Divisão entre os filhos de Deus

(Ver anexo sobre Marine Le Pen, líder da extrema direita francesa)

Há três culturas que estão mais interligados do que geralmente se pensa. São elas os judeus, os cristãos (nos seus diferentes ramos) e os islâmicos. Ao longo da história, porém, estiveram sempre em conflito. Vejamos as razões disso. Comecemos pela Bíblia: Êxodo 20 1 Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: 2 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 3 Não terás outros deuses diante de mim. 4 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, 6 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. Duteronómio 5 6 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 7 Não terás outros deuses diante de mim. 8 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; 9 não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, 10 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. A Mãe e os Irmãos de Jesus – Mt 12, 46-50 (Mc 3.31-35; Lc 8.19-21)
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Falava ainda Jesus à multidão quando sua mãe e seus irmãos chegaram do lado de fora, querendo
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falar com ele.

Alguém lhe disse: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo” .

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Um Profeta sem Honra – Mt 13, 55-56 (Mc 6.1-6)

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Tendo terminado de contar essas parábolas, Jesus saiu dali. Chegando à sua cidade, começou a ensinar o povo na sinagoga. Todos ficaram admirados e perguntavam: “De onde lhe vêm esta
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sabedoria e estes poderes miraculosos?

Não é este o filho do carpinteiro? O nome de sua mãe não
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é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?

Não estão connosco todas as suas

irmãs? De onde, pois, ele obteve todas essas coisas?” E ficavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus lhes disse: “Só em sua própria terra e em sua própria casa é que um profeta não tem honra”.
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E não realizou muitos milagres ali, por causa da incredulidade deles. Mc 3, 21 (Mt 12.22-32; Lc 11.14-23)
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Então Jesus entrou numa casa, e novamente reuniu-se ali uma multidão, de modo que ele e os seus
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discípulos não conseguiam nem comer. Quando seus familiares ouviram falar disso, saíram para trazê-lo à força, pois diziam: “Ele está fora de si”. A Mãe e os Irmãos de Jesus – Mc 3, 31-33 (Mt 12.46-50; Lc 8.19-21)
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Então chegaram a mãe e os irmãos de Jesus. Ficando do lado de fora, mandaram alguém chamá-lo. Havia muita gente assentada ao seu redor; e lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram”. Um Profeta sem Honra - Mc 6, 3-5

(Mt 13.53-58)
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Jesus saiu dali e foi para a sua cidade, acompanhado dos seus discípulos. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. “De onde lhe vêm estas coisas?”, perguntavam eles. “Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes
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milagres que ele faz? Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui connosco as suas irmãs?” E ficavam escandalizados por causa dele.
Nota: os Evangelhos existentes mais antigos, estão escritos em grego, onde irmãos são mesmo irmãos e não primos ou parentes.

Santíssima Trindade
A maioria das denominações Cristãs professa crer na Santíssima Trindade (criada em 325 no 1º Concílio em Niceia), isto é, que Deus é um ser eterno que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A doutrina das denominações Cristãs difere do monoteísmo judaico visto que no Judaísmo não existem três pessoas na Divindade, há apenas um único Deus, e o Messias que virá, será um homem, descendente do rei David. A doutrina que crê na Santíssima Trindade, isto é, que Deus é um ser eterno que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo, foi criada no Concílio de Niceia no ano de 325 D.C. pelas Igreja Católica Apostólica Ortodoxa e Igreja Católica Apostólica Romana. Maria, mãe de Deus? Nestório, Bispo Patriarca de Constantinopla, ensinava que Jesus Cristo tinha a pessoa humana e a divina, e que Maria era mãe só da pessoa humana de Jesus (“Cristotokos”). Essa sua tese foi condenada pelo Concílio de Éfeso (431), para o qual Jesus Cristo só tinha a pessoa divina, e que, portanto, Maria era Mãe de Deus (“Teotokos”). E a Igreja criou a oração “Santa Maria, Mãe de Deus...” Já Eutiques, um abade sábio de Constantinopla, liderava um grupo de teólogos, que ensinavam o Monofisismo, ou seja, a doutrina de que Jesus Cristo tinha uma só natureza, a divina, em detrimento, pois, da humanidade do Mestre. Essa doutrina foi condenada pelo Concílio de Calcedónia (451), que instituiu haver em Jesus Cristo duas naturezas: uma divina e outra humana. Essas polémicas desses Concílios Ecuménicos de Éfeso (431) e Calcedónia (451), que culminaram com a decretação do dogma de que “Maria é Mãe de Deus” (“Teotókos”), são consequências do da divinização de Jesus, proclamada pelo Concílio Ecuménico de Niceia (325), convocado e controlado pelo Imperador Constantino. Datas de acontecimentos 400 D.C. Maria passa a ser considerada “mãe de Deus” e os Católicos começam a interceder pelos mortos. 431 D.C. Instituição do culto à Maria no concílio de Éfeso. 451 D.C. Surge a doutrina da virgindade perpétua de Maria. 405 D.C. As imagens dos santos Mártires são introduzidas e reverenciadas nos templos. 593 D.C. Os Cristãos Católicos decretam o purgatório. 632 D.C. Morte de Maomé e a expansão do Maometismo (islamismo), na época do Papa Honório. Para os muçulmanos a lista dos profetas inclui Adão, Abraão (Ibrahim), Moisés (Musa), Jesus (Isa) e Maomé (Muhammad), todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Segundo as crenças islâmicas, o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus pelas acções que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados directamente para o Paraíso, enquanto que os pecadores devem permanecer algum tempo no Inferno antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos mas de facto nunca o foram. Agora podemos extrair as causas das dissidências

