Você está na página 1de 4

A Tomada de Decisão em Administração

4.1 Fundamentos da Tomada de Decisão

“A tomada de decisão é a parte essencial do trabalho de um administrador. Diariamente,


os administradores tomam muitas decisões sobre os mais diversos assuntos, e a
qualidade dessas decisões tem impacto muito significativo no desempenho da
organização [...] Uma decisão pode ser descrita, de forma simplista, como uma escolha
entre alternativas ou possibilidades com o objetivo de resolver um problema ou
aproveitar uma oportunidade. Contudo, a tomada de decisão não é um processo trivial e
fácil, pois associada a cada alternativa de decisão está a incerteza de suas conseqüências
e impactos. Essas limitações têm conduzido homens a uma busca de novas ferramentas
e modelos para ajudá-lo a decidir” (p.98).

“O conceito de tomada de decisão foi introduzindo no campo da administração por


Chester Barnard, em seu livro As funções do executivo. A parti desse momento o,
administrador passou a ser visto como alguém que não só delibera, como também põe
em prática as soluções para os problemas. O conceito de decisão sugere uma conclusão,
um início de ação, e não uma deliberação contínua [...] Uma decisão implica a escolha
de uma alternativa em detrimento de outras. Por essa razão, os administradores devem
avaliar essas alternativas, o que, muitas vezes, envolve a necessidade de estimar suas
conseqüências e seus impactos na organização. Os administradores tem que calcular de
calcular e gerir os riscos e as probabilidades que acompanham suas decisões. Entretanto,
por mais sofisticadas que sejam as ferramentas de apoio à tomada de decisão utilizadas,
a imprevisibilidade está quase sempre presente no processo decisório. Por esse motivo,
cada situação de decisão pode ser organizada em uma escala que vai da completa
certeza a completa incerteza de acordo com a disponibilidade de informação sobre cada
alternativa e seus resultados” (p.100).

“Os administradores enfrentam uma variedade de situações diante das quais precisam
tomar decisões. Dependendo da natureza da situação, o administrador deve usar tipo de
decisão diferentes. O grau de disponibilidade de informação precisa e confiável sobre a
situação e o nível organizacional no qual as decisões são tomadas, permitem distinguir
dois tipo de decisões gerenciais: as decisões programadas e as não programadas” (p.
101).

4.2 O processo decisório

“O processo de tomada de decisão é constituído por seis etapas seqüências [...] Esse
processo começa com a identificação e o diagnóstico da situação que requer uma
tomada de decisão, passa pelo desenvolvimento e a avaliação de alternativas, pela
seleção e implementação de uma possibilidade de ação que responda a situação
diagnosticada e termina apenas após a monitoração e o feedback da decisão tomada”
(p.103).

4.3 Racionalidade e intuição na tomada de decisão

“O modelo racional de tomada de decisão refere-se ao processo decisório no qual os


administradores tomam decisões ótimas que maximizam o resultado da organização.
Dessa forma, o processo levaria uma decisão ideal, independentemente de quem a
tomasse [...] Apesar da pressuposta racionalidade, existem limitações, contextuais e
individuais, à capacidade de tomar decisões idéias. Efetivamente, os administradores
devem seguir as seis etapas do processo decisório e procurar tomar decisões racionais e
lógicas. Contudo, o que acontece na pratica, é que os tomadores de decisão se desviam
do processo lógico, consistente e sistemático que a racionalidade infere. Esses desvios
são explicados pela teoria da racionalidade limitada, de Herbert Simon” (p.109).

“As heurísticas simplificam o processo de tomada de decisão e tem duas grandes


vantagens. Em primeiro lugar, economizam tempo ao tomador de decisão, o que
geralmente compensa a perda de qualidade das decisões tomadas. Alem disso,
apresentam uma formulação consistente e razoável, que conduz, na maioria dos casos, a
resultados satisfatórios” (p.111).

“Em um mundo cada vez mais dinâmico e complexo a tecnologia permite o acesso a
uma grande quantidade de informações, mas o qual o tempo para decidir é cada vez
menor, tomar decisões é um enorme desafio para os administradores. Incapazes de
analisar o problema em toda sua complexidade, muitos executivos tomam decisões com
base na intuição” (p.114).

“Um processo de tomada de decisão inteligente geralmente requer a exploração de


diversas alternativas. Isso é difícil quando a intuição dá a resposta correta sem esforço.
De fato, quanto mais complexa e diferente for a situação, menos um executivo deverá
confiar na intuição e mais na razão e na análise” (p.115).

4.4 Estilos de tomada de decisão

“Os administradores diferem na forma como tomam decisões. De fato, existem


diferenças individuais na maneira como as pessoas percebem os problemas e as
oportunidades, processam a informação disponível, geram alternativas e escolhem a
solução que consideram mais adequada para alcançar os objetivos da organização [...]
Um modelo que define uma tipologia de estilos de tomada de decisão foi desenvolvido
por Alan Rowe em conjunto com outros pesquisadores. O modelo de Rowe assume que
os tomadores de decisão diferem em duas dimensões. A primeira mede a orientação
para a tarefa foco no desempenho) ou para as pessoas (foco nas relações
interpessoais). Alguns tomadores de decisão revelam maior preocupação em alcançar os
objetivos organizacionais e obter bom desempenho, enquanto outros priorizam o
impacto das decisões nas pessoas envolvidas. A segunda dimensão, a complexidade
cognitiva, é usada para descrever o grau de tolerância que as pessoas demonstram com a
ambigüidade no processo de tomada de decisão [...] A combinação dessas duas
dimensões permite identificar quatro estilos de tomada de decisão: diretivo,
comportamental, analítico e conceitual” (p.116).

4.5 A tomada de decisão organizacional

“Os administradores tomam muitas decisões no decorrer de sua atividade, mas a grande
maioria das decisões organizacionais é tomada por grupos de trabalho. De fato, as
principais decisões na vida das organizações são tomadas em reuniões de diretoria,
comitês, equipes etc. Um processo de tomada de decisão eficaz requer que as pessoas
afetadas pela decisão sejam envolvidas. Por isso, os administradores adotam estilos
mais participativos à medida que sobem na hierarquia [...] A tomada de decisão em
grupo tem uma dinâmica diferente da individual. As pessoas precisam discutir sua
idéias, procurar consensos e fazer alianças e coalizões [...] A primeira vantagem da
tomada de decisão em grupo é a maior probabilidade de se chegar a uma solução de
maior qualidade e precisão [...] Outra vantagem de tomar decisões em grupo é o
aumento da aceitação da decisão por parte das pessoas envolvidas [...] Além da
aceitação, a tomada de decisão em grupo aumenta a legitimidade da decisão [...] Por
fim, a decisão em grupo tem a vantagem de permitir maior e melhor controle sobre as
ações subseqüentes à decisão [...] No entanto, a tomada de decisão em grupo também
apresenta alguns problemas e dificuldades. Em primeiro lugar é um processo mais
demorado [...] Outro problema comum é a possibilidade de existir um impasse
prolongado quando não se chega a uma decisão apoiada pela maioria” (p. 118-120).

“O processo de tomada de decisões organizacionais em um ambiente cada vez mais


complexo e dinâmico é uma das mais importantes funções que um administrador
desempenha em sua atividade” (p. 122)