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EBD 03 O PECADO UNIVERSAL E A SALVAÇÃO PELA FÉ

TEXTO BÍBLICO: ROMANOS 3 | TEXTO ÁUREO: ROMANOS 3.23


SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO
ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS
3.1-4 3.5-8 3.9-18 3.19,20 3.21-23 3.24-26 3.27-31
oje, existe um tremendo processo de desinformação propagado por
pregadores midiáticos sobre a salvação em Cristo. Um exemplo recente foi o
de um pretenso pastor que tentava vender, por módica oferta, um pequeno
pacote de sabão de pó ungido que tiraria, com seu uso nas vestimentas da
família do fiel, as manchas de pecado de suas vidas.

Após completarmos 500 anos de Reforma Protestante, nada mais


importante do que reestudar o ensinamento divino sobre o perdão de
pecados e a salvação apenas pela fé, para sermos, assim, imunizados de
atentados malignos contra nossas igrejas pelos ventos de doutrina
semelhantes aos expostos acima.

INJUSTIÇA HUMANA E JUSTIÇA DIVINA

Paulo inicia, no capítulo 3, uma série de argumentações com um interlocutor


imaginário. Usando este recurso didático, o apóstolo se antecipa a alguns
questionamentos que poderiam se formar na mente dos leitores e que,
possivelmente, já haviam sido direcionados a ele durante seu ministério.

Logo no começo, Paulo se questiona se a circuncisão não teria valor algum


(v. 1,2), considerando o exposto no capítulo 2, e afirma que não, pois ela teve
seu lugar na história. A infidelidade de algumas pessoas do povo judeu não
invalidava o fato de que eles haviam sido o povo escolhido por Deus (v. 3,4;
Gn 12.1-3).

A seguir, Paulo esclarece uma dúvida sobre a justiça de Deus. É fácil


perceber que a nossa injustiça, ou nossa forma pecaminosa de viver, ressalta
a justiça divina, mostrando o valor eterno e maravilhoso de seus
ensinamentos. Contudo, alguns teriam questionado Paulo de que o mal,
neste sentido, realçaria a bondade divina, tornando-se, assim, uma atitude
positiva a ser conduzida (v. 7,8). Paulo, porém, rechaça tal visão,
demonstrando que tais pessoas vivem em condenação e que a merecem, por
não terem uma atitude real de arrependimento.

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JUDEUS E GREGOS NO MESMO BARCO

Tendo vencido a temática da justiça divina, Paulo, então, aborda um dos


cernes da controvérsia judaica na igreja, que seria uma possível vantagem,
ou superioridade, dos judeus convertidos sobre os gentios por terem
recebido e obedecido à lei do Senhor em sua prática religiosa anterior (v. 9).
Paulo, porém, também descarta esta visão, citando vários textos do Antigo
Testamento para notar que não há justos debaixo do céu, ou seja, judeus e
gregos estariam na mesma canoa furada da religiosidade e do pecado,
rumando para o fundo do oceano.

Ao dizer que a lei não trazia vantagem alguma ao judeu, Paulo apenas citava
o óbvio, pela sua observação: a lei não havia sido suficiente para mudar o
coração do povo de Deus que, por diversas vezes ao longo de sua história,
caiu na tentação da idolatria e do amor às riquezas, gerando injustiça social.
O objetivo da lei era revelar o padrão divino de conduta e tornar o homem
consciente do que é o pecado (v. 20), mas a lei, por si própria, não
transformava corações, não mudava atitudes. Ela apenas gerava
comportamento mecânico, ritualístico. A pessoa pecava e pagava sua pena
com a devida oferta.

Esta visão serve também para hoje. Muitas pessoas estão sentadas nos
bancos de nossas igrejas não por uma vontade genuína de adorar a Deus e
louvá-lo por ter enviado seu Filho para nos salvar, mas, sim, como uma
obrigação eclesiástica, onde se sacrifica o tempo de descanso dominical para
aplacar a ira de Deus sobre sua vida. Tais pessoas creem que a salvação está
atrelada à frequência aos cultos, obediência às ordens pastorais,
participação em grupos de oração ou correntes de libertação. A verdade,
porém, é que a vida cristã se baseia em princípios muito mais simples. Não
será sua participação nas atividades da igreja ou sua contribuição física e
financeira que garantirá seu nome no livro da vida. E isso deve ser
constantemente ensinado em nossas igrejas.

SALVAÇÃO PELA FÉ, SEM DISTINÇÕES

Após igualar todos os cristãos, de origem judaica ou gentílica, mostrando


que todos são pecadores, Paulo faz a afirmação que seria o centro de todo o
seu ministério apostólico e nortearia os seus escritos: "(. .. ) pois não há
distinção. Porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus;

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sendo justificados gratuitamente pela sua graça, por meio da redenção que
há em Cristo Jesus" (v. 22-24).

