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INCONFORMAÇÃO COM A INJUSTIÇA E

EBD 11 DEDICAÇÃO AO AMOR


TEXTO BÍBLICO: ROMANOS 11;12 | TEXTO ÁUREO: ROMANOS 12.1,2
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO
ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS ROMANOS
11.1-8 11.9-14 11.15-24 11.25-32 11.33-36 12.1-8 12.9-21

inston Churchill, um dos maiores estadistas da história moderna, certa


vez afirmou: “Quando não há inimigos internos, os externos não podem feri-
lo”: Esta frase sintetiza bem o esforço de Paulo em pacificar a igreja de
Roma. Se judeus e gentios conseguissem compreender que ambos tinham
a mesma importância e lugar no reino de Deus, não haveria como a igreja
sucumbir às lutas e perseguições que surgiriam no futuro.
A lição de hoje contempla uma transição no texto de Paulo, porém, com a
mesma intenção: enquanto o capítulo 11 traz o final da argumentação
teológica do apóstolo sobre o local dos cristãos no reino de Deus, o
capítulo 12 inicia uma série de textos com orientações práticas sobre
como seus membros deveriam lidar com algumas questões. O que
permeará estas orientações será aquele que foi o paradigma do ministério
de Jesus: o amor.
OS LUGARES DOS JUDEUS E DOS GENTIOS NO REINO
Paulo começa o capítulo 11 argumentando com seu adversário imaginário
sobre o posicionamento dos judeus em relação ao evangelho. Ele afirma
que, apesar de terem rejeitado Cristo, Deus não os rejeitou (v. 1,2),
citando a oração de Elias a Deus sobre sua luta contra o rei Acabe (v. 2-4;
1Rs 19.14-18). Elias achava que lutava sozinho contra o rei idólatra, mas
Deus o revelou que 7 mil pessoas não tinham dobrado seus joelhos a Baal
e permaneceram fiéis a ele. Ou seja, mesmo com toda a idolatria e a
maldade do Reino do Norte, Deus não destruiu por completo seu povo.
Com base nisso, Paulo argumenta que também um remanescente israelita
havia se mantido fiel a Deus, pela fé em Jesus Cristo (v. 5,6). Os demais
tiveram seus corações endurecidos por Deus (v. 7-10), para que sua
transgressão trouxesse salvação aos gentios e, assim, sentissem ciúmes (v.
11,12). É interessante que Paulo entende que tal ciúme poderia levar
alguns de seus irmãos judeus à salvação (v. 14).

