (não é um consenso, campo de estudo em construção)

a) estudos do emissor (suas intenções, organização de seus processos para construção


da mensagem, sua história, normas éticas/jurídicas, técnicas de produção...);

b) estudos da mensagem (conteúdo, forma, simbologia, técnicas de difusão, etc.)

c) estudos do receptor (preferências, reações, motivações e capacidade de percepção).

"Cada grupo de pensadores, a partir da sua própria experiência e, principalmente, do contexto


sócio-econômico em que desenvolveram seus trabalhos, criou seus próprios estatutos e
definições de comunicação e de teoria da comunicação e, junto, uma epistemologia própria que
se contrapõe a abordagens, regras e forma de ver o mundo dos demais grupos"

"Os objetos de estudo da comunicação são sua identificação e sua construção conceitual como
elemento inserido e influente na realidade social".

PARADIGMA FUNCIONALISTA PRAGMÁTICO


- Influência positivista.

- "Exclui das ciências as explicações metafísicas e teológicas e valoriza as pesquisas


administrativas e empiristas".

- Espaço de maior influência: EUA.

- Procura um paralelo entre o corpo social e o corpo humano, tentando enternder a sociedade
a partir de suas trocas ou relações sociais.

* Escola de Chicago

- 1910-1940

- Metodologia etnográfica

- Como a comunicação poderia ser usada de forma "científica" para resolver grandes
desequilíbrios sociais.

- Dá início ao Interacionismo simbólico: A comunicação é essencial para a existência e o


desenvolvimento das relações humanas. Os símbolos possibilitam ao indivíduo os processos de
interação (comunicação), permitindo ao ser humano interpretar o seu ambiente social, divulgar
suas ideias, registrar conhecimento...

- Para essa escola, a vida social é o resultado da capacidade humana de se comunicar, e a partir
dessa comunicação, ter condições de interpretar o contexto social.

- A comunicação é vista como elemento que possibilita a interação social.

- "A sociedade representa uma comunidade de ação e comunicação, sem a qual o


desenvolvimento da vida humana e social não seria possível"

- O indivíduo é visto como um ser capaz de experiências singulares (etnografia), ainda que
submetido a forças que buscam impor padrões de comportamento nivelados.

- A mídia é vista como dual: fator de emancipação/aprofundamento das experiências individuais


e precipitadora das superficialidades dos contatos sociais e da desintegração dos grupos sociais.

- Autores:

• Robert Ezra PARK, estudou a integração das comunidades étnicas (imigrantes)


na sociedade americana. Afirma que o desenvolvimento técnico dos meios de
comunicação faz deles uma das principais vias de difusão do conhecimento da
sociedade. Mas alerta que, para além de ampliar a comunicação, esses meios
redimensionam a realidade.

- A comunicação forma a ordem moral e o senso comum da sociedade, permite


a troca de experiências e a formação de vínculos, além de viabilizar conflitos internos ao grupo.

• Charles Horton COOLEY


- Cria o termo "grupo primário" (familiares, amigos próximos, laços íntimos e afetivos).

- Critica a interpretação do "isolamento" a partir da urbanização.

- Estuda a tensão entre a sociedade e o indivíduo e os efeitos da nova ordem moral


trazida pelas concentrações urbanas e industriais e os novos meios de organização, que são os
dispositivos da comunicação;

*Escola Americana Positivista

- Preocupação com os “efeitos”, resultados dos novos meios de comunicação.

- Empíricas.

- Lasswell, Lazarsfeld, Lewin e Hovland.

- Se divide em três fases (TEMER):

1. Pesquisa em Comunicação de Massa

2. Corrente Funcionalista

3. Estudo dos Efeitos em Longo Prazo.

*Pesquisa em Comunicação de Massa

- Se desenvolveu paralelamente a expansão dos próprios meios de comunicação de massa nas


primeiras décadas do século XX.

- Lasswell: o autor analisa o impacto da propagando do tempo de guerra e o papel da mídia na


sociedade de massa.

