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SEGURANÇA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

1. Quadro legislativo relativo às máquinas e aos equipamentos de trabalho

As questões da segurança de máquinas colocam-se com grande acuidade em dois


planos:

• No plano da concepção, fabrico e comercialização das máquinas;

• No plano da utilização das máquinas enquanto equipamentos de trabalho.

No âmbito da nova abordagem europeia da prevenção introduzida pelo Acto Único


estas duas questões reportam-se a duas áreas distintas, mas complementares. Com
efeito, temos que:

• Por um lado, a segurança de máquinas regulada na Directiva Máquinas


(actualmente, a Directiva 98/37/CE, de 22 de Junho, alterada pela Directiva
98/79/CE 27 de Outubro) estabelece o conjunto de regras reguladoras de
mercado que têm como destinatários os respectivos fabricantes e
comerciantes, privilegiando a prevenção de concepção de tais equipamentos.
Tais regras estabelecem as exigências máximas que devem ser respeitadas
nas legislações e práticas administrativas (por exemplo, Normas Técnicas) dos
Estados membros e funcionam como garantia da liberdade de circulação de
mercadorias no mercado interno europeu;

• Por outro lado, a segurança na utilização desses equipamentos em situações


de trabalho regulada na Directiva Equipamentos de Trabalho (Directiva
89/655/CEE de 30 de Novembro, alterada pela Directiva 95/63/CE de 5 de
Dezembro e pela Directiva 2001/45/CE de 27 de Junho) estabelece o conjunto
de regras reguladoras da segurança no trabalho com esses equipamentos que
tem como destinatários os empregadores. Tais regras estabelecem as
prescrições mínimas que devem ser respeitadas nas legislações e práticas
administrativas dos Estados membros e funcionam como garantia da
harmonização no progresso das condições de trabalho.

Aqueles dois princípios significam, na prática, que:

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• As regras de segurança das máquinas (Directiva Máquinas) estabelecidas nos
Estados membros visam a regulação do mercado (cariz económico) e não
podem ser mais exigentes que a legislação europeia;

• As regras de segurança no trabalho com as máquinas (Directiva Equipamentos


de Trabalho) estabelecidas nos Estados membros visam a regulação das
condições de trabalho (cariz social) e não podem ser menos exigentes que a
legislação europeia.

Estas duas áreas da legislação europeia estão transpostas para a legislação nacional
através dos seguintes diplomas:

• Segurança de máquinas: DL 320/01, de 12 de Dezembro;

• Segurança do trabalho com equipamentos de trabalho: DL 82/99, de 16 de


Março.

Resulta daqui que o último diploma referido contém as regras fundamentais no âmbito
especificamente considerado na segurança e saúde do trabalho. Todavia, ao regular
as prescrições mínimas de segurança e de saúde na utilização de equipamentos de
trabalho, não prejudica (até supõe) a legislação relativa às exigências essenciais de
segurança no fabrico e na comercialização desses equipamentos..

2. Comercialização das máquinas

Como já se referiu, as regras relativas à comercialização das máquinas encontram-se


estabelecidas no DL 320/01, de 12 de Dezembro, o qual transpõe para o direito
nacional a Directiva Máquinas.

Máquinas e componentes de segurança

As regras estabelecidas naquele regime aplicam-se a dois tipos de situações -


máquinas e componentes de segurança – sendo que tais conceitos devem-se
entender do seguinte modo:
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• Máquina: i) Conjunto de peças ou de órgãos ligados entre si, em que pelo
menos um deles é móvel e, se for caso disso, de accionadores, de circuitos de
comando e de potência, etc., reunidos de forma solidária com vista a uma
aplicação definida, nomeadamente para a transformação, o tratamento, a
deslocação e o acondicionamento de um material; ii) Um conjunto de máquinas
que, para a obtenção de um mesmo resultado, estão dispostas e são
comandadas de modo a serem solidárias no seu funcionamento; iii) Um
equipamento intermutável que altera a função de uma máquina, colocada no
mercado com o intuito de ser montada pelo próprio operador, quer numa
máquina, quer numa série de máquinas diferentes, quer ainda num tractor,
desde que o referido equipamento não constitua uma peça sobresselente nem
uma ferramenta;

• Componente de segurança: Um equipamento que não seja um equipamento


intermutável, e que o fabricante ou o seu mandatário estabelecido na
Comunidade coloque no mercado com o objectivo de assegurar, através da
sua utilização, uma função de segurança, e cuja avaria ou mau funcionamento
ponha em causa a segurança ou saúde das pessoas expostas.

