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Índice

Introdução..........................................................................................................................3

Objectivos do trabalho.......................................................................................................4

Metodologias.....................................................................................................................5

Problema............................................................................................................................6

Conceito do terrorismo......................................................................................................7

Características do terrorismo.............................................................................................8

Tipologia do terrorismo.....................................................................................................9

Terrorismo em Moçambique concretamente na zona norte do País Cabo Delgado


“Mocímboa da Praia”......................................................................................................10

Início da insurgência armada em Cabo Delgado.............................................................10

O grupo em acção............................................................................................................11

Formação do grupo..........................................................................................................12

A narrativa do grupo........................................................................................................12

Ligações e fontes de financiamento................................................................................12

Modus operandi...............................................................................................................13

Alvos................................................................................................................................13

Principais implicações do terrorismo em Moçambique..................................................14

Possibilidades de soluções...............................................................................................15

Conclusão........................................................................................................................17

Referências bibliográficas...............................................................................................18
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1. Introdução

África tem sido historicamente um continente conturbado. Se a partir dos anos 40


começou a se livrar das amarras do colonialismo, os anos seguintes foram
caracterizados por vários conflitos intra-estatais ou guerras civis do período pós
independência que muitas vezes estiveram associados a factores identitários e questões
de recursos naturais, (Hobsbawm, 2017).

A partir do ano 2000 um novo fenómeno começou a predominar e a caracterizar a já


complexa estrutura de conflitos no continente, o terrorismo. Sobretudo com a
emergência de dois grandes grupos, o Boko Haram e o Al-Shabaab, na Nigéria e
Somália, respectivamente. Se o espectro do terrorismo parecia circunscreverse às
contiguidades dos dois Estados hospedeiros destes dois movimentos, o ano de 2017
mostrou que o terrorismo poderia estar mais próximo de Moçambique do que se podia
imaginar. Isso se revelou com os ataques nos dias 5 e 6 de Outubro de 2017 a três
postos de polícia na região nortenha de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado um
cinturão estratégico para o desenvolvimento do Estado moçambicano por indivíduos
que se supõe serem de orientação islâmica radical.

Diante desta situação, principalmente tomando em conta a insegurança e instabilidade


política que têm caracterizado a Nigéria e a Somália com a existência de movimentos
terroristas, é natural que emerjam questões, particularmente relacionadas à identidade e
proveniência do grupo que protagonizou os ataques em Mocímboa da Praia, suas reais
capacidades, modus operandi e outras. Mas, acima de tudo, emerge uma questão muito
essencial e de difícil resposta: é possível acabar com a ameaça do terrorismo em
Moçambique? Ou pelo menos desmobilizar? Responder à esta pergunta não é fácil, mas
urge começar-se a reflectir sobre o terrorismo como um problema de segurança global
que agora afecta o Estado moçambicano e nas várias frentes estratégicas a serem
adoptadas para colmatar ou minimizar essa tendência à um nível de quase irrelevância,
(Dw, 2019).

Este trabalho enfoca-se na abordagem das políticas públicas como um recurso de


desmobilização de movimentos terroristas, com ênfase nas condições específicas que
permitiram o estabelecimento e ousadia do grupo em acção, bem como, nas condições
que podem permitir o seu crescimento através do recrutamento ou mobilização de
membros das comunidades para aderirem às suas fileiras.
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1.1. Objectivos do trabalho

Objectivos geral

 Descrever quais são os processos envolventes dos ataques armados na zona


norte do País, concretamente na província de Cabo Delgado.

Objectivos específicos

 Definir o termo “terrorismo”;


 Abordar uma breve histórica dos primórdios dos ataques da zona acima citada
dos objectivos geral deste trabalho;
 Debruçar das suas implicações dos ataques em destaque;
 Dar a conhecer os tipos de terrorismo, as suas características, as suas causas; e,
 Apresentar as várias discussões dos 5 autores sobre o assunto acima referido.
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1.2. Metodologias

Radicalização é um conceito relativamente recente nas ciências sociais e a sua definição


não é consensual. Por isso, o conceito tem sido objecto de muita controvérsia,
(Neumann, 2013). Uma vasta literatura produzida nos últimos anos sobre o fenómeno
da radicalização mostra não só a complexidade do debate, mas também uma certa
imprecisão do conceito, (Githens-Mazer, 2012; Sageman, 2004; Neumann, 2013;
Borum, 2011; Wiktorowicz, 2006; Moghadam, 2005; Mandel, 2009).