- DEF. Comunicação de massa: comunicação para um público anônimo, heterogêneo e


fisicamente disperso.

- Três áreas de preocupação desses estudos:

1. efeitos provocados pelos meios de comunicação na sociedade

2.efeitos da propaganda política

3. estudo da utilização comercial publicitária dos meios de comunicação

• Lasswell:

- Meios de comunicação de massa como instrumentos indispensáveis para a “gestão


governamental das opiniões”.

- Modelo da “agulha hipodérmica” (T. Hipodérmica)


- Sociedade de massa: indivíduo atomizado, separado de sua cultura.

>> “Estímulos claramente concebidos atingiriam cada indivíduo da sociedade de massa


através da mídia, que cada pessoa os perceberia da mesma maneira geral e que provocariam
uma reação mais ou menos uniforme de todos”

- Assim, os indivíduos são facilmente controlados pelos meios de comunicação de massa, que
moldam a opinião pública e moldam a opinião dos indivíduos.

- Os meios de comunicação são vistos como um sistema nervoso simples.

- Os efeitos da comunicação de massa são instantâneos e inevitáveis.

*Teorias das Influências Seletivas

- Revisão das Teorias de Comun. De massa

- Influência dos estudos desenvolvidos pela psicologia.

- Compreendem o receptor agora como diferente dos demais.

1. Teoria das Diferenças Individuais: os indivíduos possuem constituição


psicológica e estruturas cognitivas diferentes. Levou a estudos sobre
segmentação de mercado. Consideravam que, para alcançar as metas
desejadas, as mensagens persuasivas deveriam ser feitas para atender aos
interesses, valores, crenças, características e necessidades de um seguimento
específico da população.
2. Teoria das Diferenças Sociais: diferenciação dos membros de uma sociedade
urbana através de categorias sociais formadas por indivíduos com
características semelhantes.
3. Teoria da Aprendizagem Social: compreende que os efeitos dos meios de
comunicação de massa dependem de algumas variáveis, como tempo de
exposição à mensagem.

- Wolf (1999) engloba essas teorias dentro da categoria “Abordagem Empírico-Experimental”,


uma revisão do processo mecanicista de estímulo-resposta. Estudam os efeitos dos meios de
comunicação em situação de campanha, apontando para sua eficácia/ineficácia. Considera que
é possível obter os resultados esperados de persuasão se as mensagens forem adequadamente
estruturadas.

- Wolf: categoriza a “Abordagem dos Efeitos Limitados”

Lazarsfeld: analisando o impacto das mensagens da campanha presidencial norte//-


americana de 1940, chega à conclusão que a mensagem dos meios de comunicação de massa é
rejeitada quando entra em conflito com as normas do grupo e mostra que as mensagens dos
meios de comunicação são consumidas de forma seletiva.

- Essa abordagem demonstra que os processos comunicativos de massa obedecem a


quadros sociais complexos, com variáveis econômicas, sociológicas e psicológicas.

- Lasswell: Segundo momento; teorizou dentro das Influências Seletivas;


- Propôs nesse momento que os estudos dos processos comunicacionais devesse responder às
seguintes perguntas:

Paradigma de Lasswell (1948): Quem? Disse o quê? Por meio de que canal? Com que efeito?

*Two Step Flow

-Atribuído a Berelson e McPhee.

- A mensagem, antes de chegar aos receptores finais, passa pelos líderes de opinião. Então eles
são um ponto intermediário entre o emissor e o receptor.

- Os líderes de opinião “filtram” essas mensagens

- As pessoas selecionam o conteúdo dos meios, desprezando aqueles que entram em conflito
com as suas ideias, seus valores.

- Conclui-se que a comunicação interpessoal tem maior influência sobre as pessoas que a
comunicação de massa.

*RESUMO: estes estudos são centrados na composição diferenciada do público e na mediação


social que ocorre no consumo, a partir de três diferentes pontos: a análise de conteúdo, as
características dos ouvintes e o estudo sobre as satisfações.