a) - Para os judeus e islâmicos, e de acordo com os Dez Mandamentos, Deus é único e indivisível, e não pode haver culto de imagens. Os cristãos, principalmente católicos, traíram este princípio basilar ao inventarem a “Santíssima Trindade” em 325 D.C. e o culto das imagens em 405 D.C.. Assim deram origem ao islamismo. b) – Os cristãos ortodoxos tentaram contornar este questão do primeiro mandamento, recorrendo à adoração dos ícons (pinturas de homens considerados santos pelos homens); mas isto não é válido nem para judeus, nem para islâmicos, nem para protestantes. Também os cristãos ortodoxos contribuíram para o surgimento do islamismo. c) - Maria foi mãe de 5 rapazes e de pelo menos 2 raparigas. Portanto Maria não foi virgem, nem Jesus foi filho único e muito menos Deus e Maria nunca poderia ser mãe de Deus. Daí que os judeus, os islâmicos e os protestantes, consideram que os católicos traíram mais uma vez os Dez Mandamentos. Com todos os erros que os islâmicos possam ter nas suas interpretações, a culpa disso partiu do catolicismo que saiu pela interpretação de homens no concílio de Niceia em 325 D.C. e das suas consequências. Os protestantes surgiram quando perceberam a questão do primeiro Mandamento e a questão dos irmãos de Jesus.

Sarando a ferida
Para sarar as feridas é preciso aceitação pacífica e correção de erros. Esperar-se-ia que os muçulmanos e judeus se refreassem de pedir aos cristãos para abandonarem a Trindade e o fim da virgindade de Maria. Que judeus e cristãos, se refreassem de pedir aos muçulmanos para abandonarem a sua compreensão do profeta Maomé. E que muçulmanos e cristãos se refreassem de pedir aos judeus para aceitarem Jesus e Maomé. E que católicos aceitassem a visão protestante e islâmica dos irmãos de Jesus. E que todos compreendessem o significado de ressurreição. Não é ressurreição da carne mas sim do espírito conforme o apóstolo Paulo realmente ensinou; a ressurreição de Jesus é para Paulo a demonstração que nós não desaparecemos com a morte do corpo porque continuamos a viver em espírito. Mas viveremos em corpo mais do que uma vez (ICo 15, 12-19). E lendo na Internet o artigo “Ressurreição da carne não existe. Reencarnação a hipótese lógica” vemos claramente como cientificamente isso se demonstra. Já não é uma questão de dogma.
Carlos Rodrigues Tregosa, 11.03.2011

Anexo:

Marine Le Pen é a nova líder da extrema-direita francesa

15.01.2011 - Por Clara

Barata. Em 2012, Nicolas Sarkozy pode ter de enfrentar um Le Pen nas eleições presidenciais. Mas não será o velho tribuno da extrema-direita francesa e sim a sua filha Marine Le Pen,

Marine Le Pen deverá ser designada a nova líder da Frente Nacional (Farid Alouache/REUTERS) Um estudo de opinião publicado pela revista Marianne revela que ela pode ter 18 por cento dos votos. O primeiro passo para isso será dado este fim-de-semana se, como tudo indica, Marine for designada a nova líder da Frente Nacional (FN), no congresso de Tours. O seu nome só será anunciado no domingo, mas já hoje, fontes do partido disseram à BBC que a escolha já está feita. Marine Le Pen, uma soixante-huitarde, como gosta de se intitular (porque nasceu em 1968), traz uma nova estratégia: a da "desdiabolização" do partido de extrema-direita, introduzindo novas temáticas. Entre elas a defesa da laicidade e a luta contra a "islamização" de França, em vez da simples luta contra a imigração, ou a defesa de liberdades inéditas num partido que tem sido sobretudo masculino: direitos das mulheres, contracepção e uniões de facto. "O que muda com ela são as posturas ideológicas: sobre a Segunda Guerra Mundial, a herança pétainista, o passado colonial de França. É uma ruptura geracional", disse ao jornal Libération Sylvain Crépon, investigador do Laboratório Sophiapol na Universidade Paris-Ouest-Nanterre. "Sobre o islão, ela está mais em linha com um Geert Wilders, da Holanda, do que com a velha guarda xenófoba e colonialista da FN." Islão ao contrário Durante a campanha para as eleições internas, frente a Bruno Gollnish, o outro vice-presidente, que durante muito tempo foi considerado o delfim de Jean-Marie, Marine gerou indignação ao comparar as orações dos muçulmanos nas ruas com a ocupação de França pela Alemanha nazi. "É uma ocupação de bairros em que se aplica a lei religiosa. Não há blindados, nem soldados, mas é uma ocupação e pesa sobre os habitantes", disse. Em consequência destas palavras, Marine Le Pen está a ser alvo de um pré-inquérito policial, para determinar se há motivos para proceder judicialmente por incitamento ao ódio. Mas o estudo de opinião feito para a Marianne revela que 24 por cento dos franceses, independentemente da sua cor política, concordam com as posições dela sobre o islão. E 30 por cento apoiam a sua oposição à tolerância da imigração. O barómetro TNS Soufres, publicado pelo jornal Le Monde, apontava como temas comuns da FN e da UMP, o partido da direita no poder, do Presidente Sarkozy, a defesa dos valores tradicionais e a insuficiente severidade da justiça face à pequena delinquência. E esse é um dos temas-bandeira de Marine Le Pen - e de que Sarkozy se apropriou, o que lhe permitiu ganhar as eleições de 2007. O resultado é que 46 por cento dos franceses concordam com as posições radicais da herdeira Le Pen sobre a segurança, segundo a sondagem de Marianne. Logo a seguir, como possíveis unificadores da direita, vêm os temas como "há demasiados imigrantes em França" ou "o islão e os muçulmanos têm direitos a mais".

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