A lei excepciona do regime de exigências relativas à comercialização diversos


equipamentos entre os quais podemos salientar alguns que poderão ser mais
pertinentes para o sector da metalurgia e metalomecânica, tais como:

• As máquinas que têm na força humana a única fonte de energia, excepto se


forem destinadas à elevação de cargas;

• Os dispositivos médicos;

• Os materiais para feiras e parques de diversão;

• As caldeiras e os recipientes sob pressão;

• As armas de fogo;

• Os reservatórios e as condutas de combustível e substâncias perigosas;

• Os meios de transporte;

• Os tractores agrícolas e florestais;

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• Os ascensores dos edifícios e das construções (neste último caso só em certas
condições).

Princípios de segurança

O princípio geral estabelecido na Directiva Máquinas indica que a colocação no


mercado e a entrada em serviço das máquinas e componentes de segurança
abrangidos só é possível se não comprometer a segurança e a saúde de quem quer
que seja.

E, em tal contexto, a norma refere que o fabricante deverá conceber e fabricar os


equipamentos em função da avaliação de riscos que previamente deve ter realizado
sobre o equipamento projectado, tendo particularmente em conta o conjunto dos
princípios específicos que se passam a enumerar.

• Segurança integrada:

o Princípios gerais:

§ Eliminar ou reduzir tanto quanto possível os riscos na


concepção e fabrico da máquina;

§ Implementar as medidas de protecção necessárias e adequadas


aos riscos não eliminados (protecção de máquinas);

§ Informar os adquirentes da máquina dos seus riscos residuais,


bem como da necessidade de formação específica e de
protecção individual;

o Princípios específicos:

§ Aptidão da máquina para cumprir a função a que se destina;

§ Programação adequada do serviço de manutenção;

§ Extensão da fiabilidade da máquina à montagem, desmontagem


e todo o ciclo de vida útil do equipamento incluindo situações
anómalas previsíveis;

§ Previsão de coeficiente de segurança da máquina aferido não só


pela sua normal utilização, mas também pela utilização que
pode ser razoavelmente esperada;

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§ Consideração na concepção e fabrico da máquina dos princípios
ergonómicos (incómodo, fadiga e stress do operador);

§ Consideração na concepção e fabrico da máquina das


limitações impostas ao operador pela utilização de
equipamentos de protecção individual;

§ Fornecimento da máquina com todos os equipamentos e


acessórios especiais essenciais à sua utilização e regulação
sem riscos;

§ Fornecimento da máquina com o manual de instruções;

• Materiais e produtos: Consideração dos riscos associados aos materiais


incorporados no fabrico da máquina e aos produtos utilizados no seu
funcionamento;

• Iluminação: Incorporação na máquina de sistema de iluminação local


adequado quando necessário ao seu funcionamento sem riscos;

• Manuseamento: Consideração dos factores de risco associados ao


manuseamento da máquina (meios de preensão para movimentação manual,
acessórios para movimentação mecânica, condições para manuseamento de
ferramentas, condições para armazenamento seguro, etc);

• Comandos: Segurança e fiabilidade dos sistemas de comando; requisitos de


segurança dos órgãos de comando; arranque subordinado a uma acção
voluntária do operador; paragem normal total em condições de segurança;
incorporação de sistema de paragem de emergência; sistema de paragem dos
equipamentos a montante e a jusante nas instalações complexas; incorporação
de selector de modo de marcha; sistema de segurança de avaria do circuito de
alimentação de energia; orientação para o operador dos suportes lógicos;

• Riscos mecânicos: Requisitos de estabilidade; capacidade de resistência às


solicitações resultantes da operação; sistema de segurança contra riscos de
queda e projecção de objectos; sistema de segurança contra riscos de contacto
(com superfícies, arestas e ângulos); sistema de segurança nas máquinas
combinadas; segurança e fiabilidade nos sistemas de variação de velocidade
das ferramentas; prevenção de riscos associados aos elementos móveis;
selecção adequada dos protectores dos elementos móveis;

