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Hans Kelsen:Teodr JurÍdica... IJúlioA. Ollveira . ÀexrndreT. G.

Pa$ eulcrtder l<eberr.S. cd. Süo Paulor Sorairra, 2009. KEL§EN E AVIOLÊNCIA: UMA LEITURA
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t VlEtlWEG, Theodon '[opica a giurlsprudenta,'l'r;rduçío dc Giulinno
Milior 6iuÍÍrà, I962.
O número de crlticas dirigidas à Teoria pura do Direito -
Í
nâo apenas ao liwo homônimo, mfls à posturâ teórica - de l{ans
Kelsen ú inversanrente proporcional à qualtdade dâs tescs que a
constltuem. Seria inútil alinhavar aqui a extensa bibliografia de-
dicada ao desmonte da Tcoria Fura, «lado que grÍrnde pârte dâs
censurâs dirigidas a Kelsen simplesmente nào fazem ientido -
§eja porquc §eus outorss nfro entenderam o pcnsamento kelsc.
niano, §ejâ porquc, o que ó mais cômum, sâo dcsonestos - ou s[o
*ítlco§ extcrna$, âs quais, corno se sabe, nâo tôm grande valia, já
que discutcm o vâlor cognoscitivo dc uma tcoria tcndo em vistâ
tquilo que ela nflo ó ou nõo construiu, normalmcntc compariln-
do-a a outra posiçao teórica rival.
Entendo quc a crÍtica rcalmentc cfctiva é a intcrna, ou seja,
âquch quc, nssumindo os pressupostos de certa posição tcórica,
os descnvolvc çon1 o objctivo dc clcmonstrar inconsistôncias e

listc.trabrlho intc6ra nr lnvrsrlgnçõcs do ProJcto dc prsqulm por nrlm coortlcnnclo


c lntlluhrlol 'O csndo tlc cscr:çâo rro Brasil co»tcnpor;lneo: porn umr lciturs çrÍti-
ct «lo argumcnto de cnrrrgência rloccnâílo políti.orurldico nncionall'Tirl projcto
contou cont luríllo Íiunnctlro dir Pr{r-llcltorlt rlc Pcrqulst da Unlrr:rsldldc l:cdr-
r:rl dü Mlnas Gcrris por ntcio dc sor [ditnl n.0l/l0l t, «lcstinrÍlo aos Doulorgs
rccúnr-contrallrdos da UFlvtG, ra:aio pcla quirl ogrirdcço o npolo rcccbldo
,r't'

Hans Kelsen:Teoria JurÍdlca... lJüllo A. Oliveira . Alexândrê T, G.TÍiriron;dii Kel5en Ê à VÍolênciar lJma Leiturô.., lAndi§as Soares de Moura Costa Matos 255

contradiçÕes no interior do sistema analisado. Uma vez assumi::i (3) a famosa tese dt identidade entre E.stado
ves, versando sobre
do esse
uu poito
íto us
s§§ts puuru vt§tar creio
de vista, cfeto §er necessário feconnecef
ser nece§§afl0 c.r;ã't
reconhecer qUe Sã6ii e direito. Tal percepção se deve a Àexander Somek, para quem
pouquíssimas as críticas internas originaís - quer dizer, que naoi: Kelsen não levou às ultimas consequências sua l*igggllgg_t
sâo simples decalques - dirigidas com sucesso à Teoria pura doi qual direito e Estado são uma única realidade funcional, Segundo
Direito. Nesse pequeno - mas ügoroso - grupo se contam aque::i1 s;úek,' doras de-
las coligidas porBg"4ntg_Tf-eJp {ue, segundo Bobbio, foi o grandé:i
sontologizações lmpostas â noção personificada de Estado.r
responsável pela introdução do pensamento kelseniano na Italja;ir
Com o presente artigo, pretendo demonstrar que essas três
o que ô coloca fora de suspeita quanto à sur qualificaçào intelec:,,
crÍticas - as duas de Treves e a ultinra de Somek - derivam de uma
i^-'i,'4'
tual e à lronestidade na exposiçâo do pensamento de Kelsen. ,',;i juriclica
De acordo com Treves, são rês as principais críticas que po-,liijijl
Ieitura que desconsidera a verdadeira natureza da teoria , if',
proposta por Kelsen. Com efeito, entendo que o g5a5r{e-trÉtlto ü . ,,:ü''l'
dem ser dirigidas à Teoria Pura do Direito, as quais dizem respeir.,,il!$ àaTeoriaPuradoDireitoconsisteemter,.u.lodffi.{I,i!\n-..,kil
to: (a) à concepção do mÍnimo de eficácia enquanto condição deriiii qmm ffiGnr"-g" f '"r's;r\:"r1-
validade; (b) à pressuposição da norma fundamental; (c) ao deci: ;iitilir:i
dffi Pü* dõ Di'.it"Éú d, q* I *.;{,,JS
sionismo gerado pela teoria interpretativa kels enian a, conforme.iiff
r- segunda
------ r- edição
!. - ,,i::jl.i,'i
umrealismojtrrídicodematrizimperativista,éumulqq'_e-ql§yo | çU' Iin..,
exposta de maneira definitiva no capitulo Vitl da
da Reirre Rechtslelffi (Teorin Pura do Direito).t Estou convencido':,ii#l
.;ffi rrÍ'j.q9-gg:!:sJst***g1§lstg-q$.s-*IstP-#ffi$ls:n§' . 7u§I;'
s.rprjjl*!1lonverttili{adeeltlgjnbls-U*l]Â*ç.t_ql J,,r\N' .
Í,\* I

de que as crÍticas (a) e (b) dizem respeito íro mcsmo problema,


I -.-----:"tiii:i:titi,): ;,,lir
 cnracterização do direito enquanto violência não é nenhul*- ' I
i
qual seja, o pressuposto rssumido por Kclscn scgundo o qual t;5gj,,#ti
ma novidncle, e a bibliograÍia sobre o âssunto tem crescido cxpo-
l-i Í, Y
dc,ygL§_cr (tgrJ.nal glo_pg*jafnais sg.-fqryt-q!]gttill*q-ry'--rl-U_q_c.riiiii sobre
r"r'r1:. 1'" i.
nencialrnentc nas últinras decadas no contexto dos estudos -
(I+lo), Ao se negÍrr a abrir mão desse entcndimentô kantiflno, Kelj i.j
estado dc exceção e biopolltica (Schmitt, Foucault, Agamben, ,tt{t\\ l-ll
scn realmente encontrâ cliíicul<lades pnra explicar a necessidadel.ffi
Esposito ctc.), ínclusive tcndo ultrapassado, com notávcl vírnta-
"fo,
. lryf,l.lrjirlr
de uma condição factual minima tanto parâ a validade normatú'iri,iÍ
gem, o ârnbito marxistil em que a tcse foi primeiramente discuti- *,t(fuÀ' ,'.,il
cm gcral (a) quanto pâra a pressuposição da norma fundamental'',:,'iij. i da com seriedadc, dcsde o próprio Marx, passando por Gcorges n_
tu'l
(b). Dm ambos os câsos, o !-ccurso aq qqndo dg ser Inrysg 3lf.er.,,.t1i., "ni,ü
",
Sorel, chcgando à Escola de FrankÍurt c cncontrando sua má,ximo F'' "i{1,
tor.. n. prçJutC.id,it nulg"?q,plg!çdoló-ai,. ,,,riüiii rerlizaçâo, a meu vcr, no obscuro - mas brllhontc - artigo ";
d,iÍç''' I KriÍrk
dffi a rcspeito: (t):'iiijit
un* Jloae, dir.cndo der Guvalt (Criticn da Violência) dc Waltcr Benjamin, cujas prin-
i {
r\ rclação cntrc validadc c eÍicácia normativa, tema central para a';ri;il,.i
cipnis idcias sâo rctomadas em seu cólcbre úrltirno cscrito, Über
I *
dlscussío da natureza da nornra fundamcntah (2) à tcoria da in-,il$ii clen Begrifi dcr Geschichte (Sobre o Canccito de Llistória)'Toda-
tcrprctâção. Muito cmbora â cnumcraçío <tc Trcves scja bastante;,'ffi via, cntendo que, conquanto vnliosas, tais aproxlma::::.y.tf
i
^ ..",1,,0
cornpleta cm surl cficaz simplicidadc, pcnso scr possível agregar Ji|ffi ,pUí§w, ,,11irf,t
- sejanr as contcmporâneas, sejam as 'tlássicas" marxistas - sáo uuutf: ,[
,u,líÍSW.L, '
umR terceira crítica, autônoma cnr relação às perccpçõcs de Tre: i
externfis no dircito. O procedimcnto comum a todas elas consiste ,Jy1flY. ,,,t ,,/l{,*''"
r14
cm tôrnâr o direito cnquanto objeto e desconstruÍ-lo fora de seu
iy,r,y'l)'o, - ll,i,,iri,
*dl''\'
Bobblo,
_õÍ'@ Díreito c podrr. n. L
'ltcvcs, líclruu y lrr rocrologír, p. ?09.2 I l.

i,l
ii
t-'::

l,l,i
l' i
I

Kelsen ê aViôlência: Urna LeituÊ,.. I Andltyas §oares de Moura Costa Matos l.,i
tíl
iliti

específicocontexto. De modo mais simplesi a essas teorias n[o:;ii Tendo em vista a centralidade do conceito de validade, IGI- hi
-jurÍdicas farece fácil, e mesmo necessário, negar ao direito todo ii sen se âpressa a fornecer-lhe uma caracterizaçáo objetivar vgi4fJ I'J}J

l'"Í
e qualquer caráter jurldlco, entendido este úllimo t*r*o .o*oii, a
lggrT_$:ggyn Ígnform idade co m a quelas qlg,l\es- s*q jy - Lfi
algo oposto à pura vlplência. Nada obstâ.nte, a situaçâo é bem di-,,:l P. ti,;
P,t')

ferente quando aquÚle que por muitos é considerado o mais im:..,., ma individual) só é válida - e, nesse sentido, existe juridicamente VÁ
Ei
portânte jurista do século XX chega à conclusão de que gllitqltg i - se for conforme à lei. Esta, por sua veq precisa conformar-se a II;
outra lei de hierarquia superior e assim sucessivamente, atÉ que
'j '. l:i lit
se chegue à Constituição, último fundamento posrlivo de validade
Recapitulando: a proposta deste artigo é demonstrar qu* as iii w
iiri
supostâs limitaçoes da Teoria Pura do Direito deixam de o ser,i de todo o ordenamento jurÍdico. Nu Teoria Pura o direito é um lii
caso urnâ leitura mais atenta seja realizada, tendo em vista certas'lri sistema hieriirquico e dinârnico no ['r
à sua na tessitura da .,."kfli iii

