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Índice

Introdução..........................................................................................................................3

Objectivos do Trabalho.....................................................................................................3

Metodologias.....................................................................................................................3

Contextualização Geral.....................................................................................................4

Indústria Extractiva em Moçambique...............................................................................4

Breve Historial Vale Moçambique....................................................................................5

Planeamento Territorial e a Indústria de Mineração.........................................................6

Desenvolvimento da Indústria de Extracção Mineral e Sustentabilidade Ambiental.......7

Mega-Projectos em Moçambique......................................................................................8

Ligações dos Mega-Projectos de IDE com a Economia Nacional....................................9

Participação do Estado na Indústria Extractiva.................................................................9

Participação do Sector Privado Nacional........................................................................10

Participação dos Sindicatos.............................................................................................10

Investimento, Financiamento e Cooperação do Brasil em Moçambique........................11

O Projeto Carvão Moatize...............................................................................................12

Conclusão........................................................................................................................13

Bibliografia......................................................................................................................14

1. INTRODUÇÃO
3

O desenvolvimento económico que o Homem tanto almeja, é o grande motor


para a excessiva exploração dos recursos naturais e a principal causa dos impactos
nefastos ao meio ambiente. É a procura de acumulação de capital que vastas extensões
de florestas são devastadas, alterando consequentemente o uso e cobertura do solo.

O capitalismo sempre se mostrou como o modo de produção que mais alterações


trás para a mudança do uso e cobertura do solo, na dinâmica populacional e económica,
nas relações sociais trazendo as desigualdades, assim como é responsável pelas
transformações e pela degradação do meio ambiente. Isto porque a lógica do
capitalismo é a acumulação do capital, e essa dinâmica do capital não tem respeitado os
vários impactos negativos desta excessiva exploração dos recursos naturais (à procura
dessa acumulação) para o meio ambiente e para a sociedade. Como afirma a autora: “O
processo de industrialização, ao provocar uma profunda alteração na divisão social e
espacial do trabalho implica mudanças radicais na vida do Homem”, (CARLOS, 2000).

1.1. OBJECTIVOS DO TRABALHO

Objectivo Geral

 Realizar uma pesquisa sobre O Impacto das Multinacionais no Desenvolvimento


de Moçambique “Caso da Vale Moçambique 2015-2020”.

Objectivos Específicos

 Abordar o Historial do Vale Mocambique;


 Falar do seu Contexto Reprodutivo em Moçambique;
 Apresentar diversas discussões de vários estudiosos sobre o assunto acima
citado.
1.2. METODOLOGIAS

Com a finalidade de acatar o objectivo da pesquisa, foi necessário realizar


pesquisa bibliográfica, (GIL, 2008), alega que a pesquisa bibliográfica parte de estudos
exploratórios, a qual é desenvolvida a partir do material já elaborado, seja ele por Livros
ou Artigos Científicos. Assim, sua finalidade é que o pesquisador tenha o acesso a tudo
que já tenha sido escrito sobre determinado tema.

2. CONTEXTUALIZAÇÃO GERAL
4

A República de Moçambique está situada na região sudeste do continente


africano, é banhada pelo Oceano Índico e faz fronteira com a Tanzânia ao Norte;
Malawi e Zâmbia a Noroeste; Zimbabwe a Oeste e Swazilândia e África do Sul a
Sudoeste.

Moçambique se situa na Macrorregião denominada África Austral, composta por


África do Sul, Angola, Botswana, Lesoto, Malawi, Moçambique, Namíbia, Swazilândia,
Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe2. Esta região actualmente ocupa um papel chave na
geopolítica do continente, uma vez que sua localização entre os oceanos Atlântico e
Índico implica em uma potencialidade de interacção tanto com a América do Sul
-incluindo o Brasil – quanto com o Oriente Médio e demais países asiáticos como Índia
e China, (CABAÇO, 2009), com quem a região possui histórico de comércio e
influência mútua.