• Protectores e dispositivos de protecção: Requisitos gerais dos protectores;


requisitos especiais dos protectores; requisitos especiais para os dispositivos
de protecção;

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• Requisitos a observar quanto a outros riscos: Energia eléctrica;
electricidade estática; outras energias; erros de montagem; temperaturas
extremas; incêndio; explosão; ruído; vibrações; radiações; radiações exteriores;
laser; emissões (poeiras, gases, líquidos, vapores e outros resíduos);
aprisionamento; queda;

• Manutenção: Pontos de intervenção (regulação, lubrificação e manutenção)


fora das zonas perigosas; adequabilidade dos meios de acesso ao posto de
trabalho ou pontos de intervenção; isolamento das fontes de energia; limitação
das causas de intervenção do operador; sistema de segurança na limpeza de
partes interiores que tenham contido substâncias perigosas;

• Indicações: Ergonomia nos dispositivos de informação; perceptibilidade dos


sistemas de alerta e dos sistemas de aviso sobre riscos residuais.

Para além destes requisitos gerais, a Directiva Máquinas estabelece requisitos


adicionais para determinadas categorias de máquinas, tais como:

• Máquinas agro-alimentares;

• Máquinas portáteis mantidas em posição e ou guiadas à mão;

• Máquinas para madeira e materiais similares;

• Máquinas com riscos associados à sua mobilidade;

• Máquinas destinadas a realizar operações de elevação de cargas;

• Máquinas destinadas a realizar operações de elevação ou deslocação de


pessoas;

• Máquinas destinadas à utilização em trabalhos subterrâneos.

Marcação CE e avaliação da conformidade

A garantia da observância dos requisitos de segurança estabelecidos na Directiva


Máquinas numa determinada máquina face ao mercado é conferida pela Marcação
CE que deve ser aposta no produto (máquina ou componente de segurança) colocado
no mercado, pelo que esta marcação também constitui um outro requisito obrigatório a
acrescentar a todos os outros já referidos.

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Esta marcação CE, por sua vez, enquanto elemento de garantia, supõe, que a
conformidade foi aferida por uma de duas formas possíveis: por presunção ou por
avaliação.

• Por presunção de conformidade: Constitui a regra geral.

Procedimentos: i) Para as máquinas em geral, o fabricante faz a marcação


CE na sequência de ter declarado que a máquina ou componente de
segurança está conforme às exigências de segurança estabelecidas (emissão
da Declaração CE de Conformidade). Neste caso, a avaliação da
conformidade consiste na constituição, por parte do fabricante, do processo
técnico de fabrico da máquina, o qual deve ser guardado e disponibilizado às
autoridades competentes sempre que solicitado; ii) Para as máquinas
consideradas com riscos especiais e previstas especificamente como tal na
Directiva (por exemplo, máquinas de trabalhar madeira e várias máquinas
usadas na metalomecânica), se respeitarem normas técnicas harmonizadas, o
fabricante constitui o processo técnico de fabrico da máquina e envia-o a um
Organismo Notificado (entidade designada pela Direcção-Geral da Indústria e
acreditada para o efeito pelo IPQ, como, por exemplo, o CATIM);

• Por avaliação da conformidade: Aplicável às máquinas consideradas com


riscos especiais, acima mencionadas e quando estas não respeitem normas
técnicas harmonizadas.

Procedimentos: O fabricante deve submeter o dossier de fabrico junto de um


organismo notificado, o qual poderá desencadear uma das seguintes situações:

o Recepção do dossier técnico de fabrico;

o Análise da conformidade do dossier técnico de fabrico com as normas


harmonizadas;

o Em última instância, a realização do exame CE tipo à máquina.