*COMPARAÇÃO:

T. Hipodérmica: meios de comunicação de massa como instrumento da dominação


social;

Abordagem empírico-experimental: meios como instrumento de persuasão;

Abordagem empírica de campo: meios como influenciadores.

TEORIA CRÍTICA

Paradigma Crítico Radical

- Ligado às reflexões sobre cultura desenvolvidas pela filosofia clássica alemã;

- Associa a pesquisa sociológica às reflexões filosóficas sobre a cultura, a ética, a psicologia e a


psicanálise freudiana.

ESCOLA DE FRANKFURT

- São os primeiros trabalhos organizados e sistematizados sobre os meios de comunicação no


contexto de crítica ao capitalismo.
- Fundou-se em 1923 o Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, primeira instituição de pesquisa
alemã abertamente marxista.

- Ascenção do nacional-socialismo da Alemanha: o Instituto foi obrigado a se transferir para


Nova York.

- A partir de 1930 a pesquisa começou a abordar a crescente importância dos fenômenos de


mídia e da cultura na formação de um modo de vida contemporâneo.

- Principais pesquisadores: Theodor Adorno, Max Horkheimer e Walter Benjamin. Habermas


também foi muito influenciado pela EF.

- A teoria crítica propõe-se como uma teoria da sociedade entendida como uma totalidade, [...]
tendo como ponto de partida a análise do sistema de economia de mercado e a crítica dialética
da economia política, dentro dos fundamentos do materialismo marxista.

- Para a abordagem crítica, a pesquisa em comunicação deve se fundamentar numa visão


reflexiva e humanística, respondendo a questões básicas sobre o seu significado social.

- Questionava as consequências do desenvolvimento dos novos meios de comunicação na


produção e na transmissão da cultura.

- A difusão dos meios de comunicação de massa tira da classe operária sua capacidade de refletir
e resistir ao sistema.

- Indústria Cultural: é a apropriação e mercantilização de bens culturais (erudita e popular) pelos


meios de comunicação de massa. "A produção de bens culturais está inserida em um processo
industrial, em um movimento global, que transforma cultura em mercadoria.
[Considerações de Tuzzo sobre a Indústria Cultural: O termo foi criado em contraposição
à expressão "cultura de massa", já que a Escola Crítica compreendia que a cultura comercializada
pela Indústria Cultural não era produzida pelas massas (como o eram as culturas erudita/popular
apropriadas pela I.C.)];

- A indústria cultural é aliada e cúmplice da ideologia dominante capitalista e suas ações


contribuem de forma eficaz para falsificar as relações entre os homens e as relações dos homens
com a natureza.

- "Apesar da aparente liberdade dos indivíduos, os meios de comunicação reproduzem as


relações de força do aparelho econômico-social".

- O acesso à informação, que deveria ser o instrumento da modernidade para libertar a


consciência humana do medo, conduzindo os homens para a liberdade através da ciência e da
tecnologia, não apenas deixa de cumprir essa missão, como se torna ela própria instrumento de
dominação.

- A cultura deixa de ter um papel filosófico existencial de reflexão crítica em função da produção,
que valoriza a quantidade e a velocidade, e passa a ser um produto de consumo controlado pela
ordem dominante, que oferece apenas informações superficiais e vazias.
- Walter Benjamin, em "A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica" defende que
a reprodução em massa da arte provoca perda do valor da arte. [Contrapõe-se a esse
pensamento Habermas e Morin - ver TUZZO]

- "As informações vazias e o entretenimento vulgar provocam um distanciamento do indivíduo


das questões verdadeiramente importantes".

- Assim, "Os veículos de comunicação passam a ser vistos como meios de dominação e poder,
elementos inseridos na indústria cultural e com capacidade de violência simbólica com o
receptor"

-"Os meios de comunicação divulgam e consolidam a ideologia dominante [...], e proporcionam


a distração essencial para que o indivíduo suporte uma existência intolerável".