à idenúlicação cntre direito e vjolôneia, pelo menos em sentido.,ii


barr). Seu con
dq srslir qçgrça d0 ri §P,.fJ 9o :lq S*ml$n*t*Êggk,
É evidcnte que tal estruhrração foi pensada por Kelsen com
^ffii i.r
l:t:

iii
flt

lnlo. Assim, acredito que as crÍticas de Treves podern ser reinter-'i


pretadas e entendidas como fissuras que permitent a comunica-l base no postulado filosófico kantiano que garânte a radical sepa- *o''.[
çâo da Teoria Pura corn a tessitura poliúco-sociológica exterioS
ração entre mundo da natureza e mundo da cultura ou, em outrils *,[
palawas, entre fato e vdor, §el'rrr (ser) e Solíerr (dever ser). Kelsen

sim uma limitaçâo da Teoria Pura do Direito que talvcz nâo teúa.r
{,i:::ffi
F1:;S,
ü"1 ;.1ÍJ I'
sido percebirla pelo próprio Kelsen.
ri.l..i ,,çl
o
z. Mínimo de Eficácia e Norma Fundamental ,\í-fi
não é naturalnrcnte bela, da mesma maneira que o fato social do
À principal estruturil operativa da Tcorin Pura do Direito é cj ,iÍi
homicídio nâo ó naturalmcntc rnâu -, conclui-se que uma norma,
?l leit tlt :tt'll}rIl
dci "u
t[ {ÍI3 e*E,1WEõ-u,iEffiiae
do
uma norma cncontra sua

no primciro parágrafo da prinrcira página da ccliçío deÍiuitiva i


I
da Íborin Purut do Direito, {efc[eyqr.o.{:e}§fgtrslo,s guer di-
'x
dclernrinarlu nornra dc tustlça. O fato, porrltn, de o tontcúdtr U" un,n ord.rn,o.:iii
crclrlva cftcnrí porlcr scr julgado como inju$lo, níro cônstltui rlc qurlqutr formi .'ii 5 i\ Tcorll Pura do Dlrcito ó urna tcorl* do Dircho 1»orltivo - do DlÍcÍto posltivo a#iÍI v
'
trnr íunrlamcnto pnrn nilo considr:rar çonro rdlkla cssr ordcm çoctcitivn' (Kckcn'.: cut gcral, nilo dc unrn orden jurídicrr cspcclal' (Xllsen, ?borÍn Pnm do Dlrúto, Wt'',)
* / o,RLi'
sn'Í'
t r', r\P* I
'hotkt l\ltil íto Diícilo, 1960, p.55). . 'i
1e60. p. t), y''{v . ,líri,
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Kelsen e aViolênclà: Umâ Leiturà... lAndityas Soares de Moura Costa Matôs
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It- ,,_it$\,
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r.l !' zer, o direito posto por atos humanos de vontrde - Ió_9i...Iposjnu Hgç!-
á'r-' '" y'
e nâo aquele,i ú-
simplesmente pressuposto, que Kelsen identifica com o aii"lt..i t[Em tal situação estar-se-ia diante de uma ordem natural que
natural-'é*rçsitgs**,s*gdg§!*tHr*3q-::slg$p__t.srmo jí inadmite o "descumprimentd': uma normâ integralmente eÍicaz
Iós c o. jrh1a.. .esgajg_p.*I3*q*m]rl
i
fu -dg_9g_Na o, có n iu á o, i"* ;:,ffi :ri expressaria uma "lei" da natureza - como a da gravidade - e não
Íim de fundamentar ou validar norrnas, à semelhançu do que fazil;,ffi uma lei jurÍdical 2) por outro lado, falar em uma norma que ja-
a doutrina jusnaturalista, mas, sirn, garantindo a acoplagem 4x;ii1 mais é eficaz, quer dizer, que apresenta grau zero de cficácia, tam-
estrutura cognoscitiva normológica aos elementos,to realldad"'i.rl bém redundaria cm contradição lógica, visto que uma norma que
§P - quais sejam, os ordenamentos jurídicos reais - que se prretende.i
descrever. Isso ocorre mediante a afirmação de quà, ,r.,*iio
ninguém cumpre - nem destinatários primeirios ou secundários
- equivale a uma norrna inexistente, meramente pensada e, por-
,i
. iitrl\/ ra. p ã q. s ç i q g$ q*Lo d q" yd "mbo:i,,
g_"gjít"ç_--,ll
Le $ çaç i.a. -.qJggl i dSC q,_ tanto, alheia ao foco de uma teoria cientifica do direitor Que tem
ainda que mínima, parfl sua existência.
^k;§-
Í.l.'ú.u* por objeto o direito posltivo, isto é, o direito existcnte criado por
w (,)r"r,l}i'
^,Í,1 . ,d,lr

;.r',$t'''* Assim, ao lado do conceito central de validade, emerge ou- atos humanos de vontade.
ir.Ê)''
!*:' \*"\s-
/ Àí1 'v
tro, tâo importante quanto o primeiro: eficácil. De acordo com Kclscn resolve ambos os problemas admitindo que, nruito
,,\{,, /
i '. n$$l'r* Kelsen, uqlq _nolnlâ se r a- embora n elicácia não seja um elemento da validade, é uma sua
.ç$
Ívr, *
ttlu' ,.,,r,"r, condiçâo, ainda que em grau minimo. Desse modo, parascrválida
..t-ü,,
,,,! í
a.f.$f ggpghglgdç_"ry U q!.r..1 Se ral, o ir, il . â so * t o ; IL"" o normn precisa upr...Ãa, certo grru (mínimo) de eÊcácir, sem
l . " " "i',,
i"-/ itrantcs o que é inexistentc, não podendo ser descrita por uma tcoria ra-
f
c g$lS*Ilglf gg§319'*ffi
im.diilgsjp1imá.ú, -qlg-I3Jg* q .el-os
áffi;firpÊ;õãe:'i ,
cl es t i n at ári oÀ', dicdmente realista como r Teoria Pura do Direito. Assim, Kelsen
't-' consegue explicar com sucesso o intrincado fenômeno clo desuso
Lr."ül
*-íl,drqiÀ' n-
-sc dizer que uma norma ó eficaz. quando a populaçío a cumpre..
(desuetudo), que havia prcocupado e confundido muitos juris-
ou, incxistindo tal cumprinrento cspontâneo, suil parte sanciona-.;
tas. Scgundo afirma, o dcsu.so consistiria na pcrda dn validadc de
tórin - quc integra o conceito cle nornra parr Kclscn - é aplicada ^X;L
.,4 ,
. tij umfl normâ outrora vúlido dcvido à sua falta de uso (costurne ne-
'",,§gativo),
" hi 9----- visto quc, em tal lripótcse, aquele --
a-', ---- '-- --'r -'---, --a-"-- mlninro de eficácia não
.r'J,
,ilit' se verilicaria na rcalidade, tratando-sc, portanto, dc uma norma
incxistcntc.n É importantc frisar que Kclscn nâo dcfinc qual scria
o grau mínimo dc eÍ'icícia, já quc cssa tare [a cabe a cada orde-
narncnto jurÍdico rcal, quc o faz. dc.ntaneira olrjetiva (mediantc

'O rksuctudo é conlo quc unr costunrc ncgirtivo cuJt Íu»çiro cscuclnl conststc unt
otttril, t dcpcnder
circurfttârrcias, sempre sujcitas a nrudanças :.iillil
clas
dc tcordo com o evolvcr hlstórico. No entanto, duas situnçõcs são
ryJ utuhr a 'r:rllçlldc rle umn nornrl erlslenlc, §c o costumo (t cm gr'rnl unt fnto gera-
'. dor dc Dlrclto, cnlio tornhém o Dlrcilo cstntu{do (lcglslntlo) podc srr rlcrrogado
Ir
II
tt
alnvds do costunrc, §e n cÍicích, no scntido lclnrn cxPosto, é condlçfio tln valtdnrl:
niio só da ordcnr Jurldlcr c(lmo um torlo, nrm tanbénr dos nornrnsjurÍdlcas cnr
tlt1 slngulâr, rntío r firnçio criador;r de Dirclto do coslunrc nüo poclc scr cxcluÍtln
\\i\ pclo lcgisl;rçiio, pclo nrcnos nn mcdlrll em quc sc consldcrc n Íunçr1o ncgntlnr dn
dcsucturlo' (Kclscn, Laorirr Pr ta do Dirt i! o. 960. p. :38 -239),
1