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Figura 1: Exemplo de uma declaração CE de conformidade

Declaração CE de Conformidade
(Directiva 98/37/CE, anexo II, capítulo A)

Fabricante:
Nome
Morada

Pela presente declara que:


Torno mecânico
Marca XXX, modelo YYY, nº de série ZZ

Cumpre com as seguintes directivas comunitárias:


x Directiva Máquinas - 98/37/CE;
x Directiva Baixa Tensão - 73/23/CEE;
x Directiva Compatibilidade Electromagnética - 89/336/CEE

Cumprecom as normas:
x EN292-1:1993
x EN292-2:1993
x EN 60204-1:1997
x EN 50081-2:1993
x EN 50082-2: 1995

Assim, no caso de aquisição de máquinas novas, deve ser solicitado ao fabricante


ou fornecedor da máquina as seguintes evidências, como presunção de conformidade:

• Que a máquina esteja de acordo com a Directiva 98/37/CE, cumprindo com os


requisitos essenciais de segurança e saúde que lhe são aplicáveis;

• Que no acto de entrega a máquina seja acompanhada de literatura técnica,


nomeadamente o manual de instruções em língua portuguesa;

• Que a máquina seja acompanhada de uma Declaração CE de Conformidade


redigida em língua portuguesa;

• Que a máquina tenha aposta a marcação CE.

3. Utilização de equipamentos de trabalho

Como já se referiu, as regras relativas à utilização de equipamentos de trabalho


encontram-se estabelecidas no DL 82/99, de 16 de Março, o qual transpõe para o
direito nacional as disposições comunitárias relativas a Equipamentos de Trabalho
(Directiva n.º 89/655/CEE, alterada pela Directiva n.º 95/63/CE). Recentemente foi
adoptada na U E um novo normativo (Directiva 2001/45/CE de 27-06-01) que introduz
mais uma alteração àquela Directiva, regulando a utilização de equipamentos
utilizados em trabalhos temporários em altura (escadas, andaimes, técnicas de acesso

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e de posicionamento por meio de cordas). Tal alteração ainda não foi transposta para
a legislação nacional (o prazo de transposição decorre até 19 de Julho de 2004 e
permite o estabelecimento de um período transitório de aplicação de 2 anos após a
publicação da lei nacional).

Directiva “Equipamentos de Trabalho”

Importa considerar, desde logo, que este diploma regula as prescrições mínimas de
segurança e de saúde na utilização de equipamentos de trabalho, pelo que não
prejudica (até supõe) a legislação relativa às exigências essenciais de segurança no
fabrico e na comercialização desses equipamentos (segurança de máquinas).

De qualquer modo a sua abrangência dirige-se já não ao fabricante e aos circuitos de


comercialização dos equipamentos, mas ao empregador e às condições efectivas da
utilização no trabalho de tais equipamentos. Além disso, o conceito aqui presente
“equipamento de trabalho” é mais vasto que o conceito de “máquina”, pois abrange
qualquer máquina, aparelho, ferramenta ou instalação utilizada no trabalho.

Deve, pois, concluir-se que mesmo no caso da utilização de uma máquina certificada o
empregador não está dispensado da obrigação de identificar os perigos que lhe
estejam associados e avaliar os riscos relacionados com a sua utilização concreta no
contexto de trabalho real em que tal equipamento vai operar. Sucede, todavia, que se
tal equipamento estiver já certificado aquela tarefa encontra-se facilitada, na medida
em que o respectivo Manual de Instruções fornecido pelo fabricante ou vendedor
constituirá um auxiliar precioso. Todavia, muitos são, ainda, os equipamentos em
utilização que não reúnem tais requisitos, pelo que nestes casos as prescrições do
regime da utilização produtiva dos equipamentos de trabalho assume uma importância
ainda mais decisiva. Não se pretende, naturalmente, com este diploma que todas as
máquinas usadas atinjam um nível de segurança idêntico ao das máquinas novas, nas
quais a segurança foi integrada desde a fase de concepção. Cabe, no entanto, ao
empregador, a fim de assegurar a segurança e a saúde dos trabalhadores na
utilização dos equipamentos de trabalho, as obrigações seguintes:

• Assegurar a adequação dos equipamentos de trabalho ao trabalho a efectuar e


à garantia da segurança e a saúde dos trabalhadores durante a sua utilização;
• Atender, na escolha dos equipamentos de trabalho, aos riscos associados à
sua natureza e à sua utilização;

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• Adequar os postos de trabalho e a actividade dos trabalhadores em função da
utilização dos equipamentos de trabalho, atendendo ainda aos princípios
ergonómicos;
• Adoptar as medidas adequadas para minimizar os riscos residuais se os
procedimentos referidos se revelarem insuficientes à prevenção dos riscos
associados aos equipamentos de trabalho;
• Assegurar a manutenção adequada dos equipamentos de trabalho durante o
seu período de utilização, de modo que os mesmos respeitem os requisitos
mínimos de segurança;
• Garantir que todos os equipamentos com riscos específicos sejam reservados
a operadores especializados.