Com efeito, como Githens-Mazer (2012), sublinha, o conceito de radicalização tem sido
usado para dar conta de uma diversidade de situações, desde formas de populismo,
passando por actos revolucionários de contestação de um poder político em declínio, até
à intensificação de orientações e comportamentos políticos existentes, geralmente
marcada por uma mudança de actividades pacíficas para extremismo violento, (Githens-
Mazer, 2012, p. 557).

De acordo com Neumann (2013), o debate sobre radicalização estruturou-se sobretudo à


volta de duas posições. Por um lado, a posição que define a radicalização colocando a
enfase em “crenças extremistas” – radicalização cognitiva – e, por outro lado, a posição
que sublinha comportamento extremista – radicalização comportamental, (Neumann,
2013: 873).

Para o efeito, recorreu-se às fontes primárias de informação – reportagens televisivas e


notícias de jornais físicos e electrónicos – para definir a morfologia do grupo, bem
como, ao uso de bibliografia, sobretudo vinculada ao fenómeno terrorista nos casos
mais salientes de África (Nigéria e Somália), o que confere com alguma regularidade
um tom comparativo ao estudo. Neste sentido, foi preciso antes de mais dissipar
quaisquer confusões sobre o conceito de terrorismo, para em seguida analisar o grupo
que opera em Moçambique, bem como as condições estratégicas existentes, para logo
apresentar as possíveis estratégias de políticas para lidar com este fenómeno.
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1.3. Problema

Segundo Lakatos e Marconi (2003, p. 159), “problema é uma dificuldade, teórica ou


prática, no conhecimento de alguma coisa de real importância, para a qual se deve
encontrar uma solução.”

Portanto, o problema de pesquisa pode ser entendido como um aprofundamento do


tema, que deve ser apresentado da maneira mais clara e objectiva possível, para facilitar
o desenvolvimento do estudo.

Para Gomides (2002), a maneira mais fácil e directa de se formular um problema é fazê-
lo em forma de pergunta, pois este modo permite identificar, com mais facilidade,
aquilo que se deseja pesquisar, separando o supérfluo do essencial.

Assim sendo este trabalho tem como problema: Quais são as implicações do terrorismo
em Cabo Delgado? Porque acontece essa guerra? Quais são os motivos fortes? Porque
Cabo Delgado?
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2. Conceito do terrorismo

Definir o terrorismo é das tarefas mais necessárias e complexas quando se procura fazer
uma primeira aproximação ao problema. Se etimologicamente a tarefa é simples -
podendo este ser visto como o acto de criar pavor ou pânico - conceptualmente esta
tarefa é bem mais intrincada, pois é um conceito que sofre o vício da politização, da
falta de rigor analítico e do juízo de valores, sobretudo quando se trata de associar o
mesmo aos casos concretos.

Não obstante ser objecto de constante desacordo entre analistas e, sobretudo, políticos,
alguns autores procuraram definir este conceito de maneira mais objectiva possível.
Neste esforço de objectividade, Silva (2005: 31), define o terrorismo como “o emprego
ou a ameaça de emprego da violência contra alvos humanos e materiais por um actor
que pretende atingir objectivos políticos ou político-religiosos”. Silva ressalta que o
mesmo deve contemplar características como a clandestinidade por parte da actuação
dos participantes de modo a camuflarem as suas identidades pessoais ou a sua
localização futura; não limitam os alvos aos militares, associando-lhes os civis e os não
combatentes; e o alvo do terror perpassa as vítimas imediatas do mesmo, ou seja, podem
atacar civis com vista a chamar a atenção do poder político ou da comunidade
internacional para a sua existência e/ou causa.