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HansKelsen:TeoriaJurídica... lJúiioÂ.Oliveira.AlexandreT,G.Trivisonno,,
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normas de sobredireito que conceituam a desuerudo) ou subje- requisito, ela será considerada jurÍüca.ro Mas isso nâo significa
tiva (deixanáo tal deflnição aos órgãos de aplicação do direíto,
i |;j
que a eficácia integre a validade - apressâ-se Kelsen a completar
I t
como ocorre no Brasil, onde sâo os juízes que dizem quando uma
-, dado que um fato nâo pode ser o fundamento de validade de
I iiÍ
normajuridica'taiu em desuso"). Toda essa refinada construção, uma oÍdem normativa: '}t norma fundamental refere-se apenas
que relaciona validade e eficácia, vale não âpenas para a norma I iü
a uma ordem coactiva regular e globalmente e6caz. Esta eficácia
I [Í
isoladamente considerada, mas também - e, segundo me paÍece, não é o seu fundamento de validade."tr I llj
principalmente - para o ordenamento enquânto um todo.7 Para
CrÍticos como Renâto Treves e Mario Losanorz atacam
um ordenanrento ser ente eficaz, " I fÁ
Teoria Pura do Direito ao dizer que o ponto inicial rnediante o i FJ
qual se torna possível a descrição do sistema - qual seja, a nor-
i ji; Y;
ma fundamental * não pode ser pressuposto sem uma operação , t
çíS"e-e.n.lilggSgsF_§*rg !3 .Énessepontoquê sociológica, caracteristica do mundo do ser, verificando-ie a efi-
. I
as duas primeiras criticas de Treves - que uniliquei sob um único
cácia global, ainda que minima, do primeiro ordcnamento jurí-
-ir |iilri
tópico (l) - se põem, demonstrando que a teoria kelseniana não é , ,ft.1.Y |ri
dico historicamcnte considerado. Desse modo, a rígida disünção
À ti"§J I ii
pura,sendoi ,sejano entre ser e devcr set' estaria perdida, e l&-oJfa 1 I

que diz. respeito (a) à concepçâo do minimo dc eflcácia enquanto lurajsgsl.B s-çr . ^ll f,:i Lj
r...ol4lli4q { §ociolgg úngl*o.No entanro, $,t*"ir*» ili
condição geral de validade, seja no que concernc (b) à pressupo-
verdadeira natureza da
parece-me que cssa ieitura desconsidera a Iãããüeira da , (..it'-'"
,.iH-'l i ii "

desempcnhada * l'*.
siçâo da normr fundanrental r,corra rura
Teoria do lJlre[o,
Pura so Direito, bern
oern corno a rulrçao ncla oesempcnnada
função nela It ) i:i iL
[i:
Com efeito, pode-sc pressupor a normil fundamental
\." . (Crundnornt) apenits se a primeira orclem social organizada sob
fundamental. Segundo g"t*"do,"
pela norma fundamental.Sggundo & Pura do Di:-l T)
entendo, a Tcoria T._l ir,
i1.i

reito é uma tcoria da viole l .ç,h l,f


.{qF*
\
um mínimo cle coatividadc for tida como globalrncnte eficaz, já p' l +"il'úJ/- l.r

.u,'SHY'
"v\hl que o co ['n]lçL,r,.,',:,.i i,.

o l[l r$t''1:]
llIilTTAIaffi--r- . r^ . ---7--T---"----:-.-.:.- I
"turi{cp :pjiili yls-Ulq,s lllJ§;§s-q g5ffi;fiygg1 s e r
s n 9.+11s
#*.,
í\'"Su'
n

c:g1gi,*1.]DeÍinitivamente, o que irnpórta inbôi ó ie í ordem o


iünsformar a violência liffiõTq!ffi[Eõã
a "'i tiv: li
. .ilUryr
iy",, l.l ijii
i,j

\ aggirt.rfl.,i"l.*1.9,".
.ê& .r\\ I
coercitiva sob análisc conscgue scr cluradoura. Satisfazendo tal
: o Il rr'i:",I
do sistcma centrallzacio c monopolizador de coercão oue rcccbc o .,';,,JlT' l { trr l
I
.lll
I

nome dc Estado/direito, Minha intcrprctação sc aproxima - scm I í,, ,,n{i,|,,,!] |i


sc i,iãntirrcai-ãõffiã'. Bobbio, qu. rê no'normaiundarncnral o I \0",'l j"-iij
i$' "Untt ordcnt jutÍtllcl nto pcnlc, porénr, a sur valklulc pelo Í;rro dc rrnra rrormc
. *ift-,, , *i\íLi* Jurldlcl singulnr pcrdcr ir suu cíicricla, isto C, pclo [ilto dc rlir rrilo scr rtplicirda cm '\1t-':
gcral ou ern casos l.solndos, Unrrt or<lcm JurÍclic:r ú consÍrlcrr«ln vdlitla quando rs
ato de poclcr fundador dc dado oà.n.*rnto jurÍdico,
i rq.vvr de
ve manci.
r..11rr!r- I '','C {.
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srr,ls nôrr:tirs siio, nuru',r consldcrnçito glohal, cftcitr.cs, qucr dircr, siro dc Íalo obscr-
vadas e irplicndas* (Kclscn, ÍLorirr lrrÍil Ílo Ditcito, t960. p,237).
a [I iit+"tj,
Oi*"*1{
', nl,;\r'l'Li,rlj
i"
_. ,,. ' .. i"i\ti" 8 ticton)o ní scquéncli dcsur scçio rrlgunras Ídclns sobrc I nornrl íunrlnnrcntal Já
-+ 'çt';t'rt":[-
*'1nt11r1*' l1
\.S.- ,\t\$_ ,\, cxpo§|fl§ cm nrtlgo cspccifico no quill teillci propor unli nova conrprccnsiio dcssc
[--IfiL,,n'-,,.nrat!oDirctto,t960.p.5]. .^",
'*1t ,iflrrl.-,i 1i
--' #l uL i$r
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<li\ ,.riJ** construto, cuxcrgando.o cnquônto um postulado clcntlÍico, C[ Mnros, rl trontto
of ut.ttt1, l?2. 'i
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K fimdnlranktl tlc Htrrr KcJrcrr cono pottukrdo cicrrtÍfro c, cnr lÍngua inglc,ra, lvÍltos, 12
jrlliç.I o
i.is.rr, ri.fj,,rtiç,,.
Kciscn, e linlito ttortrr.tl,V,l?2.
o ,tirriro
,,

cí,,porcxcnrplo,ocsrudoinrrodutóriodcMrrrloLosanoconlirlotnrKclsun,o
Cí,, por cxcnrplo, o csludo introdutório dc Mrrrlo Losano conlirlo tnr Kclsun, O
i, t-' li
,lnídi ''1t,\: l:
Árt tltcrnnlÍvt oppíoilch to lhe hatlc rrorrlr loglcal.rrlnsccndcnraI hgrothrsls, fic-
itjuttiçn. Ltíií{}iti"
Uon or.scicntifrc postulntc?.
problcnn _\'" t).
l3 lrrrr unra lcltura criticu dn norntr Íun<l;rmuttal cnquanto 'ato tlc potlcr'l cÍ. Àlatos, , n,r,,l,t"k{i
Kclscn, rl jrrst/çrr c o iirúto mttrtl, lt. 169, ,
I:ilosolt lo tlírcito c iwliç.t ,ut olü^ tlc I lr,rs licücrr, p. 7l -7.1.
a*[*,
, , , g.rl
i;\ÂÁ(Iru
'n) tj I
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r6: Hans Kelsen:Teoria Jurídica... lJÚtioA. Oliveira. AlexandreT. G.Trivisonno Kelsên ê a Violêncla: Uma Leitun.., lAndltyas Soares de Mourà Costa Matot ?63

dee certo
J
o"si.n!!»!e $9.,+1t.rt
ordenamento iffiril*,ltiirJili
certô ordenarneffis§dig$1;,rffi
g!rcir- ,,it+, especificamente jurídica às normas de dado ordenamento social'
Todaüa, isso só e possível quando se veriica a eficácia global de
tal
de uma ordem coercitiva slobalmente eficaz. Como
i@ MJg-.i*-,ri'iÍ. sua primeira Constituição, rePre§entativa do ftto material que
necessidade de eficácia a cria o sistema a ser descrito pela ciência do direito.re
ns criticos a sustentarem Tony Honoré aponta dois problemas relativos à validação da
s#"ül§:{sy-e;._irffi primeira'Consütuição histórica por parte da norma fundamental'
sel iá
üçlr Iê \lUç a norma qUç
que 4llvllIlU que lvtllLlL vuluquL qv Ulurrrqrlslltv lullUl- .
r:j.,ii
. .1": -:,,'
::l r- '
Ambos parecem-me insubsistentes e revelam, mediante sua corre-
qq,.yln
c,9._o9pq{t9.9j1a de
çq_dSpqfldsjrq yll iilo. Mas §e
Ilto. Iua§ se c ,iiii.r.
enüe :.ir;tr,:li,;ifi
entre
verdade que o aolsmo
é veroaoe abismo ta.ompi..ntâo, a verdadeira natureza da Teoria Pura do Direito
facticidade e normatividade parece cluase insuperável, tambóm :,.,,'ffi,.rrr enqu*1o teoria da violência' O primeiro se refere ao fato de queg
o é que a ponte capaz de permitir ti transposição radica-se nu ''l:liijt
,il
{
norma fundamental.l't O ordentmento jurÍdico consiste em um ::ri,:l
Cq]lstist{çoeS.gjgrlária:dfl {rjg.sEsla.dgt.fgrglPgsBs,4eTangi-
raüolenta e arbitrfuia não tiúamauto-
\'"!N - | agrcgado unitúrio e sistemático de normas, não em uma concate- .' t,t.;
as
,b s'p\ naçâo de fatos que, ao Íinal, repousam sobre o poder.ts Todas
qr. ú*.o- em
,'.,,,
gl?s*_o. \rfti, ir lsurrd f urd qu vuvrrv

tt
I
doutrinas o fundamento de validaàe do direito colng
l''' , I
sua efetividade são desprovidas de valor cientifico, pois descon- ,rt,i
:,illirii !*eHt[IIlJ,9,S,J9§
é;b;fiiffit. Íb.*,ri:P"rà ic piessupor o norma fundamental,
sideram o axioma b{sico segundo o qual umâ norrna só pode se basta a eficácia gtobal da primeira Constituição histórica'.4,jgqfa
\' ,,1.- I
firndar em outra norma, e um fato em outro fato- Caso contrárlo, .,,..i1:
:,ti
estranha à ciência i a ão dos meios utili
seria preciso admitir a'1fnl{cia naturalistn", consistente nl crença
"Àbql ,*.)
vras
'll,.r
I de que o valor (norma/dever ser) é imanente à rcalidade (fatoi ;iiiij
..i.r:iv L\\'"
r.§i- ser), dgo absolutamente inaccitávcl paril uma teoria juridica ma- :;;tilt: ternrinacla pclos quadros dir primeira Constituição ou pelas auto'
I