• Assegurar, quanto aos equipamentos cujas condições de segurança dependam


das condições de instalação, a sua verificação por pessoa competente após
montagem e antes do início da sua utilização, bem como em intervalos
regulares e quando ocorrem factos excepcionais susceptíveis de alterar a sua
segurança. Em tal caso, deve haver lugar à emissão de um relatório (a ser
arquivado na empresa durante um período de 2 anos) onde conste a
identificação do equipamento, do tipo de verificação ou ensaio, do local e data
da verificação, do prazo para reparação de deficiências e da pessoa
competente que realizou a verificação ou ensaio.

Estas obrigações trazem aos utilizadores de máquinas (empregadores) a necessidade


de reconversão de variados equipamentos de trabalho em serviço nas suas empresas,
de modo a que possam satisfazer os requisitos mínimos de segurança estabelecidos
neste diploma legal. Com efeito:

• Todas as máquinas fixas e portáteis já em serviço nas empresas (até 01/01/93)


deveriam ter sido adaptadas em conformidade com as disposições legais até
25 de Setembro de 1997 (por força do D.L n.º 331/93, de 25-10);

• E, os equipamentos móveis e os equipamentos destinados à elevação de


cargas colocados à disposição dos trabalhadores antes de 8 de Dezembro de
1998 devem satisfazer os requisitos mínimos de segurança até 8 de
Dezembro de 2002 (por força do D.L. 82/99, de 16-03);

• E, finalmente, os equipamentos colocados pela primeira vez à disposição dos


trabalhadores não podem deixar de satisfazer os requisitos estabelecidos na
Directiva Máquinas.
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Como forma de proteger o mercado português contra a proliferação na aquisição de
máquinas em segunda mão, sem cumprimento dos requisitos mínimos de
segurança, deve ser solicitado ao comerciante ou fornecedor da máquina as seguintes
evidências que resultam de exigências estabelecidas no D.L. n.º 214/95, de 18 de
Agosto:

• Inspecção por um Organismo Notificado;

• Declaração de venda do cedente;

• Manual de instruções em português.

Estas exigências são aplicadas à c omercialização de máquinas usadas ou


recondicionadas contendo riscos elevados e que são referidas na Portª 172/2000, de
23 de Março, as quais compreendem diversas máquinas dos sectores seguintes:

• Indústria metalomecânica;

• Trabalho com madeira;

• Indústria de papel e artes gráficas;

• Indústria alimentar;

• Indústria da cortiça;

• Transformação de pedra;

• Indústria têxtil;

• Equipamentos de elevação e de movimentação;

• Agricultura;

• Trabalhos subtrerrâneos;

• Outras máquinas (de corte, moagem e trituração, injecção e compressão,


dispositivos relacionados com cardans amovíveis, pirotecnia).

Em suma, o período de adaptação encontra-se concluído, pelo que, presentemente,


todos os equipamentos de trabalho têm que observar os requisitos de segurança

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legalmente estabelecidos. A este propósito, importa reconhecer que esta reconversão
confronta os empregadores com algumas dificuldades, nomeadamente :

• Elevados custos de alteração e reconversão dos equipamentos;


• Interpretação e definição dos requisitos mínimos aplicáveis em alguns
equipamentos;
• Reduzida quantidade de documentação técnica para apoio à análise das
necessidades de segurança dos equipamentos e definição das soluções a
adoptar;
• Reduzido número de empresas idóneas para a execução das soluções
técnicas preconizadas.

Todavia, trata-se não só de uma obrigação legal, mas, também, de um desafio que se
torne necessário encarar na perspectiva da modernização da indústria do sector, haja
em vista que se trata de legislação europeia e, como tal, determinante na
competitividade das nossas empresas.