Por outro lado, Webel (2004: 8), em alusão à “Central Intelligence Agency (CIA)”, diz
que o termo terrorismo significa violência premeditada, motivada por questões políticas
e perpetrada contra alvos não combatentes por grupos subnacionais ou agentes
clandestinos, normalmente tendo em vista influenciar uma audiência.

Nas duas definições sobressai a noção de violência contra alvos não combatentes por
parte de grupos sub-nacionais para atingir uma audiência maior do que as vítimas
imediatas tendo em vista o alcance de determinados objectivos políticos. O conceito da
CIA, em particular, tem o mérito de trazer o elemento de premeditação, ou seja, este é
um método de luta com uma componente psicológica muito forte, que exige preparo e
definição à priori dos alvos e do possível impacto das acções. Por isso, Hoffman (2002)
citado por Webel (2004: 8), trata de trazer o terrorismo como uma forma de guerra
psicológica desenhado para ter um impacto psicológico muito forte no público alvo, que
é causar medo, intimidação, insegurança e pânico, o que gera respostas muitas vezes
emocionais.
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Lutz & Lutz (2013: 275), preferem esquivar-se de definir o conceito de terrorismo
trazendo elementos constitutivos do mesmo. Assim, para estes autores o terrorismo deve
considerar 6 elementos essenciais:

1. O uso da violência ou ameaça do uso da mesma;


2. Por um grupo organizado;
3. Para atingir objectivos políticos;
4. A violência é direccionada à uma audiência que vai para além das vítimas
imediatas, que são maioritariamente civis inocentes;
5. Tanto o governo como um outro grupo pode perpetrar o terror, mas só é
considerado terrorismo quando não se trata do primeiro;
6. O terrorismo é a arma dos fracos.

Entretanto, ainda que a maioria dos autores tenda a caracterizar o terrorismo como um
fenómeno exclusivamente de grupos privados, outros negam-se a seguir a mesma
direcçao, é o caso de Blakeley (2009: 1), que vê a acção terrorista como uma acção que
pode ser perpetrada pelo Estado contra os seus próprios cidadãos com o objectivo de
“coagir as populações a aquiescer aos desejos das elites através do uso da violência
para instilar medo numa audiência maior que vai além das vítimas directas da
violência”.

2.1.1. Características do terrorismo

Da análise dos factos terroristas históricos narrados pode-se entender que as


características do terrorismo são:

a) Natureza Indiscriminada - Todos, em potencial podem ser alvos ou inimigos


da “causa” independentemente de seu papel na sociedade.
b) Imprevisibilidade e arbitrariedade - Não é possível saber onde e quando ocorrerá
um atentado.
c) Gravidade ou espectacularidade - Nesta característica se enquadra armas de
destruição em massa, uma vez que esta em mão de terroristas, mais do que o
número de mortes e ferimentos causaria extensos traumas em função dos
resultados externos.
d) Carácter Amoral e de Anomia - Os terroristas tendem a demonstrar completo
desprezo e indiferença pelos valores morais vigentes. Assume-se que, mesmo o
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sofrimento e a morte de eventuais inocentes são justificáveis em nome da causa


que defendem.
2.1.2. Tipologia do terrorismo

Num mundo globalizado, o terrorismo adquire novos contornos, desterritorializando-se,


desvinculando-se até de qualquer identidade reconhecida e alargando o leque das
vítimas potenciais a uma escala global. O terrorismo transnacional pode ser considerado
como um novo tipo de terrorismo. O que é novo actualmente é o fato da tecnologia estar
a colocar nas mãos de indivíduos e grupos desviantes poderes destrutivos que antes
estavam reservados aos Estados, (Blakeley, 2009. p 229).