2.1. INDÚSTRIA EXTRACTIVA EM MOÇAMBIQUE

No presente estudo designa-se por indústria extractiva as “actividades de


extracção de recursos naturais, sem ou com pouco processamento que adicione valor ao
recurso em si, antes de este recurso ser posto a disposição de outro utilizador”,
(CASTEL-BRANCO, 2010:10). Trata-se de actividades de extracção de minerais,
hidrocarbonetos, madeiras, produtos do mar, entre outros. Entre os recursos naturais
existentes em Moçambique destaca-se o carvão mineral, gás natural, areias pesadas,
ferro, ferro – vanádio, titânio, tantalite, turmalinas, bentonite, pegmatitos, mármores,
bauxite, grafite, diamantes, ouro, fosfatos, calcário, pedras preciosas e semi - preciosas,
riolitos, urânio platinóides, cobalto, crómio, níquel, cobre, granito, flúor, diatomite,
esmeraldas, e apatite, (ITIE-MOÇAMBIQUE, 2011; 2014).

O ouro, cobre, ferro, bauxite e recursos similares ocorrem com maior frequência
em Manica no oeste de Moçambique. Os campos de Pande/Temane, na província de
Inhambane possuem reservas de gás natural estimados em mais de 5 milhões de
toneladas joules. As reservas totais de carvão são calculadas em 6 biliões de toneladas e
ocorrem com maior abundância em Tete.

O sector extractivo em Moçambique divide-se entre a produção industrial,


dominada por grandes corporações multinacionais e produção artesanal exercida por
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garimpeiros quer individuais quer associados. Calcula-se que existam mais de 57


associações artesanais em todo o país (ibidem).

Os debates sobre a indústria extractiva em Moçambique centram-se em volta de


actividades industriais exercidas por corporações multinacionais. Na literatura, é
consensual que a indústria extractiva vem crescendo de forma galopante deste os anos
2000. O ano de 2000 marcou a celebração do contrato de partilha de produção entre
Governo de Moçambique, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique,
Empresa Pública (ENH) e a Sasol Petroleum Mozambique Limitada (SASOL).

A contribuição da indústria extractiva para as receitas do Estado prove do IRPC,


IRPS, imposto sobre a produção mineira, imposto sobre a produção petrolífera, imposto
sobre a superfície, fundo de capacitação institucional, fundos de projecto social,
contribuição sobre a produção petrolífera em espécie, licença ambiental, dividendos e
mais-valias.

2.1.1. BREVE HISTORIAL VALE MOÇAMBIQUE

A Vale é uma mineradora global fundada no Brasil em 1942 e presente em cinco


continentes. A tem mais de 100.000 trabalhadores (funcionários e subcontratados) no
mundo e está presente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Nova Iorque
(NYSE), Madrid (Latibel) e Hong Kong (China), (STANDARD BANK, 2014, VALE,
2015).

Vale entrou Moçambique em 2004 para operar nas minas de Moatize, em Tete.
As operações começaram em Agosto de 2011, com uma capacidade total de 11 milhões
de toneladas por ano (8,5 milhões de toneladas de carvão de coque), num investimento
avaliado em 1,9 mil milhões de USD. Até 2014, trabalhavam na Vale cerca de 8.000
colaboradores. Deste número, mais de 85% eram Moçambicanos, (STANDARD
BANK, 2014).

No presente ano (2015) a Vale prevê despedir mais de 3000 trabalhadores em


resultado da redução dos preços de carvão no mercado internacional, assim com
consequência do fim dos contratos.

A Vale, S.A. detém 95% de acções da Vale Moçambique (dos quais 10% estão
reservados para investidores nacionais). Os restantes 5% de acções são detidos pelo
6

Governo de Moçambique através da Empresa Moçambicana de Exploração Mineira


(EMEM), (STANDARD BANK, 2014; ITIE-MOÇAMBIQUE, 2014).

Para além da Mina de Moatize, a mineradora tem o Projecto do Corredor de


Nacala que consiste na melhoria da linha ferroviária existente e a construção de mais
dois novos troços, incluindo a linha final que conduzirá ao terminal marítimo de Nacala-
à-Velha, em Nacala, (VALE, 2015).

As condições de trabalho na Vale evoluem positivamente, embora não sejam das


melhores. Na Vale existe um comité sindical que é apoiado pelo SINTICIM. O Comité
sindical tem sido consultado no processo de tomada de decisões da empresa. A empresa
paga muito acima do salário mínimo nacional. Os trabalhadores assinaram e
submeterem um acordo colectivo. O acordo colectivo é implementado.