Requisitos mínimos de segurança dos equipamentos de trabalho

Sucintamente enumeram-se de seguida os principais requisitos gerais de segurança


aplicáveis à utilização aos equipamentos de trabalho.

• Sistemas de comando:
o Os sistemas de comando que tenham incidência sobre a segurança devem
ser claramente visíveis, identificáveis e com marcação apropriada ;
o Os sistemas de comando devem ser colocados fora de zonas perigosas, de
modo a que o seu accionamento, por manobra não intencional, não
ocasione riscos suplementares;
o O operador deve poder observar toda a zona de trabalho, principalmente as
zonas perigosas;
o Os sistemas de comando devem ser seguros;

• Arranque do equipamento :
o Sistema de comando de acção voluntária para:
§ Colocação em funcionamento;
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§ Arranque após uma paragem;
§ Sofrer uma modificação importante das condições de
funcionamento;

• Paragem do equipamento :
o Um sistema de comando que permita a paragem geral em condições de
segurança e um dispositivo de paragem de emergência;
o A ordem de paragem deve ter prioridade sobre as ordens de arranque;
o A alimentação de energia dos accionadores do equipamento deve ser
interrompida sempre que se verifique a paragem do equipamento ou dos
seus elementos perigosos;

• Estabilidade e rotura:
o Estabilização dos equipamentos de trabalho e respectivos elementos, por
fixação ou por outros meios ;
o Medidas adequadas, se existirem riscos de estilhaçamento ou de rotura de
elementos.

• Projecções e emanações :
o O equipamento de trabalho que provoque riscos devido a quedas ou a
projecções de objectos deve dispor de dispositivos de segurança
adequados ;
o O equipamento de trabalho que provoque riscos devido a emanações de
gases, vapores ou líquidos, ou a emissão de poeiras, deve dispor de
dispositivos de retenção ou de extracção eficazes, instalados na
proximidade da respectiva fonte;

• Riscos de contacto mecânico :


o Colocação de protectores que impeçam o acesso às zonas perigosas dos
elementos móveis ou colocação de dispositivos que interrompam o
movimento dos elementos móveis antes do acesso a essas zonas;
o Exigências quanto às características dos protectores e dispositivos de
protecção;
o Os protectores e dispositivos de protecção devem permitir, sem a sua
desmontagem, as intervenções necessárias;

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• Iluminação e temperatura :
o Iluminação conveniente das zonas e pontos de trabalho;
o Protecção contra os riscos de contacto ou de proximidade, por parte dos
trabalhadores, às partes dos equipamentos que atinjam temperaturas
elevadas e baixas;

• Dispositivos de alerta :
o Devem ser ouvidos e compreendidos facilmente e sem ambiguidades;

• Manutenção do equipamento :
o As operações de manutenção devem poder efectuar-se com o equipamento
de trabalho parado;
o O livrete de manutenção deve estar actualizado;
o Os trabalhadores devem ter acesso a todos os locais necessários para
operações de produção, regulação e manutenção e permanecer neles em
segurança;

• Riscos eléctricos, de incêndio e de explosão:


o Protecção contra os contactos directos e indirectos com a electricidade;
o Protecção contra os riscos de incêndio, sobreaquecimento ou libertação de
gases, poeiras ou outras substâncias produzidas pelos equipamentos ou
neles utilizadas ou armazenadas;
o Prevenir os riscos de explosão dos equipamentos ou de substâncias por
eles produzidas ou neles utilizadas ou armazenadas;

• Fontes de energia:
o Os equipamentos devem dispor de dispositivos que permitam isolá-los de
cada uma das suas fontes de energia e, em caso de reconexão, esta deve
ser feita sem risco para os trabalhadores.

• Sinalização de segurança:
o Os equipamentos de trabalho devem estar devidamente sinalizados, com
avisos ou outra sinalização que seja indispensável para garantir a
segurança dos trabalhadores.

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Para além destes requisitos gerais revela-se ainda de particular importância o conjunto
de requisitos específicos complementares estabelecidos para os equipamentos móveis
e para os equipamentos de elevação de cargas estabelecidos quer quanto à estrutura
desses equipamentos, quer quanto às condições da sua utilização, conforme se
enuncia de seguida.