\.P. |

\iirl
^'fr.\,t. terialistn, antimetaíÍsica e empirista corno a dc Kclsen.tú 4,g[giqL I ridadcs às quais foram delegados poderes apropriados'lt' §qpq*
',Í\[tu\v
J..-"tdlsl9-fq"Jrj!9.3ã gjs.Jdl§lqde, dc modo nÍo
u-*J} *il,
§.39§lnP3tr.q1,39ii$"l}g*ff
ser uma visâo si é realista.
mas*lmli sle
constatação de
I
I
quc, no pensâmcnto de Kclscn, a norrna jurídica c o ordenamento A-t.gr*l. lriiica de l{onoré baseia-sc na
r.ru'L,i r,r. I
sâo válidos se eficazcs c náo porqua cficnr.es.l? Pnra Goyard-Fabre, quc nio lú qualquer nrot.ivo Para §e considerar vi'ilida n cacleia
- t)_ii
,.Lr:t,',
ic autorizaçócs c de transfcrôncias de podcr quc concctil o§ fun'
I

o n o rmâ fu nd am ental .-*rji:il .,f ,y |.r,, ql_tg,q39.üc-*ffi"?ilm


Ws,,,u,t3
§ ,i t,,rü-{, -iffi*#."=.:EÉ, "
ú.q*§Húe-sÍjg$§ií!I33g*rdsr!]l-*-f
l* rf rJ,Jssse]"Ig* dadorcs cle detcrminacla ordern juridicrr aos atuais detentores do
,i l''1u'"
t ,r

r1'.{:l/
fqi
I
mil{9-§islc4tq.qár}í'..fir{sdifud* .r8 Âvulta assim r função poder dc crinr clircito vátido. ParajustiÍicar essa ideia, parece-lhc

ii/ <lt norma fundamental, consistcntc em confcrir intcligibilidade

\ , ;rr*,0T,
,,.Liü'
l4
l5
lJonoré,'/lclraric nor»ottocicly,p.l0l.
l-rrli Orr í/rc lrarrccnlcnlal hqorl of Í(clsctrl üarÍc rtonr,, p. 222.
l9 l'lrnrnrcô
p,192.
Á n,r-kuilkut tttorl'o!lcgril

p' l0z,
*non'larlXc irr Kckcll put': lhcoty ollovr?'

,"t,'!t\,
\ l6 ltn'r, lí.,trü! trrcory a! lh,: bnsit noru,p, .19.51. tissc ponto t ccntml nt doutrlnt kclsc- 20 l Íonoré, ?lrc lrrrric norm of tocicts',
.\ nlurn. Pan nproÍundamcntos, cf Contc. llrrrrr Kclrrr! tJc{)rÍrúi Sosoi!, ln dklittttíoll 2t No orlgirrrl:
.coar §l,ilicd (ntlcr ctrfiílJ condllíotti §nd iil il teilahl *tty'
tion i5 to lt{
ilc lllrt tt du dttoir-ltn: ltlr'r h lh[orlc p«rt lu droil, u lVright, Is r ntl onghl. ,,n,rll, u ,lücrn,imtl by llrcftttncts of thc ltnl coustitrtlion or b; tlrc aullorilles lo
lal4rttiil opproptkttcporveÚ" (Kclscrtlnlrorlrcttort to tfu prollc:ntt
l7 Âfonso, OposílívÍsnto nt tplslentolog*t Jnrlllca ú thurs Kolsel, p.260. t ltoní ilcy hrn'c

I ll Coyard-Itrbru, Dr I'itlle lu nonne à kt scirlro ilcs rrpnil(Í l(rlht et Kclscn, p, 231. oJ lcXol lhco r y, 1t, 57 ),
iii,
' llll
' lr,r
l,l
ri:
t64 Hans Kelse n: Teoria Jurldica... I Júlio A. Ollvelra . Alexandre T, G.Trivisonno Kelsen e aviolênçia: uma L_eiruralgf,rrl_tj=-rj, -.y. crl1y:gr___._i:: l,l
it,i
I ll
necessiirio pressupor que a transmissâo do poder median,.."-
';iitÍ M Aqui o pensamento de Kelsen se en- ^l ti
deias históricas de competência é algo indiscutível, o que tt",,,iflili, contra com o de Walter Benjamin, que soube expor de maneira ..,t, ftdtf
,'i4Srt' tfl
parece absurdo.sr Todavia, ainda que tal transmissão seja r11.._ ,ltiiiJliii aguda o vÍnculo iniludÍvel entre direito e violência, esta entendi- I l,il
mente questionável, corresponde exatamente à realidade, que da enquanto meio e não fim do direiro. Para Heirjjlrin, não há
. Í , ,,J,i*,,'tn
não tem nenhuma obrigação de ser ética. A:-g5tg§_çfm§,
-,'.ili1;.{
- l qy{gs5qn!*§le1tativa de definir o ffi ,1,,.1,\.:u"i' ij
os s liliffii: pl" í1("Y'')
l fi
pÇJqus-^Eçssggg,gg&"_tâlvez até mesmo de modo inconsciente {113::$ Ao direito positivo pouco importâ se outrasordens ! [I
gqtqilzoEo.",
'

normativas - postas por um grupo de criminosos ou por um par-


'
I [i
i1 por tais autorizaçoes, isso significa que se está diante de uma tido revolucionário, por exemplo - üsam com suas ações certas I fÍ
revoluçao, hipótese expressíunente tratada por Kelsen na Teoria finalidades que podem ser razqavelmente delinidns conro justas.
-,1) r;,i)
.fi,,iF ' Pura do Direito, As revoluçôes acontecem quando determinado Na verdade, o que o direito não suporta é que ordenaçõcs concor- i! il
,,,,
' i sistema juridico se extingue para dar lugar a um novo ordena- rentes tendam a intcrferir em suo monopolização áa úolência.
I IÍ

"m
+ mcnto, informado por outra norma fundamental. Em sÍntese: a Em sintesq nâo*trlipglllglq:lq_z*40.qçrt*."lyi#iç9.çío_ çqlq[y,Si ' i l,;

i ..i* válida, transmissâo da titularidacle do poder ó scn:pre pressuposta como imp.orta apeL{s se_ el$ sç apqteljra gglao qgdjgg!,e" o-
ÍP1 -"*-Uqgdq.tro" I i ;

I É-Y:, a nâo ser naquelas situaçôes em que a eficácia global deixa tu'-qi l ii,
i ' t*; . de existir e o ordcnamento em questeo desaparece diante
. de um S"* -irlêr.i" qre pôc a primcira ordem normntiva glo- i ili
"
, i, [ (;Lt"tÊ novo sistetna de norrnas. Este, i\ sernelhança clo antigo, também balmcnte eficaz não é possÍvel pressupor a nornra fundanrerrtal, I lf
, 'L , (L-.ontará com. urna norma fundnmental validante c proplciadora
ü,t
visto gtrc para tnnto se nccessita de um mínirno de efrcrtcia, con-* ,rl f
L'./**"' de novas lransnrissôes do poder polÍtico-JurÍdico, Estados clue fornrc notou Kclsen. Nessc contcxto, julgo significativo que.Ç,!d
Ü f ,^.On,ntt, lj
,rr,.ulrí',tt"'-'1, i inicialrrrentc nâo aceltavam a cxistência dc outros como jurÍd.ica Schmj§_qgryfglo4reitg-c.omoa"folBaclng\rcrJaf.g_q.gglryegte H''-., I i:i
- por exemplo, os Estados Unidos da América cm facc dr, recém- coryctl':*-opini Sgeg;^q.d11qi§9é [ ,' ,1, i l.l
L
lv
il,I'l'i'tf/'x -nascida Uniâo das Repúblicas Socialistas Soviéticas, definida pe- ul ffi,ltiprii'ãp"ri- ft 1ç;x']v
- 1.;
los esladunidcnscs como unra uniáo dc gnltgsÍcrs - passam, com çocs, iõir"* §ãrnirt Iiíctern a inscrever a violência no ,,rrlor,rr* ' i i'l
o tempo, tcndo notado quc os novos Estados são cÍlpâ.rcs dc mnn- Àmbos alçam a violência à cntcgoria clc experiência juríclica bási.
I i,i
§gnrp* vl-olsJtsil :ou scltpfg
ter um aito grau de clicilcia na aplicaçâo clas sançõcs jurídicas, a ca, de modo quc, ao íinal, o diieitq é
I i!
-yioJêUc-ia; tendo que convivcr com a constârrtc nta-
tê-los conro pcrfeitas ordens juridicas.l] e ,anlir-til,rr

{i tiva de supcraçâo c/ou rnitologizaçio desse scu carátcr abissal. Sc-
te
| l',
Tudo isso signilica quc a violôncin é meio nbsoluto para o
*____L- i it
,[ aifu1to,"-.j gundo Kclscn, o dircito - c, por conscguinte, o Estado - somcntc
fra
ll pot excnrplo, dc Estados socialistas ou capitalistas - são inlinitos,
os, se deÍinc a pmtir do rnomento cm quc sc dá a monopolização
violência, quc passa cntío a ser organizada, ou scja,
da
"nornralizada"
i!
t
I clc sc delinc apenas mcdiante seu rncio *.esoccÍíico. oual seia. a
L.*.---:-.-r.:_J*.
2, n""l*t,,*,,* ilttut crÍlitilrln violdlcÍrr, p, 124.t?7,
,l;
i l,
15 Schnritt, Cilorrrrrilnr, enlrrda dc 12 dê outubro ds lg,l7. Ii l:
?2 tlpnord, ',llrc [aríc nornr o/Jocicr),, p. 103, 26 Krlscn, 7i:orirr grrr al tlo rlirtito c rydocrtrrdo,
ulí$r,' -vvr' 29.
p. .r,
1.005, [.! ;i
L,i