Entretanto, algumas empresas subcontratadas pela Vale não permitem a


sindicalização dos trabalhadores. A Mota Engil é um exemplo. A Mota Engil no início
das operações da Vale empregava cerca de 12.000 trabalhadores. Este número reduziu
para 8.000 na actual fase de produção. Os trabalhadores da Mota Engil não estão
organizados em sindicato porque a empresa cria barreiras tanto para iniciativa de
organização dos trabalhadores quanto para a iniciativa do SINTICIM. As relações entre
a Vale e o Governo são salutares. O mesmo acontece quanto ao relacionamento com o
SINTICIM e o comité sindical na empresa.

2.1.2. PLANEAMENTO TERRITORIAL E A INDÚSTRIA DE MINERAÇÃO

A indústria é um sector que movimenta grandes volumes de capitais, e é um dos


motores de desenvolvimento económico de países em desenvolvimento. O seu
crescimento está dependente do nível de investimentos que são feitos e da quantidade de
capital movimentado. Esta movimentação inicia na quantidade de matéria-prima
explorada para que os lucros sejam maiores, para que tal aconteça são necessárias
condições como grandes áreas de exploração, baixo custo de sustentação da actividade e
necessidade de transformações no território. Pois segundo HARVEY (2005), “as
transformações no espaço geográfico não estão dissociadas do tempo. É necessário que
se perceba como as transformações ocorreram no território através de seus relatos
históricos e a compreensão do seu processo”, para que se visualizem as transformações
no tempo e espaço, pois o território é palco da construção do espaço.
7

2.1.3. DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE EXTRACÇÃO MINERAL E


SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

À medida que as necessidades de consumo humano aumentam, ampliam-se as


explorações dos recursos naturais. O carvão mineral é um recurso natural que tem
chamado atenção de grandes empresas de exploração mineral por ser de baixo custo de
exploração e de rápida comercialização para produção de energia nas indústrias
siderúrgicas e termoeléctricas. Este facto tem levado as empresas multinacionais a
deslocarem-se para regiões da África onde estes recursos ainda não foram explorados.

“A empresa multinacional, capaz de deslocar capital e tecnologia rapidamente para


diversos lugares e oportunidades de lucro, controlando diferentes recursos, mercados
de trabalho, mercados de consumo e oportunidades de lucro, enquanto organiza sua
própria divisão territorial de trabalho, obtém muito poder devido à sua capacidade de
dominar o espaço e usar os diferenciais geográficos de uma maneira que a empresa
familiar não é capaz”, (HARVEY, 2005, pp.143).

Como em outras partes do mundo, espera-se que as empresas atinjam padrões


cada vez mais elevados de desempenho na sua produção, que vai muito além de
conseguir a melhor taxa de retorno para os seus accionistas. Na área de exploração de
recursos naturais, para que haja maior retorno de lucro da actividade, é necessário que
as áreas exploradas sejam extensas, e o continente africano tornou-se bastante atractivo
tanto em área por se explorar como em incentivos fiscais para tal exploração.

Apesar de inegável importância do sector em responder a necessidade de


utilização dos recursos minerais e suas contribuições significativas para o
desenvolvimento económico e social, as preocupações sobre os aspectos de seu
desempenho prevalecem. A indústria de mineração tem estado sob enorme pressão para
melhorar sua função social, de desenvolvimento e desempenho ambiental. A mineração,
bem como a utilização e deposição de minerais têm provocado danos ambientais,
sociais e económicos significativos no local de exploração.

A exploração de recursos minerais e sua indústria, em particular a exploração do


carvão mineral, tem sido um dos grandes motores de desenvolvimento de Moçambique.
O PIB teve um aumento de forma significativa, sendo esta indústria a que mais
contribuiu. Segundo dados do Banco Mundial, em 2013, Moçambique teve um
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crescimento do PIB de 7,4%, sendo que a exploração dos recursos naturais contribuiu
com 4%, (STANDARD BANK, 2014).

3. MEGA-PROJECTOS EM MOÇAMBIQUE

Em Moçambique existem 10 mega-projectos, sendo sete estão directamente


relacionados com o complexo mineral-energético sul-africano (MEC). Segundo
(CASTEL-BRANCO 2002, P.1), os investimentos dos mega-projectos, eram, até 2002,
o dobro da economia moçambicana. Dos sete projectos do MEC, três, que equivalem a
US$ 3, 531milhões, estão em Maputo; os quatro restantes estão na Beira (US$ 1,800
milhões); Moma com US$ 2000 milhões; Chibuto, (US$ 1,400 milhões); e Inhambane,
Gaza e Maputo (1,500 US$ milhões).