Nesse sentido, o novo terrorismo é por vezes identificado com a privatização da guerra
e da tecnologia da mesma: ele é o terrorismo transnacional que usa a internet como
meio de comunicação e gestão das suas redes, assim como arma de combate. De uma
maneira geral, podemos ter os seguintes tipos de terrorismo:

a) Terrorismo Repressivo - Usa-se de actos de violência terrorista para dominar


ou restringir certos grupos sociais, ou mesmo uma população inteira,
considerados indesejáveis ou inadequados. O inicio da revolução francesa se
enquadra nesse tipo.
b) Terrorismo Separatista - De elevada violência, trata-se de uma categoria que
busca renunciar à comunidade política na qual estão formalmente inseridos. Um
exemplo é a situação do Quebec em relação ao Canadá.
c) Terrorismo Narco-Criminal - O cultivo, processamento, transporte e
distribuição de narcóticos é, provavelmente, o maior gerador de violência
política e de crimes comuns no mundo, porém, além de seu potencial
criminólogo tradicional, serve-se também de métodos terroristas, urbanos e
rurais, que garantem seus lucros.
d) Terrorismo Religioso - Os terroristas também procuram substituir o sistema
político vigente, mas os valores articulados são primordialmente, de natureza
sagrada, enraizados em laços ancestrais e na religião. “Aum Shinrikyo” esse
grupo utiliza de armas de destruição em massa.
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2.1.3. Terrorismo em Moçambique concretamente na zona norte do País Cabo


Delgado “Mocímboa da Praia”

Numa altura em que Moçambique ainda estava num longo processo negocial com vista
a pôr termo ao conflito decorrente dos resultados eleitorais das eleições gerais de 2014,
o país foi surpreendido, a 5 de Outubro de 2017, com notícias de um ataque armado às
instituições do Estado na vila-sede de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado.
Perpetrado por um grupo desconhecido, com reivindicações da prática de um Islão
radical, este ataque armado era um fenómeno novo no processo político moçambicano e
trazia uma série de questões não só do ponto de vista da natureza do grupo e suas
motivações, como também no que se refere às implicações políticas, sociais e
económicas do próprio fenómeno para o país.

Apesar de vários órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros terem dedicado


atenção ao fenómeno, desde o primeiro ataque, a informação disponível sobre o assunto
ainda continua escassa. Tem sido cada vez mais difícil, por parte de jornalistas e
pesquisadores, o acesso aos locais assolados pelos ataques. Aliás, desde o início dos
ataques armados em Outubro de 2017, foram detidos, pelo menos, seis jornalistas: três
estrangeiros e um moçambicano, em 2018, e dois moçambicanos, em 2019, (Dw, 2019).
Além disso, foram instaurados seis processos-crimes contra indivíduos suspeitos de
estar ligados aos ataques. Dois desses processos, com cerca de 221 arguidos, foram
concluídos pelo Tribunal Judicial da Província de Cabo Delgado, tendo resultado em 57
condenados a penas de prisão, que variam de 16 a 40 anos. Os restantes quatro
processos, visando 50 arguidos, ainda não foram concluídos, (Achá, 2019).

3. Início da insurgência armada em Cabo Delgado

Como em muitos outros países, em Moçambique existem diferentes concepções do


islão, constituindo este assunto um ponto de tensão entre diferentes grupos, que chamam
a si a autoridade dessa religião. A diversidade de concepções do islão em Moçambique
foi resultante da mudança de contextos históricos na região (pré-coloniais, coloniais, e
pós-coloniais), tendo o islão sido usado como forma de fortalecimento da autoridade e
poder das elites locais, com quem as diferentes correntes do islão acabaram por ficar
associadas, (Bonate, 2007).
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Como foi previamente mencionado, nos dias 5 e 6 de Outubro de 2017 houve ataques
em Mocímboa da Praia que se estendem por 2018 contra esquadras policiais e alvos
civis. Tais ataques, conduzidos por um grupo de homens armados e com vestes
islâmicas, resultaram na morte do Director Nacional de Reconhecimento da Unidade de
Intervenção Rápida (UIR), homens da Polícia da República de Moçambique (PRM) e de
civis, destruição de residências da população (cerca de 50 famílias desabrigadas),
vandalização de igrejas e suspensão da ordem pública na Vila de Mocímboa da Praia
ruas desertas e interrupção do trânsito para e de Mocímboa da Praia, (Beúla, 2017).