2? Giacoir [unlor, §o brc lirútat huntnnt m crn liopollli.o. p. lr0. i1i


I lil
li
ii
ll
Ii
I

Hans Kelsen:Teoria Jrrridica... lJúlio A. Olive)ra o AlexandreT. Ç. fdsi5snng Kelsen e a Vlolência: Uma Leitura.,. Andityas Soares de Moura Costa Matos r6t
I

juridicamente. Sem monopólio da üolência nâo há direito separaçâo entre função de conhecimento e funçáo de aplicação,
de modo que a primeira Çabe ao cientista do direito e a segunda
ao órgão de concretizaçâo do direito que, para facilitar, charnarei
de "juiz" nas próximas linhas. Assim, o +,HUT.rgggg-qgii!çitjg-
_*.*
to, isto é, "soberanCl Daí ser fácil concluir aue Kelsen só enrie.ro,
-:]"'--... -*-*--*.*----,;-:ô:. riqçq-p:qe"gts.qis:!:9gpl"!Jglg**yti.r-í*:r"lstng
direito onde o Estado monopoliza a violência,
, , .i' dó-dir;iü?ãffi;ãquãAro ffi os-
sÍy
i
or
3. lnterpretação e Decisionismo d-e.rq§flgq qls-co,Igeqs s ,?:
problema da norma funclamental aponta para a gênesê
Se o Essa posição inicial, defendida na primeira edição da TeorÍ«
do ordenamento jurÍdico, apreserrtando.o enquânto urn espaço Pura do Direito de l934,re pode levar a um decisionismo modera-
originário de violêncir, a questão da interpretação jurídica se póe do, já que o órgão aplicador do direito não encontra limites para

no polo oposto do pensamento kclseniano, indicando a maneira sua atuação, a náo ser o quadro traçado pelo cientista do direito.

pela qual o direito se concretiza no mundo social já "normalizar lvlas mesmo essa frágil barreira cai por terra em 1960, na segun-

do" pelo direito. Nessas duns situaçôcs cstão em jogo o início e da e definitiva ediçâo dtTeoria Pura do Direito, na qual Kelsen
reconhece quc o juiz pode, mediante um autêntico ato interpre-
o fim da experiôncia juridica, bem como * (Hgo_l:-tqilid+dS de
tativo, decidir forn da moldura proposta pela ciôncia clo direito.
lr:$y:1h ,1ils-sap#n-"-,m3e$"gs;sffi ü#l1ã.rvã'q,.
diz respeito à norma fundamcntal, Kclicn dcmonstra
Parece-me signiÍicativo que o motivo pelo qual Kelsen reformula
ique tal ra-
cionalização não ocorre, dado que o elen'lento que torna factível
sua teoria da moldura rssida em uma situaçio na qual a força e I
violência determinaram, no contexto de uma decisão do Consellro
prcssupô-la - ato sem o qual não se pode descrcver cientifica-
dc Segurança da Organização das Naçôes Unidas, uma interpreta-
mente o direito - radica-se na vlolôncia do primeiro ordenamen-
çâo quc rntes Kelsen julgara, na qualidadc de cicntista do direito,
to jurídlco histórico dc dada con:unidade. Â mcsma conclusão
clcntificamcntc inrpossÍvel, quer dizer, localizada fora da moldura
i', vale parn r teoria cla intcrprctaçáo cxposta no tâo incomprcendi-
.,)nJ do capítulo VIII da cdiçâo dcfinitiva da'fcoria Pura do Direito,u
I ^l -1.1Ji'ü. .{r/ u qutndo, rcconhcccndo os limitcs dc sua tcoria, Kelscn alirma que
a
lNuJ:..'l'"'tr, lr),5t
*J*f*iLq ciq!!i!l9al:tp.li.S-do ditlg.Ilrr snr qm.a19 dc in- r.)r Êm scntido
'' ,;/, n'
çiÊ'\t ."1"ii"t t_cJplcls fiIl
iL' y
: s ils,g "4i t gi!p_9" e. q us ! ã q
t
s{'!À 'a 'itÍii l 9ttliç_l" É.
h^.;ú, ,a
'+íi,'r'.
J \' Aindir quc Kclscn nio tcnlra prctcndido criur uma tcoria
\,
,Y'I
,:rÍ, l,i;'r"-
riI
11 ,
I
rt]rii''
hermcnêutica <lo dircito, tnl dcÍlui dc sua visão cicntÍlica sobre o
?9
l0
Kclscn, Ii'orírr I'ura io Dlri:ito,1914. p. I l5 c srg(.
l'artlsorr, lirllcrr ort l4al intcrpratutíott,lt, I'17,
i;.ir'
*t orclenanrento jurídico, Ern linhas muito brcvcs, I asscrção funda- 3t )\ lrropdslto é importontc notsÍ quc, Ircla virr dr lntürprctírçio nutêntica, qucrrll-
,*,§ -!.;"r
,, . , ilf,t' ' mcntal da "hermcnôutica" jurldica kclscniirna consistc na radical 'r.cr, dr in1gry1611çaro dc unrÍ norma pclo órgilo jurídlco qrrr n lcnl dc npllcnr, niio
solncnlc sc rctliza unra das possibllldudcs rcveladu ptln lnlerprctaçi1o cognorcl.
I. iY ,r' .iil('
tiv:r da nlcsnril nornlí, comq lanrbüm se podc produrir urnrt Ítoítrl que sc slltto
;nr,j t i-ir
tiÉ-
'i contplclunrcntc Íorl da rnoldura quc n nornta I irpllclr rqprc$cnlí. dc uma

[ Iin portrrgttês, o tc'xto rnlis cornplcto c claro quc conheço solrrc r tcorir ttn intcr. ^lrívés
inltrpíêtíçilÕ ilu(tntlcr dc'slê lipo Iodd crlrr-sc Dlrolto, nrlo só no cnso cnr quc t Ín-
prctrqào dc Kclscn ô o <lc Snntos Ncto, 11 ttorüt ilt itt!fiitrekqdo nt llarrr Kc.lr(rr, tcrprclilçrio tr:nr coriltrr gernl, unr quc, lortnnlo, cxistt lntcrprclaçilo nutúntlca no
"iol':úii-'
Hans Keben:Teoria Juridica." lJÚlio A. Oliveird ' Alexandre T. G.Trivisonno Kelsen e a Viotência: Uma Leituíê.., I Andityas Soares de Moura Costa Matos
268

§*grAo dizer que o juiz pode estender a


rll moldura hermenêutica
prático, iq_sq 9*1yd*lml
antes traçada pela ciência jurÍdica, tornando-a inútil' Kgl§S! âd-
o elemento fundamental do direito não é sua finalidade
ou sjgggg§É& *Igg-vçrgggg{:'1ts11 {-oritgu-e--9-Jl-1[9.Ha: r .HÉ\ç -
"ayc!!r:Yl, r:pl vffilql,.íqcll legery". Não por acaso, este_célebre trÊt- i5.
- j-
r.-
dizf?e rr-i-r -- eiá
Hóbb;i --- -----i^^ preferidos J^
-^r^- --^í^-!l^.
um dos motes Carl Schmitt,
de f'-"I A^L-irl Ü 17
rír 1-.*-

que aqui, urna v€z mais, se aproxima de Kelsen, muito embora o -\\Ê f rf
decisionisrno de Schmitt se oriente primordialmente em relação , r\&!i
ao poder executivo do soberano, enquanto Kelsen prefila locali- yrtu'* fi
inra muitos criticos, o ponto de chegada radicalmente não
'r' ,i1i'
do Direito demonstraria seu malo- i,iii'.,..; zá-lo na esfera de ação do Poder Judiciário, que é quem majori-
hermenêutico da Teoria Pura l,L'"', , ,*'ip
tariamente * mas não exclusivtmentc - diz o dircito,-Sqrá dilqilo
gro. Todaüa, sornente podcm Pensar dcssa maneira aqueles que ,l:;j.ltr;li 'r ,'|}-'-'
que o direito dcvc ter algum conteüdo ou vaior ne- ,,:f.';:.iiill
icreditanr
aq$qq que.gs qrglgld!.jf i nto
J; .. .r!
"lÉffi ,t,SH}.'Mii i uma vez, trata- s ede urna visão b em r:y'. g,
cessário, inrponÍvel ao intérprete nã próprio ato interpretativo, :, ,q{.d.
pouco simpática, mas bastante realista. lLj
limitando-o e proporcionando-lhe balizas' Todas as atuais teo- ,,.iiliir, ^

rias dn argumentação jurídica, dc Drvorkin a Alexy, partem d. 'irjiii:i


O obsessivo clebate contemporâneo entre autores que acre-
ditam na possibilidnde de justiÍicar, controlar e validar decisôes
tal prenrissa, postulando a existência dc conteúdos jurídicos *f . r.,..li,i
judiciais por meio de interpretaçôes cada vez mais livres de cer-
nimos capazes de guiar a ativiclade intcrprctativa- Â essa altura já .:ritiiiil,
tos princípios muito amplos vcm aPenas demonstrar que Kelsen
clevc rcstar cluro que tai posiçao scria insustentitvcl para Kelsen, ,, il*:ri,:i,li
eslflva com t razão. Quaiquer Pri
cie modo quc, ao inves de ser unl fracasso, a sua tcoria aa, l1te1- lt.:.11
í U,j
l,l
pretaçào jurídica constitui o rcsullaclo lógico c ncccssário de todo ,'.ii*-r,
à canrinho percorricio pela Teoria Pura. ,..':..
iii
Pg:t-rl,t-Y}.l,,t:.Lt.l-ç
t|rnaterifficrnôprrrecô,aceitarocaráterir..,.,':.:,..l
9.l" .lii,ir Dessa mancira, ao contrário do que o5 jusmoralistas afir-
I