- "Para atender ao gosto do público e satisfazer às suas necessidades, a indústria cultural impõe
estereótipos e produtos de baixa qualidade".

- "Incapaz de criar o novo, repete eternamente os mesmos modelos, fazendo modificações


superficiais que apenas iludem o consumidor".

- Além disso, a Indústria Cultural sobrevive criando "necessidades" de consumo.

- "O homem encontra-se em poder da sociedade que o manipula de acordo com seus interesses.
Deixa de ser sujeito e passa a ser objeto".

- “No Brasil e em toda a América Latina, a expansão [globalização/internacionalização] das


empresas de comunicação e seu uso político na década de 1970 abriram espaço para várias
pesquisas centradas na visão frankfurtiana - análise dos meios de comunicação a partir do
exame dos sistemas econômicos e da manipulação da informação [Ver cap. Estudos Latino-
Americanos]”;

*Espiral do Silêncio

>> Elisabeth Noelle-Neumann

- "O instinto de sobrevivência faz com que o indivíduo comum siga a opinião e o comportamento
do que pensa ser a maioria da população"

- Como não expõe suas opiniões - quando essas vão de encontro à opinião diversa - o indivíduo
ou grupo de pessoas não percebe quando faz parte de um grupo maior, uma "minoria silenciosa"

- Estudos empíricos realizados sob a perspectiva da Espiral mostram que determinados assuntos
de interesse público ignorados pela mídia não ganham expressão porque permanecem com a
minoria silenciosa. [Confluência com a NEWSMAKING]

- À medida em que as pessoas se calam, acabam, indiretamente, reforçando as opiniões dos


meios de comunicação.
- O silêncio camufla opiniões e cria uma distorção da realidade.

PARADIGMA CULTUROLÓGICO

- Se utiliza de conceitos neo-marxistas.

- Busca compreender como a cultura de massa (com seus diversos conteúdos) interfere nas
estruturas sociais e na vida social e doméstica de grupos e indivíduos.

* Escola Francesa

- Marco inicial: "Cultura de Massa no Século XX: o espírito do tempo", de Edgard Morin.

- A Escola Francesa também se interessa em analisar os meios de comunicação de massa, mas a


partir da influência da Comunicação de Massa na vida cultural e na estrutura social.

- Entende que a cultura produzida pela mídia é uma nova cultura, diferente de todas as
anteriores.

- Aborda temas como cultura de massa, indústria cultural, mídia e comunicação.

- FOCO: estudo das mensagens (análise estrutural das mensagens); descobrir o significado das
mensagens enquanto processo organizado.

- O conjunto dos estudos aponta para uma noção comum de que "tudo é comunicação", que
vivemos na era da comunicação total, circulação permanente e vertiginosa de signos.

- Compreendem que a comunicação é o motor das relações sociais.

- Apontam, no geral, para a possibilidade de uma brecha, uma resistência, fungindo da visão
simplista de comunicação como agente do bem e do mal.

- Primeira geração de estudiosos: reflete sobre o novo imaginário cultural resultante da


comunicação de massa.

- Autores:
a) Acreditam no bom uso futuro da mídia: Bourdieu, Sfez, Virílio;
b) Vêem a mídia como fator de vínculo social: Maffesoli e Lévy;
c) Acredita que a mídia obedece a lógica da utilidade social: Baudrillard.

- Edgar Morin (maior enfoque na comunicação).

- Primeiro a refletir sobre a mídia, os valores que ela traz e suas relações com as
"estruturas".
- Para ele, a cultura de massa encontra seu terreno ideal onde o desenvolvimento
industrial e técnico cria novas condições de vida, que desagregam as culturas anteriores e fazem
emergir novas necessidades individuas.

- A cultura de massa é vista como a cultura resultante ou A CULTURA POSSÍVEL de um


mundo industrializado e marcado pelo capital e pela produção industrial, que transforma cultura
em mercadoria.