• Requisitos complementares dos equipamentos móveis e sua utilização:

o Adaptação dos equipamentos que assegurem o transporte de


trabalhadores, em particular no que respeita aos riscos de contacto com as
rodas ou lagartas e de capotamento;
o Sistema de segurança na transmissão de energia;
o Protecção contra o risco de capotamento de empilhadores;
o Sistemas de protecção contra os riscos associados aos equipamentos
móveis automotores;
o Condução reservada a trabalhadores devidamente habilitados;
o Estabelecimento de regras de circulação se os equipamentos se
movimentarem em zonas de trabalho;
o Interdição de circulação de trabalhadores a pé nas zonas em que operem
equipamentos de trabalho automotores, excepto se a deslocação for
necessária para a execução dos trabalhos e estiverem implementadas
medidas adequadas a evitar que sejam atingidos pelos equipamentos;
o Transporte de trabalhadores em lugares seguros nos equipamentos de
trabalho móveis accionados mecanicamente e redução da velocidade se for
necessário efectuar trabalhos durante a deslocação;
o Utilização de equipamentos de trabalho móveis, com motor de combustão,
em zonas de trabalho restrita a locais que tenham uma quantidade de ar
suficiente para evitar riscos para a segurança ou saúde dos trabalhadores.

• Requisitos complementares dos equipamentos de elevação de cargas e sua


utilização:

o Garantia da solidez e estabilidade durante a sua utilização ;


o Instalação de modo a reduzir o risco de as cargas colidirem com os
trabalhadores, balancearem perigosamente, bascularem, caírem ou de se
soltarem involuntariamente;
o Indicação, de forma bem visível, da sua carga nominal;

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o Acessórios de elevação com a marcação das características essenciais da
sua utilização com segurança;
o Sinalização de proibição adequada, no caso de o equipamento de trabalho
não se destinar à elevação de trabalhadores;
o Protecção contra os riscos de queda do habitáculo e esmagamento, bem
como sistema de evacuação do equipamento no caso de acidente;
o Garantia de estabilidade, tendo em conta a natureza do solo;
o Restrição da elevação de trabalhadores a equipamentos de trabalho e
acessórios destinados a essa finalidade específica ou que disponham das
medidas necessárias para garantir a sua segurança, nomeadamente que o
posto de comando esteja ocupado em permanência e os trabalhadores
disponham de meios de comunicação e de evacuação seguros ;
o Interdição da presença de trabalhadores sob cargas suspensas ou da
deslocação de cargas suspensas por cima de locais de trabalho não
protegidos, excepto se a boa execução dos trabalhos não puder ser
assegurada de outra forma e se forem adoptadas as medidas de protecção
adequadas ;
o Garantia dos requisitos de segurança nos acessórios de elevação de
cargas:
§ Serem escolhidos em função das cargas a manipular, dos pontos de
preensão, do dispositivo de fixação e das condições atmosféricas;
§ Ter em conta o modo e a configuração da lingagem ;
§ Serem claramente identificáveis para que o utilizador possa
conhecer as suas características, se não forem desmontados após
a sua utilização ;
§ Serem devidamente armazenados de forma a não se danificarem ou
deteriorarem.
o Garantia dos requisitos de segurança na elevação de cargas não guiadas:
§ Prevenção dos riscos associados à sobreposição de campos de
acção de dois ou mais equipamentos;
§ Adopção de medidas para evitar o basculamento, o capotamento, a
deslocação e o deslizamento dos equipamentos;
§ Prevenção dos riscos associados a condições meteorológicas
adversas (interrupção da utilização dos equipamentos e adopção de
medidas que impeçam o seu capotamento).
o Organização do trabalho na elevação de cargas:
§ Planificação detalhada e vigilância adequada das operações;

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§ Coordenação dos operadores se uma carga for levantada
simultaneamente por dois ou mais equipamentos;
§ Designação de um sinaleiro nas situações em que o operador não
possa observar todo o trajecto da carga, directamente ou através de
dispositivos auxiliares;
§ Garantia do controlo directo ou indirecto das operações pelo
trabalhador quando a carga for fixada ou libertada manualmente;
§ Evitar a exposição dos trabalhadores aos riscos associados à
utilização de equipamentos que não possam reter cargas.

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