Perspectivas diferentes analisam o impacto dos mega-projectos em


Moçambique. Por um lado, os mega-projectos são vistos como solução para o
subdesenvolvimento de Moçambique e, por outro, são vistos como a causa do problema
de desenvolvimento. Os mega-projectos permitem o acesso ao capital, via Investimento
Estrangeiro Directo, acesso á tecnologia, criação de uma força de trabalho qualificada,
acesso às “boas” práticas de organização da produção e de gestão competitivas ao nível
dos Standards internacionais mais altos, acesso aos mercados, ligação com a economia
nacional, promove a imagem de Moçambique no panorama dos fluxos internacionais de
capital, (CASTEL-BRANCO 2002, p.2).

As exportações de Moçambique continuam sendo absorvido por mega-projectos,


incluindo a MOZAL Luminium Smelter, a Sasol e outros ligados à exploração do
carvão mineral como a Vale e a Rivarsdale. Os mega-projectos por sua natureza são de
capital e tecnologia intensivos por isso, demandam mão-de-obra qualificada, fazendo
pouco para absorver o aumento do trabalho não qualificado, (AFRICAN ECONOMIC
OUTLOOK; AFDB/OECD 2008, p.462).

Os mega-projetos em Moçambique têm um impacto muito reduzido na criação


de emprego, no PIB e na balança de pagamentos. Embora tenham sido responsáveis por
um crescimento econômico na ordem dos 8.3% por ano, entre 1996 e 2005, os mega-
projetos como o de fundição de alumínio – MOZAL na província de Maputo, de
extração de gás natural da Sasol no distrito de Temane, na província de Inhambane, e o
de Titânio ou Areias Pesadas de Moma, da Kenmare, na província de Nampula
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contribuem menos no PIB de Moçambique. Representando 65% das exportações de


Moçambique, os mega-projetos só contribuem com apenas 3% das receitas fiscais,
(NOTICIAS, 22.12.2008).

3.1. LIGAÇÕES DOS MEGA-PROJECTOS DE IDE COM A ECONOMIA


NACIONAL

Por falta de dados secundários acerca das empresas prestadoras de serviço dos
mega-projectos recorreu-se a um estudo de caso feito por LANGA e MANDLATE
(2013) e LANGA (2015) que estudaram as ligações da Mozal, Rio Tinto e Vale do Rio
Doce com as empresas locais.

Nessa sessão, fala-se especificamente das ligações produtivas a montante,


principalmente dos encadeamentos entre os fornecedores locais e as multinacionais.
Esse tipo de ligação oferece um maior potencial de realização e contribuição efectiva
para o desenvolvimento industrial das Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais,
na medida em que permite aumentar e diversificar a produção, melhorar competências,
capacidades e padrões de produção e induzir o upgrading tecnológico, conduzindo ao
desenvolvimento de uma estrutura económica mais diversificada e à promoção de
emprego, (CASTEL-BRANCO & GOLDIN, 2003;MORRIS, KAPLINSKY &
KAPLAN, 2011; LANGA, 2015).

“As ligações com grandes projectos de IDE por si, não constituem uma base ampla
para o desenvolvimento das empresas nacionais pois, por um lado, o potencial de
ligações realizável por empresas nacionais é limitado, por outro lado, não existe
garantia de crescimento sustentável a longo prazo, quando a ligação com o grande
projecto é interrompida”, (LANGA; MANDLATE, 2013, p. 6).

3.1.1. PARTICIPAÇÃO DO ESTADO NA INDÚSTRIA EXTRACTIVA

O Estado moçambicano participa na indústria extractiva através de instituições e


empresas. Dentre as instituições destaca-se o Ministério dos Recursos Minerais e
Energia (MIREME) e instituições tuteladas e/ou subordinadas, Instituto de Gestão das
Participações do Estado (IGEPE) e a Autoridade Tributária de Moçambique (AT).

O MIREME é um órgão do Estado que dirige e assegura a execução da política


do Governo na investigação geológica, exploração dos recursos minerais e energéticos,
e no desenvolvimento e expansão das infra-estruturas de fornecimento de energia
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eléctrica, gás natural e produtos petrolíferos. O MIREME tutela e subordina outras


instituições como o Instituto Nacional de Petróleos (INEP), a Iniciativa de
Transparência na Indústria Extractiva (ITIE), Museu Nacional de Geologia, Fundo de
Energia.