- A cultura de massa passa a ser transmissora dos valores vinculados ao consumo e a uma
"ideologia da felicidade", que alardeia os prazeres e o bem-estar imediatos.

- A comunicação é vista como uma indústria de conteúdos, ordenada pela necessidade lucros
permanentes. A lógica da comunicação de massa é a lógica do capital.

- Na perspectiva francesa, os produtos culturais da sociedade industrializada são produzidos em


função de um público-alvo possível [ou seja, se adaptam ao possível público-alvo].

- A comunicação de massa aqui é vista com dupla função: mantenedora e transformadora (tenta
preservar o modelo social e introduz o novo).

- "Na percepção dessa linha de estudo, a vida do indivíduo comum é rotineira e medíocre,
marcada pela repetição e pela ausência de perspectivas. O único espaço para realização é o
consumo, por meio do qual o indivíduo cria a si mesmo, constrói a estrutura de sua vida e seu
modo de ser (COMPARÁVEL AO SELF DE THOMPSON).

- É a vida vivida e não vivida: vivida por intermédio da comunicação de massa, e não vivida
porque nada é real (DE NOVO THOMPSON).

- O consumo dos produtos torna-se simultaneamente autoconsumo da vida individual e


autorrealização.

- Morin entende que a cultura de massa oferece, de forma fictícia, tudo aquilo que é suprimido
da vida real.

PARADIGMA MIDIOLÓGICO TECNOLÓGICO

- Modelo técnico-evolucionista que entende que o desenvolvimento humano é consequência


ou está diretamente ligado ao domínio das ferramentas e a seu desenvolvimento tecnológico.

*McLuhan e a Escola Canadense:

- Analisa os meios de comunicação a partir de sua ligação com as transformações


antropológicas e simbólicas, atribuindo ao desenvolvimento tecnológico a função de motor do
desenvolvimento social.
- "O desenvolvimento de cada um dos meios de comunicação exerce um tipo de influência
decisiva na ação social do indivíduo e na própria estruturação social, transformando a maneira
com que o homem entende a si mesmo".

- Tecnologias da informação > mudanças comportamentais

- A cultura oral/tribal anterior ao desenvolvimento da escrita resultava numa percepção de


mundo fragmentada.

- Surgimento da escrita e dos meios técnicos de impressão: leva a uma captação individual,
impessoal e solitária das mensagens e conduz o pensamento humano a uma lógica linear.

- A Escola Canadense entende que os meios de comunicação de massa propiciem a inversão


dessa tendência, havendo um retorno da oralidade, da visão fragmentada e não linear.

* O Ciberespaço e as novas formas de sociabilidade

- Mais do que em qualquer outra época, as possibilidades técnicas têm gerado dispositivos de
comunicação com o potencial de transformar o modo como o homem se relaciona consigo
mesmo, com o seu trabalho e com o mundo que o rodeia.

> Surgimento de novos comportamentos, novas formas de interação e novos processos


de sociabilidade.

- Os indivíduos e grupos sociais desenvolvem novos espaços de sociabilidade, representados por


comunidades virtuais, contatos não presenciais em diversos níveis e novas formas de interação
através de avatares, corpos e personalidades simbólicos,...

- Surgem também novos parâmetros éticos e morais..

PARADIGMA LINGUÍSTICO SEMIÓTICO

- Estudo da mensagem: O uso da língua e dos signos;

- "A própria vida humana é uma constante elaboração e reelaboração de signos".

- Saussure: APONTOU a necessidade de se desenvolver a ciência que chamou de "Semiologia",


o que propôs ser a "ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social"
>> Teoria geral da linguagem e dos sistemas de signos por meio dos quais se estabelece
a comunicação entre os homens.
- Estrutura bilateral dos signos: significante e significado (dois lados da moeda).
Significante: parte material do signo.
Significado: conceito veiculado a essa parte material.
- Barthes (principal nome da semiologia francesa): "a semiologia tem por objeto qualquer
sistema de signos, seja qual for sua substância, sejam quais forem os seus limites": imagens,
gestos, sons...