,1,
* ..-..,.- .-: * -,-É-*"***_'..'-l-;---
- oo ot-
ot-
ir
i;ii;::"'i mallr, o dircito contcmporânco não veID se mostrando enquanto
-r racional
racionnl - ou---'--pclo trlcnos nao totalmentc ractonallzilvel
ott rílct9-nq!11Y91-:-99 ":".:i'r11.i
,i;iis',:.,'ll
,,::i1r..li,; umâ cstrututa "plural" e "abcrtd' capaz de §uPerar os silogisuros
normativos patrocinados pelo posilivismo jurldico. Em primciro
'
' 'li'1.":.:'i
t.ntfuÉr.'tr;
th pll;tvrn, uns tittnlrént tlo cilso rfil quc Á prorltrz'itla uÍt)ü
t
=i.:tiiii
noÍÚtÚ ,,ii,iiilt'n'l lugar, devc-sc rccordar quc Kclsen nunca alirmou qtlc o ato inter-
scnlitlo u-srtd
- ap)lcirdor
r-- r-.--r-r\r--:i^,1-",1-.^r,*À.t^Ánol^
do Dkcito. dcsdc qtre ofllo dcstc I t:]i;:li
:,:ri;*ijfi ,q',,r
irrrÍtlicn irrdlviduri itlrív{§ d§ tlnl ôrgio , prctativo sc darit dc tnaneira automática, ntediantc a aplicaçao de
órgio jd niro yo.tsn scÍ irnulatlo' dcsrlc quc elc lcnlu líilrrsltidr' cnr iulgndo'
Ê fato
lr'tiiliiii ,.t i
simples siiogismos, Na verdade, é contra esse tipo de visflo super-
tr.-u, clnhcciil, qtre, pch vln tle ulrt intcÍprclíç'ro autênticl
(lêslc tipo' é nlultas : iillit,,ii
tiu,,,:'i:...iii âcial c irrealista que se dirigcm as primeiras paiavras do capltulo
vczcr criurlo unt rllrcito novo - cspcciatmcntc pclos lribtrnai: rk últinra lnstÀncir" , ]".u.
(Xclscn,li,orio PurttdoDirtít0.1960,p,369'370), '.ri1i.iir1i1 VII[, sustentnndo Kelscn quc tal modo de pcnsâr caractcriza a
- I .- ,:i::iiiiiiri
:l:,i:1i:.i!,riii
.- ::i:r'':i' "jurisprudência tradicional", cujo principal erro consiste em dcs-
ÇL4YiU W i lissc possibiliclndc ô cxl'rcssÀrttcntc atlnritida -^
Â,."r,r, :'il;iiii
i | \ 32 _.r_-;.,,,^ nt
'iy "' l:1:.'5:T"1il,f::
con- , ,:lili.. t, considerar o asp.ççlg-yelifwgstT qu,e*§ 9'-.
i nota n. 33 c no tcxto 'h rlourriru do Dircito nrtural c o posltivlsmo jurídlco i .
W *^.- {...4 {-4"\iào 557-5st}'
cnr tielscn, 'I'torít prul do ilircito a io ütililo, p.
jurÍdica, a quai não se idcntiíica com um ato de conheÇimcnto
;i,'üÍ,.i 1\4i"'
;i'LL{) ,,.v,,! ' }..ti'i: .1+:"r't
lriliiri.lt
.\rlí{,} ít."*;í.;"
(1."4t*;d,'" !
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,1sr.i:t:.'Yr.t ..t_,
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,,nrr,l.7*t)ú),çti,{,; 7:r< \,vt"/l-t ,'),r);,, í!1"{


:fu*rf"":''"ç.'t.' "à t' tr»rt:Í:ii*
, . i! r t t'rr','4i\.{ ,.. \* -rF ,t -,í-i ,'ri;t'
{ Hans Kel:en:Te orla Jr:ridica... Júliô A. Ollveirâ .
I AÍexandreT, G. Trivisonno kelsen e Violência: Uma Leiturà...
a
lAndityag Soàres de Moura Costâ Matos

puro.sr Esse mj:srno tema é retomado por Kelsen


em sua velhice ,., ,1"rienf jurídica, precisam em certo momento proferir uma deci-
avançada, no contexto de uma discussão epistolar
corn o fOSü t, são úItima,
qual se fundará unicamente no poder final de decisão
a
ulrich KIug, que acreditava na possibilidade ae prog.o*ui.ãil I
',j a tais órgãos. Ora, tal poder é garantido pelo monopólio
putadores para efetivar decisôei judiciais, aaao qu""o J 1on{e1iao
r il;;;;- 1
da üolência de que goza a ordem jurÍdiàa,
ridica não seria diferente da Lógica Formal"r{ Kelsen
,.;;.;;, ,
., Dessa maneira, o decisionismo hermenêutico de Kelsen não
flrgumentos ao sustentar que a Lógica r,! é
]urldica não tem qualquer i uma limitaçáo capaz de demonstrar a insuficiência de uma ciên-
compromisso com o princlpio da nâo contradiçã0, sendo,
emjar_ . cia pura do direito, mas, sim, um elemento que reforça o pano de
ga medida, caótica. Ás norrnas jurÍdicas slo
atls a. ,onoJ.,
pressando, portflnto, uma forma de poder. Escondê-las
,. .i_ fundo do qual o autor parte e ao qual rctorna ao construir aquilo

computadores parece-üre inútil, já que s€mpre há uma


por tris . À ,-. Que pode ser chamado de uma "teoria negativa da interpretaião,:
uontoàu .', À, n rlirpit^ á rri^lÂ-^l^ nr-^*i--J^ ^ r .
humana que os progrflma. 'l -^----ri-

m quando se sua contínua atualizaÇão


hermenêutica mediante decisoes ao lim e ao cabo, se fun-
manente o ordenanrento
conc
I
4. UmaTêoria do Direito sem Dirêito?
Neste ponto é possivel perguntar se Kelsen concebeu a Teo-
ria Pura do Dircito enquanto uma tcoria da violência. A rcsposta
simples seria "não". O principal objetivo de Kelsen nâo era dis_
cutir e criticar o carátcr violento do direito, circunstância que ele
tomâ cnquanto pressuposto e que comparece como pano de fun-
do incliscutido em sua teoria jurídica. À hipótese d-cste artigo é

3ue,i1{?,e"nfsSlellsltc.iti l
tgl!*dg-PJgtlsq"'l*gp.rúi"Ilffi ,ttqmjsgjÀ_Y_Tâ
:sgL*}sIl;
i\ tcoriir_usunl tln lntcrprctlçíu qucr
firzcr crcr quc rt lcÍ, npllca«ll ao caso concÍctô,
1>.dcrla Íorncccr cnr torlns ns hipótcrar. np.un, urrn rinlca soluçrio corrct* (íj,stn. ,.ril:sl§lp
u,t],
: Jy
n Jusrez.r'(corrcçr'io) desr:r
Jurídlco.posÍrlvn
prin lcl, Conligun cslc procceso d. hrtcrprcl.çio
dtclsilo Ê íundrrdn uí prô. ,,qpyg+4: sllq'-xe$I4!* "üã.;-
õ1Iffij"
conro sr sr trirtirsse tío somcnlc rcâlt(lades l'romólôsas.
rlc unr nto lnlclcctuol tle clnrlficaçi1o e rlciontlrrccnsilo,.on,o
*a o órg,tn:rpllcador
rlo.Dl rclto t lvcslc quc pàr cnr lçllo o scu cllcndisncIto
(rir.iro), nrns nio a sun lon. Talvez. Kelsen nao tenha percebido quc o pressuposto vio_
tadc, c conlo sc, fllrít*Cs dc unrr pura atlvl.rrdc lcnto clo qual partiu viciou e contaminou toda a tcoria, quer dizer,
dc lntclcrçiio. pudÉsse lcillihr.sc,.
cntrc rr$ posslbllldadcs q.tte sc nprcscÍttnnl, umil
cscolha quc corrcsponrlcssc ao Dl- todo scu intcnto analÍtico tcndcntc â apresentar de rnancira pura
rclto posltivo, urna cscolhu <orretn (Justa) no scnrldo
do«lirclto poslllvo,, (Kclsrn,
'ftoria Punr lo DÍrdlro, 1160. p.
391).
o objeto chamaclo "direito", cont expressa desconsideraçao de
O tlcbltr: cntrc Kclsen c Klug crtí disponír,cl ern sua dimensão gcnética. Todavia, como rodil origem,
l(rl.cclt,Nonrrn t jurklimse nnilltc
ló3rtl, Lqjpglgg_*
senégse*tsls$s" go_grqlg lgolum pgqlg:rongJgHltiggt-*
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Hàns Keleen: Teoria Jundica... I Júlio À. Oliveira .Alexandre T. G,Trivisonno Ke ben e a Violênciàl Uma Leiturà.,, lAndi§as Soares de Moura Colta Matos [,r
ri
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lrÉ
rqtrrpo-gqlgrii#lÍ,_ill Slglgslgg!$.H**dq
se pa{ta, Il[as, srgr, Corn efeito, Kelsen nâo poupa argumentos para descons- lI'ii
t'1
p{gsÊItg.S&jsIkDe qualquer modo, tenha ou não arentado para truir o Êstado-substância, demonstrando tanto histórica quanto Ii
essa peculiaridade de sua Teoria Pura, o certo é que, se Kelsen conceitualmente que essa "forma" não passa de um ouEo nomen,
I !.!