Esta situação exigiu uma presença e intervenções continuadas das forças policiais em
Mocímboa da Praia, sendo a última e de grande vulto a que ocorreu em Março de 2018
e que resultou na apreensão de sete armas de fogo, 554 munições de pistola, AK- 47 e
de viaturas que eram usadas nas incursões, (Jornal notícias, 2018).

Com os relatos obtidos através das plataformas de interacção na internet, chat e pelos
meios de comunicação social, estes incidentes tornaram a insegurança e o temor uma
nova característica de Mocímboa da Praia. Isto para além do facto destes ataques se
estender também para outras regiões da província de Cabo Delgado, como é o caso da
região de Olumbi no Distrito de Palma uma região onde actividades importantes de
prospecção de petróleo estão a ser conduzidas. O ataque em Olumbi contra o o edifício
do Governo local resultou na morte de 5 pessoas, (Dw, 2019).

3.1.1. O grupo em acção

O grupo que opera na região da Mocímboa da Praia foi rapidamente denominado Al-
Shabaab, à semelhança do movimento terrorista que actua na Somália. Esta
denominação pode ter surgido localmente através de uma analogia popular que se pode
ter feito com o grupo somali e foi rapidamente veiculada pela imprensa. Ou, como
refere o historiador Yussuf Adam em entrevista à Dw (2018), “porque há ali uma
grande quantidade de mulçulmanos imigrantes da Somália" e que buscam negócios na
região vista como o novo El Dorado. Mas até então a sua verdadeira identidade não se
formou ou ainda não veio ao público. Ora, daquilo que se pôde apurar dos esforços
policiais é que o grupo é constituído por moçambicanos (314) oriundos de Nacala Porto,
Mocímboa da Praia e Nangade, tanzanianos (52), um somali e um ugandês, totalizando
cerca de 370 membros identificados, (O País, 2018).
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3.1.2. Formação do grupo

A formação deste grupo é um assunto ainda embuçado, objecto de desacordo e


especulações. Tanto que os argumentos variam desde uma abordagem historicista das
relações etno-políticas e religiosas na região até argumentos mais contemporâneos,
assentes nas dinâmicas sócio-económicas em Cabo Delgado. A narrativa da população
trazida pelos órgãos de comunicação social notabiliza que nos últimos tempos tem
havido uma reconfiguração das relações sociais e religiosas em Mocímboa da Praia.
Esta reconfiguração caracterizou-se pela existência de comportamentos estranhos àquela
comunidade, concretamente indivíduos que iam à mesquita com facas, armas e exigindo
uma postura religiosa distinta da que constituía o normal, (Voa, 2018).

3.1.3. A narrativa do grupo

Apresentar a narrativa desde movimento é tão difícil quanto entender a sua formação.
No entanto, das informações disponibilizadas, houve inicialmente uma tentativa de
associação deste grupo à linha de orientação islâmico-radical, tanto que mesmo o
representante do Conselho Islâmico de Moçambique, o Sr Juma Cadria, afirmou que “a
presença de indivíduos com ideologias de tendência radical tem vindo a ser registada
nos últimos tempos e já tinha sido reportada ao Governo”, (Agência Lusa, 2017). Estes
indivíduos faziam apelos aos cidadãos para o desrespeito pelas instituições e autoridade
do Estado, a não adesão às escolas normais em favor das mesquitas extremistas e ao uso
de objectos contundentes como mecanismos de auto-protecção ao mesmo tempo que
defendem a recuperação dos valores tradicionais do Islão, pois o Islão actualmente
praticado nas mesquitas locais é um Islão degradado. Por isso eles entram nas mesquitas
calçados e munidos de armas brancas e acabaram por criar seus próprios espaços de
culto, (Habibe, Forquilha, & Pereira, 2018).