3.1.2. PARTICIPAÇÃO DO SECTOR PRIVADO NACIONAL

O Governo moçambicano tem como uma das políticas o aumento da


participação do sector privado nacional na indústria extractiva, com o objectivo de
encorajar a criação de uma indústria nacional fornecedora de bens e serviços para o
sector, (CHILENJE, 2013). Porém, a participação do sector privado nacional nas
operações mineiras e petrolíferas constitui um grande desafio.

A participação do sector privado nacional na indústria extractiva é fraca. Ainda


não existem claramente ligações empresariais entre os mega-projectos com as pequenas
e médias empresas nacionais. As empresas nacionais, sobretudo as pequenas e médias
empresas (PME) carecem de incentivos tais como crédito barato, isenções fiscais,
redução de impostos para poderem se potenciar e responder com qualidade as
exigências que os grandes projectos da indústria extractiva impõem. Por outro lado, as
PME têm tido dificuldades de aceder à informação sobre os procedimentos a seguir para
aproveitarem as oportunidades que os grandes projectos de extracção criam,
(SELEMANE, s.d).

3.1.3. PARTICIPAÇÃO DOS SINDICATOS

Os sindicatos exercem uma fraca influência na actividade mineira e petrolífera.


Os trabalhadores das empresas de exploração mineira, incluindo os do sector de
construções e de transportes são organizados e controlados pelo SINTICIM. O
SINTICIM é um dos quatro sindicatos filiados na Confederação Nacional dos
Sindicatos Independentes e Livres de Moçambique (CONSILMO). A CONSILMO é
uma segunda Central e representa cerca de 106,000 trabalhadores, (LO/ FTF, 2013).
Não se tem um número exacto dos membros da CONSILMO porque não se tem
estatísticas organizadas.

A actuação do SINTICIM e da própria CONSILMO na indústria extractiva não é


notável. Em alguns casos, os próprios trabalhadores das empresas desconhecem a sua
existência, confundindo-a com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique –
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Central Sindical (OTM-CS). Não há evidências de posicionamentos, estudos ou outra


formas de participação da CONSILMO e do SINTICIM relativos as discussões envolta
das questões da indústria extractiva tais como legislação, reassentamentos,
despedimentos, tributação, entre outros.

De acordo com SELEMANE (2010), a ligação das empresas com altos


dirigentes do País enfraquece a posição dos governos locais e as ligações entre os
governos locais e as comunidades enfraquece a posição das comunidades. Esta
observação é ainda válida porque em Tete as comunidades acusam as autoridades
administrativas e as direcções das empresas de se recusarem a dialogar com as
comunidades. As decisões do Governo muitas vezes favorecem as empresas.

4. INVESTIMENTO, FINANCIAMENTO E COOPERAÇÃO DO BRASIL EM


MOÇAMBIQUE

A descoberta recente de abundantes recursos naturais (reservas de carvão e


outros minerais, gás, terra e clima para exploração florestal, além de commodities
agrícolas e bens alimentares) reforçou essa estratégia de desenvolvimento via a atracão
de investimentos estrangeiros. Os primeiros investimentos estrangeiros concretizados
deixaram dúvidas sobre sua contribuição para o desenvolvimento económico e para a
redução da pobreza no país, (MOSCA e SELEMANE, 2012; DURAN e CHICHAVA,
2013).

A Vale é o principal investidor brasileiro em Moçambique, tendo chegado ao


país em 2004 para explorar a mina de Moatize. Atraída pela qualidade do carvão
mineral de Tete e pelo boom das commodities no mercado internacional, a empresa
assinou um contrato de concessão mineira para exploração da mina de Moatize, que não
era explorada desde a independência em 1975, (VALE, 2013). A instalação e,
posteriormente, a duplicação da mina foram realizadas em conjunto com as construtoras
brasileiras Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez, que ganharam espaço na
economia do país.

O projecto Moatize é o maior investimento da mineradora em carvão mineral


(11 milhões de tonelada por ano). Suas exportações foram iniciadas pelo porto da Beira
em 2011. O transporte era feito por meio da ferrovia de Sena, que conta com uma
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extensão de 575 km e tem capacidade para transporte de seis milhões de toneladas por
ano, (VALE, 2014).