admltisse caracterizá-la como uma teoria da violência, ele serla do direito. Apesar disso, a tese ds identidade acaba se resolvendo
l:l
obrigado a abrir mão do projeto de descrever o direito em senüdo ern um nominalismo estatal que pressupõe um essencialismo ál
Iad
puro, já que, em tai hipótese, ele teria criado unla teqrild.o.difsifo jurídico,]8 De fato, a consequência lógica do projeto lconoclasta
.§fç]g$§. É esse, aliás, o resultado extrcmo a que se chega, caso kelseniano * que nega realidade ao Estado, compreendido apenas
F:i1

as teses que embasun a Teoria Pura do Direito sejarn levadas às como um conjunto de relações, ou sejaf um sistema Çompartilhado ls
ti,i
últimas consequências. Talvez por isso o jovcm Kelsen, em um de significados -
seria aplicar â mesma conclusão à outra face r"l
li
texto de 1920, tenha conrparado sua embrionária teoria juridica a do Estado, que é exatamente o direito, Entretanto, esse ousado lÍ
uma espécie de ateismo,]s jogando ironicantente com o conceito passo não é dado por Kelsen, que concede às formas jurídicas um frr
1..
cle teologia polÍtica, entáo prestcs a conhecer uma estranha e fas- sfnÍrs ontológico que elas não possuem.3e li,
íii
cinante floraçao na obra do inímicus Schmitt.
Desconsiderando seu pressuposto Íilosófico básico, segundo iÍ
Que a Teoria Pura do Direito possa scr entendida como uma o qual só o individuo existe, Kelscn vê nas pessoas - juridicas
i:!.
F;
teoria do direito senr direito é algo quc me parece bastante plau- ou naturÍ\is, til dualismo não íaz sentido ^ pontos de imputa- Ii
F,i
sÍvel, Para tanto, é prcciso levar a sório a polêrnica tcse kelseniana l5
ção criados pclo sistemn juridico para garantir sua auto-opera- tii
scgundo a qurl direito e Estado sio uma única e n"resnra realidade - cionalidade.''0 Mas csse "esquema de interpretoçf,o'que ldentili-
E
It
D
e nao unra "fornra-de-dois-lados'] corno queria Georg )ellinek-,de ca pessoâs de carne e osso com centros funcionais não seria, ele ít
sortc quc o Estado reprcscntaria flpcnas uma primitiva ffrtropo- próprio, uma licçao? Se raclicalizadas, as tescs kelsenianas levam
l:é
morÍizaçao quc, uma vcz superada cnl suâ substancialidadc, se à corlprcensio de que o direito é tão fântasnragórico quanto o Ii
resumiria a indicar a ftrnção centralÍz.adora e nronopolizadora da L]
l;'1

força n que orâ se clá o nome dc'Hircito", ora clc "pocler'i A crítica
3lt §onrr:k.,§lrrluL'rr lrrn; Kclsor'-s coÍlccptton nnd lrs lirnlts, p,762"761. iiiil:
dc Kelsen à tcoria traclicional do Estado enquilnto entidade autô- 3' "Kchen plrou cr:do no quc <liz rc,rpeito r\ desontologiznçiio radical. Âpcnís o Estildo li-
l:1
norna e aos autorcsr6 que a sustentavam nos anos 20 c 30 cquiva- ú clirrrinirdo rlt'fornra.clc.dols.liulosl cnquitnt<l 'tr rlircito pcrtnilnqcc. ,\o contrJrlo
tlc srta prriprin pcrccPçÍro, Kclscn n}rsrcntn o sistcnta juridico conro sc clc íos.sc unr li
le, conforme bern sc cxprêssa Alexanclcr Sor:rcl<, a uma tcntativa t::
írto lnstitucional, quc é (ônll)o$lo por normus nlllürs, (,..) I!§tI lntÊrpÍctilçí1o (lo sls. t,-
de clclpqlglpglztção_§BtÍU. Todovia, triltn-sc clc unr projcto que tcnrr Juridico colrtcidc com - c é rcforçlrln - Irdn visito da nornta conto unr ohJclo
pcnrrâneccu inacatrado,lT nbstrato. Ê nrlls rlo quu .rlnplclinlsnic ir'rnico <prc Kclscn, rinr suil tcnl(ilvil ds cvltitÍ É
l lriPostlsllç,iu. tcnhn rccorrklo r1 rnni$ crur dc totlas as hlpostnslaçôesl I prrssupo- lr
siçio onttrlógic;t rlo relrro rlrrs horrnns"l No orlglnlh'I(clnn iloppti tllr.rl otmdicul lr
l5 '.liílâ.§{: do dÍll8o Gttt urul Stutt, CÍ., errr português, l(clscn, I)st]r c c.(krílo, lir
iltontologiztttion. An\' tht ilutt ls clitniuilcd lronr the 'tro*idcrl ílrírrX', llrilu ',[c Írry'
'lbmc.sc Crrl Schruitt corrto e.r.§Ínplo. r\pusnr clc nos scus prinrclros cscrilos
36
sktl's ht phcc. Conlmry to ltlt orrl ilrlg[], Kúcrr Írcnrrls tlrr: Llqrrl r,lrtem ts it ll s,trt li
ncoklnlilnos clc tcr rlcfuntlido n priorÍdrdu do dircito cnr rchçrio ro l:-qtirdo, nrtrdir ti
m huliltrlioml jrct, wíclt is conryosctl ol *ilii nonns, (,,,)'lhls ítúil,prctutk»t ottfu h:- iil
ri:
rirdicrlrucntc dc posiçio a pnrllr dc folltiidlrr. ?lriolo.qjc lifi'olo.çírr Pofilknl. cls quc
.qrrl r1',rlcrrr or,,:rlrrpl *,ilh ul is n:iuJorectl by, thc víttt' ol tht uo:at tts tttt dttlrad olytcl. Ii
o [*stado onlcccdcrir o dlrcilo, vislo qrrc sir nclc sc porlcriir lr»rrar n dcci.srio sobrc a It ís nort lhan rrrrrrl.l, irolíc ll«l Kclscl, h hk ntlüttlrl lo avoli the hlytosktlltl,lioü,
rxccçrirt, [urrdnrlora th ortlrrn ju rkl ica. CÍ. Sclrrrritt. Prrlili(íll /rlroro.$,, Ir. I 2- 1 3, ti
ruort*l lo tlu erutl*t ltl,pottrttittttioru otull: thc ontologicnl ruiltotiti(tn oÍthcwrhn of
)7 llcvisito;r prrlir tlcstu portlo algutrrls iclcias quc íornnr dcsenvolvirhs nx pnrlc Íinâl 'ruatrr'' (Sontrk, Sírrtrlcrr lrrrr': Kclscn'.s concrption antl itr lirnlls, p. 773),
dc rncu ârtigo "Kclsurr contrr o t\tarlo'l CÍ, À.{ltos, Íiclscrr cottlút o tskklo, t;
§onrck, §lrrlrft'rr lnv: Ki:lscnb conccptiorr irnd lls lttnit§, p, 76,1. !í
Íi
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{ H.ans Kelsen: Teoria Jrrrídica... Jüllo
I Á. Olivelra . ÁlexandreT. G. Trivlsonno
Kelsen e a Violêncla: UÍna Leitura...
lAndityas Soares dê Mourâ Costa Mãtos

nente â uma ordem de signi-Ecados transcendentais (no sentido


kantiano), conferindo-lhe inteligibilidade. Âssim, o ato .'matar
um homem" pode ser lido juridicamente como crime de homicí-
dio ou aplicação de uma sanção capital, dependendo do contexto
jurídico-signiâcacional ern que for praticaáo. para LindúI, nâo
P.urs_de*pksi1p, u;.sp J possÍvel falar nas três tradicionais funções do direito instrumen_
é
do primeiro ordenamento -
iuridico enquanto" condiçâo para se tal, garantidora e simbólica -, dado que o ordenamento jurídico
pressupor * norrnâ fundamental, rnomento
inicial - u nao ,* possui uma única funçao, a simbólica, das quais as demals sào
minal - da cadeia de.validação objetivn necessária
e dercrifà meras modalidades.{t A norma fundamental é uni bom exemplo
cientÍfica do direito, rar como.*porio no
item z deste ortigo. Iiiã disso, pois, ao cumprir a função de norma inicial, garante uma
tenho dúvida de que essa visâo sombria
da realidade ,o.Lr, ou" comprcensão monista da ordenr jurÍdica. Tal se dá em prcjuÍzo
emerge de uma leitura verdndeiramente
críticn an f"orio purà-J do dualismo metaÍisico-substancialista típico do jusnatuialísmo,
Direito, poderia servir para lntegrar Kelsen
ern uma llnhagem de cuja linaiidade é transformar todos os problemas de sentido (ou
pensadores realistas e pessimistas que
inclui Maquiavel, H;bbes, funçâo) em problemas de ser (ou substãncia). Segundo a metafÍ-
Darrvin, Freud e Luhmann.
sica duaiista, todo processo funcional podc ser ieduzido a uÍna
Se descrever o direito funcionnlrnente questão ontológica. Para tanto, todo sentido precisa se inserir no
é rnais importante
do que buscnr sua inexistente substância, pÍrrcce.rne ser, ainda que se trate dc um ser forjado pela górgona do poder. Ao
que, no en-
tendimento de Kelsen, §stado e direito contrário, delxando de subordinar a validade a elementàs fáticos,
coincldem, revelando-se
ambos como expressões de um rnonismo a norrna fundamental rcconhece e assegura o caráter puramentc
funcional que se nega
a reconhecer a existcincia dc qunlquer sÍmbólico dos conceitos e das relações jurídicas,.'r fundadas cm
ordcm real nutônoma - Ju
'toncreta", como queria Schniitt *'na qual últimn e em primeira instância na cxperiên.ia da violôncia, tanto
*. iundn*"ntc, cm úl_
tima instância, o ordcnamento juríciico. por a violência histórica que pôc o ordcnamento jurídico quanlo a
cstarcm ligados, os
conceitos kelsenianos de Estado e direito atual quc o rnantóm, conforme pcrccpçõcs dc Walter Benjamin.
levarn às nresmas con.
clusóes. A excrnplo do Estado, o direito A dogmática jurÍdica clc puÍil conscrvador que não rcco_
clo antcs unr simbolo, visto quc ,,(,,.)
nio tem substância, sen_ .
nhecc csse pressuposro básico não passa clc uma iclcologia
lafitnctonnlización del estndo juridica
hrtp.lica que hay un solo incapaz de comprcender a irnpossibilidade de se construlr "visões
- unn sZciedad política _ q,,r riu,ttt,
9r{cn Í
ol derecho por/orma sintbólica,'.r rcais" dc um objeto que, cm si mesmo, nâo aprcscnta concretudc
Hans Lindahl sc rcferc ao carátcr puramenlc Íorr do mundo dos valores e da linguagcm. Ao dcsconsiclcrar ir
simbólico do
dircito com base na doutrina kclseniana, qr. vacuidadc clo direito, quc é só sÍrnbolo e linguagem, Kelsen se
an".rgn nfl norma
jurldica um simples,,esqucma cle intcrpreàçâol Dücor.lo .om aproximou pcrigosarncnte da doutrina tradicional que prctencleu
Kelscn, cabe ao juízo jurídico rclacionai vencer. Parece-me que tal ocorreu porque ele nflo desenvolveu
ccrto írto indiviclual ima-