Vamos compreender este texto por partes.

1) Destituídos da glória de Deus – O homem foi feito à imagem e


semelhança de Deus, parecendo-se com o Criador em forma e essência. No
momento em que caiu, porém, o homem perdeu seu alicerce moral,
passando a viver conforme sua própria consciência e suas próprias paixões.

2) Sendo justificados gratuitamente pela sua graça - Antes éramos


injustos, vivíamos no pecado. A partir do momento em que nos
arrependemos de nossos erros e aceitamos o sacrifício de Jesus Cristo por
nós, Deus nos justifica, ou seja, ele, "considerando os méritos do sacrifício de
Cristo, absolve, no perdão, o homem de seus pecados e o declara justo,
capacitando-o para uma vida de retidão diante de Deus e de correção diante
dos homens. Essa graça é concedida não por causa de quaisquer obras
meritórias praticadas pelo homem mas por meio de sua fé em Cristo"'.

Este ato, portanto, possui duas características básicas:

a) É externo a nós: não há nada que possamos fazer para merecer tal
justificação. Você pode jejuar por 40 dias, se mudar para o cume mais alto
deste planeta e abster-se de qualquer contato físico com outras pessoas,
vivendo 24 horas lendo a Bíblia. Sem um ato prévio de arrependimento e
aceitação de Cristo, não há como você ser justificado, pois não há mérito
inerente aos nossos atos.

b) É gratuito: Deus não nos cobra nada em seu ato de nos justificar. Ou seja,
não apenas não há nada que possamos fazer para merecer este maravilhoso
dom, mas, também, não há a necessidade de pagarmos qualquer coisa por
isso. Dízimos, ofertas, sacrifícios não compram salvação.

3) Por meio da redenção que há em Cristo Jesus - A ideia aqui


apresentada também remete a um conceito forense. A redenção era o ato em
que uma pessoa em regime de cativeiro ou prisão tinha sua liberdade
comprada por outra pessoa. Como caídos, estávamos escravos do pecado,
porém, Cristo, pelo seu sacrifício, pagou um alto preço para nos resgatar da
morte para a vida eterna. Por isso, somos gratos a ele por sua luz iluminar
nossas escuras almas e trazer um novo sentido à nossa vida.

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UM SACRIFÍCIO POR TODOS NÓS

Paulo termina o capítulo 3 mencionando o sentido espiritual do sacrifício


físico de Jesus na cruz: "(...) a quem Deus ofereceu como sacrifício
propiciatório, por meio da fé, pelo seu sangue, para demonstração da sua
justiça" (v. 25a). O termo "propiciação'; do grego hilasmos, significa o ato de
aplacar a ira de Deus pelo pecado. No Antigo Testamento, o propiciatório era
a tampa que cobria a arca da aliança e onde Deus se apresentava em sua
glória para se encontrar com o sumo sacerdote (Ex 25.17-22). Uma vez por
ano, o sumo sacerdote realizava um sacrifício, aspergindo sangue no
propiciatório para expiar os pecados do povo (Lv 16.1-34; 23 .27-32). Paulo
afirma, porém, que Jesus Cristo foi o mais perfeito sacrifício propiciatório,
oferecido pelo próprio Deus, mostrando como ele sempre teve o interesse
de se relacionar com a humanidade.

Partindo deste pressuposto, Paulo afirma que o sacrifício havia sido feito
para judeus e gregos, bastando a fé para que a justiça divina lhes fosse
imputada. Não haveria motivos para vanglória por razões étnicas. O
sacrifício de Cristo havia sido universal, abrangia toda a humanidade.
Restava a cada indivíduo, livremente, decidir se aceitava este sacrifício,
libertando-se do cativeiro das trevas do pecado, ou se permanecia em seu
estado anterior de morte espiritual.

CONCLUSÃO

Se o ato de justificação causado por nossa salvação é externo a nós e de


iniciativa divina, devemos ter a consciência de que nada que façamos nos faz
mais ou menos merecedores de tão grande salvação. Não há bondade
inerente a nós nem qualquer tipo de ação de benevolência que possa
dissuadir a ira de Deus.

Se a salvação é gratuita e o preço por nós já foi pago, devemos nos libertar
de qualquer tipo de ritualismo ou ação religiosa que afirme que pode nos
trazer benefícios espirituais. Em Deus temos a plena segurança de que basta
crer em Jesus para que sejamos resgatados do pecado.

Se a salvação é universal, não podemos escolher a quem devemos pregar o


evangelho. Todas as pessoas deste mundo são alvos em potencial da graça
de Deus, por isso, devemos estar dispostos a falar do amor de Cristo a todos,
inclusive, àqueles que a sociedade trata como proscritos ou indignos de
perdão.
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