Para viabilizar a infra-estrutura condicionante da sua expansão no país, a Vale


adquiriu o controlo da Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Norte (SDCN),
que controlava ferrovias e portos em Moçambique e Malauí, (VALE, 2011).

4.1. O PROJETO CARVÃO MOATIZE

O PCM consiste em um megaprojeto de capital intensivo voltado para


exportação de carvão mineral em estado bruto. O Projeto é de responsabilidade da
mineradora brasileira Vale, atualmente dona de 95% das minas de carvão de Moatize e
vem contando, desde o seu início, com diversas empresas consorciadas. Ao longo da
etapa de implantação, a principal parceira da Vale foi a mineradora Odebrecht,
multinacional brasileira do ramo da construção civil, além de outras diversas empresas
de variados ramos, como, por exemplo, as voltadas para os estudos socioeconômicos,
ambientais e geológicos que integraram esta etapa.

Actualmente, já na etapa da operação, ou seja, da extracção efectiva do carvão, o


Projecto conta ainda com diversas empresas consorciadas, como a brasileira Concremat,
também do ramo da construção; a sul-africana CBE, voltada para os recursos humanos;
as sul-africanas Kenze, responsável pela montagem de estruturas metálicas; Cervicom e
ISF, responsáveis pelo fornecimento de alimentação; Unitrans, responsável pelo setor de
transportes; ABB, responsável pelo sistema eléctrico, e Velment responsável pela
recolha de resíduos; a moçambicana Santa Verde, encarregada de áreas verdes; a
coreana IS, responsável pela implantação da termoeléctrica que gerará energia a partir
do carvão; a saudita ACWA Power, que irá integrar o consórcio destinado à operação da
termoeléctrica a ser instalada em Moatize; além de empresas voltadas para áreas de
suporte como a Motorola e a DSTV, voltadas para as telecomunicações, a EDM,
empresa pública de electricidade, entre outras. A informação acerca das empresas que
compõem actualmente o Projecto foi obtida por meio das entrevistas realizadas com os
funcionários, tendo sido inclusive afirmado que “a Vale quis empresas de renome
internacional para a fase de operação, e nesse processo muitas empresas moçambicanas
saíram prejudicadas”.
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5. CONCLUSÃO

É do conhecimento que os recursos naturais são uma fonte de enriquecimento do


capitalismo, quanto maior a área explorada maior é a sua acumulação. Infelizmente esta
maior acumulação remete a uma maior degradação ambiental e alterações significativas
no espaço, sendo a população mais desfavorecida a mais impactada. O local acolhedor
de grandes projectos de exploração mineral na maioria das vezes é submetido a regras e
exigências das multinacionais, ditando elas as regras de como serão estabelecidas as
suas actividades.

Este cenário acontece em países em desenvolvimento, com uma economia fraca,


onde a legislação de gestão do território é frágil e com uma enorme vontade de
crescimento económico. Vale lembrar que em Moçambique, qualquer área que tenha
riquezas naturais e que é uma alavanca para a economia e bem-estar “comum”, terá
prioridade a actividade económica em detrimento da comunidade local ou outro tipo de
actividade que venha ser desenvolvida.

De salientar que sector extractivo em Moçambique divide-se entre a produção


industrial, dominada por grandes corporações multinacionais e produção artesanal
exercida por garimpeiros quer individuais quer associados.

Moçambique tem um grande potencial em recursos naturais, dos quais se


destacam o carvão mineral, gás natural, áreas pesadas, ferro, ferro – vanádio, titânio,
tantalite, turmalinas, bentonite, pegmatitos, mármores, bauxite, grafite, diamantes, ouro,
fosfatos, calcário, pedras preciosas e semi – preciosas, riolitos, urânio platinóides,
cobalto, crómio, níquel, cobre, granito, flúor, diatomite, esmeraldas e apatite.

Destes recursos, o carvão mineral, gás natural, áreas pesadas, ferro, ferro –
vanádio, titânio, tantalite, turmalinas, bentonite, pegmatitos, mármores, bauxite, grafite,
diamantes, ouro, fosfatos, calcário, pedras preciosas e semi – preciosas, riolitos estão
em exploração.
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6. BIBLIOGRAFIA

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