4. Ligações e fontes de financiamento

Ver o terrorismo no séc. XXI é basicamente ver o terrorismo na sua vertente islâmica
radical. Esta visão foi determinada pelos ataques do Al-Qaeda às Torres Gémeas de
Nova York ao 11 de Setembro de 2001 – desde então os EUA declarou guerra aberta
contra o terrorismo no mundo. Ainda assim, as acções terroristas de orientação islâmica
se foram reproduzindo em todo mundo de modo que, segundo o Institute for Economics
and Peace (2018), no seu Índice Global do Terrorismo, os maiores grupos terroristas do
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Séc. XXI são todos de orientação islâmica radical, com destaque para os casos da Al-
Qaeda, do Estado Islâmico, do Boko Haram e do Al- Shabaab.

No caso do grupo que opera em Cabo Delgado, o Governo Distrital refere que estes
estudam doutrinas religiosas na Tanzânia, Sudão e Arábia Saudita, onde alegadamente
recebem treinos militares e aprendem a manusear armas de fogo e armas brancas,
(MMO Notícias, 2017). Habibe, Forquilha & Pereira (2018) corroboram este dado
dizendo que grande parte da liderança do grupo tem ligações com círculos religiosos,
comerciais e militares de grupos islâmicos radicais na Tanzania, Somália, Quénia e
região dos Grandes Lagos. Porém, são escassos os dados que comprovam estas ligações.

4.1.1. Modus operandi

O grupo operando em Mocímboa da Praia actua basicamente com recurso à ataques e


emboscadas à esquadras e comboios policiais por grupos numerosos de homens
empunhando armas brancas (catanas) e armas de fogo. Associado ao uso das armas
brancas está o “acatanamento”4 – tal como sucedeu com o Director de Reconhecimento
da UIR depois de alvejado. Mas também uma característica saliente são os ataques às
igrejas, destruição de residências das populações e invasão aos edifícios
governamentais. Para estas finalidades, recorriam à catanas, machados, martelos,
flechas, armas de fogo do tipo AK-47, caçadeiras de dois canos, Mauser português e
Shotgun, (Jornal notícias, 2018).

4.1.2. Alvos

Tal como se depreende da definição de terrorismo, discutir os alvos do terrorismo é


essencialmente trazer o debate em dois níveis. Primeiro, os alvos directos, ou as vítimas
imediatas das incursões dos movimentos. E, Segundo, os alvos indirectos, ou as vítimas
que suas acções se vêem directamente condicionadas em função das actividades destes
movimentos.

Em Moçambique, as principais vítimas ou os alvos directos têm sido os civis como


ocorreu nos ataques à Aldeia de Naunde, Posto Administrativo de Mucoja, o que
totalizou cerca de 20 mortos e mais de 300 casas incendiadas em Macomia; as FDS,
como sucederam no primeiro ataque e nas emboscadas que se deram posteriormente;
bem como, instituições do Estado, tal como aconteceu com o ataque ao governo local
em Olumbi, (Voa, 2018).
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4.1.3. Principais implicações do terrorismo em Moçambique

Apresentar uma proposta para solucionar qualquer problema implica automaticamente


um recuo de modo a entender as causas ou os factores determinantes de tal problema.
De modo geral, os determinantes do Terrorismo são de várias maneiras similares aos
factores causadores da maior parte dos demais tipos de violência política. Ou seja, a
clássica frustração decorrente da exclusão, privação ou incapacidade de implementar
determinadas mudanças que resulta posteriormente em agressão. No entanto, há factores
específicos que podem resultar na eclosão do terrorismo, (Lutz & Lutz, 2013).

As implicações são:

a) Pobreza e desemprego - Quando se aborda as causas do terrorismo, ou o


porquê as pessoas decidem se aliar aos grupos terroristas e chegar, inclusive, a
sacrificar as suas vidas por tal causa, a pobreza e o desemprego são elementos
salientes. Sobretudo em contextos em que o acesso aos recursos básicos de
subsistência é ainda privilégio de uma pequena parcela da população e os fossos
de desigualdade encontram fundamentação em elementos étnicos ou identitários,
(Chang, 2005). Olhando de forma específica para o caso de Mocímboa da Praia,
e de forma um pouco mais abrangente para a província de Cabo Delgado, é
inegável aceitar a pobreza, o desemprego e os baixos níveis de escolaridade
como parte da paisagem social daquela região.
b) Fronteiras porosas e os espaços ingovernáveis - As fronteiras porosas e os
espaços ingovernáveis são uma característica saliente dos Estados frágeis e
Moçambique não foge à regra. Por fronteira porosa pode-se entender o tipo de
fronteira que escapa à vigilância das entidades responsáveis pelo controlo
migratório e que permite, desta forma, a livre-circulação de todo o tipo de
pessoas e bens de um Estado para o outro. E, por espaço ingovernável, pode-se
entender os espaços no interior de um Estado que escapam à presença e controle
das diferentes formas de autoridade constituídas em certo Estado. Estes dois
fenómenos andam de mãos dadas e são um elemento de vulnerabilidade, pois
permitem a fácil circulação e consolidação de vários tipos de criminosos
transnacionais no país, (ISRI, 2014).
c) Cultura e identidade - A cultura e identidade são factores salientes nas causas
dos conflitos africanos. Essencialmente quando combinados com alguma forma
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de privação ou acesso aos recursos do Estado já escassos entre grupos distintos,


(ISRI, 2014). A cultura e identidade foram sempre elementos proeminentes na
constituição de grupos de protesto e advocacia por alguma forma de direito
exigida ou negada. Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram foi constituído
apelando ao factor identitário como base da sua acção no norte da Nigéria ou nos
Estados fronteiriços, seja identidade étnica ou religiosa, (Dw, 2019).
d) A presença de investimentos ocidentais nos recursos naturais - Cabo
Delgado é uma província rica em recursos naturais e minerais. Esta riqueza que
se reflecte em grandes investimentos e novas dinâmicas económicas e sociais
atrai todo o tipo de interesses, desde criminosos transnacionais, investimentos
Ocidentais à islâmicos radicais visando comprometer os interesses dos Estados
Ocidentais. A presença de grandes investimentos ocidentais no território
nacional é provavelmente das causas mais emergentes do terrorismo em
Moçambique. Primeiro pela questão do timing e segundo pela natureza de
conflitos que emerge com a existência de recursos naturais num determinado
Estado. Primeiro, se atentarmos ao timing em que o grupo começa a se formar e
inicia as suas actividades, é de se notar que coincide com as actividades de
prospecção de gás, a comunicação do potencial do país e o anúncio das decisões
de investimento na Bacia do Rovuma por parte de empresas Ocidentais a partir
de 2015 e que vem se fortalecendo em 2017, (Chang, 2017).
5. Possibilidades de soluções

Debater uma solução ao terrorismo é uma tarefa muito complexa e sinuosa, sobretudo
quando se tem pouco conhecimento ou informação sobre o grupo em acção e a causa
por detrás das suas acções. Por ser uma questão de segurança, normalmente o terrorismo
é visto em três perspectivas: a primeira que é pensar o fenómeno no contexto de um
inimigo a ser derrotado numa guerra o que presume que o uso dos métodos militares
pode gerar uma vitória; a segunda que consiste em lidar com o terrorismo confiando nas
técnicas policiais normais aqui, se sugere que o terrorismo, como qualquer outro crime,
não pode desaparecer, senão apenas ser contido; ademais é que esta perspectiva é
reactiva, ou seja, como criminosos, os terroristas só podem ser apreendidos depois de
cometer o crime; e a terceira perspectiva consiste em ver o terrorismo como uma doença
que deve ser observada tanto sob ponto de vista de sintomas, como também sob ponto
de vista de causas desses sintomas, (Lutz & Lutz, 2013: 274, citando Sederberg, 2003).
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As políticas públicas - “Uma política pública corresponde aos cursos de acção e fluxos
de informação relacionados com um objectivo público definido de forma democrática;
os que são desenvolvidos pelo sector público e, frequentemente, com a participação da
comunidade e do sector privado”, (Lahera, 2002: 16). A pertinência de uma estratégia
parecida deve-se, sobretudo, às transformações que Cabo Delgado está a sofrer com os
recursos naturais existentes em fase de prospecção. Pois, com a exploração dos recursos
naturais, devido aos fluxos de capital e investimento que irão existir, as diferenças
sociais irão se agudizar naquela região. Sobretudo devido ao encarecimento do custo de
vida, altos índices de analfabetismo, bem como a existência de conflitos entre os locais
vs autoridades governamentais e estrangeiros devido aos processos de reajustamento
previstos. Estas são condições básicas que ao ser bem aproveitadas, podem gerar uma
estratégia efectiva de mobilização à semelhança aquilo que aconteceu no norte da
Nigéria e que foi muito bem aproveitado pelo Boko Haram através duma abordagem
discursiva assente na vitimização, exclusão económica, étnica e política, (Sitoe, 2014).

