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PRÉ UNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER Aluno (a):

DATA: 06/04/2021 DISCIPLINA: LITERATURA

QUESTÃO 1

A literatura tem um poder maior que o espaço, mais forte que o tempo, ela guarda ações e
reações humanas capazes de influenciar gerações, movimentar massas e transformar
consciências. A literatura, a história, a política são formas de expressão da cultura social, e a
literatura reflete como espelho os anseios, as expectativas e as contestações de um povo, de
uma nação. [...] É através da literatura que o homem descobre uma outra possibilidade de ser
e de fazer um mundo melhor, mais humano e sem os erros que o mundo de ontem nos
apresenta através de seus textos.

FIGUEIREDO, Roseana Nunes Baracat de Souza. A literatura — um espelho

da sociedade. Disponível em: <http://ler.letras.up.pt/uploads/

ficheiros/7117.pdf>. Acesso em: 27 out. 2016. (Fragmento ).


Segundo o texto, a literatura

A. serve apenas para retratar uma realidade imediata.

B. se limita a exercer seu poder sobre um momento da história humana.

C. apresenta os problemas do mundo de maneira conformista.

D. expressa os desejos de um povo em relação ao seu futuro.

E. ignora o mundo à sua volta, criando uma realidade alternativa.

QUESTÃO 2

TEXTO

Veja — Por que ler?

Bloom — A informação está cada vez mais ao nosso alcance. Mas a sabedoria, que é o tipo
mais precioso de conhecimento, essa só pode ser encontrada nos grandes autores da literatura.
Esse é o primeiro motivo por que devemos ler. O segundo motivo é que todo bom
pensamento, como já diziam os filósofos e os psicólogos, depende da memória. Não é
possível pensar sem lembrar — e são os livros que ainda preservam a maior parte de nossa
herança cultural. Finalmente, e este motivo está relacionado ao anterior, eu diria que uma
democracia depende de pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem
ler.

Disponível em: <http://bronzeletras.blogspot.com.br/2012/10/entrevista-harold-bloom.html>. Acesso


em: 4 nov. 2016. (Fragmento).

O texto é um trecho de uma entrevista com o crítico literário e professor estadunidense


Harold Bloom (1930-). Segundo ele, devemos ler os grandes autores de literatura

A. para buscarmos a sabedoria contida neles.

B. porque não conseguimos pensar por nós mesmos.

C. para podermos rejeitar a herança cultural ultrapassada.

D. para superá-los com informações atualizadas.

E. para decorarmos os textos visando guardá-los na memória.

QUESTÃO 3

(ENEM 2016)

TEXTO

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.

Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.


Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro

Do que um pássaro sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,

por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo:

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:

Guarde o que quer que guarda um poema:

Por isso o lance do poema:

Por guardar-se o que se quer guardar.

CÍCERO, Antonio. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores poemasbrasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva,
2001.

Disponível em: <http://www2.uol.com.br/antoniocicero/>. Acesso em: 26 .07. 2016.

A memória é um importante recurso do patrimônio cultural de uma nação. Ela está presente
nas lembranças do passado e no acervo cultural de um povo. Ao tratar o fazer poético como
uma das maneiras de se guardar o que se quer, o texto

A. ressalta a importância dos estudos históricos para a construção da memória social de


um povo.

B. valoriza as lembranças individuais em detrimento das narrativas populares ou


coletivas.

C. reforça a capacidade da literatura em promover a subjetividade e os valores humanos.

D. destaca a importância de reservar o texto literário àqueles que possuem maior


repertório cultural.

E. revela a superioridade da escrita poética como forma ideal de preservação da


memória cultural.

QUESTÃO 4

(ENEM 2009)

Texto 1
Principiei a leitura de má vontade. E logo emperrei na história de um menino vadio que, dirigindo-se à
escola, se retardava a conversar com os passarinhos e recebia deles opiniões sisudas e bons conselhos.
Em seguida vinham outros irracionais, igualmente bem-intencionados e bem-falantes. Havia a
moscazinha que morava na parede de uma chaminé e voava à toa, desobedecendo às ordens maternas,
e tanto voou que afinal caiu no fogo. Esses contos me intrigaram com o [livro] Barão de Macaúbas.
Infelizmente um doutor, utilizando bichinhos, impunha-nos a linguagem dos doutores. — Queres tu
brincar comigo? O passarinho, no galho, respondia com preceito e moral, e a mosca usava adjetivos
colhidos no dicionário. A figura do barão manchava o frontispício do livro, e a gente percebia que era
dele o pedantismo atribuído à mosca e ao passarinho. Ridículo um indivíduo hirsuto e grave, doutor e
barão, pipilar conselhos, zumbir admoestações.

RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1986. (Fragmento adaptado).

Texto 2

Dado que a literatura, como a vida, ensina na medida em que atua com toda sua gama, é artificial
querer que ela funcione como os manuais de virtude e boa conduta. E a sociedade não pode senão
escolher o que em cada momento lhe parece adaptado aos seus fins, enfrentando ainda assim os mais
curiosos paradoxos, pois mesmo as obras consideradas indispensáveis para a formação do moço
trazem frequentemente o que as convenções desejariam banir. Aliás, essa espécie de inevitável
contrabando é um dos meios por que o jovem entra em contato com realidades que se tenciona
escamotear-lhe.

CANDIDO, A. A literatura e a formação do homem.

São Paulo: Duas Cidades/Editora 34, 2002. (Fragmento adaptado).

Os dois textos acima, com enfoques diferentes, abordam um mesmo problema, que se refere,
simultaneamente, ao campo literário e ao social. Considerando-se a relação entre os dois
textos, verifica-se que eles têm em comum o fato de que

A. tratam do mesmo tema, embora com opiniões divergentes, expressas no primeiro


texto por meio da ficção e, no segundo, por análise sociológica.

B. foi usada, em ambos, linguagem de caráter moralista em defesa de uma mesma tese:
a literatura, muitas vezes, é nociva à formação do jovem estudante.

C. são utilizadas linguagens diferentes nos dois textos, que apresentam um mesmo ponto
de vista: a literatura deixa ver o que se pretende esconder.

D. a linguagem figurada é predominante em ambos, embora o primeiro seja uma fábula


e o segundo, um texto científico.

E. o tom humorístico caracteriza a linguagem de ambos os textos, em que se defende o


caráter pedagógico da literatura.

QUESTÃO 5

(ENEM 2013)

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu
a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia
o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
[...]

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar
pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já
havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um
ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...]
Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos
montes.

Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos
e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem
sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido.
Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida –
porque preciso registrar os fatos antecedentes.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice


Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora.
Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

A. observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos
fatos e às personagens.
B. relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram
aos eventos que a compõem.
C. revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção
do discurso.
D. admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para
escolher as palavras exatas.
E. propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na
narrativa de ficção.

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