- SAUSSURE: Língua x Fala (relação dialética: a língua é, ao mesmo tempo, produto e instrumento
da fala)
Língua: conjunto de regras estabelecidas arbitrariamente e armazenadas no cérebro de
cada indivíduo de uma determinada sociedade. Somente à medida em que nos submetemos às
regras da língua é que podemos nos integrar numa comunidade linguística e social.
Fala: uso das regras da língua num ato de fala e comunicação particulares.

- A linguagem é sempre socializada.

*Processo de Significação

- Relação entre significante e significado.

*Semiótica

- Batizada por Charles S. Pierce


- Preocupação com a mensagem.
- DEF.: "A ciência dos signos e dos processos significativos na natureza e na cultura".
- Pierce: "o mundo inteiro está permeado por signos, se é que ele não se componha
exclusivamente de signos"
- Estuda especialmente as dinâmicas existentes entre emissor e receptor e os percursos
interpretativos que o receptor tem que atualizar.
- Pierce:

- Natureza tríade dos signos: podem ser analisados:


> Em si mesmos (analisados relação com o próprio signo)
> Na referência àquilo que indicam (relação com seu objeto)
> Nos tipos de efeitos que eles podem produzir em seus receptores (interpretação dos
signos

- Classificação dos signos


> Primeiridade - quali-signo - ícone - rema
> Secundidade - sin-signo - índice - dicente
> Terceiridade - legi-signo - símbolo - argumento

- Modelos comunicativos:
- Semiótico-informacional (linearidade)
- Semiótico textual (rede textual)

PARADIGMA CONFLITUAL DIALÉTICO

- Base teórica marxista


- "Parte do princípio que os donos dos meios de produção também mantêm o controle (direta
ou indiretamente) dos meios de produção e difusão de informações, ou seja, o controle da
mídia. Assim, a classe que controla a produção de bens de consumo USA A MÍDIA PARA
VEICULAR E TORNAR DOMINANTE A SUA REPRESENTAÇÃO DA REALIDADE E SUA IDEOLOGIA,
impondo a DOMINAÇÃO IDEOLÓGICA E O IMPERIALISMO CULTURAL.

- Estudos impulsionados por demandas políticas e sociais.

- Início do séc. XX: AL passava por um processo de transformações estruturais profundas, com
turbulências políticas e sociais.

- Processo de industrialização e crescimento econômico + movimentos progressistas


impulsionados pela revolução cubana (1959).

- Unesco: convencer aos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento a investirem nos meios


de comuinicação de massa para com objetivo de impulsionar projetos educacionais com maior
rapidez e menores custos.

- Ciespal (Centro INTERNACIONAL de Estudos Superiores de Jornalismo para a América Latina):


criado na década de 1960 no Equador com objetivo de dar suporte à política desenvolvimentista
da Unesco.

- Em sua primeira década de atuação, o Ciespal sofreu forte influência norte-americana, dando
origem a inúmeros estudos comunicacionais que se utilizavam de teorias e modelos importados
dos EUA, sobretudo o modelo difusionista, os programas especiais de educação rural e as
experiências de comunicação comunicativa.

- Costa Rica, 1973: Encontro de pesquisadores de toda a AL para revisar os trabalhos produzidos.
- Ácidas críticas à adoção de modelos "estranhos" ao continente.
- Levou a um redirecionamento teórico do Ciespal, dando início a uma fase de maior
preocupação com a comunicação popular.
- Reconheceu-se uma dependência econômica, mental e subordinação intelectual.

- Busca-se, a partir desse momento, a pesquisa "pelos latino-americanos e para a América


Latina", priorizando dois pontos de pesquisa:
1. O papel da comunicação na educação;
2. Papel da comunicação na organização e na mobilização popular.

- 1970: Ceren (Centro de Estudos da Realidade Nacional) no Chile.