42 Llndnhl, IJI ptrcltlo rclta7nn6; s1 rdglmcn slmbótlco dcl porlcr pollllco cn ln rlcmo.
'll Llndnhl, El puútlo sohuano: cr régrmcn
srnrbólrco dcr podcr polirlco ên rn dcnro.
craci:r, p. 67-68.
crnçla, p. ó6. 43 Llndahl, Ijlprrello tolternto: cl réglnrcn slrnbrlltco rlcl pollcr pollrlco cn h clcnro.
6Íícií, p. ú6, n.20,
276 HansKelsen:TeoriaJurídica... lJúlioÀ.Oliveira.AlexandreT.G,Trívlsonno,il Kelsen e a Violêncià: Umâ Leitura'., {And ltyas Soares de Moura Cotta Mãtos 2n
--l
de maneira consequente a intuiçâo que, esta-ndo na base de sua y3]or-dg§g - sô me parece possível se, antes de tudo, o direito for
Teoria Pura, serviu, ao não ser adequadamente ffisumida, para encarado como ele é. Nessa Per§pectiva, a teoria jurídica de Hans
abrir as brechas sociológicas surnariadas por Treves. Nessa pers; Kelsen permanece insup erável.
pectiva, a Teoria Pura do Direito falhou. Ao se propor a criticar
as ideologias tradicionais do direito, ela se tornou ideológica,{ 5. Bibliografia
visto gue se recusou a abrir mão do conceito ontológico de direi. AIONSO, Ilza Mario Miranrlo, Opositivislro ua episttnologia Jurklica de Hans
to, erutergando-o como 'toisa real"; mas tal conceito não é mai.s Kclscrr. Belo Horizontet llculdade de Dircllo da Univcrsidnde Fedeml de
do quc cosa nrcntole .
Minas Gcrais, 1984,
Contudo, entendo que o projeto maior de Kelsen - o crlti_ 0ENJ^MIN, Waltcr. Para umt crítica rla vlolêncin. Waltcr Beninnitr - Escrl'
tos sobre nrito c linguogcrn (1915'1921). In: GAGNEBIN, Jcanne Marie
co-iconoclasta, do qual a Teoria Pura do Direito á apenas uma
(org.). Traduçao dc Susana K'ampÍf l"oges c Ernirni Chaves. S[o ]aulo:
pequena e, afinal, nem tio importante parte - é atual e urgênte,
Duas Cidadcs/llditora, 201 l. p. I 2 l- 156.
apontando ainda hoje para a tarefa prôpria de kelsenianos críti- IIOBBIO, Norbcrto. Dircito e porlcr' Traduçio de Nilson Moulin. Sío Paulo:
cos, qual seja: demonstrar o caráter irreal, ideológico e profun- Univcrsidade [strdurl de Sao I'aulo, 2008.
danrente desmobilizador, carâcterístico não apenas do direito, CON'I.E, Àmedco G. Hans Kclscnh dcontics. lnr PAULSON' Stanlcy L'; PÀUL'
mas também de sua cognição 'ticntifica'l Mais ainda: cabe ao SON, Bonnie Litschcrvski (orgs,), NonrrnÍivily and rrorttrs: Critical pers'
kelseniano crÍtico trazer à luz a incxistência de pectivês on kclscniirn tbcnrcs' Trnduçío dc Bonnie Lltschcrvskl Plulson,
' Stnnlcy L. Poulson c Michael §hcrberg. Nnv Yorkl Oxford/Clirrcndorr'
do direito, rlesrnascamndo a
2007. p.331-341-
naturcza ideológica, c ulesmo mi tcntativrls cada vez
GIÀCOI.\ ]UNlOR, Osrrnlclo, §obrc dircÍtos humanos nn era bio'politicn' Kriteri'
ma
orr: Ilcvr.rlrt de Filosoft«.llclo I'ioriz.onte' v. XLIX, lro I lS' p, 267-309' 2008.
cle raciocinio e justiÍicaçiio, bcrn ao gosto do jusmornlismo e das
GOYAI(D-FÀBRD, Sintonc, Dc I'idóc dc nornrr: à la scicncc dcs rtottncs: Kant
q et Kclsr:n. ln: ÀMSELIK, Prul (orgJ. '[héorit du rlruit cÍ scicrrce' Pitris:
e enalteccr a violência cnquanto facc necessária clo direito. Aqui Prcsscs Univcrsitnircs de Francc, 1994. p.3l l-?]2,
perrnilrrcce vriliclo o propósito descritivo e nio prcscritivo pro- t'l^MMIlR, Stcfan, A nco.kantian thcory of lcgal knorvlcdgc in Kclscn's purc
pugnrdo por Kelsen, Todavia, rcsponder i\ ir:rportanlissima per- tlrcory ollnrv?. ln: PÂULSON, Stanlcy L,; P UISON, llonnic I.itschcrvskÍ
guntn que i\utorcs corno Walter Bcnjrrnin e Giorgio Agamben se (orgs.), Nonrrrrlit'íl)'rtttd rrorrtts; Crilical pcrsptctives on kclscninn thr:rncs,
'traduçâo dc llonnic Litsch*vski Paulsott, Stanlcy L' Pnulson c Michncl
põcrn - se ó po*Íyll o"rl ntLuql"yivôlSi-Lc_-o.lglU-a qle- aLnrnão
Shcrbcrg. Ncrv Yorlc Ox[ord/Clnrcndon' 2007, pr t77'194'
cl n v i ol{ r :c jt i u.r i d i c_l*gl3j!"-jillygl,{_q: s,jgjl"
fu gS- I h cum n ovo
I'IONORÊ.'lbny. 'l1rc brsic trornt of socicty. Inr I)ÀULSON' Stnnlcy L'; l'ÀUL'
SON, Bonnig Litschr:rvski (orgs.). Norutntivit|' nnçl ttortttsr crilical pcrs'
" l,tt rtflttíon* it Kdtlr' titnlmr lutkr mn triiiucttsitttwliiuil: rurtt r*tlilul socktl pcclivcs on kclsr'niru thcrncs.'ltnduçao dc Ilonnic LÍtschorvski Paulson,
ilt uctos jtríiicos lttkluico.liticot, ctt ltts t1lts 3s 1yç,1i1taslt tnt rtk4ión rlt danúià, §lanlcy L. lrilulsolr c Mtclracl Sherbcrg, Ncrv Yorlç OxfqrdiClarcltdon'
tn lnrla políticat ), ut larlc ccoutltuidítisiildrdn.rorii l.r t onlm jnrh!ico rluc lcltrnthn . 2007. p.89.1 I2.
lults tcttts cn uu lrtttilo ,tonillth'0, fitt c:rÍtlcltÍ putiltrrcrrtr: idonlo.rlicrr; ,1'ilcnits,
uat'llorfu id í)erlcln qna to st\lo intrnkt inttgrur il lcrtclw cono iiltoloXh cn nu JAtlLONIill, Clcnrcns, L'a crhica clc Kclscn a lo irlcologia' llibliolccn furldicn
sitlt»rrt ttuiktrio: silo 4al rrl utilnlo t ícutpo su tsltar:'n por l1ilirl,ilrlo ), !)or couJtrirlc Virtunl dcl lnstituto de Invcstigacloncs f urÍdicas dc h UNÂM' Çludad dcl
stt fitncítin tk conlí\nilíÍ ktt ctrltus ínt.rn*lkrs" (lrüloncr, lt critica ila Ktltat a la Môxico, p, 203-21.1, s./d. Disponlvcl ctrtr rnvrv'juridicn.s.unnm,lnx. Âcesso
irluologúr, p. 205). cnt 12.03.2013.
\
I

Hans Kelsen: Teoria Jurídlca...


lJúlio A, Oliveira . AlexandreT. G,TriuironnOii,íi Kelsen e a Violênciô: Urnô Lelturô.,. I Andityas Soares de Moura Costa Matos

KELSEN' Hans. Á jlslign c o tlirúto rrollral. Traduç[o de


]oão Brptista rl,r*rrl-..,,*:,:ii -.: PAULSON, Stanlcy. Kelscn on legal interprctatlor. kgal Srudiu, v. 10, no 2,
do, Coirnüra: Ârrnénío Amado, 1963. 'iiiiii 1990,
Deus e Eslado, ln: MATOS, Andityas Soarcs de Moura
Costai SeU- ti RÂ2, Joseph. Kelsen's theory of the basic norm. In: PAULSON, §tanley L,;
TOS NETO, Ârnaldo Bastos (orgs,). Contra o absohilor pcrspecthas iiil crÍtl; PAULSON, Bonnie Litschcrvski (orgs.). Nornativity aud rror»rs: Critical

::.::i:T:: :?::,':i:1 j. o, diq.l, ,'l pcrspectives on kelsenlan themes. Traduçôo de Bonnic Litschervskl Paul-
^""'11:.:,1Tlil':::Tlvui
Maros e Bctânia Côrres de euerroz c*ri"'ó_",,iilrii son, Stanley L. Paulson c Mtchael Shcrberg. Nerv Yorl« Oxford/Clarcn-
T,1::,1Y":::osro
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