Uma política de defesa e segurança anti-terrorista - O Global Terrorism Index 2017


no subponto que aborda sobre a forma como os grupos terroristas acabam, constatou
que dos movimentos terroristas existentes dentre 1970 e 2007 e que conheceram fim,
um terço foi depois de alcançar os seus objectivos políticos, um terço foi por cisões
internas e o outro terço através de uma derrota militar ou policial. Contudo, os grupos
com menor índice de terminação são os de orientação religiosa, concretamente do
islamismo radical. Ademais, é que a estratégia militar ou policial tem menor efeito com
este tipo de movimentos terroristas que com os demais, (Institute for Economics and
Peace, 2018). É dizer, um combate efectivo contra o islamismo radical não deve apenas
gravitar no uso da força. Deste modo, a linha de orientação incidente sobre uma política
de defesa e segurança anti-terrorista não significa simplesmente armar mais as fileiras,
mas sim apetrechar a capacidade das FDS de assegurar maior controlo sobre as
fronteiras nacionais, bem como sobre o fluxo de pessoas - nacionais e estrangeiros e
bens; melhorar a capacidade de resposta e cobertura ao nível do território nacional.

Isto pode ser através do apetrechamento intelectual das fileiras com programas de
formação ou especializações em técnicas anti-terrorismo, do uso de melhores
tecnologias para captação e registo dos dados, bem como de mecanismos de partilha de
informação específica com os países donde vem os demais integrantes deste grupo e
aonde estão as bases de apoio e formação.
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6. Conclusão

A presença do terrorismo em Moçambique é um fenómeno ainda embuçado e com


traços de crime transnacional pois, diferentemente da lógica normal do terrorismo
islâmico radical, que é cometer violência contra alvos civis e depois reivindicar o
protagonismo da violência para se visualizar e granjear simpatizantes, no caso
moçambicano, este grupo não veio ao público dar a conhecer sobre a sua existência e
nem os objectivos que os animam a cometer terror. Tanto que o grupo que opera não
tem até então uma denominação específica.

Entender o por quê do surgimento desde grupo ainda é um enigma parcialmente


resolvido. Contudo, pode-se apontar para a chegada de grandes investimentos ocidentais
na área dos recursos naturais que quando combinado com outros factores (cultura e
identidade, pobreza, desemprego, fronteias porosas, etc.), se criaram as condições
favoráveis para o estabelecimento do movimento. Por isso, uma estratégia de combate
efectiva deve incidir numa abordagem das políticas publicas (sociais e de
desenvolvimento) e de segurança. A política social e de desenvolvimento visa eliminar
os factores que podem ser instrumentalizados para legitimar o grupo (a pobreza, o
desemprego, a privação relativa e exclusão). E a política de segurança visa gerar
capacidade de resposta aos ataques e melhor controle sobre os espaços nacionais através
do apetrechamento material e intelectual das FDS.

O entendimento popular local facilmente denominou este de Al-Shabaab ainda que não
tenha vínculos comprovados com o movimento com a mesma designação que opera na
Somália. Mas este já demonstrou capacidade de desestabilizar Mocímboa da Praia e
outras regiões da província de Cabo Delgado, bem como colocar em causa a segurança
humana das populações naquela região. Ademais, com as acções de violência
cometidas, as consequências se estendem desde a simples desordem, pânico e
insegurança até à retracção de investimentos naquele ponto do país.
18

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