> Adota uma perspectiva marxista, se utilizando de conceitos como ideologia, relações
de poder e conflito de classes.

- Ilet (Instituto Latino-Americano de Estudos Transnacionais) - criado com o fim do governo


Allende, no México.

- Fica mais claro o desequilíbrio do Fluxo Informacional na AL.


- Surge o conceito de Imperialismo Cultural (conjunto de processos pelo qual uma sociedade é
levada a moldar suas instituições sociais, normas e costumes culturais a partir de modelos das
estruturas e costumes desenvolvidos nos países econômica e politicamente mais fortes).

- Nos primeiros anos, encontros, pesquisas, projetos e revistas científicas que divulgaram as
pesquisas em comunicação na AL mostraram que o funcionalismo e o marxismo disputavam
maior espaço na abordagem teórica. Também estavam presentes a sociologia e a semiótica.

- A partir de 1970 os pesquisadores LA começaram a buscar alternativas metodológicas,


conscientes de que os modelos teóricos e metodológicos desenvolvidos nos países do
hemisfério norte se mostraram inadequados à análise dos problemas latino-americanos.

- Anos 1980: predominava a temática da manipulação ideológica dos meios massivos; sugeria-
se formas alternativas e populares para comunicação (jornais, rádios livres e vídeos populares).

- Anos 1990: construção de uma nova análise que se preocupava com a mediação social e teórica
da comunicação com a cultura popular e com a vida cotidiana. Comprometimento social da
pesquisa.

- Polifonia metodológica: "cada caso deve considerar os objetos e suas representações


subjetivas e as relações que ocorrem no interior do sistema".

- "A proposta da Escola L-A é gerar condições para repensar as práticas da comunicação e o
papel que os meios massivos podem e devem desempenhar na formação da consciência política
dos cidadãos."

- De uma forma geral, há uma crítica à mass communication research, vista como um discurso
da classe hegemônica e uma estratégia para manter o consenso.

- Foram os primeiros a levantar problemas decorrentes da internacionalização/globalização.

*Folkcomunicação

- Primeira teoria da comunicação genuinamente brasileira

- Criada nos anos 1960 por Luiz Beltrão.

- Hohlfeldt: "É o estudo dos procedimentos comumunicacionais pelos quais as manifestações da


cultura popular ou do folclore se expandem, se socializam, convivem com outras cadeias
comunicacionais, sofrem modificações por influência da comunicação massificada e
industrializada ou se modificam quando apropriadas por tais complexos.

- Folkcomunicação = instância mediadora entre cultura popular e cultura de massa.

CONCLUSÃO
- É preciso aprender com o que foi compreendido, redimensionar o que em outra situação era
inquestionável. Pensar, analisar, pesquisar sempre.

- A comunicação de massa é uma atividade mutante e novos desafios surgem a cada momento
na mídia.

- “É inegável que os meios de comunicação de massa tornaram o conhecimento das decisões


políticas e econômicas – e a possibilidade de interferir nessas decisões – acessível para um
público nunca antes alcançado. Nesse mundo globalizado, governos e revolucionários já não
buscam a riqueza dos palácios para manter ou tomar o poder. Buscam sim a riqueza das
palavras, o uso das emissoras de rádio e televisão, para levarem suas ideias para as massas,
ainda que nem sempre o acesso aos meios de comunicação gere os resultados esperados”.

- Enquanto ação humana, a comunicação de massa está em permanente interação com a vida
social, afetando o seu desenvolvimento e sendo afetada por ele.

- No entanto, as características da comunicação de massa transformam-na em uma inegável


influência na adoção e formação dos comportamentos individuais e sociais.
- Essa influência pode ser imediata ou a longo prazo, gerando ações imediatas de
consumo ou introduzindo valores e comportamentos à medida em que as gerações se sucedem.

- É preciso considerar também que, no mundo movido pelo capital, a informação é uma
mercadoria, e como mercadoria, possui limites próprios para produção e distribuição.