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Para encerrar com a controvérsia e um possível sentimento de orgulho
por parte dos gentios pelos judeus terem inicialmente rejeitado Jesus,
Paulo apresenta uma metáfora sobre o reino de Deus, apresentando-o
como uma oliveira. Os ramos representam o povo judeu, enquanto a
oliveira brava representa os gentios. A possibilidade de ramos de uma
oliveira brava serem enxertados na oliveira representa a dádiva dada aos
gentios de participar do reino de Deus pela salvação em Cristo. Os ramos
de oliveira cortados são o povo judeu de coração duro.
O que Paulo afirma, então, é que os gentios não poderiam se orgulhar por
terem sido aceitos por Cristo em seu reino, pois Deus era soberano para
trazer os judeus de volta. O endurecimento de seu coração havia sido
temporário (v. 25), sendo Israel salvo após o período denominado por
Paulo de “plenitude dos gentios”: Esta certeza vinha do fato de Israel ter
sido eleito por Deus para ser seu (v. 28,29).
O objetivo final deste endurecimento é esclarecido por Paulo a seguir:
Deus coloca as pessoas sob desobediência, para depois exercer
misericórdia (v. 30-32). Aqui, o mais importante é considerar que os
judeus rejeitaram originalmente Jesus, colocando-se em desobediência a
Deus, algo que os gentios já se colocavam, como povo, há gerações. Desta
forma, eles se igualavam em pecado e em misericórdia, não havendo
distinções ou privilégios de um ou outro grupo.
O interessante é que o próprio Paulo reconhece que isso era difícil de nós
compreendermos. Por isso, afirmou que os juízos de Deus eram
insondáveis e seus caminhos, inescrutáveis (v. 33). Sua mente não pode
ser conhecida, podemos apenas reconhecer: “Porque todas as coisas são
dele, por ele e para ele. A ele seja a glória eternamente! Amém” (v. 36).
A IGREJA, CORPO DE CRISTO
Com a conclusão de que judeus e gentios são iguais perante Deus, Paulo
inicia o capítulo 12 conclamando-os a que se ofereçam em sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus, não se moldando aos padrões deste mundo, mas
transformando-se pela renovação de suas mentes, para experimentarem a
boa, perfeita e agradável vontade de Deus (v. 1,2). Considerando todo o
exposto anteriormente, percebemos que Paulo não traz um ensinamento
isolado. Sua intenção é que judeus e gregos vivam em harmonia, não
conforme regras legalistas ou facções. Que vivam a nova realidade em
Cristo e não a velha dicotomia entre os dois grupos sociais.
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Curiosamente, usamos muito este texto no contexto individual, porém, seu
sentido epistolar de pacificar os membros da igreja é esclarecido no
versículo 3: Que os dois grupos, judeus e gentios, não se achem melhores
uns dos outros, mas tenham um conceito equilibrado de si mesmos.
Somente assim, eles teriam condições de trabalhar em conjunto, em prol
do reino.
Para demonstrar esse estilo de vida harmônico que deve permear a igreja,
Paulo apresenta a ide ia da igreja como sendo o corpo de Cristo, conceito
que ele também apresentaria à igreja de Corinto (1 Co 12.12-27). Cada
pessoa tem seu papel na igreja, não podendo se menosprezar ou gloriar
por sua atividade, já que todas são necessárias e dons dados pelo próprio
Deus (v. 4-8). Esta visão é muito especial, pois nos faz valorizar o trabalho
de irmãos muitas vezes esquecidos, como a irmã que leva a água para o
pastor ou o irmão que dedica uma parte de sua manhã para dobrar os
boletins da igreja.
UMA IGREJA GUIADA PELO AMOR
Acima de tudo, Paulo afirma que a igreja de Cristo precisa ser pautada
pelo amor. Isso é claro, pois todos sabemos que Deus é amor e Cristo nos
ordenou a amar a ele sobre todas as coisas e ao próximo como a nós
mesmos. Paulo afirma que este amor deve ser sincero (v. 9), ou seja, não
pode ser apenas uma fachada, uma máscara que colocamos durante as
celebrações, que retiramos tão logo saímos do templo.
Este amor legítimo se desdobra em uma série de atitudes que Paulo
exorta os cristãos romanos a adotarem em suas vidas:
Altruísmo (v.10): Os cristãos romanos deveriam olhar uns para os outros
como irmãos, dedicando a eles a mesma atenção que a um familiar.
Humildade (v. 10,16): Estes irmãos deveriam valorizar o outro, dando
maior honra ao seu próximo do que a si mesmo. Além disso, deveriam ver
a todos de igual forma, não desvalorizando pessoas de condição social
inferior segundo a estrutura romana, como mulheres ou escravos.
Serviço (v. 11): Os cristãos deveriam ajudar na igreja, servindo com zelo e
com fervor de espírito, e não de qualquer jeito.
Perseverança (v. 12): A esperança de que Deus nos ajuda nos momentos
difíceis deveria orientar os cristãos romanos a permanecerem firmes,
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mesmo com as tribulações iminentes, como a perseguição que se
deflagraria anos depois sob o reinado de Nero.
Abnegação (v. 13): Em vez de juntar tesouros neste mundo apenas para
alimentar seu próprio ego, os cristãos romanos deveriam compartilhar o
que tinham com os que precisavam. Um corolário disso era oferecer sua
casa àqueles que vinham de fora, exercitando, assim, o dom da
hospitalidade.
Longanimidade (v. 14,19,20): Negatividade não se combate com
negatividade. Caso sofressem perseguição, os cristãos romanos deveriam
abençoá-los, e não adotar uma atitude revanchista, demonstrando,
daquela forma, o amor aos inimigos que Jesus pregou em vida (Mt 5.43-
45).
Companheirismo (v. 15): Ser irmão em Cristo não é apenas uma relação
superficial, mas, sim, algo profundo, em que podemos compartilhar nossas
alegrias e tristezas para fortalecermos uns aos outros.
Bondade (v. 17): Mal não se combate com o mal. O cristão deve fazer o
bem, sem se importar com a atitude da outra pessoa.
Paz (v. 18): O cristão não cria nem alimenta discussões ou desavenças,
mas vive para que todos possam se relacionar pacificamente.
CONCLUSÃO
Como cristãos, não podemos nos sentir superiores a outros grupos
religiosos por causa do evangelho. Todos são possíveis alvos da graça de
Deus, por isso, devemos tratar a todos com respeito e dignidade,
demonstrando o amor de Cristo em nossas ações.
Como igreja, precisamos exercitar uma comunhão sincera e honesta,
movida pela transformação que Cristo exerce em nossas mentes e
corações. Como servos do Senhor, temos condições de reconhecer o valor
de nossos irmãos e, assim, conviver em harmonia, permitindo que a igreja
vivencie as maravilhas da vontade de Deus em suas ações.
Como membros do corpo de Cristo, devemos buscar nosso espaço no
reino e trabalhar em prol da propagação do evangelho, norteando nossas
ações pelo amor. Se tivermos o amor como motivador de nossas ações,
conseguiremos enxergar e valorizar o próximo, adotando naturalmente as
atitudes listadas por Paulo no final do capítulo 12 em nosso cotidiano.
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